Uma pessoa sabe que vive maus tempos quando as fotografias de culinária caem no campo de pecado

Títulos militantes
730 anos de história para isto…
“A Universidade de Coimbra (UC) vai eliminar o consumo de carne de vaca nas cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020, anunciou hoje o reitor, Amílcar Falcão.”
Vai-se a vaca e fica o falcão.
Paradoxalmente será o Falcão que mais contribuirá para o estado de bovinidade cada vez mais acentuado da nossa Academia.
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“Eu também gosto de vegetais, mas um bom bife também calha bem”.
Quando perceberam que o PAN podia ter o deputado que falta a António Costa os geringonços PCP e BE desataram a malhar no PAN. Jerónimo de Sousa que ainda por cima não sabe o que fazer com aquele trambolho dos Verdes disse o óbvio: “Eu também gosto de vegetais, mas um bom bife também calha bem”.
Por fim venho indagar do interesse dos amantes da Amazónia desde que o Bolsonaro é presidente, animais, pessoas, baratas e demais bicharada: não querem fazer uma acção de campanha rodeadinhos de vespa asiática? Mas não é em Lisboa num daqueles parques que se encerram até o ninho ser destruído (aquilo do bem-estar animal vai de férias nesses momentos) é mesmo naquele país que só conhecem na versão folclórica.
A propósito do debate de ontem
Fiz este comentário para o Observador-
Vencedor (podia ter sido): Rui Rio. O líder do PSD é muito mais telegénico do que Costa, tem muito melhor dicção e é dono de um discurso muito mais fluido embora lhe penda o palavreado para o “orçamentês”. Posto isto, Rui Rio, ao desatar numa diatribe contra a Justiça que ao certo não se percebe como pretende que funcione, mostrou mais uma vez como é um excelente salva-vidas de António Costa: graças ao insólito momento de Rio, o primeiro-ministro fez de sensato e nem sequer teve de referir Sócrates. Curiosamente, foi também a Justiça que permitiu a Rio um momento ganhador: quando o líder do PSD chamou a atenção para o facto de no programa do PS estar prevista a transferência dos processos de regulação do poder paternal para os julgados de paz quase parecia que o próprio António Costa não conhecia completamente aquela parte do programa do seu partido.
Vencido (mas ganhador): António Costa. O líder do PS sabe que muito do que afirma só será confirmado ou desmentido nos dias seguintes, portanto aposta no elencar de dados e medidas, mesmo quando estas são falhanços rotundos como acontece com o Programa Renda Acessível que regista uns embaraçosos 35 alojamentos inscritos – o Governo dizia que iam ser milhares – mas foi apresentado neste debate por Costa como uma das medidas bem sucedidas de redução de impostos. O mesmo com as suas declarações sobre a salvação da Segurança Social e o funcionamento do SNS. Porque o digo então vencido mas ganhador: porque esta sua atitude é aceite sem contestação, dentro e fora dos estúdios, como aliás bem se viu no final do debate quando ficou a proferir declarações, apesar destas não estarem previstas.
Nota final. A pergunta à candidata a Miss Mundo. Estava o debate a terminar quando José Alberto Carvalho avançou com o assunto que não exige preparação (exercício que manifestamente o jornalista não praticou para este debate) mas apenas declarações de fé: as alterações climáticas. São de antologia as patetices proferidas pelo jornalista e por Rio e Costa. Foi o momento “nem faço ideia do que estou a falar mas saio bem se me declarar muito preocupado”.
Abriu a época das promessas eleitorais
Abriu a época das belas promessas de campanha eleitoral de tudo e mais alguma coisa explorando ao máximo os nichos temáticos da moda como o clima e os animais para atrair votos fáceis, sem qualquer responsabilidade, sem fazer contas, sem estudar profundamente os temas, tudo a granel como se de um campeonato de quem faz mais propostas “cool” se tratasse, sem coragem para fazer uma política de verdade. A pergunta que impera fazer é: mas vão fazer isso tudo como? Sim, porque o dinheiro não nasce nas árvores e se Portugal não ganhou o euromilhões e é sabido que todos os serviços estatais estão em ruptura, como diabo se pode prometer sem dizer como e onde se vão financiar sem ser à conta do sacrifício dos contribuintes?
A primeira medida para Portugal que todos deveriam garantir antes de qualquer outra seria prometer fazer um diagnóstico de norte a sul do país, com auditorias externas a cada organismo estatal, ao milímetro, para identificar e eliminar cada ponto crítico seja funcional seja financeiro do Estado – nesta fase é quando normalmente se descobre que há contratos para mudar duas lâmpadas por milhares de euros ou se paga serviços de jardinagem para espaços sem jardins, institutos e observatórios sem actividade ao estilo da Grécia – e depois avançar com uma reforma estrutural profunda na máquina estatal corrigindo esses erros de gestão para reverter o Estado obeso, deficitário e falido num Estado eficiente, económico, mais leve, mais justo e com mais qualidade de serviços. Não se pode prometer aos cidadãos menos impostos, mais e melhores condições de vida, mais investimento nos serviços prestados pelo Estado sem curar primeiro o país doente que desperdiça recursos financeiros preciosos. Isso é enganar o eleitor.
Com a reestruturação feita, criar depois objectivos ambiciosos a todas as administrações públicas não permitindo que ano após ano apresentem prejuízos sem consequências. O mérito tem de ser compensado, a incompetência penalizada. E os prevaricadores expulsos do sector público, responsabilizados criminalmente com julgamentos de processos mais céleres, penas pesadíssimas e responder com património pessoal para dissuadir qualquer um a seguir o exemplo dos “chicos espertos”, proibindo inclusive ligações de familiares nos governos e pondo fim, assim, à corrupção megalómana tentacular no erário público que é a principal causa da nossa desgraça há décadas.
Em paralelo liberalizar e desburocratizar imediatamente toda a economia devolvendo-a aos privados tirando do caminho o Estado cujo o papel é de fiscalização e controle e não de agente económico.
Depois da “casa” bem arrumada e gerida – e nunca antes – o Estado imediatamente começa a “ganhar oxigénio” e com contas equilibradas e superávits já pode aliviar os impostos das famílias e empresas e em paralelo criar grandes estímulos fiscais aos investidores para fazer crescer o país e aumentar o nível de vida dos portugueses.
Mas isto implica coragem para fazer uma política de verdade. E dizer a verdade não atrai votos fáceis. Não é para político mole, farsante, fingidor que tanto se diz de direita de esquerda ou de centro consoante a “opinião pública” só para enganar papalvos – isto é recorrente à esquerda. Promete-se tudo sem qualquer estudo ou responsabilidade porque já se sabe que não é para cumprir. Que basta chegar ao governo e dizer “ah e tal isto está pior do que pensávamos” ou “vem aí uma crise internacional” e vamos por isso manter ou aumentar impostos. Enfim, a conversa de sempre.
Pelo caminho fica a credibilidade e a sensação do costume de que se está apenas a fazer propaganda porque estamos em ano de eleições. Lamento mas não é assim que se chega aos abstencionistas, a classe mais exigente dos eleitores.
Se perdermos as eleições à direita não é porque aumentou as intenções de voto à esquerda é porque o abstencionismo de quem não se revê nesta palhaçada, aumentou. Porque o eleitor de esquerda vota sempre porque é o que vive ligado ao Estado, o da direita não. E são mais de 40% da população.
Sem política de verdade não há transparência na mensagem, sem transparência não há confiança e sem confiança nenhum abstencionista vota. Porque é neste grupo que estão os desiludidos, fartos de trabalhar para aquecer enquanto outros vivem à sua conta: políticos, subsidio-dependentes, preguiçosos, vagabundos, criminosos. É neste grupo que estão as pessoas que preferem emigrar a levar com mais política falsa de roubo fiscal. Mas também é este que manda à fava os políticos com mais facilidade e quando não vê ninguém a dizer preto no branco como vai acabar com esta injustiça, revolta-se abstendo-se.
Nada é definitivo. A semanas das eleições todas as narrativas à direita podem ser ajustadas à verdade e transparência que se exige hoje mais do que nunca dos partidos que querem marcar a diferença. Basta dizer o que tem de ser dito de forma clara, objectiva e firme aos eleitores. Vamos a isso? Fica aqui o desafio.
Os especialistas no golpe do Boris Johnson
Podem explicar se a coisa é mais ou menos grave que o golpe dado por este senhor a quem o país agora canta os Parabéns numa versão edulcorada da sua biografia?: Sampaio: “Fartei-me do Santana como primeiro-ministro”
Para o caso de se terem esquecido no tempo de Dom Afonso Henriques, Peniche era uma ilha
Reportagens como esta do PÚBLICO “Era tão bonito. Tinha o areal atrás e íamos brincar para as dunas. E o mar estava muito longe” publicadas sob o título CRISE CLIMÁTICA deixam-se cegar pela ideologia. Trocaram a luta de classes pelo clima e tudo serve para provar o apocalipse. Frases como a deste título: “o mar estava longe” são bonitas mas não provam crise climática alguma mas apenas o que a humanidade sabe desde sempre: não são precisos muitos anos para ver como a paisagem se altera no litoral.
A concepção subjacente a artigos como este de que hove uma paisagem imutável e correcta levou a que se construísse como se a Natureza não existisse, fizeram-se casas nas arribas e depois veio-se gritar pela betonização das mesmas arribas e culpar o clima por aqueles disparates urbanisticos.
Lendo os jornais e ouvindo as rádios e televisões somos levados a acreditar que outrora o clima era regido pelo bom tempo e a paisagem não sofria qualquer alteração. Para o caso de se terem esquecido no tempo de Dom Afonso Henriques, Peniche era uma ilha. O engenehiro Guterres podia ter posto as calças de molho no Baleal!
Como plantar rabanetes no Rossio
Como está toda a gente à espera da mui liberalíssima unanimidade de opinião acerca do partido Iniciativa Liberal, como quem não professa da fé pelo culto é só um “trolls das redes sociais” e como “por muito que [os trolls das redes sociais] digam que nunca quiseram fazer, isso não é verdade” é o mesmo que chamar-me mentiroso, usando o que César Monteiro respondia ao guarda prisional que lhe mandava desligar o rádio porque “não estamos aqui para chatear ninguém”, voltarei ao Blasfémias só depois da cessação desta febre debilitante que, ironicamente, tal como nos grupelhos marxistas, lida mal com dissentes, caso alguma vez passe. Entretanto, os resultados do exercício de ontem já estão disponíveis.
Pan.eleirices
Até há muito pouco tempo o PAN foi encarado pelas restantes forças políticas com muita bonomia, simpatia e até tido como exemplo a seguir no modo de fazer política de forma mais moderna e apelativa ao eleitorado.
Aliás, no seguimento dos resultados das recentes eleições europeias, os restantes partidos procuraram adaptar o seu discurso e as suas prioridades às “causas” do PAN numa tentativa de não perderem votos entre as suas fileiras para a agremiação do deputado “biodanzarino“.
Até agora a peculiar Direita que temos fazia vista grossa ao neo-fascismo e totalitarismo do PAN porque entendia ser isso necessário a dar um ar moderno, urbano e virtuoso.
Nem o facto de este partido parecer posicionar-se como a possível bengala de ouro de António Costa em caso de necessidade de formação de uma maioria parlamentar alterou a postura.
CDS e PSD disputam entre si qual deles sinaliza junto do eleitorado estar mais preocupado com as alterações climáticas, a sueca Greta, o gás metano bovino ou o seitan escolar. Até a Iniciativa Liberal deu honras de primeiro capítulo do seu programa eleitoral ao tema “Sustentabilidade” conforme pdf online.
Sem desmerecer a gostosa tareia que ontem Assunção Cristas deu a André Silva no debate da RTP3, temo que o “click” para a atenção à verdadeira natureza distópica do PAN surgiu quando este cometeu a imprudência de propôr como regra que todas as refeições nos eventos promovidos pela administração directa e indirecta do Estado fossem vegetarianas.
Aqui, meus amigos, alto e para o baile! (ou biodanza).
A oligarquia não dispensa um bom bife.

para memória futura
Parece que o PS está à beira da maioria absoluta e que isso se deve à transferência do voto da direita para esse partido, satisfeita que está com a estabilidade das contas públicas e também para evitar que a extrema-esquerda se mantenha influente na governação. António Costa corresponde, com pragmatismo, a esse apetecível eleitorado, assegurando-lhe que não formará coligações governativas com PCP e Bloco (não deve ter apreciado as companhias), e até com volúpia, propondo alianças etéreas aos empresários indígenas. Mas isto significa, sobretudo, que as eleições são ganhas por quem consegue estabilizar a economia com valores de direita, como o controlo do défice e da despesa pública, o que sucedeu, por duas vezes, com Pedro Passos Coelho e agora, pela primeira vez, com uma provável maioria absoluta (ou muito perto disso) de António Costa. E quer dizer, também, que aqueles que, no PSD, fugiram dessa herança “maldita” de Passos, como Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Morais Sarmento e o próprio Rui Rio, estavam completamente enganados. De resto, serão eles os culpados por manter o PS no poder e por transformar o maior partido português num partido “piqueno”. O PSD que se não esqueça disto.
O lugar do morto
O milagre socialista
O racismo é o que o LIVRE quiser
Na sua Proposta 2.6 o LIVRE propõe-se combater “o racismo estrutural e a xenofobia, criminalizando o racismo” mas logo abaixo na Proposta 2.7 O LIVRE defende a “introdução de quotas étnico-raciais” que como o próprio LIVRE indica são uma forma dE discriminação com base nas etnias/raças. Portanto o LIVRE vai processar-se a si mesmo?
Conhece os partidos? Exercício eleitoral
Conhece os partidos? Sabe o que defendem? Então será um exercício simples: descubra qual dos partidos apresenta cada uma das propostas por ordem alfabética abaixo. Existem propostas do PS, do PSD, do CDS, da Aliança, da IL, do PAN, do BE, do PCP e do Chega. A chave será revelada no Domingo às 21h00.
Ler mais…Pinguins
Nota muito importante, caso nunca tenham reparado: os lunáticos aparecem sempre com voz melíflua, parecem uns anjos… mas são na verdade um NOJO de gente!
E se o Encarregado de Educação não concordar?

Podem as cabecinhas pensadoras que conceberam este panfleto explicar o que entendem por cada umas das rubricas dos alegados “Temas a desenvolver no domínio congnitivo”? À excepção da Segurança Rodoviária tudo o mais é “>agitação & propaganda.
Ninguém quer comentar isto?
João Guimarães da Costa
Segundo o ranking de citações do Google Scholar, há um português a ocupar a posição 137 a nível mundial. O que é verdadeiramente impressionante! Parabéns ao Professor João Guimarães Costa pelo feito absolutamente extraordinário!
Ver ranking aqui… na posição número 1 continua Michel Foucault, com bastante destaque… o que também é extraordinário!
Burgueses de todo o mundo, uni-vos
Não queria escrever este texto, nem o devia ter feito, pelo que a sua publicação sirva, ao menos, o propósito de regabofe nos comentários entre os partizans das diferentes soluções indistinguíveis para o país. Façam o vosso melhor: ventilem. É que agora é que vai ser! Joga-se tudo nestas eleições: se o PS consegue o que deseja, a vitória sem maioria absoluta que lhe permita deflectir responsabilidades perante o possível flato poluente do “fim da austeridade”; ou se os eleitores castigam o governo com uma maioria absoluta que torna mais difícil – mas não impossível, já que as vacas voam e tudo – o discurso sempre venerado de “a culpa não foi nossa”.
Nos jornais, nas televisões, nas redes sociais e nos terceiros, quartos e décimos lavabos das escolas, não se fala de outra coisa. É só conversa sobre se o parlamento nos vai salvar, finalmente, de nós próprios, nunca das salvações que nos impingem. Toda a gente está devidamente alinhada para estas eleições: de um lado, os que escolhem um dos partidos a concurso, qualquer um deles; do outro, nós, os que não estão para dar mais para o peditório do jogo viciado. É verdade que há inúmeros partidos a concurso, mas são todos diferentes designações para o mesmo: o partido do estado. Uns querem obrigar a malta a pagar mais impostos, outros querem obrigar a malta a construir balneários em cada esquina mesmo que chova no ginásio; uns querem que todos reconheçamos que as crianças devem ser vistas como seres sexuais a partir do primeiro ciclo, outros querem que todos reconheçamos o direito do estado a extinguir a vida de velhos obsoletos; uns querem muitas coisas, outros querem as muitas coisas das quais os outros já beneficiaram. É um espectáculo piroso de religiosidade ímpar entre fieis e infiéis, como tem sido desde o princípio do tempo, só que desta vez nem Deus é necessário, que a gente trata sozinha do assunto. Bolas, somos melhores que Ele! Ele nem sequer leu um rol de pessoas altamente citáveis pelo único fito de nos separar dos incréus, os incultos que nem votam.
Portanto, como toda a gente faz o apelo ao voto, eu também faço: não vote. Deixe-se disso. Não alimente o bicho que o devora. Tal como dar rebuçados às crianças antes de comerem, só está a fazer com que o bicho o deixe aí todo amputado com meio tronco e uma cabecinha a magicar como se safar da morte certa. Desista. Deixe-se comer rapidamente. Fique em casa. Garanto que não se arrependerá.
um tipo exemplar
António Capucho sente-se chocado pela forma como algum PSD o tem tratado, por ele ter manifestado o singelo desejo de querer abrilhantar a liderança de Rui Rio com o seu fulgurante regresso ao partido.
Melindrado e magoado, não por o não quererem, garante, mas por lhe mostrarem rancor, logo a ele, coitado!, que nunca teve “qualquer manifestação rancorosa” por ninguém, foi fazer queixas para os jornais.
Obviamente que aqui tem de descontar-se umas coisitas que ele disse de Passos Coelho, depois de ter sido expulso do partido, entre elas, que tudo faria para que ele não ganhasse as próximas eleições legislativas. Não foi ódio vesgo, nem rancor ao ex-primeiro-ministro que o moveu, mas um apurado sentido de justiça, que sempre foi marca sua. Que tipo exemplar!

É só para saber
É só para saber se a freira agredida, mulher do sexo feminino e género não especificado, violada e morta em São João da Madeira vai para a lista das vítimas de violência doméstica a ser lida pela Maria do Céu Guerra no próximo congresso do PS.
Dave Chappelle
Vi hoje o ‘show’ do Dave no Netflix (‘Sticks & Stones’, para quem estiver interessado)… confesso que não me impressionou sobremaneira… dentro do estilo ‘politicamente incorrecto’, não me pareceu particularmente brilhante. Assisti em Agosto a um ‘show’ de humor ‘politicamente incorrecto’ em Boston, nos EUA. Um ‘show’ de rua, absolutamente incrível. Bem melhor do que o Dave…
O que me parece particularmente relevante é o facto de ambos os ‘shows’ terem como protagonistas ‘afro-americanos’. Isto é: tudo indica que determinado tipo de humor está reservado a determinado tipo de comunidades. Os afro-americanos usam o politicamente incorrecto com afro-americanos; os gays podem fazer piadas gay (vide o humorista escocês Larry Dean); mas os mesmos de sempre não podem fazer piadas acerca de absolutamente nada. Comparamos Dave Chappelle com os Monty Python e de repente estes últimos até nos parecem conservadores… e contudo, os Monty Python não poderiam actuar nos dias que correm. Já quanto a Dave Chappelle, não sei quanto tempo durará: o humor não é de primeira categoria, e os temas são perigosos nos tempos que correm.
Vale a pena ver, mesmo assim. Há algumas piadas boas. E mais importante do que isso, fica a dúvida se Dave Chappelle pode ser o início de uma mudança. Isso seria positivo de per si…
(caso queiram, vejam também este artigo sobre o assunto no Financial Times)
entregues aos deuses
Bastam um ou dois dias seguidos de calor e logo o país começa, de norte a sul, de leste a oeste, a arder descontroladamente. Em vão as promessas e ameaças do ministro Cabrita, os planos “grandes reformas florestais” do primeiro Costa, as cabras sapadoras e o eterno “reforço de meios” que o governo todos os anos diz que fez. A dura verdade das coisas – a nossa triste e comezinha realidade – é que Portugal é uma país desprotegido, onde o muito dinheiro que os contribuintes pagam com os seus impostos não chega para lhes garantir a sua segurança e a dos seus bens e património. Portugal arde ou não arde consoante a fúria ou a acalmia da natureza. A segurança do país e dos seus habitantes não está nas mãos do governo. Está nas dos deuses.

Entende d. Jorge Ortiga: por “estar mais do lado dos pobres” o gerar pobres e pobreza, tipo Venezuela?
Arcebispo d. Jorge Ortiga: “se consideram que esquerda é estar mais do lado dos pobres, dos marginais, dos excluídos, dos descartados”, então “a Igreja é de esquerda mais do que ninguém“.
Esta conversa da esquerda que está mais do lado dos pobres é uam das maiores falácias do nosso tempo: milhões de pessoas foram atiradas para a pobreza à conta desta mentira. E invariavelmente ela continua a ser propalada.
Arnaldo Matos, camarada, esta é para ti
Ando há semanas para escrever sobre isto por um mero sentimento de obrigação, não por gosto ou por vontade de participar nesta fantochada a que se chamam eleições. Depois de quatro anos a carpir sobre como foi possível que o parlamento se sobrepusesse à declaração de voto dos portugueses com mudança das regras estabelecidas pela tradição para o jogo e abrindo um precedente do qual nunca mais se sairá, eis que a direita – em sentido muito lato – se convenceu da impossibilidade física da sua sobrevivência no regime sem uns favores sexuais. Já não tinha grande fama, a tal da direita, mas agora decidiu simplesmente virar puta. Assumiu-se, portanto.
Sem o minúsculo sector católico do CDS a esbracejar, passaria durante o mês de Agosto (felizmente ameno para grandes incêndios) sem qualquer menção o despacho que determina o novo rumo para a Parque Escolar II (ou III, ou IV), a da construção em massa de lavabos em todas as escolas do país para que eventuais filhos dos secretários de estado proponentes (supondo que a Natureza falhou ao não bafeja-los com a merecida infertilidade) pudessem dar azo à psicose de pertencerem ao terceiro, quarto e décimo-quinto sexo. São como uns anjinhos, já se sabe, não é malta de pénis ou vagina, é algo diferente, algo de inútil para a espécie.
Não satisfeita com mais uma agradável colonoscopia com mangueira de esgoto, a tal de direita – a que se junta a mui moderna interpretação do liberalismo como Estado-concessionário do poder divino de cada um se sentir como lhe apetecer (eu hoje sinto-me um helicóptero verde) – ocupou-se na elaboração de programas sobre problemas prementes da humanidade, como o direito a exterminar velhos, o monopólio estatal da concessão de produção de drogas ou o quão bom seria se começássemos a taxar as prostitutas. Eu disse prostitutas, não disse putas: para estas o mote é quotas binárias (pelo que se amanhã me sentir um carro de bombeiros vermelho em vez de um helicóptero a situação poderá ser problemática em termos de discriminação).
Estúpido que sou, meti-me a ler os programas eleitorais. O do CDS até se lê, admito. Tirando umas besteiras típicas da crise de identidade que toda a direita vive, até é a coisinha menos execrável que por aí circula. O resto é intragável: é o produto de gente que vive numa bolha que está, ela própria, dentro de outra bolha. É uma dupla camada de protecção perante o mundo, o que permite grandes elogios e muitas palmadinhas nas costas, mas também permite que os filhos nasçam demasiado tantãs por tanta consanguinidade. Não brinco: eles andam por aí, como papoilas. Outra coisa que permite tal consanguinidade é que os jornalecos publiquem, impunemente, historietas de Gretas e da necessidade de todos os humanos deixarem de comer carne, passando, como já fazem com o conteúdo informativo, a comerem merda.
Portanto, se espera da minha parte um apelo ao voto, cá vai ele: se for mesmo votar, vote PS. A maioria absoluta seria melhor que toda esta hipocrisia; mas, se tem algum juízo, fique mas é em casa a ver o putedo todo a desfilar nas televisões.
parabéns ao artista
Aí há uns dias, escrevi que, em Inglaterra, pelo menos desde 1688, quem se mete com o Parlamento não costuma ter vida política longa. A maioria dos comentadores discordou da coisa. Ontem, o Parlamento inglês começou a explicar a Johnson, e a esses comentadores também, por que é que a Inglaterra é a democracia parlamentar mais antiga do mundo. E a explicação poderá ser particularmente severa para o primeiro-ministro em funções: porque Johnson verá a sua golpada de controlar o Parlamento a partir do executivo sair-lhe pela culatra; porque se arrisca a fazer do inenarrável Corbyn um líder da oposição credível e moderado, quem sabe, até primeiro-ministro; e ainda porque será ele o responsável pela marcação de um novo referendo ao Brexit, que é isso que serão as eleições parlamentares antecipadas que parecem inevitáveis. De brinde ainda poderá ver o «seu» Partido Conservador, que ele já tinha minado na sabotagem a Theresa May, completamente desfeito, com demissões e expulsões em catadupa. Está, por tudo isto, de parabéns.
Ainda o mistério da pensão de António Guterres
Um clique e eis que chegou à folha de vencimentos dos funcionários e responsáveis das Nações Unidas Portanto António Guterres acumula o salário das Nações Unidas com a subvenção vitalícia em Portugal? Tudo será legítimo e legalíssimo mas temos de admitir que a fileira da solidariedade é um negócio de alta rentabilidade.
Podemos ou não concordar com este tipo de remunerações. Umas serão mais justas outras não. Mas no meio dos nomes dos beneficiários de pensão por terem ocupado cargos políticos há um nome que me causa estupefação: ANTÓNIO MANUEL OLIVEIRA GUTERRES, 4 138,77 EUROS. Juro que não entendo: os cargos que Guterres tem ocupado nas Nações Unidas não são remunerados? Custa-me acreditar que não. Mas ainda me custa mais imaginar que acumula. Alguém explique isto pf.
Fantástico!!!!
Não, não é
Greta Thunberg responds to Asperger’s critics: ‘It’s a superpower
Esta conversa sobre as diferenças só não é uma treta porque causa sofrimento a muitos que se confrontam com as consequências do Asperger. As doenças existem, não são características diferentes.
Notícias da comissão liquidatária do PSD
A ideologia de género aplicada aos partidos
Maioria absoluta
Vejo muita gente a especular sobre a possível maioria absoluta do PS nas próximas Legislativas.
Já eu fico sobretudo na expectativa de saber se a Esquerda terá os 2/3 necessários para instituir uma RDA à portuguesa no sec. XXI.

O corpo humano no planeta do bom tempo
Informa o Expresso: «A Polícia Judiciária quer atuar contra a extrema-direita tal como há 20 anos lutou contra as máfias de leste e as fez praticamente desaparecer de Portugal. Ou como combateu mais recentemente os gangues violentos que faziam explodir caixas multibanco. Em ambos os casos foram detidos largas dezenas de suspeitos que acabaram condenados a pesadas penas de prisão. “Temos de atuar sobre o problema logo na sua génese. Esta fase é determinante para que não se alastre”»
Na mesma edição Jerónimo de Sousa é fotografado tendo como fundo um símbolo do terror de esquerda:

Digamos que aqueles que alastraram com evidente benefício tratam de impedir que outros tão radicais e violentos quanto eles alastrem. Nisto do monopólio do alastrar é que vai o ganho.
Quando falaremos a sério sobre isto?
Número de mortes em acidentes rodoviários:
2018: 513 vítimas mortais,132.378 desastres e 2.093 feridos graves
2017: 510 vítimas mortais,130.208 desastres e 2.198 feridos graves
2016: 445 vítimas mortais,127.210 desastres e 2.102 feridos graves
Tudo indica que os números de 2019 serão igualmente maus: entre 1 de janeiro e 30 de junho deste ano morreram 224 pessoas nas estradas portuguesas, mais seis do que no período homólogo do ano passado. No mesmo período foram registados 994 feridos graves, mais 101 do que nos primeiros seis meses de 2018.
Não se vê fiscalização. Fazem-se milhares de quilómetros por Às disto daquilo Ipês e nada de nada de brigada de trânsito. Desde que se paguem as portagens tudo bem.
cada um come do que gosta
Pode não se apreciar a democracia inglesa e o sistema de governo parlamentar que a dirige desde 1688. Pode preferir-se um Ancien Régime à inglesa, com reis que punham e dispunham do poder sem controlo político ou metendo-o no bolso quando lhes convinha fazê-lo. Pode fazer-se de conta que se ignora que o rei de Inglaterra é um mero símbolo constitucional sem poderes políticos efectivos, o que, de resto, é condição imprescindível para que a monarquia inglesa seja uma monarquia de um país democrático. O que não se pode é desconhecer que só existe estado de direito constitucional onde houver separação de poderes entre o legislativo e o executivo, e que nunca, em circunstância alguma, pode este último impedir que aquele exerça as suas funções constitucionais de controlar os actos políticos de quem governa. E, já agora, convém ter presente que o cerne do sistema político e de governo do Reino Unido é, pelo menos desde 1688, o Parlamento. Tudo o resto é conversa e emotividade juvenil de que, a seu tempo, veremos os resultados.

Podiam dar um saltinho à Bolívia?

Duas semanas depois da partida a menina já chegou a Nova York no tal iate que todos deveríamos usar nas nossas viagens a começar, digo eu, pelos jornalistas que apresentam esta viagem como um modelo ambientalmente correcto.
Aliás creio que foi essa opção pela viagem em iate que explica a desinformação generalizada sobre os incêndios na Amazónia: como se sabe a Bolívia não tem mar e portanto os iates patrocinados por paraísos fiscais, devidamente carregadinhos de jornalistas que procuravam investigar os incêndios na Amazónia tiveram de aportar na costa brasileira e como é óbvio entre tanto mar e rio para atravessar ainda não conseguiram chegar à Bolívia.
De caminho presume-se que despachada a peroração a menina, mais o paizinho e o filho da princesa Carolina voltem a meter-se na embarcação e regressem a casa. No iate, claro. Mas como é tudo gente com pouco que fazer e rendimentos qb podiam ir até à foz do Amazonas e depois subiam o rio. Eu cá não sei nada de iates mas estou em crer que era coisa fácil.
a golpada
A gravidade da golpada de Boris Johnson de suspender o parlamento inglês não está no facto de assim precipitar uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia, até porque os ingleses saberão o que lhe fazer se não gostarem das consequências dessa decisão, mas na subversão de um sistema de governo que perdura desde 1688.
Na verdade, desde a Revolução Gloriosa que a legitimidade do poder político inglês reside no parlamento, que indigita, mantém, substitui e fiscaliza o governo, obrigando o poder executivo a agir dentro de limites impostos pelo common law, que, juntamente com a legitimidade democrática das câmaras parlamentares, representa o primado do direito sobre a força. São esses os dois alicerces fundamentais do rule of law, que fazem desse país aquilo a que chamaríamos, na Europa Continental, um «Estado de Direito» desde os finais do século XVII. Provavelmente, o mais antigo do mundo.
Ora, a golpada de Johnson, vinda do executivo e tendo como consequência a impossibilidade das câmaras parlamentares continuarem a fiscalizar a actuação do governo na questão do Brexit, subverte essa antiga ordem constitucional e, em seu lugar, coloca o executivo a tutelar e a controlar a instituição política onde reside a soberania nacional.
A saída disto só poderá ser, por conseguinte, a demissão de Johnson e o seu definitivo afastamento da política. Porque, se ele julga que a animosidade dos ingleses à União Europeia lhe permitirá pisar regras estruturantes da mais velha democracia do mundo, está muito enganado.