Antes de se pedir a demissão de Centeno convém não esquecer este aviso
Não São Tricas Meus Senhores! São Maroscas Consentidas!
Em Bucareste, um mar de gente inundou as ruas em protesto contra os planos, vou repetir, planos, de um governo de esquerda que queria despenalizar delitos de corrupção e abuso de poder e ainda amnistiar condenados por corrupção. Não arredaram pé durante 7 dias e exigiam a demissão do governo. E em resposta a pretensa lei caiu. Ler mais…
Com a esperança de vida a indicar “para lá da metade”, é preciso acelerar
A eterna jovem Fernanda Câncio, que quer ter a certeza de, aos cinquenta e tal, poder fazer um aborto (um dia havemos de conversar, a escola falhou redondamente), escreveu um artigo intitulado “A grande derrota da Igreja Católica” (sem link, procurem no Google, que há crianças que carregam nas coisas sem quererem). Nele, aponta que a Igreja Católica foi votar em força nos referendos ao aborto e, como só 16% dos eleitores elegíveis se dignou a votar contra, tal resultado constitui uma derrota da Igreja Católica. OK, é um argumento que merece ser escrutinado por outro prisma gnóstico, vamos lá à proposta:
Tragam os refugiados para Portugal. Todos. Façam novo referendo ao aborto, mesmo sem intenção de mudar a lei. Concluam, pelo resultado, tratar-se da “grande derrota do Islão”. Batam palmas.
Quando temos causas, ao menos que sejam acompanhadas de coragem para as levar às últimas consequências.
Dão-se explicações de francês a jornalistas
O facto de o francês ser uma língua mais desconhecida em Portugal que o sânscrito leva a que caia um extraordinário manto de silêncio sobre o que está a acontecer em Seine-Saint-Denis. Para combater tal lacuna proponho que os raros conhecedores desse bizarro idioma que é o francês se voluntariem para dar explicações de francês. Por mim só não me peçam para perorar sobre os acentos naquela ortografia que tem muito que se lhe diga. Mas também Seine-Saint-Denis, Bobigny e Argenteuil não levam acento algum.
Eles estavam a preparar filhozes
EXPRESSO: Dois irmãos lusodescentes, de 23 e 27 anos, residentes numa aldeia do concelho de Almeida, Guarda, foram detidos pela Polícia Judiciária e estão a ser investigados devido a suspeitas de radicalismo islâmico, conta o “Jornal de Notícias” esta segunda-feira. Os lusodescendentes, nascidos em França, residiam há três meses em Portugal e foram encontradas armas de calibre na sua posse, nomeadamente duas pistolas de 9 milímetros, munições, um punhal e um aerossol, sendo que uma das armas estava envolvida num pano com manchas de sangue.
Fonte da Polícia Judiciária já garantiu ao Expresso que a hipótese destes dois irmãos estarem a planear um atentado terrorista está totalmente descartada.
O que eu gosto na notícia é este “totalmente descartada“. Estas certezas dão-nos uma segurança avassaladora
A vaga de frio e o bom tempo
Vão portanto fazer umas rifas para encher as salas de cinema Portugal?
O sofrimento pungente da multidiscriminação silenciosa
A multidiscriminação é um flagelo que assola a multi-humanidade com sistemáticas e continuadas micro-agressões que acumulam num unificado hiper-ferimento a indivíduos dotados de hipersensibilidade. Não parece um conceito difícil de compreender para pessoas de bem.
Durante milénios, agredimos: é um facto que não é passível de negação. Agora, após este imenso purgatório milenar para esvaziamento de torpe mesquinharia, conseguimos aprovar a criminalização da multidiscriminação. Pequeno parêntesis: esta coisa de aglutinar palavras segundo o método alemão cheira bastante a trauma de Édipo, como, aliás, todo o acordo ortográfico. Fim de parêntesis. A multidiscriminização ocorre quando uma pessoa discrimina por duas ou mais características discriminantes distintas, como anão e maricas, preto e homossexual ou mulher e costureira branca não-instruída. Note o leitor, porém, que não se pode denominar por multidiscriminação quando a caracterização é feita por características discriminantes mutuamente exclusivas tais como socialista e idiota, feminazi e sofredora de frigidez patológica ou namorada-despeitada e activista-de-causas.
Além da multidiscriminação, também há a problemática da “discriminação por associação” (é mesmo assim). Aqui, o executivo resolve a questão como deve ser: diz-nos o Público que tal situação de “discriminação por associação” acontece quando “um jovem se desloca com dois ciganos a um serviço público é mal atendido por estar com eles”. Isto são boas notícias para quem, por exemplo, frequenta a Casa Pia no sentido de acompanhar o pedófilo. Uma pessoa vai ali, fazer companhia ao nosso amigo violador – que as ruas até andam inseguras para se andar sozinho – nem sequer está a violar um miúdo e, sem mais, habilita-se a ser tratado mal só porque algumas pessoas poderão não concordar com a necessidade do amigo em sodomizar órfãos. É tempo de dizer “basta” a esta injustiça.
Melhor ainda é a recomendação do Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação na simplificação de queixas, como explica o Público: “o suposto agressor é que deve provar que não cometeu aquilo de que é acusado”. Muito bem, é assim mesmo! Eu estou há anos há espera que o meu vizinho prove que não matou o meu Bóbi depois de o sodomizar em repugnante actividade não consentida inter-espécies e, até agora, nada. Felizmente, a minha sorte mudará muito brevemente.
A ler
Golo decorrente da marcação de um Kant de Costa
Continua a discussão sobre se Centeno mentiu, se não mentiu, se o Presidente sabia, se não sabia, se as provas publicadas são provas, se não são… Uma confusão e desperdício de tempo. É claro que mentiu: toda a história é mais que óbvia, independentemente das narrativas da era da pós-verdade que reconfiguram mentiras em inverdades. A questão não é se mentiu – porque mentiu: a questão é porque é que ninguém se importa por ter mentido.
A explicação é simples: não estamos a ser governados, isso é um mero sub-produto de uma necessidade; a Geringonça não existe para providenciar governo – daí que não se critique o governo, que não é bem um governo –, existe para nos livrar desse terrível Mal que é ser governado pelo Passos Coelho. Tudo é permitido a este “governo”. Mentir sistematicamente, omitir deliberadamente e dizer que “abandono escolar aumentou porque desemprego juvenil diminuiu” sem a demolição do Carmo e da Trindade é feito em nome de um Bem maior: livrar-nos do Passos Coelho.
Não era o abracadabrante que adorava Kant? Imperativo categórico é isto, é o dever do dr. Costa em tudo fazer para cumprir o desejo universal da humanidade, o de se ver livre do Passos Coelho. E, como se sabe, pela universalidade, os fins justificam sempre os meios.
Se bem percebo
o dr Domingues deu-se aos delírios reivindicativos e fazia exigências meio lunáticas ao ministro das Finanças que fazia de conta que não lia tais despropósitos?
Logo, a coisa está por pouco e há que aproveitar enquanto é tempo
A evolução dos juros da dívida portuguesa na versão PR-carambola origami
A evolução dos juros da dívida portuguesa na versão PR-carambola bilhar
Tenhamos calma, parece que é – diz o PR – o efeito carambola
Realmente há quem se ofenda com qualquer coisinha!
josé manuel coelho, um mártir da democracia

José Manuel Coelho, o bravo deputado madeirense que luta, em trajes menores, pela liberdade de expressão, terá sido condenado a um ano de prisão efectiva por supostos «insultos» ao ex-dirigente do PCTP/MRPP, o advogado Garcia Pereira, a quem chamou «agente da CIA».
Algo de muito errado se passa com esta sentença e esta condenação. Porquê? Porque, habituado a enxovalhos destes e muito piores, está o camarada Garcia, só que vindos da sua antiga seita, o MRPP, e do seu guru espiritual, até há pouco tempo temido e idolatrado, Arnaldo Matos. A título de exemplo, vejam-se alguns dos artigos recentemente publicados no Luta Popular, jornal online da patusca organização, e digam-me, depois, se um sujeito habituado a isto pode queixar-se de qualquer outro insulto que lhe façam:
- Garcia Pereira, o chulo: onde o articulista Vladimir acusa o ex-líder do partido de se apropriar, indecentemente, dos salários dos trabalhadores que, por ele ser dirigente do partido, o contratavam como advogado;
- O Ruidoso Silêncio de Garcia: onde se apoda o ex-camarada de «canalha e cobarde»;
- O Papagaio Garcia: onde, para além da feliz comparação com a ave tropical, se afirma que «O chibarro Garcia coça os cornos de desespero» e que «Garcia é um lacaio do imperialismo americano, e quer fazer dos Açores a quinquagésima primeira estrela da bandeira dos Estados-Unidos da América»;
- Garcia, o novo lambe-botas de Marcelo;
- Garcia Pereira: um vendido ao serviço da CIA, das novas secretas fascistas e dom imperialismo.
E poderíamos continuar, porque, donde vieram estas há muito mais. Mas a questão é a seguinte: depois de levar com tudo isto nas ventas, é o Coelho quem vai preso?
mentir é feio

Eis como uma história que poderia ter tido um desfecho muito simples acabou por ficar muito complicada. Mário Centeno, ministro das finanças e economista de profissão, propôs a António Domingues a presidência da CGD e prometeu-lhe o que, seguramente por desconhecimento, não lhe poderia ter prometido. Quando confrontado com o seu equívoco, Mário Centeno poderia tê-lo assumido, pedido desculpas a Domingues pelo lapso, corrigido a proposta que Domingues aceitaria ou não e, desse modo, o assunto teria sido encerrado. Mas não: preferiu dar o dito por não dito, provavelmente convencido que Domingues cederia, que ele sairia incólume e a opinião pública ficaria sem conhecer o que, de facto, se passara. Enganou-se: Domingues, que deve ter mais por onde ganhar dinheiro, permaneceu na sua e não cedeu às contraditórias exigências do ministro. A partir daí, com aquela cara de quem está a esconder aos pais uma asneirola que acabou de fazer, Centeno começou a mentir desalmadamente ao país. Hoje, mais uma vez, foi encostado à parede e desmentido por António Domingues, e o país ficou a saber aquilo de que já desconfiava: que tem um ministro das finanças que é capaz de mentir para sustentar um erro que cometeu. Moral da história: mentir é feio.
Do romantismo ao masturbantismo
Melhor do que afirmarmos sobre o que as pessoas pensam é perguntar às pessoas o que pensam. Às vezes, as pessoas até pensam, por muito que isso custe às elites balofas que gostariam de pensar por elas. Palavra então às pessoas:

Quem são as pessoas?

Onde está o artigo completo? Está aqui, não está nas pancas dos Adões e Silvas, os neo-Dantas que substituíram o romantismo pelo masturbantismo.
mistérios do lupanar
Quem visitar hoje o Observador deparar-se-á, imediatamente, com uma enorme barra cimeira, onde se lê: «PROCURAM-SE EMPRESAS PARA CAPITALIZAR». E, logo abaixo, em letras azuladas mais pequenas – «NA CAIXA. COM CERTEZA». Pensava eu que se tratava de um desesperado pedido de socorro de Paulo Macedo, acabado de chegar à presidência do banco público e em estado de choque com o que certamente lá encontrou, quando constato que, afinal, é a Caixa que está a oferecer dinheiro às empresas, 1.600 milhões de euros, mais precisamente. O que é um facto notável: por um lado, a Caixa está falida e carece, com urgência, de 4.000 milhões para não seguir o mesmo caminho do BES. Mas, por outro, disponibiliza quase metade desse valor para auxiliar empresas certamente em melhor situação financeira do que ela, espera-se…
Já começou
Mal se soube que Cavaco ia publicar as memórias respeitantes ao período em que foi PR começou o crescer da onda que na próxima semana se transformará na nova versão da cena do ódio. Cavaco com as suas maiorias absolutas foi o único que conseguiu questionar a tutela PS do regime e é isso que não lhe perdoam. É essa a sua força e a sua fragilidade.
Por mim, o SNS devia fazer tudo, até tratar doentes de vez em quando
Ontem, passou na RTP mais um daqueles programas com nome de “Prós e Contras”, no caso particular dedicado, basicamente, à gravidez artificial de lésbicas. Tendo a acreditar que quem não está disposto ao ritual de procriação também não está muito preparado para a maternidade, até porque são coisas bastante parecidas: momentos de prazer seguidos de enjoos (basta ver os programas escolares) e dores nas articulações que se tornam recorrentes ao longo da vida. Porém, não julgo: uma pessoa deseja ser inseminada por um desconhecido, não temos nada a ver com isso, no caso geral de não estar disponível em vídeo em encenação por profissionais devidamente remunerados. Pessoalmente, acho que seria mais giro adoptar um refugiado – à falta de outros miúdos de pais desconhecidos que acabam afagados por um Bibi em simpáticos orfanatos -, mas compreendo que as pessoas prefiram filhos de desconhecidos a miúdos que podem melhor servir para publicidade quando devidamente desprovidos de vida numa praia europeia.
Vamos ver: o SNS faz o ciclo completo. Tanto engravida pessoas como lhes aborta o transtorno; tanto serve para dar à luz uma nova Thaïs Clotilde como para eutanasiar o pai severo que nunca aceitou bem a namorada tatuada da filha; tanto muda o sexo do Hércules Afonso como lhe providencia tratamento psiquiátrico pela impossibilidade de o reverter para o original. É um serviço muito inclusivo.
Porém, há coisas que não faz. Por exemplo, não faz outros actos não-médicos (como também não é acto médico a prática da eutanásia) como tatuagens e piercings. Só próteses sem componente estética. Uma discriminação ao bom gosto. Já era tempo de o SNS empregar tatuadores que assegurem total higiene em vez das pessoas andarem a marcar o corpo com lindas lemniscatas em vãos de escada. Também não providencia serviços como a amputação a pedido, em total liberdade do paciente, de membros perfeitamente funcionais. Quer dizer, fazem se se tratar de um agradável pénis, mas não fazem se se tratar de uma repugnante perna. Isto não se entende.
Karl (nome não é real, o real deve ser Aquiles), sempre desejou ver-se livre da maçada que é ter pernas. Na recusa do Obamacare em resolver este problema, como se duas pernas fossem assim tão diferentes de um pénis, teve que tratar ele próprio do assunto. Porquê, meu Deus? Porque há-de alguém ter que se sujeitar a esta tortura macabra de ter membros que não quer? Quem somos nós para o privarmos do direito de amputar as suas pernas?
Por um SNS verdadeiramente inclusivo, proponho que o próximo Prós e Contras seja sobre esta problemática, a da amputação voluntária medicamente assistida. Não é uma eutanásia completa, é só a partes do corpo, deve ser menos controversa que a eutanásia total. Proponho também que o programa passe um bocadinho mais cedo, para que a peixeirada decorrente não acorde as crianças, que no dia seguinte serão obrigadas a ir para a escola onde só se pode doutrinar sobre “educação sexual”, “educação cívica”, história e a inteligência de Marx e, infelizmente, coitadas, sabe-se lá a quantas agressões por verem crucifixos serão obrigadas pelo caminho.
A ler
O segredo da Caixa: Quanto à joia da coroa estatal, a CGD, reina há largos meses um silêncio ensurdecedor, a ponto de não haver uma linha a seu respeito no último «Expresso». O trio governamental uniu-se sem falhas para impedir a continuação do inquérito parlamentar contra a decisão do próprio Tribunal da Relação.
A inexplicável Vendeia
Bush, Clinton, Obama, Hillary e Trump
Eu não gosto de muros como aquele que Clinton construiu na fronteira com o México e que agora Trump promete concluir os kms que faltam. Nem do discurso de Clinton em 1995 e Obama em 2011 que Trump resolveu copiar para justificar a necessidade de expulsar e impedir a imigração ilegal. Nem de restrições à migração de pessoas, nem da lista de países a banir, criada por Obama, e que agora Trump resolveu tirar da gaveta. Mas entendo a emergência das medidas: proteger. Não é esse o dever do Estado? Desde quando a segurança é uma questão política de esquerda e ou direita? Porque razão são boas se praticadas por uns, odiosas se forem praticados por outros? Ler mais…
Ai é assim que se faz? Vamos recomeçar.
Ai agora estamos todos preocupados com o Trump, com a Le Pen e com sabe-se lá com quem mais que vier a seguir? Muito curioso, uma vez que vimos o Tsipras com um herói que ia bater o pé “à Europa”. Isto para não falar na beatificação de Dilmas, Lulas, Sócrates, Hollandes, aqueles palhaços do Podemos espanhol… Ai agora estamos preocupados?
Todo – sublinho – todo o folclore anti-Trump tem por base uma única coisa: o gajo é associado à direita e encontrou a fórmula para aceder ao poder no século XXI pós-Obama. Queremos que saia para entrar o nosso próprio Trump, o “da esquerda”, agora que sabemos como se faz e que, afinal, não é com Corbyns e Sanders.
para pior
Restam-me cada vez menos dúvidas de que Marine Le Pen vai ganhar as próximas eleições francesas. O situacionismo, à esquerda e à direita, põe as fichas todas na segunda volta, e crê que a mulher ganhará à primeira e será esmagada na segunda. Não arriscaria nisso um cêntimo. O mau estado dos candidatos que se anunciam contra a líder da Frente Nacional, o desânimo que paira nas suas hostes e a falta de ideias claras sobre aquilo que mais preocupa os franceses – a insegurança, o islamismo e a crise económica – não valem muitos votos. Em contrapartida, Le Pen vende-lhes ideias claras e fáceis de entender: para acabar com o terrorismo, expulsão dos muçulmanos e restrições à emigração; para acabar com a crise, saída da União Europeia e do Euro. Infelizmente, ao longo das últimas décadas, os partidos democráticos recusaram-se a encarar, de frente, o problema da insegurança e da islamização de França. Agora, no desespero em que o terrorismo lançou o país, as ideias fáceis e a demagogia têm espaço para progredir e, até, para vencer. Até porque, desgraçadamente, nenhum dos candidatos dos partidos democráticos deu qualquer ideia de como resolver os problemas dos franceses e os últimos anos de governação não são, para eles, de boa memória. Acredito que, até ao fim do ano de 2017, a vida na Europa irá mudar profundamente. Para pior.
Duelo de ideias
O novo programa de debate, “Duelo de Ideias”, criou grandes expectativas. Finalmente, um programa de debate onde diferentes pontos de vista seriam apresentados e debatidos perante total independência do moderador, que se limitaria a avaliar se as questões levantadas eram respondidas dentro das regras da educação e elevação necessárias ao debate.
No primeiro episódio, um debate entre Judas Massa, advogado freelancer e deputado independente pelo Partido Socialista, e Bernardo Sottomayor Sepúlveda, o IVº, jovem agricultor, presidente da associação de reformados da função pública e deputado eleito pelas listas do distrito de Cascais do CDS-PP.
– O governo está numa senda de irresponsabilidade, colocando em risco o financiamento futuro da república… – inicia Bernardo.
– Irresponsável és tu, ó totó.
– …não é preciso descer o nível…
– De pirocas descidas percebes tu, ó betinho!
– …eu vim para debater…
– Vieste foi para levar nos cornos, ó camelo!
– Acho isto inaceitável…
– Sotôr Sottomayor, o senhor foi convidado para debater, é importante que não se perca com divagações acessórias ao debate – relembra o moderador.
– Embrulha, chulo – recomeça Judas.
– Isto não é um debate! – desabafa Bernardo, sentindo a primeira gota de suor a manchar a camisa sugerida pelo seu alfaiate em Saville Row.
– Doutor Sottomayor, tem que debater! – insiste o moderador.
– Anda lá, ó coninhas. Debate, ó boi! – grita Judas, mantendo a animação que um bom debate induz aos seus intervenientes.
– Eu vou-me embora! – exaspera Bernardo.
– Vais o quê? Anda lá, luta como um homem, ó merdas! Estamos aqui para debater, ó fascista cara de cu.
Bernardo levanta-se para abandonar o estúdio, Judas atira-lhe com a cadeira, que o deixa prostrado e com a cabeça a sangrar.
– O que tem a dizer a este argumento do professor doutor Judas Massa, doutor Sottomayor? – continua o moderador, habituado a estas pequenas picardias entre pessoas que debatem apaixonadamente a actualidade.
– Anda lá, levanta-te, ó puta dos mercados – incentiva Judas, para que Bernardo encontre uma argumentação à altura da estrita verdade ideológica com que foi confrontado.
Bernardo começa a levantar-se, se bem que cambaleante e com medo genuíno de levar mais porrada, eis que se vê o pé de Judas, o que, ao acertar na face de Bernardo, lhe faz voar dois dentes por entre uma pulverização sanguínea bastante espectacular.
– Responde, azeiteiro de merda! Estamos a debater! Levanta-te!
Bernardo tenta sair do estúdio rastejando. O moderador levanta-se e aponta-lhe a arma:
– Doutor Sottomayor, estamos aqui para debater, com respeito e elevação, tratando o oponente como adversário, não como inimigo. O sotôr está subverter as regras do debate personalizando simples argumentos políticos como se de ataques pessoais se tratassem.
– Pois estás, ó boi! Levanta-te.
Bernardo grita, um misto de desespero, pânico e compreensão de que não sairia do estúdio com vida.
– Ele não quer debater, é uma besta, um fascista – afirma Judas, entristecido por um debate com oponente sem argumentos para respostas adequadas.
– Devo disparar sobre ele? – pergunta o moderador.
– Acho que é melhor ser eu. O moderador deve ser isento.
– Não creio que os telespectadores considerassem falta de isenção da minha parte se disparasse sobre um convidado tão patético e obviamente opressor.
– É um fascista! É um Trump! Nazi de trampa!
Judas pega na arma, dirige-se para o rastejante Bernardo e, sem esperar por mais respostas, dispara um argumento certeiro na nuca do oponente, que imediatamente assume uma postura de quem não tem condições intelectuais para rebater o argumento apresentado.
– E é tudo por hoje. Não perca para a semana mais um debate entre a esquerda e a direita portuguesa. Bom fim de semana – despede-se o moderador.
O programa é um sucesso, motivando cópia do modelo de debate pelas restantes estações de televisão.
Vídeos que dizem “América primeiro, católicos brancos em segundo”
O slogan America first (América em primeiro lugar) do Presidente Trump originou uma série de vídeos de vários países1 produzidos por estações de televisão nacionais, apelando a que o seu respectivo país venha, então, em segundo lugar após a América. Com efeito mais ou menos cómico – e alguns conseguem ter piada em alguns pontos -, usam referências culturais e folclóricas de forma auto-depreciativa e crítica esquerdista ao que pretendem associar à acção governativa de Trump. É neste último ponto que o humor falha: para um progressista conseguir criticar Trump tem que recorrer à caricatura pura (o que não tem mal), já que, esmiuçando as propostas do Presidente, estas em nada diferem no conteúdo proposto pelos progressistas fora do espectro de guerrilhas sociais. Portanto, é uma sátira à forma, não ao conteúdo, daí serem populares entre pessoas que vêem programas do tipo Got Talent.
O que pude reparar em todos os vídeos é que não há um único que, para representar o seu país, recorra a imagens de mesquitas, de indivíduos barbudos de origem árabe ou de mulheres vestidas como apicultoras. Pelo contrário, vi referências a igrejas, ao carnaval, a nudistas, ao consumo de álcool, a mulheres descritas como “boas”, a diversão, desporto, entretenimento, homossexualidade… referências tipicamente europeias, oriundas da tradição iluminista que tarda em chegar ao mundo árabe. Portanto, estes videos que pretendem caricaturar Trump, limitam-se a caricaturar o multiculturalismo, ideia de que fogem como um leproso foge da Isabel Moreira, e, em última instância, à própria falta de valor cultural da população muçulmana para os diferentes países.
Quod erat demonstrandum.
1 Vídeos também aqui, no Observador, em português.
Sobrará algum português que não seja funcionário público?
marcelo, o incontinente
Não se consegue perceber se, nesta notícia sobre a manutenção do raiting da dívida portuguesa pela Fitch, Marcelo Rebelo de Sousa age como representante da agência, que não nos parece que seja, se como porta-voz do governo, o que julgamos que ainda não é, ou se como fazedor de factos políticos, que pensávamos que já não era. Como Presidente da República é que seguramente não foi.

duas linhas em nota de pé de página
Este cidadão que é referido nesta notícia tem, como qualquer outro, o direito de ter as suas convicções e opiniões, e de mudá-las quando entender. Mas a liberdade de opinião e de expressão não nos iliba do ridículo. Quando temos um passado e o devemos a pessoas e às convicções que, em seu nome, representámos, fazer de conta que não temos uma história é triste para quem o faz. Ora, Freitas do Amaral foi-se sempre esquecendo sucessivamente do que fora e de com quem fora: de Marcelo Caetano, de quem tinha sido discípulo subserviente e que enjeitou como «adversário da democracia», até José Sócrates, a quem surpreendentemente serviu como ministro e de quem hoje diz o que o Maomé não diz do toucinho. Um dia, quando for feita a história deste homem, dir-se-á o quê? Provavelmente, que viveu sempre mal consigo mesmo, dentro da sua própria pele, e com aqueles que nele confiaram. Nada que mereça muito mais do que duas linhas de fim de página.
Institucionalizar flocos de neve
While we have made clear our belief that the inflaming rhetoric and provocations of Mr. Yiannopoulos were in marked opposition to the basic values of the university, we respected his right to come to campus and speak once he was invited to do so by a legitimate student group. Public Affairs, UC Berkeley
Lindo! A universidade tem valores básicos que são postos em causa pela opinião de pessoas. A opinião de pessoas ofende os valores básicos da universidade. Na universidade há opiniões que constituem o valor básico da instituição. Sim, estou a repetir-me. Sim, é ridículo. Sim, florzinhas de cheiro, seus flocos de neve, nem o vosso Voltaire percebeis: julga o homem pelo que pergunta, não pelo que responde.
um governo bipolar
Temos um governo politicamente bipolar: às segundas, terças e quartas governa com o PC, o Bloco e os sindicatos, às quintas, sextas e sábados pretende governar com o PSD, o CDS e com as confederações patronais, e aos domingos faz de conta que não existe. O recente episódio da TSU e o que agora se adivinha com o Novo Banco são graves sintomas deste distúrbio psico-político. Neste último caso, como ficarão os papagaios do PS, entre eles o ilustre João Galamba, que andaram, nas últimas semanas, a repetir que o Novo Banco era para nacionalizar, e que verão, agora, que mandam menos nisto do que a burocracia de Bruxelas e os banqueiros do Santander? E o Bloco e o PC continuarão a engolir sapos, em nome dessa brincadeira que inventaram para justificar o seu apego ao poder, que é a «reposição de rendimentos», a tal que não chega a dar mais um euro por mês aos reformados? Como era previsível, à medida que viessem para cima da mesa os assuntos difíceis da legislatura, o espaço de manobra da geringonça começaria a diminuir. Como, por outro lado, aumentam as dissensões entre quem a sustenta, não é fácil imaginar que o que aí vem lhe possa ser muito abonatório. O travestismo político tem destas coisas: um dia é preciso decidir qual é a nossa verdadeira pele.
Safe Spaces
Nos últimos anos, a direita andou a aceitar, com mais ou menos estupefacção, as criações dos guerreiros sociais da esquerda: safe spaces e “avanços civilizacionais” avulsos, como a remoção de palavras como nigger de clássicos da literatura. Uma asneira irreflectida. Estes movimentos devem ser incentivados e acarinhados, bastando, para tal, serem enquadrados de forma correcta para que sejam úteis para a generalidade de população.
Por exemplo, é uma asneira dizer que se vai proibir a entrada de indivíduos de determinados países. Isso é o processo, ninguém quer saber do processo. As pessoas querem saber é do princípio, e o princípio é a criação de safe spaces livres de cidadãos desses países. Com efeito, o presidente Trump com a sua Executive Order, deu um grande passo na criação de um grande safe space onde cidadãos desses países, com as suas ideias ofensivas, não entram para ofender as pessoas com o direito inalienável a não serem ofendidas.
Irrefutável. Agora é ir por aí fora, que a linguagem e os conceitos já estão criados. O meu mais sincero agradecimento a Lenin e Gramsci.
A Austrália país mais ou menos do tamanho do principado do Mónaco
recusa-se sem maiores explicações (também ninguém lhes pergunta nada) a deixar entrar 1250 refugiados/emigrantes (já ninguém distingue uma coisa da outra) no seu território. Mantém os 1250 refugiados/emigrantes na Papua. E teria feito um acordo com os EUA para que os tais 1250 refugiados/emigrantes fossem para os EUA que na troca dos cromos mandaria hondurenhos e guatemaltecos (não se sabe onde estão nem sequer se querem ir para tais distências)
Ou o acordo Austrália-USA tem uns anexos secretos ou o acordo é mesmo muito estúpido

Deixem-se de gritinhos e expliquem as coisas!!!!
a) 1.250 pessoas tentaram imigrar ilegalmente para a Austrália e que estão, neste momento, em centros de detenção australianos nas ilhas de Manus (Papua Nova Guiné) e Nauru.
b) Barack Obama assinou um acordo para receber esses refugiados (a maioria proveniente do Irão), que a Austrália não quer que fiquem no país.
c) Em troca, a Austrália aceitou receber refugiados de El Salvador, Guatemala e Honduras
Alguém consegue informar:
a) A Austrália não que estes emigrantes/refugiados do Irão porquê?
b) Onde estão os refugiados de El Salvador, Guatemala e Honduras que Obama se propunha mandar para a Austrália? Quantos são?
c) Quais as vantagens para ambos os países, além da promoção dos voos intercontinentais, desta troca de refugiados/emigrantes?
Nem nos deixam ser assassinados em paz
Uma pessoa que chegue hoje a Portugal vinda de um resquício de civilização ocidental, talvez uma ilha não cartografada no Mar do Norte, fica sem saber de onde vem esta ridícula discussão sobre a eutanásia.
Em primeiro lugar, porque a discussão não é sobre eutanásia, é sobre homicídio legalizado em condições que ninguém sabe sequer definir. Passo a explicar:
Suicídio é o que acontece quando disparamos a arma sobre nós; eutanásia é quando nos dão a arma para que possamos disparar sobre nós; homicídio legalizado é quando alguém tem o poder legal de disparar a arma por nós. Para se tratar de uma discussão sobre eutanásia, o ponto a discutir seria se quem fornece o dispositivo que permite o suicídio – que, para o efeito, pode ser uma mistura de fármacos letais – deve ser criminalizado. Para tal, a pessoa que solicita a eutanásia, tem que ser unicamente responsável pelo uso desse dispositivo, o seu operador e único interveniente no processo que origina o suicídio. Sublinho “suicídio”. Ora, os casos de morte medicamente assistida não podem ser considerados suicídio porque a droga letal é administrada por outra pessoa – o médico ou o enfermeiro. É ridículo chamar a isto suicídio, da mesma forma que é ridículo chamar suicídio ao acto de alguém atirar outro de uma ponte. Toda a discussão com a palavra eutanásia é uma fraude.
Em segundo lugar, porque nenhum proponente desta aberração consegue apresentar um único caso pendente que possa ser enquadrado pela lei como solicitação de eutanásia. Os proponentes são pessoas habituadas às ditas causas fracturantes, profissionais do engodo nacional que consiste em promover eventuais necessidades de uma micro-minoria, por vezes imaginária, a casos de urgência nacional. Colocam a maior parte dos portugueses a discutirem palermices como se a vida devesse ser suspensa até chegarmos à conclusão de que é impossível continuar a viver (literalmente) sem concluirmos o que fazer. Após a aprovação destas aberrações, viram costas, neste caso aos velhos acamados, e passam ao assunto seguinte na lista de “avanços civilizacionais” a tratar. Naturalmente, à medida que o tempo vai passando, os potenciais “beneficiários” (merece as aspas) destes “avanços civilizacionais” vão diminuindo: há mais gente disposta a abortar do que a casar com alguém do mesmo sexo; há mais gente disposta a casar com alguém do mesmo sexo do que a ser assassinada a pedido e de forma legal.
Em terceiro lugar, porque o efeito destas discussões é dividir os portugueses em dois grupos de forma sistematica. Ao contrário da divisão natural entre portugueses, a dos que consideram António Costa um imbecil e os que são imbecis eles próprios, esta divisão efectua-se entre o grupo dos crentes na benevolência da intervenção estatal na vida (e agora morte) das pessoas e o grupo dos ateus sobre tudo que profissionais dos “avanços civilizacionais” propõem. É deveras estranho encontrar alguém fora do espectro do socialismo que possa apoiar esta aberração, nem que não seja mais nada pelo motivo abordado neste ponto. Estaline, o maior prestador europeu de serviços de eutanásia.
Em quarto lugar, porque a sociedade é um conceito abstracto sem conexão com o mundo real. Não existe um ente que possa unificar as virtudes e defeitos de um grupo de pessoas cujo único ponto em comum é falarem a mesma língua e terem nascido no território associado à república, daí que não possa existir o conceito de “bem comum” e, muito menos, o conceito de “benefício social”. Essas merdas de Kumbaya morreram no final dos anos 60 e começa a ser altura de alguém avisar o coveiro.
Em quinto lugar, porque uma discussão séria sobre os limites admissíveis para a intervenção que coloque em causa o término da vida humana não pode ter origem num parlamento eleito à revelia deste assunto por mero golpe aritmético. Sejam meninos grandinhos, deixem de ser covardes, e apresentem ao eleitorado a proposta nestes termos: se votarem no grande governo unitário de esquerda (inclui partidos que equiparam seres humanos a vacas), estejam cientes que será legalizado o homicídio a quem o solicitar mediante a aprovação burocrática de painel de especialistas que são pressionados diariamente para vagar camas de hospital.
Em sexto lugar, e por último, porque da última vez que fizeram uma grande discussão pública, em concreto a perguntar se mulher que aborte deve ser criminalizada – e o termo “interrupção da gravidez” está focado na grávida, não no ser que é abortado, daí que seja um eufemismo bacoco para morte -, o resultado final foi que mulheres passaram directamente da prisão para a casa partida, recebendo o aborto subsidiado pelo contribuinte e os dias de baixa necessários para lidar com o trauma numa praia espanhola. Pensem nisso da próxima vez que se queixarem do caos nas urgências e da falta de camas nos serviços hospitalares.
Podem disparatar. Não respondo a esganiçadas.
Ser assassinado com dignidade e higiene
Durante décadas, sempre que um português desejava morrer era confrontado com duas opções: suicidar-se ou esperar. No século XXI, após grandes avanços civilizacionais como a possibilidade de usar o aborto como contraceptivo gratuito e o divórcio entre casais homossexuais, tornou-se imperativo que uma pessoa possa ser assassinada em total liberdade e em condições de higiene e salubridade condizentes com as melhores práticas hoteleiras mediante uma simbólica taxa moderadora para combater as listas de espera. À partida, nada contra: é até uma admissão de que já não há mais nada para moldar neste mundo, vamos lá incutir o marxismo cultural para o Céu.
No entanto, como nenhum justiceiro social e restantes florzinhas de cheiro acredita no Céu, o homicídio sancionado pela lei seria destinado a outros, os que já em nada contribuem para a sustentabilidade da segurança social. Com efeito, só dão despesa e, em muitos casos, são maçadores, sem histórias giras de engates na discoteca Jamaica para contar. Na primeira fase, o homicídio legal será destinado a todos os incapacitados de se atirarem da ponte que, ainda assim, conseguem viajar de avião até à Suíça e de táxi até à clínica onde pagam para serem devidamente assassinados num cenário idílico. Posteriormente, alargar-se-á o homicídio legal, tudo direitinho e constitucional, a todos os que parece que em tempos poderão ter dito que mais vale morrer do que ficar na cama a dar trabalho aos filhos.
A dra. Isabel Moreira é uma das defensoras deste avanço social na área da legalização de homicídios. Eu, no lugar do seu paizinho, o dr. Adriano Moreira, suspeitaria um bocado. Pelo sim, pelo não, aumentava-lhe a mesada. Outras pessoas sem filhos também defendem a coisa, o que mostra que são espertas. Ninguém com filhos consideraria a coisa assim de ânimo leve, que isto nunca se sabe: a gente bem se esforça para os educar para aquelas cenas retrógradas do “não matarás”, mas, com tantos anos de heteropatriarcado em cima, nunca se sabe se fica alguma coisa. Pelo sim, pelo não, vou preparar já um testamento vital: para terminar a minha vida opto pelo método de esperar.