A culpa é nossa!
Já pararam para reflectir porque razão temos tão fraca qualidade de governantes quer em Portugal, quer no resto do Mundo? E já repararam também que além de serem medíocres agem de forma irresponsável, sem ética, sem valores, corrupta e mentirosa como se fosse algo perfeitamente normal e aceitável sem sequer se esconderem muito? A explicação para esta podridão legalizada está em nós, cidadãos. Somos os culpados porque nos deixamos manipular por eles.
A primeira defesa contra os manipuladores é a tomada de consciência da sua existência e questionar sempre tudo o que nos dizem ou apresentam como teoria ou explicação para uma determinada situação, seja de quem for. Quando não duvidamos estamos a abrir uma porta à manipulação que, se for bem feita, toma imediatamente conta do nosso pensamento, contaminando-o. Já não somos nós a tirar conclusões mas sim através dos manipuladores que de forma subtil usam o sentimento para provocar uma reacção emocional que nos vai condicionar o raciocínio lógico. É o caso dos “migrantes refugiados” que nos aparecem em botes sobrelotados em suposto “desespero”, onde nos vendem um “resgate” que não o é, quando na verdade as ONG vão buscá-los à costa da Líbia, enquanto nem reparamos que quase não há mulheres, crianças ou idosos. Se fogem da guerra porque só vêm milhares de homens muito jovens? Pensem.
Questionar, duvidar, pesquisar enquanto houver dúvidas sobre uma determinada teoria oficial não é criar uma teoria da conspiração (se assim fosse, o MP e investigadores da PJ seriam uma organização legalizada de conspiradores). É demonstrar capacidade crítica independente. É demonstrar força contra as manipulações governamentais que nos querem submissos e ignorantes. Os manipuladores querem que fiquemos satisfeitos com as “provas” que fabricam para nos sossegar ou levar a pensar o que eles querem e por isso sonegam informação. São os primeiros a proibir acesso a dados, a destruir prova, a censurar investigação independente e claro, a classificar como “conspiração” tudo o que sai do seu controle para descredibilizar quem faz investigação paralela. Vejamos um exemplo em Portugal com Pedrógão Grande: Foi o não criada uma verdade alternativa dizendo que tinha sido a natureza a provocar aquela tragédia? Foi ou não verdade que impediram todos os organismos de revelar o número real de mortes? Foi ou não verdade que foi criado entraves ao acesso à informação sobre a tragédia para que fiquemos convencidos da versão oficial? Foi ou não destruída prova na ANPC e INEM? Continuam ou não muitos mistérios por responder enquanto governo fala de “teorias de conspiração”?
Claro que este exercício não é fácil. Sobretudo se estivermos emocionalmente ligados a essas pessoas. É o caso da política quando é o “nosso” partido que governa; é o caso do futebol quando é o “nosso” clube que está a ser investigado; é o caso de um familiar ou amigo quando é apanhado num acto ilícito. As ligações afectivas tornam-nos menos racionais. Logo, mais susceptíveis de manipulação. Colocar o coração de lado na hora de analisar uma situação, a frio, não é fácil mas também não é impossível. Para muitos será natural porque já nasceram com essa habilidade, para outros requererá treino. Contudo tem de ser feito. Porque a manipulação de massas é um facto como o descreve Noam Chomsky e todos os poderosos do Mundo a usam em seu benefício. Infelizmente para nós que não passamos de meros peões neste tabuleiro gigante prontinhos para sermos usados como lhes convém, sem olharem a meios para atingir fins.
As estratégias de manipulação de massas visam bloquear a capacidade crítica para manter o Mundo nas mãos dos poderosos do jeito que eles o idealizam: sob seu total controlo. Nós somos apenas vistos como carneiros estúpidos que eles julgam capazes de neutralizar. Despertar consciências para esta realidade é uma missão de muitos como eu que acreditam que a saída deste lodo político, desta podridão de gente nos governos só acaba com a mudança nos cidadãos. Aprender a exigir, responsabilizar e depois condenar e correr a ponta pé esta corja, é vital para a sobrevivência das sociedades.
A culpa é nossa, só nossa, que aceitamos tudo o que nos é dito sem contestação, que não duvidamos nem questionamos nada. Se queremos mudança temos de promovê-la começando desde já a mudar a forma como olhamos para os políticos, sejam eles de que partido forem. Não podemos sonhar com melhores resultados se continuarmos a insistir nos mesmos erros.
Ó Catarina, quando for à Trindade tente perceber a que se dedicavam os frades que deram nome ao sítio
Catarina Martins esté indignada. Catarina está sempre indignada. Agora indigna-se com os Descobrimentos ou mais propriamente com a “enorme violência da expansão portuguesa”.
Catarina, acredite há mais mundo além das redes sociais que dizem o que “está a dar”. Vá por exemplo à Torre do Tombo ver esta exposição
Entre a Cruz e o Crescente: o resgate de cativos
E as famílias têm esse direito?
O museu que não pode ser
Sair tosquiado
Neste momento a Cuatrecasas deseja que o Pedro Arroja seja declarado inocente para evitar mais 1 ou 2 anos de posts no Portugal Contemporâneo enquanto correm os recursos.
Fiscalidade plástica

Transcrevo abaixo o texto integral de uma notícia do JN de 03/Junho passado com o título “Governo admite incentivos fiscais, taxas ou sinalética para reduzir plásticos”.
Acrescento destaques meus a vermelho exemplificativos não só da qualidade jornalística da peça, mas sobretudo da narrativa socialista e neofascista muito em voga.
Depois adivinhem qual dos dois retratados acima é o nosso secretário de estado do ambiente e qual é o Evo Morales.
Aqui vai:
“As medidas para reduzir a utilização de plástico nas embalagens podem incluir incentivos fiscais ou taxas, visando mudar comportamentos, sinalética para lojas com boas práticas ou partilha de utensílios entre cafés, segundo o secretário de Estado do Ambiente.
“Tentaremos consensualizar legislação complementar”, afirmou Carlos Martins em entrevista à agência Lusa, mas também contratualizar com os operadores que têm atividade relacionada com o consumo de plástico e ver em que medida no Orçamento do Estado para 2019 o que for matéria de natureza fiscal “pode estar refletido, quer seja de incentivo a outras alternativas, quer seja uma taxação para reduzir” a utilização daquele material.
Os incentivos teriam como objetivo a mudança de comportamentos entre os consumidores e a incorporação de novas alternativas tecnológicas entre os produtores ou distribuidores de bens.
As mudanças de comportamento, apontou, “não se fazem por um estalar de dedos, as pessoas não conseguem alterar as suas rotinas de uma forma radical só porque sai uma lei ou uma orientação, precisam de tempo para se adaptar [como] as indústrias, os restaurantes, os próprios distribuidores e produtores”.
“Gostaríamos de dar sinais claros de que pode haver agravamentos fiscais no futuro, que pode haver benefícios fiscais, por outro lado”, incentivos a melhor “ecodesign“, por exemplo, avançou Carlos Martins.
O grupo de trabalho criado para debater formas de enfrentar o problema da poluição dos plásticos, através da redução da sua utilização e da substituição por outro tipo de materiais, reúne entidades de várias áreas, dos consumidores, aos fabricantes, a distribuição, a restauração, organizações ambientalistas ou centros de investigação e inovação.
Carlos Martins avançou que o resultado será apresentado a 08 de junho, numa cerimónia para a qual foi convidado um representante da Comissão Europeia. Foi há pouco tempo definida uma estratégia da Europa para enfrentar esta problemática, tendo Portugal “antecipando as reflexões” dos organismos europeus, embora tendo em conta o seu alinhamento.
O secretário de Estado explicou que, além deste trabalho, outros contactos têm sido feitos, nomeadamente com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) ou a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), dois setores com um papel relevante no consumo de embalagens plásticas.
Recentemente, a AHRESP lançou uma campanha de sensibilização para a redução de plásticos, resultado de uma candidatura ao apoio do Fundo Ambiental para “Repensar os Plásticos na Economia: Desenhar, Usar, Regenerar”.
Aquela associação, bem como a dos hiper e supermercados, segundo o governante, já transmitiram disponibilidade para avaliar a definição de acordos voluntários que conduzam a ações concretas, com base em boas práticas, até ao final do ano.
“Há ideia de vir a criar uma sinalética própria para os estabelecimentos que adotarem e cumprirem essas boas práticas de maneira a que cada um, quando vai a um estabelecimento, [saiba] que nessa unidade são cumpridos princípios”, na área dos plásticos, ou outras práticas ambientais “reconhecidas, validadas e auditadas“, explicou Carlos Martins.
O Fundo Ambiental poderá avançar com algum apoio para que as áreas de restauração das grandes superfícies introduzam alterações, por substituição de materiais ou por uma maior partilha de utensílios que possam voltar a ser utilizados.
O governante exemplificou com a instalação de uma zona de lavagem coletiva de copos, facas, garfos, colheres, pratos de materiais que possam ser reutilizáveis, resultando na redução da quantidade de plástico.
“Esta abertura pode vir a ter sucesso até ao final do ano, em um ou dois casos mais emblemáticos, mas gostaríamos que essa prática depois se estendesse”, apontou.
Outra possibilidade poderá ser um projeto em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, contemplando experiências piloto em zonas da cidade com mais bares, para “um tipo de abordagem mais criativa“, disse ainda Carlos Martins, embora reconheça que, muitas vezes, a substituição de materiais pode não ser recomendável, por questões de segurança.
O plástico tornou-se um problema ambiental já que o seu consumo aumentou substancialmente nos últimos anos e permanece entre 50 a 200 anos na natureza, causando danos, nomeadamente nos oceanos, matando peixes e aves que confundem fragmentos de plástico com alimento.
Fiscalidade sobre plásticos deve ser alinhada com Europa
O secretário de Estado do Ambiente defende que a fiscalidade relacionada com os plásticos em Portugal tem de estar alinhada com a estratégia europeia para evitar que as empresas nacionais sejam penalizadas perante as suas concorrentes.
“Estamos num espaço europeu onde a circulação de bens, serviços e pessoas é livre e temos de acautelar que as empresas portuguesas não são, de alguma maneira, penalizadas, por uma concorrência que venha do exterior, no espaço europeu, onde as regras fossem mais permissivas“, disse à agência Lusa Carlos Martins.
O governante apontou que a administração pública e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estão “muito atentas” aos desenvolvimentos europeus no que respeita às medidas para reduzir o consumo de plástico e para tentar substituir este material por outros amigos do ambiente.
“Penalizar aquilo que eventualmente se produz em Portugal para depois termos à mesma os plásticos a chegarem de outros países e estados-membros não seria” justo, realçou.
Por isso, “o trabalho tem de estar alinhado, sobretudo em matéria de fiscalidade, com aquilo que são as estratégias europeias“, avançou.
No âmbito de outros instrumentos de fiscalidade, explicou Carlos Martins, “sobretudo aqueles que não são para penalizar, mas mais para premiar comportamentos, eventualmente há mais espaço de manobra, porque não promovem essa distorção “.
Assim, para o responsável político, numa primeira fase, até haver regras europeias que sejam aplicáveis em todo o espaço europeu, “as regras de premiar o comportamento são as que melhor colhem no curto prazo”.
Os resultados do grupo de trabalho sobre plásticos, que reúne várias entidades e especialistas relacionados com o tema, serão apresentados na próxima semana.
Alguns partidos políticos, investigadores e organizações ambientalistas têm alertado para as consequências deste material na natureza e defendido que o seu consumo deve ser reduzido ou mesmo acabar.
Admitindo que os materiais possam continuar a ser de plástico, apontou Carlos Martins, é necessário “melhorar significativamente” a sua reciclagem e, para isso, muitas vezes, trata-se de reduzir a quantidade de matéria-prima, de modo a passar a ser um tipo de plástico mais reciclável.
Há embalagens que juntam três ou quatro materiais, por isso, tem sido defendido um esforço de uniformização para o plástico mais reciclável, deixando de ser um produto complexo e passar a ser um produto mais simples, a ser tratado pela indústria da reciclagem.”
*
Isabel Moreira, essa deputada cujas batalhas tem sido apenas pela defesa do cigarro electrónico, pelo direito de fumar em locais públicos, eutanásia, casamento gay, adopção gay, pelo aborto, mudança de sexo aos 16 anos e drogas livres, está zangada. Então não é que foram fazer uma publicidade com uma mãe fumadora para alertar sobre os perigos dessa dependência agora que foi revelado um estudo que aponta para o crescimento de mulheres fumadores ultrapassando já os homens? Onde já se viu usar uma mulher para passar uma mensagem às mulheres com tanto género disponível (dizem que são cerca de 70)? Uma publicidade, não pode ter um mercado alvo. Tem de ser ambígua. Tem de servir os géneros todos senão é discriminação. A mesma disse à agência Lusa: “Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabilizante das mulheres”. Não se assustem. Este raciocínio não é de um doente mental. É de uma deputada que é paga (e bem paga!) por todos nós.
Estamos na era da idiotice avalizada pelos defensores do politicamente correcto. Os criadores de idiotices estão em todo o lado prontos para actuar a cada segundo. Escrutinam tudo e mais alguma coisa para encontrar motivos de discórdia alegando discriminação. Uma simples opinião que põe em causa uma teoria oficial ou até comprovar cientificamente a falácia de certas ideologias, vai imediatamente desencadear todo um processo de desacreditação das pessoas que tiveram a coragem de questionar ou contrariar, chegando ao extremo de processar, rotular ou prender quem não se submete às idiotices da desconstrução social como foi o caso do jornalista inglês Tommy Robinson. Este Mundo tornou-se perigoso. Os doidos agora andam soltos e com o apoio dos Governos e organizações internacionais.
O caso da dita publicidade podia ter ficado por aqui com estas baboseiras a que Isabel nos habituou há muito. Mas não. Tinha de entrar no “campo de batalha” as Capazes, famosas pela defesa dos transportes públicos separados, sanções a livros para meninas, proibição de voto a homens brancos e tantas outras pérolas. A associação vai mesmo processar quem autorizou esta publicidade alegando que “o problema é a redução da campanha a uma série de estereótipos que têm prejudicado a mulher, reduzindo-a ao papel de mãe e ao papel de princesa”. Estas “snowflakes” sentem-se atingidas na mensagem da publicidade cujo filme é da autoria de alunas da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto. Vejam só que irónico. São duas meninas. Vá lá… o mundo das mulheres não está perdido. A esperança vive, sem dúvida, nestas jovens lúcidas imunes à lavagem cerebral do marxismo cultural.
É curioso ver quanta hipocrisia reina nestas cabeças desorientadas. Estão tão presentes nas causas inventadas onde não há problemas (só uma mente distorcida vê discriminação na publicidade em causa) mas completamente ausentes, a marimbarem-se literalmente com mulheres vítimas do politicamente correcto, em serviço na Bélgica enquanto defendiam o país de migrantes extremistas que o governo alberga. A morte destas duas mulheres polícias não as comoveu, não as fez exigir mais controlo na aceitação de migrantes nem tão pouco foi exigido um voto de pesar no Parlamento como o foi para Marielle Franco. Porquê? É simples: estas feministas não representam as mulheres. Representam uma agenda “sui generis” para as mulheres. Quem não bater palmas a essa agenda, feita por elas, onde só cabem as mulheres ocidentais (mas não todas) é excluída das suas “lutas”. Haja coragem para o admitir.
Sou mãe de uma jovem que fuma e confirmo que este flagelo está em crescimento nas adolescentes que amanhã serão também mães. Mas eu não sou politicamente correcta. Não digo à minha filha que “as princesas não fumam” (uma forma muito querida e inofensiva de abordar o tema para as sensibilizar). Digo peremptoriamente que “fumar é estúpido” numa sociedade que promove cada vez mais uma vida saudável. Digo com toda a dureza que “é uma tonta” e que se não fizer nada por ela agora, mais tarde se arrependerá com a perda da própria saúde. Digo-lhe que “só alguém pouco inteligente” se mata lentamente com uma porcaria que não serve para nada muito menos para se promover socialmente (como era no meu tempo de liceu). Digo o que tem de ser dito sem delicadeza. Sem pinças. Não por não a ver como minha princesa (que mal tem isso?) mas porque quando o tema é duro, opto sempre por uma mensagem também dura. Se em vez de uma menina fosse um rapaz e a mãe dissesse, “os heróis não fumam” , também seria uma histeria porque haveria sempre uma feminista a ver discriminação “contra as mulheres”, ao atribuir aos rapazes a imagem de heróis, porque os coloca numa posição superior em relação às meninas. É assim que funciona a cabeça destas mulheres. Vêem discriminação em tudo.
Perder tempo a alegar discriminação imaginária numa simples publicidade, muito bem feita, idealizada por duas jovens do ensino secundário, sem qualquer desrespeito por ninguém, enquanto se ignora as verdadeiras vítimas, só demonstra a inutilidade desta gente que vive à custa do Estado. Não há paciência!
“Não vos vamos julgar pela vossa aparência exterior” – Gretchen Carlson, que preside à organização da Miss América.
O Vítor Cunha defende que avaliação do júri passará a ser efectuada assim
Não concordo. Este tipo de avaliação é fortemente discriminatório. Há certamente quem tenha um fígado melhor formado, um estômago com uma incisura angular melhor conseguida isto para não falar da problemática do antro pilórico (bendita wikipedia!!!) A escolha de Miss America deve ser feita através de um sistema que permita uma verdadeira igualdade. Pelos dados, por exemplo. O desfile devia acabar e a eleita devia ser encontrada numa manifestação, no metro ou na assistência a um jogo. Assim também se evitava aquele espalhafato dos vestidos e dos cabelos.
Já murchaste uma das versões, pá / Fico contente

Chico Buarque, o homem que eu gostaria de ser e que a minha mulher, as minhas amigas, as minhas vizinhas, as minhas colegas de trabalho e todas as restantes senhoras com quem me cruzo no dia-a-dia gostariam que eu fosse, está em Portugal. Não tendo conseguido arranjar bilhetes para os concertos, tive de me socorrer de outros meios para esclarecer a “questão essencial”: afinal, qual das versões de “Tanto Mar” foi oferecida ao Coliseu do Porto? A primeira, que até Jaime Nogueira Pinto deve trautear no banho quando está distraído? Ou a segunda, que os esquerdistas mais duros cantam a plenos pulmões em estado de atenção plena?
Comecemos por relembrar a história: após o 25 de Abril, Chico Buarque compõe uma pequena (em duração) e lindíssima (não sabe fazer outras) música a homenagear a festa da liberdade em que Portugal estava mergulhado, realçando a diferença entre a primavera democrática que nos tinha atingido e a doença ditatorial que continuava a assolar o Brasil; em 1978, vendo que a deriva bolchevique iniciada em 1975 tinha sido interrompida pelo 25 de Novembro, sente-se obrigado (palavras do próprio) a alterar a letra, passando a referir a festa como um acontecimento do passado que alguém tinha tratado de estragar. Chico ainda mantém algumas esperanças revolucionárias (“… certamente / esqueceram uma semente / nalgum canto do jardim”), mas o verso “já murcharam tua festa, pá” revela bem o desgosto presente nesta segunda versão.
Felizmente, de acordo com os relatos do concerto do Porto, o artista brasileiro reconciliou-se com a normalidade democrática do nosso país e percebeu que murchar certas festas é a atitude mais correcta. Tal como vemos nos filmes sobre adolescentes, a chegada da polícia à festa caseira que se desenrola durante a ausência dos progenitores pode salvar muita louça e, no limite, a própria casa. E quem diz polícia diz as tropas de Jaime Neves e de Ramalho Eanes.
Sim, Chico Buarque cantou aos portuenses a primeira versão de “Tanto Mar”. E eu, fazendo minhas as palavras da canção, fico contente.
o lixo cresce pelas ruas. Em Benfica, imagens como esta sucedem-se.
E não, a culpa não é da falta de civismo dos munícipes mas sim da falta de recolha de lixo. A desculpa do costume – o lixo feito pelos turistas – aqui também não colhe: em Benfica não há turistas. A não ser que alguém se perca no caminho entre o Jardim Zoológico e o Parque de Campismo de Monsanto não se avista um turista por estas paragens.
E as grandoladas?
Vê-se mesmo que estão mal habituados. Há anos que em apresentações de livros e debates aturo gente a cantar a Grândola, a dizerem que têm fome e a darem vivas à revolução. Tanto quanto me recordo até se achavam naturalíssimas essas performances. Eram as grandoladas. O Henrique Raposo até teve direito a actuações especiais. E os jornais dividiram-se, claro: “Apresentação do livro Alentejo Prometido foi uma espécie de corolário de uma polémica sobre identidades regionais, redes sociais e liberdade de expressão. Cante Alentejano interrompe evento e palmas distribuíram-se pelos músicos e pelo autor”.
Estranhamente no caso do debate sobre activismo organizado pela Tinta-da-China houve logo queixas e pedidos de desculpa. Estou em crer que se a senhora tivesse cantado a “Grândola” nada disto tinha acontecido. É que há interrupções e interrupções.
Uma semana normal
28 de Maio de 2018. “Como brincar com bonecas agrava o risco de pobreza na velhice”.
29 de Maio de 2018. O parlamento português chumba a eutanásia. Catarina Martins, vitoriosa, tratou de nos informar que a eutanásia voltará ao parlamento.
30 de Maio de 2018. Onde estão as notícias sobre o atentado na véspera em Liège? Nas capas dos jornais portugueses de dia 30 a única morte que sobressai é a da girafa do Jardim Zoológico de Lisboa que caiu ao fosso.
31 de Maio de 2018. Merkel está em Portugal. Ao contrário do que acontece na sua visita de 2012, tudo corre no melhor dos mundos.
1 de Junho de 2018. A corrupção dos quadros intermédios do PP no tempo de Aznar acabou por fazer cair Rajoy. No PP espanhol a corrupção não era coisa de um homem só, Má sorte a de Rajoy não ser português e socialista.
2 de Junho de 2018. A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e partenaires fazem o número da indignação. Há quem bata palmas.
Querem falar de machismo?
Monedero fundador do Podemos mete as mãos nos ombros da até agora vicepresidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría. Os jornalistas destacaram a frase de Monedero: “Me alegro de que os vayáis” Ma sa questão não é essa. Monedero nunca primou pela educação. E não é agora que vai começar. O que choca é a forma como mete as mãos nos ombros de uma mulher e em perfeita posição dominante desata a falar.
As feministas lá do burgo estão caladitas claro. Porque aos chefes de esquerda elas obedecem com alegria e subserviência. E calam, claro.
Não tencionava retornar ao tema da eutanásia — e não o vou fazer —, contudo, vou retornar a um dos argumentos usados pelos defensores da causa, o de que o debate não foi elevado e, como tal, não foi elucidativo, permitindo a que os deputados votassem mal. Ora, o nome que se dá ao interveniente que afirma que é um debate não teve a elevação suficiente é, muito naturalmente, “o derrotado”. Mas, sobre elevação e debate no espaço público, redes sociais e jornais, tenho a acrescentar apenas a lembrança deste pequeno trecho (em Inglês, peço desde já desculpa):
There is more than one way to burn a book. And the world is full of people running about with lit matches. Every minority, be it Baptist/Unitarian, Irish/Italian/Octogenarian/Zen Buddhist, Zionist/Seventh-Day Adventist, Woman’s Lib/Republican, Mattachine/FourSquareGospel feels it has the will, the right, the duty to douse the kerosene, light the fuse. Every dimwit editor who sees himself as the source of all dreary blanc-mange plain porridge unleavened literature, licks his guillotine and eyes the neck of any author who dares to speak above a whisper or write above a nursery rhyme.
Fire-Captain Beatty, in my novel Fahrenheit 451, described how the books were burned first by minorities, each ripping a page or a paragraph from this book, then that, until the day came when the books were empty and the minds shut and the libraries closed forever.
[…]
For it is a mad world and it will get madder if we allow the minorities, be they dwarf of giant, orang-utan or dolphin, nuclear-head or water-conversationalist, pro-computerologist or Neo-Luddite, simpleton or sage, to interfere with aesthetics. The real world is the playing ground for each and every group, to make or unmake laws. But the tip of the nose of my book or stories or poems is where their rights end and my territorial imperatives begin, run and rule. If Mormons like not my plays, let them write their own. If the Irish hate my Dublin stories, let them rent typewriters. If teachers and grammar school editors find my jawbreaker sentences shatter their mushmilk teeth, let them eat stale cake dunked in weak tea of their own ungodly manufacture.
– Ray Bradbury (1979)
E se em vez do tesoureiro o corrupto fosse o secretário-geral? E se em vez de Espanha estivéssemos a falar de Portugal?
Rajoy caiu porque o tesoureiro do seu partido era corrupto. Quem liderava o PP à data dos factos era José María Aznar. Mas Rajoy caiu em 2018 por causa de Barcenas.
Legislar para matar
Começo por dizer que sou sensível ao sofrimento profundo. Que o conheço porque o senti. Que sei o que é perder toda a esperança e deixar de ver luz. E que de facto confirmo que a vontade de morrer é algo extremamente sedutor quando nada, mas nada mais temos a perder. A morte, naquele momento, parece a salvação a que nos agarramos com toda a força porque estamos fartos, fartos da dor e queremos partir. Sobretudo se somos crentes e acreditamos na vida além da morte. Isso dá-nos alento para prosseguir no nosso objectivo. Mas morrer é irreversível e dou por mim a pensar, vezes sem conta, no que teria perdido se o tivesse feito. Sim, há gente que precisa de ajuda e é urgente resolver essa questão. Mas será legalizando a morte provocada? Vamos reflectir.
Em primeiro lugar não se tratam estes temas sérios e irreversíveis de forma brejeira, num circuito fechado entre deputados e muito menos à pressa. Nenhum partido político colocou a eutanásia no seu programa eleitoral. Logo nenhum está legitimado para o legislar. Se vivemos em democracia como tanto gostam de lembrar não podem agir como pequenos ditadores assumindo ser essa a vontade da sociedade. Não foi dado voz aos cidadãos, não houve debates públicos de esclarecimento sobre as propostas apresentadas, nenhuma televisão fez reportagens sobre o tema ou entrevistas com os proponentes, como raio se atrevem a levar algo para aprovação com o desconhecimento total da população sobre o que é ou não proposto? Quando não se debate o assunto em público surgem dúvidas, receios, medos e são todas legítimas. Quem disser o contrário é desonesto.
Porque o direito a morrer já existe. Todos podemos recusar – sem eutanásia legalizada – tratamentos ou pedir para desligarem as máquinas de suporte à vida. Todos. Assim como, de forma individual, qualquer um pode pôr termo à vida sem consequências para quem fica. Curiosamente, o suicídio individual que não passa ele próprio de um acto de alguém que quer pôr termo ao sofrimento prolongado, é criticado, é condenado social e politicamente. Quem não se lembra das polémicas à volta de Passos Coelho a quem apontavam o aumento de suicídios em Portugal? Ora se é um direito individual que põe termo ao sofrimento de cada um, porque se critica? O acto só é aceitável se for com aval do Estado, é isso?
Ironicamente enquanto à pressa se tenta aprovar a eutanásia em Portugal, as notícias dão-nos conta que há um desinvestimento colossal no SNS que põe em perigo tratamentos oncológicos e 70 000 pessoas sem cuidados paliativos, reduzindo a esperança a quem quer viver! Não é um paradoxo haver uma preocupação desmedida pela morte provocada e um desleixo completo por quem quer viver, faz sentido? Isto para não falar das recentes descobertas científicas que põem termo à dor crónica e que ninguém parece interessado em divulgar, porquê?
Por outro lado, é preciso compreender que não existe liberdade absoluta em sociedade. Isso é anarquia. É viver no caos. Porque as liberdades de uns vão condicionar a liberdade a outros. Por isso, a única liberdade absoluta é aquela que temos em privado. Aquela que podemos dispor como nos apetece, sem restrições. Mas em colectivo, tem de haver ordem. Tem de haver regras. Porque estamos em interacção com outros e esse convívio só é saudável se houver limites. Ora, quando queremos legalizar a morte provocada por terceiros (sem ser por nós), abrimos uma espécie de Caixa de Pandora que atinge todos por igual e cujo resultado só o podemos efectivamente ver na prática. Mas, tratando-se da legalização da morte e sendo ela irreversível, pode ser fatal para toda uma sociedade. Aqui, não se ganha liberdade, perde-se.
É estranho queremos avançar rapidamente sobre esta matéria tão complexa sem sequer querer ouvir quem já a tem em prática como é o caso da Bélgica e Holanda. Curiosamente esteve cá um desses mentores holandeses, o especialista Theo Boer, professor universitário de ética na Holanda e que testemunhou que apesar da lei ser só para casos excepcionais em determinadas situações, viu essa especificidade ser ultrapassada fazendo disparar as mortes não justificadas onde se incluem os dementes. E que hoje pretende-se alargar o direito já existente a pessoas com 75 anos que já não queiram viver! É o terror sobre os idosos em marcha.
Ademais, ninguém olhará da mesma maneira para os médicos e enfermeiros. Quando entrarmos num hospital com diagnóstico grave, jamais nos vamos livrar do medo sem saber se aqueles profissionais que nos calharam na rifa são pró-eutanasia e vão dar tudo por tudo para nos ligar à vida. A desconfiança vai reinar porque todos sabemos que num país com cultura corrupta muitos receberão dinheiro para fazer sumir à luz da lei. Não vale a pena fingir que isso não é possível. Sabemos que sim. Perguntem aos idosos holandeses que migram para lares na Alemanha, por medo.
Esta lei é a antítese da liberdade individual porque coloca na mão do Estado, corrupto, mentiroso, pouco transparente, a nossa tão preciosa vida, dando-lhe poder de decidir sobre ela. Assim, não tardará o dia em que vamos ter de deixar escrito que não autorizamos que nos matem em caso de perda de consciência num acidente, doença grave ou velhice.
Eutanásia é um retrocesso civilizacional. É o assumir do fracasso como sociedade que se demite de proteger, ajudar e cuidar numa era onde a ciência nunca foi tão evoluída e capaz das mais espectaculares descobertas. Por que retirar a esperança às pessoas? É também sinal de hipocrisia quando se criminaliza a prática nos cães a que chamam evolução para a legalizar nos humanos. Não faz qualquer sentido.
Recordo aqui que no AltaDefinição Cristina Caras Lindascontava que quis morrer depois de uma doença terrível que a pôs de coma e quando acordou só mexia a cabeça. Graças à equipa de médicos e enfermeiros extraordinários, que não desistiram, a quem ela agradece emocionada a vida que recuperou, diz-se hoje uma mulher muito feliz por poder usufruir do neto maravilhoso, que entretanto a vida lhe deu e que adora. Caso para perguntar: e se tivesses sido eutanasiada, Cristina?
Não precisa de responder, nós sabemos a resposta.
E agora não pintam nada?
Em 2012, Merkel visitou Portugal. O BE viu nessa visita uma provocação e exigiu “que o Governo apresente contas sobre o custo financeiro para os contribuintes das medidas de segurança que o Governo está a preparar”
Pelas paredes surgiram pinturas de fino recorte e em frente à AR houve manifestações. Os activistas do costume fizeram uma carta aberta contra a vinda de Merkel a Portugal ,Jerónimo de Sousa garantia «Quem manda em Portugal não é a senhora Merkel» Jerónimo de Sousa diz que quem manda em Portugal é o povo português» E Mário Soares escrevia esta espécie de redacção: Os portugueses, desesperados, não ignoram a visita. Mas já se percebeu que o povo português não gosta da senhora Merkel nem a chanceler do nosso povo.
Fizeram-se inquéritos com as respostas do costume:
Amanhã há mais
A eutanásia passou. Quer dizer, chumbou, mas é temporário, há-de passar.
Estou noutra agora. Não sei se vai ser a redução da idade do consentimento sexual, o regresso da pena de morte, a abolição compulsiva do pénis, a campanha “adopte um refugiado”, a adopção de crianças por casais de pedófilos ou a ilegalidade de bebés com sexo, mas, com a eutanásia ganha, vem aí outra, ah pois vem. E outra. E outra. E outra. E o Papa Francisco apoiará, as crianças das escolas cantarão novos hinos e o Rui Rio voltará para Santa Helena a pensar no que correu mal (não pergunta, se perguntasse qualquer um lhe diria) enquanto a Assunção Cristas lá conseguirá mais um ponto percentual, sabe-se lá porquê, enquanto o resto da Direita continua à espera do D. Sebastião. Às tantas, a figura messiânica já andou por aí, mas não me parece que, sendo o caso, o conseguissem identificar. Já é assim há 2000 anos, mesmo que aqui seja só há 900, e é assim que tem que ser, porque é o que é, e o que é tem muita força.
As (in)Capazes
Assumo sem problema algum que não sou nem nunca serei feminista. Mas isso não significa “ódio às mulheres” como alguns homens e mulheres feministas me conotaram (francamente!). Bem pelo contrário: significa que não aceito que se diminua a mulher retirando-lhe capacidades intrínsecas de conquistar objectivos para justificar sua pseudo-defesa por grupos de mulheres radicais e obsessivas. Dizer que uma mulher para conseguir algo na sociedade precisa de outra mulher ou grupo delas, é ofensivo. A mulher para conseguir tudo o que quer na vida só precisa de vontade, determinação e acreditar nela sem medos para iniciar a mudança. Mulher só não consegue o que não quer.
Lutar pela igualdade de direitos é uma luta de todos, por todos, sem discriminação. E ao fazê-lo por uns, abre-se portas aos outros. Mas a mulher em particular pela sua poderosa natureza de lutadora resiliente capaz de superar barreiras inimagináveis aliada a uma persistência invulgar, foi desbravando caminho para chegar a todo o lado praticamente sozinha. As mulheres sempre souberam ultrapassar tabus e preconceitos com sua teimosia rebelde e poderes de sedução. Sim. Sedução. São as únicas que conseguem dar a volta aos homens fazendo-os perder a razão em segundos e dominá-los sem que se dêem conta usando a narrativa certa. Usaram e usam essa arma desde que existem. Por isso são as mais poderosas dos dois sexos. Se você é mulher e nunca viu isto, é cega.
Ter direitos iguais não significa eliminar as diferenças entre sexos como se as diferenças fossem algo pejorativo para a mulher. Ser diferente é ser o complemento, a diversidade que traz mais valias à sociedade. Precisamos tanto da sensibilidade e intuição feminina como da razão e objectividade do homem. Um ambiente de trabalho que não seja equilibrado entre géneros trará problemas. A propósito, trabalhei como docente em escolas com mais de 100 pessoas onde as mulheres eram sempre em maioria. Nesse universo desequilibrado (com poucos homens), os problemas começavam a aparecer (devido à natureza fortemente competitiva entre elas) assim que uma outra mulher se destacasse e fosse mais popular junto dos alunos ou professores masculinos.
Porque as diferenças não são uma construção social. Podem vir com todos os estudos encomendados que quiserem. Jamais conseguirão que eles expliquem porque uma célula masculina é diferente de uma feminina. Não vale a pena bater no ceguinho. A biologia é incontornável e determina os géneros vincando o que os diferencia e ainda bem. As feministas que insistem em contrariar este facto, mas dizem-se casadas, que me perdoem: começo a duvidar que têm realmente um homem em casa porque quem os tem sabe o quanto são diferentes sem precisar de estudos para o demonstrar. Por outro lado, se fosse realmente uma construção social, como se explica que minha filha mais velha nascida nos anos 80, onde não havia ainda lavagem cerebral da ideologia de género, nunca tivesse pedido uma boneca, nas fileiras dos brinquedos devidamente separados pedia para que comprasse action-man, tartarugas ninja, jogos da Sega e legos enquanto os dois mais novos, nascidos nesta nova era da estupidez da ideologia de géneros, a rapariga escolhia bonecas, cozinhas e maquilhagem e o rapaz sempre se interessou por máquinas com rodas? Afinal em que ficamos?
Num programa da tarde em que Rita Ferro Rodrigues era apresentadora, falava-se de mulheres e homens que tinham renunciado a carreiras profissionais para tomar conta da família (sim, existem pessoas assim). Quando as senhoras referiram ter sido por opção – e que eram discriminadas por outras mulheres por isso – Rita ignorou completamente. Mas quando foi a vez do homem, elogiou, louvou, e até se emocionou! Porque não teve a mesma reacção para ambos? A hipocrisia das feministas não termina aqui. A mesma Rita que diz defender as mulheres defende a entrada massiva de migrantes islâmicos com uma cultura de opressão bárbara sobre a mulher. Mais ainda: as Capazes que ela lidera defendem coisas como por exemplo a suspensão do voto de homens brancos para equilibrar a sociedade. É isto a defesa pela igualdade?
A lógica das Capazes é esta: a mulher pode ser enfermeira em vez de médica ou simplesmente renunciar a uma carreira para tomar conta da família? Pode mas não deve porque isso revela que inconscientemente a sociedade a oprimiu. Pode dirigir uma multinacional, governar um país ou ter um cargo de direcção na Administração Pública? Pode e deve porque só assim luta pela igualdade. Assumir-se diferente do homem? Nunca, porque isso é desvalorizar-se! Na óptica destas senhoras, temos todas de ambicionar altos cargos e carreiras de topo senão significa que estamos a ser oprimidas. Tal e qual.
As Capazes não passam de incapazes que não foram habituadas a lutar por nada. Que não sabem os caminhos para as conquistas porque tudo lhes foi dado de bandeja, sem esforço. É gente incapaz de esfolar as mãos, para atingir metas. Nunca tiveram de construir nada por si, com derrotas e fracassos pelo meio. Viveram numa bolha social fofinha onde um dia sonharam criar associações inúteis para arrecadar 73 000€ por 4 sessões de palestras no Alentejo fazendo crer aos incautos que estão a defender algo quando na verdade estão apenas a orientar-se à conta do erário público. É tão somente isto.
Se o suicídio é um direito…
…não seria suposto criminalizar quem tenta evitar que alguém exerça esse direito?
Vida sem esperança
Prémio título do ano
Morte assistida: está na hora!
Por quem é sr dr. Vá andando que eu estou um pouco atrasada
para onde vai pedro passos coelho?
Nada escrevi acerca do debate travado entre Adolfo Mesquita Nunes e Vasco Pulido Valente, sobre o tema «para onde vai a direita», que teve lugar na semana passada no Grémio Literário. Não estive lá, mas li o magnífico texto que lhe dedicou o José Meireles Graça, mais do que suficiente para uma aproximação ao que por lá se passou. A dedicar-me ao assunto tenderia a dizer o óbvio, que seria redundante: que não há, de momento, um pensamento político e estratégico de direita em Portugal, se por esta for entendido qualquer coisa que escape ao estatismo social-democrata/socialista mainstream, que tem orgasmos múltiplos e prolongados com as «vitórias económicas da geringonça e do Cristiano Ronaldo das finanças», esta semana orgiacamente festejados, «ambos os dois», na Batalha. Como diria também que a nossa tradição direitista em Portugal não é liberal, limitando-se a versões adocicadas de uma democracia-cristã situada entre o beato e o iliberal, o que não me fascina. E acrescentaria ainda que, por muita consideração que tenha pelos dois, que a opinião de um homem estruturalmente avesso ao primado do mercado e de outro que está partidariamente comprometido ao mais alto nível, sempre me mereceriam alguma reserva sobre as conclusões que pudessem retirar num tema como este, por mais interessante que fosse – como certamente foi – o debate.
Acresce ainda que todos os momentos de direita que o país teve, desde o começo do século passado, foram pouco agradáveis e quase sempre terminaram muito mal. Sidónio quis implantar uma ditadura e pagou-a com o próprio sangue; Salazar criou um regime de repressão e de isolamento asfixiante do país e das pessoas; Marcello Caetano criou expectativas que não cumpriu, e acabou dentro de uma chaimite empurrado pela populaça; Sá Carneiro morreu sem ter concluído um ano de governo da AD; dos governos seguintes de Balsemão e Freitas o melhor é nem falar; Cavaco Silva recebeu toneladas e toneladas de dinheiro de Bruxelas para criar o novo «homus cavaquensis», um irredutível e intrépido empresário lusitano que nos deixou um governo liderado por António Guterres; Barroso comprometeu-se a tirar o país do socialismo e pôs-se a andar para Bruxelas assim que pode, legando-nos, em seu lugar, o seu delfim e ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, Pedro Santana Lopes.
Neste contexto, discutir uma coisa que não existe ou que, quando aparece, é pouco mais do que desagradável, não se recomenda a ninguém. Mas, sabendo-se que «em terra de cegos quem tem olho é rei», Vasco Pulido Valente disse, pelo que li no texto do Zé, o óbvio ululante: a direita portuguesa tem um «líder natural» que está, de momento, na reserva. De modo que este debate poderia ter tido outra designação: «Para onde vai Pedro Passos Coelho?». Nas últimas décadas, apesar da experiência governativa de coligação com Paulo Portas e o FMI a que teve de sujeitar-se, Passos foi a única coisa a aparecer na direita à margem do pensamento socialista e estatista que sempre a caracterizou. É por isso que é ele – e não o PSD, muito menos Rui Rio – que o PS e António Costa continuam a temer. Porque é dele que pode vir uma verdadeira alternativa ao que está. De resto, o móbil do congresso socialista da Batalha deste último fim-de-semana, foi-lhe inteiramente dedicado: «o PS provou que também sabe de economia e finanças públicas».
Neste seu interregno, Pedro Passos Coelho que reflicta como se pretende voltar a presentar ao país. Não terá terceira oportunidade.
Under Pressure

O Parlamento vai debater a despenalização da eutanásia, e Rui Rio, um defensor dessa ideia, já veio lamentar a pressão que está a ser exercida sobre os deputados por parte de pessoas que a ela se opõem. O Presidente do PSD tem a razão do seu lado. O povo, como se sabe, nunca está satisfeito. Antigamente queixava-se por viver em ditadura; agora, que já tem a oportunidade de eleger e pagar o salário a deputados, acha-se com o direito de ser por eles representado. É gente muito chata e exigente, às tantas pensam que isto é alguma democracia representativa.
Esta atitude dos eleitores, profundamente desagradável, revela-se também nas críticas que fazem à ausência de debate sobre o assunto durante a campanha eleitoral e à omissão do tema nos respectivos programas. Como se fosse possível abordar tudo em textos que não ultrapassam as 92 páginas, no caso do PS, e as 148, no caso do PSD. Deixemos esse espaço nobre e reduzido para as questões verdadeiramente importantes. Ainda para mais, essa lacuna servirá para promover a igualdade na sociedade portuguesa: tínhamos os cidadãos que ignoram as propostas partidárias por não se darem ao trabalho de ler os programas eleitorais, e agora também temos os cidadãos que ignoram as propostas partidárias apesar de se darem ao trabalho de ler os programas eleitorais; e tínhamos os cidadãos que não liam os programas eleitorais por estarem divorciados da política, e agora também temos cidadãos que se vão divorciar da política por lerem os programas eleitorais. É um grande avanço para Portugal: antes uma ignorância informada do que uma simples ignorância.
Note-se que a posição de Rui Rio tem sido devidamente apreciada e elogiada por várias pessoas. Para grande azar são pessoas de esquerda, que nunca na vida nele irão votar. Mas é um bom começo. Um dia destes, quando tiver disponibilidade, talvez Rui Rio possa começar a agradar ao seu próprio eleitorado.
Em relação ao tema propriamente dito, só tenho um reparo a fazer. Aparentemente, as pessoas vão poder ser eutanasiadas nos hospitais públicos, mas apenas na modalidade a pronto. Quem se quiser eutanasiar a prestações, através, por exemplo, do consumo de croquetes, chamuças, croissants e refrigerantes, terá de continuar a recorrer a serviços de saúde privados. Penso que devemos rever este aspecto. A eutanásia a prestações, apesar de mais demorada, também acaba por ser eficaz. É o método que Rui Rio está a aplicar ao PSD e os resultados estão a ser bastante positivos.
Notas soltas sobre a eutanásia
1. No Oregon, a eutanásia é legal há 20 anos. Há cerca de 40 casos por ano. Na Holanda, com uma população apenas 4 vezes maior, houve mais de 6 mil em 2017, incluindo crianças com menos de 16 anos. Eu não aprovaria nada sem perceber o que causou a slippery slope num caso e não noutro.
2. Ramon Sampedro ficou tetraplégico aos 25 anos. Se a eutanásia fosse legal, teria morrido aos 26. Nos 29 anos seguintes escreveu um livro, defendeu uma causa (por acaso, a eutanásia) e deu inúmeras entrevistas. Viveu.
3. Muitas pessoas compram sepulturas e deixam dinheiro alocado para o seu funeral muito antes de morrerem. Fazem partilhas em vida ou deixam testamentos para que a sua morte não cause desavenças familiares. Aquelas que sabem que vão morrer uns meses antes procuram fazer as pazes com amigos e familiares, resolver inimizades e deixar conselhos aos filhos. A maioria das pessoas gosta de morrer no conforto de saber que deixou tudo tratado. Ramon Sampedro morreu sem saber se os seus amigos mais próximos seriam presos depois da sua morte por o terem ajudado a suicidar-se.
4. Não foram.
5. Há uma tendência a “fazer equipas” cada vez que se fala em assuntos fracturantes, como se fossem todos iguais. Como se o direito a casar, a abortar, utilizar técnicas de PMA ou a ser eutanasiado fossem tudo uma e a mesma coisa, com o mesmo tipo de considerações. Quem assume por defeito a posição progressista ou conservadora qualquer que seja a questão merece zero credibilidade, por muito atractiva que seja a retórica de trincheira.
6. Quantas pessoas foram condenadas por praticar a eutanásia em Portugal? Zero? Será que nunca houve eutanásia em Portugal ou vamos despenalizar algo que nunca foi penalizado? Será a hipocrisia marcelista do “É ilegal, mas pode-se fazer” um mal menor em relação ao risco de dar ao estado o poder de matar?
E assim iremos até que um acontecimento excêntrico ponha fim ao roteiro do combate-salvação
Vão-se os dedos, ficam os anéis
O rumo e o destino da Direita
Post de convidado: Paulo Milheiro da Costa

Respondendo ao amável desafio do Blasfémias e da Oficina da Liberdade, alinho aqui algumas breves reflexões sobre o rumo e, decerto imprudentemente, o destino da Direita em Portugal.
Estas linhas são escritas ainda sob a influência do que ouvi na passada sexta-feira, no Grêmio, da boca de Vasco Pulido Valente e de Adolfo Mesquita Nunes. Em particular, VPV foi arrasador para com a Direita actual. E eu concordo, aquilo que passa por Direita em Portugal hoje é lamentável, para ser simpático. Não há ideias, não há rumo, não há pessoas (AMN é por enquanto uma boa promessa, mas nada mais).
Mas o tema não é o estado actual da Direita portuguesa, é o seu futuro. E em politica, parafraseando uma frase famosa, o futuro é um país estrangeiro. Ou seja, pode ser muito diferente do que se imagina ao simplesmente projectar nele a realidade actual.
Para clarificar, se é esse o termo, uso a palavra Direita para designar o conjunto de eleitores que estão ou estarão disponíveis para votar em partidos que não sejam declaradamente socialistas. O primeiro problema da Direita é esse, tais partidos não existem ou são dirigidos pelas pessoas erradas, incapazes de um discurso que seja distinto do discurso socialista e, simultaneamente, vendável ao eleitorado português. Muita gente, julgo que a maioria, não acredita que o não-socialismo seja vendável em Portugal, porque o eleitorado está maioritariamente dependente do Estado e portanto é socialista, por interesse. Eu não acho nada que isso esteja demonstrado – é simples falta de imaginação e uma inclinação para o conformismo vitimista e auto-desculpabilizante – que há boas razões para pensar que, a um prazo razoável, digamos dez anos, a Direita tem hipóteses.
Primeira razão: metade, ou perto disso, do eleitorado não vota. E da metade que vota, pelo menos 40% vota no PSD e no CDS. Isso significa que a esquerda pode bem não ter a maioria social. Mesmo hoje, com todo o populismo de esquerda, não existe essa maioria de esquerda no eleitorado, longe disso. Claro, a Direita precisa de ter cabeça ou seja ideias e discurso claros para tirar partido disso. Hoje não tem. Mas onde está escrito que nunca terá?
O que me leva à segunda razão: pouco a pouco, têm vindo a surgir novos partidos ou projectos de partidos. Com erros, com defeitos, certamente, tendo para mais de enfrentar os puristas liberais ou conservadores instalados, sim, mas o ponto é que são vários e que são novos. De entre ele eles, é perfeitamente possível que surjam caras e ideias que consigam cativar o eleitorado que se desinteressou, em parte pelo grau ostensivo de corrupção e incompetência que começa a colar-se à geringonça. E há os jovens.
Que leva à terceira e última grande razão para não estar tão pessimista como é moda entre os meus amigos. O poder, mesmo o poder ardiloso e mentiroso dos socialistas, desgasta. Esse desgaste, por si só, é (devia ser) uma fonte de esperança para a Direita. Aliado aos escândalos de todo o tipo associados à governação da esquerda e às razões apontadas acima, custa a perceber o derrotismo de tanta gente à Direita.
Eu acredito que nos próximos anos muita coisa vai mudar que pode por sua vez mudar para muito melhor as perspectivas da Direita. Não será, claro, com os protagonistas baços e falhos de ideias como temos desde 2015 (sim, Passos incluído, deixem o homem em paz, deixem-se de sebastianismos). Será com novos políticos, novas caras, novas ideias e novos eleitores. Mas confio que o socialismo não pegou de estaca em Portugal. Isso é conversa de derrotados da vida.
Paulo Milheiro da Costa
Alfragide
Este Governo é um lixo
É todos os dias isto. Notícias atrás de notícias a dar conta de mais trafulhices, de mais roubalheira, de mais corrupção. Um fartote de ilegalidades à descarada a que chamam depois de descobertos, “lapsos e percalços” (estão a gozar literalmente connosco) como se fossemos todos mentecaptos! Não há pachorra para tanto abuso de poder à luz do dia enquanto se movimentam como se tudo isto fosse perfeitamente normal num Estado de direito. Só numa semana (sem mencionar os casos acumulados durante os três anos de governação) foi uma catadupa de acontecimentos vergonhosos que nos coloca ao lado dos países mais subdesenvolvidos! É a indecência a governar como na Venezuela! Siza Vieira é agora o protagonista do “filme” (mais um) onde contracena com Ivo Rosa e António Costa . É isso mesmo. Um no MAI, outro na Justiça, outro como 1º Ministro. Que fantástico!
Esta semana foi a notícia de que António Costa fez especulação imobiliária (sim ouviu bem). Usando o seu status de 1º Ministro comprou a um casal de idosos uma casa no Rato por 55 mil, valor muito abaixo do preço de mercado, vendendo dali a 10 meses pelo dobro insinuando que era para a filha, coitadinha, que queria morar ali pertinho do café do irmão. Que ternura! Nada disto teria tido grande importância se não tivesse este mesmo condenado até à exaustão estas práticas nos privados (essa “raça” de gente que ele persegue). Vamos recordar o que foi dito por ele: “O PSD e CDS criaram uma lei das rendas injusta e desumana que nem os idosos poupa a especulação imobiliária”. Está a ver o carácter desta criatura? Pior: usou a confiança depositada pelo casal, que tinha melhor proposta, por ser o Ministro de Portugal. Abominável. Ora a transacção deveria ter sido comunicada ao TC em 60 dias. Só o foi passados 287 e a venda 71 dias depois. Costa alegou lapso. Pois está claro. Esse “senhor lapso” tem as costas largas. Nada de novo.
Seguiu-se outro artista, Siza Vieira, aquele advogado cuja Sociedade de Advogados, a Linklaters, assessorou o contrato do SIRESP assinado por Costa e Constança em 2006 e o transformou naquilo que é hoje: um negócio que iliba a empresa de qualquer responsabilidade em caso de catástrofe. Não é digno de génio? E que depois foi contratada de novo por Constança para dar um parecer sobre essa mesma cláusula!! Ou seja, contrataram a “raposa” para verificar a segurança do “galinheiro” cujo sistema foi implementado por essa mesma “raposa” e fazer assim uma análise “independente”. Veio agora a público que este camarada tinha constituído 24h antes de tomar posse como membro do governo de António Costa, uma sociedade imobiliária – que não possui desde então qualquer registo de actividade – vocacionada para a administração de bens próprios e alheios, assim como actividades de consultadoria, da qual se esqueceu de desvincular por ignorar as incompatibilidades. Assim como se esqueceu que um advogado não pode ser detentor de empresas de imobiliário. Sim porque há que lhe dar desconto. Não é por ser advogado que tem de ter a legislação toda na ponta da língua, não é? Pois. Soubemos ainda que se esqueceu de mencionar que também era presidente da Mesa da Assembleia Geral da Metro e Transportes do Sul S.A. enquanto ministro! Também se esqueceu, coitadito, que fez uma reunião com os chineses em particular antes da OPA, os mesmos que tinham sido seus clientes na Linklaters e pediu só mais tarde escusa do processo. Há 4 meses que o Parlamento espera por respostas a esta trapalhada toda onde se verificou para cúmulo que além dos “lapsos” por “ignorância”, actualizou o seu histórico de actos societários alterando datas. Olha só que interessante.
Outro lapso, precipitado por este, esta semana, foi o do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto que teve de ser alertado pela Assembleia da incompatibilidade do seu cargo com a empresa que possuía. Meu Deus é só gente ignorante!
Mas a semana teve seu “momento alto” quando todos assistimos incrédulos às movimentações das “peças do tabuleiro político” do juiz Ivo Rosa que nos fez relembrar os “saudosos” Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Primeiro com o levantamento do estatuto de arguido a Manuel Pinho, depois com a ordem de destruição de e-mails e por fim o impedimento ao MP de acesso a dados bancários e fiscais de Mexia! Ora digam lá se isto não vos lembra nada? Eu ajudo: a limpeza de provas com os casos de corrupção que envolviam Sócrates.
A juntar a isto, que já é muito, tivemos de ouvir Costa no Congresso do PS afirmar com todos os dentes que tem na boca (e falta de vergonha também) que provaram que era possivel “sair da austeriade” sem sair do euro mesmo com dez subidas consecutivas de combustiveis – e mais uma a caminho – e as cativações escandalosas. Que o PS está na linha da frente no combate à corrupção mesmo com todos os casos de corruptos políticos do PS revelados agora como não há memória em Portugal (a menos claro, que se esteja a referir ao “combate” na eliminação de provas). Que o PS é o partido que melhor governa as finanças públicas mesmo com três bancarrotas no currículo e mais uma a caminho, onde aproveitou para aplaudir Sócrates o pai de uma delas.
Este governo é um lixo. Um bando de gente que se julga acima do poder, imune à justiça, fazendo os maiores atropelos possíveis às leis com um sorriso cínico de quem sabe que ninguém os vai punir, enquanto se mantiverem no poder, por mentirem, aldrabarem, enganarem toda uma Nação. Parafraseando Moita Flores: “A curto prazo a principal organização criminosa de um país será o próprio Estado.” Confirma-se.
O alma-grande
Riba Dal é terra de judeus. Baldadamente, pelo ano fora, o Padre João benze, perdoa, baptiza e ensina o catecismo por perguntas e respostas.
– Quem é Deus ? – É um Ser todo poderoso, criador do Céu e da Terra.
Na destreza com que se desenvencilham do interrogatório, não há quem possa desconfiar que por detrás da sagrada cartilha está plantado em sangue o Pentateuco. Mas está. E à hora da morte, quando a um homem tanto lhe importa a Thora como os Evangelhos, antes que o abade venha dar os últimos retoques à pureza da ovelha, e receba da língua moribunda e cobarde a confissão daquele segredo – abafador.
Desses servos de Moisés, encarregados de abreviar as penas deste mundo e salvar a honra do convento, o maior de que há memória é o Alma-Grande.
Alto, mal encarado, de nariz adunco, vivia no Destelhado, uma rua onde mora ainda o vento galego, a assobiar sem descanso o ano inteiro. Quem vinha chamar aquele pai da morte já sabia que tinha de subir pela encosta acima a lutar como um barco num mar encapelado.
– Raios partam o vento! Mas quê! Do mesmo modo que o Alma-Grande era certo na casa da esquina, sempre ao borralho, era certo o bafo da Sanábria a varrer a ladeira.
Diante da casa, bastava gritar-lhe o nome. – Tio Alma-Grande! ó Tio Alma-Grande!
Lá vai… Daí a nada a tenaz das suas mãos e o peso do seu joelho passavam guia ao moribundo.
Entrava, atravessava impávido e silencioso a multidão que há três dias, na sala, esperava impaciente o último alento do agonizante, metia-se pelo quarto dentro, fechava a porta, e pouco depois saia com uma paz no rosto pelo menos igual à que tinha deixado ao morto. Os de fora olhavam-no ao mesmo tempo com terror e gratidão. Às vezes, uma voz ou outra, depois do pesadelo, levantava-se do fundo da consciência e protestava; mas no dia seguinte acontecia ser essa mesma voz que no alto do Destelhado, sobrepondo-se à força do vento, o reclamava.
– Tio Alma-Grande! ó Tio Alma-Grande! – Lá vai… E aparecia à porta logo a seguir. Quando a hora do Isaac chegou, foi um filho, o Abel, que trepou a ladeira. O garoto vinha excitado, do movimento desusado de casa, da maneira estranha como a mãe o mandara chamar o Tio Alma-Grande, e da ventania.
– Que tem o teu pai, rapaz?
O pequeno olhou fixamente a cara seca do abafador.
– Febre… – Bem, vamos então lá…
– E que é que o Tio Alma-Grande lhe vai fazer?
– Vê-lo… Pela rua abaixo só o vento falava. Rouco de tanto bradar, monocórdico, persistente, era nele que tinha expressão a intimidade de ambos: um, o pequeno, nervoso, inquieto, a braços com pressentimentos confusos, que se recusavam a sair-lhe do pensamento; o outro, o velho, a aceitar aquele destino de abreviar a morte como um rio aceita o seu movimento.
Em casa havia lágrimas desde a soleira da porta. Mas a entrada do Alma-Grande secou tudo. Atrás dos seus passos lentos e pesados pelo corredor ficava uma angústia calada, com a respiração suspensa.
– O que é que ele lhe vai fazer? – perguntou de novo o Abel, agora à mãe, quando a porta do quarto se fechou.
A Lia respondeu ao filho com duas lágrimas silenciosas pela cara abaixo.
Lá dentro, colado à cama que a transpiração alagava, o Isaac parecia ter chegado ao fim. Branco, com dois olhos perdidos no fundo da cara, opresso, como que só esperava a ordem de largar a vela. Tinha adoecido havia quinze dias. Um febrão tal que o Dr. Samuel desanimou. Veio, tornou a vir, e acabou por aconselhar que tratassem do caixão. Mas o Isaac era cedro do Líbano, rijo, no cerne. Depois desse desengano ainda o mal o roeu seis dias sem o comer. E sempre de olhinho vivo. Gemia, gemia, finava-se, mas com aquelas duas contas de azeviche a reluzir. Acabou, contudo, por lhe pousar no rosto uma sombra estranha; e a mulher, a Lia, abriu mão da esperança. Dois dias mais, e como na sala a D. Rosa lembrasse a confissãozinha, um irmão do Isaac, o Daniel, chegou-se à cunhada e deixou cair, entre duas palavras de consolo, o nome do Alma-Grande. A Lia, a princípio, reagiu quanto pôde. Mas a perspectiva do padre João a entrar-lhe pela casa dentro venceu-a Mal rompeu a manhã, com uma voz que fez medo ao filho, mandou-o chamar o abafador.
Quando o Alma-Grande entrou, o Isaac estava no auge de um combate que quase sempre se trava de corpo extenuado. O inimigo era uma parte de si mesmo apostada em perdê-lo. E a outra metade, um pedaço de ser nobre e agradecido à seiva, corajosamente defendia o resto da muralha. As bagadas pelas têmporas abaixo e um ritmo apressado da respiração davam sinal desta guerra. Mas de nada mais precisava, quem olhasse com limpos olhos humanos, para sentir a grandeza e a solenidade de tal hora.
Por desgraça, o Alma-Grande não podia ver aquilo. Insensível à profundidade dos mistérios da vida, sem o estremecimento de uma fibra sequer, avançou para o leito num automatismo rotineiro. O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.
No seu castelo o Isaac pelejava sempre. O fole pressuroso do arcaboiço metia ar na fornalha; espesso, cálido, activo, o suor ia brotando do vulcão.
A casa dir-se-ia um sepulcro habitado por vivos petrificados e mudos. Só no quarto havia movimento e palpitação. Calado, o Alma-Grande avançou. Mas quando de mãos abertas e joelho dobrado ia a cair sobre o Isaac, fê-lo parar uma voz diferente de todas as que ouvira em momentos iguais, que parecia vir do outro mundo, e dizia:
– Não… Ainda não… Ainda não… Quantas vezes o abafador tinha escutado aquilo, gritos de desespero, apelos sôfregos e angustiados, sem se deter na sua missão sagrada! Quantas vezes! Desta, porém, o apelo e os gemidos soavam-lhe nos ouvidos doutra maneira.
– Não… Não… Ainda não… Um pano escuro que até ali vendara os olhos do Alma-Grande queria rasgar-se de cima a baixo. E o abafador, paralisado entre as trevas do hábito e a luz que rompia, lembrava uma torrente subitamente sem destino.
– Não… Ainda não… Ainda não… Era terrível o que se passava. A luta que o Isaac sustentava contra forças que nunca ao certo se conheceram, juntava-se o embate dos dois homens, um a saber que ia matar, outro a saber que ia ser morto.
Estiveram assim algum tempo, de olhos cravados um no outro, a medir-se. Pesado, o suor escorria pela cara do Isaac; quente, o sangue martelava nas têmporas do Alma-Grande.
Foi o ruído súbito e em guincho de uma porta que fez explodir aquela concentração.
O barulho a ouvir-se, e o Alma-Grande, como um peso suspenso e de repente liberto, a cair em cima do moribundo. Nem uma palavra só. Apenas um baque surdo, e as mãos sôfregas do agressor à procura do pescoço do Isaac.
Mas a porta que rangera dera entrada a alguém. A um vulto que o Alma-Grande adivinhava atrás das costas, parado, lívido, a tentar compreender.
Um esforço supremo do Isaac para se livrar das garras que o apertavam e a presença atónita do Abel, tiraram às mãos e ao joelho do Alma-Grande a força habitual. Bem que se extremara nele o assassino, o animal que bebia a grossos tragos o fio de vida que encontrava no caminho! Bem que se lhe avivava na consciência a certeza de que era matar a razão do seu destino! Em vão. O puro instinto não tinha coragem para empurrar aquelas mãos e aquele joelho diante de uma testemunha.
Ergueu-se. Com o rosto coberto por um pano de lividez igual à do agonizante, voltou-se. E sem coragem para encarar os arregalados e aflitos olhos do pequeno, que o varavam, silenciosamente, saiu. Atravessou a sala cabisbaixo, longe da majestade trágica das outras vezes. Deixava atrás de si a vida, e a vida não lhe dava grandeza.
Quando, um segundo depois, a Lia, como um bicho culpado, entrou no quarto, o filho estava sentado na cama, com a pequena mão na testa do pai. A criança debatia-se num agitado mar de brumas; mas o seu coração ditava-lhe a mãozita ali, na fronte escaldante do que lhe dera o ser, do mesmo modo que lhe ordenara já a entrada sorrateira e inquieta no quarto.
E foi talvez o gesto inocente e filial que fez correr novamente nas veias do Isaac o sangue da confiança. Sem confissão, vinte dias depois comia o caldo ao lume como se nada tivesse sido. E nada tinha sido realmente para toda a gente da terra, menos para ele, para o pequeno e para o Alma-Grande. Os outros passaram da agonia à morte e da morte à ressurreição, na inconsciência de quem passa do calor ao frio e do frio novamente ao calor. Só os três sabiam, de maneiras diversas, que o drama fora mais negro e profundo. O Isaac vira as garras da morte ao natural; o Alma-Grande olhara pela primeira vez a escuridão do seu poço; o garoto, esse, pressentira coisas que não podia clarificar ainda no pensamento.
Vagaroso, o tempo foi deslizando; e com ele apagara-se já de todo na lembrança da terra a doença do Isaac. Missa e Sabath.
Os três, porém, debruçavam-se sem descanso sobre o lago onde se reflectia a imagem negra do passado. O Isaac, cada vez mais dorido, olhava, olhava, e via a vingança; o Alma-Grande, cada vez mais culpado, olhava, olhava, e via o medo; o pequeno, inocente, via apenas a angústia de não entender. E os três formavam como que uma ilha de desespero no mar calmo da povoação. Não se falavam, fora do filho a pedir a bênção ao pai, do pai a dar-lha, e de uma saudação ambígua e monossilábica do Alma-Grande ao passar pelo Isaac. Mas traziam-se guardados uns aos outros, como se nenhum deles quisesse perder a hora em que, para a eternidade, varressem do céu das consciências a nuvem pesada que o toldava.
E esse momento, finalmente, chegou. Vinha o Alma-Grande de ver a filha e os netos, em Bobadela, quando o Isaac, que o seguia como um cão de fila, lhe saltou à estrada. Testemunhas, só Deus e o Abel, que, sem o pai suspeitar, o acompanhava também por toda a parte, e olhava a cena escondido atrás de um fragão.
– Não matarás… Assim era no Evangelho. Fora dele, numa lei diferente, a moral tinha outros caminhos, como o próprio Alma-Grande sabia.
– Não matarás…
O Isaac, porém, olhava o Alma-Grande com os mesmos olhos implacáveis que lhe vira nas horas de agonia.
– Não… Não… Mas o Isaac era o mais novo e o mais forte. E. quando o Alma-Grande foi a dar conta, estrebuchava no chão, de costas, com o pescoço apertado nas mãos do outro, e com a tábua do coração sob o peso infinito de um joelho.
– Não… Não…
O pequeno, do penedo, via a cara congestionada do Alma-Grande, e ouvia o esforço da respiração a forçar o garrote.
– Não… Possantes, inexoráveis, as tenazes iam apertando sempre. E, com mais um estertor apenas., estavam em paz os três. O Isaac tinha a sua vingança, o Alma-Grande já não sentia medo, e a criança compreendera, afinal.
Miguel Torga, Novos Contos da Montanha
O que diz Vasco Pulido Valente?
Para onde vai a Direita?
Segundo o relato de José Meireles Graça, Vasco Pulido Valente defende que “o CDS devia estar menos preocupado em esgaravatar mais 3 ou 4% de votos ao PSD e mais em falar à nova classe média, a dos 48% de jovens portugueses qualificados que ganham sem esperança 1.000 ou pouco mais euros, e que ou são abstencionistas ou votam no Bloco, e às antigas profissões liberais que foram forçadas a evoluir para trabalhadores assalariados; Rui Rio é um líder regionalista que quer encher o país de pequenos napoleões locais, com o respectivo séquito de funcionários e esferas de poder, sem nenhuma ideia nacional que preste; o CDS é um partido pequeno porque a seguir ao 25 de Abril não existia para colonizar o Estado, como fizeram o PS, o PSD e o PCP, e portanto o poder, os lugares e as clientelas foram acaparados; o PCP de hoje não é o mesmo PCP que o PS hostilizou in illo tempore, a sua perda de poder e influência, no Alentejo e, por exemplo, em Almada, significam que o PS pode conviver com ele desde que num clima permanente de regateio – é o que a geringonça faz, regatear; e a direita tem hoje em Portugal um líder natural – que não nomeou mas se inferiu ser Passos Coelho, que estava presente.”
O texto completo está aqui disponível.
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O bioprogressismo
Da vergonha
Considero a legalização da eutanásia a decisão mais grave para a sociedade portuguesa que a Assembleia da República pode tomar. Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aqueles que votarem a favor da eutanásia.
SS – Simplex Siza

O Ministério da Justiça, Autoridade Tributária e demais serviços do Estado permite desde ontem que qualquer cidadão que se tenha atrasado nas suas obrigações legais de reporte passe a regularizar a situação, bastando para isso a entrega em qualquer momento posterior de uma carta datada da forma mais conveniente para o interessado.
Para todos os efeitos, a data passa a ser considerada válida e oficial não é a definida por Lei para cumprimento da obrigação, mas sim a data que constar da carta que o cidadão submeta aos serviços estatais, independentemente de quando isso aconteça.
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Esta base de dados ainda vai voltar a estar na moda

A Autoridade Tributária
tambeḿ tem de respeitar a legislação da protecção de dados? Estou a pensar informar a AT que não aceito ser contactada por ela e não quero transmitir-lhe qualquer tipo de informação sobre mim.
Deixemo-nos de tretas: foi aprovada (mais) legislação para controlar e sacar dinheiro às empresas enquanto o Estado reúne sem qualquem limite informação sobre cada cidadão a um nível de detalhe inimaginável há poucos anos.

