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Podem chamar-me como vos originar maior proveito

16 Novembro, 2018

Na igreja aqui da paróquia há um padre que todas as semanas se repete sobre a importância da comunidade. A igreja está aberta, não tem um daqueles cartazes sobre direito de admissão e muito menos um daqueles sobre não se vender fiado. Às vezes entro, desligo o telemóvel e sento-me a olhar para as figuras e para o altar, a pensar na vida e essas coisas que as pessoas fazem em silêncio. Antes de entrar tinha os ascultadores postos, como muitas outras pessoas da minha idade, que passam a pender no meu pescoço como outrora penderia um fio ornamentado com um crucifixo. Não são particularmente diferentes: ambos simbolizam a ligação a comunidades, agora a comunidade dos que escrevem canções para mim e para os meus, outrora aos que passaram mensagem semelhante sobre a condição humana. Talvez seja rezar, talvez não seja, o que é, seguramente, é um momento de alívio do ruído externo que impede ver a realidade com clareza. Deus é muito pouco mencionado na minha relação com Ele.

Estamos sozinhos no mundo. Nascemos e morremos sozinhos. Alguns procuram o alívio da solidão na tribo de lenhadores com barbas iguais, outros na família, outros ainda na comunidade paroquial e, principalmente os que mais conheço, em ideologias. Há uma imagem de João Baptista nesta igreja. Há outras no Facebook, nos partidos e nos jornais e blogues. Ao fim do dia, adormeço na mesma sozinho, independentemente da sorte de partilhar a cama com alguém. É por as coisas serem como são, pela condição solitária da existência humana em mundos que se encerram em cada indivíduo, que grupos normativos me incomodam cada vez mais. Se vos agrada, podereis chamar-me de conservador, de ultramontano, de socialista ou até de filho da puta. Só não me chamem de liberal, que isso é o que se denomina o João Miguel Tavares, e eu, com a consciência tranquila, posso afirmar que não vos fiz mal algum.

«ispetáculo»!

15 Novembro, 2018
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Afinal de contas, esse estrondoso sucesso que é a Web Summit tem uma conta para pagar. Eu pensava, que dado o estrondoso prestígio da coisa, ela não só se pagaria a si mesma, como nos traria um lucro financeiro colossal. Ora, as notícias que por aí foram plantadas na semana passada sobre os enormes ganhos que o faraónico certame de vaidades trará à pátria, tinham alguma coisa de apocalíptico: na verdade, anunciavam, veladamente, uma continha anual de pelo menos 11 milhões de euros, que se terão de entregar, durante dez anos, às mãos ansiosas do sorridente sujeito que organiza a coisa. Como o Dr. Costa não brinca em serviço quando se trata de promover a sua augusta figura,  já mandou dizer, também pelos jornais do regime, que podemos todos dormir em paz, porque a singela conta será paga com «fundos europeus». O prestígio enorme de tudo isto, que faz babar de inveja as bocas abertas de filandeses, suecos, dinamarqueses, e de outros povos que nos ajudarão a pagar a festa só pelo orgulho de o fazerem, será suficiente para que o arrojado Costa se disponha a assinar os contratos e os cheques que forem precisos. Até porque, se eles nos fizerem um manguito, sempre cá temos à mão os papalvos dos contribuintes. Eles já estão habituados.

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AVISO: tourear permanentemente os princípios pode prejudicar gravemente a sua saúde

15 Novembro, 2018

 

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terrorismo

14 Novembro, 2018
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Foram detê-lo a casa, numa tarde de domingo, para ir depor num inquérito a que ele mesmo voluntariamente se apresentara duas semanas antes. Nessa noite já dormiu em instalações prisionais, com os movimentos e a sua liberdade toldados. Na segunda-feira não foi ouvido. Na terça também não: havia uma greve, e entre o direito à greve e à liberdade a nossa Constituição opta pelo primeiro. Começou na quarta, já com três noites de calabouço. Desconhece-se quando terminará de ser ouvido: é que o inquérito é de «especial complexidade»… Durante esses dias entraram-lhe casa dentro e fizeram «buscas»! Levaram-lhe papéis, como se fosse concebível que alguém mantivesse em sua casa provas que o incriminassem, meses passados sobre os factos de que é suspeito. Apreenderam-lhe o computador da filha menor, onde certamente terá escondido os planos diabólicos desse negro dias que foi o atentado terrorista de Alcochete. Acusam-no, agora que está detido há dias, de cinquenta e tal crimes, sendo um deles, precisamente, o de «terrorismo». Parece que o homem faltou gravemente ao respeito a algumas personalidades. Pessoas de grande seriedade, e isso, em Portugal, é crime sem remissão. Mas, por mim, quanto ao «terrorismo», a haver crime só se for de estado.

O que sabes tu, Jerónimo?

14 Novembro, 2018

​Jerónimo de Sousa desconfia das intenções do CDS no inquérito a Tancos. Em entrevista à Renascença e ao “Público”, o líder do PCP considera que assunto é “grave” e que é mais importante saber quem roubou e para quê do que apurar eventual encobrimento.

Reformas e pensões: um chorrilho de mentiras

14 Novembro, 2018

: «Só há duas coisas certas a respeito das pensões em Portugal: uma é a constante preocupação do actual governo com a necessidade política – tanto mais urgente quanto as eleições se aproximam – de garantir algum tipo de aumento ao eleitorado dos vários tipos de pensionistas; a outra, pretensamente legitimadora da primeira, é esconder a impossibilidade de manter a médio-longo prazo o actual sistema de pensões, anunciando dia-sim dia-não aumentos que, em muitos casos, nunca virão a ter lugar, pois não haverá dinheiro para tal, ao mesmo tempo que prolonga no papel a data da reforma mas depois não a aplica!»

As pessoas não são propriedade do Estado

13 Novembro, 2018

Há que prestar muito mais atenção a esra conversa fofinha em torno dos “cuidadores informais”: Estima-se que em Portugal haverá 827 mil pessoas que dependem de cuidadores informais, na esmagadora maioria mulheres. De acordo com dados de um estudo pedido pelo governo, o valor económico das horas de trabalho despendidas por estes cuidadores ascende aos 333 milhões de euros mensais.”

Em primeiro lugar há que ter em conta que a responsabilidade pelos mais velhos tal como pelas crianças é das famílias e não do Estado. Paulatinamente tem vindo a ser instilada na sociedade a ideia de que alguém que não os familiares deve cuidar dos mais velhos e dos dependentes.  Parece-me óbvio que estas pessoas que não são uns estranhos a quem acontece uma desdita qualquer mas sim todos nós porque todos nós (a não ser que nos tenha acontecido uma enorme tragédia familiar) temos pai, mãe, tios … e todos nós envelheceremos logo todos seremos confrontados com a necessidade de cuidar de alguém e de sermos cuidados por alguém. É também óbvio que esse cuidar se prolonga cada vez mais no tempo. E basta ter cuidado de uma pessoa para perceber que não existem soluções perfeitas, receitas padrão ou medidas mágicas.

Mais trabalho, mais responsabilidade e mais despesa é o que acontece quando se tem de cuidar de alguém. É certamente importante que se flexibilizem horários de trabalho, que existam estruturas de apoio e flexibilidade na forma como esses apoios são administrados, que sejam atribuídos apoios financeiros, que se acabe com a penalização fiscal de quem cuida dos seus familiares em casa, que a alternativa não seja apenas o lar ou ficar sozinho em casa …  Agora transformar os dependenetes propriedade do estado e os familiares que cuidam deles em funcionários é que não.

 

E o Óscar de Melhor Argumento Original vai para… João Salaviza

12 Novembro, 2018

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Habituados que estamos, historicamente, a que a verdade domine a política e caracterize os políticos, é natural esta surpresa generalizada diante do mundo novo das fake news. É certo que os investigadores nos falam, a propósito da Batalha de Kadesh, de uma gigantesca campanha de mentiras orquestrada a partir da cúpula do poder imperial de Ramsés II (obrigado, Yul Brynner): o faraó egípcio, nesse célebre episódio, mandou inscrever nas pedras das mais imponentes construções da época o relato da sua gloriosa e retumbante vitória contra os Hititas, algo que seria bastante justo caso tivesse de facto vencido, o que não aconteceu. Mas isso foi no séc. XIII antes de Cristo, não sendo por isso minimamente representativo da honestidade que os políticos cultivaram durante os 3290 anos que se interpuseram entre as aldrabices de Ramsés o Grande e as aldrabices de Donald Trump.

Embora haja neste momento um enorme pessimismo sobre a eficácia do combate às notícias falsas, eu confio na resolução do problema. E fui invadido por essa confiança quando li o texto que o realizador João Salaviza escreveu no jornal Público, relativo às presidenciais brasileiras, no qual lamentava a propagação de mentiras durante a campanha eleitoral. Quando um especialista em difundir patranhas se vira contra a difusão de patranhas, só podemos ter esperança de que todos os outros façam o mesmo e o fenómeno se extinga.

Recordemos, para contextualizar a conversão do cineasta, um episódio relativamente recente: há cerca de meio ano, comentando o filme que rodou no Aleixo, o autor desabafou sobre o pesadelo que representa ainda hoje a sinistra comemoração de Rui Rio, que se pôs a brindar com champanhe durante a demolição das torres do bairro portuense. Salaviza olha para essas imagens e considera-as tenebrosas e traumáticas, o que seria uma opinião perfeitamente legítima não fosse o caso de elas não existirem! Sabemos bem que os artistas têm uma sensibilidade especial para analisar os acontecimentos, mas os dotes artísticos de Salaviza são tão extraordinários que essa sensibilidade se manifesta até na análise do que nunca aconteceu. Se fosse um vulgar cidadão a imaginar coisas destas, teríamos de lhe dar medicação; sendo um realizador de cinema, merece que lhe seja dada a Palma de Ouro.

O meu optimismo é ainda reforçado pelo circuito que a ficção de Salaviza percorreu à época e as mudanças que entretanto ocorreram: o desabafo do cineasta foi divulgado pelo Diário de Notícias, que se transformou desde essa altura no órgão oficial do combate à mentira, e foi amplamente multiplicado pelo Bloco de Esquerda, partido que encabeça actualmente a frente política contras as fake news. O deputado José Soeiro, por exemplo, chamou canalha a Rui Rio por causa do champanhe e disse que não era capaz de esquecer aquelas imagens. A minha sugestão, para ver se ainda vai a tempo de passar por artista, é que José Soeiro pegue rapidamente numa lata de spray e faça um rabisco qualquer numa parede da cidade. Se com essa manobra conseguir escapar aos psicofármacos, merece, sem dúvida, um grande brinde.

 

As notícias falsas não nasceram nas redes sociais porque sempre existiram

12 Novembro, 2018

Hoje chamam-lhe “Fake News” porque dá estilo  falar americanizado. Dantes eram designados apenas por boatos, a arte de descredibilizar e atacar o adversário, mais antiga do mundo. Lembrou  Carlos Abreu Amorim no facebook, e muito bem, que “a melhor e mais proveitosa “fake news”  aconteceu em 1383, quando “O Mestre de Avis e amigos foram ao Paço matar o Conde de Andeiro e puseram os pajens e o cúmplice Álvaro Pais a gritar pelas ruas de Lisboa:
– “Todos ao Paço que matam o Mestre! Venham que matam o Mestre que é filho de El-Rei D. Pedro!” Ou seja, o futuro D. João I e os seus, foram matar um inimigo político e, à cautela, puseram o povo em armas em frente ao Paço, já quase a arrombar as portas, porque espalharam a “fake news” de que eram eles que estavam prestes a ser assassinados”.  Onde está a novidade que tanto agita hoje governo e comunicação social? Simples:  é que hoje as falsas notícias já não são controladas por eles.

A arte de manipular é antiga. Mas foi com a imprensa que ela se tornou mais eficaz. Se um boato lançado boca a boca já corre várias cidades, um boato escrito na imprensa, faz uma volta ao mundo. Por isso Gramsci, depois de ver fracassado o marxismo da luta de classes pelo proletariado, virou-se brilhantemente para a “revolução” através das letras tendo dito: “Não tomem os quartéis, tomem as escolas e universidades; não ataquem blindados, ataquem ideias”. E ainda: “Os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade colectiva – isto é, exerce o papel cultural de propagador de ideologia. Ela embute uma ética, mas também a ética não é inocente: ela é uma ética de classe”. Foi o marxismo cultural que ideologicamente deu o mote para transformar nossa sociedade numa incubadora de falsas verdades para desconstruir valores, conceitos e culturas. Criar um pensamento único em que a verdade é somente aquela que eles defendem e mais nenhuma.

Com este princípio posto em acção, silenciosamente, durante décadas, as sociedades sem se darem conta, foram sendo doutrinadas por um batalhão de gente que controla os meios de difusão das letras sob o batuque dos políticos que assim que se apoderam do poder, tudo fazem para controlar a notícia e a História  a seu favor. Uns de forma subtil outros completamente à descarada como foi o caso em Portugal de Sócrates que queria comprar a TVI para a silenciar e manipular a  informação.

Por isso, muito antes das redes socais sequer serem sonhadas por “Zuckerbergs”, já se ensinava falsamente nas escolas e universidades, entre tantas outras coisas:  que o 25 Abril foi uma luta pela liberdade quando na realidade aconteceu – dito pelo próprio Otelo Saraiva de Carvalho – pelo cansaço pela guerra colonial e por razões corporativistas quando os militares de carreira se viram ultrapassados nas promoções por antigos milicianos; que Che Guevara foi um herói da democracia e liberdade quando na verdade foi um assassino em massa, racista e homofóbico que queria impor uma ditadura; que o socialismo não é marxismo quando este deriva dessa ideologia; que o fascismo é de direita quando este é uma ideologia revisionista do marxismo; que a ideologia de esquerda é quem se preocupa com os pobres quando na verdade é a que mais pobres e dependentes cria; que os países comunistas/socialistas não fracassaram apenas não aplicaram o verdadeiro socialismo.

A chegada das redes socais não veio piorar esta situação já existente. Na verdade veio trazer mais transparência e escrutínio às falsas notícias e à doutrinação. Porque ao retirar o poder de controlo aos média e políticos, estes deixaram de ter influência absoluta sobre o que se escreve. O pensamento passou a ser mais livre, mais exposto, aberto a todo o cidadão, ligado mundialmente,  que analisa por si, questiona, interroga e faz contraditório. Nas redes, uma mentira não atravessa décadas como no passado. Bastam dias para que uma falsa notícia seja desmascarada por milhões de pessoas nas redes, desacreditando o órgão ou pessoa que a lançou. E é aqui que reside o medo dos governos, dos partidos e da comunicação social que vive acoplada a eles. Porque hoje, são as redes o crivo e não os jornalistas. São elas que detectam a falsidade e arrasam quem as cria.  

O Governo fingindo-se AGORA preocupado com esta problemática, ironicamente criada  também por ele – são os maiores difusores de “fake news” na rede – diz querer  legislar. Mas na verdade quer limitar a liberdade de expressão. Quer ter de novo o poder absoluto sobre tudo o que é divulgado. Porque sabe que sem isso:  não pode dizer que o país está melhor que nunca sem ser desmentido com números reais na rede;  que o OE2019 é um bom orçamento sem ser acusado de embuste; que o rendimento das famílias aumentou sem ser desacreditado por cidadãos atentos que provam que com os aumentos escandalosos dos impostos indirectos, perderam mais que ganharam. O governo quer o monopólio das “fake news”. Quer mentir à vontade sem contraditório. Essa é que é  a verdade.

A melhor forma de nos defender das notícias encomendadas,  é ter a verdade sempre  do nosso lado.  Só assim não nos contradizemos, não nos engasgamos com argumentos esfarrapados. A rede pela sua imensidão, regula-se a ela própria, denunciando em poucas horas, a mentira. A verdadeira democracia é assim.

Legislar é só uma forma encapuzada de ditadura ao pensamento livre. Um “lápis azul” mais azul que no passado, sob a falsa pretensão de defesa por uma sociedade mais livre e democrática. Já conhecemos esse filme ainda em exibição perto de nós,  e chama-se Venezuela. 

 

 

 

 

E se…

12 Novembro, 2018

o dr. Rui Rio tiver simplesmente ensandecido?

Porque razão Louçã protege e defende Sócrates quando este foi o seu principal adversário no Parlamento?

12 Novembro, 2018

Luís Rosa: «Porque Louçã sempre soube que a Operação Marquês colocaria em cheque o PS. O ex-líder do BE sabe que um PS eleitoralmente fragilizado e marcado pela corrupção (como o PT no Brasil), pode beneficiar o Bloco mas beneficiaria muito mais o centro/direita e catapultaria o PSD e o CDS para muitos anos no Governo.»

pela madeira dentro

11 Novembro, 2018
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O problema é que, para enfrentar isto, temos isto. Boa tarde.

Nascidos numa civilização, morreremos numa tribo?

11 Novembro, 2018

Paris, Garges-lès-Gonesse 29 de Setembro. Um rapaz de 17 anos é linchado por um grupo que as autoridades dizem rival. Mais uma vez as testemunhas filmaram, gritaram e não fizeram nada.

Agressões semelhantes tinham tido lugar a 27 e 18. Em Outubro mais três casos de grave violência. As agendas identitárias fraccionaram as sociedades: onde antes tínhamos projectos para países temos agora agendas antagónicas e particulares de comunidades que se subdividem em comunidades mais específicas que por sua vez se segmentam noutras ainda mais minoritárias…

Porque não se fala disto que está a acontecer no meio de nós? : não se fala porque se tem medo. Não de se ser fisicamente agredido como aconteceu e acontece com as pessoas que em  Garges-lès-Gonesse filmaram este ataque mas sim o medo de se ser classificado reaccionário. Fascista. Racista. Populista… Nesta fase do texto é suposto que para que o Observador não seja considerado uma espécie de pasquim da reacção da direita rufia, da direita que era culta e liberal e agora é reaccionária e ignorante, eu trate de explicar que ou o centro começa a abordar estes assuntos ou a extrema-direita os tratará. Não o farei.

Canção de intervenção

10 Novembro, 2018

uma casa de passe

9 Novembro, 2018
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A deputada do PSD Emília Cerqueira comunicou ao mundo que foi ela quem, “por lapso”, marcou as duas presenças ao também deputado do PSD José Silvano, em dias em que o ilustre representante da nação se encontrava noutras paragens. E explicou que o “lapso” se tinha ficado a dever ao facto de ela ter a palavra-passe com que Silvano entra no seu domínio informático de deputado, partilhando com ele ficheiros, documentos e outras coisas mais. Tal prática – ter a palavra-passe de outros deputados – é corrente nessa honorável casa, segundo afirmou. Ela mesma a tem de outros colegas, como muitos outros o fazem, estranhando, agora, o alarido de autênticas “virgens ofendidas” sobre um assunto “onde não há virgens”, concluiu.

Moral da história: a nossa Assembleia da República é uma casa de passe. Não é que já não se suspeitasse, mas agora tem-se a certeza.

Quando os empresários vivem bem com os impostos

9 Novembro, 2018

No seu artigo de hoje, Manuel Pinheiro diz-nos que as associações empresariais parecem viver bem com os impostos que temos.

Cito-o:

os cervejeiros reclamam porque o vinho paga poucos impostos, os fabricantes de bebidas açucaradas querem que se aumente os impostos sobre as bebidas com mais açúcar, a associação do sector automóvel está agradada com o Governo e com a neutralidade fiscal. Já as gasolineiras o que pedem é estabilidade fiscal

O texto completo pode ser lido aqui.

É por estas e por outras que as políticas públicas não devem ser amigas das empresas, mas sim dos indivíduos e consumidores.

 

Cristalino

9 Novembro, 2018

Quarta-feira, 7 de Novembro.  Reúne-se na Assembleia da República a  Comissão Eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas. Agenda de trabalho: criação de um Código de Conduta para os Deputados.

Entra na sala o deputado José Silvano. Assina a folha de presenças. Torna a sair sem nunca mais voltar.

Chamemos os bois pelos nomes: querem instituir a censura?

9 Novembro, 2018

image.aspxDN: “Ferro Rodrigues actuou junto da ERC por sugestão de Catarina Martins (BE).
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social vai analisar pela primeira vez, de forma sistematizada e global, o problema da desinformação online (fake news). Vai fazê-lo a pedido do presidente da Assembleia da República, que por sua vez actuou na sequência de uma conversa com a deputada líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins – que recentemente foi alvo de uma campanha de notícias falsas.

PORTANTO CATARINA MARTINS FOI ALVO DE UMA NOTÍCIA FALSA E O PARLAMENTO VAI TER DE LEGISLAR SOBRE O ASSUNTO. HÁ ANOS QUE ESTA MULHER CHAMA TUDO A TODOS E AGORA  ENTRA A PÁTRIA NUM FANICO PORQUE DONA CATARINA FOI ALVO DE UMA NOTÍCIA FALSA. ESTÃO A GOZAR, NÃO ESTÃO?

»O assunto já está a preocupar os políticos e foi discutido na última conferência de líderes, terça-feira.»

QUAL ASSUNTO: O FACTO DE CATARINA MARTINS TER SIDO OBJECTO DE UMA NOTÍCIA FALSA?

(…) O que está em causa é legislar – afinal é do Parlamento que se trata e é para isso que serve. A temática do combate às fake news tem sido sobretudo dinamizado pela esquerda, tanto em Portugal como pelo mundo fora. À direita o tom geral tem sido de desdramatização do problema. Na Assembleia da República, um deputado do PS, José Magalhães – o maior especialista do hemiciclo em questões cibernéticas, há décadas – já sugeriu à comissão parlamentar de Cultura que se inicie no Parlamento um debate sobre o assunto. As fake news, disse, merecem dos deputados portugueses “mais atenção”. (…) Segundo contou ao DN, quanto a fake news tudo o que existe na UE é um gabinete com 13 pessoas e um orçamento de um milhão de euros/ano que deteta falsas notícias e as desmente. Mas “tem um fraco impacto porque a mentira circula melhor do que a verdade”. Também há um Código de Conduta, “ineficaz”, como o são quase todos os documentos de mera recomendação.

DEIXEMOS-NOS DE CONVERSA REDONDA: O SENHOR DEPUTADO PROPÕE EXACTAMENTE O QUÊ? PARA FUNCIONAR COMO?  QUANTO AO MILHÃO DE EUROS  E TREZE FUNCIONÁRIOS DÁ PARA MUITO SE OS FUNCIONÁRIOS TRABALHAREM

Entre as “ferramentas digitais” em relações às quais o deputado acha que a UE tem sido soft, o deputado do PS dá “destaque” às que “permitem municiar com dados falsos grupos fechados de utilizadores” [a prática atribuída a Bolsonaro no Brasil, através do WhatsApp]. Portanto, “a lentidão e carácter leve do processo contrasta com a velocidade e gravidade do fenómeno”

SE A IDEIA É PUNIR E IMPEDIR  “municiar com dados falsos grupos fechados de utilizadores” PODE  O SENHOR DEPUTADO COMEÇAR POR LEGISLAR SOBRE AS EDIÇÕES AVANTE QUE HÁ ANOS MUNICIAM COM DADOS FALSOS OS COMUNISTAS. PROMETENDO UMA SOCIEDADE PERFEITA QUE SEMPRE QUE TENTADA ACABOU EM DITADURA  E FOME E  GARANTIDO QUE OS POVOS DOS PAÍSES CAPITALISTAS VIVEM NA MIŚERIA E NA OPRESSÃO.

 

Da parolice…

9 Novembro, 2018

quando a classe média, não percebendo o seu lugar, se imagina como sendo mais do que é… em Inglês, é um ‘wanna be’; em Português, é o Rui Rio a responder aos jornalistas em Alemão…

09 de Novembro de 1989

9 Novembro, 2018

 

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O acontecimento da história mundial que vivi mais fascinantemente memorável.

Recordar a euforia e felicidade com que milhares de pessoas reconquistavam a sua liberdade individual ainda hoje arrepia ao ver rever as imagens quem como eu tinha 15 anos de idade nesse dia.

*

De muito já se viu neste velho reino…

8 Novembro, 2018

Inquirido sobre um caso que mina a credibilidade do seu partido e também a sua liderança Rui Rio respondeu em alemão. Ou melhor em alemão disse que nada dizia. Proponho que as próximas declarações do actual líder do PSD sejam transpostas em linguagem gestual. Depois em chinês. Em seguida em sinais de fumo. Tb pode explorar a linguagem dos cliques. Dos tambores. Campainhas. Gongos…. Português que se perceba é que não.

 

 

Évora, a sul do Sado

8 Novembro, 2018

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca avançou que o Museu Regional de Évora “passará a ser Nacional já em Janeiro, com um novo projeto museológico e maior capacidade de atração”. Assim, diz a Ministra, este museu, instalado no antigo Paço Episcopal, junto à Sé, no centro histórico da cidade Património da UNESCO, frente ao Templo Romano, vai tornar-se “no primeiro Museu Nacional a Sul do Sado”.

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Esta semana, um texto diferente num sítio diferente…

8 Novembro, 2018

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Depois de um mês bastante atípico, durante o qual um caudaloso rio de tinta encheu por completo as páginas culturais dos jornais portugueses, dirigi-me por fim, carregado de curiosidade, ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves para ver a exposição “Robert Mapplethorpe: Pictures” comissariada por João Ribas…

 

Quantos mais terão de ser brutalizados para que se possa falar sobre as vítimas do chamado pequeno delito?

7 Novembro, 2018

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Decorated Second World War veteran, 98, fighting for life after ‘brutal’ attack in his Enfield home

A questão não está na legalidade. Está na dignidade.

7 Novembro, 2018

«As redes sociais explodiram em fúria contra a socialista Isabel Moreira pelo facto de a deputada ter pintado as unhas durante um debate parlamentar. O acto, visto por muitos como uma agressão à dignidade parlamentar, não viola qualquer regulamento.»

A questão não está na legalidade. Está na dignidade. O regulamento não especifica pintura de unhas tal como provavelmente não referirá fazer crochet, escovar o cabelo ou passajar meias. Procurar apresentar o caso em questão como um excesso de reacção- explosão em fúria –  a um comportamento invulgar (pintar as unhas durante um debate parlamentar) é o que se chama enviesamento.

Os meus dois centavos…

7 Novembro, 2018

Para bom entendedor…

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Lubrificando Autómatos Comunistas

7 Novembro, 2018

Hás-de ser doutor, meu filho! Nós, lá no partido dos intelectuais, onde defendemos a igualdade entre camponeses, operários e professores universitários, sabemos que vai demorar até a revolução estar concluída. É um processo diário, que leva tempo! E tu, meu rebento, tu serás doutor e poderás denunciar da tua posição de autoridade todos esses fáxistas. Vais ser tu quem vai denunciar a retrógrada instituição do casamento, um vício burguês que oprime o Homem com noções de fidelidade e sustento nuclear que são da responsabilidade do Estado (ou o seu contrário, se na altura nos der jeito). Vais ser tu quem vai denunciar o aborto, essa prática egoísta que impede a força de trabalho para o Estado e sacrifica a própria nação reduzindo as magnânimas estruturas de defesa a carne para canhão (ou o seu contrário, se na altura nos der jeito). Vais ser tu que vais denunciar essa paneleiragem, os que não se conformam com o papel de rodas dentadas da sociedade perfeita, os marginais poetas que nem conseguem gerar força de trabalho futura e os que o camarada Che soube, com muita classe, fuzilar (ou o seu contrário, se na altura der jeito). Juntos seremos muitos! Invencíveis! Serás tu, meu discípulo e fiel revolucionário ao serviço do povo deste grande Estado, que alcançarás a fama ao defenderes a uma geringonça, onde não falta coerência revolucionária – incluindo a tua – para acusares os outros de incoerência histórica. E vais ser lido por milhares e milhares de pessoas como tu, das que viverão na esperança de construir o Homem Novo à revelia desta merda de país que continua a ir à missa em vez de ir construir a igualdade através da denúncia que fará de ti um bufo dos bons, dos que colocam o Partido acima de tudo, incluindo da tua dignidade.

Tenho tantos planos para ti. Não me desapontes.

Outro exemplo da imprensa de referência em matéria de fake news

7 Novembro, 2018

28 de Setembro de 2013, véspera de eleições autárquicas

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Pelos vistos a crise da habitação já deu o que tinha a dar, agora estamos na desinformação

7 Novembro, 2018

Para que não existam dúvidas sobre a minha posição nesta matéria desde já me declaro favorável à imprensa de referência no assunto

Encontrado o homem de Meixomil

7 Novembro, 2018

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O homem da bomba de Meixomil foi encontrado!

Parece que escreve sob nome artístico num jornal online. Dizem-me que é adepto de contorcionismo e flexibilidade de opinião, nunca colocando em causa, muito menos de forma directa, certos caudilhos.

Para ele e outros tanto se esforçarem a tentar puxar a discussão para certos temas e causas, com toda a certeza são outras as opiniões e denúncias que os incomodam verdadeiramente.

*

 

 

Como meninos a medirem pilinhas

6 Novembro, 2018

nudes-wilhelm-von-gloedenA esquerda pediu, a direita anuiu: ninguém discute nada além da infantilidade do que é ser direita aceitável por oposição a outras direitas, a direita-que-está-ao-serviço-da-esquerda, a direita-bronca, a direita-conservadora, a direita-liberal, a direita-gin-tónico, a direita-haddad, enfim, uma miríade de gente pouco recomendável de acordo com o conjunto de gente pouco recomendável que trouxe o assunto à baila.

O problema deste exercício pueril é que a direita está a permitir que a esquerda decida a latitude admissível do seu discurso da mesma forma que qualquer idiota pode decidir impedir um discurso por ser “vítima de ódio” só porque se sentiu ofendido com as palavras de outro.

O mundo não quer saber dessa discussão. Tanto que não quer saber que decide votar, precisamente, em que se recusa a entrar por questões deste calibre de infantilidade, preferindo sempre quem se dispõe a perceber os problemas que realmente interessam às pessoas. Foi assim com Trump, foi assim com Bolsonaro, e assim será sempre, desde que alguém apareça com um discurso para a realidade e não para as angústias existenciais e manifestamente homoeróticas da esquerda com o chamado centro.

Podeis parar com isso, é demasiado maricas. Por outro lado, se quereis mesmo, podeis continuar: esta sensação de ser pária em todos os terrenos dá-me uma certa sensação de bem-estar.

 

Na bomba de Meixomil

6 Novembro, 2018

Um amigo calhou estar hoje para os lados de Paços de Ferreira mas teve a imprudência de sair de casa com o depósito do seu carro já na reserva.

Mal chegou a Meixomil dirigiu-se à bomba mais próxima para atestar de gasóleo a viatura. Havia apenas dois dispensadores de combustível e ambos estavam na altura ocupados. Aproveitou e meteu conversa com a pessoa que estava à sua frente que depois de comentários iniciais de circunstância ficou a saber viver na zona.

O homem era simpático e o meu amigo sentiu estar diante de alguém com quem valia a pena dar duas de letra. Perguntou-lhe o que achava do assalto que estava ali mesmo a ocorrer diante dos olhos dos dois, ao terem de pagar mais de imposto do que de carburante.

O Pacense respondeu-lhe dizendo que o que o preocupava mesmo era a deriva autoritária da Direita e os extremismos proto-fascistas, assim como a superioridade moral da Esquerda e a sua condescendência para com regimes totalitários.

Entretanto vagou o posto. O meu amigo meteu gasóleo e pagou.

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Ele não sabia, mas, às tantas, foi mesmo por isso

5 Novembro, 2018

O meu avô materno esteve na guerra. Não a lutar “pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões”. Não. Esteve na guerra porque o mandaram ir.

Mas, obrigado pela preocupação presidencial em fingir que os motivos foram de ordem tonto-filosófica.

A confissão de Francisca Van Dunem segundo a “teoria do Daniel Oliveira”

5 Novembro, 2018

É tão giro ver nos intelectuais da esquerda à direita, comentadores e  comunicação social, uma preocupação  obsessiva com a nomeação do Juiz Sérgio Moro para ministro da justiça brasileira, lalegando que põe em causa o princípio da separação de poderes. Bem, eu devo ser realmente muito ignorante por ver exactamente o oposto. Porque este medo não é normal num país cuja Ministra da Justiça veio do TCIAP e é juíza do Supremo Tribunal de Justiça. A pergunta é: que “confissão” deu Van Dunem ao aceitar o cargo no ministério ou isto passou ao lado destes comentadores? 

Não compreendo como é que um país, que além disto,  tem um PGR nomeado por governos, uma eleição de juízes por via electrónica, se acha com superioridade moral para opinar sobre outros países que, por muito que lhes custe admitir, estão a fazer melhor que nós na área da justiça. Ou já se esqueceram que no Brasil os corruptos já estão na cadeia a cumprir pena (e mais irão), os processos são céleres  e nós, além de os ter todos soltos e a viver bem – alguns até já condenados –  não se prevê que sejam julgados ou presos tão cedo.  E mais: há o risco de “prescrição” de uns  e o habitual arquivamento por “falta de provas”, de outros.

Por isso,  é preciso ter muita falta de vergonha para certos indivíduos virem para as televisões e jornais criticar o Brasil,  com um país como o nosso que protege os corruptos descaradamente. Quem não assistiu à substituição desnecessária, pelo governo, da PGR Joana Marques Vidal, com a ajuda do Presidente da República e que estava a fazer um trabalho brilhante no combate aos crimes de colarinho Branco? Quem não viu um sorteio para a escolha de um juiz da Operação Marquês, a ser seleccionado à quarta vez, colocando de fora Carlos Alexandre que conduziu de forma também brilhante o processo, por outro com currículo vasto em arquivamentos e queixas do ministério público? Quem não viu no passado, Cândida Almeida, Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro a arquivar tudo o que implicava o arguido Sócrates, onde até se recortou literalmente provas do processo?  E andam estes a fingir estarem preocupados com a separação de poderes. Francamente.

Nós como país somos a prova que não há nem nunca houve separação de poderes. Só de fachada. Porque na verdade temos um sistema promíscuo em que o poder político  tem tentáculos em todos os sectores.  E movimenta-se livre, de forma escancarada, porque já se sabe que aqui, neste rectângulo, só vai preso quem está fora do sistema. E não há, nem nunca houve, vontade de mudar isto. Mas disso, os comentadores do regime não falam. Muito menos a comunicação social.

Sérgio Moro de facto é um “perigo” no Ministério da Justiça brasileira, não pelo que o acusam mas pelo trabalho sério, honesto e principalmente competente que vai fazer de imediato. Porque ele conhece bem os meandros da justiça brasileira. Sabe por experiência o que funciona bem e mal, para corrigir  tudo aquilo que durante anos contribuiu para a escapatória dos corruptos nas malhas da lei. E sabe como ninguém, o que é que o sistema judiciário precisa melhorar para limpar a corrupção do país. Porque ninguém melhor que um profissional da área para fazer o que tem de ser feito e bem. Ora, se isto é assustador? Claro que sim, mas só para aqueles que viveram à custa do sistema corrupto do país.

É o caso de alguns políticos e empresários em Portugal. As ligações da Lava Jato têm tentáculos até nós. Um “super juiz” que já demonstrou ser incorruptível, íntegro e implacável no combate à corrupção, só pode deixar muita gente sem dormir do lado de cá. Porque de repente perceberam, que apesar de terem mudado o Juiz Carlos Alexandre, apesar de terem corrido com Joana Marques Vidal, a ameaça continua do outro lado do atlântico com o Processo Marquês e Monte Branco, ligado ao Lava Jato.  Mas que ao contrário daqui, não podem mais controlar. O PT foi corrido.

Por isso diz-se “inverdades” sobre Moro e esconde-se as verdades. E as verdades são: que  a Lava Jato teve seu início em 2014  sem que nada fizesse prever que alguma vez Bolsonaro chegasse à presidência; que essas investigações foram levadas a cabo pela Polícia Federal sendo que Moro só as autorizou; que  Lula viu sua pena ser aceite e aumentada pelo TRF4 e não por Moro; que  Lula viu  sua candidatura ser rejeitada pelo TSE e não por Moro; que Lula teve seus inúmeros recursos negados pelo STF e STJ e não por Moro. Portanto, a “culpa” não foi de Moro mas dos tribunais das instâncias superiores. Logo, a teoria da perseguição política é falsa.

Enquanto por cá se tenta ensinar os outros países a se governarem, nós escolhemos os ministros e secretários de acordo com os laços familiares, amizades e interesses, mesmo sem qualquer experiência, mesmo com licenciaturas falsas, mesmo sem sequer serem da área para que são nomeados. Que o diga Galamba que até conseguiu uma nomeação para secretário da pasta da… energia. Foi escolhido por saber ligar interruptores?

Num país que não privilegia o saber, a experiência como factor fundamental para uma nomeação, jamais terá a eficiência dos ministérios de Bolsonaro. E isso dá medo a quem não interessa que se prove que sem  políticos a fazer política num governo, o país prospera.

 

Tancos: Jogos de Poder

5 Novembro, 2018

MarceloCostaParada

A propósito da novela de Tancos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa repudiam ambos que as Forças Armadas sejam usadas para “jogos de poder” (aqui e aqui).

Se nenhum dos dois vier esclarecer rapidamente de que habilidades políticas se tratam e quem em concreto está por detrás de tais manobras palacianas, será legítimo concluir que os únicos jogadores em questão serão eles próprios.

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O Cristo das Trincheiras

5 Novembro, 2018

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Este Cristo com as pernas decepadas, uma mão arrancada e o peito perfurado foi a imagem com que a 9 de Abril de 1918, após horas de intenso tiroteio se confrontaram os soldados portugueses que combatiam na Bélgica, junto à ribeira de La Lys.

O número de soldados portugueses mortos e desaparecidos nesse dia 9 de Abril de 1918 ainda hoje é incerto. Mas para lá do sabor amargo da derrota, das muitas baixas, dos milhares de homens feitos prisioneiros e da desmoralização das tropas, nesse Abril de 1918, os membros do Corpo Expedicionário Português confrontaram-se em La Lys com uma paisagem que na sua completa devastação mostrava o horror da guerra e para muitos deles o mistério da fé: só esse Cristo decepado sobrara do que outrora fora uma bucólica paisagem rural com as suas casas típicas e o seu cruzeiro no caminho que ligava Neuve-Chapelle a La Couture. Soldados de diferentes países, aliados e inimigos, tinham-se feito fotografar aos pés do cruzeiro de Neuve Chapelle. Combate após combate os soldados viam como o cruzeiro permanecia de pé.

 


Até que chegou esse 9 de Abril de 1918 que para o Corpo Expedicionário Português ficou conhecido como Desastre da La Lys e em que o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle se tornou na mais impressionante imagem da guerra: um Cristo mutilado.

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Ao recuarem levando os seus mortos e feridos os homens do Corpo Expedicionário Português carregaram também com o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle agora designado Cristo das Trincheiras.

Na lama da Flandres, Cristo sofria e morria nas trincheiras tal como acontecia aos filhos dos camponeses de Portugal.

Quarenta anos depois, em 1958, o Cristo das Trincheiras seria entregue a Portugal e levado para o Mosteiro da Batalha.

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Conversa da treta

5 Novembro, 2018

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No desfile militar Marcelo disse aquelas coisas que se repetem há anos nestas  situações e inventou um passado:  “Esses heróis lutaram pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões.” Excluindo a parte heróica dos soldados, que obviamente não cabe discutir,  esta transposição da forma como Marcelo vê o mundo em 2018 para as trincheiras de 1918 é um exercício de grande imaginação.

Igualmente interessante é que nem no discurso presidencial nem em muito daquilo que por aí se disse e escreveu sobre a participação de Portugal na I Guerra   tenha sido referida a irresponsabilidade criminosa de quem então dirigia o país. Irresponsabilidade essa que atirou mal preparados e sem meios milhares de portugueses para o conflito. A operação de branqueamento das élites da época mantém-se cem anos depois. E já agora a participação portuguesa nesta guerra foi justificada pela necessidade de defender o império e defendida por aqueles que se reivindicavam depositários do verdadeiro espírito colonial. Que anos depois a agremiação se tenha dito anti-colonialista é outra conversa. Fiada.

 

 

All Along the Watchtower

4 Novembro, 2018

 

There must be some kind of way outta here
Said the joker to the thief
There’s too much confusion
I can’t get no relief 

Business men, they drink my wine
Plowman dig my earth
None were level on the mind
Nobody up at his word
Hey, hey

No reason to get excited
The thief he kindly spoke
There are many here among us
Who feel that life is but a joke
But, uh, but you and I, we’ve been through that
And this is not our fate
So let us stop talkin’ falsely now
The hour’s getting late, hey

All along the watchtower
Princes kept the view
While all the women came and went
Barefoot servants, too
Outside in the cold distance
A wildcat did growl
Two riders were approaching
And the wind began to howl

 

Compositor: Bob Dylan. Novembro 1967.
Cover: Jimi Hendrix. Janeiro 1968.

Portugal: perdidos, achados & oportunidades

4 Novembro, 2018

Portugal em anúncios classificados. Há stock renovado de fascistas. Mestre espiritual para a Segurança Social. Alvíssaras e ilusionistas. Apelos pelo desaparecido líder da oposição e um SOS pelo Tribunal Constitucional que se suspeita ter sido uma vítima colateral das actividades de alguma equipa forense saudita.

Costa e Marcelo são de Barcelona

3 Novembro, 2018

 

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