Saltar para o conteúdo

das boas intenções…

4 Maio, 2012
by

“Afinal estamos ou não estamos perante um governo neo-comunista”, pergunta um leitor mais atiçado, em comentário ao meu post anterior. Na verdade, se considerarmos que o fim derradeiro do paraíso comunista é a extinção da propriedade privada, qualquer governo que retire dos bolsos dos seus cidadãos metade, ou mais de metade, dos seus rendimentos de trabalho (e isto considerando somente os tributos directos sobre o trabalho…), merece, no mínimo, o epíteto de neo-comunista utilizado pelo nosso leitor. Um governo assim está, sem dúvida, a meio caminho da terra prometida por Marx, e isto independentemente das boas intenções, mais ou menos liberais, mais ou menos socialistas, com que fundamenta a roubalheira. De resto, cheio de boas intenções está, como bem sabemos, este inferno em que vivemos há muitos anos.

imprudências

4 Maio, 2012
by

O ministro Vitor Gastar esclareceu hoje a pátria que anunciar descidas de impostos para 2015 ou 2016 (daqui por três ou quatro anos) seria uma “imprudência que não seria compreendida pelos portugueses e pelos parceiros internacionais”. Por mim, enquanto português, imprudente é continuar a asfixiar a economia por causa da bandalheira das contas públicas, sendo certo que estas só poderão sobreviver à conta da primeira. O ministro Gaspar repete, assim, o que antes dele disseram os seus antecessores, com os resultados que estão à vista de todos. Donde não é difícil concluir que, por este caminho de servidão, não estaremos em 2016 muito diferentes do que estamos, agora, em 2012.

sobre a concorrência

4 Maio, 2012
by

Todas as leis que protegem a concorrência são sempre leis que protegem, apenas e só, alguns concorrentes.

Proposta Legislativa:

4 Maio, 2012

Artigo Único: procede-se à extinção do Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares (OMAIAA) mediante a revoção integral da Lei nº11/97 de 21/05

.

Motivos: Analfabetismo económico, alarme social infundado, difusão de informação errada, nulidade do objecto social; funções do Estado não comportam a existência de departamentos governamentais de «observação»; desperdicio de fundos públicos dos contribuintes;

Escândalo do dia

4 Maio, 2012

Na república socialista há um escândalo por dia. O de hoje é sobre a repartição de margens nos produtos alimentares. Existe um tal Observatório dos Mercados Agrícolas que anda entretido em contabilizar as margens que cada elemento da cadeia de fornecimento tem. E parece que as margens dos hipermercados chegam aos 80% em produtos como a alface e aos 60% nas maçãs. E exige-se que as margens sejam iguais entre produtores e distribuidores, como se existisse algum direito universal à igualdade de margens numa economia de mercado. Estão aqui estão a fixar margens por decreto. Recomenda-se aos membros do observatório (constituído por políticos, produtores e sindicalistas) que saiam mais e leiam mais, ou então que abram uma frutaria, já que as margens são tão boas.

.

PS- Não é por acaso que nestas notícias são referidos sobretudo produtos perecíveis. É que estes têm custos de transporte, conservação e controlo de qualidade superiores e uma taxa de perdas elevada ao longo do processamento até chegarem à caixa do supermercado. As margens citadas pelo observatório não dizem nada sobre o lucro real do hipermercado que é obviamente muito menor que aquele que é citado.

Os meus descontos e os dos outros

4 Maio, 2012

Pedro Santos Guerreiro responde num comentário no Insurgente ao que escrevi ontem sobre o seu editorial. Alega que o desconto de 100% no Jornal de Negócios é um caso especial porque a edição é paga pelo anunciante.

.

Mas, claro, todos os negócios são especiais à sua maneira, e espera-se que o director de um jornal económico perceba isso. O Pedro Santos Guerreiro vende jornais a zero e diz que eles são pagos com publicidade. Já o Pingo Doce vende alegadamente com prejuízo, mas aí já não interessa contabilizar o valor publicitário da promoção. Ora, se o valor publicitário for contabilizado nos 2 casos deixa de haver qualquer diferença relevante entre eles.

.

No fundo o Pedro Santos Guerreiro avalia o seu negócio por uns critérios e o negócio dos outros por outros. Como se o negócio da distribuição não fosse mais complexo do que o simples comprar a X e vender a X+y. Há vários factores adicionais que têm que ser levados em conta na acção do Pingo Doce, incluindo escala das vendas nesse dia, valor publicitário, redução de stocks, aproveitamento da infraestrutura, redução de perdas em produtos em fim de vida, obtenção de cash e redução de custos de tesouraria. O que se esperaria de um director de um jornal económico era que fizesse, precisamente, uma análise económica destes factores em vez de cair na banalidade “vendeu abaixo do custo é anticoncorrencial”.

Dentro de vinte anos teremos cordões humanos a defender as promoções no 1º de Maio

4 Maio, 2012

Lembram-se quando o fado era fascista e o futebol um espectáculo alienante? Pois mas isso foi há muito tempo. Mais precisamente aconteceu quando eram jovens aquele que agora rasgam as vestes perante a desfaçatez do povo que foi a correr para o Pingo Doce. Esta oligarquia  que em Portugal define o que é bom e o que é mau  nunca reflecte sobre a intolerância que os caracteriza. Perante o despropósito do passado  sorriem com ternura e saudades de si mesmos e tal como há vinte ou trinta anos continuam a lançar os seus anátemas sobre a alienação do povinho. Mas como o tempo nunca pára e eles nunca mudam – apenas envelhecem – daqui a vinte anos evocarão com saudade e nostalgia as promoções do 1º de Maio do Pingo Doce, exigirão aos gestores dessa empresa que retomem aquelas promoções que fazem parte da tradição do Dia do Trabalhador e mostrar-se-ão muito chocados por o povinho preferir outra coisa quaquer. Não sei se será possivel dentro de 20 anos encontrar este post mas se alguém o  ler em 2030 verão que eu tinha razão.

Evento para ganhar dinheiro

3 Maio, 2012

A promoção do Pingo Doce está ser vista como uma acção promocional que deu prejuízo mas que tinha como principal objectivo obter lucros futuros. Mas tendo em conta a dimensão do evento (volume de vendas 5 vezes superior ao normal) é plausível que o objectivo tenha sido ganhar dinheiro com o evento. Como se ganha dinheiro com um desconto de 50%? Coordenando a promoção com os fornecedores. O aumento brutal do volume permite a todos, retalhista e fornecedores, reduzir as margens e ainda assim ganhar mais dinheiro que o habitual.

 

Cenas da imprensa económica

3 Maio, 2012

Quinta Feira, 26 de Abril de 2012: Jornal de Negócios é distribuído gratuitamente (desconto de 100%)

.

Quarta-Feira, 2 de Maio de 2012: Director do Jornal de Negócios está indignado com desconto de 50% do Pingo Doce

Porquê?

3 Maio, 2012

«O Pingo Doce no Parque Eduardo VII. No 1º de Maio a Feira do Livro estava cheia de gente que se acotovelava nos corredores, procurando beneficar de promoções elevadas, várias vezes superiores a 50%, em stands onde trabalhavam diversas pessoas durante longas horas. 1º de Maio, pessoas a trabalhar, caos generalizado, promoções vistosas, aparente “dumping” das editoras. Nem uma palavra – uma – nas redes sociais, nos jornais, nos media, nos blogs. Porquê?»  – pergunta-se no Delito de Opinião

O melhor é termos umas cadernetas para ir às compras como em Cuba

3 Maio, 2012

Uma afronta aos nossos valores

Uma cedência ao consumismo

Um aviltamento de um dos dias mais importantes na vida de milhões de portugueses

Uma tentativa de desviar as pessoas dos caminhos da autenticidade para os atalhos do capital


Ler mais…

Se o Insurgente é, nós também

2 Maio, 2012
Hoje, no twitter, o Pedro Sales escreveu «a assembleia da república não permite acesso ao blog Insurgente. considera-o um site de ódio. por uma vez, de acordo».(*)

.

Partindo do pressuposto que a informação é fidedigna (pois, salvo erro, Pedro Sales é assessor parlamentar do BE), teremos então uma novidade assombrosa:  a Assembleia da República tem um filtro para acesso à internet.

E em consequência, ficam as dúvidas legítimas: quem controla tal filtro? Quem decide o que é impedido de ser consultado? Quem classifica os sites? Que outras categorias (para além de «ódio») existem e que sites constam? A restrição de acesso é geral (para todos quantos acedem por intermédio dos servidores do parlamento) ou trata-se apenas de uma restrição/classificação realizada no interior do grupo parlamentar do BE? Os deputados sabem que existe tais restrições? Os deputados conformam-se por terem alguém que decide o que eles podem ou não aceder? Os deputados aceitam a classificação dos sites que se encontram proibidos de consultar? Os deputados são livres?

.

Quanto ao impedimento/classificação (aparentemente temporário, o que não retira as questões acima), pessoalmente, fico ciumento. Sendo o Insurgente e o Blasfémias dois blogs que tem como essência a defesa da liberdade, já há longos anos, em  liberal concorrência, camaradagem e tantas vezes recíproca complementariedade  e saudáveis divergências,  não sei o que me é mais desagradável: a censura ou o desprezo.

Cegueira ideológica – II

2 Maio, 2012

A da ministra Cristas: «Supermercados: Ministra tem planos para evitar promoções inesperadas»

Cegueira ideológica

2 Maio, 2012

Há muitos anos que o 1º de Maio é uma celebração corporativa  afecta ao PCP e a que o PS quando está na oposição dá importância. É um direito que lhes assiste mas que se pudessem transformavam num dever para todos. Todos os anos é a mesma ladaínha: foi pouca gente porque fazia chuva. Foi pouca gente porque fazia sol. Os jornais, rádiso e televisões enchem-se com os discursos dos dirigentes sindicais e de umas pessoas com ar de reformadas e pronto cumpre-se o ritual com os desfiles cada vez mais rarefeitos e as bandeiras a  tapar as clareiras. Ao contrário da Igreja que averigua, estuda e não esconde que está a perder fiéis, a perda de influência dos  sindicatos é um tabu: não se pode dizer que não representam quase ninguém e que o 1º de Maio é apenas um dia em que não se trabalha.

Com a crise enfiou-se na cabeça destas almas que as massas desfilariam atrás das suas bandeiras. Há meses que aparecem uns profetas do apocalipse anunciando barricadas, tumultos e montras partidas. E claro um 1º de Maio de luta. Pois aí tiveram a luta por que andavam a reclamar: as massas acorreram ao Pingo Doce. Não para o escavacar mas sim para aproveitar uma promoção que só pode ser menosprezada por aqueles que têm emprego garantido para toda a vida ou grandes contas bancárias.

Os sindicalistas com promoções automáticas na função pública  e os jornalistas que pagam o triplo do preço pelos produtos nas lojas ditas tradicionais estão para o mundo do trabalho como as senhoras da Obra das Mães estavam para as famílias numerosas: defendem um modelo de sociedade  que só existe na cabeça deles. As senhoras da Obra das Mães após as incursões pelos bairros operários a exaltar a virtuda das famílias numerosas regressavam às suas casas onde as esperavam  as suas pequenas famílias que isso de ter muitos filhos não se lhes aplicava. Já esta espécie de frente de esquerda que hoje se escandaliza por as massas terem acorrido a fazer compras ao Pingo Doce estaria exultante se uma montra tivesse sido partida numa manifestação dita contra a crise. Um extremistas de direita e de esquerda que atiraram pedras uns aos outros foram tratados com mais respeito pela comunicação social do que as pessoas que encheram carrinhos com as compras a metade do preço. Para a nossa comunicação social atirar pedras é ideologicamente coerente. Comprar o mais barato possível é coisa de bimbos.

Enfim, por cegueira ideológica os jornalistas-filhos de Boaventura Sousa Santos ficam desconcertados com a realidade e os sindicatos estão a perder influência. Defender os trabalhadores e os mais pobres  passava por ontem ter defendido esta iniciativa do Pingo Doce e ter perguntado porque não fazem os outros supermercado o mesmo.  Eo resto é conversa.

1º de Maio subversivo (II)

1 Maio, 2012
by

Tal como a cultura é – ou pode ser – um excelente negócio, também a política pode propiciar excelentes campanhas de marketing, das quais decorrem, naturalmente, proveitosos negócios.

Alexandre Soares dos Santos (esse malvado que mudou a sede da holding para o “paraíso fiscal” holandês, lembram-se?…) e a sua cadeia Pingo Doce fizeram um apelo ao trabalho no dia do trabalhador. Os sindicatos não gostaram e apelaram ao boicote por parte dos consumidores. Estes – que serão maioritariamente trabalhadores – mandaram-nos às malvas, marimbaram-se para as “manifs” (o “fascista” do S. Pedro também mostrou mais uma vez que está feito com o grande capital…) e plantaram-se às entradas dos supermercados Pingo Doce em longas filas, suportando estoicamente a intempérie para beneficiar de descontos nunca vistos. Numa vergonhosa traição à classe, numa cedência inadmissível à alienação consumista e ajudando o infame capitalismo a mostrar que é possível a confluência de interesses entre classes ditas antagónicas.

Não sei se estaremos perante a verdadeira concertação social, mas isto é de facto hilariante.

Crescimento III

1 Maio, 2012

Factores que afectam o crescimento: demografia. O que é chato. A dinâmica demográfica é uma dinâmica de longo prazo, pouco sensível a engenharias ou a subsídios.

Não havia necessidade….

1 Maio, 2012

… de fustigar as empresas e os cidadãos com tantos sacrifícios.
Hoje no Correio da Manhã.

1º de Maio subversivo

1 Maio, 2012

PALHAÇADAS

30 Abril, 2012

Por muito que a gente veja, ainda há momentos em ficamos surpreendidos.

.

Um dirigente de um clube não paga salários há meses aos seus jogadores. Um caso de polícia, pois não pagar salário devido é objectivamente roubo. Os jogadores, como é de bom tom, fartaram-se de ser explorados e foram-se embora, com justa causa. O dito dirigente, em vez de andar envergonhado, ou tentar mostrar que tudo tem tentado para cumprir as mais básicas obrigações, ainda insulta e ameaça os seus ex-trabalhadores: «Esses jogadores são desertores. Os tribunais vão funcionar. Tudo o que fizeram é ilegal, ninguém podia faltar ao jogo de hoje». E numa espantosa inversão de papéis – tal é o seu estado alienado e de pertubação mental –  ainda os ameaça: «há dois casos em que vão existir arrestos de bens com providências cautelares» (*)

Obviamente, tal pertubação discursiva, ou falta de vergonha chapada, não é caso isolado e apenas se poderá tentar entender num clima social/empresarial de impunidade e inversão de valores, a coberto da protecção da entidade que supervisiona aquela actividade económica. Esta, ao invés de pugnar pelo cumprimento das mais elementares regras de funcionamento, de sã concorrência e mesmo de imagem e prestigio da actividade que organiza, parece comprazer-se em acrescentar ao mau, o péssimo, pois que o seu presidente, podendo ter ido ao estádio exigir que se cumpra a lei e os regulamentos e colocar um pouco de ordem na imagem da actividade que dirige, antes optou por criticar os ex-trabalhadores que não recebem há meses dizendo «Alguém vai ter de me explicar o que ganharam os jogadores  da União de Leiria pelo facto de terem faltado ao jogo» (*). Já que não percebe, melhor será fazerem-lhe um desenho….

A acrescentar a tudo isto, esse já celebre Bartolomeu diz que andava com malas cheias de dinheiro e acusa um seu funcionário de o ter roubado. Este prontamente retorquiu dizendo que o dito Bartolomeu está a mentir. E hoje ficamos a saber que esse mesmo jogador «renovou» contrato com a União de Leiria! Do melhor!

Uma novela emocionante!  Terá entregue a mala? A mala existia? E tinha papéis ou dinheiro? O roubo foi ou não mentira? Afinal não era mentira ou confirma-se a «inverdade»? A não perder os próximos capítulos.

O crescimento II

30 Abril, 2012

O que faz com que o Japão cresça a taxas cada vez mais baixas? Será que ainda não lhes explicaram  que têm que apostar no crescimento?

O crescimento

30 Abril, 2012

É uma cena típica do comentário político português: a dada altura o comentador diz que só há solução com “políticas de crescimento” ou se fizermos uma “aposta no crescimento”. É uma sarna universal, que afecta todos, desde a extrema esquerda à extrema direita. Nenhum dos proponentes desta via passa 5 minutos a pensar o que é o crescimento económico, quais as suas causas ou porque é que há mais de 10 anos que o país não cresce decentemente. Muito menos nos consegue explicar como é que uma economia que não cresceu durante mais de 10 anos vai subitamente começar a crescer apenas porque passamos a ter uma política de crescimento. E antes não tínhamos, é?

Impressões

29 Abril, 2012
by

Remodelação

Há pelo menos uma pasta que poderia beneficiar com uma mudança. O problema que se coloca é que quem entrasse agora teria que conseguir aguentar três anos. Ler mais…

campeões

29 Abril, 2012

Preferia que o Futebol Clube do Porto não tivesse ganho o campeonato por falta de comparência do adversário nem num dia em que uma equipa jogou com 8 jogadores (sem que a culpa fosse da arbitragem), mas não se pode ter tudo.

Novo dicionário da língua de pau

29 Abril, 2012

Língua de pau

Tradução

Austeridade

..

Ter défices superiores a 5%
Moderar a austeridade

.

Permitir que o défice seja de 8%
Política de crescimento Contrair dívida para despesa corrente ou projectos inúteis

.

Política imposta por Merkel Merkel não salva países irresponsáveis sem contrapartidas

.

Rendas excessivas Custo dos maus investimentos do Estado em projectos inviáveis

.

Política monetária orientada para o emprego Meter a impressora do BCE a funcionar

.

Fazer chegar o crédito às empresas Manter a economia da dívida a funcionar

.

Falta de sensibilidade social Tendência para não desbaratar dinheiro público

.

Motivos ideológicos Motivos não socialistas

.

Hollande e a reforma aos 60 anos

28 Abril, 2012

Porque é que Merkel quer orçamentos equilibrados?

28 Abril, 2012

Não há donos do regime nem pais da pátria*

28 Abril, 2012
by

O que significa interrogarmo-nos sobre se é necessário um novo 25 de Abril? Significa o mesmo que perguntarmos se é preciso um novo Salazar. Por trás de ambas as interrogações está a mesma pulsão antidemocrática, a mesma recusa dos naturais defeitos dos regimes democráticos e o mesmo desejo de impor uma determinada via política sem respeitar as escolhas dos portugueses.

Já sei que muitos vão ficar indignados com a comparação, mas ela tem, do ponto de vista do respeito pelos princípios da democracia, toda a pertinência. Por uma razão simples: ou consideramos que o 25 de Abril foi uma revolução democrática, que devolveu a voz ao povo português, ou consideramos que ele foi mais do isso, que foi também um projecto político com um programa específico, independente da vontade desse mesmo povo português. Aparentemente é isso que pensam os que, por estes dias, proclamaram que “o poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores”. Mas que ideais? E que valores? Os do Estado de direito democrático? Não, não é essa a acusação. A acusação não tem a ver com atentados à liberdade ou abusos de poder que façam perigar as regras da democracia. A acusação refere-se antes a políticas concretas – às políticas com que não concordam aqueles que se têm por donos do “espírito do 25 de Abril”.

Ler mais…

Hollande e Portugal *

28 Abril, 2012
by

François Hollande não será propriamente o protótipo de um bom candidato. É acinzentado e não empolga facilmente, tendo um estilo de comunicação pouco vincado. Quando tenta ser mais assertivo, o seu discurso parece sempre um pouco forçado, sem transparecer a convicção suficiente que, de imediato, atinja e entusiasme, pelo menos, os seus apoiantes. É e sempre foi um homem refletido e um político de bastidores. Até mesmo dos bastidores da sua ex-mulher, e também ex-candidata, Ségolene Royal. No entanto, tem ideias, é respeitado e, sobretudo, poderá dar um bom Presidente. Um Presidente de que a França e, sobretudo, a Europa, neste momento, precisam. Hollande parece ser, em certos aspetos, o contraponto de Sarkozy: este sempre foi um ótimo candidato e prometia ser um verdadeiro estadista. Sugeria ter capacidade de liderança, com ideias próprias e com um certo sentido estratégico que o levaria (a ele, à França e à Europa) ao reencontro de uma retoma estrutural. Para mim, sobretudo após o primeiro ano de Presidência (e de “estado de graça”), acabou por desiludir. Principalmente na Europa, aceitando ser uma espécie de cônjuge menor do casal “Merkozy”.

Ler mais…

In memoriam

27 Abril, 2012
by

História de um encontro/desencontro com Miguel Portas em Maio de 1974

François Hollande desafia imprensa portuguesa:

27 Abril, 2012

«“Les étrangers qui sont en situation irrégulière seront reconduits à la frontière”, a-t-il affirmé. “Je ne peux être plus clair.” (*)

«François Hollande a jugé ce matin “indispensable” une “limitation de l’immigration économique” en période de crise» (*)

Recordar Vieira de Carvalho

27 Abril, 2012
by

Hoje, pelas 21.30h, no âmbito de uma justíssima homenagem a uma das figuras mais relevantes da política nortenha, José Vieira de Carvalho, estarei na Câmara Municipal da Maia para falar sobre o tema: “Que sentido para a Regionalização num contexto de crise económica e financeira”.

Unanimemente irresponsáveis

27 Abril, 2012

»Todos os partidos com assento parlamentar defenderam hoje na Assembleia da República que as escolas devem começar a dar com «urgência» o pequeno-almoço a crianças que chegam às aulas sem comer, mas dividiram-se sobre a forma de concretizar a medida. O plenário dos deputados debateu hoje três projetos de lei dos Verdes, Bloco de Esquerda e Partido Socialista sobre esta matéria e um projeto de resolução conjunto do PSD e do CDS que recomenda ao Governo «que pondere a criação de mecanismos que garantam o acesso a uma refeição matinal aos alunos cuja situação de carência lhes impede o acesso em casa». – Realmente é assustador que todos os partidos tenham estado de acordo nesta matéria. Em primeiro lugar porque muitas crianças chegam à escola sem comer agora em 2012 tal como outras chegavam antes por exemplo em 2009 pela prosaica razão de que as suas famílias têm mais problemas de funcionamento do que dinheiro como in illo tempore explicou Ana Jorge

Em segundo lugar passar a dar o pequeno-almoço na escola às crianças  implica estatizar ainda mais a sua educação. Se há famílias que não podem dar o pequeno-almoço aos seus filhos essas famílias devem receber dinheiro, géneros…. para o fazer. Mas em casa. Que é onde se deve tomar o pequeno-almoço. E dado por quem o deve dar: a família.

Mais uma promessa esquecida

26 Abril, 2012
by
APED: Nova taxa “pesará sobre todos os consumidores e no preço dos alimentos”
 
Duas ilacções se podem tirar sobre mais este escabroso imposto sobre a produção:
  1. O governo denota uma tendência doentia a mostrar-se “popular”, em vir de encontro à demagogia do BE, em provar que também odeia as grandes superfícies, essas entidades perversas que só têm penalizado os cidadãos. É uma “medidinha” muito à imagem de Assunção Cristas, um dos governantes mais incompetentes, sempre a visar o efeito-propaganda com declarações e decisões supostamente simpáticas, mas fúteis;
  2. Mas bem mais preocupante, é que esta medida pode indiciar alguma impotência e o baixar de braços do governo na redução da despesa. E um temível retorno ao modelo que nos faliu, pondo a actividade produtiva a financiar entidades rentistas, tipicamente do sector não transaccionável.

Mas será que não se pode extinguir o ministério da Cristas?

O bruáaaaa

26 Abril, 2012

Independentemente da qualidade ou da falta dela do discurso de Cavaco Silva neste 25 de Abril há um fenómeno a destacar: com o PS na oposição o PCP e  sobretudo o BE estão voltam a viver dias felizes nas redacções e Cavaco tornou-se no bombo óbvio da festa dessa renovada FUP. A reacção ao discurso de Cavaco deste ano é um exemplo da capacidade que essa aliança tem para lançar slogans. O discurso de Cavaco deste ano insere-se no registo que adopta nas suas intervenções nesta data.  Bastava ler os discursos dos anos anteriores para o perceber. Por exemplo os  2011 e de 2010.  Mas a FUP editorial é quem mais ordena e assim um jornalista pergunta/afirma a um activista que a escola da Fontinha é um sonho que não pode ser interrompido, outra declara que a segurança e a emigração são temas populistas, outros não conseguem noticiar as novas acusações a José Sócrates no âmbito do processo Freeport  e está assente que Cavaco ignorou a crise.  Em boa verdade ignorou-a ou valorizou-a tanto quanto nos anos anteriores. Mas o bruáaaa diz que não.

E se em 74?…

25 Abril, 2012
tags:
by

Não tem havido revolução ou esta tivesse sido dominada?

Sem 25 de Abril, o mundo não evoluiria de forma muito diferente. A guerra colonial teria de ter uma solução política, sob pena de o país acentuar a sua situação de pária à escala internacional. A então CEE e os gringos derrotados no Vietname, mas a não quererem perder a África Austral para a órbita soviética, constituiriam o isco e a pressão à negociação política. Uma evolução política à espanhola seria incontornável.

Evitaríamos Vasco Gonçalves e as suas ruinosas nacionalizações; as imbecilidades de Otelo e de toda a restante tropa fandanga; o socialismo na Constituição e o Estado Social criado por decreto; o endividamento galopante e, quiçá, os resgates pelo FMI.

A alternativa ao 25 de Abril seria essa, não a perpetuação do regime. E hoje estaríamos indiscutivelmente melhor, sem ter de aturar estes patéticos rituais beatíficos das comemorações. E afinal para comemorar o quê???

Estado da Nação

24 Abril, 2012

Trinta e oito anos depois do 25 de Abril, Portugal caracteriza-se por salários de miséria, uma insuportável carga fiscal e uma economia decadente. Os sucessivos governos não só não têm resolvido estes problemas, como têm contribuído para o seu agravamento. Os sucessivos Parlamentos vêm produzindo legislação que em nada melhora o funcionamento do país. Além de que não fiscalizam a actividade governativa, antes sendo correias de transmissão dos directórios partidários.
Os partidos, por sua vez, raramente dizem o que pretendem para o país. E, das poucas vezes que assumem o que querem, chegam ao poder e fazem exactamente o contrário.

Como é que se muda isto?

24 Abril, 2012
by

Quem lê a imprensa portuguesa, ouve as nossas rádios e vê as nossas televisões vive num mundo paralelo onde se chora, a cada segundo, a falta de mais socialismo.

É por isso que é interessante ler quem pode ir lá fora respirar outros ares. Como sucede neste texto de João Carlos Espada, ontem, no Público (sem link). Leiam e depois pensem em como se poderá mudar isto:

Surpresa no Brasil, choque em Portugal

Quando se chega a uma certa idade, pensamos que já nada nos vai surpreender. Esse era certamente o meu estado de espírito quando há precisamente duas semanas aterrei em Porto Alegre, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Não era a primeira vez que visitava o Brasil, embora fosse a primeira visita a Porto Alegre, e não havia motivo para esperar grandes surpresas. Mas enganei-me redondamente e, ainda agora, no rescaldo da viagem, tenho dificuldade em ordenar o turbilhão de impressões que esta viagem me deixou. Ler mais…

Os Intocáveis

24 Abril, 2012

“Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias.” Ler mais…

Já agora um obrigado também vinha a calhar

24 Abril, 2012

Sobre as nomeações políticas para o Constitucional e também sobre as ausências de Mário Soares, de Manuel Alegre e da associação 25 de Abril das comemorações oficiais do 25 de Abril falei ontem na TVI24.

Os  ‘capitães de Abril” têm de facto pouco a ver com este regime. E eles são os principais beneficiários disso como bem se vê por esta fotografia que retirei do Sol e que é semelhante a tantas outras em que ao longo dos anos os “capitães” aparecem: cravo ao peito e todos irmanados no que designam por espírito de Abril. Mas quem lhes deu esse espírito foi precisamente este regime que eles não cessam de criticar por desvirtuar o tal Abril. Mas não fosse este regime que tanto criticam e muitos deles não estariam nesta e noutras fotografias.

Sejamos claros: de Abril de 1974 a Novembro de 1975 estes homens não só nunca conseguiram explicar o que era o espírito de Abril como acabaram trasnformados em chefes de milícias que olhavam para Portugal como uma espéce de recreio para eles brincarem com os seus carros de combate. À excepção de Melo Antunes e poucos mais não se percebia o que diziam e muito menos o que pensavam sendo que aquilo que diziam e pensavam era muito volátil. Governar era para eles fazer leis cheias de frases pomposas que depois passariam à prática por mecanismos que não lhes interessavam. Sabiam de guerra, arrumar homens no terreno mas não distinguiam a política da acção psicológica. Felizmente para nós e para eles que o país nunca cumpriu o que eles agora  dizem que então pensavam.

O país tem uma dívida para com os   ‘capitães de Abril”  e de Novembro mas estes têm também uma dívida para com o país que os salvou deles mesmos.

Leviandade ou inconsciência?

23 Abril, 2012

A ministra Cristas acho que não sabe bem, nem tem consciência do que diz.

Para defender o indefensável –  a criação de uma nova taxa, desta feita sobre os produtos alimentares – afirmou que «Se isso não for feito temos embargo de certas produções. Tem de ser feito o controlo de toda a sanidade».

O cidadão depreenderá das suas palavras que não está a ser feito o controle sanitário «de certas produções».  Certamente o consumidor gostaria de saber, exige mesmo – que se saiba quais as produções nas quais não está a ser feito o devido controle sanitário e que correm o risco de embargo por parte de terceiros países mais exigentes. A bem da saúde pública. Ou então a ministra disse aquilo levianamente, apenas para forçar a aprovção da sua iniciativa legislativa sacadora de recursos dos cidadãos.  Num caso ou noutro, é asneira grosssa.