Coitadinho do ministro!
Verti uma lágrima de comoção ao ler a parte da entrevista do ministro Siza Vieira ao Observador em que o dito cujo revela que foram para ele “situações pessoalmente, muito penosas” as polémicas em que se viu envolvido em torno das suas incompatibilidades. Diz ele que “isso desencoraja muita gente de poder corresponder a um impulso de serviço público“. Eis um verdadeiro altruísta!
Conhecendo-se tudo o que se conhece sobre António Costa, a sua falta de vergonha na cara, a relação muito difícil que tem com a verdade e uma ética não exactamente de padrão comum a gente digna, bastava ao ministro Pedro aceitar integrar este governo para ficarmos apreensivos, atentos à sua conduta e sujeita-lo a escrutínio.
Mas Siza afirma que a culpa disto tudo é da sua mulher. Com um convite para o executivo em cima da mesa, foi ela que o pressionou a “arrumar 30 anos de vida profissional” em dois dias. Não sei se isto é atitude de um machista ou de uma vítima de violência doméstica. Fica à melhor interpretação dos leitores.
Algo que o ministro não explica é absoluta e inadiável necessidade de, para esse efeito de arrumação, ser obrigado a formar uma empresa com a mulher na véspera de tomar posse. Não poderia fazê-lo dois dias depois, por exemplo? E em que medida “preservar estas coisas” (o património familiar) numa empresa fica mais salvaguardado do que a título pessoal?
Mas, independentemente da bondade das intenções do Dr. Vieira, o que é facto é que ele está condicionado como qualquer cidadão a cumprir a lei e os regulamentos, pelo que conforme foi à época aqui assinalado resulta obtuso que se considere para o momento de renúncia à gerência da sociedade com a esposa a data que consta de uma carta e não a definida por Lei para cumprimento efectivo da obrigação.
O Observador não confrontou Pedro Siza Vieira com outras situações polémicas e este aproveitou para passar por cima do caso inédito de um ministro da Economia pedir escusa de decisões que envolvam matérias relacionadas com a indústria hoteleira nacional, cujo respectivo lobby corporativo é dirigido pela sua esposa.
Já antes PSV tinha pedido escusa de matérias respeitantes ao sector eléctrico, entre outros tema em que a firma Linklaters à qual pertencia teve um papel negocial e de representação de interesses, antes de Siza Vieira transitar para o Governo liderado pelo seu amigo pessoal António Costa.
Enfim, com tanta escusa era escusado ser ministro e escusado tomar-nos por lorpas.
*
desprezo
De Pedro Silva Pereira, o ensimesmado delfim de José Sócrates, não me apetece dizer muito. Não revisitarei as revelações do «processo marquês» sobre ele e a sua mulher, como não me apetece dissertar sobre a sua recente eleição para uma alcavala europeia com que foi presenteado pelos seus colegas socialistas europeus. Sobre Silva Pereira basta-me uma estória, e essa vi-a eu na televisão: a da sua ida a um jantar com o antigo patrão e mais uns compinchas, num restaurante de luxo da zona do Guincho. À saída estavam uns tantos repórteres e jornalistas à espera de Suas Excelências, e, a uma mais afoita que não os largava, o delfim, em tom imperial, com a sobranceria e o desprezo que os grandes deste mundo têm pela ralé, disse-lhe uma frase mais ou menos assim: «tenho pena da forma como você ganha dinheiro». Depois, virou-lhe as costas como se não estivesse ali ninguém. Por mim, a única coisa que lhe gostaria de dizer é que também ele me provoca exactamente a mesma sensação.
Este não se demite. É socialista.
4 de Julho: Uma pessoa foi baleada por tiro de caçadeira na Ajuda, agressor foi detido O disparo, de caçadeira, ocorreu cerca das 1h00, à porta de casa da vítima, na Rua Roy Campbell, na Ajuda. A vítima foi transportada para o hospital S. Francisco Xavier.
Entretanto prossegue a “greve” das forças de segurança a tudo o que não coloque verdadeiramente em causa a segurança dos cidadãos Movimento Zero. “>”Estamos a viver um clima de alta tensão”
Mensagem de um morador do Prédio Coutinho
Tenho estado em contacto permanente com um morador do Prédio Coutinho. Eis uma mensagem que me enviou:
Exa. Sra. Cristina Miranda,
Este país é mesmo caricato!
Gostaria se fosse possível que focasse os pontos abaixo mencionados nos diversos espaços de intervenção pública que dispõe.
Os moradores estão reféns na sua própria habitação e impedidos de entrar e sair do edifício. Não foram notificados por um juiz para abandonar as habitações. Porque é que uma empresa se substitui aos tribunais?
Além disso, a polícia em vez de garantir a ordem, está no local para impedir que alguns cidadãos possam exercer os seus direitos fundamentais consagrados na Constituição Portuguesa.
Uma empresa de segurança privada foi contratada para escudar a PSP de eventuais responsabilidades e também essa empresa impede um grupo de cidadão de exercer os seus direitos fundamentais consagrados na Constituição Portuguesa.
Agentes policiais estão a impedir que cidadãos de pleno direito possam satisfazer as suas necessidades mais básicas como alimentação e higiene.
Qualquer pessoa que solidariamente pretenda ajudar-nos com bens de primeira necessidade é impedida pela PSP de o fazer. Que crime está a cometer segundo a legislação vigente ?
Uma pessoa que do edifício faça o arremesso de um objecto para um local próximo sem colocar em perigo terceiros contendo por exemplo chaves, a PSP impede o destinatário de receber essas mesmas chaves. Que crime o destinatário está a cometer ?
Os nossos advogados estiveram na sexta-feira impedidos de contactar pessoalmente connosco e aceder às fracções por ordem de quem ?
Um contrato de fornecimento de água, luz e gás celebrado por duas partes pode ser unilateralmente suspenso a pedido de um terceiro sem que estivessem reunidas as condições para suspensão do serviço?
As sucessivas violações dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição Portuguesa já deveriam ter suscitado uma imediata intervenção do Provedor de Justiça porque não o fez quando os acontecimentos foram amplamente divulgados nos diversos meios de comunicação?
O Sr. Presidente da República foi alertado logo de início para o que se estava a passar em Viana do Castelo. Por que motivo não veio dar afecto, tirar umas selfies e condenar veementemente abuso de poder por parte de várias entidades envolvidas. Poderá o Estado criar leis feitas à medida das suas conveniências? Será que a resolução do Conselho de Ministros 26/2000 é abstracta e geral ou dirige-se ao caso concreto do Edifício Jardim/Prédio do Coutinho?
Cumprimentos
Agostinho Correia
Viana do Castelo, 30.06.2019
PS: Exa. Sra. Cristina Miranda, uma coisa posso garantir-lhe: saindo do edifício, a primeira coisa é tomar um banho, a outra é apresentar queixa crime no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Este será o passo seguinte.
A questão da agressividade em relação à paisagem como critério para a “desconstrução” é para aplicar a todos os edifícios?
Torre Burgo, Porto.
Síndroma da vergonha alheia
o significado político do penteado

Acreditando que a idade não deva ser – nem para cima, nem para baixo -, atributo para se exercer um cargo político, estranhei esta inflexão de Rui Rio em encher as suas listas de deputados de jovens imberbes, depois de os ter expulsado dos órgãos do partido que dirige, os quais preencheu com honoráveis anciãos e pré-históricos dinossauros. Reflecti sobre o assunto, e a primeira ideia que me veio à cabeça é que Rio temia que a maioria dos seus mais próximos não pudesse garantir, em razão das idades avançadas, o cumprimento integral da legislatura. Mas parece que me enganei. Na verdade, analisado o exemplo de Hugo Carvalho, cujo curriculum o recomendaria para um lugar de meio ou fim de lista, mas nunca para encimar a importante candidatura do Porto, ainda por cima tendo o líder em segundo lugar, cheguei à conclusão que a proverbial minúcia de Rio terá descoberto algum pormenor significativo em cada um desses jovens, que o terá convencido na escolha. Neste caso será certamente o belo penteado à «fosga-se», de que Rui Rio também tanto gosta, e que o jovem parece querer imitar. Nos outros, ainda não descobri.
Um jovem marinheiro…
Bloco também parte e esboroa
A suposta superioridade moral e ética dos dirigentes do Bloco de Esquerda foi desmistificada de forma evidente no episódio da venda do prédio de Ricardo Robles ou das contratações do ex-vereador de Lisboa. O mesmo se passou com as notícias sobre a actividade empresarial de Catarina Martins e as contradições entre discurso e práctica que o caso encerra. Ou ainda por via das notícias de deputados bloquistas que deram moradas de residência diferentes da efectiva obtendo por essa via benefício financeiro.
A sua proximidade ao poder e o facto de ao longo dos últimos anos o BE ter vindo a servir de suporte ao governo tornou notório o carácter burgês do partido e a sua lógica de procura de conquista de posições de privilégio, comando e distribuição de sinecuras.
Internamente, os episódios de contestação à liderança da agremiação têm colocado também a nu o carácter distópico e neo-fascista da sua própria orgânica.
Lembro o ruidoso abandono do BE de um grupo de 26 militantes, entre os quais dois irmãos de Francisco Louçã e fundadores do partido. Referiram na altura que pouco restava do projeto original do Bloco de Esquerda. Mais curiosas foram as notas que estes dissidentes quiseram publicitar sobre os processos internos de “taticismo de decisões”, “progressiva ausência de pensamento crítico”, “hostilização da divergência” e “profundo sectarismo”. Ainda mais grave se revelaram as críticas deixadas à “perseguição e expulsão de militantes” e “manipulação de eleições internas”. Sintetizaram afirmando que “o Bloco se tornou numa organização hierárquica e cristalizada onde imperam os acordos de cúpula”.
Muito recentemente vêem-se novos exemplos do modo de actuar descrito acima através da guerra aberta que se instalou no BE. Voltaram as denúncias de “pressão inaceitável” da Direcção de Catarina Martins sobre as estruturas locais e a postura pidesca e intimidatória de Pedro Filipe Soares em Santarém, onde as bases rejeitaram de forma clara os nomes indicados por Lisboa para as listas de candidatos a deputados.
Até no círculo do Porto por onde a própria Catarina Martins será cabeça de lista a contestação interna é bem audível e já não disfarçável.
Serve o acima exposto de alerta sobre a metodologia e carácter do código de conduta que seria transposto para a sociedade caso assim fosse concedidada oportunidade ao Bloco de nos governar de forma mais abrangente do que aquilo que já nos consegue impôr através da sua influência na geringonça.
Os militantes do BE já o estão a sentir na pele. É que o feitiço vira-se contra o feiticeiro sempre que fôr útil e logo que seja necessário à oligarquia de esquerda.

Do bom gosto e da má fé
O que está em causa no edifício Coutinho não é se gostamos ou não do edifício. Note-se contudo que se o critério para o “bom gosto” for o “enquadrar na paisagem” ou o gigantismo derrubaremos este moderno edifício 
Ou este bem mais antigo

O que está em causa é cada um de nós poder ser corrido da sua casa, casa essa legalmente construída, pela qual pagou todas as contribuições, taxas e licenças devidas e cumpriu os vários regulamenros, unicamente porque um primeiro-ministro, um ministro ou um presidente de câmara não gostam dela. O edifício Coutinho não tem de ser demolido para ali passar uma estrada ou fazer algo que especificamente só pode ser construído naquele local. Trata-se sim de ordenar aos residentes que desamparem a loja porque quem manda não gosta do que vê.

Torre de Santo António,Covilhã. Arquitecto Fernando Pinto de Sousa
Portanto desde que se esteja devidamente alcoolizado podemos esmurrar e insultar funcionários da repartição de Finanças? Juízes e funcionaŕios dos tribunais? E já agora os vizinhos? E por fim mas não por último, aqueles casos de violência doméstica em que muitas mulheres são espancadas (para não dizer pior) por homens que depois de desculpam por terem bebido em excesso também vão ser aquivados?
Os produtos comercializados por alguns daqueles camionistas estão a ser consumidos alarvemente no Largo do Rato, não estão?
I came in like a wrecking ball

Durante os últimos anos, lutei na busca do artifício linguístico que melhor descrevesse o governo socialista. A imagem perfeita que ilustrasse a vida em Portugal nestes tempos de trevas por apatia. Hoje, a realidade tratou de me providenciar a imagem perfeita do socialismo em Portugal: a demolição do prédio Coutinho com moradores ainda no interior. É que é isto mesmo o nosso Portugal: uma demolição planeada e irreversível com os portugueses ainda cá dentro.
Marcelo já lá foi?
O costume
A fotografia de um homem e da sua filha afogados no Rio Grande é hoje publicada em alguma imprensa, nomeadamente na francesa país onde se criminaliza por exemplo a difusão de images das execuções públicas praticadas pelo estado islâmico.
Para lá desta duplicidade de critérios temos neste caso o habitual esquema de raciocínio: o homem e a sua filha morreram ao tentar chegar aos EUA, logo a culpa é dos EUA que não abrem as suas fronteiras. Para o governo do Salvador donde o homem é natural e para o do México onde o homem se encontrava nem uma palavra.
Vilarinho de Negrões
Nas Terras do Barroso, por altura de meados dos anos 60, a albufeira criada pela barragem do Alto Rabagão poupou à subida das águas na sua margem sul uma pequena península chamada Vilarinho de Negrões.
Visitei a zona recentemente, onde a vida rural continua a concentrar as suas principais actividades na criação de gado e na produção de cereais.
Há dois anos, Vilarinho de Negrões, aldeia do concelho de Montalegre, foi uma das semi-finalistas candidatas às “7 Maravilhas de Portugal” na categoria Aldeias Ribeirinhas, numa iniciativa promovida pela RTP. Na altura o presidente da junta dizia que “esta distinção vai atrair ainda mais visitantes”.
Logo depois do concurso da televisão pública o PS teve nas eleições autárquicas 60,6% dos votos no concelho, mais de 85% na freguesia e elegeu a totalidade dos deputados da assembleia de freguesia de Negrões, com 95,5% dos votos.
Eu tendo a ligar pouco a este tipo de concursos, sou descrente em relação a políticos empolgados e desconfio ainda mais de autarcas de freguesias onde o PS tem votações desta magnitude governando sem oposição.
Infelizmente o meu cepticismo não se revelou infundado. Segundo pude eu próprio testemunhar e também mo contaram dois ou três locais com quem me cruzei (da vintena de pessoas que lá moram), Vilarinho de Negrões é hoje uma aldeia completamente ao abandono, com casas destruídas, sem saneamento básico, ruas sujas e uma população desencantada com o seu destino.
A região é de facto de uma beleza superlativa e tem paisagens magníficas.
Mas é preferível tirar fotos à distância e não viver lá.

Os proprietários de andares no Prédio Coutinho não são gente? Ou isso do assédio só se aplica aos senhorios e não ao Estado?
Portanto o mesmo Estado que aprovou legislação para impedir o despejo de arrendatários que vivem “há mais de 20 anos” nas casa e que ameaça com penas várias os senhorios que recorram a um ambiente intimidativo, hostil, degradante, de perigo, humilhante, desestabilizador ou ofensivo, ou impeça ou prejudique gravemente o acesso e a fruição do locado pelos inquilinos</a recorre está a recorrer a corte está a recorrer a cortes de gás e água, a notificações ” se sai já não entra” para tomar conta do prédio Coutinho. Os residentes do predio Coutinho vivem lá desde os anos 70, se fossem inquilinos de um desses abominados senhoriso privados ou okupas certamente que não eram tratados deste modo. E os activistas já lá lá estavam aos saltinhos!
o que vai fazer o ps em outubro?
Estamos a pouco mais de três meses das eleições legislativas. Portanto, é indispensável perceber o que nos propõem os partidos em termos de soluções governativas, nomeadamente o PS, que tudo leva a crer as ganhará. Isto porque, da última vez, o eleitorado votou sem qualquer indicação, ou suspeita, do governo que lhe saiu na rifa. A solução tem óbvio cabimento constitucional, mas não foi verdadeiramente sufragada pelos eleitores, porque nunca lhes foi proposta. Agora, cumprida uma legislatura com a geringonça, o PS tem a obrigação política e moral de dizer aos portugueses aquilo que poderão esperar da sua eventual vitória: voltará a governar com o Bloco e o PCP?; rejeita essa possibilidade, como notícias avulsas parecem indicar, ou estas são mera táctica eleitoral para que cada um dos partidos maximize as suas votações?; governará sozinho, mesmo sem maioria absoluta, ou levará o Bloco para o governo? Aguardemos os esclarecimentos de quem tem que os dar: António Costa.
Ensino básico
Escolas em Abrantes deixam de dar notas em novo modelo de avaliação
O Agrupamento de Escolas Solano de Abreu, em Abrantes, apresentou hoje um novo modelo de avaliação que não vai dar nota nos testes, mas antes avaliar de forma contínua as competências dos alunos.
Atrasos no Cartão de Cidadão. Governo culpa quem vai “sistematicamente” para a porta dos serviços antes de abrirem.
É isto
O Estado perdoa mais depressa (15 anos) a um senhorio que mate o inquilino do que rompa o contrato de arrendamento de longa duração
Crónicas do Portugalistão
São João da corte?
Desculpem lá, mas que tradição é esta de cortejos de rusgas de S. João no Porto a passar em frente à Câmara para exibição perante um júri? Tradição no Porto?
Dos martelos, alhos porros, balões, sardinhas e cascatas lembro-me há muito tempo. Fogo de artifício, com certeza. Carrinhos de choque e feira popular também. Ver o nascer do sol na Foz, idem. Bailaricos e rusgas a percorrer a cidade também. Concertos na Av. dos Aliados, mais recentemente.
Cortejos em frente à Câmara é que não me constava ser uma tradição. Estou certo que algum leitor vai fazer a fineza de me recordar registos históricos e documentos bastantes para justificar a “tradição”
Mas o S. João sempre foi para mim uma festa popular, descentralizada e espontânea. Liberal, portanto.
Estão a transforma-la num evento planeado centralmente e de reverência à corte?

O que afasta jovens da política?
Marcelo quer saber o que afasta jovens da política.
Bastava ao homem estar atento ao cartaz da conferência, pois a resposta está bem visível na foto abaixo e escrita em Inglês e Português: “ministros responsáveis pela juventude”.

A expressão é rica em contradições. Não só é muito raro haver “ministros responsáveis” como é incongruente a juventude ser tutelada por políticos.
*
ADSE
A indústria do aborto

Começo por contar a minha história. Eu faço parte do grupo de meninas que ainda adolescentes recebem a notícia que estão grávidas. Apesar de já casada, engravidar aos 18 anos não estava nos meus planos. A notícia caiu como uma bomba: e agora? estou a estudar, sou ainda “criança”, não tenho vida organizada, o dinheiro é escasso e tenho planos que este bebé vai “destruir”. O pânico instalou-se. A raiva também. E sentada na casa de banho a olhar aterrada para o resultado do teste só queria que alguém me confirmasse que estava a ver mal. Mas a realidade não era essa.
Naquele tempo não havia recurso ao aborto e sobre contracepção a informação era pouca e os apoios também além de nem sequer existir a pílula do dia seguinte. A pergunta que se impõe é: se o aborto fosse legal, teria recorrido a essa prática? A resposta não é simples pois depende de inúmeros factores mas recordando os sentimentos que tomaram conta de mim, talvez.
Sem outra alternativa, segui em frente. Enquanto não o sentia, tentei abstrair-me daquela realidade e escondê-la na escola o mais que podia. Mas assim que os movimentos fetais começaram, mudei. De repente era como se tivesse pela primeira vez consciência que tinha um ser dentro de mim por quem era responsável. E se até àquele momento só queria que aquela gravidez não existisse, nesse instante passei a ter medo de o perder de tal forma que me tornei obsessivamente preocupada. O medo agora era que nascesse mal formado ou morresse. Tal e qual. Comprava todo tipo de literatura sobre bebés, sobre alimentação na gestação, sobre cuidados a ter na gravidez! Quando nasceu tive a certeza que era a coisa mais importante que tivera até ali.
Se fosse consumado o aborto teria perdido uma mulher extraordinária que preenche a minha vida de amor, entreajuda, amizade, cumplicidade e o Mundo teria ficado mais pobre sem uma grande profissional que contribui brilhantemente para a sociedade numa empresa estrangeira com o seu “know-how” em computação de imagem digital. Ou seja, uma perda imensa para todos.
O aborto foi-nos vendido como um direito em nome da liberdade de escolha mas na realidade não passa de um negócio de biliões à conta da mulher. Isto porque não lhes é dado de facto escolha quando chegam desesperadas e fragilizadas às clínicas de abortos. Na verdade, assim que o profissional as recebe, o único objectivo é levar aquela mulher, cheia de dúvidas, cheia de medos, a decidir pelo aborto. Sempre. Ora, quantas dessas mulheres, se fossem mesmo elucidadas sem fugir uma vírgula à verdade sobre o que é realmente o aborto, quais as suas consequências e alternativas, desistiriam do o fazer? Arrisco dizer: quase todas. Por isso não interessa à indústria que vive deste chorudo negócio.
Num documentário que se tornou filme, “Blood Money”, é revelado o lado obscuro deste negócio nojento com depoimentos, entre outros, de Carol Everett, uma ex-proprietária de um clínica de abortos onde se fala na venda de fetos, na manipulação psicológica da mulher para abortar como sendo a única alternativa ao seu problema. A NAF (Nacional Abortion Federation) é o maior grupo comercial de fornecedores de “produtos” de abortos nos EUA onde 50% dos seus membros e lideranças pertencem ao Planned Parenthood – A Federação de Paternidade Planeada da América que inicialmente era um centro de informações e consulta sobre sexualidade e contracepção para mulheres, criada pela feminista Margaret Sanger em 1916 e hoje é responsável por metade dos abortos legais feitos nos Estados Unidos. Com uma câmara OCULTA foi possível ouvir de viva voz esses médicos infanticidas falar das suas práticas como se de um produto qualquer se tratasse com risos pelo meio. Isto não se inventa.
Uma sociedade que promove a morte, seja de bebés seja de pessoas adultas, não é progressista é regressista, é voltar ao estado selvagem isto apesar de nem na vida animal se registar tamanha barbaridade.
Temos uma crise profunda de valores humanos que urge resolver porque não se pode ser humanista e depois matar por egoísmo outros seres indefesos, sem qualquer necessidade que o justifique, como por exemplo pelo trauma de uma violação ou de um incesto (apesar destes poderem ser evitados com a pílula do dia seguinte), de uma má formação congénita ou perigo da mulher. Quando decidimos matar uma criança no ventre materno, não estamos a tomar uma decisão só nossa, decidimos pela vida que vive dentro de nós. E chamem-lhe o que quiserem com termos “bonitos” como “interrupção voluntária de gravidez” para aliviar consciências, mas isso será sempre matar um ser vivo.
Ter a capacidade de gerar vida é uma bênção que a muitas mães é negado pela natureza, mas por deturpação passou a ser um “problema” quando devia ser o contrário. É aqui que o trabalho da sociedade tem de começar: ensinar em casa e nas escolas a respeitar, valorizar e amar a vida e ajudar a aceitar uma gravidez não planeada como algo nobre e louvável e não o contrário; criar apoios às famílias e jovens mães; tornar as pílulas (inclusive do dia seguinte) acessíveis a todas as mulheres.
Acontece que na escola pública, hoje ensina-se o aborto como alternativa contraceptiva como se pode ler nos Guiões de Educação Género e Cidadania para o Secundário.Não se ensina realmente a prevenir muito menos a ultrapassar uma gravidez não planeada. E o resultado depois é ter jovens frustradas com vários abortos no currículo. Isto não é progresso.
Por outro lado temos políticos que se estão borrifando para a natalidade e que ao invés de a estimular e apoiar fortemente as famílias com pacotes legislativos como na Hungria, incentivam o aborto para depois ir “importar ” imigração ilegal a troco de dinheiro à UE alegando forte declínio demográfico. Isto são factos.
O filme “Unplanned” que estreou recentemente e tornou-se um êxito de bilheteira, demonstra tudo o que acabo de escrever e por isso aconselho que o vejam para depois reflectirem seriamente sobre este tema.
Veja mais aqui:
Reportagem “Blood Money”
Filmagem com câmara oculta na NAF
Trailer do filme “Unplanned”
Então agora não vão dar abracinhos à MAC?
Então agora não vão dar abracinhos à MAC? Ninguem apresenta uma queixa em tribunal como em 2012 fez Daniel Samapio e mais trinta notáveis contra a transferência dos serviços obstetrícos da MAC para o Dona Estefânia? E a senhora juíza que proíbiu a transferência para o Hospital Dona Estefânia e deu 15 dias à tutela para repor o funcionamento de todos os serviços na MAC, sob pena de sanção, onde anda agora?
Deixo aqui o video da campanha Abraço à MAC. Foi em 2012 mas ainda devem ter uns cartazes lá em casa.
Ps. A então diretora do Serviço de Obstetrícia, Ana Campos, não tem, nada a dizer?
E o esquerda.net que publicou estes artigos lindos Domingo: Uma flor pela MAC ;
“Vou hoje ter o meu filho aqui. Não deviam fechar a MAC!”… vai agora fazer-se transparente?
Era o que mais faltava, a culpa agora ser de todos!
Não. não falhámos todos. Os contribuintes não falharam. Nem falharam aqueles que por essa mesma época pediram créditos de poucos milhares à CGD e tiveram de apresentar garantias e mais garantias. Nem falharam todos aqueles a quem simplesmente por que faziam umas transferência de algumas centenas de euros em mesadas para os filhos se viram compelidos a ter de explicar a que se destinava esse dinheiro. Nem falharam aqueles com contas absolutamente modestas e transparentes mas a quem incessantemente os bancos pediam (e pedem) para actualizar os dados de conta: que profissão tem? Onde vive?… Muito menos falharam aqueles a quem as Finanças tuteladas pelo então ministro Teixeira dos Santos aplicavam coimas e legislação errada e a quem o ministro dizia que primeiro se paga e depois se contesta.
Não, dr Teixeira dos Santos não falhámos todos. E não só não falhámos todos como alguns cumpriram as suas obrigações com enormes sacrifícios. Tentar diluir as culpas num magma indiferenciado como fez na comissão parlamentar de inquérito não só é uma atitude moralmente aviltante como um insulto para todos aqueles portugueses que procuram cumprir com as suas obrigações fiscais.
Hoje é dia da ursinha polar
PENSO QUE É PRECISAMENTE O CONTRÁRIO: O DEGELO ESTÁ A PERMITIR AOS URSOS POLARES PROCURAR COMIDA NOUTROS TERRITÓRIOS E ISSO NÃO É UMA BOA NOTÍCIA POIS NESSES TERRITÓRIOS VIVEM PESSOAS CUJA SEGURANÇA FICA AMEAÇADA E POR OUTRO LADO OS URSOS PASSAM A ALIMENTAR-SE NOS DEPÓSITOS DE LIXO.
FICAR EXAUSTO E FAMINTO ACONTECE NA VIDA DOS ANIMAIS SELVAGENS. ESTES AO CONTRÁRIO DOS QUE ESTÃO NOS ZOOS E NOS CIRCOS NÃO SÃO ALIMENTADOS COM REGULARIDADE. E SIM TÊM DE CAÇAR E DESLOCAR-SE PARA SE ALIMENTAR. E SIM, ADOECEM E MORREM. E CLARO OS URSOS POLARES QUANDO SE DESLOCAM EM TERRITÓRIOS COM LAMA FICAM COM AS PATAS ENLAMEADAS.
O QUE ACONTECEU HÁ QUARENTA ANOS PARA QUE OS URSOS FOSSEM À CIDADE?
Ou ainda, a esfregar couratos na testa
Continuar a questionar Vítor Constâncio sobre a Caixa Geral de Depósitos é contraproducente. A partir do momento em que “não sabia” passa a resposta aceitável, uma pessoa percebe que dá por melhor empregue o seu tempo a esfregar couratos na testa do que a reiterar que a ignorância pode mesmo ser desculpa, diga o que disser o livro do Levítico ou o Cícero, até porque quem quer que escreveu o primeiro, assim como o romano, já há muito que só serve para fazer cimento.
Quando eu passei por uma fase má, impossibilitado de arranjar emprego durante quatro anos (por culpa do sistema), fui obrigado a obter o básico para a minha subsistência, como o meu Porsche, através de uma vazio legal, nomeadamente o de não ter sido apanhado pela moina quando roubava martelos pneumáticos nas obras da Estradas de Portugal. Não era bem roubar, pelo que não sinto os remorsos que sentiria se tivesse cometido o que algumas pessoas da direita mesquinha poderiam considerar tratar-se de uma irregularidade: era mais uma espécie de aluguer de longa duração, que consistia em entregar o martelo pneumático transferido da obra para a mala da carrinha do meu cliente (digamos assim) e subsequente furto deste para revenda ao empreiteiro da obra onde originalmente o… vá… palmei. No fundo, uma aplicação da regra “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, ou, no meu caso específico, aí uns cinco mil e quinhentos. Todavia, nunca se trataria de um crime, até porque eu já tinha tudo pensado: se a moina aparecesse, eu explicaria aos senhores agentes que não sabia que os martelos pneumáticos não eram meus. Não só a dupla negação confunde qualquer um, como não haveria forma de provar que tal afirmação é mentira ou até uma não inverdade. Seria o alibi perfeito, ou, dito de outra forma, não seria um alibi não não imperfeito.
Felizmente, a vida começou a correr mais de feição para os meus lados e nunca precisei usar tal alibi perante comissões de inquérito ou bófias. Desde que estou aqui no Banco de Portugal a esfregar couratos na testa que nunca mais necessitei de… levar emprestado… – sim, isso serve – qualquer martelo pneumático. Ainda há quem diga que este país não tem emenda. Só se for para eles.
O que se aprende a ouvir as comissões parlamentares
Tendo em conta tudo aquilo por que segundo Vítor Constâncio o Governador do Banco de Portugal não é responsável tenho a declarar que me sinto capacitada para exercer tal cargo. Aliás eu ou qualquer outro português . Creio que nem é necessário saber somar e subtrair.
Já fizeram as contas?
Somem os custos de manutenção com o corte dos matos mais o IMI e depois digam-me como se consegue retirar rendimento dos terrenos florestais tendo em conta que:
a) não se devem plantar eucaliptos
b) o pinheiro não vale nada e sofre de várias doenças
c) de dez em dez anos um grande incêndio volta a queimar tudo

