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Lembram-se quando a Rodésia/Zimbabwe era uma potência agrícola?

28 Fevereiro, 2018

South Africa: National Assembly adopts motion on land expropriation without compensation

Manifesto Anti-Passos Coelho

28 Fevereiro, 2018

Oliv._Salazar1

Um espectro ronda a academia portuguesa – é o espectro de Passos Coelho. Desde que os jornais anunciaram que o ex-líder do PSD se vai dedicar a dar umas aulas na área económica em universidades, logo surgiram indignados, da torre de marfim onde costumam passar os dias, os académicos mais puristas.

Concordo com as críticas e com a indignação. Como é que um indivíduo que nos últimos anos não fez nada de relevante a não ser liderar o governo durante um dos períodos mais difíceis da história recente e retirar o país da situação de bancarrota em que se encontrava pode ter a pretensão de transmitir conhecimentos a alguém? É para isto que os nossos jovens estudantes pagam propinas? Para ouvirem falar de economia alguém que foi apenas responsável máximo pela administração de 50% do PIB da pátria?

O ensino superior não deve ser tratado desta maneira. Está repleto de professores de Gestão de Empresas que nunca trabalharam em nenhuma, professores de Direito Fiscal que não sabem entregar o seu próprio IRS e professores de Liderança a quem nem os caniches que têm em casa obedecem, mas isso não faz mal nenhum desde que sejam Doutores – por extenso, com maiúscula, e de Borla e Capelo coloridos. O que vale o “saber de experiência feito” de que nos falou Luís de Camões quando comparado com a imponência de um belo chapéu de estilo otomano, símbolo incontestável do perfeito domínio das normas de citação e das notas de rodapé? No tempo do Senhor Professor Doutor António de Oliveira Salazar, em que havia rigor e respeitinho nas universidades, esta pouca-vergonha certamente não aconteceria.

Os académicos mais puristas devem rejeitar dissimular as suas perspectivas e propósitos, e declarar abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento deste estado de coisas. Pode a classe dos sans-doctorat tremer ante uma revolução académica! Nela os Ph.D. não têm nada a perder a não ser as próprias grilhetas, e têm um mundo a ganhar. Académicos puristas de todas as universidades, uni-vos!

 

E assim estamos

28 Fevereiro, 2018

“Não somos ciumentos”, diz BE sobre aproximação do PSD ao PS

Negrão contra Costa: prevê-se namoro, mas “não se pode apaixonar”

O cenário

27 Fevereiro, 2018

Fundamental ler este artigo de  Hoje, por boas razões — vivemos todos melhor porque não vivemos quase todos da terra, como na altura —, em boa parte as elites têm uma percepção de um mundo rural que é essencialmente a de um cenário que existe naturalmente, sem gestão quotidiana e dura.

Mesmo quando se esforçam por conhecer as fileiras económicas que gerem o mundo rural, grande parte das nossas elites tem uma grande dificuldade em compreender que a gestão de fazemos do território é, essencialmente, uma luta constante contra a evolução dos sistemas naturais.

Um bom exemplo é o artigo de Manuel Carvalho, no PÚBLICO de 23 de Fevereiro, “Foi você que pediu a limpeza das matas?”, em que se defende a paranóia que tomou conta do actual Governo em matéria de “limpeza” de matas.

O argumento central do artigo é: “Os que andaram nos meses do estio do ano passado a lamentar a incúria dos proprietários ou a negligência das autarquias não podem por isso agora dar o dito pelo não dito e culpar a lei por ser imperfeita, danosa ou megalómana. Na vida das nações há prioridades e uma das maiores prioridades de Portugal é fazer tudo para que o Verão de 2017 fique confinado à memória de um pesadelo que não pode acontecer nunca mais.”

Talvez valha a pena dar uns passos atrás para tentar explicar por que razão a lei é evidentemente danosa e, mais que isso, uma demonstração de que é mesmo com o fogo que este Governo está a brincar.

O padrão de fogo que temos hoje resulta, essencialmente, da acumulação de combustíveis — matos, folhada, ervas, cascas, troncos — em consequência do abandono rural e das transformações dos processos produtivos, com especial destaque para a substituição dos estrumes por adubos.

Este processo de acumulação de combustíveis é um processo natural, acontece no terreno de qualquer pessoa, e responsabilizá-la por isso seria o mesmo que responsabilizar os agricultores por ter chovido pouco este ano e, portanto, os terrenos estarem a contribuir pouco para alimentar as barragens.

O que as actuais elites têm mais dificuldade em perceber é que, ao contrário da base da regulamentação das actividades humanas — construção, condução automóvel, alteração de linhas de água, despejo de efluentes, etc. —, não faz o menor sentido responsabilizar ninguém porque o seu terreno evolui naturalmente.

Pode argumentar-se que existe a obrigação dos proprietários gerirem bem as suas propriedades, o que, naturalmente, obrigaria a que se definisse o que é gerir bem uma propriedade que não tem potencial produtivo suficiente para pagar essa gestão.

Com base no argumento de que gerir bem é não pôr em risco o vizinho — desresponsabilizando o vizinho em relação à sua própria segurança —, Portugal fez uma opção clara depois dos grandes fogos de 2003 e 2005: responsabilizar os proprietários pela “limpeza” das suas propriedades, independentemente de essa limpeza ser insustentável, muitas vezes inútil e, com frequência, indesejável.

Esta opção, fortemente influenciada pelo então ministro da Administração Interna, António Costa, transformou um problema de economia — qual a forma mais eficiente de gerir sensatamente o fogo com os recursos existentes — num problema de polícia — tens obrigações legais de gerir combustíveis, mesmo que isso não tenha qualquer viabilidade económica, para proteger terceiros.

O Estado atribuiu uma responsabilidade privada à defesa do bem comum, criando na gestão florestal o inferno do capitalismo: privatizou os prejuízos em nome da socialização dos benefícios.

No processo, o Estado desresponsabilizou-se de fazer uma declaração de utilidade pública das faixas de gestão de combustíveis, para evitar ter de pagar as perdas de rendimento associadas, e o Estado desresponsabilizou-se de afectar as verbas do mundo rural ao pagamento de serviços de ecossistemas, para as manter disponíveis para a alimentação de clientelas.

É assim que o Estado, evitando cuidadosamente referir que as faixas de combustíveis previstas na lei resultam na retirada do processo produtivo de uma área que se poderá estimar em um milhão de hectares (10% do território nacional), consegue convencer a sociedade de que o problema da gestão sensata do fogo, nas condições sociais e económicas que temos, se resolve se, ao mesmo tempo que se inviabiliza a exploração económica desse milhão de hectares, se obrigar os proprietários prejudicados a gerir essas propriedades de forma absolutamente ruinosa.

Só elites sem a menor noção do que é a gestão do mundo rural podem defender que é irrelevante discutir se a lei é danosa porque a prioridade está em “fazer tudo para que o Verão de 2017 fique confinado à memória de um pesadelo que não pode acontecer nunca mais”.

Não, caro Manuel Carvalho, o que interessa não é “fazer tudo”, é mesmo fazer só o que está certo, é sustentável e se baseia num contrato social justo, é mesmo só isso, nada mais. E nada disso tem vindo a ser feito pelo Estado, bem pelo contrário.»

A ler

27 Fevereiro, 2018

Nuno Crato: ‘aprender a aprender’ em vez de aprender, é o caminho direto para nada aprender, nem sequer ‘aprender a aprender’

A Eutanásia Dá Muito Jeito

26 Fevereiro, 2018

A eutanásia é um pau de dois bicos. Se por um lado acode àqueles que foram condenados a sofrer o resto da vida acamados num hospital ou em casa, por outro abre as portas às mais perversas pessoas que “em nome do bem estar e dignidade”, vão aliviando as contas públicas. Deixemo-nos de hipocrisias. Todos sabemos que o Estado não é pessoa de bem. Deveria ser. Mas não o é. Aproveita-se de todas as circunstâncias possíveis e inimagináveis para usar, enganar e tramar os mais fracos. Ou seja, o povo português. Alguém duvida?

Comecemos. Quem é que paga a factura das irresponsabilidades políticas? Os políticos?Não! O povo. Quem é que vai preso se cometer alguma ilegalidade? Os colarinhos brancos corruptos ou os políticos? Não! O povo. Quem apesar de descontar a vida inteira durante décadas vê a idade de reforma a crescer e depois recebe reformas miseráveis? O Estado e suas clientelas? Não! O povo. Quem tem lista de espera para consultas, cirurgias, internamentos? O Estado e clientelas outra vez? Não! O povo. Quem tem filhos no ensino público com falta de auxiliares, comida nojenta e frio? Não, não é as elites deste país são os do costume:  O povo.

Mas se somos todos contribuintes, porque o Estado, indo contra o seu dever Constitucional, discrimina a população dividindo-a em dois tipos de cidadãos: os de 1ª e os de 2ª? Eu respondo: porque o Estado não é pessoa de bem. Não se preocupa minimamente com o bem estar dos seus cidadãos. Só mesmo de alguns. Como nas ditaduras, estão a ver? Aqueles que lhes garantirão o pote do poder o mais tempo possível. Os outros? Esses são para explorar e enganar até ao tutano.

Assim, não é por acaso que somos visto como o  país mais corrupto do que a média europeia (veja aqui). Sem qualquer escrúpulo, os salteadores do poder rodam entre si –  num circuito fechado que fingem ser democrático – o  poder, que distribuem conforme as suas conveniências. Como estamos agora a presenciar, todos os partidos têm rabos de palha por terem comido na mesma gamela. São inúmeros os casos. E depois, claro, quando é preciso agir contra esta escumalha, poucos têm coragem de lhes fazer frente. Não há oposição. E quando surge alguém disposto a mudar isso, “é corrido”. Porque acham que TODOS estiveram unidos para que PPC se retirasse? Porque TODOS querem a substituição da Procuradora Geral da República actual? Simples: ninguém quer gente em cargos de poder  que faz limpeza aos corruptos. 

Somos uma espécie de Venezuela que só não caiu de vez na desgraça da fome e miséria porque está ainda atrelada à UE. Mas mesmo assim vai fazendo grandes estragos na sociedade portuguesa deixando a população vulnerável completamente atirada ao abandono. Daí termos entrado no top dos países que mais mal trata os seus idosos. E querem mesmo assim que acreditemos que a legalização da eutanásia não tem segundas intenções? Querem melhor solução para os  idosos  amontoados em macas nas urgências? Badamerda!

Analisando os países que já introduziram a eutanásia verificamos que as pessoas morrem sem serem a pedido delas, como aqui é relatado neste artigo:   “O problema maior é que toda a eutanásia pressupõe que a pessoa pede para ser morta, mas isso não acontece na Holanda e na Bélgica: uma grande parte dos eutanasiados nunca pediram, são mortos por decisão de familiares, de médicos e de enfermeiros”, denuncia Walter Osswald.” Ou seja, se é assim na prática com países melhor governados que nós, com um Estado pressupostamente mais responsável, como podemos nós confiar no nosso que é CORRUPTO até dizer chega?

Se em Portugal até crianças de gente pobre são LEGALMENTE entregues à IURD (o escândalo do século) como o denunciou e bem Alexandra Borges, jornalista da TVI, como podemos nós garantir que nossos idosos mais pobres e abandonados pelos filhos não sejam “despachados” para poupar o erário público que tanto precisa de dinheiro para continuar a sustentar os corruptos?

Sem uma limpeza dos vermes que ocupam o Parlamento. Sem uma mudança cultural drástica e profunda que nos transforme nos “Japoneses da Europa” cuja cultura é ímpar no respeito pelas pessoas, a eutanásia não pode em circunstância alguma ser autorizada.

 

 

 

Os milagrosos impostos europeus que os europeus não pagam

25 Fevereiro, 2018

Paulo Ferreira:Sabe-se que a saída do Reino Unido da União Europeia terá um impacto negativo estimado em 13 mil milhões de euros, já que o país é um contribuinte líquido, e dos maiores. Perante este dado, não há muitos caminhos alternativos a trilhar para ajustar os orçamentos futuros: ou se corta despesa, ou se aumenta receita, ou se recorre a ambos.
A solução financeira está ainda por encontrar, mas a solução política já está em marcha: enganar os cidadãos com a habitual dose de populismo, fazendo crer que ninguém vai pagar mais nem deixar de receber numa “vaquinha” que vai perder um dos contribuintes.

Do paradoxo

25 Fevereiro, 2018

Na prática parece estarmos perante um racismo selectivo: não se pode escrever “ciganos agrediram” mas pode fazer-se um título como “Líder cigano pede desculpas por agressões a enfermeiro”. O que naturalmente nos conduzirá ao paradoxo do líder cigano, seja esse cargo o que for, andar por aí a pedir desculpas por agressões que não se noticiou terem sido praticadas por ciganos.

Capax Dei

25 Fevereiro, 2018

Levo o miúdo para a actividade desportiva de Domingo de manhã. No chão, ao lado de um caixote de lixo que transborda, jaz um envelope. Coração vermelho pintado a lápis de cor sobre caligrafia azul com a irregularidade incontrolável do segundo ano de escolaridade. “Querido pai”, lê-se, no borrão desfocado. Lá ficou, entre embalagens de leite e de pensos higiénicos, encharcado pelo mijo de cão, e lá continuará até que a diluição das cores completem um indistinto borrão alaranjado. Logo não será mais que uma memória de que Deus passou por ali sem ser visto.

Três passos para Rio unir o PPD-PSD

24 Fevereiro, 2018
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Rui Rio ganhou com 54% dos votos contra um candidato com algumas fragilidades e um problema de percepção pública. Não exagerarei se disser que a esmagadora maioria dos 46% que votaram em Santana Lopes estavam na realidade a votar contra Rui Rio. Ou seja, Rui Rio lidera um partido em que 46% dos militantes não gostam dele e das pessoas que o apoiam. Se tivesse havido um candidato abertamente apoiado por Passos Coelho, ou se este se tivesse envolvido na campanha, é mais que certo que Rui Rio teria perdido. Nem vou falar da tareia que teria levado se tivesse sido o próprio Passos Coelho a candidatar-se. Ou seja, o PSD é ainda, e até Rui Rio ganhar eleições, um partido Passista. O episódio da eleição do líder parlamentar é demonstrativo disso. É muito fácil para o comentador mais desatento simplesmente assumir que aqueles são os deputados escolhidos por Passos e que só por isso Rio teve aquela derrota estrondosa. Mas esta ideia ignora a realidade das escolhas de listas para deputados dentro do PSD. A escolha das listas decorre de um processo de luta interna em que todos os sindicatos de votos acabam representados: as distritais, a Juventude Social Democrata, os Trabalhadores Social-Democratas, as Mulheres Social-Democratas, os Autarcas Social-Democratas, os Pescadores Recreativos Social-Democratas, etc Ou seja, estão ali representadas as bases com uma minoria de escolhas pessoais dos líderes. Não sendo muito difícil identificar os deputados que não votaram em Negrão, será fácil de ver que apenas uma minoria desses foram escolhas pessoais de Passos.

Rio tem então duas opções: ser o capitão de um barco em que metade dos marinheiros não rema e esperar que o Iate Geringonço encontre um iceberg antes de 2019, ou oferecer um projecto de continuidade com as pequenas diferenças que necessariamente resultam de um novo líder trazendo o PSD passista a bordo. Esta última opção pode ser feita em 3 passos:

1º passo: Permitir uma saída airosa a Elina Fraga, uma pessoa que, ao contrário de Salvador Malheiro, não parece trazer benefícios que valham os problemas que causa.

2º passo: Escolher um líder parlamentar alinhado com a sua estratégia, mas também próximo da ala Passista. Leitão Amaro, personagem de relevo na era passista e vice-presente da lista de Negrão, parece ser ajustado ao papel.

3º passo: fazer uma declaração pública a elogiar o governo de Passos, concluindo com um inequívoco “Eu faria igual”. Isto deve ser fácil na medida em que já o disse em campanha durante reuniões com a ala Passista. Assumindo que não estava a aldrabar, bastará fazê-lo agora em público.

Como é que Rui Rio saberá que esta estratégia funcionou? Se Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira o criticarem violentamente, Rio saberá com certeza que tem 99,9% do partido do seu lado.

Suspeito que é isto, ou os 10 anos que Rui Rio andou à esperar para liderar o partido irão culminar num mandato de 2 anos e uma saída desonrosa.

Ser socialista é dizer isto e todos encolherem os ombros

24 Fevereiro, 2018

António Costa: “Os impostos que têm vindo a ser falados não são propriamente impostos que incidam sobre os portugueses”

A Lei do Menor Esforço

23 Fevereiro, 2018

É um facto incontestável: as empresas têm dificuldade em recrutar pessoal para trabalhar. Uns dizem que é por culpa dos cidadãos que não querem trabalhar. Outros culpam os salários baixos. Outros o Estado. Ainda há quem atribua toda a responsabilidade nos patrões. Mas a verdade é que não há só um culpado. São todas estas razões juntas que criam este problema.

Começa pela forma como se educam os filhos. No tempo dos nossos pais, cedinho se aprendia a ser responsável e a valorizar o trabalho como meio para atingir os objectivos de vida. Sabíamos que para ser alguém na vida teríamos de lutar. Ninguém o faria por nós. Havia transmissão desses valores que entretanto se perderam. Na “evolução educacional” inventou-se a mesada, uma espécie de salário para o filho cumprir com as obrigações de filho, suprimindo as frustrações de ter de trabalhar fora para ter seu primeiro par de ténis Nike. Ora, se por um lado o conceito pode ensinar a gerir dinheiro para seus próprios gastos, por outro põe o filho a receber sem esforço algo que ele deveria fazer por livre e espontânea vontade, sem qualquer remuneração. Porque por essa ordem de ideias, os pais também deveriam ser pagos pelos filhos para cozinhar, lavar roupa, e dar habitação. Parece-lhe ridículo? Então porque pagamos a nossos filhos para executarem suas obrigações de filho? E começa aqui o primeiro grande problema: receberem dos pais para terem o que querem em vez de lutar no mercado de trabalho. Vão dizer que é a mesma coisa. Não é. Porque enquanto num part-time vão aprender a dureza do mercado de trabalho cumprindo horários num ambiente profissional exigente e sem margem para erros ou desculpas, em casa, vão recebendo a mesada, tenham ou não feito tudo o que lhes competia na perfeição. A maior parte dos pais, acaba mesmo por abandonar a árdua tarefa de exigir só para não ter conflitos.

Depois, ainda em casa dos pais, vão ser estimulados a serem doutores. Porque doutores é que é bom. Mesmo que tenham sido alunos medianos.  Mesmo sem qualquer aptidão para estudar no superior. Seguir curso profissional é desprestigiante. Ser doutor é o objectivo. Então, em resultado, temos jovens adultos a passear livros nas universidades, num curso mais fácil de sair com canudo mas que depois só garante o desemprego. Irão procurar trabalho APENAS na sua área profissional mesmo que demore anos. Enquanto isso, há sempre a casa do papá para viver enquanto se espera… E se a espera for longa? Procura-se outra coisa apenas para se manter activo e produtivo, ganhar experiência, enquanto não surge o emprego ideal? Procura-se empreender ou criar seu próprio emprego? Não. Reclama-se à sombra da bananeira.

Enquanto criamos filhos para serem incapazes e eternos dependentes, o Estado passou também ele a ser “um paizinho” de nós todos. Em vez de estimular as pessoas a serem activas faz exactamente o contrário. Se não consegue um emprego não faz mal que o “papá Estado” dá subsídio sem pedir  nada em troca. Com esta política estimulou-se a lei do menor esforço porque não converte os subsídios em trabalho comunitário enquanto o cidadão não é colocado. E assim, as pessoas passaram a ter rendimentos em casa, sem mover um dedo e sem qualquer obrigação de retorno para a comunidade.

Outro problema são os salários médios que em Portugal são baixíssimos. De tal forma que acaba por compensar mais ficar em casa a receber subsídio do que trabalhar pelo mesmo preço. Mas se temos salários médios miseráveis é porque fomos desgovernados durante décadas. Com 3 bancarrotas no currículo em 43 anos, passamos 4 décadas e recuperar o país de crises económicas que assustadoramente no colocaram no top dos países com impostos mais altos. Como pode um país que faz do massacre fiscal às empresas sua política de eleição, ter salários melhores?

Por fim, os patrões. Não são todos iguais. Há de tudo. Mas grande parte cultiva ainda a ideia de que pagar poucochinho é poupar. E não percebe que com esta política desmotiva seus trabalhadores que perdem rendimento. Que mais vale um trabalhador bem pago do que dois com salários baixíssimos. Não percebem porque culturalmente não evoluíram e as escolas empresariais em Portugal não ensinam isto. E por isso, mesmo que possam, apostarão mais na “poupança” do que no investimento pessoal.

Assim, sem mudar a educação que damos aos nossos filhos, sem mudar a atitude do Estado e mentalidade dos patrões, haverá cada vez mais falta de pessoas para trabalhar. Porque ao estimular a lei do menor esforço estamos a contribuir para uma sociedade de parasitas.

Douche Vichy

23 Fevereiro, 2018

O que eu gostaria, mas sou só eu e alguns milhares, era de uma oposição que servisse de travão à absoluta submissão da sociedade civil ao regime tentacular do Partido Socialista. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo sobre a vergonhosa ordem do fisco para que fossem cortar mato antes de se tornar normal que a CGD mande lavar dentes e a RTP mande comer tofu em refeitórios hospitalares. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que redução de vagas universitárias com o único fito de obrigar famílias a despesas de alojamento em cidades do interior por meia-dúzia de anos para embelezar estatísticas é literalmente porco. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que quotas agrícolas e autorizações prévias que impedem cada um de plantar o que bem quiser é pressuposto do mais ortodoxo fascismo. Gostaria de uma oposição que denunciasse, aos gritos e com vernáculo, que um país disposto a pagar cirurgias ao dobro do custo que teriam se contratadas a privados e que se dispõe a discutir rendimentos básicos incondicionais sem perceber o patético estado da corte é triste. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que um primeiro-ministro que graceja com vítimas de incêndios merece o mais puro desprezo humano. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que um presidente que existe apenas para se justificar a sua existência em reeleições é uma lamentável demonstração da podridão do regime. Gostaria de uma oposição que impedisse, na medida do possível, a azeiteirada em forma de Opel Corsa rebaixado e com aileron que é a suposta modernidade social do homicídio hospitalar sancionado. Gostaria de uma oposição que, ao contrário do que eu fiz neste parágrafo, pegasse em assuntos que não foram notícia só durante esta semana.

Mas parece que vou ter diálogo e cooperação estratégica. Quem também teve muito diálogo e cooperação estratégica foi aquele senhor, o Philippe Pétain.

Negrão: eu fico! Volta Elina, estás perdoada!

22 Fevereiro, 2018

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Negrão vai tomar posse como líder da bancada do PSD mesmo sem que todos os membros da sua lista tenham votado a favor. Juntará para isso os votos brancos aos votos a favor, por serem “votos que dão o benefício da dúvida” (sic).

Acrescenta Fernando: “há duas pessoas que estão nas listas e não votaram a favor, no plano ético, é condenável essa atitude” (sic).

Volta Elina, estás perdoada!

*

 

 

 

Limpeza à maneira

22 Fevereiro, 2018

Andam aí muitas pessoas indignadas com um e-mail da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) porque, ai, caramba, eles não têm nada que me mandar limpar mato só porque vivo num apartamento da Rua Castilho ou porque não possuo qualquer terra (o eufemismo “possuir terra” atinge dimensões cómicas por altura do IMI). Enfim, gente que reclama por tudo e por nada, como se não fosse competência da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) mandar cortar mato ou lavar as mãos depois de usar o quarto-de-banho.

Pessoalmente, vejo com bons olhos a autorização implícita da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) para cortar os sobreiros do terreno vizinho (não chora, Câmara Municipal, com maiúscula, como Deus). E tu, azinheira… espera aí só um bocadinho…

vá é jogar no euromilhões

21 Fevereiro, 2018
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1oooNão me lembro, na história da democracia portuguesa, de um político com tanta sorte como António Costa. Nem mesmo Ramalho Eanes, que foi parar a Presidente da República quase sem perceber como, ou Durão Barroso, que conseguiu ver-se livre do PSD para ir chefiar a Comissão Europeia, um dos tachos políticos mais cobiçados do mundo. Costa, contudo, excede-os a todos. Vejamos. Depois de uma humilhante derrota nas legislativas, contou com a disponibilidade, nunca antes imaginável, do PCP lhe viabilizar o governo e fazer dele, de um derrotado, um vitorioso primeiro-ministro (o Bloco, por troca de umas migalhas, estava disposto a tudo). Depois, beneficiou das reformas e dos cortes do governo anterior, começando a obter bons resultados económicos sem ter de se maçar muito, fazendo de conta que tinha terminado a austeridade. Em seguida, beneficiou da eleição de um Presidente da República que tudo fará para alcançar a reeleição, estando, por isso, integralmente disposto a não levantar ondas e a deixá-lo governar como quiser. E, por último, quando se aproxima o fim da legislatura e a altura adequada para que o PCP saltasse da carroça da geringonça, eis que lhe surge um líder da «oposição» cujo recado ao país é que está disposto a viabilizar um governo minoritário do PS em futuras eleições. Ou seja, no limite, mesmo sem maioria absoluta, o PS pode dispensar os apoios do PC e do Bloco. Ó homem, vá mas é jogar no euromilhões, antes que a sorte se acabe.

das teorias da conspiração

21 Fevereiro, 2018
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Durante anos, a direita teve quase sempre o bom senso, contrastando com a posição habitual do PS, de não imputar segundas e terceiras intenções à justiça, olhando para as investigações, inquéritos e processos judiciais com a normalidade que devem ter num Estado de direito democrático: há notícia de um eventual crime, o MP abre inquérito e investiga, os interessados apresentam as suas razões e, se o caso chegar a tribunal, presume-se que a justiça seja capaz de o concluir com o atributo que lhe dá nome.

Ainda há dias assistimos a isso mesmo com Miguel Macedo, que teve que se demitir do governo para não o comprometer com as suspeitas que sobre si recaiam, que estavam em investigação e que agora parecem demonstrar-se completamente infundadas. Em contrapartida, também recentemente assistimos ao caso dos bilhetes de futebol de Centeno, que deu azo a um necessário inquérito do MP, rapidamente encerrado por falta de matéria. A esquerda incomodou-se. À direita não costumam haver «cabalas», «conspirações», nem peregrinações a Évora.

Por isso são de estranhar estas declarações da novel vice-presidente do PSD, que, face a um inquérito do MP sobre denúncias, já com algum tempo, a respeito da sua gestão na Ordem dos Advogados, venha dizer que a querem «tramar» e que «não me demito se for constituída arguida». Numa direcção liderada por alguém que sempre prezou a transparência na vida pública e que faz dela, agora, uma bandeira do partido, é, no mínimo, estranha esta tendência exibida para as teorias da conspiração.

Não me deixam responder!!

21 Fevereiro, 2018

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O Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura utilizaram as bases de dados da Autoridade Tributária para me enviar um email sobre assunto que não me diz respeito. Não tenho mato à volta de casa, nem sequer sou proprietário de imóveis.

Ia responder à missiva, conforme aliás  pedido expressamente pelo remetente, alertando para o facto de ter recebido a carta indevidamente e dizendo que me reservaria ao direito de interpôr uma acção judicial de responsabilidade civil contra o estado por manifesta violação das normas sobre protecção de dados pessoais.

Conforme se verifica pela imagem junta, não me deixam responder!

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In vino veritas, in champanhe patranhitas

21 Fevereiro, 2018

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Contava-me a minha avó que sentir as orelhas repentinamente quentes e vermelhas era um sinal evidente de que alguém estava a falar de nós. Caso fosse a orelha direita, estariam a dizer bem; se fosse a esquerda, estariam a dizer mal. Durante estes dias, em que muito se discutiu a figura de Rui Rio, dei por mim a pensar que, caso a minha avó estivesse certa, o novo presidente do PSD teria passado as últimas duas décadas com as orelhas a piscar intermitentemente, como se fosse uma árvore de Natal ou um carro dos bombeiros a caminho de um incêndio.

Durante os seus mandatos à frente da Câmara Municipal do Porto, tive de o defender algumas vezes em conversas onde o via alvo de ferozes acusações de falta de sensibilidade social, autoritarismo, ódio à cultura, economicismo e submissão aos interesses de especuladores. Algum tempo depois, tive de me defender algumas vezes em conversas onde me via alvo de ferozes acusações por ser apoiante de um homem, Passos Coelho, que, para esses mesmos interlocutores, estava a trair o verdadeiro e nobre espírito social-democrata do partido de, entre outros, Rui Rio! Inevitavelmente, desde o dia em que foram divulgados os resultados das directas, voltou a ser a orelha esquerda do político portuense a grande vítima dos seus bipolares analistas, o que significa que não deve faltar muito para me ver de novo envolvido em zaragatas verbais.

A verdade é que Rui Rio só me dá trabalho. Ainda esta semana, por causa dele, passei horas infinitas a pesquisar textos e vídeos antigos. Tudo teve início numa notícia do DN, na qual o realizador João Salaviza lhe apontava o dedo, referindo uma imagem em que o podemos ver a brindar com champanhe durante a demolição do bairro do Aleixo. Sobre essa celebração borbulhante, o deputado José Soeiro, uns dias depois, chamava canalha ao ex-autarca (sim, já estamos nesse ponto), dizendo que nunca conseguira esquecer a dita imagem. A partir daí, bombeado por um mar de gente, começando na líder do Bloco de Esquerda e terminando na senhora que lhes limpa a sede, o “champanhe do Rio” espalhou-se pela internet, inundando tudo à sua passagem como se estivéssemos numa festa do grande Gatsby. A famosa imagem, essa, é que não há forma de aparecer. Todos os jornais, rádios e televisões do país estiveram presentes durante a demolição, mas eu continuo sem saber se o brinde foi feito com champanhe francês ou com espumante nacional. Como é que querem que eu tenha uma opinião sobre o trauma profundo de José Soeiro quando nem sequer sei se o tchim-tchim foi feito com taças ou com flûtes? Uma pessoa chega até a pensar, depois de tanta investigação infrutífera, que o “champanhe do Rio” não passa de uma historieta fabricada, mas depois lembra-se que esse nunca foi o método do Bloco e volta a mergulhar no Google.

 

Ó senhora pq não se refugiou em Cuba ou ficou pela Venezuela? Sempre poupava no penteado

21 Fevereiro, 2018

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Anna Gabriel uma espécie de pasionaria do independentismo catalão, que arvorava o o look característico da agremiação por terras de Espanha, ponderou refugiar-se na Venezuela. Vá lá saber-se porquê preferiu a mui conservadora, capitalista e nada revolucionária Suiça. Para começar a acomodação naquele país mudou de look. Por cá a notícia da fuga de Anna Gabriel tem sido parcamente dada e obviamente sem referir esta espantosa mudança de loook

«a menina dança?»

20 Fevereiro, 2018
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16a6237b-0b42-4cbe-b460-985288bde25e-A menina dança?

– Só se o senhor não puser as mãos onde não deve.

-Ai, isso é que já não posso prometer: um homem não é de ferro.

-Então, está bem.

boa tarde!

20 Fevereiro, 2018
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Não, filho, não terás o computador

20 Fevereiro, 2018

Querido filho,

Venho, desta forma, responder à questão que levantaste durante o agradável jantar em família de ontem. Apreciei devidamente a proposta e, de acordo com que determinei com a mãe, pretendo comunicar-te de forma clara os motivos da nossa decisão. Como poderás antecipar, esta conclusão nada tem a ver com falta de reconhecimento do mérito da tua pretensão, a de ganhares dinheiro para comprares o computador desejado, porém, é minha obrigação paternal comunicar-te, nos termos legais apropriados à tua idade, que a requisição foi indeferida: não poderás ter o computador. Eis os motivos pelos quais não podes montar a barraquinha de limonada e bolo caseiro:

Ocupação da via pública – Uma barraquinha de limonada e bolo caseiro necessita de licença camarária para ocupação da via pública, mesmo que essa ocupação ocorra sem qualquer disrupção do seu habitual usufruto.

Falta de licença de venda de produtos alimentares – Bolo caseiro e limonada, independentemente das condições de máxima higiene com que são confeccionados, são produtos alimentares que necessitam da aprovação da entidade reguladora. A consequência pela falta de tal licença implicaria pesada multa pela ASAE e encerramento da barraquinha.

Impossibilidade de trabalho aos 11 anos – Apesar do teu avô ter trabalhado numa pedreira quando acabou a 4ª classe, isso aconteceu no tempo em que o Estado exigia às pessoas que trabalhassem para terem algum dinheiro. Hoje em dia, tal não é necessário, daí que seja proibido. És obrigado a frequentar o ensino obrigatório até teres 18 anos ou até matares alguém, evento esse que permite acederes ao rendimento mínimo e deixares a escola (não me perguntes porquê, são as regras). Eu sei que era só nas férias de Verão, mas essas terão que ser ocupadas a ver a RTP ou as Tardes da Rita.

Falta de aval arquitectónico e falta de licença de obras – Montar uma barraquinha exige perícia que só um funcionário autárquico está em condições de verificar. E se fica uma lasca na madeira?

Falta de seguro contra acidentes – Se fica uma lasca na madeira e alguém se pica, serás obrigado a indemnizar toda a gente (primeiro o Estado, depois a autarquia, por fim a vítima).

Trabalho sem descontos para a segurança social – A sociedade também quer um computador. Reformados também precisam do Mozilla Firefox para o YouPorn. Executares uma tarefa e não gastares mais de 1/5 do total na protecção para a reforma, aquela que nunca receberás, é altamente injusto para o contrato geracional (ou gestacional, não sei bem).

Impossibilidade de cobrar IVA – Vais vender limonada e bolo caseiro sem factura, perpetuando esses mamões que andam aí a não entregar o devido ao Estado? Que tipo de cidadão és tu? Que andas a aprender em Formação Cívica?

Não declarar rendimentos – Vais ganhar dinheirinho à grande e à francesa para entregar todo à Worten, uma subsidiária de grupos com holdings na Holanda? É para entregar todo o dinheirinho ao estrangeiro? E achas que tudo o que recebes é teu, mesmo que te facultemos os ingredientes para o bolo e os limões para a limonada, que não deves IRS? É com pessoas como tu, grandes devedores ao fisco, que este país não saí do sítio.

Insegurança social – Vais fazer os teus pais parecerem maus pais, como se te levassem à Supernanny ou assim? Que tipo de pais deixam os filhos à exposição pública que é vender limonada? Queres que a protecção de menores te leve? Que leve a tua irmã? (Não respondas a está última).

Assim, é com mais do que razão que lamentamos informar que não terás um computador.

Cordialmente,

Papá

Congresso do PSD em duas palavras

19 Fevereiro, 2018

Adeusinho, Passos.

A análise mais relevante que pode ser feita do congresso do PSD é a de que Pedro Adão e Silva gostou do discurso de Rui Rio. No momento em que isto é verbalizado, torna-se evidente que o congresso não tem qualquer história ou discurso de relevo e serviu apenas como o piquenique enfadonho com que se despacha o funcionário chato para a reforma. Milhares de linhas foram escritas em jornais — a maioria dos quais que ninguém lê —, quando “adeusinho, Passos” chegava e sobrava.

É por possuir este banalíssimo poder de síntese que os leitores do Blasfémias gostam de mim.

Não Ofenda as “Formiguinhas”, Senhor Marques Mendes!

19 Fevereiro, 2018

 

Devia haver um organismo que responsabilizasse os comentadores de televisão pelos absurdos e mentiras que dizem. Desinformar nos média e usá-los para propaganda devia ser crime num país democrático. É inadmissível ver pessoas como Marques Mendes a usar o espaço nobre para induzir em erro os cidadãos que, muitos deles, por serem iletrados, vão dar crédito às opiniões que vende na SIC.

Já não é a primeira vez que como cidadã me zango com este senhor. Mas ontem à noite, saltou-me a tampa de vez pelo descaramento. Então não é que segundo este “ilustre” senhor do PSD, a propósito do período antes da geringonça e pós geringonça, foi dizer que “no antes” havia claramente uma divisão entre os “partidos das formiguinhas” que poupam e controlam despesa com os “partidos das cigarras” que prometem e gastam. Mas que hoje, Costa, concentra em si o prémio de conseguir sozinho estas duas!!! Brincamos com os portugueses, é isso? Como pode Marques Mendes sequer atrever-se a fazer esta afirmação completamente falsa, quando sabemos todos (os cidadãos bem informados) que este governo  é uma afronta às “formigas” REAIS deste país!!  

Um governo que gastou MUITO MAIS do que tinha disponível ao reverter medidas de forma totalmente irresponsável que fizeram disparar a dívida pública. Um Governo que para sobreviver a este aumento de despesa carregou nos impostos colocando-nos aos níveis do tempo  da Troika. Um Governo que para apresentar em Bruxelas um “lindo défice”, CATIVOU toda despesa pública como não há memória.  Um Governo que martelou contas nos Orçamentos de Estado sem entregar toda a informação necessária à UTAO como é seu dever, para prolongar no tempo o embuste das contas equilibradas. Um Governo que não criou uma única medida estrutural sendo pois o crescimento  económico agora verificado apenas mérito de medidas implementadas por outros cujos efeitos se verificam agora e da conjuntura externa. Um Governo que vende mentiras que nos vão ficar muito caras sempre que diz que o país está melhor, que os rendimentos aumentaram, que a austeridade acabou.

Formiguinhas??? Não!!! São cigarras profissionais que cantam, dançam, gastam e mentem enquanto o BCE anda a comprar dívida soberana,  enquanto a conjuntura externa é favorável, sem qualquer responsabilidade com o amanhã, não acautelando o futuro dos portugueses que pouco lhes importa. Porque se no futuro afundarmos, haverá sempre boas mentiras bem estudadas para desculpar esta governação danosa,  sem qualquer escrúpulos.

Dizer o contrário aos portugueses é não ter respeito por quem paga impostos neste país, é gozar com a nossa cara sempre que abrem a boca.

E isso deveria ser crime.

 

Dão-se alvíssaras a quem perceber isto

18 Fevereiro, 2018

Os Dois Rios

18 Fevereiro, 2018
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De todas as cidades onde tive o privilégio de trabalhar – mais de 30 em 3 continentes – há poucas em que a minha experiência seja tão diferente da percepção geral como Khartoum, a capital do Sudão. Para além de muitas outras coisas, Khartoum é a cidade onde confluem os dois Nilos: o chamado Nilo Azul e o Nilo Branco. O Nilo Branco na verdade é azul, límpido e transparente. O Nilo Azul na verdade é castanho porque ao longo dos últimos quilómetros do curso vai acumulando terra agrícola, dejectos e esgoto. Os rios são de tal forma diferentes que na sua confluência dá para perceber exactamente a água que vem de um ou de outro (como podem ver na imagem).

Neste PSD também aparecem dois Rios. Há o Rio dos discursos, que parece ter uma ideia clara e acertada do que quer para o país. Discursos que poderiam ser retirados, linha por linha, de um discurso de Passos Coelho. O discurso de encerramento foi dos mais estruturados e bem pensados que alguma vez se viu não só no PSD, mas em todos os partidos. Tocou nos pontos certos, conseguindo ser mais realista do que muitos elementos da chamada nova geração que, talvez pelo deslumbramento de se querer afirmar moderna, parece viver num Mundo diferente do país velho e falido que o PSD um dia terá de governar. Neste Rio seria fácil votar. Mas depois há um outro Rio: o Rio que escolhe aqueles que o acompanham. O Rio dos caciques, do homem da mala, da Elina Fraga e de todos os outros que me escuso de comentar por não ter dinheiro nem tempo para passar em tribunais. O Rio que mais parece uma versão ressequida de José Sócrates. Este Rio é o pior inimigo possível, não só do PSD, mas também do país. O país aguenta ter um partido socialista, dominado por interesses e susceptível à corrupção, desde que exista uma alternativa para o socorrer. Este Rio que foi coleccionando o esgoto do partido na sua subida ao poder é o Rio que manterá o PSD dividido e perdedor. É o Rio que retira a alternativa ao país, obrigando-o a escolher entre as caras que o assaltarão e não entre visões para o país.

Em Khartoum, a merda acumulada no Nilo Azul eventualmente dissolve-se e o Nilo, já unido, segue forte e limpo até ao Egipto. Sobre o outro Rio tenho menos certezas. O futuro o dirá.

E no fim ganhou Marcelo

18 Fevereiro, 2018

O discurso de Rui Rio seria um discurso de líder caso ele tivesse sido eleito líder do PS, partido de que se demarca não pelo que pensa ou propõe, mas sim porque o PS se aliou a quem é contra a Europa, a NATO, o euro… Enfim, Rui Rio propõe-se ajudar o PS a libertar-se das más companhias.

bom dia

18 Fevereiro, 2018
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duas sugestões

17 Fevereiro, 2018
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Não haverá, na nova direcção do PSD, um lugarzinho para esse tatento da política nacional que é Marinho e Pinto e outro para o seu lugar tenente Pedro Bourbon?

Missão 100% Português

17 Fevereiro, 2018

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Por mero acaso, durante o intervalo do noticiário, vi uma promoção da RTP a um seu programa dedicado a incentivar o consumo de produtos “100% portugueses”.

Investiguei um pouco e cedo percebi que a respectiva empresa produtora é uma afiliada ibérica do grupo internacional EndemolShine, curiosamente com sede na Holanda. A sucursal em Portugal, aparentemente, nem sequer teve papel de relevo no desenho deste produto televisivo.

Em coerência com o propósito deste programa, felizmente os patrocinadores da série são tradicionalíssimas empresas lusas como a Europcar e o Jumbo (Grupo Auchan). Outras portuguesíssimas marcas se associam à empreitada e apresentam-se orgulhosamente na língua de Camões: Vitrine-All About You; Ideia Hub-Empowering People; Reboques Amadora – Bus & Truck Service; Giovanni Gali; More Results; Seaside.

Só isto bastaria para demonstrar ao limite do risível o logro e a fantochada pegada que é este programa.

Num olhar mais substantivo dou-me conta de que há, no entanto, uma tentativa de doutrinação sobre o tema. Tristemente nenhuma das 40 pessoas que constam da ficha técnica se apercebe da confrangedora iliteracia económica que exibem.

Vejam bem que na apresentação de estreia uma voz-off interpela-nos da seguinte forma: “será que realmente precisamos de consumir produtos importados; ou podemos apostar no consumo nacional, ter um papel activo e ajudar a economia portuguesa?” (sic)
A mesma locutora informa que “vai desafiar um português para a mais importante missão: durante 6 meses esse português só poderá consumir produtos nacionais, porque practicamente tudo o que actualmente consome e utiliza é importado.” (sic). É este o crime do homem e esta a sua penitência!

Calma, há mais: uma das convidadas da primeira emissão foi Filomena Cautela que diz ser “parva” (sic) “porque poderia ter em casa só produtos nacionais e afinal não tem” (sic).

O “Missão 100% Português” tem uma produção tão esmerada que dispõe de “equipa de auditores” (sic) para inspecionar casas e pessoas com o intuito de “determinar a sua percentagem de portugalidade” (sic). Tem até um especialista em consumo que “ensina como comprar português” (sic).

Pensava eu que isto seria considerado algo perigosamente fascista, típico de regimes e sociedades retrógradas e anti-democráticas, mas parece que agora é progressista e moderno, sobretudo se fôr emitido como serviço público da RTP.

Esta narrativa tem sempre subjacente a ideia de que as exportações são virtuosas e as importações um dano ou um mal menor. É discurso recorrente e traz consigo um misto de demagogia e falta de conhecimento.

Slogans como “compre o que é nosso” ou “Portugal sou eu”, além de pura parolice, não passam de sofismas. Os produtos “nacionais” já não existem. Tudo é feito no mundo. A fragmentação geográfica das cadeias de produção e o comércio internacional tornaram sem sentido maniqueísmos do “nosso” versus “deles”. A fabricação de um produto final ocorre muitas vezes em vários países e implica a compra de componentes de múltiplas proveniências.

A ladainha do substituir as importações por produção nacional é vomitiva. Apelos ao patriotismo das preferências por produtos nacionais em vez de escolhas por produtos mais baratos ou melhores, independentemente da sua origem, é uma irracionalidade económica. O proteccionismo é discriminatório e privilegia alguns interesses com prejuízo do cidadão comum e da sociedade como um todo. É injusto, empobrece-nos, reduz o emprego e limita a liberdade individual.

As importações resultam da livre escolha e opções autónomas dos consumidores. Estes têm todo o direito a não pagar um preço mais elevado para usufruírem de produtos que valorizam e lhes traz bem-estar.

As importações são tão benéficas quanto as exportações.
*

 

 

 

 

o novo psd

17 Fevereiro, 2018
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Lê-se esta lista de «influentes» do «novo» PSD e fica-se aterrado: tudo sabe a mofo e cheira a bafio. Dos dez nomes apresentados, e mais dez ou vinte que fossem, há apenas um denominador visível comum: nenhum deles fez nada de relevante fora da política e quase todos nasceram nela e dela viveram sem outra vida que se lhes conheça. No fundo, são viciados, como os jogadores de casino que pairam em torno das mesas de poker e da roleta, mesmo quando já têm os bolsos rotos de tanto os esgravatarem à procura de moedas para uma última» aposta. Neste cenário, a única verdadeira novidade para o público é o emergente talento opaco que dá pelo nome de Miguel Pinto Luz. Não que Luz seja novo na política e no partido: é apenas novo para o país e, como a única coisa que sabe dizer é que existe, será, provavelmente, uma eterna novidade. Sempre que, no futuro, se dispuser a abrir a boca para falar, o país ficará em suspenso e, provavelmente, ele continuará a dizer, qual Conselheiro Gama Torres, a única coisa politicamente relevante que sabe: «Olá! Chamo-me Miguel Pinto Luz e sou candidato a líder do PSD».

Assim, acaba por ser pouco relevante saber quem lidera a agremiação laranja. Sem ideias e sem pessoas que não tenham feito toda a sua vida no casino, que poderá oferecer o partido ao país e aos portugueses? Fazer reformas com Costa? Mas quais? Tornar a justiça transparente? O que quer isso dizer? Impedir os julgamentos na comunicação social? Certamente que sim, até porque a comunicação social está toda falida e não durará muito. Constituir-se numa alternativa, à direita, ao governo das esquerdas? Mas que alternativa e com quem? Com Passos Coelho, o PSD ainda procurou, pelo menos nos primeiros tempos, ser um simulacro de partido popular-liberal português, sustentado por uma classe média que as políticas de governo permitiriam emergir. Foi o que Cavaco fez, à conta dos fundos da CEE, e aguentou-se dez anos no governo. Mas o governo Passos não foi dele, foi da troika, em período de excepção, com a tesouraria do estado em falência técnica. Não deu, portanto, para perceber ao certo que partido, que governo e que país pairavam, verdadeiramente, na cabeça de Pedro Passos Coelho. Com a «nova» situação do PSD há uma certeza garantida: não paira por lá ideia nenhuma. E, pelo que se vê, ou por quem lá se vê, o futuro é ainda menos promissor.

Eu orçaminto / Tu orçamentes / Ele orçamente

15 Fevereiro, 2018

Toda a gente conhece o delicioso e irónico gracejo “Estes são os meus princípios, e se vocês não gostarem deles… bem, tenho outros”. Pelo menos é minha inabalável convicção que toda a gente o conhece, o que não quer dizer que não possa mudá-la se a isso me convencerem. Atribuído ao comediante americano Groucho Marx, é uma das citações humorísticas mais utilizadas quando se abordam os temas da coerência, da ética e da honestidade intelectual, sendo muitas vezes disparado como uma arma no âmbito do combate político.

O governo de António Costa, talvez por ter de lidar de uma forma subtil com os seguidores de um outro Marx, adaptou essa famosa máxima e tem-na utilizado com sucesso na gestão do equilíbrio parlamentar. Assim, nos últimos anos, no contexto do debate orçamental, a regra de ouro do primeiro-ministro para manter o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda pode ser assim descrita: “Este é o nosso Orçamento do Estado, e se vocês gostarem dele… bem, aprovem-no que eu executo outro”. E é desta maneira que um tema aparentemente chato e sisudo se transformou, desde 2016, numa divertida comédia de enganos, onde qualquer semelhança entre o que sai do Parlamento e o que é aplicado pelo Executivo é mera coincidência. Entre cativações, investimento público planeado e não realizado, e outros pequenos cortes, o Estado gastou em 2016 e 2017 cerca de cinco mil milhões de euros a menos do que o que estava previsto gastar. Para quem tem dificuldades com os grandes números, posso tentar ajudar com exemplos: cinco mil milhões de euros é o custo aproximado das escolas públicas em Portugal durante um ano; ou do lançamento para o espaço de 50 foguetões do Elon Musk; ou de metade da conta do restaurante quando o Eng. José Sócrates e o Juiz Rui Rangel vão almoçar juntos. Enfim, estamos a falar de muito dinheiro. A ideia que dá é que na actual legislatura a palavra “execução” não deve ser interpretada à luz das normas financeiras mas sim das normas penais francesas dos anos 70: mete-se o documento na guilhotina e depois é só fazer-lhe o velório.

Antigamente, em governos menos dados à brincadeira, quando as contas não batiam certo apresentavam-se, imagine-se, orçamentos rectificativos para apreciação da Assembleia da República. Agora, neste clima de paz social proporcionado pelas férias grandes dos profissionais da indignação, vemos parte significativa dos deputados da maioria a aplaudirem de pé o ministro das Finanças por ele conseguir fintar olimpicamente a Lei que eles próprios aprovaram! Parece-me uma lição importante: há muitos portugueses que terão certamente uma vida melhor quando conseguirem esquivar-se à legislação com a mesma subtileza, eficácia e descontracção com que o fazem os legisladores.

 

A não perder!

15 Fevereiro, 2018

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ARTOLAS – A Rede Transeuropeia Obviamente Lisboeta de Acesso Sideral

15 Fevereiro, 2018

A gente pensa que já viu tudo, desde o monge tibetano que se imola por protesto à cena de Pink Flamingos em que Devine come os excrementos do cão. No entanto, apesar de vários sítios na Internet onde se pode ver, em detalhe, as maiores excentricidades transgressoras que humanos conseguem desempenhar, o galardão da loucura do dia tocou ao Expresso (mas haja esperança, o dia ainda não acabou).

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O Sócrates tinha aquela panca pelo TGV e pelos aeroportos. E é verdade que um gajo gosta de deixar a sua marca, principalmente se tem probabilidade de vir a ser mais conhecido pelo que tira do que pelo que deixa. Contudo, António Costa esmera-se mais que os outros, não haja dúvida, garantido que deixa o maior legado de azeiteirice que o país teve oportunidade, em tão curto espaço de tempo, de testemunhar. Bem sei que são só satélites, não foguetões destinados aos confins da galáxia, como os mais entusiastas pelo lado saloio da vida desejariam. Mesmo assim. Um tipo cujo legado, até ao momento, é mais de uma centena de mortos em incêndios, não pode ficar atrás na rede intercontinental de imbecilidade: Portugal tem e terá todas as condições para se manter no pelotão da frente.

Bem hajam! Bem hajam! É preciso incentivo para que esta senda de progresso não caia por terra! Força!

(Já agora, quantos profissionais de saúde foram contratados no ano passado?)

Rendimento Básico Incondicional Para Todos É Utopia

14 Fevereiro, 2018

Levanta-se todos os dias bem cedo, faça sol ou chuva, com ou sem vontade, às vezes até sentindo-se doente para não perder o dia de trabalho? Paga transporte para passar 8 horas às vezes mais dedicados à sua profissão? Priva-se de feriados e fins de semana, faz turnos e nem sempre pode gozar as férias como lhe dá mais jeito, e tudo isto durante 365 dias para receber salário mínimo ou pouco acima? Então tenho boas notícias para si: o Governo anda a discutir o Rendimento Básico Incondicional para todos que vai lhe garantir sobrevivência mesmo que não faça ponta dum corno. Não é maravilhoso?

Nunca a sociedade evoluiu tanto. Agora até já se idealiza pôr as pessoas a não fazer nenhum mas receber por isso, ou seja, a máxima socialista que prevê que sejamos pagos pelo Estado para apenas respirar e votar, para  ele, como um “bom pai”, tratar de nós e das nossas necessidades sem mexermos uma palha!!!

Ora, é lógico que 400 euritos não dá para muito mas pense bem: não tem de mover um único músculo todos os dias da sua vida, não gasta em transportes, refeições, em oficina (se tem de usar carro), não desgasta tanta roupa nem calçado para trabalhar! Fica em casa sossegadinho sem fazer despesas extras a ver TV, tomar uma bica no café enquanto joga cartas ou ir passear o cão.

Lógico também que para tal o Estado que não produz riqueza nenhuma terá de taxar mais as empresas, o imobiliário, as poupanças, o contribuinte (os burros que restarem) e ainda inventar outras dezenas de impostos para poder sustentar os 10 milhões de habitantes neste rectângulo à beira mar. É óbvio que o nível de vida vai ficar muito mais elevado e os 400 euritos ao estilo da Venezuela, mal darão pra comprar leite e ovos.  Mas isso também não será problema porque o socialismo logo logo terá uma solução para isso criando uma moeda virtual que ajude a fingir que temos dinheiro. Como Nicolás Maduro esse génio socialista, estão a ver?

E depois as empresas e os investidores vão fartar-se de serem esfolados pelo governo para sustentarem sozinhos a população toda de Portugal. Mas isso também não será problema porque irão empreender e investir para fora abandonando este paraíso socialista para desenvolver e enriquecer outros países capitalistas, sem problemas porque  a malta lá fora até agradece a vinda desses “exploradores”.

Com a desertificação empresarial fica o Estado sozinho e seus contribuintes a sustentarem-se mutuamente o que será muito giro pois ficaremos todos iguais na pobreza extrema com o governo cada vez mais autoritário para impedir a fuga dos seus cidadãos em busca de alternativas à fome e morte certa. Como na ex Alemanha de Leste ou nas actuais, Coreia do Norte, Cuba ou essa maravilhosa Venezuela.

Porque sustentar 10 milhões de pessoas é uma utopia que fica caro, ah! pois é. Neste brilhante artigo (leia aqui) do meu colega Carlos Pinto Guimarães foi feita a conta a essa despesa para menino da primária compreender. E só não vê quem não quer.

Dizer sim ao RBI é assinar uma sentença de morte ao próprio sistema democrático em que vivemos que mesmo doente ainda não chegou ao nível da Coreia do Norte, da Venezuela ou Cuba.

Porque quando um governo quer introduzir uma medida destas está apenas a querer dissimuladamente dominar um povo inteiro que sob o ópio de não produzir mas receber por isso, não verá que é apenas um passo para o controlo total e absoluto das suas vidas.

Quer ver o resultado magnífico desta experiência? Aplique em casa aos seus filhos e fique à espera que se façam à vida.

 

 

 

 

E à conta do sonho criamos um pesadelo

12 Fevereiro, 2018

“É justo acabar com os sonhos de todas estas pessoas?” – pergunta a Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade numa aberta aos juizes do Tribunal Constitucional, depois de saber pelo Expresso que os magistrados se preparam para chumbar a lei da gestação de substituição v ulgarmente conhecida como “barrigas de aluguer”. Esta conversa do roubar do sonho é de desonestidade absoluta. Cada um de nós pode ter sonhos sobre ser e ter. Mas não podemos legitimar os nossos sonhos à conta dos direitos dos outros. Os adultos não podem garantir os seus direitos à conta das crianças.

Por qué se han callado?

12 Fevereiro, 2018

Por qué se han callado? A crise na Venezuela não surpreende. Ela era mais que anunciada. Afinal serem pobres e perseguidos não para sempre mas enquanto não se conseguirem desembaraçar dos seus auto-proclamados libertadores tem sido o destino de todos os povos que caem nas mãos dos construtores da igualdade. Aliás também já sabemos o que vem a seguir: a culpa é do Maduro porque, vão dizer, se o Chavez não tivesse morrido tudo teria sido diferente. A culpa é dos países vizinhos que não estão a ser solidários com o governo da Venezuela ou que não apoiam os seus refugiados (Os dois argumentos só aparentemente são contraditórios pois em ambos os casos desculpam o governo da Venezuela). A culpa é do petróleo quando é mais barato porque gera menos receita.A culpa é do petróleo quando é mais caro  porque gera mais receita e torna o governo mais dependente do petróleo. A culpa é dos EUA e obviamente de Trump.(Antes de se usar este argumento convém recordar que o esforço colocado pela administração Obama na melhoria das relações com Cuba visava entre outras coisas fragilizar o governo venezuelano que mimoseava o então presidente norte-americano com epítetos como “o negro” e “palhaço”). A culpa é da oposição venezuelana que não é alternativa… Enfim a culpa será de todos mas nunca dessa fraude ideológica representada pelo socialismo.

sobre o que disse o cardeal patriarca de lisboa

12 Fevereiro, 2018
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pcm_d_manuel_clemente_15Enquanto o país rural se entretém a dissecar a vida privada de um dos poucos políticos decentes que por aí andam, Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, teceu considerações sobre a vida íntima de muitos portugueses, o que lhes tem merecido muito menos atenção. Num post, intencionalmente chocarreiro, que, sobre o assunto, escrevi na minha página do Facebook, o João Titta Maurício, uma pessoa que aprecio por saber pensar, acrescentou-lhe alguns comentários em defesa da posição tradicional da Igreja Católica, que é o que agora me proponho debater.

Começo por dizer que entendo a doutrina católica sobre a indissolubilidade do sacramento do matrimónio: pois se este é um compromisso livremente assumido pelos nubentes na presença de um padre, o mesmo é dizer, de Deus, como poderá um vínculo destes ser anulado pelos homens? A resposta da Igreja é simples: não pode. E, ao que julgo estar informado, nenhum matrimónio validamente celebrado e consumado pode ser anulado. Pode, isso sim, ser declarado nulo, ou seja, não gerado, ou seja, constatada a sua inexistência plena. Todas as causas da nulidade do matrimónio católico são, segundo a Igreja, motivos para considerar inconcluído o sacramento, pelo que a intervenção humana será, aí, a da constatação desse facto e não a da sua alteração ou transformação, uma vez constituído.

E quais são as consequências, segundo a mesma doutrina, para quem se vincula pelo sacramento do matrimónio e, por qualquer razão, rescinde o seu contrato civil de casamento? Perder o estado de graça, isto é, tornar-se num pecador, e, consequentemente, não poder aceder ao sacramento da eucaristia e ficar, por esse motivo, com uma capacidade de exercício da sua condição de católico muitíssimo reduzida. Não ficará fora da Ecclesia, como bem observou o João, mas ficará muito limitado na sua condição de católico. Desde logo, porque se não repuser integralmente a sua situação matrimonial, não poderá retomar o estado de graça, isto é, morrerá na condição de pecador. E o que tem a Igreja a oferecer a estas pessoas? A oração, o arrependimento, a distanciação da vida mundana, para o que D. Manuel Clemente sublinhou a abstinência sexual, mesmo para os que, sendo católicos, procuraram refazer as suas vidas casando-se com outra pessoa.

Pois bem: é aqui que não bate a bota com a perdigota. Se a doutrina considera suficientes duas declarações de vontade livres para que se forme o vínculo matrimonial, em que condição fica uma pessoa que é, por exemplo, traída ou abandonada pelo seu cônjuge, violando este gravemente as suas obrigações e deveres matrimoniais? Deve, estoicamente, aguentar, para não ficar numa situação que a poderá conduzir ao pecado? Deve abandonar a possibilidade de realizar a sua existência com outra pessoa, para não cair em pecado? Ou, no limite do absurdo, como sugeriu Sua Eminência, poderá até casar-se, desde que não se relacione sexualmente com o seu parceiro?

Parece-me evidente que ninguém pode ser condenado pelo que não fez, e se não for responsável pela dissolução do casamento, não compreendo como deverá alguém ser condenado ao pecado eterno pela renovação desse contrato. Ademais, faz-me uma certa espécie que a cópula sexual livre e consentida por dois cônjuges que se amam possa ser considerada fonte de desrespeito de um sacramento sagrado, quando este se tornou moralmente insustentável. Ou, pior ainda, que actos que tornem impossível a subsistência digna e moral de um vínculo entre duas pessoas não possam ser mais do que suficientes para que o perdão de Deus seja declarado a quem o pedir e, no limite, obriguem as suas vítimas a viverem na imoralidade para manterem o «estado de graça».

Termino dizendo ao João aquilo que ele certamente não ignora: que, sendo eu um «católico geográfico», porque nasci em Portugal e sei compreender o relevante papel da Igreja e da fé na consolidação de um sentimento comunitário (bastaria, se não o tivesse intuído, ler o Herculano para o perceber), sou agnóstico e não tenho uma particular admiração pela relação que a Igreja Católica tem com a sexualidade humana. Não pelos episódios de pedofilia que desgraçadamente a têm atingido ou pela duplicidade de muitos sacerdotes que estão imensamente distantes do que pregam sobre essa matéria. Uma verdade, para que o seja, basta-se a si mesma e não precisa que os que a declaram a professem. Mas o que me chateia mesmo é que o sexo, ainda que amorosamente vivido, possa ser causa de pecado irredimível, a não ser pela negação da condição humana.

Também Tu Catarina e José Cid?

12 Fevereiro, 2018

Quando me pronunciei sobre as #metoo caíram-me em cima como se eu não fosse uma acérrima defensora das mulheres ou qualquer outro ser vítima de assédio. No entanto não demorou muito até acontecer precisamente o que eu previa: uma banalização mediática do assédio. Por contaminação, o meio artístico português acordou de repente, volvidos dezenas de anos, para esta problemática revelando publicamente assédios a que noutros tempos não deram qualquer importância. E isso é que é o problema do #metoo: pôr as pessoas a dizer “eu também” quando os episódios não passam de abordagens menos felizes de engate. E isso, como já o tinha referido, preocupa-me. Muito.

A Catarina Furtado quis juntar-se ao grupo de Hollywood e contou uma historieta como tantas que existem por aí, sem qualquer importância, onde alguém lhe faz uma abordagem que ela fingiu não entender e automaticamente não deu em nada para dizer “eu também”. A sério?! Juntou-se depois José Cid (ah! valente!) com a denúncia de um assédio por parte de um fadista que mostrou interesse por ele. Realmente isso deve ser um experiência mesmo muito má ser desejado por alguém que depois de uma nega, se afasta pacificamente. Um horror, mesmo!

A este respeito deveria eu também gritar alto #metoo porque, seguindo este critério, andava na 3 classe e um menino ( o mais lindo da turma por quem nutria secretamente uma atracção) um dia lembrou-se que haveria de dar-me um beijo. Então à saída da escola, começou a seguir-me e como eu lhe negara o beijo, atirou-me para cima da neve, e já no chão, por cima de mim, arrancou-o sem pedir. Quando cheguei a casa estava lavada em lágrimas. Nunca contei aos meus pais. Resolvi o problema no dia seguinte não lhe dando mais uma fala. Assim como já na administração de uma empresa, gerentes de bancos a prometerem aprovar operações de crédito caso eu aceitasse aquecer-lhes a cama fria. Também aqui resolvi o problema mudando de Bancos. Ou ainda, aquele colega empresário simpático que vendo a minha dificuldade em arranjar crédito para a  empresa, se oferece para ajudar levando-me a um gerente amigo mas que depois faz um desvio para ir buscar uma pasta urgente a casa, convida para entrar e tomar café, mas uma vez lá dentro, tenta beijar-me à força levando-me no dia seguinte a nunca mais lhe atender uma chamada telefónica. Até hoje. Apesar disso, jamais me juntarei às #metoo porque ser #metoo é ser pelo assédio selectivo onde muitos deles nem sequer assédio é.  

Com efeito, começou com Weinstein que não passava de um indivíduo que se fazia ao engate a todo o rabo de saia que passava por Hollywood com o aval da maioria. Onde muitas actrizes, até vingarem na arte, não se incomodaram com o facto. Se ele fez disso um modo de vida foi porque foi tendo sucesso nessas abordagens. Porque quando Uma Thurman refere que no quarto, ele tirou o roupão, esqueceu-se de referir como e porquê se encontrava ela naquele lugar para falar com ele. E quantas vezes o tinha feito. Nenhuma mulher é tão ingénua que não entenda que esse lugar não é para atendimento ao público nem entrevistas. Certo? 

Por outro lado,  alguém vê as #metoo ao lado das mulheres verdadeiramente assediadas  e estupradas na Suécia, na França, na Bélgica, na Alemanha (#120db)  por migrantes islâmicos ou as mulheres cristãs Yazidis por muçulmanos? Claro que não. Como disse, só defendem o “assédio” que lhes interessa. Mas o mais curioso ainda é ver que uma das mentoras das #metoo está a ser investigada por assédio sexual, não é irónico?

Muito sinceramente ainda me pergunto como esta gente de Hollywood,  não proibiu o filme “As 50 sombras de Grey”, nem as actrizes se recusaram a esse papel,  quando a estória começa com o assédio sexual bruto entre um empresário e a universitária que o entrevista (no livro o primeiro capítulo parece saído de um filme porno).  Então aquilo não é um atentado criminoso à mulher? É. Mas todas o aprovam e o tornaram sucesso de bilheteira. Estranho.

Felizmente hoje já não existe nas discotecas os slows. Aqueles 20 minutos de música parada em que ele, um desconhecido, a  apertava junto ao corpo dando sinais de interesse e ela respondia tocando com o rosto na pele do pescoço, enquanto  ele suavemente lhe arrancava, depois, um beijo. Enfim um autêntico “abuso” muito esperado e desejado pelos jovens  e graúdos nas discotecas desses anos 80 dos quais muitas das  #metoo fizeram parte mas que hoje seriam motivo de gritaria histérica e revolução social. 

Enfim. É a sociedade hipócrita que temos hoje.