Um ano
Hoje não se assinala o dia em que passa um ano desde os primeiros casos de covid19 em Portugal.
Hoje assinala-se a data em que passa mais um dia desde que o governo e o presidente da república mandaram fechar escolas e negócios, tornaram o uso de máscaras obrigatório, vedaram bancos de jardim e proibiram tudo o mais que a alucinação e hipocondria colectivas possam exigir.
A nossa oligarquia, incluindo os partidos políticos, mantêm a práctica institucionalizada de desrespeito pelos direitos humanos básicos. Só possível porque há uma submissão voluntária da população ao medo e porque muitos deixaram de ter receio da doença, para ter medo de viver.
Tudo está conforme o sistema se Costa e Marcelo não forem responsabilizados pelo que quer que seja.

Um retrato da Lisboa 2021
João Gonçalves: «Vai para catorze anos que a Câmara de Lisboa está nas mãos do PS, e dos seus aliados pseudo-independentes, todos oriundos da Esquerda. Costa largou a Câmara a 1 de Abril de 2015 para se dedicar à conquista do poder central com os resultados que se conhecem. Permaneceu nos Paços do Concelho, como segundo quase primeiro, o arquitecto Manuel Salgado que vicissitudes judiciais recentes obrigaram a demitir-se da vereação. Os mandatos de Costa e de Medina não teriam sido os mesmos sem Salgado. E Salgado não teria sido o que foi sem a caução política do actual primeiro-ministro e de Medina. São catorze anos de desprezo pela vida comum dos lisboetas, ao serviço de floreados e da imagem para terceiros verem. Os lisboetas foram expulsos do centro de Lisboa, andem de carro, a pé ou de bicicleta. Fizeram-se alterações no terreno quase exclusivamente a pensar no turismo. Na Baixa, em cada quatro edifícios, três são hotéis ou equivalentes. A obsessão estúpida por ciclovias e pilaretes tornou a cidade infrequentável. A Polícia Municipal é um sorvedouro indirecto de receita municipal, sempre à cata de possibilidades de reboque por dá cá aquela palha. Já a CML, “elefantizada” por todo o lado, constitui um formoso centro de emprego socialista. E dos muitos complacentes da falsa oposição que por lá se arrastam. São todos primos e primas políticos, socialistas ou não. Não lhes ocorre outro desígnio ou destino que estar e ficar. Não tenho nada contra uma cidade virada para fora e cosmopolita. Tenho tudo contra uma edilidade que trata os munícipes como atrasados mentais em nome de interesses transversais e da pura farsa.»
Houston, we have a problem
A propósito das FP 25
Manuel Castelo-Branco: «Tirando um pequeníssimo período em que, fruto de uma confusão de nomes, se suspeitou de uma eventual ligação entre as FP-25 de Abril e o PCP, a investigação, prisão e julgamento sempre suscitaram as maiores reservas em Mário Soares e em altas figuras socialistas. A eventual ligação das FP-25 de Abril ao PCP teria sido o fim deste partido, garantindo ao PS e a Mário Soares uma total hegemonia à esquerda. No entanto, o PCP nada tinha a ver com Otelo e o seu grupo terrorista e a postura do Presidente da República alterou-se radicalmente (…) François Mitterrand interpelava Mário Soares sobre Otelo, chamando-lhe (pasme-se) o “Sakharov Português”. Os outrora cantores de intervenção, repetiam concertos em homenagem a Otelo e “aos presos políticos”. Mário Soares sentia-se legitimado para resolver politicamente um tema que era da justiça.»
2004, 29 de fevereiro
No dia 29 de Fevereiro de 2004, ano bissexto da Graça do Senhor, começava o Blasfémias.
Por isso, hoje não fazemos anos, porque só de quatro em quatro apagamos velas.
De todo o modo, o blog mais liberal de Portugal já cumpriu dezassete anos, uma brutalidade num meio destes, ainda por cima quando este meio já viu melhores dias e tem vindo a ser substituído por outras redes sociais e meios de comunicação. Muito tempo que mudou muita coisa na vida de todos nós, de Portugal e do Mundo, mas que não tirou a nenhum dos que por aqui passaram a vontade de procurar fazer alguma coisa pela liberdade no nosso país.
Por conseguinte, justifica-se mantê-lo em funcionamento. Apesar de, ao fim de tantos anos, o núcleo fundador do blog ter esmorecido e só com a entrada de novas pessoas se ter conseguido mantê-lo vivo e com inegável qualidade. Dos fundadores e do grupo da primeira geração já poucos passam rotineiramente por aqui, o que é pena porque, apesar de tudo, este continua a ser um espaço de liberdade que é lido e que é deles.
Seria interessante que todos voltássemos a escrever, pelo menos de tempos a tempos, e que alguns dos que foram saindo regressassem um dia. Talvez quando o blog comemorar vinte anos, quem sabe? Isto é um pouco como aquelas bandas que se mantêm por décadas, que vão substituindo os músicos mas que, de tempos a tempos, ameaçam com um comeback integral.
A nostalgia de um tempo passado demasiadamente depressa tem destas coisas e põe-nos patetas.
Ah, já agora, para quem ainda se lembrar e perceber, o primeiro post do blog fui eu que o escrevi…
Parabéns
Os nossos amigos de oinsurgente.org fazem hoje 16 anos de vida dedicada aos ideais da liberdade. Parabéns a todos e assim continuem.
Uma pequena nota
O traste imprescindível
Para variar desta vez talvez se discuta Lisboa
Carlos Moedas está candidato à CML pelo PSD/CDS e talvez IL. Corre que Carlos Barbosa se apresentará pelo Chega. Esperemos que tudo isto se confirme porque não podemos ter outra campanha restringida às declarações de amor de Fernando Medina pela cultura, pelo ambiente, pela solidariedade…
PS. Os candidatos que não Fernando Medina também vão ter espaço de comentário televisivo?
Os bombardeamentos norte-americanos agora chamam-se “baixar a escalada de tensão”
Tropas norte-americanas bombardearam o leste da Síria. A SIC fez uma peça a explicar a razão de ser desse bombardeamento em que as declarações do actual presidente dos EUA foram usadas para legenda “Não podem agir com impunidade”. Biden diz que bombardeamento na Síria foi um aviso ao Irão. »
Mas o melhor vem no final do video. Depois de terem explicado que os norte-americanos bombardearam o leste da Síria para atacar uma milícia apoiada pelo Irão, repito pelo Irão, o faz de conta de conta que é jornalismo concluía “A diplomacia de Washington tenta actualmente baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo anterior presidente Donald Trump que rasgou o acordo nuclear, deu luz verde ao assassínio do comandante das forças especiais dos Guardiões da Revolução, esteve prestes a iniciar uma guerra ao regime islâmico“ Em resumo, segundo a SIC, os EUA de Biden atacam as milícias iranianas para baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo Trump.
Abel Tavares: «três reputadas multinacionais (apenas para mencionar algumas), respetivamente a Nike, a Apple e a Coca Cola, têm feito lobby político no congresso dos EUA para enfraquecer uma lei, denominada “Uyghur Forced Labor Prevention Act”, que tem como objectivo proibir a importação de bens provenientes de trabalho forçado na China.
As mesmas multinacionais que não hesitam em fazer anúncios, campanhas de marketing e publicações nas redes sociais a “ostentar” toda a sua “nobre preocupação social” e activismo pelas vítimas de injustiças, como aconteceu de forma mais recente com o caso mediático de George Floyd; as mesmas que contribuem para a narrativa de que os EUA ainda são um país profundamente racista, são as mesmas que fazem lobby político em nome dos seus negócios com um país que consabidamente persegue minorias étnicas e religiosas. Outro exemplo claro do oportunismo mediático recente e da prostituição corporativa de princípios organizacionais foi a Disney. Tal como as empresas anteriormente mencionadas, aquando do caso trágico de George Floyd fez questão de mostrar a sua “virtuosa” preocupação e não hesitou em emitir imediatamente um comunicado oficial a declarar-se chocada com o acontecido e a afirmar-se como uma empresa focada em fomentar uma cultura empresarial concentrada nos problemas e sentimentos da comunidade, promotora de uma cultura de diversidade e inclusão por todo o lado. Talvez a China esteja fora dos limites geográficos do que os membros da Direção Executiva da Disney consideram “todo o lado”, uma vez que a Disney não só não hesitou em filmar o remake do filme da Mulan nos campos de concentração da minoria muçulmana Uighur, como nos créditos do filme não curou de se poupar nos agradecimentos às entidades chinesas em Xianjiang, encarregues da segurança destes mesmos campos.»
A ler
Fátima Bonifácio escreve um esclarecedor artigo sobre as fantasias do império como invenção salazarista: «O Império não foi nenhuma invenção salazarista e vê-lo tratado como tal dá vontade de rir.Sem o contexto de mobilização patriótica desenvolvido na década de oitenta do século XIX, as reacções ao ultimato inglês de Janeiro de 1890 seriam inimagináveis. A notícia de que Portugal vergara a cerviz varreu Lisboa como um relâmpago e foi explorada tanto por monárquicos como por republicanos. Na noite de 11 de Janeiro de 1890, as praças, as ruas e os cafés da Baixa encheram-se instantaneamente. No dia 12, a ira popular apedrejou as janelas da embaixada britânica em Lisboa: Angola e Moçambique eram nossas! Depois de muitas e muitas peripécias, gradualmente o fogo patriótico foi-se extinguindo. Mas, com o Ultimato de 1890, ficou estabelecido o monopólio republicano do patriotismo.»
E, assim por exemplo, o ideário comunista ou os adeptos da supremacia negra passam nos testes?
Com o título branqueador do costume “IGAI quer mudar recrutamento de polícias e rever formação para acabar com discriminação” somos informados que a extrema esquerda vai ter carta branca para controlar a formação dos polícias: “Nos testes psicotécnicos [feitos no recrutamento] temos essa proposta de criar um grupo de trabalho que integre psicólogos de forma a poder criar uma grelha de testes que seja apta a captar a existência, por exemplo, de um individuo que tenha um ideário nazi ou que seja adepto da supremacia branca. Vamos convocar psicólogos para a área do recrutamento”, precisou a juíza desembargadora, Anabela Cabral Ferreira”
Arquitecto da recuperação económica
António Saraiva escreveu uma carta aos empresários.
Diz querer dar um “abanão” ao modelo de crescimento do país mas quer que o ministro da Economia “seja o arquiteto da recuperação económica”.
É triste que seja o sector privado a pedir mais socialismo.
A história conto-a no meu video de hoje, aqui:
Mas estas queixas nunca dão em nada?
23 de Fevereiro de 2021: Uma sessão organizada pela Associação de Estudantes da Escola Secundária de Camões, via Zoom, foi interrompida por várias pessoas com ataques racistas e neonazis.
14 de Agosto de 2020: O ativista Jonathan da Costa Ferreira afirma ter voltado a receber ameaças à sua integridade física, denunciou a Frente Unitária Antifascista. Alegado autor está ligado à extrema-direita
12 de Agosto de 2020: Três deputadas ameaçadas por grupo neonazi através de email. PJ já está a investigar caso
10 Ago 2020: Pessoas de cara tapada e tochas manifestaram-se no SOS Racismo no fim de semana contra o “racismo anti-nacional”. Instituição apresentou queixa no Ministério Público por “parada à KKK”.
E ainda a 7 de Agosto de 2020 supercalifragilisticexpialidocious ataque com garrafas de cerveja ao “espaço Disgraça, antiautoritário como referem os seus activistas”
As personalidades subscritoras só devem tomar as vacinas produzidas por entidades “não mercantis”
Antes de começarem exigir a censura nas televisões generalistas nacionais, as personalidades subscritoras avisam que “as vacinas não se fazem à velocidade desejada e as farmacêuticas são poderosas entidades mercantis”. Ora aí podem as personalidades subscritoras começar já a fazer alguma coisa: só tomam vacinas criadas e produzidas por entidades não mercantis.
Bonitos são os libelos acusatórios contra o capitalismo, o Trump, a troika…
Pessoas conhecidas por levarem a vida acusando tudo e todos como Rita Rato que coitadinha ainda não sabe o que foi o gulag, Vasco Lourenço que sendo tenente-coronel continua a assinar como “capitão de Abril” e o marido da senhora ministra da Justiça mostram-se indignados com a informação das televisões generalistas nacionais. Para dar conta da sua indignação escreveram uma carta-aberta onde sublinham que, mesmo sabendo a importância da informação sobre a pandemia, não aceitam “o apontar incessante de culpados, os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo e da DGS, as pseudonotícias (que só contribuem para lançar o pânico) sobre o ‘caos’ nos hospitais, a catástrofe, a rutura sempre anunciada, com a hipotética ‘escolha entre quem vive e quem morre’”
Vá la façam de conta que o governo não é da vossa cor política e de certeza que já estavam a falar de genocídios. Recordo que uma das signatárias deste documento a dra. Rosário Gama é exactamente a mesmissima senhora que, entre 2012 a 2015, denunciava, a propósito do pagamento de 35 euros de contribuição extraordinária de solidariedade por parte dos pensionistas que recebiam pensões de 1350 euros, que o governo de então pretendia “exterminar” os idosos “pertencentes à classe média”. Não era pressionar era mesmo exterminar: a cada 1315 euros que recebiam em vez dos 1350 era um extermínio. Agora os idosos da classe média, da classe alta e da classe baixa morrem nos lares, outros não conseguem ser consultados, os diagnósticos atrasam-se… mas a dra. Rosário Gama e as outrora arrebatadas “doutoras Rosários” deste país querem calar quem discorda da versão oficial.
Não acharam tanta graça ao esqueleto que interrompeu o comício do Chega?
sobre a festança que por aí se prepara
O Plano de Recuperação e Resiliência: as responsabilidades do PSD e de Rui Rio, no Observador:
«Pelo que fica dito, é fácil concluir que o Plano de Recuperação e Resiliência consistirá, essencialmente, num gigantesco esquema de emissão de cheques e de pagamento de salários da função pública e dos seus avençados. Em dinheiro atirado em cima de dificuldades e prejuízos, para pagar prejuízos e dificuldades, e que rapidamente se esboroará nas necessidades diárias de tesouraria, deixando, a prazo, tudo ainda pior do que estava inicialmente, porque os recursos serão consumidos e, alguns deles, a título de empréstimos a pagar.».
Fact Checkers: a “Inquisição” moderna

Somos manipulados a toda a hora sem nos darmos conta. Se por um lado as novas tecnologias vieram revolucionar o nosso modo de vida, melhorando-o, por outro, trouxe um perigo omnipresente: a formatação da mente humana.
Comecemos pelos motores de busca. O mais conhecido de todos, o Google, é usado pela maioria das pessoas que procuram informação. Mas, o que antes era uma ferramenta eficiente, transformou-se, hoje, numa rede de dados para vigilância global e engenharia social. E como tudo se processa? Ler mais…
O fim da democracia liberal?
“A maior vítima do confinamento não serão os bares, restaurantes e lojas fechadas nem as companhias aéreas paralisadas. Não será a nossa cultura musical, teatral e desportiva outrora florescente. Não será nem mesmo o desastre da nossa economia. Essas são coisas terríveis de se observar. Mas a maior vítima de todas será a democracia liberal.
A democracia liberal é uma conquista notável, mas frágil. É uma tentativa de enfrentar o desafio de tornar os governos responsáveis perante o povo, enquanto protege a liberdade pessoal. Isso é difícil de fazer. As pessoas anseiam por segurança e esperam que o Estado a providencie. Para fazer isso, o Estado precisa de amplos poderes sobre seus cidadãos. É por isso que, nas democracias de todo o mundo, o poder do Estado tem aumentado continuamente. É também por isso que a democracia liberal é a excepção e não a regra. As democracias são facilmente subvertidas e frequentemente falham.
O que nos torna uma sociedade livre é que, embora o Estado tenha vastos poderes, existem limites convencionais sobre o que pode fazer com eles. Os limites são convencionais porque não dependem das nossas leis, mas das nossas atitudes. Existem “ilhas” de vida humana que são nossas, um espaço pessoal no qual o Estado não se deve intrometer sem alguma justificação absolutamente excepcional.
A democracia liberal desmorona quando as maiorias assustadas exigem coerção em massa sobre os seus concidadãos e exigem que os nossos espaços pessoais sejam invadidos. Essas exigências são invariavelmente baseadas no que as pessoas concebem como um bem público. Todos eles afirmam que o despotismo é do interesse público.
Não podemos entrar e sair do totalitarismo à vontade. Porque uma sociedade livre é uma questão de atitude, ela morre quando a atitude muda.”
Acima, excertos de um texto de Lord Sumption publicado no Telegraph há dias com tradução livre minha e que vale a pena ler na íntegra e no original.
É de facto uma questão muito importante
Não está fácil
Em Espanha metem na prisão um tipo por andar a gozar com a monarquia. Por cá, uns tantos querem «deportar» um português por não gostarem do que ele diz sobre outro português. E no parlamento, um partido quer que o juiz presidente do Constitucional, não enquanto juiz nem membro de um tribunal, mas como cidadão, se retrate publicamente sobre declarações suas.
entregues a imbecis
Fui, hoje de manhã, a uma FNAC.
As FNACs são dos raros estabelecimentos comerciais onde o vírus não entra ou, se entra, não se transmite. É isso que se pode depreender dos decretos do actual estado de emergência.
No interior do estabelecimento tudo estava acessível para ser manuseado e adquirido, inclusivamente os livros, que até a passada segunda-feira eram altamente transmissíveis do covid.
Tudo? Bom, tudo tudo também não: num canto recôndito da loja, uma pequena área estava isolada por um cordão. O que continha ela? Jogos, jogos de tabuleiro, conhecidos como «jogos de sociedade». O que viu o legislador de muito perigoso nesses materiais? Não é preciso pensar muito para atingir a sofisticada inteligência da medida: os jogos de sociedade jogam-se presencialmente com outras pessoas; quem os compra compra-os para jogar; logo, proibindo a sua venda, diminui-se radicalmente o perigo de contágio pelos jogos sociais.
Estamos entregues a imbecis.
O segregacionismo de Fernando Rosas
Fernando Rosas considera que “Marcelino da Mata traiu a causa de independência do seu próprio país”. Porque havia Marcelino da Mata de defender o PAIGC? Por ser negro? Que outra razão tem Fernando Rosas para dar para o que designa como traição de Marcelino da Mata a não ser a cor da pele deste militar das Forças Armadas Portuguesas? Os negros tinham de ficar na Guiné e dar vivas ao PAIGC?
O Estado e a histeria colectiva em Portugal
Ver condutores sem passageiros ou pessoas sozinhas a passear ao ar livre de máscara seria apenas anedótico ou uma simples palermice não fosse hoje revelar a histeria e narrativas apocalípticas em que meio mundo se deixou enredar.
Não é função do Estado proteger os cidadãos de todo e qualquer risco para a sua saúde. Aliás, risco de vida zero existe apenas para quem já está morto.
No meu video de hoje procuro explicar de que modo o Estado reforça a histeria colectiva e por que razão acabaremos por sair disto tudo muito mal e pior do que outros.
Ver aqui:
A polémica Caupers: o BE a fazer tiro ao alvo aos socialistas
Ontem estive na TVI a comentar o caso Caupers. A polémica em torno de João Caupers quer dizer duas coisas: o BE está a fazer tiro ao alvo aos socialistas (Caupers é tido como próximo do PS); as redacções estã por conta do BE: de repente toda a gente sente necessidade de dizer que aquilo que Caupers escreveu é uma tolice, vão enfaticamente linha por linha como a sublinhar o hediondo e todos sentem necessidade de se demarcar, hoje o JN avisa “Novo presidente do Constitucional, crítico do “lóbi gay”, defendeu no chumbo da gestação de substituição que conceção sem pai ou mãe é “absurda“. Pressurosamente os “por favor não me acusem de nada” vão cuidadosamente expurgar as referências ao direito a um pai e a uma mãe por parte das crianças… Não vai sair ninguém incólume deste patrulhamento ideológico.
A outra moralidade a tirar deste caso é que só existe polémica quando a esquerda a pormove. Caupers escreveu várias coisas que nomeadamente durante os anos da troika e NUNCA houve qualquer polémica. Não se esqueçam disto.
Dá-lhes!
A publicação n’O Observador do direito de resposta do António Abreu do Notícias Viriato marca um ponto fundamental na falta de moral a que tresandam os fact-checkers nacionais. Há verificação de factos e há criação de narrativas — um termo socrático (não o sentenciado à morte: o que ainda nem acusado foi). Os fact-checkers, arautos da pós-verdade, arrogam-se a autoridade de definirem a realidade consoante o que mais interessa ao poder político, o que por si só demonstra não só a perniciosa prevalência destes fact-checkers como define a própria causa única para a sua existência. Que o O Observador opte por participar nesta destruição do que é suposto ser o jornalismo é que é uma tristeza.
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O relatório do dia
Todos os dias um relatório é destacado nas notícias. Esses relatórios fazem invariavelmente a defesa das teses esquerdistas.
Hoje temos o Relatório europeu alerta para risco de “radicalização” da extrema-direita em Portugal mais o estudo efectuado a pedido do deputado europeu José Gusmão “Rendas controladas e financiamento do Estado podem recuperar direito à habitação” (o uso do verbo recuperar no caso português remete para aquele glorioso tempo do século passado em que não se conseguia arrendar uma casa em Lisboa ?)
O mercado municipal mais caro do Mundo
Um dos maiores escândalos de esbanjamento do erário público está acontecer em Viana do Castelo sem que, ninguém com poder neste país, se mostre verdadeiramente indignado e tente travar esta pouca vergonha à vista de todos. Como já o denunciei aqui, no meu texto “O que esconde a demolição do Prédio Coutinho”, o processo de demolição do Prédio Coutinho para a construção de um novo mercado municipal – por sinal o terceiro nesta cidade minhota -, está repleto de ilegalidades e nunca o projecto teve por base a “protecção ambiental, a necessidade de um mercado central e muito menos a elevação da cidade de Viana a Património Mundial. É um caso de polícia que já deveria estar nas mãos do Ministério Público.
Já foram gastos mais de 34 milhões de euros só até 2017. Falta juntar a isto, mais uma catrefada de anos de salários obscenos da VianaPolis (só um administrador ganha mais de 5000€/mês), até à conclusão da obra que será bem demorada, despesas com advogados e tribunais (de 2017 até ao presente) e mais 9 milhões para a construção “futurista” em pleno centro histórico (sim, pasme-se!), sem contar com o valor que ainda não podemos apurar (mas que vai-se registar por já ser “tradição” neste país) com DERRAPAGENS orçamentais constantes, quer com a demolição do prédio (que está tão bem construído que vai ser um “bico de obra” deitar abaixo à picareta, como está previsto), quer com a construção do novo mercado de arquitectura “futurista” que, se for “tão bom” como o Centro Cultural ou a Biblioteca, não faltarão, depois de inaugurado, obras por via de infiltrações, entre outros. Tudo somado, arrisco sem problemas em dizer, que no final das contas, com todos os gastos somados durante anos consecutivos até à finalização da obra, serão perto de 90 milhões de euros.
Ler mais…Se bem percebo
As mesmas pessoas que condenam Marcelino da Mata por se ter sentido português acham um crime perguntar-se porque se sente bem com a nacionalidade portuguesa Mamadou Bá .
Isto já foi desmentido??
Vírus e histeria colectiva
Dispensam-se os qualificativos de “negacionismo” e “irresponsabilidade” assim como toda a bazófia e ladaínha ridícula dos membros da seita covidista. Apenas se recorda aqui, a seguir, um fenómeno de histeria colectiva que ocorreu em Maio de 2006 no nosso país exponenciado pela popularidade, à época, da série televisiva “Morangos com Açúcar”.
Em baixo um excerto do epísódio que esteve na origem do fecho de diversas escolas e no atendimento hospitalar a mais de trezentos estudantes:
E recortes de imprensa dessa data:

Nove meses de Inverno e três de Inferno
Neste período de planeamento e implementação da desgraça que se avizinha evitaria recomendar fosse o que fosse que implicasse gastar algum dinheiro, a começar por livros que são sistematicamente publicados e que se arrogam a capacidade de identificar problemas e de oferecer curas miraculosas que o são na mera condição esotérica de se saber nunca serem implementadas. Estes, que pertencem exactamente à categoria inversa dos livros de auto-ajuda — são a categoria de auto-flagelação —, normalmente são designados pelas irónicas categorias de política e economia e são escritos para habitantes das grandes cidades que, não sendo leitores da Caras, disfarçam o culto da personalidade através da dedicação ao proclamado intelecto do escritor. Como dizem os populares, “de boas intenções está o inferno cheio”.
No caso concreto, e porque se trata do oposto de promessas de um mundo melhor quando todos sabemos que nada caminha nesse sentido, recomendo efusivamente o livro “Nove meses de Inverno e três de inferno” do João Pedro Marnoto. Há poucos assim, a ilustrarem sem pontificarem; a documentarem sem julgarem. Acompanhado de um filme maravilhoso com o mesmo título, esta obra não nos apresenta promessas e sim um mundo que os fazedores de promessas teimam em insistir que já não existe. Contudo, existe e é mais real do que qualquer outro que nos tentam vender. Não existe apenas em Portugal, existe em Espanha e existe na Dinamarca e existe na Alemanha e existe na Irlanda. É diferente em cada um desses países, assim como é diferente a realidade do Douro e Trás-os-Montes retratada no filme da realidade do Algarve que também existe para lá da hotelaria. E porque é importante ver essa realidade? Pela imensa sabedoria da ruralidade, por uma visão idílica e urbana da bonomia iletrada das gentes simples? Pela superioridade comparativa de uma vida campestre, pastoral, transformadora do urbano num poeta naturalista que enaltece o que pode testemunhar com óculos cor-de-rosa num fim-de-semana em turismo rural? Não. É importante porque mostra o oposto: que há um mundo fora de Lisboa e Porto que não só não se compadece dos planos grandiosos que na urbe se tecem para a gestão territorial como o motivo pelo qual ignoram as larachas urbanas é por estas serem ruído de fundo, tão apaziguadores por indiferentes como o som do Preço Certo às refeições.
No filme podemos ver a vida a continuar enquanto um cão tosse, um galo cacareja, um apresentador de concursos graceja, um apresentador de notícias doutrina e um político arredonda discurso até o desprover de qualquer significado passível de interpretação além do som de sílabas desconexas, como qualquer outro som da terra. Se o leitor tem filhos em idade escolar, mostre-lhes o filme. São eles quem precisam entender o país, não este, não o de Lisboa, não o do Alentejo, mas todo o país, o que vê e o que não sabe o que é Netflix, porque são eles quem o poderão governar no futuro, isto se entretanto nós, os adultos, não o destruirmos. Os meus já viram e cá em casa só podemos agradecer ao João Pedro pelo privilégio.
O livro e o filme estão disponíveis em www.9inverno3inferno.com. Para conhecer mais trabalho do João Pedro Marnoto visite mediautopia.net.
Mamadou Ba tem razões
Para questionar a figura de Marcelino da Mata: muitas das operações que Marcelino da Mata levou a cabo tiveram lugar no Senegal. O PAIGC tinha bases no Senegal e fosse em operações de grande envergadura como a Ametista ou em operações de tropas especiais como era o grupo dirigido por Marcelino da Mata os militares portugueses entraram várias vezes em território do Senegal. Combateram aí, colocaram minas, dispararam. Vários senegaleses morreram. Ora Mamadou Ba é senegalês e portanto tem uma perspectiva, legítima, mas de natural do Senegal sobre Marcelino da Mata (e tb sobre a Guiné mas esse é outro assunto). Já sei que Mamadou tb tem nacionalidade portuguesa. Ainda bem para ele. Não pode é querer impor a sua perspectiva como pensamento único.
“Sou o Marcelino”

Escrevi para o Observador sobre Marcelino da Mata: «Em 1973, Marcelino da Mata constitui Os Vingadores, um grupo de tropas especiais constituído por 18 negros. Operam com grande autonomia. Fazem operações de grande risco: quatro ou cinco homens entram no Senegal e colocam minas em locais estratégicos, fazem apoio às tropas regulares e marcam presença em operações históricas como a “Ametista Real”. Esta operação com nome de joia teve lugar a 19 de Maio de 1973, o objectivo era a base do PAIGC em Kumbamory, no Senegal. Marcelino da Mata está com seis homens do seu grupo. Combatem, mas sobretudo conseguem fazer ir pelos ares um importante paiol. No fim, Marcelino e o seu grupo carregam às costas com um dos seus que ficou ferido e acabam quase a ser vítimas do fogo amigo – eles eram todos negros e não vestiam fardamento regular pelo que eram frequentemente confundidos com guerrilheiros do PAIGC.
“Sou o Marcelino”– terá gritado para dentro do quartel. Dois meses antes foi também com um “Sou o Marcelino” que se apresentou ao piloto Miguel Pessoa que se ejectara do seu avião atingido por um míssil e que ele e o seu grupo acabavam de resgatar no chamado corredor da morte. Nos palcos de guerra, Marcelino da Mata não precisava de indicar patente, companhia ou aquartelamento. Bastava-lhe dizer “Sou o Marcelino”.»
Nada é real ou assim parece
Ontem passei pela TVE. Passava uma peça sobre um proposta de especialistas (o que quer que isso seja hoje em dia) para que, numa fase pós-covid, continuasse a ser obrigatório o uso de máscara na rua assim como em espaços fechados. Os especialistas em questão argumentavam que, por graça dessa medida, poderiam ser reduzidas muitíssimas infecções por redução de contágio por diferentes vírus. Da intervenção de um especialista passaram para entrevistas de rua. Nestas, os participantes, que espero terem sido escolhidos a dedo, consideravam a barbaridade como uma medida positiva para “toda a sociedade”.
Ocorreu-me que qualquer maluco vai à televisão, pelo que a peça não seria particularmente assustadora, só uma curiosidade para chanfrados. Depois senti-me dominado pelo terror de que a peça seria séria, tal como a proposta e, tenebrosamente, que os entrevistados de rua seriam uma representação mais ou menos fidedigna da população madrilena. Nessa altura pensei que já houve um tempo em que nos preocupávamos com coisas pouco importantes, como assaltos ou assédios e fiquei com saudades de um mundo perigoso, um que nos permita correr os riscos que entendermos como essenciais para que a vida seja real.
Costa e Salazar: a mesma luta
Em benefício (ou prejuízo) dos frequentadores do Blasfémias, abaixo deixo versão video Youtube de um post anterior meu.




