Será a isto que se chama direito ao esquecimento?
António Filipe, Janeiro de 2014 a propósito da privatização dos estaleiros de Viana do Castelo: “Nós entendemos que a indústria naval é necessária ao nosso País e rejeitamos totalmente a decisão política do Governo de liquidar a construção naval em Portugal. Garantias de que os Estaleiros Navais de Viana continuarão a fazer construção naval não há nenhumas. Zero garantias de que a empresa poderá continuar a fazer aquilo que sempre soube fazer.“
Nos afamados serviços privados de saúde frequentados pelo deputado comunista António Filipe existem certamente consultas para a perda de memória. Ma se não for esse o caso o senhor deputado terá de se desenvencilhar no centro de saúde da sua residência e entre a consulta de urgência mais a espera por uma desistência e a marcação no médico de família para daqui a dois meses deve conseguir que alguém o trate de tão grave problema. Até lá pode ir tomando
E que tal um serviço nacional de alojamento local?
O Porto bem vivo!
Ligo o rádio e ouço sempre a mesma coisa. Algumas canções boas, destruídas pelo limitador dinâmico da rádio, outras destruídas à partida pela hiper-compressão durante a produção do master, mas, essencialmente, a rádio transmite um monte de trampa que serve apenas o propósito de torturar cérebros que se querem acordados durante a condução. Posso sempre mudar para a TSF, se quiser ouvir trampa de outro género (os especialistas diriam tratar-se de spoken word, mas, apesar de montes de spoken, raramente ouço alguma word com interesse). Mantenho laboriosas playlists nos dispositivos móveis, incluindo alguns álbuns essenciais de ponta a ponta, e é assim que normalmente vivo, sem interferência da rádio, tanto calhando em sorte um “These Arms of Mine” de Otis Redding como um “Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours)” de Stevie Wonder; tanto um “Forgiving You Was Easy” de Willie Nelson como um “Substitute” dos The Who; tanto um “Truck Stop Girl” dos Little Feat como um “Glad” dos Traffic; tanto um “This Is Me Leaving You” de Mary Chapin Carpenter (com o extremo bom gosto da guitarra do saudoso John Jennings) como um “Fill Me Up” de Shawn Colvin; tanto “I Wanna Be Your Lover” de Prince como um “I Love L.A.” de Randy Newman; tanto um “Hang Down Your Head” de Tom Waits como um “Funerais” de António Pinho Vargas; tanto um “Os Bravos” de José Afonso como um “A Candle’s Fire” dos Beirut. Não fosse a música digital e o mix-‘n’-match de mixtapes digitais, estaria completamente estúpido pela rádio. Dito isto, é raro encontrar, desde o início do século, um álbum que me apeteça ouvir de ponta-a-ponta. Este ano ainda não tinha encontrado nenhum, até que ouvi algo que me chamou a atenção, saindo do quarto do meu filho de onze anos, por uma voz que me pareceu reconhecer: “somos todos condutores de carroceis / não lemos mapas, andamos aos papeis / então deitamos fora a sorte deste norte fazemo-nos reis / já que a lua se pode comportar assim”. Como se isto não bastasse, toca a descrever-me (sim, é sobre mim, como todas as boas canções), logo de seguida, assim: “sou dos do bem mas não sei bem o que é do mal / sou um céptico optimista, hipócrita ocasional / e se observo mudo o resultado experimental / então que a lua sorri só porque sim”.
Apple Music a ajudar, encontro a canção “Efeito do Observador” d’Os Azeitonas. É isto. Ouço o resto do álbum, por afinidade prévia com a banda, não tendo dado pelo lançamento deste álbum, “Banda Sonora”. Ouço, esperando encontrar uma ou outra canção que me leve a passar à frente: nada. Cinquenta e sete minutos de pura classe. Mete outra vez. Mais uma. Encontrei o álbum de 2018 que me vai afastar mais uns tempos da rádio. Curioso que, no ano passado, um dos albums que causou o mesmo efeito tenha sido o “Giesta” do ex-Azeitonas Miguel Araújo. Apesar de tanta treta sobre a defesa de quotas para música portuguesa na rádio, meto as mão no fogo que nada deste “Banda Sonora” passará na rádio: é bom demais para isso. Atrevo-me até a dizer que todo o disco emana um odor a Porto que a corte não compreende: que bom, o Porto está vivo e bem vivo. Parabéns, rapaziada (“rapaziada” inclui rapariga, é da gramática, ó chanfradas lisboetas).
Mais um esfaqueamento. Desta vez na Alemanha. Mais uma vez tivemso as notícias com a edição do costume:
“A polícia alemã confirma um total de oito pessoas feridas, uma com gravidade, no ataque perpetrado por um homem, com arma branca, no interior de um autocarro na cidade alemã de Lübeck, norte do país. A polícia alemã confirmou, entretanto, que não há sinais de antecedentes terroristas no ataque.” TOMAMOS NOTA COM JÚBILO :” não há sinais de antecedentes terroristas no ataque“ É UMA VERDADEIRA FELICIDADE SABER QUE NÃO TEVE MOTIVAÇÃO TERORISTA O FACTO DE, NUM AUTOCARRO, UMA CRIATURA LARGAR UMA MOCHILA DONDE SAI FUMO, EM SEGUIDA ESFAQUEAR UM HOMEM NO PEITO E VÁRIAS OUTRAS PESSOAS EM QUE SE INCLUI O MOTORISTA. JÁ AGORA O QUE SE ENTENDE POR “antecedentes terroristas”?
“O agressor, que foi detido pouco depois do ataque por uma patrulha da polícia. Fontes policiais da cidade alemã afirmaram, através do Twitter que a “identidade do atacante é clara: É um alemão de 34 anos e mora em Lübeck”. COM TANTA CLAREZA PODIA TER-SE REFERIDO QUE O ATACANTE ERA DE ORIGEM IRANIANA. ERA SÓ PARA SER TUDO MAIS CLARO.
“A mensagem acrescenta que não há sinais de uma “radicalização política” no atacante ou de um contexto terrorista. TERÁ SIDO UM CRIME PASSIONAL? ESTOU EM CRER QUE TUDO ISTO ACONTECEU POR AMOR AOS AUTOCARROS: EXISTE UM GRUPO DE PESSOAS QUE NÃO CONSEGUE VER OS AUTOCARROS A CIRCULAR HORAS SEM FIM. VAI DAÍ ATACAM OS PASSAGEIROS!
O Ministério Público pediu “compreensão e paciência” na impossibilidade de dar mais detalhes sobre o agressor até que a sua identidade pudesse ser verificada com total certeza.” ESTA PARTE DA NOTÍCIA QUER DIZER QUE NO MOMENTO EM QUE AS AUTORIDADES FIZERAM ESTA DECLARAÇÃO JÁ SE DIZIA O HABITUAL NESTES ATAQUES QUE NÃO SÃO ATAQUES: ESTÁ A SER SONEGADA INFORMAÇÃO SOBRE O ATAQUE E O ATACANTE
E assim se criou mais uma taxa
Momento I: a CML de Costa/Medina cria uma taxa que só almas pérfidas seriam capazes de achar que algum dia recairia sobre os portugueses
2014: Residentes em Portugal isentos da taxa de chegada ao aeroporto de LisboaPara o vice-presidente da Câmara, de maioria socialista, [em 2014 era Fernando Medina[ o município dá assim «resposta ao fundamental das objeções levantadas». «Quisemos limitar ao mínimo possível as margens de erro», tentando criar «uma taxa que não abrangesse pessoas que não estão na condição de turista», justificou.
Momento II: a taxa vai agora ser alargada a todos. AS culpa vai ser obviamente chutada para Bruxelas
Não vejo como podem os residentes em Portugal pagar ter de pagar uma Taxa Municipal Turística em Lisboa. E muito menos como podem os lisboetas pagar uma Taxa Municipal Turísticaquando chegam de avião à sua cidade. Eu não sou turista em Lisboa. Vivo cá. Ou a taxa muda de nome e é devidamente justificada ou é extinta
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O ilusionista e sua partenaire vão trocar de papéis?
Naquele estilo épico que caracteriza toda e qualquer notícia que implique mais uma obrigação para as empresas o DN anuncia que as empresas vão ter de explicar porque contratam mulheres e homens para funções diferentes e publicar estatísticas no primeiro semestre de cada ano sobre as diferenças remuneratórias entre mulheres e homens. Pessoalmente acho que as empresas deviam recusar fazer estas estatísticas pela prosaica razão que elas representam um custo/encargo desnecessário tratando-se de um mero exercício de poder. Estas estatísticas já existem: todos os meses as empresas enviam os dados para pagamento dos seus trabalhadores à Segurança Social. A secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade pode se quiser pedi-los e tirar as conclusões que lhe aprouver.
Sonhos de criança para todos

De acordo com um dos clássicos do anedotário internacional, a diferença entre um diplomata e uma senhora é que se o primeiro disser “não”, deixa de ser um diplomata, e se a segunda disser “sim”, deixa de ser uma senhora. Foi para libertar os diplomatas e as senhoras destes embaraços que a civilização desenvolveu, durante séculos, todo um conjunto de palavras, olhares, gestos e atitudes que tornam desnecessário o uso desses secos símbolos da objectividade. No entanto, aparentemente, esse tempo chegou ao fim. Segundo os jornais, Carmen Calvo, vice-presidente do Governo espanhol e ministra da Igualdade, pretende alterar a legislação sobre delitos sexuais, criminalizando todos os actos que não tenham sido expressamente precedidos por um inequívoco “sim” do lado feminino. No fundo, estamos a falar da obrigatoriedade legal de ajustes na linha do tempo, os quais, para quem acompanhava a programação do canal Viver/Vivir, se podem traduzir na antecipação do “sí, cariño” que apenas se ouvia no decorrer do enredo. É, em suma, a vitória da prolepse no competitivo mercado das anacronias.
Mais do que pelas excelentes perspectivas de negócio para os notários, o novo quadro legislativo dos nossos vizinhos surpreendeu por dispensar os homens de igual manifestação de vontade, pois caso a investida amorosa seja da iniciativa da mulher, o “quem cala, consente” continua a vigorar. Só posteriormente, através de uma outra intervenção pública de Carmen Calvo, se percebeu o motivo: de acordo com a distinta cabreña (nasceu no município de Cabra, província de Córdova), as mulheres passaram toda a vida a ouvir os homens e por isso conhecem-nos muito bem; já os homens, por não escutarem as mulheres, ignoram como é que elas funcionam. Estamos, assim, na presença de um confronto entre a adivinhação e a audição, no qual as bruxas conseguem um ascendente claro sobre os surdos. E estamos, também, a assistir ao vivo à promoção do “ele não me ouve…” a assunto de Estado. Essa passagem, directamente do Consultório Sentimental da revista Maria para a mesa do Conselho de Ministros, contribuirá certamente para o reforço da igualdade, se não entre géneros, pelo menos entre classes.
Espero que não me compreendam mal: sou totalmente a favor da existência do Ministério da Igualdade. Julgo é que a abordagem deve ser mais ampla. A minha mulher, por exemplo, quando era criança, divertia-se a limpar, embalar e alimentar Nenucos; agora, que ela já tem a alegria de limpar, embalar e alimentar bebés a sério, era importante que o governo tratasse de mim, providenciando-me carros desportivos reais, barcos de recreio genuínos e caças F-16 verdadeiros. Estou até disposto a fazer uma promessa à Doutora Carmen Calvo: quando os meus sonhos de criança forem realizados à força de lei, está autorizada a vir cá a casa lavar-me as orelhas.
O monstro tem de crescer ainda mais
Será que os autores destes crimes eram mulheres bonitas?
A FIFA pretende que os operadres de câmara “deixem de focar nas raparigas que podem ser consideradas atraentes” mas será que também deu ordens para que não sejam divulgadas as imagens das celebrações no país que venceu o mundial? Ou talvez os autores destes crimes sejam mulheres bonitas e portanto mostrá-las a escavacar, bater e queimar era uma forma de sexismo. Deve ser isso.
A linguagem conta
Lamento imenso o que vos aconteceu. Não posso concordar que tenham sido “vítimas de homofobia” porque tal não existe, é um conceito imbecil, como ser vítima de aracnofobia (excepto se for tratador de tarântulas, aí parece-me que é mais vítima do emprego que das aranhas propriamente ditas). Vocês foram é vítimas de cabrões, o que é muito diferente, até porque os cabrões não padecem de medos debilitantes e sim de certezas obtusas sobre o que deve ser a vida dos outros. Pois, na realidade, foram é vítimas de socialistas. Pensem nisso.
Onze edifícios do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que hoje são usados como escritórios da Segurança Social, serão transformados, entre 2019 e 2020, em habitações com “rendas acessíveis”, numa parceria com a Câmara Municipal de Lisboa. O acordo para este projeto será assinado esta segunda-feira, revela a “TSF”.
Espa operação só é aceitável se a CML indemnizar a Segurança Social. Não é aceitável que o património da Segurança Social não seja devidamente rentabilizado simplesmente para ajudar um autarca e uma autarquia. A Segurança Social é nacional e não local, os trabalhadores do Algarve e de Trás-os-Montes nada têm a ver com os problemas de habitação de Lisboa e esperam sim que a Segurança Social trate do seu património de modo a assegurar o pagamento das reformas. Esta operação não resolve problema algum permite apenas uma operação de propaganda e é espantoso que os sindicatos assistam a esta negociata calados.
As selecções de pretos e os palermas conservadores
Têm quase duas semanas para resolver o assunto
E o SOS Racismo quando se pronuncia? Ou também não sabe o que pensar?
Portanto são desequilibrados mentais?
Como se sabe a cada atropelamento acontecido da Europa os autores desses actos são inevitavelmente desequilibrados. Jamais agem por motivação terrorista quando muito estão ofendidos por não terem tido direito a casas sociais nos centros das cidades. Só pessoas intolerantes podem achar que se está diante de criminossos. São obviamente desequilibrados e excluídos a merecerem toda a nossa solidariedade. Quando muito lobos solitários.
Processo de domesticação em curso
Uma caixa a mais, uma granada a menos
Depois dos ridículos episódios de Tancos e da pantomina política em torno do tema, o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o chefe do Estado-Maior do Exército vieram a público na altura assegurar que todo o material desaparecido tinha sido encontrado, sendo que até tinha sido descoberta uma caixa de munições extra, para gáudio dos personagens.
Aparentemente, vem agora a saber-se que afinal andam ainda por aí espalhados algures explosivos e granadas que não foram encontrados nos canaviais da Chamusca e que deveriam estar guardados em Tancos.
No caso da tragédia dos incêndios do ano passado o Presidente da República, a muito custo, lá exerceu pressão para que António Costa demitisse a infeliz ministra Constança.
Bem sei que não ajuda à autoridade nem à credibilidade do Comandante Supremo das Forças Armadas a imagem da cantoria da “casinha” no festival de música de há dias, mas não seria desejável que Marcelo zelasse pelos mínimos de dignidade da função que ocupa e dissesse que é chegado o momento de Azeredo Lopes nos poupar à sua incompetência governativa?
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ainda vão a tempo
Julgo que me tenho expressado indevidamente nos textos que tenho publicado sobre o liberalismo português, o último dos quais a propósito de uma polémica entre o Vitor Cunha e o Carlos Guimarães Pinto. Para mim, ao contrário do que me parece que o Carlos julga, o ponto não está em discutir a bondade, nem a presumível utilidade, das ideias liberais que vêm de fora, que, aliás, eu abraço entusiasticamente, mas tentar compreender por que é que elas, sendo tão virtuosas, nunca vingaram entre nós. É que, como tenho insistido, nós tivemos, durante boa parte do século XIX, um liberalismo político e económico. Só que esse liberalismo não foi de influência inglesa, mas francesa, e, por isso, considerava que a liberdade se realizava no estado e na cidadania (no vínculo jurídico-político de um indivíduo a um estado), no proteccionismo económico e na estruturação de um estado moderno segundo o modelo napoleónico. Foi essa a opção consciente dos nossos liberais oitocentistas, à qual as elites políticas – da esquerda à direita – aderiram sem excepção (ou com a excepção miguelista, mas essa não se enquadrava no que falamos), quando poderia ter sido outra. O país, por essa época, conhecia e lia Blackstone, Smith, Locke, Hume, Tocqueville, Ricardo, o constitucionalismo histórico inglês, a Revolução Gloriosa e a Americana e, ainda assim, preferiu a Enciclopédia e 1789. Porquê? Não tenho uma resposta concludente para esta pergunta, mas várias hipótese que procuram interpretar esse facto, que é inegável, e é isso é o que me parece importar. Dito doutro modo, se não pegou na altura em que fizemos a primeira escolha, nem ao de leve lhe chegámos nos duzentos anos que se lhe seguiram, por que há-de ser agora uma escolha dos portugueses? Ou será que não temos todos presentes que o governo de Passos Coelho “falhou devido ao radicalismo ideológico liberal” e que, nos dias que correm, «neoliberal» substituiu o epíteto calunioso de «fascista»?
Por isso, meu caro Carlos, não vejo que partido liberal algum possa fazer o que quer que seja pela liberdade que me entusiasma sem que os seus dirigentes tenham isto muito claro, percebido e, sobretudo, explicado, para lhe procurar o antídoto. Mas quando vejo agremiações de analfabetos – e, lamento a expressão, mas não se me ocorre outra – a garantirem um futuro sorridente sem olharem para o passado, fujo a sete pés. Pessoas que proclamam soluções milagrosas para um país e uma sociedade que, no fim de contas, desconhecem por inteiro e se recusam a conhecer, porque acham que pensar e debater não configura o conceito de «acção transformadora do mundo», o que me leva a crer estar perante brincadeiras de rapazes viciados na politiquice das jotas. Enfim, se querem ser levados a sério, não brinquem com coisas sérias. São novos, ainda vão a tempo.
Todos diferentes, mas parecidos
O Rui Albuquerque tem alguma razão sobre as origens do liberalismo em Portugal. Tanto o quase inexistente liberalismo, como todas as outras ideologias, incluindo o conservadorismo, têm origens externas. A única excepção foi o isolacionismo corporativista da primeira metade do Estado Novo com os resultados que se conhecem, mas já lá vamos.
Lamentando quebrar o romantismo da visão do Rui Albuquerque e do Pedro Arroja, parece-me normal que grande parte das boas ideias sejam produzidas fora do país. Não por nenhuma incapacidade nacional em pensar bem, mas simplesmente pela força dos números. Mesmo grande parte dos pensadores liberais portugueses inspiraram-se em autores estrangeiros. Portugal tem menos de 1% da população dos países desenvolvidos. Mesmo assumindo que tem a mesma proporção de pessoas a pensar nestes assuntos, e ignorando os pensadores de países menos desenvolvidos, é de esperar que 99% das boas ideias surjam fora de Portugal. Claro que algumas ideias podem ser boas num contexto cultural e não noutro. Nesse sentido é mais provável que alguém conhecedor de um contexto cultural seja capaz de gerar um sistema de ideias mais de acordo com esse contexto. Quanto mais marcadamente diferente for uma cultura, menos sucesso terão ideias importadas. Mas as culturas não são absolutamente diferentes, nem a Portuguesa é de tal forma diferente de outras europeias que não possa lá ir buscar inspiração, caso contrário não existiria aquilo que hoje se chama civilização ocidental (não vale a pena discutir aqui, até porque tenho objecções metodológicas ao seu trabalho, mas vale a pena ver a obra de Geert Hofstede – um estrangeiro, desculpem – para perceber isto melhor).
Importar ideias de fora sem aplicar o filtro cultural é um erro. Querer ignorar aquilo que é pensado lá fora, quando a estatística nos diz que é de lá que virão parte das grandes ideias, é um erro ainda maior. Foi esse, aliás, o erro que Salazar cometeu na primeira parte do Estado Novo e que ainda hoje estamos a pagar. Foi apenas nos anos 60 quando abandonou a única ideologia relevante puramente portuguesa e deixou-se levar por ideias estrangeiras, como a industrialização ou o livre comércio, que o país deu o salto em termos de desenvolvimento. Foi a aceitação de ideias estrangeiras que gerou o bem-estar económico que permitiu salvar milhares de crianças que morriam antes do primeiro ano de idade e tirar da miséria boa parte da população. Salazar descobriu tarde que apesar de sermos todos diferentes, somos suficientemente parecidos para podermos importar ideias de fora com bons resultados.
Não sei se o liberalismo anglo-saxónico se adapta perfeitamente a Portugal. É provável que não. Em algumas discussões com colegas do Partido Libertário (um grupo de malta porreira ao qual estão convidados a juntarem-se) defendo isso muitas vezes. A discussão das armas, do padrão ouro ou do federalismo faz pouco sentido na realidade portuguesa, mesmo que seja predominante na americana onde o moderno movimento libertário tem as suas origens. Já outras ideias adaptam-se perfeitamente, haja quem tenha o tempo, a energia e a vontade de as comunicar nos jornais, nos blogues ou em campanhas eleitorais.
o problema
O problema da discussão entre o Carlos Guimarães Pinto e o Vitor Cunha sobre as paternidades e descendências do «liberalismo português» é que nada do que aí se «produziu», se é que a palavra está bem empregue, nas últimas décadas, foi original ou «português». Na verdade, andámos todos entretidos a debater ideias vindas de fora, que tinham pouco a ver connosco e com a nossa tradição liberal que, goste-se ou deteste-se, existiu e não teve nada a ver com isto. O Pedro Arroja, que é um homem inteligente, foi o primeiro a percebê-lo e, por essa razão, pôs-se a andar. Não querendo ser um gestor de uma franquia internacional, tentou encontrar um pensamento que correspondesse a qualquer coisa semelhante com uma «identidade nacional» e foi parar ao Vaticano. Ou seja, também não conseguiu lá chegar. Nem ele, muito menos os seus putativos «herdeiros», incluindo partidos e blogues, que seguem em frente olhando para o que foram e são os outros, e ignoram o que fomos e somos nós.

Barack Obama esteve em Portugal e, de acordo com a imprensa, uma das condições da visita era a ausência de contactos com políticos. Achei normal: um governante na reforma pode não considerar adequada, com medo de mal-entendidos, qualquer espécie de diplomacia paralela. Porém, nesse mesmo fim-de- semana, após a passagem por Madrid, eis que nos aparecem fotografias de Obama com o Rei de Espanha e com Pedro Sánchez, o Presidente do Governo espanhol. Intrigado com o critério, empreendi uma cuidadosa e pormenorizada investigação sobre as viagens do ex-Presidente americano desde que abandonou a Casa Branca, pelo que deixo aqui, para vossa análise, os frutos desses 53 segundos de navegação pelo Google. Obama, em pouco mais de um ano, já se encontrou com Merkel em Berlim, com Matteo Renzi em Milão, com Joko Widodo em Java, com Xi Jinping em Pequim, com Narendra Modi em Nova Deli, jogou golfe com Mauricio Macri em Buenos Aires e jantou com Justin Trudeau em Montreal. Pela amostra, a deslocação ao Porto deve ter sido a primeira em que foi estabelecido um cordão sanitário que impedisse a aproximação de governantes. Isto é inadmissível. Quem é que Barack Obama julga que é? Desconsiderar os políticos lusos devia ser uma prática exclusiva dos portugueses. Não podemos permitir que estrangeiros enxovalhem assim os nossos líderes, obrigando-nos, para sairmos em sua defesa, a interromper as actividades de enxovalhamento que nós próprios lhes estávamos a dirigir. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa são como os nossos filhos: podem ser inconvenientes e difíceis de aturar, mas só nós é que o podemos dizer. Todos os outros têm mais é que mentir e tratá-los como adoráveis. Sem hipocrisia e fingimento não há relações de amizade que resistam. E relações internacionais muito menos.
Afinal de contas, o que é que Pedro Sánchez é mais do que o nosso primeiro-ministro para ter direito a um encontro privado com o antigo Presidente americano? Uma vez que ganharam ambos o mesmo número de eleições legislativas, só pode ser má vontade. Que Barack Obama não goste de geringonças eu consigo perfeitamente compreender; imperdoável é que insinue, através da gestão dos seus contactos, que a geringonça espanhola é superior à portuguesa. Por isso, do alto do meu patriotismo, só tenho uma coisa para lhe comunicar – Caro Obama: entre todos os arriscados, incoerentes, desengonçados, nefastos e improvisados arranjos governativos que existem no mundo, o nosso é, de longe, o melhor! Um abraço e saudinha.
QED
No meu post anterior argumentei que a blogosfera liberal rejeita os seus filhos ideológicos, como antes tinha rejeitado o pai. Discordando desta perspectiva, o Vítor Cunha escreveu duas respostas. Numa rejeita os filhos, noutra rejeita o pai.
Eu é mais Nelson Ned, sinceramente
Os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, dois tipos talhados pelo nome de baptismo para serem mariquinhas (a meu ver), arranjaram um entendimento para governarem rotativamente o reino, antecipando o sistema em vigor na Jugoslávia de Tito, o que tinha uma das seis repúblicas a fingir governar a coisa até à carnificina final que se verificou nos anos noventa, uma espécie de União Europeia mas com marechais. Como é normal nestas coisas, mal um tipo chega ao poleiro, trata logo de arranjar maneira para lá se manter indefinidamente, afastando o outro, coisa que Etéocles fez com a mesma pinta com que Soares afastou Cunhal em definitivo na Fonte Luminosa, relegando-o para um ícone pop que perduraria mais em nostalgia do que por mérito artístico, mais ou menos como a Madonna.
Contudo, a parte importante da história de Etéocles e Polinices não é terem cometido suicídio assistido mútuo, um direito que lhes assistia segundo a ética progressista da época: é, sim, que as terras a governar continuaram a existir muito para além da passagem para o plano poeirento da existência terrena dos manos. É por isso que, apesar da inerente beleza tradicionalista da mitologia – as histórias que devem ser conservadas em vez de adaptadas para o paladar dos tempos que correm –, a minha grande base intelectual para o liberalismo, sem desprimor para Pedro Arroja, que muito admiro por ir contra a fátua sedução do presente, é essa figura incontornável da ciência política internacional, Nelson Ned. É que, olhando a influências de estilo, nada consegue bater “mas tudo passa, tudo passará; mas tudo fica, tudo ficará”.
Teste de paternidade
Boa noite. Vim apenas anunciar que chegou o teste de paternidade e comprova-se que não sou pai de nenhum destes. Também não sou a mãe, que isso é uma impossibilidade biológica. Vai daí, haja um orfanato que os alimente, que eu não vou andar aí a alimentar os filhos dos outros.
Netos de Arroja, filhos de Édipo
Quando o jovem Pedro Arroja defendia o liberalismo em pequenos espaços televisivos e artigos de jornais nos anos 80 e 90 era uma espécie estranha. Liberal era um insulto que na escala do Portugal socialista saído da revolução só estava abaixo de fascista. Nenhum outro comentador ou colunista relevante se atreveria a definir-se como liberal e muito menos um político que aspirasse a ganhar eleições. Mas as ideias fazem o seu caminho e o seu esforço solitário teve frutos uns anos mais tarde com o advento da internet e dos blogs. Quem estava por cá quando começou a blogosfera política em Portugal lembrar-se-à que a esmagadora maioria dos blogs auto-denominavam-se liberais. Todos, incluindo os liberais-sociais não hesitavam em defender a herança de Pedro Arroja. Surgiram dezenas de pequenos blogs de pessoas que se diziam liberais (embora na sua maioria nunca tivesses escrito sobre isso). Muitos estavam desorientados, outros (incluindo o vosso escriba) foram estruturando o seu pensamento, estimulado pelas discussões acesas que foram acontecendo entre liberais. Mas a verdadeira maturidade da blogosfera liberal apenas surgiu depois do confronto com o próprio Pedro Arroja. Um a um, Pedro Arroja foi rejeitando cada um dos seus filhos. O João Miranda (provavelmente, o melhor blogger liberal português quando Pedro Arroja entrou neste mundo) foi acusado de ser de esquerda. O João Caetano Dias (provavelmente, o segundo melhor) de não saber pensar. Carlos Abreu Amorim, André Azevedo Alves e muitos outros mereceram a rejeição de Pedro Arroja. Um por um, Pedro Arroja rejeitou todos os seus filhos ideológicos e, sem surpresa, eles também o rejeitaram de forma violenta. Tal como Laio que tentou matar o filho Édipo, apenas para acabar por ser morto por ele.
A expulsão de Pedro Arroja do Blasfémias e a sua auto-exclusão da tribo liberal foi o momento de passagem de testemunho. Os filhos de Arroja tomavam o controlo. A blogosfera liberal continuou a amadurecer. Das dezenas de blogs liberais sobraram dois relevantes. Sobraram os dois que conseguiram aglutinar num ambiente de tolerância diferentes visões de liberalismo em que os pontos em comum eram mais fortes que as várias diferenças. A influência desses dois blogs foi muito para além do que as audiências (mesmo essas, de uma dimensão completamente inesperada 10 anos antes) atestam. Nos jornais, na televisão e na academia apareceram cada vez mais pessoas sem vergonha de se afirmarem liberais. O colapso de 2011, que vinha sendo anunciado nesses blogs há anos, foi o golpe final.
Mas as ideias continuaram a fazer o seu caminho e 15 anos depois da proliferação de blogs liberais surgem os partidos liberais. Num processo extraordinariamente semelhante ao da criação dos primeiros blogs liberais, pela primeira vez surgem forças partidárias que aspiram a conquistar votos afirmando-se liberais, algo impensável 15 anos antes. Pela primeira vez, há políticos que consideram que afirmar-se liberal pode ser uma vantagem na hora de conquistar votos. Em vez de se sentirem orgulhosos com o feito, e consistente com a sua própria história familiar, os filhos rejeitados de Arroja trataram de também rejeitar os seus.
Na mitologia grega, Édipo, que já tinha morto o pai, amaldiciou os filhos para que se matassem um ao outro, o que veio a acontecer. Édipo conseguiu ser tão mau pai como tinha sido filho. Sangue marado o que corre nas veias desta gente.
Nós os três, para a vida toda
El Gobierno propone que cualquier acto sexual sin un ‘sí’ expreso sea delito
Eu e o meu notário fomos jantar com uma moça muito bonita, recentemente divorciada após quatro anos de separação efectiva. Pintou um certo clima entre nós e abdicamos da ida ao cinema pela continuidade da agradável conversa em ambiente recatado, a casa dela, partilhada apenas com uma espécie de coelhito que, mais tarde vim a saber ser de raça Yorkshire Terrier. Já bastante animados pelo álcool e pela empatia criada durante o aprazível serão, sentamo-nos lado a lado no sofá. Beijei-a e senti imediatamente a reciprocidade do desejo. O meu notário levou-a para a cama e eu fiquei a ver episódios da terceira temporada do Friends. Estou muito entusiasmado: não quero ser precipitado, mas tenho um pressentimento que casaremos num futuro próximo.
Arrefecimento global atinge Obama no Porto
Post de convidado: José Silva
Não há forma de o clima político aquecer na segunda cidade do país.
Tolhidos de frio, os autarcas da oposição andam calados, aqui e ali reclamando por algum caixote do lixo mal lavado pelos serviços camarários. E isto só de longe a longe.
Não admira pois que o ex-Presidente americano tenha congelado nas fotos que fez com os VIPS do Porto, mesmo que só tenha estado na cidade uma curta hora.
Ou é gelado ou de cera mas o senhor é de fazer pena, nem mexe.
Ora veja:

Fim de post de convidado: José Silva
Os clubes de Tae-Kwon-Do de Pedrouços
O Senhor Martins foi o primeiro a abrir um ginásio de Tae-Kwon-Do em Pedrouços. Ele treinava com o Mestre Fagundes, que já era quase cinto castanho, num sótão no Porto que tresandava a suor masculino — mais ou menos como uma sauna progressista, pelo que me contam —, mas com menos humidade. Íamos todos, alegremente, motivados pela inocente convicção de que, rapidamente, aprenderíamos a dar cabo do canastro de um daqueles ninjas do Canidelo que atacam na dianteira de uma formação-em-cunha de um homem só na noite de São João, aprender umas palavras em coreano e a gritar do goto sempre que exalávamos. Que mais poderia pedir ao mundo um rapaz de 12 anos?
Um dia, descobrimos que o Senhor Martins delegava as aulas ao Berto, o nosso cinto amarelo, para ter reuniões com a sua secretária pessoal, a Deolinda, uma moça muito bonita que tinha chegado há pouco de França, onde nascera. A burocracia de manter um ginásio a funcionar num prédio inacabado por obra embargada era areia a mais para a nossa camioneta de compreensão, exigindo reuniões constantes entre o Senhor Martins e a Deolinda numa zona a que era necessário aceder por uma escada de alumínio e que, na altura, não compreendíamos. Eu, na altura, era tão inocente que até suspeitava, na candura típica da infância, que iam era lá para cima mas é para terem relações sexuais.
O Tae-Kwon-Do é um desporto espectacular que consiste em fazer duas vénias, uma ao adversário, outra ao mestre, antes de se iniciar a arte que consiste em ver quem primeiro parte uma costela ao outro. O desporto faz sempre bem às crianças, que hoje em dia andam perdidas com coisas como jogos de computador ou pornografia da internet, ambos um autêntico nojo para as aprendizagens necessárias a um homem dos subúrbios.
Fartos de tanta papelada a tratar entre o Senhor Martins e a Deolinda, um sub-grupo dos atletas (em sentido lato) decidiu formar a sua própria escola. Saímos todos (não todos, mas, como tínhamos razão, é melhor usar um pequeno exagero), deixando a Deolinda quase desempregada das suas funções associativas, mesmo que as reuniões com o Senhor Martins continuassem, agora mais frequentemente na Pensão Zulmira. Fundamos, cheios de orgulho, o Grupo Renovador de Tae-Kwon-Do de Pedrouços.
No primeiro campeonato da autarquia tivemos oportunidade de competir uns contra os outros. Foi lindo: é preciso treino para, com as protecções de corpo que o desporto exige, conseguir acertar exactamente no ponto desprotegido do nariz de forma a que este parta sem grande alarido, só com algum sangue, como na matança do porco mas sem guinchos; o Alfredo era exímio nessa técnica. Depois mete-se um bocado de algodão nas narinas, o que não ajuda muito a respirar, mas estanca o sangue, e o desporto segue o seu curso normal, o de conseguir o mesmo feito no nariz do adversário. Para quem gosta de fluidos corporais, terei que admitir que é mesmo muito bonito, como uma explosão de cor e som.
Bem, depois desse campeonato houve uma cisão no grupo por motivos não especificados e formou-se a nova escola de Pedrouços, o Grupo de Tae-Kwon-Do de Pedrouços Norte, situado no extremo este da freguesia. O Tae-Kwon-Do de Pedrouços era uma referência nacional, apenas superado pelo do Sporting, do Amora, de uns gajos de Faro, de Coimbra, do Porto (quatro ou cinco), de Esmoriz, de Vila Chã, de Valença do Minho, de Ponte da Barca, de Freixo de Espada à Cinta e só mais uns vinte ou vinte e dois clubes das maiores vilas dos concelhos menos populosos do país.
Depois, com os jogos olímpicos de Seul, aquilo banalizou-se. Perdeu a piada. Quer dizer, houve quem continuasse, mas já toda a gente estava um bocado farta da coisa: a Deolinda engordara, a mulher do Senhor Martins suicidara-se e a Luísa engravidara do Berto (que já era cinto verde na altura, destruindo-lhe a carreira desportiva).
Contei esta história porque o Tae-Kwon-Do mundial continuou, apesar do declínio da potência do Tae-Kwon-Do de Pedrouços. O mundo seguiu sem nós, ou nós sem ele, o que vai dar ao mesmo para o caso. Podia dizer que me arrependo, mas não o vou fazer: foi uma experiência positiva, aprender a partir o nariz, principalmente o meu, e, para todos os efeitos, era só Tae-Kwon-Do, não era um partido político.
será isto tão difícil de compreender?

Uma empresa é uma conjugação de recursos humanos e materiais, com o objectivo de prestar serviços a clientes (mercado) e, com isso, obter um resultado financeiro que cubra os custos correntes, permita o eventual crescimento do negócio e remunere o capital e o esforço investidos (lucro).
Quando uma empresa apresenta resultados negativos anuais sucessivos, isso pode significar duas coisas que, em última análise, redundam numa só, que é a última das duas: que a empresa produz bens e serviços de que o mercado não necessita; que a empresa é mal gerida, isto é, que a afectação dos seus recursos não cumpre os desígnios necessários aos seus pretendidos fins.
Vindo isto a propósito desta notícia sobre a CP, várias coisas se tornam necessárias ponderar.
Primeiro, a decisão dos actuais governantes em reverterem o processo de privatização em curso lançado pelo governo anterior. Na altura, a coisa foi posta como sendo a defesa dos interesses nacionais e da população, que a privatização – visando o maldito lucro – poria em causa. Analisada a decisão pelos seus resultados, a CP encontra-se à beira de uma iminente e ruinosa falência, a que a decisão conduziu.
Segundo, que os serviços que a CP presta ao país são necessários e têm clientes. Bastará ver, por exemplo, a permanente indisponibilidade de lugares nos Alfa, por sinal os comboios mais caros da companhia, para se tirarem conclusões. E estas só podem ser que, como a empresa tem clientes e presta um serviço fundamental ao mercado, ainda por cima em regime de monopólio, a sua situação financeira só pode ser explicada por má gestão da empresa.
Terceiro, que a empresa já estava em situação financeira muito grave quando os anteriores governantes a quiseram privatizar. Aliás, foi por isso mesmo que o tentaram fazer: para desonerarem o estado de mais responsabilidades no pagamento das dívidas sucessivamente acumuladas por uma gestão incompetente e irresponsável, entregue frequentemente a boys and girls dos partidos do regime.
Quarto, sobre o futuro da companhia: como não foi privatizada mas a sua actividade não poderá cessar, por mais falida que esteja, os aportes de capital necessários a que continue a trabalhar serão cobertos pelo estado. E, como quem diz estado diz contribuintes, será mais uma conta – e uma conta muito pesada – a cobrir pelos nossos impostos, com o sacrifício de (quase) todos.
Quinto, como o estado entrará com o dinheiro estritamente necessário à satisfação das necessidades mais urgentes da empresa, ele servirá apenas para pagar aos credores imediatamente indispensáveis à continuidade da sua actividade, pelo que não sobrará qualquer dinheiro para investimentos. Ou seja, as condições de funcionamento da CP vão continuar a degradar-se e os clientes serão cada vez pior servidos.
Sexto, e último, qual seria a diferença, para os consumidores, da privatização da CP? Porventura os carris desapareceriam? Os comboios deixariam de circular? Claro que não: a empresa seria vocacionada para ter lucro, isto é, para ter mais clientes e servi-los melhor, porque, de outro modo, passariam a fazer os seus trajecto de outro modo – carro, camionete, etc., e a empresa continuaria a acumular prejuízos. Com a vantagem de que seriam os novos donos da companhia a assumirem os custos do passivo e os de investirem num negócio que, sem prosperar, estaria condenado ao fecho e à perda do capital investido. O que, obviamente, nenhum investidor deseja.
Em conclusão: empresas + privatização + lucro = serviço público e satisfação dos clientes; e empresas + estado + gestão partidária ruinosa = prejuízo + mau serviço + aumento de impostos. Tudo o resto é preconceito ideológico. Será isto tão difícil de compreender?
E se investigar com pseudónimo pode ser?
O biólogo espanhol Francisco José Ayala professor no centro de investigação California Irvine foi acusado de assédio sexual. As decisões do reitor da UCI é um documento aterrador: su nombre será eliminado de la Escuela de Ciencias Biológicas y de la Biblioteca de Ciencias, así como de las becas de posgrado, los programas académicos y las cátedras de investidura. Además el biólogo presentará su dimisión con fecha 1 de julio y “se abstendrá de futuras actividades universitarias“.
A catástrofe das 35 horas no SNS
Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…
Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança – ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um “assassinato” previsível ao SNS.
A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?
Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika, já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que mandou prosseguir com as obras no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.
Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para ver. Ok. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!
Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!
Acampamento da Liberdade 2018 – Programa anotado

Bem-vindos à primeira sessão do acampamento em que discutiremos a saída do euro. Por falar em saída de euros, já pagaram os vossos 40 pelo acampamento?

Depois do almoço iremos falar em democratizar os debates. Primeiro passo: abdicarmos dos apelidos. O Pedro, o Pedro e o Pedro podem falar primeiro.
O convidado para o debate sobre trabalho sexual está por confirmar. Ainda estamos a negociar o preço.
Depois do jantar teremos filmes de uma dimensão cultural profunda sobre temáticas políticas contemporâne… naahhh…estava a brincar… vamos pôr umas merdas só para ter barulho de fundo enquanto fumamos umas ganzas antes da festa.
Desconstrução da masculinidade tóxica. Há voluntários?
3 bebidas grátis para as mulheres (para compensar o wage gap).
Hehehe, pusemos a Catarina Martins a falar a um sábado de manhã depois da festa feminista. Se sentirem uma dor de cabeça não é da voz dela.
Propriedade é roubo! Ouviste PCP?
Vamos começar o debate sobre desobediência civil. Façam o favor de se sentar e calar para ouvirmos os líderes da sessão.
Acabamos na segunda-feira com uma mega limpeza. Aqueles que, por ainda viverem com as mães, não souberem o que isto significa, estão dispensados. Os restantes 10% podem trazer a respectiva empregada doméstica se assim o desejarem.
No meu corpo mando eu… mas só às vezes
Escolher como e quando alguém do SNS porá fim à nossa vida tornou-se a maior liberdade já escolher que se quer fazer uma “terapia de reorientação sexual” deve ser criminalizado. Não está em causa o que se pensa ou deixa de pensar sobre estas “terapias de reorientação sexual” ou sobre a eutanásia mas tão só como vivemos no totalitarismo do absurdo
8 / 3 / 15 / 326.000.000.000

Quando vi o professor Mário Nogueira, líder da FENPROF, ostentando um alfinete de peito com os dizeres “9 anos, 4 meses e 2 dias”, o tempo de serviço que os sindicatos desejam ver repescado para efeitos de progressão na carreira, achei piada à estratégia. (Começo por esclarecer que uso o termo “alfinete de peito” por ser o único que conheço que não tem a letra R na segunda posição. Se optasse por “pregadeira” ou “crachá”, podia despertar no leitor a expectativa de um trocadilho ao jeito do imortal “Bosch é brom” do Alexandre O’Neill, expectativa essa que, dadas as minhas competências, seria impossível de satisfazer). A frase é impactante, e faz lembrar o filme romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, uma fita tão real, crua e bem feita que gostaria imenso de nunca a ter visto. A grande diferença é que o alfinete de peito de Mário Nogueira representa aquilo que muitos julgam que aconteceria se o comunismo triunfasse no nosso país, enquanto a obra cinematográfica romena representa aquilo que de facto acontece a um país quando o comunismo triunfa. Como reza o adágio, a estrada para o inferno é quase sempre pavimentada com as melhores intenções.

Não sei como é que o governo vai resolver esta negociação com os sindicatos dos professores. Se o primeiro-ministro ainda fosse Pedro Passos Coelho, sugeria-lhe que comparecesse nas reuniões usando uma peça redonda igual à da FENPROF com a inscrição “8 anos, 1 mês e 20 dias”, o tempo durante o qual, entre 2010 e 2018, a troika assentou arraiais na Grécia. Como é António Costa, que elogiava a “resistência” grega e criticava a “submissão” passista, não tenho sugestões de adereços. Numa altura em que o próprio Tsipras se rende à burguesa gravata, é muito difícil conseguir surpreender alguém com ornamentos.

O caso do líder grego é, pois, extraordinário. Depois de 5 anos a servir-se da troika para conseguir, através da demagogia, chegar ao poder e de 3 anos a servir a troika para conseguir, através dos empréstimos, exercê-lo, aprendeu a dar um nó de gravata! O meu pai ensinou-me essa habilidade em 10 minutos e de graça; Alexis Tsipras precisou de 8 anos, 3 resgates financeiros, 15 pacotes de austeridade e 326 mil milhões de euros de empréstimos.
Um dia ouvi dizer que os homens se dividem em dois grupos: os que desfazem o nó da gravata antes de a guardarem no armário, e os que a arrumam com o nó feito para evitar o risco de não conseguirem repetir a manobra. Dado o preço das aulas e para bem da carteira dos gregos, esperemos que Tsipras faça parte dos segundos.
O Porto é gay!
Mais uma enorme marcha em nome da liberdade e do progresso social. Uma grande festa ontem no Porto.
O CDS sabe fazer contas?

Numa acção de rua (provavelmente merecedora de maior cobertura jornalística) com o objectivo de alertar para o peso colossal dos impostos sobre os combustíveis, as contas do CDS são de que em 50€ pagos, 26,20€ são impostos e, portanto, o valor do gasóleo é de 23,80€ (23,80+26,20 = 50).
Assunção Cristas diz que “mais de metade da fatura que se paga é de impostos” e que os portugueses “não têm ideia da proporção” (de imposto). Pois eu digo: nem o CDS!
Se o valor monetário do gasóleo é de 23,80€ e o imposto que se paga é de 26,20€, então a taxa de imposto é de 110%. (26,20 / 23,80 = 1,10).
Se é para fazer contas a sério e lutar contra o saque fiscal, o número a ter em conta é 110%. Repito: 110%.
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Para mim, vinda de um país onde praticamente não se conheciam grupos de defesa dos direitos dos homossexuais – o primeiro a surgir foi no contexto do PSR (partido que mais tarde, em 1999, se fundiria no BE) com o nome Grupo de Trabalho Homossexual, em 1991 – e, sobretudo, os poucos que existiam não tinham eco mediático, a reportagem foi uma espécie de workshop sobre questões que nunca me tinha colocado, apesar do meu interesse pelo assunto. E a primeira vez que me confrontei com os dilemas profundos da noção de coming out e, antes disso, da de “identidade homossexual”.
Afirmar a “diferença” para chegar à indiferença que advém da igualdade plena: o paradoxo continua a fazer curto-circuitos em muitas cabeças (link)
É hora de polir a arma
jericonça
Dizem as más línguas – coisa a que, por aqui, se não dá qualquer importância – que o animal político que nos governou nos últimos quatro anos se prepara para mudar de classe no reino animal, em virtude do expectável cruzamento do PS com o PSD e do consequente abandono dos parceiros do ainda trio poliamoroso PS-PCP-Bloco, de «Geringonça» para «Jericonça». Adivinhem, lá agora, quem são os jericos e quem é o amigo da onça.












