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Um liberal cubano confessa-se, em Miami

10 Agosto, 2018
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Passei os últimos dias nos EUA, com presença mais longa em Miami. Nunca os tinha visitado, apesar da curiosidade natural que esse país exerce sobre qualquer liberal, à qual também eu não escapava. No fim de contas, os EUA, pátria do capitalismo onde tantos cubanos se exilaram, realiza algumas das liberdades em que os liberais mais insistem e acreditam, e que, em menor ou maior medida, também eu sempre aceitei como boas. No que diz respeito às liberdades individuais, os EUA liberalizaram o mercado de trabalho, o livre comércio e permitem a todos iniciar a sua própria empresa buscando o lucro. Ou seja: absoluta liberdade individual de cada um dispor da sua propriedade e esforço físico, independentemente de juízos morais de terceiros.

Apesar de tudo isto e dos indicadores de sucesso, não gostei do que vi. Ou melhor, o que vi, sobretudo a partir da análise de Miami, onde estive mais tempo, não me agradou. Explicarei porquê. A cidade está suja e desleixada. Será dos imigrantes que atrai? Talvez, até porque se a compararmos com outras cidades americanas com menos imigrantes, como Tampa, a diferença será, a esse nível, enorme. Depois, a par do abandalhamento físico da cidade, impõe-se, sem hesitações, um forte e muito perceptível abandalhamento moral: empregados de mesa a servir bebidas que custam tanto aos clientes como eles ganham num dia, grandes vivendas junto ao mar convivem com bairros pobres e sujos, mulheres hispânicas esperam nos bares em roupas curtas pela oportunidade de conhecer homens ricos que as tirem da pobreza. Mas o que se vê, acima de tudo, são pessoas sozinhas cheias de pressa. Homens de fato e gravata a entrar e sair de automóveis sempre ao telemóvel. Às 10 da noite, as luzes dos escritórios de Miami continuam acesas com pessoas visivelmente a trabalhar. Algumas luzes não se desligam a noite toda.

As pessoas acumulam automóveis de grandes marcas, casas enormes, mas raramente têm tempo para estar com os filhos que crescem educados por uma empregada mexicana que deixou os seus próprios filhos no México para vir cuidar dos filhos dos outros. Nunca houve tantas pessoas com problemas de stress e depressão. Um pouco por todo o lado vêem-se anúncios de advogados a apelar ao divórcio. Na verdade, os EUA têm uma das taxas de divórcio e mães solteiras mais altas do Mundo. Usando a sua liberdade de viver e estabelecer negócios onde bem entendem, as pessoas dividem-se por bairros onde vivem outras pessoas da mesma origem, criando guetos raciais. É verdade que estão todos a fazer isto voluntariamente. E eu consigo aceitar, uma por uma, cada uma destas liberdades, mas não sei se o resultado final é o melhor. Custa-me a aceitar a exploração do homem pelo homem, mesmo que lhe chame contrato de trabalho. Custa-me a aceitar que haja pessoas com grandes carros que não paguem o suficiente aos empregados para que possam deixar de andar a pé. Custa-me a aceitar a desigualdade e a especulação.

Em conclusão, parece-me que as liberdades de que usufrui o povo americano, que perfazem a quase totalidade das principais liberdades libertárias ou liberais, contribuíram mais para a desagregação social do que para a sua elevação. Julgo que essas liberdades destruíram o sentido de «comunidade» e contribuíram muito para a banalização do mal, ou, vá lá, do capitalismo sem regras, em vez de terem completado as pessoas que delas beneficiam. E se é certo que não faz sentido proibir nenhuma dessas práticas, por muitas e diversas razões, parece-me óbvio que promovê-las como liberdades concedidas pelo estado e pela lei as transformam em coisas comuns e normais, logo, nem boas nem más, quando elas são, quase sempre, coisas muito nefastas.

Em conclusão: os americanos não têm pobreza, dispõem de níveis excepcionais de desenvolvimento humano, de liberdade e de concorrência económica e de invejáveis liberdades? É inegável que sim. E, no fim disso tudo, serão mais felizes do que nós, cubanos? Francamente, acho que não.

um liberal confessa-se em amesterdão

10 Agosto, 2018
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holimary-amsterdam-coffeeshop-grey-areaPassei os últimos dias na Holanda, com presença mais longa em Amesterdão. Nunca os tinha visitado, apesar da curiosidade natural que esse país exerce sobre qualquer liberal, à qual também eu não escapava. No fim de contas, a Holanda, histórico país onde Locke se exilou, realiza algumas das liberdades em que os liberais mais insistem e acreditam, e que, em menor ou maior medida, também eu sempre aceitei como boas. No que diz respeito às liberdades individuais, a Holanda legalizou o consumo e o comércio de droga (supostamente das leves, mas com uma enorme tolerância face a todas as outras, cuja liberalização total, aliás, já se discute), não penaliza e até consente a prostituição e legalizou, há muito, o aborto e a eutanásia. Ou seja: absoluta liberdade individual de cada um dispor do seu corpo e da sua personalidade, independentemente de juízos morais de terceiros. E, se no âmbito dos direitos individuais a Holanda é exemplarmente liberal, em termos económicos também o é: baixos impostos, intervenção do governo reduzida e em forte decréscimo desde, pelo menos, os anos 90 do século passado, leis simples e claras, tendo daqui resultado uma das economias mais fortes do Ocidente, com exportações e uma actividade financeira das mais competitivas e prósperas do mundo. Em resultado disto, a Holanda ocupa sempre um dos dez primeiros lugares no ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial, tem uma taxa de desemprego residual, superávites orçamentais e ficou no sétimo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano do ano de 2016 (Portugal estava num humilíssimo 41º lugar). Para além de tudo isto, o óbvio: a Holanda é uma democracia estabilizada, com um estado laico.

Apesar de tudo isto e dos indicadores de sucesso, não gostei do que vi. Ou melhor, o que vi, sobretudo a partir da análise de Amesterdão, onde estive mais tempo, não me agradou. Explicarei porquê.

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A bebedeira do líder da União Europeia

9 Agosto, 2018

Foi uma vergonha monumental. Jean-Claude Juncker apareceu na Cimeira da Nato completamente embriagado! Cambaleando dum lado para o outro, a tropeçar nos próprios pés, várias vezes desequilibrou-se valendo-lhe a pronta ajuda dos que estavam por perto. Até o nosso querido Costa, essa “alma generosa” correu para o socorrer! Não fosse isso, teria tombado no chão sem qualquer hipótese de se levantar sozinho de tamanha carga de tinto que levava! Que miséria! É esta criatura o Presidente da União Europeia.

Enquanto todos tentavam ignorar o desastroso momento com algum embaraço, eis que o Primeiro Ministro de Portugal dá uma ajuda patética a Juncker justificando à imprensa internacional que, tudo aquilo que todos viram com os próprios olhos e que em jovens muitos conheceram os sintomas, era culpa de uma… ciática! Sim, a bebedeira agora tem outro nome. Ciática! Espectáculo!

Daqui se depreende duas coisas graves: que a UE é representada por um indivíduo com problemas sérios de alcoolismo mas continua, sabe-se lá porquê, em funções; e que o primeiro ministro de Portugal convive muito bem com as mentiras escandalosas que inventa por muito ridículas que sejam não mostrando qualquer constrangimento.

O primeiro, tem uma desculpa: é uma pessoa doente que precisa urgentemente de se tratar e por isso não é responsável pela sua conduta. Se há alguém responsável neste caso, são as pessoas que permitem que continue a ocupar o cargo.

Mas o segundo, o Costa, é um caso muito preocupante. Porque o que foi dito por ele, foi de forma consciente. Sabia que nada daquilo era verdadeiro. Mas ao invés de se remeter ao silêncio, respondendo aos jornalistas com um “não comento” como tantas vezes o fez por cá com assuntos a que tinha obrigação de responder, resolveu argumentar com uma mentira descarada que envergonha o país! Por aqui se vê um carácter peculiar de alguém que, mesmo consciente que está a fugir à verdade, fá-lo na mesma tratando a plateia como imbecis e com um à vontade escandaloso que é no mínimo revoltante. E é este indivíduo que lidera o governo português. Isto é mau de mais para ser verdade.

O que eu não entendo é como perante tamanha desgraça de líderes, a comunicação social portuguesa pegou com pinças no assunto como se a “ciática” do Juncker não fosse uma bebedeira de caixão à cova e a mentira escandalosa do Costa fosse aceitável! Pior: não deu qualquer importância ao facto. Claro, pois é sabido que é comum ter líderes com “ciática alcoólica”, certo?

Mas pior ainda foi ver certas pessoas, aquelas que se dizem muito correctas e justas, a defender com unhas e dentes o “velhinho” do Juncker por “sofrer de ciática” alegando que se não lhe podemos cheirar o bafo não podemos confirmar que estava bêbado. Ou seja, mesmo perante todas as evidências dum indivíduo com cara de pateta alegre, a tagarelar, a tropeçar na própria sombra e a cambalear com o peso da própria cabeça, enquanto os que seguiam ao seu lado disfarçavam o riso, estas almas em vez de ver o óbvio vêm um “problema de velhice” mesmo sabendo que a “água” que bebe nas reuniões é de gin. Bem das duas uma: ou são intelectualmente desonestas ou também elas sofrem de “ciática”.

Concluindo, isto só prova que mundo está perigoso porque os que detêm o poder não têm carácter e os que deveriam exigir dos políticos, desresponsabilizam-nos por muito reles que sejam.

A Humanidade só pode estar doente.

o sucesso

9 Agosto, 2018
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O próximo Problema

9 Agosto, 2018
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Já são entre 25 e 30 mil os idosos em lares ilegais. Muitos milhares sobrevivem em condições dignas devido ao esforço e sacrifício de cuidadores informais. Milhares de pessoas abdicam das suas carreiras, do seu lazer, para garantir que idosos sem condições para ir para um lar têm os cuidados necessários. Estamos em 2018. A maioria das pessoas que hoje têm mais de 80 anos tiveram 3 filhos ou mais e quando nasceram a sua esprança média de vida estava abaixo dos 60 anos. Por isso, a pirâmide etária ainda dá juz ao nome se olharmos da faixa dos 40 anos para cima. Mas andemos para a frente 30 anos (nem seria preciso tanto), quando a geração dos pais que tiveram um ou dois filhos e que viverá até aos 90 anos em média precisar de cuidados. Este será O problema daqui a 10 ou 20 anos. Como de costume, só iremos olhar para ele quando for tarde de mais (e já não falta muito). Entretanto, políticos e comentadores com vontade de se mostrarem muito sofisticados, em vez de olharem para os problemas reais andam muito preocupados com os “riscos” da automação, da falta de trabalho e a falar em RBIs quando nem dinheiro para tratar estas pessoas de forma decente haverá. Preparem-se.

o piadista

8 Agosto, 2018
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Estava o Joaquim no emprego, a trabalhar para sustentar uma família com mulher, três filhos e os pais a cargo, que tinha ido passar um fim de semana ao campo, quando aparece um vizinho, o Manuel, que, esbaforido e aos berros, lhe diz o seguinte: «Joaquim, Joaquim, a tua família despistou-se, na auto-estrada, à vinda para casa e morreram todos!». Compreensivelmente, o Joaquim entra em estado de choque, desaba em prantos, desmaia, e acorda com o Manuel a dar-lhe umas lambadas, enquanto dizia, agora muito mais calmo: «Ó Joaquim, vê lá se atinas, que eu só disse o que disse para te acalmar: é que só morreu a tua mulher!».

Agora, leiam aqui isto.

Desobediência civil?

7 Agosto, 2018

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Quando no ano passado, em Pedrógão, as “autoridades” encaminharam dezenas de pessoas para uma estrada da morte; quando para prevenir que falhas evidenciem de agora de novo a trágica incompetência do estado em defender a vida e propriedade dos cidadãos se evacua centenas de pessoas da zona de Monchique-Silves; quando uma amoral figura de quinta categoria que se encontra a primeiro-ministro encena uma sessão fotográfica para enganar o povo acerca do seu empenho e solidariedade nos momentos difíceis; quando o combate a incêndios passa de um comando local para um comando nacional de instituições pejadas de diligentes serventuários políticos…

Quando tudo isto acontece, as pessoas em risco de vida e de perderem todos os seus haveres devem obedecer a planos e decisões tomadas por agências estatais centralizadas, ou seguir o seu instinto e saber de experiência feitos individuais assumindo conscientemente a responsabilidade dos seus actos e escolhas?

A resposta a esta questão parece ter já sido dada pelo 112: “Boa sorte!”

É assim?

*

 

 

Baixeza moral

7 Agosto, 2018

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Como é que um Presidente da República que canta a “Casinha” de fato vestido em festival de música e dá entrevista em directo para a televisão em cuecas ou submerso num lago pode exigir dignidade e respeito a um primeiro-ministro que tem a baixeza moral de encenar fotos de propaganda mentirosa para o Twitter?

Continua a haver dúvidas que chegamos à Venezuela?

Queria no entanto alertar que iremos com certeza descer mais baixo ainda.

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António Costa, um herói dos nossos dias

7 Agosto, 2018
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António Costa, na humildade que se lhe reconhece, publicou umas fotos que demonstram que, apesar de estar de férias está muito atento ao problema dos incêndios.

Nesta imagem, vê-se Costa a coordenar o combate aos incêndios. Isto só lá vai com a coordenação do primeiro-ministro que diz que os Comandantes Operacionais Distritais estão lá por cunha e não são grande coisa.

Costa continua bastante atento. Tão atento, que apesar de estar a usar o computador tem o teclado do outro lado da mesa. Isto porque um primeiro-ministro consegue obrigar um computador a escrever o que ele quiser, mesmo sem tocar no teclado. Pessoas com autoridade têm esta capacidade.

Outro benefício de ser primeiro-ministro é ter estas televisões fantásticas com uma imagem super nítida de um ângulo lateral. Quase como se tivesse sido colada ali. Nota-se também que o trabalho não impede Costa de pensar em questões estéticas. Há sempre tempo para mudar a capa do telemóvel entre a secretária e a televisão. Esta vermelha fica bastante melhor.

Fica assim provado que António Costa é um herói dos tempos modernos. E como todos os heróis, é modesto, e recusou-se a mostrar as imagens de quando foi obrigado a intervir no terreno.

Sim, a equipa de Costa escondeu estas fotos, tão autênticas como as anteriores, porque Costa não se atreveria a fazer propaganda com o tema dos incêndios. Não faz parte do seu carácter.

Basta! “Boa sorte” a puta que vos pariu

6 Agosto, 2018

Não há muitas coisas que me façam sair do sofá para passar do bitaitismo opinativo para o activismo, mas a história dos miúdos que escaparam ao fogo com um “boa sorte” em Estremoz é uma delas. Se, perante a tentativa de localização exacta por GPS de pessoas em apuros, a resposta é de que os serviços de emergência não podem receber coordenadas, então eu quero vir para a rua e empalar alguém. Não só: quero contribuir, caso as famílias dos jovens decidam meter no banco dos réus o estado português, incluindo meios pecuniários, para que o estado inche e inche bem pela forma negligente – ou, mais exactamente, pela displicência inumana – com que nega auxílio a quem precisa.

Estes miúdos – que podiam ser meus filhos – safaram-se por pura sorte. Não é para isto que pago impostos, seus bandidos! Decerto não estou sozinho na vontade de levar isto em frente. Quem está comigo?

O interior não precisa de caridade centralista. Precisa de autonomia.

6 Agosto, 2018
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Tenho lido bastantes elogios a Marcelo por fazer férias no interior, levando os jornalistas atrás. “Ninguém fez mais pela visibilidade do interior”, disse um comentador na televisão. Estamos a falar do mesmo Marcelo que fez campanha contra a regionalização há 20 anos, contribuindo para o atraso que as regiões não-autónomas sofreram desde aí. Para Marcelo e outros centralistas, o interior merece a sua pena, a sua solidariedade e, colta e meia, umas migalhas. Merece tudo, excepto a capacidade para decidir as suas próprias políticas de desenvolvimento, adaptadas à realidade local. Por isso a que a propósito de uma bolha imobiliária em Lisboa, o parlamento se prepara para limitar o alojamento local no Sabugal. Por isso é que, apesar dos custos de vida tão díspares, os partidos não se coíbem de subir o SMN acima dos 600€, acabando com muitos pequenos negócios no interior ou atirando-os para a clandestinidade. Por isso é que o estado limpou a carris de dívidas antes de a entregar à Câmara Municipal de Lisboa e o Interior tem hoje menos transportes ferroviários do que tinha há 30 anos.

O interior anda há 50 anos a ser mal gerido porque gerido centralmente, a partir de Lisboa, sob a perspectiva de lisboetas ou neolisboetas. No entanto, quando se coloca a possibilidade de o interior ter a autonomia que Açores e Madeira têm para se gerir a si própria, logo se levantam vozes sábias dizendo que eles não teriam essa capacidade, que não existem recursos humanos, que a corrupção no poder local levaria à má gestão (como se o governo central fosse um santuário de transparência). A estratégia dos abracinhos aos velhinhos do interior é só mais um bloco na infantilização das regiões fora de Lisboa que para os Lisboetas (ou neolisboetas, como Marcelo) nunca passarão de um grupo de parolos frágeis, incapazes de se gerirem a si próprios sem a mão amiga do governo central.

Lamento, mas o interior não precisa de caridade, precisa de liberdade e autonomia. Precisa de poder definir as suas políticas e não sofrer com as que são definidas centralmente à imagem dos problemas da capital. Precisa que não se criem regiões artificiais para desviar fundos europeus para Lisboa. Precisa, enfim, de não ser roubado pelas mesmas mãos que lhes dá umas palmadinhas nas costas em frente às câmeras.

Gato Preto, Gato Branco

6 Agosto, 2018

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Posso afirmar sem medo, dado estar amparado pela superficialidade de análise que todos me reconhecem, nunca ter existido nenhum político português tão obcecado pelo caminho-de-ferro como Fontes Pereira de Melo. E não me coíbo de acrescentar, nunca esquecendo a característica pessoal atrás referida, que Fontes Pereira de Melo era um político de direita. É verdade que abraçava algumas causas progressistas, que não dispensava o intervencionismo estatal, e que preferia o pragmatismo à doutrina, mas não é por isso que fica livre de pertencer à árvore genealógica da direita portuguesa. Não se entendem por isso os actuais remoques lançados pela esquerda aos seus descendentes ideológicos.

Num debate parlamentar sobre o Orçamento, Vieira da Silva, invocando Sérgio Godinho, afirmou que o PSD estava à espera do comboio na paragem do autocarro; quando eu pensava que era apenas um jogo de palavras e não uma crítica à falta de experiência com transportes públicos, eis que surge Fernanda Câncio a solicitar um pano encharcado na cara dos “betos do CDS” que tinham embarcado num comboio para denunciar os problemas do sector. Nunca tendo tido conhecimento de casos em que um proletário ou um camponês tenham sido mordidos numa carruagem da CP por um crocodilo em fuga do pólo Lacoste de um democrata-cristão, fico sem saber a que se deve a suposta incompatibilidade contemporânea entre betos e ferrovia.

Esta é, além de recente, uma contradição exclusiva do nosso país. Sem querer ser exaustivo, relembro que Cézanne, Manet e Caillebotte eram apaixonados por comboios e que muita da arte que produziram foi neles inspirada. Ora, o primeiro era filho de um banqueiro, o segundo um burguês parisiense do bairro de Saint-Germain-des-Prés, e o terceiro um herdeiro com os bolsos bem recheados. Já para não falar de Hercule Poirot, um dandy que trajava de uma maneira capaz de remeter António Lobo Xavier e Francisco Mendes da Silva para a categoria de maltrapilhos, e cujas maiores aventuras tiveram lugar numa linha ferroviária.

Seguindo um raciocínio alternativo, João Galamba, menos dado aos têxteis e aos líquidos, colocou a questão noutros termos: a direita não pode falar do estado lastimável do caminho-de-ferro uma vez que tinha planeado, em 2015, a entrada de investimento privado nos transportes públicos. Ou seja, para o deputado, o ponto fundamental – manter tudo no Estado – está salvaguardado; se os transportes funcionam ou não, isso já é acessório.

Quando Deng Xiaoping abriu a China à economia de mercado, afirmou, com grande sentido prático, que não importava se o gato era preto ou branco, o importante era que apanhasse ratos. Já João Galamba tem outra teoria: acima de tudo, interessa-lhe que o gato seja público. Nem sempre é assim, mas, neste caso concreto, parece evidente que os ratos estão com sorte.

 

 

A ler

6 Agosto, 2018

 

 

 

 

Trabalhos de Verão

5 Agosto, 2018

Durante cinco semanas o Observador vai publicar dez Crimes quase Perfeitos. O de hoje é assinado por mim:  O crime da casa de hóspedes

Dizem que é uma espécie de vaga de fundo

5 Agosto, 2018

Para espelhar este novo estado de ser nacional proponho que se deixe de utilizar  o castelo de Guimarães ou a Torre de Belém para simbolizar Portugal. O que nos representa neste momento é o Festival Boom. Aquele em que a GNR detém traficantes; o Ministério da Saúde avalia a qualidade e pureza da droga (provavelmente vendida pelos traficantes detidos pela GNR) antes de ser consumida  e os organizadores do festival prometem recorrer “a todos os meios que a lei coloca à disposição dos cidadãos para combater a actuação preconceituosa, parcial e abusiva em relação ao Boom Festival por parte das autoridades e da comunicação social“. E estão todos eles cheios de razão porque, como o país neste momento prova à evidência, o que conta não é a realidade mas sim as notícias que sobre ela são feitas.

boas notícias para a direita

4 Agosto, 2018
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A direita portuguesa está – finalmente – fragmentada em, pelo menos, quatro grupos com pretensões de poder: nos seus dois partidos históricos, o PSD e o CDS, no novo partido de Pedro Santana Lopes e num conjunto de pequenos partidos ou proto-partidos de matriz liberal (Iniciativa Liberal, Democracia 21, Partido Libertário).

Isto é, ao contrário do que se poderá julgar, uma boa notícia para a direita portuguesa e para o regime democrático.

Primeiro, porque PSD e CDS estavam, desde há muito, completamente anquilosados, não traziam nada de novo para o país e as pessoas, e, por esse motivo, dificilmente cresceriam. Ora, como a geringonça demonstrou, a direita só voltará ao poder se conseguir uma maioria absoluta parlamentar (115+1), o que PSD e CDS, nestas circunstâncias, muito dificilmente atingiriam. Se estes novos partidos conseguirem alguma representação parlamentar – e, pelo menos, o de Santana Lopes é uma incógnita e poderá até ser uma surpresa (não o desvalorizem…) – poderão vir a somar votos e deputados aos dos dois partidos tradicionais.

Em segundo lugar, a concorrência apura a qualidade e o facto de aparecerem novos partidos, com novas mensagens programáticas, onde a abertura ao liberalismo poderá ser muito importante, contribuirá para aumentar a exigência dos eleitores do PSD e do CDS. Se a mensagem liberal e popular começar a ter receptividade pública, PSD e CDS certamente que se interessarão por ela. Veja-se o que está a suceder com o Partido Popular espanhol, que aproveitou a mudança do líder para fazer uma inflexão ideológica do centrismo para o liberalismo. Poderá ser que, finalmente, a direita indígena perca os complexos de esquerda e assuma o liberalismo como uma componente ideológica própria. E, como este é politicamente transversal, poderemos ter grupos liberais expressivos em qualquer uma das formações partidárias.

Por outro lado, a saída de Pedro Santana Lopes do PSD, poderá permitir que Rui Rio centre a posição ideológica do partido que lidera num centro-esquerda à nórdica, competindo mais directamente com o PS e roubando-lhe votos de uma área onde sobretudo se encontram os funcionários públicos que se consideraram maltratados pelo PSD de Passos Coelho. Deste modo, o PSD poderá perder votos à direita, mas ganhará à esquerda. O que eleitoralmente é bom para a direita: quebrará o tabu do voto do funcionalismo público no PSD, aumentará a expressão parlamentar da direita no seu conjunto, e poderá reduzir os votos (e mandatos?) do PS.

Por último, há uma imensa abstenção, e muita dela resulta do desinteresse que a política tradicional provoca nos eleitores. Novos partidos, novas mensagens e novos protagonistas poderão ir buscar alguns votos aí, e ampliar o eleitorado da direita.

Em conclusão, dificilmente a direita regressaria ao poder com os dois partidos do costume. A geringonça entender-se-á sempre, desde que forme maioria no parlamento, para manter o poder e para evitar que isso aconteça. Dividida em vários partidos, a direita portuguesa poderá, por paradoxal que pareça, regressar ao poder com mais facilidade.

Das incoerências coerentes

4 Agosto, 2018

Ninguém vota no Bloco por coerência. Quem vota no Bloco tem apenas um de dois motivos possíveis: desejo de miséria alheia por crer pertencer à elite imune às consequências gerais do comunismo; ou, para o caso mais comum do anónimo, puro masoquismo.

Tenho grande respeito pelos masoquistas: são pessoas que, num regime em mercado livre, têm dificuldade em encontrar sádico que lhe corresponda. Não é de estranhar que optem pelo voto, sendo que os sádicos mais populares passam a vida em promoção televisiva (e pessoas como o Daniel Oliveira até são simpáticas o suficiente para permitirem que o jornal onde escrevem possa incluir uma ou outra notícia de acompanhamento ao seu discurso para as massas masoq, como uma moldura à volta da obra de arte que define os seus limites).

Vai daí, a incoerência do Bloco não me fascina por aí além: quem julga pertencer à elite comunista está imune aos ditames do regime que promovem. No fundo, no fundo, quer o senhor Robles, quer a dona Catarina são profundamente coerentes. É que o Bloco é só mesmo isto. E não é pouco.

Bloco, Robles e o seu gabinete

3 Agosto, 2018

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Vi por aí nas redes sociais, fonte de fake news escrutínio sobre políticos, alguns dados curiosos sobre os contratos efectuados nos últimos meses, pela Câmara Municipal de Lisboa, para apoio à atividade do gabinete do Bloco de Esquerda, especificamente do agora ex-vereador Ricardo Robles.

Em média, cada cada um dos 10 assessores beneficiou de um contrato de prestação de serviços (com cabimentação orçamental já prevista para renovações até ao final de mandato) de valor superior a 120.000 EUR, conforme imagem acima retirada do website oficial base.gov.

No global, portanto, temos mais de 1,2 milhões de euros de ajustes directos.

Uma das questões que se coloca agora com a saída de especulador imobiliário Robles é saber que destino terão estes contratos, de tão específicos que eram para a pessoa em causa.

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Protecção Civil, powered by Glassdrive

2 Agosto, 2018

Era só para informar que aparentemente a Autoridade Nacional de Protecção Civil tem uma PPP com uma empresa de reparação de quebra de vidros de automóveis para combate a incêndios.

É que na SMS que anda a enviar à população, o número de telefone indicado é o da assistência a cliente da Glassdrive.

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Anedota do ano

2 Agosto, 2018

BE avisa que veto do Presidente “poderá dar origem a uma vaga de despejos”. Os bloquistas estão “muito preocupados porque durante este período até que o parlamento possa voltar a abordar esta questão haverá com certeza muitos inquilinos que vão ser confrontados com este problema”

Deve ser isto a desconstrução da masculinidade: atirar as culpas para as mulheres da família

2 Agosto, 2018

 

Filomena Martins: Varoufakis disse que era da mulher aquele apartamento com varanda e vista para a Acrópole; Iglesias trocou o apartamento pobrezinho de Madrid onde gostava de ser fotografado por um chalet luxuoso por causa dos filhos gémeos que estavam por nascer; Costa comprou uma casa a uns idosos porque a filha queria viver ao pé do irmão e depois mudou de ideias; e agora era a irmã de Robles que vinha viver para Lisboa, mas acabou também por decidir ficar em Paris.

 

 

 

Portugal real

1 Agosto, 2018

«Horários de Verão da CP têm sido tratados directamente pelo Governo mas ainda não estão decididos, excepto a linha de Cascais.»(*) Público, 28 de Julho de 2018

Isto é tão trágico quanto divertido.

A 28 de Julho (já o verão vai avançado), o Governo decide directamente …horários de comboios!. E mesmo assim só o conseguiu fazer numa das linhas.

Mas para que existe uma empresa pública especializada em caminhos de ferro (para além de ter uma dívida de 2.614 milhões de euros…) se nem sequer consegue fazer um planeamento do seu serviço? E porquê ter um governante que anda a fazer horários de comboios em vez de governar? Isto é do mais ridículo que se possa imaginar e um reconhecimento de serem ambas as partes totalmente incompetentes em cada uma das funções.

Um Estadista

1 Agosto, 2018
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CavacoTenho saudades de Cavaco Silva, um homem que respeitava as Instituições e sabia dignificá-las quando as integrava e liderava.

Imagino que hoje se deve sentir em agonia suprema cada vez que assiste às recorrentes palhaçadas do seu sucessor. E, ironia do destino, eleito com a maioria dos votos que já foram seus.

Se o Presidente dançar em Tancos talvez apareçam as armas

1 Agosto, 2018

Catarina, a empresária-activista gourmet

31 Julho, 2018

A explicação aparentemente singela do BE sobre a bondade dos investimentos de Catarina Martins que ajudam a “fixar habitantes e a combater a desertificação em regiões do interior do país” versus os investimentos maus no “alojamento local massificado e desequilibrado nas grandes cidades” é um espelho não do turismo mas sim da falácia em que se sustenta a oligarquia marxista.  Ao contrário do que numa versão bondosa dos factos se possa crer não há contradição alguma entre a Catarina a ideóloga-mediatica que procura aparecer nas televisões diante do povo e a Catarina empresária que aposta nos nichos para clientelas diferenciadas. Ambas, as clientelas diferenciadas e Catarina  nas suas diversas versões,  abominam o povo.

Bandalheira armada

31 Julho, 2018

O Comandante Supremo das Forças Armadas vai pactuar com a bandalheira destes três estarolas?

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E entretanto…

31 Julho, 2018

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E há grandolada ou não?

30 Julho, 2018

O BE mais o PCP com o coro do PS já grandolaram o Robles ou não? É que depois de anos a ouvir grandoladas de repente dei por este vazio: os grandoleiros já não grandolam!!!

Caso Robles – Resumo do dia

30 Julho, 2018

MitosUrbanos

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30 Julho, 2018
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Se o Robles pode fazer investimentos milionários no imobiliário sem que isso o iniba de atacar a especulação nesse sector, não deveria Catarina Martins ser dona de uma empresa de trabalho temporário?

Especulando

30 Julho, 2018

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Vou fazer como Ricardo Robles e especular. Ele em negócios imobiliários, eu em comentário político.

Se Catarina Martins sabe mais do que diz saber sobre o caso do imóvel de Alfama, a garantia que poderá ter recebido de António Costa de que o PS não hostilizará o Bloco se este se mantiver dentro de níveis bem comportados de crítica ao Governo poderá não ser suficiente para criar um cinturão higiénico em torno da sua liderança.

Embora interessando a Costa não deixar Robles cair da vereação, mantendo-o na grelha mais ou menos acesa conforme for útil, talvez Catarina Martins se veja mesmo obrigada a aceitar a sua demissão para contenção de danos no Bloco.

Bastaria que se viesse a verificar que aquando das declarações que fez sobre o caso e do lançamento da teoria da cabala contra o seu partido Catarina Martins sabia que a intenção de Robles era desenvolver um negócio de alojamento turístico, para a sua própria liderança ser posta em causa. Nesse caso, apesar dos seus olhos azuis, o cordeiro Robles teria de ser sacrificado.

Isto porque além da hipocrisia e amoralidade do Bloco já exaustivamente comentada por estes dias, para além dos aspectos políticos desta novela subsistem algumas dúvidas de outra ordem.

A título de exemplo:

  • No “business-case” que Robles apresentou à CGD para obtenção do crédito, a finalidade do investimento era a de habitação permanente ou de prédio de rendimento para short-rentals turísticos?
  • Já que o Bloco que defende o fim do sigilo bancário em situações de políticos sob suspeita, poderá o vereador fornecer cópia da memória descritiva do projecto entregue ao Banco?
  • Que colaterais apresentou Robles à CGD para o mesmo efeito? Património, avalistas?
  • A Segurança Social já confirmou oficialmente que a compra do imóvel se fez por apresentação de propostas em carta fechada?
  • A Segurança Social informou a Câmara Municipal de Lisboa sobre proposta de compra vencedora para eventual exercício do direito de preferência na aquisição por parte do município?
  • Qual a justificação da Câmara Municipal de Lisboa para não exercer o direito de preferência.
  • Não configura conflito de interesses a decisão da CML e o facto de Robles ser vereador?
  • Robles terá transparência suficiente para tornar pública a memória descritiva do projecto submetido à CML para se verificar que a intenção inicial era habitação própria (ou da irmã)?
  • Como é que a CML despachou aprovações em tempo record quando em situações mais simples de obras em prédios na mesma zona da cidade a espera desespera os proprietários?
  • Ricardo Robles pode divulgar factura das obras de reabilitação para se verificar se foi cobrado e pago IVA?

Seria também de homem e não de uma patarata se Ricardo Robles, em definitivo, esclarecesse se pretende ou não:

  • Doar eventuais mais-valias de uma futura venda do imóvel (ou fracções)?
  • Solicitar reembolso de IMT pelo facto de imóvel se encontrar dentro de ARU-Área de Reabilitação Urbana?
  • Abdicar de isenção ou redução de IMI por prédio estar na ARU?

Bem sei que Catarina Martins já declarou o caso encerrado, mas apesar de as questões acima não serem exaustivas, a sua liderança partidária poderá ser fortemente afectada pelo menos em parte significativa pelas respectivas respostas e, sobretudo, pelo grau de conhecimento prévio que Catarina tenha tido delas.

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Isto é altamente constrangedor

29 Julho, 2018

Ver um homem adulto a procurar desculpar-se fazendo  queixinhas da irmã e mais a família não sei quê!!! Queixinhas é que não!!!

o grande educador põe os pontos nos is

28 Julho, 2018
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catarina defende ricardo

28 Julho, 2018
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«Às vezes, é muito complicado explicar a vida da nossa família e, por vezes, as vidas mudam.»

Apresentação dos resultados do BES

Desenganem-se: se não fossem hipócritas, estariam no PCP

28 Julho, 2018
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Anda por aí muita gente, à direita e à esquerda, entusiasmada com a possibilidade de o Bloco sair enfraquecido perante o seu eleitorado na sequência do caso Robles. O eleitorado do BE não é absolutamente homogéneo e é natural que haja algumas pessoas sensíveis à hipocrisia que deixem de votar BE, mas não serão muitos. Uma das coisas que o seu eleitorado valoriza no BE é precisamente a hipocrisia e a incoerência. A razão pela qual o BE tem ume penetração tão grande nas classes média-alta é precisamente por lhes dar a possibilidade de sinalizar virtude sem abdicar do vício, a possibilidade de apontar o dedo ao capitalismo selvagem e beneficiar dele, apelando à revolução a partir dos restaurantes mais exclusivos da capital. Não digo com isto que não haja hipocrisia no PCP. Mas ela é mais controlada (como tudo no PCP) e, consequentemente, punida mais severamente. No BE a hipocrisia faz parte do ADN. A grande maioria do eleitorado mais à esquerda não entende as nuances ideológicas entre BE e PCP. Prefere o BE porque é um partido que lhes permite sinalizar virtude sem ter que fazer votos de pobreza como os parolos do PCP. E esses não se vão embora em resultado deste caso. Antes pelo contrário.

Mestres da cabala

28 Julho, 2018
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PSUma imprensa tradicionalmente tão servil com o BE, que desde sempre e por tudo e por nada lhe garante tempos de antena sem nenhum contraditório e desproporcionados face à sua real implantação, não se tem calado nos últimos dias com o “folhetim robles”. Isto só tem uma explicação: interessa ao seu patrão supremo – o PS – fragilizar o Bloco.

Não veremos nunca a mesma imprensa questionar a diligência cirúrgica dos serviços da CML no licenciamento das obras do Robles, que aí terá havido dedo do PS; muito menos questionar porque pôs a Seg Social o imóvel à venda em vez de o manter arrendado a preços controlados como a esquerda defende; como nunca assistiremos a investigações sobre as obras imobiliárias do Costa quando presidia à CML. Não esperem tal nem do Correio da Manhã, que massacrou o Sócrates mas nunca tocou no Costa.

Razão tem o Carlos, estamos perante mais uma manobra propagandística do PS. E essa gente não brinca em serviço, convicta que está de ter o exclusivo da impunidade.

Funcionários públicos do mês

28 Julho, 2018

*O responsável pela venda de um prédio da Segurança Social ao desbarato ( 347 mil euros  por um prédio em ruínas em Alfama no ano de 2014 é uma pechincha)

*O gestor da conta na CGD de Ricardo Robles (será familiar da gestora de conta de José Sócrates? )

Banca nacionalizada. Nossa. Dos do costume

28 Julho, 2018

João Gonçalves Já me tinham contado que a CGD concede 500 mil euros de empréstimos para casas de pessoas, vamos lá, “especiais” sem grandes chatices burocráticas. É que, feitas as contas, ao Robles mal lhe sobra para os rissóis depois de pagar a mensalidade.

Oportunidade de ouro

28 Julho, 2018

Invejo o Ricardo Robles. Não é um sentimento bonito, mas é o que tenho para dar: um homem novo, com uma vida inteira pela frente, que tem a sorte de ser confrontado com a imbecilidade das suas posições públicas e de perceber a tempo o quão o Bloco de Esquerda é um antro de hipócritas a competir no mercado de votos da mais desqualificada franja da população nacional, o das crianças educadas em berço de prata por uma burguesia que o próprio Bloco deseja aniquilar; os sem eira nem beira que, à falta de qualquer talento, existem numa psique alternativa de contra-cultura recauchutada em instrumentos de propaganda mainstream.

Que oportunidade de ouro para mudar de vida, ver a luz e comodamente abraçar o capitalismo de mais-valias com milhões de euros no banco, algo que jamais um dos seus pacóvios eleitores conseguirá cheirar. Invejo o homem: a partir de hoje pode crescer, evoluir, desenvolver uma moral, adquirir alma, respeitar os outros, abandonar a soberba. E tudo isso passando pela casa partida e recebendo mais de quatro milhões. Que privilégio.

a minha alegre casinha

28 Julho, 2018
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O primeiro grande problemas das justificações é ter de as dar. O segundo podem ser as explicações que se dão. Segue-se o primeiro parágrafo das que foram dadas pelo vereador Robles, sobre o caso que o envolve e que hoje encheu as páginas dos jornais. É um texto onde cada palavra é medida e contada para evitar mais sarilhos. A cor vermelha (em homenagem ao Bloco) vão as passagens mais problemáticas e entre parênteses, em itálico, segue a nossa opinião:

«Em junho de 2014 adquiri, em conjunto com a minha irmã, o imóvel sito na Rua Terreiro do Trigo, nºs 6 a 26, pelo valor de 347 mil euros. Em outubro de 2014, a CML comunicou-me a necessidade de realização de obras considerando o mau estado do prédio (então o Senhor Vereador, quando comprou o imóvel, não se apercebeu da necessidade de o reformar? Comprou-o às cegas, não percebe nada de imóveis, ou isto é apenas uma justificação para a pressa com que as iniciou, indiciadora de intenção de fazer negócio com o imóvel?). Iniciei de imediato os procedimentos para um processo de licenciamento para obras junto da CML. A obra foi licenciada em 9 de novembro de 2015 e o alvará foi emitido em fevereiro de 2016 (o licenciamento foi pedido para uma obra de reparação do mau estar do imóvel, ou para uma obra em profundidade, com aumento de um piso, para negócio imobiliário?). A obra foi concluída em março de 2017. O valor total (aquisição, projetos, licenças, obra) foi de aproximadamente 1 milhão de euros, financiado pela nossa família e mediante um empréstimo bancário contraído junto da CGD. Como co-proprietário, aceitei que, por razões familiares, o prédio fosse colocado à venda (mas não o comprou para isso? Então comprou-o para quê? Para habitação própria? Um casarão daqueles?). A venda do prédio foi entregue no final do ano de 2017 à imobiliária, que o avaliou em 5,7 milhões de euros. O prédio não foi vendido e foi retirado do mercado, embora mantenhamos a intenção de venda a breve trecho.»

Moral da estória: o Senhor Vereador só pôs o imóvel à venda por «razões familiares» e não por vontade própria. Só o pôs à venda por 5.7M€ por insistência da imobiliária e não por decisão sua.  O Senhor Vereador despachou-se a fazer obras não para pôr o prédio imediatamente à venda e com isso ganhar dinheiro, mas porque a Câmara o obrigou a isso.