Vamos ser honestos: há vantagens na eutanásia
Já se ouviram muitos argumentos contra a eutanásia, mas admito que, a favor, só ouvi aquela coisa abstracta de que há por aí gente (nas famílias dos outros) que não andam aí a fazer nada (como os da nossa família) e era bom que alguém (que não eu) lhes injectasse qualquer coisa (bem forte!) para não sofrerem, coitadinhos. Admito que sendo um argumento escorreito, na tradição de grandes humanistas como Hitler ou Stalin, é pouco. Há muitos mais e passarei a enumerar várias vantagens óbvias da eutanásia:
- previne a menopausa
- previne o reaparecimento de cancros
- reduz o aquecimento global por efeito de estufa de concentrações de CO2
- no caso juvenil, reduz insucesso escolar
- reduz listas de espera hospitalares
- no caso infantil, evita acne
- permite a redução de fraudes a idosos
- evita atrasos administrativos na declaração ao fisco de herança
- permite o controlo de migrações e distribuição equitativa da população
- reduz filas nos CTT em dia de receber a reforma
- permite uma contribuição salutar para a sustentabilidade da segurança social
- favorece o desaparecimento de locais de culto ultrapassados
- previne dismorfia de género
- previne osteoporose (só na primeira fase de decomposição)
- evita situações de incapacidade por demência
- desocupa casas nos centros históricos devolvendo a cidade ao desejado equilíbrio no mercado de aluguer
- permite a mais rápida transição de terrenos rústicos para urbanos
- os autocarros têm mais lugares disponíveis para se sentar
- é moderno, logo altamente português
- permite um turismo especializado, mais vocacionado para a máxima higiene e conforto no extermínio humano
- permite constatar que Rui Rio é particularmente parvo
- reduz odores desagradáveis de velhos em locais públicos
- permite uma correcta planificação da vida, desde o cheque-bebé ao cheque-eutanásia (slogan possível: faça-o nascer, deixe-o morrer).
- cria valor para lojas de roupa vintage (muito vintage mesmo, genuinamente vintage)
- permite separar os Homens das bestas
Estas são apenas algumas. Decerto que o leitor encontrará muitas mais.
Curioso país este
que ao mesmo tempo considera um avanço civilizacional a eutanásia dos humanos e a luta contra a eutanásia dos gatos e cães
E estamos assim
O PSD sofreu um processo de morte assistida
O BE está com um problema de identidade de género: não sabe se deve manter no boletim de voto BE ou se muda para PS
O PCP tornou-se uma barriga de aluguer a viver um conflito de interesses entre os encomendadores da criança e a barriga-portadora
Heróis são aqueles que se opõem à prepotência
Comprometo-me a não mais votar se o cabeça de lista do meu distrito não constar no rol de deputados que votarem contra a eutanásia. Vários desconhecidos fazem a diferença, nem que por meros segundos.

A falácia da protecção
Por outras palavras senhorios com mais de 65 anos ou mais de 60 por cento de incapacidade ficam privados de rendimentos
Las Casas de Papel

A política ibérica foi dominada esta semana pela “questão da habitação”, um tema tão importante que até Friedrich Engels lhe dedicou um livro*. Com a originalidade do costume, a revolução e a expropriação dos proprietários são apresentadas, nesse texto oitocentista, como as respostas acertadas à “questão”. Felizmente, 150 anos depois, as transacções imobiliárias burguesas já se generalizaram na fase da hipocrisia, o que representa – e não estou a ser irónico – um notável avanço civilizacional. E é por isso que pudemos tomar conhecimento de duas notícias engraçadas: que Pablo Iglesias, crítico feroz e violento da “casta” dos privilegiados, comprou uma casa com piscina de 600 mil euros; e que António Costa, crítico da “especulação imobiliária” que provoca “dramas sociais”, anda entretido a ganhar dinheiro com a compra e venda de imóveis em Lisboa. John Doe, o pregador assassino do filme Seven que afirmava orgulhosamente ser seu desejo conseguir virar cada pecado contra o respectivo pecador, ficaria deliciado com estes ricochetes da demagogia. Talvez uma acção de formação com aborígenes australianos tivesse sido útil para lhes explicar os perigos do efeito boomerang na gestão política do quotidiano. Fica a dica para os responsáveis dos Programas 2020.
Claro que, na análise dos próprios, não há aqui qualquer incongruência. Como dizia Sartre, o inferno são os outros, e a mais-valia imobiliária é o oposto da pimenta: é desagradável em terceiros, mas quando é connosco é refresco.
Ainda no âmbito das comparações cinematográficas, há uma outra possibilidade que podemos considerar. Charlie Chaplin, num daqueles momentos de génio, contou-nos, através de imagens que fazem rir e chorar ao mesmo tempo, a história da comovente “parceria comercial” entre um pobre vagabundo e uma criança que tinha sido abandonada. O petiz, dando mostras da sua pontaria, ia atirando pedras às vidraças, sendo estas de seguida oportunamente substituídas pelo seu pai adoptivo. Tal como ensinam os gurus do marketing, o importante é criar a necessidade. Talvez Iglesias e Costa estejam apenas a imitar a arte de Chaplin, alimentando a “casta” e a “especulação” que depois irão combater. Mas, sendo assim, exige-se no mínimo que coloquem o chapéu de coco e o bigodinho. É que, sem os elementos cómicos, nada resta nos filmes do mestre britânico a não ser tragédia.
* para quem não o conhece, deixo aqui uma dica importante: Engels, nascido em 1820, é o Buzz Aldrin do Comunismo. Hum… também não sabe quem é o Buzz Aldrin? Pois… é mesmo aí que eu queria chegar.
Vamos lá ao que interessa
A Helena Roseta já está a fazer declarações sobre especulação imobiliária na rua do Sol ao Rato? O Bloco de Esquerda já colocou faixas em toda a cidade a dar conta da “negociata”? O PCP já arranjou um advogado para defender o casal que vendeu a casa a António Costa por um valor muito inferior ao de mercado? Os movimentos disto e daquilo já questionaram a actuação da agente imobiliária responsável que claramente favoreceu o comprador em vez do vendedor?… Pois é agora o importante é a eutanásia, essa grande causa nacional.
O Feminismo faz tanta falta como o Machismo
Apesar do salto qualitativo do papel da mulher na sociedade ocidental onde hoje as barreiras que as separavam dos homens caíram, o histerismo feminista nunca foi tão estridente. Pior: a mulher que ouse discordar desta narrativa é imediatamente trucidada com violência verbal à qual juntam uns quantos insultos para a diminuir intelectualmente acusando-a de não defender as mulheres. Porque há uma agenda para cumprir: convencer o Mundo que as mulheres ocidentais (sim porque as outras não lhes interessa para nada) não são livres e continuam a ser oprimidas e que elas, as feministas, fazem falta para as “salvar” desses abusos. Nada mais errado. O feminismo faz tanta falta hoje na nossa sociedade ocidental como o machismo.
É verdade que durante séculos a ignorância dos homens em relação à anatomia e psicologia feminina era quase medieval. Assim como o era em relação por exemplo à própria higiene (quem não sabe que nessa época eram proibidos os banhos por “fazerem mal à saúde”?) Era a ignorância, medo do desconhecido dos homens que impunha limitações às mulheres e que em 1878 fazia com que o British Medical Journal questionasse sobre a possibilidade de uma mulher estragar um presunto ao tocá-lo por estar menstruada ou ainda uma mulher que confessasse desejos sexuais ao seu médico era imediatamente receitado banhos frios, entre outras medidas do género e caso persistisse o problema, o internamento em asilo!! Judith Flanders relatou em “Inside the Victorian Home: A Portrait of Domestic Life in Victorian England”, que um inglês levou sua esposa de meia idade a um oculista, por esta se ter tornado míope onde foi informado que o problema dela tinha origem em seus órgãos sexuais pois seus desejos libidinosos deterioraram os seus olhos e que a única cura possível era a retirada de seu útero.
Foi graças às reformas LIBERAIS que a ignorância foi combatida com a circulação de jornais na Europa que aumentou oito vezes entre 1712 e 1757. Esta “revolução silenciosa” permitiu que em 1771 as publicações britânicas pudessem relatar de forma pública os debates no Parlamento popularizando assim a instrução. Em consequência no norte da França entre 1786 e 1790, 44% das mulheres já sabiam escrever o nome o que indicava um salto na alfabetização nunca antes registado. A Revolução Industrial que se seguiu foi o resultado desta “revolução silenciosa” que criou instrução que se espalhou por todo o velho continente numa sinergia entre produção e educação. Sem as máquinas que popularizaram os manuais de alfabetização e o comércio livre dos livros, jamais esta barreira da ignorância seria derrubada e aberto o caminho para a libertação da mulher como o descreve Stevn Roger Fisher no seu livro “História da Leitura”.
Com a Revolução Industrial, as mulheres tornaram-se a principal força de trabalho nos EUA representando 88% dos operários em 1818. Os homens iam para a agricultura onde se exigia maior força física. Nas fábricas as mulheres ganhavam um pagamento semanal com base numa escala “hora à hora” algo inédito naquele tempo que permitia ganhar o DOBRO do trabalho agrícola. Fala-se dos abusos às mulheres e crianças (trabalho infantil) durante a Revolução Industrial mas branqueando o facto de antes, suas vidas terem sido miseráveis onde as únicas opções para sobreviver à fome, era a prostituição, mendicidade ou serem criadas de servir (algo desprezível na sociedade que as tratava como animais).
A Revolução Industrial trouxe ascensão social e económica sem precedentes para as mulheres. Devido às mudanças sociais ocorridas depois com a chegada de imigrantes aos EUA, as mulheres foram levadas para cargos mais bem pagos e para novos campos de trabalho em ebulição. As oportunidades fora das fábricas aumentou e em 1850 o número de professoras em Massachusetts foi o dobro dos homens! Em 1900 as mulheres estavam presentes em 195 das 300 classificações de emprego enumeradas pelo Censo. Algo absolutamente inédito na época. Nem aqui fez falta quotas.
Foram as medidas liberais da “revolução silenciosa” e a Revolução Industrial que se lhe seguiu que deram LIBERDADE DE ESCOLHA às mulheres que passaram a ter seu próprio sustento sem depender dos homens. Não foi o feminismo que as libertou. Foi o capitalismo. O feminismo da época apenas melhorou suas condições.
Hoje, esta onda feminista de 3ª geração, por tudo e por nada alega discriminação. Não interessa saber que uma mulher naturalmente escolhe áreas profissionais diferentes dos homens. Que naturalmente optam por serem elas a cuidar da família. Que naturalmente têm um conceito de felicidade diferente do homem. Que possuem cérebros diferentes, logo pensam e agem diferente. Não. Interessa convencê-las que são vítimas. Que são coitadinhas que “precisam ser libertadas da opressão masculina” quando os homens de hoje são em tudo diferentes do passado. Apoiam-se nos estudos subjectivos de quem os faz. Pouco se importando com o factor óbvio da natureza humana. E por falar em estudos, já está na hora de trazer alguma seriedade sobre as estatísticas enganadores das diferenças salariais quando as categorias profissionais estão todas tabeladas sem diferenciação de sexos! Se há diferenças é porque teimosamente nesses estudos não se tem em conta factores primordiais nessa avaliação como por exemplo a escolha natural de especialidades menos bem remuneradas ou menos horas trabalhadas para assistência voluntária à família. Nas empresas que geri era impossível fazer diferenciação no salário base devidamente tabelado. Se isso acontecesse, a Inspecção do Trabalho entrava imediatamente em campo com multas pesadas.
No fundo o feminismo de hoje consiste em substituir o machismo dos homens doutros tempos pelo feminismo actual segregador das mulheres com vista ao domínio destas. Não buscam o equilíbrio e igualdade entre as partes. Buscam a primazia.
A verdadeira defesa pelos direitos das mulheres faz-se pela defesa de todas as pessoas pela igualdade de direitos sem discriminação pelo sexo, idade, cor, etnia, raça , sensibilizando e envolvendo toda a comunidade nesta luta. Defender as pessoas é defender todos por igual criando sinergias em vez de fissuras entre grupos. E esta é a verdadeira defesa por direitos iguais.
Pensar Portugal

Fico sempre desconfiado quando se junta um grupo de pessoas para “pensar o país”. Desatam normalmente a descobrir políticas de “interesse nacional” e eu, confesso, já estou farto de me irem ao bolso…
Pus de lado o meu preconceito e admiti que o evento pudesse decorrer em São Mamede de Ribatua para demonstrar a preocupação desta gente pelo Interior, mas calha afinal que se juntaram nessa localidade periférica votada ao ostracismo que é Cascais.
Em luta contra as minhas próprias ideias feitas, reconheci que pelo menos os oradores principais certamente seriam pessoas normalmente sem palco mediático, distantes da oligarquia que nos pastoreia, indivíduos livres e com ideias inovadoras. E não é que eram mesmo?!
Vejam só: Marcelo Rebelo de Sousa; Manuel Caldeira Cabral; António Vitorino; Luís Marques Mendes; Luís Amado; Carlos Carreiras; Jorge Coelho; Guilherme d’ Oliveira Martins; Nunes Liberato; Pedro Reis; Rui Moura Ramos; entre outros. Nem sei como António Costa não se juntou ao acontecimento.
Percebi melhor o que moveu as pessoas a deslocarem-se ao hotel de luxo da Cidadela para assistirem às conferências quando um amigo (mais perspicaz e com maior talento do que o meu) sintetizou da seguinte forma: “é o equivalente a ir à ópera, mas sem a gorda a cantar”.
*
Apologia da barata
Eles vão para Bragança marchar com a mensagem de orgulho por terem relações homossexuais. Não me parece: parece-me uma afronta aos pacatos habitantes da cidade. Porquê? Porque a melhor mensagem de orgulho por terem relações homossexuais é a de irem para casa para manter relações homossexuais. É que ninguém quer saber se são homossexuais. Excepto eles, que não querendo que ninguém queira saber, marcham porque querem que se saiba. Pronto, já sabemos. Agora ide mas é ter relações homossexuais e desamparem a rua.
Um outro género de manifestação?
«Dezenas de jovens exigem frente ao Parlamento que deputados mantenham lei. A lei estabelece o direito à autodeterminação da identidade e expressão de género. Foi vetada pelo Presidente da República» Deixando de lado o aspecto panfletário da título e desta neo língua de pau “do direito à autodeterminação da identidade e expressão de género” vamos à manifestação propriamente dita. Mais exactamente cabe perguntar se foi alguém à manifestação além daqueles que a convocaram?
Vejamos O PÚBLICO ilustrou a notícia sobre a manifestação frente à AR com uma foto de duas pessoas frente ao Palácio de Belém mais um senhor com megafone e a legenda “Na passada semana, um grupo de jovens já tinha protestado à porta do Palácio de Belém“,
Na notícia que trata da manifestação frente à AR são referidos dezenas de manifestantes “quase todos muito jovens”. Seriam duas dezenas? Ou nove dezenas?
O DN que deu ao evento o grandioso título Manifestações em frente ao Parlamento contra vetos de Marcelo até fez uma galeria fotográfica informa-nos que “mães que querem engravidar de um dador anónimo e transexuais que querem mudar de nome sem atestado médico protestaram esta quinta-feira contra os vetos do Presidente e do Tribunal Constitucional” Contadas por excesso as pessoas que aparecem na alegada manidestação não devem chegar às duas dúzias.
Os manifestantes “quase todos muito jovens” referidos pelo PÚBLICO também não se avistam. A não ser que na categoria muito jovem entrem as mãos que seguram o cartaz onde se lê “Só eu sei o meu género” declaração que prova a pouca idade de quem redigiu a frase.
Enfim a manifestação ao certo aconteceu? Ou só lá estiveram aqueles que a convocaram e foram fotografados de forma amiga para não se perceber o falhanço óbvio da alegada manifestação? Os jornalistas estão eles mesmos a criar outro género de manifestação: a manifestação que eles acham que deve acontecer.
ai galamba, galamba
Agora que o Pinho já não é arguido e voltou a ser uma pessoa de bem e não apenas uma pessoa com bens, os tipos do PS que andaram a difamar o Sócrates por causa dele, o Costa, o César, o Ferro e, claro está, o insuperável Galamba, vão ter de lhe pedir desculpas e voltar a aguardar que a justiça cumpra os seus altos desígnios. Quem sabe até implorarem-lhe para regressar ao partido. Ai Galamba, Galamba, a montante e a jusante só te metes em sarilhos.

Embrulha Galamba, que já almoçaste. Quando me pedires emprestado o apartamento de Nova Iorque vais ver onde vais dormir.
o que, de facto, sabemos do sporting
O que é que um espectador distanciado, que toma conhecimento das coisas pela comunicação social, sabe verdadeiramente da crise do Sporting e da responsabilidade que nela tem Bruno de Carvalho?
Sabemos que BdC está em ruptura com o treinador e com alguns dos jogadores da equipa, acusando-os de não justificarem os salários que recebem e as expectativas que o clube neles depositou. Em relação a alguns jogadores, subentende-se que BdC pensa que prejudicaram intencionalmente o clube com desempenhos abaixo do que poderiam fazer.
Sabemos que houve um ataque de cinquenta energúmenos mascarados a alguns jogadores e ao treinador, que a comunicação social insinua ter sido resultado de uma de duas hipóteses: a) de ordem expressa de BdC, com provas que nos garantem já existirem mas não se conhecem; b) do ambiente de agressividade criado por BdC.
Sabemos que BdC e a sua direcção enjeitaram quaisquer responsabilidades nesses acontecimentos, que condenaram, com pouca veemência, primeiro, por parte de BdC, e peremptoriamente, mais tarde, em comunicado formal.
Sabemos que várias personalidades do clube e até alguns pais da pátria, como Ferro Rodrigues, defendem a demissão imediata do presidente e da direcção, a quem não deram a presunção de inocência que deram a outros, como, por exemplo, a José Sócrates, no caso de Ferro Rodrigues.
Para além disto, nada mais sabemos.
Não sabemos, verdadeiramente, quem e como se organizou o ataque aos jogadores e ao treinador.
Se foi BdC estaremos na presença de um bandido, que merece prisão e prisão pesada. Mas se não foi ele, poderemos estar perante uma bem urdida armadilha para o tramar, à qual ele se teria posto bem a jeito, diga-se de passagem.
Mas, alegar que Bruno de Carvalho é responsável moral pelo ambiente que se vive no clube, é uma brincadeira de mau gosto. Porque seria atribuir essa mesma responsabilidade aos 89,55% dos sócios que o mantiveram em funções na assembleia do passado dia 16 de Fevereiro, ao fim de cinco anos de presidência, durante os quais Bruno de Carvalho foi sempre agressivo, boçal e malcriado. Ao que parece, com enorme sucesso até há poucos dias.
Posto isto, é óbvio que o homem já não tem condições para continuar em funções, a não ser que os sócios o reelejam em eleições antecipadas. O que, se ele as convocar, é bem capaz de acontecer.
tive outra ideia
Como a sede do Infarmed tarda, por razões de ordem técnica, em vir para o Porto, não se pode alocar já na Invicta a da Alta-Autoridade Contra a Violência no Desporto, e selar o acordo já na noite de S. João?

alta autoridade
António Costa anunciou a criação de uma autoridade nacional para precaver e combater a violência no desporto. Caso S. Ex.ª não tenha ainda congeminado um nome para tão necessário organismo, deixo-lhe três opções à escolha: Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública ou Polícia Judiciária. Não serve nenhum? Arranja-se já outro: Serviço de Informações de Segurança. Quatro nomes, para precaver ameaças de umas dúzias de arruaceiros, devem ser suficientes.
Alta-ajuda

O desporto entrou numa espiral de violência e António Costa já se encontra a tratar do problema. Não do problema da violência, claro, mas do problema de ainda não ter conseguido arranjar bons empregos para todos os amigos do Partido Socialista. A generalidade dos gurus do pensamento positivo e da auto-ajuda destaca a importância de conseguirmos transformar os acontecimentos negativos em oportunidades, mas nunca ninguém conseguiu aplicar tão bem essa panaceia como o nosso primeiro-ministro. E é por isso que vamos poder contar, a breve prazo, com uma Alta Autoridade contra a Violência.
A ideia parece-me positiva, principalmente por se tratar de uma Alta Autoridade. Toda a gente sabe que os pequenotes têm dificuldades acrescidas quando se trata de pancadaria, pelo que uma Baixa Autoridade contra a Violência seria sempre de evitar. Por outro lado, no que se refere a empregos públicos bem remunerados, é também uma boa aposta. Não é impossível que, a médio prazo, os próprios elementos da Alta Autoridade contra a Violência se envolvam em zaragatas internas, e isso permitirá, desde logo, a criação de uma Alta Autoridade contra a Violência na Alta Autoridade contra a Violência.
Pá, não ponham lá os pés.
Os jogadores do Sporting afirmam, muito compreensivelmente, não ter de momento condições «anímica e psicológicas para de imediato retomarem uma actividade normal». Lá dizem os coitados que estarão no Jamor no Domingo. Infelizmente, o Governo e a FPF a primeira coisa que disseram foi que o jogo se mantinha. É inacreditável tal pressão, que é mesmo nas circunstâncias uma violência sobre os jogadores, pessoas que foram agredidas e ameaçadas. Manter-se o jogo é não apenas uma violência do ponto de vista humano sobre os jogadores, como é uma evidente fraude desportiva. Mas tudo isso junto – violência e fraude – é bem capaz de ser, como dizem os jogadores um «espelho do desporto nacional», neste caso, patrocionado pelo governo e federação.
abdução socialista

O deputado Luís Gonçalves a ser abduzido, na maternidade, pela família socialista.
O senhor deputado Luís Pedro Gonçalves, eleito pelo PS para a Assembleia Municipal do Seixal, acha que está em marcha uma conspiração para trocar os bebés portugueses nas maternidades, dando-se, de resto, a si mesmo como exemplo: «a minha família é trocada», garante. Gonçalves, que gosta muito dos papás mas acha que não tem «qualquer semelhança física com eles», acrescenta até esta informação aterradora: «já me cruzei com pessoas que têm as mesmas características físicas que eu mas que oficialmente não são meus familiares». Perguntado sobre quem andaria a fazer semelhantes patifarias, a resposta de Gonçalves foi linear: «as secretas». Quanto ao porquê, já foi mais titubeante: «Não sei muito bem o interesse, mas que acontece, acontece. O poder político em algum momento deu essa ordem. As secretas obedecem ao poder político». Um caso bicudo.
Não me parece, todavia, que seja esta a melhor explicação para o caso. Vejamos: às «secretas» não lhes aquecerá nem arrefecerá que fulano seja filho de beltrano, de sicrano ou vice-versa. O que ganhariam com isso? Para que lhes serviria andarem a trocar criancinhas nas maternidades? O distúrbio da ordem familiar portuguesa, da cristandade e da sociedade ocidental ou do PS (o partido do senhor deputado)? Talvez. Mas as maternidades portuguesas seriam um pequeno teatro de operações para uma tão grande empreitada, por um lado, e o PS já há muito foi abduzido pelo Bloco e pelo PC. Por aqui não chegaremos lá.
A explicação mais convincente será provavelmente outra: os extraterrestres, senhor deputado, são os extraterrestres que andam, não a trocar bebés lusitanos uns pelos outros, mas a incorporar bebés humanos para, a partir de um pequeno e insignificante ponto geográfico, conquistarem o planeta. Portugal, país a quem pouco se liga, seria o ponto de partida para esta conspiração inter-galáctica, porque, quando se desse por ela, já seria tarde. E um deputado do PS, dos que acham mesmo que o país saiu da crise e pôs fim à austeridade, o sujeito ideal para ser abduzido por um alienígena, isto é, um tipo que vem certamente doutro planeta. Veja lá se, debaixo da pele da testa, não sente umas antenas a crescerem-lhe, senhor deputado Luís Gonçalves.
bipolaridade política
«Sinto-me vexado pela gravidade do que aconteceu», «não me recandidato se o país voltar a arder como no ano passado», «se o orçamento não for aprovado convoco eleições». São palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso Presidente da República, que parece ter passado, com alguma velocidade, de arauto entusiasmado das maravilhas e prodígios da pátria e do seu governo, para a carpideira da República. Um caso de grave bipolaridade política.

Marcelo e o Sporting: “Senti-me vexado pela imagem projetada por Portugal no mundo. Foram acontecimentos graves que não podemos banalizar”
E é isto
Sporting
Os que pedem a demissão do presidente do Sporting são os mesmos que pediram a demissão de Costa depois de 115 mortos nos incêndios?
Ou as coisas só piam fino quando se trata de assunto sério como o futebol?
*
Não acham que está na hora de relançar o movimento “Vamos dar a Sócrates a medalha que Cavaco lhe negou”?
A culpabilização dos outros
Os israelitas exigem que os seus governos governem Israel e defendam Israel. Os palestinianos nada exigem aos seus líderes prestando-se há décadas a ser carne para canhão. Na faixa de Gaza não há água canalizada, a electricidade funciona de vez em quando, não há trabalho. Enquanto os palestininanos andarem a matar-se junto à fronteira os nababos do Hamas podem viver descansados.
Este esquema de poder funciona sempre: a culpa do atraso de Cuba é do embargo dos EUA, a culpa da catástrofe da Venezuela é dos EUA, da Colômbia e já agora de Portugal que não mandou pernil no Natal… Este estado de coisas segue e corre com o aplauso do mundo ocidental onde campeiam artigos como este publicado no Expresso: As guerreiras de Gaza. Nestes conflitos o lado apoiado pela esquerda abarrota de guerreiras. Havia guerreiras no Vietnam, na Coreia do Norte, em Angola, em Moçambique, no Irão… enfim era um fartote de guerreiras. Agora as guerreiras estão em Gaza. Moral da História: assim que jornalistas ocidentais vislumbram guerreiras é melhor mudar de sítio.
Em defesa do javardo
Às vezes, torna-se necessário falar a sério. Regra geral, tal não é necessário, mas, em certos assuntos, exige-se uma seriedade que ajude a balancear tópicos importantes. Sim, vou falar do Eurofestival da Canção.
Circulam aí críticas ao teor político/activista/pró-LGBTiPad2xxxOXOX (é assim, acho) da canção vencedora, a israelita. Meus amigos, nas artes e no entretenimento, uma pessoa deve dizer o que quiser. Deve enaltecer drogas, deve propor a extinção dos coelhos, deve explicar que fought the law and the law won, deve ver a Lucy no céu com diamantes e deve bombardear Londres à vontade. Também deve ter sexo com bitches, com o automóvel e com o patinho. Pode colocar crucifixos em urina, preservativos no nariz do Papa, representar o Maomé com bombas na cabeça, enfiar chicotes por orifícios e walk on the wild side sem medos.
A diluição entre entretenimento e política é que vos deveria preocupar. Já sei que uma canção é uma arma, que esta guitarra mata fascistas e que *uma gaivota voava, voava*: mas isso é o que acontece numa sociedade livre – dizem-se e escrevem-se coisas. Numa sociedade pouco livre, não se distingue o cantor do político, o escritor do deputado. Por isso, vendo as vossas críticas ao teor da canção israelita, o que concluo é que o problema não são as canções e sim a política tornada em espectáculo dos que artisticamente enchem a boca contra o populismo.
Se queremos seriedade, comecemos por enaltecer o javardo no local que lhe é destinado: no entretenimento e na arte.
22
De acordo com o insuspeito INE, a carga fiscal de 2017 foi a maior dos últimos vinte e dois anos. O que confirma algumas coisas que, efectivamente, já não ignorávamos, embora nos tenham andado a dizer o contrário. Primeiro, que a fiscalidade é, em Portugal, muito estável, como nos tem sempre assegurado o nosso ministro das finanças: ela sobe, sem excepção, todos os anos e qualquer investidor sabe que assim o será. Maior estabilidade do que esta será difícil de garantir. Segundo, o «milagre» orçamental português tem sido feito, como aliás sempre que acontece o é, pela via da tributação, muito mais do pela do crescimento económico. O que quer dizer que a poupança se torna cada vez mais difícil e, consequentemente, o investimento, a prazo, também o será. Veremos no que isto vai dar.
Os Mistérios de Pedrógão Grande
Os fogos de Pedrógão Grande nunca foram contados com a verdade. Desde o primeiro dia, 17 de Junho de 2017, que o Estado faz uma ginástica acrobática para suprimir factos, suprimir prova, silenciar bombeiros, silenciar INEM, silenciar as vítimas dos fogos. Porquê? O que esconde de tão grave esta tragédia que não pode ser contada exactamente como ocorreu sem invenções de factos alternativos como por exemplo aquele raio que caiu numa árvore sem trovoada descoberto imediatamente nos dias a seguir pela PJ e já desmentido?
Volvido quase um ano depois da maior tragédia mortal em fogos jamais vista em Portugal, os mistérios adensam-se. À medida que os relatórios técnicos foram saindo, mais dúvidas, mais incertezas vão surgindo. E curiosamente com a complacência da oposição e dos média que pouco ou nada fazem para desmascarar esta manipulação clara do governo. Não é normal. Estamos em ditadura?
O primeiro mistério começa com o início do fogo. Disseram que o combate foi desigual devido a uma natureza em fúria – o tal downburst – o fenómeno que “inviabilizou” todos os esforços, da seca extrema e do material combustível em muita quantidade que provocou o inferno e que encurralou tanta gente. Mas, esqueceram-se de referir que o alerta foi dado às 14h45 em Escalos Fundeiros por um cidadão, quando o fogo era apenas um pequeno foco e que às 15h17, antes de abandonar o local, tira a seguinte foto. Aqui na imagem vemos um fogo perfeitamente dominável mas nenhum bombeiro a apagá-lo. Esses tinham lá estado. Tinham. Porque abandonaram o local? Porque não se juntaram imediatamente reforços sem sair do terreno? No relatório de 6 de Julho da ANPC, diz que foram despachados para o ataque 3 corpos de bombeiros: VFCI de Pedrogão Grande, VFCI de Castanheiro de Pera e VFCI de Figueiró dos Vinhos e 1 helicóptero ligeiro ( este chegou às 15.05). Que às 14.54 é recebido o primeiro ponto da situação onde são pedidos mais meios. Dizem que foram accionadas mais viaturas do CBV anteriores e do CBV de Ansião. Que às 14.43 foram 75 operacionais e 22 meios – 1 helicóptero ligeiro, 6 operacionais, 61 bombeiros, 17 viaturas, 2 equipas de sapadores com 6 operacionais, 1 patrulha GNR com 2 militares . Que às 15.02 fora accionada brigada de combate ao CODIS de Castelo Branco (3 veículos com 12 bombeiros) e um Heli-bombardeiro pesado, Kamov (HESA02), às 15.08. Consegue ver este aparato todo de meios no testemunho e foto tirada no local às 15h17???? Pois. Eu também não. O resto da história já sabemos. O fogo lavrou sem oposição tudo o que apanhou pela frente. E cresceu, cresceu, cresceu até ficar incontrolável.
Depois vem o mistério das mortes. Ao segundo dia, sem se saber do paradeiro dos desaparecidos, sem ter ainda contabilizado todos os feridos, com milhares de hectares queimados ainda por investigar, o Governo já sabia que eram 64. Nem mais um nem menos um. O cronómetro dos óbitos trancou. Foi preciso uma cidadã corajosa não se calar e afirmar haver mais, a partir de uma lista de levantamento de óbitos no terreno – que quiseram abafar e descredibilizar – para o caso dar uma reviravolta e MP ter de actualizar para 67, dando razão à empresária. Afinal havia mesmo mais gente. Mas há mais: em directo na SIC Júlia Pinheiro e Hernâni Carvalho, juntos a fazer a cobertura do fogo, revelavam que eram muito mais de uma centena. Veja este vídeo. Mas isto não fica por aqui. Ao consultar o site do Ministério da Saúde, nossa equipa do #NaoNosCalamos verificou o seguinte: No quadro abaixo podemos constatar um pico anormal de óbitos registados a 18 de Junho 2017. Com umas contas simples podemos verificar que se formos ao mês de Junho de 2017, e fizermos a soma dos óbitos entre dia 1 e dia 16 e seguidamente dividirmos por 16, temos a média diária. Podemos fazer o mesmo entre o dia 24 e 31 e dividindo neste caso por 7, veremos que obtemos resultados similares. Vamos multiplicar o número que dá (260) por 7 o que dá 1820 óbitos em média por 7 dias. Agora fazemos a soma do dia 17 a 23. O resultado é 2287. A este resultado vamos retirar os 1820 óbitos de média e obtemos o número de óbitos acima da média (ver folha cálculo anexa). Estas 467 mortes serão em grande parte vítimas de Pedrogão. A este número temos que adicionar os corpos que foram encontrados à posteriori, assim como as pessoas que foram morrendo nos hospitais. Isto com base nos dados oficiais disponíveis para todos que sabemos serem escassos devido ao “blackout” forçado do INEM e funerárias. Mas serve para reflexão.


Mas há mais mistérios. De acordo com o relatório da ANPC, ficamos a saber que: só às 19:55 o comando foi passado do Comandante dos Bombeiros Pedrógão Grande para o Comandante Distrital, quando a situação já estava completamente fora de controlo e várias medidas de combate e coordenação tinham sido atrasadas irrecuperavelmente; o Plano Municipal de Emergência que não foi accionado (e estava caducado), mais de 5h depois do primeiro alerta, de facto só o foi às 20:45; o CODIS esteve somente 2 horas no comando, saindo para outra missão, e transitou-o para o 2º Comando Nacional, conforme explicito no relatório da ANPC; a partir das 22h, o 2º CONAC que assumiu funções, até às 20:50 do dia seguinte, foi quem às 4:56 de dia 18 ordenou o 112 das salas de operações dos CDOS, a deixarem de registar no sistema informático os pedidos de socorro, sendo prejudicial para a percepção posterior na fita do tempo sobre os acontecimentos. Ou seja, mandou destruir prova. Porquê?
Outros mistérios prendem-se com o SIRESP e os Kamov. Alguém aí no seu perfeito juízo consegue compreender porque não foi imediatamente rescindido o contrato mais absurdo e criminoso com o sistema de comunicações que matou e feriu gravemente centenas de pessoas? Um sistema que provou falhar SEMPRE em situações de emergência, que é caríssimo, arcaico, e cujas cláusulas protege só quem o criou em vez das vítimas?? E os Kamov, essas “pérolas” do combate aos incêndios que nunca funcionaram em condições, que já antes de os adquirir eram obsoletos, cuja maioria nunca saiu do chão, virem agora usar o regulador aéreo para forçar paragem dos Kamov e justificar a compra de novos, mais três por adjudicação directa?!!!
Ah! e o mistério dos donativos desaparecidos? Alguém sabe onde param?
Como se isto tudo já não bastasse, junta-se ainda o mistério de, depois das conclusões do Relatório Técnico Independente e denúncia de destruição de prova, o Estado não ter sido ainda constituído arguido quando já não há dúvida alguma de ser o principal culpado da tragédia.
Mistérios e mais mistérios… É o país desgraçado que temos.
Uma história de jardinagem
Estou tão triste com a morte da minha avó que vou escrever uma canção para levar ao festival da canção da RTP. Pintarei o cabelo de rosa, a cor do PS, convidarei alguém para fingir que canta comigo apesar de se limitar a exibir um visual que me faça parecer gay e direi coisas profundas como o quão não faz mal a avó ter morrido porque eu continuarei a regar o seu jardim, perpetuando, dessa forma, qualquer coisa que ela fazia (continuarei a comer os coiratos de que tanto gostavas é mais difícil de rimar). Jardim rima com fim e também rima com mim, mim, mim.
A velha eutanasiou-se claro. Quer dizer, a reflexividade do verbo significa que decidiu que alguém teria o dever de a executar. Entrou no hospital, ping, ping, pong, dizia a maquineta ligada ao pulmão do velho, e, percorrendo a passadeira vermelha ladeado de macas onde outros idosos lutam pela vida com maleitas pindéricas como pneumonia, sentiu-se aliviada por morrer e não mais regar o caraças do jardim. “Avó, de certeza que queres morrer”? Não se volta atrás: a canção tem que ser escrita. Jardim rima com varandim, de onde vias teu jardim enquanto comias o pudim. Não há mais pudim. Chegarás ao teu fim, por fim, sem mim, mim, mim. Enfim.
Espera aí, velhota, vais para enfermaria das infectocontagiosas que o pior que te pode acontecer é morrer – ah, ah, ah!, suspirou o carrasco feliz pela piada. “Já volto com a injecção da morte digna”. “Eu posso asfixia-la com a almofada!” – gritou a engraçadinha com sarampo. “Ela que venha aqui” – respondeu a isolada com ébola da redoma de vidro. Não! Morrer é com dignidade!
O jardim acabou por ser regado mais duas vezes. Na semana seguinte fui espairecer para Formentera com o outro cantor que se limitou a olhar para os sapatos fazendo-me parecer gay. Dormimos na mesma cama, como irmãos, ãos, ãos.
760300822
O Bloco de Esquerda pede o favor a todos os portugueses de não ligar este número (760300822). Por favor, respeitem a vontade do Bloco de Esquerda e não liguem este número (760300822) para votar em Israel. O Bloco de Esquerda merece que o seu apelo tenha todo o sucesso do Mundo, pelo que vos peço, por favor, para não telefonarem para este número (760300822). E se telefonarem, por favor não telefonem mais de 3 vezes que nós não queremos que o apelo do Bloco de Esquerda acabe ridicularizado pela votação de Israel. Vamos lá fazer um esforço e evitar que a malta do Bloco de Esquerda se sinta como um bando de demagogos falhados, telefonando para este número (760300822).
O mundo às avessas
Hoje, às 17h00, na Livraria Flâneur (Rua de Fernandes Costa, 88 – Porto), ocorrerá o lançamento portuense do livro do João Brás, “O mundo às avessas”. Com apresentação de Ricardo Lima, será a divulgação de um livro com grande interesse para todas as pessoas estupefactas com os fenómenos modernos como “O Cu é Lindo”, o machismo inerente ao consumo de lacticínios, a problemática do feminismo animal (por oposição ao feminismo vegetal) e o triunfo da mediocridade modernista em ruptura com a retrógrada civilização que, curiosamente, gerou e tolera todos estes fenómenos de lunáticos.
A não perder — quer o lançamento, quer o livro propriamente dito.
Senhor Marquês
Post de convidado: Judite França
Ah, foi o homem certo no momento certo.
Ah, era o único primeiro-ministro com uma ideia, um plano, um projeto para o país.
Ah, se não fosse ele, não teríamos crescido economicamente.
Ah… Ah… Ah? Ah?? Corrupção? Branqueamento de capitais? Milhões na Suíça? Dinheiro em troca de benefícios a empresas? Passava o dinheiro pela conta de amigos até chegar a si, já bem lavado?
A sério? Diz que sim, que é sério. Bem sério.
O despacho final de acusação da Operação Marquês tem mais de 4 mil páginas. O Ministério Público vasculhou 500 contas bancárias, passou a pente fino milhares de documentos, em Portugal e no estrangeiro, inquiriu 200 testemunhas e mandou gravar não sei quantas horas de escutas telefónicas.
“Senhor Marquês… e o nosso fim do mês?” Sempre que ouço Operação Marquês é disto que me lembro: da música de Sérgio Godinho. “Passe pra cá a carteira/ Da sua algibeira/ Carteira em couro/ Relógio de ouro/ Não lhe faz falta/ E faz-nos jeito à malta”.
Senhor Marquês é apropriado. Sócrates tem um ar nobre, mais nobre do que qualquer político socialista. Fatos impecáveis, postura cuidada, elegante, bem falante.
A prancha

Uma das frases mais fascinantes e ambíguas sobre a política foi cunhada no Brasil há mais de 60 anos. “Rouba, mas faz”, que tinha como destinatário Adhemar de Barros, figura cimeira da governação paulista, foi lançada pelos seus adversários como um ataque aos métodos pouco ortodoxos do influente político; no entanto, numa daquelas deliciosas ironias da vida, a expressão acabou por ser aproveitada pelos apoiantes do próprio como um poderoso slogan de campanha, provando que a opinião pública e as avaliações dos eleitores são lugares ainda mais estranhos do que o amor.
Nos últimos dias, deste lado do Atlântico, destacados elementos do Partido Socialista têm-se destacado, ainda que involuntariamente, na aplicação da máxima brasileira ao legado do ex-primeiro-ministro José Sócrates, alternando entre a “vergonha” que sentem das suas manigâncias (o que roubou) e o “orgulho” que experimentam em relação à sua obra governamental (o que fez). Como acontece muitas vezes quando importamos teorias e conceitos do estrangeiro, há um grande problema nesta adaptação. O “roubou, mas fez” não representa, neste caso, a oposição entre uma coisa má e uma coisa boa; representa, sim, a composição de duas coisas más, sendo a segunda bastante pior do que a primeira. Se Sócrates tivesse roubado o dobro e feito apenas metade, ter-nos-ia ficado mais em conta. O grande azar do país foi ter tido um PM com aquelas características a utilizar o pensamento de Adhemar em vez de se dedicar a um muito menos cansativo “rouba e não faz”. Imaginem que José Sócrates, em vez de assinar contratos, despachos e decretos, tinha passado a totalidade dos seus anos como chefe do governo a transportar barras de ouro do cofre do Banco de Portugal para o sótão da casa de Carlos Santos Silva. Isso teria significado, na pior das hipóteses, um prejuízo de 12 mil milhões de euros para os contribuintes, valor total das reservas douradas da nação. Para verem o que representou essa obsessão contemporânea com o “deixar obra feita”, só o resgate da troika foi de 78 mil milhões! É mais do que tempo de legislarmos no sentido da proibição do uso de canetas na sala do Conselho de Ministros e no Palacete de São Bento.
Em relação à dúvida do momento – são os partidos todos iguais ou o PS abusa mais do que os outros? –, deixo aqui um episódio que me contaram, verídico como todos os que vos vou transmitindo nos meus textos:
Uma vez, num clube de natação frequentado por forças partidárias, o director do equipamento chamou o Partido Socialista e disse-lhe:
– Caro PS, o senhor vai ser expulso por fazer xixi na piscina.
– Mas, Sr. Director – respondeu o PS –, todos os partidos fazem!
– Talvez, mas da prancha de saltos você é o único.
Afinal, Sócrates era só a ponta do iceberg
Uma semana depois de escrever meu artigo “A Vergonha Súbita do PS”, onde afirmava que essa posição pública do partido não passava de mera estratégia , eis que agora o Presidente do SMMP vem denunciar, em entrevista na Sábado, que “as medidas legislativas em curso têm como objectivo reforço da influência no Procurador-geral e acesso à informação criminal“. Segundo este, ” tal plano se desenvolve em duas fases: mais influência sobre o Procurador-geral e acesso à informação criminal”. Como? Dado que o “Conselho Superior do Ministério Público é um órgão democrático e plural em que grande parte dos membros é eleita já o Procurador-Geral da República é um órgão unipessoal e resulta de uma escolha politica, cuja iniciativa parte do Governo. Controlar o Conselho Superior do Ministério Público é mais difícil do que ter influência sobre o Procurador-Geral da República” diz António Ventinhas. E continua:”Como este Governo irá ter um papel muito determinante na escolha do novo PGR já em Outubro, está já a tratar de reforçar os seus poderes previamente no âmbito do Estatuto do Ministério Público. Um Procurador-Geral da República com os poderes reforçados pode tornar-se uma ameaça para a investigação criminal se não for escolhida a pessoa certa.” Mais adiante, termina: ” o “Ministério da Justiça pretende através do IGFEJ ( Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça), ficar com competência exclusiva da gestão dos dados do sistema judicial. Quem controla a informação tem a possibilidade de saber o que se passa em cada investigação criminal e parece-nos evidente que o executivo não possa ter acesso a esse tipo de informação. Tal facto compromete a independência e autonomia de quem investiga, em especial no que diz respeito à criminalidade económico-financeira”. Bem, só não acerto mesmo no euromilhões!
Estava de caras que todo aquele alinhamento do Partido a demarcar-se de Sócrates com a ajuda até da ex-namorada ( com aquele texto ridículo mas que a mim nunca me convenceu) e que não provocou sequer a ira do “Pinto de Sousa” que calmamente só foi entregar o cartão de militante, acompanhado de um comunicado “soft e queriducho” cheio de… mágoa (ah! ah! ah!)”, sem arrancar um único cabelo, sem os ataques verbais coléricos que ainda há pouco vimos no MP, não era senão estratégia combinada. Assim, PS podia agir pela retaguarda, ajudando a família socialista apanhada pela justiça sem levantar suspeitas. Esse foi o primeiro passo do plano. Isto porque alguém já sabia que vinha aí mais “bombas judiciais” e era preciso agir depressa.
E de facto, nem uma semana depois de Manuel Pinho, eis que mais três ex-ministros de Sócrates são apanhados na malhas da corrupção num processo de investigação às PPP’s Rodoviárias: Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos. O Polvo não pára mesmo de crescer.
Agora já não se trata só do Sócrates e da sua vida de luxo como ex governante às custas de um amigo. Aos poucos começa a revelar-se que afinal o “Caso Sócrates” que durante anos estava confinado a um indivíduo de vaidades ilimitadas, é afinal a ponta do iceberg de uma organização tentacular criminosa, instalada num governo para roubar o erário público e enriquecer seus governantes e amigos”. Em suma, uma máfia “sócretina” portuguesa.
Para que esta “organização” fosse bem sucedida e pudesse crescer sem constrangimentos durante anos, foi preciso a ajuda preciosa de Pinto Monteiro que afirmou que ” o processo Freeport, que envolveu o nome de José Sócrates “é uma fraude e foi um processo inventado”. E que sobre o caso Face Oculta, “as escutas feitas às conversas entre José Sócrates e Armando Vara foram destruídas porque não havia crime nenhum”. Assim como Cândida Almeida que afirmou em 2012: “Digo olhos nos olhos: O nosso país não é corrupto, os nossos políticos não são corruptos, os nossos dirigentes não são corruptos”. E da própria comunicação social que excomungou a jornalista mais activa na luta contra a corrupção, Manuela Moura Guedes, e que foi a primeira a fazer frente ao governo Socrático, denunciando-o. Foi demitida pela TVI por Pais do Amaral que entretanto também ele foi apanhado no Processo Marquês por desvio de mais de 2 milhões de euros e faz parte ainda da lista de grandes devedores a fundo perdido da CGD. Não é cómico?
Nesta descoberta, ficou claro que não houve, cegos, surdos e mudos. Houve sim, gente que beneficiava daquela “organização”, directa ou indirectamente, e por isso andavam todos caladinhos.
É o maior caso de corrupção como não há memória em Portugal e que se o PS não for bem sucedido no silenciamento e posterior arquivamento judicial de todos os processos que envolvem membros deste partido, como o foi no passado, deixará cicatrizes profundas.
A única questão que se coloca agora é saber se nessa intenção, PS vai ou não conseguir seus intentos. Mais nada. Porque o plano, esse, já está em marcha.
mais uma vitória do fascismo fiscal
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa, vetou, há dois anos, um diploma do governo que, na prática, abria integralmente as contas bancárias ao fisco. As pessoas comuns julgaram, na altura, que Marcelo, como constitucionalista e democrata, estava preocupado com a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos portugueses, cada vez mais distorcidos, para não dizer dizimados, por um estado fiscalista, obcecado em extorquir dinheiro aos cidadãos para sustentar os seus maus vícios e uma gestão pública absolutamente perdulária e faraónica. Pois bem, S. Ex.ª esclarece que, afinal, se estava marimbando completamente para os direitos individuais, e informa, agora, que o que então o fez vetar o diploma foi a situação conjuntural dos bancos, entre eles o do seu muito querido amigo Ricardo Salgado, que Marcelo não quis agravar com a mais do que provável fuga de capitais para o estrangeiro. O governo, obviamente, não perdeu a oportunidade, e vai entrar pelas contas dos particulares a dentro, como focinho de cão em manteiga numa tarde de Verão. Ficamos, assim, a saber que o nosso presidente da República tem uma visão utilitarista dos seus poderes e dos direitos dos cidadãos, agindo, não em conformidade com o que devem ser os princípios fundamentais de um Estado de Direito, mas em função do que dá jeito e convém a um estado que se está integralmente lixando para os seus cidadãos. Se isto já seria péssimo numa situação de normalidade nacional, numa altura em que se escondem os responsáveis pela tragédia da Caixa Geral de Depósitos, não permitindo que os contribuintes conheçam os nomes daqueles que provocaram o rombo que eles irão pagar, é de um cinismo próprio de um estado plutocrático. Quem tem 50 mil euros numa conta bancária é suspeito e está exposto à devassa do fisco, enquanto que quem deve milhões a um banco público é merecedor do direito à privacidade.
Um dos argumentos mais utilizados para defender a abundância de subsídios a deputados é que o salário é baixo e estes subsídios escondidos são a melhor forma de atrair os melhores valores para a política. Não irei discutir se tem resultado. Proponho apenas fazer um teste rápido a esta teoria.
De uma forma simplificada, existem três tipos de deputados na Assembleia da República:
1) Os presidentes da Junta: Particularmente relevantes no grandes partidos, estes são deputados que entraram nas listas por uma quota qualquer (representantes da concelhia, da distrital, da juventude partidária, etc). São pessoas cujo único mérito é dominar algum sindicato de voto interno. O salário de deputado é o máximo que alguma vez conseguirão na vida porque ninguém cá fora lhes pagaria o mesmo (por actividades legais).
2) Os lobistas: pessoas que vão para o parlamento defender um certo grupo. Normalmente advogados ou activistas, cujo objectivo é defender o interesse de algum cliente ou grupo de clientes que já lhes pagam bem ou pagarão bem terminado o seu mandato.
3) Visitantes: são profissionais de sucesso relativamente bem pagos fora da Assembleia da República. Muitos ganhariam mais fora da Assembleia da República do que dentro dela. Fizeram o percurso para entrar na Assembleia da República por convicção ideológica ou em busca do prestígio pessoal do cargo.
Contas por alto, diria que neste momento o primeiro grupo representa 60% dos deputados e os outros dois grupos 20% cada um. Com o passar do tempo, alguns elementos do grupo 1 mais resistentes acabam por ir para o grupo 2. Apesar de serem uma minoria, os grupos 2 e 3 deverão ser responsáveis por grande parte da legislação que sai da Assembleia da República.
Aceitando estes pressupostos, ficam então as questões para discussão:
– Qual destes grupos estaria menos interessado em ir para a Assembleia da República se o salário completo baixasse dos actuais 7 mil euros (com subsídios) para algo como 2 mil euros?
– Com menos representantes desse grupo, o parlamento ficaria melhor ou pior?
Parece haver dúvidas acerca da eutanásia
Não sei porquê: consiste em requisitar ao estado o desejado privilégio de poder ser assassinado em condições máximas de higiene e dignidade. Como poderia alguém ser contra tão virtuoso fim para velhos inúteis?
é proibido sabermos o que estamos a pagar
Segundo o senhor governador do Banco de Portugal, a lei não permite a divulgação dos devedores da Caixa Geral de Depósitos. Estranha legislação esta que não permite a divulgação dos devedores de um banco em riscos de falir, mas que autoriza e estimula a publicação de listas de devedores ao fisco. Se, em qualquer um dos casos, quem paga o pato são sempre os mesmos, os contribuintes, por que razão se proíbe a divulgação dos nomes dos primeiros quando é o próprio estado a promover a divulgação dos segundos? Ficará a pátria em perigo se os portugueses souberem a quem pertencem os calotes bancários que estão a pagar?
Obsessão igualitária e a União

Entendo como o Rui que terá havido uma genuína preocupação da Iniciativa Liberal em produzir um documento mais bem estruturado e, sem dúvida, o objectivo de veicular uma mensagem que defenda tirar o estado das nossas vidas. Muito bem!
Li o programa político que apresentaram recentemente, mas infelizmente não posso dizer que nele me reveja. Desde logo porque é um “programa”. Claro que há pontos e intenções com que concordo totalmente, mas outros há que são bastante criticáveis.
Os capítulos dedicados à finanças e economia parecem ter sido os mais pensados e elaborados e, curiosamente, é dessa área que vem uma omissão imperdoável: a Iniciativa Liberal não defende o fim da progressividade fiscal. Assim, tudo o resto que possa afirmar neste tema está ferido de inconsistência.
Esta obsessão igualitária e redistributiva parece estar já entranhada subconscientemente. É isto Liberal?
Uma nota final: o novo partido diz defender o “aprofundamento da União Europeia”. Fico curioso sobre que significará isto.
*

