O milagre belga
A Bélgica atingiu os 840 mortos por Covid por milhão de residentes. Não há uma notícia sobre estes números. Não se sabe o que diz o governo da Bégica. Ninguém pergunta, ninguém quer saber.
O mundo mediaticamente falando está dividido entre os excêntricos loucos dos suecos (518 mortos por milhão), os vilões do Brasil (259 mortos por milhão) e dos EUA (383 mortos por milhão) e os bons ou seja aqueles que aconteça o que acontecer são mediaticamente poupados, como é manifestamente o caso belga
Igualdade na desgraça
If you’re not prepared to be wrong, you’ll never come up with anything original.
—Sir Ken Robinson
Aceitar os erros não é um traço admissível em Portugal, é uma falha de carácter, uma lacuna educativa, um defeito que marca para sempre o prevaricador numa “chicotada-psicológica” da qual não recuperará: uma cicatriz. O governo não está preparado para estar errado. Para estar certo, neste tipo de regime que consiste em assegurar que o país nunca sairá da cauda da Europa para manter a melancolia característica de quem sabe que nunca sairá da aldeia, o governo só tem que fazer uma coisa: agradar à massa de funcionários públicos e reformados do país. Não é só este governo, é qualquer governo desde que a demografia nacional tornou este no grupo que mantém a democracia cativa na eclésia dos privilégios.
Pelo que temos visto esta semana a partir das redacções de jornais onde estas pessoas se expressam, o que querem é “confinamento”. E se é “confinamento” que querem, é o que terão. Ao longo dos próximos dias continuarão negligentes os casos severos da Covid–19, mas as ditas “medidas de contenção” irão intensificar até que se enquadrarem minimamente com os desejos morais do eleitorado relevante inebriado pelo desejo de não ter que regressar ao trabalho em Setembro e Outubro, desde que continuem a receber salário.
Disseram que era uma “guerra contra o vírus”. Não é. É a batalha que inicia a guerra dos inevitáveis colapsos dos sistemas de previdência, uma Ilha de Páscoa no processo de extinção.
Nunca a repressão foi tão legitimada democraticamente. Ninguém está errado, porque ninguém está preparado para o estar. A Suécia armou-se em original e foi o que se viu. Quem quer ser original se podemos ser todos iguais na desgraça?
E os animais ficam no partido ou saem?
O Partido Pessoas-Animais-Natureza está em convulsão interna. Até agora só as pessoas se pronunciaram o que é manifestamente uma visão antropocêntrica da questão. Em respeito pela visão igualitária dos direitos dos animais versus os dos humanos defendida pelo PAN urge que os animais tomem posição,
Apartheid (este é do bom!)
O Civismo
Apesar da evidente desagregação do papel do catolicismo nas sociedades ocidentais, levando à conclusão de que a morte de Deus origina a substituição da angústia existencial por ideologias fracas, muitos comentadores parecem ainda não ter percebido que todas essas ideologias também já se desagregaram e caíram por terra como palha seca. É inútil falar do socialismo, do comunismo, do liberalismo ou de qualquer outro -ismo nas sociedades ocidentais. Já passamos essa fase, retendo simplesmente a simbologia, como acontece sempre, relegando todos os -ismos, incluindo os religiosos, para o domínio meramente mitológico.
Agora não há -ismos, como se verifica com a inversão permanente de conceitos entre o que os que se identificam com tais epítetos. É o fascismo, é o socialismo, é o comunismo… meras tentativas de insulto, mas palavras ocas no pragmatismo higiénico dos nossos dias.
As sociedades ocidentais caminharam para um regime que se pode considerar, à falta de melhor palavra, para o “civismo”, uma doutrina que eleva o estado para o papel do Deus morto e os seus agentes, sob a forma de governantes, a profetas do zelo comunitário para que todos caminhem no mesmo sentido. Por isso há tão poucas diferenças entre partidos e o que defendem. Aliás, em Portugal, se há algo que os une é o repúdio a essa reminiscência da plebe desbocada sob forma de André Ventura.
Uma oligarquia de castos, virtuosos, pastores da moral, prontos a impor o civismo através da educação, das notícias, dos julgamentos de carácter e da incapacidade dos rebeldes em se enquadrarem nas tribos identitárias fomentadas pelas ferramentas de dopamina das redes sociais. Uma espécie de humanismo higiénico de estado.
Não é de admirar que um pequeno evento como o Covid seja suficiente para se extrapolar esse puritanismo-cidadão a todo o mundo ocidental de uma só leva. Resistir é possível, mas requer muita coragem: é preciso sair e ir comer farturas bem fritas e a transbordar de açúcar aos arraiais. Daí que não seja de admirar que sejam os primeiros a serem banidos, perante o aplauso dos recém-formados cívicos.
A guerra
Talvez por deformação profissional, as vozes contra este selvático “confinamento” direccionado para estabelecimentos nocturnos e festas populares continuam a incidir no desastre económico que se avizinha. Alguns mencionam o desastre na educação, como se fosse possível sentir-se qualquer degradação acrescida no já há muito estéril e minado campo educativo. Fora esses, os do economês, ainda há uns puritanos com noções estéticas de etiqueta saídas de um livro da Paula Bobone alegres pela faux-islamização dos costumes, mas mais nada (estes pertencem às religiões animalistas, vegan, “drugs are bad” e outros cultos ainda menores de Instagram: são para ignorar sem contemplações).
A crise económica é completamente irrelevante no contexto actual. Por muitas famílias que vejam o seu rendimento diminuído ou completamente suspenso, por muito desemprego ou por muitos encerramentos das pequenas empresas – a massa do ex-Cavaquistão – que existam, nada se compara à crise moral que a Europa e particularmente países como Portugal criaram para si próprios. Dos que após esta auto-flagelação fossem ainda capazes de investir, quem seria louco o suficiente para o fazer sabendo que a qualquer altura lhe podem fechar o negócio por tempo indeterminado alegando “razões sanitárias” e “estados de emergência”? Depois de aberta esta porta do puritanismo/bem-comum, ninguém a volta a fechar. Só a economia informal poderá mexer com seja o que for.
Portanto, razão tinha a tia de Cascais da DGS (talvez não seja de Cascais, mas o arquétipo é conhecido) ao sugerir pedirem umas couves ao amigo que têm a horta. Talvez pedir não seja o termo adequado, talvez surrupiar ao velho estilo socrático seja mais adequado (“esta couve não é minha, é de um amigo”), mas tinha razão na mesma. Quem continua a ver a crise como meramente económica julga que isto é um interruptor que se liga para confinar e, desligando-o, tudo volta ao pachorrento normal de recuperação do tempo perdido, com as devidas reestruturações, “destruição criativa”, etc. Não é. O interruptor ligou-se, não se volta a desligar. O curto-circuito está estabelecido. Só um evento do tipo bélico ou de semelhante desgraça fará esquecer a “era do confinamento”. Qualquer outra coisa, sejam barragens de dinheiro europeu, sejam as selfies deste presidente ou de outro qualquer pronto a lançar um grande programa de investimento público numa renovada Parque Escolar de nada servirão para reorganizar as sinapses estabelecidas com a declarada “guerra ao vírus”.
Compraram a guerra, agora defendam-se dela com unhas e dentes. Ou não.
Pizza grátis!
Os surtos de coronavírus suceder-se-ão em todos os locais que sejam para fechar. Será na igreja, na tourada, em sítios onde se consuma álcool, em escolas privadas, em equipamentos desportivos, em praias e em associações meritórias como as de ajuda a sem-abrigo, esfomeados e vítimas variadas das políticas moralistas do MEP-puritanismo azeiteiro que assola todo o espectro social nacional.
Onde nunca surgirão surtos de coronavírus é nas redacções de jornais dos bons, nos canais de notícias 24/7, nas manifestações da CGTP, nos espectáculos dos polidores do regime, nos bordéis onde os pensadores se deleitam com os vícios pecaminosos da antiga burguesia e em qualquer sítio onde esteja o primeiro-ministro ou o presidente.
Também já só come quem quer.
É a fé que nos condena
Já se escreveram milhares de linhas sobre ajuntamentos permitidos e ajuntamentos proibidos. As pessoas tentam racionalizar o irracional, umas optando pela versão “são recomendações, não são imposições” – facilmente desmentidas pelas prometidas multas -, outras ainda optando pela versão “é para nosso bem” com a arrogância de quem tem a certeza do que é o bem para outros.
O único partido que se tem demonstrado minimamente liberal durante todo este “regime de excepção” é o PCP. Em primeiro lugar, porque tudo é regime de excepção: se posso transformar um evento em justificação para excepção, nada impede que torne qualquer outro; em segundo lugar, porque não se sujeita à conformidade em cada pinga de guano governamental.
A proibição de consumo de álcool na rua é uma determinação moral. Não tem qualquer justificação sanitária, só a argumentação de que se pode condicionar o comportamento dos jovens através da lei seca. O fecho às 20h00 da loja de cosméticos também não tem qualquer justificação sanitária, só a de favorecer a virtude elitista de que baixa burguesia que use maquiagem é o mesmo que ver um porco com batom.
Já nada disto tem que ver com o coronavírus. Agora já só tem a ver com a fase de elevação do controlo à religião de estado. Já diziam os antigos: é a fé que nos salva. Ou, neste caso, que nos condena.
Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e Governo decidiram em reunião a implementação de novas medidas de combate à Covid 19, em vigor a partir das 00h de hoje:
📌proibidos ajuntamentos com mais de 10 pessoas
Como disse senhor primeiro-ministro?
Mulatas
As imagens abaixo são auto-esclarecedoras da alucinação neo-fascista dos actuais anti-racistas e feministas.


O estado da nação é igual ao de sempre, só notando-se mais. Resumindo: um indivíduo, acaso presidente da república popular, vem espingardar que é preciso “medidas mais duras” para pessoas das que se deixam controlar (filiem-se em sindicato da CGTP); o bobo da corte em funções vem logo dizer que concorda, que é preciso proibir ajuntamentos dos que ele não tenciona frequentar e punir esses que não são da CGTP, para o bem de todos (leia-se: de ninguém); a polícia diz que não tem bastões suficientemente fortes para dispersar as multidões que o crescente revivalismo da tradição de bufaria faz denunciar diligentemente; o autarca da cidade com tradição de desfiles de Carnaval em biquini no mês de Fevereiro vem exigir um cerco sanitário à volta de Lisboa (eu concordo, desde que seja para sempre e em ocasião do Rui Moreira estar de visita) e, mesmo com cachimbos de crack gratuitos, os idosos continuam sem poder frequentar centros de dia, limitando-se à morte lenta em casa, mas – Deus nos livre – sem Covid, só com uma faca nos pulsos; entretanto, um não sei quê da polícia já veio dizer – ouvi no rádio – que a polícia afinal tem meios para acusar gente que se junta de “crime de desobediência” se não dispersarem perante a arrogância pacóvia dos tipos de uniforme perante pessoas que se limitam a existir.
Enquanto decorre isto, pessoas andam entretidas a deliberar se o Chega é ou não é de extrema-direita, isto é, se são daqueles que no poder andariam aí feitos filhos de putas a limitar os direitos de circulação e livre associação dos cidadãos.
E não há um dilúvio que purifique isto.
É o que temos
O João Miguel Tavares chama a atenção para a memória selectiva de Miguel Sousa Tavares: «No seu texto desta semana no “Expresso”, Miguel Sousa Tavares estabelece o seu ranking pessoal dos piores políticos da democracia portuguesa. Os dois primeiros lugares do pódio vão para Cavaco Silva e Durão Barroso. É impressão minha ou falta ali alguém?»

Sinalética contra festas ilegais

Verão: quando é que deixámos de acreditar que a vida sorri?
Deve ter sido dos corantes e conservantes. Ou da falta deles. Só sei que nos verões dos anos 80 a vida sorria. Sorria mesmo. Comêssemos ou não os gelados que nos garantiam que ela, a vida, sorria. Da SIDA às discriminações, tudo se ia resolver. De facto nós acreditávamos não só que a vida ia ser melhor como que o seu desenho era o de uma curva ascendente a caminho do bem estar, da liberdade e do fim das injustiças. Havia caminhos diferentes para atingir tudo isso mas era certo que lá chegaríamos.
Deixámos de acreditar que a vida sorri porque deixámos de nos indignar com o autoritarismo e a mediocridade? Ou terá sido ao contrário? Não sei mas sei que alguma coisa aconteceu para que aceitemos com resignação dias como os que acabamos de viver. Dias de Socialismo, pimba e futebol
Bem-vindo ao Verão
Quando me explicaram que era para achatar a curva, eu, feito burro, acreditei. Parecia tão simples: um vírus terrível que acabará por nos afectar a todos a fazer com que precisássemos de medidas extraordinárias para que a infecção fosse faseada no tempo, não atingindo todos de uma vez só, de forma a que os hospitais não entrassem em ruptura. Estava bem engendrado. Pelo menos, eu acreditei.
Algures connosco enfiados em casa, eis que vem o anúncio da “guerra ao vírus”. “Estamos em guerra”! “Isto é uma guerra”! Mudaram o discurso: passou de uma inevitabilidade para algo que iria ser combatido, algo que dependia de um Dia D, de um evento libertador que confinaria o vírus ao suicídio num bunker em Berlim.
Agora, há festas ilegais. Não há São João: é proibido. Dez pessoas na rua é uma manifestação subversiva, excepto se for da CGTP. Retirando o formalismo da expressão, dia 23 há recolher obrigatório, com todos os estabelecimentos encerrados até às 19h00 sob risco de… não sei. Uns indivíduos foram detidos por tossirem à polícia, pelo que nem imagino o que aconteceria perante um arroto.
A CMTV mostra pessoas a fazerem rituais satânicos como dançar ou – o ultraje – a tomarem café em bombas de gasolina a menos de 1,77 metros do seu semelhante. Apetece-me convida-los para 20 minutos num motel à beira da estrada, mas lembro-me do regresso do código de Hays e de como tudo que não seja para instagramar é pornográfico. Decapitar estátuas, sim; beijar a actriz, não.
E o Verão ainda nem começou.
Sobre o meu direito a dizer que sois todos umas bestas
Uma sociedade liberal tem por base o princípio basilar do direito de expressão. Com o direito de expressão vem o direito individual de pessoas se sentirem ofendidas com o que foi dito e, com ele, o direito a expressarem ideias contrárias. O que não vem nunca é o direito a proibir ideias ou simples aglutinações de palavras, por muito aberrantes que possam ser as interpretações para a vasta maioria da população.
O nome deste blogue diz isso mesmo. A blasfémia é um direito basilar de uma sociedade liberal. A defesa de ideias consideradas heréticas, seja por quem for, em forma de cartaz ou outra, é um bem essencial que, apenas secundado pelo direito à subsistência do corpo, deve ser defendido por todos que defendem a democracia liberal.
Houve uma certa polémica nos meios do costume pelas afirmações de Ricardo Araújo Pereira sobre o cartaz “polícia bom é polícia morto”. Todavia, indignações à parte, o humorista não afirmou mais que uma lapalissada: independentemente das considerações que se possam fazer sobre quem ergue um cartaz com esse tipo de mensagem, o cartaz é perfeitamente admissível numa sociedade liberal.
A polémica em que JK Rowling se viu metida, ao expressar espanto pelo uso da expressão “pessoas que menstruam” para designar o que mais de 99% do planeta designa por “mulheres”, não tem qualquer razão de ser, tal como não tem qualquer razão de ser que alguém seja impedido de usar a expressão “pessoas que menstruam” ou “humanos desprovidos de pénis”.
Algumas pessoas poderão considerar – e estão no seu direito – que esta é uma reflexão fofinha, daquelas a que normalmente se atribuem termos derrogatórios como “direita Haddad”, mas estão enganadas – e tenho o direito de o dizer: defender a liberdade de expressão nesta era de um perigoso neo-puritanismo induzido por moralidade de estado é a coisa mais subversiva que se pode fazer.
Nenhum partido das diferentes facções da democracia liberal deveria perder tempo com algo acessório enquanto a liberdade de expressão está sob ataque cerrado, nomeadamente por empresas como o Twitter ou, no caso acima citado, pela Hachette, a editora que imbecilmente rejeitou a autobiografia de Woody Allen para ficar bem aos olhos de mileniais estúpidos e Gen Y amargas em luta contra a sua sexualidade. Por muito problemático que seja manter escolas fechadas (apesar do ano lectivo estar a terminar, coisa que até já deveria ter acontecido em algumas escolas), isso é meramente tropical perante a aceitação generalizada de que há coisas que não devem ser ditas. Estamos num péssimo caminho, que pese em boa hora encaminhar para o colapso económico, nos levará a uma crise bem mais difícil de superar: a do colapso da liberdade como valor fundamental.
Pacto ecológico pós-covid
Parece que a SONAE faz parte de um grupo de empresas cujos dirigentes acham que “mais de metade do PIB mundial está exposto moderado ou severamente a riscos associados à diminuição dos recursos naturais“.
A realidade é no entanto diferente: nunca como noutra época histórica os recursos foram tão abundantes, nunca houve tanta eficiência no seu uso e nunca tivemos acesso a tantos bens alternativos e substitutos para satisfazer as mesmas e novas necessidades.
Acresce que a probabilidade de o Homem nem sequer ter descoberto ainda todos os recursos que tem à sua disposição é próxima da certeza. E que com a sua criatividade e inovação será capaz, como sempre no passado, de encontrar outras e mais combinações dos átomos que o planeta coloca à sua disposição.
Por mim as empresas que façam o que bem entenderem com o capital dos seus accionistas, mas quando assinam manifestos públicos e apelam aos governos que contribuam para a “implementação do Pacto Ecológico Europeu no contexto da reativação económica da Europa pós-Covid” sei que estas tentativas de demonstração de virtude e discursos Greta-like acabarão por surripiar mais do meu dinheiro via impostos e/ou pelo repassar de custos para o consumidor por via de preços mais elevados.
Passo.
A história enquanto libertação para o futuro
Paulo Tunhas, a ler hoje no Observador.
A memória é egocêntrica e define a identidade dos indivíduos ou dos grupos. A história, por sua vez, conduz ao descentramento e à distância, nomeadamente à distância para com o passado, visto como um objecto independente de nós.
A redução da história à memória conduz à alucinação do passado no presente, isto é, desrealiza o passado enquanto passado. A partir daqui tudo é possível. Passa-se da história para o mito.
Texto integral aqui.
Tenho saudades dos maricas
Sim, leu bem. Saudades dos maricas, de bichas, de abafa-palhinhas, de paneleiros, de fufas, veados, sapatonas… Eram pessoas boas, das que não andavam aí a impor normas, só a defenderem a liberdade individual de os deixarem em paz sem julgamentos colectivos. Eram pessoas com dúvidas, com angústias sobre se o seu estilo de vida notoriamente fora da norma podia ser compatível com o culto religioso e com uma salutar convivência com a família. Eram defensores acérrimos da liberdade individual e do extraordinário direito a não ser julgado por ninguém na sua vida pessoal.
Agora só temos LGBT(x)s chatos, puritanos, massacradores da realidade. Os velhos não andavam aí a “desafiar normas”: entendiam perfeitamente que o estado default de qualquer animal é o da heterossexualidade, pelo que compreendiam serem eles os fora da moda social, os marginais. Aceitavam a marginalidade, não impunham ficções sobre a normalidade.
Eu também sou um marginal. Também não me enquadro na pasmaceira do centrão progressista nem no aberrante saudosismo romântico de um liberalismo utópico ou no tosco conceito idílico da fada-do-lar. Eu sou um perfeito paneleiro político. Um bicha social que rejeita os -ismos todos. Mas, garanto, um LGBT(x)s é que não sou.
Precisamos de mais marginais. De sistémicos está o inferno cheio.
Porno hardcore de 5a categoria
Comparado com isto que se segue, fica claro que John Holmes era um senhor, um homem de classe que respeitava as pessoas e se dava ao respeito.
“Esta final das Champions em Portugal é um caso único e irrepetível que não tem preço”.
“Portugal é recompensado pela situação notável que se verifica no Serviço Nacional de Saúde em termos de internamentos, e de internamentos em cuidados intensivos sem forjar números e mantendo a transparência”.
“Nós mostramos tudo isto ao mundo. Portanto, Portugal vence pelos seus méritos passados e pela sua transparência presente, ou seja, pelo mérito do SNS, dos profissionais de saúde e dos portugueses”.
“Portugal tem autoridade moral pela forma como conduziu o combate à pandemia.”
“Pude testemunhar o entusiasmo com que o senhor Primeiro-ministro e a sua equipa governamental acompanharam esta campanha.”
“Não era possível por de pé o que vai ser posto de pé em tempo recorde sem a participação do ministro da Educação, sempre apoiado pelo secretário de Estado do Desporto e da Juventude, sem a intervenção do senhor ministro de Estado e da Economia e, para a criação das condições de saúde com delegações tão numerosas como as que cá vêm, sem a senhora ministra da Saúde”
“Os portugueses merecem o que vão ter em Agosto e é um orgulho para o Presidente da República Portuguesa ser testemunha de mais este triunfo de Portugal”.
Nota: declarações de Marcelo Rebelo de Sousa numa “cerimónia” nos jardins do Palácio de Belém com António Costa, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Medina e diversos membros do Governo, a propósito da escolha da UEFA de que a fase final da Liga dos Campeões se realize em Lisboa em Agosto.

A oligarquia não se chamusca
Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, sobre as responsabilidades da tragédia de Pedrógão:
“Até o próprio facto de o apuramento das responsabilidades, que acaba por abarcar de uma forma ou de outra responsáveis locais, sem que se possa dizer em homenagem ao estado de direito que alguém possa ser condenado antes de um trânsito definitivo de uma decisão judicial sobre a matéria, (…) tudo isso também complica uma mudança que seria sempre difícil e que desejaríamos mas mais rápida.”
Portanto, a oligarquia que comanda o Estado central não se Chamusca chamusca.
Fact check o vosso rabo – vejam se ainda lá está
Podia ser cínico e dizer que os tumultos em França não interessam nada olhando para os média nacionais. Porém, isso não seria cinismo, seria só constatar um facto irrefutável (contudo, haja quem tente, para ocupar os dedos, que a cabeça já se foi). Apesar de existir boa opinião publicada, no que diz respeito às redacções seria mais útil serem todas substituídas pelo gabinete de imprensa do primeiro-ministro.
O fantasma do politicamente correcto (o original já morreu, aquele que até nem era necessariamente uma coisa perversa) deu lugar ao insidioso “vou dizer-te exactamente o que é a verdade” dos Polígrafos e de outros mentirosos profissionais. O mais que ilegítimo direito a não ser ofendido rapidamente se tornou no dever a não ofender, uma impossibilidade material. Se um indivíduo se pode ofender com uma parede de tijolo, a única forma de assegurar que não se ofende ninguém é estando caladinho. É exactamente para que você esteja caladinho que existe o “fact checking” contra “fake news” e outras expressões de quase inglês que quem dera terem ocorrido ao Orwell.
Respeitinho o caraças. Ou recuperais – todos, vós todos – os tomatinhos muito rapidamente e dizeis o que vos passar pela cabeça sem contemplações pelo idiota que irá “sentir no seu íntimo grande ofensa” pela opinião alheia ou, em alternativa, calai-vos todos para sempre. E, já agora, sempre que vos ocorrer a ideia de fazer um boicote, optai por quem vos manda estar caladinho em vez dessas ideias mirabolantes de viver de amor e uma cabana na praia que os instagrams, os facebooks e os polígrafos vos alimentam.
Como nota de rodapé, para os mais técnicos, desde sempre que tenho um ficheiro hosts que resolve o endereço poligrafo.pt para youporn.com. Isto porque gosto que a pornografia que consumo seja minimamente decente.
É só um velho português a ser chicoteado pelo filho
Não é um cão. Se fosse um cão as redes sociais ferveriam agora de indignação.
Não é um afroamericano a ser agredido pela polícia pois se fosse já saberíamos o nome do agressor.
Não faz parte de uma minoria a ser alvo de uma agressão daquelas logo rotuladas.
É só um velho a ser chicoteado.
Há pouco mais de um ano um homem de 83 anos foi agredido e depois obrigado a entrar nu num contentor subterrâneo de lixo. Aconteceu em Ribamar, Mafra. O que aconteceu depois? Houve apuramento das responsabilidades? Julgamento?
Se em vez de velhos fossem cães…
E agora como vai ser?
Adeus, Google
Primeiro, tive que dizer adeus ao Twitter. Senti-me melhor, pelo que recomendo a todas as pessoas que o façam, nem que para o efeito optem por outros estimulantes, como cocaína.
Depois, tive que dizer adeus à HBO. Não é que tenham más séries, só péssimas decisões de marketing contrárias ao espírito original do serviço, como “contextualizar” filmes para que eu saiba que já não posso possuir um escravo para abusar, que o privilégio de ter escravos está apenas reservado às empresas de redes sociais e big data.
Agora, tive que dizer adeus à Google. Já estava um bocado farto do mundo de fantasia que gostavam de criar, como sugerirem perante uma pesquisa “European couple” mais de metade dos resultados com homens negros, algo que não me ajuda em nada a encontrar uma imagem para publicitar um centro de dia para idosos, talvez útil apenas para uma agência de viagens para mulheres solteironas de meia-idade em busca de férias na Jamaica. Não sei exactamente qual é a noção de normalidade do Google, mas a minha é baseada naquilo que mais represente a moda, não a versão idílica da distopia dos resultados. No momento em que todos os PM britânicos têm direito a fotografia menos um deles, soube que aquilo não é para mim.

E sim, se for para cancelar todos os serviços até me tornar ermita ludita, que seja. Ainda tenho os livros não censurados, como o Twain com os “nigger” e o Gil Vicente com o parvo, o tal que teve acesso ao paraíso por, ao contrário destas empresas tecnológicas, ser desprovido de malícia.
Os fascistas de hoje chamarão a si mesmos anti-fascistas
Começo a ter profundas saudades de um tempo em que as mulheres podiam ser mulheres e gostar de tudo o que entendessem. Ficar em casa a tomar conta da família ou trabalhar fora a ajudar o marido. Fazer carreira ou simplesmente não fazer absolutamente nada. De querer ter uma família patriarcal, monoparental ou não ter família nenhuma. Sem pressões. Sem rótulos. Em total liberdade de escolha e não por imposição.
Tenho saudades do tal piropo que fazia parte do engate e a quantidade de piropos que conseguíamos arrancar dizia-nos tudo sobre o nosso “sex apeal”. E ninguém via “assédio sexual” nisso.
Da nostalgia dos tempos de elegância da mulher e do homem. Do glamour. E não da valorização do maltrapilho e desleixo. Do Festival da canção que era mesmo da canção e não da aberração com letras parvas. Dos Globos de Ouro que eram do cinema e não da imposição da agenda política “progressista”. Dos sexos definidos pela natureza e não por uma ideologia que criou uma miscelânea de mais 71 géneros de coisa nenhuma.
Saudades das escolas ordeiras, sem violência, sem sinais de vandalismo, sem armas brancas, sem tráfico nem consumo de drogas. Onde o ensino era rigoroso e só se passava por mérito. Onde a escola era para aprender – a 4ª classe valia mais do que hoje o 10º ano – porque a educação, da boa, já vinha de casa, e se algum aluno se esquecesse de respeitar um colega, um funcionário ou a professora, levava uma valente sova ao chegar a casa.
Do respeito pelos mais velhos, da cultura do cuidar dos mais fracos e da solidariedade pelo próximo que era ensinada desde cedo com o exemplo dos próprios pais a cuidarem dos seus entes e a darem esmola a quem precisava sem pedirem nada em troca.
Da transmissão de valores que vinha do berço. Da valorização do trabalho como forma de independência. Da não vitimização por não ter mas antes aprender a aceitar as adversidades lutando para conquistar. Frustrar e privar para dar valor ao que se tem. Das palmadas de amor em criança birrenta. Das boas maneiras que se não as respeitássemos levávamos um carolo logo ali sem que os pais fossem presos. Onde não se retiravam crianças aos pais por serem pobres menos ainda por corrigir com um tabefe. Da noção dos nossos deveres muito antes dos direitos.
De um tempo em que as sociedades eram mais sustentáveis porque nos era ensinado a valorizar tudo o que tínhamos. Onde nos negavam quase tudo para termos apenas o essencial que era preciso estimar para durar muito. Porque o consumismo era desperdício e poupar era a palavra de ordem que levávamos muito a sério a vida toda.
De um tempo em que havia ordem pública e segurança. Onde não se batia em policias, médicos, enfermeiros, professores ou juízes. Onde os criminosos não eram desresponsabilizados, nem vitimizados e muito menos tratados como hospedes em cadeias.
De um tempo em que as pessoas viviam mais remediadas mas mais livres. O que tinham era delas e não dos bancos. Havia menos depressões, menos ilusões, menos bancarrota pessoal. Eram genuinamente mais felizes. Não ambicionavam o que não podiam alcançar e eram gratas por tudo o que tinham. Sabiam que era com trabalho que conquistavam os sonhos, que ninguém lhes daria nada sem esforço por isso trabalhava-se desde cedo para alcançar objectivos. Ninguém vivia à sombra de ninguém.
Era assim no tempo dos meus bisavós, avós, pais e depois no meu, mas em poucas décadas transformou-se nesta ditadura de desconstrução social por uma falsa liberdade onde só podemos ser o que eles consideram ser correcto e o correcto não é ser-se defensor de valores.
Se não estivermos de acordo, ofendem-se, ostracizam. Porque hoje tudo é ofensa. Tudo é racismo. Tudo é extremismo de direita. Tudo é homofobia. Tudo é xenofobismo. Tudo é violação ou assédio sexual. Tudo é crime. A menos, claro, que se esteja do lado do criminoso ou do ofendido ou da agenda progressista de desconstrução social.
Tudo o que outrora era uma sociedade de valores defendida por pessoas de bem, hoje é “fascismo” quando é a própria sociedade destes intolerantes que não percebe o fascismo deste comportamento doentio de imposição do pensamento único. Que não percebe que há mais liberdade numa sociedade defensora de valores que numa ditadura social de pensamento único.
A direita, ai a direita
Esta coisa da “direita” cansou-me. Esgotou-me e tornou-me misantropo, o que também pode ser motivo para agradecimento. E cansou-me porque querer nunca quer nada para si própria, só para os outros, coitadinhos, incapazes de lutarem eles próprios pelo que querem. Eu passo a explicar:
“É preciso casamento gay, mas não é para mim – Deus me livre! – é para quem tiver o infortúnio de não ser tão viril quanto eu”.
“É preciso aborto, mas não é para mim, é para quem não consegue engolir a pílula do dia seguinte porque não há aulas práticas de educação sexual”.
“É preciso liberalizar drogas, mas não é para mim, que já acho que a comida tem toda sal a mais, é para um amigo, coitado”.
“É preciso eutanásia, mas não é para mim, é para os desgraçadinhos como o Ramón Sampedro (pista: ele já não precisa)”.
“É preciso prostituição de montra, com factura, tudo legal, com IVA e pagamento de IRS, mas não é para mim, é para pessoas estúpidas que pretendem trocar um chulo pelo estado”.
“É preciso programas escolares adequados, mas não é para mim, é para os pobres que têm que frequentar escolas públicas; para mim só os livros ‘grátis’, se faz favor”.
“É preciso não mencionar a guerra/as estátuas pintadas/a maioria dos assuntos, porque enquanto houver uma criança da Palestina descalça não nos podemos focar em assuntos pouco importantes”.
Feitas as contas, a “direita” é tal e qual o Sócrates. Razão tinha ele: o líder que a direita sempre quis. Se bem que o computador Magalhães teve um nome dado por um racista (a sério, devia ser, e se não era ele que se queixe ou passa a ser).
A Soeiro Pereira Gomes traz a casa?
Precisa-se: manjericos com bandeirinhas do PCP e quadras de canções de vanguarda. Fitas com o símbolo da CGTP. Fogareiros de preferência com símbolos da URSS.
Camões, salva-nos desta apagada e vil tristeza
Aquela cativa Que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que pera meus olhos Fosse mais fermosa. Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular, Olhos sossegados, Pretos e cansados, Mas não de matar. U~a graça viva, Que neles lhe mora, Pera ser senhora De quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde opinião Que os louros são belos. Pretidão de Amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão, Que o siso acompanha; Bem parece estranha, Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim, descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo; E. pois nela vivo, É força que viva.
É só um rim, não é preciso dramatizar
São só umas estátuas. Não é preciso dramatizarmos um bocado de tinta num pedaço de metal enquanto coisas importantes acontecem no mundo, desde as calotas polares à extinção do caranguejo malhado da Somália.
São só pessoas que fogem à guerra: não é preciso dramatizarmos uma ou outra sueca violada aos dezasseis enquanto homens brancos de origem católica dão um estalo à mulher em Bragança.
São só manifestações contra o racismo. Não é preciso dramatizarmos enquanto o capitalismo desenfreado nos escraviza para comprarmos o mais recente telefone com o qual nos organizamos para o festim artístico de pichar estátuas.
São só meses de obrigação de ficar em casa a tornar crianças em bichos prontos para a revolução: não é preciso dramatizarmos enquanto no Darfur houver uma criança sem sapatos.
É só um episódio hilariante do Fawlty Towers: não é preciso dramatizarmos como se o Costa Ribas tivesse sido levado em camisa de forças para a cela onde o labirinto da sua mente poderia encontrar a paz necessária.
É só uma Joacine: não é preciso dramatizarmos como se uma doida o pudesse ser se dotada da pigmentação correcta.
É só Notre Dame: não é preciso dramatizarmos como se todas as igrejas tivessem sofrido um lamentável acidente precisamente na era dos mestrados em segurança e higiene no trabalho, mesmo que tenha sobrevivido nos tempos em que éramos uns brutos iletrados.
É só eutanásia para quem quer: não é preciso dramatizar como se de repente fosse possível assegurar que velhos ficam deprimidos por sozinhos em casa sem ver familiares para sua própria protecção.
São só uns judeus/ucranianos/polacos/chinocas do Camboja/arménios turcos/tutsis/sérvios/argelinos/tribos brasileiras/hutus/curdos/…: não é preciso dramatizar enquanto andar por aí o perigo de um André Ventura sem prometer que acaba imediatamente com a tourada.
É só a avó: não é preciso dramatizar como se fosse alguém produtivo dos que não andam aí a dar despesa.
A cidade entregue aos bárbaros

Época da colheita
Eu entendo os “protestos” que consistem em vandalizar estátuas como a do Padre António Vieira. Entendo: acontecem porque não acontece nada aos vândalos. Estou perfeitamente convencido que não aconteceriam se uma pessoa comum, ao assistir ao espectáculo, reagisse com um pequeno tiro na testa do perpetrador. Contudo, como as pessoas comuns não andam aí a dar tiros a filhos da puta, não há incentivo para que a festa termine. Como tal, você e eu já perdemos a guerra. Agora é sentar e comer o que se semeou.
No site da Rádio Renascença lê-se esta extraordinária prosa: «Estátuas, filmes e programas removidos. Revolução antirracista ganha força» O texto segue neste estilo “amanhã que canta”: «Nos Estados Unidos, uma estátua do navegador italiano Cristóvão Colombo foi derrubada e atirada a um lago, em Richmond, Virgínia. (…) Colombo, celebrado pelos seus feitos enquanto explorador, também foi colonizador, tendo sido responsável pela escravização e morte de populações indígenas.»…
Que Deus acuda aos senhores bispos pois já morreu o almirante Pinheiro de Azevedo que lhes resolveu o problema da outra vez em que a revolução ganhou força por aquelas pias bandas.

As últimas notícias da presente Revolução Cultural
Este é o esquema de segurança montado em torno da casa de Pablo Iglesias e Irene Montero, líderes do Podemos. Os tais que diziam que a polícia eram “matones al servicio de los ricos” e agora dispôem de uma segurança para lá de musculada.
As propostas de tirar os polícias das ruas acabam com a casta do regime, a tal que é contra a polícia, com as suas casas guardadas para lá do que é habitual. Os outros ficam entregues a si mesmos e à barbárie.
O actual conflito de gerações
André Abrantes Amaral «É uma guerra civil, de cariz cultural, que teve início nas universidades e chegou a jornais, como o NYT, porque os seus protagonistas já não são estudantes e começaram a ocupar lugares de destaque na democracia norte-americana. A guerra civil que Weiss descreve estar a acontecer no NYT tornou-se evidente nestes dias depois da demissão do director de opinião daquele jornal, James Bennet. Bennet demitiu-se por ter permitido a publicação online de um artigo de opinião, no qual o senador republicano Tom Cotton defendia o envio dos militares para rua para pôr termo às manifestações violentas que estão a ter lugar nos EUA. Bennet foi forçado a proibir a publicação do artigo na versão em papel do jornal e, por fim, não teve outra alternativa que não demitir-se. De acordo com Weiss o que sucedeu foi algo para que já vinha a alertar há muito tempo mas que esperava que levasse anos e não dias a concretizar-se: a chegada ao poder dos activistas que dominaram os debates universitários nos últimos anos.»
Descubra o sem-abrigo
Onde estão os carenciados a que o tal centro de apoio aos sem-abrigo, carenciados dava apoio? Há mais fotos aqui.
A mensagem política que tenho para dar
PÚBLICO: Seguranças tentam despejar ocupantes que criaram centro social em Lisboa
… Na linguagem da Lusa e das redacções os ocupas são invariavelmente apresentados como estando a dinamizar centros de apoio a sem abrigo, migrantes, vítimas disto e daquilo. Isto no início para legitimar o roubo. Depois são só ocupas por umas coisas vagamente culturais. Depois nem isso. Num país onde são necessárias licenças para tudo e mais alguma coisa (até para colocar vasos de flores nas entradas dos edifícios) vistorias, inspecções… umas criaturas ocupam um prédio em ruínas e automaticamente passa a funcionar ali um centro de apoio aos sem-abrigo. Onde estão as normas de segurança e higiene que se aplicam aos outros? E a metodologia, sim a metodologia? Recordo que em 2016 funcionava precisamente em Arroios, no Largo de Santa Bárbara, um Núcleo de Apoio Local com o objetivo de apoiar pessoas sem-abrigo, disponibilizando refeições de pequeno-almoço, almoço e jantar, bem como “todo o acompanhamento social e inserção no mercado de trabalho”. O equipamento estava a apoiar diariamente cerca de 35 sem-abrigo. A gerir o espaço, cedido pela Câmara de Lisboa, rstava o Centro Social e Paroquial de São Jorge de Arroios.
Ora em 2016, a CML deixou de apoiar este projecto. Porquê? Porque “há uma metodologia de trabalho do centro paroquial que não se coaduna com o programa municipal de apoio aos sem-abrigo da Câmara Municipal de Lisboa e, aparentemente, não resolúvel” – explicou um vereador dos Direitos Sociais, João Afonso de seu nome.
Agora em 2020, temos a malta do Bloco a tentar que a sua governamentalização não a faça perder as franjas mais enérgicas do seu eleitorado partindo para a ocupação-dinamização de prédios que aguardam pro licenciamento de recuperação na mesma CML onde o Bloco manda. Como se vê é uma questão de metodologia!











