Não Felicito Centeno
Eu não felicito Centeno porque se o fizesse estaria a felicitar a “chico espertice” de quem apenas soube usar o legado deixado por outros e depois foi a correr colher os louros aos donos disto tudo da UE . Estaria a felicitá-lo por ter sido uma nulidade na condução das nossas finanças, por ter seguido o caminho errático do “martelanço” contabilístico, por ter mentido tantas vezes no Parlamento, por ter aberto o caminho a nova falência do país, por ter destruído 2 anos de recuperação económica, por ter reduzido o défice apenas 0,8% (quando ele era de 11%) com vendas de F-16, perdão fiscal e super cativações.
Não, não o felicito porque por causa dele temos 3 Orçamentos de Estado às costas carregados de aumentos de impostos como consequência do seu eterno “amem” às clientelas da geringonça, temos cativações grotescas que colocaram em risco a saúde, a educação, a segurança e o bem estar dos portugueses, perspectivas de futuro com mais agravamentos de impostos para impedir um novo colapso das contas.
Não, não felicito Centeno porque não houve mérito nesta nomeação nem poderia haver com tamanho desempenho. Houve uma escolha, isso sim, de um grupo de países influentes que recaiu em cima daquele que andou meses a oferecer-se em propaganda, numa bandeja acompanhada da nota “levem-me a custo zero que eu faço tudo o que me pedirem!”. Houve a desistência dos candidatos que ainda disputavam o lugar. Houve a “sorte” de ser escolhido porque à Europa não lhe convém o mais competente para este cargo, mas sim o mais maleável e obediente. E Centeno lá, tal como cá, desempenhará esse papel na perfeição.
Mas agradeço a sua decisão que veio em boa hora num momento em que a geringonça se preparava para destruir ainda mais as contas do país. Aqueles que agora olham para isto com desconsolo e raiva porque o Centeno “patrão” vai virar-se contra o Centeno “costureiro”. E isso sim, agrada-me muito.
O Eurogrupo foi a escapatória perfeita para alguém que sabe melhor que ninguém o estado em deixou esta Nação entregue a si própria e nessa posição será muito mais fácil argumentar decisões duras – que virão certamente – para o ajudar a justificar o que tem de ser feito por via do pântano que ele sabe que ajudou a criar. E essa sim, foi de mestre. Tiro o meu chapéu. Só por isso já vai valer a pena Centeno poder acrescentar no CV “fui Presidente do Eurogrupo”.
Porque na verdade Centeno sempre soube que o caminho escolhido pela geringonça estava errado. Sempre soube o resultado que daí adviria. Sabia até das dificuldades que se avizinhavam. Que a permanência como ministro das finanças lhe traria dissabores. Sabia porque quem se licencia em Economia em Harvard sem ter comprado o curso, sabe que tudo o que foi feito até agora apenas arruinou ainda mais o país.
O “Marcelo dos afectos” e o “Trump, pá”
E porque não o contrário?
Viva Portugal!
the psd show


uma vítima corajosa
Numa intervenção que fez no Web Summit deste ano, Sara Sampaio denunciou corajosamente a podridão do star system nacional, onde ela mesma foi obrigada a fazer coisas que a repugnavam, mas que eram condição para continuar no negócio. Ontem mesmo foi divulgado este vídeo que ilustra bem as palavras da nossa corajosa Sara, coitadinha, obrigada a fazer uma demonstração de artes marciais sem que a deixassem vestir uma roupinha interior ou umas meias de lycra. O resultado, coitada!, ficou à vista. Bem à vista, efectivamente.

A sério???!!!

Um destes dias, depois de rever o filme Os Homens do Presidente, fiquei algum tempo a reflectir sobre a importância do jornalismo. Não foi uma reflexão muito profunda, teve início durante os créditos finais e terminou três ou quatro minutos depois, quando a minha mulher, já cansada da cara de lorpa com que fico sempre que estou a pensar, me trouxe de volta à sala de estar. Felizmente, tal como em outros aspectos da vida, o que conta é a qualidade e não o tamanho da meditação.
Relembremos a história: Richard Nixon é eleito para um segundo mandato na Casa Branca com uma vitória absolutamente esmagadora e, dois anos depois, perante a total estupefacção dos americanos, é obrigado a resignar ao cargo por causa do escândalo Watergate. Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do Washington Post, ficam para a história como os corajosos profissionais que desenvencilham a tramóia e resgatam os eleitores do mundo de inocência em que viviam.
Em Portugal, no passado fim-de-semana, passámos por uma experiência semelhante. Todo um povo, até essa altura mergulhado numa doce ilusão, ficou de boca aberta e em estado de choque quando olhou para a capa do Jornal Sol. Pelos vistos, e contrariamente ao que julgávamos, os órgãos da administração da pátria estão repletos de boys dos partidos políticos; e alguns deles são tão bem remunerados que podemos considerar terem sido presenteados não com aquilo que vulgarmente se designa como um “tacho”, mas com um trem de cozinha completo. Como se isto já não fosse surpresa suficiente, ficamos também a saber que este esquema de distribuição de chicha tenrinha foi inventado por António Costa para exercer com mais facilidade o poder; e que todos os partidos, por serem bem-educados e saberem que não se fala enquanto se mastiga, se mantiveram calados.
Algumas pessoas, para se distraírem, dedicam-se a construir castelos de cartas com os amigos. O nosso primeiro-ministro, por não ser distraído, prefere construir pontes de notas com a oposição.
E se fosse consigo?
Este programa da SIC, mais uma concessão do regulador à pornografia em canal aberto, representa o mais repugnante dos defeitos das pessoas (ou, para o doutor Costa, a virtude): a sobranceria moral. Ponderando a eterna questão sobre se a arte imita a vida ou a vida imita a arte, admito que nunca assisti a canastrões numa paragem de autocarro a solicitarem que uma mulher artificialmente passiva levantasse a saia, mas, a partir da transmissão do programa, não me admirarei se passar a ver.
A lição que se pode tirar do programa é que há bestas em todo o lado: quer nas paragens de autocarro, quer nas produções das televisões. Até ter visto isto, sei que daria, com medo de me aleijar, duas chapadas aos palermas da paragem de autocarro; agora, além das chapadas, aproveitaria, quando a Conceição Lino me viesse perguntar porque dei as chapadas, para a questionar do motivo pelo qual a SIC não tem apresentadoras feias.
Da fomentação
O ainda recente processo de candidatura à relocalização da Agência Europeia do Medicamento teve o funesto efeito de me recordar que uma das instituições com sede no Porto é a aventesma do Banco de Fomento, poeticamente apelidado de “Instituição Financeira de Desenvolvimento” (IFD).
Eis algumas interrogações:
- Os técnicos da IFD são melhores adivinhos que todos os seus colegas da banca privada para identificar empresas e projectos com probabilidade de sucesso a longo-prazo?
- Que “falhas de mercado” são corrigidas por um núcleo de planeamento central de supostos sábios?
- Sendo uma instituição pública, não será particularmente susceptível a que os “campeões nacionais” sejam selecionados com base em agendas políticas?
- As garantias estatais que permitirão ao Banco de Fomento ter acesso a custos de capital mais baixos não criam factor de concorrência com a banca privada?
- Embora tendo actividade grossista, sendo os fundos disponíveis na prática subsidiados, a alocação de recursos à margem do mercado não provocará ainda maiores distorções competitivas?
- Os contribuintes não ficam expostos a mais um risco de crédito?
- Das 1.162.069 PME e das 1.013 grandes empresas nacionais, quantas usufruirão da IFD e por que razão as restantes não retirarão dela benefício?
- Por que motivo caberá aos decisores de um organismo público alterar a composição da carteira de créditos dando prioridade a determinados sectores de actividade e não a outros?
- Não estaremos a mascarar a condução de uma política industrial do Estado à margem do Orçamento?
- Dado o papel do Banco Europeu de Investimento nestes mecanismos de financiamento, não estaremos a prejudicar o princípio da subsidiariedade, entregando a tecnocratas a tomada das grandes decisões estratégicas?
- A introdução de uma nova entidade grossista que canaliza por via da banca privada fundos subsidiados por garantias públicas não aumentará a carga burocrática e tornará mais opacas as decisões e escolhas?
*
o país das maravilhas
Por que é que Portugal não passa da cepa torta? Porque é um país profundamente reaccionário, que vive do passado, onde se tem medo do risco, da inovação e da concorrência e onde quase todos procuram um cantinho de protecção política para manter enclausurado o seu pequeno tesouro, negando-o aos outros. Portugal é, foi e será um país imensamente salazarista. O «viver habitualmente», de António de Oliveira Salazar, a lição que nos deu da «dona de casa» prudente e cautelosa, o seu paradigmático exemplo pessoal de uma modéstia sem aparente ambição, os privilégios que criou, ou permitiu que se criassem, a inquilinos, a partilha do mercado por alguns industriais e banqueiros, as dificuldades criadas a quem queria ir para e investir em África, tudo isso, em suma, corresponde ao genuíno ADN lusitano. Melhor do que ninguém, Salazar conhecia isto e quem por cá vive, razão pela qual se aguentou quarenta anos no poder. Em Portugal, «small is beautiful», é só para nós e mais ninguém. E tudo que arrisque crescer é invejosa e corporativamente abatido. Feita por anões mentais, como não poderia a «lei» defender outra coisa que não fosse a nossa gloriosa pequenez? E, no fim de contas, se vivemos, de há muito, à pála da União Europeia, por que raio devemos partilhar com outros os privilégios que tanto nos custaram alcançar?
Lição de geometria política
Centeno no Eurogrupo é uma boa notícia para o país
Socialista, permitindo reequilibrar as lideranças de orgãos da UE maioritariamente nas mãos do Partido Popular Europeu. De um país pequeno, como foram quase todos os presidentes do Eurogrupo e da Comissão Europeia neste século. Ambicioso, por isso disponível para agradar aos poderes que podem fazer com que esta presidência seja apenas um degrau na hierarquia da UE. E, provavelmente, disponível para ser o primeiro presidente a tempo inteiro do Eurogrupo depois das próximas legislativas. Terão sido estas as características que tornaram Centeno num candidato vencedor à frente do Ministro das Finanças luxemburguês.
Mas Centeno tem outros méritos. Centeno conseguiu perceber muito cedo que o eleitorado da esquerda importa-se bastante mais com os salários da Função Pública do que com a qualidade dos serviços públicos, especialmente do SNS (o eleitorado BE tem seguros de saúde e os funcionários públicos têm ADSE). Mesmo beneficiando de um ciclo económico positivo, teve o mérito de não agravar o défice estrutural. De certa forma, acabou por ser bastante mais liberal do que Vítor Gaspar ao aumentar o peso dos impostos indirectos e, ao deteriorar a qualidade do SNS e da escola pública, deu um incentivo importante aos sistemas de saúde privados e colégios não incluídos na rede pública. Mais do que isso, conseguiu colocar a esquerda em peso a congratular-se pela baixa do défice, contribuindo para que se tornasse consensual na política portuguesa a ideia de que o défice das contas públicas deve ser baixo. Hoje concordamos todos, do BE ao CDS, que há pouca vida política para além de um défice excessivo. Melhor do que isso, daqui para a frente, todas as decisões tomadas pelo Eurogrupo liderado por Centeno serão racionalizadas internamente pela máquina de comunicação da esquerda como sendo as melhores para o país e a UE. Um novo Varoufakis será demonizado e não idolatrado pela nossa esquerda. Ter um PS alinhado com o Eurogrupo é um excelente cenário para o país, principalmente se for acompanhado pelo BE e CDU. De certa forma, a eleição de Centeno para o Eurogrupo é ainda mais importante do que a de Guterres para a ONU. Em termos de resultados prácticos de políticas internas certamente será.
being there

O Que Andam Nossos Filhos a Comer?
Podem pintar o quadro como quiserem mas o que está a acontecer nas escolas com a comida dos nossos filhos é a repetição do problema que nos afectou com os fogos: a falência do Estado no seu dever de protecção. Como se explica que se sirva rissóis sem fritar, carne crua com sangue à vista, lagartas a passear na sopa, quantidades quase inexistentes de proteína? Fácil: o Estado depois de concessionar um serviço demite-se da sua obrigação de fiscalizar, controlar e acompanhar o serviço prestado verificando se cumpre ou não o caderno de encargos. Não faz nada. Como nada fez na prevenção de fogos, como nada fez na prevenção da legionella em hospitais públicos, como nada faz para fiscalizar qualquer área da sua competência. O Estado é o ÚNICO principal culpado destas situações.
A culpa começa no preço. Nos concursos o preço base é fixado em 1,50€ mais IVA. Não se insere um preço mínimo dando assim a oportunidade de vender abaixo, até menos 50% do valor de referência. Ainda, o preço base apresentado pelo Estado é calculado APENAS de acordo com o histórico! Ou seja, sem cálculos que o justifiquem. Pior: à empresa não lhe é exigido aquando da candidatura uma nota justificativa de preço onde se discrimina como se chegou ao preço que vai a concurso e onde se pode verificar se foram contempladas todas as despesas de acordo com caderno de encargos, tal como acontece, por exemplo, na área da segurança privada. Nada. Ora assim, a malta faz o que quer só para ganhar o concurso: a empresa espreme o preço e o Estado esfrega as mãos de contente porque vai pagar poucochinho. Assim, temos a fórmula perfeita para ter um serviço da pior qualidade.
Mas há mais: o preço tem de incluir sopa, prato, sobremesa, pão, consumíveis, despesas com a loiça, talheres, tabuleiros, transporte e… pessoal. Como é que a empresa que ganhou concurso até 2020 consegue com valores que vão de 1,18€ a 1,47€ cobrir todas estas despesas? Eu explico: roubando ao caderno de encargos com o “aval” do Estado. Há 10 anos o valor de referência a concurso era de 2€. Tirem daí as vossas conclusões.
O Estado proporcionou negligentemente que a qualidade fosse descurada escandalosamente ao promover preços baixos (diga-se abaixo do preço de custo). Quem se surpreende depois que haja carnes vindas da China, Espanha ou França, produtos congelados, filetes com espinhas, peixe congelado da Argentina, sopas com fécula de batata, sobremesas instantâneas com água, comida que chega em mau estado, problemas com quantidades, falta de pessoal, plafond de compras que, semana sim semana não, se esgota ficando a escola sem matéria prima para as refeições?
Não se pode exigir qualidade a quem vende um produto abaixo do preço de custo. E se isso acontece é porque interessa ao Estado. A prova está, como já disse na ausência de nota justificativa de preço no concurso e ausência quase total de fiscalização com aplicação de multas praticamente inexistentes e quando se aplicam não são sequer cobradas. Dito de outra forma, ser prevaricador em Portugal nos concursos públicos compensa porque o Estado nem sequer se importa com isso.
O estranho é quando verificamos que com as escolas que não são concessionadas, estas podem gastar por refeição, apenas com os alimentos – recursos humanos são pagos à parte – 1,68€ mais 0,22€ de ajudas. Consegue perceber porque razão as escolas com cantinas próprias funcionam bem? Pois. Os milagres não existem. Qualidade depende também do preço.
Já morreu uma menina com a bactéria do e.coli por via alimentar na escola. Outra colega encontra-se com os sintomas da bactéria. O caso tem sido abafado, claro. Tal como toda a censura que já conhecemos sempre que há mortes nesta governação. Mas a realidade por muito que tentem escondê-la, vem sempre ao cimo porque é imperioso denunciar. Quem nos protege se não formos nós próprios a fazê-lo ou a exigi-lo?
Saiba que em caso de se verificar na escola de seu filho uma ocorrência irregular na cantina, deve informar a Direcção que ao tomar conhecimento tem de actuar junto da empresa para corrigir. Se persistir a escola deve pedir a intervenção da DGEsTE. Saiba ainda que todos os dias tem de ser cozinhado duas refeições a mais, uma para a Direcção outra para Associação de Pais e que qualquer pai que o solicite, deve ser autorizado a provar o almoço.
Agora que sabe seus direitos, faça uso deles e exija. Só assim podemos prevenir e melhorar as condições em que são servidas as refeições aos nossos filhos.
Fonte: Jornal Observador
Vai Doer!
O pão vai subir cerca de 20% já no início do próximo ano e outros bens lhe seguirão. Surpreendido com isto só fica quem andou a dormir este tempo todo e acordou só agora com a realidade a entrar pelos olhos adentro. Disse-o tantas e tantas vezes que os aumentos e criação de impostos indirectos iria custar caro ao orçamento de cada português. E o resultado já começou a sentir-se volvidos dois anos de governação irresponsável e incompetente: os bens de primeira necessidade vão estar pela hora da morte. Mas aguentem-se firmes que não vamos ficar por aqui.
Estes senhores ilusionistas andaram a distribuir o que não tínhamos: dinheiro. Sempre a pedir emprestado, foram engordando a dívida pública – que NUNCA parou de subir desde 2015 – sem qualquer reforma estrutural para corrigir o défice. De forma escamoteada em cativações, foram enganando os cidadãos com falsas melhorias que não eram senão maroscas de encobrimento das contas públicas. Resultado: carregar fortemente nos impostos – tivemos o maior aumento de sempre de impostos – , fazendo sair dos bolsos dos contribuintes, para “compensar” as migalhas que fazem entrar. Na balança o saldo é obviamente negativo. Porquê? Simplesmente porque sai muito mais por via dos impostos do que entra por via dos benefícios. Em suma, levam-nos o porco em troca de uma chouriça. E a miséria aumenta.
A isto junta-se a irresponsabilidade que vamos pagar bem caro com as despesas dos gabinetes e viagens a baterem recordes, com aumentos salariais escandalosos na CML e até deputados assessores de si próprios, aviando-se dos impostos dos portugueses de forma descarada pouco se importando do sofrimento de algumas famílias para os pagar. E enquanto andam refastelados com o suor do nosso trabalho, deixam aumentar os casos de fome de pessoas assistidas por Instituições de Solidariedade. Mas que gente é esta?
Ora não tendo o governo feito absolutamente nada para sustentar a grande despesa que prevê fazer neste OE2018, pergunto a que preço vamos pagar todos estes pseudo-benefícios? Com a mesma fórmula de sempre: dar 10 e OBRIGAR TODOS a pagar 100. Já com o aumento dos combustíveis que foi o maior em 16 anos, chegamos ao ponto de ver todos os bens de primeira necessidade subir drasticamente, mas não vai chegar. Só restará mesmo esse caminho. Aumentar mais impostos. E o próximo será inevitavelmente o IVA como fez Sócrates que o passou de 20 para 23%. Lembram-se?
A CE já demonstrou que não anda a gostar desta gestão “ao contrário” levando-a a fazer avisos que ainda caiem em saco roto porque a ganância é mais forte que o sentido do dever. Isto porque estes artistas (sim, são meros actores) estão convictos que conseguirão enganar a UE até ao final do mandato. Depois? Bem depois, quem vier por último que feche a porta. Nada de novo.
O problema é que todas estas políticas de descontrolo financeiro vão doer naqueles do costume que tal como os prisioneiros, terão de aguentar a pena custe o que custar. E pior ainda, verão essa pena agravar-se com o afastamento dos grandes investidores por sermos um país que aumenta mais impostos a quem investe e cria postos de trabalho. Sem falar da novela protagonizada pelo PCP com a AutoEuropa que é seguida mundialmente e nos fragiliza do ponto de vista económico. Ora, quando todo o capitalista der à sola daqui podem sempre juntar-se ao Maduro no seu pedido desesperado por atrair quem invista na Venezuela saqueada por ele próprio, certo?
Ter paz podre, equilíbrio financeiro fictício, aumento de benesses sociais acompanhadas de uma carga fiscal medonha, não representa melhoria de coisa alguma. Demonstra apenas que se gasta o que não se tem, se promete o que não se pode dar e depois esconde-se a realidade para prolongar a mentira até ao próximo mandato com a ajuda caladinha dos radicais de esquerda que nunca comeram tantos sapos para sobreviver mais um dia no poder.
Os portugueses que se lixem.
Estádio-Nação
Só liguei minimamente a Futebol no tempo em que o Néné ainda tinha um filho, o Jordão jogava no Sporting e o Pedroto treinava o Porto.
Todavia, parece-me que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tem vindo a dizer umas coisas acertadas sobre este mundo. Há tempos afirmou que o Governo tem “um projecto estratégico para o futebol” e mais recentemente, em entrevista ao DN, confessou que o Executivo “admite sanções mais pesadas para pacificar futebol”.
Estou totalmente de acordo!
Pode ser que assim muita gente perceba que o Estado não se deve meter nas nossas vidas.
Caridade? Não, é um empréstimo de um amigo. Tenciono pagar-lhe quando souber quanto devo.

Hoje há donativos nos supermercados para o Banco Alimentar. Os socialistas não gostam, chamam-lhe caridadezinha. Para um socialista, caridade aceitável não é um saco de feijões para quem tem fome, é a aquisição de serviços de um ghostwriter para nos escrever uma tese académica com a qual cometemos uma nada escandalosa fraude académica que nos permita manipular o top de venda de livros através da aquisição de cópias pela mesma pessoa que nos paga o ghostwriter, a casa e a alimentação em bairros nobres de Paris. Caridade é, também, fingirmos que na sequência da mais que evidente participação em fraude académica, podemos manter o lugar e o salário de professor universitário sem que o corno manso do português se indigne por aí além com o estado do chiqueiro.
A festa do cone iluminado
um impensável triunfo

«Um dia, o teu lugar será meu!»
Mário Centeno faz-me lembrar um herói saído das páginas de Tom Sharpe, o melhor humorista inglês do século XX: sem a plena consciência dos sarilhos em que se mete, utilizando meios quase sempre insensatos, acaba invariavelmente por triunfar e obter resultados que nem ele imaginava possíveis nos seus sonhos mais abençoados.
Pois bem, se Centeno for, na próxima segunda-feira, eleito presidente do Eurogrupo, a minha teoria sairá reforçada. Na verdade, quem julgaria possível que um ministro de um governo apoiado por dois partidos que querem o fim do euro pudesse alcançar o mais alto posto da governança desse instrumento económico e financeiro? E quem suporia alguma vez possível que a Alemanha de Merkel lhe desse o apoio?
Seja qual for a opinião que se tenha do governo de António Costa, há que convir – e digo-o, agora, sem ponta de ironia – que fazer de Centeno presidente do Eurogrupo será, a confirmar-se, um feito politicamente notável. Mas isso deixará ao governo da geringonça aquela que poderá vir a ser a sua fatalidade: como poderão o Bloco e o PC continuar a apoiar um governo em que o ministro das finanças passará a ser o inevitável rosto da austeridade europeia? Não pode durar muito tempo: ou salta o Centeno do governo, ou saltam o Bloco e o PC.
Quem paga o resto?
A Câmara Municipal de Lisboa já anunciou que irá contribuir com 5 milhões de euros para a organização do festival da Eurovisão. Um festival cuja organização foi atribuída a Lisboa sem qualquer tipo de concurso (ao contrário do que aconteceu em todos os outros países que a organizaram). Os últimos festivais da Eurovisão custaram entre 30 e 50 milhões de Euros a organizar. Fica a questão: se a Câmara Municipal de Lisboa paga 5 milhões de Euros, quem paga o resto da fantochada centralista? Não é difícil de adivinhar: será o mesmo palerma do costume.
Resposta ao Inquérito de Louçã

Caro Francisco Louçã, permita-me que depois de ler seu artigo de opinião, no Público (https://blogues.publico.pt/…/2017/11/29/minha-cara-cliente/…) responda ao seu inquérito. Quer mesmo saber a que clientela pertenço?
Pertenço à clientela a quem lhe venderam um “produto” da banha da cobra que chamam de excelência, com pagamento mensal de entrega de mais de 50% dos seus rendimentos em impostos, mas recebe um serviço de porcaria onde tem direito a uma saúde que não presta, uma educação miserável , uma segurança inexistente, uns transportes ineficientes. Que recebe aumentos de pensões, salários, redução de IRS de uns míseros euros para depois deixar centenas deles no supermercado, na gasolineira, renda, gás, luz e água porque o ROUBAM com impostos indirectos em 3 orçamentos de Estado consecutivos.
Pertenço à clientela que ganha legionella numa consulta de rotina, morre queimada numa estrada a fugir do fogo , vive inundada sempre que chove, que é obrigada a pagar IMI de cinzas, come carne crua com E.Coli na escola e vai desta para melhor sem entrar nas estatísticas por ser vítima indirecta. Sou aquela junto de quem se congratulam que dão “topos de gama” mas em concreto não passam de “carroças sem bois”. Que deixa o pêlo e o pelaço do seu suor para lhes alimentar a gula e recebe migalhas para se poder sustentar. Que tem de trabalhar cada vez até mais tarde para que possam ao fim de 15 anitos reformarem-se à nossa conta.
Sou aquela que para pôr comida e pão na mesa tem de trabalhar arduamente porque não lhe cai do céu como no Parlamento. Sou cliente desgraçado que tem 1 “contrato” ruinoso tipo SIRESP com o Estado incompetente, mas não o pode rescindir porque é vitalício. Sou aquela que deixou de ser cliente há muito para ser mero sobrevivente
Sou da clientela que os sustenta enquanto gastam à fartazana, riem da nossa cara, mentem à descarada, porque sabem que uma vez dentro do Parlamento, SÓ o partido os pode tirar dali.
NÃO SOU da clientela que não faz voto de pesar por ver partir um grande empreendedor e empregador no país mas que tem uma overdose de tristeza quando morre ditadores assassinos que condenaram seu povo à fome e miséria. .
NÃO SOU da clientela que não admite riqueza nos outros mas esconde o elevado património do partido, recusa-se a pagar IMI e IVA e muito menos o imposto Mortágua.
NÃO SOU da clientela que passa a vida a defender o sector público mas transporta-se em Porsches e Maseratis, quando tem tonturas vai para o hospital da Cuf, e pôe filhos a estudar no privado. Que come com luxo na cantina do Parlamento pelo preço de uma diária. Que se auto-aumenta 10% todos os anos e repos as subvenções vitalícias. Que nunca moveu uma palha na vida mas vive como um lorde, sem mérito, à conta dos nossos impostos cada vez mais altos. Que emprega toda a família no Estado, faz adjudicações directas aos amigos, dá tachos no Banco Portugal e outros tantos organismos públicos sem concurso
E você, meu caro, de que clientela é?
Devolução de Natal
Imbuídos do espírito natalício muitos difundem durante o Advento patetices impróprias para quem quer manter alguma sanidade mental.
Ouvem-se glórias e louvores à “responsabilidade social” de empresários e gente rica que nesta época decidem “devolver à sociedade parte do que esta lhes proporcionou”.
A expressão entre aspas anterior é a fórmula comummente usada por essa gente. O sublinhado enfatiza a ideia central que se pretende transmitir.
Confesso: não tenho pachorra para tamanho dislate!
“Devolver” pressupõe restituir a dono legítimo. Mas alguém roubou ou tirou algo de casa alheia?
Quem acha que houve apropriação indevida, apenas exige a devolução de parte do produto desviado?
Não havia necessidade de insulto nem de desonestidade intelectual…
Por regra, aqueles que têm elevados rendimentos foram capazes de produzir bens ou serviços dos quais a maioria de nós beneficia. De tal modo que estamos dispostos a dar dinheiro por eles.
Em sociedade as trocas são mutuamente benéficas. Facilitam a vida quotidiana, proporcionam-nos divertimento, dão-nos conforto e aumentam a nossa longevidade. Basta pensarmos em tudo aquilo que num só dia utilizamos e consumimos para perceber que é cada um de nós que, voluntariamente, torna ricos os ricos.
A superioridade moral do sistema capitalista advém desde logo de o mercado permitir que se acumule riqueza apenas servindo os interesses e necessidades dos outros. O bem-estar de uns não se faz à custa da miséria de terceiros. Não é um jogo de soma nula.
Uma economia liberal é justa porque defende o direito natural à propriedade daquilo que se cria e ganha em resultado do trabalho e criatividade dos indivíduos.
A retórica marxista da luta de classes e de que a desigualdade de rendimentos existe porque uns tiram a outros não só é factualmente falsa, como também revela um dos mais desprezíveis sentimentos humanos: a inveja.
Este desconforto com o sucesso alheio e o quase ódio aos ricos, aliados à soberba dos que se acham os únicos conscientes e preocupados com o bem-estar dos seus próximos, leva à tentativa de imposição daquilo que consideram ser os comportamentos correctos em comunidade, lá está: de “responsabilidade social”.
Nasce também daqui a ideia da progressividade dos impostos. Quem mais tem deve ser taxado, em termos relativos, de forma mais pesada do que os menos abastados. Mas se a ideia é moralizar o mercado e a sociedade capitalista, o resultado desta política é precisamente o inverso. Um comportamento forçado através da coacção tributária não torna nobre, nem moral nem benevolente a atitude das pessoas. Só a um acto individual, voluntário, emanado da consciência de cada um se pode atribuir valor moral.
A lengalenga da progressividade fiscal apenas serve o propósito da defesa dos interesses de quem não produz riqueza e do disfarce do roubo.
O discurso ardiloso do “devolver à sociedade” acaba por retirar valor a quem pratica a verdadeira Caridade, essa sim virtuosa e digna de elogio, a que a celebração da humanidade do Natal nos convoca.
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Novo oprimido voluntário pelo capitalismo sem rosto

Se perguntarmos a um cínico sobre o que pensa do futuro do país, responderei que será igual ao presente e ao passado, queira e possa a Europa manter à tona este quintal de bárbaros dislexicamente embevecidos em simultâneo pela retórica patologicamente reciclada a Ulrike Meinhof e pelo alegre conforto que um cupão de desconto do Lidl pode proporcionar. Contudo, se fizermos a pergunta a um pragmático-optimista, o novo blasfemo que agora vos apresento responderá que o futuro é o que dele fizermos, hoje, amanhã e todos os dias que se seguirem, pedra sobre pedra, ideia consequente — como todas — sobre ideia consequente.
É por isso que, em nome de todos os blasfemos, dou as boas vindas ao mais amaldiçoado dos blogues pela religião oficial da república popular portuguesa ao apóstolo da ordem espontânea, cronista do encanto nacional pela fugacidade, teólogo da superioridade moral do laissez-faire, sociólogo especialista da casta exótica da insaciável regulação e psicólogo do neurónio cansado do infortunado socialista, a única pessoa com actividade cerebral que assistiu à chegada dos únicos compradores reais do último livro de Sócrates na sua apresentação formal na cidade do casario que se vê ao atravessar o rio junto à Serra do Pilar e um amigo que — garanto — paga a sua própria conta em restaurantes.
O seu nome é Telmo Azevedo Fernandes.
Deixa saudades
Num país miseravelmente mesquinho, onde o sucesso de um vem acompanhado da inveja de muitos, tinha o Zé Pedro como um tipo que simplesmente demonstrava alegria e gratidão pela oportunidade que o público lhe deu de viver a fazer o que gostava. Raramente sinto uma atitude semelhante em artistas portugueses. Em políticos sinto-o uma vez por década, com sorte. Em comentadores televisivos nunca o senti (pode ser azar meu). Talvez por isso, culminamos num governo pejado de comunistas, os invejosos naturais do ecossistema social.
Lamento imenso que a derradeira partida do Zé Pedro tenha chegado tão cedo.
Em termos genéricos, há duas formas principais de acumular poder e concentrar riqueza: pela criação de valor ou pela sua captura. Esta é uma confusão que muitos populistas gostam de fazer quando se trata de avaliar a concentração de riqueza em indivíduos. A concentração de riqueza num qualquer cleptocrata africano não tem o mesmo significado que a concentração de riqueza em Bill Gates ou Belmiro de Azevedo. Até se pode discordar de ambas, mas a verdade é que Bill Gates acumulou riqueza criando algo que fez o mundo melhor e tornou a vida de milhões de pessoas mais fácil. Já um ditador africano fê-lo pela captura de riqueza aos que a iam criando. Mesmo discordando das duas, qualquer pessoa razoável admitirá que os efeitos nos outros de cada uma destas formas de acumulação é bastante diferente. Num dos casos, todos os outros ficaram a ganhar com aquele processo de acumulação de riqueza. No outro, ficaram todos a perder, excepto quem a capturou.
Com as cidades não é muito diferente. A concentração de poder económico numa cidade pode ser favorável a todo o envolvente. Existem economias de aglomeração evidentes, especialmente dentro da mesma indústria. A concentração do sector financeiro em cidades como Nova Iorque e Londres, mesmo criando desigualdades regionais, favorece o resto dos países em que essas cidades estão envolvidas. O mesmo com os clusters tecnológicos de São Francisco ou o cluster de serviços do Dubai. No entanto, a centralização do poder também traz riscos: a de ter todas as decisões tomadas pelo mesmo círculo social, dando incentivos à captura de riqueza em vez da sua criação. Quando os poderes político, financeiro e empresarial estão tão próximos que se confundem, há um evidente incentivo a direccionar energias para a captura de riqueza em vez da sua criação.
Chegados aqui, resta a questão: a centralização de poder e riqueza em Lisboa tem sido favorável ou desfavorável ao país? Houve economias de aglomeração que, mesmo criando desigualdes regionais, favoreceram o país como um todo? Ou, pelo contrário, a centralização contribuiu para um cenário de captura de poder por um grupo social fechado que condena as outras regiões, e o país como um todo, ao empobrecimento. Podíamos discutir esta questão horas a fio, mas há uma forma mais fácil de a entender que é pensar que teria acontecido se Norte e Centro tivessem vivido como país independente (ou seja, sem “beneficiar” das economias de escala de Lisboa). Parece-me evidente que o Reino Unido sem as eficiência criadas por Londres seria bastante mais pobre. O resto dos EUA também beneficia com a centralização dos serviços financeiros em Nova Iorque e da economia digital em Silicon Valley. E as regiões norte e centro? Será que beneficiaram com a concentração em Lisboa.
No meu texto anterior, referi que, se fossem um país independente, as regiões Norte e Centro seriam um dos mais pobres da UE*, atrás de muitas das economias mais pobres dos países de Leste. Quem defende que a centralização em Lisboa beneficia o resto do país, está basicamente a dizer que, sem centralização, Norte e Centro seriam ainda mais pobres do que são hoje. Seriam ainda mais pobres do que países que atravessaram décadas de comunismo. Isso é pouco credível. Tão menos credível quanto ali ao lado há uma região em tudo igual, a Galiza, e cujo PIB per capita é cerca de 21% superior.

A Galiza e as regiões a norte de Lisboa partilham culturas e posições geográficas semelhantes. A diferença principal: a Galiza tem uma autonomia alargada dentro de Espanha, o Norte e Centro de Portugal não.
*Nesse texto usei os dados do PIB per capita por região constantes na Wikipedia. Esses números entretanto foram alterados na fonte original, fazendo com que Norte e Centro, como país independente fossem o 5º e não o 2º país mais pobre da UE28. Os dados do post anterior continuam disponíveis aqui e os dados corrigidos aqui.
Voto de pesar
A melhor homenagem que Belmiro de Azevedo recebeu no dia da sua partida foi a rejeição do voto de pesar pelo Partido Comunista Português. Significa isto que Belmiro de Azevedo não foi um ditador sanguinário que assassinou inocentes.
pós-graduação em escola austríaca

Um Ricardo Araújo Pereira em cada esquina

Na semana passada, entre assuntos sem qualquer importância tais como o aumento de impostos para as empresas (que irá certamente promover o investimento na Holanda e no Luxemburgo, dois países que, ao contrário do nosso, bem dele precisam) e o aumento da despesa pública estrutural (um presente simpático para o governo que estiver em funções quando a conjuntura económica se alterar), tivemos direito a uma polémica verdadeiramente interessante. Ricardo Araújo Pereira, ex-vendedor de bifanas na Festa do Avante, apoiante do LIVRE nas últimas eleições legislativas, galardoado por uma associação (ILGA) que se dedica à “intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo”, figura central na campanha pela despenalização do aborto e Miss Dezembro 2009 da Playboy Portugal, foi acusado de ser um reaccionário.
Alguns frequentadores das redes sociais, defendendo o humorista, insinuaram que os críticos de RAP estavam apenas a sofrer de uma pequena luxação na zona do cotovelo, uma maleita que, de acordo com a vox populi, é frequente em Portugal. Muito honestamente, não vejo fundamento nessa teoria. Se excluirmos o facto de Araújo Pereira ser inteligente, culto, divertido, bonito, famoso, simpático, bem-sucedido, influente, espirituoso, alto, magro e, segundo consta, familiarmente feliz, que raio de motivos teria alguém para o invejar?
Também não partilho de uma outra opinião, que fui ouvindo, em que as críticas são atribuídas à falta de bom senso e de razoabilidade dos acusadores. Estamos a falar, de uma maneira geral, das mesmas pessoas que disseram que Passos Coelho era um radical do liberalismo, que Vítor Gaspar era um clone do Salazar, que Angela Merkel era um Hitler de saias e que o Syriza de Alexis Tsipras ia acabar com a austeridade na Grécia. Como a moderação e a perspicácia não desaparecem de um dia para o outro, a explicação deve ser outra.
Na minha análise – devidamente não fundamentada, como todas as outras que por aqui deixo – toda a polémica se baseia num equívoco. O reaccionário, tal como é visto pela ciência política, é alguém que pretende, usando as palavras de Marx e Engels, fazer andar para trás a roda da história. A esta luz, teríamos de concluir que Ricardo Araújo Pereira sente saudades da época em que era estagiário na TVI; e de usar camisas à programador informático. Já para não falar do penteado. Não é plausível, o contexto tem de ser outro. RAP apenas se limitou a não embarcar em todas as causas que lhe apareceram à frente. E, nesse sentido, foi mesmo reaccionário. Mas à maneira de Nelson Rodrigues: quando achou que não prestava, reagiu. Fez bem. Que nunca lhe doam os dedos.
Portugal Arrisca Tragédia com Sismos
Há 20 anos que especialistas dizem o mesmo: Portugal vai ser atingido por um sismo. Não sabem prever se vai ser já amanhã, para o ano que vem ou daqui uns anos mais. Sabem apenas que este fenómeno é cíclico e pelas contas feitas ao de 1755, a previsão aponta para o ano de 2018. Mário Lopes, investigador especialista em engenharia sísmica do Instituto Superior Técnico (leia aqui a entrevista completa) já perdeu esperança nos Governos para impedir a tragédia. Nada de novo num Estado que não protege seus cidadãos senão seus próprios interesses. Mas quanto nos vai custar em vidas esta irresponsabilidade grotesca dos governos? Muitos milhares.
Mário Lopes é peremptório: não se sabe quando, nem com que intensidade, nem tão pouco as consequências de um próximo sismo, mas uma certeza prevalece. Vai ser certamente trágico. Receia a repetição de 1755 porque mesmo que seja de menor intensidade provocará muitas mais mortes porque as zonas de risco estão mais povoadas. Não é preciso um sismo como de 1755 para termos 10 000 a 20 000 vítimas. Factos.
Segundo o mesmo, bastaria o respeito pelo actual regulamento para minimizar os danos. Embora obsoleto com mais de 30 anos, ser aplicado já era bom. Hoje quem não tem consciência pode aldrabar o projecto sem ver consequências. Sabem que fazendo bem ou mal um edifício, é vendido na mesma. Mas o maior problema reside nos edifícios reabilitados. Porque a legislação técnica prevê que um edifício anterior a 1958, que tinha um grau de protecção zero na resistência sísmica, não lhe seja aplicada legislação posterior de reabilitação à construção original. Assim, fazem apenas um “peeling” nos edifícios antigos – o que é perfeitamente legal – que continuam com protecção sísmica igual a zero. Nesta realidade estão 40% dos edifícios construídos antes de 1960.
Mário Lopes fez uma proposta ligada aos seguros para que as companhias fizessem seguros indexados à componente de risco sísmico ( nos Açores, por exemplo, está indexado ao crédito habitação). Assim, as pessoas através dos seguros iriam ver o risco da sua construção e isso iria influenciar o mercado valorizando, obviamente, as melhores. Porém, quando isso foi discutido com um governo mandaram-no calar porque isso iria desvalorizar os prédios piores, mostrando uma insensibilidade pela vida humana em detrimento do mercado imobiliário. Depois em 2012 propôs que o reforço sísmico fosse obrigatório em edifícios a partir de certo valor e dimensão. Foi rejeitado.
Os alertas de Mário foram sempre atendidos mas na prática deitados ao lixo. E foram bastantes. O primeiro ocorreu com a governação de Guterres onde enviou documentação a todos os grupos parlamentares. Mas nada aconteceu. Mais tarde só CDS pegou no dossier e fez um Projecto de Resolução entregue na AR, mas não chegou a ser votado porque acabou a legislatura. Seguiu-se posteriormente o PCP que pela mão de Miguel Tiago, mudou apenas o preâmbulo do projecto do CDS – o que prova que o projecto era bom – e o leva a discussão. Demorou 2 anos a ser discutido. Entrou em 2006 na AR mas só foi a votação em 2008 onde todos votaram a favor excepto PS. Foi chumbado. Mário Lopes, mesmo assim, não desistiu e em 2010 volta a pressionar a AR. Com PS em minoria, é aprovado. Finalmente. O projecto aprovado previa entre outros que o reforço sísmico passasse a ser obrigatório na reabilitação urbana. Mas ironicamente a sua NÃO APLICAÇÃO foi feita pelos mesmos que o aprovaram. Em suma, ficou tudo EXACTAMENTE na mesma.
O poder político devia dar o exemplo ao preocupar-se com os edifícios públicos. Mas o Estado que temos que não se preocupa sequer com os cidadãos foi a correr reforçar a AR assim que lhes foi dito que a parede da sala de sessões colapsaria em caso de sismo. São estes que nos governam: preocupados com sua pele mas ignorando os restantes 10 milhões de seres humanos desprotegidos e à sua sorte.
Mário Lopes não tem dúvidas que assim que houver uma tragédia sísmica o poder politico vai dizer “que não é altura da caça às bruxas” para evitar que se apurem as responsabilidades (tal e qual como em Pedrógão, lembram-se?). Porém os sismos não matam. O que mata são as construções mal feitas. Segundo este, mesmo com limitações económicas, se tomássemos precauções, mesmo com sismo forte haveria 10 vezes menos estragos e menos vítimas.
Há 20 anos que este especialista diz o mesmo mas sem resultados. Sem decisões politicas para implementar a prevenção, tudo fica igual, ou seja sem protecção. E na situação actual, se formos atingidos por um sismo forte de grandes dimensões, não há protecção civil que nos valha. Será uma catástrofe. Porque é na prevenção que salvamos vidas.
Enquanto os governos viverem em negação assobiando para o lado como o fizeram com a prevenção INEXISTENTE para fogos florestais, e nós fingirmos que não nos importamos com isso, a tragédia que foi vivida com incêndios em Pedrógão e 15 de Outubro, multiplicar-se-à brutalmente à custa de vidas inocentes que irão sucumbir nas mãos criminosas de quem nos governa.
O que está disposto a fazer para mudar isto?
as delícias da pequenada

Sempre me entusiasmou a pervesidade implícita (para mim mais do que explícita…) da Bela Adormecida, sobretudo na versão Disney, onde uma falsa-ingénua loiraça e curvilínea princesa se deixava seduzir (ou seduzia?…) por um príncipe com evidentes más intenções. O climax da história e do filme da Disney é, inegavelmente, a cena em que a dengosa da Aurora, depois de se deixar picar por uma agulha fálica, desfalece estrategicamente numa alcova escondida, a aguardar que o seu homem chegasse e fizesse o que tinha a fazer. O quê, não era da nossa conta…
Se, durante anos, temi pela minha normalidade emocional, fiquei ontem a saber, que não apenas sou um tipo mais do que normal, como intuo a realidade das coisas por detrás das aparências. É que, para além de ver confirmadas as minhas suspeitas lúbricas sobre a história da Aurora, finalmente percebi que ela encerra também uma séria lição moral: nunca abuse de uma moça inconsciente. Mesmo que esteja acordada…
Mas se a Bela Adormecida é fonte de volúpia infanto-juvenil, o que dizer da Cinderela? Como interpretar a prova do sapato, onde um mancebo (outro príncipe…) força os limites apertados do seu pézinho para lhe enfiar, à bruta, um sapato? Não estará aqui um claro apelo à violação feminina? E a Branca de Neve e os Sete Anões, também ela desfalecida e inconsciente, não graças a uma agulha fálica, mas a uma maçã bíblica, símbolo do pecado original, a que não resistiu? Não será uma alegoria óbvia sobre o voyerismo masculino exercido sobre raparigas ingénuas? E o que foram os anõezinhos fazer com ela, quando a apanharam desmaiada? E porque se chama, um desses sete tratantes, «Dengoso»? E o outro «Sabichão»? Sabes muito, sabes… E o Dumbo, o Elefante Voador? Porventura enviaria fotografias da sua tromba hirta a jornalistas suas amigas? Deixam a criançada ver disto e queixam-se, mais tarde, que a coisa deu para o torto. Isto já para não falar nas princesas do Aladino, na perversa dominatrix dos 101 Dálmatas, nas curvas da Pequena Sereia, nos saltinhos de corça do esvoaçante Peter Pan, no nariz do Pinóquio ou nos avanços abusivos do deformado patife da Bela e do Monstro.
É preciso tomar cautela com todas estas sórdidas mensagens sexistas, que são verdadeiras formas de violência de género contra as mulheres. Esperemos que a Fernanda Câncio, a Rita Ferro Rodrigues, a Isabel Moreira e as manas Mortágua estejam atentas…
Como viver uma catástrofe sem poder dizer Salazar?
carlos guimarães pinto
Poucas pessoas escreverão tão bem, em Portugal, com tanto sentido de oportunidade e de humor, e com a profundidade e seriedade do Carlos Guimarães Pinto. Ao longo dos anos habituámo-nos a lê-lo e a admirá-lo, não sem uma pontinha de inveja pelo brilhantismo que frequentemente atinge. O Carlos Guimarães Pinto integra, a partir de hoje, o Blasfémias. Bem-vindo, Carlos!
O segundo país mais pobre da União Europeia
Na imagem temos as regiões Norte e Centro. Estas regiões têm cerca de 60% da população, mas as duas taxas de fertilidade mais baixas do país a seguir à Madeira. O saldo migratório é tão negativo que, sem estas duas regiões, o país como um todo teria um saldo migratório positivo. São responsáveis por 56% dos alunos diplomados anualmente, mas apenas 34% dos trabalhadores a ganhar mais de 2 mil euros e 27% dos trabalhadores a ganhar mais de 5 mil euros. Por outro lado, têm 64% dos trabalhadores do país com salários abaixo de 600 euros. Têm 56% de todos os trabalhadores por conta de outrém, mas apenas 47% do PIB.
Se estas regiões se transformassem num país, esse país seria o segundo mais pobre da União Europeia, entalado entre a Bulgária (que continuaria a ser o mais pobre) e a Roménia (que passaria a terceiro). No entanto, seria um dos poucos países com uma balança comercial de bens positiva. Em % do PIB, apenas a Irlanda e a Alemanha teriam um saldo positivo maior.
Apesar do forte sector exportador, este país formado pelo Norte e Centro teria muito poucos organismos públicos nacionais e empresas dedicadas ao consumo interno. Nem sempre foi assim. Ao longo dos últimos 30 anos dois fenómenos contribuiram para esta evolução. Por um lado o estado assumiu um papel cada vez mais importante na economia. As empresas (pequenas, médias e grandes) tornaram-se cada vez mais dependentes do estado, com o seu sucesso a depender de forma crescente da proximidade aos centros de poder. Por outro lado, os serviços do estado foram-se centralizando cada vez mais em Lisboa, arrastando as empresas consigo.
Como este impulso centralizador incluiu os orgãos de comunicação social, ele foi acontecendo sem que houvesse um debate sério sobre as suas consequências. Coincidência ou não, este período de centralização culminou na década de mais fraco crescimento económico no país desde os anos 40. As teias de poder e o nepotismo que a centralização excessiva alimentam são negativas para a economia como um todo, como os recentes casos da PT, do BES, da CGD, do BCP ou a relação próxima entre reguladores e regulados tão bem demonstram.
Há, no entanto, uma luz de esperança. Enquanto tudo se centralizava, houve algo que se descentralizou violentamente: a criação e distribuição de informação e opinião. Os orgãos de comunicação social podem estar centrados em Lisboa, mas já não controlam toda a informação e opinião que chega ao eleitorado. É esta pequena grande mudança que pode vir a gerar as próximas, haja pessoas em número e qualidade suficientes dispostas a fazer a sua parte. Vamos a isso.
Para memória futura
200€ é bom, mas por 300€ até faço uma sopa
A notícia de que o governo pagou a figurantes para irem ao conselho de ministros fazer perguntas combinadas que façam o governo parecer bem não deveria surpreender ninguém. Em primeiro lugar porque, de graça, não se arranja ninguém para fazer o governo parecer bem; em segundo lugar porque nesta fase precoce da evolução social do Homem (e da Mulher, e do Coisa, não esganicem) ainda é preciso convencer a ralé a enaltecer o querido líder; um dia, noutra fase mais evoluída, bastará um fuzil apontado à testa do inquestionável devoto de forma a obter milhares de apoiantes.

A imagem não está esbatida, é só um filtro moderno do Instagram®
Os membros do focus group recebem 200 euros por dizerem ao querido líder que ele está no bom caminho, nomeadamente no bom caminho para que cada um receba mais 200 eurinhos. Por 300 euros até lhe levaria uma sopinha caseira e, em dias de festa, como no dia de ocultação de cadáveres, uma sandocha de mortadela. Porém, a precariedade do focus group perturba-me: não têm progressões na carreira, não recebem nem duodécimos nem subsídio de Natal e de Férias, não têm acesso a faltas justificadas e podem inclusivamente perder o emprego tão necessário ao país se faltarem para casar com pessoa do mesmo sexo ou por maternidade de substituição. Isto parece-se imenso com a exploração do Homem pelo Homem (e da Mulher pela Mulher, e do Coisa pelo Coisa, não esganicem). Assim, agradeço à Ana Avoila que trate imediatamente da exigência de integração destes funcionários no rol dos beneficiários directos do orçamento de estado.
Admito que estou ansioso por ver as perguntas que os precários vão fazer ao querido líder. Eu perguntaria se a história da Bela Adormecida é uma alegoria do Partido Comunista Português.
Mais uma vez o Blasfémias antecipou uma decisão do Governo
A 23 de Novembro o BLASFÉMIAS vaticinava
Algo me diz que vamos ficar com Infarmed em Lisboa e no Porto
A 25 de Novembro o EXPRESSO tem na capa
INFARMED no Porto mas coração fica em Lisboa
Valha a verdade que a coisa é fácil. Basta escolher sempre a opção que implique:
a) mais emprego público
b) mais despesa
c) menos dano político
O Lugar das Drogas é nas Farmácias
Droga é sempre droga. Podem designa-la por leve, pesada ou até “light” como agora é moda. Mas droga é sempre droga. E drogas sem controlo, matam (veja aqui este médico). É preciso acabar urgentemente com esta irresponsabilidade dos Estados que ajudam a difundir informação FALSA (seguindo a cartilha do multimilionário Soros) de que consumir canábis para fins recreativos não tem mal algum (porque é droga “leve”) e que a liberalização é imperiosa para acabar com o tráfico e as máfias. Mas se assim é como explicam que a Holanda esteja agora a braços com os turistas da droga que fez aumentar o narcotráfico nas ruas dos coffee-shops e o Colorado que passou a ser destino dos toxicodependentes de todo o país?
Outra falácia para vender a teoria é que a proibição aumenta o problema. Então porque não é problema na Arábia Saudita? Também se vende a ideia falsa que na Holanda a droga foi despenalizada e é livre quando na verdade continua ILEGAL nesse país sendo apenas tolerada em espaços autorizados mas com leis rígidas. Por exemplo, cafés não podem vender mais de 5 gramas por pessoa/dia. Fora disso, produzir, possuir, vender, importar ou exportar é PROIBIDO.
O lugar das drogas é nas farmácias e com prescrição médica. Porquê? Porque não existem drogas inócuas. A famosa canábis, que todos querem ver circular livremente em nome da liberdade individual tem implicações sérias a vários níveis (não só individuais) que não podem ser descuradas.
A nível pessoal o seu consumo regular provoca inibição de espermatzóides no homem e ovulação na mulher; os filhos das mulheres consumidoras podem apresentar problemas comportamentais; produz alterações na resposta imunológica; bronquite e asma; alterações da personalidade; favorece o aparecimento de doenças psiquiátricas; aumenta risco de psicoses; interfere negativamente na memória e concentração; ideação suicida; dificuldades no relacionamento interpessoal; esquizofrenia; perigo de AVC; alteração do centro de prazer que passa a satisfazer-se só com haxixe; propensão a consumir drogas pesadas . Que tal?
A isto tudo vem outra afectação: a familiar. Sim, as pessoas não vivem sozinhas. São filhos, pais, marido… São pessoas integradas numa família que vai sofrer com as mudanças. Mudanças que o próprio consumidor nunca assume nem vê. Porque de facto, acredito mesmo que não se aperceba das transformações que sofre. Ah! mas muda e de que maneira. Não de forma brusca mas sim progressiva. De um indivíduo calmo passará a ansioso, irritadiço, intolerante, agressivo e pior, permanentemente insatisfeito (se já for agressivo torna-se ainda mais agressivo). Porque a satisfação só se sacia quando “enche a cabeça”. A frustração ou ansiedade só acaba quando “enche a cabeça”. E passa a ser um indivíduo que só normaliza sob o efeito da dita. Mas os problemas não acabam aqui: o orçamento doméstico leva um rombo todos os meses. Porque é preciso ter a “cabeça sempre cheia” para poder viver com normalidade. E isso fica extremamente caro. Porque a maldita, que ao início fazia efeito só com uma dose, com uso regular precisa de muitas mais para produzir os efeitos desejados. E os problemas financeiros começam a aparecer. Com alguma sorte não manda seu casamento às urtigas.
Se pensa que os problemas acabam aqui, desengane-se. O consumo regular da canábis afecta também socialmente o indivíduo provocando nele instabilidade. As alterações de humor súbitos vão notar-se no trabalho, entre amigos ou qualquer lugar público onde actos mais irracionais serão atribuídos a carácter forte ou se quiserem, feitio difícil. Mas na realidade é o processo degenerativo em marcha da personalidade. Quem viveu ou vive com alguém que consome sabe muito bem do que falo. Com alguma sorte não fica sem emprego.
É com o exemplo que se educa. Se liberalizarmos a canábis estaremos a dizer aos nossos jovens erradamente que não tem mal nenhum consumir pois até o governo a autoriza. Os pais perderão a autoridade quando confrontarem seus filhos com os malefícios da droga porque responderão: “Qual é a cena pai? se fizesse mal não era autorizada. Tu é que és preconceituoso”. E depois só serão mais uns como Isabel Moreira (veja-a aqui drogada no Parlamento) a irem para o trabalho ou escola ganzados, “na boa” porque é legal. Só mais tarde quando a saúde e dinheiro faltar, porque vai faltar, verão o erro mas tarde de mais (veja aqui a opinião de um psicólogo).
Tirar o poder aos traficantes e dá-lo aos governantes para que possam estimular o comércio do consumo e retirar dividendos com impostos, é o mesmo que traficar. Só muda os agentes. Não sendo o Estado pessoa de bem (já o comprovamos com corrupção, compadrios, tráfico de influências etc.,) que garantias teremos que para alimentar o monstro do sector público não faça crescer o negócio para ver aumentados os impostos e assim viver à conta da desgraça do viciado em canábis?
A canábis é uma substância psico-activa extremamente nociva como o álcool. Por isso o caminho é antes de tudo a prevenção na informação sobre a VERDADE desta droga como se fazia no meu tempo de docente em que a REMAR dava sessões de esclarecimento aos jovens, nas escolas, com testemunhos REAIS de ex-toxicodependentes. É colocar todos os organismos estatais a formar para a saúde e vida sem drogas. É autorizar o cultivo apenas medicinal da planta para uso interno e exportação e o resto estritamente confinado às farmácias que só disponibilizam mediante receita médica acabando com a especulação de mercado. É ter controlo, qualidade e fiscalização apertadas. Com o produto a preço acessível o crime organizado definha até desaparecer por falta de procura. Alguém duvida?
Porque defender drogas sem prescrição é defender a dependência aniquilando por completo a liberdade do indivíduo que passa a ser prisioneiro da sua própria liberdade.
É preciso pensar seriamente nisto antes de cometer os mesmos erros que os outros países pseudo-liberais.


