O mundo do lado de fora da bolha da gente bonita
Vão bugiar mais o fascismo
Durante décadas no Alentejo votou-se num partido estalinista e isso era poético.
Durante décadas o PSD teve figuras como Alberto João Jardim e chamou-lhe carismático.
Durante anos e anos o PS justificou tudo e o seu contrário a José Sócrates.
… E agora vêm dizer que o Ventura é um problema?
Vão bugiar mais o fascismo.
A derrota da realidade virtual
A minha análise destas eleições para o Observador:« Desde já declaro que concordo com todas as análises que garantem uma coisa e o seu contrário sobre a reconfiguração da direita; o sucesso ou o insucesso da candidatura de Pedro Nuno Santos à liderança do PS à luz do fraco resultado de Ana Gomes; o norte ou desnorte da candidatura de Marisa Matias que passou a campanha a propor a ilegalização de um partido cujo candidato conseguiu nestas eleições o triplo de votos que ela, Marisa, obteve. Tudo me parece possível mas o que me interessa é o país invisível que votou André Ventura. Um país que não se vê. Um país que foi destratado nesta campanha.
A fazer fé naquilo que jornais, rádios e televisões nos garantem há semanas, Beja, Castelo Branco, Viseu, Guarda, Santarém, Vila Real, Bragança e Madeira estão a abarrotar de fascistas. Legiões deles. Extremistas.
Não conhecem estes fascistas? São gente que vive com baixos rendimentos. Lêem poucos livros e certamente nenhum que tenha a ver com o fascismo.
Tudo o que fazem e dizem parece mal ao país que se acha certo e cheio de razão. E que diz que eles são fascistas. De extrema-direita. Que são um problema.
Coitados destes perigosos extremistas. Para irem ao médico, à escola, às compras… precisam de ter carro mas agora explicam-lhes que as suas viaturas em segunda, terceira e sabe-se lá que mão não são amigas do ambiente.
Matavam um porco mas agora dizem-lhes que o país sustentável é vegetariano.
Roubaram-lhes os dispositivos de rega que tinham instalado num terreno mas nem vale a pena apresentarem queixa. Aliás, isso de chamar a polícia que em muitos destes locais que abarrotam de fascistas é a GNR é uma força de expressão: os postos da guarda fecham à noite, as viaturas não andam e os agentes volta e meia declaram que não têm meios para intervir. (Sabem, nesse país que fica longe a noite é mesmo noite, o isolamento é mesmo isolamento e quando a GNR declara que não tem meios para intervir, optar por pintar os lábios de vermelho e vir fazer carantonhas para as redes sociais não funciona). Estas pessoas não vêem as suas vidas nas notícias. Só servem para fazer de povo nos programas de entretenimento.
Hoje votaram no Ventura? Sim, mas tal como lhe deram o voto tiram-lho. Mas há que os ouvir.»
Podem deixar-se as crianças em São Bento?
Houve um tempo em que tudo tinha graça, tanta graça que António Costa ofertava tolerâncias deponto e abria as portas de São Bento aos filhos dos colunistas que o criticavam
Agora que a graça passou a desgraça o mesmo António Costa decide que os pais em teletrabalho vão continuar sem apoio por suspensão de aulas. Ou seja estes pais estão tramados pois com as crianças a cargo não conseguem trabalhar (experimentem trabalhar com uma criança de um ano à vossa volta!!!) e o patronato que os pôs em teletrabalho espera que eles trabalhem.
Perante o fastio
com aquele povo que não percebeu que devia aderir ao movimento vermelho em Belém proponho que se torne a Visão de leitura obrigatória em São Lourenço de Mamporcão, uma terra que tem 28,8 de fascistas. O primeiro a ser reeducado é aquele que é 0,8 fascista. Ainda há esperança para ele. Mas acreditem em mim a culpa de tanto fascismo deve ser das migas e das açordas.
em dia de eleições
O Colapso do Estatismo, no Observador:
“Fruto dessa cegueira ideológica, António Costa convenceu-se de que, juntamente com o seu governo de competências e ilustres sábios, seria capaz de “controlar a pandemia” a golpes de vontade e com decretos do Conselho de Ministros. Já não lhe bastava planear a economia e a política do país, tinha também de dar ordens a um vírus. Um vírus que não se vê, de que não se sabe ainda muito e sobre o qual quase todos os dias nos surgem «cisnes negros». Desse modo, em vez de fazer o que poderia ser feito por qualquer governo – preparar, a montante, reforçando os meios e protegendo aqueles que já se sabia serem mais vulneráveis -, resolveu aguardar o que viria a jusante, para atuar nesse momento e, de novo, deslumbrar os crentes. Os resultados estão à vista de todos.”
Livro de estilo da Lusa para obituários

Foi terrorista? Dedicou-se a actividades questionáveis em geografias políticas nada recomendáveis?… Descanse em paz que no seu obituário apenas consta que foi anti-salazarista e por acréscimo anti-fascista. Para a Lusa e para as publicações que repetem acriticamente o que esta lhes envia há uma grupo de pessoas em Portugal cuja vida se resume a terem sido anti-salazaristas. Nem Salazar teria esperado tanto e note-se que o seu orgulho era imenso.
Incompetência sistémica
Nunca, e neste nunca estou a incluir o desnorte da corte portuguesa aquando da invasão francesa liderada por Junot e a incompetência que levou ao chamado desastre de La Lys, nunca, repito, Portugal em momentos de grande exigência esteve entregue a uma tal agremiação de despreparados. Mas o governo de António Costa não é irresponsável por acaso. É, como agora soe dizer-se, sistemicamente irresponsável. Não podia nem pode ser doutro modo. Afinal toda esta plêiade foi seleccionada não pela sua competência mas sim pela sua capacidade em não assumir responsabilidade alguma
O que se esconde atrás dos comboios de ambulâncias

Ninguém pensou que os doentes podiam ser mais que dois ou três de cada vez. No Santa Maria o pavilhão para onde são levados os doentes para avaliar se têm ou não Covid não tem espaços para manter esses doentes isolados no seu interior. Habitualmente estes chegavam pelos seus meios e eram mandados aguardar na rua. Se vinham de ambulância estas ficavam à espera mas como estas eram poucas não davam nas vistas. Agora tornou-se evidente que o sistema foi montado do ponto de vista de quem atende e não de quem é atendido. As fotografias incomodam os políticos que só vivem para a fotografia mas o pior é que enquanto os doentes ficam cá fora nas ambulâncias à espera, as ambulâncias estão cativas. Recordo que inúmeras pessoas precisam de ser regularmente transportadas para fazerem tratamentos e que em Portugal se tem dificultado o transporte dos chamados doentes não urgentes em táxis adptados para o efeito como forma de protecção às associações que detêm o monopólio das ambulâncias. Os comboios de ambulâncias merecem mais investigação e revelam muito mais que Covid.
O falhanço estrondoso
Dizia Costa em Abril passado: “Aconteça o que acontecer”, no próximo ano lectivo vai estar “assegurada a universalidade do acesso às plataformas digitais para todos os alunos do ensino básico e secundário”(…) “É muito mais do que ter um computador ou um tablet. É ter isso e possuir acesso garantido à rede em condições de igualdade em todo o território nacional e em todos os contextos familiares, assim como as ferramentas pedagógicas adequadas”, disse.
«….garantir a necessidade de que, aconteça o que aconteça do ponto de vista sanitário durante o próximo ano lectivo, não se assistirá a situações de disrupção, porque houve outra face da moeda que esta crise demonstrou”.*
Curiosamente, todas as escolas foram obrigadas a ter, no início do ano escolar, um plano de contingência para ensino misto e ensino apenas à distancia. Mas governo optou por férias forçadas, porque falhou completamente.
Amanhãs que já cantam
O meu grande bem-haja
Aos manifestantes que ontem atiraram uma caixa de pastilhas a André Ventura (recomendo a este título este artigo da Visão que explica muito bem que a responsabilidade do atirar da caixa de pastilhas se deve a um gesto imprudente do candidato e à falta de competência dos seguranças do mesmo Ventura.) Mas voltando ao meu bem-haja quero frisar que nunca ficaremos devidamente agradecidos aos manifestantes por terem escolhido a caravana do Ventura. Já imaginaram o que ia hoje por aí de gente com pastilhas coladas na cabeça em solidariedade com Marisa Matias caso os manifestantes tivessem atirado pastilhas a essa candidata? Isto para não falar das cabeças entrapadas ao virar de cada esquina caso os visados pelas pedradas fossem integrantes da comitiva de Ana Gomes. Felizmente que os manifestantes escolheram o Ventura. Assim a coisa ficou reduzida a um atirar de confettis e fomos poupados ao espectáculo de um carnaval antes da data.
Organizem-se!!!
O país discute se os manifestantes de Setúbal quiçá articulados com a campanha de Ventura organizaram um ataque ao mesmo André Ventura que agora vai capitalizar esta agressão.
Segundo esta teoria os manifestantes que entraram no Capitólio estavam articulados com quem?
Deixem-se de parvoíces, por uma vez!
O anti-oportunismo marialva
Há limites da decência. Para além disso, há o governo português. Bem para lá disso tudo, ainda há Tiago Brandão Rodrigues. O ministro da educação, na qualidade de idiota de serviço, papel que desempenha com o afinco de um actor de método, decidiu acusar os estabelecimentos de ensino privados, instituições que conquistaram a confiança de milhares de encarregados de educação, famílias e seus alunos, de “oportunismo” pela audácia de proporcionarem o serviço por todos desejado, dadas as circunstâncias, de aulas à distância.
Noutras circunstâncias dir-se-ia que Tiago Brandão Rodrigues não tem condições para continuar num ministério. No caso específico do governo de António Costa, não só tem condições como apresenta todas as características de incompetência e falta de educação conjugadas com a pretendida pose de forcado amador em que as famílias fazem de touro. Em suma, um embaraço para qualquer broeiro.
Mas parece que o problema é o Ventura, por isso, siga a marinha.
«Se…»?
João Miguel Tavares tenta definir uma barreira a partir da qual um partido passaria a ser inaceitável para parceiro de governo. Para ele não é quando dizem e defendem coisas asquerosas. Não. JMT não acredita que eles acreditem no que dizem e defendem. Só quando o praticam é que serão condenáveis. Como ele diz de forma cândida a propósito de Trump, as coisas abjectas que disse não teriam grande importância, chato é quando as pôs em prática. Rui Rio vai na mesma linha de pensamento político esotérico, achando que um partido se deixar de ser tão «radical» e se tornar mais «moderado» até se pode conversar. O que equivale a dizer que se deitarem perfume em cima do poio até consideraria em o usar na lapela.
Se? A sério? Qual a dúvida mesmo? Não enganam ao que vem, Apenas o JMT dúvida (ou custa-lhe a acreditar), que seja isso mesmo que eles querem. Mas é.
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A bem dizer
Quinze dias de férias a partir de amanhã não é só imoral, é completamente sujo. Que o ministério possa impedir colégios de avançarem com aulas online ao abrigo da treta da desigualdade não é só sujo, é criminoso.
Se algum candidato presidencial tiver alguma medula dirá, verbatim, o que eu disse no parágrafo anterior. De outra forma, escusam de vir pedir votos que vão corridos com a pontapé.
PR 21
Os faz-festa e as comitivas que gargalhavam
Esta entente de despreparados disfarçados de optimistas levaram anos no faz de conta que se governa com a solícita colaboração das forças vivas da pátria. O espírito que os animou está plasmado num artigo do EXPRESSO (what else?) de 18 DE JUNHO DE 2016 quando Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa assinalaram em Paris o dia de Portugal: «Os dois tinham acabado de visitar a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso ali exposta, o primeiro-ministro já falara à imprensa, o Presidente também e os jornalistas tinham ido tratar das suas peças. E eis senão quando António Costa, que desaparecera por momentos da vista da comitiva, reaparece com um envelope do museu na mão e o oferece a Marcelo.
O Presidente ficou surpreendido, não esperava o gesto, mas Costa pediu-lhe para abrir: dentro do envelope, um postal com uma réplica do célebre quadro de Souza-Cardoso “O Salto do Coelho”. “Há uns que saltam, outros não”, comentou Costa, segundo relatou ao Expresso um dos presentes. E o Presidente, por uma vez, ficou sem resposta: “Isto não posso comentar, não vou falar”, disse apenas, perante a gargalhada das comitivas.
Foi neste espírito que terminou a visita dos dois políticos a França, num gesto inédito de comemoração durante três dias do Dia de Portugal junto da comunidade portuguesa, a maior e mais antiga na Europa. O ambiente foi de cumplicidade, relatou quem viu, onde as quebras de protocolo foram sistemáticas, pondo os agentes franceses encarregados da segurança quase em estado de choque, tanto mais numa altura em que a França se mantém em estado de sítio e decorre o Euro.»
Onde estão agora as comitivas gargalhantes?
Resistence is Futile
Quando acordamos hoje de manhã para a notícia de que as escolas encerrarão a partir de sexta-feira ninguém ficou surpreendido. Há mais de quinze dias que se diz nesta casa que as escolas – todas – vão encerrar. Não há qualquer tipo de clarividência ou de especial inteligência aqui: o que temos é a paz de já ter atingido o patamar da aceitação nas fases de luto.
Reparei que nos comentários a posts anteriores houve quem deixasse a indicação de que comentar ou estar do contra não adianta de nada pois as críticas deverão vir acompanhadas de propostas para resolução dos problemas. Esse é o problema: essas pessoas ainda estão na fase da negociação. Seguir-se-á a fase da depressão quando constatarem que não há solução, que o que tem que acontecer irá acontecer independentemente da vontade, da razão ou de qualquer resquício de racionalidade. Depois da depressão virá a aceitação e aí, meus amigos, nada vos surpreenderá nem perderão tempo à procura de soluções para o que não é suposto ser solucionado.
Há uma cruzada de cariz religiosa no ar. Chamam-lhe “ciência” como em tempos a ciência foi a força da espada contra os infiéis. Convertamo-nos, pois. Guardemos a fé onde ninguém a veja e desempenhemos o nosso papel. Como dizia a Aimee Mann: it’s not going to stop, so just give up.
Quem vê TV, sofre mais que no WC
“Quem vê TV, sofre mais que no WC.”
Este é o título de uma canção dos Taxi, uma banda rock do Porto que teve popularidade nos idos anos 80. “E se falo desta maneira, é por a televisão ser tão foleira”, acrescentava-se no tema.
Quarenta anos passados e a letra permanece mais actual do que nunca nestes tempos de covid. Os jornalistas passaram a ser entertainers e activistas de causas. Na ânsia de cumprir um serviço público por eles fantasiado, só por distracção se ocupam em produzir informação tão factual, objectiva e independente quanto possível. Os media tomaram para si a missão de condicionar a opinião pública a adoptar as políticas e comportamentos que, no seu modo peculiar, entendem ser para o bem comum.
As televisões bombardeiam os espectadores com imagens dramáticas, tragédias e histórias tremendas a propósito da covid. Imagens de filas de ambulâncias à entrada das urgências dos hospitais com sirenes ligadas na noite escura, declarações de médicos para lá do limite do seu equilíbrio psicológico, cameraman a fazerem planos aproximados dos rostos dos supostos prevaricadores a passear junto ao mar, jornalistas em voz off diligentemente a censurar a atitude “irresponsável” de quem se junta ao postigo para tomar café.
As TV’s seguem o guião de Marcelo e Costa e listam o que consideram exemplos da culpa dos Portugueses e da quebra – por parte do povo, naturalmente – do pacto de confiança que havia sido supostamente feito com os seus estupendos líderes políticos. Os canais televisivos colocam Marques Mendes e Paulo Portas nos espaços de maior audiência independentemente do gigantesco número de asneiras, falsidades e narrativas capciosas que debitam estes senadores. As conferências de imprensa dos comissários políticos da DGS ou as entrevistas aos especialistas do regime são transmitidas sem qualquer contraditório.
Enquanto se promove o medo colectivo, nenhum jornalista confronta estas vedetas mediáticas por exemplo com o facto de gente qualificada ter avisado antes do Verão que medidas restritivas durante o período do ano de maior exposição solar iria ter consequências gravosas para a saúde dos portugueses no inverno quando o vírus se tornasse mais perigoso. Essa opção política iria ser paga bem cara, conforme verificamos hoje.
Agora que o governo vem louvar a dedicação dos profissionais de saúde no combate à pandemia, os jornalistas não questionam se a ministra da saúde estará arrependida de ter feito aprovar a redução do horário de trabalho das 40 para as 35 horas no SNS?
Tendo falhado em Portugal e noutros países o confinamento como forma de contenção da transmissão do vírus, ao governo não é perguntado por que há-de agora funcionar por milagre. Por que razão existem aparentes discrepâncias de qualidade de gestão e previsão entre hospitais de dimensão semelhante para resposta à covid?
Portugal tem o maior número de novos casos diários de covid19 do mundo, mas as estações de televisão não se surpreendem por sermos ao mesmo tempo dos países do mundo com mais médicos por milhão de habitantes. As TV’s não querem saber de o país ter das maiores quedas da economia em resultado dos confinamentos e, além de doentes, nos tornarmos cada vez mais pobres.
Desde o Natal que tem estado um frio de rachar, mas com a epidemia até a causa das alterações climáticas gelou ao ponto de não se procurar investigar se as condições meteorológicas terão influência na mortalidade e internamentos.
Qual a razão de se continuar a mobilizar gigantescos recursos para testagem massiva geral através de PCR e seguimento de assintomáticos em vez de nos concentrarmos apenas nos doentes com carga viral infecciosa relevante através de teste antigénio?
Não vi nenhum jornalista capaz de contextualizar o caos das urgências hospitalares com o que sempre se passou em anos anteriores. Em 2017, num único dia de Janeiro morreram 500 pessoas de gripe. Hoje zero. E os jornalistas não têm curiosidade em investigar o tema. Não se indaga se as filas de ambulâncias no exterior dos hospitais estão relacionadas com o protocolo de não deixar entrar doentes para o interior do edifício, ao contrário do passado em que os corredores dos estabelecimentos estavam apinhados de gente.
Perdeu-se o bom princípio do cepticismo e de fazer perguntas. Prefere-se não duvidar das respostas de quem manda a fazer perguntas que não sejam respondidas. Não se questionam as conclusões nem pressupostos das narrativas da oligarquia, nem se escrutina as consequências das opções políticas.
O negacionismo do papel do jornalista sendo evidente não será em muitos casos uma atitude de má-fé. O apocalipse gera audiências e audiências mantêm empregos. Não se pode esperar que um jornalista seja uma pessoa especialmente informada e muito menos um ser sobrenatural. O jornalista é como cada um de nós, emocional, susceptível ao medo e ao histerismo. É natural a defesa do seu próprio posto de trabalho.
Toda a liturgia mediática das TVs e dos políticos vai no sentido de alimentar o medo e o sentimento de culpa em cada um de nós. Mas o medo é diferente de perigo e frequentemente a nossa atenção foca-se no medo e não propriamente nos fenómenos que são de maior risco para a nossa saúde.
O medo atrai a nossa atenção e por isso as televisões atraem-nos através do medo e do dramatismo. Tudo aquilo que é tremendo e negativo hipnotiza-nos e por isso a forma como os media apresentam a covid19 deixa-nos estarrecidos e menos racionais. Muitos de nós procuram mesmo, ainda que inconscientemente, histórias de desespero e a mente humana tem dificuldade em sair dessa vertigem.
Para quebrar esse círculo vicioso do medo e irracionalidade seria preciso, ainda assim, termos tempo disponível para diversificar fontes de informação e fazer pesquisa de dados. Não temos nem tempo nem sequer estamos dispostos a sofrer estigma social e sair da norma do pensamento dominante. Por isso, perante um cenário de incerteza, é muito comum sentirmos conforto em seguir o rebanho, mais do que pensar pela própria cabeça.
Perante o medo e a incerteza ficamos mais susceptíveis ao poder. As sucessivas contradições das medidas do governo e da actuação dos políticos e dirigentes públicos a par da amplificação que delas as televisões e os media em geral fazem é de tal ordem que a confusão e o caos mental são generalizados. Assim, um refúgio ilusoriamente pacífico é pensar que “alguma razão haverá. Alguém saberá melhor do que nós” e deixarmo-nos voluntariamente submeter às ordens de quem manda, independentemente do ridículo e contraproducente que possam parecer essas medidas.
A António Costa o improviso e trapalhada na definição e comunicação das medidas dá jeito. Para quê fazer diferente se tem os Portugueses mansos e com sensação de terem pecado?
Quando o primeiro-ministro fala em ser necessário um sobressalto cívico sabe de antemão que tal não vai acontecer. Para isso seria preciso que os Portugueses quisessem ter acesso a informação de qualidade (que a comunicação social não fornece) e que os cidadãos entendessem que os cuidados e riscos de saúde que correm dependem em primeira instância de escolhas suas. Mas não, vemo-nos como vítimas e entregamos a terceiros (neste caso ao governo) a responsabilidade de nos proteger e exigimos aos outros que nos protejam também.
O povo está anestesiado. O rei D. Carlos diria que somos um país de bananas governados por sacanas. Eu não atribuo tal epíteto ao povo, mas tenho pena que muitos jornalistas sejam coniventes com os nossos governantes.
Uma versão video resumida deste post está disponível aqui:
Podemos dar jantares nas carruagens da CP?

Sítio livre de COVID. Se estas mesmas pessoas estivessem num café eram todos multados. Como aconteceu nas carruagens da CP não há responsáveis, não há culpados e sobretudo não há COVID 
Sítio onde a probabilidade de apanhar COVID é elevadíssima. Se alguém romper estas fitas e se sentar logo virá a PSP, a multa, a admoestação e a censura mediática. (foto tirada daqui
Quem disse que não há estratégia?
Isto é um circo
Arrancam hoje os “testes rápidos” nas escolas com a intenção de constatar que todo o mundo mais o periquito já estão infectados com covid. Diz-se que esta ferramenta de auxílio ao encerramento dos estabelecimentos de ensino vem acompanhada de uma declaração de consentimento informado para os pais, pais estes que poderão optar por sinalizar os seus filhos como livres ou como ferramentas de apoio à comunicação de decisão já tomada e que carece apenas do acto necessário à aclamação do presidente-rainha para ser executada.
Vocês é que sabem. Sobre o assunto, o que sugiro é que o doutor Baptista Leite mande a Ordem dos Médicos actualizar a sua ficha com condição de médico não especialista para algo que fique mais de acordo com a sua página da Wikipédia.
Decidindo em função do que dizem os barómetros de popularidade
Portugal visto de Marte
Os inimputáveis
Marcelo em lar do Barreiro deixa apelo ao confinamento
Marcelo partiu para uma acção de companha num lar sem saber se estava ou não infectado
Marcelo entrou num lar cujos utentes não recebem visitas dos seus familiares
Marcelo pede aos portugueses que tomem este confinamento a sério.
Marcelo está a gozar connosco, não está?
Reflexões da roulotte de farturas
Toda a gente tem um tio chato e inconveniente que se tenta, a todo custo, evitar convidar para o casamento. Não só é um indivíduo com a falta de tacto para referir alegremente que a noiva está gorda como é o primeiro a perguntar se aqueles segredos que pairam sobre o primo esquisito são de que tem andado a abafar a palhinha. O tio inconveniente não é politicamente correcto.
Contudo, por muito que se evite convidar o tio inconveniente para o casamento, como ninguém quer ficar de mal com esse lado da família, lá lhe enviam o convite. Ainda bem: não fosse o tio inconveniente e ninguém se atreveria a leiloar a liga da noiva.
Em tempos, os blogues foram o tio inconveniente. Agora parecem vítimas de covid. Assim sendo, enquanto a malta anda entretida a tentar mudar o mundo com a mesma subtileza de um gato a tocar harpa, cá vai disto: quem dá 20€ pela liga da noiva?
Qual o risco de qualquer uma destas pessoas contrair Covid?




Nem para organizar mesas de casamentos servem

O que faltou aos eleitores na cidade universitária? Uma simples planta. Os eleitores chegavam à Cidade Universitária. Em vez de informação abundante em placards sobre as secções afectas a cada urna de voto, duas ou três senhoras com uns papéis na mão apareciam volta e meia a correr nas filas perguntando aos eleitores como se chamavam. Face ao nome lá diziam: reitoria, direito… As pessoas que já levavam longo tempo na fila iam à procura da outra fila. Mas acontece que a outra fila podiam ser várias. Por exemplo, a reitoria, tinha várias filas para as diferentes secções. Onde estavam os painéis com essa informação? Afixados em locais mais ou menos inacessíveis e que obrigava as pessoas a irem ao topo das filas. Recordo que a cidade universitária é enorme. Mandar alguém procurar uma informação ao pé da Aula Magna ou de Direito implica andar e andar. Perder o lugar na fila onde esta há tempo. Tudo aquilo tinha um ar de absoluto improviso. Ningém pensou que quem chegava à Cidade Universitária para votar não conseguia encontrar a secção que lhe pertencia, as três senhoras que voltejavam com os papéis tb não sabiam onde ficavam as secções e obviamente não bastava dizer “vota na reitoria” porque a reitoria tinha várias e distantes filas externas. Nem para organizar mesas de casamentos servem!
no dealbar de uma nova ciência
Os passados da cabeça
A solução é fechar olhos, tapar ouvidos e deixar a droga
Eu sou do tempo em que nós, as pessoas, acreditávamos que a democracia era irmos votar e assim conceder o direito ao governo de executar umas coisas com que concordávamos. Éramos uns idealistas. Felizmente, o mundo evolui e com isso as noções. Agora sabemos que temos a obrigação de ir votar para que governos tenham a desculpa institucional para fazer o que lhes der na telha.
A fila de ambulâncias no hospital de Torre Vedras indigna muita gente, indicando que o protocolo covid impede que doentes sejam devidamente empilhados em macas nos corredores, longe da vista, no tempo em que isso não nos incomodava. Agora incomoda. Essencialmente, tal acontece porque “o dever de confinamento”, uma figura constitucional tão válida como “o princípio da equidade” não se aplica a repórteres, só a vendedores de sapatos.
As pessoas discutem nas redes sociais, como se por o fazerem estivessem a participar civicamente nas ordens magnânimas dos governos “democratas”. Na realidade, e à primeira vista, tentam ser repórteres sem o livre trânsito vedado ao comum dos mortais. Já à segunda vista, o que transparece é que procuram um escape de liberdade nas palavras (mais ou menos) escritas para a liberdade que têm engarrafada na vida real. Há quem lhe chame plataformas de comunicação, mas já ouvi melhores expressões para droga.
Há também quem fale em desobediência civil. Não me ocorria que viver a vida possa ser uma forma de desobediência, mas estou certo que tal coisa ocorre aos governos da velha caquética a que chamamos Europa. A mim só me ocorre uma escapatória: a alienação. Portanto, para viver o tempo que me resta, que espero ainda ser muito, mas que nunca se sabe porque posso ter o azar de apanhar uma doença não-covid, necessito de ignorar o mais possível o que diz e manda toda esta gente que tanto me ama e, como tal, tanto me protege da intempérie, como se eu fosse uma criança daquelas todas modernas que nem os joelhos pode esfolar sob risco de chilique dos pais abrutalhados com a vida digital.
A geração mais bem preparada de sempre vai apanhar uma surpresa quando descobrir a mortalidade ou, com sorte, talvez a isso seja poupada se a morte os surpreender primeiro. Em qualquer dos casos, podemos contar que às criancinhas da altura será devidamente vedado o cadáver do familiar ex-“mais bem preparado de sempre”, devidamente embalado em duplo saco plástico, para que se possa perpetuar a obsessão ocidental pela imortalidade. E, de preferência, alguém que faça um túnel para esconder as ambulâncias em Torres Vedras, porque o que não se vê não nos afecta.
Isto vai acabar com o Estado português a reabrir os velhos postos da UCAL para vender leite
A nomenclatura está farta do povo
Os jornalistas que não confinam, os políticos que andam em campanha e o governo cujos membros viajam e reúnem estão indignados porque a senhora da retrosaria e o homem da loja de plásticos usam para citar o Público “expedientes” para não ficarem com rendimento zero durante o confinamento.
Se é para comerem todos, vamos lá comer todos
Acho errado que as pessoas que efectivamente pagam os salários dos funcionários públicos como cabeleireiras, livrarias, centros de estudo/actividades de tempos livres e escolas de desporto tenham que fechar e ainda pagar salários a professores para que passem o tempo a congelar as suas crianças e fazer-lhes a cabeça para o pós-pós-modernismo, a modalidade contemporânea de alienação perante a morte.
É para fechar? Fecha tudo. Não adianta absolutamente nada, mas permite concluir que não adianta nada. Assim, com o “confinamento” que penaliza alguns duplamente, quer privando-os de rendimento, quer obrigando-os a manter o salário de outros, podemos continuar a culpar as pessoas pelo curso da natureza. Se fechar tudo, ao menos conclui-se que fechar não adianta nada. Não que mude alguma coisa, mas ao menos obriga-se a que bazucas sejam usadas para subsidiar pais obrigados a ficar em casa para tomar conta de filhos menores de 12 anos em vez de encher bolsos da putaria do regime. Rebenta com a economia? Óptimo. Quanto mais depressa, melhor.
O senhor ministro da Economia já fez um decreto a proibir os bebeś de crescer durante o confinamento?
Para evitar os problemas da concorrência os supermercados e hipermercados vão deixar de vender roupa. As lojas de roupa fecharam. Sabem, por acaso, que o que serve hoje a um bebé para a semana já não dá?
Roupas e livros proibidos
Parece que por pressão e inveja da Confederação do Comércio e Serviços, uma vez que se decretou o fecho dos estabelecimentos comerciais a CCP pressionou o governo no sentido de proibir a venda de roupas e livros por parte dos supermercado que se mantêm abertos.
E o advogado de negócios Siza Vieira veio ufano informar que o grupelho chefiado por António Costa iria definir a lista de produtos abrangidos pelas medidas de proibição de venda de produtos no âmbito do desgraçado confinamento entretanto decretado.
Em Novembro fiz um video sobre o tema dos “negócios essenciais” onde dizia coisas que se aplicam de novo neste momento:
O direito a trabalhar e ganhar a vida é sagrado. Negar a uma pessoa o seu modo de subsistência é um desrespeito de um direito humano básico.
Vem isto a propósito de o governo definir, a pretexto da covid19, o que são actividades essenciais e não-essenciais. Passamos a ter burocratas a decidir que certos negócios têm maior valor do que outros.
Alguns chegam ao ponto de criticar os empresários dos negócios ditos não-essenciais e que querem manter a sua actividade aberta durante o confinamento egoísmo, desprezo pela saúde de terceiros.
Estamos a um passo de o Estado decretar o que as pessoas estão autorizadas a comer, beber, vestir ou fazer. Ou se calhar já demos esse passo em frente (ou atrás, conforme a perspectiva).
Fazer esta distinção entre o que é essencial e não-essencial é não perceber como a economia funciona. Uma actividade não funciona isolada de outra. Tudo está interrelacionado com um número infindável de outros produtos e serviços. Um restaurante fechado implica que os seus fornecedores de bens alimentares deixam também de vender. E estes, por seu turno, deixam de comprar aos produtores.
Ou seja, declarar uma actividade como não-essencial é equivalente a dizer que todas as actividades de suporte e relacionadas são desnecessárias.
Esta cegueira burocrática dos políticos reflete-se com particular impacto nos jovens. Aqueles estudantes que para obter um dinheiro extra, pagar os estudos e sobreviver dependiam de biscates, part-times ou trabalhos informais, deixaram de um momento para o outro de ter rendimento. O estudante que servia à mesa do café, o jovem recepcionista em eventos, o universitário que prestava serviços a recibo-verde, a estudante que era lojista em horário fora de aulas, o monitor de campos de férias, a rapariga que fazia inquéritos porta-a-porta, o operador de call-center. São apenas alguns exemplos das milhares situações que os confinamentos e estados de emergência fazem levar os jovens para as filas de fome e os pedidos de assistência aos bancos alimentares.
São inúmeras as notícias sobre casos destes por essa Europa fora, mas em Portugal parece ainda uma realidade escondida.
Uma epidemia não justifica que se centralize num membro do governo a decisão sobre os modos de subsistência que são essenciais e não essenciais. Ainda por cima na certeza de que o político jamais deixará de considerar a sua ocupação a mais essencial de todas.
Este desastre poderia ser evitado se se tratassem as pessoas como adultas e não como mentecaptos. Os negócios dependem dos seus clientes e por isso têm o incentivo a tomar as medidas de protecção que entendem adequadas para o nível de risco que empresários e consumidores estão dispostos a correr.
Por mais omniscientes que sejam os funcionários do estado, ninguém melhor do que as próprias empresas sabe a forma de adaptar o seu negócio às circunstância e riscos da covid19. É precisamente por nada saberem de como o mundo funciona que os políticos mandam fechar tudo, a eito.
Mas o que é essencial para uns, não é essencial para outros.
E todos os negócios são sempre essenciais para alguém!
A tranquilidade
A tranquilidade! Já podemos ir ao Continente comprar seitan sem ter que lidar com as velhas chatas a comprarem mantinhas para se aquecerem neste Inverno ameno. Podemos andar ali tranquilamente na secção de suplementos vitamínicos homeopáticos sem a horda de bárbaros que compram livros. Isto é o paraíso.
Há coisas que não se compreendem: há por aí gente que acha que cortar o cabelo é importante, como se alguma sardinha enlatada num autocarro quisesse saber da nova tendência de griffe perante o risco de se apanhar “o nooovo coronaaaavííírus” num salão de bairro. Há também aí gente que acha que a diferença entre uma sala de aula e um bar é a presença de uma bebida em cima da secretária, mas é claro que não é assim: as salas de aula têm separações em Plexiglas™ e a ciência já demonstrou que o vírus tem medo de (C5O2H8)n. Desafio qualquer um a ir contra a ciência. Além disso, uma esplanada é um ambiente fechado, com ar viciado, ao invés de uma sala de aula, arejada, mantida a 2ºC para assegurar que o vírus não se lembra de ir ao Continente comprar mantinhas.
A vida está mais tranquila, e isso é salutar. Ninguém pensa em coisas fúteis como férias. Ainda bem: as cidades já não aguentavam tantos bárbaros. É verdade que a diminuição do turismo a números de 1943 causa alguns problemas de desemprego para carteiristas, até pela nacionalização da actividade pelo governo, mas consta que estão na calha vários projectos estruturantes de requalificação destes profissionais em patriotas denunciadores das prevaricações dos genocidas que saem à rua.
Governo considera a contingência de reduzir acessos a serviços de streaming para garantir que a app StayAway Covid®™ tenha largura de banda suficiente para registar os 2500 casos registados nestes meses, o que faz todo o sentido. Ficar em casa é uma luta que devemos travar com a estoicidade com que se usa o cílicio laico e republicano, não com entretenimento fútil que nos desvia da missão de estarmos à janela a denunciar os racistas-xenófobos-misóginos que se atrevem a sair à rua sem um cão apenso à trela.
A vida nunca será como dantes, e ainda bem. Havia muita divergência, muita pluralidade, muito multiculturalismo. Temos que aproveitar esta oportunidade para finalmente alcançarmos os Mulher e Homem e Outros Novo.
Realmente nos EUA é tudo muito rápido
DN: «Republicanos já não têm medo de criticar Trump mas ainda não lhe viram costas»
Em Portugal, uma década quantos socialistas já criticaram Sócrates? Quanto a virar-lhe as costas isso só se pode fazer com aqueles que não se temem.
Uma espécie de declaração de voto
A propósito da eleição do Presidente da República faço uma espécie de declaração de voto.
Espero de um Presidente da República que seja um garante da defesa e protecção dos cidadãos perante os abusos do Estado nas suas vidas. Tudo o que Marcelo não fez.
Entendo que a estupidez de um novo confinamento e políticas cegas gerais semelhantes na vã e absurda tentativa de “conter o vírus” não podem ser denunciadas com falinhas mansas ou ter apenas críticas dóceis.
Exige-se mais aos actuais candidatos eleitorais.
Explico a razão de ver no voto nulo um sinal de esperança e lembro que Democracia não é sinónimo de Liberdade. Aliás, quanto menos a Democracia decidir sobre as nossas vidas, mais Liberdade teremos.
O meu video de hoje aqui:








