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Da moral

19 Fevereiro, 2020

A vida torna-se mais “leve” para quem não hesita em mutualizar as suas responsabilidades e a sua moral para uma entidade abstracta como o Estado.

Quanto mais se “externaliza” a compaixão, menor a consciência moral das pessoas e, portanto, menor a liberdade individual.

É assim com o estado social. O Estado compra a liberdade do indivíduo e garante a futura servidão deste perante o poder. A própria Igreja já se perdeu nesta nova forma de estar.

É assim, mais gritantemente com a eutanásia. Nos dilemas morais e decisões de vida ou morte não deve haver lugar ao Estado.

Ninguém disse que não havia um preço a pagar pela Liberdade…

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Está explicado: José Sócrates não faliu Portugal. Teve sim um “ato de empatia, de humanidade e de amor compassivo”

19 Fevereiro, 2020

O que está em causa

19 Fevereiro, 2020
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“Diferenças à parte, todos os projectos têm como objectivo a despenalização de quem ajuda e é nesse ponto que o debate deveria estar centrado. Quase tudo o resto é ruído.”

Artigo completo aqui.

 

Já nascemos mortos

19 Fevereiro, 2020

A eutanásia é inevitável. É preciso estarmos cientes disso. Não há forma de travar os “avanços civilizacionais” em democracias liberais num mundo globalizado. Se não for aprovada amanhã, será no próximo ano, daqui a dois anos, daqui a quatro… mas será sempre aprovada. O nosso desígnio nacional é, como já é há muito tempo, o de legislar a modernidade.

Em Portugal, o normal é aprovarem-se coisas antes que a generalidade das pessoas sintam necessidade de as compreender. Não é bem uma democracia, o que nem me parece uma falha: é o que é, uma espécie de ditadura senatorial que perpetua a luta de classes divididas entre os iluminados, que querem o bem da sociedade, e os indiferentes às causas, que vivem a sua vidinha bem longe da decrepitude.

Caso haja um referendo à eutanásia, é possível que a participação seja bastante reduzida e o resultado se divida entre o “sim” e o “não”. Até é bastante plausível que vença o “sim”. Há um motivo para isso, que é o do mundo contemporâneo exigir uma simplificação da vida a estados permanentes de bem-estar. Não dizemos que estamos felizes, dizemos que somos felizes, como se a vida se reduzisse a um estado de perpétua instagramização. Quem quer ver fotos do momento em que não aguentamos mais e mijamos nas calças em redes sociais? Quem quer ver aquela massa instantânea que atiramos para o micro-ondas quando ninguém está a ver? Quem quer ver uma boazona de biquini a verter uma pinga de vinho de pacote para um copo do Mickey Mouse enquanto desoladamente atiramos o hamburger congelado para a frigideira depois de buscarmos os miúdos à escola?

A vida resume-se a um perpétuo estado de férias paradisíacas intagramáveis. É um mundo em que ninguém defeca. Ninguém sofre, ou se sofre, é de forma extraordinariamente contrastante com o estado permanente de felicidade que impomos a nós próprios.

É apenas natural que se legalize eutanásia e que ao longo dos anos esta se venha a generalizar para toda e qualquer forma percepcionada de sofrimento. Quero eutanásia porque o Bobi morreu, o meu menino. Não aguento o sofrimento.

Sempre fomos uma sociedade que afasta o mais possível a morte das contemplações mentais de cada um. Agora, tornamo-nos numa sociedade que não contempla sofrimento como parte integrante da vida. No futuro, seremos completamente unidimensionais – gay, preto, cristão, liberal, mulher – e construídos para a obsolescência programada. Cervantes já o sabia no século XVII. O Velho do Restelo é sistematicamente visto como uma personagem do velho mundo.

A eutanásia é o menor dos nossos males. Na realidade, é só um sintoma, nem é o essencial da doença.

A ouvir

18 Fevereiro, 2020

Quando a liberdade é muita, o liberal desconfia

18 Fevereiro, 2020

José Diogo Quintela: «Se, a partir de quinta-feira, as pessoas passam a poder indicar ao Estado o momento da morte, faça-se também uma lei que as deixe indicar ao Estado a escola onde desejam pôr os filhos a estudar. (…)

Outra das áreas em que esta vontade de liberalizar podia ser aplicada é a do trabalho. Já que o Estado confia – e bem! – na capacidade de um cidadão decidir quando quer morrer, podia estender essa confiança à capacidade de um cidadão decidir como quer passar o tempo até esse dia. Por exemplo, alguém que queira trabalhar 60 horas por semana em vez das 40 horas actuais, não pode. Mesmo que seja essa a sua vontade, mesmo que o patrão não veja inconveniente nisso. (…)

Entretanto, cabe ao legislador redigir a lei com o máximo cuidado, para que não seja usada como subterfúgio para situações indignas. Por exemplo, a maioria dos projectos de lei prevê que a resposta ao pedido de eutanásia seja o mais rápida possível. Isso pode abrir a porta a abusos. Um doente que só consiga uma consulta de oftalmologia para dali a ano e meio, pode servir-se do sistema e dizer que, nesse caso, prefere a eutanásia. Marcam-na para a semana seguinte e ele, lá chegado, pede para antes lhe tratarem dos olhos, que é para focar a família uma última vez antes de se finar. Assim que lhe curam a miopia, aproveita a quinta vez que lhe perguntam se quer mesmo morrer e diz que esteve a ver melhor e afinal já não deseja, obrigado. Cautela com estes interesseiros.»

Mas por acaso eles têm ordens para intervir em alguma situação?

18 Fevereiro, 2020

Presidente da ASPP/PSP diz que polícia recebe indicações para não atuar em caso de cânticos e atitudes racistas

Ora que novidade! Tudo num estádio de futebol e seus arredores em dia d ejogo é um regime de excepção, a começar pelos locais espantosos onde se deixam os automíveis estacionados ou, caso venham d eautocarro, pelas estações de serviço escavacadas pelos adeptos.

Confesso a minha perplexidade: no meio daquela sucessão de factos intoleráveis pretende-se que as polícias seleccionem os cânticos e atitudes racistas e intervenham?

Não querem falar disto?

17 Fevereiro, 2020

Não achavam que era a mística?

17 Fevereiro, 2020

Vivi largos anos ao pé de um estádio de futebol. Protestei solitariamente contra os desmandos que eram permitidos aos adeptos. É a mística!” – diziam-me. Da mística fazia ver a rua atravessada por uma multidão que entre outras lindezas entova isto “Eu quero ver Lisboa a arder!” Era tudo mística. Politicos dos mais diversos partidos tornaram-se comentadores de futebol. Mas é a mística. Jornalistas-adeptos que vivem indignados com a corrupção normalizam as mais extraordinárias transações financeiras desde que sejam as do seu clube. Tudo por causa da mística. Agora estão todos indignados porque um jogador foi insultado? Realmente alguma coisa ajavardou na sociedade portuguesa entre aquele momento em que “o rei” era um negro, Coluna o “senhor Coluna” e esta malta que agora grunhe nos estádios.

E a culpa não foi dos jogadores nem sequer dos grunhos. A culpa é de quem na política e nas redacções achincalhou as suas funções.

A fé é que nos salva

17 Fevereiro, 2020

Na minha ignóbil candura, imaginara termos atingido o ponto mais baixo da degradação pública da semana com o lamaçal de hubris juvenil, que, ao som de um inverosímil monólogo de uma personagem-cartão de Ayn Rand, se masturbava perante a aprovação do avanço civilizacional da eutanásia. Não. Hoje temos a ignomínia do racismo, com todas as bailarinas políticas en pointe para mostrarem a imensa virtude de quem melhor diz que o racismo é feio. O presidente da república já falou e, como de costume, nada disse além de “votem em mim” (parafraseando).

Vindos do Olimpo onde esta canalha que nunca se fez homem se move, inundam as redes sociais, esses colonatos de insanos em busca de shots de dopamina através de likes, cada um com uma nova versão de 10 mandamentos, prontos para se auto-proclamarem o messias. Parece que as sociedades estão menos civilizadas e que isso se nota no futebol. A sério? Eu noto isso sem grande esforço nas fileiras dos -ismos de diferentes cores e igual ausência de dúvida metafísica para o significado da vida que se atropelam para aparecerem com a nova fórmula de virtude.

Durante algum tempo achei que os protagonistas executavam um bailado degradante. Recentemente descobri, com o atraso lusitano, que a obscenidade está na audiência que assiste e incita à pornografia, não em quem a executa.

Uma semana de tiro ao velho, ao doente e a gritaria de racismo é uma altura apropriada para recolher ao mosteiro. Não a um daqueles centros new age, a um templo daqueles a sério, como os milhares de igrejas que em tempos áureos de humildade construímos antes que os Siza viessem destruir tudo. Nas igrejas, aceitam todos: santos e pecadores, vencedores e perdedores, crentes e descrentes. Se precisarem de mim sabem onde me encontrar, mas estou convencido que não precisarão.

Nós só cá estamos para pagar impostos

17 Fevereiro, 2020

*O Governo anunciou na passada semana que até junho deste ano os presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) vão passar a ser eleitos, o que é uma forma de transformar a regionalização num facto consumado.

*Esta semana, propõem-se votar a eutanásia deputados eleitos por partidos que não tiveram a coragem e a clareza de colocar a eutanásia nos seus programas .

Direito de resposta ao “humorista” Diogo Faro

17 Fevereiro, 2020

Caro Diogo,

Apesar de ter sido aconselhada a ignorar o seu tendencioso artigo onde distorce completamente o sentido das minhas palavras, pela reposição da verdade que se impõe dada a gravidade das suas afirmações e fazendo uso do meu direito de resposta, permita que o corrija em honra do meu bom nome:

1- A sua análise não foi sobre o que escrevi no meu artigo no Observador mas sim sobre o que gostaria que eu tivesse escrito, ou seja, uma interpretação falaciosa para causar sensação nos media à custa das agendas na moda onde se promove.  Tivesse feito uma análise séria e ficava sem material para criticar;

2- A sua afirmação “A Cristina é anti-feminista, logo, essencialmente é contra a igualdade de género”, é falsa. Não me identificar com o feminismo de 3ª geração aqui investigado neste excelente documentário “Red Pill” por Cassie Jaye, uma insuspeita  activista feminista  famosa e que conclui com factos indiscutíveis que não há defesa de igualdade entre sexos, deita por terra a sua narrativa. Faça o favor de o ver até ao fim. É que da teoria bonita das definições de dicionário à prática vai uma distância galáctica. Veja aqui também neste meu artigo “Onde estão as feministas para repor a igualdade”,  com dados da PORDATA sobre o tema. Leia;

3- Não sou feminista, mas fiz mais pela libertação das mulheres que aquelas que o dizem ser:  aos 16 anos fui trabalhar como operadora de empilhador numa fábrica a carregar camiões, porque quis,  e lá permaneci até aos 20.  Enfrentei um casamento pautado por violência doméstica. Fugi desse casamento porque não me concediam o divórcio, que há 30 anos era socialmente mal visto, a mulher  rotulada de “adúltera”, e era necessário ter motivos considerados “válidos” – adultério ou a não consumação do casamento, por ex.,  caso contrário o marido podia recusar-se a assinar, pois a violência psicológica não era motivo suficiente.  Enfrentei o mundo dos homens de negócios, que olhavam para mim como uma presa sexual, onde foi difícil ganhar credibilidade pelo  meu trabalho. Enfrentei uma luta de 7 anos por homens juízes me terem retirado  a filha,  alegando “abandono do lar” e acusando-me de ser “má esposa”.  Enfrentei relações com homens preconceituosos, que diziam amar-me mas eram incapazes de assumir uma mulher divorciada e com filhos. E venci.  Cada etapa. Tudo e todos. Sozinha. Não precisei de me inscrever em  movimentos de Simone de Beauvoir para lutar pelos meus direitos como mulher e  como ser humano. Bastou a minha determinação, resiliência, teimosia, fé  e muita coragem;

4- Continuo ainda a lutar pelas mulheres ao educar o meu filho de 13 anos no sentido de cuidar da sua roupa, do seu quarto, de lavar a loiça, cozinhar e pôr a mesa; ao ter apoiado as opções da minha filha mais velha  quando, em criança,  não queria usar saias nem vestidos e só pedia tartarugas ninja, jogos Nintendo, legos e computadores.

5-  O meu pai, que era um conservador de direita, ensinou-me a conduzir empilhadores e outras máquinas industriais, a mudar pneus, usar o berbequim, pôr um carro sem bateria a trabalhar e resolver outros problemas mecânicos, a pregar pregos, a mudar lâmpadas, a plantar legumes,  criar galinhas, porcos, coelhos e vacas.  E vocês, progressistas, o que fizeram de parecido  junto das vossas filhas pela igualdade de género?

6- Administrei empresas e criei outras. Estive em 4 áreas distintas: construção civil, segurança privada, apoio ao estudo e apoio domiciliário. Na primeira, nunca vi uma única mulher a responder a uma vaga de emprego.  Na segunda, só respondeu uma mulher em 5 anos. Nas restantes foram mais mulheres que homens. Quem foi que as impediu de se candidatarem às vagas? Foi você? E o Diogo? Quantas empresas criou? Quantas mulheres empregou? Quantos salários lhes pagou? O que sabe realmente, e não a partir da “agenda feminista”, sobre essa problemática?

7- Se é defensor da igualdade de géneros, porque não fez um repto (aquele que o tornou “famoso”) aos dois sexos, homens e mulheres, para denunciarem a violência doméstica  e não apenas as mulheres? Isso é defesa da igualdade?

8- Com 23 anos já era independente, responsável, mãe (apesar de não ter desejado esse filho), estudante-trabalhadora e com currículo de trabalho e de lutas pelos meus direitos desde os 16. E você? Que currículo tinha com essa idade? Que aprendizagem da vida já possuía sobre a luta pela igualdade?

9- Sobre as restantes considerações tendenciosas do seu artigo, diga-me: é mentira que se um branco criticar o comportamento de uma minoria racial é  rotulado de xenófobo?  Se um heterossexual criticar a doutrinação  dos movimentos LGBT é rotulado de homofóbico? Que a ideologia de género imposta nas escolas, cujos manuais foram escritos por feministas (vá lá ver),  promove a ideologia LGBTQ – é só ler os  manuais (vá ler) do Ministério da Educação – e pretende a substituição da família tradicional?  Que o marxismo é uma ideologia totalitária? Que o aborto promove a irresponsabilidade? Que as drogas ditas leves legalizadas promovem o seu consumo? Que se um nacionalista disser que os negros escravizaram tanto quanto os brancos é acusado de racismo?  Que ser de direita e defender  o controlo da entrada  de migrantes sob estatuto de refugiados é imediatamente rotulado de extremista? Não, não é. E, conscientemente, você sabe disso.

5- O meu artigo é apenas uma chamada de atenção à intolerância relativamente ao pensamento que não se enquadra no politicamente correcto, que é contra as narrativas vigentes da agenda progressista – enviesadas e cheias de inverdades – e  que é atacado assim que se manifesta numa simples opinião. O artigo foi tão bem sucedido que basta ler os comentários ao mesmo para ficar demonstrada cada linha escrita – anónimos  e figuras públicas cospem ódio, insultam, ou simplesmente ridicularizam,  por verem contrariadas AS AGENDAS PROGRESSISTAS. Você foi um deles.

Por fim, agradeço o conselho que deu à minha filha. Porém, não é ela que tem de me dar um abraço e confortar-me. Sou eu que a tenho de a  tranquilizar e dizer firmemente: “Não! a tua mãe não é homofóbica, xenófoba, racista, ditadora, extremista, e o diabo a quatro que este Diogo, Madalena Freire, “Jovem Conservador de Direita” e  tantos outros como eles pintam por aí, para promover uma falsa liberdade, igualdade e humanismo”. A tua mãe é exactamente aquilo que conheceste: justa, defensora dos valores que recebeu do teu magnífico avô, humanitária, solidária, inclusiva, amiga, respeitadora e tolerante. E que ao contrário dos “diogos” desta vida não impede os outros de serem o que são. Dizer-lhe que a culpa não é dela por se sentir confusa. É de quem usa o mediatismo à custa das causas na moda para confundir, distorcer e manipular tudo o que não lhes convém. Porque falar a verdade estraga a agenda. 

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Ó Catarina, depois onde vão ser tratados os dirigentes do BE?

16 Fevereiro, 2020

Catarina Martins avisa: “Não pode ser entregue nenhum hospital público à gestão privada”

Os portugueses “raizosparta” e os aristozeros

16 Fevereiro, 2020

Os portugueses “raizosparta” acreditavam que os deputados eram eleitos para que a sua vida fosse mais digna não para que os deputados, enfastiados da discussão em torno das condições de vida, se empenhassem com fúria e zelo na definição das condições da morte. Digna, dizem eles. Os portugueses “raizosparta” nunca fazem o suficiente, nunca pagam impostos suficientes e nunca se esforçam o suficiente de modo a cumprirem o admirável mundo novo que os aristozeros lá das suas “ZERES” sonham impor. Uma ZER não é apenas uma Zona de Emissões Reduzidas, é sim a cidadela dos aristozeros: o local onde não há espaço para as questões irritantes dos portugueses “raizosparta” como os assaltos ou a degradação cívica, intelectual e moral que se vive nas escolas públicas. Apenas gente bonita achando que alimenta o mundo e o salva do impacto ambiental da agricultura industrializada porque cultiva ciboulettes em vasos ditos orgânicos na varanda.

É isto

15 Fevereiro, 2020

João Gonçalves: «Primeiro-ministro anunciou no Twitter que irá sugerir ao Presidente da República a condecoração de Arménio Carlos “pelos serviços meritórios praticados” nas funções de secretário-geral da CGTP.” Não há limites para o cinismo frio deste homem. Ignora o camarada do PS Carlos Silva, da UGT, e quer condecorar o sindicalista do PC porque nunca se sabe. Um país refém disto é um país de merda.»

Os privados, o lucro e a eutanásia

15 Fevereiro, 2020

Vi por aí indignação pela circunstância de grupos privados de saúde anunciarem que nas suas redes de cuidados não matarão doentes, ou seja, não practicarão a eutanásia.

Considerar esta decisão ofensiva dos direitos e liberdades individuais é absurda, desde logo porque supostamente quem é favorável à eutanásia não pretende que a práctica seja generalizada, muito menos obrigatória, mas apenas uma opção disponível. A fúria contra os privados é também evidentemente tola porque uma empresa não deve ser obrigada a prestar serviços que não quer oferecer aos seus clientes, além de que os proponentes da despenalização da eutanásia querem que seja o SNS a “tomar conta da ocorrência”.

Mas, numa coisa estes indignados anti-privados têm razão: as considerações económicas (ou “economicistas”, como lhe costumam chamar) não deveriam distorcer ou impedir as boas decisões.

E aqui a questão que se coloca é que cuidar dos enfermos e prestar cuidados paliativos sai muito caro e o SNS não tem dinheiro.
Ou melhor: sairia caro porque hoje apenas uma ínfima percentagem dos cuidados paliativos necessários é assegurada pelo SNS…

Do ponto de vista do governo e do estado, para gestão das finanças públicas, é muito mais simples e fácil de executar cortes ou cativações a eito. Essa é e será a cultura dominante na administração pública pois seria muito mais complexo alterar as prioridades e opções de investimento, já para não falar da sustentação política que tais medidas exigiriam.

Um doente que esteja bem informado sobre cuidados e acções disponíveis para prolongamento com qualidade da sua vida torna-se um centro de custo.
Um doente potencialmente caríssimo e uma despesa extra potencial que importa evitar.
Por muito eticamente conscientes e compassivos que sejam os profissionais do sector, os incentivos são o que são e, mais ou menos inconscientemente, as pessoas respondem a eles.
É fácil de perceber as consequências que daqui poderiam advir…

Por isso importa a todo o custo que no mercado, privado, não estejam disponíveis nem visíveis alternativas à opção definitiva pela eutanásia.

Certamente a Dona Moreira e a Dona Mortágua condenarão o objectivo de obtenção de lucro pelos operadores privados de saúde ao apresentarem serviços adicionais para prolongamento de vida aos doentes. Mas é precisamente esta procura de lucro que moraliza o mercado ao tornar mais informadas as pessoas e, sobretudo, ao dar mais graus de liberdade e escolha aos doentes para tomarem as suas próprias decisões.

Já sabemos que um rico tem sempre acesso a serviços diferenciados.
Mas no caso de um pobre pedir para o matarem se calhar será mais conveniente este não chegar sequer a saber que se tivesse dinheiro poderia viver mais tempo…

Deve ser a isto que se chama populismo, não é?

15 Fevereiro, 2020

Via Porta da Loja descobri isto. Os indignados do populismo não têm nada a dizer? Imaginem quantos cordões humanos já teriam sido feitos caso o alvo da peça fosse um alguém apreciado pelo sistema “mediático-diz que sou artista”.

Não é que fosse difícil de prever

15 Fevereiro, 2020

Não é de hoje a minha antipatia pelo partido Iniciativa Liberal. Não que interesse a alguém, mas considero que desde a sua formação há uma componente mística do liberalismo assente num neo-paganismo bizarro, uma conexão hipster entre princípios doutrinários arranhados ao liberalismo clássico e a fusão do capitalismo com a elevação de uma religião laica atraente a bloquistas que desgostam dos batuques de djembés.

Após uma fase de notória evidência para que a motivação do partido fosse a de pegar nos mesmos temas identitários do Bloco de Esquerda pelo prisma de sapatos de vela, e sob risco de extinção precoce, o partido teve uma liderança que permitiu apaziguar o ímpeto progressista com propostas mais ou menos bem conseguidas de modernização do país para fora das amarras ineficientes da esfera estatal. Todavia, apesar de um resultado eleitoral surpreendente, a insustentável manutenção dos ímpetos fervorosos pela renovação social com trela curta – se não estás satisfeito com o teu país, muda o seu povo, já diria um Mao – revelou-se com a demissão do líder e o consequente regresso do partido às suas origens.

Pode até crescer eleitoralmente: o Bloco também cresceu. Contudo, será sempre crescer pelo aburguesamento dos tipos de djembé, não pelo eleitorado cuja preocupação é se terá ou não reforma. Ou, se tudo correr bem, extinguir-se-á sem alarido na redoma das certezas que o mundo moderno cria nas ilhas privadas da psique de cada um. Depois dos cartazes criativos não há mais nada a vender a eleitores que não hubris. Também estou certo que muitos amigos que ainda conseguem fazer o difícil exercício de se reverem no partido acabarão por pacificamente e sem espalhafato dedicarem-se a coisas mais nobres como a de deixarem de atribuir novas funções ao estado. Até porque para um Bloco de Esquerda que quer pagar menos impostos já temos, para o que daí é exequível, o Bloco de Esquerda.

Do mito ao #metoo

14 Fevereiro, 2020

O Carlos M. Fernandes disseca o “feminismo” na Coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador e demonstra o ressentimento de que vive e o totalitarismo para onde nos leva.

Um excerto:

Num sistema fundado na igualdade, os crimes não têm sexo, cada um é responsável pelas suas decisões e a presunção de inocência é um princípio inviolável. Na distopia feminista, a culpa, se não pode ser atribuída ao homem ou ao patriarcado, deve ser pelo menos partilhada. E, na carência de culpados, a árvore do progressismo é regada de quando em quando com o sangue dos inocentes. O feminismo contemporâneo é inimigo de qualquer sociedade que se quer aberta, livre e tolerante.

Recomendo a leitura completa do texto.

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O mundo fora da bolha da gente bonita que faz programas fofinhos e leis inovadoras

14 Fevereiro, 2020

*A redução administrativa de 3% nos preços pagos pelo Estado ao sector convencionado dos meios complementares de diagnóstico e de terapêutica está a condicionar o acesso a exames fundamentais. O exemplo das ecografias obstétricas, para as quais faltam médicos dispostos a trabalhar pelos valores que o Serviço Nacional de Saúde paga, é um dos casos mais graves.

*A imoralidade da renda acessível em Lisboa. Fernando Medina prometeu 6000 casas de renda acessível, mas não produziu uma única: está a tirá-las da habitação social.

*Mais de 30 cabras e ovelhas mortas por cães vadios em Viana do Castelo

Empatia my ass

13 Fevereiro, 2020

O argumento da empatia é a coisa mais manhosa que se pode usar para defender a eutanásia. Em primeiro lugar, porque empatia têm as pessoas da esquerda, aquelas que nos amam a todos e querem tanto o nosso melhor que, por eles, nem haveria ensino ou medicina privada; adoram-nos de tal forma que sabem exactamente o que queremos, o que devemos querer e a forma como o conseguir. Em segundo lugar, porque a empatia existe num plano de conexão entre pessoas individuais. Eu sinto empatia pelo Zé, que sente empatia pelo Joaquim, que por sua vez acha que eu sou um idiota. Ninguém sente empatia por grupos, como em “este grupo de pessoas, coitadinhas, vítimas de um terramoto, um grupo tão distinto que incluía mães, crianças e três violadores, merecem toda a minha empatia”. Ora, o que a eutanásia de estado é é precisamente a falta de empatia: o velho quer morrer? – Manda-se para o médico, que tem a empatia obtida pelos cinco minutos necessários para o matar, tudo isso depois de passar pelo processo de avaliação do estado – esse ente tão empático – que, com a máxima empatia, ainda consegue avaliar a veracidade da vontade expressa (são velhos amigos, o velho e o estado).

Usem os argumentos certos. Digam antes assim: não vejo qualquer problema em envolver o estado na tragédia pessoal de uma pessoa se for para autorizar um funcionário para que este cometa homicídio. Porque o estado dar autorização para homicídios tem tudo para correr bem: afinal, o estado é o supra-sumo da empatia.

Conversar sobre um mundo mais justo e fraterno.

13 Fevereiro, 2020

Lula da Silva descreve o encontro de hoje como um “encontro com o Papa Francisco para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”.

O problema mantém-se.

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Entre iguais

13 Fevereiro, 2020

Um “debate” entre todos proponentes do sim.

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*

À atenção dos eco-betos

13 Fevereiro, 2020

Carlos Neves: «Os nossos avós faziam “policultura” porque tinham famílias numerosas a trabalhar de graça e “moços de lavoura” muito baratos. Muitos eram os vossos pais e avós, que emigraram para a cidade ou para o estrangeiro à procura de uma vida melhor. (…) Nós, os que ficamos na terra a produzir a carne, o leite, os ovos, a fruta, as hortícolas ou o algodão da vossa roupa, fomos os que aceitamos usar máquinas, adubos, pesticidas e todas as coisas que fazem parte da agricultura moderna, tão moderna como o vosso carro, o vosso telemóvel, as vossas máquinas de lavar roupa, louça e os detergentes que colocam lá dentro»

Não, não é uma questão de exagero. É sim uma questão de poder

12 Fevereiro, 2020

Se existisse uma maioria no parlamento que resolvesse mudar a legislação sobre o aborto, sem ter inscrito tal nos seus programas, isso seria aceite com fatalismo? Como se se tratasse de uma questão de exagero de parte a parte?

Não, o debate neste momento em torno da eutanásia não é uma questão de exageros como escreve o JCD mas sim de uma parte da cidade viver uma cidadania de segunda: as suas opiniões nunca são as que deveriam ser, a sua contestação nunca muda nada e para cúmulo os seus líderes dão-se bem com isso!

Pode ser-se a favor ou contra a eutanásia mas em caso algum se pode ser a favor da transformação do processo legislativo num instrumento do sentido único da História.

Repito a pergunta porque assim fica tudo mais óbvio se existisse uma maioria no parlamento que resolvesse mudar a legislação sobre o aborto, sem ter inscrito tal nos seus programas, isso seria aceite com fatalismo? Como se se tratase de uma questão de exagero de parte a parte?

Exageros

12 Fevereiro, 2020
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As pessoas que defendem a eutanásia não são pérfidas. Fazem-no por achar que faz sentido ajudar quem pede ajuda para acabar com um sofrimento que consideram intolerável e não porque querem “matar os velhinhos”.

As pessoas que são contra a eutanásia não são impiedosas. Não são contra porque desejam o sofrimento alheio, mas porque acreditam que manter a vida é um valor acima de qualquer consideração alternativa.

Respeito todos, incluindo os que exageram na fundamentação das suas certezas e pensam que os “adversários” são pérfidos ou impiedosos.

Eutanásia: é mesmo isto

12 Fevereiro, 2020

«O debate sobre a introdução legal da possibilidade da provocação da morte antecipada não corresponde à discussão sobre hipotéticas opções ou considerações individuais de cada um perante as circunstâncias da sua própria morte. É, sim, uma discussão de opções políticas de reforçada complexidade e com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas.

A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.

A ideia de que a dignidade da vida se assegura com a consagração legal do direito à morte antecipada, merece rejeição (…)

A oposição (…) à eutanásia tem o seu alicerce na preservação da vida, na convocação dos avanços técnicos e científicos (incluindo na medicina) para assegurar o aumento da esperança de vida e não para a encurtar, na dignificação da vida em vida. É esta consideração do valor intrínseco da vida que deve prevalecer e não a da valoração da vida humana em função da sua utilidade, de interesses económicos ou de discutíveis padrões de dignidade social.

2. A invocação de casos extremos, para justificar a inscrição na Lei do direito à morte antecipada apresentando-o como um acto de dignidade, não é forma adequada para a reflexão que se impõe. Pode expressar em alguns casos juízos motivados por vivência própria, concepções individuais que se devem respeitar mas é também, para uma parte dos seus promotores, uma inscrição do tema em busca de protagonismos e de agendas políticas promocionais.

A ciência já hoje dispõe de recursos que, se utilizados e acessíveis, permitem diminuir ou eliminar o sofrimento físico e psicológico. Em matérias que têm a ver com o destino da sua vida, cada cidadão dispõe já hoje de instrumentos jurídicos (de que o “testamento vital” é exemplo, sem prejuízo dos seus limites) e de soberania na sua decisão individual quanto à abstinência médica (ninguém pode ser forçado a submeter-se a determinados tratamentos contra a sua vontade). A prática médica garante o não prolongamento artificial da vida, respeitando a morte como processo natural recusando o seu protelamento através da obstinação terapêutica. Há uma diferença substancial entre manter artificialmente a vida ou antecipar deliberadamente a morte, entre diminuir ou eliminar o sofrimento na doença ou precipitar o fim da vida.

3. Num quadro em que o valor da vida humana surge relativizado com frequência em função de critérios de utilidade social, de interesses económicos, de responsabilidades e encargos familiares ou de gastos públicos, a legalização da provocação da morte antecipada acrescentaria uma nova dimensão de problemas.

Desde logo, contribuiria para a consolidação das opções políticas e sociais que conduzem a essa desvalorização da vida humana e introduziria um relevante problema social resultante da pressão do encaminhamento para a morte antecipada de todos aqueles a quem a sociedade recusa a resposta e o apoio à sua situação de especial fragilidade ou necessidade. Além disso a legalização dessa possibilidade limitaria ainda mais as condições para o Estado promover, no domínio da saúde mental, a luta contra o suicídio.

4. O princípio da igualdade implica que a todos seja reconhecida a mesma dignidade social, não sendo legítima a interpretação de que uma pessoa “com lesão definitiva ou doença incurável” ou “em sofrimento extremo” seja afectada por tal circunstância na dignidade da sua vida. E ainda mais que ela seja invocada para consagrar em Lei o direito à morte, executada com base numa Lei da República.

A vida não é digna apenas quando (e enquanto) pode ser vivida no uso pleno das capacidades e faculdades físicas e mentais e a sociedade deve assegurar condições para uma vida digna em todas as fases do percurso humano, desde as menos autónomas (seja a infância ou a velhice) às de maior autonomia; na presença de condições saudáveis ou de doença; no quadro da integridade plena de faculdades físicas, motoras ou intelectuais ou da deficiência mais ou menos profunda, congénita ou sobreveniente.

O que se impõe é que o avanço e progresso civilizacionais e o aumento da esperança de vida decorrente da evolução científica sejam convocados para garantir uma vida com condições materiais dignas em todas as suas fases.

5. (…) afirma a sua oposição a legislação que institucionalize a provocação da morte antecipada seja qual a forma que assuma – a pedido sob a forma de suicídio assistido ou de eutanásia –, bem como a eventuais propostas de referendo sobre a matéria. (tirado daqui)

Ditadura iluminista

12 Fevereiro, 2020

«A pouco mais de uma semana de debater e votar, na Assembleia da República, as cinco propostas de lei de descriminalizar a antecipação da morte em Portugal, já apresentadas pelo PS, Bloco de Esquerda, PAN, PEV e IL, o tema esteve em debate e votação na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O parecer, elaborado pela relatora Sandra Pereira, do PSD, foi aprovado, por unanimidade, pelos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, depois de ficar acordada a eliminação da audiência prévia do movimento cívico Stop Eutanásia (ponto 7 do parecer).
»

20 de Fevereiro, 12h 30, São Bento

12 Fevereiro, 2020

Para este dia e para esta hora está convocada uma manifestação em São Bento contra a eutanásia. A este motivo eu junto outros: há que rejeitar a prática jacobina do parlamento. Repudiar os dois pesos e as duas medidas na hora de dar voz aos cidadãos. Não tolerar o simulacro de debate que ali vai ter lugar. O parlamento representa o povo não se representa a si mesmo.

Um dia acordamos e percebemos que é muito tarde: estamos reféns do “processo legislativo” e este só obededece ao comando socialista

12 Fevereiro, 2020

“É praticamente impossível evitar que o processo legislativo não ocorra. Isto deverá ser aprovado e segue para a comissão, para a discussão na especialidade.” – declara a propósito da discussão da eutanásia Carlos Peixoto, vice-presidente da bancada do PSD.

Percebido? Isto é assim: a contestação só é válida se tiver o selo maçónico e ou socialista. No resto temos pena. É isto que neste momento também está a ser dito a propósito do debate da eutanásia: uma parte da socieddade vive uma cidadanioa de segunda: as suas opiniões nunca são as que deveriam ser, a sua contestação nunca muda nada.

O “processo legislativo” tornou-se uma burocracia sem rosto ao serviço de uma agenda que já não nos deixam discutir. Um dia, como agora está a acontecer com a eutanásia, percebemos que o processo legislativo se tornou a máscara de uma ditadura feita em nome do povo.

Na mesma semana de 17 a 21 de Fevereiro tem vários momentos em que os deputados se propõem legislar sobre o que não houve coragem de colocar à discussão dos eleitores como é o caso da eutanásia ou até sobre aquilo que os portugueses discutiram e rejeitaram como acontece com a regionalização: a 19 de Fevereiro, PCP e BE levam ao parlamento projectos de resolução que visam relançar o processo da regionalização, através da calendarização da criação das regiões administrativas. Serão estes projectos chumbados? Ou mesmo que sejam corremos o risco de ficar inscrito no “processo legislativo” que elas vão ser criadas e um dia somos informados que na proxima sexta-feira em hora e meia, mais minuto menos minuto, o assunto fica resolvido?

Aceitar que a eutanásia seja tratada como um expediente burocrático em 157 minutos é aceitar também que uma parte da sociedade portuguesa é constituída por cidadãos de segunda.

Nossa Europa

11 Fevereiro, 2020

Vi na imprensa que políticos, académicos e artistas criaram uma plataforma cívica chamada “Nossa Europa” para “pôr fim ao desconhecimento da UE em Portugal” e que Marcelo Rebelo de Sousa apadrinha a iniciativa.

Não tenho especial gosto em ser desmancha-prazeres, mas começa mal a empreitada pois duas coisas fundamentais perceber seria que a Europa é bem diferente da União Europeia e que a Europa não tem donos e a UE não deveria tê-los.

Um dos mais importantes propósitos desta nova agremiação é “construir o maior Dicionário de Termos Europeus em português” e criar um “EUROOGLE.COM”. Será que vai surgir um novo Esperanto, uma língua desenhada centralmente por uma elite? Ou será apenas o “aportuguesamento” do jargão burocrático de Bruxelas e a tentativa de inventar conjuntos de caractéres sem qualquer significado e utilidade?

Esta nova instituição também se quer opor “à manipulação de notícias, aos factos alternativos e às fake-news” e por isso vai ela própria criar a sua narrativa pró-União Europeia e a “transmissão pedagógica de conceitos” que considerem correctos. Esqueceram-se de referir que é uma organização inclusiva, de combate às alterações climáticas e preocupada com os territórios de baixa densidade para fazer quase o pleno das causas da moda.

Mas quem são os promotores da iniciativa? Tudo gente nova nestas andanças. Uma lufada de ar fresco. Uma disrupção total com o sistema e os interesses. Não acreditam? Pois aqui têm os nomes: Carlos Coelho, Maria Manuel Leitão Marques, Marisa Matias, Carlos Moedas, Pedro Mota Soares, António José Seguro, Leonor Beleza, Nuno Severiano Teixeira, Luís Marques Mendes, Rui Tavares, Paulo Sande, Rui Marques ou Luís Represas.

Foram prudentes em não acreditar. São os mesmos de sempre e a corte lisboeta em peso.

É curioso que o “Nossa Europa” diz que a “diversidade de opiniões enriquece a sociedade plural em que vivemos”, mas não vejo entre os seus promotores euro-cépticos, nem anti-UE… Tem todo o ar de ser uma coisa melosa que em vez de pensar Portugal vai pensar a União Europeia.

Mas está bem feito. Para combater a indiferença, a apatia dos cidadãos e incentivar a participação cívica, além das caras novas que se apresentam vão ter um “Conselho Superior”, pois as ovelhas têm de ter os seus pastores…

Resumindo e concluindo: num país onde mais de 80% do investimento público provém dos fundos da União Europeia, é preciso educar o povo para saber mostrar-se grato pela esmola e para que continue amigo da coesão.

NossaEuropa

Um dia na vida de um professor

10 Fevereiro, 2020

Como já o disse, não estava previsto voltar ao ensino. Depois da minha saída em 1994, quando leccionava Práticas Administrativas no Secundário – por já naquele tempo achar que esta profissão em que se anda de mochila às costas não oferecia estabilidade  suficiente para poder organizar a minha vida -, nunca mais tive sequer vontade de retomar a carreira. A cada ano, as notícias sobre professores só me davam razão. Porém, e depois de muita insistência, acabei por aceitar substituir uma colega que saíra e não havia docente para suprir a vaga. Já lá vão 3 meses e ainda estou estupefacta com o estado a que chegaram as escolas públicas.

É preciso estar dentro do problema para entender o problema. Ninguém de fora, por muito que tente, consegue sequer vislumbrar o real estado da educação pública em Portugal. Ninguém. Mesmo contado, fica muito aquém. Mas vou tentar.

As escolas públicas  parecem manicómios. Não, não estou a ironizar. As crianças têm mesmo imensos problemas de toda a ordem. E profundos.  É perturbador. Numa sala de aula, mesmo na presença do professor,  temos meninos que berram em vez de falar; que correm e saltam por cima das mesas; que choram por tudo e por nada; que atacam outros colegas com agressividade; que fazem bullying umas às outras; que têm necessidades já diagnosticadas de acompanhamento especial. Como é que se pode ensinar com qualidade os meninos que chegam assim e estão todos reunidos numa turma?

É muito fácil culpar os professores quando não se sabe com que batalhas se confrontam todos os dias. É dos desafios mais difíceis que já vi. E só agora percebo por que razão os meninos vêm da primária a saber pouco: é impossível ensinar nestas condições. Impossível.

Numa turma, enquanto estavam a fazer um trabalho de grupo, uma menina, a líder da turma, começa de repente um jogo: “quem gosta do professor levanta o braço!”. Toda a turma levanta o braço. “Quem quer que o professor nunca saia desta escola levanta o braço”. Todos levantaram o braço. “Quem não gosta do “H” levanta o braço”. Todos, excepto um, levantam o braço. “Quem quer que o “H” saia desta escola para sempre, levanta o braço”. Todos, menos um,  levantaram o braço. Interrompi abruptamente a “brincadeira”, ainda tonta com o que acabara de ouvir. Escusado será dizer que a partir dali a aula foi de psicologia, com a advertência e a proibição absoluta destes comportamentos nas minhas aulas.  Bullying em plena sala de aula sem constrangimentos? Está tudo doido? Como é possível, em meninos de 11 anos?

Numa aula do 1º ano explicava uma actividade que íamos desenvolver e, enquanto formávamos um círculo, dou conta que um menino e uma menina estavam de boca aberta e a tocarem-se com a língua, mesmo à minha frente.  Quando os questionei sobre o que era aquilo, não responderam. Minutos depois voltaram ao mesmo e de novo tive de os separar. Estamos a falar de meninos com 6-7 anos.

Noutra ocasião,  por um motivo fútil,  começou uma batalha campal com um teor de agressividade que não se consegue imaginar em tão tenra idade. Uma violência tal, com expressões de fúria, que me obrigaram a separar os agressores exigindo um pedido  imediato de desculpas, para passados poucos minutos  voltarem ao mesmo.

Ontem as meninas divertiam-se com gritos estridentes e contínuos, de tal ordem que a funcionária (a única àquela hora) ao ver-me chegar disse num tom de desespero e cansaço: “isto hoje não se aguenta”.

É notório que os problemas vêm de casa. Sem qualquer  sombra de dúvida. São meninos cuja maioria não sabe ter limites, não sabe respeitar colegas, não sabe obedecer, não sabe falar com educação, não sabe estar, não aceita ser contrariado e  não sabe ouvir. Na origem disto, uma falha colossal de transmissão de valores, de afectos e de atenção.

Tenho a certeza que se os pais pudessem ver, através dos meus olhos, o que se passa dentro das salas de aula, mudariam completamente A EDUCAÇÃO em casa. Perceberiam que  o problema geracional foi provocado pelas famílias e não nas escolas, e fariam “mea culpa”. Sem essa percepção, teremos futuros adultos cada vez piores. Porque as psicologias modernas ensinaram a anular a autoridade dos pais e dos professores, com pedagogias que transformam os seres humanos em pequenos ditadores. Tão simples quanto isto.

Muitos dirão que é ao professor que cabe impor respeito na sala de aula. Sim, é verdade, mas… quem se atreve a ser mais duro com estas “pobres criaturas”, para depois ser sovado pelos pais dos meninos reprimidos? Que professor se atreve a usar da sua autoridade, para depois ser literalmente abandonado pela Direcção da escola e até pelo próprio Ministério da Educação se houver algum problema? Ninguém.

Por isso, quando chego vejo rostos envelhecidos e sem alegria, como de quem vai cumprir pena, a deambularem pela escola. Dizem que são docentes. A mim parecem-me penitenciários.

Já pensei desistir e dei por mim a perguntar-me tantas vezes  o que estava ali a fazer.  É impossível seguir o  programa. Todas as aulas são interrompidas mais de uma vez para impor ordem, separar alunos que se envolvem em lutas, consolar outros que foram vítimas de agressões, dar atenção a outros que se sentem perdidos ali.  Mas como não sou de desistir dos desafios, assumi uma missão diferente: mudar estas crianças até ao final do ano, tornando-as melhores seres humanos. Será que consigo? Vamos ver.

QED

10 Fevereiro, 2020

Ontem fui banido do Facebook por ter publicado o último artigo colocado aqui, no Blasfémias. Diziam na altura que seria por 24 horas, agora dizem que faltam 22, pelo que não sei realmente por quanto tempo estarei em silêncio nessa rede. Contudo, ficou demonstrado: é uma rede onde posso sugerir as maiores barbaridades, da morte de pessoas a genocídios, desde que ninguém tenha que passar pela desgraça que é ver uns mamilos femininos. Sendo masculinos não tem mal, pelo que até daria para uma bela dissertação sobre igualdade de género, mas não vale a pena complicar.

Publiquei no Observador um texto que gostaria que lessem. Divulgaria nas redes, mas, já se sabe, correria o risco de ficarmos chocados com a ideia de termos tido uma mãe que nos amamentou. Quem nos amamenta é o estado – ou, neste caso, o Facebook, que é bem mais que uma mãe.

O artigo que gostaria que lessem está aqui: Eles lá sabem o que é morte digna, meu coronel.

Jamila Bárbara

9 Fevereiro, 2020

Alguém tem visto a secretária de estado adjunta da Saúde, Jamila Bárbara?

Na gestão da crise do vírus Corona, o padrão tem sido a ausência:

“Os anteriores diretores-gerais da Saúde tinham quatro subdiretores. Graça Freitas só tem dois e nenhum estava ao serviço. Um por baixa médica, compreensível, e outro por licença de paternidade, que devia ter interrompido logo que foi decretada a situação de ameaça internacional”, explica um dos peritos externos que tem apoiado a diretora-geral da DGS. (lusa)

Quem sabe se a Dra. Madeira e Madeira estará ocupada à procura de colchões e termómetros, como refere a imprensa ter acontecido à equipa de enfermeiros a escassas horas da chegada dos portugueses repatriados desde Wuhan.

jamila-madeira

Pornográfico

9 Fevereiro, 2020

Cresci numa altura em que havia anúncios televisivos como o do Fá Fresh. Era um tempo em que conseguíamos distinguir o obsceno do belo. A minha geração, entretanto, foi crescendo e chegou à política; não por vias muito normais, porque o que mais há são toscos que se julgam aristocratas armados em senadores que se agarram com unhas e dentes à percepção de auto-importância, mas mais pelo lambecuzismo que estas coisas do poder dos jacobinos costumam fomentar.

Na altura, não era obsceno apresentar uma jovem de peito ao ar num anúncio. O que era obsceno era matar gente, como o que acontecia na Jugoslávia. Agora não há anúncios Fá Fresh: são obscenos. O que é belo agora é todos fingirmos que o estado mandar médicos executarem pessoas não é obsceno. Alguns até acreditam que é mesmo belo. O que não é só obsceno, é sobretudo pornográfico, a representação do obsceno.

Espero que a geração dos meus filhos volte ao Fá Fresh em vez de caminhar directamente para os campos de concentração que a minha deseja.

A vida são dois dias e o Carnaval são três

9 Fevereiro, 2020

Em Portugal, partidos minoritários como são o PAN, a IL e o BE apresentaram agora propostas para a legalização da eutanásia. Pode (e na minha opinião deve) discordar-se das propostas apresentadas por estes partidos mas note-se que eles não enganaram ninguém: o assunto consta dos seus programas. O que não se entende nem pode aceitar é que partidos como o PS e o PSD, que não têm a eutanásia nos seus programas, que não tiveram a coragem de apresentar o assunto à consciência dos seus eleitores, se digam agora legitimados para votar a eutanásia após afectarem uns espantosos 157 minutos de discussão ao assunto. Não, não estou a delirar, segundo o site do parlamento, na tarde do dia 20 de Fevereiro os partidos apresentarão os seus argumentários em 157 minutos, votando em seguida a eutanásia. Depois ala que se faz tarde e os senhores deputados têm de ir brincar ao Carnaval.

Face à leviandade cruel subjacente a esta forma de exercer o poder ou melhor dizendo de o garantir, que agora nos leva a esta votação da eutanásia como se de um banal regulamento se tratasse, as palavras de António Variações tornam-se urgentes:

O referendo é uma má ideia? A aprovação à socapa no parlamento é uma ideia muito pior.

8 Fevereiro, 2020

Os cidadãos portugueses abaixo-assinados, regularmente recenseados no território nacional, vêm, nos termos previstos no artigo 115.º da Constituição da República Portuguesa e nos artigos 16.º e seguintes da Lei Orgânica do Regime do Referendo (Lei n.º 15-A/98, de 3 de abril, na redacção actualmente em vigor) propor à Assembleia da República a convocação e realização de um Referendo Nacional sobre a questão da (des)Penalização da morte a pedido.

Não sei porquê mas isto não me parece um bom negócio

8 Fevereiro, 2020

Um funcionário da EDP bate-me à porta. Ao que parece a EDP quer propor-me que instale painéis solares: entre dois a trẽs mil euros. No fim pouparei 20 por cento da factura da luz. Tudo para ajudar o ambiente, diz o senhor.

Na verdade parece-me que é para ajudar a EDP: em primeiro lugar o investimento é enorme face à poupança. E em segundo e não menos importante se a EDP quer ajudar o ambiente compre ela os painéis solares, pague-os e produza energia solar que depois vende aos seus clientes.

Eu optaria por comprar paineis solares para me ver livre na medida do possível da EDP não para continuar a pagar-lhes uma brutalidade com o ónus de ter arranjado mais um encargo material e logístico – os painéis solares em si mesmos.

Talvez seja por viver num país governado por uma frente de esquerda…

7 Fevereiro, 2020

que me começa a parecer indispensável a apresentação de um atestado de sanidade mental antes de se tomar posse como ministro, PR, deputado…

Azeredo Lopes diz que vê muitos filmes policiais e que por isso não estranhou encenação de Tancos

Como o caso continua sem ser notícia o Blasfémias continua a cumprir esse papel

7 Fevereiro, 2020

« Nous avons trouvé une solution, avec la famille.» – anunciam as autoridades francesas. Ou seja Mila vai voltar à escola mas não se sabe a qual, sobretudo não é claro que possa voltar ao seu antigo liceu. Entretanto aqui ficam transcritas algumas das ameaças que recebeu.