Pior. Muito pior.
Donald Trump é certamente o presidente dos EUA eleito com a plataforma de apoio e programa menos liberal (sentido clássico) e mais intervencionista desde Franklin Roosevelt. E não apenas isso. É o mais inexperiente e, (o que é o pior) personagem com personalidade de todo não recomendável para coisa nenhuma. Muito menos para presidir aos EUA. Em suma, um sujeito verdadeiramente perigoso, para todos nós.
«Que não» dizem-me amigos. Concedem que seja um «bocado tolo», mas asseguram-me que há salvaguardas para as asneiras que possa querer fazer, que lá existem «as instituições», os «checks and balances» e outros eteceteras que julgam resguardar o que um tolo no poder possa querer fazer. Não creio que tal seja suficiente para impedir vários possíveis desastres. Todas essas ditas «salvaguardas» existem e existiam há décadas. E mesmo assim não impediu os crimes de Nixon, a tortura sistemática de Bush, Guantanamo ou as execuções extra-judiciais (incluindo de cidadãos amercianos) de Obama, as guerras não-declaradas, os bombardeamentos em tudo quanto mexe, apenas para citar o mais grave.
Não. Tais salvaguardas não serão suficientes. Com Trump vai ser pior, muito pior.
É certo que não ajuda nada a existência de uma comunicação social que fica histérica à minima provovação, que engole acéfalamente todo o spin dos opositores de Trump, que é incapaz de destinguir o folclore da essência, que continua incapaz de criticar ou sequer verificar o que foi feito pela administração democrática, a qual, em tanto casos, não se distingue do que o novo presidente quer fazer, pois apenas varia o volume mas não a essência. Sem uma comunicação social séria e profissional vai ser muito mais complicado.
O novo presidente é em si um perigo, mas perigoso também é não haver quem faça o contraditório de forma séria, pois ficar-se-á sempre pela espuma dos dias. Que é disso que ele se alimenta.
Domingues, Costa e Marcelo
Terá a pretenção de António Domingues de não estar abrangido pela obrigação de entregar declaração de rendimentos e património algum fundamento jurídico?
Vejamos.
O Estatuto do Gestor Público(*) aplica-se ás empresas públicas(*). Diz a lei que também se aplica «as empresas participadas» pelo Estado com mais de «10% do capital» mas «sem influência dominante». Não há dúvidas que a CGD é um empresa pública.
O célebre decreto de Agosto deste ano vem no entanto retirar a aplicação do referido Estatuto de Gestor Público á administração da CGD: «O presente decreto-lei não se aplica a quem seja designado para órgão de administração de instituições de crédito integradas no setor empresarial do Estado». Decreto feito por encomenda pois que a CGD é mesmo a única instituição abrangido por essa disposição.
Por outro lado, existe a Lei nº4/83 de 2 de Abril(*), que regula as obrigações dos detentores de cargos políticos, fazendo equiparação (artº4, al. a), para os seus efeitos aos Gestores Públicos. Mas que o decreto de Agosto considera que já não se aplica aos administradores da CGD, pois estes já não estão sob tal Estatuto.
A sua alinea b) do mesmo artigo refere: «b) Titulares de órgão de gestão de empresa participada pelo Estado, quando designados por este;». Ora, tal implica a detenção pelo Estado de mais de 10% do capital mas «desde que o conjunto das participações públicas não origine influência dominante»(artº 7º e 9º do Regime Jurídico do Sector Público Empresarial). Não é o caso da CGD. Esta não é, para estes efeitos, considerada «participada» mas sim pública.
Assim, pode-se concluir que a Lei 4/83 seja pela al.a) ou b) do artº4º, não se aplica aos administradores da CGD.
O que diga-se desde já, é um absurdo. Absurdo porque contraria a intenção dos legislador ao querer controlar os rendimentos e património das pessoas equiparadas a detentores de cargos politicos, que é evidentemente o caso da CGD; absurdo porque transfere a classificação dos admin. da CGD para um limbo sem regulação: são efectivamente gestores de uma instituição pública mas não são considerados pela lei gestores públicos….
Entende no entanto o Presidente Marcelo que «A finalidade do diploma de 1983 afigura‐se ser, neste particular, a de obrigar à mencionada declaração todos os gestores de empresas, com capital participado pelo Estado, e em cuja designação tenha intervindo o mesmo Estado, estejam ou não esses gestores sujeitos ao Estatuto do Gestor Público. O que se entende, em termos substanciais, visto administrarem fundos de origem estatal e terem sido objeto de escolha pelo Estado. À luz desta finalidade, considera‐se que a obrigação de declaração vincula a administração da Caixa Geral de Depósitos.»(*) .
É uma interpretação que, para além do evidente esforço de se desculpar a si mesmo, atende certamente correctamente à vontade do legislador original da lei de 1983. Mas peca por um defeito grave vindo da parte de um jurista como o PR. É que uma coisa seria interpretar-se extensivamente na ausência de disposição concreta mas cuja situação pudesse ser entendida como análoga. Outra bem diferente é afirmar a sua aplicação mesmo após acto legislativo que expressamente afastou a sua aplicação. E no caso é perante isso mesmo que estamos. Pode o PR fazer o contorcionismo que bem quiser, tentar fazer um flick-flack à retaguarda ou mais prosaicamente tentar sacudir água do seu capote. Foi por via legislativa afastada uma obrigação existente, visando satisfazer vontades e casos particulares criando-se dessa forma um absurdo legal.
E os responsaveis por isso são os que abaixo assinam o agora famoso decreto de Agosto:
Tenho receio que o Trump não leia os vossos avisos
Alguém devia assegurar que os vossos textos que alertam para a chegada da cavalaria ariana e do fascismo racista misógino não instruído de brancos homofóbicos chega aos norte-americanos. Se calhar o Trump não sabe ler Português (os americanos, como se sabe, são estúpidos). Se alguém traduzisse, digamos… o Público para Inglês, talvez os americanos percebessem o perigo em que estão metidos por terem votado tão mal. Se calhar nem compreendem o quanto nos estão a magoar com as suas escolhas presidenciais. Devíamos fazer algo por isso. A minha sugestão é um manifesto seguido de petição, em nome dos afectos. Vejam lá isso.
a guerra não voltará a ensombrar os europeus
Habituámos-nos à ideia de que acabaram as guerras na Europa Ocidental. Longos anos de paz, antecedidos de longos anos de guerra, deram nisto. O mérito da construção comunitária é hoje desvalorizado pelos seus principais beneficiários: aqueles que nasceram e têm vivido as suas vidas longe do espectro sob que viveram as gerações que lhes foram anteriores. Daí que muitos de nós encaremos o fim da União Europeia como uma coisa potencialmente positiva. Pois a burocracia de Bruxelas não precisa de uma lição? Pois não ficaremos de novo livres para fazermos o que quisermos com a nossa moeda? Pois não recuperaremos a nossa soberania para pescarmos a sardinha que nos convier? E não é absolutamente verdade que seremos capazes de manter Schengen? E que está assegurada a tolerância dos países ricos para com as nossas mazelas? E a paz, que ainda ninguém foi capaz de demonstrar que é devida à construção europeia? Não é verdade que as visões catastrofistas sobre o fim da União não são mais do que formas de pressão sobre os povos e os governos? A paz perpétua é o reverso da medalha do «fim da História».
Quando, em 39, a Inglaterra declarou guerra à Alemanha, houve festejos em Londres. O país estava farto das humilhações de Hitler, perpetradas à sombra de um primeiro-ministro frouxou e conivente, Neville Chamberlain, que, finalmente, tomara uma atitude. Os ingleses, e Chamberlain, sobretudo, nunca se convenceram que Hitler atacasse a Polónica, como acreditavam que a guerra onde tinham acabado de entrar seria meramente regional, não os afetaria nas suas ilhas, e seria de rápida resolução. Agora que o pequeno cabo de guerra austríaco cometera a insolência de o fazer, havia que lhe dar uma severa lição.
Na Europa dos nossos dias deram-se passos que não deveriam ter sido dados. Maastricht, ainda que reversível e controlável, foi o primeiro. O mais complexo e de sentido único foi, sem dúvida, a Moeda Única. Mas estão dados e ninguém sabe o que acontecerá se forem abruptamente destruídos. Algumas coisas, contudo, podem imaginar-se. A primeira das quais será a catalepsia que atingirá as economias dos países mais frágeis, entre eles Portugal. A falência da maioria dos bancos dessas economias, que deixam de contar com o suporte do BCE e com a subsistência assegurada por juros baixos às dívidas das suas nações. O fecho imediato de fronteiras e o fim do livre-comércio entre os países de Schengen e da União, porque não se imagina que permaneçam abertas num ambiente de colapso das instituições, pelo menos enquanto não forem negociados novos acordos. E que países os negociariam?
Num contexto como o descrito no parágrafo anterior, outras decorrências seriam certamente muito prováveis. A política tem horror ao vazio e, quando alguém se demite de exercer o poder, logo outro se presta a substituí-lo. A Rússia seria certamente tentada a retomar o seu papel de grande potência euro-asiática. Muitos países que antigamente pertenciam à sua zona directa de influência e que tentaram, no colapso da URSS, uma aproximação à «Europa rica» acabariam por novamente se lhe submeter. Aliás, é já o que hoje está a acontecer. A Turquia reforçaria os laços com a Rússia e abandonaria, de vez, qualquer simulacro de democracia, para o que não precisará de fazer um grande esforço. A Síria, o Médio Oriente, boas partes da Ásia e de África teriam de ter em conta os interesses do novo bloco emergente. Que não deixariam de ir onde tivessem de ir para assegurar os seus interesses. A França, se estivesse nas mãos de Le Pen, provavelmente divorciaria-se desses conflitos, ou poderia mesmo ser uma aliada táctica nalguns deles. A Alemanha, sem forças armadas dignas desse nome, ficaria isolada e o Reino Unido inteiramente dependente dos Estados Unidos. O resto da Europa quedaria, preso na sua imensa vulnerabilidade, aos interesses do mais forte.
Obviamente, tudo isto é um disparate e a paz na Europa é um bem para sempre adquirido. Tal como a História, que acabou em 1989, também a guerra não voltará a ensombrar os europeus.

Os amigos do peluche
Na última semana o presunto entrou no grupo dos alimentos em vias de extinção e descobriu-se que afinal o urso polar não era amigo do cão. Antes já tínhamos tido o tigre e a cabra “inseparáveis na Rússia”, uma amizade que ilustrou várias das sequências de imagens que encerraram os noticiários em que somos doutrinados nas maravilhas do impossível, como o impacto zero das 35 horas no orçamento do SNS. Creio ser escusado explicar o que aconteceu à cabra e ao cão destes videos que, logo foram substituídos por outros ainda mais virais e ainda mais irreais.
E o presunto, o que vai acontecer ao presunto? Para haver presunto tem de se proceder à castração dos porcos machos (o mundo da veterinária é um manancial de discriminações!) Mas em Bruxelas a castração cirúrgica dos porcos causa angústias existenciais profundas e assim se ditou: a castração dos suínos mesmo que praticada com anestesia, é para acabar. Fica a excepção para o já inacessível Pata Negra que obviamente mais inacessível se tornará. Estranhamente muitos dos que se indignam com a castração dos porcos e vêem nela um enorme problema defendem a castração dos cães e gatos! Em ficamos?
O que é que pode correr mal?
Senhor Presidente da Câmara, Senhor Vereador Para os Transportes, Senhores Jornalistas, Povo de Sornebreda de Cima, Animais de Estimação, Animais de Capoeiro e Camaradas do Jornal Público,
É com enorme prazer que anuncio, perante os senhores jornalistas de todos os jornais, da RTP, da SIC, da TVI e os Camaradas do Jornal Público, que, a partir de hoje, o táxi do Hernâni está à disposição de todos os habitantes de Sornebreda de Cima para os levar onde quiserem de forma completamente grátis.
(Mesmo tu, Arlindo, que moras em frente à escola, podes e deves mandar o Igorzinho de táxi, para ficares descansado).
Anuncio que o importante é transportar as pessoas. Por isso, a dívida de jogo do Hernâni passa a ser da responsabilidade da junta, para que possa começar de novo, fresquinho. O valor não importa.
(A gente compra-te a casa de volta, Hernâni. Até te fazemos uma nova).
A junta também assegura uma prestação mensal ao Hernâni para que ele possa continuar a desenvolver a sua capacidade ao jogo, isto além das despesas com o táxi e o cabeleireiro da Ilda. Com este projecto-piloto, temos a certeza que lançamos a pedra para que outras juntas se sigam no desenvolvimento da dignidade humana. É graças ao exemplo do governo central que hoje podemos lançar Portugal para o futuro em toda a sua integralidade estratégia de cluster agregado expansionista. Hoje é Lisboa e Sornebreda de Cima, amanhã serão outras, e, queira o nosso grande primeiro, o camarada António Costa, que no futuro sejam todas as freguesias do país.
Bem hajam. Gondomar! Gondom… Sornebreda de Cima! Sornebreda de Cima!
Boa
Perguntas sobre a Carris
O governo, numa acção de propaganda para promover a candidatura de Fernando Medina à CML, anunciou hoje a passagem da Carris para a CML. Esta passagem levanta várias questões:
1. António Costa anunciou entre sorrisos que o contribuinte assume a dívida histórica da Carris, cerca de 800 milhões de euros. Estamos todos de parabéns.
2. Não foi explicado como é que a Carris passa para a CML. A CML passa a ser dona da Carris com dívida a zero? A ser assim, o contribuinte não só paga a dívida como oferece a empresa a uma das câmaras mais ricas do país. Esta dádiva é legal?
3. Fernando Medina logo anunciou 60 milhões de investimento na compra de autocarros, contratação de mais de 200 motoristas, a criação de dezenas de novas linhas e passes mais baratos. Como é evidente a Carris não tem recursos financeiros para isto e terá que se endividar. Ou seja, limpou-se a dívida para que se possa fazer mai dívida. Quem assume esta dívida, quem a garante e quem no futuro a vai pagar?
4. Esta passagem da Carris para a CML é irreversível ou é só até ela estar de novo insolvente e a precisar de um bailout do Estado Central?
5. António Costa já veio dizer que o EBITDA da Carris não interessa, o que interessa é que transporte pessoas. Portanto, já sabem a resposta às perguntas anteriores.
As Ostras Chegaram aos Pobres
É pobre? Vive com salário ou pensão miserável? Mal consegue pagar renda, luz, água ou comida? Tenho boas notícias para si: o IVA das ostras baixou de 23 pra 6%.
O governo amigo dos pobrezinhos, criou agora uma oportunidade única para que tenha, a partir de agora, acesso ao mais requintado manjar, a pensar no aumento da qualidade de vida dos mais desprotegidos.
Com efeito, alimento rico em minerais, vitaminas e compostos orgânicos, é um verdadeiro amigo da nossa saúde: aumenta a actividade metabólica, reduz os níveis de colesterol, reduz a pressão arterial, melhora as funções imunológicas, ajuda a cicatrização, melhora a saúde óssea, tem antioxidantes!!! Ufa! Uma bomba de saúde!
Com esta nova dieta, acabarão as esperas intermináveis nos hospitais de… horas, esperas por consultas de… meses, esperas por cirurgias de… anos! Vai ganhar uma saúde de ferro e nem sequer vai oxidar! Não é maravilhoso?
Ah! Mas ainda há mais! O governo também pensou nas suas poupanças, no seu futuro. É que o consumo regular deste manjar precioso pode contemplá-lo com pérolas! Sim, pérolas, daquelas com que se fazem colares!! E com alguma sorte, poderá encontrar uma preta!! Não é fantástico! Pode ficar rico!!
Mas não é tudo. Enquanto se delicia a baixo custo, este alimento também é afrodisíaco. E assim, a fazer mais sexo (espero que do bom), impulsionará a natalidade, que, como sabe, decresce assustadoramente, no nosso país. Para o êxito desta medida, aumentou a taxa do audiovisual, para desmotivar as distrações. E o Estado assegura assim, também, um aumento da população! Simplesmente genial, não acha?
Porém, a má notícia, é que bens essenciais como o pão, leite, vegetais, e proteínas, rendas e luz aumentaram. E sofrerão em 2017, ainda mais um aumento significativo por causa dos impostos indirectos.
Mas pronto. Há que dar prioridade ao essencial, não é?
Curiosamente esta extrema (serão de esquerda?) nunca motivou grande interesse nem preocupação
De eleitora do Sócrates a blogger Blasfema
Sim, há gente neste País capaz de dar esse “grande salto em frente” e evoluir de forma tão virtuosa. Serão ainda poucos, mas se tiverem todos a capacidade de ruptura e propagação da Cristina Miranda, o fenómeno pode tornar-se “viral”, como sói dizer-se na terminologia das soc net. Não que fiquemos infestados de bloggers, que isto é Clube de acesso restrito, mas baixar o risco de contágio do vírus socretino constitui relevante serviço público, para o qual a Pátria já não dispõe de medalhas condecorativas, tamanha foi a delapidação feita pelo Marcelo.
Isto para dizer que periodicamente sentimos também a necessidade de um “virar de página”. Não da austeridade, que essa já sabemos ser perene e para ficar por mais uma década, mas de formato, ou de táctica para transmitir a mesma mensagem de sempre, a filosofia liberal centrada no indivíduo, por contraponto a ideologias perniciosas assentes no colectivismo uniformizador. Convirá então alternar os executantes de molde a convencer o maior número. Há que ter quem defenda, quem construa e quem ataque, quem remate com os 2 pés e de cabeça, e que todos marquem. Não se dispensa o manancial teórico do Rui A., o preciosismo jurídico do Carlos Loureiro, o sentido de oportunidade e de rigor histórico do Gabriel, o diagnóstico implacável e cirúrgico do João Miranda, a mordaz crítica de costumes da Helena, o humor cáustico e corrosivo do Vítor e do JCD. Tudo isto é importante, mas não chega. Falta-nos simplicidade e capacidade de gerar empatia de forma alargada.
E aqui entra a Cristina Miranda, a carinha laroca da foto, que denota traços orientais mas é vianense dos 7 costados, o nosso “reforço de Inverno”. Mas para jogar nas 4 estações, nesta época e nas vindouras, que a “cláusula de rescisão” é inatingível por qualquer concorrente.
A Cristina é mulher de armas. Uma compleição aparentemente frágil e uma postura de cativante simplicidade, de sorriso sempre aberto, escondem uma personalidade multifacetada, calejada por experiências várias, académicas e profissionais. De um frustrado curso de jornalismo ao ISCAP; da condução de um empilhador à gestão financeira de uma empresa em overtrading; a ter de negociar com bancos e fornecedores, de fazer o papel do “homem do fraque” perante clientes relapsos; do ensino à criação de empresas na área da formação (não, seus maledicentes, não foi a Tecnoforma, mas ainda que fosse?). A vida é dura Luiz, para quem não vive à custa de outrém tudo tem de ser conquistado a pulso, sempre com muito suor, muitas vezes com baba e ranho. E depois veio a crise, duríssima, mas temos de saber descobrir oportunidades no meio de tanta ameaça. Já estive desempregada, mas felizmente nunca me faltou trabalho. E as emoções vão fluindo, em simultâneo com as vivências recentes ou do passado que vai evocando.
É sobretudo a expressão do sentimento, mais que o mero recorte literário, que se nota nesta assertiva tareia que a Cristina ferrou na Mariana e a atirou para a ribalta nas redes sociais. Traduzindo para “marxês”, a Cristina exprimiu muito simplesmente a revolta perante a tentativa do burocrata parasitário se pretender locupletar com a mais-valia acumulada pela força de trabalho. Típica exploração da classe trabalhadora pela classe dominante. Clarinho para todos e quanto bastasse para suscitar o apoio espontâneo de dezenas de milhares.
– Escrever no Blasfémias??? Belisca-me Luiz, que não acredito. Eu sou mulher do povo, não estou preparada nem familiarizada com o vosso tecnicismo e conceitos etéreos.
– Perfeito! O que os liberais mais precisam é de aprender a falar ao povo.
Já te belisquei q.b. Cristina e garanto que tens pinta de Blasfema. Bem vinda a esta Loja. As teclas esperam-te e que nunca te doam os dedos.
O Ricardo Paes Mamede tem razão. Uma vida saudável previne mesmo o populismo proto-fascista e, convenhamos, só o socialismo previne a barbárie.
Ainda há poucos anos, as mulheres tinham que matar os seus filhos, para os comer. Foi durante o governo de Passos Coelho e, não fosse a doutora Maria de Belém, nunca saberíamos disso. Ora, comer filhos em exclusivo não é uma alimentação saudável, é o caminho para a barbárie e para o proto-fascismo, via uma nutrição sem as vitaminas de uns legumes ou o cálcio de um bom esparregado como acompanhamento.
Eu passo a vida a avaliar mulheres na rua e ainda bem que o Ricardo Paes Mamede torna legítima esta minha actividade que, até agora, mantive na clandestinidade. Avaliações simples, não preconceituosas e bastante igualitárias, como “esta é gira”, “aquela tem uma boa anca para parir os meus futuros filhos”, “a amiga tem um rabo proto-fascista e só pode ser casada com um racista nojento dos que comem gorduras saturadas”. Às vezes acho que devo intervir, e faço-o, para bem delas. “Vai para o ginásio, badocha”, “mostra-me a tua depilação”, “esse peito alimentaria várias castas de múltiplas ninhadas indianas”. Tudo no máximo respeito pelas mulheres em geral e por mim próprio em particular. Nunca piropei, acho de mau gosto e até criminoso. Em vez de um nojento “comia-te toda”, tenho a classe e sofisticação para proferir um muito mais simpático “tens um corpinho de socialista que nem te digo nada”, mesmo que diga. “Esses brincos enormes são uma óbvia mensagem de que desejas ser argolada por ex-combatente proto-fascista graúdo que quase escreve livros” também é uma expressão que uso amiúde. “Andas de bicicleta enquanto lês Proust? Temos tanto em comum”.
***
O Passos Coelho não é gordo, o que o torna mais perigoso, porque oculta o corpo de proto-fascista. Já o António Costa é um homem que cultiva a imagem de barbaridade hipertensa como um sacrifício em prol da plebe flácida, para a convencer a corpo são em mente sã. A Catarina Martins está ali entre o socialismo e a falta de tempo para não ocultar um proto-fascismo que enche um pouco as coxas. O Jerónimo de Sousa é a antítese do proto-fascista, com um corpo de quem dança aos fins-de-semana. O Francisco Louçã tem muitas semelhanças com o Paulo Portas: ambos preocupados com a aparição dos primeiros sinais de um proto-fascismo de meia-idade muito mais difícil de perder depois de adquirido.
Quem também ligava muito ao aparecimento do proto-fascismo era o Hitler. Um gajo conhecido pela prevenção da barbárie, foi peça essencial para evitar muitos casamentos entre judeus, uma raça conhecida pelo excesso de celulite, para que estes vilões não propagassem o proto-fascismo pelas gerações vindouras. Todos os dentes de ouro foram devidamente removidos, para evitar envenenamento por metais pesados. Foi uma pessoa que pensou muito no nosso bem-estar colectivo.
E é aqui mesmo que Ricardo Paes Mamede tem razão, no facto do socialismo prevenir mesmo o aparecimento da barbárie: dá cabo de todos antes que venham com ideias ridículas de comer pasteis de nata em vez de combaterem o proto-fascismo no terreno, nas nossas universidades dotadas de génios com as mais maravilhosas teses eugénicas fora do Júlio de Matos.
é o fim da ostracização das ditas cujas

Reviver o passado no Contraditório
Em 2009, após ouvir um Contraditório na Antena 1 escrevi este artigo, a que chamei Os Neoabistas. Íamos a caminho do abismo, mas naquele grupo de inconscientes celebrava-se o sucesso do governo de José Sócrates e a sua a mão firme que nos guiava a todos rumo a um futuro luminoso.
Da equipa de opinadores desses tempos apenas resta Ana Sá Lopes mas o programa de hoje fez lembrar-me o artigo de há 7 anos. As três alminhas opinantes estão em êxtase com o sucesso do governo.
Raul Vaz já antevê que António Costa pode ter uma maioria absoluta em 2019. O argumento é linear. O PS vai ter uma grande vitória nas autárquicas, Passos Coelho cai, Rui Rio liderará o PSD e fará todos os acordos de regime que o país necessita com o amém de Marcelo e, corolário da virtude política excepcional, o grande Costa voará para uma maioria absoluta.
Ana Sá Lopes fez a extrema-unção a Passos Coelho. O sucesso económico tremendo desta semana é o fim da estrada para o líder do PSD. Um crescimento ímpar – 1,6%, o maior da Europa – mostra que era este o caminho que devia ter sido percorrido antes.
António José Teixeira é igual ao que sempre foi e debitou as banalidades pró-PS do costume. Até o Moscovici já reconhece o sucesso da economia lusa.
Voltámos a 2009. Bastou um crescimento circunstancial num trimestre, ajudado pelo boom do turismo amplificado pela situação na Turquia, por uma venda não recursiva de aviões velhos à Roménia e por uma refinaria que tinha estado parada e agora arrancou para deixar os 3 opinantes em delírio.
Como é bom de ver, não aprendemos muito. Nem sei bem como qualificar esta gente. É que nem os burros tropeçam duas vezes na mesma pedra.

No Correio da Manhã.
uma atitude
O politicamente correcto anda muito preocupado com a vitória do Trump e com as consequências para a liberdade e a paz mundial que essa vitória poderá acarretar. Queixam-se da prometida construção do muro na fronteira do México, mas ignoram que Bill Clinton já lá meteu um, cuja construção começou em 1994 e que já vai em quase 1.000 km. Temem pela paz mundial, mas já se esqueceram do embaixador americano assassinado em Benghazi e nem querem ouvir falar nas relações conflituais da Administração Obama com a Rússia. Por isso, para um europeu ocidental, eu estaria bem mais preocupado com a possível eleição de Marine Le Pen, daqui por uns meses, em França, do que com a vitória já consumada de Donald Trump, que me parece até poder ser positiva no cenário mundial (Putin já o felicitou e disse que quer retomar relações normais com os EUA…). É que há uma elevada probabilidade de Le Pen fazer, uma vez no Eliseu, o que prometeu em campanha, ao contrário do que me parece que Trump fará com muito do que andou a dizer para arregimentar votos. De facto, a vitória de Le Pen terá a quase inevitável consequência da saída da França da União Europeia. A consequência disto, aliada à saída do Reino Unido, que sempre era o fiel da balança do eixo franco-alemão, será a do fim da União Europeia e do Euro, o encerramento das fronteiras, o fim do eixo franco-alemão e a aliança geopolítica da França com a Rússia, deixando a Alemanha perigosamente sozinha. Um cenário já visto num passado não muito longínquo e que não trouxe nada de bom. Para Portugal, será o regresso de uma economia integralmente doméstica, mas já sem as facilidades da Ryanair e do turismo, que é o vai aguentando isto. Neste contexto, ver um sujeito com elevadas responsabilidades políticas, como Manuel Valls, considerar altamente provável que Marine ganhe as eleições de 2017 por causa de Trump, é de uma estupidez cavalar. Em vez de procurar as razões da possível derrota no seu país, no país que governam há décadas, atira para cima dos EUA. É uma atitude miserável e cobarde. Ou melhor, uma atitude de um cobarde miserável.
Carta aberta aos britânicos e outros súbditos da Rainha do Reino Unido
Súbditos da Sua Alteza Real, Elizabete II, a Rainha do Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Barbados Granada, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lucia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Nevis e Chefe da Commonwealth,
Venho, por este meio, pedir desculpa pelo comportamento inadequado do nosso presidente da república perante a vossa rainha. Quando o escolhemos para o cargo tomamos em consideração todas as alternativas. Sabíamos que os candidatos sofriam de perturbações mentais graves, por isso optamos pelo que nos pareceu capaz de comer com faca e garfo e com a boca fechada durante grande parte do tempo. A função do presidente da república de Portugal é a de legitimar os bananas do governo e fazer cumprir a constituição da república, um documento iterativo que vai sendo interpretado como aparentar conveniente num dado momento pelo colectivo de juízes que os partidos nomeiam (com a excepção de três, que são nomeados pelos próprios, que quando mija um português mijam logo dois ou três), daí que não seja importante escolher alguém que se saiba comportar.
Compreendo que estejam habituados a um sistema de ordenamento político diferente e que esperem encontrar chefes de estado que acumulam com palhaços apenas quando oriundos de países totalitários e notoriamente despóticos. No nosso caso é diferente: não é uma ditadura de indivíduos com fato de treino, é uma oligarquia judicial abençoada pelos grupos de comunicação social e pela apetência do português para o papel de corno.
O nosso presidente gosta de contar histórias que o incluam, como menino deslumbrado que ainda é, pronto para a selfie de ocasião e rendido aos afectos que tanto agradam aos progressistas, aqueles que não julgam o pecado e sim o pecador, para usar conceitos bíblicos de fácil compreensão. Se tivessem que escolher entre as alternativas com que nos confrontamos, talvez tivessem escolhido o candidato Tino de Rans, um calceteiro que seria ideal para o cargo não fossem os maus dentes. Anteriormente caímos no erro de eleger uma pessoa que comia Bolo-Rei com a boca aberta e juramos que não repetiríamos a dose.
Peço desculpa em meu nome e do das pessoas que se revêm na necessidade de explicar as tristes figuras do nosso presidente no estrangeiro. Por favor, não nos bombardeiem: já temos problemas de sobra com o badocha do primeiro-ministro que come hambúrgueres na boda do seu próprio casamento.
Respeitosamente,
VC
O tabu
Há umas almas que gostam de levar pancada. Há outras que gostam de dar. Presumo que algumas acumulam ambos os gostos. Fizeram-se filmes e livros dando conta dessa, escrevia-se, forma ousada e despida de preconceitos de viver a sexualidade.
Há outras que discutem a dicotomia homem-mulher e por via disso entendem que toda a humanidade os tem de acompanhar nessa fluidez das classificações.
Há os poliamor. Os bígamos. Os dos encontros às cegas…. E todos muito reivindicativos dos seus direitos quendo não da superioridade da sua opção ou circunstância.
Temos apenas um tabu: os homossexuais não podem deixar de ser homossexuais e pedir ajuda para isso.À partida esse propósito não me parece muito razoável e duvido muito da credibilidade do que se define como ajuda para esse fim. Mas é um completo absurdo a fúria inquisitorial que se abate sobre este assunto.
Da ética republicana pela voz da monarquia institucional
Se bem percebo, uma psicóloga não pode dizer uma frase sob risco de ter que deixar de exercer por ordem de alguém que se intitula jornalista das que escreve artigos laudatórios sobre os políticos com quem dorme.
É, é mesmo isso, percebi bem.
cenas dos próximos capítulos
Os resultados das políticas financeiras do governo parecem satisfatórios. Pelo menos é o que se conclui do facto da União Europeia aceitar o orçamento sem retificações e de não aplicar sanções ao país, suspendendo alguns fundos estruturais, como se temia. A União Europeia co-responsabiliza-se, deste modo, pelo que forem as consequências destas políticas, e ainda bem, porque se a coisa correr mal vão ter de se chegar à frente. Habitualmente, quem se “chega à frente” para pagar os erros e as asneiras dos governos somos nós, os contribuintes, e, em boa medida, o equilíbrio das contas públicas proposto pelo governo no orçamento de 2017, e que a UE aceitou, deve-se precisamente ao aumento de impostos. Nada de novo, porque é a receita habitual, neste e nos governos antecedentes. Mas o equilíbrio financeiro será sempre muito precário, se não houver desenvolvimento económico. E, aí, apesar do actual «modelo» económico do governo já pouco ter a ver com aquele que nos tentou impingir há um ano, já que é feito à custa das exportações e não do aumento do consumo interno (exactamente a mesma fórmula do governo de Passos Coelho), subsiste o problema de fundo: como é que Portugal pode crescer para pagar o seu passivo (a dívida) e gerar receita (poupança) para investimento e consumo privado? Não será certamente com impostos altos e falta de reformas políticas que isso acontecerá. De resto, o aumento das taxas de juros sobre a dívida pública diz-nos isto mesmo: os mercados financeiros (os financiadores de Portugal, para quem ainda não tiver entendido) não acreditam neste modelo económico e acham que ele falhará, a prazo, caso não seja invertido. E, por mais talentoso que seja António Costa a negociar, dificilmente convencerá os seus parceiros de coligação de que é necessário mudar ainda mais as anunciadas intenções iniciais. Há limites muitos estreitos para o que podem fazer partidos comunistas e de extrema-esquerda. Prestemos, então, atenção às cenas dos próximos capítulos.

Uma história portuguesa de pão gourmet e vinho de cânhamo sobre a mesa
Juca Melo esteve desde sempre ligado ao ramo da indignação. Ainda durante o curso lançou o movimento “Um Rabanete Para a Palestina”, uma iniciativa que visava a distribuição para Gaza de produtos agrícolas oriundos de cultura biológica em vasos na varanda e que, infelizmente, se viriam a deteriorar durante o estrito transporte sem corantes e conservantes. “São árabes, comem qualquer porcaria”, terá desabafado às trigémeas lésbicas e/ou activistas LGBT Ana, Joana e Banana. Já durante a… digamos… “governação” de Sócrates, trabalhou como figurante em inaugurações e consultor para eventos que necessitassem de uso de detonadores marca ACME, como os popularizados por Wile E. Coyote no documentário americano “Papa-léguas”. Quando o ministro do PSD e CDS, de nome Teixeira dos Santos, chamou a troika para nos desgraçar, Juca considerou ser a altura certa para se lançar no negócio que há anos o tentava, o da grândolação. Juca, o grândoleiro, não perdia uma oportunidade para grândolar os fascistas à frente das televisões. Grândolou em quase todos os distritos do continente, falhando apenas um ou dois para se deslocar às reuniões secretas de apoio ao doutor Rui Tavares para a formação do partido unipessoal Livre, Lda., o que viria a ter sede no 2º esquerdo em cima da escola de condução e que é a causa para agora contar a história de
empreendedorismo de Juca.
Em 2015 o povo falou e, como falou mal, o doutor Costa rectificou o discurso popular, decidindo que o que o povo queria, contra os seus próprios desejos de pachorrenta obsolescência, era que o coroassem primeiro-ministro. A contragosto, ponderando o grande esforço pessoal para abdicar de uma abrupta mudança de carreira para virar trabalhador mesmo, fez a vontade aos súbditos, enobrecendo a volumosa pose de estado que o persegue na pochete desde a hamburgueria gourmet da boda matrimonial. Juca Melo perceberia de imediato que, com a Santa Geringonça ao leme, não haveria espaço nem motivação para grândolar como dantes, nem sequer em Abrantes. Ainda considerou prestar serviços como guna sindical, mas tão esporádicas seriam as actividades recreativas dos comunistas que teria mesmo que acumular com outra actividade que permitisse pagar as contas e o imposto sobre imóveis proposto pela deputada Banana.
Há coisa de uma semana, tocou o telefone de Juca Melo. Era do 2º direito. “Arranjam bandeiras com suásticas?”, perguntaria a voz doce e quase emancipada do misterioso homem com calvície ligeiramente monástica. Uns dias depois, lá estaria Juca Melo e o antigo coro de grândoladeiros em protesto da acção fundamental para combater em definitivo e de uma vez só todo o Trumpismo mundial. Dessa vez foram uns vinte, mas se isto continua assim, num futuro não muito longínquo poderão ser uns vinte e dois. Foi uma escandaleira, com gente a enfiar dedos em orifícios para sensações olfativas, tempo de antena nas televisões e a galhofa generalizada da Patrulha Pata das redes sociais. Depois começou o jogo e o Ronaldo marcou dois.
Que engraçada é a letra dos cartazes dos “indignados” do 6 de Maio
Até parece que andou por ali redactor profissional. Curiosa é também a questão dos desalojamentos. Em que parte do 6 de Maio vivem esses desalojados? 
Depois dos deploráveis, os sem dentes
Tu é que és populista, meu amigo. Eu não, eu sou animalista
Reparei que ainda não escrevi absolutamente nada sobre Trump, só sobre as pessoas que têm imensa dificuldade em aceitar que este tenha vencido as eleições. Isto é interessantíssimo porque, realmente, sobre Trump, não há muito a dizer. Talvez quando mandar fechar Guantanamo ou quando pintar o muro do marido da Hillary que separa a California norte-americana da Baja Califórnia mexicana do Pacífico até às montanhas de San Ysidro, possamos ter uma ideia mais clara da política de Trump. Já da política dos opositores de Trump, os que querem tentar explicar às criancinhas como devem lidar com o fascismo sem o recurso de espelhos, muito haveria a dizer, mas chegou a hora de os deixar a sós com a baba dos espasmos.
Muito se diz do “populismo”, o maldito populismo. Alguém sabe o que é isso do populismo? Será um discurso que apela aos sentimentos dos eleitores levando a que votem no candidato que profere as coisas que os convencem? Se é, soa bastante parecido com o conceito comum de democracia ou, parafraseando Christopher Lasch, o populismo parece mesmo a autêntica voz da democracia.
O que é o populismo? É garantir que se fecha Guantanamo? É prometer acabar com a austeridade? É jurar bater o pé a Bruxelas livrando-se da Mortágua Varoufakis à primeira oportunidade? É categorizar tudo o que ainda responde como misógino, racista, islamofóbico, homofóbico? É denominar quem tem a audácia de pensar (mal, claro) por fascista e “homem branco não instruído”? Ou será populismo apelar ao voto generalizado em vez de o focar em eternas subcategorias minoritárias que, por falta de imaginação, foram crescendo dos residuais homossexuais para os inúmeros “de cor” até chegar a metade da população com “as mulheres”, isto sem sequer passar pelos carecas?
Com Trump, toda a gente decidiu dar atenção às propostas, ao “programa eleitoral”. Vamos começar a prestar a mesma atenção ao “programa eleitoral” dos chalupas que nos governam? Ao plano Centeno? Estamos mesmo preparados para isso? A resposta é não, porque, de outra forma, nada mais restaria que admitir que isto é tão irracional como ser adepto de um clube de futebol. Todos viveríamos melhor se perdêssemos essa mania de categorizar jornais como O Jogo ou A Bola de “desportivos”. O Público, a SIC, o Expresso e a TVI parecem muito mais interessados em golos e foras-de-jogo do que na vida das pessoas. Vai-se a ver, falta-lhes populismo.
Isto dá para o lado que der mais jeito
Noto que “ser misógino”, assim mesmo, com o verbo auxiliar “ser”, porque é uma condição imutável e genérica, é considerado mau. Um traço permanente, felizmente identificado e de livre atribuição que permite caracterizar estes vermes como eles merecem.
Razão parecem ter os fundamentalistas islâmicos, obrigando a que o casamento seja entre pessoas de sexo diferente. A lógica parece ser a da tolerância: é preciso saber viver com uma mulher em plena comunhão com o desejo de uma sociedade paritária, mesmo que preferisse viver com um moçambicano recordista do maior diâmetro de trajectória miccional. Digamos, quotas de género no casamento, tal como em empresas ou na função pública.
Agora que sabemos identificar racistas, fascistas, xenófobos e outras coisas ruins, é altura de perdermos o pudor de afirmar que o casamento gay é altamente misógino. Vamos fazer o mesmo exercício para xenófobos? É a vossa vez.
Os comentadores-proveta
Não se sintam insultados. Sintam apenas o abismo que existe entre as pessoas que vivem no planeta e as criaturas que os meios de comunicação social inventam em laboratório.
O que Trump pode fazer para destruir o legado de Obama (2)
Vermos instalados nos EUA um confronto entre populações e polícias por questões raciais. Declarações de estado de sítio, recolher obrigarório e intervenções das forças armadas para repor a ordem.
O que Trump pode fazer para destruir o legado de Obama
Reabrir Guantanamo
Entre os skinheads homofóbicos detidos pela PJ
estão aqueles que no ano passado espancaram uns homens na Festa do Avante?
Do «novo» proteccionismo dos EUA
Apenas após a eleição de Trump é que a comunicação social portuguesa começa a procurar escrutinar o programa/ideias do próximo presidente dos EUA. Antes apenas deram destaque aos casos e casinhos. E mesmo agora, ainda insistem em reproduzir abundantes clichés e erros factuais. Não tem emenda mesmo.
Por exemplo, quase não há comentador televisivo ou escrevinhador que não indique como aspecto mais negativo da nova era Trump, um potencial maior proteccionismo económico, ao invés do que se passaria com Hillary. Bem, infelizmente nenhum era defensor do comércio livre e na verdade ambos advogavam o proteccionismo.
Clinton criticized the auto provisions of the Trans-Pacific Partnership (TPP) trade deal. She said, “We can not let rules of origin allow China — or anyone else, but principally China — to go around trade agreements. It’s one of the reasons why I oppose the Trans-Pacific Partnership because when I saw what was in it, it was clear to me there were too many loopholes, too many opportunities for folks to be taken advantage of.” (*)
Partam isso tudo, pela democracia
Há violência nos Estados Unidos. Desta vez não são nazis, ultra-liberais, a extrema-direita, o Tea Party, os misóginos, os homofóbicos, os anti-aborto, os conservadores, os fanáticos por armas, os fascistas, os homens brancos sem instrução, os católicos, os apostólicos, os baptistas, os austeritários, os racistas, os Amish, os judeus, os capitalistas, os porcos. Desta vez são os democratas que não aceitam os resultados eleitorais, os seres superiores. Portanto, é violência boa, da que nos salva e expugna os nossos pecados.
Partam tudo. Tudo. Rebentem com essas montras, caixotes do lixo, candeeiros, carros, tudo para o nosso bem. Batam em brancos não instruídos. É que pessoas de Bem é outra classe.
Reciclagem de conhecimentos
Noto que é necessário fazer uma reciclagem aos vossos conhecimentos de terminologia, em concreto sobre os grupos que existem e os que não existem. Eis uma pequena ajuda para os nossos comentadores.
BRANCOS NÃO-INSTRUÍDOS
Pessoas brancas que não sabem votar.
MULHERES
Todas as pessoas do sexo feminino que não pertencem ao grupo de homens brancos não-instruídos.
MULHERES NÃO-INSTRUÍDAS
Não se diz, é ofensivo. Servem para melhorar os números pujantes do aborto, mas fora de um contexto muito específico, devem ser consideradas como homens brancos não-instruídos.
PRETOS INSTRUÍDOS
Não se diz, é ofensivo. Somos todos pessoas.
PRETOS NÃO-INSTRUÍDOS
Nem sequer poderia existir essa categoria, seu branco não-instruído racista.
RACISTA
Branco não-instruído.
RACISTA NÃO-BRANCO
Não há.
MULHERES INSTRUÍDAS
Todas as mulheres excepto as que são homens brancos não-instruídos.
Nota: já que sabem em quem votaram e votarão os brancos não-instruídos, poderão dizer-me em quem votaram os pretos não-instruídos? Obrigado.
Mas podia lá ser outra coisa
Sobre metodologias estratégicas para comer sem ser comido
A viúva negra, contrariamente ao que se imagina, é um aracnídeo vulgar em Portugal. A fama da fêmea desta espécie é a de comer o parceiro sexual, que é mais pequeno, e, como qualquer macho que se preze, disposto a correr risco de vida para espalhar a semente por papos-de-saia que encham os oito olhos. Porém, não é verdade que um único momento de prazer acabe invariavelmente em banquete canibal: a maioria dos machos, os que estão atentos ao mundo que os rodeia, é conhecedora do risco de ficar deitadinho a fumar cigarros mal termina o dever que a natureza lhe impõe. A maioria dos machos, os que não são trogloditas (para aracnídeos), piram-se a trote octópode assim que o apetite da fêmea passa da lascívia para a voracidade, deixando a fêmea sozinha para ir fazer uma omelete ou algo do género.
Contudo, nem todas as histórias de machos da espécie são tão felizes como a do típico macho, o que se pira para um bar manhoso para umas batatas fritas e cervejas antes de ir para a reunião do Ku Klux Klan das aranhas, aquele grupo que gosta da ideia de que Theridiidae são superiores às Theraphosidae. Alguns machos, os verdadeiros trogloditas dos aracnídeos, não prestam atenção devida aos hábitos alimentares da fêmea que pretendem emprenhar, abdicando de perceber se a fêmea já comeu uma bolachinha antes do sexo, minimizando o risco de os devorarem na sequência da petite mort. Estes acabam comidos pela experiente fêmea, que de monógama nada tem, habituada que está a devorar políticos e outras classes em notória ascensão na fauna lisboeta, como a hermafrodita garoupa.
A última vítima registada de canibalismo aracnídeo por bicho do vulgar tipo “viúva negra” foi esta.
Oferece-se (M/F) para análises
Como toda a gente faz uma análise pré-eleitoral e pós-eleitoral, sem qualquer correlação entre o que antes dissera e o que depois disse, decidi fazer como a manada e publicar uma análise pós-eleitoral.
Havia uma eleição presidencial marcada para ontem nos Estados Unidos. As pessoas que lá vivem, na sua grande maioria, sabiam disso. Os candidatos apareciam na televisão e toda a gente sabia que, como em todas as histórias, devia haver um herói e um vilão. Então, com este conhecimento, lá foram votar. Depois, começaram a contar os votos e houve um dos candidatos que teve mais do que os outros. As pessoas que foram votar deram, assim, a vitória eleitoral a um dos candidatos, uma sensação que várias pessoas vencedoras de eleições tiveram, mesmo que António Costa não seja um deles. Ora, o mais votado acabou por ser eleito presidente dos Estados Unidos. Pelos vistos, a maior parte dos que foram votar acabou mesmo a escolher o vencedor. O mundo está em choque e essas coisas, por acontecer uma coisa bizarra que é ganhar um tipo com mais votos.
E esta é a minha análise. Decerto que a considerarão digna de publicação num desses jornais que publicam análises. Ninguém terá coragem de afirmar que esta análise é desprovida de lógica e, muito menos, que está errada. Já o mesmo não se pode dizer do que dizem 99% dos comentadores. Uma pessoa malcriada até poderia dizer que os comentadores não valem um cu furado, mas eu sou uma pessoa educada, daqueles que acerta nas análises pré- e pós-coiso. Aguardo propostas de jornais: pior não fica.
Os deploráveis
Não se esqueçam
Antes de começarem com as histeria sobre a falta de institucionalidade do futuro presidente dos EUA lembrem-se que andamos a celebrar como enorme mais valia o facto de um presidente dar abraços, dançar, cantar que por ter vindo da televisão sabe comunicar. Tudo ao contrário do anterior que era uma bisonha criatura que reservava essas manifestações para a sua vida familiar e brindava o povo com umas austeras palavras sobre a realidade.
Notas
Um candidato era mau, outro péssimo.
Clinton era odiada. E com toda a razão. Era candidata perigosa;
Trump, como candidato, era um idiota chapado.
Fiquei super contente com a derrota de Hilary Clinton. Não fiquei satisfeito com vitória de Trump.
Trump conseguiu não prejudicar o Partido Republicano, que obteve maioria no Senado e Congresso.
O facto de muitos republicanos se terem afastado de Trump (eleito sózinho, sem apoios partidários) confere a ambas a partes maior independência e garantia de negociações. O que é bom.
A comunicação social é mentirosa e ignorante. A portuguesa, a americana, a europeia.

