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13 Dezembro, 2017

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– Camaradas, parece que uma jornalista resolveu fazer o seu trabalho sem nos pedir autorização primeiro e agora, por causa dessa inadmissível e incompreensível atitude, temos o país a transpirar indignação. Convoquei esta reunião para prepararmos o controlo de danos do caso Raríssimas, uma vez que, por maldade e aproveitamento político, já estão a associar ao escândalo nomes que nos são próximos. Enfim, a vergonha do costume.

– Camarada n.º 4, não podemos dizer que esses nomes que nos são próximos e que estão a ser associados ao escândalo não estão relacionados com o escândalo?

– Podemos, claro. E vamos dizer, camarada n.º 12, só que não vai resultar muito bem uma vez que esses nomes que nos são próximos e que estão a ser associados ao escândalo estão relacionados com o escândalo.

– Ah, bom, assim é mais difícil. Mas não é impossível, já fomos bem-sucedidos em acrobacias mais complicadas, não custa tentar.

– Calma, camaradas, estou a ter uma ideia espectacular e completamente original: atirar as culpas para o governo do Passos Coelho.

– Parece interessante. Pode aprofundar, camarada n.º 7?

– Há uma lei de 2014 que isentou as IPSS da obrigatoriedade de terem um Revisor Oficial de Contas. Assunto arrumado.

– Podemos anexar a esse argumento as suas propostas, como deputado da actual maioria, para alterar essa lei?

– Isso já vai ser mais difícil, esta maioria só tem 2 anos e ainda não tive agenda disponível para tais iniciativas. Ou bem que tento inventar maneiras de desviar as responsabilidades pelo que corre mal para a legislação aprovada pela direita, ou bem que tento alterar a legislação aprovada pela direita. Sabe como é, o meu tempo não estica.

– Verdade, ao contrário da lata. Camarada n.º 11, o que lhe parece?

– Eu acho que devíamos descredibilizar a reportagem e a jornalista. Ela chama-se Ana Leal, um nome que parece saído dos programas de Domingo à tarde da TVI. É só fazer uma montagem de uma fotografia dela com um acordeão e está feito. Ainda para mais disse que o vestido que a Presidente comprou era alta-costura e na verdade era pronto-a-vestir, nota-se logo que não percebe nada de jornalismo de investigação.

– Há uma jornalista de investigação no DN que se especializou em investigar as investigações dos outros jornalistas de investigação. Vou estar atento ao que ela escreve.

– E se metêssemos o Cavaco na confusão? Ouvi dizer que a mulher dele foi madrinha da Raríssimas durante muito tempo.

– Boa, camarada n.º 9, boa! Eu já vi o filme O Padrinho há muitos anos mas lembro-me perfeitamente que aquilo era tudo uma cambada de bandidos. Se usarmos esse argumento estamos também a defender que uma madrinha consegue ser tão mafiosa como um padrinho, vamos ficar bem-vistos juntos das feministas.

– É uma boa táctica, sem dúvida, mas devíamos aproveitar este caso para um pouco de guerrilha ideológica. Isto passou-se numa IPSS, o que reforça a nossa posição de que o Estado, através do recurso aos impostos, é a melhor entidade para tratar de todos os assuntos em geral. E em particular também.

– Mas os fundos que essa Associação geria não eram concedidos pelo Estado e provenientes dos impostos?

– Que gaita, camarada n.º 10, você está sempre a fazer de advogado do diabo! Eram concedidos pelo Estado mas o anterior governo, ao contrário do nosso, não apostava na inspecção destas instituições.

– Ok, ok, já entendi, peço perdão pela minha postura, camarada n.º 6. E podemos acrescentar que a nossa aposta na inspecção é tão grande que até diminuímos o horário de trabalho dos inspectores para 35 horas semanais, fazendo com que inspeccionem de uma forma mais concentrada. Tipo o Fairy a lavar a louça.

– Isso, camarada n.º 10, essa é que é a atitude correcta. Três vivas a Villarriba!

 

Socialismo em três takes

12 Dezembro, 2017

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o problema

12 Dezembro, 2017
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O maior problema desta coisa da Raríssimas é que não é tão raríssima assim…

ainda há gente de palavra

12 Dezembro, 2017
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Há dois dias, a senhora presidente da Raríssimas tinha prometido que a associação publicaria, em 48 horas, um comunicado a esclarecer todas as acusações que sobre si recaiam.

Hoje mesmo, a senhora presidente cumpriu o prometido.

Parabéns!

Um governo em que todos estão numa relação

12 Dezembro, 2017

O primeiro-ministro António Costa nomeou Rosa Matos Zorrinho para o cargo de secretária de Estado da Saúde. Rosa Matos Zorrinho é casada com o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho

Do sentimento de impunidade

12 Dezembro, 2017
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Para encerrar um caso que envolveu acusações de Nepotismo, o governo de António Costa demite o secretário de estado da Saúde, substituindo-o pela mulher de um deputado do PS.

Para encerrar um caso que envolveu má gestão financeira, nomeia-se uma secretária de estado que enquanto presidente da ARS Alentejo declarou despesas no mínimo estranhas (nota: é possível, e desejável, que tenham sido apenas erros de digitação…):

(…)A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo é a que revela compras de produtos a preços mais estranhos. Veja-se esta listagem: “Aquisição de 14 módulos de três cadeiras em viga e 10 módulos de duas cadeiras em viga” está apreçado por 375,6 mil euros. Outro exemplo. “Um armário persiana, duas mesas de computador, três cadeiras com rodízios, braços e costas altas” está para adjudicar por 97 560 euros.

Uma distracção com cifrões? Não é a primeira, nem a segunda… a mesma ARS terá mandado proceder a reparações de duas fotocopiadoras por 45,1 mil euros.(…)

A realidade é que o ciclo económico, as sondagens, o apoio incondicional do presidente e dos parceiros de coligação, deixou o PS com um sentimento de impunidade absoluto. Nem há um pequeno esforço para disfarçar. Nós sabemos onde isto acaba.

Governo anuncia a criação da Direcção Geral das Doenças Raras

12 Dezembro, 2017
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Janeiro de 2018

“Na sequência das suspeitas de fraude com a IPSS dedicada a doenças raras, o Ministério da Saúde resolveu retirar todo o apoio à Associação e devolver ao estado a responsabilidade de apoiar pessoas com doenças raras.”

Fevereiro de 2018

Governo anuncia por concurso público o novo director geral da Direcção Geral das Doenças Raras. Receberá salário de 2500€.

Março de 2018

– Senhor Ministro, é impossível gerir esta direcção geral sozinho. Tenho trabalhado mais de 35 horas todas as semanas. Ainda ontem quando saí do trabalho já passavam das 17.30
– Tem razão. Vamos abrir concurso público para a contratação de um subdirector geral.

Abril de 2018
Subdirector geral contratado por 2000€. Activistas feministas fazem notar que são dois homens na liderança e que está a ser dado um mau exemplo ao sector privado. É contratada uma subdirectora geral por 2000€. Primeiro subdirector geral contratado passa a tempo parcial na sequência da sua dedicação ao sindicato dos trabalhadores da saúde.

Setembro 2018

– O meu filho está com uma bronquite, que não dorme a noite toda. E só consegui consulta para daqui a umas semanas. Não estou a conseguir dormir. Acho que vou ter que tirar uns dias.
– Oh Fernanda, olhe que eu vou de férias para a semana e o Antunes agora passa a vida na CGTP. Não dá para apressar essa consulta.
– Pois, parece que não… A não ser que a categorizemos como doença rara e a enviemos pela Direcção Geral.
– Categorizar bronquite como doença rara? Bem, parece um pouco parvo, mas se me permite ir de férias descansado assim seja.

Dezembro de 2018

Espalha-se a palavra de que é possível antecipar consultas para a bronquite através da Direcção Geral das Doenças Raras, que é inundada de pedidos. São contratadas 3 novas secretárias e um subdirector geral para gerir todos os pedidos. Número de doentes tratados por doenças raras quadruplica. Nas redes sociais discute-se se bronquite é mesmo uma doença rara.

Janeiro 2019
Ministério da saúde ameaça director geral de despedimento. Ministro Lopes da Silva avisa Director Geral que se não tiver um parecer que justifique a inclusão de bronquite como doença rara, o irá despedir. Director Geral contrata parecer por 100 mil euros ao escritório de advocacia Morais Capitão e Lopes da Silva jr, lda. Parecer vem assinado pelo famoso advogado Salvador Morais Capitão e é aceite pelo ministro.

Março 2019
Pedidos referentes a doentes com bronquite continuam a encher a direcção geral das doenças raras que contrata 40 pessoas.

– Oh Jorge António, estou a ver aqui a lista das contratações e está aqui uma Mariana Vicente Correia e um Tiago Vicente Correia. Não é a tua mulher e o teu filho. Não sei se posso assinar isso…
– Eh pá, depois da chatice que tive com a bronquite do teu filho, é o mínimo Fernanda! Além disso o meu filho é super qualificado: acabou um doutoramento em sociologia das andorinhas em meios rurais ibéricos. Podia encontrar um emprego em qualquer lado, mas eu gosto de tê-lo por perto!
– Não sei, não. É um grande risco para ti se descobrem. Bem, fazemos assim: para não seres só tu exposto, a minha filha também acabou um mestrado em Parapsicologia das organizações venatórias, pelo que encaixaria muito bem na gestão de fornecedores. O que dizes?
– Hummm… OK… Contratamos os 3 então. Por falar nisso, como está a autorização para o congresso das doenças raras nas Caraíbas?

Maio 2019

Para evitar problemas como a introdução arbitrária da bronquite no âmbito de trabalho das doenças raras, é feita uma lita oficial das doenças raras e instituído um processo para aprovação de qualquer nova doença rara.

Junho 2019

– Bom dia, como posso ajudá-la?
– Bom dia, era para registar a minha filha na Direcção Geral das Doenças Raras
– E qual é a doença da sua filha?
– Bloquitis Hipocritus Sapus Centenicus. Ela basicamente engole tudo o que lhe colocam à frente.
– Desculpe, mas a doença da sua filha não consta da nossa lista aprovada.
– Pois, é uma doença nova e rara. Mas ela precisa de cuidados urgentes.
– Lamento, mas se não consta na lista não a podemos ajudar.
– Pois, é uma doença rara, mas ela precisa mesmo de atenção especial.
– Lamento, em Janeiro do próximo ano haverá uma revisão da lista. Se a sua filha ainda for viva, pode submeter a sua doença rara nessa altura. Agora, faça o favor de sair que tem 10 pessoas atrás de si na fila a registar filhos com bronquite.

Setembro 2019

Em campanha eleitoral, primeiro-ministro preside a cerimónia da Direcção Geral de Doenças Raras. Anuncia que mais do que triplicaram os recursos dedicados a doenças raras, mas que mesmo assim o custo por doente baixou porque agora ajudam cinco vezes mais pessoas. À saída do almoço do lançamento da campanha presidencial de José Sócrates, João Galamba afirma que o sucesso da Direcção Geral das Doenças Raras demonstra que os organismos públicos são mais eficientes e resistentes à corrupção. “Acabam-se as IPSS, acaba-se a corrupção e a má gestão de fundos”.

Ministro da Segurança Social compromete-se a acabar de vez com todas as IPSS no próximo mandato e substituí-las por organismos públicos.

Não, não se deixaram instrumentalizar: estiveram ao lado dele e lá continuariam caso não tivesse sido preso

12 Dezembro, 2017

Ana Gomes declara «que o PS de António Costa já se devia ter demarcado de uma forma mais clara das ações de José Sócrates e que o partido devia refletir sobre como se deixou instrumentalizar por um homem “um projeto pessoal de poder e de enriquecimento“.» Não, o PS não se deixarou instrumentalizar: o PS esteve ao lado dele e lá continuaria caso Sócrates  não tivesse sido preso. Esse mesmo PS depois do paroxismo a que chegou com a prisão na manga do avião – ainda querem falar deste assunto? – fez a vida num inferno a António Jośe Seguro e está agora radiante com António Costa. Falta pouco tempo para virem dizer que foram instrumentalizados.

competências raríssimas

11 Dezembro, 2017
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Ministros e secretários de estado do PS, deputados do PSD e do PS, mais gente ligada à política que ainda estará por aparecer, todos, provavelmente, a receberem salários e/ou senhas de presença (ele há muitas maneiras de se ser remunerado…), enfim, era necessário um albergue espanhol para tratar de uma instituição de apoio médico a crianças gravemente doentes? Nunca nenhum destes cavalheiros se perguntou o que é que lá estava a fazer?

A Roubalheira das Ratazanas

11 Dezembro, 2017

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E não é que rebenta mais um escândalo com roubalheira descarada, desta vez  na Associação de Solidariedade Social Raríssimas? Não entendo como podem ficar surpreendidos com esta “descoberta”. A mim o que realmente me surpreende e deixa completamente atónita é  a passividade do Estado na sua função fiscalizadora não só a estas Instituições como a TUDO em que ele está metido com entrega de fundos. Juro que não entendo ou melhor, se calhar até entendo muito bem o porquê…

Não faz de todo sentido que um Estado que persegue o contribuinte e até o penhora por meia dúzia de euros – ou cêntimos – , que não lhe perdoa 1 euro mesmo que esteja justificado por pobreza, desemprego ou falência sem dolo, que deixe correr a actividade das Instituições que financia, livres como passarinhos, sem as incomodar com auditorias surpresa para fiscalizar e assegurar assim a boa aplicação desses subsídios e donativos. Algo de muito errado se passa aqui.

E a prova está à vista de todos: não era só a Presidente da Raríssimas que usufruía desta gestão generosa. Também havia senhoras deputadas, senhores ministros e secretários de estado da saúde… Ora, como poderiam estas almas denunciar se estavam a beneficiar do banquete? Esta é a triste realidade.

Por isso a senhora Presidente da Raríssimas não se preocupava em esconder que levava 3000€ de salário a que juntava 1300€ de ajudas de custo isentas mais 1500€ de viagens de casa para o trabalho, um PPR de 800€, ainda um leasing de um BMW topo de gama de 900€, despesas em vestidos de 200€, gambas por 230 e tantas outras. Ou seja, tudo extra -salário pago com o subsídio do Estado e donativos entregues à Associação! Muito bem. Não fosse a denúncia destes bravos tesoureiros que não quiseram compactuar com esta gestão ilícita e a senhora Presidente iria continuar tranquilamente a enriquecer à conta da solidariedade. 

Não estou a dizer que a culpa é dela. Não é. A oportunidade faz o ladrão. E o Estado ajuda ladrões porque ele próprio o é. É a cultura da roubalheira descarada avalizada pelo Estado que dura desde o 25 Abril de 74. Porque o Estado quando quer sabe ser implacável com aquilo que lhe devem. Experimentem caros cidadãos anónimos atrasar ou deixar de pagar impostos que logo verão comprovada esta teoria.

Só assim se entende como Vieira da Silva ignorou todas as cartas do ex-tesoureiro Jorge Nunes. A primeira em 9 Agosto a pedir inspecção profunda àquela Instituição; a segunda em 15 Setembro onde volta a pedir intervenção da Segurança Social; em 21 Setembro mais um pedido urgente de fiscalização. Tudo sem resposta. Até a TVI denunciar o caso em reportagem…

Não faltaram reacções  que já conhecemos aquando Predrógão, Tancos e Incêndios de Outubro do estilo ” Governo vai avaliar situação e agir em conformidade” ou ” Marcelo quer apuramento dos factos” blá blá blá. Tudo a “encher pneus” para entreter enquanto se pensa num spin que possa distrair a malta deste escândalo. Mas a verdade é que se não for o Ministério Público a tratar deste assunto rapidamente, a máquina do sistema conseguirá abafar o caso enquanto se desmarca e desresponsabiliza esta gente sem escrúpulos que deveria conhecer a porta da rua para depois sentar no banco dos réus.

Mas nós comuns cidadãos já sabemos o que a casa gasta: 85% dos crimes de colarinho branco por cá são arquivados. Vai-se lá saber porquê, não é?

Obviamente que o caso Raríssimas não é único no país. Mas também não representa a realidade total. Há de facto muitas Instituições bem geridas e que desempenham suas funções com transparência e responsabilidade. E precisamente porque fazem falta e são extremamente úteis no seu papel social, que deve em nome da boa reputação dessas, haver um Estado que cumpra sua função fiscalizadora para que estas ratazanas e outras, não contaminem um trabalho que muitos executam com seriedade.

Ora, o problema é quando o próprio Estado estimula a roubalheira descarada protagonizando-a a toda a hora. Sem a limpeza  desse tipo de gente no Parlamento, a “ratazanagem” continuará e jamais conseguiremos uma sociedade séria que respeite o erário público. 

É por aí que devemos começar.

 

 

Há algo que me escapa

11 Dezembro, 2017

nesta fúria contra a senhora das Raríssimas.

Ganhava muito? Sim, mas se estivesse à frente de uma comissão para lutar contra as raríssimas ganharia menos?

Empregava o marido e o filho? Sim mas querem mesmo ir por aí? Podemos começar pelo governo e acabar nas autarquias? As empresas estatais também contam?

 

 

Córsega, já ouviram falar?

11 Dezembro, 2017

Em flagrante delivro

11 Dezembro, 2017
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O Delito de Opinião, um dos melhores blogs que por aí anda, vai lançar um livro com a antologia dos melhores textos. As 160 primeiras pessoas a pré-encomendar receberão uma autêntica peça de museu blogo-literário que será um exemplar com autógrafos personalizados. Já só há pouco mais de 80 pré-encomendas disponíveis. Não me admiraria que esgotasse mais depressa que os bilhetes do NOS Alive. Corram.

Estimulação programática

11 Dezembro, 2017

A análise dos dados dos projectos aprovados pelo Portugal 2020 é muito interessante e curiosa. Não posso dizer que seja surpreendente, embora nalguns casos o humor me tenha apanhado desprevenido.

Não tenho vocação para caça às bruxas nem quero ser injusto, mas depois de uma breve leitura deste documento, partilho convosco exemplos dos fundos de incentivo alocados a projectos de investimento aprovados por este Programa.

Desde logo o Banco de Fomento tem 250M€ atribuídos. Duas empresas produtoras de pasta de papel conseguem 65M€ de apoios, a Embraer pode receber 34M€ e a Bosch 50M€. Só para hotéis vão mais de 100M€. Existe a “concessão de apoio à criação e ao alargamento de capacidades avançadas de desenvolvimento de produtos e serviços” a um fabricante de mobiliário para o seu projecto Cama Matriosca no valor de 17M€. Uma unidade industrial do sector metalomecânico tem incentivos equivalentes a 92.500€ por cada novo posto de trabalho que crie em Aveiro e Viana (25M€). Destaque também para os 79% de taxa de comparticipação do projecto submetido pelo Hard Rock Café no Porto (4M€); 24M€ para uma associação empresarial que para não entrar em insolvência além de ter tornado os seus credores bancários em accionistas, entregou activos ao Estado. Para terminar o rol de exemplos, digo-vos que 14M€ foram destinados a uma associação cujo maior projecto é organizar desfiles de moda.

Já todos ouvimos o sermão de empresários sobre a necessidade da baixa de impostos e da redução do déficit público. Mas alguém já ouviu esses mesmos empresários reivindicarem o fecho da Aicep, o fim das garantias subsidiadas, o termo aos bail-outs, o desaparecimento das medidas anti-dumping, o acabar com os “estímulos”, a cessação dos “apoios” ou a extinção dos “incentivos”? Pois…

Com tanto dinheiro a circular em programas deste género, será legítimo interrogarmo-nos se os lucros não serão determinados mais pela habilidade e capacidade de acesso a ajudas públicas do que por rasgos de empreendedorismo ou excelência da gestão.

É que não se pode querer que o Estado nos deixe em paz e, ao mesmo, ter apetite por favores especiais ou condições competitivas privilegiadas atribuídas pelo governo ou suas agências.

Estes benefícios não existiriam num verdadeiro mercado de livre concorrência. Antes são capturados por um número limitado de entidades distorcendo a economia e causando prejuízo a todas as outras empresas, aos contribuintes e aos consumidores em geral.

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Haja quem nos limpe o cu

10 Dezembro, 2017
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O assunto está na moda. Não há think-tank, jornal ou político iluminado que não fale do que aí vem: o progresso tecnológico ameaça acabar com a necessidade de trabalho humano e enviar-nos todos para o desemprego. Os mais excitados falam de um futuro em que estaremos subjugados ao poder do grande capital que deterá os robots com inteligência artificial, escravizando a classe operária. Não falta então quem sugira ideias geniais como a do rendimento básico incondicional (uma espécie de RSI para todos) ou impostos sobre o rendimento dos robots.

Estas teorias catastrofistas assentam em três pressupostos. Primeiro, que estamos a assistir a uma evolução tecnológica sem precedentes que levará à substituição de trabalhadores por máquinas. Em segundo lugar, que esta evolução tecnológica não tem precedentes na história da humanidade, que desta vez é diferente pela rapidez com que acontecerá. Em terceiro lugar, que esta mudança será negativa para a sociedade como um todo, especialmente para os mais pobres.

O problema com estas teorias é a realidade. Comecemos pelo primeiro pressuposto. Se estivéssemos a assistir a uma substituição sem precedentes de trabalhadores por máquinas, isso ficaria evidente nos indicadores de produtividade. A produtividade, grosso modo, corresponde ao volume total de produção dividido pelo número de trabalhadores. Se o dividendo se mantém igual ou cresce e o divisor cai, então a produtividade estaria a aumentar. Infelizmente, não é isso que está a acontecer: as economias desenvolvidas estão num processo de estagnação em termos de produtividade desde o início do século. A produtividade cresce a ritmos cada vez mais baixos, o contrário do que seria de esperar se estivéssemos num processo acelerado de substituição de homens por máquinas.

Mas vamos ignorar isto. Vamos então fingir que a produtividade é mal calculada e que na verdade está a crescer a um ritmo acelerado. Ou então que há outros factores não relacionados que estão a contrabalancear o efeito da automação. Ou ainda que que a automação ainda não começou a substituir trabalhadores humanos, mas que irá começar muito em breve. Não falta quem aponte números: 50% dos empregos irão desaparecer nos últimos 50 anos. Será que isto é novo? Podemos dar um passo atrás. Pensemos no mercado de trabalho nos anos 90: quantos daqueles empregos existem ainda hoje? Quantos trabalhadores em 1992 se fossem transportados no tempo para os nossos dias teriam o seu emprego tal e qual o tinham? Ou, visto de outra forma, quantos trabalhadores hoje estão em empregos que já existiam em 1992? Hoje temos muito menos bancários e mais programadores. Menos empregados de mesa e mais operadores de call center. Menos portageiros e mais hospedeiros. Mesmo os empregos que nominalmente se mantiveram iguais, alteraram-se de forma tão substancial que dificilmente se pode dizer que são o mesmo emprego (pensemos em jornalistas, por exemplo). Se fizermos a análise entre 1992 e 1967 a diferença é ainda maior. No entanto, para além das flutuações conjunturais é difícil identificar uma enorme subida do desemprego em resultado do desaparecimentos daqueles empregos. Se 50% dos actuais empregos desaparecerem nos próximos 25 anos isso não será necessariamente novo. Nem sequer, note-se, deverá causar desemprego temporário, uma vez que 50% dos trabalhadores também deverá reformar-se nos próximos 25 anos. Apesar de tudo, o perfil dos jovens que hoje começam a sua carreira é bastante diferente da média dos actuais trabalhadores. E certamente diferente do que será daqui a 25 anos.

Por outro lado, a substituição de trabalhadores é feita de forma lenta e gradual. O facto de uma tecnologia estar disponível não quer dizer que venha a substituir imediatamente todos os trabalhadores que pode substituir. Pensemos no caso da Via Verde que existe em Portugal há mais de 20 anos. Durante este período, muitos empregos de portageiro desapareceram. No entanto, os portageiros desapareeram do mercado de trabalho mais rapidamente que os empregos nas portagens. Fruto disso, apesar da Via Verde ser uma tecnologia madura, a Brisa ainda hoje contrata portageiros. Ou seja, uma tecnologia simples que substitui empregados de forma directa e com poucos custos de implementação falhou em substituir todos os empregados disponíveis para a profissão. Imaginem agora o que será com tecnologias complexas como inteligência artificial ou carros autónomos.

Para os portugueses que ainda tenham dúvidas, há uma forma ainda melhor de ficar descansado. Portugal, como um país atrasado no conjunto dos países desenvolvidos, tem a capacidade de conseguir de antecipar o futuro, olhando para os países 20 anos à frente. É o caso do Japão, o país com o maior número de robots do Mundo, com um nível de automação a que Portugal só conseguirá chegar daqui a 15-20 anos. E no entanto, o desemprego é praticamente inexistente. Com uma densidade de robots 20 vezes superior à portuguesa, o Japão praticamente não tem desempregados e os seus trabalhadores queixam-se mais do excesso do que da falta de trabalho.

O terceiro argumento é de que a automação, substituindo empregos manuais e pouco sofisticados, afectará principalmente os pobres. Mais uma vez, contraria a história: o progresso tecnológico é uma força equalizadora. O progresso tecnológico torna luxos apenas disponíveis para os mais ricos em bens essenciais e generalizados. Pensemos em algo que há umas décadas ainda era um luxo: água canalizada. Um membro do topo da hierarquia no século XV teria acesso constante a água (trazida pelos aguadeiros de serviço). Para pessoas no topo da hierarquia o aparecimento de sistemas de água canalizada trouxe menos benefícios do que para os pobres (que não podiam ter empregados a transportar água). O mesmo acontece com a alimentação, a arte e o entretenimento. O progresso tecnológico (seja ele na forma de água canalizada, máquinas agrícolas, televisões ou aviões) beneficiou sempre desproporcionalmente os mais pobres. A água canalizada tirou emprego a centenas (milhares?) de aguadeiros, mas foi o que permitiu às classes menos afortunadas ter acesso a água

Nesta altura da discussão, há sempre alguém que se levanta e pede exemplos específicos de empregos que irão substituir os actuais. Eu só consigo imaginar o desespero destas mesmas pessoas se em 1930 lhes dissessem que daí a 50 anos, 3% dos trabalhadores seria suficiente para produzir os bens alimentares de toda a população. Consigo imaginar o seu desespero ao tentar imaginar onde trabalhariam os outros 60% de trabalhadores que nessa altura se dedicavam à agricultura. A verdade é que hoje não temos 60% de pessoas desesperadas de enxada na mão de porta em porta à procura de trabalho. Tal como as pessoas em 1930 não conseguiriam imaginar que empregos iriam substituir os empregos na agricultura entretanto automatizados, também para nós será difícil fazê-lo.

Uma boa forma de tentar adivinhar que empregos serão esses é analisar a sua vida e pensar o que é que gostava de ter e não tem. Em 1930 poucas pessoas faziam férias, jantavam fora ou tinham acesso a entretenimento de qualidade. A simples ideia de que estas seriam actividades normais mesmo entre a classe média baixa seria ridicularizada. Mas isto é hoje uma realidade porque muitos dos recursos humanos utilizados na agricultura foram automatizados e o seu esforço desviado para a prestação deste tipo de serviços.

Em 2017, o que vos falta? A mim salta-me logo uma tremenda necessidade presente e que tenderá a agravar-se no futuro: o cuidado a idosos. O cuidado a idosos com problemas de mobilidade é hoje caro e inacessível à maioria das famílias. Muitos dependem de cuidadores informais ou são abandonados em hospitais. Com o envelhecimento da população, o problema apenas tenderá a agravar-se. Será preciso desviar muitos recursos de outros sectores para suprir todas estas necessidades nas próximas décadas.

Nos anos 60 muitos previam que as viagens espaciais se tornariam comuns no final do século. As pessoas da minha idade cresceram a ver os Jetsons com a certeza de que quando fossem adultos não teriam que realizar tarefas domésticas básicas. A verdade é que hoje as viagens à lua são extremamente raras e lavar a louça extremamente frequente. Enquanto tantos economistas se preocupam com a legião de desempregados que a automação e robotização irão criar, talvez nós, pessoas na casa dos 20-40 anos, devêssemos estar mais preocupados em que o progresso tecnológico liberte recursos suficientes para um dia termos quem nos limpe o cu. Ou então que nos próximos 40 anos apareça um robot capaz de o fazer. Suavemente.

Portanto a senhora das raríssimas

10 Dezembro, 2017

resolveu conferir a si mesma o estatuto e as regalias que teria caso, por exemplo, tivesse sido convidada para assessora na Assembleia Municipal de Lisboa?

raríssimas

10 Dezembro, 2017
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Raríssimas vezes vi coisa tão reles como esta, a de um grupo restrito de pessoas viver faustosamente à pála de uma instituição particular que vive de contribuições privadas e do estado e que passa dificuldades para apoiar crianças deficientes.

Raríssimas vezes vi melhor oportunidade para que um chefe de governo dê um exemplo moral ao país, afastando ou suspendendo de funções, imediatamente e sem hesitações, todos quantos estejam envolvidos nesta história sórdida.

Aguardemos.

Não Felicito Centeno

10 Dezembro, 2017

Eu não felicito Centeno porque se o fizesse estaria a felicitar a “chico espertice” de quem apenas soube usar o legado deixado por outros  e depois  foi a correr colher os louros aos  donos disto tudo da UE .  Estaria a felicitá-lo por ter sido uma  nulidade na condução das nossas finanças, por ter seguido o caminho errático do “martelanço” contabilístico, por ter mentido tantas vezes no Parlamento, por ter aberto o caminho a nova falência do país,  por ter destruído 2 anos de recuperação económica, por ter reduzido o défice apenas 0,8% (quando ele era de 11%) com vendas de F-16, perdão fiscal e super cativações. 

Não, não o felicito porque por causa dele temos 3 Orçamentos de Estado às costas carregados de aumentos de impostos como consequência do seu eterno “amem” às clientelas da geringonça, temos cativações grotescas que colocaram em risco a saúde, a educação, a segurança e o bem estar dos portugueses, perspectivas de futuro com mais agravamentos de impostos para impedir um novo colapso das contas. 

Não, não felicito Centeno porque não houve mérito nesta nomeação nem poderia haver com tamanho desempenho. Houve uma escolha, isso sim, de um grupo de países influentes que recaiu em cima daquele que andou meses a oferecer-se em propaganda, numa bandeja acompanhada da nota “levem-me a custo zero que eu faço tudo o que me pedirem!”. Houve a desistência dos  candidatos que ainda disputavam o lugar. Houve a “sorte”  de ser escolhido porque à Europa não lhe convém o mais competente para este cargo, mas sim o mais maleável e obediente. E Centeno lá, tal como cá, desempenhará esse papel  na perfeição.

Mas agradeço a sua decisão  que  veio em boa hora num momento em que a geringonça se preparava para destruir ainda mais as contas do país. Aqueles  que agora olham para  isto com desconsolo e raiva porque  o Centeno “patrão” vai virar-se contra o Centeno “costureiro”. E isso sim, agrada-me muito.

O Eurogrupo foi a escapatória perfeita para alguém que sabe melhor que ninguém o estado em  deixou esta Nação entregue a si própria e nessa posição será muito mais fácil argumentar decisões duras – que virão certamente – para o ajudar a justificar o que tem de ser feito por via do pântano que ele sabe que ajudou a criar. E  essa sim, foi de mestre. Tiro o meu chapéu. Só por isso já vai valer a pena Centeno poder acrescentar no CV “fui Presidente do Eurogrupo”.

Porque na verdade Centeno sempre soube que o caminho escolhido pela geringonça estava errado. Sempre soube o resultado que daí adviria. Sabia até das dificuldades que se avizinhavam. Que a permanência como ministro das finanças lhe traria dissabores. Sabia porque quem se licencia em Economia em Harvard sem ter comprado o curso, sabe que tudo o que foi feito até agora apenas arruinou ainda mais o país.

 

 

 

 

 

O “Marcelo dos afectos” e o “Trump, pá”

10 Dezembro, 2017

Vai ser a Intifada. O círculo de fogo. Os dias da ira. A fúria da rua árabe. Como? A intifada ainda não começou? Estão certamente à espera das pedras. Não começou mas vai começar. É o “Trump, pá”. O boneco do “Trump, pá” que só faz mal e faz tudo mal tem nos nossos noticiários o seu reverso no “Marcelo dos afectos”. O “Marcelo dos afectos” ao contrário do “Trump, pá” faz tudo bem.

E porque não o contrário?

10 Dezembro, 2017

Schulz quer referendo para criar Estados Unidos da Europa até 2025 — e quem for contra sai

Viva Portugal!

9 Dezembro, 2017

MarceloBarba

O autocolante que se vê na imagem legenda de forma absolutamente certeira e apropriada a cena.

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Alguém tem o link para as declarações do Trump sobre a segurança nas discotecas portuguesas? É que por aqui a intifada já começou.

8 Dezembro, 2017

8 de Dezembro. Tiroteio numa discoteca de Lisboa. Há um morto

21 Novembro Vídeo revela agressões de seguranças em discoteca Incidentes na Douro Fénix, em Cinfães

2 DE NOVEMBRO PSP investiga agressões brutais junto à discoteca Urban em Lisboa

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8 Dezembro, 2017
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uma vítima corajosa

7 Dezembro, 2017
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Numa intervenção que fez no Web Summit deste ano, Sara Sampaio denunciou corajosamente a podridão do star system nacional, onde ela mesma foi obrigada a fazer coisas que a repugnavam, mas que eram condição para continuar no negócio. Ontem mesmo foi divulgado este vídeo que ilustra bem as palavras da nossa corajosa Sara, coitadinha, obrigada a fazer uma demonstração de artes marciais sem que a deixassem vestir uma roupinha interior ou umas meias de lycra. O resultado, coitada!, ficou à vista. Bem à vista, efectivamente.

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A sério???!!!

6 Dezembro, 2017

 

bridge-loans

 

Um destes dias, depois de rever o filme Os Homens do Presidente, fiquei algum tempo a reflectir sobre a importância do jornalismo. Não foi uma reflexão muito profunda, teve início durante os créditos finais e terminou três ou quatro minutos depois, quando a minha mulher, já cansada da cara de lorpa com que fico sempre que estou a pensar, me trouxe de volta à sala de estar. Felizmente, tal como em outros aspectos da vida, o que conta é a qualidade e não o tamanho da meditação.

Relembremos a história: Richard Nixon é eleito para um segundo mandato na Casa Branca com uma vitória absolutamente esmagadora e, dois anos depois, perante a total estupefacção dos americanos, é obrigado a resignar ao cargo por causa do escândalo Watergate. Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do Washington Post, ficam para a história como os corajosos profissionais que desenvencilham a tramóia e resgatam os eleitores do mundo de inocência em que viviam.

Em Portugal, no passado fim-de-semana, passámos por uma experiência semelhante. Todo um povo, até essa altura mergulhado numa doce ilusão, ficou de boca aberta e em estado de choque quando olhou para a capa do Jornal Sol. Pelos vistos, e contrariamente ao que julgávamos, os órgãos da administração da pátria estão repletos de boys dos partidos políticos; e alguns deles são tão bem remunerados que podemos considerar terem sido presenteados não com aquilo que vulgarmente se designa como um “tacho”, mas com um trem de cozinha completo. Como se isto já não fosse surpresa suficiente, ficamos também a saber que este esquema de distribuição de chicha tenrinha foi inventado por António Costa para exercer com mais facilidade o poder; e que todos os partidos, por serem bem-educados e saberem que não se fala enquanto se mastiga, se mantiveram calados.

Algumas pessoas, para se distraírem, dedicam-se a construir castelos de cartas com os amigos. O nosso primeiro-ministro, por não ser distraído, prefere construir pontes de notas com a oposição.

 

 

E se fosse consigo?

6 Dezembro, 2017

Este programa da SIC, mais uma concessão do regulador à pornografia em canal aberto, representa o mais repugnante dos defeitos das pessoas (ou, para o doutor Costa, a virtude): a sobranceria moral. Ponderando a eterna questão sobre se a arte imita a vida ou a vida imita a arte, admito que nunca assisti a canastrões numa paragem de autocarro a solicitarem que uma mulher artificialmente passiva levantasse a saia, mas, a partir da transmissão do programa, não me admirarei se passar a ver.

A lição que se pode tirar do programa é que há bestas em todo o lado: quer nas paragens de autocarro, quer nas produções das televisões. Até ter visto isto, sei que daria, com medo de me aleijar, duas chapadas aos palermas da paragem de autocarro; agora, além das chapadas, aproveitaria, quando a Conceição Lino me viesse perguntar porque dei as chapadas, para a questionar do motivo pelo qual a SIC não tem apresentadoras feias.

Da fomentação

6 Dezembro, 2017

Banco_PublicoO ainda recente processo de candidatura à relocalização da Agência Europeia do Medicamento teve o funesto efeito de me recordar que uma das instituições com sede no Porto é a aventesma do Banco de Fomento, poeticamente apelidado de “Instituição Financeira de Desenvolvimento” (IFD).

Eis algumas interrogações:

  • Os técnicos da IFD são melhores adivinhos que todos os seus colegas da banca privada para identificar empresas e projectos com probabilidade de sucesso a longo-prazo?
  • Que “falhas de mercado” são corrigidas por um núcleo de planeamento central de supostos sábios?
  • Sendo uma instituição pública, não será particularmente susceptível a que os “campeões nacionais” sejam selecionados com base em agendas políticas?
  • As garantias estatais que permitirão ao Banco de Fomento ter acesso a custos de capital mais baixos não criam factor de concorrência com a banca privada?
  • Embora tendo actividade grossista, sendo os fundos disponíveis na prática subsidiados, a alocação de recursos à margem do mercado não provocará ainda maiores distorções competitivas?
  • Os contribuintes não ficam expostos a mais um risco de crédito?
  • Das 1.162.069 PME e das 1.013 grandes empresas nacionais, quantas usufruirão da IFD e por que razão as restantes não retirarão dela benefício?
  • Por que motivo caberá aos decisores de um organismo público alterar a composição da carteira de créditos dando prioridade a determinados sectores de actividade e não a outros?
  • Não estaremos a mascarar a condução de uma política industrial do Estado à margem do Orçamento?
  • Dado o papel do Banco Europeu de Investimento nestes mecanismos de financiamento, não estaremos a prejudicar o princípio da subsidiariedade, entregando a tecnocratas a tomada das grandes decisões estratégicas?
  • A introdução de uma nova entidade grossista que canaliza por via da banca privada fundos subsidiados por garantias públicas não aumentará a carga burocrática e tornará mais opacas as decisões e escolhas?

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o país das maravilhas

5 Dezembro, 2017
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1112907Por que é que Portugal não passa da cepa torta? Porque é um país profundamente reaccionário, que vive do passado, onde se tem medo do risco, da inovação e da concorrência e onde quase todos procuram um cantinho de protecção política para manter enclausurado o seu pequeno tesouro, negando-o aos outros. Portugal é, foi e será um país imensamente salazarista. O «viver habitualmente», de António de Oliveira Salazar, a lição que nos deu da «dona de casa» prudente e cautelosa, o seu paradigmático exemplo pessoal de uma modéstia sem aparente ambição, os privilégios que criou, ou permitiu que se criassem, a inquilinos, a partilha do mercado por alguns industriais e banqueiros, as dificuldades criadas a quem queria ir para e investir em África, tudo isso, em suma, corresponde ao genuíno ADN lusitano. Melhor do que ninguém, Salazar conhecia isto e quem por cá vive, razão pela qual se aguentou quarenta anos no poder. Em Portugal, «small is beautiful», é só para nós e mais ninguém. E tudo que arrisque crescer é invejosa e corporativamente abatido. Feita por anões mentais, como não poderia a «lei» defender outra coisa que não fosse a nossa gloriosa pequenez? E, no fim de contas, se vivemos, de há muito, à pála da União Europeia, por que raio devemos partilhar com outros os privilégios que tanto nos custaram alcançar?

Lição de geometria política

5 Dezembro, 2017
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Centeno no Eurogrupo é uma boa notícia para o país

4 Dezembro, 2017
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Socialista, permitindo reequilibrar as lideranças de orgãos da UE maioritariamente nas mãos do Partido Popular Europeu. De um país pequeno, como foram quase todos os presidentes do Eurogrupo e da Comissão Europeia neste século. Ambicioso, por isso disponível para agradar aos poderes que podem fazer com que esta presidência seja apenas um degrau na hierarquia da UE. E, provavelmente, disponível para ser o primeiro presidente a tempo inteiro do Eurogrupo depois das próximas legislativas. Terão sido estas as características que tornaram Centeno num candidato vencedor à frente do Ministro das Finanças luxemburguês.

Mas Centeno tem outros méritos. Centeno conseguiu perceber muito cedo que o eleitorado da esquerda importa-se bastante mais com os salários da Função Pública do que com a qualidade dos serviços públicos, especialmente do SNS (o eleitorado BE tem seguros de saúde e os funcionários públicos têm ADSE). Mesmo beneficiando de um ciclo económico positivo, teve o mérito de não agravar o défice estrutural. De certa forma, acabou por ser bastante mais liberal do que Vítor Gaspar ao aumentar o peso dos impostos indirectos e, ao deteriorar a qualidade do SNS e da escola pública, deu um incentivo importante aos sistemas de saúde privados e colégios não incluídos na rede pública. Mais do que isso, conseguiu colocar a esquerda em peso a congratular-se pela baixa do défice, contribuindo para que se tornasse consensual na política portuguesa a ideia de que o défice das contas públicas deve ser baixo. Hoje concordamos todos, do BE ao CDS, que há pouca vida política para além de um défice excessivo. Melhor do que isso, daqui para a frente, todas as decisões tomadas pelo Eurogrupo liderado por Centeno serão racionalizadas internamente pela máquina de comunicação da esquerda como sendo as melhores para o país e a UE. Um novo Varoufakis será demonizado e não idolatrado pela nossa esquerda. Ter um PS alinhado com o Eurogrupo é um excelente cenário para o país, principalmente se for acompanhado pelo BE e CDU. De certa forma, a eleição de Centeno para o Eurogrupo é ainda mais importante do que a de Guterres para a ONU. Em termos de resultados prácticos de políticas internas certamente será.

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4 Dezembro, 2017
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O Que Andam Nossos Filhos a Comer?

4 Dezembro, 2017

Podem pintar o quadro como quiserem mas o que está a acontecer nas escolas com a comida dos nossos filhos é a repetição do problema que nos afectou com os fogos: a falência do Estado no seu dever de protecção. Como se explica que se sirva rissóis sem fritar, carne crua com sangue à vista, lagartas a passear na sopa, quantidades quase inexistentes de proteína? Fácil: o Estado depois de concessionar um serviço demite-se da sua obrigação de fiscalizar, controlar e acompanhar o serviço prestado verificando se cumpre ou não o caderno de encargos. Não faz nada. Como nada fez na prevenção de fogos, como nada fez na prevenção da legionella em hospitais públicos, como nada faz para fiscalizar qualquer área da sua competência. O Estado é o ÚNICO principal culpado destas situações.

A culpa começa no preço. Nos concursos o preço base é fixado em 1,50€ mais IVA. Não se insere um preço mínimo dando assim a oportunidade de vender abaixo, até menos 50% do valor de referência. Ainda, o preço base apresentado pelo Estado é calculado APENAS de acordo com o histórico! Ou seja, sem cálculos que o justifiquem. Pior: à empresa não lhe é exigido aquando da candidatura uma nota justificativa de preço onde se discrimina como se chegou ao preço que vai a concurso e onde se pode verificar se foram contempladas todas as despesas de acordo com caderno de encargos, tal como acontece, por exemplo, na área da segurança privada. Nada. Ora assim, a malta faz o que quer só para ganhar o concurso: a empresa espreme o preço e o Estado esfrega as mãos de contente porque vai pagar poucochinho. Assim, temos a fórmula perfeita para ter um serviço da pior qualidade.

Mas há mais: o preço tem de  incluir sopa, prato, sobremesa, pão, consumíveis, despesas com a loiça, talheres, tabuleiros, transporte e… pessoal. Como é que a empresa que ganhou concurso até 2020 consegue com valores que vão de 1,18€ a 1,47€ cobrir todas estas despesas? Eu explico: roubando ao caderno de encargos com o “aval” do Estado. Há 10 anos o valor de referência a concurso era de 2€. Tirem daí as vossas conclusões.

O Estado proporcionou negligentemente que a qualidade fosse descurada escandalosamente ao promover preços baixos (diga-se abaixo do preço de custo). Quem se surpreende depois que haja carnes vindas da China, Espanha ou França,  produtos congelados, filetes com espinhas, peixe congelado da Argentina, sopas com fécula de batata, sobremesas instantâneas com água, comida que chega em mau estado, problemas com quantidades, falta de pessoal, plafond de compras que, semana sim semana não, se esgota ficando a escola sem matéria prima para as refeições?

Não se pode exigir qualidade a quem vende um produto abaixo do preço de custo. E se isso acontece é porque interessa ao Estado. A prova está, como já disse na ausência de nota justificativa de preço no concurso e ausência quase total de fiscalização com aplicação de multas praticamente inexistentes e quando se aplicam não são sequer cobradas. Dito de outra forma, ser prevaricador em Portugal nos concursos públicos compensa porque o Estado nem sequer se importa com isso.

O estranho é quando verificamos que com as escolas que não são concessionadas, estas podem gastar por refeição, apenas com os alimentos – recursos humanos são pagos à parte – 1,68€ mais 0,22€ de ajudas. Consegue perceber porque razão as escolas com cantinas próprias funcionam bem? Pois. Os milagres não existem. Qualidade depende também  do preço.

Já morreu uma menina com a bactéria do e.coli por via alimentar na escola. Outra colega encontra-se com os sintomas da bactéria. O caso tem sido abafado, claro. Tal como toda a censura que já conhecemos sempre que há mortes nesta governação. Mas a realidade por muito que tentem escondê-la, vem sempre ao cimo porque é imperioso denunciar. Quem nos protege se não formos nós próprios a fazê-lo ou a exigi-lo?

Saiba que em caso de se verificar na escola de seu filho uma ocorrência irregular na cantina, deve informar a Direcção que ao tomar conhecimento tem de actuar junto da empresa para corrigir. Se persistir a escola deve pedir a intervenção da DGEsTE. Saiba ainda que todos os dias tem de ser cozinhado duas refeições a mais, uma para a Direcção outra para Associação de Pais e que qualquer pai que o solicite, deve ser autorizado a provar o almoço.

Agora que sabe seus direitos, faça uso deles e exija. Só assim podemos prevenir e melhorar as condições em que são servidas as refeições aos nossos filhos.

Fonte: Jornal Observador

 

Vai Doer!

3 Dezembro, 2017

O pão vai subir cerca de 20%  já no início do próximo ano e outros bens lhe seguirão. Surpreendido com isto só fica quem andou a dormir este tempo todo e acordou só agora com a realidade a entrar pelos olhos adentro. Disse-o tantas e tantas vezes que os aumentos e criação de impostos indirectos iria custar caro ao orçamento de cada português.  E o resultado já começou a sentir-se volvidos dois anos de governação irresponsável e incompetente: os bens de primeira necessidade vão estar pela hora da morte. Mas aguentem-se firmes que não vamos ficar por aqui.

Estes senhores ilusionistas andaram a distribuir o que não tínhamos: dinheiro. Sempre a pedir emprestado, foram engordando a dívida pública – que NUNCA parou de subir desde 2015 – sem qualquer reforma estrutural para corrigir o défice. De forma escamoteada em cativações, foram enganando os cidadãos com falsas melhorias que não eram senão maroscas de encobrimento das contas públicas. Resultado: carregar fortemente nos impostos – tivemos o maior aumento de sempre de impostos – , fazendo sair dos bolsos dos contribuintes,  para “compensar” as migalhas  que fazem entrar. Na balança o saldo é obviamente negativo. Porquê? Simplesmente porque sai muito mais por via dos impostos do que entra por via dos benefícios. Em suma, levam-nos o porco em troca de uma chouriça. E a miséria aumenta.

A isto junta-se  a irresponsabilidade que vamos pagar bem caro com as despesas dos gabinetes  e viagens a baterem recordes, com aumentos salariais escandalosos na CML e até deputados assessores de si  próprios, aviando-se dos impostos dos portugueses de forma descarada pouco se importando do sofrimento de algumas famílias para os pagar.  E  enquanto andam refastelados com o suor do nosso trabalho, deixam aumentar os casos de fome de pessoas assistidas por Instituições de Solidariedade. Mas que gente é esta?

Ora não tendo o governo feito absolutamente nada para sustentar a grande despesa que prevê fazer neste OE2018, pergunto a que preço vamos pagar todos estes pseudo-benefícios? Com a mesma fórmula de sempre: dar 10 e OBRIGAR TODOS a pagar 100. Já com o aumento dos combustíveis que foi o maior em 16 anos,  chegamos ao ponto de ver todos os bens de primeira necessidade subir drasticamente, mas não vai chegar. Só restará mesmo esse caminho. Aumentar mais impostos. E o próximo será inevitavelmente o IVA como fez Sócrates que o passou de 20 para 23%. Lembram-se?

A CE já demonstrou que não anda a gostar desta gestão “ao contrário”  levando-a a fazer avisos que ainda caiem em saco roto porque a ganância é mais forte que o sentido do dever. Isto porque estes artistas (sim, são meros actores) estão convictos que conseguirão enganar a UE até ao final do mandato. Depois? Bem depois, quem vier por último que feche a porta. Nada de novo.

O problema é que todas estas políticas de descontrolo financeiro vão doer naqueles do costume que tal como os prisioneiros, terão de aguentar a pena custe o que custar. E pior ainda, verão essa pena agravar-se com o afastamento dos grandes investidores por sermos um país que aumenta mais impostos a quem investe e cria postos de trabalho. Sem falar da novela protagonizada pelo PCP com a AutoEuropa que é seguida mundialmente e nos fragiliza do ponto de vista económico. Ora, quando todo o capitalista der à sola daqui podem sempre juntar-se ao Maduro no seu pedido desesperado por atrair quem invista na Venezuela saqueada por ele próprio, certo? 

Ter paz podre, equilíbrio financeiro fictício, aumento de benesses sociais acompanhadas de uma carga fiscal medonha, não representa melhoria de coisa alguma. Demonstra apenas que se gasta o que não se tem, se promete o que não se pode dar e depois esconde-se a realidade para prolongar a mentira até ao próximo mandato com a ajuda caladinha dos radicais de esquerda que nunca comeram tantos sapos para sobreviver mais um dia no poder.

Os portugueses que se lixem.

 

 

 

 

Estádio-Nação

3 Dezembro, 2017

Só liguei minimamente a Futebol no tempo em que o Néné ainda tinha um filho, o Jordão jogava no Sporting e o Pedroto treinava o Porto.

Todavia, parece-me que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tem vindo a dizer umas coisas acertadas sobre este mundo. Há tempos afirmou que o Governo tem “um projecto estratégico para o futebol” e mais recentemente, em entrevista ao DN, confessou que o Executivo “admite sanções mais pesadas para pacificar futebol”.

Estou totalmente de acordo!

Pode ser que assim muita gente perceba que o Estado não se deve meter nas nossas vidas.

Caridade? Não, é um empréstimo de um amigo. Tenciono pagar-lhe quando souber quanto devo.

3 Dezembro, 2017

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Hoje há donativos nos supermercados para o Banco Alimentar. Os socialistas não gostam, chamam-lhe caridadezinha. Para um socialista, caridade aceitável não é um saco de feijões para quem tem fome, é a aquisição de serviços de um ghostwriter para nos escrever uma tese académica com a qual cometemos uma nada escandalosa fraude académica que nos permita manipular o top de venda de livros através da aquisição de cópias pela mesma pessoa que nos paga o ghostwriter, a casa e a alimentação em bairros nobres de Paris. Caridade é, também, fingirmos que na sequência da mais que evidente participação em fraude académica, podemos manter o lugar e o salário de professor universitário sem que o corno manso do português se indigne por aí além com o estado do chiqueiro.

 

A festa do cone iluminado

3 Dezembro, 2017

O bolo rei já não tem brinde. A Bela Adormecida ficou sem beijo porque o príncipe foi acusado de abuso. A fruta não tem bicho. O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado.

um impensável triunfo

2 Dezembro, 2017
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«Um dia, o teu lugar será meu!»

Mário Centeno faz-me lembrar um herói saído das páginas de Tom Sharpe, o melhor humorista inglês do século XX: sem a plena consciência dos sarilhos em que se mete, utilizando meios quase sempre insensatos, acaba invariavelmente por triunfar e obter resultados que nem ele imaginava possíveis nos seus sonhos mais abençoados.

Pois bem, se Centeno for, na próxima segunda-feira, eleito presidente do Eurogrupo, a minha teoria sairá reforçada. Na verdade, quem julgaria possível que um ministro de um governo apoiado por dois partidos que querem o fim do euro pudesse alcançar o mais alto posto da governança desse instrumento económico e financeiro? E quem suporia alguma vez possível que a Alemanha de Merkel lhe desse o apoio?

Seja qual for a opinião que se tenha do governo de António Costa, há que convir – e digo-o, agora, sem ponta de ironia – que fazer de Centeno presidente do Eurogrupo será, a confirmar-se, um feito politicamente notável. Mas isso deixará ao governo da geringonça aquela que poderá vir a ser a sua fatalidade: como poderão o Bloco e o PC continuar a apoiar um governo em que o ministro das finanças passará a ser o inevitável rosto da austeridade europeia? Não pode durar muito tempo: ou salta o Centeno do governo, ou saltam o Bloco e o PC.

Quem paga o resto?

2 Dezembro, 2017
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A Câmara Municipal de Lisboa já anunciou que irá contribuir com 5 milhões de euros para a organização do festival da Eurovisão. Um festival cuja organização foi atribuída a Lisboa sem qualquer tipo de concurso (ao contrário do que aconteceu em todos os outros países que a organizaram). Os últimos festivais da Eurovisão custaram entre 30 e 50 milhões de Euros a organizar. Fica a questão: se a Câmara Municipal de Lisboa paga 5 milhões de Euros, quem paga o resto da fantochada centralista? Não é difícil de adivinhar: será o mesmo palerma do costume.

 

Resposta ao Inquérito de Louçã

1 Dezembro, 2017

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Caro Francisco Louçã, permita-me que depois de ler seu artigo de opinião, no Público (https://blogues.publico.pt/…/2017/11/29/minha-cara-cliente/…) responda ao seu inquérito. Quer mesmo saber a que clientela pertenço?

Pertenço à clientela a quem lhe venderam um “produto” da banha da cobra que chamam de excelência, com pagamento mensal de entrega de mais de 50% dos seus rendimentos em impostos, mas recebe um serviço de porcaria onde tem direito a uma saúde que não presta, uma educação miserável , uma segurança inexistente, uns transportes ineficientes. Que recebe aumentos de pensões, salários, redução de IRS de uns míseros euros para depois deixar centenas deles no supermercado, na gasolineira, renda, gás, luz e água porque o ROUBAM com impostos indirectos em 3 orçamentos de Estado consecutivos.

Pertenço à clientela que ganha legionella numa consulta de rotina, morre queimada numa estrada a fugir do fogo , vive inundada sempre que chove, que é obrigada a pagar IMI de cinzas, come carne crua com E.Coli na escola e vai desta para melhor sem entrar nas estatísticas por ser vítima indirecta. Sou aquela junto de quem se congratulam que dão “topos de gama” mas em concreto não passam de “carroças sem bois”. Que deixa o pêlo e o pelaço do seu suor para lhes alimentar a gula e recebe migalhas para se poder sustentar. Que tem de trabalhar cada vez até mais tarde para que possam ao fim de 15 anitos reformarem-se à nossa conta.

Sou aquela que para pôr comida e pão na mesa tem de trabalhar arduamente porque não lhe cai do céu como no Parlamento. Sou cliente desgraçado que tem 1 “contrato” ruinoso tipo SIRESP com o Estado incompetente, mas não o pode rescindir porque é vitalício. Sou aquela que deixou de ser cliente há muito para ser mero sobrevivente

Sou da clientela que os sustenta enquanto gastam à fartazana, riem da nossa cara, mentem à descarada, porque sabem que uma vez dentro do Parlamento, SÓ o partido os pode tirar dali.

NÃO SOU da clientela que não faz voto de pesar por ver partir um grande empreendedor e empregador no país mas que tem uma overdose de tristeza quando morre ditadores assassinos que condenaram seu povo à fome e miséria. .

NÃO SOU da clientela que não admite riqueza nos outros mas esconde o elevado património do partido, recusa-se a pagar IMI e IVA e muito menos o imposto Mortágua.

NÃO SOU da clientela que passa a vida a defender o sector público mas transporta-se em Porsches e Maseratis, quando tem tonturas vai para o hospital da Cuf, e pôe filhos a estudar no privado. Que come com luxo na cantina do Parlamento pelo preço de uma diária. Que se auto-aumenta 10% todos os anos e repos as subvenções vitalícias. Que nunca moveu uma palha na vida mas vive como um lorde, sem mérito, à conta dos nossos impostos cada vez mais altos. Que emprega toda a família no Estado, faz adjudicações directas aos amigos, dá tachos no Banco Portugal e outros tantos organismos públicos sem concurso

E você, meu caro, de que clientela é?

Como é possível?

1 Dezembro, 2017

Que no tribunal de Haia um réu se mate em pleno julgamento?