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E agora, algo de completo mau-gosto, porque sim

31 Janeiro, 2018

Squalus_acanthias_stellwagen
No cânone da loucura dos “excessos de um artista”, expressão devidamente ilustrada na canção “Baile da Paróquia” de Rui Veloso e Carlos Tê, figura no topo da página um certo incidente ocorrido durante o Seattle Pop Festival em 1969. Ao que consta, uma bonita groupie1 ruiva foi atada nua a uma cama onde membros não nomeados da banda Led Zeppelin a penetraram com um peixe. Membros da banda Vanilla Fudge também se identificaram como autores da instalação artística, mas, à parte de um mítico filme — cuja existência é mais do que plausível —, tais declarações podem ser um mero aproveitamento de obra alheia. Há, contudo, algumas divergências acerca da espécie de peixe utilizada no happening, sendo que o galhudo-malhado da história original parece ser uma aproximação romantizada (os tais excessos de um artista) de um comum arenque.

O que é sabido é que, algures, uma sexagenária anda a conter-se de se associar ao movimento #MeToo. O seu silêncio ensombra a aura de delação vanguardista que faz substituir tribunais por bonitos vestidos em desfiles de galardões cinematográficos e, lamentavelmente, impede a correcta catalogação ictiológica do evento.

Como diz a canção, “já ninguém mais tem respeito pelos excessos de um artista”.


1 Groupie é um termo que designa um tipo de rapariga que, não tendo sido levada pelos pais para o programa Supernanny porque tal violaria os seus direitos, tendia a aparecer por geração espontânea em quartos de hotel onde estrelas hospedadas lhes oferecem um cházinho enquanto ouvem uma ou outra história com lobos maus.

À atenção das redacções (se não souberem ler francês nós traduzimos)

31 Janeiro, 2018

Un enfant juif de 8 ans agressé à Sarcelles. Le jeune garçon, qui portait une kippa, a été frappé lundi par des adolescents en se rendant à un cours. Le parquet de Pontoise retient, à ce stade de l’enquête, le mobile antisémite.

Mas o Obama não fechou Guantanamo?

31 Janeiro, 2018

A América é “grande outra vez” e vai manter Guantánamo a funcionar

Então o Obama não fechou Guantanamo? O parlamento português até saudou o fecho: Parlamento saúda posse de Obama e encerramento de Guantanamo, PCP e PEV abstêm-se

 

O soviete de Arroios

30 Janeiro, 2018

2018 Janeiro Autoridades despejaram prédio ocupado por grupo de cidadãos em Arroios

Este é mais um capítulo na saga começada  em Setembro Assembleia de Ocupação de Lisboa ocupou prédio para alertar para os problemas da habitação em Lisboa

Não há cidadãos nem meio cidadãos. Trata-se do BE a pressionar o PS. Esta fantochada vai custar-nos caríssimo

por mim deixava o centeno, vulgo ronaldinho lusitano, em paz

30 Janeiro, 2018
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image.aspx5As notícias da manhã levam a crer que a história dos bilhetes para a bola dados pelo Benfica a Centeno será apenas um fait-divers perante uma hipótese de corrupção que pode envolver futebol, magistrados e a máquina fiscal.

A ser verdade, não seria de estranhar. Pelo poder imenso de que dispõe, que foi ao ponto de ter conseguido inverter «legalmente» alguns dos mais importantes pilares do Estado de direito – a presunção de inocência (vd. o crime de abuso de confiança fiscal) e o princípio de que quem acusa prova (a inversão do ónus probatório em todos os crimes fiscais) – o fisco português aterroriza de tal modo os cidadãos, que muitos deles, principalmente aqueles que estão em incumprimento perante ele, estão dispostos a tudo para se verem livres de uma ameaça que lhes pode levar tudo o que ganharam na vida e fechá-los numa cela por muitos anos. Como a ocasião cria o ladrão, é exactamente neste tipo de situações que aparece quem se aproveite da desgraça alheia, cobrando-se, generosamente, por serviços prestados. Não será, pois, de espantar que funcionários deixem prescrever dívidas ou até as façam desaparecer, e que juízes profiram sentenças amáveis para que se «chegar à frente».

Por outro lado, os benefícios fiscais, mais ou menos lícitos, concedidos pelo estado aos clubes de futebol também não são coisa nova. Veja-se, por exemplo, a vergonha que foi o tratamento fiscal dado ao Benfica pelo ministério de Manuela Ferreira Leite, em que dívidas de milhões de IRS foram objecto de parcelamento «garantido» pelas acções da SAD do próprio devedor, para que o clube sacasse as declarações de regularidade fiscal que o habilitariam aos fundos comunitários para a construção do novo estádio.  Enquanto empresários respondiam, nas barras dos tribunais, por dívidas infinitamente inferiores, o novo secretário de estado das finanças – por sinal acabado de largar o cargo de director financeiro do Benfica – aprovava esse extraordinário acordo. Infelizmente, nunca ninguém o investigou.

Posto isto, parece-me apenas que confundir os dois bilhetes dados a Centeno com o que se poderá aqui, de facto, estar a passar, é confundir a árvore com a floresta. Não só por ser por demais evidente que nenhum ministro das finanças do mundo – nem mesmo do Kinshasa, se deixaria sujar por tão pouco, como pode até a coisa ter sido posta cá fora como nuvem de poeira para se não ver o que mais importa. Como envolve um ministro, e logo o ministro mais importante deste governo, dá pano para mangas e para muita conversa. Mas mangas de um fato de péssima qualidade. Até porque Centeno, além de ser um ministro sensato, é a única barreira entre os cofres do estado e o Bloco de Esquerda, que anseia, de há muito, colocar os seus homens nesse ministério. Por isso, faria bem a direita em deixar estar o ministro onde está, enquanto a geringonça estiver como tem estado. Mandá-lo embora e manter o governo da frente de esquerda seria suicídio. Que todos pagaríamos bem caro.

Sobretudo não se podem esquecer as aspas

30 Janeiro, 2018

Farmers live in fear with death threats from ‘violent’ vegan activists

A Polémica SuperNanny

30 Janeiro, 2018

Começo por dizer a este propósito que abomino todo o tipo de reality shows seja com crianças, com jovens ou adultos. Jamais me inscreveria num nem deixaria filhos meus menores, fazê-lo. Fique claro. Porém, a existirem é inevitável espreitar para poder de forma bem ponderada emitir uma opinião fora da caixa sem seguir as massas. E foi precisamente o que fiz assim que soube do tão polémico SuperNanny.

Sejamos honestos: só existe inscrições para este programa porque mais uma vez o Estado falha quando lhe pedimos ajuda. Temos imensos organismos cheios de gente credenciada a receber salários para apoiar as famílias e crianças mas na verdade não servem na hora da aflição. Quase todos já experimentamos esta realidade portuguesa seja em que área for. Com muita sorte vamos para uma lista de espera onde se desespera de tanto esperar. As mães que chegam a estes programas são pessoas desesperadas, exaustas, desgastadas, já completamente desequilibradas, e que tentaram ajuda. É o desespero que as move. Se assim não fosse, o programa nem sequer arrancava. E só esta realidade já deveria envergonhar o Estado social.

E não. Não é ficção como alguns sem ver o programa afirmam. Antes fosse. Estas famílias vivem mesmo um drama tremendo que lhes provoca mau estar familiar e tristeza profunda. As mães colapsam mesmo com as birras inaceitáveis e violentas dos filhos sem saberem como agir. É a desorientação total. E o que choca as pessoas é mais o facto de saberem que esta realidade existe mesmo, do que a própria exposição em si. Senão como explicam o Instagram, o Facebook, a publicidade, a moda, as novelas, os concursos na TV onde as crianças se expõem ou são expostas pelos próprios pais com tenra idade, sem oposição da CPCJ? No fundo o programa veio pôr a descoberto uma realidade atroz desta sociedade moderna em que vivemos e sobre a qual ninguém quer falar: a tirania dos nossos filhos. Porque falar sobre isto obrigaria a reflectir sobre as modernices educativas que ao invés de educar, transforma os jovens em pequenos ditadores.

O programa veio ainda revelar que os pais de hoje não sabem ser pais. E este fracasso reflecte-se depois na educação. Porque lhes foi dito que uma palmada na fralda era violência, que um bom pai tem de ser sempre o melhor amigo, que a criança tem de crescer feliz e logo não a podemos frustrar. Há anos que repito que estas dicas patetas seriam a receita perfeita para o caos familiar. E acertei em cheio. Criança, ainda no berço precisa de amor firme. Amor doseado com regras, com limites, com obrigações, com metas, com tarefas, partilha e responsabilidade regado com muito diálogo, sim, mas acompanhado dumas consequências (castigos de amor) certeiras sempre que se esquecem dos seus deveres. Frustrar a criança é obrigatório para o seu bom desenvolvimento. Porque tal como tudo na vida, sem uma boa liderança, a anarquia instala-se. Seguindo-se o caos.

Independentemente da exposição das crianças ( que agora o tribunal obriga a corrigir e bem) há um facto inegável que salta a quem vê o programa: com umas simples técnicas pedagógicas de uma psicóloga credenciada, ao fim de alguns dias, aqueles seres indomáveis quase selvagens, tornam-se crianças educadas. Milagre? Não. Apenas foi corrigido um défice no entendimento entre pais e filhos, porque ao ensinar os pais a agir, estes tornam-se menos stressados e a criança interioriza melhor o que lhe é exigido sem despertar raiva. Os pais, ao agir de forma mais segura com liderança firme e assertiva, transmitem mais afecto, mais segurança, ao mesmo tempo que os ensinam. Tão simples quanto isto. Foi extraordinário ver ainda a reaproximação entre mãe e filha adolescente orientadas pela psicóloga, de forma tão simples e bonita, que no caos era completamente impossível de resolver.

A verdade é que os pais não sabem educar porque lhes ensinam coisas erradas sobre a parentalidade. E os mesmos profissionais que hoje se insurgem contra estes programas são aqueles que de forma indirecta contribuíram para esta desordem social com suas psicologias modernas.

O programa depois de corrigido o formato (ocultando identidade das famílias) deveria continuar pois é didáctico para os pais e promove o bem estar familiar que se reflecte inevitavelmente no resto da sociedade. Porque com melhores pais, teremos melhores filhos que serão melhores alunos e em adultos, melhores cidadãos… e pais. Permite ainda a reflexão sobre este flagelo social que todos preferem negar em vez de resolver, numa sociedade em que permitem um filho bater num pai, e o contrário é crime público.

Querem acabar com programas deste tipo? Acabem com as sinalizações quase perpétuas de famílias necessitadas, nas CPCJ, eternamente em banho-maria e criem equipas de intervenção rápida para apoio efectivo e CONTINUADO, dentro dos mesmos moldes do programa, feito de forma individual e verão as inscrições desaparecer completamente.

Até lá deixemo-nos de hipocrisias.

Canto IV adaptado ao pós-Sócrates

30 Janeiro, 2018

Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C’um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

— “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C’uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

— “Dura inquietação d’alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

— “A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D’ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás, figura estóica?
Que triunfos alcançarás indo além da Troika?

 

Cisma Blasfémias e RBI

29 Janeiro, 2018

Há temas incontornáveis, mas confesso que sobre o assunto em epígrafe a minha posição oficial é fluída, tal como é moda em questões de género.

Umas vezes sou a favor, outras contra. Depende.

O Carlos Guimarães Pinto desculpar-me-á, mas sobre estas matérias tendo a seguir a opinião de especialistas consagrados como o da figura anexa.

Registo apenas que aquele que para muitos é/era considerado um líder futuro do PSD em stock (Carlos Moedas) vai no bom caminho na adesão às grandes causas progressistas.

*

rbi: a minha posição

29 Janeiro, 2018
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Eu gostava de me posicionar nesta querela sobre o RBI dizendo, olhos nos olhos dos meus colegas do Blasfémias, que sou absolutamente contrário à sua existência. RBI para aqui, RBI para ali, RBI para acoli, francamente, já não há pachorra: sou contra, pronto! Só não sei exactamente em que consiste o RBI (Rádio Beira Interior?), pelo que se alguém tiver a generosidade de me explicar, fico grato.

Fogueira com ele, para o bem comum

29 Janeiro, 2018

Eu sempre fui contra a inclusão no Blasfémias de realistas, pragmáticos e, no geral, de pessoas que passam a vida a antecipar consequências para as coisas. A opinião publicada deve basear-se em dizermos algo que nos faz sentir bem, pela procura do calor humano e da empatia por pessoas que, como nós, sonham com a transformação do mundo num paraíso terrestre sem interferência de reaccionários conformados com a condição humana.

Sou totalmente a favor do RBI, não necessariamente para mim, que o aceito só para não fazer a desfeita a quem sonha o mundo, mas para os meus filhos, que, como estão em idade escolar, escusam de perpetuar a diferenciação do Homem pelo Homem através de “mérito” escolar (entre aspas, já que baseado puramente em critérios economicistas como desempenho em exames e não no potencial de emoção subjectivo que seriam capazes de alcançar sem a opressão destes).

Também sempre quis escrever um poema épico sem rimas sobre a inexistência de assédio homossexual, o que só provará, para as pessoas eruditas que lerem os cinco volumes, que os homens só oprimem mulheres, nunca outros homens, tornando óbvio que o lesbianismo é a única opção viável para qualquer mulher de Bem, e tal só me parece possível, pelo menos a parte de transformar a obra numa opera circense e itinerante por todos os concelhos do país e além-mar, algo que me parece indispensável para a sua divulgação, se não andar a perder tempo com o enriquecimento ilícito de empresários que me escravizam para seu próprio benefício.

Assim sendo, junto-me à Helena na denúncia deste artigo tão despudoradamente insultuoso para a opinião livre de pessoas que sonham com um mundo bom.

 

Cisma no Blasfémias

29 Janeiro, 2018

Tinha de acontecer: o Blasfémias vive um cisma. Sou claramente a favor do RBI. DEsde já declaro que se o mesmo for instituído vou fazer campanha para que dez milhões de portugueses passem a receber RBI. O RBI é o futuro: o Governo administra o RBI, o Rio discute a criação no Porto da Agência do RBI, a Catarina propõe um RBI progressivo para os palhaços e palhaças, o Jerónimo e o Arménio Carlos vão a Cuba divulgar o RBI.

Se todos, todas e tod@s tivermos RBI acaba-se o problema da exploração capitalista.

Há que colocar o RBI no centro da discussão política em Portugal

29 Janeiro, 2018
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Na discussão sobre o Rendimento Básico Incondicional há dois lados. De um lado as pessoas sofisticadas e generosas, que têm um conhecimento profundo das últimas tendências da tecnologia, sabem que se aproxima uma era nunca vista na história da humanidade de substituição de trabalhadores humanos e que têm consciência social. Por isso, defendem que todos deveríamos receber um rendimento sem precisar de trabalhar. Do outro lado estão uns grunhos egoístas, gente burra que provavelmente nem sabe o que é a internet, não percebe os efeitos do aumento do consumo na economia e que não vê os benefícios óbvios do acesso de todos a uma vida de ócio. Os intelectuais dos partidos de esquerda, como sempre, já há muito lideram o grupo das pessoas sofisticadas e generosas. Mas o PSD não demorou muito a chegar lá. Os muito sofisticados e generosos Carlos Moedas e Pedro Duarte preparam-se para apresentar uma moção em que propõem que se estude a possibilidade de implementar o RBI. Aqueles que se queixavam da falta de renovação de gerações no PSD acabam de ser provadas erradas: está aí uma nova geração de líderes muito prá frentex que não se deixa influenciar por grunhos como Passos Coelho e Vítor Gaspar, sempre agarrados aos números.

No Mundo da masturbação intelectual, aproxima-se a grande velocidade uma realidade em que faltarão empregos e a economia deverá começar a pagar prestações não contributivas a pessoas em idade de trabalho. No mundo real, temos uma população a envelhecer rapidamente e uma economia com dificuldade para pagar pensões contributivas que garantam um fim de vida decente aos mais velhos. No Mundo da masturbação intelectual, estamos a umas décadas de podermos ficar todos em casa agarrados ao Netflix. No Mundo real, a geração dos filhos únicos vai-se ver grega para produzir o suficiente para sustentar pais e avós em idade de reforma. No Mundo da masturbação intelectual, a produtividade irá aumentar de forma nunca vista. No Mundo real, a produtividade nunca cresceu tão pouco nos países desenvolvidos. No Mundo real, idosos com demência ou dificuldades de mobilidade vivem sem condições porque a economia não produz o suficiente para libertar recursos humanos que cuidem deles a preços decentes. No Mundo da masturbação intelectual, iremos em breve poder abdicar de parte da população em idade de trabalho porque há um robot que até conseguiu a cidadania num país qualquer. Mas não deixem que este grunho egoísta que vos escreve arruine os sonhos de um RBI no futuro próximo. Certamente os intelectuais sofisticados e generosos já encontraram a solução para todos estes problemas.

Indignações selectivas

28 Janeiro, 2018

Durante anos aquilo a que hoje se chama violência doméstica foi menosprezada pela imprensa dita de referência. Eram os chamados crimes de faca e alguidar que, afiançavam esses antepassados dos actuais activistas que davam pelo nome de intelectuais comprometidos, não teriam lugar na sociedade sem classes, no caminho alternativo do terceiro mundo, no fim do capitalismo… Décadas depois a violência contra as pessoas continua a ser um não assunto, excepção feita à violência doméstica. Ou, mais propriamente, à violência de homens contra mulheres num contexto de relações heterossexuais. E assim, armados de zelos inquisitoriais, os ditos activistas  vasculham agora acordãos em busca de frases comprometedoras, pedem medidas excepcionais e formação para os agentes da justiça, traduzindo-se no caso “a formação” por sessões de agitação e propaganda. Ou, para usar a terminologia da secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Rosa Lopes Monteiro, vai-se “avançar numa “missão civilizacional” para mudar “culturas demasiado interiorizadas”.

 

Danos colaterais

27 Janeiro, 2018

Na sua crónica desta semana, Alberto Gonçalves menciona as explicações apontadas para estes fenómenos do #MeToo. O artigo é excelente, como sempre. Pessoalmente, não creio é que qualquer destas explicações mencionadas — não é o autor que as aponta, apenas enumera as que vão circulando — seja abrangente o suficiente para justificar seja o que for. A explicação que me parece mais plausível e abrangente é a da adolescência dos média modernos, substituídos pela estranha noção twitteriana e facebookiana de que cada pessoa é uma história, uma opinião num igualitário sistema de difusão do eu. Factos são batidos por anedotas, reportagens destituídas por alegorias emocionais e delações recompensadas com likes. Quando abrir a boca (ou escrever algo) do foro pessoal passa a ser visto como coragem, é natural que qualquer um deseje a sensação de ser reconhecido como corajoso.

Estando as redes sociais na sua adolescência, não é de admirar que estejam neste momento a experimentar o choque inevitável que é descobrirem que os pais tiveram sexo e que este foi animalesco, suado e cheio de fluidos causadores de náusea para idades tão precoces. Daqui a uns tempos, como é natural, as redes (e, consequentemente, os “media tradicionais”) esquecerão a ideia romântica de amor à primeira vista com cruzamento de olhares num sítio escuro e estarão, sem qualquer pudor, a chuparem-se mutuamente no carro dos pais num daqueles pinhais de sobreiros modernos. Até lá, termos que gramar. Não deixa de ser cómico que a preocupação dos pais se desvie de uma gravidez indesejada para a exposição aplaudida do eu em público.

E a vida continuará, como dantes. Excepto para os desgraçados acusados e condenados sem recurso na praça pública. São os chamados danos colaterais.

 

Fim à privatização da CGD. É urgente nacionalizar a CGD

27 Janeiro, 2018

A CGD fecha balcões

A CGD vai cobrar as operações ao balcão com caderneta

A CGD despede

… Camarada Arménio, camarada Avoila e todos os camarados e camaradas sem esquecer o João Galamba por favor lutem para que a privatização da CGD seja revertida. Se a CGD fosse nossa, se a CGD fosse pública nada disto acontecia. Avante pela nacionalização. A vitória é difícil mas um governo de esquerda não pode tolerar esta actuação infame da CGD. Abaixo a submissão ao poder do capital. A CGD há-de ser pública!

O infantilismo, essa doença dos esquerdistas

27 Janeiro, 2018

Trump assusta mais as crianças do que uma guerra nuclear

 

Deviam ter sido homens de vestido curto e saltos altos, isso é que era

26 Janeiro, 2018

O Financial Times, talvez para não ficar fora do grande comboio da indignação do momento, decidiu infiltrar duas jovens particularmente parvas, como que dotadas de uma inocência que nem Julieta aos 13 anos conseguiria ter, num evento londrino que pode ser descrito, na sua forma mais sucinta e precisa, como boys will be boys. Pois, parece que o Financial Times descobriu agora, assim como aquela parte do mundo que acha que os outros são parvos, que homens tendem a sentirem-se atraídos e são atrevidos com mulheres bonitas com vestidos curtos e saltos altos. O choque, o horror, o que diria a nossa avó§?!

Como nada disto tem ponta por onde se pegue e é mais demonstrativo da terrível falência da “tão necessária” educação sexual escolar, deixo-vos uma imagem tipo das que ninguém se incomoda que circule, que isto de usar a beleza feminina já foi chão que deu uvas e agora dá é delação e humilhação pública.

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§ É melhor não se perguntar à avó, a resposta “tivesse eu o corpinho que tinha em 1940” poderá chocar com os soluços juvenis do mundo contemporâneo.

Esta é a semana de

26 Janeiro, 2018

* admirar o The Post porque vem mostrar como os jornalistas levaram à destituição do presidente Nixon.

*mostrar apreensão pela situação vivida no Brasil  onde o poder judicial pode impedir Lula da Silva de se candidatar

carta aberta aos meus camaradas

25 Janeiro, 2018
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Meus Caros Amigo, Companheiros e Camaradas de esquerda e de extrema-esquerda,

Por favor, percam lá, de uma vez por todas, esse mau vício, que tão mal vos fica, de defender corruptos.

Ou antes, e em nome da tolerância, vou refazer esta frase: percam lá esse mau vício de defenderem pessoas sobre as quais recaem fortes indícios de corrupção, ou pessoas que já foram acusadas pelos órgãos legítimos de Estados de Direito, ou que já foram julgadas e condenadas por tribunais democráticos.

Por amor da Santa, deixem de ser seletivamente «escrupulosos» nos vossos juízos morais a propósito de políticos. Não se encrespem quando aqueles que vocês consideram, infelizmente, os vossos, sentam os rabos no mocho e prestam contas à justiça. Não criem distinções entre bandidos «bons» e bandidos «maus», muito menos por razões ideológicas. Sabem porquê? Porque esses tipos não têm qualquer espécie de ideologia. São simples ladrões que se riem de vocês, quando vos vêem a defendê-los e a porem as mãos no fogo pela «inocência» deles.

Deixem lá, de uma vez por todas, de exultar quando o Oliveira e Costa ou o Duarte Lima vão presos, ou quando a justiça cai em cima do Salgado, para depois acusarem a justiça, a mesma justiça que condenou aqueles “fascistas”, de perseguição ao José Sócrates (aí, o Costa, que é mais fino do que vocês, bem se pôs a léguas do mártir, deixando-o entregue à «sua verdade»…).

Deixem lá, de uma vez por todas, de exaltar com a prisão do Eduardo Cunha ou do sexagenário Maluf (o fascista da Arena que se tornou num compagnon de route do “Lulinha, paz e amor”, que com ele tirou fotografias aos abraços para elegerem, em São Paulo, o Haddad…), para depois apontarem o dedo aos juízes que, em vários tribunais e diferentes instâncias, condenaram «o político mais sério do mundo» a vários anos de prisão. Será que o Moro e os três juízes que ontem confirmaram, fundamentadamente, a sentença de primeira instância são todos corruptos? Bonzos do grande capital a perseguirem o «paladino do povo»? Vocês conseguem dizer isso sem se rirem? Que lata!

Ou será que para vocês o Estado de Direito se faz nas ruas? Ficaram muito impressionados com aqueles milhares de apoiantes do Lula, reunidos à porta do tribunal? Vamos fazer justiça popular? Vamos linchar os juízes que condenaram «o filho do povo» e levar o camarada Lula, aos ombros, para o Palácio da Alvorada? E por falar nos direitos políticos do «Lulinha, paz e amor», fazem vocês alguma ideia de quantas centenas de políticos brasileiros estão impedidos de se candidatarem seja ao que for por suspeitas de corrupção? Por que não escrevem em favor desses pobres «perseguidos» pela justiça «corrupta» do Brasil? Sabem como é que se enchem praças brasileiras de «apoiantes» seja de quem for? Sabem como é que os caciques brasileiros chamam aos eleitores cujos votos dominam e vendem a quem lhes der mais dinheiro: os «currais eleitorais». Tratam as pessoas, o povo que vocês dizem defender, como porcos.

E se vocês se preocupam tanto com a voz das ruas, por que é que não escrevem nada, como a Menina Mortágua escreveu sobre o Lula, a condenar o Maduro por continuar a oprimir um povo que nelas se manifesta e por ter mandado assassinar o maçon Oscar Pérez? E já agora, perdoem-me a ironia, por que não rasgam as vestes para defender esse filho do povo norte-americano que responde ao nome de Donald Trump da perseguição que lhe tem sido feita pela comunicação social às ordens de alguns sinistros capitalistas, como George Soros? Será que não foi o povo americano quem o elegeu? E, se é a rua que dita a lei, querem contar as cabeças que aparecem nas fotografias do III Reich, com populares alemães a esticarem o braço direito ao Hitler? Não é por aí, pois não? Não, não é. Ou melhor, para vocês é, conforme vos convém, mas não devia ser.

Pois é, meus caros: a Democracia e o Estado de Direito assentam no princípio da igualdade. Neles não há cidadãos de primeira, de segunda e de terceira. Todos somos iguais perante a lei. Somos iguais uns aos outros. Não vendam os vossos ideais – se é que ainda os têm – pela «honra» de ladrões. Não conspurquem a justiça se ela chamar à responsabilidade aqueles que foram os vossos heróis. Lamento muito, mas enganados uma vez todos podemos ser. Duas, só se formos os burros ou desonestos.

Deviam fazer uma lei: a malta de esquerda não se senta no tribunal!

24 Janeiro, 2018

Joana Mortágua: “Só o povo será o tribunal de Lula”

PCP: O Partido Comunista Português solidariza-se com a luta das forças democráticas e progressistas brasileiras e do povo brasileiro em defesa da democracia e pelo direito de Lula da Silva se candidatar nas próximas eleições presidenciais no Brasil.

 

Ajuda? Não, obrigada

24 Janeiro, 2018

New Oxford exam times help women. An extension to the time allowed for all maths undergraduates to sit papers has boosted the grades of female students

O croquete mata mesmo

23 Janeiro, 2018

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Ah, o doce sabor das férias, longe do reboliço desta cidade que nos sufoca com turistas e veículos à estonteante velocidade de 45 km/h e tuk-tuks que se vêm a nós entre uma paragem e outra. Estás feliz por finalmente termos umas férias só nós os dois, sem as crianças, querida? Crianças! Vês como ainda me custa aceitar que cresceram, que já não são crianças? Até a Joana, a pequenina, que daqui a um mês já terá idade para mudar de sexo e daqui a dois anos está a poder tirar a carta de condução… Sempre achei que o Pedro ia longe, desde pequenino. Estou tão orgulhoso dele, com o negócio de medicamentos para enjoos que montou na varanda… Mas vai saber bem estarmos sem eles estes dias, não vai? Olha, vamos entrar agora numa zona de pinhal de sobreiros, presta atenção.

Sinto-me um bocado esquisito… Não sei… É uma dor que estou a sentir, não sei se é cansaço… Ai… O meu braço… Ai… Ai… O peito… Acho que estou a ter um enfarte. Vou parar. Liga para a ambulância…

Ela tentou ligar, mas os inibidores de rede móvel do Costa são mais eficazes do que os métodos de evacuar pessoas em incêndios de grande proporções. Morreu. Ao menos, morreu tranquilo, não foi assassinado pelo maldito kit mãos-livres que tantas mortes rodoviárias causa.

A autópsia revelou que foi mesmo um enfarte. De certeza, consequência de tantas viagens exóticas a bares de hospital para comer croquetes.

 

¿Saben lo que es la monja chismosa? ¡Es terrorista!

23 Janeiro, 2018

“El demonio es mentiroso, y además es chismoso. Busca dividir, quiere que en la comunidad unas hablen mal de la otras””¿Saben lo que es la monja chismosa? ¡Es terrorista! Tira la bomba, destruye y se va tranquilo. Monjas terroristas no, sin chismes“.

Num país que sofreu o terrorismo numa das suas formas mais alucinadas – o Perú com o Sendero Luminoso – o Papa achou por bem comparar as  freiras fofoqueiras aos terroristas. A visita do papa Francisco ao Chile e ao Perú está a correr mal, muito mal mesmo. Não fosse a esquerda achar que o papa Francisco é um dos seus e ia uma onda de indignação por esse mundo fora.

“E viveram assim-assim para sempre”

23 Janeiro, 2018

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No final do ano passado, em entrevista ao canal americano CNBC, Mário Centeno defendeu que tinha chegado a hora de colher os frutos da austeridade; na última semana, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o mesmo Centeno afirmou estarem errados todos aqueles que lhe colocam o rótulo de anti-austeridade e de anti-Schäuble, uma vez que nunca se descreveu dessa forma.

Quando comparamos estas palavras com aquelas que são proferidas aos portugueses, vemos que o ministro das finanças é um grande fã do filme O Pátio das Cantigas, nomeadamente da parte em que Maria da Graça canta a música Conversa para Estrangeiro ao Ribeirinho. É que na “conversa para cidadão nacional”, a canção mais ouvida dentro de fronteiras, a austeridade, além de ter sido inimiga de qualquer tipo de apanha, deixou os pomares mirrados e moribundos, quase sem salvação possível.

Na opinião de alguns analistas políticos de grande qualidade, e também na minha, os ares internacionais funcionam para os nossos governantes como uma espécie de tiopental de sódio, mais conhecido na gíria por soro da verdade. Basta colocarem um pé em Badajoz e transformam-se imediatamente no advogado impossibilitado de mentir com que Jim Carrey nos divertiu nos anos 90.

Curiosamente, as versões propagadas no território nacional são sempre mais cor-de-rosa do que as transmitidas lá fora, como se a magia ficasse retida no posto fronteiriço de Vilar Formoso. Desconfio até que as histórias de embalar que os nossos ministros contam aos filhos quando estão em viagem sofrem ligeiras transformações. Uma vez no estrangeiro, em lugar de finais felizes, o mais provável é que a casa de tijolos e cimento do porquinho Prático seja abalada estruturalmente por um terramoto, acabando os três suínos na barriga do lobo mau; e que a Cinderela desenvolva um doloroso joanete que impeça o sapatinho de cristal de lhe entrar no pé; e que o Pinóquio resista a todos os malandros que o tentam desencaminhar no percurso até à escola, apenas para acabar morto de frio numa sala de aula devido à falta de aquecimento provocada pelas cativações orçamentais.

 

A Ideologia do Ódio

23 Janeiro, 2018

Era imperioso voltar a este tema. Sobretudo depois das reacções de algumas senhoras ao meu texto sobre assédio sexual. A discussão instalou-se no seio de algumas leitoras que de repente atacam como se houvesse discordância sobre o essencial. Mas há dúvida que TODAS as mulheres do Mundo abominam a violência e o abuso sexual sobre as mesmas? Pelo visto, sim. E a razão é muito simples: a ideologia do ódio já chegou também aqui.

O marxismo cultural é das ideologias mais perigosas que existem pela forma como se infiltra nas sociedades sem que as pessoas alvo se dêem conta. Fracturam, segregam e criam caos com recurso ao radicalismo extremista, para criar um novo Mundo facilmente dominável e dependente. É assim com os movimentos LGBT, com a questão islâmica, com as minorias  e agora as feministas. Como se estas questões não pudessem ser resolvidas com discursos moderados e sensatos apelando à aceitação e integração sem ódios. O problema é que do lado dos radicais não há espaço para o meio termo. Para o equilíbrio. Ou é tudo ou nada. Propositadamente. E é aqui que surgem as crispações.

Quando me insurjo contra as feministas extremistas não é porque aceito o assédio sexual. Abomino o assédio em todas as suas formas, sobre todas as pessoas, sejam mulheres, homens, idosos, crianças, deficientes, mendigos ou gays. É sim, porque abomino a ligeireza de rotular tudo como assédio. Porque o assédio é uma forma criminosa de subjugação, já contemplado na nossa legislação, a que ninguém pode ficar indiferente. Mas, cuidado! Passar de uma sociedade de homem machista que oprime e desrespeita mulheres para uma sociedade feminista machista que persegue agora os homens, não é evoluir. É inverter papeis de domínio.

Não quero que no futuro meu filho seja vítima desta loucura e vê-lo um dia ser preso porque tentou seduzir sem maldade, alguém.  As fronteiras entre o galanteio e o assédio estão de tal forma ténues que o simples olhar para uma rapariga bonita que passa na rua já é condenado. Foi exactamente isso que eu vi no programa da SIC, “E se Fosse Consigo”, em que uma miúda contabilizava de forma negativa todos os homens que a observavam à sua passagem como se isso fosse algo de terrível. Mas agora o que é belo não pode ter reacção? O que andamos nós a ensinar à nova geração? A odiar? Por outro lado, que reacção teriam as senhoras se um homem desfilasse na passadeira vermelha de Hollywood com uma vestimenta que pusesse seu sexo à mostra tal como algumas atrizes? Achariam ou não, provocatório? E se todas olhassem para ele, seria assédio? E levanta logo uma outra questão muito pertinente: e se for uma mulher a olhar para outra mulher bonita à sua passagem, é assédio? A ambiguidade desta questão levanta problemas sérios porque apesar de eu ser mulher nada me garante que outra fêmea homossexual não se sinta violada pelos meus olhos. E é esta questão interpretativa do que é ou não assédio, que convém travar antes que se torne lei. 

Outra questão que não suporto ouvir é que as mulheres não violam, não agridem, nem são protagonistas de assédio sexual. É falso. Elas não só fazem isto tudo como usam o assédio para atingir fins, sejam económicos, sejam profissionais. E nisto são peritas.  Sejamos honestos. Dizem essas feministas para se justificarem que, a existirem, estas  mulheres são em número reduzido. Falso outra vez. O que a vida me mostrou é que, não há queixas de assédio sexual por parte dos homens porque eles simplesmente não o vêem como crime. Aceitam e gostam. Não entram nunca por uma esquadra adentro para se queixarem do assédio (e elas sabem disso). Daí o silêncio das estatísticas.

Mas não são os únicos neste silêncio. Em tempos fui perseguida até ao limite por uma mulher a quem me neguei dar atenção depois de uma entrevista de trabalho. Seguiram-se ameaças constantes, mensagens e telefonemas  a qualquer hora do dia e noite. Acabou por desistir. Mas ainda hoje guardo tudo no tlm por precaução. Noutro episódio, num vestiário de uma loja de roupa, fui descaradamente tocada pela modista que me apertava o vestido. Nunca mais lá voltei. Dizer-se que  o assédio é uma mera questão masculina é redutor. Desde a libertação LGBT somos todos alvos. E elas, também agem de forma patológica sobre as vítimas. E nós mulheres também nos calamos sobre o assédio feminino.

As mulheres tardam em perceber que o fenómeno do assédio sexual masculino só se combate na educação de berço. Que são ELAS que têm o poder como mães de mudar esta realidade e que se temos os homens que temos é precisamente devido à educação que receberam ou não receberam da parte delas.

Porque todo o menino que aprende a respeitar, amar e proteger as meninas, com o exemplo dos pais em casa, não se torna num predador sexual.

 

 

 

 

Será que a Mariana Mortágua levou a mota?

22 Janeiro, 2018

Na passada semana tivemos a habitual performance bloquista com as demolições no Bairro 6 de Maio: Amadora. Demolições voltam ao bairro 6 de Maio. A Polícia Municipal da Amadora tentou hoje demolir uma casa onde viviam cinco pessoas. Grupo de ativistas impediu a demolição; O agente municipal responsável pela demolição avisou os ativistas para não passarem a linha de segurança definida, mas entre as trocas de palavras mais serenas, seguidas de resistência às ordens, os ativistas conseguiram obrigar as autoridades a recuarem e a terem de voltar noutro dia. Sentaram-se no chão e os trabalhos pararam. “Vamos embora. Por hoje”, disse ao i um polícia municipal.

Entre os activistas que activavam nas declarções aos jornalistas contava-se a deputada Mariana Mortágua. Desconheço o meio de transporte usado pela senhora deputada paar ir até ao Bairro 6 de Maio. Espero que tenha levado uma daquelas motas (certamente produzida num pais não capitalista) com que se faz fotografar. Sugiro aliás que a  senhora deputada que  declara viver em casa de amigos em Lisboa a comprar ou alugar um daqueles andarzinhos ou vivendas  em frente ao Bairro 6 de maio e que estão há anos à venda e não se vendem apesar de baratíssimos.Como ninguém vive no 6 de Maio ficava com aquele terrenozinho todo para arrumar os motociclos.

Ps. Como vou passar pelo 6 de Maio daqui aceito apostas sobre o número de moradores.

 

É tempo de dizer ‘basta’

21 Janeiro, 2018

Disseram-lhe que se sentiria fresca, que poderia fazer tudo o que lhe era vedado pela sociedade, tal como andar a cavalo, natação sincronizada e ioga sem roupa. O anúncio prometia tudo isso e mais alguma coisa, como a miríade de amigas com excesso de motricidade e sorrisos de sacarina envergando curtíssimas saias, as que, mesmo assim, oscilavam ao vento de Inverno no Ártico; ou até jardinagem de cócoras com uniforme de escoteira dez anos mais nova e um rapaz musculoso no limiar entre o bom gosto e o azeiteiro a assistir.

A realidade, contudo, não se compadece com o romantismo bucólico dos anúncios televisivos.

Quando saiu para os comprar, pensou que chegaria a casa com o bronze de modelo californiana dos anos 80 e a atitude assertiva de uma mulher a quem Sócrates dá dinheiro. Sentiu até uma gotinha de xixi a cair, tal a excitação de os ver na prateleira do supermercado. Comprou-os, transportando-os no saco opaco do Continente como quem sabe que transporta o fruto proibido, a chave para o Shangri-La, o encaixe que desencadeia a dinâmica do mecanismo que oculta o Graal.

Chegou a casa e introduziu-o. Saiu à rua, radiante por saber que saberia instantaneamente andar a cavalo.

Olhou para o lado e nada, nenhuma nova amiga francamente sub-vestida para o Inverno serrano, nenhum instrutor de ioga nu, nenhuma equipa de natação sincronizada em perfeita harmonia consigo própria. Até lhe doía a cabeça, sentia-se como que enjoada, maldisposta, irascível. Foi para isto que tentou, antecipou, que ansiou, investigou e determinou que seriam companheiros para a vida? E a jardinagem de cócoras com que tanto sonhara, tão realista como a senhora do anúncio do Neoblanc que se queixa de comprarem lixívias baratas numa casa de 3700m2 com vista para o Mediterrâneo grego?

Regressa a casa, agoniada, zangada, magoada, desiludida, como se toda a vida tivesse perdido o sentido, e escreve uma denúncia a publicar em todos os órgãos de informação. Começa assim:

“Sim, eu também fui violada pela Tampax”.

Uma semana no recreio

21 Janeiro, 2018

O Governo proíbe as crianças-pais de comerem queques nos hospitais, já a PSP faz comunicados explicando às crianças-filhos que não devem engolir cápsulas de detergente. Estamos no país-recreio. E um dos dogmas desse mundo-recreio garante que se se ignorar os problemas eles deixam de existir. Por isso praticamente não tivemos notícias sobre os 1031 carros queimados em França na noite da passagem de ano, nem sobre as agressões aos polícias em Agression de Champigny, nem sobre mais uma explosão de granadas na Suécia, nem sobre o movimento de adultos nascidos através do recurso a dadores de espema e óvulos pelo direito a saber quem são os seus pais…

Pelo caminho até esquecemos que em 2012 andou meio país a tentar convencer e pagar a Woody Allen para vir filmar em Lisboa. E claro temos esse novo grupo de práticas para agit-prop neo-realista que são os inquilinos velhos e pobres despejados em Lisboa.

Por outras palavras, é o recreio

Brexit: punir o Reino Unido?

20 Janeiro, 2018

Customs-Duty

 

De forma mais ou menos dissimulada, continua a perpassar entre os dirigentes europeus e a opinião pública em geral a ideia de “punir” o Reino Unido pelo Brexit, desde logo colocando em causa ou condicionando o “acesso” ao mercado único da União Europeia.

A imbecilidade de tal coisa seria óbvia a todos não fosse o caso de, mesmo depois de séculos passados sobre a publicação de tratados fundamentais de Economia e da exaustiva evidência histórica, o conceito de vantagem comparativa não ser ainda compreendido (perdoa-lhes David Ricardo!) e o mercantilismo estar vivo como nunca (não faças caso, Adam Smith!).

Gostava de lembrar que Portugal não faz importações. Quem compra bens e serviços aos britânicos são os indivíduos e as empresas. Convém também não esquecer que o consumo de produtos e serviços estrangeiros é fruto das opções autónomas e voluntárias de cada um de nós.

Ninguém me obriga a comprar chá inglês ou uma camisola de lã escocesa. Compro esses produtos porque quero usufruir deles e prefiro ter esses bens a gastar o meu dinheiro noutras coisas ou de outras origens.

Assim, qual o argumento moral para que políticos se arroguem o direito de decidir por mim a origem dos produtos que posso consumir? Ou que direito terá a UE de, através de eventuais futuras tarifas às importações britânicas, me obrigar a pagar mais caro por produtos que poderia obter gastando menos dinheiro, não existisse esse imposto adicional? É o estado e os burocratas que decidem se é melhor comprar “europeu” ou britânico? A que propósito os produtores de chá e camisolas de lã “internos” seriam beneficiados à minha custa?

Além de indefensável à luz dos mais elementares princípios de economia e de ser um valente tiro no nosso pé, impedir ou tornar mais difícil o livre comércio entre o Reino Unido e a União Europeia no pós-Brexit é eticamente condenável.

*

Onde Estão os Hipócritas Defensores dos Direitos Humanos?

19 Janeiro, 2018

Há um silêncio ensurdecedor à volta do que se passa na Venezuela. A começar pela comunicação social, essa aliada do governo em ofuscar, omitir ou atenuar tudo o que possa beliscar quem manda agora neste país. Eles que não nos poupam com o Trump seja porque bebeu água com as duas mãos, seja por causa de uns exames médicos que fez, seja por umas calinadas linguísticas, aqui tudo é importante escrutinar TODOS OS DIAS (tudo que não seja positivo, claro) sobre esta criatura. E a Venezuela com mais de 500 mil luso-descendentes a morrer à fome, miséria, opressão, não interessa? Onde estão agora, também, os intelectuais e os políticos que tinham em Maduro uma referência política? Ficaram mudos porquê? Estes portugueses não interessam a ninguém?

A Venezuela está a ser assassinada por um louco que mata a economia apesar de ser um grande produtor de petróleo (mas que ironia), provocando escassez severa de alimentos com uma inflação de mais de 2,300%. Que mata opositores entre eles Oscar Perez. Que mata o povo por falta de assistência médica. Que mata crianças por falta de comida. Um louco fanático que para não reconhecer o fracasso das suas políticas de esquerda rejeita apoio internacional. Mas um louco com lucidez suficiente para desarmar a população e aceitar ajuda de Cuba com milícias da sua tropa de elite, as “Vespas Negras “, para oprimir movimentos populares usando qualquer método dissuasivo como tortura ou morte. Com lucidez suficiente para comprar pessoas com caixas de comida barata para assegurar votos sob coação e manter-se eternamente no poder (não sei o que isto me lembra).

Entretanto há 31 milhões de pessoas desesperadas para sobreviver à morte certa. Fugas em massa com quilómetros de fila para a Colômbia, assaltos a supermercados e armazéns de comida, apedrejamento de vacas em propriedades privadas para matar a fome, a comerem do lixo, a comerem alimento para cães com a ONU a observar, observar, observar… que é o que de melhor sabe fazer. Observar. No meio deste observatório todo, marca debates, uns atrás dos outros, e vejam só até houve lugar a elogios ao esforço da Venezuela ao introduzir uma série de medidas em linha com as que foram recomendadas por Alfred de Zayas,( especialista independente da ONU para a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa), para melhorar a distribuição de alimentos e medicamentos. Está-se mesmo a ver o esforço de Maduro. Até lhe sinto o suor daqui… Francamente!

A História já nos demonstrou que com loucos tem de haver uma acção drástica por parte da Comunidade Internacional para resgatar os povos da morte e não esta hipocrisia monumental do “faz de conta que não é assim tão grave”. Lembram-se do holocausto nazi? Enquanto decorria quem conseguiu escapar denunciou a chacina. Revelou os campos de concentração. Que fizeram os aliados? No imediato, nada. Só dois anos e meio depois. Porque se o tivessem feito, muitas vidas teriam sido poupadas. Factos.

Nem mesmo com as evidências todas de uma nação literalmente a morrer de fome (veja aqui) a Comunidade Internacional se mexe para acudir a esta catástrofe humanitária. Onde andam os histéricos defensores dos direitos do homem? Não andam. Sumiram.

Quem sabe se isto fosse antes um caso de pseudo assédio de artistas de Hollywood ou uma manifestação contra Trump ou alguém a manifestar-se contra a islamização da Europa, a agitação não fosse maior e aí já teria destaque no “prime time” televisivo. A toda a hora.

Quem sabe.

 

 

Quem é que no aparelho activista está a precisar de casa no centro de Lisboa?

19 Janeiro, 2018

Cem casas no centro de Lisboa para quem não pode pagar renda
O título é bonito, o palavreado da senhora vereadora é decalcado da cartilha. fala-se de despejos que “Atingem maioritariamente pessoas com baixos rendimentos e idade elevada, que não têm capacidade para encontrar habitações que possam pagar e ficam assim sem capacidade para permanecer nos territórios onde subsistem as suas raízes e rede comunitária”
Mas nada disto bate certo.
1) Quais e quantas pessoas são essas “com baixos rendimentos e idade elevada” ameaçadas de despejos? Ninguém sabe e a CML não apresenta números.
2) Em seguida temos a questão dos propriamente ditos  despejos das pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada”. Ora acontece que  os inquilinos com rendas antigas, mais de 65 anos ou deficiência igual ou superior a 60% e carências financeiras têm um período transitório de dez anos contado a partir do momento em que o inquilino respondeu formalmente ao senhorio sobre a proposta de aumento de renda.

Como é óbvio não estão a acontecer despejos mas sim saídas negociadas porque despejar alguém com mais de 65 anos e baixos rendimentos é quase impossível:

*Os inquilinos com menos de 65 anos, mas que comprovem ter carências financeiras têm um período transitório de oito anos. Têm ainda mais cinco anos em que se mantém o contrato, sendo que a renda não pode ir além de um quinze avos do valor fiscal do imóvel

*Se o inquilino tiver de ser despejado por causa de obras que custem 25% do valor patrimonial do edifício, o senhorio terá de pagar dois anos de renda ao inquilino.

*Tem carências financeiras uma família cujo RABC é inferior a 38.990 euros por ano, ou seja, 3.250 euros por mês.

Em conclusão, os despejos de pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada” são uma história muito mal contada.  Em nome da transparência é fundamental perceber quem vai viver nestas casas.

Estereotipar é humano

19 Janeiro, 2018

Ao longo da minha vida, como acontece com toda a gente, fui aprendendo a compartimentar pessoas em estereótipos, que, por muito superficiais e consequentemente caricaturais que sejam, me permitem determinar os limites e os tabus de uma conversa. Por exemplo, o estereótipos como o tipo activista dos costumes que sobe na horizontal (com o qual “bom dia” tanto pode ser uma violação como uma cortesia pela noite anterior), o tipo filho de pedófilo que compensa demasiado encontrando vítimas ficcionais entre estações, o tipo mulher-na-menopausa que pinta quadros fraquinhos numa vivenda algarvia e que lamenta os casos #MeToo mas por despeito de ter perdido a graça, enfim, categorias perfeitamente normais que toda a gente usa.

Ultimamente tenho pensado numa dessas categorias, a do deficiente mental a quem se pergunta opinião sobre sinistros rodoviários e que apresenta como solução a redução do limite de velocidade para 30 km/h. É verdade que é necessário “dar mais tempo a quem precisa”, mas também é verdade que é fundamental dar mais multas a quem as pode esbanjar a “acabar com a austeridade”.

Esta manhã, tentei durante uns minutos não exceder os 30 km/h. Foi difícil, em parte porque o carro – pequeno utilitário de baixa cilindrada, 9 anos de idade, barulhos de plásticos que adicionam poliritmos à simplicidade rítmica da pop comercial – desenvolve naturalmente de forma mais eficiente que a mula que transporta os cidadãos da tal categoria estereotipada; em parte porque a octogenária do carro de trás me gritou “destrava essa merda, ó capado”.

Como bom cidadão que sou, já mandei remover duas velas ao motor e estou ansioso por poder queimar gasolina prego a fundo para combater o arrefecimento global. Vós, os rebeldes, pagai lá a multa por uma questão de princípio tão estúpida como chegar ao trabalho ainda hoje.

Não descruzarás as pernas, bitch

18 Janeiro, 2018

Se eu fosse uma daquelas pessoas que tende a saber exactamente as motivações de alguém, diria que o texto do Henrique Raposo é motivado por uma preocupação pessoal com o bem-estar (agora diz-se bem-tar) das suas filhas. Como não sou, limito-me a dizer que o considero, quer ética, quer moralmente, tão erradamente desprovido de moral humana como quando foi tornado em regra pelo código criminal da União Soviética, com pena até três anos pela posse e distribuição de pornografia. Não é de somenos que o Partido Comunista Português seja, para grande infelicidade dos três solitários conservadores-liberais portugueses, a grande referência nacional do conservadorismo.

A certa altura, o Henrique diz que “não somos macacos à deriva num universo darwinista”. Sinto-me atingido. É precisamente isso que somos enquanto o acasalamento, e Deus nos livre que assim deixe de ser, for motivado por instinto e não por minucioso data mining de base de dados genética. Durante milénios, nós, os homens, soubemos procurar visualmente as ancas que nos providenciariam maior probabilidade de reprodução e elas, as mulheres, souberam guardar o poder da procriação para o macaquinho que aparente possuir melhores genes. Não é um método infalível, mas é — e talvez mesmo por essa falibilidade — inegavelmente humano. A espécie preserva-se assim: o mais forte e a mais atraente têm probabilidade superior a gerar filhos que assegurem posterior reprodução na geração seguinte. Sobre sermos macacos darwinistas nem se trata dizer que estamos conversados, trata-se de estarmos conversados desde o início dos tempos.

Porém, como já muitas pessoas salientaram, na generalização do homem como besta sem filtros e travões, coisa que nem os cães são (que não faltam cadelas capazes de dar valentes cargas de porradinha da velha ao cachorro desinteressante mais atrevido), o Henrique diz o seguinte:

O movimento #MeToo tornou-se imparável e a sua principal consequência será a revisão dos códigos morais e sexuais que herdámos da revolução sexual dos anos 60.

A primeira parte é verdade: é imparável, pelo menos até dar de trombas com a parede; a segunda parte é que não: os códigos morais e sexuais herdados da revolução sexual dos anos 60 não serão revistos, serão sim temporariamente metidos dentro das quatro paredes (e dos WhatsApp, e dos Instagrams, e dos milhares de recantos naturais e artificiais por esses caminhos de Portugal) enquanto não se tem a certeza absoluta de um potencial parceiro não ser um maluquinho dos que não percebe que a cada #MeToo só se obtém um futuro #NoSoupForYou.

Como também tenho filhos, um de cada sexo, e como isso parece dar-me automaticamente a posição de catedrático na matéria, acrescento que nunca ensinei (adenda: nem ensinarei) a rapariga a “cruzar as pernas”, a “não abusar do decote e da saia” e a “não se expressar através do corpo”. Porém, ensinei aos dois que é particularmente bonito partir o nariz a quem tem dificuldade a perceber que as mulheres não são para serem domadas, quer pelos que lhes ensinam a cruzarem as pernas, quer pelos que vêem em pernas descruzadas uma oportunidade para extravasarem a sua má rês, ambas sintomas da vontade de alguns por controlo dos outros.

 

É proibido fazer notícias sobre a violência na Suécia?

18 Janeiro, 2018

Deve ser porque apesarde naquele país agora explodirem granadas nas esquadras não se encontra quase referência ao assunto: Police station rocked by huge explosion – area on lockdown after ‘hand grenade attack’

 

Geringoncês

17 Janeiro, 2018

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Medina quer reavaliar consenso fiscal em Lisboa

TRADUÇÃO: Medina quer aumentar carga fiscal em Lisboa

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Presidente da Câmara de Lisboa diz que este é sexto ano de impostos baixos na cidade, mas que existe um contexto novo que leva à necessidade de reflectir sobre política fiscal.

TRADUÇÃO: Como a Taxa de Protecção Civil foi chumbada e a CML vai ter de a devolver o Presidente da Câmara de Lisboa quer ir buscar o dinheiro a outro lado

Das vantagens de pagar ao Nogueira & Associados para não falarem de fome à hora do telejornal

17 Janeiro, 2018

A APAV, em parceria com a Intercampus, voltou a aplicar em 2017 o inquérito que já tinha realizado em 2012 sobre “Criminalidade e Insegurança”, em que questionou os portugueses sobre o “sentimento de segurança” face à zona residencial e aos bens pessoais, sobre o “sentimento de segurança em termos pessoais” e a “experiência pessoal nos últimos 12 meses”.

Os dados divulgados esta quarta-feira, que resultam de 600 entrevistas feitas entre 24 de outubro e 11 de novembro a pessoas com 15 ou mais anos, residentes em Portugal continental, indicam “uma tendência para a expressão de um menor sentimento de insegurança por parte da amostra, quando comparados com os resultados obtidos em 2012”.

Como uma das explicações para o aumento do sentimento de segurança dos portugueses, Carmen Rasquete [secretária-geral da APAV] apontou o facto de haver “mais paz social neste momento”.

A responsável lembrou que em 2012 estava-se “no centro da crise económica” e “existia muito o sentimento de negativismo, de pessimismo quanto ao futuro, não só em questões de criminalidade como em questões pessoais”, relacionadas com a “insegurança sobre o futuro e a própria vida”.

 

Aos 5.17: magnífico

17 Janeiro, 2018

O esquizofrénico

16 Janeiro, 2018

«O secretário-geral do PS negou hoje ter dado o seu acordo à proposta do Presidente francês, Emmanuel Macron, para a criação de um círculo transnacional nas eleições europeias, contrapondo que os socialistas portugueses se têm oposto.»(*)

Já o primeiro-ministro António Costa assinou uma declaração juntamente com os outros chefes de Estado e de Governo em que se  «admite que poderia ser uma boa ideia” a questão da criação de um círculo eleitoral transnacional».(*)

Mas enquanto secretário-geral reafirma que  «O PS tem-se oposto, precisamente, à ideia da criação de listas transnacionais nas eleições europeias”, frisou António Costa».(*)

Portanto António Costa, reafirma que o seu partido é contra uma ideia que ele, António Costa, enquanto primeiro-ministro, entendeu como boa. Tá certo….

“Oh não! Outro filme de adolescentes”

16 Janeiro, 2018

Capturar

 

A justiça portuguesa está nas mãos de adolescentes. É um retrato preocupante mas não vejo outra forma de interpretar aquilo que os nossos dois semanários de referência – o Sol e o Expresso –, noticiaram nas suas últimas edições. O primeiro relatava o entendimento existente entre a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, e a sua grande amiga Francisca Van Dunem, ministra da Justiça. O segundo narrava o confronto aberto entre as duas magistradas, descrevendo-as como grandes rivais. Acreditando eu nas competências de investigação dos hebdomadários em causa, só posso concluir que Marques Vidal e Van Dunem eram as melhores amigas na altura em que os jornalistas do Sol pegaram no tema e, um ou dois dias depois, quando o Expresso se debruçou sobre o assunto, se tinham já transformado em inimigas figadais. E, como todos sabemos, só as adolescentes são capazes de uma variação dessa magnitude em tão curto espaço de tempo. Agora é só uma questão de confirmar se foram vistas com sapatos novos iguais durante a última semana e tudo passa a fazer sentido. É esta a grande vantagem de termos uma comunicação social à moda antiga: informação útil e esclarecedora, sem ficarmos na mão das redes sociais e dos seus constantes boatos e futilidades.

Diga-se de passagem que não é a primeira vez que sou visitado por esta suspeita relativa à idade mental dos nossos altos dignitários. Quando o ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o ex-procurador-geral da República decidiram destruir as escutas que envolviam o camarada José Sócrates, recordei, com saudade, os meus anos de liceu, em que usava todo o tipo de artimanhas, tretas e estrangeirinhas para safar os amigos dos castigos dos progenitores ou da ira das namoradas ciumentas. E aquelas que me despertam as mais gratas lembranças são as totalmente estapafúrdias, como quando afirmei à professora de História ter assistido com os meus próprios olhos ao momento em que o pastor-alemão Alarico devorou o trabalho que o meu colega João tinha feito sobre a brutalidade das invasões bárbaras. “Levou a peito”, disse-lhe, enquanto tentava puxar uma lágrima. Há poucas coisas mais bonitas do que a solidariedade entre portadores de acne e de hormonas instáveis.