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Prémios Arco-Íris, Outono/Inverno 2017

28 Dezembro, 2017

A Rita Ferro Rodrigues, entre uma paragem e outra, e Joana Barrios apresentarão a cerimónia de entrega dos Prémios Arco-Íris de 2017, um galardão que celebra pessoas que se distinguiram “na luta contra a discriminação em função de orientação sexual, da identidade de género e características sexuais”. O violador de Telheiras não foi galardoado, apesar de não discriminar “orientação sexual, identidade de género e características sexuais”, o que, para a pessoa em questão, tão subjugada à heteronormatividade, convenhamos, indica que marcha tudo.

As apresentadoras:

Os vencedores são então:

Catarina Marcelino – porque “refugiados ajudam a resolver problemas de natalidade”, apesar do violador de Telheiras, admitamos, também contribuir, apesar de em menor escala.

Graça Fonseca – porque é lésbica, andou a dizer que é lésbica, é socialista e nós precisávamos saber de ambas, para nos sentirmos melhor ou assim, apesar de não constituir qualquer “luta contra a discriminação em função de orientação sexual, da identidade de género e características sexuais” um gajo ter o azar de gostar de mulheres ou, pior, uma mulher gostar de homens.

Rita Porto – por uma peça jornalística que diz que há meninos que sofrem imenso por lhes terem dito que podemos ser o que quisermos ser, de preferência antes dos 16 anos e após terapia hormonal para retardar puberdade, que não é de todo abuso infantil como um estalo no meio da rua seria.

Zélia Figueiredo – porque é uma psiquiatra que, apesar de nos dizerem que “pessoas trans” não têm qualquer patologia, trabalha para o bem estar de “pessoas trans”.

Revista Cristina – porque, convenhamos, a Cristina é bastante jeitosa e – porque não dizer? – sensual numa lógica heteronormativa-heteropatriarcal.

Fundação Calouste Gulbenkian – porque sim, dá sempre jeito.

Museu Nacional de Arte Contemporânea – porque fez uma exposição de arte contemporânea, o que é de mérito para um museu de arte contemporânea.

Ordem dos Psicólogos Portugueses – porque é bom meter todos os profissionais na linha para o progresso da sociedade rumo ao Coisx Novo.

Os vencedores do prémio para Chulo, Azeiteiro do Ano e Melhor Piropador de Freiras, pessoas que também se distinguem “na luta contra a discriminação em função de orientação sexual, da identidade de género e características sexuais” serão anunciados brevemente.

greve fiscal

27 Dezembro, 2017
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Os mesmos partidos e os mesmos sujeitos que aprovam legislação que manda para a cadeia um desgraçado de um empresário que, para pagar salários aos seus trabalhadores, atrase o pagamento das contribuições sociais e impostos sobre o trabalho noventa e um dias consecutivos são os mesmos sujeitos que aprovam legislação fiscal privilegiada para si mesmos. De facto, como se não bastassem já as isenções do IMI e do miserável imposto da menina Mortágua, o parlamento aprovou quase secretamente, com as honrosas excepções do CDS e do PAN, uma lei que confere aos partidos a devolução do IVA e outras regalias fiscais. A isto chamam eles «os custos da democracia», que consideram ser produto caro e de excelência, que nós, pobres mortais, temos que pagar sem chiar. Mas qualquer pessoa normal percebe, sem esforço, que estes são os custos da plutocracia e de um regime velho e anquilosado, que se deixou manchar por quase todos os vícios e, se calhar, por mais alguns ainda, do regime que há mais de quarenta anos depôs.

Com a colecta extorquida a quem trabalha, estes sujeitos gastam em cartolas carnavalescas, festanças de fim de ano, centenas de assessores pagos regiamente e demais prebendas variadas para os amigalhaços, enquanto lacrimejam sobre a falta de recursos para acudir aos incêndios e à segurança das pessoas ditas «comuns».

À falta de melhor maneira para moralizar o regime, só há uma forma de lhe impor alguma decência: uma greve cívica ao pagamento de impostos. Doutro modo, tal como os viciados de casino e em droga, que só deixam de gasto mal gasto quando não têm, estes sujeitos, para nossa desgraça colectiva, nunca aprenderão.

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saudades do lápis azul

25 Dezembro, 2017
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Para quem, como eu, acredita nas virtudes da democracia, constituem um autêntico enigma as ultimamente tão invocadas «interferências externas que se registaram em eleições como as dos EUA ou França». Na verdade, de duas três: ou se acredita no bom senso do povo, e acredita-se na democracia, ou admitimos que o bom povo é ingénuo e ignorante, e, então, a democracia torna-se inviável. Tratando-se de países com sociedades desenvolvidas, como terão sido intrujados os cidadãos americanos e franceses? Diabolizando a Sra. Clinton com falsas notícias sobre ela? Exaltando falsas virtudes da Mme. le Pen? Mas não houve também, para contrabalançar, toneladas de notícias caluniosas sobre os demais candidatos a essas eleições? O bom povo não conseguirá distinguir, no meio desse lamaçal plurilateral, o que verdadeiramente lhe interessa  e lhe julga convir? E, ademais, é precisamente para corrigirem os erros que os eleitores podem cometer, ou julgam ter cometido, que existe democracia e existem eleições. Se sábios e homens honestos estivessem sempre no poder, o valor destas seria decrescentemente menor…

Mas é com base nessa, esta sim, verdadeira intrujice, que o «nanny state» em que a União Europeia se tem vindo a transformar quer legislar para intervir na opinião publicada nas redes sociais e na comunicação social tradicional. Para já criaram um grupo de censores, dito doutro modo, «um grupo de peritos de alto nível para a apoiar no combate à desinformação online». O que será semelhante coisa? Onde conseguiram, estes cidadãos, alcançar semelhantes atributos? E por que têm eles que opinar sobre o que os outros cidadãos opinam, mesmo que as suas opiniões se fundamentem em falsidades? E, em política, o que é falso hoje não poderá ser verdadeiro amanhã? Em 2004, por exemplo, quantos militantes e dirigentes do PS não jurariam pela honradez de José Sócrates? Como reagiriam às supostas «fake news» que supostamente o difamavam? E quantos desses continuam a pôr hoje as mãos do fogo pelo seu antigo líder? Como reagiria, a montante, um «grupo de peritos» que tivesse de tomar decisões sobre essas notícias?

O velho «lápis azul» tem sempre mil e uma «boas» razões para existir. Da preservação da moralidade à segurança colectiva, não faltam pretextos. Invariavelmente alegados por quem o tem nas mãos.

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Calções de Natal

24 Dezembro, 2017

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A SIC falhou hoje por pouco a transmissão em directo do despir de calções presidencial.

Marcelo como veio ao mundo, tal como o Menino.

Alegria e Santo Natal!

*

 

 

Leituras:

24 Dezembro, 2017

«Pela calada do Natal, aconteceu o saque partidário», por Paulo Ferreira

A Minha Mensagem de Natal à Oposição

22 Dezembro, 2017

 

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É como muita honra que estou aqui em representação do Movimento Cívico Não Nos Calamos como membro fundador, um Movimento de pessoas para pessoas.

Para vós que não me conheceis ainda, chamo-me Cristina Miranda e tornei-me conhecida com uma carta aberta dirigida a Mariana Mortágua que se tornou viral por causa da criação do imposto sobre o imobiliário que ficou conhecido por “Imposto Mortágua”. A partir daí decidi usar a minha visibilidade para dar voz aos cidadãos que como eu estão fartos de ver este país à deriva cuja factura chega sempre cada vez mais pesada, ao contribuinte para pagar. Colocar um basta! nestes abusos que já levam décadas passou a ser a minha luta diária.

Porque é inadmissível o que andam a fazer a este país há 43 anos. Como podemos aceitar sem nos revoltar, que depois de termos vivido 3 bancarrotas, uma delas ainda há pouco tempo, estejamos a caminho de outra que vai seguramente ser muito mais dolorosa que a última, com a complacência de toda uma Nação?  Onde está a oposição para por fim a este desgoverno antes que o desgoverno nos destrua as nossas vidas, outra vez? Não andarão demasiado brandos e apagados perante a gravidade da situação? Quem nos acode a nós cidadãos quando o país falir de novo?

Para que haja mudança é necessário que a oposição se reinvente. Que sacuda o mofo . Que saia desta inércia.  Que crie um novo projecto totalmente direccionado para as pessoas e não para os interesses instalados. Que acabe com o politicamente correcto e substitua pelo que tem de ser feito e tem de ser dito em prol da Nação. Que promova o sentido de Estado nos seus dirigentes.  Que acabe com os discursos ocos que não aquecem nem arrefecem e muito menos nos levam a algum lado.

Porque só uma oposição FORTE, dinâmica, focada nos cidadãos e sobretudo coerente, rasga os caminhos necessários para uma mudança séria. Uma mudança que impera ser toda direccionada para as pessoas e empresas para promover o bem estar social e criação de riqueza. Restaurar liberdades que as grilhetas dos impostos pesados e sucessivos roubaram aos cidadãos. Nenhuma sociedade pode evoluir apenas concentrada em fazer crescer clientelas enquanto rouba a quem cria. Esta sociedade escravizada de impostos, taxas e taxinhas não pode continuar.

E se querem ser alternativa têm de colocar as pessoas em primeiro. Acabar com as agendas pré-definidas das ideologias da treta que só servem os políticos e tudo o que pulula à volta deles.. Tomar medidas que aliviem os bolsos dos portugueses em vez de prometer mais benesses que são depois usurpadas descaradamente com impostos grotescos e intermináveis.  Medidas que visem proteger as pessoas dentro do seu território. Medidas que reforcem a fiscalização do Estado na aplicação das leis mas liberte seu peso na sociedade e economia. Medidas para devolver os apoios sociais só a quem precisa e estimular os cidadãos a serem produtivos em vez de viverem de subsídios. Corrigir a injustiça de ter metade da população a trabalhar para a outra metade sem que haja penalizações pecuniárias a quem pode mas nada produz. Corrigir as diferenças entre cidadãos com uns a terem menos horas de trabalho e reformas mais cedo enquanto outros se matam a trabalhar quase até ao final da vida. Acabar com mordomias pagas por todos os portugueses àqueles que prestam mau serviço público. Criminalizar o despesismo público e impor limites de endividamento do Estado. Impedir a colocação de familiares no Estado por parte de governantes.  Em suma, PROTEGER as pessoas dos oportunistas, chicos-espertos, corruptos para que os recursos do país sejam aplicados NA SOCIEDADE e não na conta bancária de quem detém o poder.

Porque só assim irão despertar os mais de 40% de ABSTENCIONISTAS que se fartaram de ouvir balelas e trabalhar para aquecer. Que perderam fé em TODOS os partidos políticos por serem farinha do mesmo saco. Que não vislumbram luz ao fundo do túnel e por isso nem sequer se levantam para votar. E com MUITA RAZÃO. Este país não defende quem produz. E a esperança morre.

Acordar estes cidadãos só será possível com um discurso sem agenda ideológica apenas com missão de Estado firme e determinada sem rodeios nem politicamente correctos para agradar a gregos e troianos. Liderança impõe traçar uma meta de gestão firme e segui-la com responsabilidade sem desviar da rota e com foco apenas nos cidadãos.  

Porque esta nação é dos portugueses e não de meia dúzia de governantes eleitos.

E nós até esse dia chegar #NãoNosCalamos.

 

Vieira da Silva e os 200 milhões

21 Dezembro, 2017

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é um organismo regulado e tutelado pelo Estado, nomedamente pelo ministério de Vieira da Silva.

São bem conhecidas as palavras de incentivo desse ministro ao projecto de entrada da SCML no capital de um banco cheio de problemas, que é o Montepio. Sempre ficou no ar a impressão que tal entusiamo com essa hipótese se relacionava mais com a tentativa de salvar a situação difícil do próprio Montepio, (que não consegue em mercado arranjar investidores), do que a qualquer interesse directo da SCML.

O certo é que com o novo Provedor, a SCML parece ter decidido entrar com 200 milhões a troco de 10% do capital do banco problemático (o novo vice-provedor era até Março Chefe de Gabinete de Vieira da Silva…).

Em todo o caso, uma operação mais do que suspeita. Verifiquemos se os Estatutos da SCML prevêem que a mesma realize tais operações.

Ora, nos seus Estatutos, «Fins Estatutários», artigo 4º, num rol vasto de diversos fins, apenas tal investimento poderia eventualmente ser enquadrado na alínea r) «Assegura a gestão do seu património imobiliário e aplica as suas disponibilidades financeiras do modo mais adequado à obtenção das receitas necessárias à prossecução dos seus fins, sempre sem prejuízo do respeito pelas obrigações assumidas e que impendem sobre os respetivos bens;».

Sendo o investimento anunciado uma aplicação «das suas disponbilidades financeiras», convirá verificar se a mesma é realizada do «modo adequado à obtenção das receitas necessárias à prossecução dos seus fins (…).». Não é necessário ser um perito para se entender facilmente que o investimento não é de todo adequado. É que 200 milhões por 10% implicaria valorar o Montepio num total de 2000 milhões, algo que nem que o banco não tivesse problemas alcançaria nos bons velhos tempos, quanto mais hoje.

É negócio portanto contrário aos fins estatutários da SCML.

Em segundo lugar ter-se-á de verificar quem poderia decidir tal negócio. Prevêem os Estatutos que a SCML seja dirigida executivamente pelo Mesa (artº9º). Mas de entre as atribuições desta não consta a aquisição de activos financeiros. O mais parecido que lá consta é «i) Criar ou participar na constituição de pessoas colectivas, quando tal se mostre adequado à prossecução das suas atribuições, obtida a autorização da tutela;». Ora a aquisição de 10% de um banco não é nem «criar» nem «participar na constituição de pessoas colectivas», uma vez que a dita pessoa colectiva (o Montepio) já existe e já está constituída. Obviamente, por não ser aplicável a primeira parte e pelo referido anteriormente, tal aquisição também não será «adequada à prossecução das suas atribuições» e desconhece-se em absoluto se foi obtida ou se virá a ser requerida «autorização da tutela», isto é, de Vieira da Silva.

Em suma, o negócio não tem cabimento nos fins estatutários da SCML, nem os seus orgãos tem competência para a sua realização. Esperemos que a tutela (Vieira da Silva) esteja atenta e exerça os seus deveres (artº2º) rapidamente, impedindo a concretização deste negócio ilegal face aos Estatutos aprovados por esse mesmo ministério.

(c) da fotografia: Correio da Manhã

Transcrição integral e sem sal

21 Dezembro, 2017

Para facilitar a compreensão, transcrevo, na íntegra, a intervenção do senhor primeiro-ministro, de forma a que possamos compreender em pleno o que foi dito.

Irei responder à sua pergunta, mas antes disso, não resisto a citá-la. E a citá-la em dezassete de Janeiro deste ano, dirigindo-se a mim, e eu agora ora dirijo-me a sim. “A minha pergunta é esta: porque é que não nos fala da dívida?” E a senhora deputada andou apaixonada pela dívida. Não foi só no dia dezassete de Janeiro, foi também no dia vinte e sete de Janeiro que me voltou a perguntar pela dívida, e no dia oito de Fevereiro, e no dia vinte e dois de Fevereiro, e no dia oito de Março, e no dia vinte e dois de Março, e no dia vinte-seis de Abril, sempre a falar-me da dívida… Quenhora deputada, porque é que não me fala mais da dívida? Senhora deputada, já não está preocupada pela dívida? [Sons de matilha de mastins com cio]. A sen… A senhora deputada tem aquela coerênça do salta-pocinhas. A sua pergunta é sobre sobre o tema do dia. Agora o tema do dia é o Montepiu: vou-lhe responder ao Montepiu. Primeiro o Montepiu. O Montepiu num é um banco quauquer. O Bancopiu é o banco uma associação mutualista. E àçuciação mutualista também num é uma entidade quauquer. É uma suciedade, é umentidade a quem milhares de purtugueses confiaram as suas poupanças e peservar àssociação mutualista é peservar a poupança de milhares de purtugueses. Segundo lugar: como o dotor Pedro Santana Lopes já teve ocasião de esclarecer, o tema surgiu depois da Santa Casa da Misericórdia ter manifestado interesse em participar no sistema financeiro, foi um tema discutido dento da Santa Casa, o governo e o Banco de Putugal, quer a Santa Casa, quer o guverno, quer Banco de Purtugal entenderam quiera que num avia nenhum obstáculopolíticoà paticipação, quiera seguramente do interesse dàçociassão mutualista, e que provavelmente seria do interesse tamém da Santa Casa. O que foi dito é que num poderia ser feito esse neg… essa intervenção se num fosse do interesse da Santa Casa e o provedor da Santa Casa naturalmente, como pimeiro guardião doz interesses da Santa Casa, tomou a decisão de mandar fazer umstudo, que como onté divulgó ainda num está concluído, e sem o qual num é possível tomar quauquer decisão. Essa decesão será tomada nu estrito respeito pela autonomia própria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o governo naturalmente acompanha com interesse o tema, mas sem o substituir, sem dar instruções, caliás estatutariamente não poderia fazer. E por isso aguardemos que oestudos tejam concluídos, ca mesa da Santa Casa tome as decisões que tiver a tomar, e depois aí puderemos pronunciarmos sobre essa matéria. Agora, o que num queira é fazer aquilo que num existe, qué pôr o primeiro-ministro a fazer de povedor de Santa Casa porque o ministro num é provedor da Santa Casa, fazer do provedor de Santa Casa primeiro-ministro, porque não é. Esse trabalho que tem fuito feito ao longo destes meses cum grande lealdade e correcção entre o governo, o então governador e assim e… o então provedor e seguramente continuará a ser assim feito ente o actual governo e o actual provedor. Muito obrigado senh.

 

Queremos um Estado e um Governo amigo das empresas?

19 Dezembro, 2017

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Estado amigo das empresas. Governo amigo das empresas. Orçamento amigo das empresas. Legislação amiga das empresas. Fiscalidade amiga das empresas. Municípios amigos das empresas. Políticas amigas das empresas.

 
Os socialistas (abrangendo aqui todo o PS e muito do CDS e PSD) acham que isto é o capitalismo e por isso o defendem. A esquerda radical também e, por isso, o atacam. Invariavelmente, ambas as correntes estão contra o mercado e a livre concorrência.

 
Os primeiros acreditam que com um “estímulo” aqui e uma “regulação” acolá a economia funcionará como um Audemars Piguet de acordo com a visão estratégica dos melhores relojoeiros sociais – eles próprios, claro.

 
Os segundos denunciam o conluio entre empresários e o Estado, defendendo a necessidade de mais Estado, certamente até que deixem de haver empresas. Nessa altura esta promiscuidade desaparecerá, por falta de comparência do sector privado.

 
É este o calibre ideológico dominante. Abstenho-me de considerandos sobre o grau de salubridade mental desta gente.

 
Uma economia liberal está nos antípodas de qualquer destas formas de ver o mundo. O Capitalismo é um sistema de trocas voluntárias sem intervenção nem distorção por parte do Estado, onde o interesse dos indivíduos e consumidores está acima do de corporações ou grupos sociais específicos.

 
Ser “amigo das empresas” é bem diferente de ser “amigo do mercado”.

 
Os decisores políticos devem proteger a propriedade privada e o produto do trabalho dos indivíduos, assegurar que nada impede a livre iniciativa, a criação de novos modelos de negócio e que o crescimento da economia ocorre de forma espontânea. Actuando, o Estado deve desregulamentar, permitir um ambiente competitivo que coloque pressão às empresas já estabelecidas e não barreiras à entrada de novos e pequenos players. Isto em benefício das pessoas enquanto consumidores e não na sua condição de empresários.

 
O mercado “moraliza” as empresas pois se actuarem de forma menos própria arriscam perder clientela. Um sistema de incentivos e recompensas deste tipo é muito forte e eficaz. Nenhum empresário deseja a bancarrota. Ganha quem servir melhor os seus clientes.

 
Quando o Estado intervém no mercado através de regulamentos específicos para um determinado sector, isenções fiscais para certas actividades ou concede apoios a algumas empresas, necessariamente está a atribuir uma situação de privilégio a estes beneficiários, em prejuízo de todos os outros intervenientes na economia: concorrentes, contribuintes e consumidores.

 
Não é de estranhar por isso quando alguns empresários reivindicam por mais regulação para o seu sector. Isso criará barreiras à entrada de concorrentes. Casos há até em que mais impostos aplicados à respectiva actividade não são enjeitados. No final de contas quem já está estabelecido terá espaço de manobra para repassar esses custos aos clientes, ao invés das novas empresas que queiram entrar no mercado.

 
E é precisamente aqui que se torna evidente, quer do ponto de vista moral quer económico, o dano que a “amizade” do Estado com as empresas inflige ao país.
Todos deveriam ter à partida as mesmas condições de acesso ao mercado e igual oportunidade de empreender, inovar e desenvolver as suas propostas de valor.

 
Os privilégios distorcem o efeito que a concorrência tem sobre as empresas para que estas se foquem na “soberania” do cliente. Com base em “rendas” e no poder de mercado acrescido artificialmente com que ficam, podem desleixar a procura de ganhos de eficiência e descurar a procura de uma resposta mais eficaz aos desejos e necessidades dos consumidores. A alocação de recursos deixa de ser optimizada.

 
Uma vez existindo estímulos para certas empresas, eles criam dependência. Será extremamente difícil quebrar o ciclo vicioso da procura de rendas fáceis pagas com o dinheiro dos outros.

 
Enquanto dermos espaço ao proteccionismo, aceitarmos um Estado colossal e continuarmos a votar por políticas socialistas, conforme diz Deirdre McCloskey,: “embora defendendo a democracia da política e a democracia do mercado, reconheço que existe um dilema, um conflito: a democracia da política tende a querer acabar com a democracia do mercado.”

 
Precisamos de um Estado e um Governo amigo dos consumidores, dos indivíduos.

 

Precisamos, portanto, de menos Estado!

 
*

santana vai ganhar o psd

19 Dezembro, 2017
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Por culpa de Rui Rio, que, provavelmente convencido que o partido e o país suspiram por ele, desapareceu da comunicação social e, quando aparece, é para expressar algum azedume sobre o seu rival. Ora, no «país sempre em festa» a que Costa nos habituou, ninguém está para aturar chatos e tipos que não andem pelo menos tão bem dispostos como o líder incontestado da nação. Nisso, temos de convir, Santana bate o antigo autarca portuense aos pontos: é mais afável, menos arrogante, não transporta a gravitas de um passado de que já ninguém se lembra (o saneamento das contas da Câmara Municipal do Porto tem quase duas décadas) e limpou muito bem os seus tramas do passado (os pontapés na incubadora também já têm muito tempo…). Donde, ou Rio desfaz o semblante carregado com que por aí anda e começa a fazer pela vida (se é que ainda vai a tempo), ou terá direito a pouco mais do que a uma nota de rodapé de um livro de História de Portugal. Já Passos Coelho, bom, Passos Coelho pode dormir descansado…

Saboroso uma Ova!

18 Dezembro, 2017

Às vezes pergunto-me se isto já não é patológico. Quem no seu perfeito juízo diria que 2017 foi um ano saboroso depois do país ter vivido duas das maiores tragédias com fogos de que há memória com mais de 110 mortos, mais de 300 feridos, mais outras tantas centenas com traumas psicológicos, com mais de 500 casas ardidas, mais de 50 empresas reduzidas a cinzas, mais de 500 mil hectares de floresta que desapareceram? Ninguém! Mas Costa, que logo a seguir a Pedrógão foi tranquilamente gozar suas ricas férias, consegue pronunciar isto com um largo sorriso nos lábios enquanto se refugiava em Bruxelas dos estilhaços da bomba recente da Raríssimas, que atingia em cheio seus membros do governo. Isto é normal?

Não. Não é normal um suposto líder democrático, num país democrático agir como pequeno ditador frio e insensível focado só na propaganda do partido e endeusamento do seu líder. Mais anormal ainda é ter uma série de idiotas úteis como o Galamba a limpar a cara e mãos sujas a toda a hora, com a distorção da realidade e achincalhamento pessoal a quem ouse pôr em causa o líder. Uma espécie de polícia do Governo que persegue ferozmente os opositores. Das duas uma: ou o líder endoidou ou estamos numa república comunista. Factos.

Se há sabor a atribuir ao ano que finda, é o sabor amargo a morte de gente inocente por incúria do Estado, encurralados e incinerados em fogos, encurralados em  hospitais com legionella. É o sabor a austeridade severa bem patente na carga de impostos indirectos suportados em 3 orçamentos de Estado que encurralou todos os contribuintes. É o sabor amargo da dívida pública galopante que encurrala o futuro e promete dias ainda mais difíceis e terríveis aos cidadãos e empresas. É o sabor indigesto de não vermos os responsáveis da CGD sentarem-se no banco dos réus porque mataram o inquérito. É o sabor nojento da gozação com nossa cara da palhaçada com Tancos e Infarmed. Sim, uma riqueza de sabores amargos que nos revolta sempre que Costa sorri para as câmaras.

A máquina da propaganda soviete do Costa jamais conseguirá, com as agências de rating a tirar o país do lixo psicológico (sim porque o lixo continua todo debaixo do tapete) , com um Centeno que vai para presidente dum grupo que ninguém quer (Centeno ganhou por desistência dos concorrentes) pago pelos contribuintes portugueses, com uma economia que flui sem qualquer interferência do governo apenas pela conjuntura externa favorável, com uma saída do défice excessivo só com o esforço de 0,8% (com vendas de F-16 e perdões fiscais)  graças à redução fantástica de 8% do anterior executivo, fazer ESQUECER que este governo ABANDONOU à sua sorte  uma região inteira só porque não dá votos.

Mas haverá sempre cidadãos, como eu, empenhados em lembrar que um governo não são um grupo de pessoas privilegiadas, que empregam todos os amigos e familiares e depois se pavoneiam de um lado para o outro à conta do erário público para aparecer nas televisões a sorrir e mandar umas bitolas, enquanto fazem umas visitas precárias aos infortunados dos fogos,  fazendo de conta que tratam dos interesses nacionais, enquanto a sociedade civil se desunha para acudir no imediato a toda uma região que volvidos 6 meses CONTINUA praticamente sem as casas, sem abrigos e comida para os animais, sem apoio psicológico.  Por falar nisso onde está a ajuda a Penedo, concelho de Tondela, totalmente ignorado, SEM UM ÚNICO APOIO DO ESTADO nem fundo solidário para ajuda às vítimas dos fogos? É só um caso…

A verdade é que não fosse essa sociedade civil cheia de anónimos altruístas, animais e pessoas já teriam sucumbido à espera dos donativos e indemnizações mínimas de 71 000€ por entregar.

Um ano saboroso? Uma ova!! Haja vergonha na cara!!

 

 

 

 

que mil geringonças floresçam…

16 Dezembro, 2017
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António Costa deve estar orgulhoso: a sua estratégia de trazer partidos radicais e extremistas para o arco da governação, vinculando-os à democracia, está a servir de modelo noutros países. No fim de contas, como Costa não se cansa de ensinar, nenhum partido com representatividade parlamentar pode ficar fora da democracia, porque é no parlamento que o povo mais ordena. Nada como seguir os bons exemplos!

o público ensandeceu de vez?

16 Dezembro, 2017
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Parece que sim. Veja-se o seguinte comentário, incluso na página 47 da edição de hoje, sobre Manuel Maria Carrilho e a juíza do tribunal que ontem o absolveu:

«Manuel Maria Carrilho é um pequeno pedaço de homem que agrediu e insultou repetidamente a ex-mulher em frente dos filhos. O facto de ter sido absolvido, pela forma ridícula que o foi, só confirma a sua pequenez moral. Parece que a juíza Joana Ferrer Antunes, que agora o ilibou, tem fascínio pelo período nazi – faria então bem estudar a forma como este regime desumanizou as vítimas, pois talvez encontre paralelismos na sua própria decisão de ontem.»

Mas que raio é isto? Donde retira o (a?) jornalista – note-se que não se trata de uma passagem de um artigo de opinião, mas da redacção do jornal – a conclusão de que Carrilho «agrediu e insultou repetidamente a ex-mulher em frente dos filhos»? Onde foi buscar as provas que o tribunal não viu, quando, no que respeita aos filhos, é do domínio público a óptima relação que eles mantêm com o pai? Será razoável imaginar que crianças, por pequenas que sejam, que vêem reiteradamente um pai a bater e a insultar a mãe mantenham uma boa relação com ele? E o que legitima o jornalista a dizer que a decisão da juíza «só confirma a pequenez moral» de Carrilho? Qual é a conexão existente entre a sentença e a «moral» de Carrilho? Por acaso foi ele quem a redigiu? E, pior ainda, como é possível que o jornal não seja instigado a explicar o paralelismo que estabeleceu entre um tribunal e um juiz da República e as perseguições e os crimes do III Reich? Que espécie de ódio levou o jornalista a uma tal comparação de tão mau gosto?

Como muito bem disse a juíza na sua sentença, um tribunal democrático não pode ser como os antigos tribunais plenários, onde um acusado entrava já condenado. O Estado de direito, que o autor da peça certamente ignora o que seja, tem outras regras. Nos tempos que correm, as condenações na praça pública costumam fazer-se nos jornais e na comunicação social. Talvez tenha sido o facto da juíza ter resistido a essa conversa que verdadeiramente tenha originado a diatribe do pasquim.

Aquela que pensavas ser tua filha é, na realidade, o teu bisavô

15 Dezembro, 2017

Quando ela deu à luz a filha que é filha da filha, não esperava que filha-mãe se pusesse com tretas de lhe vestir um vestido igualzinho ao do boneco opressor que recebera no McDonalds em vez do G.I. Joe com pénis de polistireno. Quem diria que numa família tão progressista, com a esposa da filha-mãe a jurar eterna identidade de género do tipo fufa-puro, acabaria tudo à molhada com o caso da mãe-pai com um canalizador de identidade de género do tipo bonzo? O que é certo é que a mãe-avó está a braços com o encargo da filha-neta enquanto a filha-filha vai espairecer do choque emocional de ver a esposa-pai a engravidar do bonzo.

Estas histórias, verdadeiros dramas de pungência hollywoodesca pré-violações são corriqueiras na assembleia da república.

Não há Mães, há barrigas!

15 Dezembro, 2017

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Aguardo agora legislação que autorize Netas a dar à luz a sua própria Avó.

Sobre barrigas, aqui.

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Não sei como explicar isto: as avós não dão à luz os netos mas sim os filhos

15 Dezembro, 2017

Avó vai mesmo dar à luz o neto

suburbanos, parte 2

15 Dezembro, 2017
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Que raio faz o Luke Skywalker nos arrebaldes da Covilhã com a Dra. Paula?

Mudam as Moscas Mas a Porcaria é a Mesma

15 Dezembro, 2017

 

Com o terramoto que rebentou a escala de Ritcher provocado pela Raríssima, começaram a rolar cabeças no governo. Pois é. Parece que além do uso indevido de dinheiros públicos, a política e interesses privados andavam a dormir juntos e pagos com donativos particulares e subsídios do Estado. Gravíssimo sem dúvida mas pergunto-me se não tivesse sido descoberto esta promiscuidade com fotos, o desfecho seria o mesmo.

Porque já todos conhecemos o modus operandi desta gente: assim que estala um escândalo, seja na CGD com favorecimento a futuros administradores, seja em Tancos com furtos mistério, seja na ANPC com a ALTA mortandade nos fogos por falta de assistência, seja na Galp uma empresa de litígio com o Estado a pagar viagens ao fisco, com a legionella no hospital público e tantos outros casos, imediatamente assobia-se para o lado fingindo que não se passa nada! Demissões é coisa que não assiste este governo que se comporta como uma divindade eleita por Deus que não deve qualquer prestação de contas senão a Ele. Estilo Nicolás Maduro, estão a ver? Julgam-se acima de qualquer um, sobretudo do cidadão, a quem respondem com indiferença quando lhes é pedido explicações.

Mas, se o caso for mesmo cabeludo – isto é – tremendamente escandaloso, lá vem uma substituiçãozita. Por alguém com méritos, competência e experiência comprovados? Não. Por alguém da FAMÍLIA. Ao jeito da “Cosa Nostra Siciliana”, vai-se buscar gente da “confiança” destes governantes que possam dar “continuidade” ao “trabalho” já desenvolvido pelos anteriores.

Por isso com a saída do Secretário de Estado Manuel Delgado foram buscar a esposa de Zorrinho que no dia da tomada de posse parecia uma miúda de 10 anos a receber a sua primeira barbie. A opção por esta “ilustre” figura de certeza que teve por base um “trabalho” muito apreciado pelo PS durante a sua Presidência do Conselho Directivo da Administração na ARS do Alentejo onde  foram adquiridos produtos a preços exóticos como 14 módulos de  3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras em viga por a módica quantia de  375,6 mil euros. Ainda um armário persiana, duas mesas de computador, três cadeiras com rodízios, braços e costas altas por 97 560 euros. Mas não se fica por aqui. A registar ainda  reparações de duas fotocopiadoras por 45,1 mil euros . Obviamente que por este manifesto “bom trabalho de gestão” era a raposa ideal para tomar conta do galinheiro de Delgado como Secretária de Estado da Saúde. Tudo em família claro.

Eduardo Cabrita aquele que pôs os policias na rua porque incomodavam os cães da sua propriedade que eles vigiavam, foi também uma substituição magnífica para Ministro da Administração interna depois do puxão de orelhas – que forçou a saída de Constança –  do nosso presidente da República ao escândalo de Pedrógão e fogos de 15 Outubro.  Além de ser amigo do peito de Costa e esposo da Ministra do Mar (muito importante no currículo)  desempenha um trabalho notável a dormir. Louvor lhe seja feito porque esta habilidade é um “super poder” que não é para qualquer um. Além disto tem grande mestria em roubo de microfone  onde lhe vimos a arrogância autoritária que só um grande amigo e braço direito do Costa o podia ser.

Ao estilo das máfias em que Costa é o “Padrinho”, esta governação assenta toda ela em laços de consanguinidade e amizade exactamente como nos regimes comunistas/socialistas da Venezuela, da Coreia do Norte e Cuba que transita de pais para filhos, de irmã os para irmãos, de marido para esposa, de amigo de infância para amigo do peito, para se protegerem uns aos outros. Tudo perfeitamente legal porque ao contrário de França, não se legisla para acabar com esta promiscuidade de laços afectivos e familiares na gestão do país.  Uma GRANDE  FAMÍLIA sustentada por nós contribuintes onde a única garantia que nos é dada por eles é ter mais e mais impostos TODOS OS ANOS para os sustentar a troco de  quase NADA. Porque NADA fazem senão orientar a vidinha desta… família e com o que sobra atirar uns trocos ao chão às clientelas para lhes assegurar votos.

Por isso, somos os Nórdicos do SUL do Século XXI ( e não Nórdicos de Século XXI como afirmou o PR) ou seja um produto adulterado do original.

Porque se fossemos efectivamente dos nórdicos, as “moscas” não seriam substituídas. Seriam extintas.

 

Endoidou?

13 Dezembro, 2017

António Costa: “Este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal

Alguém consegue fazer um memorando ao PM explicando-lhe o que foram os incêndios deste Verão?

a queda da cinderela

13 Dezembro, 2017
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img_828x523$2017_12_11_17_06_56_97810Uma jovem suburbana de Loures, de origens alentejanas, detectou um problema social grave e procurou contribuir para a sua solução: a inexistência de instituições escolares que apoiassem e, na medida do possível, instruíssem crianças e jovens com doenças profundas raras.

Aprendeu, infelizmente, à sua conta, porque teve um filho com uma doença terrível, da qual faleceria aos 16 anos de idade. Incentivada por essa fatídica e infeliz circunstância, a jovem suburbana, que entretanto fizera pela vida como manequim e dona de um pequeno quiosque, criou uma instituição para tentar dar resposta a essa necessidade, que é, infelizmente, sentida por tantas famílias portuguesas.

O sucesso começou a fazer-se imediatamente sentir, porque, como é próprio de qualquer empresa que se torna necessária, aquilo que a jovem suburbana fizera respondia a necessidades reais do mercado e, por isso, não poderia deixar de ser procurada e os seus serviços estimados. Em razão do que, o estado, sem capacidade e/ou sem vontade de fazer o que a jovem já estava a fazer bem feito, muito sensatamente, em vez de procurar repetir e imitar a fórmula que ela descobrira, resolveu apoiá-la com transferências de dinheiro e louvores públicos.

Dinheiro que, à medida que crescia a casa crescia também em donativos públicos e privados. A jovem suburbana viu-se, subitamente, uma pessoa importante. Os políticos, os «pais da pátria» e as «madrinhas de Portugal» procuravam-na e queriam associar-se ao empreendimento. Alguns sugeriam-lhe que poderia obter muito mais do que aquilo que já conseguira. Outros, ofereciam-se para lhe angariar subsídios chorudos. Então, a nossa jovem suburbana, entretanto arvorada em senhora doutora e em figura semi-pública, percebeu que o seu empreendimento poderia ser um enorme sucesso. E um fantástico negócio, também.

Para reforçar o projecto, tendo percebido muito bem como funcionam as coisas em Portugal, começou a contratar políticos estrategicamente colocados. Alguns anos na cidade deram-lhe a entender que, em Portugal, «quem tem amigos não morre na prisão». Ou, nas suas próprias palavras, se contratarmos o senhor X, que nos vai sair caro, «o guito há-de aparecer»

Aparecendo o «guito», sempre aparece também quem o saiba gastar. Onde andava um político passaram a estar vários. Onde se pagava uma sinecura, outras se lhe seguiram. Não por acaso, todas estas instituições têm a abrilhantá-las inúmeros servidores do povo. A da nossa jovem, que entretanto já não era suburbana, não foi excepção.

Tamanho sucesso alcançado, com tantas relações com gente importante e tantas distinções e deferências atribuídas, fez mal ao espírito da nossa jovem. Dizem que o brilho da luz cega e que a chama queima. Na nossa presidente logo surgiram os tiques de prepotência, de arrogância, de insolência e até de malvadez para com os mais fracos, que mais não significavam do que um carácter deficientemente educado e gravemente pervertido por um novo-riquismo para que não estava preparada.

Sabendo como o sucesso inebria a alma e os corpos, a senhora presidente entregou-se à volúpia do poder e começou a fazer enormes asneiras: gastou o que não devia ter gasto, com quem não o merecia e que até a renegou, depois de uma linda de história de amor vivida em alcovas secretas de Copacabana.

A coisa estoirou, caiu na comunicação social, e a senhora presidente, qual Cinderela à saída do baile da meia-noite, viu-se desnudada de todas as honrarias e glórias conseguidas pelo seu mérito, e, com a polícia à porta, regressou aos subúrbios donde viera. Aqueles de quem se julgara íntima, a começar pelo seu devaneio carioca, renegaram-na e certamente dirão que nunca a conheceram, a não ser que lhes esfreguem nas faces comprometedoras fotografias. Os outros, que se acolitam noutras coisas parecidas ou iguais, recebendo delas sinecuras variadas, farão deste um «caso exemplar», para que os seus passem despercebidos.

Moral da história: se tiveres um bom negócio não o estragues.

Portas giratórias

13 Dezembro, 2017

Iasist_ok_Blasfemias

As entidades e pessoas mencionadas neste post não são arguidas, nem sequer suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

No entanto, este caso mediático envolvendo a Raríssimas, o ex-SE Manuel Delgado, o Ministro Vieira da Silva e outros decisores políticos parecem-me evidenciar uma promiscuidade política que não deveria existir, desde logo e sobretudo por uma questão de honradez e ética individual de cada um dos envolvidos.

Por exemplo: do ponto de vista político, o Governo sente-se confortável com o facto de o ex-SE da Saúde ter sido Director-Geral da IASIST e esta empresa ter tido durante o seu tempo no Executivo diversos e relevantes contratos adjudicados por ajuste directo conforme imagem acima?

Só posso dizer que eu não me sentiria bem. Mas admito que o código de conduta de terceiros se subordine a outros ditames…

 

(fonte: Base.Gov Iasist Portugal | NIPC 508052971)
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Fantástico país este

13 Dezembro, 2017

Que vive de forma avassaladora o caso das Raríssimas e coexistiu com fatalismo a Pedrogão

Tudo normal na frente ocidental

13 Dezembro, 2017

Deixemos de lado a vergonha que é toda a parasitagem do estado socialista. Deixemos até de lado o incesto governamental, as primas do doutor César (um tipo que emprega tanta gente tem que ser instruído), a mulher do Zorrinho que vai trabalhar com a filha do Vieira da Silva e toda essa vagabundagem que torna a velha rameira desdentada com SIDA da Rua Escura na Virgem Maria do decoro. Pensemos apenas que há uma fulana que não conseguiu reparar se o namorado andava a chular um amigo ou um país inteiro, mas que consegue reparar que a mulher do Cavaco foi algumas vezes a um sítio, como as alcoviteiras, que sabem sempre só o que se passa na casa dos outros. E viva então o Centeno no Eurogrupo e o desgraçado que morreu para o cantor da Eurovisão ter um coração. Portugal é lindo, não o estraguemos com vergonha do que somos.

13 Dezembro, 2017

the-limits-of-control-front

 

– Camaradas, parece que uma jornalista resolveu fazer o seu trabalho sem nos pedir autorização primeiro e agora, por causa dessa inadmissível e incompreensível atitude, temos o país a transpirar indignação. Convoquei esta reunião para prepararmos o controlo de danos do caso Raríssimas, uma vez que, por maldade e aproveitamento político, já estão a associar ao escândalo nomes que nos são próximos. Enfim, a vergonha do costume.

– Camarada n.º 4, não podemos dizer que esses nomes que nos são próximos e que estão a ser associados ao escândalo não estão relacionados com o escândalo?

– Podemos, claro. E vamos dizer, camarada n.º 12, só que não vai resultar muito bem uma vez que esses nomes que nos são próximos e que estão a ser associados ao escândalo estão relacionados com o escândalo.

– Ah, bom, assim é mais difícil. Mas não é impossível, já fomos bem-sucedidos em acrobacias mais complicadas, não custa tentar.

– Calma, camaradas, estou a ter uma ideia espectacular e completamente original: atirar as culpas para o governo do Passos Coelho.

– Parece interessante. Pode aprofundar, camarada n.º 7?

– Há uma lei de 2014 que isentou as IPSS da obrigatoriedade de terem um Revisor Oficial de Contas. Assunto arrumado.

– Podemos anexar a esse argumento as suas propostas, como deputado da actual maioria, para alterar essa lei?

– Isso já vai ser mais difícil, esta maioria só tem 2 anos e ainda não tive agenda disponível para tais iniciativas. Ou bem que tento inventar maneiras de desviar as responsabilidades pelo que corre mal para a legislação aprovada pela direita, ou bem que tento alterar a legislação aprovada pela direita. Sabe como é, o meu tempo não estica.

– Verdade, ao contrário da lata. Camarada n.º 11, o que lhe parece?

– Eu acho que devíamos descredibilizar a reportagem e a jornalista. Ela chama-se Ana Leal, um nome que parece saído dos programas de Domingo à tarde da TVI. É só fazer uma montagem de uma fotografia dela com um acordeão e está feito. Ainda para mais disse que o vestido que a Presidente comprou era alta-costura e na verdade era pronto-a-vestir, nota-se logo que não percebe nada de jornalismo de investigação.

– Há uma jornalista de investigação no DN que se especializou em investigar as investigações dos outros jornalistas de investigação. Vou estar atento ao que ela escreve.

– E se metêssemos o Cavaco na confusão? Ouvi dizer que a mulher dele foi madrinha da Raríssimas durante muito tempo.

– Boa, camarada n.º 9, boa! Eu já vi o filme O Padrinho há muitos anos mas lembro-me perfeitamente que aquilo era tudo uma cambada de bandidos. Se usarmos esse argumento estamos também a defender que uma madrinha consegue ser tão mafiosa como um padrinho, vamos ficar bem-vistos juntos das feministas.

– É uma boa táctica, sem dúvida, mas devíamos aproveitar este caso para um pouco de guerrilha ideológica. Isto passou-se numa IPSS, o que reforça a nossa posição de que o Estado, através do recurso aos impostos, é a melhor entidade para tratar de todos os assuntos em geral. E em particular também.

– Mas os fundos que essa Associação geria não eram concedidos pelo Estado e provenientes dos impostos?

– Que gaita, camarada n.º 10, você está sempre a fazer de advogado do diabo! Eram concedidos pelo Estado mas o anterior governo, ao contrário do nosso, não apostava na inspecção destas instituições.

– Ok, ok, já entendi, peço perdão pela minha postura, camarada n.º 6. E podemos acrescentar que a nossa aposta na inspecção é tão grande que até diminuímos o horário de trabalho dos inspectores para 35 horas semanais, fazendo com que inspeccionem de uma forma mais concentrada. Tipo o Fairy a lavar a louça.

– Isso, camarada n.º 10, essa é que é a atitude correcta. Três vivas a Villarriba!

 

Socialismo em três takes

12 Dezembro, 2017

SocialismoRarissimo-OK

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o problema

12 Dezembro, 2017
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O maior problema desta coisa da Raríssimas é que não é tão raríssima assim…

ainda há gente de palavra

12 Dezembro, 2017
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Há dois dias, a senhora presidente da Raríssimas tinha prometido que a associação publicaria, em 48 horas, um comunicado a esclarecer todas as acusações que sobre si recaiam.

Hoje mesmo, a senhora presidente cumpriu o prometido.

Parabéns!

Um governo em que todos estão numa relação

12 Dezembro, 2017

O primeiro-ministro António Costa nomeou Rosa Matos Zorrinho para o cargo de secretária de Estado da Saúde. Rosa Matos Zorrinho é casada com o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho

Do sentimento de impunidade

12 Dezembro, 2017
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Para encerrar um caso que envolveu acusações de Nepotismo, o governo de António Costa demite o secretário de estado da Saúde, substituindo-o pela mulher de um deputado do PS.

Para encerrar um caso que envolveu má gestão financeira, nomeia-se uma secretária de estado que enquanto presidente da ARS Alentejo declarou despesas no mínimo estranhas (nota: é possível, e desejável, que tenham sido apenas erros de digitação…):

(…)A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo é a que revela compras de produtos a preços mais estranhos. Veja-se esta listagem: “Aquisição de 14 módulos de três cadeiras em viga e 10 módulos de duas cadeiras em viga” está apreçado por 375,6 mil euros. Outro exemplo. “Um armário persiana, duas mesas de computador, três cadeiras com rodízios, braços e costas altas” está para adjudicar por 97 560 euros.

Uma distracção com cifrões? Não é a primeira, nem a segunda… a mesma ARS terá mandado proceder a reparações de duas fotocopiadoras por 45,1 mil euros.(…)

A realidade é que o ciclo económico, as sondagens, o apoio incondicional do presidente e dos parceiros de coligação, deixou o PS com um sentimento de impunidade absoluto. Nem há um pequeno esforço para disfarçar. Nós sabemos onde isto acaba.

Governo anuncia a criação da Direcção Geral das Doenças Raras

12 Dezembro, 2017
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Janeiro de 2018

“Na sequência das suspeitas de fraude com a IPSS dedicada a doenças raras, o Ministério da Saúde resolveu retirar todo o apoio à Associação e devolver ao estado a responsabilidade de apoiar pessoas com doenças raras.”

Fevereiro de 2018

Governo anuncia por concurso público o novo director geral da Direcção Geral das Doenças Raras. Receberá salário de 2500€.

Março de 2018

– Senhor Ministro, é impossível gerir esta direcção geral sozinho. Tenho trabalhado mais de 35 horas todas as semanas. Ainda ontem quando saí do trabalho já passavam das 17.30
– Tem razão. Vamos abrir concurso público para a contratação de um subdirector geral.

Abril de 2018
Subdirector geral contratado por 2000€. Activistas feministas fazem notar que são dois homens na liderança e que está a ser dado um mau exemplo ao sector privado. É contratada uma subdirectora geral por 2000€. Primeiro subdirector geral contratado passa a tempo parcial na sequência da sua dedicação ao sindicato dos trabalhadores da saúde.

Setembro 2018

– O meu filho está com uma bronquite, que não dorme a noite toda. E só consegui consulta para daqui a umas semanas. Não estou a conseguir dormir. Acho que vou ter que tirar uns dias.
– Oh Fernanda, olhe que eu vou de férias para a semana e o Antunes agora passa a vida na CGTP. Não dá para apressar essa consulta.
– Pois, parece que não… A não ser que a categorizemos como doença rara e a enviemos pela Direcção Geral.
– Categorizar bronquite como doença rara? Bem, parece um pouco parvo, mas se me permite ir de férias descansado assim seja.

Dezembro de 2018

Espalha-se a palavra de que é possível antecipar consultas para a bronquite através da Direcção Geral das Doenças Raras, que é inundada de pedidos. São contratadas 3 novas secretárias e um subdirector geral para gerir todos os pedidos. Número de doentes tratados por doenças raras quadruplica. Nas redes sociais discute-se se bronquite é mesmo uma doença rara.

Janeiro 2019
Ministério da saúde ameaça director geral de despedimento. Ministro Lopes da Silva avisa Director Geral que se não tiver um parecer que justifique a inclusão de bronquite como doença rara, o irá despedir. Director Geral contrata parecer por 100 mil euros ao escritório de advocacia Morais Capitão e Lopes da Silva jr, lda. Parecer vem assinado pelo famoso advogado Salvador Morais Capitão e é aceite pelo ministro.

Março 2019
Pedidos referentes a doentes com bronquite continuam a encher a direcção geral das doenças raras que contrata 40 pessoas.

– Oh Jorge António, estou a ver aqui a lista das contratações e está aqui uma Mariana Vicente Correia e um Tiago Vicente Correia. Não é a tua mulher e o teu filho. Não sei se posso assinar isso…
– Eh pá, depois da chatice que tive com a bronquite do teu filho, é o mínimo Fernanda! Além disso o meu filho é super qualificado: acabou um doutoramento em sociologia das andorinhas em meios rurais ibéricos. Podia encontrar um emprego em qualquer lado, mas eu gosto de tê-lo por perto!
– Não sei, não. É um grande risco para ti se descobrem. Bem, fazemos assim: para não seres só tu exposto, a minha filha também acabou um mestrado em Parapsicologia das organizações venatórias, pelo que encaixaria muito bem na gestão de fornecedores. O que dizes?
– Hummm… OK… Contratamos os 3 então. Por falar nisso, como está a autorização para o congresso das doenças raras nas Caraíbas?

Maio 2019

Para evitar problemas como a introdução arbitrária da bronquite no âmbito de trabalho das doenças raras, é feita uma lita oficial das doenças raras e instituído um processo para aprovação de qualquer nova doença rara.

Junho 2019

– Bom dia, como posso ajudá-la?
– Bom dia, era para registar a minha filha na Direcção Geral das Doenças Raras
– E qual é a doença da sua filha?
– Bloquitis Hipocritus Sapus Centenicus. Ela basicamente engole tudo o que lhe colocam à frente.
– Desculpe, mas a doença da sua filha não consta da nossa lista aprovada.
– Pois, é uma doença nova e rara. Mas ela precisa de cuidados urgentes.
– Lamento, mas se não consta na lista não a podemos ajudar.
– Pois, é uma doença rara, mas ela precisa mesmo de atenção especial.
– Lamento, em Janeiro do próximo ano haverá uma revisão da lista. Se a sua filha ainda for viva, pode submeter a sua doença rara nessa altura. Agora, faça o favor de sair que tem 10 pessoas atrás de si na fila a registar filhos com bronquite.

Setembro 2019

Em campanha eleitoral, primeiro-ministro preside a cerimónia da Direcção Geral de Doenças Raras. Anuncia que mais do que triplicaram os recursos dedicados a doenças raras, mas que mesmo assim o custo por doente baixou porque agora ajudam cinco vezes mais pessoas. À saída do almoço do lançamento da campanha presidencial de José Sócrates, João Galamba afirma que o sucesso da Direcção Geral das Doenças Raras demonstra que os organismos públicos são mais eficientes e resistentes à corrupção. “Acabam-se as IPSS, acaba-se a corrupção e a má gestão de fundos”.

Ministro da Segurança Social compromete-se a acabar de vez com todas as IPSS no próximo mandato e substituí-las por organismos públicos.

Não, não se deixaram instrumentalizar: estiveram ao lado dele e lá continuariam caso não tivesse sido preso

12 Dezembro, 2017

Ana Gomes declara «que o PS de António Costa já se devia ter demarcado de uma forma mais clara das ações de José Sócrates e que o partido devia refletir sobre como se deixou instrumentalizar por um homem “um projeto pessoal de poder e de enriquecimento“.» Não, o PS não se deixarou instrumentalizar: o PS esteve ao lado dele e lá continuaria caso Sócrates  não tivesse sido preso. Esse mesmo PS depois do paroxismo a que chegou com a prisão na manga do avião – ainda querem falar deste assunto? – fez a vida num inferno a António Jośe Seguro e está agora radiante com António Costa. Falta pouco tempo para virem dizer que foram instrumentalizados.

competências raríssimas

11 Dezembro, 2017
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Ministros e secretários de estado do PS, deputados do PSD e do PS, mais gente ligada à política que ainda estará por aparecer, todos, provavelmente, a receberem salários e/ou senhas de presença (ele há muitas maneiras de se ser remunerado…), enfim, era necessário um albergue espanhol para tratar de uma instituição de apoio médico a crianças gravemente doentes? Nunca nenhum destes cavalheiros se perguntou o que é que lá estava a fazer?

A Roubalheira das Ratazanas

11 Dezembro, 2017

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E não é que rebenta mais um escândalo com roubalheira descarada, desta vez  na Associação de Solidariedade Social Raríssimas? Não entendo como podem ficar surpreendidos com esta “descoberta”. A mim o que realmente me surpreende e deixa completamente atónita é  a passividade do Estado na sua função fiscalizadora não só a estas Instituições como a TUDO em que ele está metido com entrega de fundos. Juro que não entendo ou melhor, se calhar até entendo muito bem o porquê…

Não faz de todo sentido que um Estado que persegue o contribuinte e até o penhora por meia dúzia de euros – ou cêntimos – , que não lhe perdoa 1 euro mesmo que esteja justificado por pobreza, desemprego ou falência sem dolo, que deixe correr a actividade das Instituições que financia, livres como passarinhos, sem as incomodar com auditorias surpresa para fiscalizar e assegurar assim a boa aplicação desses subsídios e donativos. Algo de muito errado se passa aqui.

E a prova está à vista de todos: não era só a Presidente da Raríssimas que usufruía desta gestão generosa. Também havia senhoras deputadas, senhores ministros e secretários de estado da saúde… Ora, como poderiam estas almas denunciar se estavam a beneficiar do banquete? Esta é a triste realidade.

Por isso a senhora Presidente da Raríssimas não se preocupava em esconder que levava 3000€ de salário a que juntava 1300€ de ajudas de custo isentas mais 1500€ de viagens de casa para o trabalho, um PPR de 800€, ainda um leasing de um BMW topo de gama de 900€, despesas em vestidos de 200€, gambas por 230 e tantas outras. Ou seja, tudo extra -salário pago com o subsídio do Estado e donativos entregues à Associação! Muito bem. Não fosse a denúncia destes bravos tesoureiros que não quiseram compactuar com esta gestão ilícita e a senhora Presidente iria continuar tranquilamente a enriquecer à conta da solidariedade. 

Não estou a dizer que a culpa é dela. Não é. A oportunidade faz o ladrão. E o Estado ajuda ladrões porque ele próprio o é. É a cultura da roubalheira descarada avalizada pelo Estado que dura desde o 25 Abril de 74. Porque o Estado quando quer sabe ser implacável com aquilo que lhe devem. Experimentem caros cidadãos anónimos atrasar ou deixar de pagar impostos que logo verão comprovada esta teoria.

Só assim se entende como Vieira da Silva ignorou todas as cartas do ex-tesoureiro Jorge Nunes. A primeira em 9 Agosto a pedir inspecção profunda àquela Instituição; a segunda em 15 Setembro onde volta a pedir intervenção da Segurança Social; em 21 Setembro mais um pedido urgente de fiscalização. Tudo sem resposta. Até a TVI denunciar o caso em reportagem…

Não faltaram reacções  que já conhecemos aquando Predrógão, Tancos e Incêndios de Outubro do estilo ” Governo vai avaliar situação e agir em conformidade” ou ” Marcelo quer apuramento dos factos” blá blá blá. Tudo a “encher pneus” para entreter enquanto se pensa num spin que possa distrair a malta deste escândalo. Mas a verdade é que se não for o Ministério Público a tratar deste assunto rapidamente, a máquina do sistema conseguirá abafar o caso enquanto se desmarca e desresponsabiliza esta gente sem escrúpulos que deveria conhecer a porta da rua para depois sentar no banco dos réus.

Mas nós comuns cidadãos já sabemos o que a casa gasta: 85% dos crimes de colarinho branco por cá são arquivados. Vai-se lá saber porquê, não é?

Obviamente que o caso Raríssimas não é único no país. Mas também não representa a realidade total. Há de facto muitas Instituições bem geridas e que desempenham suas funções com transparência e responsabilidade. E precisamente porque fazem falta e são extremamente úteis no seu papel social, que deve em nome da boa reputação dessas, haver um Estado que cumpra sua função fiscalizadora para que estas ratazanas e outras, não contaminem um trabalho que muitos executam com seriedade.

Ora, o problema é quando o próprio Estado estimula a roubalheira descarada protagonizando-a a toda a hora. Sem a limpeza  desse tipo de gente no Parlamento, a “ratazanagem” continuará e jamais conseguiremos uma sociedade séria que respeite o erário público. 

É por aí que devemos começar.

 

 

Há algo que me escapa

11 Dezembro, 2017

nesta fúria contra a senhora das Raríssimas.

Ganhava muito? Sim, mas se estivesse à frente de uma comissão para lutar contra as raríssimas ganharia menos?

Empregava o marido e o filho? Sim mas querem mesmo ir por aí? Podemos começar pelo governo e acabar nas autarquias? As empresas estatais também contam?

 

 

Córsega, já ouviram falar?

11 Dezembro, 2017

Em flagrante delivro

11 Dezembro, 2017
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O Delito de Opinião, um dos melhores blogs que por aí anda, vai lançar um livro com a antologia dos melhores textos. As 160 primeiras pessoas a pré-encomendar receberão uma autêntica peça de museu blogo-literário que será um exemplar com autógrafos personalizados. Já só há pouco mais de 80 pré-encomendas disponíveis. Não me admiraria que esgotasse mais depressa que os bilhetes do NOS Alive. Corram.

Estimulação programática

11 Dezembro, 2017

A análise dos dados dos projectos aprovados pelo Portugal 2020 é muito interessante e curiosa. Não posso dizer que seja surpreendente, embora nalguns casos o humor me tenha apanhado desprevenido.

Não tenho vocação para caça às bruxas nem quero ser injusto, mas depois de uma breve leitura deste documento, partilho convosco exemplos dos fundos de incentivo alocados a projectos de investimento aprovados por este Programa.

Desde logo o Banco de Fomento tem 250M€ atribuídos. Duas empresas produtoras de pasta de papel conseguem 65M€ de apoios, a Embraer pode receber 34M€ e a Bosch 50M€. Só para hotéis vão mais de 100M€. Existe a “concessão de apoio à criação e ao alargamento de capacidades avançadas de desenvolvimento de produtos e serviços” a um fabricante de mobiliário para o seu projecto Cama Matriosca no valor de 17M€. Uma unidade industrial do sector metalomecânico tem incentivos equivalentes a 92.500€ por cada novo posto de trabalho que crie em Aveiro e Viana (25M€). Destaque também para os 79% de taxa de comparticipação do projecto submetido pelo Hard Rock Café no Porto (4M€); 24M€ para uma associação empresarial que para não entrar em insolvência além de ter tornado os seus credores bancários em accionistas, entregou activos ao Estado. Para terminar o rol de exemplos, digo-vos que 14M€ foram destinados a uma associação cujo maior projecto é organizar desfiles de moda.

Já todos ouvimos o sermão de empresários sobre a necessidade da baixa de impostos e da redução do déficit público. Mas alguém já ouviu esses mesmos empresários reivindicarem o fecho da Aicep, o fim das garantias subsidiadas, o termo aos bail-outs, o desaparecimento das medidas anti-dumping, o acabar com os “estímulos”, a cessação dos “apoios” ou a extinção dos “incentivos”? Pois…

Com tanto dinheiro a circular em programas deste género, será legítimo interrogarmo-nos se os lucros não serão determinados mais pela habilidade e capacidade de acesso a ajudas públicas do que por rasgos de empreendedorismo ou excelência da gestão.

É que não se pode querer que o Estado nos deixe em paz e, ao mesmo, ter apetite por favores especiais ou condições competitivas privilegiadas atribuídas pelo governo ou suas agências.

Estes benefícios não existiriam num verdadeiro mercado de livre concorrência. Antes são capturados por um número limitado de entidades distorcendo a economia e causando prejuízo a todas as outras empresas, aos contribuintes e aos consumidores em geral.

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Haja quem nos limpe o cu

10 Dezembro, 2017
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O assunto está na moda. Não há think-tank, jornal ou político iluminado que não fale do que aí vem: o progresso tecnológico ameaça acabar com a necessidade de trabalho humano e enviar-nos todos para o desemprego. Os mais excitados falam de um futuro em que estaremos subjugados ao poder do grande capital que deterá os robots com inteligência artificial, escravizando a classe operária. Não falta então quem sugira ideias geniais como a do rendimento básico incondicional (uma espécie de RSI para todos) ou impostos sobre o rendimento dos robots.

Estas teorias catastrofistas assentam em três pressupostos. Primeiro, que estamos a assistir a uma evolução tecnológica sem precedentes que levará à substituição de trabalhadores por máquinas. Em segundo lugar, que esta evolução tecnológica não tem precedentes na história da humanidade, que desta vez é diferente pela rapidez com que acontecerá. Em terceiro lugar, que esta mudança será negativa para a sociedade como um todo, especialmente para os mais pobres.

O problema com estas teorias é a realidade. Comecemos pelo primeiro pressuposto. Se estivéssemos a assistir a uma substituição sem precedentes de trabalhadores por máquinas, isso ficaria evidente nos indicadores de produtividade. A produtividade, grosso modo, corresponde ao volume total de produção dividido pelo número de trabalhadores. Se o dividendo se mantém igual ou cresce e o divisor cai, então a produtividade estaria a aumentar. Infelizmente, não é isso que está a acontecer: as economias desenvolvidas estão num processo de estagnação em termos de produtividade desde o início do século. A produtividade cresce a ritmos cada vez mais baixos, o contrário do que seria de esperar se estivéssemos num processo acelerado de substituição de homens por máquinas.

Mas vamos ignorar isto. Vamos então fingir que a produtividade é mal calculada e que na verdade está a crescer a um ritmo acelerado. Ou então que há outros factores não relacionados que estão a contrabalancear o efeito da automação. Ou ainda que que a automação ainda não começou a substituir trabalhadores humanos, mas que irá começar muito em breve. Não falta quem aponte números: 50% dos empregos irão desaparecer nos últimos 50 anos. Será que isto é novo? Podemos dar um passo atrás. Pensemos no mercado de trabalho nos anos 90: quantos daqueles empregos existem ainda hoje? Quantos trabalhadores em 1992 se fossem transportados no tempo para os nossos dias teriam o seu emprego tal e qual o tinham? Ou, visto de outra forma, quantos trabalhadores hoje estão em empregos que já existiam em 1992? Hoje temos muito menos bancários e mais programadores. Menos empregados de mesa e mais operadores de call center. Menos portageiros e mais hospedeiros. Mesmo os empregos que nominalmente se mantiveram iguais, alteraram-se de forma tão substancial que dificilmente se pode dizer que são o mesmo emprego (pensemos em jornalistas, por exemplo). Se fizermos a análise entre 1992 e 1967 a diferença é ainda maior. No entanto, para além das flutuações conjunturais é difícil identificar uma enorme subida do desemprego em resultado do desaparecimentos daqueles empregos. Se 50% dos actuais empregos desaparecerem nos próximos 25 anos isso não será necessariamente novo. Nem sequer, note-se, deverá causar desemprego temporário, uma vez que 50% dos trabalhadores também deverá reformar-se nos próximos 25 anos. Apesar de tudo, o perfil dos jovens que hoje começam a sua carreira é bastante diferente da média dos actuais trabalhadores. E certamente diferente do que será daqui a 25 anos.

Por outro lado, a substituição de trabalhadores é feita de forma lenta e gradual. O facto de uma tecnologia estar disponível não quer dizer que venha a substituir imediatamente todos os trabalhadores que pode substituir. Pensemos no caso da Via Verde que existe em Portugal há mais de 20 anos. Durante este período, muitos empregos de portageiro desapareceram. No entanto, os portageiros desapareeram do mercado de trabalho mais rapidamente que os empregos nas portagens. Fruto disso, apesar da Via Verde ser uma tecnologia madura, a Brisa ainda hoje contrata portageiros. Ou seja, uma tecnologia simples que substitui empregados de forma directa e com poucos custos de implementação falhou em substituir todos os empregados disponíveis para a profissão. Imaginem agora o que será com tecnologias complexas como inteligência artificial ou carros autónomos.

Para os portugueses que ainda tenham dúvidas, há uma forma ainda melhor de ficar descansado. Portugal, como um país atrasado no conjunto dos países desenvolvidos, tem a capacidade de conseguir de antecipar o futuro, olhando para os países 20 anos à frente. É o caso do Japão, o país com o maior número de robots do Mundo, com um nível de automação a que Portugal só conseguirá chegar daqui a 15-20 anos. E no entanto, o desemprego é praticamente inexistente. Com uma densidade de robots 20 vezes superior à portuguesa, o Japão praticamente não tem desempregados e os seus trabalhadores queixam-se mais do excesso do que da falta de trabalho.

O terceiro argumento é de que a automação, substituindo empregos manuais e pouco sofisticados, afectará principalmente os pobres. Mais uma vez, contraria a história: o progresso tecnológico é uma força equalizadora. O progresso tecnológico torna luxos apenas disponíveis para os mais ricos em bens essenciais e generalizados. Pensemos em algo que há umas décadas ainda era um luxo: água canalizada. Um membro do topo da hierarquia no século XV teria acesso constante a água (trazida pelos aguadeiros de serviço). Para pessoas no topo da hierarquia o aparecimento de sistemas de água canalizada trouxe menos benefícios do que para os pobres (que não podiam ter empregados a transportar água). O mesmo acontece com a alimentação, a arte e o entretenimento. O progresso tecnológico (seja ele na forma de água canalizada, máquinas agrícolas, televisões ou aviões) beneficiou sempre desproporcionalmente os mais pobres. A água canalizada tirou emprego a centenas (milhares?) de aguadeiros, mas foi o que permitiu às classes menos afortunadas ter acesso a água

Nesta altura da discussão, há sempre alguém que se levanta e pede exemplos específicos de empregos que irão substituir os actuais. Eu só consigo imaginar o desespero destas mesmas pessoas se em 1930 lhes dissessem que daí a 50 anos, 3% dos trabalhadores seria suficiente para produzir os bens alimentares de toda a população. Consigo imaginar o seu desespero ao tentar imaginar onde trabalhariam os outros 60% de trabalhadores que nessa altura se dedicavam à agricultura. A verdade é que hoje não temos 60% de pessoas desesperadas de enxada na mão de porta em porta à procura de trabalho. Tal como as pessoas em 1930 não conseguiriam imaginar que empregos iriam substituir os empregos na agricultura entretanto automatizados, também para nós será difícil fazê-lo.

Uma boa forma de tentar adivinhar que empregos serão esses é analisar a sua vida e pensar o que é que gostava de ter e não tem. Em 1930 poucas pessoas faziam férias, jantavam fora ou tinham acesso a entretenimento de qualidade. A simples ideia de que estas seriam actividades normais mesmo entre a classe média baixa seria ridicularizada. Mas isto é hoje uma realidade porque muitos dos recursos humanos utilizados na agricultura foram automatizados e o seu esforço desviado para a prestação deste tipo de serviços.

Em 2017, o que vos falta? A mim salta-me logo uma tremenda necessidade presente e que tenderá a agravar-se no futuro: o cuidado a idosos. O cuidado a idosos com problemas de mobilidade é hoje caro e inacessível à maioria das famílias. Muitos dependem de cuidadores informais ou são abandonados em hospitais. Com o envelhecimento da população, o problema apenas tenderá a agravar-se. Será preciso desviar muitos recursos de outros sectores para suprir todas estas necessidades nas próximas décadas.

Nos anos 60 muitos previam que as viagens espaciais se tornariam comuns no final do século. As pessoas da minha idade cresceram a ver os Jetsons com a certeza de que quando fossem adultos não teriam que realizar tarefas domésticas básicas. A verdade é que hoje as viagens à lua são extremamente raras e lavar a louça extremamente frequente. Enquanto tantos economistas se preocupam com a legião de desempregados que a automação e robotização irão criar, talvez nós, pessoas na casa dos 20-40 anos, devêssemos estar mais preocupados em que o progresso tecnológico liberte recursos suficientes para um dia termos quem nos limpe o cu. Ou então que nos próximos 40 anos apareça um robot capaz de o fazer. Suavemente.

Portanto a senhora das raríssimas

10 Dezembro, 2017

resolveu conferir a si mesma o estatuto e as regalias que teria caso, por exemplo, tivesse sido convidada para assessora na Assembleia Municipal de Lisboa?

raríssimas

10 Dezembro, 2017
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Raríssimas vezes vi coisa tão reles como esta, a de um grupo restrito de pessoas viver faustosamente à pála de uma instituição particular que vive de contribuições privadas e do estado e que passa dificuldades para apoiar crianças deficientes.

Raríssimas vezes vi melhor oportunidade para que um chefe de governo dê um exemplo moral ao país, afastando ou suspendendo de funções, imediatamente e sem hesitações, todos quantos estejam envolvidos nesta história sórdida.

Aguardemos.