Leituras: Quando os deputados se curvam perante a China
Jorge Menezes, no Público: «Quando os deputados se curvam perante a China»:
Quando cerca de 40 jornalistas da televisão e rádio de Macau (TDM) foram informados, sob a forma de nove medidas específicas, que a censura tinha sido oficializada, reagiram corajosamente. A Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República curvou-se despudoradamente perante o Governo da China, desmentindo que houvesse censura, como se dezenas de jornalistas tivessem tido uma alucinação colectiva. Com um par de excepções, é difícil dizer qual dos deputados desceu mais fundo.
Reforma da justiça? Vão trabalhar!
Era mesmo o que vinha a calhar: uma reforma da justiça. A reforma da justiça é um chavão para entreter papalvos e ingénuos. A justiça tem é de funcionar. Não é possível que os processos demorem o que demoram. Não é possível que tenhamos uma justiça para ricos que têm dinheiro para a pagar ou para indigentes que não pagam. Agora vir defender reformas da justiça casuisticamente é mais do mesmo. Há décadas que nos anunciam reformas da justiça. E de anunciada reforma da justiça em reforma de justiça anunciada temos uma justiça que pode ser justa mas anulada pelos seus procedimentso e morosidade.
A cada reforma da justiça o acesso dos cidadãos comuns à justiça complica-se ainda mais. Tudo aquilo que é anunciado para melhorar o sistema e perseguir os criminosos traduz-se apenas em mais complicações para o cidadão comum. Dizer que se vai reformar ajustiça é apenas um estratagema de sobrevivência dos mesmos que tanto têm beneficiado com a sua inoperância.
Vão trabalhar.
João Graça da IL fez as contas sobre o programa “Arrendamento Acessível” da CML. Por exemplo, no nº 106 da Avenida da República adquirido à Segurança Social a preço de saldo e com obras a preço de luxo, os inquilinos dos quatro apartamentos T4 terão que ter, segundo o regulamento da CML, no mínimo uma remuneração anual líquida de 40.000 Euros; e até uma remuneração máxima anual bruta de 60.000 Euros.
Em resumo, o contribuinte sustenta os filhos de algo.
Não, não é uma questão de 8 e 80, nem de duas faces do TIC…
Perante a decisão do juiz Ivo Rosa está na moda adoptar a tese do 8 e do 80: o juiz Ivo Rosa condenará pela bitola 8 e o juiz Carlos Alexandra pela bitola 80. De modo algum é isso que está em causa: transformar o juiz Carlos Alexandre num intérprete tão duro da lei quanto Ivo Rosa será light pode dar jeito mas não é real. O juiz Ivo Rosa tem um percurso completamente anómalo, não serve de medida de comparação com ninguém.
Nunca na vida profissional do juiz Carlos Alexandre aconteceu algo de semelhante aos recursos perdidos por Ivo Rosa. Muito menos uma desautorização total como lhe aconteceu no caso do “Gangue do Multibanco”: Ivo Rosa liderou o coletivo de juízes das Varas Criminais de Lisboa encarregue de decidir o destino de 12 arguidos acusados de associação criminosa, roubo agravado, furto qualificado, posse de arma proibida e tráfico de droga, que foram detidos na sequência de mais de uma centena de assaltos de norte a sul do País, entre 2008 e 2009. Na ausência de uma prova direta, apenas Jonny Portela, o cabecilha, foi condenado a uma pena de prisão de dois anos e seis meses por tráfico de droga.
Milhões depois o ganho será de «14 minutos»
«25 de abril marcará a revolução da linha do Minho. É neste dia que vão começar a circular os comboios elétricos no serviço interregional e regional e que o Intercidades passará a chegar a Valença.»(*)
O comboio Intercidades chegará a Valença. Tudo elétrico. E dia 26 lá estão António Costa e Pedro Nunos Santos irão fazer grande festa e inauguração em bom estilo.
Mas ao certo, o que vão festejar? A viagem entre o Porto e Valença, 97 km, continuará a ser feita em quase duas horas. Agora está tudo eletrificado, carruagens renovadas, tudo pintadinho, nos trinques. Mas festejar o quê se gastaram milhões e aquilo continua a ser um atraso de vida?
«…a modernização não previu intervenções no traçado por forma a aumentar a velocidade dos comboios e também não contemplou ainda a instalação de sinalização electrónica. Isto significa que a exploração vai continuar a ser feita por cantonamento telefónico, em que o chefe de estação pede por telefone à estação seguinte a autorização para o comboio avançar, processando-se os cruzamentos de forma morosa porque totalmente dependentes de meios humanos.»(*)
Nota: Em 2 anos, será a segunda inauguração com os mesmos personagens.
Uma falsa sensação de democracia
O que sobrou para os portugueses nas entrelinhas da decisão de Ivo Rosa sobre o processo que tem José Sócrates como figura principal?
Um país convencido que o crime compensa. Sobretudo se for em grande: receber milhões sim, comer no carro é que não pode ser.
Um ex primeiro-ministro dado como mercadejador do cargo . Mercadejou sozinho?
Um José Sócrates convicto que vai voltar à política. Mas os socrátricos já mudaram de pele.
Um Ventura sempre à mão. Tal como no Casa Pia vamos acabar a não poder referir o caso sob risco de sermos acusado de ser aliados de forças nefandas
E, por fim mas não por último, ainda vamos a tempo de exigir para o IRS deste ano a Declaração Modelo Sócrates com anexo Ivo Rosa?
Cabras
Enquanto a oligarquia se dedica a instaurar paulatinamente o fascismo no país à conta de uma suposta narrativa sanitária e uma catrefa urbana se indigna com um sistema de justiça e ex-líderes que levaram eles próprios ao poder, Dario Gonçalves pensa como vai reconstruir a sua vida depois de ter perdido um quinto do seu rebanho bravio, de um momento para o outro, à conta de fenómeno natural pouco comum.
“Não sei se me vão ajudar, mas eu vivo disto. Vou fazer 54 anos, criei os meus filhos com isto. É a minha profissão. Venho para os montes da freguesia de manhã cedo, pôr o rebanho a pastar, com a ajuda dos quatro cães de raça Castro Laboreiro e cão de guarda transmontano, e à noite recolho as cabras para um barracão“, explicou.
Era livre, acrescento eu.
Isto é muito muito muito cansativo
Para as pessoas que acham que o sistema está a funcionar mal, há duas acções planeadas que poderão servir para o entreter enquanto lhe afagam o ego com uma sensação de satisfação por contribuição barata em inconsequência formal.
Há uma petição para destituição do juiz Ivo Rosa, que é tão útil como a substituição do guarda-redes aos 85 minutos num jogo em que a equipa vence por 42 – 0. Sai Rosa, entra Cravo. Deve ser uma questão estética.
Há também manifestações a aguardarem o aval das autoridades (não interessa quais, basta dizer autoridades e já está) que deverão realizar-se no próximo Sábado, que esperamos ser o dia mais chuvoso da semana só para elevar o acto de subordinação regimental à ainda mais poética indiferença. Uma manifestação que só o é depois de obtidas as licenças é tudo menos uma manifestação: é a prova da subordinação ao regime, irónico o suficiente para permitir totós na rua a queixarem-se dele.
A culpa é do povo, já se sabe. Logo, é preciso mudá-lo.
Ninguém confia na democracia quando se trata da reunião de condomínio com 10 marmelos, mas acreditamos que com 5 ou 7 ou 10 milhões funciona muito melhor. É fascinante. Ou então indica que a maioria dos portugueses não vive em condomínios, o que também é prova de que o regime é maravilhoso.
Há quem diga que a justiça não funciona. Não sei em que mundo vivem: funciona e funciona muito bem, tal e qual como foi desenhada para funcionar.
Querem insubordinação? Tirem a máscara.
Que raio de injustiça!
Não é que ontem julgo ter visto, numa rua deserta nas imediações do Campus de Justiça de Lisboa, um cidadão completamente sozinho e sem máscara! Sem máscara!!!
Não há neste pais quem se indigne com um escândalo destes e o investigue. E detenha, julgue e prenda (a ordem é arbitrária) o criminoso!?
Assim não vamos lá. Que raio de sina a nossa!
Buraco és tu
Podíamos ser iguais à Irlanda, podíamos ter um “Portugal Mais Liberal”, podíamos ter um país que não nos causasse vergonha. Podíamos, mas não seria Portugal. Portugal é isto e quanto mais cedo o percebermos mais rapidamente atingiremos a paz que a aceitação nos traz.
Vai ser assim
Vai em Paz e que o Senhor te acompanhe
Consignação de IRS
NIF: 502023570 de Lar de Idosos das Irmãzinhas dos Pobres do Porto.
Fica a sugestão.
Pelo menos se fosse mastigar gomas para a rua era condenado de certeza.
Separação de poderes
Legislativo, Executivo e Judicial: eles legislam para executarem o que julgamos escolher.
Justiça social
Sócrates devia ser ilibado de todas as acusações e posteriormente inocentado com direito a choruda indemnização. Pelo menos, para o país ser coerente com a chamada bazuca financeira. Se a recompensa para governos que retiram direitos e liberdades às pessoas, destruindo a frágil economia, o seu sistema de saúde, turismo, indústria, serviços e a possibilidade de emprego nos próximos ano, é uma injecção de dinheiro que garanta mastodônticas obras indutoras de décadas de dívida pública para que “um amigo” possa assegurar rendimentos palacianos, não vejo motivo para o país fazer diferente ao indivíduo José Sócrates.
Desobediência
Na Coluna semanal da Oficina da Liberdade, com o seu habitual génio o Carlos Fernandes escreve sobre desobediência.
Algumas passagens:
O medo, da violência do Estado ou das narrativas da sua propaganda, deixa assim de ser uma razão válida na generalidade das circunstâncias, para ficar reduzido à medida da cobardia do povo. Muito antes, já Cícero havia notado que «a servidão é a submissão de um espírito enfraquecido e cobarde, carecendo de vontade própria.»
se forem relegados para os bastidores com vista a entregar o palco ao sofisma do bem comum ou a outros disparates colectivistas, os princípios levam consigo a legitimidade do poder político, deixando-o entregue à prepotência das massas ou ao arbítrio dos iluminados.
os limites do Estado e do poder político: as leis devem ser justas e não podem, em caso algum, corromper o espaço privado ou violar a lei divina.
o voluntarismo de alguns conduz a opressão de todos, e não há barreira de imunidade suficientemente forte, pelo menos sem o recurso à violência, que consiga circunscrever o surto. O respeito devido aos outros aconselha os mais submissos a praticar o isolamento social durante uma epidemia liberticida, até porque, se a obediência ao Estado não é um imperativo categórico, a obediência a um bando de demagogos e oportunistas é uma indecência.
A obediência ao Estado é uma contradição nos termos. A instituição está ao serviço dos cidadãos, é pago por eles, logo, é ela que lhes deve obediência. Destes factos resulta que o Estado deve estar exposto, como os educandos de outrora, à coação da férula. A desobediência civil é, quase por definição, pacífica, mas, uma vez chegados definitivamente a uma conjuntura que a solicita, uma dúvida se impõe: onde está a fronteira, na escala das afrontas à liberdade, que separa a reacção pacífica da violenta?
Ler o texto completo é um prazer e tempo de qualidade de que se desfruta por estar perante um dos mais relevantes artigos de opinião dos últimos tempos. Aqui.
E se Kierkegaard tivesse que fazer testes covid?
Camus intuía existirem três soluções para o absurdo: suicídio, salto de fé ou a aceitação do absurdo. Há uns tempos andamos ocupados em providenciar uma saída institucional para a primeira opção através da eutanásia. Ainda não está completamente aprovada, mas há-de estar, pelo que é como se já estivesse. Assim, podemos aceitar já esta resolução secular para a solução um do problema que consiste no estado providenciar significado para a nossa existência e, em simultâneo, significado para a sua alienação. Curiosamente, esta solução, a do suicídio por procuração, integra plenamente a necessidade do salto de fé da segunda opção, a de que outros podem decidir sobre as opções fundamentais de cada um como se uma resolução não implicasse responsabilidade e avaliação individual.
O salto de fé de Kierkegaard pode ser providenciado com o veneno que escolher: socialismo, liberalismo (ateu ou moderno), ou a sua síntese simbiótica em covidismo, etc. Para algumas pessoas basta a convicção de que são deusas por terem vagina; para outras basta a convicção de que os seus sentimentos são avatar da construção moral colectiva; para outros ainda, basta serem chamados de especialistas por uma televisão qualquer. Relutantemente, a par destas crenças pessoais intra-metafísicas, ainda subsistem religiões que permitem a algumas comunidades um salto de fé em algo que transcende a “autoridade ética” (cof, cof) dos governos. O Islão é uma delas e também providencia solução para a primeira hipótese, a da eutanásia involuntária de infiéis, pelo que, logicamente, poderia ser adoptada como religião oficial do estado poupando angústia existencial desnecessária aos cidadãos inconformados.
A terceira via é aceitar o absurdo. Aceitar o Facebook, o estado de emergência, a busca do R perdido, as obrigações sociais da ciência na vertente pós-moderna de hipóteses tornadas dogmas e dogmas tornados em premissas que invalidam qualquer formulação de uma preposição lógica a ser testada. É a opção ir para a praia e viver para lá do covid, rindo na face dos colectivistas. É opção para já, pelo que não vejo outra hipótese que não aproveitá-la enquanto se pode. Particularmente por se saber que é a opção a ser retirada o mais brevemente possível, deve ser vivida em pleno conhecimento de que a própria vida se tornará num pecado de hedonismo perante o deus-estado.
Quando Camus concluiu que o suicídio não era solução ainda não havia o covid nem a síntese socialismo-liberalismo. Pelo contrário, concluiu em época em que fervilhavam ideologias passíveis de saltos de fé. Agora, na pós-verdade, em plena pós-ideologia, talvez a conclusão fosse diferente.
NOTA ADICIONAL: Comentário antecipado do Paulo Valente: “e se fosses cagar?”; Comentário antecipado do Lopes: “tu queres é APARECER”. Assim fica já tratado.
A besta quadrada do presidente do Conselho Europeu cai que nem um alarve na armadilha montada por Erdogan. Em vez de ter dado o lugar no cadeirão à presidente da UE ou ter ficado simplesmente ao lado dela no sofá senta-se que nem um papalvo.
Parolada pegada: a marca
Eurico, o brilhante secretário de estado da internacionalização, passa os dias deslumbrado com os salões da “diplomacia económica”, mas por muito sofisticadas que queira fazer parecer as suas decisões, a parolice não deixa de ser uma marca indelével dos socialistas.
Portas gostava de feiras e quermesses, mas logo que se pôde dedicar a ambientes mais urbanos, foi veloz a fantasiar com o seu inigualável contributo para os negócios internacionais da pátria.
De todo o modo, Eurico Brilhante Dias diz que agora, com ele, é que a promoção externa do país vai ser um retumbante sucesso. E repesca o estratégico projecto da “marca Portugal”.
Há mais de 20 anos que esta gente continua a não perceber que Portugal não tem marca e que, felizmente, as empresas com sucesso em mercados competitivos se diferenciam precisamente por não sofrerem da típica maneira “tuga” de gerir organizações.
É sobre isso que falo no meu video de hoje, aqui:
Vamos nisso: traga-me um R bem quentinho
— Que é que te apetece?
— Sei lá… talvez uns pastelinhos de camarão.
— Vamos nisso. Traga-me uns pastelinhos de camarão muito fresquinhos.
— Pastéis de camarão não temos.
— Então dê-me dois copinhos de vinho branco.
…
— Agora, que é que vai a seguir?
— Agora, ia uns croquetezinhos de vitela.
— Vamos nisso. Traga-me uns croquetes de vitela bem quentinhos.
— Croquetes de vitela não temos.
— Então… dê-me dois copinhos de vinho branco.
…
— Não queres mais nada?
— Não… Só se forem uns pastéis de Belém.
— Vamos nisso. Ó sr. Silva, agora queremos uns pastelinhos de Belém.
— Sim senhor — responde Silva, pousando no balcão dois copinhos de vinho branco.
Negacionismo
A emissora católico-socialista
Avisa a nossa Renascença: Plantar árvores é “o último prato do dia do capitalismo verde”
A citação que a Renascença puxa para título é do “ativista da Climáximo”, João Camargo, catapultado mediaticamente graças ao seu parentesco com Francisco Louçã.
Que João Camargo que além de genro de Louçã, “ativista da Climáximo” é também dirigente da Rede Anticapitalista diga coisas quejandas não admira mas a Rádio Renascença é conveniente qie organize as ideias.
Modernizar Portugal
Nova secção: Relax
Procuro senhora de qualquer género (M/F), com bom aspecto, com historial de confinamento prolongado e pelo menos 6 testes covid negativos na última semana para eventual relacionamento sério à distância. Deixar comentário picante no Blasfémias com username de Tik Tok.
Paulo, Porto
La ra li lá le la
A gigante hipocrisia com que agora manifestais uma preocupação por velhos e doentes que pensais salvar da morte por infecção através da condenação à morte por fome e solidão é extraordinária. Envergando o vosso trapo de Ku Klux Klan na via pública enaltecendo a raça dos solidários, dos justos e dos puros, bradais contra os rebeldes do Homem Novo com a caganeira típica dos totalitarismos que abraçais. Temo-vos mais do que o covid, pois estais do lado do senhor da guilhotina. Ansio, porém, pelo dia em que, por fruto do vosso próprio desejo, vos encontreis do lado errado do cepo. Contudo, esse dia chegará. E do céus ecoarão trombetas ou, em alternativa, da terra ecoarão os vossos desejos infrutíferos de uma morte por covid. Posso é não estar cá para o ver.
Vamos lá perguntar Lisboa

A câmara municipal de Lisboa prevê construir em Benfica no âmbito do Programa de Renda Acessível uma torre com 23 andares. Em cada um desses andares existirão 14 apartamentos. No total nesta torre existirão 322 apartamentos, o que equivale a pelo menos mil residentes no edifício. Qual a posição de cada um dos candidatos à autarquia de Lisboa sobre este anunciado desastre?
Uma coisa que eu tinha muita curiosidade de saber…
O programa na SIC Notícias estava a acabar. Francisco Louçã com o ar visivelmente satisfeito de quem acha que vai fazer uma revelação que comprova simultaneamente a inteligência própria e a estupidez alheia declara: “Uma coisa que eu tinha muita curiosidade de saber que era se alguns setores de direita acreditam mesmo nas suas lendas mais sanguinolentas. E uma delas é que os comunistas comem criancinhas.” Louçã, um dos políticos mais antigos de Portugal, entra-nos há anos pela casa dentro com aquele ar insuportável de inquisidor, graças a uma comunicação social que o ouviu muito e lhe perguntou pouco. Quantos anos mais vamos assistir a Francisco Louçã mentir, acusar e insinuar sem nada provar perante o sorrisinho cúmplice dos jornalistas?
Diário da soltura
As pessoas lá estão, à porta da padaria, esperando a vez. Cumprimento-as e talvez até tenham retorquido algo atrás do uniforme, mas não quero saber. Passa um carro de vez em quando. A polícia também passa. Sorrio prontamente para eles, que seguem em frente, talvez para cumprir rotina, talvez para encontrarem um pato a quem possam extorquir a pensão. Nunca saberemos, nem interessa: agora, qualquer polícia que se veja leva com a chapa–5, a de pertencer a um grupo onde existem idiotas ocupados a chatear e a roubar pessoas.
Ninguém na esplanada, pois ainda faltam dois dias para esta não ser tão perigosa como comer dentro do seu próprio carro. Será que a partir de segunda se pode comer no carro? Talvez de porta aberta, para alegar que é uma esplanada.
Parecemos habituados a isto. Quer dizer, os outros parecem habituados, eu continuo a sentir-me extraterrestre num planeta bizarro, com semelhanças com a Terra, mas habitado por fascistas e estúpidos. Na televisão dizem-me que devo ter medo dos fascistas, a saber, do Mussolini e do Ventura. Curiosamente, nenhum deles é primeiro-ministro ou presidente. “É como fazem na Europa”. Ah! Estou mais descansado.
Estamos a “desconfinar”, que é o inverso de “confinar”. Só preciso descobrir o significado de qualquer uma delas e passarei a perceber o significado das duas. Contudo, não me parece que alguma vez venha a descobrir.
Sr. Louça, um “democrata” português
Já muito foi dito sobre esse ser inqualificável a quem a intelligentsia da urbe decidiu há muito dar honras de pessoa decente. Não é necessário estar muito atento para saber-se que decente é coisa que ele não é. Como bem disse Paulo Tunhas trata-se de “um espírito autoritário vindo de outros tempos, de tempos de horror e morte que não o podem em nenhuma circunstância chocar. É neles que vive de facto”.
O Sr. Louça considera motivo de chacota o horror do Holodomor, onde a fome provocada por Estaline levou milhões de Ucranianos à morte e, para sobreviverem, muitos à horrível pratica do canibalismo.
Qualquer português que preze a liberdade, e que ouça ou leia o Sr. Louça há alguns anos, sabe que ele apenas disse o que pensa. Foi até bom que desta vez o tivesse dito de forma tão clara, porque assim não há desculpas sobre que tipo de pessoa que ele é. Ao contrário do que alguém como ele diria e – se pudesse faria – em democracia todos têm o direito a dizer o que pensam, mesmo quando o que pensam e dizem é tão execrável. Todos têm o direito a ser contratados por empresas e até o direito a ser nomeados para o Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República. Quem lhe dá palco lá sabe porque o faz, e a sociedade julgá-los-á em função disso. Não é proibindo a livre expressão de ideias ou a liberdade de contratar ou nomear quem bem se quer que se faz deste um pais melhor, bem pelo contrário! Mas melhor será se forem cada vez mais os que denunciam, com factos e ideias decentes, as aberrantes mentiras com que os “Srs. Louças” nos brindam.
Este defende “os amanhãs que cantam” não porque desconheça os seus resultados, pois sabe bem que ao longo da história o que mais “cantaram” foi miséria, fome e terror. Defende-os porque para ele, e outros como ele, os fins justificam os meios. E pessoas são apenas números. Para ele, nos livros da história, uns milhões de mortos não passam de uma mera estatística.
É inútil pensar que este Sr. algum dia sentirá qualquer empatia pela vida dos seus concidadãos, ou que o afectará o sofrimento humano. Apenas nos resta lutar para que as suas ideias sejam metidas num insignificante cubículo de onde nunca deveriam ter saído.
A covid e a Ressurreição
No meu artigo de hoje na coluna da Oficina da Liberdade no Observador afirmo que aceitar uma existência vegetativa cumprindo ordens de confinamento de cortesãos e sucumbir maquinalmente ao medo da morte e temor da doença é moralmente desprezível e uma subversão ao sentido da Páscoa.
E acrescento que a Conferência Episcopal Portuguesa tudo tem feito para servir e obedecer mais ao Estado do que olhar a Deus e seguir os Evangelhos.
O texto completo está disponível aqui.
Um PR majestático e um PM jogador
Com esta argumentação Marcelo Rebelo de Sousa teria chumbado sem dó nem piedade na cadeira de Direito Constitucional. Aliás, estou certo que ele próprio chumbaria quem quer que fosse que se apresentasse argumentos tão distorcidos.
E daí, porque optou por chatear o Governo? Porque aceitou o desafio de Costa e vai sofrer voluntariamente a humilhação de ver o Constitucional a chumbar os decretos que aumentam despesa? Pretenderá incentivar a AR a legislar contra o governo? Creio que não. É mesmo só uma questão de ego presidencial. Está escrito na decisão: ele só pondera mandar alguma coisa para o TC se não for possível argumentar a sua constitucionalidade. Temos um presidente que diz sem se envergonhar que é ele que averigua da constitucionalidade e não o TC. Este, para Marcelo só serve para confirmar as inconstitucionalidades que ele Marcelo acha existirem. Diplomas com dúvidas? Marcelo resolve. Mesmo torcendo a Constituição. Só para chatear, que é coisa a que Marcelo não resiste.
Costa uma vez mais conseguiu fazer dos partidos da Assembleia gato sapato. A propósito de uns aumentos de apoios socais, partidos engalfinharam-se para chatear governo. Costa sorriu e no final passará por ser o cumpridor da Constituição e o rigoroso com as contas. É um finca pé que o favorece. Claro que quem como ele tem assegurado tantos milhares de milhões de apoios não previstos, lay-offs, não era por mais um pouco que faria especial diferença. É mesmo por questão de principio: é o PS que decide dar apoios, não são os partidos da oposição mesmo quando são maioria.
Jesus ou Covid – quem é melhor?
É uma pergunta interessante. Qual seria a vossa resposta? Hoje seria o dia em que se contemplaria a morte de Jesus, independentemente da fé de cada um: um indivíduo julgado sumariamente por delito de opinião, por livre associação e por sentimento de ameaça ao poder estabelecido pelo mérito das ideias. Contudo, hoje será o dia em que justificaremos fralda na fronha em esplanadas, a fé numa vacina e a esperança de uma sociedade sem doenças para todo o sempre. Portanto, deixo a pergunta: quem é melhor? Jesus ou o Covid?
Está tudo bem. Mantenham a calma
Há censura nas redes sociais?
Hoje às 21h00 o debate sobre “Há censura nas redes sociais?” aqui (youtube) ou aqui (facebook).
Até logo!

1º de Abril
Uma entrada de diário
O parque infantil que adorna o jardim das piscinas municipais estava, esta tarde, preenchido de crianças e dos adultos que as levaram. Já não há sinais das barreiras metálicas colocadas no ano passado, daquelas que não sendo eficazes para travar manifestantes de apedrejarem forças policiais na assembleia da república aquando do governo de Passos Coelho também não o foram para travar crianças de uns abanões dos baloiços desde praticamente o dia em que foram montadas.
É suposto o terceiro período lectivo começar na próxima semana, mas ninguém sabe para quem. Para mim, com dois filhos em idade escolar, é total e completamente indiferente. Sou um servo do estado, pelo que não tenho que planear a minha vida: se mandarem que fique em casa, eles ficam; se mandarem ir para a escola, eu levo-os; se mandarem fazer o pino com o nariz eu até envio o meu trabalho em Photoshop a demonstrar que o fizeram.
O rectângulo do R nem sequer tem uma versão aparatosa, como o contador do Paulo Portas para o fim da austeridade. Vai haver eleições autárquicas. Eu vou fingir que me interesso. Hoje, dentro do perímetro autárquico, um senhor que não conheço perguntou-me pela máscara. Eu perguntei-lhe pela próstata. A cortesia fica sempre bem. Amanhã é outro dia, se Deus quiser, porque por vós seria na mesma um qualquer de Abril de 2020.
Acabou o meu castigo no Facebook. Vou escrever algo que reponha a ordem natural das coisas. A palavra “paneleiros” costuma funcionar.
Continua a não chover. Mas há-de vir.




