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Ventura marca golo; o resultado passa então a ser 0-0

8 Janeiro, 2021

Estava convencido que não iria assistir a mais debates, mas a mórbida tentação demoníaca de ver pessoas estripadas após um acidente ferroviário levou a melhor e assim se tornou irresistível assistir ao debate entre Ana Gomes e André Ventura.

Devo dizer que gostei bem mais do que esperaria gostar. Por um lado, porque sei que o desempenho de Ventura irritou muita gente, mais até à velha convenção de direita do que à tradicional esquerda. Por outro lado, porque já é tempo de alguém escandalizar o que imagino ser uma horda obesa de auto-proclamados senadores detentores da moral e bons costumes de um regime do qual apenas se limitaram a cheirar a partir da escadaria o apetecível odor das iguarias oriundas da cozinha.

O respeitinho não entrou aqui, e ainda bem. Ana Gomes esteve no seu melhor desempenho de sempre, portanto de cabeça completamente perdida em deambulações nos chavões gastos de uma burguesia que usa “a esquerda” como um russo usa tatuagens da prisão. Uma espécie de Manuel Alegre mas sem o milhão de votos inúteis no bolso e a ocasional rima. Ventura esteve normal, até parecia um autêntico Mário Soares na Primavera de 1983 a repetir o papel já típico da direita: o atirar da toalha de Balsemão nessa altura e o desta, o de deixar Rio sozinho e desgovernado abdicando da crítica interna e transitando para a liga menor, a do isolamento em pequenos clubes numa convicção teimosa de grande ética e superioridade moral mas que no fim não traz de comer a ninguém (é um hobby).

Ventura tem demonstrado fragilidades, nomeadamente uma tendência do choque pelo choque sem valor acrescentado. Contudo, quando surge a oportunidade e lhe metem o alvo à frente, a seta espeta bem na mosca. A única recomendação que tenho, quer para a esquerda, quer para a direita, é para que não parem de gritar “fascismo” a cada oportunidade. Vivemos tempos interessantes. Claro, não vai dar em nada porque o nosso destino está há muito traçado, mas vai aquecendo os corações neste Inverno de prepotência que não leva ninguém a gritar “fascismo”.

Série – Conhecer o passado é dar de trombas com o presente – Edição 1

8 Janeiro, 2021

Os jovens são oprimidos por todo um complexo institucional e moral repressivos para, desde a adolescência, lhes serem incalculadas [sic] as ideias de obediência das “coisas que não se discutem”, dos sacrifícios incompreensíveis modeladores de uma mentalidade dócil tão necessária à dominação capitalista! A repressão sobre a livre expressão sexual dos jovens ao mesmo tempo que espalham, ao milhares, livros de “pornografia miserável”, é bem o espelho dessa vida de “fachada” que a sociedade capitalista nos quer fazer viver. Assim: Pelo direito à livre informação sexual! Pelo direito ao aborto livre e gratuito.

in Poder Popular, nº 31 (nova série), 4 de Março de 1976, pg. 10

Os candidatos podem confiar em Marcelo PR?

7 Janeiro, 2021

Aos minutos 31 do debate com André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa revela o que ouve de André Ventura quando o recebe em Belém. Se André Ventura tivesse um décimo do instinto político que lhe imputam tinha naquele momento denunciado este acto inqualificável do actual PR.

Já sairam as notas? Passei?

7 Janeiro, 2021

Há várias teorias sobre o que leva ao fim de democracias, porém poucas parecem incluir fenómenos contemporâneos que desempenham papel de variável principal na robustez do sistema democrático.

Em primeiro lugar, a atribuição de um valor em si mesmo a uma ferramenta. Não duvidando ser o melhor instrumento de escolha e rejeição de governantes, não passa disso: um instrumento. Não é um valor em si mesmo, é mais o melhor que se consegue arranjar. Um valor absoluto não necessitaria de ressalvas como mecanismos para evitar que democraticamente se rejeite a democracia. Só um serrote necessita de trava na pega, o próprio conceito de serrar não necessita de protecção.

Em segundo lugar, a crença actual de uma verdade absoluta evidenciada na multiplicação desses fungos a que chamam as rubricas de fact-checking. Quem fact-checks o fact-checker? E quem fact-checks o fact-checker do fact-checker? Ao jornalismo moderno não basta a busca difusa das peças de puzzle que compõem os factos: precisa de assegurar que encontrou a complexa divindade da realidade e que esta se encerra no relato que o próprio jornalismo produziu. Assim se criam deuses e bezerros dourados.

Em terceiro lugar – mas em primeiro de importância -, a transformação do discurso político em desporto. Todos os dias, após um debate como os desta pantomina a que se denominam “debates presidenciais” – e que mais que não são do que declarações do que cada candidato faria caso fosse primeiro-ministro, cargo para o qual não se estão a candidatar – surgem as pontuações atribuídas por gente tão díspar como intelectuais, malucos profissionais e socialites. É que nunca são taxistas, estivadores ou empregados de mesa. Muito menos são calceteiros. É como se os debates fossem uma espécie de patinagem artística, só que sem patins, sem vestidos curtos e sem qualquer capacidade atlética. Eu dou três pontos. Ele dá seis. Ela dá nota quinze pelas preocupações ambientais e por representar o contingente feminino, como que assegurando que as mulheres não são todas estúpidas, algo que nunca passaria pela cabeça de ninguém com capacidade funcional no mundo se não lhe estivessem sempre a chamar a atenção para isso. Tal e qual como o presidente em funções fazia quando tinha o seu próprio espaço de Cristina Ferreira na televisão. Ou então, outra possibilidade que não a visualização de debates como patinagem artística, é que a atribuição de notas seja uma oportunidade de terapia por trauma em avaliações escolares sofridas por estes indivíduos. “Agora vou vingar-me daquele oito a Análise Numérica III ou daquele sete a Teoria Desconstrucionista do Peido IV – Uma visão macroeconómica do metano”.

Decerto haverá mais factores, mas estes chegariam para explicar porque chegamos – aqui e muito possivelmente no resto do mundo – a este triste estado.

Galamba, Matos Fernandes e o hidrogénio

6 Janeiro, 2021

Os portugueses estão fartos de pagar impostos, de resgatar bancos e empresas públicas falidas e de serem chamados a contribuir pornograficamente para o enriquecimento de oligarquias penduradas em negócios com o Estado.

Este sentimento gera-se porque vemos que estão a mexer na nossa carteira sem consentimento e o Estado vem meter a mão no nosso bolso sem pedir licença.

Mas os portugueses, no fundo, são uns anjinhos porque estão a ser roubados em grande escala de outras formas sem sequer se aperceberem disso.

Sabe que desde 2006 já pagou em taxas de electricidade mais do que o valor de todas as injecções no Novo Banco? Tem consciência de que o Estado lhe cobrou através das facturas da EDP mais do que todo o orçamento anual do ministério da saúde? Tem noção de que o dinheiro dos seus impostos que vai ser despejado na TAP é uma história para meninos quando comparada com o valor do custo acrescido que paga pela luz em sua casa?

Não queria começar o ano com más notícias, mas a verdade é que António Guterres, José Sócrates e António Costa montaram ao longo dos anos uma farsa de “liberalização” do mercado de electricidade e os sucessivos governos socialistas alimentaram uma paixão pelas energias sustentáveis que já custou mais de 14.000 milhões euros e, além deste valor já pago em taxas, fizeram com que cada lar em Portugal ficasse adicionalmente com uma dívida de 500€ cujo pagamento será exigido no futuro.

A esta brincadeira de mau gosto chamam “custos de interesse económico geral” (CIEG) e o nome da coisa é misterioso precisamente para gozar connosco e ninguém perceber a razão do saque ao dinheiro do contribuinte. Mas no fundo o que os socialistas fizeram foi garantir a certos produtores de energia comprar toda a quantidade de electricidade que viessem a produzir a um preço muitíssimo superior ao practicado no mercado, garantindo-lhes a expulsão de concorrentes e a manutenção do esquema de remuneração até 2032.

Este engenhoso esquema de rendas garantidas pelo Estado faz com que a capacidade instalada de produção seja largamente superior às necessidades actuais do consumo de energia eléctrica dos Portugueses e, por isso, o excesso produzido é exportado a preço zero várias vezes ao ano ou pura e simplesmente “deitado ao lixo”.

Resultado: em relação, por exemplo, à energia solar os portugueses pagam um preço dez vezes superior aquele que deveriam pagar. Em vez de pagar cerca de 30€ MWh/hora estão a pagar 300€ MWh/hora.

Portugal está assim no podium dos países da União Europeia com electricidade mais cara para as famílias e mais de metade da fatura de electricidade dos consumidores domésticos se refere a impostos e taxas. Esta obscenidade é especialmente gravosa quando mais de metade dos portugueses tem dificuldades em aquecer a sua casa no Inverno.

Este ano o sobrecusto dito de “interesse geral” ascenderá a mais de 900 milhões de euros e na próxima década os portugueses pagarão mais 7.000 milhões de euros.

Como se fosse coisa pouca, António Costa sujeita-nos ainda às excentricidades e projectos megalómanos do seu ministro Matos Fernandes e do seu complemento João Galamba.

Quando a competitividade do país e o combate à crise económica exigiria baixar os custos de energia, o Ministério do Ambiente vai gastar num novo projecto de hidrogénio metade do valor a fundo perdido que Portugal irá receber da União Europeia através do seu programa de resposta à covid.

O hidrogénio é uma fonte de energia caríssima para os consumidores e totalmente desnecessária porquanto já existem alternativas a metade ou a um quarto do preço.

Pior ainda: os governantes irão repetir os enormes erros do passado. Vão garantir a priori a compra dessa produção e atribuir privilégio de pagamento de rendas elevadas aos produtores durante um longo período.

Estes projectos de lesa-pátria são envolvidos nas narrativas capciosas da moda, do combate às alterações climáticas, da descarbonização, da transição justa, da economia verde ou de qualquer outra fantochada útil para enganar simplórios e enriquecer camaradas.

Como enquadramento, bastará dizer que em termos internacionais Portugal tem baixas emissões de CO2 e que em todo o mundo se expandem neste momento a activação de centrais eléctricas com base em energias fósseis. Acresce que o mercado residencial doméstico está muito longe de ter um contributo significativo para as emissões de carbono, ao contrário por exemplo do sector dos transportes que tem sido negligenciado pelo mesmo governo de António Costa.

Resumindo: à boa maneira socialista é fácil atribuir privilégios a uns poucos à custa do dinheiro de todos os outros.

O meu video de hoje está disponível aqui:

A propósito de Omara

6 Janeiro, 2021

Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF em Portugal, publica hoje o no Observador um artigo intitulado «Omara: discutir as causas (e as culpas) não pode impedir a ajuda às vítimas» na sequência do artigo que ali publiquei no passado Domingo: “Omara, a bebé subnutrida”. Por culpa de quem?

O texto de Beatriz Imperatori está aberto pelo que basta clicar para ler.

Do meu que está fechado fica aqui uma parte: A Omara tem 8 meses e é a mais nova de cinco irmãos. Quando nasceu já tinha muito pouco peso e, o facto da sua mãe Zara não conseguir amamentar, dificultou o ganho de peso que necessitava para crescer saudável.” — Este anúncio de uma actual campanha da UNICEF segue o padrão habitual destes apelos: crianças negras de olhos imensos e peso escasso contemplam-nos enquanto uma voz off repete que se dermos uns euros as salvaremos. Ninguém explica onde nasceu a Omara. Que catástrofe, facto ou circunstância levam a que ela seja tão débil. Aconteceu algum terramoto no seu país? Incêndio? Erupção? Nada se diz. Omara é apenas “a bebé subnutrida” como se a sua subnutrição fosse uma fatalidade e a sua assistencialização o destino óbvio. Muito menos se sabe que família é a sua. Por exemplo, Zara, a mãe de Omara, que pela imagem parece tão jovem, já vai na quinta gravidez, com óbvio prejuízo da sua saúde pois nem consegue amamentar. Que condicionantes culturais, familiares e religiosas levam esta mulher a estas gravidezes sucessivas que a esgotam? Quem governa o país de Omara e da sua mãe Zara? Aliás qual é o país de Omara? Nada sabemos sobre isso. Somos só nós, a subnutrição de Omara e os euros que não nos fazem falta e podemos dar para a salvar. Publicitariamente esta técnica de comunicação é perfeita mas politicamente é um desastre pois é nesta descontextualização das vítimas que se tem baseado o desastre africano pós colonial: libertações que acabaram em regimes de terror, revoluções socialistas que produziram estados falhados, sociedades que empobrecem… e nunca se encontram responsáveis, a não ser os suspeitos do costume ou seja os países europeus que na sua maioria há mais meio século deixaram de administrar aqueles territórios.»

A não perder

6 Janeiro, 2021

José Mendonça da Cruz: 44 Razões para Votar Socialista

Nuno Gonçalo Poças A dignidade das instituições

Der Himmel über Berlin

6 Janeiro, 2021

Sem respeito pela dignidade do ser humano, a começar pela minha, dei comigo a assistir a mais um debate presidencial, desta vez entre dois indivíduos que se arrogam representar a luta entre o Bem e o Mal. A posição de cada um, se pelo Bem, se pelo Mal, é definida pelos apoiantes de cada um, pelo que isto pode ficar confuso para leitores de qualquer uma das trincheiras. Tratou-se, então, do debate André Ventura com Tiago Mayan Gonçalves.

Os apoiantes de cada um deles dizem que o seu candidato limpou o chão com a cabeça ensanguentada do adversário. Para quem está de fora deste platonismo do nacional-folclore, ambas as conclusões são tão desprovidas de aderência ao que viram que se demonstra evidente que os debates podiam ser substituídos por desfiles de misses em fato de banho para conclusões idênticas.

O ponto principal é que nenhum dos candidatos representa o que afirma representar. Ventura afirma representar a direita sem pejo de combater o socialismo, propondo para isso uma versão de estatismo tablóide, um socialismo de Chelas. Mayan Gonçalves afirma representar o liberalismo através da defesa das minorias oprimidas pelo RSI, independentemente de se saberem ou não governar; portanto, um liberalismo da Foz do Douro que não faz ideia onde fica Azevedo, Campanhã. Ambos estariam dispostos a dispor do dinheiro dos contribuintes: um para salvar a TAP, outro para manter minorias fechadas no seu universo estanque, tradicionalista e retrógrado de dependência num sistema de subsídio que nunca tirou ninguém da pobreza, mas que, ao menos, serve para manter essa gente longe dos nossos T3 com vista para o mar.

Para apoiantes de Mayan Gonçalves, Ventura representa o Mal puro, a personificação laica de Satanás num mundo desprovido de Deus, meramente governado pela força da hubris moral que o berço dourado e os apelidos conferem. Para apoiantes de Ventura, Mayan representa mais do mesmo, uma continuidade na aquisição de simpatias do servilismo ao regime do PS instanciado em grandes vultos da cultura nacional como Paulo Baldaia ou Pedro Adão e Silva.

Para os de fora das trincheiras, ambos representam o clube de debate da escola secundária, com ideias coladas a cuspo e afiliação tribal com o mesmo grau de razão que paixão por um clube de futebol, os dois prontos para travarem o tufão com uma peneira, um de marca premium, outro comprada nos chineses.

Os socialistas e os liberais dizem que Mayan Gonçalves ganhou o debate; os órfãos da representatividade popular dizem que Ventura ganhou. Eu só perdi meia-hora da vida que não volto a recuperar.

A ficção é sempre racista, assim como qualquer artigo definido é sempre sexista

5 Janeiro, 2021

Mais um filme da Disney/Pixar, mais uma polémica. Seria de supor que tinham aprendido a lição quando empregaram o sound designer Ben Burtt para interpretar o som dos robôs no filme Wall-E em detrimento de um robô verdadeiro, como um robô de cozinha Moulinex™. Não, não aprenderam. Desta vez deixaram que um indivíduo português fizesse a dobragem de voz para Português de um boneco animado americano. Se isto não é racismo, não sei o que é. Não faltam bonecos animados portugueses para fazer dobragens, mas foram buscar um de carne e osso. Felizmente, o de carne e osso já se arrependeu, mas ao que consta ainda não devolveu o dinheiro ou, ainda melhor, o entregou a um lar de bonecos animados na terceira idade em risco de apanharem Covid na variante de animação computadorizada.

Filhos meus não vêem filmes destes. Enquanto o Rei Leão não for interpretado por um leão verdadeiro e o Corcunda de Notre Dame não for interpretado por um francês portador de hipercifose torácica, mantenho-os afastados da ficção. Bem que pedem: “ó paizinho, quero ver a Patrulha Pata”, mas eu, que não sou racista nem quero que eles vejam gente a fingir que são cães animados já respondi: “não vês nada dessa merda, pá; hoje vês mas é o debate Ventura contra Mayan que é para aprenderes alguma coisa”.

É isto

5 Janeiro, 2021

Lockdown countdown

5 Janeiro, 2021

Isto é para ir assim até às autárquicas?

5 Janeiro, 2021

O novo DN está a revelar-se uma folha da CML. No Domingo tivemos uma espécie de publi-reportagem com o fantástico título “Lisboa Capital Verde: uma cidade a pedalar pelo futuro”. São amanhãs que cantam em tons de verde anunciados pelo Zé que fazia falta e depois foi arredado dos holofotes por destambrelhada figura. O autor da prosa anuncia em extase “o abandono progressivo do automóvel e trocá-lo pelas duas rodas”. (Por curiosidade, o autor do artigo, o fotógrafo e o fotografado vereador Sá Fernandes deslocaram-se de bicicleta durante a realização desta reportagem?)

Em parte, a responsabilidade pela atribuição do prémio Lisboa Capital Verde Europeia 2020 deve-se ao trabalho do vereador Ricardo Sá Fernandes

Hoje, terça, a propaganda continua dedicando o DN, qual boletim camarário, a sua capa a um concurso de ideias para o Martim Moniz

O novo DN é igualzinho ao velho DN: sempre, sempre ao lado do poder

E o primeiro-ministro anda onde?

4 Janeiro, 2021

Comunicado não apagado a tempo do site do ministério da Justiça

Aquilo que se diz quando não se sabe do que se fala

4 Janeiro, 2021

O primeiro-ministro, António Costa, lembrou hoje a “cumplicidade política” que se tornou “numa bela amizade” com Carlos do Carmo e considerou que o artista foi decisivo para libertar o fado e reconciliá-lo com a democracia. “Foi fundamental para reconciliar o fado com a nossa democracia e libertá-lo da ideia tão errada da tentativa de apropriação por parte do Estado Novo. Foi decisivo para essa libertação”, disse António Costa à agência Lusa.

Carlos do Carmo não reconciliou o fado com a democracia. Terá reconciliado sim aquela esquerda preconceituosa e ignorante das “gaivotas que voavam” com o fado. Como aquele senhor que era de esquerda e cantava fado eles acharam que então podiam gostar de fado. Não era o fado que precisava de se reconciliar com a democracia era sim um grupo de pessoas que precisava de autorização para gostar de fado. Carlos do Carmo foi um dos que cumpriu esse papel junto dessas pessoas que, coitadas, condicionam os seus gostos a uma certificação ideológica. Para se desculparem a si mesmos de terem menosprezado o fado repetem o chavão da apropriação do fado por parte do Estado Novo, justificando assim que não ouviam fado porque ele estava apropriado pelo Estado Novo. Deixem-se de tretas não ouviam porque não gostavam e estavam no seu legítimo direito de não gostar. Ou porque achavam que parecia mal gostar. O Estado Novo e o Carlos do Carmo são as justificações que arranjaram para explicarem a sua mediocridade e nunca terem sido capazes de se comover com esta voz, também ela da família Carmo

Foi arrasador

4 Janeiro, 2021

Nos países mais tropicais há uma tendência para que a vida quotidiana seja enquadrada como o intervalo entre festas. Portugal, o mais tropical dos países europeus em tudo que não seja clima, não é excepção. Finada a festa da compota entregue em quintais e vãos de escada, somos brindados com um Carnaval antecipado a 24 de Janeiro. Faltam 20 dias, portanto.

Substituindo as decorações natalícias das cidades fantasma e centros comerciais encerrados por scores de popularidade, debates, análises a debates, análises às análises de debate e sondagens sacadas a uma massa de indiferentes perante quem será a rainha que finge ter mão no governo no ano da desgraça de 2021, começamos o ano com a campanha eleitoral mais inconsequente de sempre para o cargo mais estético de sempre no país mais palerminha de sempre.

Se a Covid não explicar o excesso de mortos neste Inverno, decerto que o tédio provocado pela campanha presidencial poderá explicar, pelo menos parcialmente, o aumento de suicídios. Imbuído de espírito de missão para a depressão, decidi assistir ontem ao debate entre o candidato Tiago Mayan Gonçalves e o presidente quase vitalício Marcelo Rebelo de Sousa. Dou os parabéns a Mayan Gonçalves por sair do quentinho da sala de estar para a missão de ir lá correr a maratona contra o Ferrari. Como isto é Portugal, um país que é mais lazer do que competição, o que conta é participar. E como o que conta é participar, todos os que participam são vencedores, como se faz com as crianças do infantário. Saiu-se bem? Ganhou no Twitter, pelo que deve ter corrido bem. No café em São Pedro de Fins não se falava do debate, pelo que parece que o mundo real está mais preocupado com a insuficiência cardíaca da mãe internada num lar. Seja como for, como nada disto é feito para o mundo real e sim para ocupar pilhas de pessoas que de outra forma teriam mesmo que arranjar um emprego decente, posso afirmar com toda a certeza que o resultado foi excelente, a julgar pela quantidade de tinta digital e faladura entre entertainers de rádio.

No fundo, mesmo lá no fundo, o que importa mesmo é que alguém arrasou outro. Pelo menos a mim arrasaram, pelo que não repito a experiência. Parabéns a Marcelo, a Mayan Gonçalves e a todos os outros candidatos que me arrasariam, não tivesse eu mais coisas com que me preocupar ao ponto de perder mais tempo com debates.

Um pedido que não foi feito na passagem de ano mas ainda deve ir a tempo

3 Janeiro, 2021

Foi o que fiz hoje no Observador: Exm senhores Comandante Geral da GNR e Director Nacional da PSP, venho encarecidamente pedir-vos que acabem com o degradante espectáculo da guerra pela escolta ao transportes de vacinas. Nós já nos habituámos a muito, até àquilo que nunca pensámos tolerar como é o caso das vergonhosas prestações do ministro Eduardo Cabrita, mas ficar-se a saber que a PSP terá bloqueado o transporte das vacinas que estava a ser escoltado pela GNR é algo que ainda está acima das nossas capacidades.

A ler

2 Janeiro, 2021

Henrique Pereira dos Santos: «A cada 1 de Janeiro lembro-me de António Costa. No dia 1 de Janeiro, em Portugal, não se publicam jornais. (…) Ninguém me tira da cabeça que foi essa a razão principal para que a única visita de António Costa a José Sócrates, quando este estava preso, a tal visita em que António Costa foi dizer que cada um tem direito à sua verdade, foi feita num dia 31 de Dezembro.

Por tudo isto, a cada 1 de Janeiro lembro-me de António Costa e do que verdadeiramente representa e é: um homem que não tem amigos e para quem o poder não é um instrumento para servir as pessoas comuns, mas um fim em si mesmo, para o serviço dos que escolhemos.

Por maioria de razão, num Janeiro em que há eleições, essa lembrança de António Costa lembra-me também que tenho uma opção simples, embora de alcance limitado.

Marcelo é o pântano de que se alimenta António Costa e votar em Marcelo é dizer claramente que se está confortável neste pântano.»

Que legitimidade?

1 Janeiro, 2021

Jaime Nogueira Pinto: «Desaparecidas considerações transcendentes do poder, derrotadas no século passado as experiências totalitárias baseadas numa percepção especial do Bem Comum, aceite o princípio de igualdade dos cidadãos, garantidos contrapoderes institucionais e da sociedade civil, aceita-se que o poder seja disputado e decidido segundo as regras constitucionais que proclamam que o partido, a coligação ou o candidato mais votado em eleições livres e justas formará o governo e comandará a sociedade nos termos e prazos constitucionais definidos.

Ora desde que candidatos, partidos, coligações e movimentos nacionais populares – ou populistas, como lhes chamam os seus concorrentes e os media – começaram a vencer eleições e a ter espaço de legitimidade democrática, esta regra parece ter mudado. Os seus adversários no sistema começam a levantar dúvidas, suspeições, reservas a este princípio da legitimidade do voto popular, quando o povo não vota da maneira certa, isto é, nos candidatos ou partidos “democraticamente correctos”. Então a regra do jogo não deve ser respeitada. Daí as acusações de “democracia iliberal”, a países como a Hungria ou a Polónia; e os pedidos de ilegalização de partidos como a Lega, o Front National ou ilegalização o Chega.»

A farsa do ano

31 Dezembro, 2020

O Euromomo é um sistema de monitorização da mortalidade em diferentes países europeus com o objetivo de detectar e medir, em tempo real, o número em excesso de mortes relacionadas com a gripe, pandemias e quaisquer outras possíveis ameaças à saúde pública.

A monitorização da mortalidade (e suas variações) é uma ferramenta básica fundamental para gestão de saúde pública e tida como a forma mais robusta de avaliar a progressão da pandemia e o seu impacto na saúde das populações, dotando os decisores e autoridades de cada país dos dados necessários para formular estimativas e estabelecer prioridades de resposta dos serviços de saúde.

Na imagem abaixo apresentam-se os Z-Scores que são parâmetros de desvio-padrão que permitem a comparação da mortalidade entre diferentes populações e períodos de tempo. Ou seja, na ilustração, algum registo que esteja acima da linha tracejada a vermelho é considerado um evento com significado estatístico, sendo tudo o resto “normal”.

Assim, com base no que está acima, identifica-se algum padrão ou correlação relevante entre as medidas e/ou recomendações das diferentes autoridades locais, nomeadamente no que respeita a confinamento/não-confinamento; máscaras/não-máscaras; restrições adoptadas cedo/restrições adoptadas tarde; viagens/não-viagens; ajuntamentos/não-ajuntamentos?

Chegados a 31 de Dezembro concluo que as “acções” dos governos são largamente ineficazes no suposto controlo da covid19. Negar esta evidência, é não reconhecer que esta ineficácia foi a maior farsa de 2020!

Brexit: a falácia do comércio entre países

30 Dezembro, 2020


Só um obtuso socialista ou um lírico colectivista poderá achar moralmente defensável a intervenção do Estado no sentido de alterar ou corrigir padrões de comércio internacional.

De como burocratas usam registos contabilísticos para formular juízos de valor negativos sobre relações comerciais voluntárias entre indivíduos e, portanto, mutuamente benéficas.

O meu video de hoje:

SOS: Mulheres e crianças primeiro!

30 Dezembro, 2020

As imagens que vão chegando às televisões, aos vários instagrams e restantes redes de vaidade de médicos e enfermeiros mostram claramente como funciona este país: em caso de naufrágio de um navio, o comandante é o primeiro a abandonar o barco.

A trágica esperança do Zé

28 Dezembro, 2020

O Zé presenteou os familiares no Natal com compotas caseiras no quintal de cada um. Agora, lá vai o Zé tomar a vacina. Quando de lá sair, completamente revigorado, virá rapidamente para casa com a sua máscara colocada para respeitar o recolher obrigatório plenamente convencido de que está imune à doença desde que continue a rejeitar qualquer convívio com amigos e familiares e continue a lavar as mãos com after shave para não coçar o olho.

A vida do Zé não mudou absolutamente em nada. Continua “em teletrabalho” na Playstation. A mulher do Zé continua em teletrabalho no site onde mulheres se despem para outros teletrabalhadores. Continuam sem sair de casa e as cidades continuam livres de turistas – graças a Deus, que há mileniais influencers do partido que precisam de casa acessível no centro. Os filhos do Zé continuam sem saber se vão ter escola no dia seguinte ou se o professor vai meter a terceira “quarentena preventiva” do ano. Ninguém sabe quando volta a entrar no país depois de passar uma fronteira, pelo que ninguém sai do país (e ainda bem: iam lá para fora contaminar inocentes?). Começa a construção do TGV para não ficarmos fora da linha transeuropeia de ferrovia. No entanto, o Zé está satisfeito. O Zé salvou o planeta do vírus porque tomou a vacina.

Lá para o fim do Inverno, o Zé dará um tiro nos cornos. Mais um que morrerá de covid sem tempo para ver o novo aeroporto de Lisboa.

Carta a um Pároco do Porto

27 Dezembro, 2020

Estimado Padre J. S.,

Escrevo-lhe esta mensagem porque no seguimento da missa a que assisti esta manhã na igreja da Paróquia por que é responsável fiquei com a sensação de que na casa de Deus passou a mandar a ministra da Saúde e que o Missal foi substituído pelo manual da Direcção-geral de Saúde.

Afigura-se para mim incompreensível a razão de o celebrante que preside à missa esteja em permanência com a máscara cirúrgica colocada. A menos que o senhor padre esteja infectado com alguma doença respiratória, o afastamento a que se encontra o altar das primeiras pessoas sentadas na assembleia assegura por um factor superior a 10 a distância recomendada pela DGS.

Numa missa em que a maioria dos presentes são idosos, ao contrário da virtude que este excesso de zelo procura demonstrar, tal procedimento é altamente contraproducente, pois ao invés de transmitir racionalidade e segurança nas normas sanitárias a adoptar, instala o medo e receios infundados nos mais frágeis que aliás são mais vulneráveis à desinformação e menos aptos a obter informação de qualidade sobre o tema.

Por outro lado trata-se de um desrespeito que deveria ser evitado para com os mais idosos, porque à já sua natural dificuldade de audição por via da idade avançada, a máscara perturba de forma acrescida a percepção daquilo que é dito. Adicionalmente tal situação revela uma infantilização de pessoas adultas que durante a sua já longa vida passaram por experiências e contactos com doenças e vírus tão ou mais perigosos do que a covid19 e sabem melhor do que ninguém ponderar os riscos da doença e a sua responsabilidade enquanto membros da comunidade.

Gostaria ainda de referir que o exagero das normas sanitárias adoptadas pela paróquia é a meu ver também um desrespeito pelas gerações futuras, porque no egoísmo de querer transmitir a ideia de que deveremos evitar a todo o custo o contacto e exposição com patogénicos de uma doença com 99,9% de taxa de sobrevivência, fará com que as defesas biológicas dos nossos filhos e netos venham a ser mais débeis e vulneráveis.

Ainda uma nota lateral sobre o uso de álcool-gel. Podendo ser discutível a utilidade de distribuição deste produto à entrada da igreja, é no entanto além de ridícula, mais uma vez, contraproducente, a utilização do álcool por cada Leitor sempre que se dirige ao púlpito. A única situação em que se entenderia como razoável a utilização de gel desinfectante seria após a distribuição da Comunhão. Curiosamente, a menos que tenha sido falha de atenção minha, foi a única altura em que tal cuidado não se verificou…

Entenda pf o Padre J. S. estes comentários como críticas construtivas de alguém que tem expectativa que uma Paróquia e uma Diocese sejam exemplos de manifestação de Fé e obediência a Deus e não de servidão a políticos e a burocratas.

Votos de Santas Festas!

T.

Porto, 27 de Dezembro de 2020

Primeiro as tendas, agora os faquires

27 Dezembro, 2020

O circo chegou ontem à cidade. Acompanhado de uma escolta policial daquelas que só servem para estragar ajuntamentos de minorias brancas, católicas e subservientes aos caprichos do governo, o dia de hoje prometia um fandango permanente de faquires prontos a serem espetados perante câmaras de televisão.

O dia de hoje não está a desapontar. Já vi 87 injecções em indivíduos daqueles que usualmente criticariam mulheres que posam para revistas masculinas, mesmo que recebam para isso. Ao que consta, ninguém lhes pagou para o papel de urso que estão a fazer, pelo que o Entroncamento se tornou no epítome de normalidade.

Chegou o Graal, palavra do senhor Costa. Mas nada temam: continuará a haver recolher obrigatório, açaime não-facultativo e palhaçada televisiva enquanto decorre 2021, o ano da tão desejada igualdade entre os inúmeros desempregados pela psicose colectiva.

O presépio da Torre Bela ou o triunfo dos javalis

27 Dezembro, 2020

No Portugal, presépio pagão de renas, luzes e bolas, a carrinha das vacinas foge dos buracos na estrada mas viaja com escolta de aparato e a morte dos javalis choca mais que a dos velhos.

Em 1975 a enxada era da cooperativa. Em 2020, ninguém quer saber de enxadas. Aliás em 2020 antes de se usar a enxada há que analisar se a enxada tem as dimensões homologadas, se a enxada veio acompanhada dos respectivos selos e se o vendedor e o utilizador da enxada têm a sua situação fiscal regularizada.

Na Torre Bela de 1975 a caça era do povo e a GNR reaccionária. No presépio da Torre Bela 2020 em que Portugal se tornou  a GNR anda de dia com colete à prova de bala por temor das represálias (de quem?).

Eu sou desse tempo

26 Dezembro, 2020

Eduardo Cintra Torres: «Eu sou do tempo em que dizia Graça Freitas que o vírus da China não havia de cá chegar. Eu sou do tempo em que ela dizia que as máscaras davam uma falsa sensação de segurança.

Eu sou do tempo em que ainda se podia dizer que o vírus é chinês de origem.

Eu sou do tempo em que Costa não queria confinamento e os portugueses fizeram-no.

Eu sou do tempo em que Marcelo e Costa diziam que Portugal foi um milagre Covid e que íamos todos ficar bem


Natividade: uma viagem pela Liberdade

25 Dezembro, 2020

Reproduzo aqui algumas passagens do meu artigo de hoje no Observador:

A gestão da resposta à Covid19 tem sido uma demonstração clara de tudo aquilo que não deveria acontecer em saúde pública.

Convém também referir que este hedonismo é típico de abastados, afluentes ou de quem tem rendimento directa ou indirectamente garantido pelo Estado. Estes têm um custo de oportunidade significativamente mais baixo em defender restrições acrescidas no âmbito da covid19 e daí que permitam a destruição massiva que os Governos impõem à economia e, paradoxalmente, reclamem ajuda do Estado para sairmos da calamidade em que vamos mergualhando. A obsessão com o imediato e o efémero, a vertigem egocêntrica e o menosprezo pelo tempo futuro são, infelizmente, atributos de um delírio dominante…

Por isso, a escolha é sua: renda-se à suposta segurança da tirania covidesca ou liberte-se por uma vida com risco, mas moral.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Uma versão em video com algumas adaptações de oralidade pode ser visto no Youtube, aqui.

O homem da bicicleta, eis o novo rei da cidade

23 Dezembro, 2020

Os peões ou estão devidamente sentados ou circulam lá longe. A cidade é das bicicletas!!! O Código da Estrada não se aplica aos ciclistas. Os peões, entricheirados entre os automóveis e as ciclovias, já nem aos passeios têm direito.

Eric Clapton e Van Morrison

20 Dezembro, 2020

Pedro Passos Coelho sobre casos SEF e TAP

18 Dezembro, 2020

Excertos da intervenção na conferência de hoje de celebração dos 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, fundador do Grupo CUF:

Jag bor i Reguengos de Monsaraz

18 Dezembro, 2020

Nos meios de comunicação social Portugueses, a ideia que passa é esta:

Entretanto consta que António Costa e Marta Temido mandaram de imediato instaurar um rigoroso inquérito sobre a situação dos lares de idosos na Suécia.

A confinada Graça Freitas mandou entretanto publicar todos os dados referentes ao número de casos covid19, internamentos e mortes com origem em estabelecimentos para idosos entre Kiruna e Trelleborg.

As autoridades portuguesas alertam ainda para a necessidade de se apurar as causas do excesso de mortalidade dos grupos etários mais idosos neste país escandinavo.

Por esclarecer fica também a razão de a Suécia ter uma esperança de vida superior à portuguesa e uma população em crescimento, pelo que o chefe do governo português não deixará de abordar o tema junto do seu homólogo sueco na próxima reunião da Internacional Socialista de que ambos fazem parte.

Da absoluta falta de vergonha

17 Dezembro, 2020

Francisco Ramos acusa Associação de Farmácias de ter sido “obstáculo” na vacina da gripe A exclusão das farmácias da primeira fase de vacinação contra a covid-19 foi justificada pelo coordenador da ‘task-force’ com o “erro” na vacina da gripe, acusando a Associação Nacional de Farmácias (ANF) de ter sido “obstáculo” ao sucesso

Há décadas que os portugueses se vacinam nas farmácias contra a gripe sem problemas . Este ano o ministério da Saúde quis chamar a si e aos centros de saúde essa tarefa. O resultado foi um falhanço estrondoso. O que diz o coordenador do plano de vacinação Covid e gestor do Hospital da Cruz Vermelha? que a culpa é das farmácias. Temos futuro ministro do governo0 socialista

O dilema das compras de Natal

16 Dezembro, 2020

Na sequência da patética conferência de imprensa de ontem do subdirector-geral de Saúde, apresentei no vídeo de hoje o dilema económico dos presentes de Natal.

As prendas são também sinais e, por isso, em tempos de paranoia covidesca incentivo a que se celebre a Ceia de Natal em família.

O video está aqui:

Tem a mona toda em geleia

16 Dezembro, 2020

Pelo que consegui perceber das declarações do senhor de bigode, aquele com uma dicção afectada de gays da velha guarda – não que tenha mal algum, atenção, que eu até tenho amigos que são -, é suposto entregarmos compotas e geleias em jardins e vãos de escada à hora de almoço em vez de ao jantar porque o vírus só ataca depois do chá das cinco.

Uma coisa já se conseguiu provar: coronavírus afecta mesmo a pinha de algumas aves raras das que temos a fortuna de nos regularem, lá de cima, enquanto pairam sobre as nossas cabeças.

Vamos deixar-nos da obscenidade de “A mãe é uma mulher, o pai é um homem”

16 Dezembro, 2020

Os bebés como toda a gente sabe são trazidos pelas cegonhas e distribuídos equitativamente pelas autoridades competentes mediante inscrição prévia e prova de situação fiscal regularizada

E as cegonhas, já pensaram nas cegonhas?

15 Dezembro, 2020

Observador: “A mãe é uma mulher, o pai é um homem”, decreta a emenda à Lei fundamental aprovada esta terça-feira pela assembleia húngara. Parlamento da Hungria adota pacote legislativo anti-comunidade LGBTI

Desculpem mas não percebo: sob o manto do estigma do ser anti-comunidade LGBTI a realidade passou a ser proibida. De repente afirmar “A mãe é uma mulher, o pai é um homem” tornou-se interdito.

Francisco vs Cecília

14 Dezembro, 2020

Li que no CDS há quem pressione Cecília Meireles (CM) para abandonar o Parlamento para dar lugar a Francisco Rodrigues dos Santos (FRS), sendo que estas manobras palacianas têm a aquiescência ou são mesmo instigadas pelo presidente do partido.
Apesar de nunca ter sido votante do CDS, tenho sentimentos contraditórios sobre o tema.

É uma fanfarronice de FRS, um desrespeito pelos eleitores que quiseram CM como deputada e uma desconsideração pela autonomia dos eleitos. FRS deveria pelo menos disfarçar que entende a Assembleia da República apenas como uma agência de comunicação que lhe possa ser útil para não perder o poleiro no seu partido nem estar destinado a resultados eleitorais trágicos, mas apenas péssimos para o CDS nas próximas eleições. Acresce que freudianamente revela uma atitude muito similar à de António Costa, ao querer ganhar na secretaria aquilo que para o qual não teve talento de conquistar em votos, ou seja, para Francisco ser hoje parlamentar.

Por outro lado seria uma excelente oportunidade de ficar ainda mais claro aos olhos de todos a inanidade, falta de maturidade e impreparação de FRS para político de mediana craveira. Apesar de passar a estar no Parlamento não lhe seria ainda assim reconhecida qualquer autoridade relevante nem na sua própria agremiação nem muito menos no país. O efeito seria ainda mais humilhante pelo facto de estas características de Francisco ficarem expostas num hemiciclo cuja composição é, na grande generalidade, de medíocre qualidade.

Ao contrário de Cecília Meireles que não é a melhor deputada à Assembleia da República por comparação com os actuais ocupantes das bancadas, mas sim das melhores em termos absolutos e tendo por referência as últimas décadas de parlamentares que passaram por São Bento.

Num mês de Dezembro, há 16 anos

14 Dezembro, 2020

Jorge Sampaio corria com Pedro Santana Lopes que contava com maioria absoluta no parlamento. Alguém sabe exactamente explicar porquê? Ah já sei era o regular funcionamento das instituições posto em causa porque se demitira o Ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação.

O péssimo não nos ilude

14 Dezembro, 2020

Nos últimos tempos tenho andado bastante alheado de crónicas. O factor mais relevante para esse afastamento é o desinteresse pela vida política nacional do último ano. Normalmente, criticar o governo é algo que faz sentido quando sentimos que conseguimos arranjar melhor, mas, nos últimos tempos, e apesar da catástrofe de dimensões bíblicas que é manter o PS do governo, não há qualquer outro que desejasse ver a desempenhar cargos de governação. Sinto-me como se a um paralítico em cadeira de rodas fosse dada como única alternativa de conforto a amputação das pernas: continuará em cadeira de rodas, só diminuirá inutilmente em volume.

Dir-me-ão que, decerto, nos novos partidos ou nos mais pequenos haverá gente que vale a pena apoiar, o que certamente será verdade. Porém, não sou dado a grandes batalhas épicas de David contra Golias, pois estas só são história nos raros casos em que o anão derrota o gigante, nunca nos incontáveis casos em que a natureza segue o seu curso e as coisas acontecem como têm que acontecer. Assim sendo, os culpados pelo meu desinteresse não são indivíduos como Cotrim Figueiredo ou André Ventura e sim os bonacheirões que tornaram o governo PS numa coisa semi-respeitável, ou, pelo menos, no mal menor. Refiro-me em específico à hibernação do PSD como partido de poder e à grande purga no CDS rumo à obsolescência. Enquanto estes dois não concluirem que têm nas mãos a criação da única base de alternativa ao governo PS – e refiro-me à base, não ao facto de virem a incluir as novas forças num bloco de apoio – não vejo alternativa a não ser participar na hibernação deste longo Inverno nacional. Enquanto assim for, que fique lá o Costa. É péssimo, mas, pelo menos, é um péssimo com o qual não nos iludimos.

direito de propriedade

13 Dezembro, 2020
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Às asneiras que este governo tem feito na TAP: O seu a seu dono, no Observador.