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A propósito

22 Abril, 2020

Eduardo Cintra Torres:  A China protesta por todo o mundo por se chamar “vírus da China” a um vírus que apareceu na China.
Outros países ponderam tomar medidas.
A Espanha ameaça declarar guerra a quem chamar “gripe espanhola” à pandemia do século XX que nem sequer começou em Espanha.
A Grécia quer apresentar queixa contra Portugal por se dizer em português “vi-me grego” quando se passa por uma situação difícil.
A Rússia regressará ao auge do seu programa nuclear se se chamar “roleta russa” a um joguinho em que uma pessoa morre sem ser por decisão de Putin.
A França mantém silêncio sobre dizer-se “à grande e à francesa”, por não ter decidido se as recordações do seu passado são reconfortantes ou dolorosas.
A Suécia diz que “jogar à sueca” não representa a sua verdadeira cultura nacional.
O Estado português pensa em pensar na hipótese hipotética de apresentar uma proposta prévia e provisória de decisão na ONU para se ponderar pensar mudar o nome da “caravela portuguesa”, um bicho gelatinoso do alto mar, para “alforreca portuguesa”.
E a Itália grita e gesticula que sairá da Europa se se continuar a falar em “casamento à italiana”, argumentando que confusões conjugais há por todo o lado.

O dr. Ferro Rodrigues está a um passo de cumprir o seu sonho de membro da Comissão Política Nacional do MES: desmascarar a Assembleia da burguesia

21 Abril, 2020

o mercado tem sempre razão. quer tenha ou não.

20 Abril, 2020
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Independentemente da elevada, ou reduzida, perigosidade do COVID-19, debate que, para o que aí virá, até à descoberta de uma vacina, é absolutamente irrelevante, o facto é que as pessoas, na sua enorme maioria, não querem correr riscos que possam pôr as suas vidas em perigo. As pessoas são muito mais inteligentes que os governos ou as estruturas de decisão colectiva (em Portugal, por exemplo, a DGS) e antecipam-se-lhes quase sempre, em regra com muito mais bom senso do que estas últimas.
Se olharmos para o caso português, antes mesmo do governo decretar a suspensão das aulas e o fecho das escolas, a maior parte dos alunos já lá não ia, proibidos por pais responsáveis, que não queriam pôr os seus filhos em risco, por mais que lhes garantissem o contrário. Foi, também, devido à pressão de trabalhadores, que boa parte do comércio fechou antes da declaração do estado de emergência.
Não se discute se isto é muito ou pouco sensato, se a crise económica irá fazer mais ou menos vítimas do que estas medidas de precaução eventualmente exagerada. Constata-se, apenas, o óbvio: que as pessoas têm medo de um vírus desconhecido, altamente contagioso e que já matou mais de 100 mil pessoas, só na Europa, num breve espaço de tempo. E como as pessoas têm bom senso (é, pelo menos, isto em que acredito, como liberal), sabem que nenhum sistema de saúde – muito menos o português – aguentará uma pressão de milhares de doentes, como, de resto, aconteceu em Itália e na Espanha. Este é, obviamente, mais um incentivo para que se recatem e tomem precauções, porque não querem ficar doentes de uma doença sem cura certa e a cargo de um Serviço Nacional de Saúde que não as poderá acompanhar, se a pressão for grande.
É, pois, com estas coordenadas que a nossa sociedade, as suas instituições e empresas terão de trabalhar, até que surja uma vacina ou terapêutica seguras para o COVID-19. Até lá, o mundo em que sempre vivemos não regressará. E, por isso, teremos de ter inúmeros planos b para salvaguardar o nosso modo de vida, cientes de que as pessoas não se deixarão empurrar por soluções que não preservem, em primeiro lugar, a sua segurança. Foi sempre assim na História do Mundo, pelo que só um delírio nos poderá levar a crer que desta vez será diferente.

E se já não estivéssemos a produzir plástico como os activistas pretendiam?

20 Abril, 2020

 

As alminhas que tremiam mal avistavam um saco de plástico onde param agora? Foi necessária uma pandemia para que alguém ouvisse outras opiniões- Como esta de Maria Elvira Callapez:  dois mil e vinte “iria ser o annus horribilis” para a indústria dos plásticos. “Era o ano das proibições”,Maria Elvira Callapez é uma defensora convicta deste material e acredita que é possível usar o plástico como aliado – desde que, sublinha, a reciclagem funcione sobre rodas.

 

PS. Também era para avisar que as dezenas de vacinas em desenvolvimento contra o COvid-19 estão a ser testadas em animais. Querem manifestar-se contra? Pode ser virtualmente.

Dia da libertação

20 Abril, 2020

Não percebo a indignação dos meus amigos com as cerimónias parlamentares do 25 de Abril. Em primeiro lugar, é uma data que só é festejada no parlamento, servindo para piqueniques e idas à praia para os restantes portugueses (não me levem a mal: é precisamente para isso que deve servir um “dia da liberdade”). Em segundo lugar, porque a existência de cerimónia parlamentar indica que já nem o parlamento acredita no estado de emergência. Como tal, falta pouco mais de quatro dias para que todos possamos seguir o exemplo dos nossos parlamentares. A minha única preocupação com o 25 de Abril de 2020 é se vai estar tempo que convide a uma ida à praia para que os portugueses também possam festejar. Isso, e que a telescola não mande muitos trabalhos de casa para que o senhor provedor do telespectador, doutor (deve ser doutor) Jorge Wemans, não passe o dia a corrigi-los.

25 de Abril de 2018 no Algarve, segundo a revista Sábado.

O fim do tempo que disseram nosso

19 Abril, 2020

Eles, os donos do que dizem ser o nosso tempo, nem percebem como reproduzem, passo por passo, os tiques do regime cujo final querem celebrar: depois de anos, décadas, quase meio século a troçarem da cerimónia da brigada a que chamaram do reumático (a 14 de Março de 1974, oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas mostraram o seu apoio a Marcelo Caetano numa cerimónia em que sobressaíram as ausências de Spínola e Costa Gomes) também eles estão transformados numa brigada do reumático e reivindicam a sua cerimónia como se ela fosse um amuleto.

Sem soluções para o futuro, agarrados à vacuidade das palavras tantas vezes ditas e cansadas pelo confronto com uma realidade que se tornou escarninha, precisam de celebrar a data fundadora do regime já não como uma vitória sobre o passado, ou de exaltação do presente mas sim como um exorcismo face a um futuro que temem e para o qual não têm propostas. O combate aos fascismos futuros cumpre agora o papel retórico de anos de evocações e recriações dos fascismos passados: iludir o momento em que alguém faça o balanço entre o prometido a 25 de Abril de 1974 e o concretizado nos anos seguintes.

Comemoração do 25 de Abril na AR

18 Abril, 2020

CDS:  «A democracia fora do parlamento, não pode valer menos do que a democracia dentro do parlamento. O 25 de Abril não se fez para separar ainda mais as elites do Povo, nem para que uns fossem mais livres do que os outros.»

Manter a cerimónia «dá um péssimo exemplo aos portugueses e não respeita os sacrifícios que estão a fazer – aos quais é pedido que não participem em celebrações religiosas como a Páscoa, que não abracem os seus filhos, pais e avós, que não se despeçam dos seus entes queridos que morreram, que fiquem fechados em casa mesmo que isso tenha levado milhares ao desemprego, que fechem as empresas, e que não vão trabalhar ainda que não tenham como pagar as suas contas.»

Louçã, o homem a quem nunca se pergunta nada

18 Abril, 2020

Escreve o JCD «Uma ideia que me acompanha desde há muitos anos, ainda Louçã era apenas um dirigente de um partido mínimo, é que o Francisco Anacleto é um mentiroso compulsivo mas a imprensa, quase sempre dócil para com cromos de extrema-esquerda vestidos de cordeiro, raramente questiona o que ele diz. Aqui mais um exemplo das aldrabices do Dr. Francisco Anacleto.» Ao que eu acrescento: não percam ali pelos 1.18 o ar de satisfação do Louçã quando começa a dizer a mentira sobre a IL. Louçã vive há anos desta retórica: faz uma introdução aparentemente genérica e depois em jeito de contraponto apresenta um dado sobre os vilões. Ele sabe que ninguém lhe vai perguntar nada, que ninguém lhe vai dizer que não é assim, que com ele não há contraditório. Como escreve o JCD Louçã é um mentiroso compulsivo e, acrescento eu, sabe disso e vive disso. Não se tem dado mal

A zaragatoa lusa e a covid-20

17 Abril, 2020

Hoje, no Observador, refiro quão patriótica pode ser uma zaragatoa e lembro que a composição e gestão dos fluxos da chamada “reserva estratégica do medicamento” são definidas por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da defesa nacional e da saúde, através do Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos.

Swab

Defendo nesse artigo que o Estado, em vez de tentar dirigir a economia e a indústria, deve preparar-se para, com a retoma dos circuitos internacionais, obter os equipamentos de que precisamos para protecção da nossa saúde.

Tudo, aqui.

 

 

Carta ao rei dos belgas e ao presidente do Brasil

17 Abril, 2020

Venho encarecidamente pedir a Vossas Excelências que por uns breves dias troquem de países. Mais propriamente proponho que o senhor Bolsonaro se torne presidente da Bélgica  e o rei dos Belgas imperador do Brasil. Pessoalmente os dois ficavam a ganhar: o rei dos belgas porque passava a imperador de um país com dimensão mais que qb e o senhor Bolsonaro porque alargava as vistas e ganhava patine. Quanto a nós, pessoas que nos procuramos informar através dos jornais, revistas, rádios, televisões…, também ganharíamos notícias sobre o Covid-19 na Bélgica.

Não duvido que se o senhor Bolsonaro fosse presidente da Bélgica alguém já teria reparado que naquele país se atingiu o número de 445 mortos por milhão de habitantese  obviamente seria considerado um genocida. Já agora se o senhor Bolsonaro tivesse a gentileza de prolongar a sua permanência na Europa por mais uma semana podia ocupar o trono de Espanha (entretanto os reis de Espanha até tiravam férias que bem precisam que as coisas não estão fáceis na Zarzuela)  e aí teria outro genocídio por que responder: 423 mortos por milhão de habitantes. (Só o que aconteceu e está a acontecer nos lares de Espanha devia dar-lhe para meia dúzia de denúncias. Por crimes contra  a humanidade, obviamente.)

Posto isto o senhor Bolsonaro podia e devia regressar ao seu país natal donde aliás nunca mais saíria dado o número de processos por genocídio que o esperavam.  O rei dos belgas regressava à sua Bélgica e os reis de Espanha à sua Zarzuela. E nós quem sabe finalmente discutíriamos como foi possível termos deixado o populista, demagogo, irresponsável, alucinado, ignorante e genocida do Bolsonaro conduzir a Espanha e a Bélgica a tal catástrofe.

Obrigada.

 

As pessoas ficam maluquinhas, já se sabe

17 Abril, 2020

Como um carteirista que vê a carteira do incauto leitor de jornal no café pousada na mesa, olho para a porta do apartamento sabendo que a sua abertura me exporá a terríveis doenças e ainda piores menções na comunicação social. Se a abrir estarei a cometer uma nefasta acção contra toda a humanidade. Dizem-me que não custa nada: é só mais uns 15, talvez medidos em dias, em meses ou em anos. Mesmo no pior cenário de 15 anos, é uma pena menor que a normalmente atribuída a outros genocídios. É preciso um esforço, diz o senhor presidente na sua palavra dirigida aos da idade dele, de idade menor e de idade também maior. É assim que fala o presidente, como se existisse uma idade certa – a dele – e outras idades que lá vão circundando o pináculo da existência humana. Isto é uma guerra, dizem, e decerto que é: não faltam as bombas que deputados e líderes partidários atiram. O doutor Rio explicou que enquanto não se colocar um escafandro em todos os portugueses não existem condições para voltar à rua. Bem diziam as muçulmanas que a moda do futuro seria a apicultura.

Não sei se arrisco. Se abro a porta pode dar-se o caso de sentir uma irresistível vontade de lamber o corrimão. E se eu morro? Recordo com pesada melancolia a angústia de atravessar a linha de comboio nas idas para a escola primária: “E se um comboio aparecer à velocidade da luz?”, perguntava ao Rui, meu companheiro de viagem. Sobrevivi ao comboio, não sucumbirei ao vírus. Fico em casa, a receber encomendas do Continente através do esterilizado estafeta. Recebo o correio enviado em envelope anti-bacteriano.

Dizem que o mundo tem risco. Não posso aceitar isso. Enquanto não inventarem uma vacina para este e para todos os outros vírus do futuro, não mais sairei de casa. Continuarei a olhar para a porta, à espera do dia em que se anuncie a conquista da imortalidade. Até lá, resta-me a janela para identificar os perigosos prevaricadores. Era autorizarem-me a dar-lhes um tiro. Isso é que era.

Emérito

16 Abril, 2020

Hoje, Torgal Ferreira declara à revista Visão a sua confiança no Estado para acudir aos desvalidos da crise, quiçá por já não acreditar numa Igreja independente e autónoma do poder em funções.

Todavia deixo abaixo três outros recortes onde fica patente a fé, muita fé, deste homem. Fé em Costa, nosso Senhor e na santíssima trindade da geringonça, bem entendido.

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Espanha: 400 mortos por milhão. Bélgica: 383 mortos por milhão. ‘Bora falar do Trump e do Brasil

16 Abril, 2020

Este é o destaque de hoje do Expresso para o Coronavírus.

Coronavírus
«Em direto. Covid-19 no 🌏: Estados Unidos com 2.569 mortos, o pior registo global em 24 horas (e já há mais de 600 mil infetados)
 Reino Unido com quase 5.000 casos e 761 mortes em 24 horas. Em França registam-se mais vítimas mortais, mas a quantidade de doentes hospitalizados desce. Bruxelas revela critérios para alívio das medidas restritivas: “Recomendamos uma abordagem gradual”. Todos os estados do Brasil com vítimas mortais. Petróleo afunda e consumo cai para níveis de 2012. Siga em direto»

Regra nº 1: Chamar todos os dias a atenção para a catástrofe norte americana. Note-se que os EUA registam 86 mortos por milhão de habitantes.A Espanha tem 400 mortos por milhão de habitantes. Também há sempre a possibilidade de alertar para o drama brasileiro: o Brasil que regista 8 mortos por milhão.   A Espanha repito tem 400 mortos por milhão de habitantes.

Regra nº 2: A não ser nos casos em que está em causa um governo não friendly do ponto de vista do eixo Belém-São Bento os números nem são referidos: Onde estão os 383 mortos por milhãode habitantes atingidos pela Bélgica?  Isso não interessa nada porque há o Reino Unido do Brexit com metade dos mortos por milhão de residentes da Bélgica mas esse é um detalhe que não interessa nada.

Regra nº 3: Anotar o dia em que se comprou o Expresso pela última vez.

 

 

Reunião da elite

16 Abril, 2020

A imprensa diz que ontem houve uma reunião da “elite” ou de “alto nível”.

Vou tentar não perceber quem participou neste encontro para não deprimir.

Mas o Observador já me deixou com um sorriso nos lábios e mais sossegado. Percebi pelo relato da notícia que quem tomou parte neste conclave não se leva a sério: afinal, juntaram-se todos para ouvir uma masterclass de Marcelo sobre assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação política.

 

A complexidade do mundo para lá do maniqueísmo infantil das notícias bem comportadas

15 Abril, 2020

Bolsonaro pede ‘prudência’ no uso de dados celulares no combate à covid-19

A ler

15 Abril, 2020

André Abrantes Amaral : convencer os Portugueses a ficarem em casa não foi difícil. O mundo pode ser caótico e selvagem que aqui dentro alguém nos protege. Até já nos disseram que podemos ir de férias. Somos crianças felizes a viver uma fantasia. O norte da Europa paga. Porquê? Porque se somos moralmente exemplares, cabe à Europa estar à altura e fazer a parte que lhe cabe: passar o cheque. Haverá cenário mais favorável para um político governar sem contraditório?

Tiago Coelho «Pequim encontra aliados (não importa se conscientes ou inconscientes) nas Nações Unidas, OMS ou mesmo em alguns órgãos de comunicação social Ocidentais que há umas semanas estavam mais preocupados em discutir se a designação de “vírus de Wuhan” era racista ou não. O silêncio ensurdecedor que se sente numa altura em que se deveria confrontar a China com as suas responsabilidades não será alheio à crescente influência financeira, económica e política de Pequim no plano internacional. É justamente neste ponto que importa olhar para o que se passa na OMS como um estudo daquilo que o PCC pretende de organizações multilaterais e, em última análise, de um sistema internacional multipolar.»

Mariana Sottomayor «O neurónio DGS anda muito ufano com o achatamento da nossa curva, mas eu peço aos leitores que procurem, e aos jornalistas que divulguem, o que se passa na Grécia. E como as medidas certas na hora certa permitiram que a Grécia tenha oito vezes menos casos e cinco vezes menos mortes, para uma população que tem o mesmo tamanho que a nossa (valores de 13 de abril)! Mas o neurónio DGS é dedicado como já referi. E bem vivo, porque sendo só um, é utilizado continuamente.  E assim emite a norma 9/2020 de 2/04 relativa a doentes oncológicos em que, entre coisas essenciais  decreta o seguinte:  um doente oncológico que faça quimioterapia deve obrigatoriamente ser testado para a Covid-19 antes do tratamento (ponto 17). Significa isto que um doente oncológico que faça tratamento semanal (o mais frequente), vai passar a ter que se deslocar duas vezes por semana ao hospital.. Ir duas vezes por semana ao hospital significa para muito doentes fazerem horas de transporte com outros doentes ou em carreiras públicas! Pense-se Miranda do Douro-Porto! São duas vezes de canseira física, contactos físicos redobrados e visita a um hospital que, mesmo com circuitos independentes, será sempre um local de risco elevado de contaminação! Por outro lado, um hospital que fazia por semana 500 tratamentos, vai passar a ter que fazer mais 500 atendimentos, envolvendo uma logística que vai ocupar um contingente muito significativo de profissionais de saúde, desde funcionários administrativos a enfermeiros e médicos. Isto num momento em que estes profissionais não têm mesmo nada que fazer!»

Sim, depois da Espanha, da Bélgica, da Itália, da França…

14 Abril, 2020

Holanda tem recusado isolamento total. Agora, tem uma das maiores taxas de mortalidade da Europ

O fantasma holandês anda por aí! Se não for muito pedir alguém consegue explicar os  números da Bélgica?

O SOS Racismo está de quarentena?

14 Abril, 2020

Numa nota conjunta enviada ao ministro de negócios estrangeiros da China, embaixadores africanos na China reclamam de vários casos de discriminação e abuso contra os estrangeiros africanos naquele país, sobretudo, na cidade de Guangzhou.
Segundo a nota dos embaixadores, citada pela Reuters, os africanos estão a ser maltratados, sendo que alguns foram obrigados a evacuar hotéis no meio da noite, outros têm passado por testes compulsivos da COVID-19, sem direito a resultados, e têm sido alvo de discriminação no espaço público.
Algumas reclamações têm sido expostas nas redes sociais e televisões locais. Os embaixadores apelam à cessação de testes e quarentena obrigatórios e qualquer acto desumano contra os africanos na China.

Era mesmo o que faltava: a apologia do regresso dos alguidares!

14 Abril, 2020

A melhor forma de lavar a roupa à mão para “matar” o coronavírus  Tem montes de graça escrever estas coisas. Dizem que é ecologista, que se poupa energia…. patati patatá. Começo por lembrar que se gasta muito mas mesmo muito mais  água  a lavar roupa ou louça à mão do que na máquina – e portanto estas máquina na terminologia em vigor são “amigas do ambiente” . Em seguida convém perguntar a quem escreve estas patetices: sabem o que é lavar roupa à mão? Não estou a falar de lavar aquela camisola de lã especial ou tirar a nódoa da toalha bordada. Estou a  falar da roupa de uma casa de família. Há uma insensibilidade social crescente nesta maluqueira fashion da quarentena: há gente fechada em andares pequenos, três, quatro, cinco pessoas em três ou quatro assoalhadas.  No meio do muito que há para  fazer ainda se sugere acrescentar lavar a roupa à mão.Trabalho que para mais sobra para as mulheres do costume. Logo agradecem-se sim artigos a dizer para as pessoas não se sentirem culpadas por  fazerem máquinas com pouca roupa e não a apologia do regresso dos alguidares!

A coisa começou por aparecer  na Vogue. Está-se a ver: vestidos de milhares, jóias de milhões, malas de que é melhor nem falar e, claro, a apologia do eco-chic como o novo caviar com gauche incluída. Mas mesmo assim o título era diferente: How to Launder Your Clothes—and Face Masks—Even If You Don’t Have a Washing Machine

Aqui, portuguesmente falando, transformou-se em A melhor forma de lavar a roupa à mão para “matar” o coronavírus

As máquinas de lavar roupa fizeram mais pela autonomia económica das mulheres que dezenas de decretos históricos. Lavar roupar à mão é como ir ao dentista sem anestesia: não, obrigada.

Covid-19: o falhanço europeu

13 Abril, 2020

Screenshot from 2020-04-13 11-28-28
(dados de hoje. Os números da Bégica são tenebrosos. O que está a acontecer na Bégica?)
Não adianta o vudu com o Trump ou com o Bolsonaro. Se exceptuarmos a China em cujos números nunca se sabe se se pode confiar, foi aqui na UE que as coisas falharam. E falharam muito. Não era assim que nos tinham dito que ia acontecer. Mas no socialismo tem sempre de existir um Trump. Imagine-se que em vez de olhar para o Trump se olhava para o país?

A ler

13 Abril, 2020

Pedro Salvador   «Mas, então se Espanha, Itália e os restantes países do sul podem contar com a solidariedade europeia e até do Eurogrupo pela via do BCE e do MEE, porquê este alarido todo à volta da falta de solidariedade e da ameaça do fim da UE? Por uma razão simples: os países do sul querem endividar-se sem condições. Não querem dívida para resolver uma crise sanitária e depois implementarem medidas de saneamento do Estado. Querem prosseguir as suas políticas de estatização da economia, de aumento dos gastos públicos e ao mesmo tempo beneficiar de uma moeda, da taxa de juro e das garantias que outros assegurarão. Por outras palavras, os países do sul não querem solidariedade do norte, querem o dinheiro do norte para continuarem a gastar á tripa forra, sem fazerem as reformas que os outros fizeram depois da última crise.»

Filipe Brito Bastos  «Que o nosso país não esteja a oferecer a nossa solidariedade aos italianos, na medida do possível dentro das suas humildes possibilidades, é desanimador. Mas é particularmente inexplicável em relação aos espanhóis.»

J. Margalho Carrilho «Coronavírus, o «imperador maoista» Xi Ji Ping e a grande estratégia da China da Rota da Seda: Do passado só sabemos que as crises, o medo, o confinamento social, a disciplina marcial e pobreza acentuada são favoráveis ao emergir de mentes totalitárias, a todos os níveis, à esquerda e à direita.»

André Azevedo Alves e Rodrigo Adão da Fonseca «As informações que recebemos da Europa mostram que, pese embora o otimismo político e as grandes proclamações que compreensivelmente se fazem para consumo interno, dificilmente grande parte das perdas decorrentes da pandemia não terão de ser absorvidas por cada um dos países. Tentar suspender a Morte deixando em suspenso todo um país pode ser um desejo latente, mas é em si uma impossibilidade, um absurdo, e reflete também uma profunda cegueira e desumanização. Podemos aceitar medidas de restrição, inclusive de confinamento, como resposta a necessidades provisórias de reorganização dos serviços de saúde e atraso da propagação do contágio, mas tal não pode transformar-se e escalar – como tem vindo a ocorrer – para se tornar na forma estruturante como encaramos a adversidade e enfrentamos um vírus. Muitos dos que hoje paralisaram e estão disponíveis para capturar ou entregar as liberdades para que se opere este “combate ao vírus” fazem-no a partir de uma posição confortável – em muitos casos, ilusoriamente confortável –, esquecendo que as crises têm impactos assimétricos.»

As vacas socialistas nunca dormem. Podem é deixar de voar…

12 Abril, 2020

… emagrecer e passar a andar nas suas quatro patas.  Aqui ficam as quatro patinhas em que o socialismo vai andar nos próximos tempos:

*Nunca pronunciar a palavra austeridade.  As vacas que já estavam a emagrecer antes do Covid-19  vão ficar ainda mais magras. Mas é proibido falar de austeridade. A austeridade aplicada por um governo socialista não se chama austeridade, chama-se rigor ou, mais patrioticamente ainda, esforço de todos nós. Caso de todo em todo este rigor ou este esforço patriótico não se distingam da austeridade – e note-se que em Portugal só existe oficialmente austeridade quando a função pública é afectada – será chegado o momento de introduzir o factor Passos Coelho.

Teremos sempre um Trump. A Espanha com 47 milhões de habitantes tem 16.480 mortos por Covid-19. Os EUA contam 328 milhões de habitantes e 20.456 mortos. Conclusão: o Trump é uma besta.

Não vamos perder tempo com essas questões. Vão dizer-nos para nos centrarmos no que interessa. E o que interessa é o apresentar das políticas (no momento da apresentação resultam sempre), dos programas (provavelmente de relançamento do turismo de que se tinha tornado moda dizer mal) e das medidas (quiçá até de apoio ao alojamento local que há uns meses se perseguia).Tentar perceber em que falhámos é uma questão com que obviamente não vamos perder tempo.

*O que o governo não refere não existe. Este poder socialista de criar ou apagar a realidade leva a que no mesmo país que em 2011 e 2012 se vislumbravam esfomeados em cada esquina agora se mantenha um impressionante silêncio sobre as pessoas que ficaram subitamente sem rendimentos e que não cabem nos programas de ajuda anunciados. Como acontece, por exemplo, com a maioria dos comerciantes

A ler, sem falsas sensações

11 Abril, 2020

Fernando Leal da Costa: «uma estratégia que tivesse incidido muito mais sobre a protecção de grupos de maior risco, nomeadamente os mais idosos, sem que tivesse sido imposto recolher obrigatório a toda a economia, poderia ter sido mais avisada de início. Bastaria ter fechado acessos ao País em devido tempo e ter confinado os potenciais transmissores em vez de os ter convidado a ficarem confinados. Bastaria ter um sistema de saúde melhor coordenado, com melhor liderança global e intermédia, sem preconceitos ideológicos, com medidas de protecção pensadas a tempo, com circuitos de diagnóstico e assistência organizados antecipadamente. Nada disso aconteceu. Talvez bastasse ter um sistema de saúde que não estivesse à partida com a sua capacidade ultrapassada e um Serviço Nacional de Saúde (SNS) com reserva para expansão. Não tínhamos.»

Festa da varíola

11 Abril, 2020

Vai um indivíduo dentro do seu veículo, tranquilamente, encontra uma operação policial sem precedentes que consiste em assegurar que o residente em Valongo não conspurca com a sua presença indesejada o glorioso concelho da Maia. Para assegurar a eficácia do procedimento higiénico da operação “Vai Para a Tua Terra”, o agente solicita que o condutor abra o vidro, para que possa baforar o interior do veículo com a sua assintomática declaração de virtude enquanto apalpa com vigor os documentos que comprovam o estatuto de tentativa de imigração temporária e ilegal para o concelho vizinho.

Na maior operação de imunização comunitária levada a cabo pelas autoridades, esta autêntica “festa de varíola” poderá ser o factor determinante para o sucesso da nação no combate ao Covid–19. Daqui a uns anos, entre a chacota decorrente das unintended consequences, o sucesso da operação “Páscoa Segura – Vai Para a Tua Terra, Bandalho” poderá ser referido internacionalmente como mais uma prova irrefutável de Deus a escrever direito por linhas tortas. É por isso que devemos louvar o triunvirato dr. Costa, prof. Marcelo, senhor Ferro Rodrigues: ninguém teria tanta capacidade para providenciar as linhas tortas a Deus.

Não se pode brincar em serviço

10 Abril, 2020

Marcelo tomou o gosto dos fracos e possidónios pelos poderes de tiranetes e, ao pré-anunciar que quer renovar a declaração de estado de emergência até Maio, eterniza aquilo que ou não era necessário ou, sendo-o, deveria ser absolutamente excepcional e circunscrito o mais possível no tempo.

Justifica tal intenção dizendo que “não podemos brincar em serviço”.

Ora, não tem ele feito outra coisa senão gozar à grande com o pagode, mas como hoje é Sexta-feira Santa abstenho-me de dar exemplos que, aliás, são muitos e de todos conhecidos.

Marcelo_Taverna

Imoral e criminoso

9 Abril, 2020
Fotografia por Milad B. Fakurian

Manter as escolas do ensino básico encerradas até ao fim do ano lectivo é imoral. Manter o isolamento total após o período que os portugueses, até à Páscoa, gentilmente cederam ao governo para que organizassem os serviços hospitalares de forma a lidarem com um fluxo crescente de contaminados é imoral. Impedir os portugueses de se deslocarem entre concelhos ou até que se dirijam a áreas descobertas para usufruto da natureza é imoral. Perguntar a alguém de onde vem e para onde vai é imoral. Transportar consigo um salvo-conduto é imoral.

Manter o estado de emergência além do dia 15 é imoral e criminoso. O governo é imoral e criminoso.

os conselhos da dra. graça

9 Abril, 2020
by

gfNo post imediatamente anterior a este, o Vitor Cunha cometeu um erro de percepção. É que o que António Costa proibiu não foi que os portugueses mudassem de concelho, até porque desde a última reforma administrativa ninguém sabe onde eles começam e acabam, mas que não se mudassem os conselhos que as autoridades sanitárias, a ministra da saúde e a dra. Graça Freitas dão diariamente aos portugueses. De facto, se um dia há que desconsiderar a perigosidade do vírus, no dia seguinte é preciso tomar todos os cuidados com ele; se de manhã devemos usar luvas, à noite é melhor andar sem elas; se hoje as máscaras são inúteis, no dia seguinte todos temos de sair à rua mascarados; se ontem as escolas eram para manter abertas, hoje já são todas para fechar; se há uma semana devíamos ir aos lares visitar os velhinhos, uma semana depois estamos proibidos de passar-lhes à porta. O que António Costa quer é que os conselhos da dra. Graça Freitas não mudem ao sabor do vento, e que se perceba a quantas andamos. Também para seu próprio governo, coitado!, que anda tão confuso como nós. Não será fácil, mas talvez depois do fim da epidemia o consigamos.

Se meter um pé num concelho e outro noutro terá que aí ficar para sempre

9 Abril, 2020

Não se pode passar de um concelho para outro. O motivo científico para tal medida é que não há nada mais passível de criar déspotas de bairro como dotar as camadas operacionais das forças de autoridade com o poder de perguntar a qualquer pessoa a eterna questão filosófica: “de onde vem e para onde vai?”

Não pondo em causa o isolamento social, há aquelas medidas contraditórias que deixariam qualquer um confuso. Por exemplo: não havendo o “direito à Páscoa em família”, qual o propósito de tolerância de ponto para a função pública? Não estão já todos (excepto pessoal médico e policial) a coçar micoses em casa? O topógrafo da câmara precisa de tolerância de ponto para quê? O senhor gestor de projecto de obra particular que não me responde a emails há mais de três semanas precisa de uma tolerância de ponto? E no caso do pessoal médico, que não beneficiará de tolerância de ponto, qual o motivo para obterem duas folgas pagas a horas extraordinárias a gozar no futuro? É recompensa por desempenharem a sua função, a mesma que noutros períodos é devidamente recompensada com umas pauladas por grupo étnico não designado?

As televisões estão com os seus intrépidos repórteres nas fronteiras e nas entradas das principais cidades à procura dos bandalhos que se arriscam a deslocar entre concelhos como se fossem membros do Baader Meinhof a caminho de colocar bombas. Deve haver um motivo para esta loucura, mas nenhum deles é médico ou científico. E se não subscrevo a teoria de que se aproxima o apocalipse, também não percebo a passividade de cornudo com que qualquer excentricidade despótica do governo é encarada como “a nova normalidade”.

Não que tenha mudado de opinião. Peçam-me para ficar em casa, e eu fico. Se me ameaçam com penas por não ficar em casa, está o caldo entornado: não me ocorre melhor incentivo à rebelião.

Estou para ver os alertas que se vão fazer sobre a necessidade do mundo no seu todo mudar a sua forma de viver

8 Abril, 2020

caso um dia um vírus resulte dos extraordinários consumos de bacalhau por parte dos portugueses. Até para não nos discriminarem acho que se deve fazer uma campanha na Finlândia sobre os perigos da açorda de bacalhau com poejo.

 

A propósito de bestas

8 Abril, 2020

Tiago Dores: Este Stefan Löfven é uma besta. Na Suécia a estratégia de combate ao coronavírus resultou numa taxa de mortalidade escassas nove vezes superior à da vizinha Finlândia. Mas como Stefan Löfven não se chama Donald Trump…

A propósito de bestas este quadro coloca uma questão: porque não é Pedro Sanchez  uma besta? Imagine-se estes valores nos EUA ou no Brasil

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Portanto os chineses comem morcegos e pangolim e nós, no ocidente

8 Abril, 2020

segundo o PÚBLICO devemos pensar nos animais como parceiros, cuja saúde e habitats têm de ser protegidos para evitar o próximo surto global.  (que tal explicar isso às autoridades chinesas?)

segundo o Papa Francisco: vamo-nos dando conta de que todo o nosso pensamento, goste-se ou não, está estruturado à volta da economia. No mundo das finanças, parece que é normal sacrificar. Uma política da cultura do descarte. Do princípio ao fim”, lamenta o Papa Francisco. (Portanto sociedades inteiras fecham-se em casa, arruínando as suas economias e o Papa conclui o quê? Que a culpa é da economia)

A ler

7 Abril, 2020

Fernando Leal da Costa  assina hoje no Observador uma série de tópicos. A ter em conta.

1.A falta de uma lei de quarentena que não precise de “estados de emergência” é agora, mais do que nunca, evidente

2. O vírus, mesmo que corretamente chamado de SARS-Cov-2 é mesmo chinês, com origem na China, mutado na imundície dos mercados chineses

3. O cerco do Porto ficará para as antologias da má comunicação. A DGS não poderia ter declarado ir estudar uma coisa que não sabia se era praticável. E o Senhor Presidente da CM do Porto não pode, NÃO PODE, dizer que não reconhece autoridade à senhora DGS.

4.Já se percebeu que no tumulto da impreparação geral, não exclusivamente nacional, a DGS meteu os pés pelas mãos no que às máscaras diz respeito.

5. Quanto aos testes, confusão total. Também da OMS que, vendo bem, não é propriamente uma trupe de iluminados

Há mais 5. A ler.

Visionamento recomendado a todos em geral e muito em particular aos fartos de viver bem que não prescindem da t shirt do Che

7 Abril, 2020


Um cidadão cubano que fugiu do paraíso socialista cubano responde à comunista chilena Carolina Cox que por causa do coronavírus ficou retida em Cuba. Resultado: pede ao presidente do Chile que por favor a vá buscar. Exige. suplica… Enfim explica que é muito difícil viver entre ratos, sem comida nem papel higiénico. Este cidadão cubano responde-lhe neste video. E faz dois apelos a todos aqueles que defendem o socialismo: vão a Cuba. Vão viver para CUba. O segundo apelo: discutam comigo. Aceitem discutir comigo sobre o que é a vida em Cuba. Por fim, deixa uma frase: queixa-se que não tem papel higienico há um mês? A minha família nunca em Cuba nunca teve papel higiènico.

O preconceito a desfazer-se no ridículo

6 Abril, 2020

index

A entrevista de Ricardo Araujo Pereira ao presidente da Inciativa Liberal foi um desastre. Não por falta de talento do RAP mas sim porque a cegueira ideológica foi tal que ao prepararem a entrevista alinharam uma série pateta e patética de perguntas.

Desde que os dirigentes do CDS foram entrevistados na RTP durante o PREC que não se via uma sucessão de perguntas tão tontas. O que ali está espelhado mais que o bom desempenho do João Cotrim de Figueiredo é a idiotia a que o maniqueísmo levou quem preparou aquele programa.

Acham que no OLX se arranja uma destas fardas que Emilio Pucci desenhou para a Braniff?

6 Abril, 2020

Quantos inquilinos e senhorios já recorreram aos apoios anunciados?

6 Abril, 2020

O portal do IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana que vai emprestar dinheiro a senhorios e inquilinos continua  a dar destaque às Comemorizações Oficiais | Dia Nacional dos Centros Históricos  que tiveram lugar em 2019 ou aos vários programas de arrendamento dito acessível que falharam há uns meses e mais vão falhar agora que as rendas vão baixar. Sobre os anunciados empréstimos para senhoros e inquilinos enfrentarem a presente crise nem uma linha, nem um link.

 

Obviamente do contra

5 Abril, 2020

Este é o mundo em que nos lares se afixam códigos de combate ao assédio sexual mas se esquecem os planos de contingência para o vírus. Um mundo de frases feitas.

Isto é uma guerra – Não, não é.

Está sob controlo – Não, não estava.

Estamos todos no mesmo barco – Não, não estamos.

Os nossos idosos – Não, não são nossos nem de ninguém.

A Organização Mundial de Saúde declarou – Não, não declarou, calou.

Diário do manicómio

5 Abril, 2020

Quase, quase a adormecer, ouço um megafone debitando sílabas mecânicas sem os intervalos preenchidos pela Internacional Socialista que indicariam tratar-se de uma campanha eleitoral de um dos resquícios revolucionários que os baby boomers mantêm vivos para gozar com os mileniais crédulos em qualquer treta. Não era, pelo que saí à rua para descobrir quem seria o idiota do autor do desaforo. Tratava-se de um carro da polícia a “aconselhar” as pessoas para que não saíssem de casa. Olhei em redor e não vi qualquer pessoa na rua: cá estávamos nós, eu e um carro da polícia de onde um agente “aconselhava”, em total exclusividade para mim, que devia regressar rapidamente a casa. Emocionado pelo gesto pessoal, regressei a casa. Eles lá continuaram, a falar sozinhos.

Quando entrei em casa ouvi um barulho ensurdecedor. Vim à janela e vi um meteoro a atingir o carro da polícia. Por entre a destruição total do carro, um deles, preso na chapa amolgada como o papel da multa de estacionamento que recebi quando ainda éramos humanos, ainda vivo, gritava por ajuda. Abri a janela e gritei: “não podemos sair de casa”.

Jaime Nogueira Pinto: o que ficou por lembrar

3 Abril, 2020

JNP

Jaime Nogueira Pinto (JNP) constrói hoje no seu artigo publicado no Observador um enredo subtil que, embora não tendo má intenção sofista, ilude a verdade e subverte a realidade dos factos.

Diz JNP que a Alemanha, a Holanda, a Áustria e a Finlândia, a que chama depreciativamente “os financeiramente correctos” são países profundamente egoístas por serem avessos ou recusarem a emissão de coronabonds. Refere ainda que os governos destes países só se mostram preocupados com o “déficit” e apenas querem uma União Europeia “para os tempos fáceis”.

Desde logo JNP parece fazer a habitual confusão entre variáveis fluxo e stock. Do que veio reportado na imprensa, os países supostamente “malvados” têm objecções de princípio a níveis de dívida pública astronómicos como os de Portugal ou Itália. Não estariam demasiadamente preocupados com o valor dos déficits em situações de excepção como a da epidemia que nos faz companhia neste momento, não fosse dar-se o caso de os países pretensamente “vítimas” terem, recorrentemente e ao longo de décadas, despesas públicas acima dos valores que recolhem através de impostos. A reserva dos Estados hipoteticamente “facínoras” é, aliás, maior porque num passado não tão distante quanto isso acudiram a situações de insolvência dos países “injustiçados” na expectativa de que estes mudassem de vida após uma situação de aperto e se tornassem entidades de contas razoavelmente certas e gastos parcimoniosos.

Só para que nos entendamos: a Alemanha tem uma dívida pública de 62% do seu PIB, a Holanda de 53%, a Aústria de 74% e a Finlândia de 59%. Já Portugal, como se sabe, ultrapassa os 122%.

JNP esquece algumas coisas. Primeira: se os países “anti-coronabonds” estão em condições de ajudar os outros é porque criaram riqueza suficiente e pouparam em medida tal para que não haja dúvidas fundadas quanto à sua solvência para o nível de dívida que têm actualmente. Já os países “pro-coronabonds” acumularam um stock de dívida pública tão exagerado que já não há margem para distender o déficit durante o período económico mais conturbado sem que os credores tenham uma percepção de risco enorme e sério receio de nunca mais serem ressarcidos dos seus empréstimos.

Desde logo é crucial que as pessoas e as sociedades sejam livres nas suas opções, mas responsáveis pelas decisões que tomam. A seu tempo os países frugais (como também lhes chamam) optaram por reformar a sua sociedade e o âmbito de actuação do Estado. Nós, legitimamente e por vontade popular optamos por não reformar. Ou, melhor dito, optamos por dar ao Estado um peso cada vez maior nas nossas vidas e permitimos que se endividasse a tal ponto que, em momentos de aflição como a covid19 (ou outros), o próprio recurso a mais dívida se torna extremamente difícil. Ora, não é legítimo sugerir que a responsabilidade dos nossos actos e imprudências seja de terceiros. 

Outra coisa que JNP esqueceu é a de que é absolutamente racional e um dever básico que os países “maus” tenham noção do risco de incumprimento por parte de Portugal, Itália ou mesmo Espanha. O dinheiro alemão ou holandês não é dos respectivos Estados, mas sim de cidadãos concretos a quem lhes foi subtraída parte dos seus rendimentos. Os contribuintes desses países não são Portugueses, mas são gente respeitável também. Mal fora que os governos destes países desconsiderassem esta circunstância.

JNP esqueceu ainda um outro facto indesmentível: dívida agora significa impostos futuros. Quer JNP deixar às gerações mais novas e aos portugueses vindouros um peso de obrigações de que não foram responsáveis e condicionar de forma dramática a possibilidade destes desenharem o seu próprio futuro com um mínimo de liberdade? A solidariedade inter-geracional passa pelos mais jovens e os que ainda nem sequer nasceram pagarem os desvarios e esbanjamento de quem se lhes antecedeu na história? 

Mas, como JNP coloca a questão quase do ponto de vista deontológico e não tanto do utilitarista, vou-me abster de comentar os resultados que invariavelmente se verificam quando se fornece droga a quem tem comportamentos aditivos de estupefacientes ou o que é de esperar quando se cede a chantagistas.

Digo antes que a verdadeira caridade parte da vontade livre de quem a oferece. Caridade não é responder a pedinchar de mendigos. Gostaria também de salientar que não constitui obrigação moral a nenhum Estado acudir a situações de má gestão pública e falta de previdência de terceiros países.

A quem já beneficiou de ajuda externa e mais do que uma vez como Portugal, se não sabe viver com os seus próprios meios nem tem nenhum pudor de ainda assim fomentar o esbulho das pessoas e dos seus contribuintes que criam riqueza, seria de bom tom não esquecer de a ajuda que já teve. Se não agradece, pelo menos, deveria ter o recato de não se sentir credor de direitos que não tem.

É de elementar decência não exigir dos outros a manutenção do país numa situação de dependência de terceiros e parasitismo compulsivo.

O preço a pagar pela liberdade é elevado, mas define um povo.

o decreto repugnante

3 Abril, 2020

A 20 de Março o Governo socialista publicou o Decreto-Lei n.º 10-B/2020 que aumenta os salários dos funcionários públicos. Foi na mesma semana em que centenas de milhar ou mesmo milhões de trabalhadores portugueses ficaram na incerteza do seu futuro; se as empresas onde trabalhavam iriam novamente reabrir; se perderão já ou  daqui a um mês ou dois o seu emprego; se verão os seus salários reduzidos por lay-off, se e quando os clientes voltarão. Apenas uma certeza esses trabalhadores tiveram: alguém terá de pagar o aumento dos salários da FP e não serão os FP.

Tão ofensivo decreto ainda está a tempo de ser revogado. Mas tem de ser agora.