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Sette Piani

3 Abril, 2020

No extraordinário conto Sette Piani (Sete Andares), Dino Buzzati descreve a história de um advogado – Giuseppe Corte – que, em virtude de uma doença ligeira, se hospeda num moderno hospital italiano. O hospital ocupa um edifício com sete andares e tem um curioso sistema de repartição dos pacientes pelo espaço: no último piso estão os doentes menos graves; os restantes pisos são ocupados por pacientes com maleitas de gravidade inversamente proporcional à distância ao solo; no rés-do-chão ficam os que já têm as malas aviadas para o outro mundo. O dr. Corte dá entrada no último piso, já que quase nem estava doente. No entanto, uma série de acontecimentos improváveis – todos sem qualquer relação com o agravamento da doença – fazem-no sucessivamente descer de piso, até ao infernal rés-do-chão.

O conto descreve com mestria o esvaziamento progressivo da esperança de regresso à vida normal com que o protagonista é confrontado, à medida que passa para os pisos inferiores, por razões incompreensíveis. Lembrei-me deste conto, que li há quase vinte anos no n.º 3 da Revista Ficções (revista que pode ser descarregada no site do Instituto Camões) ao ver o Decreto Presidencial n.º 17-A/2020, que renova o Estado de Emergência e agrava, sem qualquer razão aparente (nada se vislumbra no prefácio do decreto presidencial), as medidas que podem ser adoptadas pelo Governo ao abrigo de tal estado de excepção.

Tal como o protagonista do conto de Buzatti, vejo o regresso à normalidade como algo cada vez mais distante, pois é evidente que o sr. Presidente parece apreciar os poderes de excepção de que dispõe (nem me atrevo a imaginar o que estará a preparar para inevitável terceiro decreto desta série) e o Governo, embora mais moderado, também parece estar a tomar-lhe o gosto. A sensação de que recuperar o estado de normalidade constitucional pode vir a ser mais difícil do que a recuperação da economia é aterradora.

paulo baldaia: um esclarecimento

2 Abril, 2020
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Na terça-feira passada recebi o telefonema de um amigo que se queria justificar por ter faltado a uma reunião por videoconferência, que eu tinha agendado e onde ele devia ter comparecido. Disse-me – o que me comoveu bastante – que tinha em sua casa um filho asmático, com apenas cinco anos, com o vírus COVID-19. Mas não só: também o seu pai, com 78, a sua mãe e a irmã tinham igualmente contraído o vírus. Não tive resposta para lhe dar. Talvez por estar com vontade de desabafar, o meu amigo contou-me que o estado de saúde do seu pai piorara uns dias antes, tendo sido internado no Hospital de São João, no Porto, onde entrou com os rins e o fígado já em processo de falência. Os médicos que o receberam e acompanharam no internamento hospitalar ter-lhe-ão dito que era grave o estado em que o seu pai se encontrava e que, mais dois ou três dias em casa lhe teriam sido fatais. Foi tratado no hospital, tendo-lhe sido administrada hidroxicloroquina. Nem uma semana depois, mais precisamente seis dias, já se encontrava em casa, obviamente ainda abalado, mas estabilizado e em franca recuperação. Ou seja, com o seu estado clínico completamente revertido.

Achando que a recuperação do pai de um amigo, possivelmente devido a uma substância sobre a qual existem expectativas sérias de poder ajudar na cura deste vírus, podia ser, nos tempos sombrios que correm, uma história inspiradora, resolvi partilhá-la no Twitter. Limitado pelo reduzido número de caracteres que um tweet comporta, circunscrevi-me ao essencial: que uma pessoa conhecida dera entrada no S. João, já em fase adiantada da infecção provocada pelo COVID-19, com alguns órgãos a entrarem em falência, e que, ao fim de alguns dias, tinha regressado a casa e estava bem, tendo-lhe sido administrada, no tratamento hospitalar, a hidroxicloroquina. Algumas pessoas colocaram likes, outras retwittaram e comentaram o post, entre elas o Carlos Guimarães Pinto. Todas o fizeram urbanamente, mesmo as que suscitaram reservas sobre a eficácia do medicamento, o que, num momento em que ainda não existem certezas derradeiras, é uma posição tão sensata quanto a de dizer que já houve pessoas que se curaram com ele.

Numa coisa que me parecia pacata e sem qualquer motivo para provocar polémica, foi com espanto que constatei que o jornalista Paulo Baldaia, em resposta directa ao mencionado like do Carlos Guimarães Pinto colocado no meu post, entrou na conversa, com um comentário que integralmente reproduzo:

Seguiram-se algumas centenas de comentários e posts a explicar a Paulo Baldaia que, ainda que não haja certeza científica do potencial curativo da hidroxicloroquina em relação ao COVID-19, os seus efeitos são inequivocamente positivos em muitas pessoas, de tal modo que o Infarmed e a Ordem dos Médicos o recomendam no tratamento da doença, sobretudo quando já está em estado avançado, mas não só. Disso mesmo sou eu também testemunha directa, já que um outro amigo muito próximo – aliás, figura pública, com internamento noticiado na comunicação social – recebeu o mesmo tratamento e também já teve alta e se encontra bem, na sua casa. Todavia, mesmo depois de se lhe ter explicado o óbvio, Baldaia persistiu em escrever disparates, em vez de ter arrepiado caminho e saído discretamente de uma contenda que, de modo grosseiro, arrogante e, no mínimo, desinformado, provocou.

Ficamos, assim, a saber que, para Baldaia, dizer-se que a hidroxicloroquina tem potencial curativo do COVID-19 é ser-se adepto de Bolsonaro, e que a validação de resultados científicos se faz pela publicação de notícias nos jornais. É esta a forma mentis de um opinion maker que já exerceu e exerce funções de responsabilidade em vários órgãos de comunicação social. É bom que todos tenhamos consciência disso, de quem nos “informa” e de como somos “informados”, razão   única pela qual me dei ao trabalho de escrever este post.

Saber o que aconteceu a esta médica é tb acautelar o nosso futuro

2 Abril, 2020

O QUE SE SABE:  Ai Fen, directora do departamento de emergência do Hospital Central de Wuhan, berço do coronavírus na China, está desaparecida desde o dia em que afirmou ter sido proibida pelos seus superiores, em Dezembro de 2019, de mencionar um vírus desconhecido que começava a surgir na região.

De acordo com investigação do “60 minutes”, da CNN Austrália a médica disse à revista chinesa Renwu ter recebido pressões para não falar nem mesmo com o seu marido sobre a doença. Desde então, não há notícias sobre o seu paradeiro.

A investigação do “60 minutes” também aponta que o surto da Covid-19 poderia ter sido evitado em 95% se o governo chinês não tentasse omitir os fatos relacionados  com a doença nas quatro primeiras semanas do surto em Wuhan.

O QUE FALTA SABER: Onde está Ai Fen? Como podemos acreditar naquilo que as autoridades chineses estão a dizer neste momento sobre o presente controlo do vírus na China?

ONDE ESTÃO: os protestos das ordens e sindicatos dos médicos por esse mundo fora pela forma como a China está a perseguir os médicos que procuraram alertar para o que estava a acontecer na China?

A primeira página da revista China’s People com Ai Fen (à esquerda, a segunda de cima), , como apareceu inicialmente . Depois na versão censurada. 

 

 

 

Imperdível

1 Abril, 2020

A pandemia apanhou em Cuba vários comunistas chilenos. Entre eles está a actriz Carolina Cox activissima na defesa do regime cubano e nas manifestações de contestação ao capitalismo, à democracia parlamentar e a tudo o mais que não seja o castrismo. Ou melhor que não fosse. Porque agora Carolina Cox está em Cuba a viver em directo e ao vivo as condições de vida que tanto defendeu. Resultado: pede ao presidente do Chile que por favor a vá buscar. Exige. suplica… Enfim explica que é muito difícil viver entre ratos, sem comida nem papel higiénico.

 

 

Um ideia aparentemente piedosa que pode ser mais perigosa que bondosa

1 Abril, 2020

 Ministra da Justiça admite libertar os reclusos que estejam presos por crimes menores.

Qual a vantagem de fazer sair os presos das cadeias para os enfiar em casa, admitindo que têm uma casa para voltar e condições para viverem confinados em quarentena?

Quanto aos chamados “crimes menores” eles são frequentemente maiores do ponto de vista dos vizinhos e localidades onde estes agora reclusos praticaram os tais crimes menores. Trazer mais instabilidade a populações que estãoa passar por momentos difíceis é adequado?

 

A ler

31 Março, 2020

Só eu sei porque não fico em casa: «Quanto ao meu motivo para não ficar em casa, em meia quarentena, ele foi só um: não queria ver aqueles 60 pares de olhos “irresponsáveis” focados no chão da fábrica — e por isso adiei o momento até ao limite. Decorridos 20 dias, exactamente meia-quarentena, após a comunicação dos meus clientes (indústria automóvel) do seu cancelamento de actividade, a que se seguiu a comunicação dos fornecedores que paravam por falta de matéria-prima (metal), fui forçado a comunicar aos trabalhadores da empresa que entramos em lay-off em Abril, dando-lhes conta do impacto que tal decisão irá ter no seu orçamento familiar.» (Fernando Sobrinho)

Holanda: uma achega à reacção de Costa: «este padrão de táctica diplomática em Costa não é inédito. Em Junho, ele também garantiu “à cidade e ao mundo”, que, com a sua veia europeia, havia entronizado Timmermans como Presidente da Comissão – o que faria dele um influente “king maker”. Resultado: isso simplesmente não aconteceu e o espanhol Sánchez, que até aí o acompanhara, abandonou-o sem dó, para “sacar” para a Espanha o Alto Representante para a Política Externa.»  (Paulo Rangel)

A esta constatação de Paulo Rangel há uma pergunta a fazer:  no conselho António Costa disse exactamente o quê? É curioso que tendo a imprensa portuguesa quase como fonte exclusiva sobre Espanha o El Pais este artigo tenha passado quase clandestinamente

 

Fantástico, pá: os inquilinos não pagam mas os senhorios é que vão pedir empréstimos

30 Março, 2020

A proposta de lei do Governo para proteger o arrendamento habitacional prevê uma moratória para os inquilinos que não possam pagar a renda durante a actual crise pandémica. E permite aos senhorios aceder a financiamentos do Estado para compensar essa falha de pagamentos nas rendas.

As propostas ditas para proteger os inquilinos são uma obra prima da esperteza: o  Governo isenta os inquilinos da obrigatoriedade de pagar as rendas e diz aos senhorios que podem pedir empréstimos para compensar a perda de rendimentos.

Porque não aprova então o Governo empréstimos aos inquilinos? Porque sabe que assim consegue dezenas de títulos maravilhosos sobre a protecção aos inquilinos sem gastar quase nada. Quantos senhorios vão recorrer a estes empréstimos?

Este é um modelo de negócio socialista: o governo recebe os louros da propaganda; o povo acredita que está a ser protegido; quem investiu aguenta o prejuízo e, voilá!, pode endividar-se.  Nem sei como é que este modelo de negócio não é mais utilizado.

Imagine-se qual é o organismo público cujo regular funcionamento ainda não regista o mais leve indício do estado de excepção que o país atravessa?

30 Março, 2020

Examente o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o tal que ribombam as notícias “irá garantir empréstimos sem juros, durante o estado de emergência“ para ajudar os inquilinos a pagar as rendas. Enfim um notabílissimo papel, uma tarefa hercúlea, uma missão gigantesca. Pena é que o o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) ainda nãio tenha dado por isso.

Este é o site do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) hoje, 30 de Março de 2020. Podia ser de 2019. Ou 2018…

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Respostas à crise que aí vem

30 Março, 2020

Apesar de no quadro em que vivemos não haver alternativa à acção do Estado e esta ser absolutamente necessária na actual situação de emergência epidémica, a sociedade civil não se pode deixar cair nos seus braços e ficar rendida ao estatismo para os tempos próximos.

Foi neste enquadramento que a Oficina da Liberdade procurou contribuir para a discussão pública acerca das respostas político-económicas à crise que aí vem.

Redigiu-se um manifesto para o qual cada um dos seus autores contribuiu pensando pela sua própria cabeça, mas todos pugnando por uma sociedade livre e aberta.

Aí se defendem coisas “escandalosas” quando comparadas com a lengalenga dominante. Para abrir o apetite à leitura do documento, previno que da lista de medidas propostas consta, por exemplo, o lay off na Função Pública, a abolição dos benefícios de isenção de horário e subsídios de refeição e também a suspensão de pagamento de 13º e 14º mês a funcionários públicos.

Com o devido enquadramento e para leitura crítica, o documento pode ser acedido aqui.

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121 anos depois o país volta a discutir “os estranhos óbitos”

30 Março, 2020

             (caricatura do médico Ricardo Jorge aquando do combate à peste no Porto)

Epidemia: quando a peste fechou o Porto

Que erros se cometeram no combate à peste bubónica, no Porto de 1899?

 

vão ter de se chegar à frente

30 Março, 2020
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img_1200x676$2016_12_15_15_31_53_198591Não tenho opinião firmada sobre a questão dos «coronabonds», menos ainda sobre a «intransigência» alemã e holandesa em financiarem as falências dos estados mediterrânicos, nomeadamente de Itália, Espanha e Portugal. No plano teórico, fabricar dívida pública é mau, sobretudo no médio e longo prazo. No plano prático, se não entrar «cash» nos cofres desses estados, irá tudo de pantanas. Todavia, há uma coisa de que estou certo: se os grandes países europeus quiserem continuar a dar-se ao luxo de manter um mercado comum aberto de 500 milhões de consumidores, vão ter de gastar dinheiro nisso. Até porque, no nosso caso, foram todos coniventes com um governo que está há cinco anos sem fazer reformas e que não aproveitou o crescimento da economia mundial para reduzir seriamente a sua dívida. De tal modo, que nunca deixaram de aprovar os nossos orçamentos de estado e erigiram Mário Centeno à qualidade de «Ronaldo das Finanças» e presidente do Eurogrupo. Agora, amanhem-se com o resultado de tanto talento e vão puxando do livro de cheques

Título: Rendas suspensas. O IHRU vai garantir empréstimos. Realidade: Senhorios forçados a emprestar dinheiro das rendas aos inquilinos e ao pagamento de IMI

30 Março, 2020

«Estabelecimentos fechados só pagam rendas um mês depois do fim do estado de emergência». E os senhorios cujos inquilinos não pagam as rendas até ao fim do estado de emergência vivem a crédito? 

«Arrendatários particulares têm direito à suspensão de pagamento de renda se tiverem quebra de rendimento de 20% ou o esforço com habitação for acima de 35% do rendimento familiar. Quem estiver nestas condições tem de avisar por escrito o senhorio até cinco dias antes do vencimento da primeira renda “juntando a documentação comprovativa da situação» 

O Governo está a gozar não está? E está a gozar com inquilinos e senhorios. Como é que os inquilinos vão conseguir documentação que prove que «tiverem quebra de rendimento de 20% ou o esforço com habitação for acima de 35% do rendimento familiar»?  E admitindo que a conseguem que sentido faz entregá-la aos senhorios? Não anunciou o Governo que o «Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) irá garantir empréstimos sem juros, durante o estado de emergência, «para suportar a diferença entre o valor da renda mensal devida e o valor da renda que corresponda a uma taxa de esforço máxima de 35% do rendimento total do agregado familiar destinada ao pagamento da renda»? Se o IHRU vai emprestar dinheiro aos inquilinos é ao IHRU que essa documentação tem de ser entregue.

Resumindo o GOverno está

a) a trabalhar para os títulos;

b) transfere para os senhorios o ónus de aguentar por tempo indeterminado não receber as rendas;

c) anuncia empréstimos aos inquilinos que muitos não conseguirão receber porque não vão ter a documentação exigida mas entretanto já não pagaram a renda ao senhorio;

c) não suspende o IMI . Portanto os senhorios que não recebem as rendas vão ter de pagar o IMI

 

 

 

O seu orgasmo será televisionado

30 Março, 2020

Foi decidido pelas autoridades que as pessoas devem permanecer em casa. É compreensível que muitas não entendam a decisão, que a temam, assim como é compreensível que muitos a tentem furar saindo para passeios fora dos parâmetros estipulados para as vindas à rua. As considerações sobre o que considero de quem fura o isolamento deixo para mim próprio. O que não consigo deixar para mim próprio é o que penso das demonstrações de “virtude” que todo e qualquer um sente que deve impor aos seus “amigos” via esse cancro incurável que são as redes sociais.

Se não quereis ficar em casa, ide onde quiserdes, mas poupai-nos as considerações sobre a vossa imensa virtude de epidemiologista de internet. Já me basta que uma especialista em saúde pública com imensa responsabilidade política, a doutora Graça Freitas, apareça no início do mês de Março – com a crise italiana em plena aceleração – a dizer que devemos ir visitar os velhinhos ao lar, coisa que sinto que acabo por fazer todos os dias em que a doutora Graça Freitas nos aparece na televisão a demonstrar o conceito de pré-senilidade.

Quereis ir à praia? Ide. Se vos julgais melhores que os outros, ide, força, fight the system e toda essa treta de adolescente tardio. Contudo, fazei-o com a descrição que o individualismo egoísta de Rand defende. Anunciar ao mundo inteiro que se vai à praia é que é em tudo semelhante a televisionar o orgasmo e eu gosto de escolher a pornografia que consumo.

Não é uma questão de queda. É sim de encosto: só sobrevive quem está encostado ao poder

29 Março, 2020

SOL: «Quarta-feira, horas antes da transmissão do seu programa de investigação, Ana Leal anunciara no Facebook que a reportagem desta semana, dedicada à pandemia da covid-19, iria “revelar falhas graves na resposta do Serviço Nacional de Saúde”. Mas, à semelhança do que havia acontecido com uma outra investigação recente que implicava membros do atual Governo angolano, que foi adiada, o programa desta quarta-feira não foi para o ar.
Já nesta quinta-feira, sem adiantar a razão que terá levado à não transmissão da reportagem, a jornalista da TVI deixou uma nota no Facebook: “Perante as muitas perguntas que têm sido colocadas por seguidores da página do Programa Ana Leal desde ontem à noite, dizer que, não é da minha responsabilidade a não emissão da reportagem que estava anunciada”. 
O post foi partilhado tanto na página de Facebook pessoal da jornalista como na do programa. E se na página pessoal o esclarecimento se mantém, da página oficial do programa a nota desapareceu. A imagem do post foi, no entanto, guardada pela revista TV 7 Dias, à qual a jornalista preferiu não prestar esclarecimentos adicionais aos que havia dado já por escrito nas redes sociais. A revista cita ainda fonte oficial da TVI, que explica que a peça em questão caiu como “todos os dias caem peças”. “Às vezes caem umas, outras vezes caem outras”.»

Alguém tem andado a brincar com os portugueses e com Portugal. E não, não foi o governo da Holanda.

29 Março, 2020

Quem declarou que no SNS “até agora não faltou nada” não foi o governo da Holanda mas sim o primeiro-ministro de Portugal. Aliás esta patética polémica com a Holanda e consequente arrobo patriótico cumprem o papel  de fazer esquecer as declarações infelizes do primeiro-ministro português.

Quem durante anos cativou as verbas indispensáveis ao SNS português e o fez chegar a este Março de 2020 em condições de acentuada degradação não foi o governo da Holanda.

Quem entreteve Portugal em Fevereiro – repito em Fevereiro, quando o avanço da epidemia já era mais que óbvio – impondo uma discussão grotesca e fútil sobre a eutanásia não foi o governo da Holanda. (A propósito de discussões inadiáveis: o que aconteceu à regionalização que tinha fatal e rapidamente de avançar este ano para desbloquear o país?)

Quem nos últimos dois anos cortou o orçamento da portuguesa Linha Saúde 24 não foi o governo da Holanda.

Questões inadiáveis que ocupavam os nossos políticos há um mês

28 Março, 2020

Nação auto-suficiente

27 Março, 2020

Num texto que escrevi para a Oficina da Liberdade refiro o seguinte:

O receio de não haver equipamentos e materiais em quantidade suficiente no mercado para que o SNS possa acudir à procura acrescida de cuidados relacionados com a covid19 confirmou para muitos a urgente necessidade de Portugal não ficar dependente do comércio internacional para aceder a esses produtos, e a obrigação imprescindível de o país de ter produção própria de ventiladores, máscaras, kits de teste e outros bens. Quando grande parte destas provisões têm tido origem na China, país onde a epidemia começou, a necessidade de fabricar localmente é ainda mais evidente, diz-se.

E tento explicar por que razão isto é um disparate e não passa de um sentimento nacionalista bacoco. O texto completo aqui.

Mas o Governo anda empenhadíssimo em esconder a incompetência do Estado e a falta de capacidade de planeamento e previsão dos seus responsáveis pela gestão de stocks de equipamentos e materiais críticos para a prestação de cuidados de saúde durante a epidemia covid19. E uma das formas como o faz é promovendo, do alto da sua omnisciência governativa, o ajustamento da indústria nacional.

Vai dar asneira!

MadeInPortugal-ok

 

O problema das criaturas que só contam com a sua vontade é que perdem a cabecinha quando os outros lhes lembram que negociar não é berrar

27 Março, 2020

Costa: “Se alguém se excedeu, foi o ministro das Finanças da Holanda”

Correio dos leitores

27 Março, 2020

Como tinha dito, aqui estão o que os leitores expressaram como preocupações.

L escreveu:

Eu acho que estou lixado. A empresa tem 2 anos e a coisa até não estava a correr nada mal tendo em conta que para o estado português a minha empresa é algo pecaminoso que ainda vão tolerando. Eu até não estou muito mal comparando com outros que conheço, mesmo doendo aguento ter a empresa fechada por 2 meses se for necessário, isto claro assumindo que ninguém nas muitas burocracias do estado se lembrar de me atirar depois alguma coisa para cima. No entanto estou a prever uma enorme contracção no mercado que estou, mercado este que está neste momento a ter problemas devido a umas ideias que houve o ano passado na assembleia da republica.

Tenho mais que 2 anos de muito trabalho, as poucas poupanças que tinha e um empréstimo metido neste negocio se isto for a baixo não sei o que fazer, ainda bem que ainda não tenho filhos. Sinceramente começo a estar extremamente farto dos portugueses ou de Portugal, este pais está em crise para ai há 20 anos antes sequer eu entrar no mercado de trabalho ou até na universidade gostava de conhecer uma realidade diferente.

Não sei se alguma coisa disto faz algum sentido, mas enfim é o que é.

A escreveu:

Tenho várias preocupações, entre elas o apoio aos agricultores. Está a chegar a primavera, e as culturas precisam de serem cuidadas. Algumas delas precisam de atenção especial como a vinha – o combate a pestes e pragas tem de ser feito. Não se sabe é como, uma vez que as lojas e armazéns de produtos para a actividade agrícola estão fechadas. Adicionalmente, alguém está a pensar nos trabalhadores rurais? Se não trabalharem não recebem, se estiver tudo parado, como vão trabalhar?

Teremos de nos habituar ao vírus. Todas estas medidas são para evitar (e bem) o descalabro dos serviços de saúde. Porém o vírus andará por aí. Há que proteger os grupos mais afectados, tomar cuidados (lembro-me da gripe A, H1N1, mais infecciosa, mas sem este alarme social; alguém se lembra?).

R escreveu:

Estes cabrões aproveitaram o Covid para antecipar execuções fiscais da segurança social. Antes da declaração do estado de emergência. Xico sabido aquele Centeno.

Ajudas? Só se for para os amigos do costume.

F escreveu:

Não sou catrastofista e tenho encarado com alguma calma, até compreendido, as medidas tomadas até aqui por quem de direito.

Ainda assim, não posso deixar de me preocupar com a chegada do fim do mês e com os milhares de pessoas que não vão ter o seu ordenado, porque os seus empregadores pura e simplesmente não vão conseguir paga-los.

E sabendo do grau de endividamento dos portugueses, temo que muitos destes não tem qualquer folga para fazer face ao que ainda aí vem, nomeadamente ao nível do básico: alimentação. água e electricidade.

Do lado do Governo já se sabe que as medidas de apoio tomadas, vão ser acompanhadas dos requerimentos em papel de 25 linhas (talvez substituídos por impressos on-line que é mais moderno), submetidos a apreciação de uma comissão nomeada para o efeito, que irá fazer pedidos de esclarecimentos vários, e, no hipotético caso de vir a ser concedida alguma ajuda, ela virá lá para Setembro na melhor das hipóteses, quando já não sobrar nada da dignidade das pessoas.

Porque não se segue o exemplo inglês e, em vez de hipotéticas e burocráticas ajudas às empresas e pequenos negócios, se mete pura e simplesmente dinheiro na mão das pessoas. Até nem é difícil: os bancos tem listagens das transferências de vencimentos habitualmente feitas; basta transferir uma percentagem a acordar para os clientes (nunca menos de 80%) e ir cobrar ao Estado.

A não ser assim, temo que o desespero leve as pessoas a distúrbios e assaltos a supermercados e outras lojas de bens de primeira necessidade, lá se indo o "bom comportamento que o sr. PR e o sr. PM tanto gabam.

E basta acender um fósforo que o rastilho, depois de semanas de isolamento, está bem aí.

Valia a pena pensar nisto.

R escreveu:

Já nem falo das ridículas linhas de crédito, deixo apenas uma situação específica que diz tudo: numa altura em que as empresas estão em pânico sem vendas e com custos a acumular-se, são elas que têm de suportar as baixas por faltas para assistência aos filhos pelo facto de as escolas estarem fechadas!

Dos 2/3 que os trabalhadores recebem cabe 1/3 ao empregador e 1/3 à segurança social; contudo o empregador no final deste mês pagará os 2/3 e deverá preencher um formulário junto da Seg. Social para que esta posteriormente lhe reembolse o 1/3 da sua responsabilidade.

Nem tenho palavras que qualifiquem isto!

J escreveu:

Lá em casa somos 2 profissionais de saúde. Devido a esse facto não podemos gozar férias neste período.

Temos 2 filhos, um que frequenta o JI e outro que fez 3 anos estava com os avós, maiores de 70 anos um com diabetes e outro com doença autoimune.

Durante as férias da páscoa não tenho como justificar faltas para tomar conta dos meus filhos nem tenho onde os deixar.

Ao contrário do referido pelo Sr primeiro ministro eu apesar de me ter precavido para as férias da páscoa nem férias posso gozar agora.

Cuidado com as palavras

27 Março, 2020

António Costa está habituado a destratar portas adento todo e qualquer um que discorde dele. Por cá isso passa por carisma e outras patetices similares. Acontece que qualquer ser que acompanha as notícias sobre Espanha tem exactamente as mesmas dúvidas que o ministro das Finanças holandês. O governo de Espanha anunciou-se ao mundo com os seguintes propósitos: «Sánchez e Iglesias aspiran a ser “un referente mundial” de modernidad, progreso y feminismo. El presidente en funciones agradece la “generosidad” y “enorme dosis de responsabilidad” de su socio de Gobierno y este afirma que el futuro Gobierno combinará la “experiencia” socialista y la “frescura” de Unidas Podemos»

Rios de dinheiro corriam para a propaganda, para calar os nacionalismos, para promover políticas disto daquilo. Governar no sentido de governar nada de nada.

Isso sim foi e é repugnante. O resto é conversa.

Do vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar…

26 Março, 2020

Manuel Carvalho, director do PÚBLICO:” é imperioso que avise os que representam autarquias particularmente atingidas pelo novo coronavírus, como Salvador Malheiro, de Ovar, que rebater em público os dados da Direcção-Geral da Saúde é de uma enorme gravidade. Se desconfia dos números de infectados, que os esclareça com as autoridades competentes; se tem provas capazes de indiciar qualquer viciação intencional e dolosa dos resultados, que as apresente.”  O director do PÚBLICO não está de acordo com a atitude de Salvador Malheiro. Critique-o. Desanque-o. Encomende artigos de investigação para saber da fundamentação daquilo que diz o autarca de Ovar. Agora pretender que não se deve rebater a DGS em público é francamente algo que vindo do director de um jornal dá que pensar. E temer.

Constantino Sakellarides, ex Director-Geral de Saúde : “É aceitável que uma “garganta funda” na DGS venha a contrariar publicamente os seus dirigentes, uma e outra vez, a coberto do anonimato, e que a comunicação social lhe dê cobertura, como habitualmente? Não só é aceitável como é também esse o trabalho da comunicação social. Se os jornais restringissem o seu papel à transmitissão dos comunicados da  DGS (raio de nome) não se tratava de imprensa mas sim de uma agência governamental de comunicação.

Enfim, há gente que com o corona passou do vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar… ao desviamos o olhar, tapamos os ouvidos e dispensamos a leitura, pois temos de apoiar o Governo que é de esquerda. E só porque é de esquerda, claro. Caso contrário estavam para aí  rouquinhos de tanto gritar incompetência, negligência… isto para não iromos mais longe.

O esforço de todos

26 Março, 2020

Na conferência de imprensa desta tarde, Mariana Vieira da Silva disse que “nenhuma parte da população, nem nenhum sector de actividade pode ficar de fora do momento que vivemos” e que “todos temos uma resposta de emergência a dar e esse é o esforço que deveremos fazer”.

O Pordata indica que em 2018 havia 4.056.500 trabalhadores por conta de outrem. Com excepção dos valentes profissionais de saúde e dos outros serviços do estado na primeira linha de combate à epidemia, confesso que ainda não percebi bem qual será o contributo dos 683.469 trabalhadores das administrações públicas nesse esforço colectivo de solidariedade para com os afectados pela crise no sector privado, nomeadamente aqueles a quem lhes será reduzido o salário ou que sofrerão despedimento.

Será que para a unidade nacional tão apregoada pelos decisores políticos nesta hora difícil, nomeadamente para esconder os seus próprios erros e falhas de planos prudentes e precavidos, não é conveniente que se possa discutir cortes salariais, redução de benefícios ou flexibilização da legislação laboral na Função Pública?

 

Formação obrigatória

26 Março, 2020

Vamos organizar uma subscrição para juntar a verba qb para criar uma empresa privada. Ou comprar uma entretanto falida.  A mesma será colocada em nome de Catarina Martins, Isabel Camarinha, Francisco Louçã e Associados.

Aguarda-se que os mesmos façam a gestão da dita empresa aplicando todos os  princípios que pretendem impor aos demais. Para começar Catarina Martins pode explicar

1) como consegue colocar em teletrabalho funções que não podem ser realizadas em teletrabalho;

2) como vai conseguir não contar como férias este tempo em que os trabalhadores estão em casa  ou seja pagar-lhes agora ordenado e dar férias quando a empresa finalmente puder recomeçar a trabalhar;

3) como conseguem empresas sem receita continuar a pagar ordenados, segurança social,  custos de funcionamento…?

 

 

Primeiro não ia acontecer nada. Depois tudo gera uma falsa sensação de segurança. Qual será a fase 3?

26 Março, 2020

25 de Março: “Para a doença covid-19 não há nenhuma evidência científica que sejam eficazes [as desinfeções] e portanto não é uma medida que se recomende” diz Graça Freitas directora-geral da Saúde.

24 de Março: Os testes à Covid-19 submetidos a pessoas assintomáticas podem transmitir uma falsa sensação de segurança, defendeu Diogo Cruz, subdiretor geral da Direção-Geral da Saúde,

22 de Março: Máscaras dão “falsa sensação de segurança“, diz Graça Freitas directora-geral da Saúde.

6 de Março: DGS afasta, para já, restrições de visitas a lares de idosos “Não estão desaconselhadas visitas, não há ainda esse grau de risco” “à data, só há casos esporádicos em Portugal, ainda não há transmissão comunitária ativa do vírus” , afirmou Graça Freitas  directora-geral da Saúde.

15 de Janeiro de 2020: Não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal” diz Graça Freitas directora-geral da Saúde.

 

 

Alguém sabe responder?

25 Março, 2020

Quantas empresas já recorreram em Portugal à legislação “simplificada”  do  lay off?

O país nunca esteve tão bem preparado para uma crise como esta

25 Março, 2020

Mário Centeno: “O país nunca esteve tão bem preparado para uma crise como esta”.

Depois riu-se:

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Covid19 – números que intrigam

25 Março, 2020
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Xi-JinpingO Presidente Xi Jinping terá razões para sorrir, depois da luta árdua contra o corona vírus que, ao que parece, estará a regredir na China. O mesmo não se passa na Europa e nos Estados Unidos, ainda a braços com a sua expansão na fase exponencial.

Analisando o número de infectados por países e o seu ritmo de expansão, é muito provável que Estados Unidos, Itália, Espanha, Alemanha e quiçá também a França, ultrapassem em breve os 81.000 casos que a China vem reportando como tendo já estabilizado. Qualquer um destes países tem sistemas de saúde no topo do ranking mundial e uma população que, no seu conjunto é apenas 40% da chinesa.

Como explicar tamanho número de infectados e sobretudo de mortes que, no caso de Itália e Espanha já ultrapassaram as ocorridas na China? A estrutura etária na Europa, a tender para a gerontocracia, explicará tudo?

Enfim números intrigantes, sobretudo os apresentados pela China, que me parece pecarem por (muito) escassos. O seu problema foi certamente (ou ainda será?) de uma dimensão muitíssimo maior. 

A excepção senhorio

24 Março, 2020

Nuno Carvalho, sócio-gerente da Padaria Portuguesa, fez uma carta aberta ao ministro da Economia em que escalpeliza porque não são eficazes as medidas de apoio à empresas aprovadas pelo Governo. No ponto 4 dessa carta propõe

4. Rendas – o Governo, à semelhança de outros na Europa, deverá intervir e criar carência por 3 meses no pagamento das rendas não habitacionais – esta crise tem que ser paga por todos, os senhorios não podem ser exceção.

Como é óbvio os senhorios não vão ser excepção, para já porque muitos inquilinos não vão conseguir pagar renda no mês que vem nem nos meses seguintes.  Tendo em conta a crise boa parte dos senhorios vão ter de aceitar perder dinheiro. E aí concordo com Nuno Carvalho: os senhorios não podem ser exceção. Mas também não podem ser excepção ao contrário: ou seja é ínviável impor aos senhorios que aguentem já três meses seguidos sem rendimento. Atrás de cada inquilino está um senhorio que não raramente é um desses idosos do grupo de risco face à pandemia e que terá de esperar que esta acabe para tentar recuperar o seu investimento. Em Portugal o perfil do senhorios não é o dos grandes fundos de investimento mas sim o do pequeno proprietário. Até agora ninguém falou no IMI. Este está aí a pagamento dentro de umas semanas. Porque não descontar no valor das rendas o montante de IMI que o senhorio iria pagar por essa fracção?

Vamos lá comentar a última do Trump

24 Março, 2020

“Até agora não faltou nada” e “Não é previsível que venha a faltar o que quer que seja” Sim, eu sei que o homem  se está a referir aos hospitais dos Estados Unidos e deve ser aos hospitais dos ricos porque como sabe qualquer cidadão das pátrias socialistas nos EUA os pobres agonizam pelas ruas com ou sem Covid. Seja como for o Trump está cada vez mais mentiroso e alucinado. Imagine-se o que é um país nas mãos de alguém que mente desta forma.

Há coisas mais graves que o vírus: a alienação

23 Março, 2020

90583487_3306426939372034_4420240660116799488_nAntónio Costa à TVI: “Até agora não faltou nada”

Socialistas não fazem quarentena

23 Março, 2020

Eles andam aí à solta.

 

 

 

Espaço para o leitor

23 Março, 2020

Muita gente não sabe o que vai ser da sua vida quando o estado de emergência terminar. Serão milhares de pequenos negócios afectados, que é o mesmo que dizer que são muitos milhares de pessoas entregues à sorte de outras, nomeadamente da capacidade destas conseguirem manter postos de trabalho, com todos os encargos decorrentes, contra todas as certezas e com “apoio” único o de poderem aceder a linhas de crédito que estrangulem ainda mais o moribundo.

Conte-me a sua história, as suas preocupações, a sua ansiedade. Publicarei todas, amplificando o mais possível a sua voz. Envie o seu desabafo para estamosbemlixados@gmail.com.

Aguardamos com esperança o milagre da multiplicação do dinheiro para pagar os ordenados (de preferência no dia 27)

23 Março, 2020

Papa Francisco: “Uma empresa que despede para se salvar não é solução”

Feminismo vs Covid-19

23 Março, 2020

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Entre a contenção do vírus corona e a marcha feminista, Pedro Sanchez optou pela segunda.

A sua mulher e a vice-presidente do Governo espanhol (na foto) estão infectadas.

Este feminismo não é bom para a saúde…

Agora não temos tempo para palhaçadas

23 Março, 2020

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E a senhora ministra não devia ter pensado que tinha de preparar melhor o país?

22 Março, 2020

“Lar de Famalicão tinha de ter pensado num plano de contingência”, diz ministra da Saúde  S obre o lar de Famalicão com 18 funcionários em quarentena, a ministra diz que devia ter equipas em espelho: um funcionário em casa, outro a trabalhar.

Deixe-se de sectarismos senhora ministra! Recordo que há menos de um mês a senhora ministra veio esclarecer que não sugeria o o isolamento das pessoas vindas de zonas onde há transmissão do coronavírus. A senhora Directora Geral diz que da Saúde afiançava “Não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal” (15/01/2020) e o membro que o Conselho Nacional de Saúde escolheu para ser seu porta-voz, Jorge Torgal, declarava Coronavírus: “É menos perigoso do que a gripe”?!

Quem tinha de ter pensado o quê senhora ministra?

Recados & charlatanices

22 Março, 2020

Os recados da Mãe Terra. Alguém sabe explicar como espatifamos milhões em educação e acabamos com umas criaturas a escrever que este vírus é um sinal que a Mãe Terra nos está a enviar?

Os recados das linhas de apoio. De apoio aos títulos, entenda-se. Todos os dias milhões e milhões são anunciados. A cada anúncio segue-se mais burocracia – quantas empresas vão poder conseguir cumprir os requisitos para o lay off? – e a imposição de condições delirantes

Os recados da economia socialista soviética. Face à  lista de exigências formulada pela líder da CGTP Isabel Camarinha e funcionária da mesma central há quarenta anos proponho que a líder da CGTP exija já um decreto a proibir o vírus. A exigência é tão razoável quanto exigir que se proíbam os despedimentos ou que se conte como férias o período que os trabalhadores estão em casa por causa do estado de emergência.

Os recados da China. Para lá dos recados da Mãe Terra só os das ditaduras comunistas conseguem ser ouvidos com tanta fé.

A Câmara do Porto, a covid-19 e a crise

22 Março, 2020

É justo dizer que embora não tendo tido o discernimento de cancelar a sua participação numa soirée que decorreu no Teatro Nacional de São João com um aglomerado e concentração de pessoas enorme, já depois das recomendações da DGS para que se evitassem eventos sociais, e não tendo por isso marcado na altura diferente atitude de Marcelo, ministra da Cultura ou do Bispo do Porto (e de muitas outras “personalidades”), o Presidente da Câmara do Porto tem nos últimos dias tido, objectivamente, uma intervenção útil e, aparentemente, eficaz no contributo ao combate à epidemia que nos ataca.

Se a iniciativa da compra de ventiladores por parte do município se concretizar por via dos contactos institucionais com Shenzhen, representará uma diligência muito positiva e isso merece ser louvado.

Um outro projecto de relevo é o Drive-Thru de testes de despistagem ao covid-19, numa iniciativa da divisão portuguesa do Grupo Unilabs.
Aqui teria preferido ver os nossos autarcas absterem-se de protagonizar esta operação, saindo da cena público-mediática e dando exclusivo palco aos responsáveis dessa empresa. É que não só deve ser reconhecido que a ideia e iniciativa partiram do sector privado, como seria incentivo mais eficaz para a sociedade civil replicar estes bons exemplos.

Espero agora que, ao contrário do Governo Central, a Autarquia seja capaz de efectivamente reduzir a despesa pública reorientando prioridades e, desde logo, baixando e abolindo impostos e taxas locais em vez de apenas adiar os prazos das obrigações contributivas. Numa Câmara Municipal com sólida estrutura financeira e sem dívida relevante, esta “folga” dá margem para apoiar os munícipes nos dias difíceis que terão pela frente, reduzindo os encargos de forma universal, de igual modo por todos e sem tiques de potestade e presunção de saber definir à partida quais os sectores ou segmentos que serão mais afectados. Não tenham receio os responsáveis autárquicos de serem adjectivados de liberais, porque não é insulto tomar decisões que respeitam de forma igual cada um dos Portuenses.

Temo no entanto que em situação de crise expectável haja a tentação de levar por diante projectos ditos “emblemáticos” para a cidade numa lógica de keynesianismo chique ou de intervencionismo populista.

Espero por exemplo que a ideia de apoiar a criação de uma nova Davos para o Ambiente trazendo à cidade entertainers como Obama ou Al Gore não ressurja, embora o edil tenha culpado as alterações climáticas pelas ainda recentes cheias no Porto a que chamou de “tempestade tropical”. Com o covid-19 abateu-se sobre nós a realidade de que a ameaça directa e imediata à vida humana está longe de coincidir com a percepção da jovem Greta.

Se já ninguém percebia o racional económico do projecto para o antigo Matadouro (apesar de merecer grande simpatia por parte de Marcelo Hipocondríaco de Sousa), face à conjuntura e prioridades que se avizinham talvez seja de o reequacionar. Também quando o mercado parecia em rota de crescimento constante os entraves, objecções e complicações colocadas aos investidores e operadores com projectos para a Rotunda da Boavista era talvez um luxo a que nos podíamos dar. Estaremos em condições de manter esses pruridos urbanos?

O turismo será das áreas mais afectadas pela crise provocada pelo vírus corona. Será que a Câmara vai abdicar desse imposto (ou taxa às exportações) de forma a não prejudicar os agentes do sector? Os promotores imobiliários há muito que se reorientaram para o segmento de habitação para a classe média. Com os inúmeros projectos que existem, ao promover a própria CMP um investimento neste segmento na freguesia de Lordelo do Ouro orçado em 46M€ a câmara vai querer criar concorrência adicional e desincentivar privados? Não seria preferível dar apoios directos ao arrendamento às pessoas que dele venham a necessitar por situação de desemprego, pex?

Faz bastante tempo que investidores internacionais estão disponíveis para investir muitas dezenas de milhões de euros no Porto para criação de novas residências para estudantes. Os entraves que têm encontrado ao nível de atrasos de processos, burocracias várias e taxas municipais elevadas serão agora drasticamente reduzidas? Será revertida a ideia peregrina de que existe uma falha de mercado entender-se-à não haver razão para que o dinheiro dos contribuintes seja canalizado para um universo muito limitado de beneficiários quando as estruturas de saúde e respostas a emergências médicas e sanitárias são claramente mais importantes do ponto de vista do interesse geral?

O projecto da nova ponte sobre o rio Douro foi anunciado custar 26,5 milhões de euros a repartir com Gaia, assumindo numa primeira fase o Porto o grosso do gasto para depois acertar contas com o município vizinho. Este dinheiro não teria melhor aplicação no agilizar do trânsito da cidade nomeadamente na requalificação de inúmeras artérias que estão com piso em estado indecente, beneficiando assim o comércio e a vivência da cidade de poderá entrar numa fase mais deprimida no pós-pandemia?

A CMP chamou a si a gestão de vários parques de estacionamento, área na qual não tem vocação, ao invés de receber uma renda líquida sem custos de estrutura. Não concessionou em época alta e agora vai ter de os gerir em baixa. Irá a tempo de libertar meios destas operações para os alocar a necessidades mais prementes face ao novo ciclo económico futuro?

A quantidade imensa de dinheiro que se gasta em apoios às artes e que alimenta um restrito número de pessoas em círculo fechado justifica-se como prioridade? Quantos ventiladores e equipamentos de protecção se comprariam com o mesmo dinheiro?

São apenas alguns exemplos e muitos outros haveria a mencionar.
As nefastas consequências económicas que a Covid-19 nos trará também ao nível do concelho onde vivemos deve-nos fazer repensar as opções políticas e as escolhas de alocação de recursos dos contribuintes.
É disso que se espera de um edil competente e ao serviço da comunidade.
No Porto, Rui Moreira tem mostrado durante estas últimas semanas que pode ser homem à altura das circunstâncias.
O tempo se encarregará de o confirmar ou não.
A bem de todos, espero que sim.

Drivers tested for coronavirus in Porto

Depois da espuma

22 Março, 2020

Tentando esconder a realização do teor lamechas das propostas, entretenho os quarentenas da casa, a começar por mim próprio, com imagens do Google de todos os sítios onde um dia haveremos de ir. Já nem sinto raiva do vizinho, nem sequer do condomínio, todos irmãos na reclusão que alimenta sonhos e determinações. Até gosto das palmas e das panelas que tocam, dos cânticos e das idas à varanda, dos gritos de Ipirangas retidos nas salas, nas internets e nos Netflixes. Correremos todos, um destes dias, seja em parques de campismo, seja em tendas improvisadas nas bagageiras dos diesel, pelas praias do país, e do outro, e do do lado ou do aerotransporte, e entraremos em águas quentes e frias, claras e turvas, com roupa ou nus, com amigos ou só aparentemente sós. Porque sós já não estamos: estamos unidos por algo, nem que terrível, nem que exagerado, nem que fruto de conspiração, nem que inferno da natureza. Nós, os europeus, nunca tivemos nada que nos unisse. Agora temos. Que caiam as instituições, que desmoronem as economias, que rebente a democracia: a fé, o desejo de viver no mundo, essa veio para ficar, e já fazia muita falta.

Portanto os devotos da seita da Greta pretendem exactamente o quê? Que fiquemos a viver assim para sempre?

20 Março, 2020

DN «Covid-19: poluição cai a pique, mas pode ser apenas “fogo-de-vista”

O consumo de combustíveis fósseis está a decrescer e as emissões poluentes seguem o mesmo caminho com a pandemia de covid-19. Mas ambientalistas e ativistas climáticos não estão otimistas. O que até está a ter um efeito positivo a curto prazo nas alterações climáticas pode não passar de uma situação transitória, tal como aconteceu aquando da crise financeira de 2008-09. Para já os canais de Veneza parecem estar mais limpos.»

 

Portanto para os ambientalistas e os activistas ficarem optimistas e os canais de Veneza continuarem a parecer mais limpos (na prática com o lodo assente no fundo) temos de fazer exactamente o quê? Transformar o estado de emergência num modo de vida? Afinal que raio de vida querem estas sacerdotisas do bem que tenhamos: de manhã, a dona Camarinha quer que as empresas paguem férias, subsídios e cumpram calendários como se estivéssemos a viver como sempre. À tarde é a vez da menina Greta nos lembrar que esta paragem não chega. E se fossem ambas contar cisnes para os canais de Veneza?