E depois da TSU virá o momento da coisa que não se pode chamar memorando e que o BE e o PCP não vão querer assinar
e que o dr. Marques Mendes, o dr Rio, a dra Manuela, o dr Marcelo… acharão que Passos tem de assinar para que Costa possa governar.
“monumental tiro no pé”
Começou a queda do PS. O dr Marques Mendes já anunciou que Passos deu “monumental tiro no pé”, Manuela Ferreira Leite declarou que Passos devia estar calado, Rui Rio está a caminho da liderança do PSD, Rangel diz que sim mas tamb+em não, Marcelo declara-se furioso com Passos. Ora como se sabe quando estas cabeças coincidem deste modo no “monumental tiro no pé” dado pelo Passos este ganha as eleições. Foi assim em 2011 e foi assim em 2015. Tudo indica que voltámos aos tempos do “monumental tiro no pé”
aguenta-te, passos
Aqueles que por aqui andam há mais tempo, ou têm memória histórica, lembrar-se-ão que Francisco Sá Carneiro, que hoje é um consenso nacional, foi, até ao dia em que ganhou eleições legislativas com a AD, objecto de todas as críticas no partido que fundou e que hoje é presidido por Pedro Passos Coelho. Em pouco mais de cinco anos, aqueles que teve de vida com o seu PPD-PSD, Sá Carneiro colidiu com Emídio Guerreiro, Sousa Franco, Magalhães Mota, Mota Pinto, com os “Inadiáveis” (Francisco Pinto Balsemão escapou por pouco…), com Ramalho Eanes, o Presidente da República que ele escolhera como candidato. O que se dizia dele é que era «conflituoso», «inconstante», «imprevisível», «teimoso» e, sobretudo, «bom na oposição, mas, provavelmente, péssimo na chefia do governo». Quando chegou ao governo e chocou, de frente, com um Presidente da República que não o deixava governar, logo, pelo PSD, se soltaram vozes que diziam que Sá Carneiro era «excessivo» e que Eanes é que tinha razão, que era necessário «colaborar» com a presidência e com o presidente! E no dia em que morreu, muita gente terá ficado aliviada: no fim de contas, o que seria do partido e do governo no dia seguinte à derrota presidencial? Sá Carneiro anunciara que deixaria o governo se Eanes ganhasse a presidência. Insistiu num candidato – Soares Carneiro – que alguns criticaram abertamente e muitos mais em surdina. Assim, malgrado a tragédia, as coisas retomaram a sua ordem normal. Não era disso que, afinal, todos precisávamos? Não é de normalidade que todos hoje precisamos? O que interessa se Sá Carneiro podia ter razão? De que interessa se Passos Coelho pode ter razão? Afinal, ontem como hoje, o governo não governa? As instituições não instituem? O Presidente não anda sorridente? Os chatos, os inconvenientes, os insatisfeitos servem para quê? Num país monotamente situacionista, de respeitinho venerando e rasteiro, de submissos ao poder, a qualquer poder, quem foge à norma, não serve, não presta, está a mais. Afinal de contas, todos temos de concordar com a nacionalização (temporaríssima) do Novo Banco. E quem não concordar não é bom português, não é bom patriota. Não é assim, Dr. Rio? Não é assim, Dr. Rangel?
“tentativa desesperada de imigração ilegal” com documentos válidos para circulação?
«Os dois argelinos que ontem fugiram de Aeroporto de Lisboa já foram sujeitos a interrogatório judicial, um deles irá ser expulso do país, mas o outro vai permanecer porque tem documentação válida para circular no espaço europeu.»
Primeiro os argelinos coitados estavam tão desesperados para ficar em Portugal que, coitados, desataram a fugir na pista do aeroporto. Depois, certamente tiveram uma epifania e acreditaram que se fossem para a estação do Oriente já estariam na sua Argélia natal, o que não deixa de ser verdade pois a estação parece concebida para funcionar algures no norte de África.
Detidos os argelinos na estação do Oriente – era castigo suficiente obrigá-los a utilizá-la durante uma semana – ficámos a saber que um dos candidatos à “tentativa desesperada de imigração ilegal”, no dizer do nosso Governo, afinal tem documentação válida para circular no espaço europeu. Não só causa espanto que um homem com tal documentação desate a fugir numa pista de aeroporto como ainda que apesar de o ter feito a documentação não deixe de ser válida. Algo não bate certo nesta história.
“Je Suis” Energúmeno(a)
Caro Miguel Sousa Tavares,
Faço parte do grupo dos energúmenos do facebook e por isso, permita-me estas palavras:
A Soares eu não devo nada. Porque o combate contra a ditadura foi conquista de gentes de norte a sul, materializado pelos militares de Abril, enquanto Soares fazia alianças com Álvaro Cunhal em Paris, visitava Rússia para angariar donativos, e recebia de Kadafi. O combate contra a ditadura comunista foi obra de Salgado Zenha, Grã Bretanha, EUA e militares portugueses. Soares foi apenas o burguês no exílio a quem a Internacional Socialista chamava de “Kerensky Português” e que seu amigo Zenha deixou que brilhasse com os louros. Ler mais…
Assim nem dá luta
Paulo Rangel diz que Passos não devia excluir a nacionalização do Novo Banco.
Esta mania de querer parecer diferente em tudo do líder do partido, maleita que afecta várias pessoas com acesso ao espaço mediático – provavelmente por isso mesmo – já deixou de roçar o ridículo para abraçar por completo o estapafúrdio. Críticas haveria a fazer a Passos Coelho, mas declarações destas só o fazem parecer um farol de sensatez. Um bocadinho menos de tacão, se faz favor.
As mistificações de Louçã
A ler José Milhazes sobre o prefácio escrito por Francisco Louçã para
“Estaline” de Simon Sebag Montefiore que está a ser publicado pelo Expresso
Escreve Louçã: “A tragédia do século XX é esta: uma revolução contra uma ditadura e uma guerra, que libertou milhões de servos e prometeu o fim da exploração, que se anunciou como a alvorada de uma humanidade cooperante, foi dominada por uma burocracia fechada, temerosa e por isso agressiva, cujo poder se ergueu sobre uma pirâmide de vítimas”
Como escreve Milhazes a revolução comunista não foi feita contra uma ditadura, mas sim contra uma democracia pluralista saída da revolução de Fevereiro de 1917, a servidão tinha sido abolida em 1861 e quanto a Lenine ser contra a guerra… bem o melhor é mesmo ler o texto de Milhazes.
Como está bem de ver queriam regressar a casa
Dois argelinos que tinham fugido do aeroporto de Lisboa foram apanhados na Gare do Oriente
Ps. Esperemos que a destravada arquitectura da estaçã não os tenha feito constipar ou ainda temos de os indemnizar
Felizmente vêm aí os robots
O governo alemão deu um passo decisivo (DECIDIU O JORNALISTA) para que a igualdade salarial entre homens e mulheres se torne uma realidade ao aprovar, esta quarta-feira, a proposta de lei que visa esse objetivo (COMO EXPLICAR QUE O FACTO DE O OBJECTIVO ESTAR INSCRITO NA LEI NÃO IMPLICA QUE A LEI CONTRIBUA PARA O OBJECTIVO?).
Com a nova lei, as empresas com 200 ou mais funcionários passam a ter de divulgar aos seus colaboradores os critérios que determinam os diferentes salários – e, se não conseguirem justificar salários desiguais entre homens e mulheres, podem ser processadas (LOGO MANDA O BOM SENSO TER APENAS 199 FUNCIONÁRIOS).
As empresas com 500 ou mais funcionários serão mesmo obrigadas a prestar informações regulares sobre os seus esforços para a igualdade de pagamentos. (PORTANTO QUANTO MAIS SE EMPREGA MAIS PENALIZADO SE É.)
Além do burocrata encarregue de produzir informações regulares sobre os esforços da empresa para a igualdade de pagamentos esta parvoeira interessa a quem? O legislador está a precisar urgentemente de um mergulho na vida real.
Soares
Nas eleições presidenciais de 1986 votei em Mário Soares na segunda volta contra Freitas do Amaral. Votei conscientemente. Andei com autocolantes do MASP (ia busca-los à sede de campanha, no Saldanha e distribuía pelos colegas no Técnico) e estive no comício do Rossio onde ouvi o Rock da Liberdade, cantado por Rui Veloso com letra do cineasta António Pedro Vasconcelos.
Em 1986 Soares era muito merecedor desse voto.
Na história do pós 25 de Abril, a favor de Mário Soares tínhamos o Verão Quente, quando o PCP tentou instalar uma ditadura em Portugal (olhe que sim, olhe que sim) e ele esteve no lado certo da barricada sendo mesmo uma das figuras principais dos que lutaram pela democracia. Contra ele, o papel ainda hoje não completamente esclarecido que desempenhou na descolonização e que lhe garantiu o ódio desmedido de meio milhão de retornados.
serve para quê?
Falimos em 2011, a culpa foi da crise internacional. Sobem os juros, a culpa é da Alemanha. Vão os bancos à falência, a culpa é do BCE. Entramos em crise económica, a culpa é da União Europeia que não negoceia a nossa dívida. Em conclusão: o governo português serve para quê?
Passado inesquecível
A adesão popular às exéquias fúnebres de Mário Soares foi extremamente baixa, em particular se comparada com a adesão demonstrada aquando da morte de Álvaro Cunhal. Ninguém com um mínimo de testa consegue refutar isso.

Significa isto que Cunhal era mais popular na data da sua morte do que Soares? Talvez. Ou, talvez signifique apenas que entre 2005 e 2017, algures, provavelmente no início desse período, o regime da mitologia abrilista tenha falecido e ninguém se lembrou de avisar os jornalistas. Isto não significa, necessariamente, que vem aí o Kaiser Wilhelm II – o ou seu equivalente nacional da Cova da Beira. Pode significar que o regime normalizou e já não necessita de uma individualidade para posters.
Pessoalmente, não creio – de todo – na última hipótese. Com um presidente entertainer e um governo que pondera a nacionalização de um banco, parece mais do que evidente que o conceito de uma democracia liberal moderna é demasiado avant-garde para a nação lisboeta e, consequentemente, para o resto do país, que vai sempre no banco de trás.
Claro, podemos sempre afirmar que a falta de adesão popular na homenagem a Soares foi incitada pelo primeiro-ministro, que disse, alto e a bom som, algo como ‘não parem o que estão a fazer por causa disso’, que foi exactamente o que ele fez. Já ninguém se poderá queixar que os políticos não dão o exemplo.
Nada disto é motivo para ficar triste. A cerimónia fúnebre de Soares, não tendo sido para a população em geral, foi extremamente importante para os jornais e televisões. Jornalistas e comentadores, sozinhos, encontraram-se num imaginário colectivo que só eles lembram, choraram por todos nós e deram alento uns aos outros, o que não deixa de ser bonito, para quem gosta de filmes de Bollywood.
foi assim

E não é que não foi muito diferente do que tinha sido imaginado pelo Vitor?
À procura doutro pai
não é bem assim, camarada
«A história não se apaga», disse, hoje, o camarada Jerónimo de Sousa sobre Mário Soares. Olhe que não é bem assim, camarada, olhe que não…

No Funeral… Em Videoconferência
Enquanto Portugal inteiro, da direita à esquerda, enaltece os feitos heroicos de Mário Soares, falecido este sábado, pela democracia, que faz António Costa? Continua tranquilamente na terra das vacas sagradas, sem previsões de estar presente no funeral do fundador do partido que ele representa. Na verdade, ele está certíssimo: os líderes que ele efectivamente representa, do BE e PCP, ainda não faleceram. Por isso isto não passa de um “fais divert” para o qual uma videoconferência fúnebre é mais do que suficiente. Por outro lado, é sabido que Costa é coerente no actos que pratica e se traiu José Seguro e governa com comunistas, como pode ele estar do lado de Mário Soares, que impediu uma ditadura comunista em 75 e era defensor acérrimo da liberdade? Ler mais…
Portugal é maricas
Era sabido, por muito que fosse coisa que não se mencionasse, que o regime tinha trejeitos efeminados. Sempre foi demasiado dado a conversas cuscas e comparações que só donas-de-casa sexualmente negligenciadas fazem, como “o meu rabo é mais firme que o da Alemanha” ou “depois de amamentar um ditador por tantos anos, as minhas mamas ainda são mais firmes que as das inglesas”. Algumas pessoas – grupo em que me incluo – suspeitavam que o país pudesse ser homossexual, o que não teria qualquer mal, e até justificava a relutância de refugiados muçulmanos em serem co-adoptados. Porém, não se trata de mera homossexualidade: o país é completamente maricas, tão larilas como D. Sebastião a dançar YMCA em frente a um poster gigante da Judy Garland.
Sem entrar em polémicas desnecessárias, morreu um político. É verdade que tinha 92 anos, que estava gagá há algum tempo – o que o levava a associar terramotos à austeridade que mata –, mas, ei, durante os loucos anos de Passos Coelho, quando toda a gente enaltecia a unha encravada como se de intratável cancro se tratasse, tudo aparentava a mais perfeita normalidade. Era o nãoseaguentismo. E até se percebia: depois de Sócrates seria impossível aceitar um governo sem lenhadores portadores de grosso machado que nos preenchesse o vazio emocional. Contudo, agora que Soares faleceu, toda a imprensa decidiu assumir que a vida é um cabaret, old chum. Portugal saiu do armário vestido de lantejoulas.
Que parte do nosso corpo descarnou subitamente?
O que nos falta se ele nos deu tudo o que era?
Se não há tragédia nem surpresa?
É o adeus.
O adeus dói.
Pá… Se isto fosse sobre um pai, uma pessoa calava-se, teria pudor em gozar com a dor de um filho que prova a amargura fulminante da nova condição de órfão. Se João Soares publicar algo, uma pessoa cala-se. Agora, não se tratando de um filho sobre a perda do pai, o que leva esta gente a escrever baboseiras sentimentalistas ao som de Richard Clayderman? Mariquice. É um país decorado com grande arco-íris, hippies nus dançando Age of Aquarius e espirros na imprensa por alergia ao excesso de maquilhagem. Já nem há alertas de pólen no ar, agora saímos de casa e regressamos carregados de pó-de-arroz.
Cambada de mariquinhas. Adianta muito dizer que se quer acabar com estereótipos – acabar com estereótipos é acabar com os portugueses. E se dúvidas haviam sobre a visita do doutor Costa à Índia, já se dissiparam: isto é só Bollywood e pipocas – sem manteiga, se faz favor, que comi um queque para aliviar o choro de ver o cão a ser vacinado.
Vai ser assim

dr. costa e mr. babush
Desrespeitoso, o comportamento de António Costa na morte daquele que foi o fundador do partido que ele hoje lidera e que se sentou, durante anos, na cadeira onde ele hoje se senta. É certo que uma visita de estado de um primeiro-ministro é uma visita de estado, mas as autoridades indianas certamente perceberiam que Costa, nestas circunstâncias, a suspendesse ou encurtasse.O pior, porém, nem é Costa não estar no funeral: é fazer-se aparecer por videoconferência. É que, nestas circunstâncias, o que interessa é a presença pessoal. Só com ela se faz sentir o apoio aos familiares e amigos das pessoas que partem. Não podendo estar, por razões intransponíveis, um discreto telefonema, se ele for possível, uma sóbria mensagem escrita a um familiar mais próximo, recomendam-se. Agora, enfiar uma tela no enterro para aparecer e, quem sabe, fazer um discurso sobre as altas qualidades do morto, é um exercício de soberba e de pura propaganda pessoal.Por outro lado, tanto quanto se sabe, o protocolo de estado estava a preparar o funeral de Soares de há várias semanas, sabendo-se, por isso, que estaria por dias a morte do fundador do PS. Nessas circunstâncias, a viagem à Índia não deveria ter sido adiada? Por último, a emenda a piorar o soneto: Santos Silva regressa a Portugal e António Costa continua a passeata pela terra dos seus antepassados. Vem o número dois no avião que também poderia trazer o número um. Que só não virá porque, obviamente, acha que não tem que vir.
não se fazem santos como antigamente
«Se houver recessão na Europa, não há Santo António que nos valha», terá dito, segundo o Expresso, Augusto Santos Silva. Ora, se bem me lembro, a estratégia infalível que o PS tinha apresentado para acabar com a austeridade e a via de submissão aos credores seguida pelo anterior governo, era a do crescimento económico através do aumento do consumo interno, provocado pela recuperação dos rendimentos capturados aos portugueses pela austeridade. Esse era o «milagre» que nos foi proposto pelo António que chefia o actual governo. Afinal, por estas declarações de Santos Silva, o milagre era empurrar com a barriga para a frente e pendurar o país no Banco Central Europeu. Se este se constipar, não há, pelos vistos, António que seja santo. É, talvez, por causa disso que toda a esquerda anda, em desespero, a ver se o PSD muda de líder. Não vá haver uma súbita conversão dos eleitores ao Senhor dos Passos…
Curta resposta a Pacheco Pereira

Diagrama do funcionamento das redes
Eu entendo as críticas de Pacheco Pereira, sinceramente. Porém, “as redes sociais, que, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação”, é uma afirmação engraçada, que pode ser reescrita assim: as tascas e os ranchos folclóricos deste país, assim como a cooperativa e a casa do povo, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação. A diferença é que, bem ou mal, nas redes escrevem, ao contrário do que acontece nos sítios mencionados, onde só falam – e se falam mal, nunca escreveriam bem.
Como não quero crer que, para Pacheco Pereira, um ajuntamento de três seja uma manifestação (ou pior, um factor de crescimento e consolidação do populismo), vou presumir que, muito simplesmente, se tratam de observações de um homem muito, mas mesmo muito, solitário.
Os juros da dívida podem esperar
É com enorme consternação que verifico que trinta horas de debate nas várias estações de televisão não conseguiram determinar a plenitude da “angústia das vítimas” que espancaram o miúdo. Qual miúdo? Aquele que passa de dez em dez minutos em qualquer canal de televisão, o que está no chão, a ser socado e pontapeado por pessoas a quem a sociedade deve carinho e compreensão. Seria de pensar que isto se resolvia em dez ou quinze minutos: culpava-se a austeridade do Passos Coelho e a casmurrice do Cavaco e passava-se, finalmente, aos juros da dívida superiores a 4%. Mas não, é um caso muito complicado que merece toda a nossa atenção, dedicação e atenta audição de peritos com o gabarito de um Adão e Silva ou um Adão e Silva. Os juros terão que esperar.
Estou certo que Francisco Louçã concederá a estas pobres vítimas, as que não conseguiram controlar a ira capitalista, a absolvição necessária pelas nefastas consequências da não nacionalização imediata do Novo Banco, do Santander e da casa da mãe dele. Tenho a certeza absoluta que o Daniel Oliveira escreverá um daqueles textos caríssimos no Expresso, ditado para o seu iPhone, daqueles que têm que ser cortados a meio para embrulhar uma dúzia de castanhas assadas, onde decretará a inabilidade do CDS para educar correctamente as crianças em escolas privadas sem a influência nefasta do capitalismo selvagem. Mariana Mortágua dirá, certamente, que o BES tinha mesmo uma funcionária muito gira que também curte St. Vincent lá no balcão do qual o papá tem o projecto de arquitectura e todas as especialidades de engenharia. Adão e Silva dirá o que sempre diz, obviamente, que é aquilo que nós sabemos que ele sabe dizer, coitado. Marques Lopes dirá que não anda a criar filhos para que a radicalização do PSD origine um desequilíbrio sócio-económico ao ponto de ter dúvidas da sua sexualidade, não que tenha mal algum. Por fim, Fernanda Câncio vai falar da vez em que o PSD impediu que o namorado lhe arranjasse um programa na RTP e ahahahahahahahahahaha, que sou uma desgraçada, os abutres só falam de mim, eu nunca falo de mim excepto daquela vez que o PSD impediu que me arranjassem um programa na RTP, e ninguém tem nada a ver com fufas e gays por isso vou já falar deles mais um bocadinho, tudo em minúsculas, excluindo o wonderbraTM, mudança de sexo para todos e um aborto para todas, ai de quem diga “maricas”.
Os juros da dívida podem esperar.
O Ano da Geringonça
O ano de 2016 será eternizado com a estreia nacional da primeira novela com a maior audiência até hoje, interpretada por um elenco nunca visto que juntou socialistas a comunistas na governação. Durante um ano conseguiu prender, diariamente, 10 milhões de pessoas que acompanharam com atenção, cada episódio.
O Ano da Geringonça (assim intitulada a trama), foi rica em encontros e desencontros, amores e afectos, comédia, tragédia, suspense, cusquices e até, divórcios. Elogiada pelo Financial Times e DBRS, e alguns cromos em Bruxelas, destacada e apoiada por toda a comunicação social, e alguns políticos de destaque duvidoso, mostrou ser o maior êxito até hoje nesta categoria. Vai fazer história. Ai vai… Vai… Ler mais…
por qué no hablas?
Enquanto toda a imprensa generalista e especializada dá, com algum alarme, a notícia da subida dos juros da dívida pública portuguesa acima dos 4%, o Diário de Notícias, esse extraordinário jornal que demite os colunistas mais lidos para, em sua substituição, contratar ex-ministras socráticas, não aflora, sequer ao de leve, o assunto. Na edição on-line das últimas horas podemos encontrar notícias e artigos sobre o magno problema, que toda a gente já percebeu como é que vai acabar, da imunidade diplomática dos filhos do embaixador iraquiano, sobre uma tentativa de homicídio de uma mulher em Grândola, outra sobre o modo feroz como a distrital de Lisboa do PSD se relaciona com o actual líder do partido, Passos Coelho e, o mais importante, uma entrevista ao primeiro-ministro indiano a elogiar as altas qualidades de António Costa. Quanto aos juros da dívida, no pasa nada. Adiante.

Um grande abraço de todos os portugueses
pum!
Afinal, parece que vem aí estoiro (ou o diabo?) a caminho: os juros da dívida pública a 10 anos ultrapassaram os 4%, limite máximo para o conforto, ou o desconforto, da DBRS, essa exótica agência de rating, cuja principal função é aguentar países pendurados por um fio de cabelo no precipício. Na iminência de uma nova ruptura de tesouraria do estado («falência», em linguagem menos técnica), que, certamente, o Senhor Primeiro Ministro nos explicará com um sorriso aberto nos lábios, lembrando as responsabilidades do anterior governo e de Passos Coelho por não terem nacionalizado todos os bancos portugueses, e assegurando que tudo irá correr bem, até porque não é nada a que não estejamos habituados, há que ser justo com o actual governo. Há que reconhecer que a culpa não é nossa! Nestes últimos meses, continuámos a fazer tudo o que era possível para tornarmos a nossa economia mais resistente e competitiva: reformamos o estado, a legislação laboral, baixámos os impostos, reduzimos a dívida pública proveniente da despesa corrente do estado e da sua administração, privatizámos as empresas que dão prejuízo ao erário público, vendemos as que dão lucro (?) para encaixarmos receita, não revertemos privatizações para não alarmarmos investidores, apostámos em captar o investimento estrangeiro com políticas amigas do sector privado, não criámos mais impostos para não assustarmos os investidores, pedimos mais trabalho aos portugueses em vez de mais tributos, não entrámos em loucuras despesistas para pagar favores aos sindicatos com dinheiro que não temos, etc.. Mais uma vez, se isto der para o torto, a culpa não será nossa. É do estrangeiro, que não dos deixa nunca em paz: do FMI, da Merkel e do Bilderberg, que conspiram contra nós, do Trump, que é um nojo, e, sobretudo, dos mercados, dos malditos mercados contra os quais, há uns poucos anos, um grupo de notabilidades apresentou uma queixa-crime no Ministério Público. Ignoro a evolução da queixa e se algum «mercado» já foi preso, como deveria ter sido, mas há uma coisa que sei: se isto estoirar, a culpa não é nossa! Nunca é, pelo menos nos últimos 200 anos. Isso mesmo ser-nos-à garantido pelo Senhor Presidente da República, pelo Senhor Primeiro-Ministro e por aquele rapaz com um ar atarantado que tão bem toma conta do tesouro público.
Não há nada para ver
Lendo os relatos dos bombardeamentos a Londres, percebemos, se quisermos, que as pessoas habituam-se a tudo. A vida lá vai seguindo, entre sirenes, não como dantes, mas como der. Não é necessário, porém, recorrer a situações tão avassaladoras para se compreender que as pessoas romantizam o passado – para o melhor e para o pior – e asneiam pelo futuro, que vêm tendencialmente como rumo a um destino final qualquer, apesar de milhares de anos de história que demonstram o contrário.
Juros a 4% não é grande notícia nem motivo de alarme. Haveria de acontecer, estava anunciado, nem sequer é o colapso que inevitavelmente levará ao 4º resgate (eu gosto de contar a totalidade do que o regime nos providencia). Até lá, altura em que pegam com irritação num ancinho em forma de cruz no boletim de voto, estamos habituados à geringonça e ao palermita do primeiro-ministro. Não há nada a fazer. É, inclusivamente, um desperdício perder tempo com o assunto. Importante é que, enquanto folgam as costas, ninguém se ofenda, nem os maricas, nem as justiceiras sociais que sofrem da tara sexual de empatia por procuração. Quando estas tolas estão bem, estamos todos bem.
E, quanto ao senhor presidente, peçam-lhe para ir tirando umas selfies com os gráficos das taxas de juro, que é para que não faltem documentos para o museu do regime.
Conclusão:
Nem sequer um banco «bom» o Banco de Portugal conseguiu criar.
Tendo a faca e o queijo na mão, o BP não conseguiu evitar que o Novo Banco seja ainda visto como um «banco mau». É obra!
Não se passa nada
É só uma questão de tempo até Portugal entrar na vanguarda do tratamento hormonal de crianças para retardar a puberdade até à realização da cirurgia de mudança de sexo que permitirá tirar uma selfie com o presidente da república no dia da comenda. Querem ir pensando nisso ou não é da vossa conta? Só é da vossa conta que alguém use palavras como “maricas” em humor, não é? Pois é.
Momento erudito da direita bronca
Não haverá kedeshah entre as filhas de Israel; nem nenhum filho de Israel será kedesh.
Deutronómio 23:17
Kedeshah (קדשה) não se refere à prostituta vulgar, a que vende ou oferece sexo a homens que o procuram. Refere-se, na antiga religião dos cananeus, à consagração feminina na prática de rituais sexuais em contexto de adoração sacra. Na presente tradição judaico-cristã da Europa não se reconhece a kedeshah, unificando conceptualmente toda e qualquer mulher que pratique sexo fora da consagração matrimonial como sendo zonah (זנה) – e que denominamos simplesmente por prostituta.
Ao longo da história, milhares de mulheres desempenharam papel semelhante ao de kedeshah perante homens sedentos do poder do reconhecimento público. No republicanismo laico militante, são mulheres que atraem homens simplórios, desejosos de atingirem o patamar do reconhecimento pela casta que consideram a nobreza da metrópole em busca de trabalho que permita alcançar um ou outro tachito na hierarquia clerical que é o Estado. Na impossibilidade de chegarem directamente aos poderosos, seguem com veneração e dedicação de culto quem destes mais se aproximou – as suas meretrizes.
Actualmente, com a gritaria constante – como diria o comunista Arnaldo Matos, “o putedo” – parece ser nas redes sociais onde, em primeira instância – antes de se poder sonhar com a cama – o cortejo é praticado com o zelo de funcionalismo público. Na realidade, as redes são apenas a face visível da estimulação pré-acasalamento que os candidatos crêem originar concessão de poder. Porém, feitas as contas e analisando os resultados, o que se observa é que a kedeshah não passa de simples zonah.
um aviso à navegação
A saída de Alberto Gonçalves do grupo de colunistas do Diário de Notícias, que teve lugar nesta “refundação” do jornal e tem passado praticamente despercebida, parece uma coisa vulgar, a não merecer grandes comentários. No fim de contas, comentadores políticos e jornalistas vão e vêm, e não será a primeira nem a última vez que o DN troca de colaboradores. É? Não é. Ou melhor, poderá não ser. Vejamos porquê.
AG era dos poucos colunistas regulares da imprensa portuguesa a criticar violentamente o governo. E era um dos mais lidos, senão mesmo o mais lido, do jornal que prescindiu da sua colaboração. Estes dois factos conjugados demonstram que houve, não uma intenção comercial, mas um propósito político na demissão de Gonçalves. Esta poderá ter tido uma de duas motivações possíveis: ou alguém no DN quis agradar ao governo ou alguém ligado ao governo pediu ao DN este agrado. A primeira hipótese é lamentável, mas não é excessivamente grave, porque apenas compromete um grupo de comunicação social; a segunda será lamentável e gravíssima, porque compromete o governo do país.
Evidentemente que, sem factos, permanecemos nas teorias da conspiração. Todavia, existem alguns sinais preocupantes que não podem ser desconsiderados. O primeiro é que não existe, na comunicação social portuguesa, ninguém que diga o que dizia AG sobre o governo, com a contundência e a assertividade com que o fazia. Evidentemente que – dir-se-á – existem mais jornais e revistas em Portugal, e nada aparentemente impedirá que AG escreva nalgum deles. Aliás, já o faz na Sábado, pelo que poderá fazê-lo noutro lugar. Contudo, há uma lição deste caso, que ficará como exemplo: uma coluna de opinião contrária ao governo e com anos de existência e sucesso, foi encerrada por decisão editorial dos responsáveis do jornal. Fica um aviso, e um aviso muito claro de que só a opinião mansa, a que não faz ondas nem causa mossa, é tolerada. A outra é mal vista e, assim que possível, silenciada.
Um aviso que não pode ser dissociado das crónicas dificuldades de António Costa em lidar com a comunicação social que lhe é crítica: com José Rodrigues dos Santos; com o email remetido a João Vieira Pereira; com as entrevistas azedas, nas televisões, sempre que é posto em causa, com o voltar de costas a jornalistas que o interpelam sobre assuntos que não lhe agradam. Depois recordem-se os episódios, ainda recentes, do envolvimento de Sócrates com a comunicação social – desde as tentativas de compra e silenciamento da TVI e de Moura Guedes, aos negócios ruinosos de Joaquim Oliveira, feitos à custa da Caixa e do BCP, passando pelas ingerências nas redacções, a criação paga de blogs amigos, etc. – e fica composto um cenário que se espera não volte a repetir-se. Infelizmente, não é isso que augura esta demissão de Alberto Gonçalves e é por isso que ela é importante.
Pela pureza da raça

Em conversa com um amigo que possui um cão de raça pura, descobri uma profissão altamente especializada com designação de masturbador canino. Aparentemente, para a pureza da raça, proprietários permitem a colecta e armazenamento criogénico do sémen de machos para efeitos de reprodução controlada de fêmeas cuja pureza racial tem que ser assegurada sob risco de se tornarem liberais ou algo assim. Algumas raças de cão são tão puras que nem se incomodam com rituais de acasalamento milenares baseados em divertida fricção. Eis que, nestes casos, entra o masturbador canino, pessoa cuja função é a de recolha do material genético através de meticulosa oscilação cientificamente comprovada do falo do cão. Técnicas auxiliares como aromoterapia, reiki canino e decoração da casota com fotografias de cadelas em fato de banho – ou burqa, para cães de religiões alternativas – são utilizadas pelos profissionais mais dedicados. Inicialmente, por nunca ter ouvido falar de tal coisa, fiquei um pouco surpreendido com esta actividade profissional, em particular sobre a ausência de inscritos para a desempenharem no IEFP, o que só mostra que é área intocada pelo flagelo do desemprego. Depois, ao olhar para o quiosque, vendo uma série de jornais que ninguém compra, percebi tratar-se de uma profissão que existe desde que a primeira redacção noticiosa foi criada. Pense bem: profissão que faz o que for necessário para assegurar a pureza da raça é uma das espécies de jornalista.
No Facebook, inadvertidamente, abri um link de um jornal do PS onde acabei por ler um artigo de senhora com fotografia de ar esbaforido – que não conclui ter origem em químicos ou em falta de discernimento. Reconheço-a: é aquela pessoa que tanto chinfrim armou por dizerem ser namorada do Sócrates e que só a pretensão de não restar vivalma no país sem o saber justificaria tamanha indignação. É, para além disto, a responsável do departamento de recursos humanos no âmbito de colunistas para o Diário de Notícias, o sucessor noticioso que é mais buraco que o próprio Acção Socialista (doutora Edite Estrela, não se ganham todas). Percebi, de imediato, que o artigo pretendia ser uma espécie de resposta a um artigo do André Azevedo Alves n’O Observador sobre o lobby gay e fui ler. Pelo que consegui perceber, é suposto não se fazer piadas com homossexuais, só com “pessoas normais” (palavras da autora). Diz-nos, numa escrita irónica que domina com uma argúcia de wonderbra, que “toda a gente sabe que o que tem graça é fazer pouco de quem está em situação de inferioridade ou de menos poder, dos indivíduos ou grupos com os quais a maioria não se identifica. Qual a graça de fazer pouco de homens hetero brancos de classe média, por exemplo?” E tem razão. Seria muito mais útil fazermos piadas com homens hetero brancos de classe média, com católicos brancos de classe baixa e – porque não? – com mulheres solteiras de meia-idade levadas de férias por homens de negócios e da política que acabam suspeitos de corrupção. Eu incentivo.
Assegurar a pureza da raça é um trabalho a tempo inteiro, quer nos canídeos, quer no humor. Através de especializações como a do masturbador canino ou do colunista regulador das piadas que devem ou não ser feitas, a coisa compõe-se. Uma coisa é certa: o Diário de Notícias está no bom caminho para liderar esta tão fundamental pureza de raça.
Foi-se a Cornucópia, ficam os originais
Tenho notado que há pouca gente a imolar-se pelo fim da Cornucópia, logo agora, no Inverno, que até sabe bem estar ao lado do braseiro. A indústria da indignação já não é o que era. No tempo em que a descida da TSU era péssima ideia, as pessoas agitavam-se em plena comunhão indignada, isto independentemente das origens de cada um. Era vê-los, desde os defensores do aborto livre aos melancólicos pela inoportunidade de o terem praticado antes dos quinze anos; os co-adoptadores e os co-adoptados; os homossexuais que não aguentavam que ninguém quisesse o seu sangue e os vampiros – aqui já estou a inventar, são todos vampiros; as senhoras que choravam no ombro do António José Seguro e as estrelas que editam ou as serranas loas a Hollande, o pio. Hoje ninguém se indigna, o que está bem.
Ser cornudo é humilhante. A expressão, oriunda do hábito do veado em ceder a parceira quando derrotado num confronto com outro macho, aplica-se bem aqui: tudo está bem quando acaba bem, sem choro. A Cornucópia – termo confundível com a noção de cópia do corno – nunca poderia fechar antes do metafórico confronto dos machos. Agora, que foi auto-declarado um vencedor, já pode fechar à vontadinha, que a gente cá fica no quentinho da caminha do vencedor, à espera que este se lembre do prémio.
Feliz 2017. Ides precisar.
Como encontrar namorada
Nada é tão maçador no Portugal contemporâneo que aqueles homens que, para agradar a meia dúzia de sopeiras desesperadas por atenção, propagam em jornais lérias que consideram, na inocência parda da virgindade, como de teor feminista. Teclando com a mão esquerda – sempre a esquerda, viva a esquerda! -, mantêm a direita debaixo da secretária, escondida, lá na sua vidinha que permite sentirem o contacto com o seu lado feminino, que é como quem diz.
Rui Tavares, porém, prevê já para novo ano de 2017 ver-se rodeado de homens. Não julgo. A vida privada de cada um é com cada qual, não tenho nada a ver com isso. Mas, por outro lado, se não tenho nada a ver com isso, porque o leio num jornal? A única explicação é o autor querer que eu tenha mesmo a ver com isso. Assim sendo, doutor Rui Tavares, fico lisonjeado com o convite, mas não é coisa que me desperte interesse. Bem sei que poderei estar a perder uma experiência única (bem, única não será, que o plural “homens” é usado no artigo), mas mais vale que seja directo do que andar a dar-lhe falsas expectativas.
No entanto, poderei ter percebido mal o problema. Pode dar-se o caso de o doutor Rui Tavares estar com dificuldades a conhecer mulheres. Assim sendo, uma ideia: reuniões da Tupperware. Em primeiro lugar, são bastante concorridas por mulheres; em segundo lugar, encontrará com toda a certeza um grupo bem mais numeroso do que nas assembleias do Livre, que é para não falar de eleitores.
Por último, explico que decidi ilustrar este post com uma fotografia de pessoa que publica o tipo de texto que o doutor Rui Tavares escreve. Como poderão verificar, a esta pessoa nunca falta alimento na presença de uma mulher a sério.
Adenda: Disseram-me, entretanto, que o doutor Rui Tavares está é a queixar-se da falta de mulheres na vida pública (que para ele é a política e a academia – tem que sair mais). Assim sendo, tenho uma solução: passe a liderança do partido unipessoal a uma mulher.
A Minha Mensagem de Natal ao Dr. Costa
Faço parte daquela maioria quase absoluta, e silenciosa, a quem lhe foi roubado a voz, depois de claramente se ter exprimido nas urnas. Por isso, permita-me este grito de revolta, depois de ouvir sua mensagem de Natal.
O nosso maior défice não é de conhecimento, não senhor, é de governação. Andamos à deriva desde que implantamos a República em 1910. E sabe porquê? Porque o poder transforma alguns adultos em crianças birrentas incapazes de colocar a Nação à frente de qualquer interesse pessoal. Por isso, temos também maior défice nas contas deste país, onde se gasta o que não se tem, onde não se produz para ter, e depois se mendiga nos mercados, penhorando gerações inteiras sem escrúpulos. Num país onde o cidadão comum, só por atrasar impostos, mesmo depois de pagos, é colocado na frente de um juiz e responde como um criminoso, por se entender que lesa o erário público, como pode o Governo lesar com dolo, de forma continuada, 10 milhões de pessoas e ficar impune? Ler mais…
Explicar o óbvio
Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os maricas são palermas transmissores de SIDA. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os pretos são burros. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os socialistas são umas bestas. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os chineses são amarelos papa-arroz. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o holocausto nunca existiu. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os escravos viviam melhor sob a força de chicote. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que árabes pinam cabras. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que uma mulher de burqa parece um apicultor de luto com comichão nas virilhas. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os judeus têm narizes que parecem ferros-de-soldar para farejarem dinheiro. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os católicos são beatos assexuados com desejos pedófilos. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que a Isabel Moreira, mesmo para fufa, é feia como breu. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o Passos Coelho é um pelintra de Massamá subserviente à gorda da Merkel. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o monte de banha com caril do nosso primeiro-ministro é um imbecil.
E a única coisa que vós podeis fazer é pensar que quem o diz é parvo. Agora ide ganhar juízo.
más notícias para antónio costa
Mário Alberto Nobre Soares foi chefe do governo português por três vezes, nos 1º, 2º e 9º governos constitucionais. Não saiu bem de nenhum: nos dois primeiros foi corrido pelo Presidente da República e pela opinião pública. No terceiro e último, a opinião pública foi suficiente.
Nobre da Costa (3º), Mota Pinto (4º) e Lurdes Pintasilgo (5º), que foram modestas extensões governativas da breve tentação tapioquista, latino-americana do general-presidente Ramalho Eanes, demoraram nos seus governos, em conjunto e por grosso, pouco mais de dezasseis meses, cinco meses e duas semanas, em média, cada um. Todos foram corridos por alianças negativas dos principais partidos parlamentares (PS, PSD e CDS). Nenhum deixou memória ou saudade.
Francisco Sá Carneiro (6º) governou menos de um ano. A sua morte prematura e imprevista permitiu-lhe não ser expulso violentamente do poder. Mas as péssimas relações com Eanes, o compromisso de que se demitiria caso o seu candidato presidencial (Soares Carneiro) perdesse, como efectivamente perdeu, para o presidente-inimigo, permitem supor que, pelo menos no governo que chefiou, não ficaria muito tempo, nem sairia satisfeito.
Seguiu-se-lhe Francisco Pinto Balsemão (7º e 8º), que, apesar do poder que já na altura detinha na comunicação social, acabou estraçalhado no seu partido, às mãos de personagens florentinas como Marcelo, Júdice, Jardim e Santana, que colocaram Mota Pinto no seu lugar e abriram caminho para Cavaco.
E foi Cavaco Silva o senhor que se seguiu na gerontocracia dos primeiros-ministros do PSD. Chefe de três governos constitucionais (10º 11º e 12º), chegou a ameaçar um império laranja de mil anos. Caiu na Ponte sobre o Tejo e ainda hoje, apesar de por duas vezes eleito presidente da República, não deixa boa memória no indigenato.
Seguiu-se-lhe António Guterres (13º e 14º), hoje elevado a santo, mas que foi retirado, em estado de putrefacção avançada, de um pântano bafiento, para não mais voltar.
Durão Barroso (15º) fugiu o país, antes que as setas de veneno laranja e rosa o atingissem mortalmente. Mas é óbvio que acabaria mal, se por cá ficasse. Ciente disso, zarpou para Bruxelas, donde também daí não saiu em cânticos.
Santana Lopes (16º), incauto e precipitado, não teve a mesma sorte, e foi dilacerado por um presidente que o desconsiderava e por um partido que já não o suportava. O país também não.
José Sócrates (17º e 18º) foi corrido pelo eleitorado, por Cavaco e pelo Ministério Público. Entretanto, esteve uns meses à sombra e arrisca-se a regressar a Évora, sem ser propriamente para ir jantar ao Fialho.
Pedro Passos Coelho ganhou as eleições depois de quatro anos no poder, mas perdeu a maioria que o manteria no governo. Hoje, perdeu boa parte do país. Se fosse agora a eleições, provavelmente veria os partidos da actual maioria a reforçarem-na.
Intencionalmente, porque não foram governos constitucionais, não incluímos nesta lista os quatro chefes dos seis governos provisórios, isto é, os governos saídos da revolução do 25 de Abril, até à entrada em vigor da Constituição de 1976. Mas que fique registado que nenhum deles saiu bem do poder: Adelino da Palma Carlos foi corrido como fascista (que não era), Vasco Gonçalves como comunista (que era), Pinheiro de Azevedo foi sequestrado no Parlamento e Almeida e Costa esteve lá apenas um mês, porque as eleições legislativas não podiam ser antes.
Também ignorámos os quarenta e cinco governos que a 1ª República teve em quinze anos. Mas dá para imaginar que as coisas não terão corrido propriamente bem a ninguém.
E abdicamos de falar no século XIX, após o 24 de Agosto de 1820, por razões de sanidade mental e para tentarmos conservar algum respeito pelo país.
Isto tudo apenas para dizer, àqueles que consideram António Costa um génio político capaz de inaugurar uma nova era de estabilidade que fará dele um líder inquestionado e insubstituível até à morte (e mesmo depois disso), que são capazes de estar enganados.
Mensagem de Natal

Justiça social
Os alegados «lesados do BES» são cerca de 4 mil pessoas. Investiram 490 milhões de euros. 80% deles fez investimentos até 200 mil euros (*)
Por razões desconhecidas, o governo e o PR entendem que é de colocar milhões de contribuintes a garantir que tais 4 mil investidores tenham antecipadamente retorno do investimento desastroso que fizeram.
Um texto escolar sobre o aborto
A tia Joana soubera estar para breve. A gata pariria a nova ninhada durante a noite, de manhã tratar-se-ia do assunto. Oito crias, duas delas cinzentas com listas brancas, as restantes tipicamente tabby. Cuidadosamente, uma a uma, a tia Joana mete cada um dos gatinhos num saco preto dos do lixo. Saímos o portão e viramos para rua que leva à parte não canalizada do rio, aquele que tantas vezes foi vermelho, verde e vómito-terroso da estufa de pintura automóvel do tio Albano. Descemos pelo carreiro que forma um pequeno vale entre erva densa. O saco de lixo, agitando-se, como se o Chuck Norris estivesse no seu interior a morder uma ratazana, seria colocado na região de fronteira entre a terra suja e a água encardida. A tia Joana, com um movimento reminescente dos loucos anos a dançar o twist nos bombeiros, pontapeia o saco de gatos, que descreve uma parábola antes de iniciar movimento no eixo rumo à desembocadura da diluição de lixo em dois de hidrogénio para um de oxigénio. À medida que a embarcação de plástico informe segue o seu trajecto, vai afundando, devagar, devagarinho, em oposição ao movimento no seu interior, frenética, agitada em movimentos quânticos de impossível aferição. Um útero de polietileno que desaparece no rio, contemplo.
– Porque matamos os gatinhos, tia Joana?
– Não matamos, foi um aborto retroactivo.
Pego no iPhone e fotografo o saco que se afunda. Já tenho material para o trabalho de ciências, pensei. O polícia chegou por trás. Não notamos que se aproximasse.
– Aqui tem a multinha.
– Por matar os gatos?
– Pela poluição. O saco não é biodegradável.
Aprendi uma lição sobre o aborto que a professora não tinha mencionado: os gatos são biodegradáveis, os sacos não.
– Isto não se faz, tia Joana. Não se deve poluir o rio.
