Saltar para o conteúdo

Dizem que é uma espécie de vaga de fundo

5 Agosto, 2018

Para espelhar este novo estado de ser nacional proponho que se deixe de utilizar  o castelo de Guimarães ou a Torre de Belém para simbolizar Portugal. O que nos representa neste momento é o Festival Boom. Aquele em que a GNR detém traficantes; o Ministério da Saúde avalia a qualidade e pureza da droga (provavelmente vendida pelos traficantes detidos pela GNR) antes de ser consumida  e os organizadores do festival prometem recorrer “a todos os meios que a lei coloca à disposição dos cidadãos para combater a actuação preconceituosa, parcial e abusiva em relação ao Boom Festival por parte das autoridades e da comunicação social“. E estão todos eles cheios de razão porque, como o país neste momento prova à evidência, o que conta não é a realidade mas sim as notícias que sobre ela são feitas.

boas notícias para a direita

4 Agosto, 2018
by

img_4237_1280x640_acf_cropped

A direita portuguesa está – finalmente – fragmentada em, pelo menos, quatro grupos com pretensões de poder: nos seus dois partidos históricos, o PSD e o CDS, no novo partido de Pedro Santana Lopes e num conjunto de pequenos partidos ou proto-partidos de matriz liberal (Iniciativa Liberal, Democracia 21, Partido Libertário).

Isto é, ao contrário do que se poderá julgar, uma boa notícia para a direita portuguesa e para o regime democrático.

Primeiro, porque PSD e CDS estavam, desde há muito, completamente anquilosados, não traziam nada de novo para o país e as pessoas, e, por esse motivo, dificilmente cresceriam. Ora, como a geringonça demonstrou, a direita só voltará ao poder se conseguir uma maioria absoluta parlamentar (115+1), o que PSD e CDS, nestas circunstâncias, muito dificilmente atingiriam. Se estes novos partidos conseguirem alguma representação parlamentar – e, pelo menos, o de Santana Lopes é uma incógnita e poderá até ser uma surpresa (não o desvalorizem…) – poderão vir a somar votos e deputados aos dos dois partidos tradicionais.

Em segundo lugar, a concorrência apura a qualidade e o facto de aparecerem novos partidos, com novas mensagens programáticas, onde a abertura ao liberalismo poderá ser muito importante, contribuirá para aumentar a exigência dos eleitores do PSD e do CDS. Se a mensagem liberal e popular começar a ter receptividade pública, PSD e CDS certamente que se interessarão por ela. Veja-se o que está a suceder com o Partido Popular espanhol, que aproveitou a mudança do líder para fazer uma inflexão ideológica do centrismo para o liberalismo. Poderá ser que, finalmente, a direita indígena perca os complexos de esquerda e assuma o liberalismo como uma componente ideológica própria. E, como este é politicamente transversal, poderemos ter grupos liberais expressivos em qualquer uma das formações partidárias.

Por outro lado, a saída de Pedro Santana Lopes do PSD, poderá permitir que Rui Rio centre a posição ideológica do partido que lidera num centro-esquerda à nórdica, competindo mais directamente com o PS e roubando-lhe votos de uma área onde sobretudo se encontram os funcionários públicos que se consideraram maltratados pelo PSD de Passos Coelho. Deste modo, o PSD poderá perder votos à direita, mas ganhará à esquerda. O que eleitoralmente é bom para a direita: quebrará o tabu do voto do funcionalismo público no PSD, aumentará a expressão parlamentar da direita no seu conjunto, e poderá reduzir os votos (e mandatos?) do PS.

Por último, há uma imensa abstenção, e muita dela resulta do desinteresse que a política tradicional provoca nos eleitores. Novos partidos, novas mensagens e novos protagonistas poderão ir buscar alguns votos aí, e ampliar o eleitorado da direita.

Em conclusão, dificilmente a direita regressaria ao poder com os dois partidos do costume. A geringonça entender-se-á sempre, desde que forme maioria no parlamento, para manter o poder e para evitar que isso aconteça. Dividida em vários partidos, a direita portuguesa poderá, por paradoxal que pareça, regressar ao poder com mais facilidade.

Das incoerências coerentes

4 Agosto, 2018

Ninguém vota no Bloco por coerência. Quem vota no Bloco tem apenas um de dois motivos possíveis: desejo de miséria alheia por crer pertencer à elite imune às consequências gerais do comunismo; ou, para o caso mais comum do anónimo, puro masoquismo.

Tenho grande respeito pelos masoquistas: são pessoas que, num regime em mercado livre, têm dificuldade em encontrar sádico que lhe corresponda. Não é de estranhar que optem pelo voto, sendo que os sádicos mais populares passam a vida em promoção televisiva (e pessoas como o Daniel Oliveira até são simpáticas o suficiente para permitirem que o jornal onde escrevem possa incluir uma ou outra notícia de acompanhamento ao seu discurso para as massas masoq, como uma moldura à volta da obra de arte que define os seus limites).

Vai daí, a incoerência do Bloco não me fascina por aí além: quem julga pertencer à elite comunista está imune aos ditames do regime que promovem. No fundo, no fundo, quer o senhor Robles, quer a dona Catarina são profundamente coerentes. É que o Bloco é só mesmo isto. E não é pouco.

Bloco, Robles e o seu gabinete

3 Agosto, 2018

Robles_BaseGov

Vi por aí nas redes sociais, fonte de fake news escrutínio sobre políticos, alguns dados curiosos sobre os contratos efectuados nos últimos meses, pela Câmara Municipal de Lisboa, para apoio à atividade do gabinete do Bloco de Esquerda, especificamente do agora ex-vereador Ricardo Robles.

Em média, cada cada um dos 10 assessores beneficiou de um contrato de prestação de serviços (com cabimentação orçamental já prevista para renovações até ao final de mandato) de valor superior a 120.000 EUR, conforme imagem acima retirada do website oficial base.gov.

No global, portanto, temos mais de 1,2 milhões de euros de ajustes directos.

Uma das questões que se coloca agora com a saída de especulador imobiliário Robles é saber que destino terão estes contratos, de tão específicos que eram para a pessoa em causa.

*

 

 

Protecção Civil, powered by Glassdrive

2 Agosto, 2018

Era só para informar que aparentemente a Autoridade Nacional de Protecção Civil tem uma PPP com uma empresa de reparação de quebra de vidros de automóveis para combate a incêndios.

É que na SMS que anda a enviar à população, o número de telefone indicado é o da assistência a cliente da Glassdrive.

*

 

Anedota do ano

2 Agosto, 2018

BE avisa que veto do Presidente “poderá dar origem a uma vaga de despejos”. Os bloquistas estão “muito preocupados porque durante este período até que o parlamento possa voltar a abordar esta questão haverá com certeza muitos inquilinos que vão ser confrontados com este problema”

Deve ser isto a desconstrução da masculinidade: atirar as culpas para as mulheres da família

2 Agosto, 2018

 

Filomena Martins: Varoufakis disse que era da mulher aquele apartamento com varanda e vista para a Acrópole; Iglesias trocou o apartamento pobrezinho de Madrid onde gostava de ser fotografado por um chalet luxuoso por causa dos filhos gémeos que estavam por nascer; Costa comprou uma casa a uns idosos porque a filha queria viver ao pé do irmão e depois mudou de ideias; e agora era a irmã de Robles que vinha viver para Lisboa, mas acabou também por decidir ficar em Paris.

 

 

 

Portugal real

1 Agosto, 2018

«Horários de Verão da CP têm sido tratados directamente pelo Governo mas ainda não estão decididos, excepto a linha de Cascais.»(*) Público, 28 de Julho de 2018

Isto é tão trágico quanto divertido.

A 28 de Julho (já o verão vai avançado), o Governo decide directamente …horários de comboios!. E mesmo assim só o conseguiu fazer numa das linhas.

Mas para que existe uma empresa pública especializada em caminhos de ferro (para além de ter uma dívida de 2.614 milhões de euros…) se nem sequer consegue fazer um planeamento do seu serviço? E porquê ter um governante que anda a fazer horários de comboios em vez de governar? Isto é do mais ridículo que se possa imaginar e um reconhecimento de serem ambas as partes totalmente incompetentes em cada uma das funções.

Um Estadista

1 Agosto, 2018
by

CavacoTenho saudades de Cavaco Silva, um homem que respeitava as Instituições e sabia dignificá-las quando as integrava e liderava.

Imagino que hoje se deve sentir em agonia suprema cada vez que assiste às recorrentes palhaçadas do seu sucessor. E, ironia do destino, eleito com a maioria dos votos que já foram seus.

Se o Presidente dançar em Tancos talvez apareçam as armas

1 Agosto, 2018

Catarina, a empresária-activista gourmet

31 Julho, 2018

A explicação aparentemente singela do BE sobre a bondade dos investimentos de Catarina Martins que ajudam a “fixar habitantes e a combater a desertificação em regiões do interior do país” versus os investimentos maus no “alojamento local massificado e desequilibrado nas grandes cidades” é um espelho não do turismo mas sim da falácia em que se sustenta a oligarquia marxista.  Ao contrário do que numa versão bondosa dos factos se possa crer não há contradição alguma entre a Catarina a ideóloga-mediatica que procura aparecer nas televisões diante do povo e a Catarina empresária que aposta nos nichos para clientelas diferenciadas. Ambas, as clientelas diferenciadas e Catarina  nas suas diversas versões,  abominam o povo.

Bandalheira armada

31 Julho, 2018

O Comandante Supremo das Forças Armadas vai pactuar com a bandalheira destes três estarolas?

roviscoduarte_azeredolopes1092b36a

*

 

 

E entretanto…

31 Julho, 2018

sub_19_marcelo_rebelo_de_sousa_foto_tiago_petinga_lusa13656ccc

E há grandolada ou não?

30 Julho, 2018

O BE mais o PCP com o coro do PS já grandolaram o Robles ou não? É que depois de anos a ouvir grandoladas de repente dei por este vazio: os grandoleiros já não grandolam!!!

Caso Robles – Resumo do dia

30 Julho, 2018

MitosUrbanos

justiça distributiva

30 Julho, 2018
by

Se o Robles pode fazer investimentos milionários no imobiliário sem que isso o iniba de atacar a especulação nesse sector, não deveria Catarina Martins ser dona de uma empresa de trabalho temporário?

Especulando

30 Julho, 2018

CatarinaRobles_2

Vou fazer como Ricardo Robles e especular. Ele em negócios imobiliários, eu em comentário político.

Se Catarina Martins sabe mais do que diz saber sobre o caso do imóvel de Alfama, a garantia que poderá ter recebido de António Costa de que o PS não hostilizará o Bloco se este se mantiver dentro de níveis bem comportados de crítica ao Governo poderá não ser suficiente para criar um cinturão higiénico em torno da sua liderança.

Embora interessando a Costa não deixar Robles cair da vereação, mantendo-o na grelha mais ou menos acesa conforme for útil, talvez Catarina Martins se veja mesmo obrigada a aceitar a sua demissão para contenção de danos no Bloco.

Bastaria que se viesse a verificar que aquando das declarações que fez sobre o caso e do lançamento da teoria da cabala contra o seu partido Catarina Martins sabia que a intenção de Robles era desenvolver um negócio de alojamento turístico, para a sua própria liderança ser posta em causa. Nesse caso, apesar dos seus olhos azuis, o cordeiro Robles teria de ser sacrificado.

Isto porque além da hipocrisia e amoralidade do Bloco já exaustivamente comentada por estes dias, para além dos aspectos políticos desta novela subsistem algumas dúvidas de outra ordem.

A título de exemplo:

  • No “business-case” que Robles apresentou à CGD para obtenção do crédito, a finalidade do investimento era a de habitação permanente ou de prédio de rendimento para short-rentals turísticos?
  • Já que o Bloco que defende o fim do sigilo bancário em situações de políticos sob suspeita, poderá o vereador fornecer cópia da memória descritiva do projecto entregue ao Banco?
  • Que colaterais apresentou Robles à CGD para o mesmo efeito? Património, avalistas?
  • A Segurança Social já confirmou oficialmente que a compra do imóvel se fez por apresentação de propostas em carta fechada?
  • A Segurança Social informou a Câmara Municipal de Lisboa sobre proposta de compra vencedora para eventual exercício do direito de preferência na aquisição por parte do município?
  • Qual a justificação da Câmara Municipal de Lisboa para não exercer o direito de preferência.
  • Não configura conflito de interesses a decisão da CML e o facto de Robles ser vereador?
  • Robles terá transparência suficiente para tornar pública a memória descritiva do projecto submetido à CML para se verificar que a intenção inicial era habitação própria (ou da irmã)?
  • Como é que a CML despachou aprovações em tempo record quando em situações mais simples de obras em prédios na mesma zona da cidade a espera desespera os proprietários?
  • Ricardo Robles pode divulgar factura das obras de reabilitação para se verificar se foi cobrado e pago IVA?

Seria também de homem e não de uma patarata se Ricardo Robles, em definitivo, esclarecesse se pretende ou não:

  • Doar eventuais mais-valias de uma futura venda do imóvel (ou fracções)?
  • Solicitar reembolso de IMT pelo facto de imóvel se encontrar dentro de ARU-Área de Reabilitação Urbana?
  • Abdicar de isenção ou redução de IMI por prédio estar na ARU?

Bem sei que Catarina Martins já declarou o caso encerrado, mas apesar de as questões acima não serem exaustivas, a sua liderança partidária poderá ser fortemente afectada pelo menos em parte significativa pelas respectivas respostas e, sobretudo, pelo grau de conhecimento prévio que Catarina tenha tido delas.

*

Isto é altamente constrangedor

29 Julho, 2018

Ver um homem adulto a procurar desculpar-se fazendo  queixinhas da irmã e mais a família não sei quê!!! Queixinhas é que não!!!

o grande educador põe os pontos nos is

28 Julho, 2018
by

https://platform.twitter.com/widgets.js

catarina defende ricardo

28 Julho, 2018
by

«Às vezes, é muito complicado explicar a vida da nossa família e, por vezes, as vidas mudam.»

Apresentação dos resultados do BES

Desenganem-se: se não fossem hipócritas, estariam no PCP

28 Julho, 2018
by

Anda por aí muita gente, à direita e à esquerda, entusiasmada com a possibilidade de o Bloco sair enfraquecido perante o seu eleitorado na sequência do caso Robles. O eleitorado do BE não é absolutamente homogéneo e é natural que haja algumas pessoas sensíveis à hipocrisia que deixem de votar BE, mas não serão muitos. Uma das coisas que o seu eleitorado valoriza no BE é precisamente a hipocrisia e a incoerência. A razão pela qual o BE tem ume penetração tão grande nas classes média-alta é precisamente por lhes dar a possibilidade de sinalizar virtude sem abdicar do vício, a possibilidade de apontar o dedo ao capitalismo selvagem e beneficiar dele, apelando à revolução a partir dos restaurantes mais exclusivos da capital. Não digo com isto que não haja hipocrisia no PCP. Mas ela é mais controlada (como tudo no PCP) e, consequentemente, punida mais severamente. No BE a hipocrisia faz parte do ADN. A grande maioria do eleitorado mais à esquerda não entende as nuances ideológicas entre BE e PCP. Prefere o BE porque é um partido que lhes permite sinalizar virtude sem ter que fazer votos de pobreza como os parolos do PCP. E esses não se vão embora em resultado deste caso. Antes pelo contrário.

Mestres da cabala

28 Julho, 2018
by

PSUma imprensa tradicionalmente tão servil com o BE, que desde sempre e por tudo e por nada lhe garante tempos de antena sem nenhum contraditório e desproporcionados face à sua real implantação, não se tem calado nos últimos dias com o “folhetim robles”. Isto só tem uma explicação: interessa ao seu patrão supremo – o PS – fragilizar o Bloco.

Não veremos nunca a mesma imprensa questionar a diligência cirúrgica dos serviços da CML no licenciamento das obras do Robles, que aí terá havido dedo do PS; muito menos questionar porque pôs a Seg Social o imóvel à venda em vez de o manter arrendado a preços controlados como a esquerda defende; como nunca assistiremos a investigações sobre as obras imobiliárias do Costa quando presidia à CML. Não esperem tal nem do Correio da Manhã, que massacrou o Sócrates mas nunca tocou no Costa.

Razão tem o Carlos, estamos perante mais uma manobra propagandística do PS. E essa gente não brinca em serviço, convicta que está de ter o exclusivo da impunidade.

Funcionários públicos do mês

28 Julho, 2018

*O responsável pela venda de um prédio da Segurança Social ao desbarato ( 347 mil euros  por um prédio em ruínas em Alfama no ano de 2014 é uma pechincha)

*O gestor da conta na CGD de Ricardo Robles (será familiar da gestora de conta de José Sócrates? )

Banca nacionalizada. Nossa. Dos do costume

28 Julho, 2018

João Gonçalves:  Já me tinham contado que a CGD concede 500 mil euros de empréstimos para casas de pessoas, vamos lá, “especiais” sem grandes chatices burocráticas. É que, feitas as contas, ao Robles mal lhe sobra para os rissóis depois de pagar a mensalidade.

Oportunidade de ouro

28 Julho, 2018

Invejo o Ricardo Robles. Não é um sentimento bonito, mas é o que tenho para dar: um homem novo, com uma vida inteira pela frente, que tem a sorte de ser confrontado com a imbecilidade das suas posições públicas e de perceber a tempo o quão o Bloco de Esquerda é um antro de hipócritas a competir no mercado de votos da mais desqualificada franja da população nacional, o das crianças educadas em berço de prata por uma burguesia que o próprio Bloco deseja aniquilar; os sem eira nem beira que, à falta de qualquer talento, existem numa psique alternativa de contra-cultura recauchutada em instrumentos de propaganda mainstream.

Que oportunidade de ouro para mudar de vida, ver a luz e comodamente abraçar o capitalismo de mais-valias com milhões de euros no banco, algo que jamais um dos seus pacóvios eleitores conseguirá cheirar. Invejo o homem: a partir de hoje pode crescer, evoluir, desenvolver uma moral, adquirir alma, respeitar os outros, abandonar a soberba. E tudo isso passando pela casa partida e recebendo mais de quatro milhões. Que privilégio.

a minha alegre casinha

28 Julho, 2018
by

1q9a0759_770x433_acf_cropped

O primeiro grande problemas das justificações é ter de as dar. O segundo podem ser as explicações que se dão. Segue-se o primeiro parágrafo das que foram dadas pelo vereador Robles, sobre o caso que o envolve e que hoje encheu as páginas dos jornais. É um texto onde cada palavra é medida e contada para evitar mais sarilhos. A cor vermelha (em homenagem ao Bloco) vão as passagens mais problemáticas e entre parênteses, em itálico, segue a nossa opinião:

«Em junho de 2014 adquiri, em conjunto com a minha irmã, o imóvel sito na Rua Terreiro do Trigo, nºs 6 a 26, pelo valor de 347 mil euros. Em outubro de 2014, a CML comunicou-me a necessidade de realização de obras considerando o mau estado do prédio (então o Senhor Vereador, quando comprou o imóvel, não se apercebeu da necessidade de o reformar? Comprou-o às cegas, não percebe nada de imóveis, ou isto é apenas uma justificação para a pressa com que as iniciou, indiciadora de intenção de fazer negócio com o imóvel?). Iniciei de imediato os procedimentos para um processo de licenciamento para obras junto da CML. A obra foi licenciada em 9 de novembro de 2015 e o alvará foi emitido em fevereiro de 2016 (o licenciamento foi pedido para uma obra de reparação do mau estar do imóvel, ou para uma obra em profundidade, com aumento de um piso, para negócio imobiliário?). A obra foi concluída em março de 2017. O valor total (aquisição, projetos, licenças, obra) foi de aproximadamente 1 milhão de euros, financiado pela nossa família e mediante um empréstimo bancário contraído junto da CGD. Como co-proprietário, aceitei que, por razões familiares, o prédio fosse colocado à venda (mas não o comprou para isso? Então comprou-o para quê? Para habitação própria? Um casarão daqueles?). A venda do prédio foi entregue no final do ano de 2017 à imobiliária, que o avaliou em 5,7 milhões de euros. O prédio não foi vendido e foi retirado do mercado, embora mantenhamos a intenção de venda a breve trecho.»

Moral da estória: o Senhor Vereador só pôs o imóvel à venda por «razões familiares» e não por vontade própria. Só o pôs à venda por 5.7M€ por insistência da imobiliária e não por decisão sua.  O Senhor Vereador despachou-se a fazer obras não para pôr o prédio imediatamente à venda e com isso ganhar dinheiro, mas porque a Câmara o obrigou a isso.

A casta

27 Julho, 2018

Como sabe o senhor vereador nada tenho, antes pelo contrário, contra a reabilitação que a cidade está a viver. E sei bem que muitos dos antigos inquilinos preferem usar a indemnização para se mudarem para uma casa com elevador e estacionamento e, de caminho, ainda ficarem com um pé de meia. O ponto que nos separa – e esse ponto é tudo – é que o senhor vereador chama praga dos despejos à lei das rendas e defende propostas que sabe irem destruir o mercado de arrendamento. (Sorte a sua os seus inquilinos não serem poetas, nem terem mais de 65 anos, nem terem biblioteca, nem nenhuma daquelas circunstâncias que levam o BE a propor que os contratos de arrendamento sejam eternos).

O senhor vereador na verdade é apenas o mais recente exemplo desse endemismo dos países governados por uma casta. Ou seja, os verdadeiros poderosos são precisamente aqueles que conseguem não ser abrangidos pelas medidas que geralmente, em nome de ideais que dizem superiores, impõem a todos os outros.

E assim Portugal está cheio de defensores da escola pública cujos filhos e netos frequentam colégios alemães e ingleses.

De defensores do SNS que se tratam na medicina privada a que aliás a maior parte deles tem acesso garantido via ADSE graças à sua condição de funcionários públicos.

De indignados contra a lei dos despejos que investem no imobiliário.

Eles são a casta.

 

 

a diferença

27 Julho, 2018
by

mw-1240A ortodoxia do Partido Comunista Português fez com continuasse a ser, ainda hoje, um partido importante e influente na sociedade a que pertence. Esse posicionamento foi mantido com sacrifícios, incompreensões, deserções, ameaças diversas, mas resistiu e permitiu que sobrevivesse à queda do muro de Berlim, ao contrário dos partidos comunistas europeus, que desapareceram ou se tornaram completamente irrelevantes. Isto só foi possível porque o Dr. Álvaro Cunhal soube sempre que um partido comunista, em terras de capitalismo, não sobreviveria à influência preponderante dos gramscianos saídos das universidades e das famílias burguesas, meninos com ideias que não correspondem a qualquer experiência ou sentimento de vida, que as trocariam pelo primeiro cheque gordo que lhes pusessem à frente do nariz. Por isso, Álvaro Cunhal, ele mesmo um intelectual que sabia do que a casa gastava, nunca lhes deu demasiada importância e preferiu sempre, para as posições de destaque nos órgãos do partido, pessoas com uma história de vida forjada no mundo do trabalho operário, tradição que ainda hoje se mantém. Aos «intelectuais», trazia-os sobre olho e de rédea curta, e sempre que algum levantava a voz, durava o tempo de um fósforo. O Dr. Álvaro Cunhal e a elite dirigente do Partido Português tinham, e têm, inúmeros defeitos, mas de falta de coerência não podem ser acusados. É por isso que nunca lá encontraremos um caso como o de vereador Robles. No PCP não há lugar para meninos mimados, nem para burgueses emplumados com ideias que não passam de retórica de ostentação. Esse é, por definição, o terreno do Bloco de Esquerda.

Não se metam com o PS

27 Julho, 2018
by


De uma assentada, o PS castiga de forma severa um vereador dado a deslealdades e ainda elimina um candidato ao poleiro da suave e ordeira Catarina Martins. O PS é uma máquina trituradora que não aceita inimigos políticos, nem perdoa a mínima deslealdade dos amigos. Não se metam com o PS.

um dia, também quero fazer um negócio como este, ou o irresistível charme do capitalismo

27 Julho, 2018
by

DjERAhRXcAAqIe1.jpg large

até lá…

27 Julho, 2018
by

462735348_770x433_acf_cropped

Ora, finalmente, alguém a falar como deve ser: «Alexis Tsipras é um traidor do povo grego! E por isso será processado». Enquanto, por cá, as meninas do Bloco engolem as «cativações» do Centeno, como se fossem puré Maizena, e humilham os professores, lembrando-lhes que o orçamento não é só deles, na Grécia, a menina Zoe Konstantopoulou, moça cujo nome é, por si só, suficiente causa de divórcio, não está com meias medidas: «TRAIDOR!», em cima do ex-venerado bad boy das esquerdas europeias. Mas os gregos são os gregos e os portugueses são os portugueses, não há muito que fazer. Porque, no dia em que a presidenciável Marisa Matias, cujo perfil aquilino não é muito diferente do da Konstantopoulou, chamar «traidor» ao Costa e o ameaçar com as penas da temível justiça portuguesa, ficarei convencido de que há um futuro para as esquerdas portuguesas. Até lá, não passam todas – as esquerdas indígenas e as meninas do Bloco – de elementares colaboracionistas do Sr. Junker, confortavelmente sentadas à mesa do orçamento de estado.

“Quanto mais lhes bates, menos voto em ti”

25 Julho, 2018

ng5557953

 

Não sei ao certo qual é o tamanho da ambição política de Nuno Melo. Contudo, ao escutar os seus críticos na semana passada, estou certo de que poderá chegar, caso tenha vontade, aos mais altos cargos do país. Poucos minutos depois das primeiras notícias sobre o lançamento da campanha do CDS às eleições europeias, já a esquerda aguerrida tratava o eurodeputado centrista como um perigoso nacionalista, racista e xenófobo. É certo que o embaixador Francisco Seixas da Costa, mais moderado, se limitou a caracterizá-lo como populista e anti-imigrantes; e que o deputado João Galamba, mais espirituoso, apenas lhe chamou, com sotaque italiano, Nuno Melvini. No entanto, salvo honrosas excepções, o tom andou à volta do “Viktor Orbán minhoto”, o que constitui, além de uma boa base de trabalho para uma eventual geminação entre o goulash húngaro e as papas de sarrabulho, um excelente prognóstico eleitoral para Nuno Melo.

A primeira coisa que salta à vista nestes exageros retóricos é a típica modéstia portuguesa. “Trump de Famalicão”, por exemplo, é uma expressão que menoriza o político luso e a terra que Camilo Castelo Branco escolheu para enfiar uma bala na cabeça. Uma esquerda com auto-estima patriótica diria que Donald Trump é o Nuno Melo da Quinta Avenida; como diz o inverso, colocando o presidente dos EUA no distrito de Braga e não o vice-presidente do CDS em Nova Iorque, continuamos a alimentar hipérboles com a síndrome da pequenez, o que representa a desajustada intromissão do oxímoro num contexto em que uma figura de estilo seria suficiente.

Mas o que disse, afinal, Nuno Melo para ser presenteado com tais considerações? Apenas isto: “o espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos, mas estes devem respeitar as nossas leis, valores e costumes, de forma a não nos sentirmos sequestrados na nossa casa”. Ou seja, parece que Nuno Melo não defende a atribuição automática da cidadania europeia a todos os seres humanos que habitam a superfície terrestre. É, de facto, um horror. Qualquer dia, se lhe derem poder, ainda o vamos ver a sugerir a criação de passaportes e de um Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

E esse dia talvez esteja próximo. Agora que aqueles que se dedicaram até há bem pouco tempo a comparar Angela Merkel com Adolf Hitler se viraram para o candidato do CDS, este pode sentir-se abençoado pelo quase infalível toque de Midas eleitoral. Para já, que ainda vamos no aquecimento do absurdo, nada está garantido, mas assim que Salazar for chamado ao barulho, Nuno Melo pode tratar de encomendar os foguetes.

 

apagou, por quê?

24 Julho, 2018
by

O deputado Carlos Abreu Amorim terá postado, na sua página do Facebook, um comentário comparando a Grécia a Portugal na tragédia dos incêndios, bem como noutras tragédias também relevantes, como as respectivas bancarrotas de há alguns anos. A coisa gerou uma onda de indignação, com deputados da bancada horizontal do «só nós é que sentimos a dor dos pobres e desvalidos da sorte», como Isabel Moreira e João Galamba, a acusarem-no de oportunismo e, nomeadamente a primeira, a dizer que não se pode «descer mais baixo».

Não querendo saber a que baixos níveis se referia a deputada socialista, parece-me que o deputado do PSD tem evidente razão no que disse, e só é de lamentar que tenha apagado o post, no que também ele cedeu à brigada do politicamente correto. É evidente que estes factos não coincidem, por acaso, nos dois países, e que há uma relação directa entre um estado que repetidas vezes vai à falência e que não consegue prevenir e resistir, com eficácia, a este tipo de tragédias. Chama-se, a isso, falta de recursos, sejam recursos humanos, sejam recursos materiais. Falta de vigilância florestal, falta de aviões, falta de equipamentos decentes para os bombeiros, falta de meios profissionais de comunicação, etc..

Se Portugal ou a Grécia tivessem tido governos sensatos que não os tivessem desgraçado economicamente, disporiam, certamente, de mais e melhores recursos para apostar na segurança dos seus cidadãos, missão que é a primeira de todas a justificar a sua existência. Assim, é o que por cá e por lá se vê, ao contrário do que acontece na maioria dos países desenvolvidos.

Livro de estilo para notícias sobre atentados e ataques que podem ter como autores indivíduos não brancos e não cristãos

24 Julho, 2018
  1. O momento do atentado propriamente dito: Toronto shooting: Gunman kills woman and child in Greektown. The motive for the shooting is unknown.
  2. Segue-se a condenação e a solidariedade com as vítimas. Continua sem se saber nada sobre a identidade do autor. Pede-se que não se especule sobre as motivações  pq as autoridades estão a investigar. Culpa-se a falta de regulação no acesso às armas de fogo e se o atentado for no Canadá a proximidade com os EUA. Na Europa não se fala de proximidade alguma. Se o atentado for com faca, automóvel ou ácido a questão da arma não conduz aos EUA. Police said it was too early to provide a motive for the shooting, but local councillor Paula Fletcher said: “It’s not gang related. It looks like someone who is very disturbed.”
  3. Algumas horas depois sabe-se o nome do autor do atentado. Mas já não vale a pena fazer notícia. Como é óbvio trata-se de um desequilibrado. Canadian officials have identified the man responsible for a mass shooting in Toronto as Faisal Hussain. Faisal Hussain’s family say he has had mental health problems for much of his life

 

 

Extra! Extra! Avião aterrou em aeroporto!

24 Julho, 2018

Recentemente, foi notícia que um avião aterrou num aeroporto. Sim, pode ser “o maior avião do mundo” e também pode ser o aeroporto mais ridículo do mundo, mas, para todos os efeitos, a notícia é de que um avião aterrou num aeroporto.

Estou bastante entusiasmado com as próximas notícias de “carro é conduzido numa auto-estrada”, “barco atraca num cais” e “taxista transportou passageiros sem parar para bater num condutor da Uber”.

Felizmente, este país existe, porque, se não existisse, ninguém teria imaginação para o inventar.

A explicação dos crimes deslocou-se dos seus autores para as armas do crime

23 Julho, 2018

E assim o ataque no Canadá resulta do problema com as armas de fogo (e tb da proximidade com os EUA). Os acontecimentos desta noite na Quinta do Mocho resultam de um problema com as facas (e com os grupos rivais sendo que nunca percebemos de que grupos e rivalidades se trata donde presumimos que devem ser cozinheiros a lutar com talhantes). Já este ataque a uma criança com ácido em Inglaterra deve resultar da facilidade no acesso às substâncias corrosivas pro parte das empregadas de limpeza  (ainda nos vão proibir a lixívia )

Sem concessões mas com ciática?

23 Julho, 2018
Juncker vai a Washington sem concessões na agenda
Presumo que o número de historietas sobre o Trump vai aumnetar nos próximos dias pois é preciso escamtera o facto de os interesses da União Europeia irem ser defendidos por uma criatura notoriamente afectada nas suas capacidades seja lá pela razão que for.

Não esquecer: o dinheiro da Segurança Social vai ser investido em habitação social

23 Julho, 2018

Dívidas das rendas em bairros sociais ascendem a 48 milhões de euros.

Num universo com mais de 80 mil famílias, os incumprimentos nas rendas ascendem a 48 milhões. Loures ocupa o topo da lista dos mais endividados. Área Metropolitana de Lisboa deve 25,7 milhões.

Vamos separar as crianças das famílias?

22 Julho, 2018

O Público visitou o Centro de Instalação Temporária (CIT), no Aeroporto de Lisboa, onde encontrou uma criança de três anos que ali está há um mês e meio, juntamente com a família oriunda do Norte de África. Marido e mulher têm dormido em camaratas distintas e a menina dorme num colchão no chão, junto à mãe — esse espaço é partilhado por mais quatro mulheres.

As crianças requerentes de asilo devem ser, uma vez chegadas a solo português, encaminhadas para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP) — estejam ou não acompanhadas

Tendo em conta tudo o que está internacionalmente convencionado mais o fervilhante activismo:

a) as crianças devem seguir sós para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

b) as crianças devem seguir com as mães para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

c) as crianças devem seguir com a mãe e o pai para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

d) as crianças devem seguir com o pai para a  Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

e) as crianças devem seguir com quem as trouxe para a a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados

VERSÃO ANOTADA PELOS LEITORES

É que nem quaaludes são tão bons nisto

22 Julho, 2018

A Geringonça é a invenção mais útil desde o sabão em barra. Desde que a inovadora monstruosidade exibiu a sua carantonha, o país evoluiu da ignóbil situação de velhos que morrem sozinhos e de crianças esfomeadas em escolas para a possível morte colectiva, comunal, de quem quiser passear pelo “interior profundo”, a saber – e desta vez –, algures numa auto-estrada na zona de Palmela. Desta vez, contudo, ninguém morreu, pelo menos que se saiba, a julgar pelas capas de jornal, que, em vez de maçadores destaques sobre inversão de marcha em auto-estrada a distâncias metropolitanas de Lisboa, optam por coisas mais importantes como deputados não irem de férias para Portalegre. Melhor que a invenção da Geringonça só mesmo a da metaqualona.