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O “interior profundo”

27 Junho, 2018

Não o compreendi imediatamente, daí que tenha estranhado que o familiar de um familiar que serviria de guia na minha visita adolescente a Paris tivesse dúvidas se a Torre Eiffel se situava na margem norte ou sul do Sena. Um homem que, vivendo há 40 anos em Paris, não sabe exactamente onde fica o elemento arquitectónico mais famoso da cidade? Depois comecei a pensar: ele dizia viver em Paris, mas, na realidade, vivia em Noisy-le-Grand, a 23 km este da Torre Eiffel; isto é como se um tipo que vive em Lavra, Matosinhos, disser que é do Porto, o que está bem.

Os quarenta anos “de Paris” foram passados a carregar baldes de argamassa, não a fazer turismo. “É só uma torre, diz que é bonita, é porque é. Vem gente de fora ver isto. Bonito, para mim, é Amarante, não é isto”.

Sempre que se menciona “o interior profundo”, fico sem saber o que isso é. Quantas pessoas de Alfama não vêem a Torre de Belém há mais de dez, vinte, trinta anos? O que é o “interior profundo”? É o empresário da Guarda com um BMW 730 que consegue passar uma noite tranquila e chegar a Aveiro ou Porto às nove da manhã? Ou será a velhota de vestes pretas em São Pedro da Cova que uma vez na vida viu a Torre dos Clérigos por contingência da cirurgia realizada no Hospital de Santo António há já muitos anos?

Não sei se será cegueira ou inconsciência, mas qualquer cosmopolita dos que opina sobre “o interior profundo”, por muito pitoresco que o possa achar, não precisa mais que uma voltinha por partes da sua própria cidade, sem sequer necessitar sujar-se nos subúrbios, para o encontrar. Temo é que, quando o encontrar, não o saiba reconhecer.

Ah esqueci-me

26 Junho, 2018

… acham que o demagogo do Trump vai desatar a falar sobre o Mundial de Futebol com o nosso Presidente? Quiçá a fazer comentário dos jogos e fazer até de conta que é um treinador a desenhar estratégias de jogo?.. Deve ser realmente um tremendo embaraço para o professor Marcelo Rebelo de Sousa ver-se em tal situação.

Já agora se o Trump confundir Portugal com Espanha e perguntar pelo nosso muro em Ceuta e Melilha sugiro que o nosso Presidente diga que aquilo não é um muro para separar pessoas mas sim uma instalação artística que visa promover o diálogo. É um fake muro.

Se bem percebo

26 Junho, 2018

o país mediático está angustiado com a possibilidade de o presidente dos EUA optar por manifestar os seus afectos, romper o protocolo, ser genuíno, ser ele mesmo quiçá desatar a cantar ou dançar… enfim copiar o estilo  do nosso presidente.

Imobiliária Janus

25 Junho, 2018

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No debate parlamentar da semana passada António Costa acusou Assunção Cristas de ter provocado uma calamidade no país com a lei do arrendamento de 2012. É uma afirmação bastante dura que me deixa ligeiramente confuso. Por um lado, como sabemos, a primeira coisa que António Costa faz quando uma calamidade se abate sobre o país é ir de férias para Espanha – e eu não me lembro que tenha feito alguma viagem quando a legislação de Assunção Cristas foi aprovada; por outro lado, como também sabemos, a estratégia seguida por António Costa diante de uma calamidade é não fazer nada até que ocorra uma segunda – e esse princípio parece estar a ser cumprido neste caso, uma vez que este Governo está em funções desde 2015 e ainda não tocou nos aspectos essenciais dos diplomas em causa. Os sinais são, por isso, contraditórios: a ausência de repouso no estrangeiro afasta a hipótese de ter ocorrido uma catástrofe, mas a presença de repouso nos gabinetes ministeriais sustenta o cenário mais sombrio.

Se o nosso primeiro-ministro fosse praticante da arte do descaramento, atrevia-me a dizer que estamos na presença de jogo duplo: enquanto se aproveita dos múltiplos benefícios da lei (fim da expropriação encapotada dos proprietários, reabilitação das cidades, promoção do investimento, renascimento da construção civil, fomento do turismo, crescimento económico, redução do desemprego, etc.), trata de empurrar para terceiros as responsabilidade pelas suas consequências negativas. É sempre uma boa estratégia. Ainda ontem, quando descobri que o miúdo tinha conseguido, depois do cocó vespertino, arrancar a própria fralda, me virei para a minha mulher, com cara de enjoo, e atirei: “já viste o que o TEU filho fez?” Infelizmente, o sentido ético de António Costa não lhe permite estas jogadas rasteiras, o que complica em muito o desempenho do cargo. Esperemos, para seu bem, que nunca lhe faltem os toalhetes.

 

É uma espécie de sinergia: “Id hacia aguas españolas y aviso a Salvamento Marítimo”

25 Junho, 2018

Como um traficante de pessoas em Marrocos explica o seu trabalho: «Todo depende del presupuesto. Por 7.000 dirhams (631 euros) organizo convoys hacia Europa, con todo el material necesario para navegar (se refiere a una toy para siete personas y cámaras de neumático o chalecos de juguete a modo de salvavidas), seguridad a pie de playa y un mafia taxi que los deja al borde de la playa. A partir de ahí yo le voy indicando al grupo cómo deben actuar para que consigan tocar el agua. Después les digo que esperen 30 minutos, hasta que salgan de las aguas marroquíes, para avisar a Salvamento Marítimo».

Em resumo ele coloca as pessoas num caixão flutuante em aǵuas marroquinas e depois avisa as autoridades espanholas para as irem salvar.

Onde estava António Costa quando se discutiu a imigração em Bruxelas?

25 Junho, 2018

João Marques de AlmeidaO PM não encontrou tempo para ir a Bruxelas a uma reunião sobre um tema crucial para o futuro da Europa, mas vai hoje à Rússia assistir a um jogo do Mundial. Entre o futebol e a política europeia, Costa escolhe o que lhe dá mais popularidade.

por muitos e bons anos

24 Junho, 2018
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Entre a edição do meu último post, há um par de horas, e este que agora publico, fui jantar com a minha filha, e, durante o repasto, recebi a notícia de que Bruno de Carvalho, nem 24 horas depois de suspender vitaliciamente a sua condição de sócio, anunciou a sua candidatura a presidente do Sporting! Já me tinha causado alguma estranheza essa figura jurídica da «suspensão vitalícia», que Carvalho tinha ontem anunciado. Uma suspensão indicia sempre um possível retorno, mas o termo «vitalício» fez-me lembrar o inesquecível «irrevogável» do dr. Portas, um outro grande artista português de variedades, cuja ausência muito se tem sentido. Fiquei então ciente de que Bruno regressaria, para gaudio de nós todos, alegria da pátria e, principalmente, para a boa saúde financeira do Correio da Manhã e do grupo Cofina. Mas o que não poderia prever é que ele regressaria antes mesmo de nos ter deixado, o que constitui um novo paradoxo nacional. Mas foi o que ele fez. Exactamente enquanto a minha filha comia meio frango de churrasco e eu aviava uma bela posta de bacalhau à lagareiro.

Pois bem. É uma verdadeira deslealdade para todos os comediantes profissionais uma instituição oferecer-nos, ainda que generosa e desinteressadamente, um património desta riqueza: um mafioso de urinol como o Bruno de Carvalho, um substituto que esmigalha vidros de carros de luxo com garrafas de água, um Sobrinho que se tem de enfiar nas retretes para não levar no focinho, a oratória do “Jasus”, um ataque do Daesh indígena para dinamitar o seu próprio património, Santana Lopes, um banqueiro falido a explicar como se gerem empresas, um treinador nazi, o Octávio Machado, Marta Soares, Ferro-caga-para-o-segredo-de-justiça-Rodrigues, os chineses do Futre, eu sei lá!

Há uns dias escrevi que o Sporting era um «um saco de lacraus». Foi um injustiça. É apenas uma troupe circense que não desiste de nos divertir. Que Deus Nosso Senhor os poupe por muitos e bons anos.

um outro nível

24 Junho, 2018
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Quando pensava que nos íamos deixar de divertir com o Sporting, julgando que o clube passaria a ser dirigido por um tipo focinhudo e sem graça, como o Sobrinho ou o Ricciardi, tenho de confessar que me enganei: o regresso do saudoso Sousa Cintra, cuja entrevista à TSF, interrompida por um «lapso» com uma garrafa de água, ficará para sempre nos anais da comédia, é a garantia de que novos e melhores dias aí virão. Não deixando por mãos alheias os seus créditos, Cintra começou já hoje a prestar declarações públicas: “Aqueles que saíram, acho que bem possam voltar”, disse sobre os jogadores desertores. Soubesse eu disto há mais tempo e não teria senão apelado à defenestração leonina de Bruno de Carvalho. É que isto é um outro nível de comédia.

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

24 Junho, 2018

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

 

A política da miragem

24 Junho, 2018

Depois de nos anos 70 terem trauteado “A África é dos africanos” agora se pudessem despovoavam essa mesma África para através da imigração alimentarem o activismo do ressentimento. Tudo isto acontece num momento em que os políticos entendem que os povos têm os problemas que eles políticos determinam que existem. Eles não governam. Animam miragens. A imigração é uma delas. Mas para lá da miragem está o óbvio: receber imigrantes/refugiados num país tolerante com estado social não é um elemento neutro nesta operação.

 

Comércio e o interesse nacional

23 Junho, 2018

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Se Adam Smith desmontou já há muito tempo a visão mercantilista sobre o comércio internacional, talvez o título da sua obra mais conhecida não seja o mais feliz para que se perceba que as trocas comerciais se fazem entre indivíduos e organizações e não entre países ou nações.

Não é Portugal que exporta para Inglaterra ou Portugal que importa de Espanha. Não são os países enquanto entidades abstractas que têm preferências, gostos ou que tomam decisões sobre os produtos a comprar e vender. Só indivíduos ou entidades que se organizam de forma intencional, planeada e segundo regras próprias de comando em torno de desejos e objectivos comuns (empresas ou organismos do estado, pex) têm relevância económica para análise da acção humana.

A sociedade (ou economia, se se preferir o termo), mais não é do que o conjunto não planeado das interacções entre estes agentes.

Ora, neste pressuposto, resulta obtuso que se possa tomar como desequilibrado ou pernicioso o agregado de trocas comerciais voluntárias e, portanto, mutuamente benéficas entre agentes individualmente considerados.

Dito de outro modo: se os agentes económicos consideram que para melhorar a sua condição económica é do seu interesse importar mais do que exportar, por que razão o conjunto de todas estas interações há de ser considerado prejudicial para o país?

Os sistemas contabilísticos e em particular o recurso à análise da balança de pagamentos não nos deve desviar da realidade económica que lhe está subjacente. Os países não perdem nem ganham com o comércio internacional. Isso só se verifica ao nível dos indivíduos e dos agentes económicos. E é cada uma destas unidades que tem de gerir os seus orçamentos e responder pelas suas escolhas económicas.

Se não tivermos isto presente é porque partilhamos o ideal colectivista de atribuir maior importância à “nação” do que ao indivíduo. Só assim se poderá justificar a defesa da intervenção estatal no sentido de alterar ou “corrigir” os padrões de consumo e a livre gestão dos recursos próprios dos indivíduos.

Mas, em termos económicos, o “interesse nacional” existe? Ou o que existe é o interesse de cada uma das pessoas concretas que vive num espaço comum delineado por fronteiras a que chamamos habitualmente de “país”?
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O problema do gaiato que tratou Macron por Manu era não se dedicar à música techno

22 Junho, 2018

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dívida pública para totós

22 Junho, 2018
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Despesa pública é aquilo que o estado gasta para desempenhar e suportar um conjunto de actividades e funções que entende só poderem ser desempenhadas por si (segurança, justiça, educação, segurança social, etc.).

Dívida pública é a quantidade de dinheiro que, entre despesas e receitas do estado, fica por pagar.  Aqui há a considerar as despesas correntes do ano e as despesas com o passivo, isto é, com a dívida acumulada. Esta, por sua vez, é aquilo que o estado deixou de pagar ao longo dos anos.

Como o estado não é produtivo e, inclusivamente, destrói, com reiterada frequência, recursos que poderiam ser muito melhor geridos (veja-se, por exemplo, o relatório deste ano da Gulbenkian sobre o SNS) por uma entidade cuja finalidade fosse o lucro e não, por exemplo, a retribuição de favores partidários (veja-se, de novo, o citado relatório…), suscita-se o seguinte problema: donde lhe vem o dinheiro para pagar a sua despesa?

Quando os estados fabricavam moeda, o recurso habitual para suportar o aumento da dívida era pintar com cores garridas folhas de papel em branco e dar-lhes o nome de «dinheiro». A consequência imediata disso era a inflação, um processo normal de correcção do mercado pelo qual os produtores ajustam o valor de venda dos seus produtos ao valor (real) de mercado das unidades monetárias de troca. Bastaria conhecer um pouco de História Medieval para saber que «a quebra da moeda» nunca dá bons resultados. Mas, infelizmente, os governantes têm pouco tempo para ler História.

Em situação de desespero, alguns países fabricantes de moeda de fraca qualidade optavam por uma segunda medida «correctora» das «injustiças» económicas: tabelar os preços. Resultado? Falência dos produtores, que não conseguiam receita para suportar os custos da actividade, ou desvio de investimento de capital produtivo para países que permitissem uma melhor remuneração dos investimentos. Também a História ensina que, pelo menos desde o «máximo» da Revolução Francesa, essas medidas só servem para destruir um país.

Como, felizmente, já nada disto é possível (e, verdadeiramente, no plano dos resultados, nunca o foi…) em países civilizados, por exemplo, os que pertencem à União Europeia, o dinheiro para sustentar a conta dos estados tem de vir, necessariamente, numa percentagem esmagadora, dos impostos cobrados aos cidadãos e às suas empresas.

E donde vem este dinheiro cobrado pelo estado aos particulares? Do seu trabalho, da sua poupança e do investimento produtivo que fazem, obviamente, se valer a pena investir, isto é, se tiverem uma perspectiva de estabilidade económica e de obterem lucro. Pelo que qualquer governo minimamente racional tudo fará para que estes possam ganhar muito dinheiro e desenvolver as suas actividades produtivas.

Ora isto é o exacto contrário do aumento de impostos, das medidas que restringem as actividades económicas dos indivíduos e das empresas, em suma, de um clima económico incerto e inseguro para os investidores e para os que querem ganhar dinheiro com o esforço do seu trabalho e/ou das suas poupanças.

A solução que o governo do PS, com o Bloco e o PCP, apresentaram ao país, no início da legislatura, foi outra: ir buscar mais dinheiro aos contribuintes que ainda o têm e dá-lo a quem tem menos, para aumentar o consumo interno e, assim, desenvolver a economia. Só que nem esse dinheiro cobrado a mais foi entregue a quem tem menos (vd. os ridículos aumentos de pensões e salários do estado), nem o sofrível crescimento económico dos últimos anos lhe foi devido. Pelo contrário, ele resultou, essencialmente, de reformas do governo de Pedro Passos Coelho feitas sobre o imobiliário e o arrendamento, que transformaram essas actividades em actividades lucrativas, o que permitiu fazer renascer a construção civil, e, com isso, ganhar capacidade para receber turistas em grande quantidade, e desenvolver a restauração, a hotelaria, e aumentar a compra de imóveis e de produtos nacionais, etc.. E quais têm sido os resultados das novas medidas tributárias do actual governo: menos dinheiro no bolso dos portugueses ficarem para que eles possam poupar e investir.

Pois bem, quando ficamos a saber que a dívida pública portuguesa continua a subir exponencialmente e que o governo actual está a criar entraves ao arrendamento e aos negócios turísticos que têm sustentado o país, é de adivinhar o quê? Um enorme estoiro, a prazo, e o regresso do FMI. Preparem-se, pois então.

A táctica do costume

22 Junho, 2018

Como reage o socialismo-estatista quando um serviço público se degrada? Põe-se a discutir leis mais que perfeitas que garantem direitos mais direitos. Tudo gratuito, evidentemente. E sempre com os privados a serem apresentados como o inimigo a combater.

Começa esta sexta-feira o debate para mudar lei de bases da saúde

Futebol cirúrgico

21 Junho, 2018

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Acompanhar as participações da Selecção Nacional nos grandes torneios é assistir em tempo real à forma como se desenvolve um paradoxo. Sou do tempo em que os portugueses se entretinham a debater, e até a celebrar, vitórias morais. A equipa perdia o jogo mas, dado o extraordinário desempenho durante os 90 minutos, era como se tivesse ganho. Entretanto, durante o Europeu de 2016, perante uma sucessão interminável de empates que nos conduziram à inédita taça, franzimos o sobrolho com o orgulho ofendido. E agora, perante vitórias como a que foi alcançada contra Marrocos, soltamos doses cavalares de azedume e de desgosto pela prestação dos jogadores. As saudades que temos da época do “jogar como nunca, perder como sempre” levaram-nos a fechar o círculo e a substituir as vitórias morais pelas derrotas morais, desfrutando do futebol na óptica do bloco operatório: quanto mais pontos, maior a cicatriz. É possível que nem o troféu mundial nos livre da depressão que se está a instalar.

 

Costa amigo governa que nós fazemos estardalhaço para animar a malta!!!

20 Junho, 2018

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A guerra: imigrantes e cultura

19 Junho, 2018

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Ao escrever algo quando um tema está “ao rubro” na opinião pública corre-se o risco de os argumentos que se elaborem, mais do que nunca, serem treslidos, hiperbolizados, distorcidos ou pura e simplesmente ignorados. É difícil manter uma conversa intelectualmente honesta. Rapidamente se resvala para o plano pessoal e a catalogação dos intervenientes de acordo com estereótipos e caricaturas pré-estabelecidas.

Relativamente à questão da imigração ainda não percebi se os principais receios são de natureza cultural ou económica. É que quando se argumenta sobre a questão cultural, logo se contra-argumenta com a questão económica (ou vice-versa).

A objecção cultural que se vai observando por aí fica a dever-se ao facto de os imigrantes serem:

  • Islâmicos?
  • Pretos?
  • Islâmicos e pretos?

Ou será por quererem alterar o nosso modo de vida, os valores europeus e minar a sociedade tal como ainda a vivemos hoje em dia?

De acordo com a objecção cultural, a recusa de entrada de imigrantes deve ser aplicada a que grupos de pessoas?

  • A islâmicos?
  • A pretos?
  • A pretos islâmicos?

E esse não-acesso deve ser aplicado a todos os desse grupo? Ou há um número pré-definido de imigrantes que podem ser aceites?

Que tratamento dar a gente que queira alterar o nosso modo de vida, os valores europeus e minar a sociedade tal como ainda a vivemos hoje em dia, mas que já cá estejam dentro? Comunistas e Bloquistas devem ser expulsos de Portugal? O Pablo Iglesias ou o Varoufakis podem imigrar para cá?

Aos imigrantes deve ser vedado o direito de voto por forma a que não possam ter influência directa na escolha de políticas públicas?

Quem e de que modo se avaliam os critérios culturais acima mencionados para cada pessoa que queira entrar? O Estado através da discricionariedade de funcionários públicos? Se é fácil perceber quem é preto e quem é branco, que tratamento dar a mestiços? Vai-se perguntar que religião professa cada imigrante? Presume-se que as respostas que forem dadas sejam verdadeiras? Quem define o número de pessoas a entrar, o governo?

Devem ser colocadas a referendo estas questões? A Assembleia da República ou o Governo estão legitimados politicamente para tomar decisões nesta matéria?

Com base em que argumento moral se funda a objecção cultural à entrada de imigrantes?

Estas são algumas questões que não tenho visto serem respondidas com clareza e isso ajudaria à reflexão sobre o tema. Sei que o problema é complexo e nenhum de nós tem obrigação de ter a solução milagrosa para o assunto.

Todavia, será dispensável atribuir segundas intenções a estas minhas dúvidas, dizendo que estou a contribuir para o branqueamento do Islão, a defender o multiculturalismo ou a ceder a argumentos politicamente correctos. Não dou para esse peditório!

*

A ler

19 Junho, 2018

João Miguel Tavares: Os senhores que mandam na Universidade de Lisboa (…) tomaram duas decisões abracadabrantes: entenderam que o professor Domingos Farinho era a pessoa mais indicada para integrar o júri que vai decidir quais serão os nossos futuros juízes (sim, refiro-me ao professor Farinho que admitiu ter dado uma ajudinha a José Sócrates na escrita da sua tese de mestrado e que foi apanhado a fazer pesquisa para a sua tese de doutoramento) e concluíram que o novo regulamento europeu de protecção de dados proíbe que as pautas de avaliação sejam tornadas públicas. Os senhores da Universidade de Lisboa fogem da transparência como o Conde Drácula fugia da luz.

Do casamento

18 Junho, 2018
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Há poucos livros que me tenham marcado mais do que o Selfish Gene. Não pelo que lá está escrito, mas por todas as implicações do que lá vem para a forma como se percebe as instituições e os sistemas de valores, fugindo às amarras do pensamento reinante.

Por exemplo, o casamento. Porque é que o casamento, nas suas mais diversas formas, surgiu em todas as sociedades actuais de forma espontânea? Terá sido coincidência? Não, simplesmente as sociedades que não descobriram a instituição não sobreviveram para entrar nas estatísticas. O casamento é tão essencial porque a humanidade passou a esmagadora maioria da sua história com taxas de mortalidade infantil extremamente elevadas. Não precisamos de ir muito longe: há 200 anos, metade das crianças nascidas na Europa morriam antes de chegar ao primeiro aniversário. Se andarmos mais para trás na história da humanidade, as taxas são ainda mais elevadas. Nós hoje habituámo-nos a associar as taxas de mortalidade infantil ao rendimento dos pais, mas em grande parte da história da humanidade as diferenças de rendimento eram escassas. O verdadeiro determinante nas possibilidades de sobrevivência das crianças era o número de pais que providenciavam por eles. Ou dito de outra forma, se o pai ficava ou não a ajudar a mãe a tratar da criança. Problema: existia um forte desequilíbrio de forças e assimetria de informação entre homens e mulheres. A mulher fazia um investimento inicial bastante maior na concepção da criança (gravidez, amamentação, etc) e tinha, ao longo da vida uma capacidade reprodutiva mais limitada que o homem. Ao mesmo tempo, a mulher era a única a ter a certeza de que uma criança nascida era mesmo sua filha. Os incentivos da mulher eram de copular com o homem que tivesse os melhores genes e convencer um homem (qualquer um) a cuidar da criança como sua. Por outro lado, o homem tinha uma capacidade reprodutiva virtualmente ilimitada, mas nunca poderia saber ao certo se um filho era seu. Os incentivos do homem eram de copular com o maior número possível de mulheres e deixá-las sozinhas a cuidar dos filhos (mesmo com uma taxa de sobrevivência mais baixa, a possibilidade de ter mais filhos compensaria). Sem sequer ter a certeza se o filho era seu, o homem tinha poucos incentivos a gastar energias providenciando para aquelas crianças. Sem a instituição casamento, teríamos uma sociedade de mães sozinhas e homens que tudo o que faziam era guerriar-se pela possibilidade de copular com o maior número de mulheres possível. O casamento surgiu como forma de resolver esse problema. A mulher obrigava-se a ser fiel ao marido e o homem obrigava-se a providenciar pela mulher e pelos filhos daquele casamento. Em muitas culturas, ainda hoje, o pior crime que uma mulher pode cometer é ser infiel e há menos de meio século um homem em Portugal estava autorizado a assassinar a mulher se a encontrasse em flagrante infidelidade. A própria subserviência histórica da mulher e a clausura do lar resultava em parte disso: dar uma garantia ao homem que o contrato de casamento era cumprido. Mesmo culturas que aceitaram a poligamia, fizeram-no no pressuposto de que o homem teria que providenciar por todas as mulheres. A Poliandria não existe em nenhuma sociedade relevante, e nos nichos em que existe normalmente a mulher é partilhada entre irmãos (que tem implicações em termos de propagação de genes diferente).

Recentemente, várias instituições sobrepuseram-se ao casamento nesta função de garantir a sobrevivência das crianças. Embore continue a existir uma diferença de mortalidade infantil entre crianças em famílias monoparentais e com dois pais, a taxa é tão baixa que hoje o risco é considerado quase nulo. Com a maior esperança de vida, há muitas pessoas que se casam sem intenções de ter filhos ou já impossibilitadas de os ter. A inutilidade do casamento ficou definitivamente demonstrada quando a infidelidade deixou de ter efeitos legais e o divórcio unilateral passou a ser possível. Quebraram-se assim os dois pressupostos principais da instituição casamento: a fidelidade da mulher (que se tornou irrelevante depois de surgidos os testes de paternidade) e o compromisso do homem (que, ainda assim, se ainda vai vendo com as pensões de alimentos nos divórcios). Ou seja, a instituição casamento acabou. É hoje pouco mais do que um acordo civil de partilha de activos entre duas pessoas. Não faz por isso nenhum sentido que um tipo de contrato civil esteja vedado a duas pessoas do mesmo sexo (ou três, quatro ou cinco pessoas de qualquer sexo). É contraditório dizer que se defende o casamento tradicional e não ser contra a existência de divórcio, a punição legal da infidelidade, o casamento entre inférteis ou todas as outras combinações que afastam o casamento da sua versão original, quando era uma instituição essencial à sobreviência da sociedade. Quem o fizer está a cair na contradição de defender a existência de algo que na verdade, por outras vias, já há muito aceitou que não existia.

Assassinos de Bom Coração

18 Junho, 2018
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A Quarta Vaga de Emigração Cubana ficou conhecida como Crise dos Balseros. Em 1994, milhares de cubanos arriscaram a vida em minúsculas e precárias embarcações, as balsas, com o objectivo de alcançar a costa da Florida. A crise durou algumas semanas e durante esses dias centenas de cubanos desapareceram no mar.

A debandada terminou quando as autoridades americanas, cumprindo ameaças anteriores, decidiram transportar de volta à ilha todos os imigrantes encontrados no mar. A razão dessa recusa em aceitar os migrantes nada teve a ver com políticas de imigração. A situação de debandada da Cuba socialista para a América capitalista era uma robusta demonstração da falência do socialismo, mais efetiva que mil discursos, debates ou artigos de opinião. A razão pela qual os EUA devolveram os emigrantes a Cuba foi apenas uma: era preciso que a torrente estancasse. Enquanto os candidatos a balseros acreditassem que a probabilidade de sucesso era significativa, continuariam a arriscar a vida no mar. O que o presidente Clinton fez na altura foi erigir um muro no Estreito da Florida.

O que se passa actualmente no mediterrâneo mostra que a lição não foi aprendida. A única política que poderá por termo à mortandade no mar é a Tolerância Zero. Todos os imigrantes devem ser recolhidos e salvos do mar, mas de imediato devolvidos ao país de origem. Só quando a convicção generalizada nos países emissores for que a probabilidade de sucesso é nula é que o Mediterrâneo deixará de ser um cemitério.

Repare-se na hipocrisia ocidental: fecham-se os aeroportos aos imigrantes, mas se eles se atiram ao mar em barcaças recebemo-los de braços abertos. E ainda lhes oferecemos dinheiro e diz-se em voz alta que são bem-vindos. A mensagem que chega aos países de origem é clara: A única forma de chegar ao El Dorado é arriscar a vida no mar.

A opção de Pedro Sanchez em receber os imigrantes em Valência com discursos de bom samaritano pode parecer humanista, mas é criminosa. Se Pedro Sanchez quer que a Espanha receba os imigrantes, dê-lhes um visto e receba-os em Barajas. Assim, é só hipocrisia e incentivo à tragédia.

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Poesias

18 Junho, 2018

Frutas-legumes-e-verduras-01

 

Tenho passado os últimos dias ensarilhado numa avaliação de danos. O móbil da reflexão é o cumprimento de promessas, não daquelas em que uma pessoa resolve ir a Fátima a pé sem incomodar ninguém, mas de um outro tipo muito mais problemático, mais ou menos como se alguém se comprometesse com Deus a ir a Fátima às minhas cavalitas. Mas, como diria o barbeiro Sweeney Todd, vamos por partes.

De acordo com as notícias o Governo prometeu aos professores contabilizar, para efeitos de progressão e de salário, todos os anos de congelamento das carreiras. Posteriormente, talvez por intervenção de um daqueles chatos do ministério das finanças que sabem fazer contas, declarou que só há verbas para assumir uma pequena parte desse período de tempo e rematou o assunto com um sonoro “não há dinheiro”. Eis então que, quando julgava o assunto gasparianamente encerrado, surge o PSD a reclamar que “o prometido é devido”, transformando a questão num embate entre a poesia lírica de Rui Veloso e a poesia tísica de Vítor Gaspar. Soubesse António Costa desta preocupação social-democrata com a efectivação dos compromissos socialistas e teria inscrito no seu programa eleitoral que a limpeza do gabinete de Rui Rio seria da responsabilidade dos Super Dragões.

A pergunta que me coloquei, no âmbito da avaliação de danos acima referida, foi bastante simples. Na verdade, o que interessa neste momento é optar entre a credibilidade dos governantes e a saúde das contas públicas. Por outras palavras: é melhor o Governo falhar a promessa que fez aos professores e diminuir desta forma a confiança que os eleitores têm na política, ou é preferível o Governo cumprir a promessa que fez aos professores e diminuir desta forma os euros que os contribuintes têm na carteira? Na dúvida, fui à mercearia e perguntei à D. Rosa se podia pagar os legumes e a fruta com confiança, ao que ela me respondeu que preferia fazer a transacção em euros. Desconfio que, para a senhora, pior do que um político que não cumpre as promessas só mesmo um político que as cumpre. Quanto a mim, já decidi: ou o PSD tem géneros alimentícios para me colocar na mesa sem recurso ao vil metal ou então acho preferível evitarmos o regresso ao descalabro de 2011.

 

Mais um ataque da poderosa indústria do automóvel

18 Junho, 2018

Carrinha atropela quatro pessoas em festival de música na Holanda

Droga, loucura, morte: campanha oficial ou marketing?

17 Junho, 2018

Publiquei no Observador um artigo sobre o consumo de drogas em Portugal nos anos 70.

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O título do filme em português aproveitou a campanha oficial de combate às drogas ou foi tudo publicidade ao filme? Alguém se lembra disto?

 

É muito querer!!!!

17 Junho, 2018

“O Bloco quer” – esta expressão faz parte das nossas vidas. Afinal, todos os dias o Bloco quer qualquer coisa. Assim, só nos últimos dias o Bloco fartou-se de querer: a 10 de Junho, o Bloco queria um Dia de Portugal que desse conta “da enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos.” A 11, o Bloco virou-se para terra e queria festejar a Feira do Livro e, de caminho, “travar o despejo das livrarias e alfarrabistas devido a pressão imobiliária”. (Esta proposta do Bloco contribuirá decisivamente para que ninguém na posse das suas capacidades mentais alugue uma loja para que lá funcione uma livraria ou um alfarrabista). A 12 de Junho, farto dos livros, o Bloco veio dizer que quer “bolinha vermelha nas touradas na TV”. E a 13 o “Bloco quer o fim dos vistos gold e diz que, de mais de 5 mil, apenas 9 criaram emprego” (como terá feito o Bloco estas contas?). Digamos que é muito querer!

Iniciativa Azeiteira

17 Junho, 2018

Uma das perguntas que me acorda no Verão é se a bandeira portuguesa pode ser mais azeiteira. Hoje acordei com esta imagem, o que deve responder definitivamente a questão: a partir de agora, não, não é possível azeiteirar mais a bandeira.

Houve uma marcha cujo objectivo parece ser exigir amor. Eles dirão respeito, mas quem não se dá ao respeito pela opinião dos outros exigindo o fim da nãoseiquêfobia lida é mal com as suas opções. Querem é a bênção. Eu dou-vos a bênção, meus filhos, podeis continuar a azeiteirar como bem entenderdes nessa menopausa cultural.

E se fosse Barack Obama?

16 Junho, 2018

Compreendo que seja difícil reconhecer mérito em alguém que se odeia e em que se apostava  que iria arruinar o Mundo com sua loucura, narcisismo e prepotência (sim, ele tem isso tudo). Mas uma coisa é não gostar da pessoa Trump outra coisa é não admitir a eficácia dos seus métodos para conquistar a paz mundial. Dizer-se que foi mérito da China, que foi desespero de Trump (esta foi hilariante!), que foi a Coreia que vergou os EUA (com esta ainda não parei de rir!), que Kim chega numa posição de força melhor que a do Trump como afirmou  Miguel Sousa Tavares (valha-me Deus!), que a ideia de paz nem sequer foi dele, é de uma desonestidade intelectual sem limites. Os factos não mentem e é só preciso lê-los com seriedade.

O episódio que culminou neste momento histórico do aperto de mãos entre EUA e Coreia do Norte, foi a posição severa  e intransigente de Trump em relação Kim Jong-un quando  num ultimato que todos se apressaram a classificar de louco e irresponsável, e que provocaria a III Guerra Mundial, Trump avisava que se o “rocket man” não parasse de fazer experiências com mísseis nucleares, faria desaparecer a Coreia do Norte do mapa! Foi esta posição impopular, politicamente incorrecta que foi decisiva na mudança de planos de Kim. Nunca ninguém tinha tido a coragem de se dirigir a esse pequeno ditador coreano desta forma. De “diálogos em diálogos” o menino mimado que se achava acima de qualquer acordo, brincava aos poderosos provocando o Ocidente. O ódio aos EUA ensinado nas escolas era o combustível que alimentava a loucura de Kim. Até ao dia em que outro louco como ele o enfrentou, sem medo. Kim Jong-un ainda testou Trump com mais uns lançamentos para fingir que era um “poderoso destemido” e estava preparado para “destruir os EUA”. Mas quando Trump imediatamente endureceu as ameaças e fez avanços de tropas para posições estratégicas. Kim recuou e cedeu. Todos assistimos a isto. Porque negar?

Não foi a China nem a Coreia do Sul que pararam a loucura de Kim. Foi o bluff de Trump que resultou na perfeição.  Porque o poder começa no indivíduo e só depois acaba no governo. Se Trump não tivesse sido credível na sua determinação, jamais  teríamos assistido a esta viragem clara na união das Coreias  e desarmamento nuclear. A própria Coreia do Sul o reconheceu.

Tal como Trump, Reagan no passado, igualmente com um bluff bem montado de que iria dar início a um projecto de Iniciativa de Defesa Estratégica –  um sistema defensivo com mísseis colocado no espaço que asseguraria que nenhum míssil disparado pela URSS atingisse os EUA – numa altura em que o império socialista se estava a desmoronar por falência económica, conseguiu pôr fim à Guerra Fria que ameaçava o mundo. Mikhail Gorbachev, tal como Kim, consciente da sua incapacidade para fazer frente aos EUA, cedia. Curiosamente, porque a nossa História tem destas coisas, foi Gorbachev (o líder comunista que cedeu à pressão) e não Reagan, que recebeu o prémio Nobel da Paz por “ter posto fim” à Guerra Fria. Ironias.

Não tenho qualquer dúvida que se mudássemos de protagonistas nesta história e tivesse sido o Obama a conseguir igual feito, o Mundo inteiro iria render-se aos seus pés. As televisões iriam fazer directos, ao minuto,  a acompanhar cada movimento do Presidente, cada palavra, cada expressão. Qualquer coisa por muito insignificante iria ser enaltecida e o momento comentado em mais de uma hora de telejornal, durante vários dias, várias semanas até,  com todos os comentadores televisivos histéricos a bater palmas dizendo que nunca se vira nada igual: EUA a apertar as mãos à  Coreia do Norte e  esta em simultâneo à Coreia do Sul até agora desunida! Mas não. Tinha de ser o Trump, o homem mais odiado do planeta  a conseguir o que não foi conseguido em 70 anos. Logo é preciso desvalorizar.

Curiosamente também, Obama não precisou senão de belos discursos visionários por um mundo livre de armas nucleares para ganhar um Nobel da Paz, em 2009, com menos de 9 meses de presidência e sua candidatura entregue à tangente a menos de um mês depois de assumir o cargo. Ou seja, foi premiado pelas belas intenções que ainda não tivera tempo de concretizar antes do prémio (não me lembro de alguém que tenha contestado isto). Mas já não se aceita que quem efectivamente concretize essa paz sequer sonhe com isso.

Goste-se ou não é um marco histórico que terá ainda grandes desenvolvimentos e cujo o mérito é tão somente dos dois homens que o protagonizaram: Trump e Kim Jong-un. Habituem-se à ideia.

 

 

A Iniciativa Liberal é uma cambada de socialistas!

16 Junho, 2018

Se até Mises “desqualificou” os seus colegas da Mont Pelerin Society como socialistas, por que razão não posso eu fazê-lo também sobre o mais recente partido?

set-like-ans-unlike-buttons-26753636Podemos ver na atitude um exemplo de pedantismo e de ego exacerbado que procura criar um cinturão sanitário em relação a companheiros porventura ideologicamente menos puristas.

Provavelmente a crítica ao carácter de Mises é certeira. Não o conheci pessoalmente para ajuizar.

Se há característica apreciada por um liberal é a humildade, nomeadamente intelectual. Não é de fácil prática, sobretudo se aplicada às nossas próprias convicções. Mas é nesta humildade que se funda também a tolerância que deve existir relativamente às pessoas que não pensam ou actuam conforme achamos mais acertado.

Todavia, confesso que me encanita um pouco a narrativa de que a crítica deve ser “construtiva”, caso contrário não passa de uma manifestação de revolta ou de uma tentativa de transmitir a imagem de martírio em defesa do superior grau de pureza dos valores em que se acreditam.

Parece-me muito aquela ideia de que o comércio deve ser “justo” em vez de “livre”.

Será de evitar a concorrência de ideias, visões e nunces diferentes sobre o modo de actuar em nome de um objectivo maior? Não creio.

A menos que as pessoas alvo de crítica não tenham mente aberta, capacidade de encaixe e até sentido de humor, julgo ser um método para validar, corrigir erros, afinar acções e ideias mais eficaz do que facciosismos, safe-spaces ou recurso à violência física.

Quem critica, como anteriormente disse, deve também estar preparado mentalmente para ser criticado e admitir até que possa estar errado. Será tanto mais difícil quanto maior a convicção que tiver sobre a razão das suas ideias. Mas se não há motivo para não ser também criticado, de igual modo não tem por que se abster ou suavizar as críticas que faz.

A tónica quase exclusiva na virtude da tolerância ou, pelo menos, a aversão à crítica, é ela própria um bom campo para a intolerância e a prepotência. Desvaloriza-se a contra-argumentação e as propostas de caminhos alternativos. Além de que quanto menos formos críticos, menor a nossa própria predisposição para ser alvo de crítica.

Quanto mais críticos formos mais carta-branca passamos aos outros para procederem de igual modo “contra” nós. Que maior exercício de humildade intelectual poderia haver? Para mim revela um carácter forte e bem formado.

Evidencia ainda que quem critica não pretende alcançar posição de poder para impor aos outros através de políticas públicas a sua visão do mundo.

*

Os hamsters somos todos nós: se todos andarmos mais na rodinha, todos andaremos menos

16 Junho, 2018

Nos comentários nota-se uma certa perplexidade pela “troca de galhardetes” entre VC, que sou eu e CGP, que é o Carlos. Eu explico, então:

  • O Carlos acha que a formação de partidos ditos liberais pode ser algo positivo e, como tal, faz mais sentido que os pouquíssimos liberais portugueses apoiem a causa do que andem para aí a criticar como meros conservadores velhos avessos ao progresso legislo-partidário;
  • O Vítor (que sou eu) acha que vive melhor sem apoiar partidos, principalmente sabendo que as suas causas andarão invariavelmente a reboque do Bloco de Esquerda, acha partidos liberais um oxímoro e considera os conservadores a estrutura óssea de qualquer sociedade.

E é só isto.

 

Aqueles gajos do Macinhatense que não pensem que me enganam

16 Junho, 2018
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Falemos então de futebol. E falar de futebol é, inevitavelmente, falar do Associação Atlética Macinhatense. Enquanto projectos como o Macinhatense existirem, nada mudará no futebol português. Em primeiro lugar dizem que são são uma Associação Atlética, mas não têm atletismo. Uma vergonha. Depois, apesar de dizerem representar Macinhata do Vouga, têm dois jogadores de Macieira de Cambra e três de Pessegueira do Vouga. Dizem que são um clube de futebol, mas eu não vejo em lado nenhum a sua política de transferências nem a táctica para as transições defensivas defesa-ataque. O que é que têm a esconder? Dizem ser amadores, mas eu estou em condições de assegurar que o presidente recebeu 50 euros e duas sandes de presunto da Câmara Municipal. E mais, e mais: asseguraram-me que um dos jogadores é primo de um antigo treinador adjunto que chegou a jogar nas camadas jovens do Benfica quando aquele corrupto lá estava. É com este tipo de mentiras que esperam mudar o futebol português?
Está-se mesmo a ver qual é a ideia deles. Como qualquer clube de futebol são apenas mais um dispositivo de assalto à Liga dos Campeões. Eles dizem que gostam é de futebol e umas tainadas, mas na verdade têm é os olhos postos nas comissões milionárias das transferências de jogadores e nos direitos das transmissões televisivas. Enfim, não passam de mais uns corruptos benfiquistas. Bandidos! Ladrões! Eu bem sei que há dirigentes do Benfica acusados de crimes graves, que o presidente do Sporting é maluco e que há corrupção generalizada no futebol português ao mais alto nível, mas não há nada mais prioritário nesta altura do que desmascarar os gajos do Macinhatense. Eles pensam que me enganam, mas não. Os bandidos.

Está na hora de instituirmos o saltómetro enquanto medida do sucesso governativo já que os governantes se passaram a dedicar ao comentário futebolístico

16 Junho, 2018

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“Temos todas as condições para poder ir até ao fim no Mundial”, afirma Marcelo. O presidente da República considerou que o empate (3-3) com a Espanha na estreia no Mundial da Rússia foi “um milagre muito motivador” para Portugal, que agora tem “todas as condições para poder ir até ao fim”.

“Não foi só Cristiano Ronaldo contra a Espanha, fomos todos nós a lutar por Portugal. Teoricamente, este era o jogo mais difícil e acabou como acabou. Temos uma equipa que não desiste, que esteve à frente, que passou para trás, mas não desiste, lutando até ao último minuto” – António Costa

Como hamsters na rodinha

15 Junho, 2018

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Terça-feira, Junho de 1986, ainda durante o tempo de aulas, terceiro dia do mês, estava aqui o miúdo de onze anos a ver o jogo, às 22h00 (hora de Gondomar), entre Portugal e Inglaterra, o primeiro da participação portuguesa num mundial de futebol desde que nascera. Aos setenta e seis minutos, Carlos Manuel enfiava a bola na baliza de Peter Shilton, aquele que viria a sofrer o golo marcado com a mão por Maradona pouco antes da véspera do São João. Íamos ser campeões: a primeira selecção a derrotar a Alemanha Federal na sua própria casa acabara de vencer a Inglaterra. Perderia com a Polónia e com Marrocos e concluiria a sua participação com os jogadores mais entretidos a acalmarem as mulheres após umas (alegadas) sessões com ninfas de ocasião, uma farsa em repetição da Ilha dos Amores.

Hoje, Portugal entrou a vencer o jogo com a selecção campeã de 2010. “Vamos ser campeões!”, exultou o filho de onze anos do puto desiludido com Saltillo. Acabou a festejar um empate, o que, feitas as contas, até não é nada mau.

É que Portugal é assim: passa de geração em geração a expectativa de que desta é que é, desta é que vai ser. Ocasionalmente, graças a um ou outro português com um talento a roçar o sobrenatural, lá se concretiza qualquer coisa. Uns chamam-lhe D. Sebastião, outros chamam-lhe Cristiano Ronaldo, outros ainda chamaram-lhe Salazar. E depois volta tudo ao mesmo, às geringonças, aos Louçãs, às Iniciativas Liberais, às malucas do feminismo psicopata e ao livre trânsito para a patifaria do Partido Socialista. E não, nunca estive verdadeiramente a falar de futebol.

Ai é isto o liberalismo? Então passo.

15 Junho, 2018

muslim-woman-silhouette-29Foi sem grande surpresa que se recebeu a notícia de que concorrentes a Miss America deixarão de desfilar em fato de banho. Neste momento, com a competição para determinar o humano mais parvalhão de todos ao rubro, abolir avaliação estética de um concurso de beleza é um passo completamente lógico. O passo seguinte será só permitir concorrentes vestidas de apicultoras. Seria possível argumentar que num concurso de beleza só participam mulheres que desejam ser avaliadas pela sua beleza, mas tal seria desnecessário já que o mundo está na fase de não permitir que alguém possa desejar ser avaliado pelo seu aspecto físico.

Vai daí, está tudo no ponto de caramelo para a formação de “partidos liberais”. São partidos — logo, dispositivos de assalto ao aparelho de estado — que pretendem ser avaliados no concurso de beleza pelas suas ideias para a paz no mundo, não pelo aspecto de socialistas. É bonito, passa bem na manada colectivista que importa filosofias como quem nasceu desterrado, e permite a proliferação do socialismo dos “eu tenho o direito a” com propostas revolucionárias de quem rejeita o passado e pouco se preocupa com repercussões no futuro. Até são desejados, ansiados, fazem falta e sei lá que mais. Estão na moda, como está na moda anunciar ao mundo que sexo com gente do mesmo sexo é que é fixe enquanto se abrem as fronteiras aos que lhes tratarão dos tais vícios burgueses com força de catana.

A imagem do único gay da aldeia não pega. Pegaria a imagem do último homem de família em Sodoma, mas, enfim, tal imagem nunca seria verdadeiramente compreendida no mundo dos concursos de Miss America em fatos de apicultoras. Talvez seja mais fácil para estes abdicarem do liberalismo do que se conformarem às suas novíssimas definições. Não será, assim, de admirar que estes se cristalizem em sal e se pulverizem. Pela minha parte, estou pronto e em paz.

 

O único liberal da aldeia

15 Junho, 2018
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Já há alguns anos que liberais que gostam de contribuir para que as ideias liberais se espalhem (alguns dos quais, mas não todos, qualificaria de intelectuais do liberalismo português), defendem que o campo das ideias é o mais importante. A frase (muito acertada) que mais fui ouvindo neste percurso que se iniciou com as colunas do Pedro Arroja, se solidificou nos blogs, é que “As ideias têm consequências e fazem o seu caminho”. O pressuposto das ideias fazerem o seu caminho é precisamente que se espalhem a pessoas que antes não as tinham, e que passem a ter consequências prácticas. É por isso com surpresa que vejo tantos dos que contribuíram para que as ideias fizessem o seu caminho, agora tão revoltados por as ideias terem feito o seu caminho (com novos partidos, movimentos e derivações semelhantes). Os caminhos, claro, não são puros, mas não se esperaria que fosse como qualquer coisa que parte de um grupo pequeno e se espalha para um público menos pequeno. Para disfarçar, os agora liberais revoltados dizem que é por os caminhos feitos não serem e-xac-ta-men-te de acordo com a sua cartilha. Mas na verdade, não é bem isso. A verdade é que muitos liberais que estavam isolados há 15 anos, afeiçoaram-se ao estatuto de único gay da aldeia e, muito provavelmente, deixarão em breve esta aldeia para serem o único gay noutra aldeia qualquer. Até nisto, o Professor Pedro Arroja foi precursor.

No dia em que houver oposição em Portugal alguém conseguirá denunciar isto?

15 Junho, 2018

15 de Junho de 2018. Com a passagem às 35 horas os hospitais vão ter de fechar serviços. Sindicatos e Ordem calculam que seriam precisos em Julho mais de cinco mil novos enfermeiros e auxiliares, mas Finanças não autorizam contratação. Conjugação da redução dos horários de milhares e o início das férias vai provocar “o caos”, antecipam.

10 fev, 2016. O ministro das Finanças afirmou esta quarta-feira que a reposição das 35 horas de trabalho semanais na Função Pública “não é discussão de natureza orçamental neste momento”, acrescentando que o tema “só tem impacto” para a oposição. “Não é discussão de natureza orçamental neste momento. Só tem impacto nas vossas caras”, afirmou Mário Centeno, dirigindo-se aos deputados da oposição.

Nessa viagem aos racismos pretéritos quando chegarão ao Che Guevara?

14 Junho, 2018

Che Guevara: “Os negros, os mesmos magníficos exemplares da raça africana que mantiveram sua pureza racial graças ao pouco apego que têm ao banho, viram seu território invadido por um novo tipo de escravo: o português.” As frases dedicadas aos índios, mulatos e homossexuais ficam para a próxima.

E isto é com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas a jejuar no Ramadão!!

14 Junho, 2018

A Assembleia-Geral da ONU aprovou hoje uma resolução que condena a resposta de Israel aos recentes protestos em Gaza e exige que seja equacionada proteção internacional à população palestiniana

Momentos antes, a Assembleia-Geral da ONU rejeitara, por uma escassa margem, uma emenda norte-americana que condenava o movimento islâmico palestiniano Hamas “por lançar constantemente mísseis contra Israel e incitar à violência” na Faixa de Gaza, “pondo civis em risco”.

O ex-ministro

13 Junho, 2018

Um tipo é convidado para ministro. Resolve acelerar a constituição de uma empresa imobiliária com a sua mulher, escritura que realiza um dia antes de tomar posse.

O dito ministro é advogado, aparentemente com algum nome na praça. Dois meses depois de tomar posse, a 21 de Dezembro, entrega a sua «declaração de inexistência de incompatibilidades ou impedimentos» a que estava obrigado enquanto ministro, onde expressamente indica um impedimento e incompatibilidade: declara-se sócio-gerente da dita empresa. A pena legal para a existência dessa confessada incompatibilidade é só uma: a demissão. (artº10º, 2, b). A menos que o ministro saia pelo seu pé, será um caso inédito ter de vir a ser demitido pelo Tribunal Constitucional.

O jurista-gerente-ministro diz que «não tinha noção» do que dizia a lei.

Em 30 de Janeiro de 2018, a sub-Comissão Parlamentar de Ética pediu esclarecimentos ao ministro sobre a sua situação irregular. Diz o ainda ministro que «Pedi renúncia quando fui chamado à atenção para isso», alegadamente 2 meses depois de tomar posse. Diz ainda o  gabinete do ministro que a sua saída de sócio-gerente foi comunicada à Assembleia da República a 31 de Janeiro. Mas sem ter sido especificado um dia concreto.

Certo é que apenas 2 dias depois da notícia do ECO ser publicada, ou seja a 25 de Maio, é que foi registada a alteração na gerência da sociedade.

Alegadamente a sua renúncia a gestor terá sido feita por carta datada de 15 de Dezembro de 2017. Ou seja uma semana antes de o próprio Siza Vieira entregar no Tribunal Constitucional declaração onde afirmava ser sócio-gerente.

Portanto, além da demissão por incompatibilidade, poderá existir ainda um caso de declarações falsas ou falsificação de documento.

 

 

Os tais meninos ricos a estudar nos colégios à conta dos contribuintes

12 Junho, 2018
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Sabugal, Peso da Régua, Bustos, Vila Praia de Âncora, Covilhã e Proença-a-Nova, foram estes os locais onde faliram antigas escolas com contratos de associação. Alunos que nasceram em duas das regiões mais pobres da Europa terão menos oportunidades porque um grupo de decisores em Lisboa (onde existem as melhores escolas públicas e privadas do país) resolveram ceder à pressão dos sindicatos e do PCP. Porque um grupo de sindicalistas cegos fez a opinião pública confundir escola pública com escola estatal. Porque a elite lisboeta que domina a esquerda, e boa parte da direita, acha que lutar para que crianças que têm o azar de nascer no interior norte e centro possam ter acesso a uma boa educação (e, em muitos casos, mais barata que a opção estatal) não é uma causa que valha a pena. Estão todos de parabéns.

Os benefícios do obscurantismo anti-científico

11 Junho, 2018

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Frank Carlucci, o embaixador americano em Lisboa durante o PREC, morreu na semana passada e logo o Facebook e o Twitter se encheram de impropérios em sua memória. Inicialmente fiquei um pouco chocado com a atitude mas, após breve reflexão, partilhei do ponto de vista: o homem prestou um péssimo serviço a Portugal, principalmente na questão das liberdades. Sem a sua intervenção em 1975 o mais provável era não estarmos hoje sujeitos a ler tolices em redes sociais; não por falta de tolos, naturalmente, mas pela proibição do acesso à internet. Como diria o Pacheco Pereira: mau trabalho!

Pelo que se conta nos livros de história, a doutrina dos EUA sobre o nosso país estava profundamente dividida nessa altura: uns queriam deixar o PCP instituir um regime comunista que servisse de exemplo a não ser seguido pelos restantes países do sul da Europa; outros defendiam o apoio a movimentos de extrema-direita com a intenção de tentar restaurar o estado salazarista. Aparentemente, já estava decidido que íamos ser uma ditadura, depois logo se via de que cor. Mas Carlucci, dando mostras da sua falta de juízo, insistiu com os seus superiores que a entediante democracia parlamentar era viável neste caótico cantinho lusitano e, não tendo por estes sido imediatamente internado num manicómio, conseguiu provar-lhes que tinha razão.

O mérito do embaixador americano foi ter feito parte de um movimento polémico muito antes de este ser relevante e problemático. Henry Kissinger, o importante líder da diplomacia dos EUA, queria utilizar a penúria do futuro Portugal soviético como um antídoto contra o comunismo no Ocidente. Para grande sorte dos portugueses, Frank Carlucci era fervorosamente anti-vacinas.

 

Eu quero autoflagelar-me, mas não sei como

11 Junho, 2018
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Catarina Martins, com a profunda perspicácia que a caracteriza, decidiu apelar a que no 10 de Junho os discursos oficiais reconheçam “a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos”. Obviamente, isso já foi reconhecido há muito tempo. Ainda recentemente, Marcelo, numa visita oficial ao Senegal, fez isso mesmo. Claro que o que Catarina Martins quer não é apenas o reconhecimento que o estado português já fez por diversas vezes e que se encontra nos livros de história nas escolas públicas. O que Catarina quer é uma sinalização de virtude, apostada na culpa do homem branco, para continuar a fazer passar a sua agenda política. O importante é ter Catarina como voz da consciência de uns portugueses em constante autoflagelação por os seus antepassados terem feito o mesmo que todas as potências da altura (mesmo as potências regionais na África e Ásia) faziam. Mas antes de comerçamos a dar vazão ao chicote, convém esclarecer algumas coisas:

1. São todos os portugueses culpados? Por exemplo, os portugueses de raça negra também deverão pedir desculpa ou esses estão isentos?
2. Se os portugueses de raça negra estão isentos, os mulatos podem pedir só meia desculpa ou como têm antepassados nos dois lados a coisa cancela?
3. Se a descendência é o critério, os portugueses cujos antepassados não se envolveram no tráfico de escravos também têm que pedir desculpas?
4. Na medida em que boa parte dos traqficantes de escravos se estabeleceram no Brasil, não deveria ser o presidente do Brasil a pedir desculpas? Alguém exigiu isso ao Lula?
5. Se os portugueses devem herdar por inteiro a culpa de algo feito pelos seus antepassados há 12 gerações, não deveriam poder herdar por inteiro aquilo que os seus pais acumularam durante a vida. Ou isto das heranças só funciona com as culpas e o resto deve ser taxado?

Espero que a Catarina Martins nos ilumine para que a tão desejada autoflagelação possa finalmente começar.