A maçonaria pode muito
A fotografia assim a apontar para o céu escamoteia o estado de degradação envolvente: esta dita biblioteca está integrada nuns edifícios de habitação social cujo nível de degradação é bem visível ao nível do chão.

Não sei que tipo de biblioteca será mais adequado para aquele local – infantil, de bairro – mas há duas coisas a ter em conta: a proliferação em Lisboa de espaços municipais destinados a fazer da maçonaria um sinónimo de liberdade levou a disparates como o desta Biblioteca-Museu República e Resistência (BMRR) que em nada a não ser na despesa acrescenta ao Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.
Entretanto um dos espólios mais importantes CML – o de jornais e revistas – saiu do Largo da Misericórdia e foi despejado numas instalações manifestamente desadequadas ali para a Estrada da Luz. Foi despejado é um modo de dizer pq boa parte do espólio está depositado noutro local, A sala de leitura parece um cubículo. O que levou a a CML a instalar ali a Hemeteca é um caso digno de estudo.
(Aliás a escolha da CML dos edifícios para instalar bibliotecas e arquivos a sério parece ser norteada pelo critério do pior possível: o arquivo municipal instalado no Bairro da Liberdade é uma espécie de monumento à má construção e insalubridade)
Antes batiam à porta
Tinha decidido que precisava de uns calções e de sandálias, fui ao Instagram ver o que se usa. Baralhado com as combinações possíveis – não tenho tatuagens, mas posso ter fungos; não tenho barba pelos mamilos, mas posso adquirir piolhos; não depilo as pernas, mas não tenciono andar de bicicleta na estrada nacional – decidi pedir ajuda a um amigo influencer. Liguei para casa dele e atendeu-me a mãe, que, tentando explicar que influencer não é o termo certo para um homem solteiro de quarenta e oito anos que ainda vive na casa dos pais idosos sem contribuir com um tostão, me deu o número de WhatsApp do jovem.
Após falar com ele, dei comigo inscrito nas Testemunhas de Jeová, vou receber durante oitenta e nove meses os restantes volumes da Enciclopédia Britânica (edição de 1973) e, apesar de ter um aspirador novo em folha que canta canções da Broadway com som de besouro enquanto pisca várias luzes coloridas, já não tenho dinheiro para os calções e sandálias.
A maluqueira da apropriação cultural é uma das maiores barbaridades que por aí circulam e como todas as maluqueiras presta-se a distrair os povos da realidade. O governo mexicano liderado por Andrés Manuel López Obrador recuou em toda a linha perante a administração norte-americana no caso do controlo fronteiriço. Recordo que o México não controlava a sua fronteira sul e estava transformado numa espécie de corredor de imigrantes em direcção aos EUA. Jornalistas e activistas acompanhavam a marcha dessas caravanas de milhares de pessoas em direcção ao país que os mesmos jornalistas e activistas garantem ser a fonte do mal do mundo para mais agora governado pela encarnação desse mesmo mal.
Como é óbvio Trump tal como Obama, Bush e Clinton têm de garantir a segurança das suas fronteiras e Trump tal como os anteriores tratou de pressionar o México. E o México cedeu. Ora quando se esperava que essa nova esperança da esquerda que é Andrés Manuel López Obrador desatasse a mandar vir com o capitalismo, mais o Trump, mais não sei quê eis que lhe deu para pedir explicações à modista. Mais propriamente resolveu acusar Carolina Herrera de apropriação cultural. Isto porque esta marca de roupa lançou uns vestidos com uns estampados e bordados que o governo do senhor Obrador entende que fazem parte do patromónio dos povos indígenas. Realmente é bem mais fácil tratar dos bordados do que das fronteiras.
Texto extremamente claro
Foi o dia de Camões. Não só dia de Camões: como em tudo que é nacional e bom, a lógica de sinédoque tomou conta e, para além do dia do poeta, também foi dia de Portugal, das comunidades(?) e do raio que vos parta. Dizem-me que o discurso de João Miguel Tavares foi muito bom. Eu acredito, nem que mais não seja para matar o assunto sem ter que o ir ouvir. Não é pessoal: não é o João Miguel Tavares que eu não quero ouvir, é mesmo a ideia de ouvir um discurso que me faz apoiar imediatamente a eutanásia, em particular a minha. Felizmente, foi Mateus quem esteve na montanha e não eu. Tivesse sido eu e a única recordação que teria para o evangelho seria a de que senti a falta de um corta-unhas para passar o tempo. Que querem? Só há blasfémias em retrospectiva, não é?
Parece que são precisos líderes. Talvez: vocês lá saberão do que precisam, mas eu não preciso de líder, tal como não preciso de verrugas e até já dispenso quem me aconchegue a roupa da cama à noite. Podeis arranjar líderes à vontade, mas eu vou para a praia. Quer dizer, vou para uma praia metafórica, daquelas que tanto pode ser uma praia com areia e caranguejos como pode ser qualquer outro sítio onde não estejam pessoas que precisam de líderes. Já me custa besuntar as crianças com sabão para protecção solar e odor a anos oitenta, mal de mim se andasse para aí à procura de mais gente para besuntar. Porque os líderes são isso, não é? Gente que besuntamos, para que não se queimem com ultravioletas, ou com dióxido de carbono (o inimigo é volátil, quero que este texto seja genérico). Mas, mais que eu não precisar de líderes, a questão que me assola é do porquê de um líder precisar que eu precise de um líder.
É como a questão do liberalismo. Sou eu que preciso do liberalismo ou é o liberalismo que precisa de mim? É que se o liberalismo precisa de mim, parece um bocado socialista esse tal de liberalismo. E se o liberalismo não precisa de mim, porque haveria eu de precisar do liberalismo? Eu e o liberalismo somos amigos, admito. Contudo, como com todos os amigos, nem sempre estou com disposição de ver as trinta mil fotografias das férias no México. De vez em quando, sai-me um “já vi isso na internet”. E, se o amigo gostou tanto das férias no México, porque me maça com fotografias das férias que agora deixei de querer fazer para que não pense que só lá fui para não ficar atrás? Já há muito que percebi que manter amizades é sobretudo dar-lhes espaço sem a minha presença. É isso que faço com o liberalismo, que é meu amigo, mas que não me apetece ver durante uns tempos.
Se me perguntarem sobre o que é este texto, direi que é sobre amigos. Em particular, é sobre amigos que discursam para amigos. Ide, mas é, fazer novos amigos. Vou então para a praia.
a reforma do estado
Do nosso amigo e leitor Luiz de Cabral Moncada, recebemos este texto que aqui se publica:
«Muito se fala na reforma do Estado. Toda a gente concorda que o Estado actual é excessivo, que incrementa por si próprio despesas cada vez mais irracionais e incontroláveis, que alimenta uma burocracia improdutiva que, por sua vez, dele vive e que está povoada pelo nepotismo e pela corrupção. O nosso país é um palco privilegiado para constatarmos os desmandos do Estado. Tudo isto é verdade e está ao alcance de reformas pontuais certamente que bem intencionadas mas que passam muito ao lado da questão de fundo.
A questão de fundo é simplesmente esta: a crise do Estado moderno que saiu da Revolução francesa e do constitucionalismo monárquico é consequência do próprio funcionamento da democracia tal como a conhecemos e vivemos. É um prolongamento dela. Logo desde o princípio que nela estava inscrita a reforma social e, assim sendo, o Estado moderno dos dois últimos séculos prestou grandes serviços: possibilitou o exercício da democracia representativa num quadro nacional estável e pacificado, elevou muito o nível cultural das populações, laicizou o espírito, generalizou o ensino, a saúde e a assistência aos mais carenciados, etc… Em suma; a democracia não ficou pela esfera do político em sentido estrito ou seja, não ficou reduzida a um método formal de contagem de votos e chegou ao concreto nível económico, social e cultural. Ainda bem porque a democracia representativa foi a primeira a lucrar com isso. Na verdade, quanto mais livres e instruídos os cidadãos forem mais valiosa é a democracia representativa e a minha própria liberdade. Isto é inegável. É um imperativo ético.
Só que a chegada da democracia ao nível económico, social e cultural não tem fim: é um caminho sem regresso nem abrandamento. O avanço na democratização da sociedade a todos os níveis gera obviamente votos fáceis e, para os conquistar, os partidos estão dispostos a tudo. Os partidos do establishment avançam sem parar no intervencionismo social porque não cometem suicídio. Os programas de realizações de que se alimentam favorecem o crescimento de uma burocracia governamental não eleita e desconhecida dos cidadãos que concentra quase todo o poder pelo que o parlamento (quase) deixa de ser um órgão legislador. E os tecnocratas arregimentados não se limitam a administrar: legislam. O resultado está à vista. A democracia económica, social e cultural quebra o nexo de representatividade de que se alimenta a democracia política. Favorece o despesismo e o nepotismo. Esmaga a classe média maioritária com impostos e desincentiva o crescimento. Em vez de Estado de bem-estar temos a breve trecho Estado de mal-estar. Os cidadãos, por seu lado, estão atordoados com tanto facilitismo. Estato-dependentes e infantilizados perderam o espírito crítico e individualista que gerou a modernidade. A linguagem política, por sua vez, foi transformada em estúpido economês e sociologuês. Se a linguagem exprime o ser, o do homem actual, parafraseando Ary dos Santos, é cada vez mais anónimo, responsável e limitado. Alexis, visconde de Tocqueville é que tinha razão.
O ponto de equilíbrio entre a democracia representativa e a económica e social é muito difícil. O Estado Social tem grandes vantagens sociais mas tem enormes custos democráticos. Em toda a parte se percebeu isto menos em Portugal, como é habitual.
Reformar o Estado moderno neste contexto a que chegou? Impossível. Já Eça de Queiroz há cento e quarenta anos o dizia. A próxima geração viverá naquele dilema. O que vai acontecer é a substituição do paradigma do Estado moderno que se agigantou durante mais de duzentos anos por um novo paradigma o do Estado pós-moderno. Este não será a destruição do primeiro. As coisas não são assim. Qual o caminho? Ficará para uma próxima ocasião. Mas nem tudo será como dantes.»
PAN all over

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Já chegou o aerograma!
Os amigos uns dos outros. Berardo era amigo de Jośe Sócrates que por sua vez era amigo de Vítor Constâncio. Amigos de alguns dos atrás referidos também eram Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Obviamente Ricardo Salgado era amigo de todos…
Os amigos de Peniche. Em Peniche, onde estão devidamente musealizados, são contra a tortura. Em Lisboa votam contra o pesar pelo massacre de Tiananmen.
Os amigos dos animais. Qualquer um pode ver-se transformado num criminoso simplesmente porque não custeou a hemodiálise do gato ou o tratamento oncológico do cão.
Constâncio
(…) Se o responsável máximo pela regulação do sector financeiro consegue esquecer uma reunião cujo único ponto da agenda era um empréstimo de tal magnitude, feito por um banco público sem garantias reais, é porque é incompetente. Mesmo que nessa época o país tenha vivido momentos de esplendorosa irresponsabilidade e tenha sido sujeito a uma operação criminosa que visava o controlo do poder financeiro, 350 milhões sem garantias reais são 350 milhões sem garantias reais.
É por isso que Vítor Constâncio não pode passar por este processo livrando-se das suas decisões com a desculpa da falta de memória. Ter esquecido tão grande e grave momento faz dele candidato ao cargo do mais incompetente servidor público das últimas gerações. E se não o foi, se guardou a decisão na memória e a omitiu com uma mentira, torna-se um dos principais cúmplices da trapaça financeira que tanto nos custa a pagar.
Manuel Carvalho, Público, 08/06/2019
Quid pro quo
É com o habitual espanto dos tolos que verifico, mais uma vez, que há um inesgotável manancial de acções do estado com capacidade para me surpreender. Seria suposto ter crescido um bocadinho, adquirindo experiência para a destrinça entre conceitos mirabolantes de ficção e tímidas imagens de realidade por comparação. Não, ainda não consigo. Se um amigo dos copos me tivesse dito que o fisco anda aí a fotografar pessoas para demonstrar que adquiriram um Opel Corsa em terceira mão apesar de não terem pago uma das prestações do IMI, acharia que estaria a descrever um bom conceito para argumento para um filme distópico. Todavia, foi o jornal Observador que me disse, pelo que não tenho outra hipótese que não a de aceitar que a realidade suplantou, mais uma vez, qualquer tentativa de esticar os limites da ficção.
Como contra-medida, já que a privacidade das pessoas há muito que ficou perdida numa rotunda de Alfena, sugiro a todos os contribuintes disto a que se chama um país que se dirijam à repartição de finanças e fotografem os funcionários. Sigam-nos até casa, fotografem os carros e as pessoas com quem têm relações sexuais. Fotografem-nos com os filhos à porta da escola. Fotografem-nos na praia, no campo, na cidade, na loja de lingerie, no clube de caçadores e no bar de strip. Fotografem-nos no IKEA, na Pizza Hut e no café do bairro. Interceptem a correspondência deles. Verifiquem se compram na Amazon, por onde passam de carro, quanto gastam de electricidade. Quid pro quo, Clarice.
o aviso está feito
Percebem, agora, por que anda Berardo a rir-se? Porque se começarem a esgravatar muito, rapidamente concluirão que este é, verdadeiramente, o escândalo do regime. O processo Casa Pia foi mau, o BES péssimo, o Marquês uma vergonha. Só que o caso Berardo é horizontal, porque apanha-os a todos e revela a gigantesca fragilidade da República, incapaz de se defender de pilha-galinhas sortidos e de toda a espécie de imbecis, que dispunham, com total liberdade, do dinheiro dos cidadãos para as suas malandrices, como se fossem proventos próprios. Se Berardo falar, disser o que sabe e o que fez e viu fazer, não ficará pedra sobre pedra do regime democrático que julgamos ser. Aliás, seria interessante saber-se como é que o Público «teve acesso» aos documentos que incriminam Constâncio e que hoje publicou. Conforme as boas práticas mafiosas, o aviso está feito.
Democracia não é o mesmo que Liberdade
Em artigo publicado hoje no Observador, defendo que “Desde que a democracia decida sobre o mínimo possível acerca das nossas vidas, os políticos que procuram respostas para a abstenção podem continuar a não se apoquentar e ter confiança na Liberdade.”
O artigo completo, inspirado por um comentário na recente tertúlia organizada pela Oficina da Liberdade, pode ser lido aqui.
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Vitoriosos da vida
Num mundo moderno aturdido pelo pelouro da paralisia colectiva facilitadora de elevar espasmos à categoria de enormíssimo brilhantismo individual, é enternecedor ver a intelligentsia a erguer o bastão para que, só mais desta vez, seja ouvida. Como que desbloqueado com uma dose de L-Dopa sacada do filme Awakenings (1990), o presidente dos afectos, homem de grande empatia pelo seu semelhante – os outros presidentes? -, despertou agora para a “crise da direita”, a que durante anos em muito contribuiu para criar. Mais vale tarde do que nunca e, antes que passe o efeito da droga – no filme percebe-se que a partir de determinada altura os doentes voltam ao estado letárgico -, toca a organizar um comício para resolver “a crise da direita” ou, em alternativa, qualquer outra coisa sem sentido, desde que aparente movimento (e apareça na televisão).
É mais do que evidente que há uma crise na direita: sobre partidos que se apresentam ao eleitorado como derrotados antecipados, a coisa mais simpática que se pode dizer é que estão em crise, sendo que a mais realista seria susceptível de ferir a sensibilidade dos leitores mais alienados. Pode o homem dos afectos contribuir algo para resolver a dita crise? Aparentemente, parece convencido de que impressiona mais fingir que se resolve alguma coisa do que o tenebroso risco de inadvertidamente a resolver mesmo.
Assunção Cristas também parece convencida que dizer agora umas desconexas palavras de ordem é suficiente para que se ignore todas as outras ditas ao longo de anos. Rui Rio parece convencido que é brilhante ao ponto de nem precisar dessas desconexas palavras de ordem, bastando-lhe existir para que, mais cedo ou mais tarde, lhe caia em cima o manto real que o entronize. Amanhã, Santana Lopes vai ao programa da Cristina; Ventura deverá ir à CMTV discutir futebol. Com isto, qualquer um deles contribui mais para a resolução da “crise da direita” do que contribui o comício de recandidatura do senhor presidente.
Pouco importa que o leitor seja ou não crente: nesta hora de aflição, que Deus tenha é piedade de nós.
o legado político de sá carneiro
A morte prematura de Francisco Sá Carneiro representou o Alcácer-Quibir da direita portuguesa. Depois dele, nem mesmo Pedro Passos Coelho e Paulo Portas entenderam que a direita só pode almejar o poder se for capaz de se juntar num bloco coerente alternativo ao socialismo. Foi isso que Sá Carneiro fez com a primeira Aliança Democrática: juntou a direita partidária e civil para propor ao país um rumo diferente daquele que o PS lhe dava. O país compreendeu-o e deu-lhe o poder.
Morto Sá Carneiro e desfeita a AD, o PSD triunfaria três vezes consecutivas com Cavaco Silva, duas delas com maioria absoluta. Só que Cavaco nunca pensou para além de si e do seu momento, e não tinha uma visão ideológica do PSD, nem do espaço eleitoral que durante dez anos monopolizou como coisa sua. A aridez do cavaquismo secou a direita, que apenas o jovem Portas e o seu O Independente conseguiram circunstancialmente reanimar. Para além disso, como um bom autocrata que era, Cavaco encheu o partido de concordantes nulidades absolutas, como Manuela Ferreira Leite, ou de carreiristas inescrupulosos, como Dias Loureiro e a maltosa do BPN. Algumas destas entidades espectrais, como a mencionada senhora, ainda hoje pairam por aí, falam em nome do partido que foi de Sá Carneiro e dizem asneiras bíblicas, com direito a cobertura televisiva, que deviam envergonhar um aluno do primeiro ano de Economia.
Da sucessão de mediocridades que lideraram o partido laranja depois de Cavaco, nunca nenhuma se lembrou do que fizera Sá Carneiro: juntar a direita num bloco eleitoral não socialista e submetê-lo ao sufrágio dos portugueses. O malogrado líder laranja encheu a boca de todos – todos eles “muito sácarneiristas” – mas nenhum deles percebeu, verdadeiramente, em que consistiu o seu legado político. Agora, para tirar António Costa do poder e contra-atacar o frentismo de esquerda que ele conseguiu inteligentemente criar, constata-se, quarenta anos depois, que Sá Carneiro tinha toda a razão. Com menos do que isso, a direita não regressará ao poder.
Costices
Apesar da evidência em sentido contrário, Costa e o PS andaram durante duas semanas em campanha a defender que o Pedro Marques era o melhor candidato pelo seu currículo como ministro do planeamento e infraestruturas.
Obtido o resultado de terem despachado o coitado do Pedro Marques com apenas mais 1% do que a votação poucochinha de há 4 anos, eis que o governo já pode pedir sem esconder a sua desfaçatez, «desculpas» pelo mau serviço de transportes públicos, responsabilidade do governo nos últimos 4 anos e também do seu antigo ministro Pedro Marques. É tudo descartável.
D-Day
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Os fala-barato
02 Junho 2019 às 19:57: Oficiais de Justiça vão ter suplemento integrado no salário base. O suplemento remuneratório atualmente pago aos oficiais de justiça como compensação pelo trabalho de recuperação dos atrasos nos processos vai ser integrado na sua remuneração base, segundo prevê o projeto de Decreto-Lei de Execução Orçamental.
Felizmente que a humanidade vai acabar em 2050 porque caso contrário os portugueses morrem sozinhos dado o impacto nos nossos impostos desta legislatura.
Para o menino Adam Smith, uma salva de palmas!
E já cá está a boa acção do dia…
O combate à apanha mecanizada nocturna de azeitona. A proposta veio do PAN e logo se multiplicaram os títulos dando conta da ignomínia que o PAN pretende combater:
PAN quer travar colheita mecanizada de azeitonas à noite para proteger aves migratórias
Sendo certo que este tipo de apanha de azeitona é responsável pela morte de muitas aves cabe perguntar: porque se apanha azeitona à noite? Ou mais precisamente pq optam alguns agricultores pela apanha nocturna? Porque as temperaturas sempre mais altas que acontecem durante o dia podem degradar a qualidade do azeite.
Os jornalistas não têm o nº de telefone do ministério da Agricultura? Dos produtores de azeite?… O mundo rural desapareceu como voz das notícias e é agora um palco para os urbanitas mostrarem a sua pesporrência iluminista.
Vergonha
Diogo Moura, deputado Municipal do CDS na Assembleia Municipal de Lisboa dá conta da recusa da atribuição da Medalha de Mérito Cultural do Município de Lisboa a António Filipe Pimentel, até agora director do Museu de Arte Antiga:
A Assembleia Municipal de Lisboa acaba de votar uma proposta, subscrita pelo deputado independente Rui Costa, por mim pelo CDS e pela Aline Gallasch-Hall de Beuvink, reconhecendo a importância do MNAA, o papel do António Filipe Pimentel na direção do museu e a proposta de atribuição da Medalha de Mérito Cultural do Município de Lisboa.
Vergonhosamente, o PS e 3 deputados independentes chumbaram a atribuição da medalha, contando com a abstenção do BE.
The World Turned Upside Down
Trump está em Londres. Os jornais competem para mostrar cada um deles o protesto mais original perante a presença do presidente dos EUA na Europa. Nas últimas décadas, à excepção de Obama, cada visita dos presidentes norte-americanos (todos eles eleitos democraticamente) à Europa é invariavelmente acompanhada por protestos de activistas europeus que invariavelmente se caracterizam por uma absoluta distracção perante as atrocidades cometidas pelos mais sanguinários ditadores, desde que o ditador em questão seja acarinhado pela esquerda. Já os presidentes dos países que mantêm relações tensas com o Ocidente podem contar com a ausência de protestos por parte dos frenéticos activistas ocidentais: quando muito alguns imigrantes provenientes desses países organizam uns protestos tão menos visíveis quanto mais poderoso é o ditador em questão. Quando o preidente da CHina, Xi Jinping, visitou LOndres acabou-se numa discussão sobre uma escultura muito simbolicamente designada The World Turned Upside Down ( e sim a London School of Economics está a pensar alterar a escultura para não ofender a Republica Popular da China)
A propósito dos protestos contra Trump quantos ingleses já protestaram contra isto: «o Partido Comunista Chinês rapidamente aproveitou o ímpeto tecnológico para impor a sua própria agenda totalitária. Assim, hoje, poderá ser considerado um mau cidadão aquele que, por exemplo, não pague uma multa a horas. Só isso? Não.
O cidadão faz uma crítica ao regime numa rede social? O seu rating baixa.
O cidadão passa demasiadas horas a jogar no computador? O seu rating baixa.
Comete a heresia de não passear o seu cão com uma trela? O seu rating baixa.
É cristão em Henan ou muçulmano em Uyghur? O seu rating baixa.
Quem nos defende do Estado?
Nasceu pobre com mais 10 irmãos e sem pai e à custa de trabalho árduo chegou a empresário de sucesso com um património de mais de 8 milhões de euros e sem qualquer dívida. O azar deste homem foi ter cruzado com o Estado Português que depois de o lesar, o deixou na completa miséria.
Foi o maior construtor e detentor de área urbana de Abrantes. Mas uma ilegalidade cometida pela Câmara Municipal haveria de o transformar num pastor (emprestaram-lhe um terreno e trata de 120 ovelhas, 18 burros e uma égua) a sobreviver com 300 euros de Rendimento Social de Inserção, venda de lenha e biscates por via de uma insolvência forçada que lhe levou também a casa, recomprada em leilão por amigos, para que pudesse regressar àquele que era seu lar mediante o pagamento de uma renda.
Este lesado do Estado com 10 anos já guardava gado e tal como muitos da sua época, concluiu apenas a 4 classe por ter de trabalhar para o sustento dos seus na agricultura. Aos 12 já era dono de porcos e ovelhas para mais tarde trabalhar numa fábrica de malas. Aos 16 passou a caixeiro viajante mas o 25 Abril de 74 havia de determinar a sua saída pois a revolução fechou metade das fábricas com as quais trabalhavam o que o obrigou a regressar à agricultura. Empreendeu depois na área da pecuária com um negócio de criação de gado e venda porta a porta dos produtos derivados, abastecendo todas as pessoas da zona. Começou em simultâneo a trabalhar como servente numa empresa de construção civil de Abrantes para mais tarde criar sua própria empresa de construção: a Construções Jorge Ferreira & Dias, Lda., uma empresa que o fez ganhar a alcunha do “Belmiro de Abrantes”.
Mas o destino haveria de o trair. Em 2000 é confrontado com um pedido de pagamento de uma espécie de “dízimo” à Câmara quando lhe fazem chegar uma factura de milhares de euros dizendo que “era normal pagar alguma coisa” caso quisesse que as suas urbanizações fossem aprovadas. Desde esse dia viu todas as suas autorizações de construção negadas: o projecto Urbanização Encosta Norte foi aprovado mas nunca obteve alvará ficando impedido de vender por falta de licença de habitabilidade; noutro pagou durante 7 anos a água aos inquilinos com água fornecida em contador de obras. Pelo meio, a descoberta de falsificação de documentos pelos serviços autárquicos e tentativas de corrupção para que os projectos seguissem aprovados e que apesar da sua queixa na PJ, foram arquivados. Quando surgiu a hipótese de vender por 2,5 milhões um terreno para a Ofélia Clube, acaba por ver o negócio perdido por desistência do Grupo de investidores porque o projecto pura e simplesmente não avançava.
Mas o pior estava para vir: o processo nº 1148/09, uma acção interposta pela Câmara Municipal de Abrantes em 2009, que acusava a empresa de Jorge Ferreira de apropriação de uma parcela de terreno no Olival do Barata, na Encosta Norte da cidade, uma acção fixada em 118 mil euros, um “erro” que não era erro nenhum da Câmara, que haveria de o precipitar para uma insolvência completamente desnecessária uma vez que à data tinha imóveis avaliados em 2,7 vezes o valor dos créditos a liquidar. Mais: tinha um pedido de indemnização de 6 milhões de euros à Câmara de Abrantes a decorrer no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria já depois dos tribunais de Évora, Abrantes e Supremo Tribunal de Justiça o terem absolvido. Acabou aqui o inferno? Não. A Câmara de Abrantes continuou a insistir em tirar à força o terreno e interpôs novo processo desta vez para reclamar a separação da parcela à massa insolvente da empresa de Jorge alegando usucapião, também este negado pelo tribunal.
E que “erro” foi esse que deu origem a este maldito processo nº 1148/09? Uma empresa de automóveis vendeu à Câmara um terreno que não era seu mas sim de Jorge com hipoteca à CGD. Apesar do alerta nos serviços da câmara, de o mesmo ter provado ser o proprietário legítimo com documentos, foi totalmente ignorado. Em 2016 outro caso estranho: Jorge Dias havia assinado um contrato de promessa de compra e venda de um terreno seu para construção de uma ETAR com a Abrantáqua, uma empresa municipal, mas o contrato nunca foi cumprido e mesmo assim foi construída a dita ETAR sem autorização de Jorge.
Com a vida feita em cacos, este sobrevivente lesado do Estado que possuía uma empresa sólida e conceituada, espera agora na miséria absoluta, que a Justiça lhe reconheça o direito a uma indemnização de mais de 6 milhões de euros.
Ficou chocado com esta história? Saiba que por todo o país abundam testemunhos destes, presentes e passados, que apenas não foram notícia. Lembro-me de um construtor civil da minha terra ter-se suicidado por causa da Câmara Municipal de Viana do Castelo que o sufocou em dívidas e matou a sua empresa. Deixou carta a explicar. Outros não se mataram mas ficaram literalmente sem nada por culpa exclusiva de um Estado caloteiro, criminoso e desumano que os obrigou a recomeçar a vida do zero.
Porque o Estado não é nem nunca foi pessoa de bem. É um conjunto de escroques que servem o “amo” em Lisboa e servem-se a eles próprios pouco se importando com o rasto de destruição que deixam.
É este o Estado que temos. Resta-nos rezar para que tal como o Jorge, não se atravesse nas nossas vidas porque do Estado, meus caros, ninguém nos defende.
(foto de Paulo Jorge de Sousa da Médiotejo.net)A abstenção tem que acabar e é já
Depois do choque pelo resultado do PAN, com a consequência de todos procurarem um ambientalista para embalsamar em generalidades sem sentido escarráveis em programas eleitorais, emerge o gravíssimo problema da abstenção. O português é assim, só está bem a resolver problemas cuja existência ignorara durante centenas de semanas precedendo as eleições. Subitamente, sem os preparos de um bom jantar seguido de cinema, eis que saem do covil os defensores do voto obrigatório.
Em que consiste o voto obrigatório? Consiste na obrigação de manifestar a indiferença pelo resultado da eleição por meios mais activos, como ir agredir velhotes, roubar carteiras por esticão ou, calhando, violar uma ou duas pelo caminho para exercer o seu direito compulsivo. Não é que os abstencionistas sejam todos ladrões e violadores: isso seria preconceito e o que a história recente nos mostra é que a classe social da delinquência não só tem hábito de votar como tem especial apetência para concorrer às eleições propriamente ditas. Todavia, como algo tem que ser feito para combater a votofobia, tal como é suposto combatermos todas as fobias inventadas, mais vale que o individuo que escolheu não se manifestar nas eleições seja obrigado a o fazer em sede própria, em total liberdade compulsiva, para o bem da democracia e blá blá e coisas assim. Pode colocar-se a GNR em rotundas e, ai de quem não apresentar o recibo do voto: fica logo com o carro apreendido, que é para aprender.
Há quem argumente que a ideia do voto obrigatório é trazer as pessoas que não votam para a responsabilidade social pelas políticas a implementar. Quais responsabilidades sociais? Quais políticas a implementar? A atitude mais sã perante os últimos quatro anos é a de não querer ter nada a ver com isto. Não ir votar é um direito fundamental básico de uma democracia liberal.
Já sei que é preciso mudar mentalidades: poderíeis era começar pelas vossas.
Do heteropatriarcado branco ao matriarcado negro?
O próximo suplemento vai ser aprovado quando?
Isto é fantástico: aprovou-se um suplemento salarial para que os trabalhadores recuperassem processos atrasados. Quantos foram recuperados? Qual o sucesso desta medida? Quantos processos estão atrasados? Quantos se continuam a atrasar?…
Nada se esclarece. Agora o suplemento vai fazer parte do salário. Dentro em pouco novo suplemento será aprovado. Como escreve Helena Garrido: «Esta foi uma legislatura de segmentação muito racional do eleitorado. Não se promoveu o interesse público, mas actuou-se em segmentos de mercado eleitoral relevantes para garantir a conquista e manutenção no poder. Se somarmos os funcionários públicos e os pensionistas – com especial relevo para os das pensões mais elevadas –, verificamos que a prioridade à recuperação dos rendimentos é a estratégia vencedora de eleições. »
Tomar nota
fez-se luz
Com excepção de saber que existe e que, por qualquer bizarro motivo, está convencido de que é o homem certo para liderar o PSD e ser primeiro-ministro de Portugal, desconhecia, por completo, quem fosse o cidadão Miguel Pinto Luz. Tendo-o ouvido, hoje, na TSF, numa longa entrevista que deu a essa rádio, fiquei a saber algumas coisas sobre a sua persona política. Não sei se isso foi bom.
Dentre elas, que tem grandes «ideias sobre o país», que conta, por um destes dias, transmitir ao seu partido e, pior do que isso, ao dito país, o que é bem mais grave, já que nos atinge a todos. Em seguida, que o PSD só voltará às «vitórias» se souber ir «buscar os melhores à sociedade civil», ideia revolucionária de tão inovadora, que me faz meditar por que é que até agora ninguém se tinha lembrado dela. Por fim, que é gravíssimo que a Câmara de Lisboa só seja proprietária de 2%, 3% dos imóveis da capital, porque tamanha ninharia a impede de realizar obra social na habitação. A título de exemplo, referiu que a de Paris detém cerca de 25% do património imobiliário da cidade, percentagem para a qual nos encaminharemos, caso Pinto Luz alguma vez chegue ao poder.
Não ambicionando ser líder de partido nenhum, muito menos primeiro-ministro deste endividado país, tal como Pinto Luz eu tenho também algumas convicções íntimas. De todas, a mais relevante é a de que, por um destes dias, me sairá o Euromilhões. Com a diferença de que saberei o que fazer ao dinheiro.
Olhar para os pés
Desde as eleições europeias, não há dia que passe sem alguém a procurar as virtudes do PAN para as copiar para o seu próprio clube. Vai ser difícil encontrar algo repartível por todos os partidos interessados: não só estes já possuem abundância de generalidades como nenhuma das propostas sobrevive aos requisitos mínimos da lógica, propósito e sentido de proporção. Todavia, dada a nova mania por profecias de apocalipse por garotas expostas em instituições tornadas tendas de circo, o mais certo é que toda a gente termine a declarar o amor incondicional a plantas e ódio visceral ao dióxido de carbono que estas usam para oxigenar pessoas e bichos (passe a redundância).
Não é que o ambiente não necessite de cuidados: até precisa. Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde afirma que só em 2015 morreram 429.000 pessoas com malária, sendo que cerca de 70% destas mortes ocorreram a crianças de idade inferior a 5 anos. Não sei se há uma quantidade certa de tofu que devemos comer para conter a epidemia de malária, mas – e aqui assumo a minha discordância pela preservação de espécies estúpidas – quanto mais tofu existir, mais eu posso usá-lo para esborrachar e absorver ao mesmo tempo os estúpidos mosquitos.
A Avert diz que 3 em 4 das novas infecções de SIDA na África subsaariana ocorrem em raparigas e jovens mulheres dos 15 aos 24 anos. Para evitar a repetição dos 380.000 mortos na região em 2017 com a doença, qualquer um vê que o que é preciso é tornar obrigatórias as quotas paritárias exigidas pelas feministas-missionárias para o parlamento português.
As tarifas proibitivas impostas aos países em desenvolvimento que impedem as pessoas de se estabelecerem, criando riqueza que lhes permitiria sairem de abjecta pobreza e permitindo que o privilégio do “mercado livre” seja exclusivo da oligarquia emergente da luta contra a “opressão colonial”, são, obviamente, combatidas através da proibição internacional de palhinhas de plástico.
A erosão da costa, que coloca em risco a casa do autarca nas dunas, é, como não teria de deixar de ser, combatida com políticas de supressão de açúcar nas dietas escolares: coma quinoa, aumente o areal.
Assim sendo, não é de admirar que aumente o interesse de todos pelo PAN: o planeta é só um, mas a distracção humana pelo mal dos outros origina múltiplas hipóteses para que cada um cultive as suas alegres virtudes.
mas, afinal, o que querem os “críticos” de cristas?
O CDS nunca teve um verdadeiro programa, nem uma ideologia vincada que o distinguisse do PSD, ou até mesmo, em certos momentos, do PS. O CDS é um partido que, depois do fim da primeira AD, se circunscreveu a uma quase inexistência – o célebre reduto do «táxi» – e, excepcionalmente, no fim do cavaquismo, com Monteiro e Portas, ou melhor, com Portas e O Independente, conseguiu voltar a ter alguma expressão eleitoral, até chegar a um governo que provavelmente lhe terá sido fatal. Ideologicamente, após o ciclo de Freitas do Amaral, cuja grande preocupação era dizer que o partido não era de direita e que estava “rigorosamente ao centro”, ainda se animou fugazmente com Lucas Pires, onde se inclinou para um certo liberalismo europeísta, tendo logo avançado para um conservadorismo requentado e salazarento com Adriano Moreira, posicionamento orgulhosamente herdado por Manuel Monteiro. Com Paulo Portas ensaiou-se uma rábula de retorno à “democracia-cristã” e a um conservadorismo que nunca foi genuíno. Quando chegou ao governo, o partido de Paulo Portas limitou-se a cumprir o programa da troika, com mais ou menos espasmos, como é natural em partidos que se preocupam com votos e eleições.
Tudo isto – que é a história sucinta (como tinha de ser) do CDS – fez dele uma agremiação de amigos e não propriamente um partido político com espessura sociológica. Basta pensar na ausência de uma verdadeira implantação autárquica, ou nos dirigentes das estruturas locais que as dominam, para vantagem própria e de uma muito pequena corte pessoal (estude-se, por exemplo, o caso do governo do partido no Porto nos últimos 25 anos), para percebermos o fenómeno. É um partido que chega, na melhor das hipóteses, a 8%, 9% do eleitorado em legislativas, se tiver um líder mediático e fossão, como Paulo Portas era, e que ambiciona ter votos suficientes para ter 116 deputados juntamente com o PSD. E por aqui se fica.
Nessa medida é quase ininteligível o que pretendem, agora, os «críticos» da Doutora Cristas. Queixam-se de que o CDS não tem “ideologia” e “mensagem”? Mas qual “ideologia” e qual “mensagem”? E quando é que as teve, se alguma vez as teve? Reclamam da excessiva “jovialidade” e falta de peso e perfil conservador da líder? Será que já se esqueceram do «Paulinho das Feiras»? Do Manuel Monteiro das campanhas do mar e da agricultura? Custou-lhes ver a patetice do CDS alinhar com o Bloco e o PC (e, já agora, com o PSD) na estória dos «direitos dos professores»? São capazes de ter razão, mas, por pior que tenha sido a patetice, nada que se compare, por exemplo, com a «demissão irrevogável» em pleno ajustamento de um país sob intervenção externa. E que tenham a seguinte certeza nas suas esclarecidas cabecinhas: o CDS só existe se tiver um líder que “passe bem” na televisão e nas feiras. Portas era exímio nisso e Monteiro não lhe ficava a uma distância abissal. Cristas tentou reproduzir o fenómeno e nada garante que não consiga (ou que consiga) duas mãos de deputados nas próximas legislativas. Por conseguinte, as críticos da Doutora Cristas, antes de de isolarem num convento para meditarem sobre as grandes questões da política e da humanidade, que procurem alguém que cumpra esses requisitos teatrais, à garupa de quem possam continuar a manter os seus pequenos poderes. O resto é pura ficção.
Ganhou o “partido” da abstenção por maioria absoluta
Arrumem lá os foguetes. Guardem a vossa euforia. Não há vitórias para ninguém quando apenas 33% do eleitorado se manifesta claramente nas urnas e desses, 6,94% foram nulos e brancos. Quem ganhou estas eleições foi o “partido” da abstenção com uma mensagem bem clara a todos os partidos, sejam velhos mumificados ou novos: estamos fartos da conversa política que não convence!
Era preciso acordar os abstencionistas. Era preciso motivar este grande grupo de desiludidos e revoltados que deixaram de se rever nas políticas de “bla bla bla” do costume e que ainda os sacrifica mais do que os beneficia a cada eleição. Era preciso convencer estes cidadãos mais exigentes com uma linguagem, uma atitude, uma mensagem mais assertiva, forte e acima de tudo de verdade, sem medos nem tabus capaz de chegar a todos, transmitindo transparência, confiança e sobretudo capacidade de liderança forte para combater todos os lobbys instalados sejam das energias, dos transportes, das obras públicas, das finanças, da justiça, das LGBT, da educação, da saúde. Tudo! Mas não.
Sempre com pinças para agradar a gregos e troianos, nenhum foi capaz de se afirmar convincentemente e de forma clara, do lado do povo nas suas aflições, nos seus anseios, nos seus medos, nas suas inseguranças, no seu desespero. O povo – aquele que sustenta este país mas nada recebe em troca e que exige pulso nos comandos – não se reviu nesta campanha e perdeu-se este eleitorado.
Já fui abstencionista e sei do que falo. Sei o que é estar à frente de empresas por várias décadas e ver o país a passar de rosa para laranja e laranja para rosa, num bailarico constante e continuar a mesma exploração sobre quem desconta, sobre quem produz para sustentar sempre os mesmos parasitas, do Estado e particulares. Perceber que a mudança de cor pouco traz de novo e só se safa na vida quem estiver ligado ao sistema, ou então com cunhas ou subornos. Que a corrupção, ganhe quem ganhar, continua, o saque fiscal continua, o abandono da população continua. Eu sei o que é vê-los a passar com panfletos e bandeirinhas e responder com rispidez e muita convicção: vocês são todos iguais! Eu sei porque fui uma delas.
Por isso, o aparecimento de novos projectos era fundamental para quebrar este ciclo de alternância de poderes sempre nos mesmos, com as mesmas velhas políticas, velhos truques de campanha para enganar palpavos, a mesma conversa do promete muito mas depois não faz nada de estrutural. A vantagem dos novos era mesmo essa: terem a ficha limpa e poder transmitir esperança numa reforma para Portugal. Mas ser novo não basta dizer-se que o é. É preciso fazê-lo sentir às pessoas para que não digam que é mais do mesmo. E para fazer sentir é preciso estar dentro dos assuntos que as afligem, conhecer por dentro essas realidades, ter essa proximidade de vida e falar abertamente sobre os temas, sem receios, com mais soluções que promessas. Ajustar a narrativa à realidade e não a fantasias.
Ora foi precisamente por não terem chegado ao povo que o povo virou costas. Foram 7 milhões e 800 mil eleitores que mandaram à fava os políticos. Dá que pensar.
Reverter não será fácil porque os desiludidos abstencionistas só se levantam do sofá se acreditarem mesmo na mudança e sentirem que vale a pena. Os outros, que vivem do Estado, e são milhões deles, não faltarão mesmo coxos, a rastejar ou moribundos porque esses sabem que o Estado socialista é seu ganha pão.
Mesmo assim, e ao contrário da propaganda dos média, a direita cresceu nestas eleições em comparação com os resultados de 2014 com 29,94% do PSD, CDS, PPM, PNR, PND, PPV, e PDA e agora em 2019 com 33,99% do PSD, CDS, Aliança, Basta, Nós Cidadãos, IL e PNR. Não chegou aos resultados do resto da Europa apenas porque temos tido “sorte” e ainda não fomos contemplados com os graves problemas sociais que o socialismo criou por lá e por isso anda tudo anestesiado a flutuar numa nuvem cor de rosa fofinha de paz e amor. Sairemos disto, mais cedo ou mais tarde, quando o sistema socialista colapsar, quando a desgraça nos chegar ao pêlo. Até lá, é isto.
A chacina das sardinhas
Tudo isto com as necessárias adaptações ao local/ espécie se pode escrever sobre a pesca à sardinha: Os animais foram brutalmente assassinados para a sua carne ser comercializada – algo que acontece frequentemente nesta região por esta altura do ano
Acontece que o texto não é sobre sardinhas mas sim sobre baleias. Este texto sobre a caça às baleias é um produto da ideologia PAN: Ilhas Faroé. Nova matança de 250 baleias e golfinhos provoca “maré vermelha” A chacina ocorreu esta quarta-feira e é comum nas Ilhas Faroé, sobretudo no verão. Os animais foram atraídos para a costa e mortos com arpões. Uma multidão assistiu ao processo.
A caça às baleias nas Ilhas Faroé é um exemplo do ambientalmente sustentável: estão regulamentados os métodos e o equipamento utilizado pelos pescadores; esta prática ajuda a garantir que as 18 ilhas do arquipélago são o mais auto-suficientes possível, pois cada baleia rende vários quilos de carne e pele que os habitantes locais consomem. Não menos importante os residentes nessas ilhas não são transformados em bonecos. A vida fora da bolha urbana não tem nada a ver com aquilo que os pretensos amigos dos animais dizem e defendem. A caça faz parte desse modo de vida e é essencial para a manutenção dos ecossistemas.
De tabu em tabu
A propósito do suicídio de uma mulher espanhola cujos colegas de trabalho partilharam um video de cariz sexual que a envolvia já se começa a sugerir mais uma responsabilidade para as empresas:«Que se saiba, V. não recebeu qualquer apoio psicológico por parte da empresa e, se trabalhasse em Portugal, dificilmente teria recebido. “A maioria das empresas portuguesas não estão preparadas para dar apoio em caso de assédio. E quando digo maioria, refiro-me a 95% das empresas. O assunto ainda é tabu”, diz Frederico Assunção, declarou ao Expresso advogado especialista em direito do trabalho.» E assim lá vamos nós derrubar o tabu e exigir às empresas apoio psicolóǵico para os trabalhadores.
Entretanto, em Espanha discute-se se o video foi posto a circular por um antigo namorado porque nesse caso será violência de género e sendo violência de género a moldura penal será mais grave.
Em resumo os crimes não são crimes ou são um bocado mais crimes consoante a perspectiva sociológica do antetítulo: violência de género é o que está a dar. E as empresas essa estrutura do heteropatriarcado branco claro que alguma culpa terão no caso. Enfim, acabaremos todos funcionários públicos ou a trabalhar para as grandes empresas pois estas não só sobrevivem como aproveitam para esmagar a concorrência através desta proliferação de planos contra isto e aquilo, gabinetes de apoio, programas de combate ao último flagelo.
Convite
Esta sexta-feira às 18h30, no Círculo Eça de Queiroz no Chiado em Lisboa é feita a primeira apresentação pública do livro promovido pela Oficina da Liberdade.

Trata-se de uma colectânea de textos originais de diferentes estilos e de um conjunto muito diversificado de autores que, diria, têm em comum a característica de rejeitarem a crença na possibilidade de garantir a ordem social por via legislativa, desconfiarem do exercício do poder e combaterem a tentativa de criar um mundo novo e ilusoriamente justo, ordenado centralmente por via do poder estatal.
Além do convite que dirijo a todos os leitores do Blasfémias a estarem presentes neste evento, deixo abaixo o índice do livro para estimular a leitura da obra.
ÍNDICE:
- Prefácio (João Cortez)
- Introdução (José Bento da Silva)
Parte 1 – Liberalismos: história e movimentos
- Escola Austríaca: das origens aos desafios (André Azevedo Alvese José Manuel Moreira)
- Libertarianismo (Stephan Kinsella)
- Liberalismo e Cristianismo – A Emergência das Instituições e a Ética Processual (Ricardo Sousa)
- Objectivismo (Miguel Botelho Moniz)
Parte 2 – Liberalismo em Portugal
- História do liberalismo em Portugal (Rui Albuquerque)
- Faz sentido um partido liberal? (Adolfo Mesquita Nunes)
- Salazar, o inferno somos nós (Gabriel Mithá Ribeiro)
- Direita: o futuro do passado (José Meireles Graça)
- Ser empresário em Portugal (Alexandre Mota)
Parte 3 – Economia
- Impostos e máquina fiscal (Ricardo Arroja)
- A liberdade e a austeridade (Daniel Lacalle)
- É Exclusivo um Mercado-Livre? (Juan Ramón Rallo)
- Balança comercial e promoção das exportações (Telmo Azevedo Fernandes)
- A Teoria Monetária do Ciclo Económico (Rui Santos)
- A Moeda e o Juro, o Bitcoin e a Teoria da Moeda (Carlos Novais)
- Mercado de trabalho: mais liberdade, menos irresponsabilidade (Pedro Martins)
- Segurança social (Ricardo Campelo de Magalhães)
- Uma visão liberal da saúde (Mário Amorim Lopes)
- Rendimento básico de inserção (Carlos Guimarães Pinto)
Parte 4 – Sociedade
- Os Social Justice Warriors (Vítor Cunha)
- Politicamente correcto e liberdade de expressão (Helder Ferreira)
- Opinião pública versus opinião publicada (Eduardo Cintra Torres)
- Cegos, surdos e de preferência mudos (Alberto Gonçalves)
- O Estado Moderno e a Criatividade (Carlos M. Fernandes)
- Governos Tóxicos (Gloria Alvarez)
- Breves reflexões sobre os novos horizontes no Brasil (Ubiratan Jorge Iorio)
O recaldo [sic] das eleições europeias
INSTRUÇÕES: Ponha o vídeo seguinte a tocar, só depois deverá começar a ler o texto que se segue.
Toda a gente, dos comentadores do costume a uma codorniz albina perdida, cumpriu a missão de escrever sobre as eleições europeias, pelo que sei que este texto está em falta aos portugueses de norte a sul, em particular à vasta maioria silênciosa que nunca me leu, nunca me lerá e, que, dado o caso de inadvertidamente me ler, ficaria a saber exactamente o mesmo que sabia antes da proeza.
Todos ganharam, em particular o Aliança, o Iniciativa Liberal e o Chega/Basta/Sai-Da-Frente. Estes partidos conseguiram a proeza de ter o maior crescimento de votos, mais propriamente uma variação positiva de +∞ em relação às últimas eleições. Estão, por isso, de parabéns. Menos espectacular foi a vitória do CDS-PP, que, registando um aumento significativo de amicícia pelo socialismo, conseguiu eleger apenas o eurodeputado que viria a ser caracterizado, através da letal frase “somos da direita democrática, sim, mas devemos voltar a pôr o foco na resolução dos problemas concretos das pessoas”, como o indivíduo que não resolve os problemas concretos das pessoas. Quais pessoas? Não sabemos, principalmente porque o que “as pessoas” disseram nestas eleições foi que não têm problemas ou, se os têm, não é através de cruzinhas em boletins que os resolvem.
Também de parabéns está o PSD, que conseguiu a proeza de obter um resultado verdadeiramente histórico. O doutor Rio já explicou que “[a abstenção] não é uma vitória para quem não vota”, o que, provavelmente, significará que a abstenção é uma vitória para quem vota. Isto não só parece insultuoso para quem queria ver programas tão bons de televisão – como o “Missão 100% Português” ou “O Preço Certo em euros” – e aguentava estoicamente com propaganda eleitoral do doutor Marinho Pinto, como parece insultuoso para qualquer baterista que não consegue manter o tempo certo dos tempos que correm. Seja como for, está tudo verdadeiramente empenhado para que os resultados do partido nas próximas eleições legislativas sejam ainda mais espectaculares, pelo que os parabéns se estendem também ao empenho dos militantes por garantirem aguentar o estado comatoso durante o Verão.
O PS foi um vitorioso tímido, admito, mas está de parabéns na mesma por conseguir acabar com a austeridade, com os incêndios florestais, com a saúde, com a educação e com a esperança de o país não se assemelhar a uma valente merda. A recompensa por tão meritório trabalho é a oportunidade de apunhalar os socialistas franceses com uma mega-geringonça europeia entre liberais e outros profissionais do esquecimento colectivo.
O Bloco de Esquerda também está de parabéns pelo aburguesamento que permite encurralar o PCP nas manifestações de professores que se propiciam para o início do ano lectivo, podendo aumentar assim, tão merecidamente, o tempo de férias dos estudantes, de preferência até Dezembro ou – porque não? – Maio de 2020. Férias alargadas permitiriam uma maior rentabilização do prédio Robles, pelo que só podemos estar de acordo. Aliás, sem aulas, acabaria o problema da doutrinação LGBTi++, o que mataria dois coelhos com um Sócrates só.
O PAN também está de parabéns pela aparatosa votação. Entre as focas amestradas, os rugidos de leão e a quantidade de girafas a tentarem chegar mais alto que os outros nos restantes partidos, uma agremiação sobre animais e natureza não só é adequada ao país como representa o único voto possível para as pessoas que querem é que as deixem em paz.
Em jeito de conclusão, só me resta agradecer a todos os partidos o magnânimo esforço feito para que não se discutissem “as questões europeias”. Há limites ao que uma pessoa consegue suportar.



