cataláxia
Estive, hoje, na apresentação da edição comemorativa do 25º aniversário do notável livro Cataláxia, da autoria do meu querido amigo Pedro Arroja, que reúne crónicas que ele foi publicando nessa época, quando era um liberal convicto.
Esse livro influenciou-me na altura, apesar de eu ser já, por esses tempos, um firme liberal, graças à leitura da edição francesa, da PUF, do Law, Legislation an Liberty, de Hayek, que considero ser a obra que melhor expõe a teoria social ordinalista, não racionalista, que, em minha opinião, deve suportar qualquer abordagem liberal clássica, e por ter travado conhecimento com Orlando Vitorino, que levei, com mais alguns amigos, à defunta Universidade Livre, para o ouvirmos falar sobre uma doutrina que era, então, absolutamente desconhecida em Portugal.
O Cataláxia mantém uma impressionante frescura e actualidade, arriscando-me a dizer que nenhum liberal português o poderá ser sem a sua leitura integral. Por conseguinte, às meninas e aos meninos que por aí andam a fazer partidos liberais proponho-lhes a imediata leitura desta obra, antes de se porem a escrever manifestos, programas políticos ou o que quer que seja que lhes saia das cabecinhas. Eu mesmo irei relê-lo e fiz questão de levar comigo o meu filho Rui, que está com 16 anos, para que ele leia também o livro.
Ora, se o livro se mantém actual, sensato e verdadeiro, o que se passou com o seu autor para praticamente ter enjeitado o que de essencial ali escreveu? Foi apenas o facto de ter abandonado um ateísmo e, principalmente, um anti-clericalismo militante, que marcou alguns dos seus textos de então? Nada disso, até porque o essencial do pensamento liberal é perfeitamente transversal a quaisquer convicções religiosas ou mesmo à ausência de qualquer uma delas. Foi ter passado a acreditar nas virtudes do intervencionismo estatal, contra o primado da iniciativa privada? Também não me parece.
O motivo principal da rejeição arrojiana do liberalismo, que brilhantemente defendeu durante anos, foi outro: a adopção de Portugal como paradigma existencial, recusando, consequentemente, uma doutrina que o Pedro considerava de importação. Na verdade, quando o autor do Cataláxia escreveu os textos que compilou nessa obra, tinha acabado de regressar de uma longa estada de oito anos num país económica e politicamente civilizado – o Canadá – para um país que, sendo o seu, se encontrava num momento horroroso, que ele naturalmente rejeitou. O liberalismo que, nessa altura, o Pedro defendeu foi, por isso, a consequência inevitável de uma comparação. Só que, há medida que o Pedro se foi integrando nesse país que é o seu, ele foi entendendo que, apesar das muitas desgraças que nos atingiam, Portugal é um país extraordinário, onde se pode ser feliz sem pedir muito. A partir daí, o Pedro Arroja procurou uma doutrina de liberdade que fosse eminentemente nacional e virou costas a um pensamento liberal que ele considera, com razão, estrangeirado, como ele mesmo era por essa altura.
O problema é que, por muito que tenha procurado, não encontrou, na História e no pensamento político e filosófico nacional, nada que verdadeiramente mereça muito mais do que simples menções de pé de página de referências a doutrinas e a autores estrangeiros. Existe um pensamento social e político verdadeiramente português? A resposta, para mim que também pairo por essas águas, é claramente negativa. Herculano não foi mais do que um seguidor de Tocqueville na sua crítica ao centralismo francês, e o seu liberalismo admirava o modelo de vida da Inglaterra. Os homens de 1820, por sua vez, seguiram, quase todos sem excepção, a cartilha francesa do racionalismo cartesiano e do Abade de Sieyès. Fernando Pessoa foi um pensador espasmódico, que tanto abraçou o liberalismo saxónico, como o construtivismo republicano e o delírio esotérico sebastianista. No século XX, não se produziu praticamente uma única linha de pensamento político português original. E, naquele em que nos encontramos, as coisas são ainda piores.
O que ficou então, ao fim de vinte e cinco anos? A inexistência de uma filosofia portuguesa que seja merecedora do país notável que somos, apesar da fragilidade social em que continuamos a viver. Desse ponto de vista, no Cataláxia, do Pedro Arroja, continuamos a encontrar, ainda que vindas de fora, um conjunto de ideias que nunca soubemos produzir e que nos podem ser, ainda hoje, de grande utilidade. À falta de melhor, regressemos, então, a elas.
o príncipe do largo do rato
Graças à muito bem montada operação socialista que levou à demissão de José Sócrates do partido de que foi o «menino de oiro», vão já em dois, António José Seguro e o seu antecessor, os ex-secretários-gerais politicamente assassinados por António Costa. Este último a sangue frio, com manha e astúcia, numa altura em que ninguém o esperaria, utilizando, cinicamente, antigos capachos da vítima, como João Galamba, e um factóide colateral, o caso Pinho, como se não tivessem existido mais do que motivos e revelações anteriores que legitimassem as posições e declarações de agora. Só que, neste momento, António Costa sente-se seguro no país e no partido, e sabe que ninguém o atacará por ter feito o que fez a Sócrates. Há um ano ou dois certamente que não teria sido assim, nem Costa se atreveria a mais do que a um lacónico «ele está a lutar pela sua verdade», à porta da cadeia onde o visitou tardiamente devido a «compromissos políticos». Mas hoje, com o livro de cheques do orçamento de estado nas mãos e prebendas inúmeras para oferecer aos seus camaradas, ele sabe muito bem que poderá dançar em cima do cadáver do ex-primeiro-ministro socialista que ninguém lhe irá à mão por causa disso. Costa não tolera que o ensombrem, e fez, faz e fará tudo para conquistar e manter o poder. Nicolau Maquiavel gostaria de o ter conhecido e, quem sabe, ter escrito alguma coisa sobre ele.
A Vergonha Súbita do PS
E de repente, assim do nada, figuras “tristes” do PS que prestavam vassalagem a Sócrates, começam a sentir um enorme desconforto e vergonha pela corrupção no governo do Zé (como Salgado gosta de o tratar). Compreendo. Enquanto nada se sabia e tudo parecia confinado apenas ao Sócrates e seu fiel amigo “generoso”, dava para fingir que – tal como Arons de Carvalho afirmou – era aceitável um 1º ministro viver de empréstimos (ah! ah! ah!). Agora com Pinho apanhado nas escutas com Sócrates (veja aqui) já não dá para esconder. Ou seja, não é a vergonha por roubar que os move, mas sim, por terem sido apanhados.
O partido socialista é quem mais governa desde 1995 e somou inúmeros escândalos que fariam qualquer um, com moral e ética, morrer de vergonha. Mas não, não morreram de vergonha com Guterres: nas célebres “viagens Fantasma”; no negócio dos submarinos com Escom com luvas, em 1998, como denuncia e bem, Cecília Meireles (veja aqui); na polémica da Fundação para a Prevenção Rodoviária que provocou a demissão de António Vara, uma fundação que servia apenas para duplicar o trabalho do Estado para usufruir de dinheiros públicos; a queda da Ponte de Entre-os-Rios que matou 59 pessoas por negligência grosseira do Estado.
Não, não houve vergonha no caso “Cova da Beira” com o “famoso” Sócrates como protagonista, suspeito de receber 150 mil contos em luvas para influenciar resultados do concurso para o aterro sanitário. Onde foram feitos 3 arguidos posteriormente absolvidos (os amigos são para as ocasiões) apesar da prova bancária. Sócrates escapou porque o procurador titular não deixou fazer buscas à sua casa (olha só que simpático!) Curiosamente Carlos Santos Silva esteve ligado ao Processo Cova da Beira pois era sócio de Horácio Luis de Carvalho na empresa Conegil que fazia parte do Consórcio HLC que curiosamente ganhou a adjudicação (ena! é só coincidências!). Curiosamente também este processo foi arquivado com Sócrates ainda como 1º ministro. É preciso ter sorte!
Também não vi ninguém com vergonha do caso Freeport em que um vídeo (veja aqui) provava ter havido luvas pagas a Sócrates (outra vez) através de um primo (mais uma rica coincidência!), para construir em área de reserva natural quando Sócrates era Ministro do Ambiente. A Procuradoria Geral, resolveu pegar no processo que estava nas mãos do Ministério Público do Montijo e transferiu para o Departamento de Cândida Almeida no DCIAP, que em 2010 o encerra intempestivamente num despacho com 27 perguntas a Sócrates que ficaram sem resposta por… falta de tempo. Mas que sorte outra vez! O Processo terminou com 2 acusados absolvidos e Sócrates, nadinha.
Não houve vergonha com o “Face Oculta” em que Sócrates (outra vez!) tenta controlar a TVI como comprovavam as escutas com Vara. Mas o Procurador Geral Pinto Monteiro resolveu enviar as escutas para o Presidente do Supremo Tribunal, Noronha do Nascimento, que não as validou e mandou destruir! Já agora, espreite aqui as escutas e faça você mesmo o seu juízo. O PGR resolveu assim não abrir inquérito e para impedir a consulta dos factos por terceiros, procedeu ao arquivamento administrativo (é só amizade).
Não os vi envergonhados com o Processo Casa Pia onde claramente, nas escutas (veja aqui), Costa, Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues (que entretanto se “cagava para o segredo de justiça”) mexeram cordelinhos para safar o amigo socialista Paulo Pedroso que pelo meio foi retirar rapidinho um sinal de nascença, em zona íntima, que várias crianças tinham identificado (quanto não vale ter amigos na política!).
Também não os vi minimamente envergonhados ou revoltados pela monstruosa bancarrota de 2011, graças à governação da festa socialista socrática onde não faltou grandes “bebedeiras de despesismos” com TGV caríssimo, aeroportos para moscas em Beja, Parque Escolar com candeeiros de Sisa Vieira, PPP’s com Estado a assumir todos os prejuízos de privados, os créditos escandalosos pedidos à CGD, no tempo de Vara (outra vez!) por políticos e empresários do regime sem garantias, entre eles o próprio Sócrates.
Não houve vergonha, muito pelo contrário, já com Costa ao leme: com as viagens pagas pela Galp em conflito com Estado para levar políticos à bola; quando se descobriu as SMS de Centeno que provaram haver favorecimento à nova administração da CGD para não apresentar declaração de rendimentos com a ajuda de um decreto feito à pressa no escurinho da noite; com Carlos César a empregar à descarada a família toda na Função Pública, nem por ter andando a receber despesas de viagens que não fez; quando mais de uma centena de pessoas sucumbiram nos Grandes Fogos de Verão 2017 e centenas de outras ficaram feridas e desalojadas e que continuam grande parte delas à sua triste sorte; pelo material de guerra que desapareceu por um buraco duma rede em plena luz do dia, misteriosamente; por se morrer de legionella, apanhar sarna ou piolho do pombo nos hospitais públicos; por deixar SNS em falência técnica; pelo caso Raríssimas com ex-secretário da saúde apanhado numa relação íntima com a Presidente; por nos carregar escandalosamente com austeridade em período de bonança, governando de forma totalmente oposta ao tão famoso plano macroeconómico que justificou o derrube do Passos pelas esquerdas!!
A dita vergonha súbita do PS não passa de estratégia. Primeiro para limpar a imagem do partido. Depois, provocar a saída aparente e muito conveniente do “calimero” Sócrates – devidamente concertada – para entretanto preparar o caminho, sem levantar suspeitas, para ilibar os ex-ministros socráticos, decretando leis da rolha, movendo os peões do tabuleiro judicial que permitirão a saída airosa desejada deste pantanal. As nódoas continuarão lá mas branqueadas. Pensem: quem no PS quer ver Sócrates verdadeiramente zangado a dizer tudo o que sabe? Ninguém. Por isso, tudo farão para o ajudar. Indirectamente.
Uma escuta aqui, uma escuta ali

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Entre o primeiro post de Balbino Caldeira ( a 22 de fevereiro de 2005) e a primeira vez que o percurso académico de Sócrates conseguiu ser tratado nos grandes jornais passaram dois anos: a 22-3-2007, o PÚBLICO traz um artigo intitulado: Falhas no Dossiê de licenciatura de Sócrates na Universidade Independente
Esta gente consegue ver-se ao espelho?
MAIO 2018: António Arnaut considera que José Sócrates fez bem em sair do PS. Para o histórico socialista, o ex-primeiro-ministro “não tem de se queixar de ninguém”. “Sócrates só se pode queixar de si próprio” O presidente honorário do Partido Socialista considera que José Sócrates “não está em condições de fazer parte dos quadros do partido” e, por isso, tomou a decisão certa ao abandonar o PS. “Por uma questão de salvaguarda da dignidade do partido ele tinha de se afastar”, afirma António Arnaut.
NOVEMBRO DE 2014: O antigo ministro António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde, afirmou-se hoje, em Coimbra, “muito preocupado” com a prisão de José Sócrates e referiu que o desfecho, seja qual for, abala a democracia. “A situação que vivemos, com a prisão de um antigo primeiro-ministro, sobretudo por causa da mediatização e mesmo até de um espetáculo tipo circense, que as autoridades judiciárias deram, preocupa-me muito”, afirmou António Arnaut.
“O nosso José Sócrates”
Isto nunca existiu? Vai-se a ver e o Sócrates era de direita.
Quando acaba a peça “Vergonha de Sócrates”?
O ministério da Cultura patrocina esta peça da “Vergonha de Sócrates”? É que os actores são péssimos. Não têm verosimilhança. Repetem umas coisas mal ensaiadas. Não sabem quando entrar em cena. Alguns ainda vêm com os adereços do número “Todos com Sócrates”… Poucas vezes se viu representar tão mal em Portugal.
Entrada livre

Sexta-feira (04/Maio), às 21h30, com entrada livre, na Rua da Restauração 318, no Porto.
Mais uma Tertúlia promovida pela Oficina da Liberdade.
Destaco em jeito de “aquecimento” para a conversa os seguintes excertos de textos que foram escritos a propósito deste evento:
“Discutir a liberdade que nos falta alcançar não é “cumprir Abril” como era entendido pela 5ª Divisão do MFA. Mas écertamente honrar quem não cabia no Portugal do Estado Novo porque nenhum de nós caberia.” (Michael Seufert)
“Diga-se em abono do 25 de Abril que o “antes” não representava (assumidamente) um projeto de sociedade com valores liberais. Contudo, dá-se o caso de já terem passado 44 anos e 3 bancarrotas, ou seja, o suficiente para percebermos que os avanços indiscutíveis na liberdade de expressão que o 25 de Novembro nos trouxe não são suficientes para dizermos que agora vivemos com mais liberdade.” (Alexandre Mota)
“Muitas vezes centramo-nos na liberdade económica e esquecemos as outras componentes da una e indivisível liberdade. (…) liberdade é tudo aquilo que fazemos por nós próprios sem prejudicar os outros.” (Vitor Cunha)
Os leitores do Blasfémias estão todos convidados para participar nesta Tertúlia.
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GALAMBA MAIO 2018 João Galamba e o caso Sócrates: “Obviamente envergonha qualquer socialista”
GALAMBA NOVEMBRO 2014
E portanto estamos assim
Falem do que quiserem. Atirem-se ao Pinho e de caminho a todos os governos desde que se acendeu uma lâmpada na cidadela de Cascais. Mas sobre o Sócrates façamo-nos de mortos.

A tolerância para com os radicais de esquerda não tem limites. Ontem meteram Paris a ferro e fogo. Como de costume escavacaram lojas e um McDonald’s (eles como são gente endinheirada só comem em restaurantes onde os cereais alternativos e a rúcula custam mais que se fossem produzidos no Dubai)
Hoje as imagens da sua violência quase não se vêem e nos textos de opinião quase ninguém deu por eles. São de esquerda e à esquerda tudo de perdoa.
Quem Precisa de Eutanásia com um País Assim?
Europa. Ano de 2018. O Estado inglês decide sozinho que uma criança de 23 meses deveria morrer por ter doença degenerativa sem cura mesmo admitindo pouco saber ainda sobre essa doença. Alegações? O superior interesse da criança. Sim, leu bem. O Estado, esse Deus omnipotente sabia que Alfie Evans não tinha cura – mesmo sem ter tentado tudo o que a ciência permitia e sabendo que estão sempre a surgir novas curas – e queria morrer. Por isso, decidiu “dar-lhe voz” ordenando que fossem desligadas as máquinas de suporte de vida. Ou seja, matá-lo. Que pensaria Stephen Hawking disto se fosse vivo?
De pouco serviu a ajuda do Vaticano para tratar o menino. De nada adiantou a vontade dos pais em se agarrarem à esperança lutando desesperadamente pela sobrevivência do seu filho amado. O Estado decidiu, estava decidido: nem tratamentos na Inglaterra nem em qualquer outro sítio do Mundo. Ordem para matar. Ponto final. Não fosse Inglaterra o país do 007. Por falar nisso, alguém viu a Rainha por aí? Ah! espera, essa é apenas peça ornamental. Teria sido o mesmo se fosse com o pequeno Príncipe recém-nascido?
No meu texto “Eutanásia dá muito Jeito” explicava o lado perverso das leis que dão poderes ao Estado para matar. Argumentei que era um pau de dois bicos porque se por um lado acudia a situações especiais de sofrimento extremo, por outro abria uma Caixa de Pandora porque esse mesmo Estado não era, muitas vezes, “pessoa de bem”. Não tinha ainda este exemplo tão bom para o demonstrar. Limitei-me aos casos já existentes de países que a usam e se viram confrontados com uma realidade cruel que não previram: pessoas a serem mortas sem ser por vontade delas. Com o caso Alfie não podíamos ter um exemplo mais assustador para demonstrar a perigosidade das leis em que o Estado é rei e senhor do poder sobre a vida.
Estamos numa época em que a vida humana passou a ter menos valor que a dos animais. Em que se criminaliza todo e qualquer acto contra os bichos e se desresponsabiliza o abandono e morte dos humanos. Isto parece surreal. Mas não é por acaso. Tem uma clara intenção política. Está na agenda dos desestruturadores de valores sociais. Os aliados de Soros na Europa. A reversão de valores está mesmo na agenda dos políticos. Está confuso? Vamos reflectir.
Comecemos por cá mesmo. Aqui já não é possível abandonar animais sem ser considerado um crime. No entanto, pode abandonar idosos em Hospitais ou suas casas que nada lhe acontece. A quem convém manter as coisas assim? Ao Estado, claro. Mais idosos à sua sorte, mais desprotegidos ficam, mais depressa morrem. Assim, equilibra a idade da esperança média de vida – que aumentou consideravelmente – com as contas da segurança social.
Mas há mais: por muitos estudos que se façam não há desculpa alguma pelas longas listas de espera do SNS. Não há mesmo! Podem alegar falta de pessoal, podem alegar falta de verbas, podem alegar aumento de fluxo de doentes por isto ou aquilo. Mas a verdade é esta: não há vontade nenhuma de pôr o SNS a funcionar em condições. Porque é o sistema de “eutanásia legal” existente no país para fazer baixar a despesa do Estado e diminuir esperança de vida. Ficou chocado com o que escrevi? Então pense comigo.
Sempre que um banco precisa de dinheiro, mesmo não havendo dinheiro, ele aparece para pagar o buraco. Até hoje já foi enterrado, sem espinhas, 17 mil milhões dos contribuintes. Se não há dinheiro para acudir ao SNS, porque o há SEMPRE quando são bancos e sem limites? A vida humana vale menos que um banco? Vale. Esta é a prova inegável. Mais: faltam cerca de 5000 especialistas médicos no SNS. O Estado suspendeu concurso que provocou ainda mais saídas. Alega o de sempre: falta de dinheiro. Mas Costa fez entrar na função pública, desde que tomou posse, mais de 10 000 funcionários na administração pública. Está a ver? E mais esta reflexão: se o Estado quisesse mesmo dar a melhor saúde aos seus cidadãos, em vez de alegar falta de recursos, celebraria parceria com privados, eliminando todas as carências dos utentes, abrindo um leque de muitos mais serviços com qualidade, extensíveis a todos sem excepção. Resolveria assim três problemas: falta de meios, qualidade de serviços e listas de espera. Não o fazem porque não querem. Porque interessa manter um serviço que não funciona manietando o cidadão pobre a um destino quase certo em caso de doença: morrer mais cedo. Pense, porque pensar ainda não paga imposto.
Com isto, fica claro que interessa manter o SNS como fachada fingindo que o mesmo é extraordinário e que sem ele os pobrezinhos não tinham direito à saúde. O que não dizem é que tudo fizeram, durante décadas, para que esse mesmo sistema, só servisse para curar rapidamente gripes e unhas encravadas, e fosse “desinvestido” subtilmente para que as pessoas, que não têm recursos para se curar no privado, definhem lentamente e assim libertem o Estado de despesas pesadas. Uma “Eutanásia” legalmente aceite e que não levanta suspeita. Porque as pessoas só pelo facto poderem ir ao médico sem pagar já as faz sentir protegidas. Problema é quando a doença é mesmo séria e morrem à espera.
Um Estado que mata a vida e a esperança é um carrasco legal. Legitimizar isso com o nosso voto é ser-mos cúmplices dessa matança. O caso Alfie Evans deve servir para uma profunda reflexão sobre a verdadeira aplicação dessas leis na prática.
Quem precisa de eutanásia num país sem valores humanos? Ninguém.
Julho de 2007: a ameça da China no deserto do Rossio
Sempre à defesa

2011. Evento “Defender Portugal”. Eficiência Energética, Educação para todos, Mais Estado Social; Apoio às empresas; Defender o Euro; Formar e Qualificar; Investimento Público; Criação de Emprego; Incentivar investimento; Modernização Económica; Simplificação Administrativa; Serviço Nacional de Saúde serão os principais temas de debate.
O triunfo das gaivotas
A Falsa “Liberdade” da Esquerda
Confesso que já não tenho paciência para os discursos “bonitos” de homenagem ao 25 Abril como se ele tivesse acabado de acontecer e não soubéssemos ainda o que nos esperava. Foram 44 anos de mentira, de falsa sensação de liberdade só porque agora podemos dizer quase tudo o que pensamos sem ir preso. Por enquanto. E a prova está na abstenção que a seguir à revolução foi quase nula, no ano seguinte passou para 16,5% e a partir de 83, disparou para 44%. A fraude não tardou a manifestar-se. Hoje, temos a terceira maior dívida do Mundo, o segundo maior défice da Europa, o país mais corrupto da média europeia e estamos no ranking com maior carga fiscal. Esta é a “bela liberdade” que ganhamos: o aprisionamento financeiro – por dívida e corrupção – que nos empobrece e impede de ter vida condigna.
O país não mudou com a Revolução dos Cravos. Quando cheguei a Portugal em 78, e até assinarmos contrato de adesão à CEE, em 85, nosso país não tinha dado um passo ainda na mudança que hoje conhecemos. Muito pelo contrário. Nacionalizações mataram a economia e já tínhamos no currículo duas bancarrotas até 1983!!. Se temos vias de comunicação excelentes, melhor habitação, melhor escolas, melhores hospitais, melhor formação, melhor mercado de trabalho entre outros, devemos à tão demonizada UE que ainda não parou de canalizar fundos (grande burra!) para encherem inclusivamente muita conta bancária de oportunistas. Se parecemos um país desenvolvido, hoje, é por mérito dessa Europa e não nosso.
Porque se esse dinheiro nunca cá tivesse chegado, estaríamos mais atrasados em todos os segmentos do que durante o Estado Novo, devido à nossa constante incapacidade de nos governar, gastando mais do que a colecta em impostos, para servir interesses particulares gigantescos, só com uma diferença: já não podíamos contar com os milhões de fundos da UE para nos salvar as contas. Estaríamos a imprimir desenfreadamente moeda para nos manter à tona, fazendo disparar a inflação e desvalorização do escudo, com todas as consequências que daí adviriam, elevando brutalmente o custo de vida e pobreza. Ou seja, seríamos um “paraíso Venezuelano” sem petróleo.
Não somos livres não senhor. Somos escravos modernos prisioneiros a escassos rendimentos, “dopados” por uma propaganda eleitoralista constante, para enganar incautos. Quando vejo as esquerdas encherem a boca com a palavra “Liberdade” a torto e a direito dá-me náuseas. E quando ainda por cima vejo liberais a festejar ao lado destes, fico doente. A “liberdade” que a esquerda festeja é exactamente aquela que os que prezam a VERDADEIRA LIBERDADE, abominam. Como podem dar as mãos se não estão a celebrar o mesmo?
A “liberdade” que a esquerda defende hoje, é igual à que defenderam no passado: um Estado totalitário que concentra em si toda a economia e serviços, inclusivamente os meios de comunicação; que regula e limita todas as liberdades individuais e colectivas. Regimes que conhecemos bem o “seu sucesso” através da Alemanha de Leste, na Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e União Soviética. É aquela “liberdade” que os faz tapar estátuas ou mudar os nomes às praças ou jardins para limpar a História ou atirar ovos em pleno festejo do dia da liberdade aos opositores. É a “liberdade” de dizer explicitamente que só fizeram uma aliança com o “diabo” para impedir a direita de governar (mas que democráticos) demonstrando intolerância por todos os que não partilham a mesma cartilha. É a “liberdade” de quererem controlar as redes sociais que consideram um “perigo à democracia”. É a “liberdade” de Soros, esse multimilionário sádico que quer impor uma nova ordem mundial totalitária – a partir do caos causado pela desconstrução da sociedade – e que eles não se importam de figurar na sua plataforma como aliados dessa nova ordem. Veja aqui na Plataforma de George Soros os portugueses aliados, entre eles Marisa Matias, Liliana Rodrigues, Ana Gomes, João Ferreira. É a “liberdade” jornalística “independente” como o “Só Fumaça” – um jornal marxista – financiada com 80 000€ da Fundação George Soros (outra vez). Que bonito! Estou até “emocionada” com esta “liberdade” ditatorial que apregoam.
Neste dia, e perdoem-me a franqueza, o que esperava ver no Parlamento era um discurso arrebatador, verdadeiramente sentido, com muita revolta, a abanar com toda a estrutura política. Alguém que olhasse nos olhos de todos os deputados presentes e dissesse em nome de todos nós, cidadãos defraudados: “Basta meus caros deputados! Basta!”. Alguém que rasgasse o politicamente correcto e tirasse as unhas de fora apontando sem dó nem piedade, sem diplomacia, um a um, os pecados cometidos em 44 anos pela classe política e que suprimiram a liberdade conquistada, e não o contrário. Porque é disso que se trata: roubo de liberdades aos cidadãos e não ganhos.
Mas isso, sou eu, que sou do povo e nunca tive vida fácil. Que tive de batalhar arduamente cada cêntimo ganho. Que desde os 17 passei por vários governos e sei quanto custa a vida, governado por mentirosos. Que contei tostões. Que tive mais que um emprego em simultâneo para puder chegar ao fim do mês. Que tive muitos fracassos e vitórias à minha conta por isso conheço o terreno como ninguém. Que possuo uma carreira profissional extensa carregada de experiências ricas em aprendizagem feita de escaladas difíceis, sem apoios. Que conheço o SNS e sei que só serve para curar gripes porque se for urgente e não houver umas economias no bolso para ir ao privado, morre-se na lista de espera. Que sei que se as escolas públicas não estupidificam mais que ensinam e não são piores é porque temos profissionais maravilhosos que contrariam as estatísticas e se entregam de forma altruísta.
Porque é preciso nascer, crescer e trabalhar neste país desde cedo, no meio do povo, para saber realmente o que ele é ou não é e do que precisa. Os outros, são parte do sistema, que viveram sempre confortavelmente e que rosnam mas não abocanham com medo de perder o lugar ao sol. Não sentiram a perda de liberdade. Nem sabem sequer do que falo. Por isso vão continuar a festejá-lo como no 1º dia alheios ao roubo da liberdade pelas esquerdas.
Falou com uma pessoa que falou com outra a quem disseram..
Helena Roseta: ainda hoje falei com uma pessoa muito conhecedora do mercado imobiliário que me disse que tem conhecimento de haver ruas inteiras que estão na mão ou de famílias com posses ou de grandes fundos imobiliários e que, pura e simplesmente, não as poem no mercado porque não querem, porque estão à espera que o preço suba. Eu chamo a isso açambarcamento
Talvez amanhã a arquitecta Roseta fale com alguém que lhe diga que ruas inteiras com casas fechadas à espera de irem para o mercado só podem ser propriedade da CML ou da Santa Casa. Ou quiçá está a arquitecta Roseta a pensar naquela rua de Lisboa que do número 8 ao 38 tem como senhorio o Partido Comunista?
Compreendido
Duas semanas depois o que se sabe sobre isto?
De acordo com o CDOS, o alerta dava conta da existência de um alegado engenho explosivo “colocado em cima das garrafas de gás numa das entradas do estabelecimento comercial, o que criou um aparato naquela zona da cidade.
No seguimento do alerta, a área foi isolada e foram adotadas as medidas de segurança que se aplicam em situações desta natureza. Deslocaram-se ao local um total de 20 homens e nove viaturas das forças de segurança, da Polícia Judiciária, dos Bombeiros Voluntários da Guarda e da Proteção Civil Municipal.
A “folga”

“Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo” é um verso famoso de Alexandre O’Neill, parte crucial de um poema em que se conjuga a biografia do país com a autobiografia do autor. Se Portugal fosse um poeta e quisesse imitar O´Neill, o verso decisivo não poderia ser outro que não “Folga: questão que eu tenho comigo mesmo”.
A “folga” é a palavra-fetiche da nação lusa. Se vamos ao mecânico, logo nos descobrem uma folga na direcção; se interrogados sobre prazos de entrega, há certamente uma folga na resposta que sairá da nossa boca; se pretendemos um novo serviço público, é uma questão de segundos até identificarmos uma folga orçamental que o possibilitará. A “folga” é a muleta de todos os pedidos, de todas as desculpas e de todas as opiniões. E é algo que desejamos mesmo quando nos encontramos envolvidos em tarefas agradáveis. Recordemos o Conjunto António Mafra e a música Domingo. O protagonista, radioso, anda perdido entre rabos-de-saia: namora com a Rosalina à segunda-feira, fala à Miquelina na terça, encontra-se com a Manuela na quarta, sai com a Felisbela na quinta, telefona à Ivone na sexta, está com a Olga no sábado. No entanto, apesar de tão animada e prazenteira semana laboral, é com indisfarçável prazer que nos comunica que ao domingo está de folga. Só uma obsessão de grande envergadura pode justificar que o próprio folguedo seja preterido em benefício da folga.
Não espanta por isso que o debate político dos últimos tempos ande concentrado na “folga”. O Governo quer usar a “folga” orçamental para baixar o défice em mais umas décimas, o Bloco de Esquerda exige que a “folga” seja investida nos serviços públicos, Silva Peneda prefere aproveitar a “folga” para baixar a carga fiscal das empresas. Eu, assustado, corro ao oftalmologista para me aumentar a graduação. É que, por mais que me esforce, não vejo folga em lado nenhum: a dívida pública mantém-se assustadoramente alta e o Estado continua a viver em défice, gastando mais do que aquilo que consegue cobrar em impostos. É verdade que essa diferença entre receitas e despesas é menos má do que a previsão inicial, mas o saldo continua a ser negativo. E não estamos a falar de trocos.
Uma vez, no final de um exame que correu mal, disse aos meus pais que ia reprovar com 6 ou 7 valores, mas uns dias depois, surpreendentemente, apareceu na pauta que tinha reprovado com um 8! Estivesse já em vigor a definição contemporânea de “folga” e tinha-lhes pedido um presente que recompensasse o meu desempenho.
Romaria
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte, não sei, nunca vi
No ano passado, depois de Meca, fui ao Muro das Lamentações e ao Monte do Templo. No Verão estive no Vaticano. Este ano, depois de um parcial Caminho de Santiago recompensado com um abraço ao apóstolo, da procissão de Zamora e das mais conhecidas procissões de Sevilha e Málaga, conto ainda participar na peregrinação a Fátima do mês que vem e é seguro que em Dezembro rumarei a Lourdes para os festejos marianos. Não é de estranhar, assim, que tenha dado por mim na Avenida da Liberdade no passado dia 25 de Abril para participar numa das romarias nacionais.
Preparava-me então para participar na procissão, cravo ao peito, olhos no chão por respeito, eis que me aparece um senhor gordinho, tratando-me por “pá”, que me solicitou que lhe mostrasse a autorização para descer a avenida.
— Autorização?
— Sim, pá. Não desfila quem quer, só quem representa os valores, pá, de Abril, pá.
— Valores de Abril?
— Pá.
— Pá?
— Pá.
— Eu creio em Abril, no Cunhal e no Espírito Santo de Esquerda.
— Autorização, pá?
— Sou caipira pirapora, pá — crendo que a referência permitiria ao senhor identificar-me como indivíduo simples, com fé e humildade para participar na procissão.
— Pá, saia daqui, pá. Você não desce a avenida, pá. Você não representa os valores de Abril, pá. Liberdade, pá.
— Então, pá? Venham mais cinco? O povo é quem mais ordena, pá? Eu vi este povo a lutari, pá? Paz, pão, habitação, saúde, educação, pá? Entram guizos, chocas e capotes e mantilhas pretas, pá? Rosalinda, não se pode ver o mar, pá? Afinfa-lhe o Bruce Lee, afinfa-lhe a macrobiótica, pá?
— Fora daqui, pá.
— Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar, pá?
Arrancou-me o cravo, e antes que o senhor ‘pá’ pudesse responder, fui levado em braços por dois associados de quatro associações sindicais de polícias, sendo que um deles conheço por ser presidente de três delas. Foi assim que percebi que as religiões são todas iguais mas umas são mais iguais do que as outras. Dito isto, estou bem e os médicos dizem-me que deverei ter alta já na próxima semana. No Primeiro de Maio lá estamos.
Em modo anomia
As declarações de Arons de Carvalho aos jornal I espelham a anomia enquanto forma de pensar e mostram na perfeição como Sócrates foi possível. Mas vamos ao que diz Arons: “Não acho que seja reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado de outra.” – AFINAL QUEM NUNCA PEDIU DINHEIRO EMPRESTADO? QUE SEJAM DEZ EUROS PARA O TÁXI, MIL PARA UMA EMERGÊNCIA OU MILHÕES PARA TER UMA VIDA DE NABABO É TUDO O MESMO PARA ARONS! E ASSIM ARONS TORNA ACEITÁVEL O INACEITÁVEL: UM PRIMEIRO-MINISTRO A VIVER DE DINHEIRO EMPRESTADO.
“Não é por isso que as coisas estão erradas, mas penso que as pessoas só se deviam pronunciar quando os casos estivessem julgados.” – SEGUNDO PASSO: JUDICIALIZA-SE A MORAL: TUDO É CERTO ATÉ QUE OS TRIBUNAIS DIGAM QUE É CRIME. NÃO HÁ MORAL. APENAS PROCESSOS-CRIME. AO CONTRÁRIO DO QUE DIZ ARONS SE AS PESSOAS E NO CASO CONCRETO SE AS PESSOAS DO PS SE TIVESSEM PRONUNCIADO A TEMPO TODOS TERÍAMOS FICADO A GANHAR. ATÉ O PRÓPRIO SÓCRATES.
“Quer o Manuel Pinho, quer o José Sócrates, não foram ainda condenados. Temos de esperar sem intervir e sem comentar” – “TEMOS” QUEM? AS PESSOAS COMO ARONS? SÓCRATES ESTÁ A BRAÇOS COM A JUSTIÇA E O PAÍS A BRAÇOS COM UM VERGONHOSO PROCESSO JUDICIAL PORQUE O RACIOCÍNIO ARONS TRIUNFOU: TUDO É ACEITÁVEL ATÉ QUE OS TRIBUNAIS O CONDENEM.
Estas declarações do fundador do PS e mandatário nacional da candidatura de António Costa ao terceiro mandato de secretário-geral do PS mostram que Sócrates enquanto processo de utilização e manipulação do aparelho de Estado em proveito próprio é sempre possível. Basta que o dito Sócrates conte com os seus Arons.
Jantar privado

No âmbito desta tertúlia está a ser organizado um jantar privado com os convidados (Zita Seabra, Paulo Tunhas e Michael Seufert ) que antecederá o evento.
Quatro lugares ainda disponíveis para comunidade leitora do Blasfémias.
Se quiser receber convite, enviar email para: tertulialiberal@gmail.com
(mais info aqui.)
Descida/Subida da Avenida

Estou convencido da boa intenção dos seus promotores, aprecio o factor inovador e o potencial simbólico de a Iniciativa Liberal se ter juntado aos inimigos da Liberdade nas comemorações do 25 de Abril.
Mas se é de simbolismos que se trata, não posso deixar de registar que o presidente deste novo partido tenha pedido autorização à Associação 25 de Abril para o fazer.
*
Liberdade? Democracia? Onde?
Mais um ano, mais um festejo de uma suposta liberdade e democracia com a revolução de Abril de 74. Mas a verdade não é essa. Nunca foi. O 25 de Abril não foi uma revolução do povo, mas sim, dos militares insatisfeitos com Salazar que lhes congelara os direitos e que os partidos reaccionários de ideologia marxista (alguns por entre os militares), souberam bem aproveitar. Perguntem a Otelo Saraiva de Carvalho (veja aqui) Ele explica melhor que eu. Se temos hoje LIBERDADE e DEMOCRACIA devemo-la somente aos corajosos comandos liderados por Jaime Neves que em 25 Novembro de 75, que correram com os comunistas já alapados no Governo em marcha com o PREC para tornar o país numa ditadura à semelhança de Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte. Esta é a verdade inegável que nenhum branqueamento da História de Portugal conseguirá jamais apagar. Está escrito.
Tivesse o tão festejado 25 Abril vingado e teríamos hoje um país completamente diferente. As expropriações, a colectivização das propriedades agrícolas privadas, a estatização dos meios de comunicação e consequente controlo da liberdade de expressão, bens e serviços, e mercado controlado pelo Estado, estaríamos hoje ao nível de Cuba, isolados a um canto da Europa com uma moeda fraca, todos iguais na profunda pobreza.
Quis o destino e ainda bem, que desse tempo ficasse apenas uma Constituição comunista obsoleta, que para mal dos nossos pecados ainda não foi toda revertida e adaptada ao nível de um país evoluído e verdadeiramente democrático europeu. Mas pergunto: volvidos mais de 40 anos, somos mesmo livres?
Como podemos ser verdadeiramente livres se votamos numa coligação partidária que ganhou quase a maioria absoluta nas eleições de 2015, mas são três derrotados que governam? Como podemos ser livres se as ideologias divergentes do poder actual são bloqueadas, manipuladas, apagadas, perseguidas e rotuladas de fascistas, xenófobos, racistas, neo-liberalistas e mais outro tanto vocabulário inventado para calar e rebaixar violentamente opositores? Quantos de nós não conhece bem essa realidade da censura moderna nas redes que com mudanças imperceptíveis de algoritmos, bloqueiam a informação indesejada do “establishment”?
Mas há mais. Que liberdade é esta que cria leis que autorizam a ocupação à força de casas privadas ou terrenos? Que permite que se façam alianças com comunistas – essas criaturas que deram os parabéns ao novo líder cubano que venceu – sem eleições livres – exactamente os mesmos que num passado recente quiseram impor o PREC e tomar dos privados, toda a propriedade e economia? Que liberdade é esta que acumulou dívidas estonteantes fruto de muito descontrolo e roubalheira descarada de políticos, empresários e banqueiros, cuja factura chegou aos portugueses, em forma de aumentos grotescos de impostos e austeridade, pagos com sofrimento laboral, cortes na saúde, na educação, na segurança, aprisionando-os por décadas sem fim? Que permite que os maiores corruptos de que há memória em Portugal não estejam ainda todos presos mas sim, a pavonearem-se por aí, livres como passarinhos com tempo suficiente para vender bens, esconder mais dinheiro sujo e ainda dar conferências pelo país numa propaganda desenfreada de lavagem da verdade? Que permite empregar toda a família dos políticos no Estado, receber de viagens não gozadas (entre outros) e ainda declarar estes comportamentos como legais marimbando-se para a ética? Que se une – fazendo desaparecer prova, substituindo procuradores do MP – sempre que é necessário safar políticos de crimes de pedofilia, corrupção ou branqueamento de capitais – mas organiza-se ferozmente para atacar pequenos comerciantes que fogem ao IVA e que, ao serem apanhados com meia dúzia de infracções, de valor irrisório, o fisco confisca imediatamente os bens e os senta sem demoras, na barra dos tribunais aplicando pena de prisão? Que castiga funcionários que investigaram Manuel Pinho, outra “vítima” apanhada com mão no dinheiro público? Que permite ainda para cúmulo dos cúmulos, que um derrotado nas eleições, com outro que nunca foi eleito, fazerem acordos sobre destinos da Nação que não foram escrutinados? Algum de nós votou nisto?! Votou?!! Então não me falem em democracia em Portugal! Isto é ditadura convenientemente camuflada pós 25 Abril. Vão gozar com outros.
Se há “liberdade a celebrar” é a que foi conquistada pelos políticos. Isso sim! Grande golpe! Engordaram contas bancárias e passaram a dominar através do sistema partidário montado, fechado, um povo inteiro que mantiveram refém com discursos faustosos, mentirosos e ilusórios para viverem confortavelmente à sua conta! Até hoje.
É a festa da liberdade deles – políticos – que conquistaram com esta revolução a liberdade de “roubar legalmente” e continuarem livres mesmo depois de condenados.
Regulações há muitas
Nos anos 60 o consumo de leite – sim aquele que agora faz mal – tornou-se sinónimo de saúde e crscimento saudável. Mas o leite escasseava e muito era vendido avulso à porta. Vai daí a CML e o governo de então resolveram salvar os lisboetas dos leiteiros-mixordeiros e da especulação. Como ? Criando umas lojas que vendiam leite: os postos UCAL e subsidiando o leite.
Entretanto nasciam supermercados onde o leite era vendido engarrafado mas por largos anos o dinheiro dos contribuintes serviu para manter abertos os postos da UCAL.
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Vamos lá ver
As pessoas que consideram uma degradação do jornalismo a divulgação das imagens com os interrogatŕios a José Sócrates que adjectivos usam para o livro Fire and Fury sobre Trump?
A propósito deste arrazoado de medidas cujo impacto no mercado de arrendamento será desastroso para quem quiser alugar uma casa convém recordar o entusiasmo que foi no país com o cheque-bebé: o estilo épico-xaroposo das notícias é o mesmo; os amanhãs que cantam cantam ainda mais porque agora o pêcê tb canta, a incapacida da oposição para desmontar esta falácia mantém-se… Vista de 2018 a prosa que segue abaixo é ridícula, não é? Como s e pode ter acreditado naquilo e naquelas personagens? Pois é, o cheque bebé cresceu e agora chama-se Nova Geração de Políticas de Habitação
Sócrates celebra hoje 100 dias de Governo
O primeiro-ministro, José Sócrates, preside hoje a um Conselho de Ministros extraordinário, após o qual os membros do Governo irão reunir-se com diversas personalidades para um balanço dos primeiros 100 dias da legislatura. O Conselho de Ministros tem início marcado para as 10:00, no Centro Cultural de Belém. Na agenda está a regulamentação do chamado cheque bebé .
O Conselho de Ministros extraordinário tem início marcado para as 10:00, no Centro Cultural de Belém. Na agenda está a regulamentação do chamado “cheque bebé”. Por cada nova criança nascida em Portugal, o Estado abrirá uma conta-poupança com um valor inicial de 200 euros, que poderá ser reforçada pelos pais que, para tal, poderão beneficiar dos mesmos benefícios fiscais atribuídos aos PPR – Planos Poupança Reforma.
O Conselho de Ministro deverá prolongar-se por apenas 45 minutos, estando, para depois, marcada uma reunião entre José Sócrates, os ministros e várias personalidades “que representem um país dinâmico, positivo e que ajudem a apontar caminhos e medidas futuras”, segundo fonte governamental divulgou à Lusa.
Esta reunião, com a qual se pretende fazer um balanço dos primeiros 100 dias de Governo, conta com a participação, entre outros, do reitor da Universidade Nova de Lisboa, António Rendas, do presidente da AEP, José António Barros, do ex-secretário de Estado, João Nuno Mendes, do investigador Alexandre Quintanilha e do docente universitário e politólogo, Pedro Adão e Silva.
A área cultural será representada, neste encontro ministerial, por nomes como a da pintora Graça Morais, a artista plástica Joana Vasconcelos, a cantora Ana Free, o arquitecto Carrilho da Graça e a coreógrafa e bailarina Olga Roriz. O desporto está também presente na reunião – fechada à comunicação social – , com Nuno Barreto, medalha olímpica de vela e Presidente da Comissão de Atletas Olímpicos.
Querem falar de populismo?
O Interrogatório a Sócrates no Ministério Público
Foi impossível ficar indiferente à Grande Reportagem da SIC sobre o Processo Marquês. Não há dúvida que é preciso muita coragem jornalística para trazer a público detalhes tão importantes sobre o maior caso de corrupção jamais visto em Portugal envolvendo um ex-primeiro ministro. Há quem diga que foi manobra encomendada dos advogados de Sócrates para “mostrar” que não há provas. Aqui vai minha análise.
Se no primeiro episódio (veja aqui) ficamos com a sensação de que há um propósito para “ilibar” publicamente Sócrates alegando falta de provas de acusação, nos seguintes (veja aqui e também aqui) esse sentimento dissipa-se por completo. A trilogia da reportagem veio demonstrar que, sim, nos primeiros interrogatórios, Sócrates foi interpelado pelo MP sem lhe darem as fontes sobre as quais pesavam as tais acusações mas, mais adiante, à medida que avançavam nos interrogatórios, já o confrontavam com testemunhos que contrariavam afirmações dadas por ele. Foi o caso em que Sócrates, por exemplo, totalmente irado dizia que não teve qualquer influência nos concursos públicos atribuídos ao grupo Lena e exigia provas, mas quando confrontado no interrogatório seguinte com testemunhos, engasgou-se e teve amnésias. Outra situação foi sobre a amizade que mantinha com Salgado ao qual respondeu peremptoriamente que sempre fora tratado por este por “Senhor Primeiro Ministro”, que tivera com ele apenas encontros institucionais e raros. Mas numa escuta ouvimos Salgado dizer “Olá Zé tudo bem?” enquanto combinavam um jantar em casa do banqueiro. Ou ainda que não ordenou a compra de seus próprios livros a Santos Silva quando vemos o amigo a confessar o plano. Sem referir a famosa histeria à volta das férias de luxo que dizia não se lembrar, todas pagas pelo amigo, afirmando que ele, o “teso provinciano que vivia dos empréstimos” deste, pagava todos os jantares (hilariante!). Tudo isto com os advogados passivamente a ouvir, cabisbaixos, os disparates mal criados de Sócrates dirigidos ao MP.
Ficou claríssimo que não se trata de perseguição política alguma. As contradições dos testemunhos com os depoimentos de Sócrates são mesmo muitas e as escutas são elucidativas. Revelam, que há um novelo de ocorrências que todos os arguidos tentaram branquear para não deixar pontas soltas. Mas deixaram. E é precisamente por essas pontas pequeninas, que o grande novelo se desenrolou.
Começando pela origem duvidosa do dinheiro entre Santos Silva e Sócrates, NINGUÉM pede emprestado a amigos por códigos. Transporta depois o dinheiro por correios humanos pagos a peso de ouro, ou põe motorista a receber 80 000€ desse “empréstimo” por transferência, na conta deste, para pagar suas despesas pessoais a menos que esse dinheiro seja ilícito e não se queira deixar rastos. Também, NINGUÉM compra apartamento luxuoso em Paris e formaliza depois um contrato de arrendamento ao amigo, em 2014, por um período que já caducou, em 2013, se não for com o propósito de enganar as autoridades fingindo ser arrendada. NENHUM amigo do mundo financia outro amigo que se diz provinciano sem dinheiro e a viver da generosidade da mãe para: viagens em executivo; para 20 000€ em estadias; para viver no lugar mais luxuoso e caro de Paris; para gastar uma média de 40 000€ por mês; para dar guarida à ex-mulher e filho em Paris numa casa por 400€ a noite; para gastar fortunas com amigas; para decorar “seu próprio apartamento”, sem limites de despesa, com tudo do mais caro e requintado que há, ao gosto do amigo, sem ser “tido nem achado” na execução das obras como se não fosse dono dele; para comprar casas para mãe do amigo; para comprar 170 000€ de exemplares de livros do “amigo pobrezinho”. E como se não bastasse, ver ainda o amigo a pedir emprestado compulsivamente milhares de euros e não dizer um “não, não posso” uma única vez, continuando a disponibilizar valores astronómicos sem garantias, sem papeis, sem nada. NINGUÉM é tão generoso a menos claro que o dinheiro “emprestado” não seja do tal amigo “porreiro e generoso”.
Depois vem Vale do Lobo onde Sócrates afirma não conhecer ninguém, não saber de nada mas não consegue responder como aparece de novo seu amigo generoso a receber dinheiro deste empreendimento. Como não soube explicar a existência de pagamentos da Venezuela ao amigo, outra vez, que depois serviram para gastos pessoais de Sócrates. Como não conseguiu explicar como um provinciano com conta a zeros, sem qualquer rendimento, avança com proposta de compra de casa no Algarve por 900 000€ pondo seu amigo a gaguejar no inquérito do MP, quando confrontado. Como também não conseguiu explicar como o dinheiro transferido do saco azul do BES foi parar à conta do primo que depois o fez chegar ao “amigo generoso” que está em todas as negociatas (mas que coincidência!). Como resposta limitou-se a dizer: perguntem ao Santos Silva, perguntem ao meu primo, consciente que não tinha o seu nome nas contas, logo, não se importou de “entregar as cabeças destes dois numa bandeja” ao MP. Muito perverso e revelador.
Ficou claro com este interrogatório que o Processo Marquês é muito mais do que uma acusação a um ex-primeiro ministro. É todo o sistema político que está a ser julgado envolvendo ministros, banqueiros e empresários como nunca se viu em Portugal. Um polvo gigante ao estilo siciliano que parece não ter fim. Como diz Ana Gomes e bem, depois de ver Manuel Pinho juntar-se a Sócrates: PS não pode continuar a ser instrumento de corruptos e criminosos.
Se a divulgação dos interrogatórios foram legais ou não de pouco interessa. Não passa de uma desobediência nos termos do artº 88, nº2 do Código Processo Penal que ao pé dos 31 crimes de Sócrates, 33 crimes de Santos Silva, 21 de Salgado (sem contar os restantes 25 arguidos) é uma insignificância que não vem alterar qualquer facto que nele vimos e ouvimos. E merece um aplauso aos jornalistas que puseram o interesse público acima dos interesses do sistema.
A Ordem dos Advogados manifestou seu repudio pelo sucedido alegando que a reportagem “instiga a tumulto social ao revelar apenas partes de interrogatório e escutas acusando os jornalistas de parcialidade. Boa desculpa. Se fossem EMITIDOS por completo já seria ético, é isso? (algum jornalista da SIC que pense nisso). E pergunto: fazer vídeos no YouTube, conferências de imprensa, comentários televisivos sobre Processo Marquês, a revelar detalhes em investigação, ANTES do trânsito em julgado, por um arguido, que esteve 9 meses em preventiva, é legal? Não brinquem.
Do interrogatório, ficaram estas dúvidas: como pôde a CGD fazer um empréstimo de 145 000€ a alguém teso, sem rendimentos e sem garantias? De onde tirou Santos Silva o dinheiro para “emprestar” ao amigo? Com que rendimentos o arguido Sócrates – que vive actualmente com pensão de pouco mais de 3000€ – paga 700 000€ aos advogados e vida pouco modesta que ainda faz? De onde vinham os “valores milionários emprestados” pela mãe de Sócrates sem fortuna conhecida? Porque Sócrates ordenou em escutas o pagamento de impostos atrasados, relativo a uma casa em Paris que “não era sua”? Se não há provas na condenação a Sócrates, porque seus advogados queriam inutilizar as escutas sob o pretexto ridículo de vírus?
Termino com um forte aplauso para Passos Coelho, o homem a quem devemos a queda do Império Salgado que deu origem ao Processo Marquês e levará este banqueiro e Sócrates e mais 26 arguidos, à barra do Tribunal. Outro aplauso sonoro ao Juiz Carlos Alexandre e sua equipa pelo grande trabalho de investigação que certamente ficará na História de Portugal. Parabéns à SIC pela excelente reportagem que nos leva a este submundo da corrupção inimaginável ao cidadão comum. Que a Justiça prossiga seu caminho tranquilamente sem obstruções.
Habitação: a nova Reforma Agrária (com ocupações e tudo)
Esse universo pré-anunciado de rendas sociais, rendas reguladas, rendas acessíveis e rendas condicionadas ocupa hoje o lugar que a Reforma Agrária desempenhou no século passado: a esquerda acredita que é ali que fará a sua sementeira de votos. E de ódio.
Para a legitimar essa nova Reforma Agrária e o seu inevitável cortejo de atropelos e esbanjamento todos os dias se descobre mais uma caso dramático relacionado com o mercado de arrendamento. Temos de tudo: os adultos que sofrem por passar do Chiado para os Olivais ou de Campo de Ourique para Campolide. Na verdade, pela primeira vez em muitas décadas, os portugueses podem aspirar a alugar uma casa. Recordo que a falta de casas para alugar criou em Portugal um estado civil que creio único no mundo: os amarrados pelo empréstimo da casa.
A regionalização foi derrotada em referendo. Se querem regionalizar convoquem outro referendo.
A regionalização muito adequadamente passou a descentralização (tal como a eutanásia se transformou em morte digna ou assistida e as barrigas de aluguer em maternidade de substituição) mas ou os portugueses acordam para a mistificação subjacente à fantochada da declaração conjunta assinada por PS e PSD ou acordamos em Julho de 2019 com uma regionalização feita nos bastidores pelos caciques partidários.
O que Costa e Rio aprovaram foi isto a constituição de uma “Comissão Independente para a Descentralização” que analisará “estudos aprofundados a executar por Universidades com reconhecidas competências académicas na investigação sobre as políticas públicas e a organização e funções do Estado”.
É isto que a geração mais preparada de sempre escreve nas paredes de uma das universidades ocupadas em Paris

Quotas para burras
Na mesma semana em que se aprova quotas para obrigar mulheres a entrarem à força para listas partidárias — à força porque voluntariamente nunca arranjaram desequilibradas do sexo feminino em número suficiente —, aparece a proposta Roseta que permite que o monstro roube a propriedade das pessoas porque sim. Excelente publicidade para mulheres na política: és invejosa, queres o que é dos outros, tens a tara de tirar ao Pedro para dar ao Paulo, que é teu irmão? Anda para as nossas listas.
Tem havido um certo reboliço em torno de feministas nos meios liberais, uma coisa de que nenhum dos leitores ouvirá falar por ter relevância cultural entre a de um clube de bridge e a de um rancho folclórico. Todavia, o feminismo isabelmoreirista/câncioburaquista, infelizmente transversal quer a socialistas quer a socialistas que julgam ser outra coisa, é a encarnação mais recente do racismo (e que neologistas poderiam chamar de generofobia) e está aí para ficar, elegendo o sexo masculino como inimigo de ninguém sabe bem o quê. Podiam ser “os ciganos”, “os judeus”, “os pretos”, mas, para quê limitar o inimigo a franjas da população se se pode encontrar o inimigo em metade da população incluindo todas as etnias e as religiões?
Lêem-se frases incluindo “os homens decentes” ou “os homens inteligentes”, como em tempos se leram frases contendo “os pretos decentes” ou “os pretos inteligentes” sem que ninguém ligue o alarme. É o que é. Às vezes fico na dúvida sobre se nasci no tempo errado ou se é o resto do mundo que se esqueceu de nascer entre uma paragem e outra.
A propósito da enorme comoção que vai nesta cidade de Lisboa
com as obras que estão a ser levadas a cabo pelos conspícuos proprietários – e que são apenas de fachada e patati patatá – é favor olhar um bocadinho para as instalações de serviços públicos da administração central e municipal: barracos, acrescentos, caves e subcaves sem condições nem segurança, funcionários a conviver com casas das máquinas de elevadores, aguinha a correr dentro de arquivos (na versão pingo e fio), pedras de fachada a cair, inacessibilidade para pessoas de porte atlético quanto mais para quem esteja numa cadeira de rodas….

