Ainda vai acabar a entrar em directo a pendurar a roupinha

Escreve o Pedro Correia: «o teste ao coronavírus e esta original aparição presidencial via FaceTime à hora do jantar dos portugueses constituíram o pontapé de saída da campanha eleitoral que culminará no escrutínio de 2021. Ao declarar-se em quarentena preventiva, levando o País a acompanhar com alívio as novidades do seu boletim clínico e com elevado apreço o exemplo de desapego às honrarias palacianas de que dá provas, Marcelo exibe um florentino instinto político – muito acima de qualquer rival, declarado ou não.»
Digam lá que a descarbonização não é uma maravilha?!
Portanto o turismo está em queda logo o flagelo da gentrificação e dos alojamentos locais está a acabar. E é tão bom não é? Agora os bairros antigos vão voltar a ser o Pátio das Cantigas.
As viagens de avião estão em queda e portanto estamos bem perto de voltarmos a andar de burro. Assim o vírus espalha-se devagarinho.
E as máscaras tb serão para reciclar?
Badalhoquice
É de uma badalhoquice sem memória que um teste que escasseia em hospitais e que requer um critério apertadíssimo de parte dos profissionais para que impere algum senso num sistema sem qualquer capacidade de resposta seja desperdiçado numa figura apalhaçada da aristocracia falida sem qualquer razão que não a de anunciar aos súbditos para que regozijem pela saúde férrea do soberano.
Já agora, esperamos também a publicação do resultado do teste de gravidez ao senhor presidente. Ao menos, esse não é um recurso escasso que pode salvar a vida a alguém.
Temores desta semana
- Que Marcelo transforme o seu auto-isolamento na nova versão televisisa do Big Brother
- Que as redacções portuguesas descubram que andam agora a exaltar um estudo chinês que indica que “O calor geralmente mata este tipo de vírus” quando há bem pouco tempo achavam uma patetice Trump apontar o fim do coronavírus para Abril porque “O calor geralmente mata este tipo de vírus”.
- Que caso não adiram aos programas governamentais ditos de iguladade de género as mulheres acabem a ter de frequentar obrigatoriamente cursos de engenharia . Ou que volte o serviço militar obrigatório exclusivamente para as refractárias.
O fachadismo


A propósito das indignações contemporâneas
Tempos sinistros de gente sinistra
Duante anos homens como Woody Allen, Epstein e Harvey Weinstein foram adulados. Só foi possível fazer o que fizeram durante tanto tempo porque gozaram de enorme complacência. Estas atitudes revelam sobretudo a má consciência de quem os adulou e não uma condenação real dos seus actos que, repito, só foram possíveis porque estes homens gozaram de enorme complacência.
Especulação de preços & Corona
Muitos bradam contra a “especulação” de preços que se verifica em certos produtos tidos como de protecção contra o vírus Corona.
É uma das coisas estúpidas que se dizem por estes dias. Se há maior procura e menor oferta, os preços não deveriam subir?
Se os preços não subirem, não são dados os sinais e incentivos a que os fabricantes façam a alocação de mais recursos para suprir as necessidades urgentes da população.
A “especulação” pode não ser politicamente correcta, mas é a única forma de assegurar o fornecimento dos bens aos que deles precisam ou querem usufruir.

Não há limite para o activismo. Mas tem de haver.
Estas criaturas são contra a indústria dos lacticínios. Podia pensar-se que se privavam elas mesmas de beber leite, comer morangos com chantilly, iogurtes, queijos… Mas não. Arrogam-se o direito de o impor aos outros. Aqui estão em pleno exercício do sue activismo num comício do candidato Democrata Joe Biden. Não há paciência para estas figuras!
era mostrar aos indecisos em dar o seu voto ao líder do Chega que o podem fazer sem receio algum pois o homem é um modelo de auto-contenção? Na verdade não vejo outra explicação que não seja esta para o tom de “debate-vamos apanhar-te” adoptado na referida entrevista.
Portugal, 2020
Sessões dedicadas pelo Parlamento a debater a nossa relação com os animais? Duas
Sessões dedicadas pelo Parlamento a debater a eutanásia para humanos? Uma
Para lá da propaganda
“Alexandra Borges”: máfia controla negócio imobiliário nos bairros sociais
O problema existe e vai aumentar: anunciam-se milhões para programas estatais de arrendamento que depois da sessão de propaganda ninguém acompanha. Em tudo aquilo que está anunciado para a habitação dita de arrendamento acessível é fácil vislumbrar que situações como as descritas neste programa vão acontecer.
Se os serviços autárquicos fossem capazes de cobrar as rendas, enfrentassem de facto a impunidade de quem põe e dispõe nestes bairros outro seria o caso mas é mais facil pintar empenas com murais em vez de as isolar termicamente, arranjar mediadores disto e daquilo para o que são simples casos de polícia….
Depois de um ministro da Defesa que avaliava a legalidade do acontecido às armas em Tancos a partir da sua experiência como espectador de ‘filmes policiais’ temos agora um ministro da Defesa que sobre Defesa e Forças Armadas nada diz mas avaliando as suas intervenções temos de admitir que o ministro deve ter sido escolhido por se interessar pelos filmes cujo enredo decorre em quartéis.
Ontem, 3 de Fevereiro, o ministro João Gomes Cravinho anunciou que quer desconstruir a “imagem tradicionalmente masculina” associada à Defesa Nacional. Note-se que em Janeiro o ministro da Defesa queria desconstruir a imagem das Forças Armadas através do seguinte plano: Dormir em quartéis para atrair jovens às fileiras. Sendo que em Março do ano passado já tínhamos tido o “ambicioso plano” (PUBLICO dixit) das creches nos quartéis.
Outra constante destas intervenções do ministro da Defesa é que não só nunca é interrogado sobre as questões da Defesa propriamente dita como estes seus anúncios são invariavelmente apresentados como uma ideia brilhante que ofusca a ideia brilhante anterior e leva a que não se lhe pergunte sobre o saldo de todas essas ideias – Por exemplo, como está a correr o plano das creches nos quartéis? – ou sobre o seu sentido: que sentido faz falar da desconstrução da “imagem tradicionalmente masculina” do Exército quando houve mais mulheres do que homens a candidatarem-se no último concurso para oficiais? Acontece é que não houve candidatos suficientes para preencher as vagas.
Não há estrelas no céu
Sempre que a campainha toca após as dezanove, como qualquer residente de um prédio num taciturno subúrbio, sei que se trata de um vendedor de serviços de cabo. A abordagem habitual é a de se identificarem como técnicos de cabo a necessitarem de inspeccionar as ligações das casas. Invariavelmente, após uma atrapalhada e rápida descrição do que dizem ser, antes que possamos descobrir o logro, estão a solicitar para que a porta do prédio seja aberta. Incautos fazem-no; habituados à prudência necessária com evangelistas sub-pagos e incapazes de encontrar um emprego decente (como caixa de supermercado) respondem que não estão interessados.
Testemunhas de Jeová, tal como vendedores de serviços de cabo da NOS, Meo e Vodafone, também não se anunciam como os vendedores agressivos que são. Identificam-se como tendo algo para nos dizer, algumas vezes a discutir, porque todos desejamos atingir a plenitude da felicidade terrena, não é?
Tal como vendedores de serviço de cabo ou Testemunhas de Jeová, que tentam entrar pelo prédio dentro para tocarem depois a cada campainha individual na porta dos apartamentos numa atitude de “já te apanhei”, também o primeiro-ministro – e admito o estupor de não ver o presidente (ainda) a fazer o mesmo – decide incomodar o funcionamento normal de um hospital para, perante câmaras de televisão, vender os seus serviços de psicopatia a custo mais baixo que o dos seus oponentes. Que o vendedor de serviços por cabo não arranje melhor ocupação, cingindo-se a enganar velhos e cansados a comprarem serviços que não precisam, até se pode compreender. Que o primeiro-ministro demonstre que a sua função é em todo igual à do vendedor de serviços de cabo não é apenas desolador: é indicador de que nem os altos cargos da nação escapam à tristeza mundana do desfile de pobreza franciscana da compra e venda de minutos anestesiantes de percepção de bem-estar.
No pasa nada
Tudo sob controle
Em tom pedagógico e explicativo, António Costa repetiu os conselhos dados tanto pela ministra como pela directora-geral da saúde, de que “a forma mais segura” que há de “evitar a generalização das situações de contaminação é mesmo ficar em casa e contactar a Linha Saúde24 e cumprir as instruções dos profissionais de saúde”.*) 2 de Março.
O Governo desincentivou esta terça-feira os portugueses a usarem a linha Saúde 24 para pedir informações gerais sobre o novo coronavírus (Covid-19). (*) 3 de Março
Que horror o que se vê no videoclip Malades de Sofiane! Uma coisa mesmo insólita e nunca vista naqueles bairros. O problema de Malades não é incitar a isto ou aquilo mas sim mostrar o que não se quer ver e que é o quotidiano que os poderes públicos deixaram instalar nos bairros camarários.
Cenas dos próximos anos
Dezenas protestaram em frente à Câmara em solidariedade com mulher despejada na Ribeira
A crescente presente do Esrado no mercado da habitação vai exponenciar casos como este: cada cessação de contrato de arrendamento vai ser pretexto para uma discussão na assembleia municipal da câmara resectiva: cada despejo um problema político; cada renda em atraso um enredo burocrático… E o contribuinte a pagar!
Os ayatollahs da Saúde
Quando vejo a Autoridade Nacional de Saúde se associar à Autoridade Nacional da Verdade duvido que estejamos em situação muito diferente da do Irão na gestão da crise do vírus Corona.
A DGS faz parceria com uma empresa cuja informação sobre a sua própria estrutura accionista é inconsistente com as informações que se podem recolher sobre a firma no website do Ministério da Justiça e em que um dos donos é advogado muito próximo de José Eduardo dos Santos.
Por outro lado o Polígrafo é bem conhecido por ser ele próprio um excelente exemplo de manipulação de notícias, criação de narrativas capciosas e desvio de atenção de factos relevantes.
Acresce ainda que numa altura em que a DGS está sem directores, tem de lidar com uma situação epidemiológica potencialmente grave e os hospitais de São João e Santo António no Porto esgotaram a sua capacidade de resposta com apenas dois casos positivos de covid-19, a Dra. Graça Freitas acha por bem desviar recursos para brincar às redacções de jornal e policiamento das redes sociais.
Acaba assim de reconhecer que a DGS não goza de credibilidade suficiente nem tem capacidade para comunicar eficazmente com a população. Em vez da gestão de uma situação de saúde pública, estamos em gestão política da imagem do Governo.
ATCHIM!

A minha singela proposta
Custeiam-se as depesas de instalação na ilha de Lesbos de todos aqueles que defendem a passagem dos emigrantes para o território grego.
O que está a acontecer nas ilhas gregas é de uma desumanidade e de uma irresponsabilidade profundas. Quando se passou a tratar emigrantes como refugiados era óbvio que o efeito chamda ia crescer. E quem aguenta as consequências não está em Bruxelas nem em Berlim mas sim nas franjas da Europa.
O acolhimento de refugiados tornou-se uma mistificação, uma forma de entrada de dinheiro em organizações, um pretexto para activismos varios.
Portanto experimentem viver um ano em Lesbos – nos campos ditos de refugiados tb pode ser – e depois falamos.
Menino de 9 anos acusado de abuso sexual
Aconteceu nos EUA. Um menino de 9 anos foi conduzido ao gabinete do Director da escola básica de Hillsborough, e posteriormente foi-lhe instaurado um processo de “assédio sexual” – sem ainda sequer ter idade para saber o que isso significa. “Gosto de ti. Gosto do teu cabelo porque não é desajeitado. Gosto dos teus olhos porque brilham como diamantes”, terá escrito o menino num dos muitos bilhetes de amor dirigidos à sua paixão. Isto é demencial e muito perigoso para os homens de amanhã.
Como mãe de um menino há muito que ando assustada com esta sociedade doente, completamente doida, de mulheres que se dizem “feministas” e exigem que se veja crime de assédio sexual e violação em toda a atitude que parte dos homens. Dou por mim a questionar-me como posso ensinar o meu filho a defender-se disto. Jamais me passou pela cabeça que um dia teria de lhe dizer: “meu filho, tem cuidado com as mulheres porque podes ser preso inocentemente”. Jamais.
Guardo ainda todos os bilhetes de amor que recebia na escola e depois mais tarde, já adulta que me deixavam entalados na porta do carro à saída da discoteca ou me eram entregues à mesa do café pelo empregado. Devo depreender que, à luz daquilo que se defende hoje e com estes bilhetes como “meios de prova”, posso queixar-me de “assédio sexual” por não ter desejado aquela situação e interpor processo judicial, mesmo passados estes anos todos? É isso, não é? Que mundo doido.
Tenho olhado para os desenvolvimentos sobre Harvey Weinstein, Plácido Domingos, Bill Crosby, Cristiano Ronaldo e outras figuras públicas masculinas milionárias, com reservas e muita preocupação. Não, não vou negar o assédio sexual que alguns terão feito junto das mulheres que quiseram seduzir para ter sexo com elas. Também não vou negar que a posição privilegiada de alguns também fez com que tivessem acesso a mais mulheres e pudessem assim exercer mais poder sobre elas. Mas questiono-me até que ponto tudo o que é dito por estas senhoras é 100% verdade. Até que ponto não foi mesmo consentido por algumas delas e agora, já bem lançadas na vida, trouxeram estes casos a público. E até que ponto os nossos filhos um dia bem-sucedidos – sim porque só vejo estas coisas acontecerem a homens milionários – não se cruzam com mulheres capazes de tudo para atingir os seus fins, arruinando-lhes a vida com narrativas construídas. Como se prova depois que o envolvimento foi consentido, desejado por ambos e que não houve abuso nem violação durante a relação? Como pode um homem totalmente inocente livrar-se disto?
Tenho medo, muito medo pelo meu filho, que não sei como proteger desta nova geração de mulheres radicalizadas. Porque se hoje tudo pode ser considerado “assédio sexual criminoso”, mesmo sem o ser de facto, desde que a vítima seja uma mulher e diga “MeToo”, um dia o meu filho só poderá ter um envolvimento desde que antes tenha assinado um contrato de consentimento, desde que ligue o gravador do telemóvel nos encontros sexuais, não dirija piropos nem elogios, não escreva bilhetes de amor e marque encontros só em locais públicos, para um dia não ver a vida terminar num inferno, mesmo passados alguns anos.
Chocados? A continuar assim será esta a educação que as mães darão aos meninos no futuro. Não duvidem.
Parabéns a nós
Fechada no WC
Foram mais de seis horas que uma mulher de 47 anos, empresária, esteve ontem fechada numa casa de banho do Centro de Saúde de Cantanhede por suspeita de coronavírus.
Deram-lhe um iogurte e bolachas para comer e muito poucas explicações. A meio da tarde foi informada que poderia ir para casa, sem ser submetida a análises, porque não havia autorização da Direção Geral de Saúde (DGS) para as fazer.
Notícia do Diário As Beiras.
Os jornalistas em vez de andarem a telefonar a Santos Silva por causa do tratamento médico do português que está no Japão podem pedir-lhe que explique isto
- Segundo Ancara, 33 soldados turcos foram mortos quinta-feira na província de Idlib pela aviação do regime de Bashar al-Assad
2. Turquia abre as portas da Europa aos refugiados e lança ofensiva na Síria. Governo de Ankara toma posições drásticas ao anunciar que não irá travar o fluxo migratório para a Europa e ao declarar guerra ao regime de Assad após 29 soldados turcos terem morrido em Idlib.
…. E há agora o PR pode tb dar uma palavrinha
A megalomania de quem falhou tudo
2003. Congresso da Internacional Socialista. Guterres apresenta caminho para uma nova ordem mundial
2016. Guterres promete revolução na ONU
2019. Guterres. salvar o planeta “é a batalha das nossas vidas”
2019. Guterres anuncia “maior diálogo global de sempre” sobre o futuro
2020. Guterres ataca desigualdade de género e indica desafios para “mudar o mundo”
… Amanhã há mais. Mas sempre em grande
O Processo de Grunhificação em Curso

«Motards perseguem polícia e enconstam-no contra carro patrulha durante funeral das vítimas da Segunda Circular. O agente, em sua defesa, puxou de uma arma quando estava a ser cercado.»
Aí não?
Aí o Marega não foi insultado por ser preto? Se calhar foi por ter nascido em Les Ulis Ou por ser um jogador alto. Ou por pesar mais de 70 kilos. Porquê tanto esforço para torcer a realidade? Racismo é usar a cor, etnia ou cultura de alguém, denegrindo-o e rebaixando-o. Foi o que aconteceu. Sim, outros jogadores já foram insultados com comentários racistas. E não duvido que a Cristina também o tenha sido. E….? Por causa disso o Marega não foi insultado por causa da sua cor? Quem o insultou teria imitado um macaco se o jogador fosse branco? E não, não é verdade que «quem vai para o futebol tem de saber que isso (insultos) faz parte do ofício». Isso é absurdo, seria doentio e levaria a ter de aceitar-se que tal espectáculo é antro exclusivo de grunhos na assistência. O que felizmente não é caso. Há sim pessoas e grupos que gostam de andar a exorcizar as suas frustações e complexos gritando cânticos racistas e insultando jogadores com base na cor da pele, na origem, na etnia, no nome. Sim, racismo. Há. Bastante.
Marega esteve bem, e teve o mérito de ter sido o primeiro a recusar-se a jogar enquanto o insultavam com cânticos racistas. Se todos os jogadores daqui para a frente fizerem o mesmo, certamente o país será melhor e mais civilizado.
A constitucionalidade faz de conta
Ferro Rodrigues solicitou à Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais que esclareça “com muita urgência” a constitucionalidade do projecto do Chega que propõe o agravamento de penas para crimes de abuso sexual de crianças e uma pena acessória de castração química. Os partidos representados na Comissão de Assuntos Constitucionais não têm dúvidas: a castração química é inconstitucional.
Há menos de uma semana estes mesmos deputados votaram sem quaisquer dúvidas sobre a constitucionalidade dessa votação a favor da eutanásia.
Só interessa se for lá fora
Harvey Weinstein foi considerado culpado por tribunal nova-iorquino de dois crimes de abuso sexual. Na mesma altura que a escandaleira MeToo progredia de efectivos casos de violação para um “tenho a impressão que me tocou no joelho há 45 anos”, uma senhora de 49 anos seria pacificamente violada por dois homens perto de uma estação de metro na Maia. Seria, porque dias mais tarde, segundo o noticiado, não conseguiu “sustentar a queixa”, tendo desistido da denúncia.
Terá sido violada? Terá imaginado coisas? Nunca saberemos: estamos mais interessados em dizer que não há denúncias falsas do que em descobrir a verdade. E se a senhora foi mesmo violada, que se lixe, não vamos é arriscar a narrativa de que todas as acusações de violação têm fundamento. Entre prevalecer a justiça ou descobrirem-se falhas na narrativa oficial, mais vale não arriscar. A mulher que se lixe.
Não limitem a liberdade
Caiu por terra qualquer argumento sobre taxas de cesarianas e resolveu-se a questão do direito da grávida a escolher livremente o método cirúrgico para o parto: no momento em que alguém pode entrar no hospital para ser morto, não há qualquer argumento passível de restringir a decisão pessoal de uma cesariana a pedido. Com o estado a criar algoritmos, o médico do futuro poderá até ser substituído por um robô.
Marega, não é por seres preto
Digam ao Marega que a estupidez humana não tem cor e meia dúzia de energúmenos não representam um país. Que tem razão: aquilo – a imitação de sons de macacos – não se faz. Aquilo não é de gente civilizada e tem de ser punido. Mas que não foi pelo tom da sua pele. Foi por estupidez.
Perguntem se é verdade que foi trazido de clubes sem qualquer relevo para o Marítimo da Madeira, em 2014/2015, mas revelou desde cedo uma queda para indisciplina e descontrolo emocional que lhe valeram várias multas e suspensões e mesmo assim, foi acarinhado pelo clube pelo seu brilhantismo.
Perguntem se é verdade que depois de transferido para o FCP, a prestação caiu a pique e, só por isso, passou a ser a anedota azul e branca.
Perguntem se é verdade que mesmo com a popularidade em baixa foi emprestado ao Vitória perante a perplexidade de alguns que não lhe viam valor futebolístico, mas mesmo assim, de camisola vestida, foi recebido com carinho e apoiado como qualquer outro jogador, tendo recebido aplausos quando os mereceu e reprovação, como qualquer outro, quando desiludia.
Perguntem se é verdade que vestindo o equipamento do Vitória, num jogo perante o Nacional, se descontrolou e sem mais deu um estalo num adversário valendo-lhe uma expulsão e que ao sair do relvado ainda insultou com palavras e gestos adeptos do Vitória, partindo tudo o que lhe apareceu à frente no balneário.
Perguntem se é verdade que mesmo com estes comportamentos a SAD Vitoriana não deixou cair o jogador e procurou a reintegração no grupo, enquanto os adeptos também o perdoavam.
Perguntem se é verdade que se tornou um ídolo dos adeptos do Vitória por ter feito uma excelente época no clube.
Perguntem se é verdade que trocou o Vitória que o idolatrou pelo FCP, reabilitado e com prestigio em alta, fazendo questão de agradecer ao clube vitoriano por tudo o que por ele fizeram.
Perguntem se é verdade que nos 2 anos seguintes, sempre que as 2 equipas se encontravam, era aplaudido pelo adeptos vitória até mesmo quando saiu lesionado num jogo, onde foi aplaudido de pé.
Perguntem se é verdade que no fatídico dia da polémica racista marcado pelo famoso abandono do estádio, no aquecimento com FCP, os adeptos (cerca de 5) estavam a mandar “bocas” aos jogadores adversários como acontece em qualquer jogo de futebol e não um em particular; que no decorrer do jogo não houve insultos apenas descontentamento dos adeptos do FCP por falhanço de golo; que chegados ao minuto 60, assim que se deu o golo, inesperadamente foi festejar junto dos adeptos do Vitória provocando-os com gestos e palavras e que imediatamente reagiram com vaias, insultos e arremesso de cadeiras, não por ser negro; que em reacção ao sucedido, sempre que tocava na bola os adeptos não lhe perdoavam a traição, insultando-o.
Quando era criança, no Canadá sofri de racismo e não sou preta. Sei o que é essa humilhação, porque com 9 anos ouvi um pavilhão gimnodesportivo inteiro apinhado de alunos em sonoras gargalhadas, assim que o meu nome foi anunciado nos microfones para subir ao palco para receber uma medalha de atletismo. Ainda hoje consigo ouvir toda a gente a tentar pronunciar o meu nome “estranho” com sotaque canadiano – “Gonçalves” – perdidos de riso. Em vez de sair dali a correr enfrentei a multidão, caminhando por entre eles de cabeça baixa e a tentar suspender as lágrimas enquanto a vontade de desaparecer e a vergonha tomavam conta de mim, num momento que deveria ter sido de euforia mas que se transformou num pesadelo. Porque ser portuguesa, ter uma língua e nome esquisitos, vestir como uma provinciana pobre, ser patinho feio e ter ainda ar de “chinezinha”, num país que não era o meu, valeu-me episódios como esse e tantos outros e não ter por isso quem quisesse brincar comigo na escola. Ninguém. A não ser, claro, outros rejeitados como eu.
Chegava a casa em choro e dizia em pranto, cheia de raiva, que não queria voltar mais à escola. Mas o meu pai ensinou-me que a melhor forma de combater a exclusão, seja pelo que for, era ignorar e focar-me apenas em lutar por ser a melhor na conquista dos meus objectivos e que aí chegada todos se esqueceriam da cor, da etnia, da cultura, e passariam a ver apenas a pessoa. Que o mundo era assim em todo o lado em relação às diferenças. A vida mostrou que tinha razão.
No futebol é sabido que não é preciso ser-se preto para sofrer de racismo. E que ser preto não implica necessariamente que o haja. Que o diga Cristiano Ronaldo também alvo desses ataques racistas em Espanha (veja aqui) e que soube ignorar como só um grande profissional o sabe fazer. Exactamente como me foi ensinado pelo meu pai. Como diz aqui neste vídeo um insuspeito africano que não se revê no comportamento de Marega: “não é racismo e quem vai para o futebol tem de saber que isso (insultos) faz parte do ofício”.
Tão verdade que nem Eusébio, hoje a descansar no Panteão, escapou.

É um fogo que arde sem se ver
Os eventos recentes e o que sobre eles escrevi poderão ter levado os três leitores assíduos a pensar que entrei num ciclo de desilusão com a política actual. A esses pretendo deixar uma pequena nota que visa o esclarecimento: é ao contrário; os eventos recentes não foram dotados de significado suficiente para me fazer sair do estado de desilusão que desde o berço acolhi de braços abertos.
Obter contentamento com a política nacional parece-me no mínimo uma imprudência, no máximo uma infantilidade. A condição indispensável à portugalidade, e a que — como os restantes nativos — não escapo, é precisamente a de nunca um português contentar-se de contente. O andar solitário entre a gente e que é ferida que dói e não se sente é, mais que o acidente demográfico e geográfico de ter sido parido nestas terras, o que nos define e une como povo.
Sim, considero uma ignomínia a aprovação dos projectos de eutanásia porque concedem ao estado o poder de determinar quem vive e quem morre, mas sei que, ao contrário dos calvinistas do norte que vivem contentando-se de contentes e infelizes de descontentamento, enquanto depender da exclusiva vontade do doente, não haverá mais que um par de portugueses a pedir o extermínio, contando estes como excepções que confirmam a regra.
O português tem uma cultura católica, pelo que sabe que a sua felicidade deriva do contentamento na miséria. Nenhuma lei muda isso. Haverá algo mais católico do que deixar de votar em eleições, correndo o risco da situação melhorar para que se alcance a infelicidade decorrente do contentamento?
Não se governam nem se deixam governar. Pudera: permitir que alguém invente soluções de prosperidade é tirar-nos a felicidade de vivermos modestamente. Ninguém o mudou antes, também não serão estes novos (ou velhos?) jacobinos que o farão. Ainda há quem não perceba porque elegemos sistematicamente o Partido Socialista para nos governar? A resposta está, como sempre esteve, em ter com quem nos mata lealdade.
VPV (1941-2020)
Não faltarão amigos e admiradores a enaltecer as qualidades intelectuais, de escritor, políticas e académicas de Vasco Pulido Valente. Serão aqueles a quem a saudade se anuncia, homenageando, à chegada da noite, o que nas horas luminosas do dia com seu génio compartiram. Alguns, como eu, só o fizeram através da escrita: fluida, concisa e por isso afiada ao ínfimo do poro que pretendia, com extraordinária acuidade, atingir. Outros ainda, como equilibristas neste circo de rede rasteira, odiando cada sílaba por ele proferida, tratarão de usar do cinismo para enaltecer com lindas prosas de ghostwriter o que à luz do dia não seria mais que negro fumo de ressentimento. Apesar de deixar um vazio compacto por impossível de preencher aos dois primeiros, aos últimos faria melhor proveito o pudor de não aparecerem tão despidos em público. Sem o Vasco Pulido Valente por perto para a apontar, talvez ninguém repare na nudez do exibicionista.
Agora não há rostos da luta, nem luta alguma.
Ninguém ousa interromper comissões parlamentares. Vivemos no melhor dos mundos possíveis e se por acaso os medicamentos faltam, temos pena.
Midsomer murders
Seguradoras lamentam não terem sido ouvidas na procura de uma solução que “evitasse dúvidas ou incerteza sobre a matéria”. PS garante que ninguém será prejudicado e remete a discussão para a regulamentação da lei. No Luxemburgo, estas mortes passaram agora a ficar registadas como tendo tido “causa natural” para evitar conflitos com seguradoras.
Primeiro legisla-se, depois regulamenta-se, depois legisla-se outra vez… a realidade há-de ficar bem escondida debaixo de tanta legislação.
De vez? Porquê?
Era o qe faltava ser “de vez”. Quando a eutanásia foi chumbada há dois anos também se achou que fora chumbada “de vez”? Vamos lá ver se nos entendemos: não há donos do “de vez”.
Declaração de não-voto
Era inevitável. O culto da morte haveria de levar a sua avante. E agora? Agora é assim:
Porque não sou conservador? Porque há pouquíssimo a conservar neste país e o que há também está na calha para ser destruído.
Porque não sou liberal? Porque o cânone do liberalismo é definido por quem usa o título e rejeito qualquer ligação a tribos que apresentam propostas legislativas para que se mate doentes em hospitais como expediente burocrático.
Porque não sou socialista? Porque o estado gigantesco é ineficiente, prepotente e castrador das liberdades individuais. Ver a secção anterior.
Porque não sou comunista? Porque defendem levar o socialismo à sua forma extrema de utopia. Ver a secção anterior.
O que sou? Agora não sou nada, só livre.
What goes up…


