Quizás, quizás, quizás…
Censura à direita
Parece que este livro incomoda muita gente. Disse-me o autor: “O livro está praticamente silenciado na imprensa e, inclusivamente, o editor tem-me feito chegar sinais de um bloqueio ostensivo”.
Surpreendidos? Eu não. Há censura em Portugal, sim. Isto só significa que é um livro a não perder.
Dia 6 de Novembro é a apresentação.
O livro está disponível nas grandes livrarias (FNAC, Bertrand, Almedina, entre outras) ou online na WOOK ou na Amazon. Os leitores do Blasfémias podem ler um bom excerto aqui clicando na capa.

Preços são sinais

A Oficina da Liberdade inicia hoje uma nova coluna de opinião no Observador. Por este espaço passarão diversos autores convidados, todos eles relativamente desconhecidos do grande público. O primeiro texto é assinado por Ricardo Dias de Sousa com o título “Preços são sinais“.
Para abrir o apetite:
Com as prováveis excepções dos profetas que enxergam o óbvio e das aves de mau-agoiro, categorias de difícil distinção à priori, ninguém gosta de ser o mensageiro de más notícias. E o que é ainda pior, ninguém, ou quase ninguém, gosta dos arautos da desgraça. Existe uma distendida tradição (literal ou simbólica) que consiste em matar o mensageiro quando as notícias são desagradáveis. Ergo, poderia afirmar-se que uma política de assassinato de núncios é, de um ponto de vista democrático, passível de apoio popular. Pelo menos uma de assassinato simbólico. Felizmente muita gente desmaia ao ver sangue.
Leitura completa, aqui.
Banco Verde
O ministro Siza Vieira, feito número dois deste governo, parece apostado em cavalgar a onda da alucinação de que o desenvolvimento da economia resulta de politicas fomentistas promovidas pelo estado.
Ontem passou quase despercebido o anúncio da criação de um banco verde. Mais uma vez o “agora é que é!”, este sim, vai resultar. Eu tento não me repetir e por isso remeto para um post antigo meu sobre bancos de fomento.
É justo referir que estas ideias estapafúrdias já vêm do tempo em que Paulo Portas era o Ronaldo da diplomacia económica. O ministro Siza acrescenta agora outros dois desideratos da moda: financiar a descarbonização da economia e combater as alterações climáticas.
Eu traduzo de forma simples o que isto significa: mais dinheiro retirado aos contribuintes, mais riscos de incumprimento mutualizados e cobertos por todos nós e uns poucos amigos campeões e homens de negócios encostados ao estado contentes.
Lembrei-me de Arnaldo Matos.
António Araújo, o Liberalismo e eu (2)
Tendo recebido de António Araújo resposta ao meu último texto aqui publicado, e sendo já esse meu texto uma resposta à sua crónica no DN, venho pelo presente dar continuidade a este muito estimulante ping-pong digital, essa espécie de epistolografia que teve o seu momento de glória nos primeiros anos da blogosfera e que se encontra agora, infelizmente e talvez por culpa do Sr. Zuckerberg, moribunda.
Não é certo, porém, que tenha as competências necessárias para prolongar indefinidamente este debate, pelo que, perante eventual nova resposta daquele que é um dos literatos portugueses que mais admiro, talvez me limite a convidá-lo para jantar e a apresentar-lhe os meus argumentos diante de um copo de vinho e longe dos olhares de terceiros. Como reza aquela frase que toda a gente conhece e quase ninguém aplica, por vezes é melhor ficar calado e suspeitarem que somos uns tontos do que abrir a boca e acabar com todas as dúvidas.
Nos primeiros parágrafos que escreve, António Araújo, astuciosamente, desvia-se do ringue em que o quis colocar e convoca-me para um outro, bastante mais escorregadio para o tipo de calçado que uso neste momento. De qualquer forma, mesmo correndo o risco de me estatelar, aceito passar para o interior dessas cordas e discutir a problemática da coabitação neste blogue. Aqui vai: considero que o Chega não é flor que se cheire e tenho pena que a Cristina Miranda, com quem partilho este espaço, não tenha o olfacto afinado pelo mesmo diapasão com que temperei o meu. Posto isto, não acho que essa divergência constitua motivo suficiente para me afastar do Blasfémias e muito menos, obviamente, para pedir à Cristina que dê ela esse passo (da mesma forma que as afirmações do centrista Nuno Fernandes Thomaz sobre possíveis entendimentos do CDS com o Chega, uma opinião pessoal que António Araújo evoca no seu texto, não levaram a que ninguém, voluntariamente ou empurrado, batesse com a porta no Largo do Caldas). E também não acho que seja justo ler, como li no Malomil, que estou “ao lado do Chega”. Seria como se eu, “esticando” mais um pouco essa lógica, dissesse que o António, por partilhar a editora Tinta-da-China com o diplomata Franco Nogueira, ministro e biógrafo de Salazar, está ao lado do Estado Novo.
Claro que não vou dizer que seria normal, no Blasfémias, a publicação de um texto apologético de Estaline ou de Mao Zedong. Possível, era, pois ninguém tem de pedir autorização prévia para escrever o que lhe apetece, mas causaria manifesta estranheza dentro e fora de portas, aos colegas de blogue e a todos os que o lêem. Qual será então a diferença para o caso actual, o tal post da Cristina Miranda sobre o André Ventura? (E admito que haverá, de facto, alguma diferença, mesmo sabendo, como sei, que o António Araújo não foi o único a franzir o sobrolho perante as palavras da minha colega.)
A diferença, pelo menos em parte, está já identificada na resposta do António: ao contrário do que se passa em relação ao comunismo e ao fascismo “não diluídos”, nos quais ninguém, por mais imaginação que tenha, consegue desencantar pontos de contacto com o liberalismo, existem outras correntes, menos puras, que às vezes baralham a audiência. Não me refiro, naturalmente, aos diversos graus e nuances que podem (e devem!) coexistir no pensamento liberal, nem sequer ao célebre “conservadorismo liberal” que João Carlos Espada disseca, quase todas as semanas, no Observador. É certo que existem tensões nesse conceito, mas não me parecem irresolúveis (atenção: “conservadorismo liberal” é uma coisa, ter Abel Matos Santos e Adolfo Mesquita Nunes debaixo de um tecto comum que vale neste momento 4,22% dos votos é outra totalmente diferente – uma espécie de “iliberalismo liberal” muito mais difícil de gerir), e fico genuinamente contente com a diversidade e com as divergências: o liberalismo não deve ser rígido, sectário e dogmático, uma vez que a realidade é complexa e exige mais pragmatismo do que demonstrações de pureza ideológica.
Refiro-me, sim, a todas aquelas correntes que se dedicam a esquartejar o conceito de liberdade em pedaços, aproveitando os que consideram mais saborosos e deitando ao lixo os restantes, e que continuam a chamar “liberdade” aos sobreviventes do esquartejamento. E uma dessas correntes parece ser, sem dúvida, o Chega, existindo outras, à esquerda, que embora com uma escolha diferente dos pedaços a descartar, têm um comportamento semelhante.
Concordo, pois, com a essência deste texto que António Araújo publicou no Malomil, e se escolhi criticar o que escreveu no DN em vez de me dedicar ao Chega, isso deveu-se a ter ficado surpreendido com o seu conteúdo (que me diz directamente respeito e sobre o qual já reflecti longamente), a considerar que o autor merece que gaste tempo com ele, e a não me apetecer entrar em polémicas com um partido que procura avidamente as polémicas para se destacar e crescer. Respeito quem votou no Chega, compreendo muitas das preocupações e irritações dos eleitores do Chega, mas prefiro não falar demasiado do Chega, uma escolha que já está a correr mal dado o número de vezes que disse a palavra só nesta frase.
No entanto, em minha defesa, recorro a uma pequena recensão que publiquei no Observador em Maio deste ano e que recaiu sobre o livro Juntos, somos quase um 31. Liberais à solta! editado pela Alêtheia / Oficina da Liberdade. Nesse texto, apesar de ter elogiado a heterodoxia do volume, sublinhei o carácter controverso da inclusão de um capítulo dedicado ao programa económico de Paulo Guedes, ministro do Governo de Jair Bolsonaro. E se fiz esse sublinhado, foi precisamente por considerar que não basta estimular a liberdade económica para que um regime seja denominado liberal ou para que mereça elogios frontais ou velados. O caso de Hayek, que no meio de brilhantes contributos para a causa do liberalismo encontrou espaço para umas inacreditáveis afirmações sobre o Chile de Pinochet, devia ter servido de exemplo.
Na segunda parte da sua resposta, António Araújo, aproximando-se já do ringue escolhido por mim, aborda a problemática da difusão das ideias liberais em Portugal, começando por questionar a opção (julgo que atribuída à Iniciativa Liberal) de se querer começar por cima (“alcançar o centro do poder do Estado para a partir daí iniciar uma «revolução liberal»”) em vez de se começar por baixo, da sociedade para o Estado, através da formação de associações, publicação de livros, organização de seminários e conferências, etc. Não sou militante da IL, apenas simpatizante e eleitor, e por isso não sei se existe algum plano secreto para desencadear um golpe que coloque o João Cotrim de Figueiredo na posição de D. Pedro IV após o desembarque no Mindelo, quando este membro da Casa de Bragança sentiu necessidade de ameaçar os portugueses com um inopinado e infausto “Não me obriguem a libertar-vos!”. Até ver, não me parece que a eleição de um deputado signifique que a IL alcançou o “centro do poder do Estado” nem vislumbro qualquer sucesso numa eventual tentativa de iniciar uma “revolução liberal” a partir da cadeira solitária conquistada no Palácio de São Bento. Agora, se devidamente aproveitada, creio que a eleição de Cotrim de Figueiredo pode ajudar bastante no enraizamento da tal “cultura liberal” referida por António Araújo. Uma cultura que, definitivamente, não nasceu com a IL, e que contou, desde o 25 de Abril, com vários impulsos, dos quais vou destacar, sem pretensões de exaustividade, o Grupo de Ofir liderado por Francisco Lucas Pires, os textos que Pedro Arroja publicou na imprensa nas décadas de 80 e 90 (não desvalorizo as excentricidades e até um ou outro disparate, mas foi indiscutivelmente um “influencer” avant la lettre) e o surto de blogues liberais nascidos na primeira década do séc. XXI (não fiz parte desse surto, comecei a escrever no Blasfémias em Fevereiro de 2017, já a “grande festa” da blogosfera tinha acabado há muito).
Ao contrário de António Araújo – e ao contrário, também, de muitos liberais –, não menosprezo o que foi alcançado até hoje no campo da difusão de ideias. Concordo que o liberalismo ainda tem uma expressão pouco relevante em Portugal, mas não sei se, após décadas de uma ditadura antiliberal de direita (que só tinha como oposição organizada um partido antiliberal de esquerda) seguidas de mais uns longos anos em que só a liberdade política (e nunca a económica) podia ser defendida sem se ser insultado, era possível um cenário diferente. Os portugueses não são masoquistas, claro, mas são, como todos os outros povos, permeáveis ao discurso político dominante. E esse, tendo sido de direita até 74 e de esquerda depois, foi quase sempre, adaptando o conceito de Gramsci, hegemonicamente antiliberal. Como já lembrou neste blogue o actual presidente da IL, num congresso do PSD em 1995, ou seja, 6 anos depois da 2ª Revisão Constitucional, o congressista Luís Filipe Menezes não encontrou melhor do que “liberal” para baptizar pejorativamente os seus adversários internos. E a dimensão da vaia com que foi presenteado mostra bem o carácter insultuoso que se atribuía à palavra. Por isso, apesar da lentidão (que era, na minha opinião, inevitável), julgo que as ideias têm percorrido o seu caminho.
Na terceira parte da sua resposta, António Araújo entra, definitivamente, na questão que deu origem ao meu texto. Parece-me que este trecho vai ao encontro de algumas das coisas que eu disse, o que me deixa contente, sendo que eu também concordo com alguns dos novos argumentos trazidos à discussão.
O caso de António Filipe é interessante e estive para falar nele no meu post original. Ao contrário do que aconteceu com Ricardo Robles, esta polémica, relacionada com um dos mais experientes parlamentares do país, não “pegou”. Foi plantada, regada, podada e acarinhada e, mesmo assim, não deu frutos. E esse insucesso (insucesso para os opositores do PCP, claro) não se deveu à falta de ataques de António Filipe à família Mello/hospitais CUF; deveu-se, isso sim, à inteligência com que António Filipe (que sabe mais de política a dormir do que Ricardo Robles acordado) conduz as suas lutas, dirigidas contra a falta de investimento no SNS e contra as manobras de bastidores dos grupos privados ligados à saúde e não através de ataques aos utentes das clínicas e hospitais particulares, pois estes, humanos que são, limitam-se a tentar evitar os constrangimentos do sector público e a agir de acordo com os incentivos (palavra-chave importantíssima, essencial para se compreender o pensamento económico liberal) existentes. António Filipe só não se “tramou” porque não existia uma verdadeira contradição, tal como, acredito eu, ela não existe no caso dos liberais funcionários públicos. A não ser, claro, que esses liberais direccionem as suas críticas aos próprios funcionários, em vez de as direccionarem ao sistema político-económico que os enquadra.
Vasco Pulido Valente, que António Araújo chama aos seus textos, escreveu em 2006 o seguinte: “a sociedade portuguesa assenta numa «classe média de Estado», que não se tenciona suicidar por puro amor à consolidação financeira”. Também escreveu, nesse mesmo ano, um veemente e espirituoso “as classes médias nunca vão legislar contra os seus interesses. Estamos a pedir às putas que reformem o bordel”, com o qual não concordo, mas já lá vamos, depois de tratarmos do “suicídio”.
Exageros à parte, estaríamos perante uma situação desse género se eu decidisse, por uma questão de escrúpulo liberal obsessivo, despedir-me da função pública. A não ser que a causa do liberalismo precise de mártires, e não me parece que precise, qual é a vantagem, para o país, de eu sair num dia e ser substituído por outra pessoa no dia seguinte, mantendo-se todo o sistema exactamente igual? Coisa diferente seria uma reforma profunda que, apostando na liberalização do meu ramo de actividade (através de privatizações, ou de uma maior abertura ao mercado, ou de um aumento das parcerias com privados, etc.), me transformasse em trabalhador do sector privado. Eu estou disposto a apoiar essa reforma e, nesse caso, sendo português e acreditando que uma economia mais liberal melhorará a vida dos portugueses, o meu interesse próprio e o interesse geral do país estarão alinhados e em sintonia.
É por isso que não concordo com a frase em que VPV menciona os problemas da gestão estratégica de um prostíbulo. Se olharmos para a palavra “interesse” apenas numa lógica imediatista, a afirmação tem lógica. Mas o interesse, próprio ou geral, deve ser apreciado tendo em conta o curto, o médio e o longo prazo. Não estou a desprezar o dia de amanhã, pois ele inclui três refeições que me interessam e que terei de pagar, estou somente a dizer que não devo avaliar o meu interesse olhando unicamente para ele. O que o liberalismo precisa, pois, mais do que de D. Quixotes solitários a autoflagelarem-se pela causa, é de homens e mulheres que, acreditando nela, a tentem transmitir da melhor maneira, convencendo outros dos seus benefícios, para que esta possa reunir o apoio público e eleitoral necessário ao seu aprofundamento. E também precisa, naturalmente, de “tropas” no Estado, pessoas como Cotrim de Figueiredo e Mesquita Nunes, que, curiosamente no mesmo sector – o turismo –, trabalharam em prol da liberalização do país. Se, por exigência moral desproporcionada, estes dois liberais se tivessem recusado a “vencer mensalmente pelo Orçamento do Estado”, Portugal estaria hoje muito mais pobre, e o “bordel”, para voltarmos a Pulido Valente, estaria eventualmente a ser reformado, à força, por “putas” de fora, vindas directamente do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do FMI.
(para o António Araújo, com um abraço amigo e votos de um bom feriado)
Nevou em Beja
Texto de um autor desconhecido que espero vir a poder identificar de tão bem que ele retrata a sociedade que temos hoje. Tal e qual.
Para reflectir.
“Nevou em Beja !
8:00 horas : fiz um boneco de neve…
8:15 Uma feminista passou e perguntou-me porque não fiz uma mulher de neve.
8:20 Fiz uma mulher de neve…
8:25 A minha vizinha feminista reclamou pelo perfil voluptuoso da mulher de neve, dizendo que ela ofende as mulheres da em todos os lugares.
8:30 O casal gay que mora nas proximidades, teve um ataque de raiva e protestou porque poderiam ter sido dois homens de neve.
8:35 Um transgénero da outra rua perguntou-me porque não fazia um boneco com partes removíveis.
8:40 Os vegans no final da rua queixaram-se do nariz de cenoura, já que os vegetais são comida e não bonecos para decorar.
8:45 O cavalheiro muçulmano do outro lado da rua exige aos berros que a mulher da neve use uma burca.
8:50 A polícia chega dizendo que há uma denúncia anónima contra mim, de alguém que foi ofendido pelo meu racismo e discriminação, porque “os bonecos” são totalmente brancos.
8:55 A vizinha feminista reclamou novamente que a vassoura da mulher da neve deveria ser removida porque ela representa as mulheres num papel doméstico de submissão.
9:00 Um procurador chegou e ameaçou processar-me se eu não pedir desculpas públicas, pelo maldito boneco de neve.
9:05 Uma equipa de jornalismo da TV apareceu. Perguntaram-me se sabia a diferença entre bonecos de neve e mulheres de neve. Respondi “as bolas de neve” e agora chamam-me sexista.
9:10 Estou no noticiário como um suspeito, terrorista, racista, delinquente, com tendências homofóbicas, determinado a causar problemas durante o mau tempo. Estou a passar por tudo isso por causa dos malditos bonecos de neve!
9:15 Quem mandou fazer a merda dos bonecos de neve ?… Estão a perguntar se tenho um cúmplice ou se alguma organização me incentivou a fazer os bonecos, nas redes sociais.
9:20 Os manifestantes da extrema-esquerda e da extrema-direita, ofendidos por tudo, estão a marchar pelas ruas exigindo que me decapitem.
9:25 Os comunistas marcham em frente à minha casa acusando-me de ser neonazi.
9:30 As feministas insultam-me e escrevem na fachada da minha casa a palavra “machista”.
9:45 Organizações ambientalistas acusam-me de poluir a neve.
Moral da história :
Não há ! É apenas o mundo em que vivemos hoje – e vai piorar.
O que foi aqui narrado pode ocorrer, e muitas destas coisas já estão acontecendo.
De tudo isso, a coisa mais difícil de acontecer é nevar em Beja.”
(Retirado de um grupo do Facebook)
Há quem seja subsidiado e condecorado por muito menos
Vendiam louro prensado em vez de droga e azulejos dentro de sacos em vez de telemóveis. PJ deteve-os
Portanto eles evitam de forma absolutamente inócua que umas pessoas consumam estupefacientes e a polícia detém-nos? Quantos anos, campanhas estudos, seminários e funcionários seriam necessários para convencer meia dúzia de criaturas a trocar o haxixe pelo louro? Ora estas pessoas agora detidas não só conseguiram com sucesso como ate levaram os consumidres de haxixe a pagar por isso e a ficarem satisfeitos com o resultado. Não vejo campanha com melhores resultados neste domínio. Para mais ao venderem-lhes louro em vez dos ditos estupefacientes os vendedores pouparam os seus clientes a ingerir uma data de mistelas. De caminho há também um lado de consicência social nisto: sabendo-se como funcionam muitas das estufas onde se produzem as “drogas verdadeiras” vender-lhes louro prensado é uma troca socialmente extarordinária.
Por fim acho uma ironia deliciosa que alguém ganhe uns trocos a vender louro e chá a uns tolos que têm medo dos químicos nas alfaces mas não querem nem saber como são produzidos os estupefacientes que consomem.
Não, os imigrantes não dão nem devem dar
Noticia o EXPRESSO num arrebatamento místico: Imigrantes dão 750 milhões por ano aos cofres da Segurança Social
Este título é um mix entre as contas mágicas com a Segurança Social que está sempre a ser salva e os imigrantes que operam vários milagres no domínio da felicidade. Em primeiro lugar os imigrantes não dão nem devem dar dinheiro à Segurança Social. Os imigrantes não são mecenas: eles fazem descontos que estão a servir para pagar as pensões actuais da Segurança Social. Em segundo lugar os imigrantes como todas as pessoas que fizeram e fazem descontos para a Segurança Social têm direito a receber as suas pensões. Repito os imigrantes não deram, os imigrantes descontaram e vão receber como é ĺegítimo. Portanto título como este na verdade devem ler-se assim: os imigrantes estão a ajudar a manter a Segurança Social nos termos actuais que são geracionalmente injustos. Quanto às pensões deles e dos demais contribuintes depois se vẽ.
E como e quem determina se as rendas são baixas ou altas?
O PM aunciou hoje que Quem tenha investimentos em habitação pode vir a pagar mais IRS, isto se não aplicar em rendas baixas.
Quer isto dizer que os senhorios vão ser fiscalmente forçados a inscrever os seus imóveis nesse flop que foi o Programa de Arrendamento Acessível (PAA) que apesar do estardalhaço não conseguiu mais que uma dezenas de adesões?
O soviete da Praça do Município
Não é por acaso que a CML usou os canais institucionais para defender o LIVRE: a CML é uma espécie de estufa onde se ensaiam os arranjos entre as esquerdas. O LIVRE entrou agora nesse arranjo.
Contudo o episódio não tem gracinha alguma e a CML deve dar explicações pelo que fez.
As facturas da realidade estão a chegar
Os narco estados
Depois da Venezuela se ter tornado um narco estado o México está a dar passos nesse caminho: o cartel de Sinaloa obrigou o governo mexicano a libertar o filho do Chapo Guzmán. Estretanto na Bolívia e com a ajuda dos venezuelanos martelam-se os resultados eleitorais para que Morales se aguente e com ele os narcos contem com mais este porto seguro.
Da esperteza
Será na conferência de líderes, marcada para a próxima semana, que o pedido apresentado pelo Livre para alteração dos tempos de intervenção concedidos aos deputados será analisado. Joacine quer duplicar os tempos regulamentares
A senhora deputada nunca pediu um tratamento excepcional durante a campanha. Esteve nos debates e nas entrevistas e nunca quis ser tratada de forma diferente por ser gaga. Agora quer duplicar os tempos regulamentares.
O pedido não tem fundamento. Aliás como bem se vê em vários videos a deputada não gagueja sempre. Provavelmente gaguej aquando está nervosa. Logo mantém-se o que já existe: a Presidência da Assembleia da República decide ou não pela tolerância de tempo conforme as circunstâncias das intervenções. Qualquer outra decisão é cair na manha do LIVRE.
Portanto vamos declarar a emergência nos correios? Restringir o número de acessos ao mail?…
Primeiro e-mail foi enviado há 50 anos
Quantos trabalhadores dos correios perderam o trabalho? E os selos que deixámos de usar? E os fabricantes do papel de carta? E o desaparecimento dos postos do correio? E os carteiros que já não trazem cartas? E a desumanização?..
Repitam comigo: não há extrema direita em Portugal
Já estou com os cabelos em pé de tanto que vejo repetido, as palavras “extema-direita” colada aos partidos que não defendem os “valores progressistas” da esquerda radical. Não há paciência que aguente tamanha desonestidade intelectual vinda da parte daqueles que deveriam informar em vez de doutrinar. Não, não há partidos de extrema-direita em Portugal nem pode haver. É a própria Constituição Portuguesa que o diz. Não sou eu. Exige-se seriedade.
No artigo 46º – Liberdade de Associação diz assim: “não são consentidas associações nem armadas nem do tipo militar, militarizadas, ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologia fascista” e o artigo 8° da Lei dos Partidos o seguinte:

Assim sendo, como explicam alguns senhores jornalistas e comentadores a insistência em conotar partidos portugueses de extrema direita?

Por outro lado assistimos também a uma deturpação completa do que é VERDADEIRAMENTE uma extrema direita seja no Wikipédia (fonte obtusa)ou seja lá onde for na net. De forma generalizada pelo mundo inteiro atribui-se a uma ideologia fascista com cunho de “direita” por omissão propositada da História que deu origem ao fascismo. É incrível! Vamos lá ver:
O Fascismo não é nem nunca foi de direita. O facto de ter sido omitido das aulas de História nas escolas públicas não faz desaparecer a sua origem. E qual é ela? O fascismo nasceu com o filósofo italiano socialista Giovanni Gentile que acreditava que existiam dois tipos opostos de democracia: uma liberal individualista que considerava egoísta e outra, a verdadeiramente democrática, na qual os indivíduos se subordinavam ao Estado, uma comunidade que lembrasse a família e em que estivessem todos juntos pelo bem comum.
Gentile era de esquerda portanto inequivocamente o fascismo de que ele é autor é uma forma de socialismo só que mais funcional. Enquanto o marxismo mobiliza as pessoas com base apenas na sua classe, o fascismo mobiliza apelando às suas identidades nacionais e classes. Segundo ele, toda a acção privada devia ser orientada para servir a sociedade. Nesta ideologia não há distinção entre interesse privado e público pois o braço administrativo da sociedade é o Estado. Mussolini resumiu esta ideologia numa frase: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Dois socialistas nos anos 30 foram mentores na aplicação deste capitalismo direccionado pelo Estado: Hitler (líder do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que por contracção deu origem à palavra “nazi”) e Mussolini. A UE reconheceu finalmente que o Nazismo e Comunismo, duas ideologias extremistas, têm a mesma origem. Já não há desculpas para os média continuarem com a mesma ladainha.
No lado completamente oposto está o Conservadorismo. Aqui defende-se um governo mínimo e liberdade individual que levado ao extremo transformaria a sociedade numa anarquia (sociedade constituída sem governo) o que inviabiliza completamente a possibilidade de se criar uma ditadura porque é um sistema baseado na negação da autoridade. Mas isto ninguém lhe dirá. É para manter “esquecido” não vá a sociedade acordar do coma.
Concluindo: se não há partidos de extrema direita em Portugal porque não é permitida por lei por que razão continuam a rotular certos partidos anti-sistema como tal?
Bom, só não vê quem não quer. A sociedade que temos hoje é socialista (não confundir com social-democracia): Estado enorme com tentáculos gigantes que controlam todos os aspectos da nossa vida retirando gradualmente as liberdades individuais; impostos elevadíssimos que nos empobrecem, para justificar um Estado social cada vez mais deficitário e ineficiente e alimentar o “apetite voraz” dos governantes; um sistema eleitoral que eterniza os grandes partidos no poder impedindo a renovação do Parlamento dificultando a entrada de novas forças políticas; oligarquias nos governos; milhões de dependentes do Estado desde particulares a empresas para maior controlo das massas; ensino doutrinário; censura e perseguição às vozes divergentes. Como fazer frente a partidos que se dizem dispostos a ACABAR com esta sociedade para fazer renascer outra totalmente livre, igualitária, pacífica, inclusiva e justa com valores e ordem social, o maior perigo para a disfuncional sociedade esquerdista? Gritando “vem aí o lobo mau”!
Na verdade o que entrou para o Parlamento não foi a extrema direita mas sim a verdadeira direita ( que nunca existiu em Portugal ) e que através do seu manifesto político promete corrigir os graves atentados à democracia de que fomos vítimas durante décadas. É a reposição dos valores ensinados pelos nossos pais e avós numa sociedade completamente à deriva, perdida nos seus conceitos pseudo-progressistas de desconstrução social.
Era só para avisar que o general Franco
António Araújo, o Liberalismo e eu
O António Araújo, generosamente, tem ocupado algum do seu tempo a responder ao meu post de 18 de Outubro.
Deixo aqui as ligações para os seus textos, com a promessa de que voltarei ao tema assim que possível.
http://malomil.blogspot.com/2019/10/para-um-dialogo-com-um-liberal-1.html
http://malomil.blogspot.com/2019/10/para-um-dialogo-com-um-liberal-2.html
http://malomil.blogspot.com/2019/10/para-um-dialogo-com-um-liberal-3.html
A vertigem socialista
O governo e o PS são isto: auto-deslumbramento.

Tapando a bandeira com a saia
Todos com medo do CHEGA
Todos com medo. Jornalistas, “Donos Disto Tudo”, políticos, partidos, avençados, Governo, subsídio-dependentes, oligarcas, os “racistas radicais fascistas” que se dizem anti-radicais e anti-fascistas como a Joacine Katar! Tudo! As pernas tremem. O nervosismo nem se disfarça. É porque o CHEGA é de extrema direita ou coisa que o valha? Não. É porque sabem melhor que ninguém que vem para acabar com o sistema podre que nos desgovernou repondo toda a verdade, transparência e decência que sempre faltou na política portuguesa. Daí o ataque cerrado com conotações abjectas, que sabem serem falsas, para provocar pavor e insegurança nos eleitores. Porque o ataque, dizem por aí, é a melhor defesa: bater “violentamente” primeiro antes de levar uma sova como último recurso para sobreviver. Porque é mesmo disso que se trata: sobrevivência política.
Daí esta palhaçada diária de combate ao CHEGA. Inicialmente pensei que a estória à volta do lugar do deputado Ventura só podia ser mentira. Mas não. Ao ver a notícia estampada em tudo quanto era jornal não restou dúvida alguma: Telmo Correia do CDS estava incomodado pelo CHEGA ter de passar na frente da sua bancada no Parlamento e aceitou por isso a sugestão do PEV e PCP que propunham uma porta (cerrando o corrimão) só para Ventura sair pela lateral. Quando a indignação nas redes sociais se tornou quase viral, veio apressadamente justificar. Antes estivesse calado. A explicação não tem nexo. Se era para poupar o deputado do CHEGA a incómodos, teria perguntado ao próprio se se importava com o caso e ouviria da sua boca “Estou-me nas tintas para o meu lugar” . A outra alegação de que não se sentia confortável com um deputado de outro partido no meio do CDS “ouvindo” as trocas de opinião entre eles, também não colhe. Qualquer lugar, no limite entre partidos, a menos que esteja dividido por uma parede – de preferência isolada do som – , coloca sempre esse deputado numa situação limítrofe de proximidade inevitável.

A agência Lusa do Boaventura dos Santos quis saber o que pensavam os partidos residentes – alguns já com “raízes até ao núcleo da Terra” – e novos sobre a entrada do partido da “extrema-direita” no Parlamento. Sim, leu bem, a Lusa também conota o CHEGA de “extremista radical” dando uma ajudinha à mentira propagada. Curioso. Não me lembro de que tenham feito o mesmo com (mais uma) entrada de radicais de esquerda – estes sim, verdadeiramente extremistas – do Livre. Mas adiante. Dizia eu, que foram então questionados os “senhores deputados” do PS, PSD, BE, PCP, CDS, PAN, CDS, PEV, Iniciativa Liberal e Livre sobre se essa entrada era um desafio ou uma ameaça. O PCP, PSD, e CDS remeteram-se ao silêncio. O PSD e CDS em silêncio. Sim, porque não podiam simplesmente dizer a verdade, por exemplo: “não nos sentimos nada ameaçados porque o CHEGA é apenas um partido de verdadeira direita, não é de todo extremista”. Mas não. Fizeram silêncio. Um silêncio que diz muito.
O BE fazendo jus à sua habitual desonestidade intelectual usaram argumentos falsos com a velha lengalenga do costume colando Ventura ao apoio aos cortes nos salários e pensões de Passos que na verdade, estamos “carecas” de saber que foram de Sócrates; da xenofobia que não existe numa única linha no programa do CHEGA nem de nada de extrema direita porque se assim fosse o Constitucional não o aprovaria.
A IL respondeu que “A Iniciativa Liberal distancia-se de todas as forças que usem estratégias identitárias para afirmação política”. Acontece que o CHEGA é acima de tudo personalista logo não há razões nenhumas para esse distanciamento e poderia tê-lo dito sem medo. Mas não.
A deputada do Livre – Deus nos livre de tal criatura que encarna o ódio – afirmou que “não há lugar para a extrema-direita no parlamento” (claro que não, isso é anti-constitucional), salientando que o seu partido será “a esquerda anti-fascista e anti-racista” mas esqueceu-se de dizer à Lusa que é uma racista radical assumida, contra brancos e que pertence a um partido extremista de esquerda radical (esse sim ainda não é proibido na nossa Constituição) que organizou uma manifestação contra a entrada do CHEGA no Parlamento, democraticamente eleito como ela. Ainda nem sequer aqueceu o lugar e já é ditadora.
No lugar do Ventura não me importaria nadinha com isto. Seria com imenso orgulho que representaria o maior grupo de portugueses: o povo. Falaria do episódio da porta sem complexos lembrando que só os grandes líderes têm este privilégio de ver um Parlamento inteiro incomodado com sua presença. Bravo André!
Não importa por onde se entra, importa é estar no Parlamento, chegar onde todos diziam ser impossível e principalmente através dos votos do povo português que disse claramente “chega!” ao sistema corrupto existente.
Só falta saber quem vai usar a dita porta daqui a 4 anos. Aguardemos.
o verdadeiro radical
Em tempos em que andar travestido, mas só da cintura para baixo, é sinónimo de “radicalismo”, lembro aqui o exemplo – que espero, por razões puramente estéticas, não venha a ser seguido – do único verdadeiro radical que tivemos nos nossos parlamentos. De resto, graças às suas atitudes, teve e tem uma quantidade de chatices com a justiça, que não lhe devem sair baratas, chegou a estar detido e está condenado a uma pena de prisão efectiva. Um radical a sério, em contraste com os snobes que por aí andam.
E para a semana riquezas que ides vestir?
Como a sainha e os sapatinhos de hoje estavam um bocadinho cafonos aqui fica a minha sugestão

ainda há vida para o cds?
Desde que Francisco Lucas Pires se demitiu da liderança do CDS, o partido deixou de pensar. Lucas Pires tentou encaminhá-lo no sentido de um liberalismo europeísta, simultaneamente moderno e conservador, mas entendeu que falhou e demitiu-se. O Clube de Ofir, que foi, aliás, o único verdadeiro think tank da direita portuguesa desde sempre, fechou portas, e o CDS voltou a remeter-se à ignorância.
Faria uma nova tentativa com Paulo Portas e O Independente, que foi o verdadeiro projecto político da refundação a dois, com Manuel Monteiro e o director desse jornal. Portas formou uma pequena legião de novos dirigentes, todos, ou quase, com tarimba no seu jornal e no seu modo repentista e carismático de fazer política. Mas, para além do “projecto” de pôr termo ao cavaquismo, não houve nunca um rumo político-ideológico para o partido de Portas, que girava, qual satélite de Saturno, em sua órbita: o que ele dissesse e fizesse estaria bem feito e bem dito. Com Portas, o CDS voltou a ser um partido de poder, mas sem que soubesse, ao certo, o que fazer com o poder que tinha. Como, de resto, se percebeu muito bem na passagem que teve pelos governos de Barroso e Passos Coelho.
Hoje, sem líder mediático, com tropas envelhecidas, sem dirigentes habilitados para dirigir o que, de resto, também já não existe, e com a concorrência – que será implacável – do Chega e do IL, o CDS ou começa rapidamente a pensar, e a fazer pensar os portugueses, ou está condenado à extinção.
Tem dois anos para o fazer. Ou para desaparecer.

A fase seguinte não sei se vos agrada ou não mas a avaliar pelos amiguinhos espanhóis será a dos beijinhos. Escusam de dizer que depois de andarem nestas propósitos o Errejon deixou o Iglesias `a frente do Podemos e foi fazer outro partido. O que conta é a intenção e vocês não s epodem deixar ficar para trás como neste caso das saias

Mau momento para se acabar com o recreio
A candidatura de Miguel Morgado à liderança do PSD poderia ser a lufada de ar fresco que o país necessita. A candidatura, em paralelo com a de Luís Montenegro, ambos directamente ligados à governação durante a era da troïka, mostraria um partido disposto a enfrentar os seus demónios e a oportunidade para reconciliar-se com o seu eleitorado. A manutenção da liderança de Rui Rio, mais do que uma concessão situacionista à estratégia da terceira idade (a que consiste em morrer tranquilamente), afastaria em definitivo aqueles que em 2015 deram a vitória eleitoral ao PSD apesar do caruncho pacheco-pereirista-e-manuela-ferreira-leitista. Contudo, o momento não é propício a que se dê qualquer atenção ao PSD, pelo que, por muito mérito que reconheça a ambos para salvarem o partido da obsolescência, dificilmente Rio sairá do lugar desta forma.
Após a vitória do PS nas eleições legislativas, a atenção virou-se para os novos partidos. Isto é conveniente para todos, a começar pelo próprio PS por motivos evidentes. Também é conveniente para o Bloco e para o PCP: permite-lhes a crítica cerrada ao governo sem acrescido ónus de viabilização parlamentar dada a proliferação de gente em bicos de pés do outro lado da bancada, uns desejosos de não serem esquecidos, outros desejosos de tornarem as novas faces tão reconhecíveis como as das restantes personagens televisivas.
Com o Livre a providenciar entretenimento de fantochada, o PAN a providenciar a espiritualidade de caverna, o CDS a encontrar agulhas no palheiro mais facilmente que os colegas do grupo parlamentar e a IL a perpetuar o erro de que existe uma coisa chamada “liberalismo nos costumes”, viabilizando qualquer “avanço civilizacional” oriundo da cabecinha urbana de Francisco Louçã, resta André Ventura para fazer tudo o resto: a oposição à esquerda, a afronta aos situacionistas, a ofensa aos urbanos instruídos em fobias variadas e aos lingrinhas em geral que, de uma forma ou outra, só servem o propósito de manter o PS no governo por tantos anos quantos desejar.
O complexo das «gargalhadas refrescantes”
Segundo a Rádio Renascença: «Alma, a nova deputada do PCP para quem o Parlamento é um labirinto» «promete batalhar por mais habitação e transportes em Lisboa» e solta «umas gargalhadas refrescantes». E assim Alma a das “gargalhadas refrescantes” sucede a Rita Rato que carregava livros às braçadas (mas nunca sobre o gulag), que por sua vez sucedera a Odete a lutadora… Enfim uma galeria de retratos falados que os homens do PCP dispõem como lhes convém e que goza de uma enorme empatia nas redacções. Que Deus acompanhe a RR ou as «gargalhadas refrescantes» ainda lhes torram a moleirinha.
No pasa nada
Como o Guardian ainda não deve ter noticiado o facto aqui pela pátria, editada e poligrafada, não se escreve uma linha sobre a anulação em França de uma conferência de Sylviane Agacinski sobre «L’être humain à l’époque de sa reproductibilité technique» na universidade Bordeaux Montaigne.
A viagem de Macron aos territórios ultramarinos (chamam-se mesmo assim) também teria muito para noticiar. E obviamente que tb poderiam descobrir que nas eleições municipais que vão ter lugar em Março vão ser apresentadas listas de muçulmanos para “defender os muçulmanos”
Preparemo-nos para as campanhas eleitorais futuras

Como o video reapareceu reaparece tb a pergunta: esta manifestação em frente ao parlamento aconteceu quando?
«Infelizmente nem todas as bandeiras são internacionalistas, como nós sabemos.
A bandeira portuguesa, permitam-me a sinceridade, ela tem pouco ou nada de internacionalista.
A bandeira portuguesa, na verdade, ela é do final do século XIX mas reparem uma coisa: ela, na verdade, ela exclui determinados grupos, ela tem uma vertente religiosa bastante vincada, ela ao mesmo tempo exalta uma forma de encarar o mundo que é uma forma racista e imperialista. E na verdade é uma questão de olhar os símbolos da bandeira. Falamos das quinas que representam as chagas de uma determinada identidade…»
Portanto o video foi apagado?
O video abaixo dava conta de uma manifestação em frente à AR.
Nela um homem acusava a bandeira portuguesa de ser símbolo de vários crimes. Apaga-se o video porquê? O senhor é livre de fazer essas declarações e espera que elas cheguem ao povo. E o povo é livre de ver essas e ouvir essas declarações.
Isto aconteceu quando?
Hoje é o dia em que
Análise ao Chega
Alguns excertos provocatórios que servem de “teaser” para leitura de ensaio de Patrícia Fernandes e André Azevedo Alves no Observador.
Os documentos fundadores do Chega destacam o mau funcionamento do regime sem colocar em causa os seus valores fundamentais: o sistema democrático de cariz representativo, o Estado de Direito, o princípio da separação de poderes ou as liberdades básicas de expressão, manifestação e associação.
São estes textos que reproduzem de forma consistente e fundamentada os ideais desta nova direita, neste caso portuguesa.
A proposta liberal do Chega recupera a tradição do liberalismo clássico, passando pela defesa de “uma visão do mundo e da vida assente nos valores da Liberdade e da Democracia representativa
A tensão ideológica reside no facto de esta aproximação ao liberalismo entrar em contradição com a herança da Nova Direita.
Para se compreender o argumento dos autores e a densidade do ensaio, será necessário ler a versão completa aqui.
OKUPAS: brevemente numa casa perto de si
Esta semana o Correio da Manhã dava-nos conta de que em Portugalete, no país Basco em Espanha, uma senhora de 94 anos que ficara sem sua casa por esta ter sido invadida por “okupas”, pôde finalmente retornar à sua propriedade depois dos vizinhos se terem unidos para expulsar os intrusos. Mas que fenómeno é este que não pára de crescer?
É um movimento que nasceu na Europa nos anos 60 por anarquistas que se julgam no direito de invadir propriedades privadas desocupadas para uso próprio à revelia dos donos. São ocupações políticas e não por necessidade. É a perseguição ao direito de propriedade. É o combate declarado à sociedade capitalista. Dizem eles que estão a “lutar contra a especulação imobiliária” tomando de assalto os espaços vazios. Tretas.
O programa ” Okupas” no Perdido e Achados da SIC em 2008 dava conta que Paula Parreira e Paulo Martins “deixaram para trás o emprego, um apartamento e um empréstimo de 50 mil euros. Ocuparam uma casa abandonada em Cascais para lutar contra os luxos e as obrigações de uma sociedade de consumo”. Este é o verdadeiro perfil dos assaltantes de casas e prédios privados. Gente que não quer fazer sacrifícios mas antes viver às custas de outros que não se coibiram de lutar para terem o que têm hoje.
Esta praga está em crescimento em Espanha e transformou-se numa autêntica epidemia. Em 2017 eram 90 000 vivendas “okupadas” e 7000 processos por invasão. Barcelona possui a taxa de “okupações” mais elevada do país, 23%, que se converteram em negócios muito lucrativos para os “okupas” porque muitos, podendo pagar rendas não o fazem e as máfias organizadas dedicam-se a “okupar” para logo “revendê-las” a outros ou a exigir quantias avultadas para as abandonar. São profissionais da “okupação” por via da impunidade da lei para este tipo de delitos e a cumplicidade das autoridades locais. Totalmente fora de controlo, há edifícios inteiros “okupados”. O desespero tem tomado conta dos proprietários que vêem os processos arrastarem-se durante anos para no fim assistirem a sanções ridículas de 3 euros por dia de “okupação” o que dá uma coima de 270 euros por 3 meses de assalto à propriedade. É um negócio em que muitos recebem cerca de 5000 euros de alguns fundos imobiliários só para que abandonem as casas. Os investidores estrangeiros já se acostumaram ao fenómeno que fez desvalorizar os preços, em especial na Catalunha, onde se regista o maior risco sem que a administração local intervenha para defender os proprietários, muito pelo contrário.
Nós por cá, como “somos muito mais à frente”, além desses grupelhos ( sim! eles existem! ) temos um Governo “okupa”.
As novas leis da habitação que vêm aí são um “bom” começo para a “expropriação legalizada” simplificada que dá ao Estado mais liberdade para se tornar dono de edifícios alegando necessidade de habitação social. Espreite o que diz o artigo 229 do OE 2019 quanto ao novo conceito de casa devoluta:
i) Alargar a aplicação do conceito de devoluto a outras finalidades, designadamente políticas de habitação, urbanismo e reabilitação urbana, quando a lei o preveja;
ii) Considerar como indício de desocupação a existência de contratos em vigor com prestadores de serviços públicos essenciais com facturação inferior a um valor de consumo mínimo a determinar.
Mas há mais. A nova Lei de Bases da Habitação vai permitir requisições forçadas de habitações – onde basta “uma situação de défice habitacional, falha ou disfunção de mercado ou risco de declínio demográfico” (art.º 39), aprovado por uma assembleia municipal; a prorrogação forçada de contratos de arrendamento; a suspensão dos processos de despejo e ainda incute o dever do proprietário “de fazer uso do seu bem, de forma a que o exercício da propriedade contribua para o interesse geral” (art.º 4, nº1).
Mas por que razão é que têm de ser os proprietários a “promover” casas para habitação? Com que direito o Estado me vem dizer o que devo ou não fazer às casas que possuo? Com que autoridade me impõe obras quando me congela as rendas durante décadas para as tornar “acessíveis” reduzindo a minha capacidade financeira de poder intervir na conservação dos edifícios e me obriga a colocar as minhas casas vazias para arrendamento quando ele próprio tem neste momento 4500 edifícios vazios outros devolutos e em vez de os colocar para habitação social, andou a vender a privados para obter fundos?
Cabe ao Estado fazer habitação social. Foi assim no Estado Novo onde nunca foi necessário recorrer à apropriação de casas privadas para que nascessem bairros sociais. Ironias. Afinal quem são os ditadores?
Veja mais aqui:
E o portal sapo? E os sapos nos livros? E os sapos nos jardins? E estudar os sapos? E o conto “Bambo” do Torga tb é discriminatório?
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade quer que se acabe com os sapos nos supermercados — um símbolo de azar que afasta a comunidade cigana: “Abaixo os sapos discriminatórios”. A senhora secretária de Estado deixe os supermercados em paz e se está assim tão preocupada com a “comunidade cigana” pague uns cursos para explicar à dita comunidade (seja lá isso o que for) que os sapos são além de inofensivos muito importantes para os ecossistemas. De caminho distribua uns exemplares do conto “Bambo” do Torga. Faço parte de uma geração que teve como leitura obrigarório o “Bambo”. Então não gostar de sapos era sinal de atraso e de maldade. Fosse hoje armava um escarcéu e dizia que me sentia discriminada por me obrigarem a ver sapos, ler histórias sobre sapos e até dissecar sapos. (Sim nas aulas de Ciências da Natureza dissecámos pombos, ratos, sapos, rãs..)
Não sei onde vive a senhora secretária de Estado mas eu que vivo paredes meias com a “comunidade cigana” garanto que supermercados para fazerem compras não lhes faltam.
