Rendimento Básico Incondicional Para Todos É Utopia
Levanta-se todos os dias bem cedo, faça sol ou chuva, com ou sem vontade, às vezes até sentindo-se doente para não perder o dia de trabalho? Paga transporte para passar 8 horas às vezes mais dedicados à sua profissão? Priva-se de feriados e fins de semana, faz turnos e nem sempre pode gozar as férias como lhe dá mais jeito, e tudo isto durante 365 dias para receber salário mínimo ou pouco acima? Então tenho boas notícias para si: o Governo anda a discutir o Rendimento Básico Incondicional para todos que vai lhe garantir sobrevivência mesmo que não faça ponta dum corno. Não é maravilhoso?
Nunca a sociedade evoluiu tanto. Agora até já se idealiza pôr as pessoas a não fazer nenhum mas receber por isso, ou seja, a máxima socialista que prevê que sejamos pagos pelo Estado para apenas respirar e votar, para ele, como um “bom pai”, tratar de nós e das nossas necessidades sem mexermos uma palha!!!
Ora, é lógico que 400 euritos não dá para muito mas pense bem: não tem de mover um único músculo todos os dias da sua vida, não gasta em transportes, refeições, em oficina (se tem de usar carro), não desgasta tanta roupa nem calçado para trabalhar! Fica em casa sossegadinho sem fazer despesas extras a ver TV, tomar uma bica no café enquanto joga cartas ou ir passear o cão.
Lógico também que para tal o Estado que não produz riqueza nenhuma terá de taxar mais as empresas, o imobiliário, as poupanças, o contribuinte (os burros que restarem) e ainda inventar outras dezenas de impostos para poder sustentar os 10 milhões de habitantes neste rectângulo à beira mar. É óbvio que o nível de vida vai ficar muito mais elevado e os 400 euritos ao estilo da Venezuela, mal darão pra comprar leite e ovos. Mas isso também não será problema porque o socialismo logo logo terá uma solução para isso criando uma moeda virtual que ajude a fingir que temos dinheiro. Como Nicolás Maduro esse génio socialista, estão a ver?
E depois as empresas e os investidores vão fartar-se de serem esfolados pelo governo para sustentarem sozinhos a população toda de Portugal. Mas isso também não será problema porque irão empreender e investir para fora abandonando este paraíso socialista para desenvolver e enriquecer outros países capitalistas, sem problemas porque a malta lá fora até agradece a vinda desses “exploradores”.
Com a desertificação empresarial fica o Estado sozinho e seus contribuintes a sustentarem-se mutuamente o que será muito giro pois ficaremos todos iguais na pobreza extrema com o governo cada vez mais autoritário para impedir a fuga dos seus cidadãos em busca de alternativas à fome e morte certa. Como na ex Alemanha de Leste ou nas actuais, Coreia do Norte, Cuba ou essa maravilhosa Venezuela.
Porque sustentar 10 milhões de pessoas é uma utopia que fica caro, ah! pois é. Neste brilhante artigo (leia aqui) do meu colega Carlos Pinto Guimarães foi feita a conta a essa despesa para menino da primária compreender. E só não vê quem não quer.
Dizer sim ao RBI é assinar uma sentença de morte ao próprio sistema democrático em que vivemos que mesmo doente ainda não chegou ao nível da Coreia do Norte, da Venezuela ou Cuba.
Porque quando um governo quer introduzir uma medida destas está apenas a querer dissimuladamente dominar um povo inteiro que sob o ópio de não produzir mas receber por isso, não verá que é apenas um passo para o controlo total e absoluto das suas vidas.
Quer ver o resultado magnífico desta experiência? Aplique em casa aos seus filhos e fique à espera que se façam à vida.
E à conta do sonho criamos um pesadelo
“É justo acabar com os sonhos de todas estas pessoas?” – pergunta a Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade numa aberta aos juizes do Tribunal Constitucional, depois de saber pelo Expresso que os magistrados se preparam para chumbar a lei da gestação de substituição v ulgarmente conhecida como “barrigas de aluguer”. Esta conversa do roubar do sonho é de desonestidade absoluta. Cada um de nós pode ter sonhos sobre ser e ter. Mas não podemos legitimar os nossos sonhos à conta dos direitos dos outros. Os adultos não podem garantir os seus direitos à conta das crianças.
Por qué se han callado?
sobre o que disse o cardeal patriarca de lisboa
Enquanto o país rural se entretém a dissecar a vida privada de um dos poucos políticos decentes que por aí andam, Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, teceu considerações sobre a vida íntima de muitos portugueses, o que lhes tem merecido muito menos atenção. Num post, intencionalmente chocarreiro, que, sobre o assunto, escrevi na minha página do Facebook, o João Titta Maurício, uma pessoa que aprecio por saber pensar, acrescentou-lhe alguns comentários em defesa da posição tradicional da Igreja Católica, que é o que agora me proponho debater.
Começo por dizer que entendo a doutrina católica sobre a indissolubilidade do sacramento do matrimónio: pois se este é um compromisso livremente assumido pelos nubentes na presença de um padre, o mesmo é dizer, de Deus, como poderá um vínculo destes ser anulado pelos homens? A resposta da Igreja é simples: não pode. E, ao que julgo estar informado, nenhum matrimónio validamente celebrado e consumado pode ser anulado. Pode, isso sim, ser declarado nulo, ou seja, não gerado, ou seja, constatada a sua inexistência plena. Todas as causas da nulidade do matrimónio católico são, segundo a Igreja, motivos para considerar inconcluído o sacramento, pelo que a intervenção humana será, aí, a da constatação desse facto e não a da sua alteração ou transformação, uma vez constituído.
E quais são as consequências, segundo a mesma doutrina, para quem se vincula pelo sacramento do matrimónio e, por qualquer razão, rescinde o seu contrato civil de casamento? Perder o estado de graça, isto é, tornar-se num pecador, e, consequentemente, não poder aceder ao sacramento da eucaristia e ficar, por esse motivo, com uma capacidade de exercício da sua condição de católico muitíssimo reduzida. Não ficará fora da Ecclesia, como bem observou o João, mas ficará muito limitado na sua condição de católico. Desde logo, porque se não repuser integralmente a sua situação matrimonial, não poderá retomar o estado de graça, isto é, morrerá na condição de pecador. E o que tem a Igreja a oferecer a estas pessoas? A oração, o arrependimento, a distanciação da vida mundana, para o que D. Manuel Clemente sublinhou a abstinência sexual, mesmo para os que, sendo católicos, procuraram refazer as suas vidas casando-se com outra pessoa.
Pois bem: é aqui que não bate a bota com a perdigota. Se a doutrina considera suficientes duas declarações de vontade livres para que se forme o vínculo matrimonial, em que condição fica uma pessoa que é, por exemplo, traída ou abandonada pelo seu cônjuge, violando este gravemente as suas obrigações e deveres matrimoniais? Deve, estoicamente, aguentar, para não ficar numa situação que a poderá conduzir ao pecado? Deve abandonar a possibilidade de realizar a sua existência com outra pessoa, para não cair em pecado? Ou, no limite do absurdo, como sugeriu Sua Eminência, poderá até casar-se, desde que não se relacione sexualmente com o seu parceiro?
Parece-me evidente que ninguém pode ser condenado pelo que não fez, e se não for responsável pela dissolução do casamento, não compreendo como deverá alguém ser condenado ao pecado eterno pela renovação desse contrato. Ademais, faz-me uma certa espécie que a cópula sexual livre e consentida por dois cônjuges que se amam possa ser considerada fonte de desrespeito de um sacramento sagrado, quando este se tornou moralmente insustentável. Ou, pior ainda, que actos que tornem impossível a subsistência digna e moral de um vínculo entre duas pessoas não possam ser mais do que suficientes para que o perdão de Deus seja declarado a quem o pedir e, no limite, obriguem as suas vítimas a viverem na imoralidade para manterem o «estado de graça».
Termino dizendo ao João aquilo que ele certamente não ignora: que, sendo eu um «católico geográfico», porque nasci em Portugal e sei compreender o relevante papel da Igreja e da fé na consolidação de um sentimento comunitário (bastaria, se não o tivesse intuído, ler o Herculano para o perceber), sou agnóstico e não tenho uma particular admiração pela relação que a Igreja Católica tem com a sexualidade humana. Não pelos episódios de pedofilia que desgraçadamente a têm atingido ou pela duplicidade de muitos sacerdotes que estão imensamente distantes do que pregam sobre essa matéria. Uma verdade, para que o seja, basta-se a si mesma e não precisa que os que a declaram a professem. Mas o que me chateia mesmo é que o sexo, ainda que amorosamente vivido, possa ser causa de pecado irredimível, a não ser pela negação da condição humana.
Também Tu Catarina e José Cid?
Quando me pronunciei sobre as #metoo caíram-me em cima como se eu não fosse uma acérrima defensora das mulheres ou qualquer outro ser vítima de assédio. No entanto não demorou muito até acontecer precisamente o que eu previa: uma banalização mediática do assédio. Por contaminação, o meio artístico português acordou de repente, volvidos dezenas de anos, para esta problemática revelando publicamente assédios a que noutros tempos não deram qualquer importância. E isso é que é o problema do #metoo: pôr as pessoas a dizer “eu também” quando os episódios não passam de abordagens menos felizes de engate. E isso, como já o tinha referido, preocupa-me. Muito.
A Catarina Furtado quis juntar-se ao grupo de Hollywood e contou uma historieta como tantas que existem por aí, sem qualquer importância, onde alguém lhe faz uma abordagem que ela fingiu não entender e automaticamente não deu em nada para dizer “eu também”. A sério?! Juntou-se depois José Cid (ah! valente!) com a denúncia de um assédio por parte de um fadista que mostrou interesse por ele. Realmente isso deve ser um experiência mesmo muito má ser desejado por alguém que depois de uma nega, se afasta pacificamente. Um horror, mesmo!
A este respeito deveria eu também gritar alto #metoo porque, seguindo este critério, andava na 3 classe e um menino ( o mais lindo da turma por quem nutria secretamente uma atracção) um dia lembrou-se que haveria de dar-me um beijo. Então à saída da escola, começou a seguir-me e como eu lhe negara o beijo, atirou-me para cima da neve, e já no chão, por cima de mim, arrancou-o sem pedir. Quando cheguei a casa estava lavada em lágrimas. Nunca contei aos meus pais. Resolvi o problema no dia seguinte não lhe dando mais uma fala. Assim como já na administração de uma empresa, gerentes de bancos a prometerem aprovar operações de crédito caso eu aceitasse aquecer-lhes a cama fria. Também aqui resolvi o problema mudando de Bancos. Ou ainda, aquele colega empresário simpático que vendo a minha dificuldade em arranjar crédito para a empresa, se oferece para ajudar levando-me a um gerente amigo mas que depois faz um desvio para ir buscar uma pasta urgente a casa, convida para entrar e tomar café, mas uma vez lá dentro, tenta beijar-me à força levando-me no dia seguinte a nunca mais lhe atender uma chamada telefónica. Até hoje. Apesar disso, jamais me juntarei às #metoo porque ser #metoo é ser pelo assédio selectivo onde muitos deles nem sequer assédio é.
Com efeito, começou com Weinstein que não passava de um indivíduo que se fazia ao engate a todo o rabo de saia que passava por Hollywood com o aval da maioria. Onde muitas actrizes, até vingarem na arte, não se incomodaram com o facto. Se ele fez disso um modo de vida foi porque foi tendo sucesso nessas abordagens. Porque quando Uma Thurman refere que no quarto, ele tirou o roupão, esqueceu-se de referir como e porquê se encontrava ela naquele lugar para falar com ele. E quantas vezes o tinha feito. Nenhuma mulher é tão ingénua que não entenda que esse lugar não é para atendimento ao público nem entrevistas. Certo?
Por outro lado, alguém vê as #metoo ao lado das mulheres verdadeiramente assediadas e estupradas na Suécia, na França, na Bélgica, na Alemanha (#120db) por migrantes islâmicos ou as mulheres cristãs Yazidis por muçulmanos? Claro que não. Como disse, só defendem o “assédio” que lhes interessa. Mas o mais curioso ainda é ver que uma das mentoras das #metoo está a ser investigada por assédio sexual, não é irónico?
Muito sinceramente ainda me pergunto como esta gente de Hollywood, não proibiu o filme “As 50 sombras de Grey”, nem as actrizes se recusaram a esse papel, quando a estória começa com o assédio sexual bruto entre um empresário e a universitária que o entrevista (no livro o primeiro capítulo parece saído de um filme porno). Então aquilo não é um atentado criminoso à mulher? É. Mas todas o aprovam e o tornaram sucesso de bilheteira. Estranho.
Felizmente hoje já não existe nas discotecas os slows. Aqueles 20 minutos de música parada em que ele, um desconhecido, a apertava junto ao corpo dando sinais de interesse e ela respondia tocando com o rosto na pele do pescoço, enquanto ele suavemente lhe arrancava, depois, um beijo. Enfim um autêntico “abuso” muito esperado e desejado pelos jovens e graúdos nas discotecas desses anos 80 dos quais muitas das #metoo fizeram parte mas que hoje seriam motivo de gritaria histérica e revolução social.
Enfim. É a sociedade hipócrita que temos hoje.
Batuques e pandeiros
Eu gosto imenso do Carnaval. Uns vestem-se com coisas divertidas, outros despem-se como as brasileiras numa demonstração do cosmopolitismo lusófono multicultural, eu observo. No caso particular das que se despem, em Fevereiro, mamilos enregelados com as alterações climatéricas que são arrefecimento global no Inverno e esgotamento do SIRESP no Verão, só desejo que a bênção da Graça Divina as mantenha ignorantes para a heresia das quotas de género e da emancipação da mulher que uma linda burca permite.
Está bem, o Carnaval brasileiro não é da tradição portuguesa, mas somos progressistas ou não? Um progressista que se preze não se torna naqueles chatos, um conservador dos que acha que nada disto tem algum jeito. Continuemos, que, em nome da ciência, ainda está por determinar se é morena que mexe o chocalho ou se é o chocalho que mexe com ela, seja de Angola ou seja do Brasil.
That’s so dumb
As redes sociais passaram a manhã e à tarde de um Sábado solarengo a discutir o significado de um político afirmar em entrevista que é homossexual. Este decapante que as redes sociais aplicam ao mundo e à vida, mais que demonstrar as necessidades de diferentes cliques em validarem agendas mais ou menos claras, é bastante patético em si mesmo: às tantas, não há motivação nenhuma além de responder a uma entrevista, mas essa mirabolante ideia, como pertencendo a uma das cliques, só pode estar errada independentemente do conteúdo do resto da entrevista, que não interessa nada, já que as redes alimentam-se do que não é dito em detrimento do que é.
Estou um bocado cansado disto tudo. Por mim, dava-se agora a palavra outra vez ao #MeToo para que a meia-idade feminina possa ocupar o lugar das revistas cor-de-rosa gratuitas e de “todos somos génios” que são essas redes efémeras de projecção da vaidade. Giro, giro, é a crítica ao “that’s so dumb” do Trump: feitas as contas, o que são as redes sociais se não uma plataforma para o dizer, por muito articulado que seja essa vã tentativa de provar o outro errado? Pois é: that’s so dumb.
RBI: vamos a contas
O Rendimento Básico Incondicional voltou a ser discutido por estes dias graças à moção que Carlos Moedas e Pedro Duarte irão levar ao congresso do PSD. Multiplicaram-se os textos no Observador sobre o tema. Curiosamente, todos esses textos apenas tocam ao de leve na questão de como pagar pelo RBI. Vamos então fazer umas contas simples. Imaginemos que o RBI teria o valor de 400 euros mensais, o mesmo valor mencionado pelo Luis Aguiar-Conraria, e que cumpre os mínimos para ser considerado um “rendimento básico”. Sendo incondicional, teria que ser dado aos 10.3 milhões de habitantes no país. Mesmo assumindo que não seria dado nas 14 prestações habituais, mas apenas 12, isto constituiria um custo de 49440 milhões de euros anuais. Claro que também haveria poupanças. Aqui vou ser optimista e assumir que todas as pensões e subsídios da segurança social (excepto as pensões de velhice contributivas) seriam eliminadas. Ou seja, o RBI substituiria o RSI, o CSI, o abono de família, o subsídio de parentalidade, o subsídio de desemprego, o subsídio de doença, as pensões de sobrevivência, as pensões de invalidez e todas as outras não contributivas. No total, pouparíamos 45% das actuais despesas da segurança social (fonte). Depois destas poupanças, o RBI “só” custaria 39543 milhões de euros, um pouco mais de 20% do PIB português.
Para colocar este número em perspectiva, podemos ver abaixo uma comparação com outras despesas/receitas do estado:
Toda a despesa planeada para o combate a incêndios em 2018 – a maior em 10 anos – daria para pagar 1 dia e 2 horas de RBI. Ficariam a faltar 364 dias. Se nacionalizássemos e voltássemos a vender os CTT, teríamos dinheiro para mais 8 dias. Se viesse novamente a Troika e fizéssemos a mesma consolidação orçamental que o governo de Carlos Moedas foi obrigado a fazer, teríamos dinheiro para mais 66 dias de RBI. Ficam a faltar 290 dias… Temos que ir aos grandes gastos… Vamos então acabar com a escola pública, afinal as crianças também recebem os 400 euros, o que chega para pagar a um colégio. Acabando com os gastos públicos em educação, podíamos pagar mais 66 dias de RBI. Ainda nem a meio do ano vamos. Acabemos então com o SNS também. Seriam mais 81 dias, permitindo-nos pagar o RBI até meados de Agosto. Não chega, faltam mais de 4 meses. Como não podemos acabar com a polícia e o exército, temos definitivamente de aumentar impostos. Vamos então usar o imposto que mais receitas dá: o IVA. A receita total de IVA actual dá para pagar 139 dias de RBI, que é mais ou menos o número de dias que faltam financiar. Se duplicarmos as taxas de IVA, conseguimos, finalmente, financiar o RBI. Ou seja, tudo o que precisamos para ter o RBI em Portugal é acabar com o combate aos fogos, privatizar uns CTT por ano, acabar com o SNS e com a Educação pública, e aumentar a taxa máxima de IVA para 46%. Ainda diziam que era impossível…
Life is bat.. boitif… beautiful
Dezembro de 2017 – ISCTE chumba Maria de Lurdes Rodrigues
A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues foi avaliada com ‘Inadequado’ como professora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, no período 2014–16.
Fevereiro de 2018 – Maria de Lurdes Rodrigues é a nova reitora do ISCTE
A ex-ministra da Educação de Sócrates ganhou a corrida às eleições para a reitoria do ISCTE. É a primeira vez que uma mulher comanda os destinos destes instituto.
Mas está a denunciar o quê?
Salma Hayek falou sobre os abusos que sofreu por parte de Harvey Weinstein, produtor acusado de diversos crimes de assédio e abuso sexual. À conversa com Oprah Winfrey, a atriz revelou que foi ameaçada constantemente por Harvey durante as filmagens de Frida, filme de 2002 sobre a vida e obra da pintora Frida Kahlo. “Disse-me que me queria matar. Que ia partir-me as rótulas”, contou.
O filme Frida foi rodado em 2002. Oito anos depois Salma Hayek ainda não tinha percebido a conversa das rótulas… Ou será que uma mulher adulta, com dinheiro e liberdade iria deixar-se fotografar assim feliz e sorridente ao lado da besta que anos antes a perseguiu e ameaçou partir-lhe as rótulas?

um burlão
Varoufakis, ou, segundo a deputada Isabel Moreira, «Varoufakis, o quente», um delinquente que quase pôs o seu povo a pão e água, é o verdadeiro ícone da esquerda-caviar. Na verdade, como qualquer membro dessa seita, «o quente» alia um discurso radical sobre a pobreza e as maldades do capitalismo a hábitos de consumo perdulários, dizendo coisas brutais, enquanto se passeia em motas de elevada cilindrada com loiras platinadas a tiracolo, papa lautos almoços e jantares, bebe vinhos de primeira, saltita por hotéis de luxo, enfim, vive fautosamente, à grande e à francesa, só lhe faltando mesmo um apartamentozinho no 16º de Paris.
Pois bem, quase dois anos depois de ter sido corrido do governo grego, durante os quais publicou meia-dúzia de pastelões sobre economia que envergonhariam qualquer aluno do 1º ano desse curso, Varoufakis regressa ao palco da política, anunciando que vai fazer um novo partido para «devolver a Primavera Grega» ao seu país. No entretanto, enquanto o calor primaveril não chega, Varous, «o quente», continua a viver principescamente à pala dos outros, tendo espatifado 4.100,00 € por um simples fim-de-semana em Barcelona, onde foi apresentar as magníficas ideias da «nova esquerda» que diz representar. Quem pagou a festança foi a câmara municipal da cidade, ou sejam, os contribuintes espanhóis, pelo que, bem vistas as coisas, esta «nova esquerda» de Varoufakis é capaz de não ser tão nova assim…
E para as comissões da CGD já têm dinheiro, dona Delfina?
Delfina Vitorino apresentada pela LUSA como pessoa “que utiliza a estação dos CTT de Camarate” veio manifestar-se esta segunda-feira à porta da sede dos CTT, em Lisboa, contra o fecho das estações dos correios.
Delfina Vitorino veio com Hélder Rosa ao que parece “presidente das coletividades do concelho do Seixal, mais propriamente da Aldeia de Paio Pires” e Manuel Amaral que a Lusa não diz o que faz. E claro veio também Bernardino Soares presidente da Câmara Municipal de Loures, numa daquelas intermitências como manifestante profissional. Mas voltemos a Delfina Vitorino “que utiliza a estação dos CTT de Camarate”. Explica Delfina Vitorino que a dita estação atende “uma média de 200 pessoas por dia”, servindo uma “população idosa que tem de passar a ir à estação mais próxima de Sacavém e não terá mobilidade para se deslocar a pé”. “Muitas delas nem dinheiro têm para comprar o bilhete de cinco euros de camioneta”.
Daí conclui Delfina Vitorino “É uma sacanice o que estão a fazer à população pelo que vamos usar todas as nossas forças para que estação de Camarate não encerre”.
Ó Delfina Vitorino pessoa “que utiliza a estação dos CTT de Camarate” já que está em Lisboa não vai desperdiçar a boleia e com essa força toda vá até à sede da CGD protestar contra as comissões cobradas pela CGD. Não sei se o Bernardino Soares mais o Manuel Amaral e o Helder Rosa querem ir mas pelas almas Delfina não se acanhe. Vai até à sede da CGD e diz assim: Eu Delfina Vitorino, pessoa que utiliza a agência da CGD de Camarate que atende uma “população idosa que muitas delas nem dinheiro têm para comprar um bilhete de cinco euros de camioneta quanto mais para pagar as comissões da CGD”.
Daí conclui Delfina Vitorino “É uma sacanice o que estão a fazer à população pelo que vamos usar todas as nossas forças para que a CGD não cobre estas comissões. ”. Força Delfina Vitorino, uma pessoa sempre disposta a usar todas as suas forças na luta contra as sacanices.
As Mulheres Não São Burras
Em Janeiro deste ano legislou-se mais uma vez sobre a paridade de género nas administrações de empresas do Estado e empresas cotadas em bolsa. Desta forma pretende-se impor à força a nomeação de mulheres em lugares de topo sob pena de multas a quem não cumprir. Mas existe algo mais redutor, mais desprestigiante para uma mulher, do que ser colocada num lugar só para preencher um requisito legal? Isto é à priori rotular a mulher de coitadinha que só de empurrão lá chega. E eu como mulher não aceito esta discriminação.
A mulher é um ser extremamente inteligente, perspicaz e dotado de uma sensibilidade e força interior que a faz alcançar qualquer coisa que deseje. Porque a mulher além da sua inteligência ímpar tem um sexto sentido muito apurado que lhe permite ver detalhes que passam completamente despercebidos ao homem e isso dá-lhe uma vantagem extraordinária (os homens que me desculpem). E como se isso já não bastasse, é multi-tarefa. Por isso, parem lá de nos tratar por burras. Ainda não havia estas leis de paridade e já as mulheres depois da revolução industrial começavam a destacar-se de forma notável em todas as áreas conseguindo lugares de topo. Jane Adams, Corazon Aquino, Coco Chanel, Julie Child, Marie Curie, Indira Gandhi, Estée Lauder, Eleanor Roosevelt, Margaret Tatcher, Rosalind Franklin, Mária Telkes, Elisabeth Blackwell foram apenas algumas dessas mulheres que de modo algum caberiam neste texto de tantas e tantas que existem pelo Mundo fora. Mulheres que não precisaram senão do seu mérito e resiliência para conquistar fosse o que fosse.
A verdade é que se não há mais mulheres a lutar por cargos de topo, seja no público seja no privado, é porque elas preferem outras coisas. Porque as senhoras ao contrário dos cavalheiros pesam muito a questão familiar na hora de decidir seguir ou não uma carreira tão absorvente. A maioria prefere prescindir de cargos que lhe retire tempo para dedicar aos filhos e família. Essa é a principal grande questão. Elas já representam cerca de 60% dos estudantes universitários mas as preferências profissionais continuam a ser maioritariamente outras. São elas que se excluem. Não a sociedade.
Porque basta entrar em qualquer serviço, instituição, empresa para ver que as mulheres já são em maioria em quase todo o lado. Excepção feita à construção civil e similares onde não se vêem porque simplesmente elas não se candidatam. Sei do que falo. Enquanto administradora de uma indústria nesta área, nunca em anúncio de emprego onde nunca excluí mulheres, recebi uma única candidata feminina. Se nunca escolhi uma, foi porque nunca me apareceram. Eu mesma fui operadora de empilhador numa fábrica e desempenhava de tal forma a minha função que cheguei a receber propostas de outros patrões (homens)! Assim como recebi outras, pasmem-se, também de homens, por me destacar na cobrança de créditos! Esta realidade só não a vê quem nunca se fez verdadeiramente à vida.
O mais caricato disto tudo é o Estado inventar imposições legais para incluir mulheres no topo das administrações, fingindo estar sensível a esta questão, quando esses cargos, sabemos nós, estão TODOS reservados para amigos, familiares, e amigos de amigos e amigos de familiares que entram a CONVITE!!! Quem tem coragem de negar esta realidade? Brincamos ao faz de conta? Se esses lugares fossem atribuídos por concurso avaliando o CV, e depois feita uma selecção honesta com base nas qualificações do indivíduo, não estariam desta forma já naturalmente a abrir portas a TODOS os géneros com base nas suas capacidades? Para quê uma lei da paridade?
Por outro lado mesmo querendo colmatar hipotéticas falhas na colocação feminina, não é com imposições que se constrói uma sociedade justa mas sim, promovendo incentivos (de preferência fiscais) a quem privilegia a diversidade. Porque é sabido que as mulheres pela sua natureza, faltam muito mais ao trabalho para assistir à família (quando a têm) e isso pesa imenso nos custos das empresas com trabalhadores. Que são preteridas muitas vezes devido a esse factor e muitas delas não engravidam sequer para não ser um fardo para o patrão. Sabemos todos bem disso mas fingimos que não é assim. Que são excluídas apenas por machismo.
Sou mulher e não há nada que me irrite mais do que ser tratada por incapaz numa sociedade em que até já há Universidades na Inglaterra onde se prevê dar mais tempo para terminarem os exames numa tentativa de melhorar os resultados do sexo feminino e diminuir discrepâncias de género, como se nós não fossemos tão ou mais capazes que os homens de chegar onde queremos!
Se isto não é chamar a mulher de burra, é o quê? Mulher inteligente não precisa destas leis para nada. Vinga de qualquer jeito. É minha opinião.
O hipster da gadanha está de volta
Já tardava o regresso do “debate” sobre a eutanásia. As aspas justificam-se, porque trata-se apenas de um monólogo de iluminados do Bem1 que, ao obterem a reacção do Mal1, validam o único argumento que apresentam: os obtusos brutos são contra, logo só pode ser bom. Claro, resta saber se “a Direita” é mesmo contra, que já vimos de tudo desde que as vacas começaram a voar, do Partido Comunista como garante da paz social à galantaria en pointes do doutor Rio para tentar o patriarca da Geringonça em atormentado affaire, isto passando pelos arrebates maoístas da reeducação do homem para “acabar definitivamente com o assédio” e propostas de paridade que validem a incapacidade da mulher em ascender por mérito próprio a cargos de chefia.
Francisco George, um ex-coiso, chegou a falar do (isto é uma citação) “interesse público” em concordar com o Bloco de Esquerda (o oximoro é óbvio):
Esta lei tem de ser aprovada no interesse público, porque no final da vida há abusos médicos muitas vezes, por pressão de administrações sobretudo no setor privado, onde se mantém a vida artificial, que não é aceitável nem no plano moral, nem no plano da ética, nem no plano médico, nem no plano económico. (TVI)
Note-se o que é dito: é do interesse público evitar o abuso económico que é o prolongamento da vida de pessoas. Apesar de tais declarações deixarem entusiasmado o Ceifador (“cá te espero, Francisco”), só podem nausear gente que tem o mais basal pico-respeito pelo valor da vida humana.
Náusea à parte, é triste que tanta carneirada — não é desrespeito: havendo quem quer matar gente, tratar por carneiro até é elogio — aceite como sendo eutanásia o acto homicida que o Estado quer trazer a si. Eutanásia consiste na facilitação do suicídio a quem não o consegue cometer — que sendo legal implica a não persecução do ou dos indivíduos que providenciaram os meios para este suicídio —, não consiste em administrar injecções letais mediante pareceres de comités de combate ao sal e ao açúcar, tratando-se apenas da versão fofinha da cadeira eléctrica, ou, por outras palavras, da execução legal em tudo idêntica à pena de morte.
Seja como for, que o circo está de volta à cidade, disso ninguém tenha dúvidas. Ponham os capacetes, que o hipster da gadanha já chegou.
1 “Bem” e “Mal” são conceitos antagónicos criados aquando das transições para regimes democráticos que perduram pela capacidade esotérica de todos (dei ênfase, sim) os media os perpetuarem. Em Portugal, “Bem” refere-se sempre ao Partido Socialista e “Mal” a todos os outros que se limitam a existir para tentarem ser como o Partido Socialista.
Lembram-se do saneamento exemplar?
Governo muda directora-geral do Orçamento. Manuela Proença ocupava o cargo desde 2012 e tinha sido reconduzida em Julho de 2014 por mais cinco anos. A ano e meio do fim do mandato, Mário Centeno decidiu avançar com uma recomposição na liderança da DGO,
Um nome a juntar-se a uma lista de afastados como Pedro Pimenta Braz, Presidente da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) , Luísa Maia Gonçalves diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) , João Marôco, coordenador em Portugal do estudo que avalia em vários países a compreensão da leitura entre os alunos que estão no 4.º ano…
A correcção desse desequilibrio é o cerne da questão
Vida para além do défice (o outro)

A economia deve crescer com base nas exportações.
O défice da balança comercial deve ser reduzido ou eliminado.
Alguém põe estas ideias e desígnios nacionais em causa ou, pelo menos, os relativize?
Não creio. Mesmo entre economistas é um discurso dominante e consensual.
É pena! Não havia necessidade de alimentar uma falácia há muito desmontada por David Ricardo e Adam Smith, entre outros.
No fundo, o mercantilismo está vivo e, diria até, pujante e em expansão. Continua a acreditar-se que riqueza é dinheiro. Defende-se como objectivo minimizar as saídas de dinheiro do país para pagar importações.
Esquece-se, no entanto, que o dinheiro é apenas um meio de troca e reserva de valor.
De que adiantaria acumular notas e moedas se não fosse para os transformar, mais tarde ou mais cedo, em consumo e usufruto de bens e serviços? O nosso bem-estar traduz-se nas coisas concretas a que temos acesso.
Deixou-se também que o uso de ferramentas e convenções contabilísticas quase nos impeça de perceber os fenómenos económicos implícitos à realidade que observamos. Do ponto de vista da acção humana, um défice comercial é algo que não existe. Por definição, qualquer troca que se verifique pressupõe uma diferente valorização do bem em questão pelas partes envolvidas. Ou seja, a troca acontece apenas se o bem recebido tem maior valor para a parte compradora do que o bem entregue em contrapartida. Não é um jogo de soma nula. Ambas as partes ganham. Cria-se riqueza.
Já agora, para os aficionados da álgebra aplicada à economia, o saldo da balança de pagamentos é sempre nulo.
*
O condomínio
As voltas que a vida dá
Aquela senhora professora de Coimbra dos reformados indignados que andava a lutar contra a miséria e a fome até 2015 agora está a viver tão bem que anda a denunciar os burlões. Só visto. Ele há milagres.
From #MeToo You
Tenho sido injusto com o movimento #MeToo. Dizem os arrependidos que mais vale tarde do que nunca, pelo que faço aqui a minha penitência admitindo a insensibilidade masculina de que padeci, prometendo conectar-me em pleno com o lado feminino que é pertença de todos os homens e que aprendem a reprimir por consequência do jugo opressor de um heteropatriarcado bruto de Direita.
A Guerra dos Sexos não faz qualquer sentido, amigos com pança de cerveja. Precisamos de mulheres felizes, integradas, sem medo de interacções verbais com sujeitos broncos entre uma paragem e outra. Está mais que visto que não é na família, no emprego, na educação dos filhos e nos tempos livres que uma mulher encontra a felicidade; também não é na cultura, na educação, na criatividade e na originalidade: é na reciclagem da leitura bizarra que alguém fez da Simone de Beauvoir na certeza de que as irmãs de Hollywood podem representar as mulheres de todo o mundo, da sopeira à princesa. É, portanto, a identificação de classe. Para o efeito, teremos, como sociedade, que esquecer um bocadinho o violador de Telheiras e os gangues violadores da Índia e focarmos a nossa atenção nas leis da paridade e na educação dos homens, que tem sido uma lástima — apesar da preponderância de mulheres no ensino, traidoras da classe feminina. Esta educação cria agressores em cada esquina de Hollywood (e pelo menos uma em Telheiras, mas não vamos por aí) e cúmplices em todos os que não se mostram publicamente a dizer o quão chocados estão por um papel cinematográfico para uma jovem naïf do Kansas ter sido considerado pela facilidade com que se subjugou aos vícios libidinosos de um produtor há trinta anos.
Se todos nos juntarmos e gritarmos “Me Too”, começamos a resolver o problema, tal como resolvemos a esclerose lateral amiotrófica despejando um balde de água fria na cabeça. Não, não é com encarcerar o violador de Telheiras — lá estou eu a desviar as atenções para um problema menor em relação ao trauma que é a Oprah Winfrey descobrir tão tardiamente as companhias dos seus amigos íntimos; é educando os rapazes para que respeitem as mulheres assegurando que não se tornam em produtores de cinema de Hollywood. Bem sei que não conseguimos ensinar assassinos de mulheres a ler, mas não há motivos para não os conseguirmos ensinar a usar todos os talheres nos jantares onde se discutem as temáticas da condição feminina. Até porque, como dizia a Simone — a francesa, não a do “quem faz um filho fá-lo por gosto” —, “a opressão tenta defender-se pelo lado utilitário”, daí que é melhor escolher restaurante em que a elegante e heteropatriarcal função de empregado de mesa é desempenhada por gente do sexo masculino.
Para mim, a gota de água do meu papel como opressor-barra-cúmplice na destruição da mulher por defeito cromossomático foi a explicação da Catarina Furtado para a situação de assédio que viveu, tendo que fingir “que não estava a perceber bem” o que lhe propunham de forma a que, aniquilada no seu íntimo, lá conseguiu sair “arranjando desculpas e sorrindo para não nascerem conflitos irreparáveis”. Ficou orgulhosa de ter saído, e eu também, que percebi, com este relato, que também já fui vítima de assédio.
Em conversa com pessoa que outrora denominaria por “minha mulher” e agora denomino simplesmente por “a mulher”, conclui que também ela foi vítima de assédio. Assim, é com orgulho que ambos dizemos, para que todo o mundo saiba: #WeToo. Enquanto o leitor abriu o computador, leu este texto e se indignou como habitualmente, uma mulher foi violada na Índia, se contarmos apenas os casos reportados. Mas isto não é sobre ela, isto é sobre mim.
O Prédio Coutinho
Quando era miúda ele já existia. Imponente junto ao jardim, nunca conheci a cidade com outra paisagem. As polémicas à volta deste prédio eram muitas: umas a favor, outros contra tal e qual como nos dias de hoje. Contava-se que tinha sido embargado várias vezes aquando a sua construção mas o certo é que, dentro da volumetria estabelecida pelo concurso público que lhe deu origem, o “Coutinho” nasceu devidamente licenciado pela Câmara, no terreno do antigo mercado, que tinha sido vendido em hasta pública. Por trás deste, nascera depois, o novo mercado que ali permaneceu durante muitos anos.
Quando soube da notícia da intenção de demolição, fiquei apreensiva. Não se falava em problemas na estrutura, não se falava em perigo iminente dos moradores do edifício, falava-se sim, de demolir por questões paisagísticas! Um milhão de euros será o custo da implosão mas já vários milhões terão sido gastos nas indemnizações aos proprietários das fracções, assim como na construção dos “caixotinhos” onde os realojaram. Curiosamente, os mentores deste “projecto” começaram por dizer que aquele espaço era crucial para a cidade pois pretendiam fazer nascer um centro de eventos. Ironicamente, acabou este por ser construído noutro local sem precisar do “Coutinho” para nada. Entretanto, outro iluminado veio a público dizer que a cidade, em dias de feira era um caos com carros e pessoas entupindo as artérias principais e que era imprescindível tirar o mercado dali, mesmo por trás do “Coutinho”! Levaram-no para o outro extremo da cidade e ali permaneceu até hoje. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades e novamente os defensores da implosão, depois da catástrofe económica por demais evidente do centro da cidade em consequência de políticas mais direccionadas com questões paisagísticas, vêm agora dizer que aquele espaço é fundamental para a construção do novo mercado e consequente dinamização de Viana!!
Durante todos estes anos os políticos responsáveis por esta cidade andaram a brincar aos legos, construindo, destruindo, modificando, tirando, alterando não se importando, com essas decisões, pelas vidas das pessoas. Do ponto de vista estético, realmente o Coutinho não está bem ali. Nem ali nem em nenhuma parte da cidade: é grande e não se enquadra numa urbanização que se quer rasteira, junto à margem do rio até à encosta de Santa Luzia. Mas foi aprovado em 1970 assim como outras torres , do lado esquerdo da ponte, já mais recentes, também elas abortos estéticos e das quais, por enquanto ninguém fala. Principalmente depois de uma delas ter tido graves problemas de estrutura e ter inclinado como a torre de Pisa. Pois.
Aqui está em causa, acima de tudo, pessoas: as que moram no Coutinho e os contribuintes, ou seja, nós todos. Aos moradores foi-lhes dito de um dia para o outro que ficariam sem a casa que um dia compraram carregada de memórias de uma vida. É fácil opinar antes do mesmo drama bater às nossas portas. Mas alguém se imagina a ter de entregar ao Estado a sua casa a troco de seja lá o que for e viver noutro lugar qualquer onde não tem raízes ou não se identifica por uma questão meramente de … estética? A revolta é compreensível e a luta deles ainda mais. É uma vida a fugir-lhes pelos dedos sem razão plausível. Por outro lado há as questões financeiras que este projecto implica. Ora, pergunto se depois de tantos sacrifícios impostos pelo governo, todos dirigidos apenas e tão somente ao povo, se é justo que fiquem também a pagar uma implosão, indemnizações e construções milionárias por causa destes visionários da estética?
Por outro lado, não acredito nem um pouco que ao trazer o novo mercado para dentro da cidade, ela volte a respirar a saúde de outros tempos. Não foi só a saída do mercado que matou o coração de Viana. Um centro comercial dentro da cidade e os parques todos pagos incluindo à superfície, afastaram toda a gente do centro. E não é preciso ser-se perito em assuntos económicos para entender que não há veneno mais letal do que estes três ingredientes juntos! Sem mercado, com centro comercial cheio de lojas com descontos ao desbarato, reunindo um só espaço, lazer, compras e restauração, e estacionamentos todos a pagar, os consumidores, preferem, o tudo em um, no conforto dum espaço onde não há chuva nem vento e pagar parque por pagar, pois que seja no shopping onde as compras se fazem mais depressa!
Devolver o mercado ao centro da cidade é imperioso pois depois de tantas más decisões seria uma forma de minimizar os danos já provocados e restituir alguma cor e dinamismo de que a cidade tanto precisa. Mas há alternativas ao Coutinho. Quiçá não ficasse muito mais em conta, realojar as pessoas naquilo que já era delas, no Coutinho, e precisamente no local onde já era o mercado e passou a ser o habitáculo daqueles moradores, readaptá-lo para ali se instalar o mercado. Curiosamente, tem arquitectura que se encaixa perfeitamente e no sítio exacto onde estava o anterior.
O que me parece é que, caso esta implosão siga em frente, estaremos a abrir um precedente no futuro. Estaremos todos a contribuir para que outras iniciativas deste género venham a acontecer não por questões de segurança das pessoas mas tão somente pelo imperioso interesse público que tanto pode ser por uma questão de estética como por interesse de um lobbie.
É preciso recordar que o mesmo ex-ministro do ambiente que ordenou a demolição do Coutinho por questões ambientais, “Engº” José Sócrates, autorizou o Freeport em reserva ecológica provando assim que as políticas mudam-se à mercê dos interesses.
Resistem a isto 14 moradores. A Câmara garante que avança com demolição em Março e tudo isto com o dinheiro de TODOS os contribuintes! Outra vez.
É criminoso.
Governar é mais proibir croquetes e talheres de plástico
O governo legisla sobre e tudo e mais alguma coisa no que às empresas privadas diz respeito. Intromete-se na nossa vida decidindo tudo, desde os bolos que podemos comprar ao sal que comemos. Outra coisa bem diversa é o Governo decidir sobre as comissões cobradas pelo banco público. Se a CGD fosse privada Costa teria anunciado um conjunto de medidas, multas e ofícios que iriam acabar com a vergonhas das comissões na CGD.
Procura-se operador de portagem (M/F)
A Via Verde foi introduzida em 1991. É uma tecnologia simples, facilmente replicável. Segundo a lógica de alguns políticos e académicos mais excitados, a tecnologia deveria ter acabado com a profissão de operador de portagem. Passaram-se 26 anos, muitos dos portageiros que iriam perder o emprego já entraram na reforma, alguns terão morrido. Entretanto, em 2018, uma das principais concessionárias de auto-estradas anda a recrutar operadores de portagem. Estranho terem vagas para um emprego que deveria ter acabado há 20 anos. Em muitos países ligeiramente menos desenvolvidos que Portugal, apesar de a tecnologia existir e ser relativamente barata, ainda não foram implementadas tecnologias semelhantes quase 3 décadas depois da introdução em Portugal. Os mais excitados com um futuro sem emprego talvez devessem parar para pensar um pouco, tirarem os óculos de realidade virtual e simplesmente olhar para trás. Talvez aprendam algo.
Para ler entre uma paragem e outra
Every man, deep down, knows he’s a worthless piece of shit. Overwhelmed by a sense of animalism and deeply ashamed of it; wanting, not to express himself, but to hide from others his total physicality, total egocentricity, the hate and contempt he feels for other men, and to hide from himself the hate and contempt he suspects other men feel for him; having a crudely constructed nervous system that is easily upset by the least display of emotion or feeling, the male tries to enforce a `social’ code that ensures perfect blandness, unsullied by the slightest trace or feeling or upsetting opinion. He uses terms like ‘copulate’, ‘sexual congress’, ‘have relations with’ (to men sexual relations is a redundancy), overlaid with stilted manners; the suit on the chimp.
(…)
There is no human reason for money or for anyone to work more than two or three hours a week at the very most. All non-creative jobs (practically all jobs now being done) could have been automated long ago, and in a moneyless society everyone can have as much of the best of everything as she wants.
(…)
Although the male, being ashamed of what he is and almost of everything he does, insists on privacy and secrecy in all aspects of his life, he has no real regard for privacy. Being empty, not being a complete, separate being, having no self to groove on and needing to be constantly in female company, he sees nothing at all wrong in intruding himself on any woman’s thoughts, even a total stranger’s, anywhere at any time, but rather feels indignant and insulted when put down for doing so, as well as confused — he can’t, for the life of him, understand why anyone would prefer so much as one minute of solitude to the company of any creep around. Wanting to become a woman, he strives to be constantly around females, which is the closest he can get to becoming one, so he created a `society’ based upon the family — a male-female could and their kids (the excuse for the family’s existence), who live virtually on top of one another, unscrupuluously violating the females’ rights, privacy and sanity.in S.C.U.M. (Society for Cutting Up Men) Manifesto, Valerie Solanas, 1967
O código saiu pela culatra

Logo na sequência de abertura do filme Os Salteadores da Arca Perdida, Indiana Jones, depois de recuperar o ídolo de ouro das mãos do guia que o traíra, é perseguido por uma gigante bola de pedra da qual tem de fugir a toda a velocidade por forma a não ser implacavelmente esmagado. Havendo algum fundo de verdade nas abordagens psicanalíticas de Freud, Jung e outros, e eu julgo que há, é extremamente provável que, ultimamente, o ministro das finanças Mário Centeno ande a acordar a meio da noite, ensopado em suor, depois de ser assombrado por pesadelos que o colocam nessa correria febril à frente do monólito redondo, desempenhando o papel que, na fita, era de Harrison Ford.
Ser esmagado por uma bola, mesmo que de futebol, como é o caso que tem enchido as páginas dos jornais, não é um fenómeno raro no nosso país. Ainda há pouco tempo, por causa de uns jogos da Selecção Nacional no Campeonato da Europa, três secretários de Estado foram obrigados a arrumar a secretária e a mudar de vida, levando o Governo a, posteriormente, aprovar um código de conduta ligeiramente pueril e beatinho que proíbe os seus membros de aceitarem qualquer oferta de valor superior a 150 euros. Mas agora que Centeno, a estrela da companhia, teve a infeliz ideia de pedir uns bilhetes para ir ver o Benfica, o moralismo deixou de ser conveniente e de todo o lado surgem as mais divertidas interpretações do referido código.
De todas essas interpretações, a minha preferida, de longe, é a “teoria do não está à venda”. Como o ministro solicitou lugares na tribuna presidencial, que não são comercializados nas bilheteiras, dizem ser impossível fazer o enquadramento do limite dos 150 euros. Ficamos assim a saber que se a Gulbenkian oferecer ao secretário de Estado da Cultura um daqueles pósteres dos cães a jogar bilhar encaixilhado numa moldura bonita, este está tramado; no entanto, se no lugar dos simpáticos canídeos a Fundação lhe der um dos Amadeo de Souza-Cardoso da colecção, já não há qualquer problema, uma vez que as telas do famoso modernista não estão disponíveis no mercado.
Miguel Sousa Tavares, defendendo Mário Centeno no seu comentário televisivo, afirmou que, por causa deste tipo de exigências, qualquer dia ninguém quer governar Portugal. Não podia estar mais de acordo com o comentador. É uma observação tremendamente perspicaz e basta analisar o que se passou nas últimas legislativas para a confirmar. Neste país, o desapego ao poder é já tão grande, que foi preciso ir pedir encarecidamente ao 2º partido mais votado nas eleições que fizesse o sacrifício de assumir as funções executivas, sob pena de ficarmos para sempre numa situação de sede vacante. Felizmente para todos, António Costa, num bonito acto de abnegação, sacrificou a confortável reforma antecipada que o esperava, e acolheu as súplicas em prol da felicidade da nação. Assim sendo, é de toda a justiça que não o incomodemos muito com os aborrecidos diplomas legais que ele próprio elaborou.
E agora, algo de completo mau-gosto, porque sim

No cânone da loucura dos “excessos de um artista”, expressão devidamente ilustrada na canção “Baile da Paróquia” de Rui Veloso e Carlos Tê, figura no topo da página um certo incidente ocorrido durante o Seattle Pop Festival em 1969. Ao que consta, uma bonita groupie1 ruiva foi atada nua a uma cama onde membros não nomeados da banda Led Zeppelin a penetraram com um peixe. Membros da banda Vanilla Fudge também se identificaram como autores da instalação artística, mas, à parte de um mítico filme — cuja existência é mais do que plausível —, tais declarações podem ser um mero aproveitamento de obra alheia. Há, contudo, algumas divergências acerca da espécie de peixe utilizada no happening, sendo que o galhudo-malhado da história original parece ser uma aproximação romantizada (os tais excessos de um artista) de um comum arenque.
O que é sabido é que, algures, uma sexagenária anda a conter-se de se associar ao movimento #MeToo. O seu silêncio ensombra a aura de delação vanguardista que faz substituir tribunais por bonitos vestidos em desfiles de galardões cinematográficos e, lamentavelmente, impede a correcta catalogação ictiológica do evento.
Como diz a canção, “já ninguém mais tem respeito pelos excessos de um artista”.
1 Groupie é um termo que designa um tipo de rapariga que, não tendo sido levada pelos pais para o programa Supernanny porque tal violaria os seus direitos, tendia a aparecer por geração espontânea em quartos de hotel onde estrelas hospedadas lhes oferecem um cházinho enquanto ouvem uma ou outra história com lobos maus.
À atenção das redacções (se não souberem ler francês nós traduzimos)
Mas o Obama não fechou Guantanamo?
A América é “grande outra vez” e vai manter Guantánamo a funcionar
Então o Obama não fechou Guantanamo? O parlamento português até saudou o fecho: Parlamento saúda posse de Obama e encerramento de Guantanamo, PCP e PEV abstêm-se
O soviete de Arroios
2018 Janeiro Autoridades despejaram prédio ocupado por grupo de cidadãos em Arroios
Este é mais um capítulo na saga começada em Setembro Assembleia de Ocupação de Lisboa ocupou prédio para alertar para os problemas da habitação em Lisboa
Não há cidadãos nem meio cidadãos. Trata-se do BE a pressionar o PS. Esta fantochada vai custar-nos caríssimo
por mim deixava o centeno, vulgo ronaldinho lusitano, em paz
As notícias da manhã levam a crer que a história dos bilhetes para a bola dados pelo Benfica a Centeno será apenas um fait-divers perante uma hipótese de corrupção que pode envolver futebol, magistrados e a máquina fiscal.
A ser verdade, não seria de estranhar. Pelo poder imenso de que dispõe, que foi ao ponto de ter conseguido inverter «legalmente» alguns dos mais importantes pilares do Estado de direito – a presunção de inocência (vd. o crime de abuso de confiança fiscal) e o princípio de que quem acusa prova (a inversão do ónus probatório em todos os crimes fiscais) – o fisco português aterroriza de tal modo os cidadãos, que muitos deles, principalmente aqueles que estão em incumprimento perante ele, estão dispostos a tudo para se verem livres de uma ameaça que lhes pode levar tudo o que ganharam na vida e fechá-los numa cela por muitos anos. Como a ocasião cria o ladrão, é exactamente neste tipo de situações que aparece quem se aproveite da desgraça alheia, cobrando-se, generosamente, por serviços prestados. Não será, pois, de espantar que funcionários deixem prescrever dívidas ou até as façam desaparecer, e que juízes profiram sentenças amáveis para que se «chegar à frente».
Por outro lado, os benefícios fiscais, mais ou menos lícitos, concedidos pelo estado aos clubes de futebol também não são coisa nova. Veja-se, por exemplo, a vergonha que foi o tratamento fiscal dado ao Benfica pelo ministério de Manuela Ferreira Leite, em que dívidas de milhões de IRS foram objecto de parcelamento «garantido» pelas acções da SAD do próprio devedor, para que o clube sacasse as declarações de regularidade fiscal que o habilitariam aos fundos comunitários para a construção do novo estádio. Enquanto empresários respondiam, nas barras dos tribunais, por dívidas infinitamente inferiores, o novo secretário de estado das finanças – por sinal acabado de largar o cargo de director financeiro do Benfica – aprovava esse extraordinário acordo. Infelizmente, nunca ninguém o investigou.
Posto isto, parece-me apenas que confundir os dois bilhetes dados a Centeno com o que se poderá aqui, de facto, estar a passar, é confundir a árvore com a floresta. Não só por ser por demais evidente que nenhum ministro das finanças do mundo – nem mesmo do Kinshasa, se deixaria sujar por tão pouco, como pode até a coisa ter sido posta cá fora como nuvem de poeira para se não ver o que mais importa. Como envolve um ministro, e logo o ministro mais importante deste governo, dá pano para mangas e para muita conversa. Mas mangas de um fato de péssima qualidade. Até porque Centeno, além de ser um ministro sensato, é a única barreira entre os cofres do estado e o Bloco de Esquerda, que anseia, de há muito, colocar os seus homens nesse ministério. Por isso, faria bem a direita em deixar estar o ministro onde está, enquanto a geringonça estiver como tem estado. Mandá-lo embora e manter o governo da frente de esquerda seria suicídio. Que todos pagaríamos bem caro.
Sobretudo não se podem esquecer as aspas
A Polémica SuperNanny
Começo por dizer a este propósito que abomino todo o tipo de reality shows seja com crianças, com jovens ou adultos. Jamais me inscreveria num nem deixaria filhos meus menores, fazê-lo. Fique claro. Porém, a existirem é inevitável espreitar para poder de forma bem ponderada emitir uma opinião fora da caixa sem seguir as massas. E foi precisamente o que fiz assim que soube do tão polémico SuperNanny.
Sejamos honestos: só existe inscrições para este programa porque mais uma vez o Estado falha quando lhe pedimos ajuda. Temos imensos organismos cheios de gente credenciada a receber salários para apoiar as famílias e crianças mas na verdade não servem na hora da aflição. Quase todos já experimentamos esta realidade portuguesa seja em que área for. Com muita sorte vamos para uma lista de espera onde se desespera de tanto esperar. As mães que chegam a estes programas são pessoas desesperadas, exaustas, desgastadas, já completamente desequilibradas, e que tentaram ajuda. É o desespero que as move. Se assim não fosse, o programa nem sequer arrancava. E só esta realidade já deveria envergonhar o Estado social.
E não. Não é ficção como alguns sem ver o programa afirmam. Antes fosse. Estas famílias vivem mesmo um drama tremendo que lhes provoca mau estar familiar e tristeza profunda. As mães colapsam mesmo com as birras inaceitáveis e violentas dos filhos sem saberem como agir. É a desorientação total. E o que choca as pessoas é mais o facto de saberem que esta realidade existe mesmo, do que a própria exposição em si. Senão como explicam o Instagram, o Facebook, a publicidade, a moda, as novelas, os concursos na TV onde as crianças se expõem ou são expostas pelos próprios pais com tenra idade, sem oposição da CPCJ? No fundo o programa veio pôr a descoberto uma realidade atroz desta sociedade moderna em que vivemos e sobre a qual ninguém quer falar: a tirania dos nossos filhos. Porque falar sobre isto obrigaria a reflectir sobre as modernices educativas que ao invés de educar, transforma os jovens em pequenos ditadores.
O programa veio ainda revelar que os pais de hoje não sabem ser pais. E este fracasso reflecte-se depois na educação. Porque lhes foi dito que uma palmada na fralda era violência, que um bom pai tem de ser sempre o melhor amigo, que a criança tem de crescer feliz e logo não a podemos frustrar. Há anos que repito que estas dicas patetas seriam a receita perfeita para o caos familiar. E acertei em cheio. Criança, ainda no berço precisa de amor firme. Amor doseado com regras, com limites, com obrigações, com metas, com tarefas, partilha e responsabilidade regado com muito diálogo, sim, mas acompanhado dumas consequências (castigos de amor) certeiras sempre que se esquecem dos seus deveres. Frustrar a criança é obrigatório para o seu bom desenvolvimento. Porque tal como tudo na vida, sem uma boa liderança, a anarquia instala-se. Seguindo-se o caos.
Independentemente da exposição das crianças ( que agora o tribunal obriga a corrigir e bem) há um facto inegável que salta a quem vê o programa: com umas simples técnicas pedagógicas de uma psicóloga credenciada, ao fim de alguns dias, aqueles seres indomáveis quase selvagens, tornam-se crianças educadas. Milagre? Não. Apenas foi corrigido um défice no entendimento entre pais e filhos, porque ao ensinar os pais a agir, estes tornam-se menos stressados e a criança interioriza melhor o que lhe é exigido sem despertar raiva. Os pais, ao agir de forma mais segura com liderança firme e assertiva, transmitem mais afecto, mais segurança, ao mesmo tempo que os ensinam. Tão simples quanto isto. Foi extraordinário ver ainda a reaproximação entre mãe e filha adolescente orientadas pela psicóloga, de forma tão simples e bonita, que no caos era completamente impossível de resolver.
A verdade é que os pais não sabem educar porque lhes ensinam coisas erradas sobre a parentalidade. E os mesmos profissionais que hoje se insurgem contra estes programas são aqueles que de forma indirecta contribuíram para esta desordem social com suas psicologias modernas.
O programa depois de corrigido o formato (ocultando identidade das famílias) deveria continuar pois é didáctico para os pais e promove o bem estar familiar que se reflecte inevitavelmente no resto da sociedade. Porque com melhores pais, teremos melhores filhos que serão melhores alunos e em adultos, melhores cidadãos… e pais. Permite ainda a reflexão sobre este flagelo social que todos preferem negar em vez de resolver, numa sociedade em que permitem um filho bater num pai, e o contrário é crime público.
Querem acabar com programas deste tipo? Acabem com as sinalizações quase perpétuas de famílias necessitadas, nas CPCJ, eternamente em banho-maria e criem equipas de intervenção rápida para apoio efectivo e CONTINUADO, dentro dos mesmos moldes do programa, feito de forma individual e verão as inscrições desaparecer completamente.
Até lá deixemo-nos de hipocrisias.
Canto IV adaptado ao pós-Sócrates
Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C’um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
— “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C’uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
— “Dura inquietação d’alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
— “A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D’ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás, figura estóica?
Que triunfos alcançarás indo além da Troika?
Cisma Blasfémias e RBI
Há temas incontornáveis, mas confesso que sobre o assunto em epígrafe a minha posição oficial é fluída, tal como é moda em questões de género.
Umas vezes sou a favor, outras contra. Depende.
O Carlos Guimarães Pinto desculpar-me-á, mas sobre estas matérias tendo a seguir a opinião de especialistas consagrados como o da figura anexa.
Registo apenas que aquele que para muitos é/era considerado um líder futuro do PSD em stock (Carlos Moedas) vai no bom caminho na adesão às grandes causas progressistas.
*
rbi: a minha posição
Eu gostava de me posicionar nesta querela sobre o RBI dizendo, olhos nos olhos dos meus colegas do Blasfémias, que sou absolutamente contrário à sua existência. RBI para aqui, RBI para ali, RBI para acoli, francamente, já não há pachorra: sou contra, pronto! Só não sei exactamente em que consiste o RBI (Rádio Beira Interior?), pelo que se alguém tiver a generosidade de me explicar, fico grato.
Fogueira com ele, para o bem comum
Eu sempre fui contra a inclusão no Blasfémias de realistas, pragmáticos e, no geral, de pessoas que passam a vida a antecipar consequências para as coisas. A opinião publicada deve basear-se em dizermos algo que nos faz sentir bem, pela procura do calor humano e da empatia por pessoas que, como nós, sonham com a transformação do mundo num paraíso terrestre sem interferência de reaccionários conformados com a condição humana.
Sou totalmente a favor do RBI, não necessariamente para mim, que o aceito só para não fazer a desfeita a quem sonha o mundo, mas para os meus filhos, que, como estão em idade escolar, escusam de perpetuar a diferenciação do Homem pelo Homem através de “mérito” escolar (entre aspas, já que baseado puramente em critérios economicistas como desempenho em exames e não no potencial de emoção subjectivo que seriam capazes de alcançar sem a opressão destes).
Também sempre quis escrever um poema épico sem rimas sobre a inexistência de assédio homossexual, o que só provará, para as pessoas eruditas que lerem os cinco volumes, que os homens só oprimem mulheres, nunca outros homens, tornando óbvio que o lesbianismo é a única opção viável para qualquer mulher de Bem, e tal só me parece possível, pelo menos a parte de transformar a obra numa opera circense e itinerante por todos os concelhos do país e além-mar, algo que me parece indispensável para a sua divulgação, se não andar a perder tempo com o enriquecimento ilícito de empresários que me escravizam para seu próprio benefício.
Assim sendo, junto-me à Helena na denúncia deste artigo tão despudoradamente insultuoso para a opinião livre de pessoas que sonham com um mundo bom.
Cisma no Blasfémias
Tinha de acontecer: o Blasfémias vive um cisma. Sou claramente a favor do RBI. DEsde já declaro que se o mesmo for instituído vou fazer campanha para que dez milhões de portugueses passem a receber RBI. O RBI é o futuro: o Governo administra o RBI, o Rio discute a criação no Porto da Agência do RBI, a Catarina propõe um RBI progressivo para os palhaços e palhaças, o Jerónimo e o Arménio Carlos vão a Cuba divulgar o RBI.
Se todos, todas e tod@s tivermos RBI acaba-se o problema da exploração capitalista.
