Toda a gente faz cocó
Mérito seja dado a Fernanda Câncio: não é qualquer um que arranja um tribunal que publicite dois parágrafos esquecidos de um livro. Assim, com a decisão judicial, a jornalista, ex-namorada e actual coordenadora da opinião do “eu vendo quase doze mil exemplares, se correr bem” DN, consegue assegurar que toda a gente fique a saber que o seu ex-namorado, adepto de fotografia, tirava umas fotos durante sexo que deixava espalhadas pela casa, à vista da empregada. Entendo o golpe publicitário, mas a história diz-nos que, para alcançarem fama, pessoas como a Paris Hilton ou a Kim Kardashian têm mesmo que publicar as fotos, não é só andarem a demonstrar em tribunal que as fotos existem. É que, Fernanda, não faltam por aí fotos de sexo por publicar: basta estar no metro e roubar quatro ou cinco telefones.
Por falar em sexo: a direcção da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa é composta por coninhas. Então, numa universidade, cujo propósito é expôr a alunos ideias diferentes, são os palermas dos estudantes quem decide se há ou não uma conferência? E a direcção fica-se, aceita a decisão, por cagaço de distúrbios? Distúrbios? Mas, que mal viria ao mundo por as forças de autoridade partirem à bastonada as cabeças de pirralhos da extrema-esquerda? Parece-me consensual que tal seria considerado um imperativo moral pela Humanidade. Mas pronto, a direcção preferiu arriar as calças para um triste olhar cego ao céu antes da perfuração que alarga o horizonte da miséria (eu disse que era sobre sexo).
Quem Manda no Banco de Portugal?
O país anda em alvoroço com uma reportagem da SIC “Assalto ao Castelo”. E não é para menos. Agora as suspeitas confirmam-se: desde 2009 que havia indícios que BES estava falido. Em relatório entregue pelo BPI, Banco de Portugal tomaria conhecimento do facto. Mas o que é que isto tem de novo? Nada. Em 2010, Vítor Constâncio, então Governador do Banco de Portugal, protagonizava falhas na supervisão no BPN, BCP, e BPP que custaram aos contribuintes só 9 500 milhões de euros!! Foi substituído? Não. Este brilhante Governador viu seus méritos compensados ao ser nomeado vice-presidente do BCE na função de responsável pela… supervisão bancária, agora da UE! Exactamente isso que acaba de ler! E só por isso deixou seu cargo para o sucessor então vice-presidente, Carlos Costa.
Ora, como se vê, já vem de longe esta inércia do Banco de Portugal na supervisão bancária. Contra factos não há argumentos. A questão é: porquê? É aqui o busílis da questão e é aqui que se tem de agir rapidamente. Não são substituições de A ou B que resolvem o problema porque o problema não está nos governadores, está nos banqueiros DDT (donos disto tudo) e no poder que lhes é dado pelos políticos para agirem como agem. Simples.
Quem viu a reportagem não pôde ficar indiferente ao assustador poder de Ricardo Salgado nos meandros da política. E só isso justifica os imensos polvos que ele criou envolvendo praticamente todos os sectores da economia. Tentáculos gigantes que sozinho nunca conseguiria fazer proliferar de forma tão agressiva, passando por Dubai e Angola que se serviam do banco como “lavandaria”. Pior ainda, era o “à vontade” com que o fazia. Sem temer ninguém porque ninguém estava de “fora do polvo”. Foi obra, diga-se, de um grande mestre da fraude a quem todos se curvaram e ainda se curvam apesar de arguido no caso BES e Marquês. Um poder tão assombroso que lhe permite não estar preso preventivamente como autor da maior fraude bancária jamais vista em Portugal. Um ser perigoso que todos temem. Todos, menos um, PPC, que provocou sem hesitações a queda do Império. Terá sido por isso que Carlos Costa resolveu finalmente abrir o jogo?
Por outro lado, é nítida a ligação do BES a outros escândalos: na CGD pertence ao grupo dos maiores devedores com uma exposição de 237,1 milhões e 79 milhões em imparidades; a queda da PT com venda à OI ; o caso dos 10 mil milhões que saíram para offshores supostamente sem controlo da AT onde cerca de 5 mil milhões eram da PT de quem o GES era também administrador… Ou seja, um ninho de ilegalidades à vista de todos que ninguém quer aprofundar porque se o fizerem são todos caçados com rabo preso na armadilha da corrupção e abuso de poder. Logo, todos fogem como o diabo da cruz das CPI’s que possam pôr a nu esta miséria incontestável de promiscuidade política em negócios ao mais alto nível. Que restaria da classe política se tudo fosse realmente investigado? Muito pouco.
Por isso, Costa que tanto se indignou com o caso offshores, que só trouxe a lume para lançar areia nos olhos dos portugueses e ainda mais com o caso BP no BES, diz agora tranquilamente que não há pressas ou motivos para substituir o governador. Tão óbvio que até aleija.
Enquanto não mudarmos o sistema eleitoral e continuarmos a votar em listas em vez de pessoas, permitindo que os partidos façam girar o poder entre amigos, longe do escrutínio popular, enquanto não houver mecanismos que permitam automaticamente suspender de funções responsáveis de cargos públicos ao 1º sinal de prevaricação e responder criminalmente com seus bens, teremos todo o tipo de gente com assento Parlamentar sem que nós, os eleitores, possamos fazer nada para os impedir.
Enquanto isso, o “crime” compensará sempre porque sairão sempre impunes por muito que lesem o Estado. E os DDT continuarão a existir e mandar nisto tudo.
Esse é o problema.
Aquilo no centro de Lisboa era um fartar de gente!
Catarina Martins: “Nós precisamos de uma cidade que responda a quem lá viva. Nós estamos a ficar com cidades esvaziadas, no seu centro, das suas populações, em nome de um crescimento turístico, que as pessoas desejam, que é normal que desejem, que dá emprego, que dá crescimento económico, mas [que] é absolutamente insustentável e que está a retirar às pessoas os direitos mais básicos de habitação, de mobilidade, de cidadania”
Depois da via aérea chegou a via marítima
Dois argelinos clandestinos fugiram a nado de navio atracado no Barreiro.
Homens terão conseguido nadar até terra e estão em fuga desde a última quarta-feira
A avaliar pelo que aconteceu aos que desataram a correr pela pista do aeroporto certamente que estes dois argelisnos inda acabarão a fazer exames médicos por causa da poluição das aǵuas do Tejo.
O Presidente-feirante e “a direita”
Não creio que “a direita” critique o Presidente, como diz Vasco Pulido Valente. Creio, sim, que muita gente, da esquerda à direita (agora sem aspas), discorda da postura de um Presidente feirante, preferindo alguém para o cargo que, com ponderação, seja o fiel entre as forças antagónicas em jogo, a saber, os que crêem que a UE tem problemas de sobra para importunar Portugal com alguma decência orçamental e os que crêem que o país pode ser mais que uma placa de Petri para parasitas do Euro.
Numa semana em que a condenação que reconhece a grande miséria de Holodomor esteve a votação no Parlamento, originando votos contra de três deputados socialistas, de todos do BE e de todos do PCP, é difícil não admitir que 2/3 dos partidos que suportam o Governo nada têm a dizer da morte de milhões — em quantidades estimadas de 1/4 a 3/4 da população portuguesa — à fome. Que o sr. Presidente ache que “esta solução de Governo é cimento armado” seja ofensivo apenas para “a direita” diz muito mais sobre a esquerda do que diz sobre a tal de “direita”.
Em nota final, deixo uma pequena dica para a deputada Moreira, a da tatuagem da data de aprovação do casamento gay: é bastante provável que, entre 1932 e 1933, na Ucrânia, alguns dos milhões de famintos que pereceram pela mão activa do regime fossem homossexuais. Alguns até seriam “de esquerda” e outros ainda seriam ateus. Estamos conversados sobre as causas das activistas de esquerda?
Castrem o adúltero!
Frederich Nietzsche foi, ao longo dos seus 55 anos de vida, um homem profundamente solitário. Dotado de uma melancolia facilmente atribuível à débil saúde e à triste incapacidade de se relacionar sexualmente, pouco lhe restou que não andar pela montanha a recriar-se como profeta pós-teísta, apreciando a natureza como os românticos que o precederam e, eventualmente, esgalhando um ou outro misericordioso orgasmo solitário para a neve na esperança de transcendência para Übermensch, o ser relativista — ou perspectivista, além do bem e do mal — que, paradoxalmente, numa aplicação prática da noção de “eterno retorno” (Ewige Wiederkunft) o levaria à loucura e à morte prematura (No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.— Genesis 3:19). É que Deus pode estar morto mas não anda a dormir.
Homem sem mulher é, por definição e por necessidade, um filosofo. Mulher sem homem é uma ameixa azeda.
Uma taróloga — ou seja, alguém que personifica a lógica pós-gnóstica de Nietzsche — sugeriu, na televisão, a mulher capaz de ligar em directo para se queixar da infidelidade do marido, que esta se deve arranjar, “empinocar”, para que se o marido “fizer muita ginástica em casa” lhe sobre pouca energia para a rua. Parece-me uma boa ideia — já diziam os Beatles que all you need is love —, partindo do princípio que a senhora deseja manter o casamento (recordo que ligou para uma taróloga da televisão a pedir conselhos). Porém, as gajas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta — expressão que deve ter significado apesar de críptico), associação que discrimina 50% da população, e que também vêem com afinco os programas de Tarot (ou Reiki, ou Feng Shui ou o Prós e Contras) ficaram indignadas ao ponto de terem soltado uma gotinha de xixi em forma de queixa ao Público. Com a experiência de incontáveis anos a partir cascalho para que se desperdicem os bíceps ao volante de um camião, as ameixas azedas decretaram imediatamente que o casamento da senhora não funciona, que tem que ser terminado, e que a culpa é do heteropatriarcado, ou do patriarcado ou sabe-se lá de quê. Não sei se sugerem a castração imediata do ex-marido, mas parece-me o passo lógico seguinte. Que se lixe se a mulher quer manter o casamento e arranjar estratagemas de evitar posteriores traições: as ameixas secas já decidiram o que é que a mulher tem que fazer, independentemente de isso ser um passo que lhe origine felicidade ou não.
Que os homens sabem que não percebem as mulheres, é óbvio. Que haja mulheres que achem que percebem os homens é que é só triste. Que haja mulheres que nem a maioria das outras mulheres percebem é que é cómico.
E uma lista negra para as ideias parvas?
Texto progressista para sexta-feira chuvosa
Nem sempre é fácil encontrar textos que definem o pensamento progressista. Por ter encontrado um que considero bastante exemplificativo, deixo aqui a sua tradução do original em Inglês, para que possam passar aos vossos amigos progressistas que, decerto, concordam com ele. Boa leitura. Ler mais…
Milagre é Teodora Cardoso ainda ter salário e ocupar o lugar que ocupa” – declarações do deputado comunista Miguel Tiago sobre a apreciação da da presidente do Conselho de Finanças Públicas que declarou que, até certo ponto, foi quase um milagre o Governo ter conseguido um défice de 2,1%.
uma lição moral
O grande trunfo que o Ministério Público utilizou, durante o longo tempo que levou a investigação da Operação Marquês, foi nunca ter deixado antever as suas suspeitas sobre o motivo do crime de corrupção do ex-primeiro-ministro e a identidade do corruptor. Estas eram, de resto, as principais «fragilidades» que a defesa apontava à investigação e que ficam, agora, muito claras: a utilização da «golden share» para impedir a OPA da SONAE à PT e Ricardo Salgado. Trata-se de um verdadeiro «ovo de Colombo», porque a importância estratégica, para Salgado e para o Grupo Espírito Santo, de manter o controlo da PT era evidente e mereceria bem os milhões do alegado suborno. Mas, até há poucos dias, até à constituição de Salgado, Granadeiro e de Bava como arguidos no processo, esta hipótese nunca tinha sido levantada. Num processo em que todos se queixam das constantes «fugas de informaçã0», este é um facto assinalável.
Mas, seja verdadeira ou falsa a tese da acusação, há aqui uma ilação inevitável, para a qual esta conclusão nos remete com violência: depois das trágicas consequências da sua decisão «patriótica» de manter a PT longe do mercado e das mãos de Belmiro de Azevedo, nunca José Sócrates foi questionado sobre a desgraça que aconteceu à PT em Portugal e no Brasil (donde, de resto, o «merceeiro do Norte» a queria, muito sensatamente, retirar), e que acabou com a venda da empresa, por um preço irrisório, a uma concorrente francesa de segunda categoria.
A lição moral a retirar disto é, por si, evidente: as empresas são coisas para o mercado e os empresários e não para os políticos.
o grande e o pequeno marquês
Um dos episódios que considero mais desagradáveis e incomodativos da história contemporânea de Portugal é o daquele célebre cheque de 900 milhões de euros passado por Henrique Granadeiro da PT para a Rio Forte. Trata-se de uma coisa saída de uma versão malévola dos Padrinhos de Coppola, porque estava à vista de todos, e certamente que de Granadeiro em primeiro lugar, que esse acto, ao qual ele seguramente não pode fugir, lhe destruiria irremediavelmente a vida. Alguém, em determinado momento, lhe terá feito «um pedido que ele não podia recusar», sob pena de acordar com a cabeça do seu melhor cavalo decepada no travesseiro, ou até de nem acordar, e ele assinou a sua sentença de morte para ficar vivo.
No desenvolvimento dos acontecimentos da Operação Marquês, de que hoje a Visão e a Sábado publicam importantes peças, fica-se com a sensação de que, afinal, o grande «marquês» é outro que não Sócrates, concretamente Ricardo Salgado, o homem a quem, segundo Bataglia, «nada se podia recusar». Neste contexto, Sócrates surge, cada vez mais, como uma pequena personagem que se deixou corromper pelo «dono disto tudo», a troco de alguns significativos milhões de euros. Quando se esperava que Sócrates pudesse ser ou inocente ou um grande corruptor, a grande personagem de uma tragédia ou de um crime, eis que ele nos surge como um pequeno figurante de uma ópera bufa, capaz de pôr em causa o enorme património político que os portugueses lhe confiaram, em troca de uma vida flauteada e de luxos exibicionistas. Um pequeno marquês.
Mas, se Sócrates desilude, o papel a que Salgado se prestou nos interrogatórios também não engrandece a personagem, porque, para além de tentar fazer dos inquiridores parvos, fez-se de parvo ele também. Assim é que nos pontos principais do Ministério Público – a transferência de 15 milhões de euros para Bataglia, que foram posteriormente parar às contas do eterno Carlos Santos Silva, e os milhões enviados para o negócio da PT no Brasil – o homem alega um absoluto descontrole das operações, o total desconhecimento do destino das verbas e do resultado dos «investimentos» (os 15M para Bataglia, por exemplo, seriam para comprar «blocos de petróleo», de que, obviamente, nunca ninguém viu o paradeiro). O que, a ser verdade, faria de Ricardo Salgado um absoluto pateta e um péssimo gestor, coisas que ele, obviamente, não é.
Está, pois, próximo o fim dos dias da tão comentada Operação Marquês. Pelo que já se vê, desta vez, a acusação deverá mesmo sair no mês de Março. Esperemos que, em seguida, para que isto não fique a meio, a investigação avance para averiguar o que aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, que a levou à ruína. Será, certamente, uma boa ocasião para revermos as personagens principais do caso cuja investigação está agora prestes a terminar. E para entendermos por que razão, e graças a quem, andamos a pagar, com o dinheiro dos nossos impostos, a falência de Portugal.
Façam de conta que o presidente da CML não é o delfim em práticas para um governo de aliança das esquerdas
e de uma vez por todas perceba-se que muro é aquele que desliza todos os dias, quem licenciou o condomínio e garantiu a estabilidade do dito muro e outras coisas assim por dizer comezinhas
E refugiados sírios?
É melhor que não se saiba
Há informação que não deve circular na rua, literalmente. A ideia retrógrada de meninos terem pilinhas e meninas terem pipis é ofensiva para quem, por motivos desconhecidos, decide que deve ter apenas uma imitação cirúrgica de um deles. Pelo menos, assim determinou um tribunal madrileno, assumindo a biofobia como forma de combate à discriminação através de outra discriminação (esta última discriminação deve ser considerada benigna pelos “cientistas” sociais): é que já não se pode dizer que um chanfrado é chanfrado, que este, por ser chanfrado, pode ofender-se, e nós não queremos isso, que as ameixas-secas e os xoninhas também são gente (apesar de chanfrados).
Pelos vistos, a verdade é um crime de ódio. Infelizmente, só em Portugal nascem mais de 220 odientos bebés com pénis ou vaginas todos dias.
Os offshores, esse engodo da propaganda
Tiro o chapéu à Central de spins do governo, que tem profissionais de elevado calibre. No timing devido e com a prestimosa ajuda de uma imprensa amestrada, souberam criar um caso que pôs o país mediático e as redes sociais em ebulição, ofuscando por completo a CPI sobre a CGD, seja a antiga que paralisou, seja a próxima, que irá certamente esperar pelo mais que certo recurso para o Supremo Tribunal sobre o disclosure dos grandes devedores. Ler mais…
Esqueçam a eutanásia, casem-se, mas é
Tomando em consideração que um artigo de “ciências” sociais pode servir para tudo o que quisermos — e se esse artigo não der, outro qualquer da interminável selva académica das “ciências” sociais dará —, dotados do engenho de um Eugénio Rosa a gasolina super em vez de gasóleo agrícola, podemos concluir que é giro casar homens com outros homens para evitar que não se suicidem. Até o podemos fazer num jornal cujo esforço para ser igual aos restantes — leia-se “sem sal” — começa a ser por demais notório. Vou presumir tratar-se de um caso de peer pressure ou, como se diz agora, bullying.
Em certos aspectos, não sei se vale o esforço: indivíduo que se mata só porque não consegue obter uma certidão social enraizada em tradição de índole religiosa no contexto tribal é bem capaz de desatar em pranto interminável por qualquer outro motivo ridículo como uma mancha de mostarda de dijon nas calças de terylene. No fundo, não há nenhum motivo para evitar o suicídio de pessoas, recordam-se? Ainda há dias se discutia o quão necessário era ajudar quem se queria suicidar e não conseguia: até estávamos dispostos a legalizar o homicídio em determinadas circunstâncias que, de forma tão colorida como a nossa sexualidade pós-desconstrutivista, denominávamos por eutanásia.
Por isto, estranho um pouco que o Luís Aguiar-Conraria opte agora por esta posição tão pró-vida. É com enorme satisfação que verifico que o casamento de homossexuais contribuiu para a redução de suicídios de pessoas. Talvez se legalizarmos o baptismo, a comunhão e o crisma homossexual se consiga uma redução ainda maior de suicídios. O caminho é por aí: em vez de se voltar à causa da eutanásia, talvez se deva oferecer ao doente terminal a hipótese de um qualquer sacramento civil progressista.
A ex ministra Lurdes Rodrigues trata de desmentir os populistas como o Trump no que respeita à falta de controlo de fronteiras na Europa. Vai daí saca de uma ilustração da vala de Ceuta e Melilla. De facto é preciso andar-se muito distraído paar criticar o muro na fronteira com México quando a UE tem isto nas suas fronteiras. Está a senhora ex-ministra cheia de razão

Quem chegar aqui vindo de Marte acreditará ao ler prosas destas que os muçulmanos são por esse mundo fora vítimas dos mais desvairados preconceitos e atentados por parte dos cristãos. O que é espantoso é que este lado tolerante e cosmopolita do islão – que reportagens como estas apresentam como sendo o predominante – não consegue explicar ao outro lado do islão que não pode matar, perseguir e infernizar a vida aos demais. Quem tem um problema com o islão são maioritariamente os muçulmanos cujo lado tolerante não consegue impor-se, não se tem conseguido mobilizar para combater os fanáticos e não raramente é vítima desses mesmos fundamentalistas.
As artes, a cultura. a vida nas empresa, nos transportes, nas ruas… estão a ser condicionadas na Europa pelo temor da susceptibilidade de alguns muçulmanos. E quando se esperava que a defesa da liberdade se tornasse urgente o que temos é esta acusação virada para o lado que tem sido vítima. Sim acredito que o islão seja toda essa maravilha mas toda esssa maravilha terá de ser explicada em primeiro lugar às pessoas que em nome do islão matam e perseguem os que não pensam como eles. Onde pára o islão moderado quando os radicais aparecem?
Ou vice-versa, não sei bem

Tenho passado estas noites de Inverno no sofá, em frente à televisão, muito entretido com a história de um político poderoso que utiliza todos os meios à sua disposição para atingir os fins a que se propõe. Numa sequência de episódios bem engendrados, conseguimos perceber o modus operandi do personagem e conhecer as variadas artimanhas maquiavélicas por ele utilizadas no atropelamento dos seus adversários e no alargamento do seu poder e da sua esfera de acção. Claro que, numa narrativa deste género, não poderiam faltar todas as técnicas de manipulação, propaganda, contra-informação, retórica enganadora e deturpação de factos.
Têm sido momentos bem passados e, de certo modo, instrutivos. Por vezes, terminado o enredo do dia e antes de ir para a cama, ainda ligo o DVD para assistir a um episódio de House of Cards. Mas normalmente isso não acontece e, concluído o resumo noticioso diário dedicado ao Primeiro-Ministro António Costa, acabo por me deitar.
Como se estava à espera
a indústria das indemnizações já está em grande laboração. João Braga é o filão do momento: A associação SOS Racismo anunciou em comunicado que vai apresentar uma participação à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, “exigindo bom senso e sentido de responsabilidade dos diferentes actores sociais” para que estes não andem a sedimentar preconceitos, alimentar estereótipos e a legitimar racismos. É que, no diálogo que entretanto estabeleceu com os seus “amigos” no Facebook, João Braga acabou por qualificar como “imbecis, curtos de cerebelo e preconceituosos” todos os que o apelidaram de racista e homofóbico, “entre outras aleivosias”.
Ouvir João Braga antes que seja crime
Chiça, é que são mesmo
O fadista João Braga disse uma coisa irritante. É irritante porque é quase verdade: Agora basta ser-se preto ou gay para ganhar Oscares. Na realidade, o uso de ou estraga a declaração. Para ser verdadeiramente correcta, seria necessário escrever que basta ser preto e gay para ganhar Oscars.
“Toda a gente” — leia-se brancos e heterossexuais xoninhas apoiantes da Geringonça — já reagiu com a indignação da praxe. O fadista também já reagiu, agora com uma verdade que dispensa correcção: CHIÇA, QUE OS HERDEIROS DE ESTALINE SÃO MESMO AVESSOS À LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
Pois são. E também são mariquinhas, diga-se, em abono da verdade.
PAN leirices
“Qual é o custo?”
Esta é a pergunta feita por ninguém, em nenhuma circunstância, em nenhuma altura, sempre que quem paga “é o Estado”. Ao menos, evita-se complementar a questão — felizmente — com a besteira que é a afirmação subsequente a estas coisas: “o Estado somos todos nós”.
O PAN, o BE e os Verdes (um deputado, um partido e uma coisa que finge ser outra) decidiram que todas as cantinas associadas a serviços do Estado — inclui escolas — têm que ter uma opção vegetariana no menu. Apesar de desconhecer a existência de menus em cantinas — já que costuma ser arroz com frango ou, em opção, frango com arroz — será interessante perceber a repercussão de coisas como estas:
A aplicação da lei será “simples”, comenta André Silva, pois “qualquer cantina tem uma entidade gestora responsável, que [por sua vez] tem alguém da área da nutrição que faz as fichas técnicas e as capitações”. Não estão, assim, previstos custos adicionais, comenta, até porque as refeições vegetarianas são “mais baratas” que as outras, acrescenta, citando a Direcção-Geral de Saúde (DGS), que fez um manual para quem quer seguir uma dieta vegetariana de forma saudável.
Público
Mas são mais baratas ou são grátis? Como é que o custo de estar quieto e o de confeccionar um agradável empadão de beterraba e grelos recheado de nabo e beringela é igual?
A opção vegetariana sempre esteve presente nos “menus”: é frango assado com arroz e uma folha de alface? Tire o frango fora, tem prato vegetariano instantâneo. Agora, abrindo portas aos vegetarianos, por que se há-de manter a discriminação? Para quando comida kosher? E halal? E para vegans? E fardos de palha para indivíduos que se caracterizam como sendo de esquerda?
Por outro lado, é bom verificar que os grandes problemas da humanidade estão a ser enfrentados por um governo de grande mérito: eutanásia, refugiados, promessas de não declaração de rendimentos para convidados e maneiras eficazes de meter as salsichas na borda do prato.
O PÚBLICO resolveu o seu défice: criou uma página de anúncios para encontros
Carnaval de Las Palmas 2017. Para o ano certamente que se vão inspirar noutra religião.

O Circo dos “ChenVergonha”Chegou a Portugal
Chegou o circo a Portugal. O maior circo político “ ChenVergonha” de todos os tempos. Aqui não falta nada: contorcionistas, malabaristas, palhaços, mágicos, domadores. De tantos números a que assistimos fica muito difícil escolher o “melhor” de tanta “qualidade” que estes artistas transpiram. Se a “figura de ursos” que constantemente fazem junto da UE onde fingem odiá-la batendo do pé, mostram os dentes exigindo reestruturação da dívida, mas sempre de mão cada vez mais estendida, já nos causa “frisson”, imaginem o excelente número de mágica de Centeno que faz desaparecer défices sem baixar a dívida! Divinal! O problema é que cada português já deve 70 mil euros para o ver… e não vai ficar por aqui. Ler mais…
A melhor crítica ao galardoado com Oscar para melhor filme que se publicará em Português
Toda a gente diz que os Oscars são um espectáculo degradante. Não só por isso, mas também, asseguro que assisto ao maior número possível de filmes nomeados para as principais categorias. Este ano não foi excepção, tendo assistido a todos os nomeados para a categoria de melhor filme. Não sem custo, porém. “Moonlight”, o (afinal) vencedor, custou um bocado a ver, digamos, numa escala de sofrimento algures entre uma crónica do Daniel Oliveira e as vezes em que o CDS se porta como um ginasta cego numa auto-estrada, como fez agora com o “caso” das transferências para offshores. Perdoem-me os amigos do CDS, mas é mesmo assim: em pantomina ninguém bate os centristas (já os amigos — concedamos um plural misericordioso — do Daniel Oliveira ficarem aborrecidos seria um dia de sol primaveril com greve de guardas do gulag).
“Moonlight” pode ser descrito de forma rigorosa como um balde de trampa em forma de celulóide. Não faço aviso de spoilers porque, sinceramente, não vejo forma de estragar o que não tem forma de conserto. É um miúdo preto, com mãe drogada que se prostitui (o normal), que é um bocado esquisito. Até aqui tudo bem, tudo feliz, é uma alegria pegada. Depois, o miúdo cresce para adolescente completamente diferente (deve ter feito uma plástica) e começa-se a suspeitar que pode ser maricas. Sem problema, tudo normal, pode ter uma vida engraçada que agora a SIDA já nem mata. Contudo, na praia, acaba a beijar um amiguinho da escolinha (que, sem estereótipo nenhum, lhe assenta uma par de socos na face mais à frente) e que, por cortesia e generosidade digna de um conto de fadas (pode substituir a primeira vogal por um O que o efeito é o mesmo), lhe concede um cinco-contra-um, uma contagem de barrotes, um dar milho aos pombos, um descascar da mandioca, um esfolar de periquito, um limar de trave, uma ordenha da cobra, um solo de flautim de capa, uma miríade de expressões divertidas que o realizador toma por românticas. Bem, até aqui, tudo bem na mesma, eles lá sabem, os gostos de uns são a indiferença de outros. Só que, depois, o miúdo cresce para vendedor de droga sem qualquer aparência com o adolescente anterior, bem encorpado, de quem passa mais tempo no ginásio (mas não no balneário) do que a misturar pau de giz com o produto que vende, e percebe-se que o gajo esteve 10 anos (dizem os guionistas, pela aparência do actor diria 20) sem esfolar o ganso. Mas, senhores, isto cabe na cabeça de alguém? O gajo tem obviamente problemas sérios de desenvolvimento, precisa é de um médico, não de um encontro romântico a comer frango frito (não, não há estereótipos nesta linda história de um sociopata, que ideia). Isto, simplesmente, não só não acontece como é estupidamente imbecil.
Surpreendem-se que este afagar de sentimentos de culpa branca (não me recordo de ter visto um único branco neste filme que falasse) degenere na eleição de Donald Trump? Quando acabei de ver o filme tive vontade imediata de ir votar Trump, mesmo não sendo americano e não importando para nada, que ele já foi eleito. Contudo, depois de ver esta mistela pré-pubescente de argumento no ecrã, mais que votar em Trump, fiquei aliviado por não ter o código de lançamento da bomba atómica. Porque, se tivesse, não tenham dúvidas que rebentava com o planeta só para lhe dar a chance de começar de novo, sem este lixo produzido pelo odor dos tempos modernos que os progressistas (burros) tanto admiram. É que nem o Miguel Abrantes — pessoa que almoçou com Fernanda Câncio e Daniel Oliveira e que não consta ter vomitado — seria capaz de escrever uma alarvice tão brutal.
Que vendedor de droga não arranja um Viagra? Ou um cabeça de crack desesperado ao ponto de o gratificar pela hipótese de fumo em segunda mão de qualquer coisa viciante? O único ponto positivo de toda esta história é que, se correr tudo bem, o sofrimento da personagem desaparecerá com um balázio de uma intervenção policial. Infelizmente, o filme terminou antes disso, retirando ao espectador a recompensa por duas horas de comidinha integral para vegans de espírito.
A factura mais pesada
Sobre colunas
O que define um jornal, bem além da capacidade de cópia de takes mais ou menos toscos da Lusa e da filiação mais ou menos acérrima da redacção num grupelho revolucionário, é o seu corpo de colunistas. Tenho pensado bastante na lista de pessoas que merecem ser lidas, ora por apresentarem um ângulo único, ora por demonstrarem uma capacidade de compreensão do formato de opinião, das suas limitações e do uso pleno da linguagem como ferramenta de comunicação e beleza.
Facilmente conclui que o Observador tem o corpo de colunistas que lhe atribui o primeiro lugar. O segundo, muito à frente de qualquer um dos outros, pertence ao Correio da Manhã, que é o que também tem a maior variedade temática. Já o pior jornal em termos de colunistas é difícil de determinar, que eles parecem competir ferozmente pelo último lugar na liga dos últimos. Porém, se tivesse que apostar, escolheria o Expresso, uma amálgama de tipos que se percebe imediatamente oscilarem entre pagos-a-peso-de-outro e publicas-de-borla-e-já-tens-muita-sorte-não-te-cobrar-para-te-publicar.
Depois há os casos patológicos, como o do DN, que publicava os delírios senis de Mário Soares e ainda publica os delírios fetichistas de ex-namoradas despeitadas de políticos suspeitos de corrupção, e o caso do Público, com Pacheco Pereira, o homem que, em Portugal, mais se esforça, sem qualquer sucesso, para ser expulso do partido a que em má hora se filiou.
É um erro considerar-se que é na redacção que se define a tendência de um jornal. Não é. Nas redacções todos são parecidos, seja no Observador, seja no Acção Socialista. Não admira que, no formato papel, o Correio da Manhã seja líder incontestado de vendas.
Emails sem controlo do fisco?
Perguntaram-me hoje se eu recebia a newsletter do Público. É verdade, recebo, mas não me recordo de ter subscrito tal coisa. Poderia, eventualmente, subscrever a newsletter do PCTP/MRPP ou até os papiros do POUS, que desses saberia com o que contar, mas do Público? Que mal fiz eu para receber a newsletter do Público? Pior mesmo só se recebesse fotografias do Sócrates e namorada em Formentera (a moça tem razão, há coisas que devem ficar mesmo reservadas para a imaginação). O que é factual é que recebo a newsletter do Público e esta apareceu espontaneamente na minha caixa de correio, nem veio acompanhada de um faqueiro ou de comprimidos de cianeto que explicassem a proeza. Eu subscrevi a newsletter do Observador, mas não fazia ideia que isso implicaria subscrever todas as newsletters de publicações subsequentes que fossem dirigidas pelo David Dinis. Assim sendo, espero que passe rapidamente para a Playboy (é legal e até já fizerem capa com um homem, não é nada sexista).
Bem, meti-me a ler a coisa. No contexto em que me encontrava era isso ou a composição do shampoo e, bem, a composição do shampoo já li em ocasiões anteriores do mesmo cariz contextual. Eu falo mesmo assim como escrevo, como as pessoas que me conhecem poderão atestar após o quinto ou sexto copo. Bem, voltando à história, fui ler. Calha-me um artigo do David Dinis com uma coisa qualquer do Jefferson e nós somos isentos como o caraças e ai de quem questionar que não somos que eu provo já que somos atacando o outro lado que é para eles verem. Não percebi grande coisa. Quem me conhece sabe que tentei, mais uma vez, ler o Finnegans Wake, tendo desistido apenas à página 20 sem perceber patavina da coisa, portanto, é perfeitamente normal que não entendesse um artigo do Público. Porém, cheguei a uma parte que lá percebi, a custo:
“Sem controlo do fisco”? Perdão, este é um caso daqueles que justifica múltiplos sinais de pontuação: “sem controlo do fisco”????? Então, um gajo tem que dar cavaco ao fisco das transferências que faz? Tem que pedir autorização? Tem que ser considerado como criminoso pelo jornalismo isento e equilibrado e sei lá o caraças a quatro? Mas legalizaram as drogas e não me disseram nada? Anda tudo grosso? Acham que precisam do carimbo da funcionária das finanças para transferirem dinheiro para onde bem entenderem?
Depois meti-me a pensar. (Não agoira nada de bom, já se sabe.) Então, e para transferir endereços de e-mail de um jornal para outro, subscrevendo newsletters que nos deixam muito mais maldispostos que a composição do shampoo deixaria, não é preciso controlo do fisco? E se não é do fisco, é de quem? Não há protecção de dados? Não há uma entidade qualquer – se há uma para o calibre da cenoura, para isto também deve haver – que impeça esta escandaleira (ou, como outra dizia ontem, poeticamente, esta ignomínia moral)? (Agora estou a sentir-me um verdadeiro jornalista isento e tudo, palmas para mim.) É preciso tirar isto a limpo.
Vamos parar com a brincadeira? Bem me parecia que não, que é para continuar.
afinal havia outro? qual outro?
O governo da geringonça, depois de uns primeiros meses a dar umas baldas aos sindicatos e aos eleitorados das esquerdas, está a fazer, essencialmente, o que faria um governo de Passos Coelho e do CDS, se tivesse continuado para uma segunda legislatura. Certamente existiriam algumas diferenças em algumas áreas, como na educação não superior (no ensino superior tudo permanece, infelizmente, na mesma), mas nada que nos fizesse abrir a boca de espanto. Quanto à geringonça, o caminho que tem seguido era o inevitável: continua-se a extorquir os contribuintes e a pagar aos credores, com Costa a dizer aos seus crentes que este governo provou quer «havia outro caminho». Desse ponto de vista, Centeno é um herdeiro natural de Albuquerque e de Gaspar, e nem poderia ser de outro modo, caso quiséssemos permanecer no euro, o mesmo é dizer, vivos e na União Europeia. A austeridade, que era para acabar, está, como não poderia deixar de estar enquanto se não secarem as fontes dos problemas, cada vez mais assanhada, com novos impostos e aumento dos antigos. No resto, a geringonça serenou os sindicatos, via PC, e calou os palhaços de rua, via Bloco. Enquanto as sondagens não forem muito péssimistas para estes dois partidos, as coisas permanecerão assim. Quanto aos problemas de fundo do país continuam sem ser reformados, os bancos a darem as habituais dores de cabeça, Bruxelas e o FMI a mandarem os recados do costume. Se o BCE continuar a suportar a parada, o circo continuará a rodar e Portugal a ser a grande esperança da Europa e do Mundo.
No pasa nada
É impressão minha
ou Cavaco Silva recusa pronunciar o nome de José Sócrates?
Não sei se é mais interessante o que diz Caiado Guerreiro se a total esquizofrenia entre o que ele diz, o que lhe perguntam e o oráculo
Aquela experiência de criopreservação do BE foi interrompida?
Comédia à portuguesa
No momento em que iniciei a escrita deste texto, o artigo Os paraísos fiscais são pura ignomínia de Ana Sá Lopes no jornal i ostentava, orgulhosamente, 107 visualizações. Neste artigo, a autora queixa-se (“pura ignomínia”) de existência de offshores. Ora, isto é particularmente engraçado se tomarmos em consideração que o jornal i pertence à Newshold, empresa integrada na holding Pineview Overseas com sede no Panamá.
A realidade portuguesa ultrapassa as capacidades de imaginação dos comediantes.
