Cuspir para o ar, como explicou o Newton
Parece que a Iniciativa Liberal considera inaceitável que a eutanásia continue por legalizar. Parabéns: o que faz mesmo falta é malta disposta a matar outros com bênção do estado. Realmente, é um método eficaz de redução de despesa, mas não contem comigo para penas de morte. Dado que existem poucas certezas na vida de pessoas inteligentes além da morte, uma sociedade sã deve é canalizar investimento que proporcione a doentes terminais e velhos um fim digno, em conforto, sem sofrimento físico. Chamam-se cuidados paliativos e não há um cêntimo nesta área que possa ser considerado desperdício. Para se optar pela solução fácil, barata, animalesca, a de extermínio sancionado pela religião da “ética republicana”, já há Isabéis Moreiras que cheguem.
o programa da iniciativa liberal

Li o Programa Político da Iniciativa Liberal, divulgado nos últimos dias pela comunicação social. Desconsiderando a minha opinião pessoal, que para o caso interessa pouco, já que não me entusiasmo com esse nem com qualquer outro partido, sempre direi que o documento está muito mais escorreito e correcto do que alguns outros com que, de forma muito descuidada, o partido se tinha apresentado anteriormente, e que aqui oportunamente critiquei. Valeram a pena as críticas.
De todo o modo, um programa partidário é sempre um plano de acção e, por isso, de intervenção social. Se essa intervenção for para diminuir o peso do estado na sociedade e nas vidas das pessoas, tanto melhor. Do que li, pareceu-me ser esse o objectivo, desta vez, convenhamos, com fundamentação razoável.
Não tendo a intenção de proceder a uma análise exegética, salientarei que me parece subsistir alguma confusão entre o que são o indivíduo e o cidadão, caindo o Programa, nesta matéria, no que julgo ser um erro recorrente de identificar os conceitos, sobrepondo o segundo ao primeiro. Ora, sendo um cidadão um indivíduo vinculado a um estado, um programa liberal deverá, a meu ver, distingui-los bem e privilegiar o primeiro sobre o segundo, reconhecendo-lhe, inclusivamente, a faculdade dele não se interessar pela ordem política e dela se desvincular, se assim o entender. Por outro lado, pareceu-me importante realçar a evidente inutilidade de uma «justiça» que se não realize em tempo razoável, princípio que, aliás, se encontra incluso na nossa Constituição, embora cada vez mais distante da realidade. A este propósito, pareceu-me de lamentar a inexistência de referência à abusiva criminalização tributária – imposta de há cerca de vinte anos para cá, por emergência do tesouro público, ditada pela péssima gestão do mesmo – onde há muito para fazer, o que permitiria um considerável alívio dos tribunais administrativos e fiscais, e, obviamente, dos juízos criminais. Hoje em dia, um sentenciado por crimes tributários arrisca penas tão ou mais pesadas do que um homicida. Isso é uma absoluta perversão de tudo o que se possa entender sobre os princípios mais elementares do humanismo jurídico e da tutela dos direitos individuais fundamentais, e um partido liberal deveria denunciá-lo. Por fim, em matéria de educação, pareceram-me muito reduzidas as palavras sobre o ensino superior, sendo que, as poucas que lá li, parecem-me estar nitidamente a pensar no ensino público. Nada é dito sobre o ensino superior privado, a sua perda total de autonomia e estatização efectiva dos últimos anos, ou a abusiva utilização das agências regulatórias para fins claramente estatais.
Ponderado o Programa, sobretudo comparando-o com os documentos, muito ligeiros, anteriormente apresentados, há ganhos inegáveis, e não me importaria nada de ver a maior parte das propostas que ele contém levadas à prática. Mas essa é uma outra dimensão do problema, na qual, por cepticismo endémico e algum conhecimento da nossa história e mentalidade, não acredito que seja exequível. Por outro lado, palavras leva-as o vento, pelo que os homens da Iniciativa Liberal têm de continuar a fazer prova que não são apenas um grupo de indivíduos interessados em conquistar algumas migalhas de poder, mas que efectivamente poderão ser úteis àqueles que vierem a dar-lhes o voto. Nessa medida, seria da maior importância que assumissem alguns compromissos políticos concretos para futuro, por exemplo, sobre possíveis alianças ou apoios parlamentares, caso venham a eleger algum ou alguns deputados. Mas isso pode ainda esperar algum tempo. A ver vamos.
Estão a falar a sério?
Durante anos senti primeiro a indignação: como é possível referir-se assim José Sócrates? Onde estão as provas? Falas assim porque queres fazer mal ao PS. Mandaram recados, gritaram-me ao telefone e mensageiros mais cordatos explicaram-se que eu estava a ser uma idiota útil. Depois entrámos na fase do silêncio. Se por acaso referia Sócrates a resposta era o silêncio. Nada. Era como se estivesse a falar de um daqueles problemas matemáticos sem solução. Agora eis que despertam indignados com Sócrates. Dizem que este os enganou. Os indignados com Sócrates são a nova versão daqueles intelectuais que durante anos tiraram as vantagens da sua proximidade aos comunistas: boa imprensa, traduções, viagens e sobretudo sossego. Quandoa a coisa implodiu disseram que o partido os enganara.
7 de Maio de 2018
José Sócrates tomou a decisão de criar um movimento político.
Ninguém me disse, ninguém me contou. Mas neste momento tenho a certeza que a direcção do PS conta com uma forte condenação em tribunal pois só assim se impedirá que Sócrates regresse à política.
literatura para os dias que correm
La Tomatina

O âmbito de aplicação da “lei do ketchup” está cada vez mais alargado, tendo chegado esta semana à Assembleia da República. Recordemos a experiência: com um prato de batatas fritas à frente, pegamos no frasco do molho, viramo-lo ao contrário e começamos a dar-lhe palmadas no fundo; ao fim de meia dúzia de tapinhas (obrigado, Brasil!) nem uma gota caiu no prato, à sétima ou oitava temos as batatas afogadas em ketchup e o petisco irremediavelmente comprometido.
Tudo começou com o PSD. Depois de meses de sonolência e despertado pela imprensa, exigiu ouvir as explicações do ex-ministro Manuel Pinho no Parlamento sobre as relações com o BES e a EDP entre 2005 e 2009. Logo de seguida, com a mão bem aberta, o Bloco de Esquerda pede a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as rendas no sector energético, alargando a investigação ao intervalo de tempo 2004-2018 e a todos os governos desde Durão Barroso. Entusiasmado com o processo, eis que surge o PCP, propondo que a comissão não se fique pelo ramo da energia e que o inquérito abranja também as privatizações, as concessões, as parcerias público-privadas, as falhas das entidades reguladoras, as relações do Estado com as empresas de transportes, comunicações, banca e seguros, os benefícios concedidos a grandes grupos económicos e os eventuais actos de corrupção de responsáveis administrativos ou titulares de cargos políticos com influência ou poder na definição desses benefícios. O período que será sujeito a análise não é claramente delimitado, mas supõe-se que comece a 19 de Setembro de 1975, dia em que Vasco Gonçalves deixou de ser primeiro-ministro. Entretanto, notícias não confirmadas informam que Oliver Stone já requereu aos serviços da Assembleia que o assassinato de John F. Kennedy seja incluído nos trabalhos de averiguação, e o meu vizinho Berto, filho de pai incógnito, gostaria que os deputados aproveitassem para se debruçar sobre esse angustiante mistério.
O ketchup está já por todo o lado, sujando tudo à sua passagem, da gravata de António Costa às saias da Maria Cachucha. No meio da confusão, quem sabe, até pode haver uma ou outra batata frita que escape, como aqueles curiosos que vão à Tomatina em Espanha mas ficam a assistir a tudo atrás de uma janela, protegidos da grande pândega.
Manuel Pinho, conforme podemos ver na nossa factura de electricidade, é um dos maiores peritos mundiais em energia renovável. Não será de admirar que, com a ajuda do BE e do PCP, tenha competências para conseguir renovar também a sua.
Jorge, o sofredor
Tive um amigo na faculdade que teve uma namorada rica. Enquanto os outros três do grupo (no qual me incluía) juntavam moedas na perspectiva de conseguirem quinhentos escudos que nos permitissem pedir o velho Peugeot emprestado ao pai de um deles, o outro passeava com a namorada no seu Mercedes de depósito cheio. Constava que o pai dela tinha uma empresa de não-sei-bem-o-quê que tinha muito sucesso. Mais um ou outro depósito de combustível eram trocos para aquela gente que vivia numa quinta de três hectares com vista sobre o Douro entre Gondomar e Paredes.
O Zé chegou um dia com um novíssimo Macintosh PowerBook 170, prenda da moça por celebrarem três meses de namoro. Aos quatro meses, convidaram o grupo tudo para um jantar informal, a primeira vez que provei ostras na minha vida. Recordo a sabedoria com que nos explicou que ostras a sério é na baía de Arcachon, sempre acompanhadas de um Bordéus de 1961. Recordo especialmente a data pela advertência: nunca cair no erro de aceitar um Bordéus de 1960, uma zurrapa intragável. E logo eu, que achava que os píncaros da sofisticação eram atingidos com uma Super Bock fresquinha e tremoços da mesma água em que a Dona Elvira lavava os dentes postiços (a Dona Elvira tinha uma mercearia vintage: infelizmente, o comércio tradicional está em franco declínio, não tendo sobrevivido à abertura de um Minipreço a 3 km).
Um dia perguntei ao Jorge o que pensava a sua namorada dos seus pais, que, reformados por invalidez, viviam com o filho numa ilha com retrete partilhada. Desviou o assunto para as férias de Verão que iria ter com a Carlota Josefina num resort exclusivo da Polinésia Francesa. Dois dias antes de partirem, o pai da Carlota Josefina foi preso.
Quando regressaram, compraram um duplex no Algarve e ficaram uns tempos por Vilamoura, para espairecer da desgraça. De regresso ao Porto, tive oportunidade de me sentar no banco do Testarossa do Jorge, que agora vestia Armani sobre T-shirt com mocassins à lá Miami Vice. Contou-me que num concerto da banda de covers naquele bar de Valbom tinha destruído uma Gibson Les Paul de 1959 só pelo gozo no fim de Don’t Stop Believing, apesar de os filisteus acharam tratar-se de uma guitarra barata, o que o deixou fulo ao ponto de arrancar as válvulas do JTM45 à dentada.
A casa do Jorge e da Carlota Josefina era espectacular. Com uma entrada em mármore Carrara transportada em carroças por líbios desde Lunigiana, motivaria pelo menos trezentas páginas queirosianas numa introdução aos Maias revisto. O requinte das criadas, envergando avental de seda, stilettos e mais nada, fez-me sentir inveja pelo aconchego financeiro que o princípio constitucional da igualdade garante.
Com a penhora, começaram as dificuldades. Aparentemente, o pai da Carlota Josefina tinha desfalcado sete câmaras municipais e tipos menos escrupulosos em algumas centenas de milhões de euros e o bordel onde estagiavam as criadas do Jorge não gerava receita suficiente para as despesas de manter a Interpol calada sobre a proveniência geográfica das serviçais. A cocaína estava cada vez mais cara e o Ferrari consumia gasolina a mais para se acautelarem as contas dos restantes bens de primeira necessidade do casal, como o mordomo do mastim.
Quando a Carlota Joaquina deixou o Jorge por uma albanesa ex-funcionária da casa de alterne, o Jorge disse que nunca desconfiou que o dinheiro pudesse ter sido obtido de forma ilícita. Garantiu que foi enganado pela Carlota, que não seria por o pai ter sido preso que teria motivos para desconfiar de qualquer ilicitude ou motivos para lhe partirem as pernas na prisão.
Para ler o resto da história, siga este link.
Proxenetismo

A historieta da vergonha continua intrépida e notória.
Um dos seus capítulos tratará de anestesiar a opinião pública com a surpresa da liturgia não de actos de contrição dos mais grotescos e indecorosos personagens em torno da órbita de Sócrates, mas sim do seu assombro e consternação por se sentirem vítimas de estupro.
O caudilho, como é próprio dos salafrários, resguarda-se e limpa-se do seu passado alapado ao antigo primeiro-ministro através de interpostas pessoas.
A narrativa ganhará contornos de drama e tragédia quando a nação, ávida por contos de fadas que não importunem e disponham bem, tiver interiorizado a ideia de que “mais vale tarde do que nunca!” e de que o arrependimento, embora sendo tardio, merece pelo menos o benefício da dúvida sobre a sua sinceridade.
Estaremos prontos para outro.
*
«#metoo josé sócrates»
Está na hora de criar o movimento «#MeToo José Sócrates», para reunir as incontáveis vítimas do ex-«menino de ouro do PS», que se está a tornar, de há duas semanas para cá, num verdadeiro Harvey Weinstein português: Adão e Silva, Carlos César, João Galamba, Santos Silva, António Costa e, agora, até a Mariana de todas as nossas causas fracturantes, a sua ex-namorada Fernanda Câncio, todos foram vítimas do homem que mandou no PS e no país por sete anos consecutivos. Mas todas estas estrepitosas personagens têm, também, um outro elo em comum: em algum momento das suas vidas beneficiaram, e muito, do poder de José Sócrates, sem que isso as tenha minimamente incomodado quando o ex-primeiro-ministro tinha alguma coisa para lhes dar.
Tendo passado de viúvas de Sócrates a vítimas de Sócrates, talvez o exercício de repúdio do «menino de ouro» que mais incomoda seja este de Fernanda Câncio, que frequentemente parece confundir os seus papéis de ex-companheira, de ex-beneficiária da vida flauteada que teve com Sócrates, de (ex-) jornalista, de testemunha do processo e, agora, de vítima das inefáveis mentiras do antigo namorado. É que ele há coisas, por mais que se queira demonstrar que se foi enganada e se tente fugir a eventuais responsabilidades (o ponto central do artigo, para Câncio, é este: «mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse»), que, por pudor, não se devem fazer. E uma delas é não bater publicamente em mortos. Sobretudo, se nos deitámos com eles quando estavam vivos.
De resto, o que é que ignorava Câncio ao tempo dos factos de que acusa o ex-namorado, que tenha descoberto só agora? Que Sócrates «tratava como insulto qualquer pergunta ou dúvida sobre a proveniência dos fundos que lhe permitiam viver desafogadamente»? Mas não foi isso que ele fazia quando o inquiriam sobre o caso Freeport? Ou sobre a licenciatura ao domingo e a prova de Inglês Técnico? Ou com o processo da Cova da Beira? Onde estava, na altura, a indignada Fernanda Câncio? A passar férias com ele e com Carlos Santos Silva, provavelmente. Ou que, apesar de ter recusado receber pelos seus programas na RTP e rejeitado a subvenção vitalícia de deputado, fazia uma vida de luxos, que a própria Câncio estimulou, ao indicar-lhe apartamentos milionários para que ele pagasse com o seu salário da Octapharma e com a «fortuna» da senhora sua putativa sogra?
A ingenuidade da combativa jornalista Câncio está ao nível das pretendentes a actrizes de Hollywood, que ficavam muito admiradas com o teor das entrevistas de «trabalho» que Weinstein agendava para as suites de hotel? Parece que sim. Pobre moça.
O homem que confundiu a mulher com o chapéu e a mulher que confundiu as mamas com o cérebro
No seu livro O homem que confundiu a mulher com um chapéu, o neurologista britânico Oliver Sacks descreve, na primeira história e que dá título ao livro, a agnose interna de um homem. O homem, professor de música capaz de interpretar magistralmente Dichterliebe de Schumann e de reconhecer com facilidade dodecágnos e icosaedros, não distinguia o pé do sapato, a cabeça da mulher do chapéu e a utilidade possível para uma simples luva. Perante a inquisição do médico sobre o que poderia ser o tal objecto, após examinar a luva, concluiu tratar-se “de uma superfície contínua dobrada sobre si mesma, com cinco extremidades — uma espécie de contentor”. Contentor para quê? “Para o que lá se quiser pôr. Há muitas possibilidades: pode ser um porta-moedas para moedas de cinco formatos diferentes”.
O Partido Socialista é uma superfície contínua dobrada sobre si mesma. Sócrates, uma das comuns luvas socialistas, ora serviu de aconchego para calçar no frio do Inverno, ora serviu para gerir a colocação em off-shore de moedinhas de valor diferente, ora serve, agora que chega o Verão, como rolo de papel absorvente de dupla face, bem dobradinho, para limpar fugazmente a trampa evacuada ao longo dos anos. Dir-me-ão que “os partidos são todos iguais”, o que pode ser verdade até um certo ponto, mas ninguém bate, neste país, em partes iguais de audácia e falta de vergonha, o partido do Largo do Rato. Da senhora tão perspicaz que ia ver casas que nenhum deputado ou primeiro-ministro sério poderiam comprar ao rol de swingers que agora se fingem de cornudos despeitados, desafio qualquer um a encontrar um pingo de moralidade nos inumanos drones de assalto ao poder que torturam os portugueses sérios com má pantomina em telejornais.
Tal como o músico do livro do dr. Sacks, os portugueses continuam a confundir o pé com o sapato e a cabeça da mulher com o chapéu ao encontrarem algum elemento redentor no redil de patifes que se associam ao partido. E tal como o músico do livro, também os portugueses não têm cura.
Descubra as diferenças
Eles estão chocados
cataláxia
Estive, hoje, na apresentação da edição comemorativa do 25º aniversário do notável livro Cataláxia, da autoria do meu querido amigo Pedro Arroja, que reúne crónicas que ele foi publicando nessa época, quando era um liberal convicto.
Esse livro influenciou-me na altura, apesar de eu ser já, por esses tempos, um firme liberal, graças à leitura da edição francesa, da PUF, do Law, Legislation an Liberty, de Hayek, que considero ser a obra que melhor expõe a teoria social ordinalista, não racionalista, que, em minha opinião, deve suportar qualquer abordagem liberal clássica, e por ter travado conhecimento com Orlando Vitorino, que levei, com mais alguns amigos, à defunta Universidade Livre, para o ouvirmos falar sobre uma doutrina que era, então, absolutamente desconhecida em Portugal.
O Cataláxia mantém uma impressionante frescura e actualidade, arriscando-me a dizer que nenhum liberal português o poderá ser sem a sua leitura integral. Por conseguinte, às meninas e aos meninos que por aí andam a fazer partidos liberais proponho-lhes a imediata leitura desta obra, antes de se porem a escrever manifestos, programas políticos ou o que quer que seja que lhes saia das cabecinhas. Eu mesmo irei relê-lo e fiz questão de levar comigo o meu filho Rui, que está com 16 anos, para que ele leia também o livro.
Ora, se o livro se mantém actual, sensato e verdadeiro, o que se passou com o seu autor para praticamente ter enjeitado o que de essencial ali escreveu? Foi apenas o facto de ter abandonado um ateísmo e, principalmente, um anti-clericalismo militante, que marcou alguns dos seus textos de então? Nada disso, até porque o essencial do pensamento liberal é perfeitamente transversal a quaisquer convicções religiosas ou mesmo à ausência de qualquer uma delas. Foi ter passado a acreditar nas virtudes do intervencionismo estatal, contra o primado da iniciativa privada? Também não me parece.
O motivo principal da rejeição arrojiana do liberalismo, que brilhantemente defendeu durante anos, foi outro: a adopção de Portugal como paradigma existencial, recusando, consequentemente, uma doutrina que o Pedro considerava de importação. Na verdade, quando o autor do Cataláxia escreveu os textos que compilou nessa obra, tinha acabado de regressar de uma longa estada de oito anos num país económica e politicamente civilizado – o Canadá – para um país que, sendo o seu, se encontrava num momento horroroso, que ele naturalmente rejeitou. O liberalismo que, nessa altura, o Pedro defendeu foi, por isso, a consequência inevitável de uma comparação. Só que, há medida que o Pedro se foi integrando nesse país que é o seu, ele foi entendendo que, apesar das muitas desgraças que nos atingiam, Portugal é um país extraordinário, onde se pode ser feliz sem pedir muito. A partir daí, o Pedro Arroja procurou uma doutrina de liberdade que fosse eminentemente nacional e virou costas a um pensamento liberal que ele considera, com razão, estrangeirado, como ele mesmo era por essa altura.
O problema é que, por muito que tenha procurado, não encontrou, na História e no pensamento político e filosófico nacional, nada que verdadeiramente mereça muito mais do que simples menções de pé de página de referências a doutrinas e a autores estrangeiros. Existe um pensamento social e político verdadeiramente português? A resposta, para mim que também pairo por essas águas, é claramente negativa. Herculano não foi mais do que um seguidor de Tocqueville na sua crítica ao centralismo francês, e o seu liberalismo admirava o modelo de vida da Inglaterra. Os homens de 1820, por sua vez, seguiram, quase todos sem excepção, a cartilha francesa do racionalismo cartesiano e do Abade de Sieyès. Fernando Pessoa foi um pensador espasmódico, que tanto abraçou o liberalismo saxónico, como o construtivismo republicano e o delírio esotérico sebastianista. No século XX, não se produziu praticamente uma única linha de pensamento político português original. E, naquele em que nos encontramos, as coisas são ainda piores.
O que ficou então, ao fim de vinte e cinco anos? A inexistência de uma filosofia portuguesa que seja merecedora do país notável que somos, apesar da fragilidade social em que continuamos a viver. Desse ponto de vista, no Cataláxia, do Pedro Arroja, continuamos a encontrar, ainda que vindas de fora, um conjunto de ideias que nunca soubemos produzir e que nos podem ser, ainda hoje, de grande utilidade. À falta de melhor, regressemos, então, a elas.
o príncipe do largo do rato
Graças à muito bem montada operação socialista que levou à demissão de José Sócrates do partido de que foi o «menino de oiro», vão já em dois, António José Seguro e o seu antecessor, os ex-secretários-gerais politicamente assassinados por António Costa. Este último a sangue frio, com manha e astúcia, numa altura em que ninguém o esperaria, utilizando, cinicamente, antigos capachos da vítima, como João Galamba, e um factóide colateral, o caso Pinho, como se não tivessem existido mais do que motivos e revelações anteriores que legitimassem as posições e declarações de agora. Só que, neste momento, António Costa sente-se seguro no país e no partido, e sabe que ninguém o atacará por ter feito o que fez a Sócrates. Há um ano ou dois certamente que não teria sido assim, nem Costa se atreveria a mais do que a um lacónico «ele está a lutar pela sua verdade», à porta da cadeia onde o visitou tardiamente devido a «compromissos políticos». Mas hoje, com o livro de cheques do orçamento de estado nas mãos e prebendas inúmeras para oferecer aos seus camaradas, ele sabe muito bem que poderá dançar em cima do cadáver do ex-primeiro-ministro socialista que ninguém lhe irá à mão por causa disso. Costa não tolera que o ensombrem, e fez, faz e fará tudo para conquistar e manter o poder. Nicolau Maquiavel gostaria de o ter conhecido e, quem sabe, ter escrito alguma coisa sobre ele.
A Vergonha Súbita do PS
E de repente, assim do nada, figuras “tristes” do PS que prestavam vassalagem a Sócrates, começam a sentir um enorme desconforto e vergonha pela corrupção no governo do Zé (como Salgado gosta de o tratar). Compreendo. Enquanto nada se sabia e tudo parecia confinado apenas ao Sócrates e seu fiel amigo “generoso”, dava para fingir que – tal como Arons de Carvalho afirmou – era aceitável um 1º ministro viver de empréstimos (ah! ah! ah!). Agora com Pinho apanhado nas escutas com Sócrates (veja aqui) já não dá para esconder. Ou seja, não é a vergonha por roubar que os move, mas sim, por terem sido apanhados.
O partido socialista é quem mais governa desde 1995 e somou inúmeros escândalos que fariam qualquer um, com moral e ética, morrer de vergonha. Mas não, não morreram de vergonha com Guterres: nas célebres “viagens Fantasma”; no negócio dos submarinos com Escom com luvas, em 1998, como denuncia e bem, Cecília Meireles (veja aqui); na polémica da Fundação para a Prevenção Rodoviária que provocou a demissão de António Vara, uma fundação que servia apenas para duplicar o trabalho do Estado para usufruir de dinheiros públicos; a queda da Ponte de Entre-os-Rios que matou 59 pessoas por negligência grosseira do Estado.
Não, não houve vergonha no caso “Cova da Beira” com o “famoso” Sócrates como protagonista, suspeito de receber 150 mil contos em luvas para influenciar resultados do concurso para o aterro sanitário. Onde foram feitos 3 arguidos posteriormente absolvidos (os amigos são para as ocasiões) apesar da prova bancária. Sócrates escapou porque o procurador titular não deixou fazer buscas à sua casa (olha só que simpático!) Curiosamente Carlos Santos Silva esteve ligado ao Processo Cova da Beira pois era sócio de Horácio Luis de Carvalho na empresa Conegil que fazia parte do Consórcio HLC que curiosamente ganhou a adjudicação (ena! é só coincidências!). Curiosamente também este processo foi arquivado com Sócrates ainda como 1º ministro. É preciso ter sorte!
Também não vi ninguém com vergonha do caso Freeport em que um vídeo (veja aqui) provava ter havido luvas pagas a Sócrates (outra vez) através de um primo (mais uma rica coincidência!), para construir em área de reserva natural quando Sócrates era Ministro do Ambiente. A Procuradoria Geral, resolveu pegar no processo que estava nas mãos do Ministério Público do Montijo e transferiu para o Departamento de Cândida Almeida no DCIAP, que em 2010 o encerra intempestivamente num despacho com 27 perguntas a Sócrates que ficaram sem resposta por… falta de tempo. Mas que sorte outra vez! O Processo terminou com 2 acusados absolvidos e Sócrates, nadinha.
Não houve vergonha com o “Face Oculta” em que Sócrates (outra vez!) tenta controlar a TVI como comprovavam as escutas com Vara. Mas o Procurador Geral Pinto Monteiro resolveu enviar as escutas para o Presidente do Supremo Tribunal, Noronha do Nascimento, que não as validou e mandou destruir! Já agora, espreite aqui as escutas e faça você mesmo o seu juízo. O PGR resolveu assim não abrir inquérito e para impedir a consulta dos factos por terceiros, procedeu ao arquivamento administrativo (é só amizade).
Não os vi envergonhados com o Processo Casa Pia onde claramente, nas escutas (veja aqui), Costa, Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues (que entretanto se “cagava para o segredo de justiça”) mexeram cordelinhos para safar o amigo socialista Paulo Pedroso que pelo meio foi retirar rapidinho um sinal de nascença, em zona íntima, que várias crianças tinham identificado (quanto não vale ter amigos na política!).
Também não os vi minimamente envergonhados ou revoltados pela monstruosa bancarrota de 2011, graças à governação da festa socialista socrática onde não faltou grandes “bebedeiras de despesismos” com TGV caríssimo, aeroportos para moscas em Beja, Parque Escolar com candeeiros de Sisa Vieira, PPP’s com Estado a assumir todos os prejuízos de privados, os créditos escandalosos pedidos à CGD, no tempo de Vara (outra vez!) por políticos e empresários do regime sem garantias, entre eles o próprio Sócrates.
Não houve vergonha, muito pelo contrário, já com Costa ao leme: com as viagens pagas pela Galp em conflito com Estado para levar políticos à bola; quando se descobriu as SMS de Centeno que provaram haver favorecimento à nova administração da CGD para não apresentar declaração de rendimentos com a ajuda de um decreto feito à pressa no escurinho da noite; com Carlos César a empregar à descarada a família toda na Função Pública, nem por ter andando a receber despesas de viagens que não fez; quando mais de uma centena de pessoas sucumbiram nos Grandes Fogos de Verão 2017 e centenas de outras ficaram feridas e desalojadas e que continuam grande parte delas à sua triste sorte; pelo material de guerra que desapareceu por um buraco duma rede em plena luz do dia, misteriosamente; por se morrer de legionella, apanhar sarna ou piolho do pombo nos hospitais públicos; por deixar SNS em falência técnica; pelo caso Raríssimas com ex-secretário da saúde apanhado numa relação íntima com a Presidente; por nos carregar escandalosamente com austeridade em período de bonança, governando de forma totalmente oposta ao tão famoso plano macroeconómico que justificou o derrube do Passos pelas esquerdas!!
A dita vergonha súbita do PS não passa de estratégia. Primeiro para limpar a imagem do partido. Depois, provocar a saída aparente e muito conveniente do “calimero” Sócrates – devidamente concertada – para entretanto preparar o caminho, sem levantar suspeitas, para ilibar os ex-ministros socráticos, decretando leis da rolha, movendo os peões do tabuleiro judicial que permitirão a saída airosa desejada deste pantanal. As nódoas continuarão lá mas branqueadas. Pensem: quem no PS quer ver Sócrates verdadeiramente zangado a dizer tudo o que sabe? Ninguém. Por isso, tudo farão para o ajudar. Indirectamente.
Uma escuta aqui, uma escuta ali

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Entre o primeiro post de Balbino Caldeira ( a 22 de fevereiro de 2005) e a primeira vez que o percurso académico de Sócrates conseguiu ser tratado nos grandes jornais passaram dois anos: a 22-3-2007, o PÚBLICO traz um artigo intitulado: Falhas no Dossiê de licenciatura de Sócrates na Universidade Independente
Esta gente consegue ver-se ao espelho?
MAIO 2018: António Arnaut considera que José Sócrates fez bem em sair do PS. Para o histórico socialista, o ex-primeiro-ministro “não tem de se queixar de ninguém”. “Sócrates só se pode queixar de si próprio” O presidente honorário do Partido Socialista considera que José Sócrates “não está em condições de fazer parte dos quadros do partido” e, por isso, tomou a decisão certa ao abandonar o PS. “Por uma questão de salvaguarda da dignidade do partido ele tinha de se afastar”, afirma António Arnaut.
NOVEMBRO DE 2014: O antigo ministro António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde, afirmou-se hoje, em Coimbra, “muito preocupado” com a prisão de José Sócrates e referiu que o desfecho, seja qual for, abala a democracia. “A situação que vivemos, com a prisão de um antigo primeiro-ministro, sobretudo por causa da mediatização e mesmo até de um espetáculo tipo circense, que as autoridades judiciárias deram, preocupa-me muito”, afirmou António Arnaut.
“O nosso José Sócrates”
Isto nunca existiu? Vai-se a ver e o Sócrates era de direita.
Quando acaba a peça “Vergonha de Sócrates”?
O ministério da Cultura patrocina esta peça da “Vergonha de Sócrates”? É que os actores são péssimos. Não têm verosimilhança. Repetem umas coisas mal ensaiadas. Não sabem quando entrar em cena. Alguns ainda vêm com os adereços do número “Todos com Sócrates”… Poucas vezes se viu representar tão mal em Portugal.
Entrada livre

Sexta-feira (04/Maio), às 21h30, com entrada livre, na Rua da Restauração 318, no Porto.
Mais uma Tertúlia promovida pela Oficina da Liberdade.
Destaco em jeito de “aquecimento” para a conversa os seguintes excertos de textos que foram escritos a propósito deste evento:
“Discutir a liberdade que nos falta alcançar não é “cumprir Abril” como era entendido pela 5ª Divisão do MFA. Mas écertamente honrar quem não cabia no Portugal do Estado Novo porque nenhum de nós caberia.” (Michael Seufert)
“Diga-se em abono do 25 de Abril que o “antes” não representava (assumidamente) um projeto de sociedade com valores liberais. Contudo, dá-se o caso de já terem passado 44 anos e 3 bancarrotas, ou seja, o suficiente para percebermos que os avanços indiscutíveis na liberdade de expressão que o 25 de Novembro nos trouxe não são suficientes para dizermos que agora vivemos com mais liberdade.” (Alexandre Mota)
“Muitas vezes centramo-nos na liberdade económica e esquecemos as outras componentes da una e indivisível liberdade. (…) liberdade é tudo aquilo que fazemos por nós próprios sem prejudicar os outros.” (Vitor Cunha)
Os leitores do Blasfémias estão todos convidados para participar nesta Tertúlia.
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GALAMBA MAIO 2018 João Galamba e o caso Sócrates: “Obviamente envergonha qualquer socialista”
GALAMBA NOVEMBRO 2014
E portanto estamos assim
Falem do que quiserem. Atirem-se ao Pinho e de caminho a todos os governos desde que se acendeu uma lâmpada na cidadela de Cascais. Mas sobre o Sócrates façamo-nos de mortos.

A tolerância para com os radicais de esquerda não tem limites. Ontem meteram Paris a ferro e fogo. Como de costume escavacaram lojas e um McDonald’s (eles como são gente endinheirada só comem em restaurantes onde os cereais alternativos e a rúcula custam mais que se fossem produzidos no Dubai)
Hoje as imagens da sua violência quase não se vêem e nos textos de opinião quase ninguém deu por eles. São de esquerda e à esquerda tudo de perdoa.
Quem Precisa de Eutanásia com um País Assim?
Europa. Ano de 2018. O Estado inglês decide sozinho que uma criança de 23 meses deveria morrer por ter doença degenerativa sem cura mesmo admitindo pouco saber ainda sobre essa doença. Alegações? O superior interesse da criança. Sim, leu bem. O Estado, esse Deus omnipotente sabia que Alfie Evans não tinha cura – mesmo sem ter tentado tudo o que a ciência permitia e sabendo que estão sempre a surgir novas curas – e queria morrer. Por isso, decidiu “dar-lhe voz” ordenando que fossem desligadas as máquinas de suporte de vida. Ou seja, matá-lo. Que pensaria Stephen Hawking disto se fosse vivo?
De pouco serviu a ajuda do Vaticano para tratar o menino. De nada adiantou a vontade dos pais em se agarrarem à esperança lutando desesperadamente pela sobrevivência do seu filho amado. O Estado decidiu, estava decidido: nem tratamentos na Inglaterra nem em qualquer outro sítio do Mundo. Ordem para matar. Ponto final. Não fosse Inglaterra o país do 007. Por falar nisso, alguém viu a Rainha por aí? Ah! espera, essa é apenas peça ornamental. Teria sido o mesmo se fosse com o pequeno Príncipe recém-nascido?
No meu texto “Eutanásia dá muito Jeito” explicava o lado perverso das leis que dão poderes ao Estado para matar. Argumentei que era um pau de dois bicos porque se por um lado acudia a situações especiais de sofrimento extremo, por outro abria uma Caixa de Pandora porque esse mesmo Estado não era, muitas vezes, “pessoa de bem”. Não tinha ainda este exemplo tão bom para o demonstrar. Limitei-me aos casos já existentes de países que a usam e se viram confrontados com uma realidade cruel que não previram: pessoas a serem mortas sem ser por vontade delas. Com o caso Alfie não podíamos ter um exemplo mais assustador para demonstrar a perigosidade das leis em que o Estado é rei e senhor do poder sobre a vida.
Estamos numa época em que a vida humana passou a ter menos valor que a dos animais. Em que se criminaliza todo e qualquer acto contra os bichos e se desresponsabiliza o abandono e morte dos humanos. Isto parece surreal. Mas não é por acaso. Tem uma clara intenção política. Está na agenda dos desestruturadores de valores sociais. Os aliados de Soros na Europa. A reversão de valores está mesmo na agenda dos políticos. Está confuso? Vamos reflectir.
Comecemos por cá mesmo. Aqui já não é possível abandonar animais sem ser considerado um crime. No entanto, pode abandonar idosos em Hospitais ou suas casas que nada lhe acontece. A quem convém manter as coisas assim? Ao Estado, claro. Mais idosos à sua sorte, mais desprotegidos ficam, mais depressa morrem. Assim, equilibra a idade da esperança média de vida – que aumentou consideravelmente – com as contas da segurança social.
Mas há mais: por muitos estudos que se façam não há desculpa alguma pelas longas listas de espera do SNS. Não há mesmo! Podem alegar falta de pessoal, podem alegar falta de verbas, podem alegar aumento de fluxo de doentes por isto ou aquilo. Mas a verdade é esta: não há vontade nenhuma de pôr o SNS a funcionar em condições. Porque é o sistema de “eutanásia legal” existente no país para fazer baixar a despesa do Estado e diminuir esperança de vida. Ficou chocado com o que escrevi? Então pense comigo.
Sempre que um banco precisa de dinheiro, mesmo não havendo dinheiro, ele aparece para pagar o buraco. Até hoje já foi enterrado, sem espinhas, 17 mil milhões dos contribuintes. Se não há dinheiro para acudir ao SNS, porque o há SEMPRE quando são bancos e sem limites? A vida humana vale menos que um banco? Vale. Esta é a prova inegável. Mais: faltam cerca de 5000 especialistas médicos no SNS. O Estado suspendeu concurso que provocou ainda mais saídas. Alega o de sempre: falta de dinheiro. Mas Costa fez entrar na função pública, desde que tomou posse, mais de 10 000 funcionários na administração pública. Está a ver? E mais esta reflexão: se o Estado quisesse mesmo dar a melhor saúde aos seus cidadãos, em vez de alegar falta de recursos, celebraria parceria com privados, eliminando todas as carências dos utentes, abrindo um leque de muitos mais serviços com qualidade, extensíveis a todos sem excepção. Resolveria assim três problemas: falta de meios, qualidade de serviços e listas de espera. Não o fazem porque não querem. Porque interessa manter um serviço que não funciona manietando o cidadão pobre a um destino quase certo em caso de doença: morrer mais cedo. Pense, porque pensar ainda não paga imposto.
Com isto, fica claro que interessa manter o SNS como fachada fingindo que o mesmo é extraordinário e que sem ele os pobrezinhos não tinham direito à saúde. O que não dizem é que tudo fizeram, durante décadas, para que esse mesmo sistema, só servisse para curar rapidamente gripes e unhas encravadas, e fosse “desinvestido” subtilmente para que as pessoas, que não têm recursos para se curar no privado, definhem lentamente e assim libertem o Estado de despesas pesadas. Uma “Eutanásia” legalmente aceite e que não levanta suspeita. Porque as pessoas só pelo facto poderem ir ao médico sem pagar já as faz sentir protegidas. Problema é quando a doença é mesmo séria e morrem à espera.
Um Estado que mata a vida e a esperança é um carrasco legal. Legitimizar isso com o nosso voto é ser-mos cúmplices dessa matança. O caso Alfie Evans deve servir para uma profunda reflexão sobre a verdadeira aplicação dessas leis na prática.
Quem precisa de eutanásia num país sem valores humanos? Ninguém.
Julho de 2007: a ameça da China no deserto do Rossio
Sempre à defesa

2011. Evento “Defender Portugal”. Eficiência Energética, Educação para todos, Mais Estado Social; Apoio às empresas; Defender o Euro; Formar e Qualificar; Investimento Público; Criação de Emprego; Incentivar investimento; Modernização Económica; Simplificação Administrativa; Serviço Nacional de Saúde serão os principais temas de debate.
O triunfo das gaivotas
A Falsa “Liberdade” da Esquerda
Confesso que já não tenho paciência para os discursos “bonitos” de homenagem ao 25 Abril como se ele tivesse acabado de acontecer e não soubéssemos ainda o que nos esperava. Foram 44 anos de mentira, de falsa sensação de liberdade só porque agora podemos dizer quase tudo o que pensamos sem ir preso. Por enquanto. E a prova está na abstenção que a seguir à revolução foi quase nula, no ano seguinte passou para 16,5% e a partir de 83, disparou para 44%. A fraude não tardou a manifestar-se. Hoje, temos a terceira maior dívida do Mundo, o segundo maior défice da Europa, o país mais corrupto da média europeia e estamos no ranking com maior carga fiscal. Esta é a “bela liberdade” que ganhamos: o aprisionamento financeiro – por dívida e corrupção – que nos empobrece e impede de ter vida condigna.
O país não mudou com a Revolução dos Cravos. Quando cheguei a Portugal em 78, e até assinarmos contrato de adesão à CEE, em 85, nosso país não tinha dado um passo ainda na mudança que hoje conhecemos. Muito pelo contrário. Nacionalizações mataram a economia e já tínhamos no currículo duas bancarrotas até 1983!!. Se temos vias de comunicação excelentes, melhor habitação, melhor escolas, melhores hospitais, melhor formação, melhor mercado de trabalho entre outros, devemos à tão demonizada UE que ainda não parou de canalizar fundos (grande burra!) para encherem inclusivamente muita conta bancária de oportunistas. Se parecemos um país desenvolvido, hoje, é por mérito dessa Europa e não nosso.
Porque se esse dinheiro nunca cá tivesse chegado, estaríamos mais atrasados em todos os segmentos do que durante o Estado Novo, devido à nossa constante incapacidade de nos governar, gastando mais do que a colecta em impostos, para servir interesses particulares gigantescos, só com uma diferença: já não podíamos contar com os milhões de fundos da UE para nos salvar as contas. Estaríamos a imprimir desenfreadamente moeda para nos manter à tona, fazendo disparar a inflação e desvalorização do escudo, com todas as consequências que daí adviriam, elevando brutalmente o custo de vida e pobreza. Ou seja, seríamos um “paraíso Venezuelano” sem petróleo.
Não somos livres não senhor. Somos escravos modernos prisioneiros a escassos rendimentos, “dopados” por uma propaganda eleitoralista constante, para enganar incautos. Quando vejo as esquerdas encherem a boca com a palavra “Liberdade” a torto e a direito dá-me náuseas. E quando ainda por cima vejo liberais a festejar ao lado destes, fico doente. A “liberdade” que a esquerda festeja é exactamente aquela que os que prezam a VERDADEIRA LIBERDADE, abominam. Como podem dar as mãos se não estão a celebrar o mesmo?
A “liberdade” que a esquerda defende hoje, é igual à que defenderam no passado: um Estado totalitário que concentra em si toda a economia e serviços, inclusivamente os meios de comunicação; que regula e limita todas as liberdades individuais e colectivas. Regimes que conhecemos bem o “seu sucesso” através da Alemanha de Leste, na Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e União Soviética. É aquela “liberdade” que os faz tapar estátuas ou mudar os nomes às praças ou jardins para limpar a História ou atirar ovos em pleno festejo do dia da liberdade aos opositores. É a “liberdade” de dizer explicitamente que só fizeram uma aliança com o “diabo” para impedir a direita de governar (mas que democráticos) demonstrando intolerância por todos os que não partilham a mesma cartilha. É a “liberdade” de quererem controlar as redes sociais que consideram um “perigo à democracia”. É a “liberdade” de Soros, esse multimilionário sádico que quer impor uma nova ordem mundial totalitária – a partir do caos causado pela desconstrução da sociedade – e que eles não se importam de figurar na sua plataforma como aliados dessa nova ordem. Veja aqui na Plataforma de George Soros os portugueses aliados, entre eles Marisa Matias, Liliana Rodrigues, Ana Gomes, João Ferreira. É a “liberdade” jornalística “independente” como o “Só Fumaça” – um jornal marxista – financiada com 80 000€ da Fundação George Soros (outra vez). Que bonito! Estou até “emocionada” com esta “liberdade” ditatorial que apregoam.
Neste dia, e perdoem-me a franqueza, o que esperava ver no Parlamento era um discurso arrebatador, verdadeiramente sentido, com muita revolta, a abanar com toda a estrutura política. Alguém que olhasse nos olhos de todos os deputados presentes e dissesse em nome de todos nós, cidadãos defraudados: “Basta meus caros deputados! Basta!”. Alguém que rasgasse o politicamente correcto e tirasse as unhas de fora apontando sem dó nem piedade, sem diplomacia, um a um, os pecados cometidos em 44 anos pela classe política e que suprimiram a liberdade conquistada, e não o contrário. Porque é disso que se trata: roubo de liberdades aos cidadãos e não ganhos.
Mas isso, sou eu, que sou do povo e nunca tive vida fácil. Que tive de batalhar arduamente cada cêntimo ganho. Que desde os 17 passei por vários governos e sei quanto custa a vida, governado por mentirosos. Que contei tostões. Que tive mais que um emprego em simultâneo para puder chegar ao fim do mês. Que tive muitos fracassos e vitórias à minha conta por isso conheço o terreno como ninguém. Que possuo uma carreira profissional extensa carregada de experiências ricas em aprendizagem feita de escaladas difíceis, sem apoios. Que conheço o SNS e sei que só serve para curar gripes porque se for urgente e não houver umas economias no bolso para ir ao privado, morre-se na lista de espera. Que sei que se as escolas públicas não estupidificam mais que ensinam e não são piores é porque temos profissionais maravilhosos que contrariam as estatísticas e se entregam de forma altruísta.
Porque é preciso nascer, crescer e trabalhar neste país desde cedo, no meio do povo, para saber realmente o que ele é ou não é e do que precisa. Os outros, são parte do sistema, que viveram sempre confortavelmente e que rosnam mas não abocanham com medo de perder o lugar ao sol. Não sentiram a perda de liberdade. Nem sabem sequer do que falo. Por isso vão continuar a festejá-lo como no 1º dia alheios ao roubo da liberdade pelas esquerdas.
Falou com uma pessoa que falou com outra a quem disseram..
Helena Roseta: ainda hoje falei com uma pessoa muito conhecedora do mercado imobiliário que me disse que tem conhecimento de haver ruas inteiras que estão na mão ou de famílias com posses ou de grandes fundos imobiliários e que, pura e simplesmente, não as poem no mercado porque não querem, porque estão à espera que o preço suba. Eu chamo a isso açambarcamento
Talvez amanhã a arquitecta Roseta fale com alguém que lhe diga que ruas inteiras com casas fechadas à espera de irem para o mercado só podem ser propriedade da CML ou da Santa Casa. Ou quiçá está a arquitecta Roseta a pensar naquela rua de Lisboa que do número 8 ao 38 tem como senhorio o Partido Comunista?
Compreendido
Duas semanas depois o que se sabe sobre isto?
De acordo com o CDOS, o alerta dava conta da existência de um alegado engenho explosivo “colocado em cima das garrafas de gás numa das entradas do estabelecimento comercial, o que criou um aparato naquela zona da cidade.
No seguimento do alerta, a área foi isolada e foram adotadas as medidas de segurança que se aplicam em situações desta natureza. Deslocaram-se ao local um total de 20 homens e nove viaturas das forças de segurança, da Polícia Judiciária, dos Bombeiros Voluntários da Guarda e da Proteção Civil Municipal.
A “folga”

“Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo” é um verso famoso de Alexandre O’Neill, parte crucial de um poema em que se conjuga a biografia do país com a autobiografia do autor. Se Portugal fosse um poeta e quisesse imitar O´Neill, o verso decisivo não poderia ser outro que não “Folga: questão que eu tenho comigo mesmo”.
A “folga” é a palavra-fetiche da nação lusa. Se vamos ao mecânico, logo nos descobrem uma folga na direcção; se interrogados sobre prazos de entrega, há certamente uma folga na resposta que sairá da nossa boca; se pretendemos um novo serviço público, é uma questão de segundos até identificarmos uma folga orçamental que o possibilitará. A “folga” é a muleta de todos os pedidos, de todas as desculpas e de todas as opiniões. E é algo que desejamos mesmo quando nos encontramos envolvidos em tarefas agradáveis. Recordemos o Conjunto António Mafra e a música Domingo. O protagonista, radioso, anda perdido entre rabos-de-saia: namora com a Rosalina à segunda-feira, fala à Miquelina na terça, encontra-se com a Manuela na quarta, sai com a Felisbela na quinta, telefona à Ivone na sexta, está com a Olga no sábado. No entanto, apesar de tão animada e prazenteira semana laboral, é com indisfarçável prazer que nos comunica que ao domingo está de folga. Só uma obsessão de grande envergadura pode justificar que o próprio folguedo seja preterido em benefício da folga.
Não espanta por isso que o debate político dos últimos tempos ande concentrado na “folga”. O Governo quer usar a “folga” orçamental para baixar o défice em mais umas décimas, o Bloco de Esquerda exige que a “folga” seja investida nos serviços públicos, Silva Peneda prefere aproveitar a “folga” para baixar a carga fiscal das empresas. Eu, assustado, corro ao oftalmologista para me aumentar a graduação. É que, por mais que me esforce, não vejo folga em lado nenhum: a dívida pública mantém-se assustadoramente alta e o Estado continua a viver em défice, gastando mais do que aquilo que consegue cobrar em impostos. É verdade que essa diferença entre receitas e despesas é menos má do que a previsão inicial, mas o saldo continua a ser negativo. E não estamos a falar de trocos.
Uma vez, no final de um exame que correu mal, disse aos meus pais que ia reprovar com 6 ou 7 valores, mas uns dias depois, surpreendentemente, apareceu na pauta que tinha reprovado com um 8! Estivesse já em vigor a definição contemporânea de “folga” e tinha-lhes pedido um presente que recompensasse o meu desempenho.
Romaria
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte, não sei, nunca vi
No ano passado, depois de Meca, fui ao Muro das Lamentações e ao Monte do Templo. No Verão estive no Vaticano. Este ano, depois de um parcial Caminho de Santiago recompensado com um abraço ao apóstolo, da procissão de Zamora e das mais conhecidas procissões de Sevilha e Málaga, conto ainda participar na peregrinação a Fátima do mês que vem e é seguro que em Dezembro rumarei a Lourdes para os festejos marianos. Não é de estranhar, assim, que tenha dado por mim na Avenida da Liberdade no passado dia 25 de Abril para participar numa das romarias nacionais.
Preparava-me então para participar na procissão, cravo ao peito, olhos no chão por respeito, eis que me aparece um senhor gordinho, tratando-me por “pá”, que me solicitou que lhe mostrasse a autorização para descer a avenida.
— Autorização?
— Sim, pá. Não desfila quem quer, só quem representa os valores, pá, de Abril, pá.
— Valores de Abril?
— Pá.
— Pá?
— Pá.
— Eu creio em Abril, no Cunhal e no Espírito Santo de Esquerda.
— Autorização, pá?
— Sou caipira pirapora, pá — crendo que a referência permitiria ao senhor identificar-me como indivíduo simples, com fé e humildade para participar na procissão.
— Pá, saia daqui, pá. Você não desce a avenida, pá. Você não representa os valores de Abril, pá. Liberdade, pá.
— Então, pá? Venham mais cinco? O povo é quem mais ordena, pá? Eu vi este povo a lutari, pá? Paz, pão, habitação, saúde, educação, pá? Entram guizos, chocas e capotes e mantilhas pretas, pá? Rosalinda, não se pode ver o mar, pá? Afinfa-lhe o Bruce Lee, afinfa-lhe a macrobiótica, pá?
— Fora daqui, pá.
— Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar, pá?
Arrancou-me o cravo, e antes que o senhor ‘pá’ pudesse responder, fui levado em braços por dois associados de quatro associações sindicais de polícias, sendo que um deles conheço por ser presidente de três delas. Foi assim que percebi que as religiões são todas iguais mas umas são mais iguais do que as outras. Dito isto, estou bem e os médicos dizem-me que deverei ter alta já na próxima semana. No Primeiro de Maio lá estamos.
Em modo anomia
As declarações de Arons de Carvalho aos jornal I espelham a anomia enquanto forma de pensar e mostram na perfeição como Sócrates foi possível. Mas vamos ao que diz Arons: “Não acho que seja reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado de outra.” – AFINAL QUEM NUNCA PEDIU DINHEIRO EMPRESTADO? QUE SEJAM DEZ EUROS PARA O TÁXI, MIL PARA UMA EMERGÊNCIA OU MILHÕES PARA TER UMA VIDA DE NABABO É TUDO O MESMO PARA ARONS! E ASSIM ARONS TORNA ACEITÁVEL O INACEITÁVEL: UM PRIMEIRO-MINISTRO A VIVER DE DINHEIRO EMPRESTADO.
“Não é por isso que as coisas estão erradas, mas penso que as pessoas só se deviam pronunciar quando os casos estivessem julgados.” – SEGUNDO PASSO: JUDICIALIZA-SE A MORAL: TUDO É CERTO ATÉ QUE OS TRIBUNAIS DIGAM QUE É CRIME. NÃO HÁ MORAL. APENAS PROCESSOS-CRIME. AO CONTRÁRIO DO QUE DIZ ARONS SE AS PESSOAS E NO CASO CONCRETO SE AS PESSOAS DO PS SE TIVESSEM PRONUNCIADO A TEMPO TODOS TERÍAMOS FICADO A GANHAR. ATÉ O PRÓPRIO SÓCRATES.
“Quer o Manuel Pinho, quer o José Sócrates, não foram ainda condenados. Temos de esperar sem intervir e sem comentar” – “TEMOS” QUEM? AS PESSOAS COMO ARONS? SÓCRATES ESTÁ A BRAÇOS COM A JUSTIÇA E O PAÍS A BRAÇOS COM UM VERGONHOSO PROCESSO JUDICIAL PORQUE O RACIOCÍNIO ARONS TRIUNFOU: TUDO É ACEITÁVEL ATÉ QUE OS TRIBUNAIS O CONDENEM.
Estas declarações do fundador do PS e mandatário nacional da candidatura de António Costa ao terceiro mandato de secretário-geral do PS mostram que Sócrates enquanto processo de utilização e manipulação do aparelho de Estado em proveito próprio é sempre possível. Basta que o dito Sócrates conte com os seus Arons.
Jantar privado

No âmbito desta tertúlia está a ser organizado um jantar privado com os convidados (Zita Seabra, Paulo Tunhas e Michael Seufert ) que antecederá o evento.
Quatro lugares ainda disponíveis para comunidade leitora do Blasfémias.
Se quiser receber convite, enviar email para: tertulialiberal@gmail.com
(mais info aqui.)

