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o disparate da democracia-cristã

25 Janeiro, 2020
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iA insistência do CDS em dizer-se um partido «democrata-cristão» é um imenso disparate, que, em parte, explica a panaceia ideológica em que o partido se deixou cair e, porque não entusiasma ninguém, o tem levado ao esvaziamento progressivo.

As causas da origem da democracia-cristã estão hoje mais do que ultrapassadas. Na verdade, a “Rerum Novarum” (1891), de Leão XIII, foi uma tentativa inteligente da Igreja Católica estancar a progressão do socialismo no mundo operário, que foi, em parte, conseguida. Por razões evidentes, deixou de ter, hoje, qualquer utilidade.

Por outro lado, no século XX, a democracia-cristã teve duas referências matriciais: uma, a italiana, muito importante na reconstrução da Itália, no pós 1945, e no arranque da construção comunitária, terminou, na década de 90, com o sinistro Giulio Andreotti. Hoje, já não serve para nada e a sua memória tem sombras indesejáveis.

Quanto à democracia-cristã alemã, há que ter em conta que os seus dois nomes maiores – Konrad Adenauer e Ludwig Erhard – eram, sobretudo o segundo, verdadeiros liberais clássicos, influenciados pelo pensamento austríaco de Menger e Mises, graças ao que a reconstrução alemã foi um êxito. Por isso, ser hoje «democrata-cristão» à alemã só pode significar uma coisa: ser liberal. Como, aliás, já o tinha percebido muito bem, há anos, Francisco Lucas Pires.

Consequentemente, persistir na «democracia-cristã» é persistir no vácuo. Por onde o partido flutua e donde só sairá se abandonar, de vez, essa velha aventesma.

um cadáver não alimenta ninguém por muito tempo

25 Janeiro, 2020
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img_797x448$2020_01_15_14_18_27_615739A velha lenda (ou mito?) do “CDS-partido-de-quadros”, se é que alguma vez existiu no mundo real (e, como Portugal é um país onde eles não abundam, é capaz de ter tido algum fundo de verdade), há muito que se desvaneceu. Como o partido, desde o cavaquismo, tem vindo a ameaçar a extinção, com alguns momentos de aparente recuperação, mas sempre feitos em torno de carismas solitários, os caciques que, ao longo de décadas, foram dominando as estruturas locais agarram-se. com unhas e dentes, aos pequenos poderes que ainda sobravam, e montaram os seus feudos e senhorios onde só entra quem eles autorizam. Hoje, em razão disso e por causa disso, o CDS não é um partido em que o aparelho tem uma grande influência, como acontece neles todos: o CDS é, ele mesmo, quase apenas e só, um aparelho partidário. Ora, como o instinto de sobrevivência é o primeiro de qualquer espécie, e no «homos caciquencis» é apuradíssimo, é natural que o CDS saia deste congresso com um líder eleito pelo seu aparelho, para o preservar e manter influente. Todavia, há aqui um enorme erro de percepção: é que o CDS, se não muda, não sobrevive. E um cadáver não alimenta ninguém por muito tempo.

Manuais escolares grátis já!

24 Janeiro, 2020

Está tudo ultimado para a viagem que o colégio vai fazer em Fevereiro, a Andorra, durante uma semana, para que os miúdos possam aprender ski. Portanto, vejo com muito bons olhos a proposta liberal para que no próximo ano não tenha que pagar os manuais escolares, essa renda que o estado cede amavelmente para manter editoras que de outra forma já teriam falido. É importante não falhar com o apoio a quem mais precisa.

Do “longinquamente formal”

24 Janeiro, 2020

Juiz que é sócio e accionista de uma associação desportiva que é parte em processo que vai julgar pede escusa, o que é  recusado pelo seu colega juiz Ataide das Neves, porque:

“a integridade de um magistrado não pode resultar de uma mera aparência epidermica, de superfície,  que apenas num longinquamente formal e puramente teórico e preconceituoso, quiçá amedrontado, pode ter alguma leitura.

Rompe, rasga, quebra e torna a partir

24 Janeiro, 2020

Uma característica interessante de Portugal é a capacidade com que desfazemos o que custou a construir, tentando refazer várias vezes as coisas com a mesma pompa pueril de uma criança que julga ter descoberto a roda. Eu chamo-lhe o Princípio da IP5. A série de circunstâncias especiais que levaram Passos Coelho a primeiro-ministro naquela precisa altura, aparentando ser possível sedimentar alguma cultura de direita e originando frutos na vitória eleitoral subsequente, rapidamente se tornou num rude golpe aos esperançosos no início da evolução do país para algo menos patético. Mal o Partido Socialista e os companheiros na Geringonça tomaram conta da frágil situação, a direita tratou, de formas que variam entre o trágico e o cómico, de assegurar que não passaria mais de uma semana sem tentativa de suicídio.

Dos “jornais de direita” recheados de redacções marxistas aos carreiristas que saltam de partido em busca no novo ovo com o mesmo afinco com que um ciclista rapa as pernas, passando pelas sucessivas declarações “somos um partido de centro” como um feirante a anunciar que as calças de ganga são produto nacional e não chinês, o termo certo para este incómodo que leva a crises identitárias de eixos é o velho monstrinho verde da inveja. Inveja pela esquerda, que sabe federar-se mesmo quando diz que não o faz desde as famosas “forças de bloqueio”; inveja pelos lugares disponíveis para quem souber aguentar as virtudes da ausência de opinião própria; inveja pelo que poderia ser se a Suíça fosse aqui, apesar de não o ser. Multiplicando-se em novos partidos, como coelhos, cada um tem que deixar a sua marca pessoal, o seu estilo, a sua visão romântica e floreada para o desígnio único que consiste em apoderar-se do aparelho do estado.

Aparecem novas esperanças, alguém em quem ter fé, assimilando o velho espírito de que um Ronaldo há-de sempre aparecer num clube de quem, até então, ninguém ouviu falar. Afinam-se os discursos, mais -ismo para aqui, menos -ismo para acolá, como uma receita, um Kama Sutra ideológico que nos levará definitivamente a continuar frustrados por não ir a lado algum. Ruptura! Ruptura com o que ontem defendíamos e amanhã voltaremos a defender.

Um circo de marionetas, mas sem humor.

Não vivemos num Estado de Direito, mas antes, num “Estado Mafioso”

24 Janeiro, 2020

Acabo de receber esta carta que partilho aqui para reflexão. Se estou surpreendida? Não. Seja qual for a problemática, quando não vai ao encontro dos interesses dos “ditadores” desta “república venezuelana”, situações destas aqui relatadas nesta carta, são prática recorrente no nosso país. Há muito que denuncio que esta classe de políticos funciona à margem de uma verdadeira democracia. E tenho dito também que urge limpar o Parlamento deste tipo de gente. Que ontem já era tarde.

Como o denunciei aqui, a Vianapolis já deveria ter sido EXTINTA há muito por insolvência. Mas continua “activa”. Como é possível fechar os olhos à lei?

Prédio Coutinho Documentos - cristinamiranda familycare gmail com - Gmail

Ex.ma Sra Cristina Miranda
Para seu conhecimento envio-lhe acção especial que deu entrada no Tribunal de Contas em 2018 a denunciar as graves irregularidades da Soc. Vianapolis. Até à data não houve qualquer resposta daquela instituição!
Envio-lhe também um estudo económico sobre as contas da referida sociedade. Ambos os documentos não contêm os anexos porque foi assim que os recebi. Ambos os documentos são já do conhecimento dos Grupos Parlamentares, jornalistas, comentadores e personalidades, Sra. Procuradora da República e Presidente do Tribunal de Contas para que estes factos não sejam abafados como alguns pretendem.
Como deve saber conseguimos reunir as assinaturas necessárias para levar a petição “Salvar o Prédio do Coutinho” a discussão no Parlamento. Uma vez conseguido esse nosso objectivo, a Vianapolis, em conjugação com o Sr. Presidente da Câmara de Viana do Castelo, de imediato trataram de escrever uma carta ao Sr. Presidente da Comissão de Ambiente – que no meu entender não foi mais que uma tentativa de condicionar a discussão da mesma – e que acabou de ter o efeito pretendido.
Assim, formalmente os cidadãos dispõem de um mecanismo de participação nas decisões políticas mas, quando essa participação não é do interesse do Estado, existem mecanismos de sabotagem.
A votação da esquerda não constituía uma surpresa, mas o voto PSD na referida comissão, não há palavras para descrever!
Mesmo assim, lá arranjara, para compor o ramalhete, o voto do Livre e outro.
Apesar de ter sido chumbada, a sua discussão (nota de admissibilidade) admitia que o peticionário pudesse recorrer apresentando a sua contestação e assim fizemos, sem qualquer hipótese, porque a referida comissão tinha como único objectivo impedir a sua discussão ( leia a nota de Admissibilidade e a resposta ao despacho).
A nossa Petição foi sabotada, simplesmente!
Quando saírem as decisões judiciais e na posse desses documentos, vai poder ter uma percepção mais clara do tipo de Estado em que vive.
Estou plenamente convicto que em Portugal não vivemos num Estado de Direito mas antes num “Estado Mafioso”!
Em anexo segue também uma “Carta Aberta” dirigida ao Sr. Primeiro Ministro publicada em Set. /2019 no Jornal O Público.
Tire as suas próprias conclusões.
Com os meus melhores cumprimentos e muito obrigado por tudo.
Agostinho Correia
ANEXOS:
Documento nº 1 – Acção Especial entregue no Tribunal de Contas sobre denúncia às contas da Vianapolis

https://drive.google.com/file/d/0B1zROAB2MLFmUEFRWWJvcmZPTXVyRXZMU3l1MXBfMFJ3UUhB/view?usp=drivesdk
Documento nº 2 – Carta ao Presidente da XIII Comissão de Ambiente

https://drive.google.com/file/d/0B1zROAB2MLFmVFNxUnhpUFhTVnVmVkEtS181c3RsTy1YVnBn/view?usp=drivesdk
Documento nº 3 – Nota de Admissibilidade

https://drive.google.com/file/d/0B1zROAB2MLFmQ0F1U1ZCWktjWkJSSmZLNTFmZzE1eGZjbWRn/view?usp=drivesdk
Documento nº 4 – Resposta ao despacho de admissibilidade da petição

https://drive.google.com/file/d/1JkGnOdR-n-MZfJ5k2k7M8a7QIZf4vnH1/view?usp=drivesdk
Documento nº 5 – Carta aberta a António Costa

https://drive.google.com/file/d/0B1zROAB2MLFmaGdsOW85WE1EUE13ckVYd1lMVGlDSHNlcGUw/view?usp=drivesdk

Outros tempos

24 Janeiro, 2020

Tempo do Lobo

23 Janeiro, 2020

Na triologia da glaciação emocional de Michael Haneke somos confrontados com três perspectivas diferentes da nossa indiferença para com os outros. No primeiro filme, Der siebente Kontinent, uma família segue escrupulosamente o plano de auto-remoção do tédio da existência mundana, destruindo todas as posses e assassinando a filha antes de ambos cometerem suicídio. No segundo filme, Benny’s Video, um miúdo mata uma colega por nenhum motivo que não o de registar em video, meio que também usa para confessar o crime aos pais que tentarão evitar que seja por este condenado. Em 71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls somos confrontados com vinhetas que ilustram a habituação dos humanos à violência e a relação de proximidade que com ela temos como parte integrante do tédio quotidiano.

Na vida real somos confrontados com uma pré-campanha presidencial que leva ao aparente suicídio de um homem e que, ao que consta, era pai de filhos menores. Na vida real somos confrontados com o enquadramento legal – em nome da liberdade – para que o estado dê aval e eventualmente forneça o funcionário-carrasco que torne o nosso suicídio num simples acto administrativo, eventualmente afixado em edital para consulta por cangalheiros, fotógrafos e organizadores de eventos. Celebrar a vida, certo? Não vale a pena termos pena dos filhos: é um acto socialista. Somos liberais e, como tal, defendemos que qualquer homem é dono do seu corpo, da sua vida, e só a ele cabe determinar a hora em que, “com dignidade”, a termina. Filhos ficam sem pai? É a liberdade. E até vamos a correr votar na Ana Gomes, a nossa justiceira, certo? Pela liberdade. Ao menos não anda aí a tirar selfies nem aparece na televisão a mudar as cuecas. Somos facilmente contentáveis.

Como o Bom Selvagem de Rousseau, a vida é algo que simplesmente nos acontece, uma propriedade que nos é atribuída através do alinhamento dos astros e da inconsciente luxuria dos pais. Só a nós nos compete antecipar o fim da vida, diz-se por aí, com uma aceitável excepção se menor que 10 semanas. Não vale a pena racionalizar a excepção perante o Grande Dogma Liberal. O Estado é bom, nasceu bom, quer ser bom. Só é mau a cobrar impostos, mas a matar é Bom. A conceder a autorização e a purgar-nos de culpa é mais que bom: é misericordioso. Também é compassivo e generoso: toma conta dos filhos que deixamos quando decidimos que nos seria administrada uma droga letal. Não consigo pensar em ente mais dotado de virtude para nos abençoar a morte que o Estado. Demos Graças a Ele.

Na página da Iniciativa Liberal diz-se, em letras gordas: “o partido de todos os liberais”. Eu acredito. Só vos peço é misericórdia: não me voltem a ofender chamando-me liberal.

Nasci na era errada.

Senhora de Matosinhos

23 Janeiro, 2020

Salgueiro

A “Sábado” publica na sua edição de hoje seis páginas sobre um tema que já havia sido tratado aqui.

Da leitura da peça da revista constato que os responsáveis autárquicos não têm registo dos contratos com os seus próprios fornecedores. Conforme citação da jornalista, informam que “a Itgest não consta como fornecedora do município”. Ora, não passa de uma cortina de fumo já que a ADEIMA é uma entidade na órbita directa da Câmara, presidida pela própria Luísa Salgueiro, e cujo contrato pode ser obtido à distância de um click aqui.

ItGest

Não é de espantar que os políticos se refugiem sempre na legalidade dos procedimentos quando estão em causa questões éticas e políticas como é este caso em Matosinhos. Noutros casos é também comum ver responsáveis públicos invocar a ética imaculada quando porventura se apontam ilegalidades à sua gestão. Ou seja, a legalidade e a ética são sempre relativas e por isso desvaloriza-se cada uma delas conforme as conveniências.

Por outro lado, a oposição em Matosinhos é de uma pobreza confrangedora. Não se ouve, não actua e aparentemente apenas quando as notícias chegam aos jornais sai do conforto do seu recato. A oposição partidária funciona com base na emissão de comunicados e a oposição independente queixa-se da população por não lhe dispensar as assinaturas suficientes para uma candidatura alternativa. É curto e é choninhas.

Por fim, fiquei com uma lágrima no olho ao ler que a presidente da Câmara acha “louvável a preocupação com a ética.”

 

 

 

 

 

Isto anda tudo ligado

23 Janeiro, 2020

Após o estrondoso sucesso do “ambicioso plano” (PUBLICO dixit) das creches nos quartéis o ministro da Defesa lançou outro plano: Dormir em quartéis para atrair jovens às fileiras.

 

Portanto o presidente Macron que teve de ser retirado à pressa pela polícia de um teatro em França

22 Janeiro, 2020

Foi armar-se em Rambo para Israel?

Ps. Não só a comparação com o episódio protagonizado por Chirac é óbvia como o melhor será contratar os israelitas para lhe garantirema  segurança em França

Afinal ainda não sabemos se é ou não para tirar senha para execução

22 Janeiro, 2020

Após ter sido esclarecido que a IL não está necessariamente a pensar apresentar uma proposta para legalizar a eutanásia, algo que interpretei da noticia “Iniciativa Liberal pondera apresentar projecto sobre eutanásia” da Rádio Renascença, tenho que apresentar o meu pedido de desculpas à IL por ter inferido erradamente que “está tudo em aberto” significaria estarem a pensar se iriam pensar em apresentar uma proposta para legalizar a eutanásia. Vim a saber que a jornalista da Rádio Renascença, contra todas as expectativas, é católica. Por isso, não é de estranhar que tenha interpretado as frases do programa político que rezam “eutanásia é uma questão de cidadania e deve ser regulamentada” e “a criminalização da eutanásia é inaceitável” como “eutanásia é uma questão de cidadania e deve ser regulamentada” e “a criminalização da eutanásia é inaceitável”, respectivamente. Isto, em conjunção com “está tudo em aberto” só pode permitir inferir que a IL vai apresentar uma proposta de legalização da eutanásia por fruto do engano lançado pela armadilha de uma católica infiltrada na Rádio Renascença que se identificou como jornalista da Rádio Renascença, uma rádio conhecida pela ausência de católicos.

Assim sendo, as minhas desculpas à IL com a habitual sinceridade que sempre demonstrei.

É isto?

22 Janeiro, 2020

Portanto Isabel dos Santos é garantidamente criminosa porque recebeu do pai o que não era dele mas sim do Estado angolano. Já José Sócrates que diz ter recebido da mãe o que ela claramente não tinha é um perseguido pela justiça

O conto “A cigarra e a formiga” versão Portugal 2020.🇵🇹️🐜🦗

22 Janeiro, 2020

Um texto brilhante com autor identificado que merece ser lido por todos. Nada a acrescentar. É isto.

O conto “A cigarra e a formiga” versão Portugal 2020.🇵🇹️🐜🦗

A burra da formiga trabalha no duro o ano todo, constrói a sua casa e acumula provisões para o Inverno.
Enquanto isso, a cigarra passa os dias no ginásio 💪, no café ou a arranjar as unhas de gel e o caraças 💅
As noites são no Bibá la noche com as amigas. #girlpower 🍸🍻🥃🍾

Chegado o inverno 🌨️🌩️☃️, a formiga refugia-se em casa onde tem tudo o que precisa até á primavera. 🍞🍗🥣🔥

A cigarra, cheia de frio e de fome, vai ao programa da Cristina queixar se à Cristina Ferreira que não é justo que a formiga tenha direito a casa e comida quando outros, com menos sorte que ela, passem frio e fome. O Hernáni Carvalho diz que é uma vergonha. 👎👎👎

A CMTV não perde a oportunidade e faz um directo à porta de casa da formiga, passando imagens da formiga ao quentinho com a mesa cheia de comida.

O povo fica revoltado ao saber que o seu país, dito desenvolvido, deixa sofrer a pobre cigarra enquanto que outros andam a viver à grande e à francesa. 🇫🇷️

É organizada uma marcha de apoio à cigarra. #jesuiscigarra 🙏

É feito um episódio especial do Prós e Contras – RTP onde se questiona como é que a formiga enriqueceu às custas da cigarra. De um lado da bancada, os defensores da igualdade (pró-cigarra). do outro lado, os sem-coração 💔(Que defendem a egoísta e insensível formiga)

Em resposta às mais recentes sondagens. O governo prepara uma lei sobre a igualdade económica com efeitos retroactivos (desde o verão)
Os impostos da formiga aumentam consideravelmente e ainda incorre numa multa por não ter prestado assistência à cigarra. Os descontos da segurança-social também sobem, de modo a ser justamente partilhados com a cigarra. #rendimentominimo 🤑

A casa da formiga é penhorada pela finanças por não ter conseguido pagar os impostos.

A formiga, decepcionada, faz as malas e emigra para um país onde o seu esforço seja reconhecido e onde possa desfrutar dos frutos do seu trabalho árduo. 🇦🇺️🇨🇦️🇧🇻️🇨🇵️🇩🇪️🇫🇮️🇭🇲️🇯🇵️🇮🇸️🇱🇺️🇷🇴️🇺🇲️

A antiga casa da formiga é convertida numa habitação social para cigarras. Que, irresponsavelmente, não param de fazer filhos 🍆💦👨‍👧‍👦👩‍👧‍👦 e que vivem de doações de comida, cerveja e de coca-cola. O pouco que recebem dos descontos da formiga mal dá para os bens essenciais, como por exemplo sapatilhas da Nike e caps da Obey, 🕶️👚👟👠💍💄👜🎮

A casa deteriora-se por falta de cuidados.
O governo é fortemente criticado pela falta de meios colocados à disposição da cigarra, que vive agora em condições quase desumanas.

A oposição propõe uma comissão de investigação multi-partidária que custará milhões de euros.

Entretanto a cigarra morre de overdose.

Os media garantem que a morte da cigarra deveu-se à falta de apoio social por parte do governo, que falhou em acabar com as desigualdades sociais e a injustiça económica.

A casa acaba por ser ocupada por uma família de aranhas imigrantes. traficantes de droga e que aterrorizam a vizinhança.
O governo felicita-se pela diversidade cultural de Portugal
🤝🤝🤝
Viva.
By Vitor Gingeira
(Texto de Neuroses de um iluminado)

Isabel dos Santos é filha do socialismo

22 Janeiro, 2020

André Abrantes Amaral: «o socialismo esteve na base dos negócios de Isabel dos Santos, como esteve nos de José Sócrates. Em todos eles o Estado surge no meio. Porque o Estado interfere na economia em Portugal o primeiro-ministro António Costa deu luz verde para que Isabel dos Santos entrasse no capital do BCP. Não foi assim há tanto tempo. Na altura, Pedro Passos Coelho pediu esclarecimentos. O país, o presidente da República incluído, encolheu os ombros.

Há também outro fenómeno que explica porque é mais fácil virar as costas a alguém que a um modo de vida. (…) É a lei da sobrevivência. A sobrevivência dos que precisam expiar os pecados para continuarem na mesma.»

Isto deixa-me furioso

21 Janeiro, 2020

O Arménio sofre de transtorno de identidade de integridade corporal. Alega que a sua vida é um tormento porque, por infortúnio, nasceu com duas pernas. Arménio quer amputar a perna direita, mas nenhum médico português está em condições legais para executar o procedimento que garantirá a Arménio uma vida feliz. Teve azar: foi com uma perna que nasceu a mais; tivesse sido com um pénis e isso resolvia-se facilmente e de forma perfeitamente legal.

Apesar de raro, Arménio não é caso único. Foi nos idos de dois mil que Gregg Furth viu o seu pedido de amputação recusado pelo hospital Abbey King’s Park de Stirling, Escócia, Reino Unido. Apesar de ter garantido o aval do doutor Robert Smith, que se prontificou para lhe retirar a incómoda perna em plena liberdade, procedimento que realizara antes a pelo menos dois pacientes perfeitamente saudáveis… quer dizer… com as pernas saudáveis, assim é que é, os conservadores da ética (ou do caraças) entraram em cena para impedir a felicidade de Gregg. A academia, sempre pronta para filosofar do seu sofá Chesterfield, avançou com inúmeros papers que concluem não haver qualquer argumento razoável para que este tipo de amputações seja impedido. Bayne e Levy, citados por mais 67 batatas de sofá, publicaram um desses… estudos apesar de continuarem a exibir excesso de membros.

No entanto, em Portugal ninguém fala disto. Arménio vê-se compelido a cortar o pénis, a eutanasiar-se ou a meter a perna debaixo do comboio, o que pode causar um descarrilamento com custos sociais gravíssimos, atrasos e a ocupação de uma cama que podia ser deixada vaga para um abortamento. Enquanto não legislarmos sobre este tema, quantos Arménios andarão por aí (literalmente), a deambular, infelizes, aprumados, privados da felicidade de se fazerem transportar numa cadeira de rodas? Tudo que o estado português tem a oferecer a estas pessoas é capá-las ou matá-las. Estamos a impedir médicos de executarem cortes limpos, com enormes custos sociais, como o desperdício de voluntário para treino de velocidade com o serrote. É pouco e mostra que o conservadorismo da sociedade patriarcal ainda vê com maus olhos as escolhas pessoais, feita em plena liberdade e na total posse das faculdades mentais para o padrão necessário no século XXI.

Um bom médico, misericordioso, não deixa por tratar um doente como o Arménio apenas porque fazem um juramento bacoco de não administrar vidro moído a socialistas. E quem diz um médico para um Arménio, diz um veterinário para o Tareco. Quantas vezes o PAN se indignou pelo número astronómico de gatos vadios na posse de quatro patas? Quem nunca desejou entrar no restaurante e sentar-se à mesa com o Bóbi enquanto este fuma um cigarro (a proibição é só para humanos) que saca da bolsa no skate que lhe providencia locomoção após amputação das patas traseiras? E para quando uma lei que permita ao sapo que quiser, em plena liberdade, fumar em qualquer estabelecimento?

Um estado que se limita a providenciar amputações penianas e que daí salta logo para a morte das pessoas banais e bípedes é um estado egoísta, que se alimenta do sofrimento alheio por privação de liberdade. Se bem conheço os políticos, poderão até obrigar pessoas e animais a pagarem uma taxa moderadora por um direito inalienável, o de se amputarem os membros excedentes. É por isto que o SNS está como está: não resolve os problemas reais das pessoas.

a economia portuguesa

21 Janeiro, 2020
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pretty platinum blonde girl in blackImagine que você tem 40 anos e que, por qualquer razão que não vem agora ao caso, recebia 500 mil euros limpos de encargos e impostos, prontos a que lhes dê o destino que muito bem entender.

Sendo embora muito dinheiro, não é, contudo, suficiente para vc. se encostar às boxes e deixar de trabalhar. Donde, o mais sensato seria investir esse dinheiro nalguma coisa que lhe dê rendimento e segurança para alguns anos de vida.

Assim, a primeira ideia que tem é a mais natural do mundo: ir depositá-lo num banco. Todavia, informando-se sobre o estado da banca portuguesa (e europeia) e dos depósitos bancários, facilmente constatará que os depósitos a prazo não lhe dão qualquer rendimento, que terá que pagar taxas bancárias elevadas para manter a sua conta e, pior do que isso, que nenhum banco lhe oferece a garantia de que, daqui por meia-dúzia de anos, esteja ainda de portas abertas, com o seu dinheiro em segurança. Você desiste da ideia e passa para a seguinte.

E pensa, com naturalidade, em investir em imóveis, de modo a poder colocá-los no mercado para obter rendimento. A primeira constatação, contudo, é que irá pagar elevados impostos na transacção de compra. Depois, que terá de pagar, de quatro em quatro meses, o IMI, que tem vindo a crescer nos últimos anos e que é muito pesado. Também ouviu falar no Imposto Mortágua e, obviamente, teme que este o abranja.

Depois, pensa no Alojamento Local, negócio de que ouviu dizer muito bem e onde constava que se ganhava algum dinheiro. Foi informar-se e ficou a saber que já não é assim: os impostos sobre esse ramo de actividade aumentam todos os anos, a cada orçamento que é feito, criaram-se zonas de protecção, nas grandes cidades, onde o imposto sobre os rendimentos do negócio aumenta ainda mais, criam-se regras burocráticas em cima de regras burocráticas, a água que se consome tem um preço superior ao dos imóveis comuns, etc.. Então, vc. conclui que o Alojamento Local também já não é negócio seguro para gastar o seu dinheiro.

Aí pensa no arrendamento comum. Mas fica imediatamente de sobreaviso com as notícias de que o governo se prepara para impor rendas de valor limitado, para garantir o chamado «direito constitucional à habitação», que tem vindo a congelar as actualizações anuais e que se prepara para aprovar legislação que impeça, ou dificulte ao extremo, os despejos em caso de incumprimento contratual. Para além do mais, qualquer renda que cobre tem o inconveniente de ter de pagar, à cabeça, 28%, sendo que, no fim do ano fiscal, quando faz a sua declaração de IRS, a soma de rendimentos que daí vêm, mais os que tem do seu trabalho, provavelmente o farão aumentar de escalão e terá, por isso, de pagar ainda mais impostos. Por tudo isto, também desiste dessa hipótese.

Em seguida, põe a possibilidade de investir num negócio. Ter um negócio é bom! è? Talvez, mas qual? E como? Vc. informa-se e fica imediatamente a saber que, se abrir um negócio é fácil, mantê-lo e, sobretudo, fechá-lo, se as coisas correrem mal, é um completo inferno. Ouviu até dizer que um vizinho seu, que abriu uma padaria de rua, teve azar no andamento das coisas e agora o fisco não lhe larga a perna, penhorou-lhe a conta bancária e a casa, e, inclusivamente, o homem anda a responder em tribunal por não ter pago alguns dos impostos que o estado lhe exigia, para pagar os salários aos seus trabalhadores e ver se conseguia manter o negócio aberto. Pondera bem todas as circunstâncias e desiste, porque não está para ficar sem o dinheiro e ainda arranjar chatices.

Posto isto, vc. começa a ficar sem grandes opções para dar destino ao dinheiro que, em sorte, lhe entrou nos bolsos. Mas, um dia, a ver o noticiário das 20,00, ouviu um senhor ministro e um grande economista da praça a dizerem, num debate sobre »O Estado da Economia Portuguesa”, que é a consumir que o país vai por diante e que todos ganhamos muito quando muitos gastam muito. Vc., que é um patriota e está farto dos 500 mil euros que tem, compra um carro topo de gama, uma casa num bairro social de classe média-alta e ainda arranja uma namorada gastadora, que está sempre a pedir-lhe roupa de marca e maquilhagens de qualidade, com quem embarca para um resort de luxo nas Caraíbas. Seguindo as instruções de tão importantes figuras, vc. gasta o que tem, até que um dia deixa de ter, mas continua a gastar por hábito e necessidade de deixar satisfeita a loira platinada, que entretanto é cada vez mais exigente para consigo.

Um dia, vc. acordará cheio de dívidas, com o banco onde foi buscar o resto do dinheiro para a casa a penhorá-la, sem dinheiro para manter o carro (que vende ao desbarato) e com um bilhete da loira na cozinha com os seguintes dizeres: «Juvenal, afinal não és o homem da minha vida. Tchau!».

Vem aí a Primavera do extermínio do untermensch

21 Janeiro, 2020

Segundo notícia da Renascença, a Iniciativa Liberal prepara-se para se juntar aos partidos dos camafeus do niilismo moral apresentando também uma proposta para o extermínio daqueles que não encontram argumentos para continuar aqui a sofrer com as propostas que os pândegos apresentam em nome do povo.

Já ontem, no debate dos candidatos ao CDS realizado na RTP3, não faltaram uns betos a falar no povo com o romantismo platónico de quem nunca viu o tal de povo a transferir catotas do nariz para a boca.

O primeiro indício, o mais evidente, para determinar quem não faz qualquer ideia do que é isso do tal povo é referir-se a ele. Quem sabe o que é o povo nunca se refere a esse estranho ente, percebendo que atribuir-lhe uma vontade ou uma consciência colectiva é reduzir a bestial individualidade humana à condição de caricatura. O povo é tudo, e, como tudo que é tudo, é absolutamente nada.

Da mesma maneira que empresários sistémicos do cronyismo tratam os empregados pelo eufemismo de “colaboradores”, também os políticos-pastores tratam o gado que pastoreiam por “povo”. Tal como o pastor interessado em limpar o pasto, o político escolhe a erva que o tal de povo deve ruminar para seu benefício próprio, o de direccionar a moral para o preenchimento do seu desígnio de sacerdote das gentes em busca de um significado para a angústia da solidão da mente humana. Como entes seculares, são fracos substitutos para a finitude temporal da era em que se inserem, optando por modas imbecis em detrimento da testada experiência acumulada pelas civilizações.

No que diz respeito à proposta da eutanásia, a apresentar em Março, altura involuntariamente irónica por ser o natural renascimento cíclico da vida planetária após os meses frios, acho bem que IL se junte ao Bloco de Esquerda e ao PAN na ajuda que estes fazem ao PS na conquista de “avanços civilizacionais”. Nem que não seja por mais nada, para que se perceba de uma vez por todas ao que vêm com o liberalismo Verhofstadt: a maior interferência possível na liberdade dos indivíduos perante a superioridade moral dos eleitos. Não é bem socialismo, só cheira, sabe e parece ser, mas é algo pior: é comunismo intelectual, um dogma de manada sem contemplações pelo mistério da conjunção da insignificância humana com a paradoxal importância urgente da vida de cada um dos humanos.

Apresentem a proposta. O vosso povo aguarda-a com impaciência de morte.

Asco

21 Janeiro, 2020

Esta gente que agora corre a tentar escapar das ligações que estabeleceu com Isabel dos Santos são os mesmos que a bajularam e lhe permitiram fazer os  negócios que a tornaram imensamente rica. Esta gente dá-me asco.

Conversa de casa vinícola

20 Janeiro, 2020

Enquanto decorria a segunda internacional do Livre unipessoal, Rui Rio reconquistava o lugar que é seu pelo direito natural de sucessão. Desde 1995, o partido teve dois líderes improváveis e por motivos distintos: Fernando Nogueira, que visto de fora sempre pareceu um homem pacato com a missão impossível de suceder a Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, o homem empurrado pelo sistema para a inconveniência que é lidar com o período de desmame inevitável que o regime toxicodependente gera.

They tried to make me go to rehab
I said, “no, no, no”.

O candidato Montenegro, que até parece um tipo simpático, ao desafiar a ordem natural das coisas no ano passado, colocou-se na posição de Santana Lopes vagada por Santana Lopes ao sobrestimar o interesse do eleitorado em personagens. Na realidade, a única coisa que interessa ao eleitorado é o conteúdo da carteira ao fim do mês. Por isso mesmo, divaga, quando pode, quer pelo amor pelos bichinhos, quer pela passagem de modelos de virtude sexo-cromática, quer pelo tradicional teatro de revista com gritos de “basta”, quer pelas diabrites liberais de nascidos no SNS e instruídos no ensino público que o recusam para a geração seguinte. Até se dá ao luxo de permitir que seitas socialmente extintas nos anos 80 tenham catarro.

I can’t help you if you won’t help yourself
(Help yourself, help yourself)

O PSD não morreu com Rio, nem há-de morrer com o seu sucessor. O que já devia estar morto é o perpétuo saudosismo de um paraíso que nunca existiu, mas, convenhamos, se eliminarmos a ilusão há o perigo de termos que enfrentar a realidade, e isso ninguém quer.

I cheated myself
Like I knew I would.
I told you I was trouble
You know that I’m no good

Os outros racismos do dia

20 Janeiro, 2020

Vamos tentar aqui no Blasfémias dar conta dos sucessivos casos de racismo na sociedade portuguesa. A dra Isabel dos Santos considera-se vítima de racismo e do preconceito como sempre dos colonialistas portugueses. Ja o caso dos 40 naturais do Bangladesh que se envolveranm numa desordem com facas e armas  na Rua do Terreirinho, na Mouraria, neste sábado, esta para se saber se e racismo por ter sido noticiado ou se pelo contrario foi racismo nao se ter noticiado outro desacato similar acontecido em 2019. Mas racismo ha-de haver.

E no fim, claro, a culpa é do Ventura

20 Janeiro, 2020

Da motivação racista aos suspeitos de etnia cigana: as falsidades que inundaram as redes sociais ESTE TEXTO DO PÚBLICO É UM EXERCÍCIO SOBRE COMO BARALHAR PARA CONFUNDIR E NO FIM CULPAR O VENTURA.

«Apesar de desde o início não existir qualquer indício de que as agressões ao jovem tivessem motivação racista, essa tese começou desde cedo a tomar forma. Uns dias depois da morte de Giovani o SOS Racismo emitiu um comunicado onde lamentava o silêncio geral à volta do caso e anunciava que iria estar presente nas concentrações em homenagem ao estudante do Instituto Politécnico de Bragança para que “as vítimas racializadas de violência não sejam também vítimas do silêncio». PORTANTO QUEM PRIMEIRO REFERIU O RACISMO COMO CAUSA PARA ESTA MORTE FOI O SOS RACISMO

«Uns dias depois surgia um novo dado que também veio a revelar-se falso. Num blogue de um professor do ensino superior apareceu a informação de que as agressões tinham “alegadamente” sido cometidas por um “grupo de rapazes ciganos”» O TEXTO NÃO REFERE O AUTOR DO BLOGUE O QUE JÁ DE SI É  UM EXERCÍCIO PATETA E PATÉTICO COMO NO BLOGUE A PORTA DA LOJA JÁ SE DENUNCIOU. CURIOSAMENTE A QUESTÃO DA MOTIVAÇÃO RACISTA DEIXA DE SER REFERIDA COMO SE OS CIGANOS NÃO PUDESSEM SER RACISTAS: PASSÁMOS A ESTAR DIANTE DE UM NOVO DADO E NÃO DE UM RACISMO COM ORIGEM DIFERENTE

«O sociólogo Gustavo Cardoso, que integra o MediaLab, acredita que há quem tente aproveitar-se de casos como o de Giovani para passar as suas ideias, ainda que, por vezes, de forma camuflada. “Tentam materializar os medos que existem”, afirma o investigador».AQUI PENSARÍAMOS QUE O TEXTO DO PÚBLICO ESTARIA A REFERIR-SE QUER ÀS REFERÊNCIAS DOS CIGANOS COMO AUTORES DO CRIME QUER ÀS ACUSAÇÕES DO SOS RACISMO. MAS NÃO: O SOCIÓLOGO FOCA-SE EM ANDRÉ VENTURA.

«O sociólogo lembra que a sociedade portuguesa sempre teve problemas de racismo, apesar da mistura cultural que também nos caracteriza. “O que mudou foi o contexto político. Com a eleição de André Ventura, pessoas que não se sentiam à vontade para partilhar ideias similares porque achavam que não seriam ouvidas sentiram uma nova legitimidade”, acredita Gustavo Cardoso». A NÃO SER QUE O SOS RACISMO  TENHA IDEIAS SIMILARES ÀS DE ANDRÉ VENTURA ESTE ACREDITAR DO SOCIÓLOGO É MESMO UMA FEZADA EM QUE DE UM LADO ESTÃO OS QUE ACREDITAM EM COISAS BOAS E OS QUE ACREDITAM EM COISAS MÁS. AMBOS PODEM ESTAR ERRADOS MAS UNS SÃO BONS E OUTROS MAUS.

«O facto de ter havido sensivelmente ao mesmo tempo outra morte de um jovem no Campo Grande, em Lisboa, que resistiu a um assalto e foi esfaqueado – e cujos alegados responsáveis foram detidos uma semana depois – , ajuda a explicar, no entendimento de Inês Amaral, alguma reacção das redes sociais a um alegado silenciamento do caso de GiovaniESTA É A SEGUNDA QUESTÃO QUE O TEXTO LEVANTA: O QUE SE QUER DIZER COM ISTO: “resistiu a um assalto e foi esfaqueado”. PRETENDE-SE QUE A CULPA POR TER MORRIDO É DA VÍTIMA? 

a notícia da morte do psd é manifestamente exagerada

19 Janeiro, 2020
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psdbandeiraQuarenta e cinco anos e quinze eleições legislativas democráticas depois, apenas em três delas houve maioria parlamentar absoluta de um só partido (1987, 1991 e 2005) e com dois líderes (Cavaco Silva em 1987 e 1991 e José Sócrates em 2005).

Fora desses períodos, a governabilidade foi sempre muito difícil de assegurar. O PS, para governar, contou com o beneplácito da direita (António Guterres, em 1995-9, e Mário Soares, em 1977), ou não conseguiu aguentar o governo (Mário Soares, em 1978, ou José Sócrates, em 2011), enquanto que o PSD, fora do período de Cavaco Silva, governou sempre com o CDS e, excepcionalmente, com o PS, no Bloco Central.

Desde que António Costa levou o PCP e o Bloco para o poder, a direita viu a sua vida aparentemente mais dificultada, porque, desde então, só mesmo com 116 deputados é que conseguirá formar governo. Todavia, nem ela alguma vez lá esteve doutra maneira, nem António Costa, muito menos a geringonça, são politicamente eternos.

Saindo o PS do poder, a solução que se seguirá será, inevitavelmente, da responsabilidade maioritária do PSD. É certo que, com a entrada de dois novos partidos, à direita, no parlamento, a formação de coligações pós-eleitorais se torna mais complexa, mas deixem que o conjunto dos deputados eleitos por essa área política ultrapasse a bitola dos 115, que ela logo se constituirá…

Por conseguinte, quem antevê a morte política do PSD, por causa do partido estar temporariamente entregue a Rui Rio, ou porque André Ventura é uma estrela em ascensão, que tire o cavalinho da chuva: desde que temos parlamento em Portugal, os sucessivos regimes são de bipartidarismo maioritário, com outros partidos de pequeno porte para complemento. Além do mais, isto é como o futebol, e não é por não ganhar nada há muitos anos que desaparecem os sportinguistas, os portistas ou os benfiquistas, como os últimos 28% de Rio bem o comprovam. André Ventura que, se não fizer disparates, irá obviamente crescer, poderá ir buscar mais votos ao CDS (este sim, arrisca-se a desaparecer), alguns mais ao PSD e ao PS e PCP, mas dificilmente se transformará no partido que lidere a direita em Portugal, até porque, se alguma vez isso sucedesse, seria a própria 3ª República que desapareceria, e isso a União Europeia (por vários modos e formas) não deixa.

Por fim, diga-se que o PSD já atravessou momentos mais melindrosos do que o presente. Basta recordar a morte de Sá Carneiro, os governos-Balsemão, o Bloco Central com Mota Pinto, a fuga de Barroso para Bruxelas, ou as lideranças anémicas de Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Menezes ou Santana. De resto, o PSD, tal como o PS, só está bem e unido quando está no poder e, para isso, são precisos os tais 115 + 1. Donde, se Rui Rio não conseguir construir uma alternativa para o pós-costismo, certamente que os laranjinhas arranjarão quem seja capaz de o fazer. A tempo das próximas legislativas, entenda-se.

a ordem natural das coisas

19 Janeiro, 2020
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rrFoi bom que Rui Rio tivesse ganho a eleição no PSD: se a tivesse perdido ontem, ficaria a convicção de que não o tinham deixado governar o partido e levá-lo a vencer as eleições nacionais que se avizinham. Rui Rio sempre se definiu como um vencedor e alega ter perdido as últimas legislativas por factores exteriores à sua personalidade, principalmente o ambiente de intriga e traição em que o PSD está submerso. Assim, Rio terá dois anos de mandato e umas eleições autárquicas para mostrar o que vale. Mas, valha muito, valha pouco, há uma coisa que ele não será capaz de fazer: unir a direita num projecto alternativo ao da frente de esquerda que detém o poder com António Costa. Dito doutro modo, o líder do PSD será o líder de uma grande coligação de direita capaz de levar o partido para o governo, ou não será coisa nenhuma. Daqui por dois anos se verá quem, de facto, está em condições de o fazer.

Sábado, dia de feira livre

19 Janeiro, 2020

Qualquer pessoa normal, das que bebe água sem ser com a testa, percebeu que a candidata Joacine tinha tanto a ver com o projecto de carreira do Rui Tavares como este tem a ver com astronomia. Rui Tavares é o arquétipo do brutalismo soviético, o indivíduo que para representar Trotsky num filme teria que se limitar a aparecer e repetir o guião. Guarda-roupa? O armário de Rui Tavares.

Joacine é da nova vaga de comunistas. Sem nada político a dizer, limita-se a repetir que o projecto da sociedade idealizada por estes trogloditas é uma mistela de igualdade marcada pela diferença em melanina, presença de vagina e enormes problemas de articulação. Uns mais iguais que outros.

Seria de supor que se chateassem. Não tão cedo, mas depois da lua-de-mel. Rui Tavares defende em exclusivo uma ideia: a de que alguém quer saber o que Rui Tavares, o burguês dos clichés que passam por erudição, tem a dizer ao mundo. Já Joacine, que tem tanto interesse no que Rui Tavares tem a dizer ao mundo como o mundo tem interesse em o ouvir, Joacine tem algo a dizer: que é mulher, que é negra, que é gaga, que se dá com indivíduos cuja filosofia política se resume à bainha da saia e que veio para ficar com o voto da juventude “mais bem preparada de sempre”.

Nós queremos ouvir Joacine. É refrescante ouvir alguém sem discurso próprio e cuja mensagem é a existência da própria. É um símbolo: representa que o vazio intelectual pode ser preenchido visualmente e que, numa era em que ninguém tem nada a dizer, a imagem é a única coisa que conta. Não há diferença entre o parlamento e o Lisboa Fashion.

Quanto à presença de crianças no congresso da peixeirada, tenho a dizer que não vi nada fora do normal: era capaz de estar um adulto presente, só não apareceu nas fotografias.

Joacine põe tudo a nú

18 Janeiro, 2020

Joacine-5

Joacine Katar Moreira deixou claro hoje que o LIVRE a usou e que “elegeram uma mulher negra que gagueja e que deu jeito para a subvenção” e deixou no ar a ideia de que muito mais haveria para contar porque “vocês não sabem da missa a metade”.

Por outro lado, tornou também evidente de que massa é feita, ao considerar “ilegal” as críticas que lhe fazem. Ou seja, para JKM a legislação substitui a ética, a moral e a opinião livre.

Dedicado a Joacine

18 Janeiro, 2020

(…)
É mentira, mentira, mentira
Se queres que te diga se juro e rejuro
É mentira, mentira, mentira
Escrever-se intriga é falsa prejuro
As pedradas que o mundo me atira
Hão de telhas de vidro cair
E é mentira, mentira, mentira
Talvez ainda fira
Quem fere ao mentir

(…)
As pedradas que o mundo me atira
Hão de telhas de vidro cair
E é mentira, mentira, mentira
Talvez ainda fira
Quem fere ao mentir

Rosie, come out tonight!

18 Janeiro, 2020

Esta criancinha vai ter muito que contar

18 Janeiro, 2020

 

Uns olham para o lado. Outros parecem sofrer do síndroma da vergonha alheia. Outros fazem-se transparentes. E a criancinha observa.  A senhora, provavelmente mãe que está sentada ao lado, está com aquele ar  dorido”Eu a ter tanto cuidado com a alimentação, os brinquedos didácticos, o zero pláticos, o incutir-lhe um pensamento progressista … e depois acabo a espetar a criança na primeira fila duma vergonhaça destas!” Por mim, daqui a una anos ia atrás desta criança porque assistir auma coisas destas nesta idade não só forma o caracter como deve deixar uma marca política inapagável.

Se num destes dias virem o Rui Tavares a colocar velas em Fátima não se admirem

18 Janeiro, 2020

Ps. A minha intervenção preferida é a vozinha que sussurra “Joacine!”

Chazinhos e bolinhos

18 Janeiro, 2020

O Secretário de Estado da Saúde defendeu como medida para evitar novos episódios de agressões a médicos por parte dos utentes oferecer chazinhos e bolinhos para tornar as salas de espera mais confortáveis e aliviar a tensão.

O video está aqui e a proposta foi feita durante uma entrevista à Rádio Renascença.

Aposto que se se tivesse lembrado disso durante a sua performance radiofónica, este António Lacerda Sales teria sugerido também a distribuição gratuita de galochas ou instalação de guichets de aluguer de birkenstocks para que os doentes depositados nos corredores dos hospitais não fiquem com os pés molhados quando chove dentro dos respectivos edifícios.

As situações ilustradas aqui que se viveram esta semana no hospital de São José em Lisboa, teriam sido certamente evitadas.

SaoJose

 

 

 

 

Aguarda-se o novo capítulo da série de ficção do Poligrafo

17 Janeiro, 2020

Depois da publicação de A guerra de desinformação odiosa contra Joacine Katar Moreira aguarda-se com ansiedade a produção do segundo capítulo desta saga na próxima convenção do Livre que poderá retirar a confiança política à deputada . O  título que sugerimso ao Polígrafo é: A guerra de desinformação amorosa contra Joacine Katar Moreira porque obviamente na esquerda só existe amor.

Que belo se põe o sol

17 Janeiro, 2020

A Oficina da Liberdade convidou Miguel Granja a escrever um texto de homenagem a Roger Scruton e o resultado é a beleza da tristeza de que retiro abaixo alguns excertos:

Conservar não é paralisar: é impedir a deterioração. Ninguém conserva senão aquilo em cuja perpetuação acredita. Conservar é combater a própria morte. Ninguém se dispõe a morrer senão por algo que sobreviva ao seu próprio cadáver. Conservar não é canonizar o passado: conservar é apostar no futuro.

Conservar é doar: é doar a vida por doer a morte: só se conserva o que é do outro que já morreu para o outro que ainda não nasceu. O conservador – isto é, cada um de nós – é a ponte do ser entre dois nadas.

A civilização só é algo que temos porque é, antes disso, aquilo que somos.

 

O texto completo, imperdível, está aqui.

Tiago Brandão Rodrigues, o puto que não cresce

17 Janeiro, 2020

Tiago Brandão Rodrigues tinha uma função: a de estar quieto, mostrando que a minha geração é só razoavelmente mal formada, contudo capaz de saber estar em público sem evidenciar demasiada ignorância. Afinal, como a primeira geração de pé-rapados a poderem visitar Londres, Paris e Roma com mochila às costas, seria suposto conseguirmos colmatar as enormes deficiências formativas que os professores do PREC nos impingiram com o conhecimento pela via prática do papel de saloios que foi a contribuição portuguesa para a cultura europeia. Não. Qualquer palermita nascido entre 1970 e 1980, ascendendo a cargos políticos, tem que demonstrar a vanguarda que lhe queima o peito através da constante revolução, a que consiste em mudar tudo o que mexe. Em estragar o que ainda aparente réstia de funcionamento, portanto.

Revoltados pelo embaraço de verem as mães de mamas ao léu na praia em 1988, em particular naquela visita embaraçosa a Benidorm, a então capital da prosperidade ibérica dos filhos de agricultores, os que plantaram lindos azulejos com padrões oriundos da primeira trip de ácido de um Arménio qualquer da Areosa, os membros da minha geração fazem de tudo que permita assegurar que os filhos passam mais tempo na escola a aprenderem que é bom ser gay e ai que pena não ter nascido negro em substituição da literatura e arte que nos faça sentir em vez de agir. É a revolta permanente de uma adolescência que nunca evoluiu para a idade adulta.

Nem se trata da geração dos afectos, tão somente da geração da demonstração de afectos. Como um hamburger borrifado com laca para o cabelo de forma a ser fotografado com o brilho que a suculência natural não evidencia, os políticos na casa dos quarenta, só no activo por cedência dos da casa dos sessenta, são transmissores de lindas mensagens borrifadas de verniz que as torna visualmente apetitosas, porém intragáveis.

Colocar as crianças até aos doze anos na escola “das nove às cinco” é equivalente a colocar o pássaro na gaiola. Como um zoo, permite mostrar uma série de calhaus devidamente doutrinados “para a igualdade”, “para o género”, “para o feminismo” e “para a educação sexual”. Permite também que não saibam ler e interpretar que uma notícia de jornal é um comunicado verbatim do conselho de ministros, que o festival de Verão é um happening e não um concerto, que as redes sociais são o lençol manchado de sangue da noiva virgem e que eles próprios são massa amorfa para a geração de eleitores que mantenha a máquina da choldra a funcionar.

Tiago Brandão Rodrigues tinha uma função: colher o salário mensal, estabelecer ligações com pessoas influentes que lhe garantissem nomeação para cargos públicos durante o resto da vida e cortar fitas de lindas entradas em escorregadia mármore nas escolas renovadas para lhes tirar a patine arquitectónica do Estado Novo. Infelizmente, deu-lhe para ministeriar, que é como quem diz, para deixar um legado em forma de poio fossilizável.

Eu, como membro da geração de Tiago Brandão Rodrigues, peço desculpa. Gostaria de poder fazer mais, mas, sinceramente, é a única coisa que está ao meu alcance: sentir vergonha.

Dedo do meio é o regulador natural

16 Janeiro, 2020

O conceito de “alojamento local” é estúpido. Ninguém precisa de alojamento remoto a não ser que seja um tractor. Alojamento remoto seria um armazém, pelo que todo o alojamento de pessoas ocorre a nível local, seja qual for esse local.

Hotéis devem ser regulados. Por exemplo, deve existir legislação que obrigue a que um estabelecimento que se identifique como hotel tenha a responsabilidade de limpeza do quarto ao abrigo de um contrato de prestação de serviço ou equiparado. O dito “alojamento local” não deve ser regulado de qualquer forma ou feitio. Qualquer pessoa que transaccione a cedência de um quarto ou de um prédio inteiro mediante a entrega de três chouriços por dia, prestações sexuais duas vezes ao dia ou simplesmente umas notas de euros deve poder fazê-lo sem que o sacrossanto estado meta o bedelho.

Assim sendo, qualquer tentativa de limitar o “alojamento local” deve ter como resposta dos proprietários uma apresentação do dedo do meio e dos clientes a de preferirem o erradamente designado “mercado negro”. Mercado sujo é o intervencionado. O dito “mercado negro” chama-se, na realidade, “a vida das pessoas”.

Os custos garantidamente milionários das rendas ditas acessíveis

16 Janeiro, 2020

Segundo o Tribunal de Contas, o valor fixado para a venda dos 11 imóveis destinados à habitação municipal com renda acessível ficou 3,5 milhões de euros abaixo das avaliações. Em causa estão imóveis localizados em zonas nobres da cidade que passaram para as mãos da autarquia, que se comprometeu a reconvertê-los e a criar 250 apartamentos de renda acessível e uma residência para estudantes.

Era mais que óbvio que isto ia acontecer. Em Abril de 2018 avisava-se aqui no Blasfémias: O património da Segurança Social ao serviço da CML

Os imóveis da Segurança Social vendidos abixo do custo, os apartamentos da rua Eduardo Bairrada, a monstruosidade anunciada para Benfica   … fazem parte dessa nova área de expansão do socialismo: a habitação.

Matos Fernandes *****

15 Janeiro, 2020

Matos Fernandes é o arquétipo do governante português que escolheríamos, caso se votasse para governantes. Tem energia, arcaboiço, desenvoltura e audácia para se sair com tiradas ridículas sempre que é preciso. Tanto agrada à carneirada que vai atrás do líder devorando cada junção aleatória de palavras como evangelho, como agrada à palette dos descontentes, sempre guarnecidos de uma cómica intervenção para desdenhar.

Querida Greta, bem-vinda a Portugal, o primeiro país do mundo a comprometer-se com a neutralidade carbónica em 2050 e que está a apostar toda a sua ambição na década entre 2020 e 2030.

Alguns carolas, dos que já eram nerds na escola, poderão perder tempo a perguntar exactamente onde se perderam “treze quilómetros quadrados das nossas áreas costeiras” pela “subida do nível do mar”, mas isso é procurar racionalizar o irracional. Tal como não se explica uma piada – porque deixaria de o ser -, não se comenta uma intervenção de Matos Fernandes com factos, ciência, metafísica ou achismos, simplesmente se emite um “’tá boa, palhaço” entre profusos aplausos em incentivo ao artista para as actuações futuras.

Queremos mais cartas à Greta e queremos mais esquecimentos de taxa da celulose. Tudo isto é tão triste, valha-nos a boa disposição deste homem, sempre pronto a animar-nos numa hora de necessidade.

De onde brotam estes indivíduos? Naturalmente que não é do Chapitô: a verdadeira arte circense está sempre latente, à espera de ser libertada por um governante visionário como é António Costa, na mui nobre e sempre em pé academia portuguesa.

Rigorosamente no mesmo lugar

15 Janeiro, 2020

No tempo em que os blogues eram populares, um artigo como o anterior geraria uma onda de indignação pelos outros blogues populares. Agora, como os blogues não são populares por ser muito mais recompensador debitar uma linha na parede do WC do que uns parágrafos espirituosos em livros, posso dizer o que quiser. Como, por exemplo: redução de impostos não pode ser objectivo de nada, só consequência da redução de encargos de empréstimos e despesa fixa.

Uma pessoa, nestas circunstâncias, habilita-se mesmo a ouvir que o Mises disse isto, que o Hayek disse aquilo e que o Oakeshott disse sabe-se lá o quê. É Keynes para aqui, Marx para acolá, Lenine para cima, Venezuela para baixo e o Ortega y Gasset entram num bar. Só não é Rothbard isto ou Hoppe aquilo porque as citações dos domínios da ficção são escassas. Nunca se ouve é que now is the winter of our discontent. É que there are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy. Ou, nas palavras imortais de Woody Allen: the food here is terrible, and the portions are too small.

Recordo, no tempo em que os blogues eram populares, da imensa pegada ecológica deixada pela corporação de um homem só em escárnio pela sugestão dos resultados inferiores no PISA na Suécia poderem ser causados pelo aumento da imigração. O desplante! A audácia! A guinada para o fascismo! Agora, que os blogues não são populares, já se pode dizer coisas evidentes: não há qualquer coragem em propor diminuição de impostos; coragem haveria se se propusesse a diminuição de efectivos na função pública. Contudo, o que se propõe é a criação de estruturas administrativas intermédias denominadas “regiões” que funcionarão como sorvedouro de despesa adicional e de uma série de tachos para boys (e girls à luz das quotas).

The lady doth protest too much, methinks.

Tal como Freitas do Amaral, continuo rigorosamente no mesmo sítio de sempre. Não é é culpa minha que o terreno debaixo dos meus pés continue a deslocar-se.

Ainda Cabrita Reis

15 Janeiro, 2020

pedro-cabrita-reis-OK

A crítica às escolhas públicas e o escrutínio político sobre o caso Cabrita Reis/Câmara de Matosinhos já o fiz aqui e José Meireles Graça, de forma mais elaborada, aqui.

Acrescento agora quatro notas sobre o tema que ainda não vi referidas no espaço público:

  1. PCR é um exemplo que desconstroi o estereótipo do artista desprendido dos bens materiais e do conforto do capitalismo.
  2. A “linha de mar” é um excelente exemplo de como a intervenção do Estado baixa os padrões de qualidade e beleza da produção artística.
  3. O estilo neo-minimalista é a prova de que a globalização e o mercado livre permitem a especialização do artista neste segmento.
  4. O encosto preguiçoso de PCR a encomendas públicas indicia que o valor dos artistas contemporâneos no mercado é reduzido devido a excesso de oferta indiferenciada.

Abaixo baixar impostos

14 Janeiro, 2020

Não tolero que me perguntem se estou cansado. É uma forma de agressão passiva que visa, por vias travessas, chamar-me de preguiçoso. Contudo, aceito que me digam que sou preguiçoso, já que tal corresponde à verdade e, ao contrário da primeira, não faz um julgamento de valor por suposta superioridade do interlocutor. É apenas um facto cru, sem sinalização de virtude alheia.

Da mesma forma, não tolero discursos de descidas de imposto. Não porque ache que impostos devem ter este nível asfixiante, mas porque o país não está em condições de baixar impostos. Mais que uma carga fiscal baixa, o país necessita de uma carga fiscal estável que sinalize a investidores a certeza a vários anos num compromisso de real estabilidade fiscal. Baixar impostos agora é o mesmo que anunciar a sua subida a curto prazo e, com isto, afastar todo e qualquer lunático que inadvertidamente considere enterrar dinheiro aqui no pasto à beira-mar plantado.

Obter condições para poder baixar impostos deve ser o objectivo. Baixar impostos agora não é objectivo, é irresponsabilidade que apenas o sistema político do populismo zarolho consegue produzir.

Podem insultar-me, mas façam-o com o respeito decorrente da honestidade. Reduza-se a dívida, reduza-se os encargos com o sector público e depois, sim, falemos em baixar impostos. Se bem que nessa altura apostarei que ninguém se atreverá a fazê-lo.