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Devolução de Natal

1 Dezembro, 2017

Imbuídos do espírito natalício muitos difundem durante o Advento patetices impróprias para quem quer manter alguma sanidade mental.

Ouvem-se glórias e louvores à “responsabilidade social” de empresários e gente rica que nesta época decidem “devolver à sociedade parte do que esta lhes proporcionou”.

A expressão entre aspas anterior é a fórmula comummente usada por essa gente. O sublinhado enfatiza a ideia central que se pretende transmitir.

Confesso: não tenho pachorra para tamanho dislate!

“Devolver” pressupõe restituir a dono legítimo. Mas alguém roubou ou tirou algo de casa alheia?

Quem acha que houve apropriação indevida, apenas exige a devolução de parte do produto desviado?

Não havia necessidade de insulto nem de desonestidade intelectual…

Por regra, aqueles que têm elevados rendimentos foram capazes de produzir bens ou serviços dos quais a maioria de nós beneficia. De tal modo que estamos dispostos a dar dinheiro por eles.

Em sociedade as trocas são mutuamente benéficas. Facilitam a vida quotidiana, proporcionam-nos divertimento, dão-nos conforto e aumentam a nossa longevidade. Basta pensarmos em tudo aquilo que num só dia utilizamos e consumimos para perceber que é cada um de nós que, voluntariamente, torna ricos os ricos.

A superioridade moral do sistema capitalista advém desde logo de o mercado permitir que se acumule riqueza apenas servindo os interesses e necessidades dos outros. O bem-estar de uns não se faz à custa da miséria de terceiros. Não é um jogo de soma nula.

Uma economia liberal é justa porque defende o direito natural à propriedade daquilo que se cria e ganha em resultado do trabalho e criatividade dos indivíduos.

A retórica marxista da luta de classes e de que a desigualdade de rendimentos existe porque uns tiram a outros não só é factualmente falsa, como também revela um dos mais desprezíveis sentimentos humanos: a inveja.

Este desconforto com o sucesso alheio e o quase ódio aos ricos, aliados à soberba dos que se acham os únicos conscientes e preocupados com o bem-estar dos seus próximos, leva à tentativa de imposição daquilo que consideram ser os comportamentos correctos em comunidade, lá está: de “responsabilidade social”.

Nasce também daqui a ideia da progressividade dos impostos. Quem mais tem deve ser taxado, em termos relativos, de forma mais pesada do que os menos abastados. Mas se a ideia é moralizar o mercado e a sociedade capitalista, o resultado desta política é precisamente o inverso. Um comportamento forçado através da coacção tributária não torna nobre, nem moral nem benevolente a atitude das pessoas. Só a um acto individual, voluntário, emanado da consciência de cada um se pode atribuir valor moral.

A lengalenga da progressividade fiscal apenas serve o propósito da defesa dos interesses de quem não produz riqueza e do disfarce do roubo.

O discurso ardiloso do “devolver à sociedade” acaba por retirar valor a quem pratica a verdadeira Caridade, essa sim virtuosa e digna de elogio, a que a celebração da humanidade do Natal nos convoca.

*

Novo oprimido voluntário pelo capitalismo sem rosto

30 Novembro, 2017

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Se perguntarmos a um cínico sobre o que pensa do futuro do país, responderei que será igual ao presente e ao passado, queira e possa a Europa manter à tona este quintal de bárbaros dislexicamente embevecidos em simultâneo pela retórica patologicamente reciclada a Ulrike Meinhof e pelo alegre conforto que um cupão de desconto do Lidl pode proporcionar. Contudo, se fizermos a pergunta a um pragmático-optimista, o novo blasfemo que agora vos apresento responderá que o futuro é o que dele fizermos, hoje, amanhã e todos os dias que se seguirem, pedra sobre pedra, ideia consequente — como todas — sobre ideia consequente.

É por isso que, em nome de todos os blasfemos, dou as boas vindas ao mais amaldiçoado dos blogues pela religião oficial da república popular portuguesa ao apóstolo da ordem espontânea, cronista do encanto nacional pela fugacidade, teólogo da superioridade moral do laissez-faire, sociólogo especialista da casta exótica da insaciável regulação e psicólogo do neurónio cansado do infortunado socialista, a única pessoa com actividade cerebral que assistiu à chegada dos únicos compradores reais do último livro de Sócrates na sua apresentação formal na cidade do casario que se vê ao atravessar o rio junto à Serra do Pilar e um amigo que — garanto — paga a sua própria conta em restaurantes.

O seu nome é Telmo Azevedo Fernandes.

 

Deixa saudades

30 Novembro, 2017

Num país miseravelmente mesquinho, onde o sucesso de um vem acompanhado da inveja de muitos, tinha o Zé Pedro como um tipo que simplesmente demonstrava alegria e gratidão pela oportunidade que o público lhe deu de viver a fazer o que gostava. Raramente sinto uma atitude semelhante em artistas portugueses. Em políticos sinto-o uma vez por década, com sorte. Em comentadores televisivos nunca o senti (pode ser azar meu). Talvez por isso, culminamos num governo pejado de comunistas, os invejosos naturais do ecossistema social.

Lamento imenso que a derradeira partida do Zé Pedro tenha chegado tão cedo.

O Norte seria ainda mais pobre se não beneficiasse de uma capital como Lisboa?

30 Novembro, 2017
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Em termos genéricos, há duas formas principais de acumular poder e concentrar riqueza: pela criação de valor ou pela sua captura. Esta é uma confusão que muitos populistas gostam de fazer quando se trata de avaliar a concentração de riqueza em indivíduos. A concentração de riqueza num qualquer cleptocrata africano não tem o mesmo significado que a concentração de riqueza em Bill Gates ou Belmiro de Azevedo. Até se pode discordar de ambas, mas a verdade é que Bill Gates acumulou riqueza criando algo que fez o mundo melhor e tornou a vida de milhões de pessoas mais fácil. Já um ditador africano fê-lo pela captura de riqueza aos que a iam criando. Mesmo discordando das duas, qualquer pessoa razoável admitirá que os efeitos nos outros de cada uma destas formas de acumulação é bastante diferente. Num dos casos, todos os outros ficaram a ganhar com aquele processo de acumulação de riqueza. No outro, ficaram todos a perder, excepto quem a capturou.

Com as cidades não é muito diferente. A concentração de poder económico numa cidade pode ser favorável a todo o envolvente. Existem economias de aglomeração evidentes, especialmente dentro da mesma indústria. A concentração do sector financeiro em cidades como Nova Iorque e Londres, mesmo criando desigualdades regionais, favorece o resto dos países em que essas cidades estão envolvidas. O mesmo com os clusters tecnológicos de São Francisco ou o cluster de serviços do Dubai. No entanto, a centralização do poder também traz riscos: a de ter todas as decisões tomadas pelo mesmo círculo social, dando incentivos à captura de riqueza em vez da sua criação. Quando os poderes político, financeiro e empresarial estão tão próximos que se confundem, há um evidente incentivo a direccionar energias para a captura de riqueza em vez da sua criação.

Chegados aqui, resta a questão: a centralização de poder e riqueza em Lisboa tem sido favorável ou desfavorável ao país? Houve economias de aglomeração que, mesmo criando desigualdes regionais, favoreceram o país como um todo? Ou, pelo contrário, a centralização contribuiu para um cenário de captura de poder por um grupo social fechado que condena as outras regiões, e o país como um todo, ao empobrecimento. Podíamos discutir esta questão horas a fio, mas há uma forma mais fácil de a entender que é pensar que teria acontecido se Norte e Centro tivessem vivido como país independente (ou seja, sem “beneficiar” das economias de escala de Lisboa). Parece-me evidente que o Reino Unido sem as eficiência criadas por Londres seria bastante mais pobre. O resto dos EUA também beneficia com a centralização dos serviços financeiros em Nova Iorque e da economia digital em Silicon Valley. E as regiões norte e centro? Será que beneficiaram com a concentração em Lisboa.

No meu texto anterior, referi que, se fossem um país independente, as regiões Norte e Centro seriam um dos mais pobres da UE*, atrás de muitas das economias mais pobres dos países de Leste. Quem defende que a centralização em Lisboa beneficia o resto do país, está basicamente a dizer que, sem centralização, Norte e Centro seriam ainda mais pobres do que são hoje. Seriam ainda mais pobres do que países que atravessaram décadas de comunismo. Isso é pouco credível. Tão menos credível quanto ali ao lado há uma região em tudo igual, a Galiza, e cujo PIB per capita é cerca de 21% superior.

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A Galiza e as regiões a norte de Lisboa partilham culturas e posições geográficas semelhantes. A diferença principal: a Galiza tem uma autonomia alargada dentro de Espanha, o Norte e Centro de Portugal não.

 

 

*Nesse texto usei os dados do PIB per capita por região constantes na Wikipedia. Esses números entretanto foram alterados na fonte original, fazendo com que Norte e Centro, como país independente fossem o 5º e não o 2º país mais pobre da UE28. Os dados do post anterior continuam disponíveis aqui e os dados corrigidos aqui.

Voto de pesar

29 Novembro, 2017

A melhor homenagem que Belmiro de Azevedo recebeu no dia da sua partida foi a rejeição do voto de pesar pelo Partido Comunista Português. Significa isto que Belmiro de Azevedo não foi um ditador sanguinário que assassinou inocentes.

A gritaria, a indignação, as declarações dos pais do SNS (e já agora das mães, das madrinhas e dos avós), o choro e os comentários à beira da apoplexia já começaram? E ninguém ainda pediu a demissão do secretário de Estado?

29 Novembro, 2017

Governo denuncia vergonha com baixas no setor da Saúde. Secretário de Estado desconfia da quantidade de baixas por gravidez de risco e propõe apoio da Ordem dos Médicos para uma sindicância às ausências.
O secretário de Estado da Saúde considerou, esta quarta-feira, que as ausências ao trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS) são uma “vergonha” a nível nacional e internacional. Manuel Delgado desconfia da quantidade de baixas por gravidez de risco apresentadas e quer o apoio da Ordem dos Médicos para fazer uma sindicância às faltas.

pós-graduação em escola austríaca

28 Novembro, 2017
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Um Ricardo Araújo Pereira em cada esquina

28 Novembro, 2017

 

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Na semana passada, entre assuntos sem qualquer importância tais como o aumento de impostos para as empresas (que irá certamente promover o investimento na Holanda e no Luxemburgo, dois países que, ao contrário do nosso, bem dele precisam) e o aumento da despesa pública estrutural (um presente simpático para o governo que estiver em funções quando a conjuntura económica se alterar), tivemos direito a uma polémica verdadeiramente interessante. Ricardo Araújo Pereira, ex-vendedor de bifanas na Festa do Avante, apoiante do LIVRE nas últimas eleições legislativas, galardoado por uma associação (ILGA) que se dedica à “intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo”, figura central na campanha pela despenalização do aborto e Miss Dezembro 2009 da Playboy Portugal, foi acusado de ser um reaccionário.

Alguns frequentadores das redes sociais, defendendo o humorista, insinuaram que os críticos de RAP estavam apenas a sofrer de uma pequena luxação na zona do cotovelo, uma maleita que, de acordo com a vox populi, é frequente em Portugal. Muito honestamente, não vejo fundamento nessa teoria. Se excluirmos o facto de Araújo Pereira ser inteligente, culto, divertido, bonito, famoso, simpático, bem-sucedido, influente, espirituoso, alto, magro e, segundo consta, familiarmente feliz, que raio de motivos teria alguém para o invejar?

Também não partilho de uma outra opinião, que fui ouvindo, em que as críticas são atribuídas à falta de bom senso e de razoabilidade dos acusadores. Estamos a falar, de uma maneira geral, das mesmas pessoas que disseram que Passos Coelho era um radical do liberalismo, que Vítor Gaspar era um clone do Salazar, que Angela Merkel era um Hitler de saias e que o Syriza de Alexis Tsipras ia acabar com a austeridade na Grécia. Como a moderação e a perspicácia não desaparecem de um dia para o outro, a explicação deve ser outra.

Na minha análise – devidamente não fundamentada, como todas as outras que por aqui deixo – toda a polémica se baseia num equívoco. O reaccionário, tal como é visto pela ciência política, é alguém que pretende, usando as palavras de Marx e Engels, fazer andar para trás a roda da história. A esta luz, teríamos de concluir que Ricardo Araújo Pereira sente saudades da época em que era estagiário na TVI; e de usar camisas à programador informático. Já para não falar do penteado. Não é plausível, o contexto tem de ser outro. RAP apenas se limitou a não embarcar em todas as causas que lhe apareceram à frente. E, nesse sentido, foi mesmo reaccionário. Mas à maneira de Nelson Rodrigues: quando achou que não prestava, reagiu. Fez bem. Que nunca lhe doam os dedos.

 

Portugal Arrisca Tragédia com Sismos

27 Novembro, 2017

Há 20 anos que especialistas dizem o mesmo: Portugal vai ser atingido por um sismo. Não sabem prever se vai ser já amanhã, para o ano que vem ou daqui uns anos mais. Sabem apenas que este fenómeno é cíclico e pelas contas feitas ao de 1755, a previsão aponta para o ano de 2018. Mário Lopes, investigador especialista em engenharia sísmica do Instituto Superior Técnico (leia aqui a entrevista completa) já perdeu esperança nos Governos para impedir a tragédia.  Nada de novo num Estado que não protege seus cidadãos senão seus próprios interesses. Mas quanto nos vai custar em vidas esta irresponsabilidade grotesca dos governos? Muitos milhares.

Mário Lopes é peremptório: não se sabe quando, nem com que intensidade, nem tão pouco as consequências de um próximo sismo, mas uma certeza prevalece. Vai ser certamente trágico. Receia a repetição de 1755 porque mesmo que seja de menor intensidade provocará muitas mais mortes porque as zonas de risco estão mais povoadas. Não é preciso um sismo como de 1755 para termos 10 000 a 20 000 vítimas. Factos.

Segundo o mesmo, bastaria o respeito pelo actual regulamento para minimizar os danos. Embora obsoleto com mais de 30 anos, ser aplicado já era bom. Hoje quem não tem consciência pode aldrabar o projecto sem ver consequências. Sabem que fazendo bem ou mal um edifício, é vendido  na mesma.  Mas o maior problema reside nos edifícios reabilitados.  Porque a legislação técnica  prevê que um edifício anterior a 1958, que tinha um grau de  protecção zero na resistência sísmica, não lhe seja aplicada legislação posterior de reabilitação à construção original. Assim, fazem apenas um “peeling” nos edifícios antigos – o que é perfeitamente legal –  que continuam com protecção sísmica igual a  zero. Nesta realidade estão 40% dos edifícios construídos antes de 1960. 

Mário Lopes fez uma proposta ligada aos seguros para que as companhias fizessem seguros indexados à componente de risco sísmico ( nos Açores, por exemplo, está indexado ao crédito habitação). Assim, as pessoas através dos seguros iriam ver o risco da sua construção e isso iria influenciar o mercado valorizando, obviamente, as melhores. Porém, quando isso foi discutido com um governo mandaram-no calar porque isso iria desvalorizar os prédios piores, mostrando uma insensibilidade pela vida humana em detrimento do mercado imobiliário. Depois em 2012 propôs que o reforço sísmico fosse obrigatório em edifícios a partir de certo valor e dimensão. Foi rejeitado.

Os alertas de Mário foram sempre atendidos mas na prática deitados ao lixo. E foram bastantes. O primeiro ocorreu com a governação de  Guterres onde enviou documentação a todos os grupos parlamentares. Mas nada aconteceu. Mais tarde só CDS pegou no dossier e fez um Projecto de Resolução entregue na AR, mas não chegou a ser votado porque acabou a legislatura. Seguiu-se posteriormente o  PCP que pela mão de Miguel Tiago, mudou apenas  o preâmbulo do projecto do CDS – o que prova que o projecto era bom – e o leva a discussão. Demorou 2 anos a ser discutido. Entrou em 2006 na AR mas só foi a votação em 2008 onde todos votaram a favor excepto PS. Foi chumbado. Mário Lopes, mesmo assim, não desistiu e em 2010 volta a pressionar a AR. Com PS  em minoria, é aprovado. Finalmente. O projecto aprovado previa entre outros que o reforço sísmico passasse a ser obrigatório na reabilitação urbana. Mas ironicamente a sua NÃO APLICAÇÃO foi feita pelos mesmos que o aprovaram. Em suma, ficou tudo EXACTAMENTE na mesma.

O poder político devia dar o exemplo ao preocupar-se com os edifícios públicos. Mas o Estado que temos que não se preocupa sequer com os cidadãos foi a correr reforçar a AR assim que lhes foi dito que a parede da sala de sessões colapsaria em caso de sismo. São estes que nos governam:  preocupados com sua pele mas ignorando os restantes 10 milhões de seres humanos desprotegidos e à sua sorte.

Mário Lopes não tem dúvidas que assim que houver uma tragédia sísmica o poder politico vai dizer “que não é altura da caça às bruxas” para evitar que se apurem as responsabilidades (tal e qual como em Pedrógão, lembram-se?). Porém os sismos não matam. O que mata são as construções mal feitas. Segundo este, mesmo com limitações económicas, se tomássemos precauções, mesmo com sismo forte haveria 10 vezes menos estragos e menos vítimas.

Há 20 anos que este especialista diz o mesmo mas sem resultados. Sem decisões politicas para implementar a prevenção, tudo fica igual, ou seja sem protecção. E na situação actual, se formos atingidos por um sismo forte de grandes dimensões, não há  protecção civil que nos valha. Será uma catástrofe. Porque é na prevenção que salvamos vidas. 

Enquanto os governos viverem em negação assobiando para o lado como o fizeram com a prevenção INEXISTENTE para fogos florestais, e nós fingirmos que não nos importamos com isso, a tragédia que foi vivida com incêndios em Pedrógão e 15 de Outubro, multiplicar-se-à brutalmente à custa de vidas inocentes que irão sucumbir nas mãos criminosas de quem nos governa. 

O que está disposto a fazer para mudar isto?

 

 

 

 

as delícias da pequenada

26 Novembro, 2017
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Sempre me entusiasmou a pervesidade implícita (para mim mais do que explícita…) da Bela Adormecida, sobretudo na versão Disney, onde uma falsa-ingénua loiraça e curvilínea princesa se deixava seduzir (ou seduzia?…) por um príncipe com evidentes más intenções. O climax da história e do filme da Disney é, inegavelmente, a cena em que a dengosa da Aurora, depois de se deixar picar por uma agulha fálica, desfalece estrategicamente numa alcova escondida, a aguardar que o seu homem chegasse e fizesse o que tinha a fazer. O quê, não era da nossa conta…

Se, durante anos, temi pela minha normalidade emocional, fiquei ontem a saber, que não apenas sou um tipo mais do que normal, como intuo a realidade das coisas por detrás das aparências. É que, para além de ver confirmadas as minhas suspeitas lúbricas sobre a história da Aurora, finalmente percebi que ela encerra também uma séria lição moral: nunca abuse de uma moça inconsciente. Mesmo que esteja acordada…

Mas se a Bela Adormecida é fonte de volúpia infanto-juvenil, o que dizer da Cinderela? Como interpretar a prova do sapato, onde um mancebo (outro príncipe…) força os limites apertados do seu pézinho para lhe enfiar, à bruta, um sapato? Não estará aqui um claro apelo à violação feminina? E a Branca de Neve e os Sete Anões, também ela desfalecida e inconsciente, não graças a uma agulha fálica, mas a uma maçã bíblica, símbolo do pecado original, a que não resistiu? Não será uma alegoria óbvia sobre o voyerismo masculino exercido sobre raparigas ingénuas? E o que foram os anõezinhos fazer com ela, quando a apanharam desmaiada? E porque se chama, um desses sete tratantes, «Dengoso»? E o outro «Sabichão»? Sabes muito, sabes… E o Dumbo, o Elefante Voador? Porventura enviaria fotografias da sua tromba hirta a jornalistas suas amigas? Deixam a criançada ver disto e queixam-se, mais tarde, que a coisa deu para o torto. Isto já para não falar nas princesas do Aladino, na perversa dominatrix dos 101 Dálmatas, nas curvas da Pequena Sereia, nos saltinhos de corça do esvoaçante Peter Pan, no nariz do Pinóquio ou nos avanços abusivos do deformado patife da Bela e do Monstro.

É preciso tomar cautela com todas estas sórdidas mensagens sexistas, que são verdadeiras formas de violência de género contra as mulheres. Esperemos que a Fernanda Câncio, a Rita Ferro Rodrigues, a Isabel Moreira e as manas Mortágua estejam atentas…

Como viver uma catástrofe sem poder dizer Salazar?

26 Novembro, 2017

Em 2017, tal como em 1967, quando os portugueses mais precisavam do seu Estado descobriram-no ausente. O que sobrava então: Salazar. Tinha de ser. Sem Salazar tudo era demasiado parecido. E assim Salazar voltou aos títulos. Para todos os efeitos as cheias de 1967 tornaram-se na tragédia que Salazar quis esconder. A imagem é poderosa mas falsa. Porque a tragédia foi mostrada

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25 Novembro, 2017
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Poucas pessoas escreverão tão bem, em Portugal, com tanto sentido de oportunidade e de humor, e com a profundidade e seriedade do Carlos Guimarães Pinto. Ao longo dos anos habituámo-nos a lê-lo e a admirá-lo, não sem uma pontinha de inveja pelo brilhantismo que frequentemente atinge. O Carlos Guimarães Pinto integra, a partir de hoje, o Blasfémias. Bem-vindo, Carlos!

O segundo país mais pobre da União Europeia

25 Novembro, 2017
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Na imagem temos as regiões Norte e Centro. Estas regiões têm cerca de 60% da população, mas as duas taxas de fertilidade mais baixas do país a seguir à Madeira. O saldo migratório é tão negativo que, sem estas duas regiões, o país como um todo teria um saldo migratório positivo. São responsáveis por 56% dos alunos diplomados anualmente, mas apenas 34% dos trabalhadores a ganhar mais de 2 mil euros e 27% dos trabalhadores a ganhar mais de 5 mil euros. Por outro lado, têm 64% dos trabalhadores do país com salários abaixo de 600 euros. Têm 56% de todos os trabalhadores por conta de outrém, mas apenas 47% do PIB.

Se estas regiões se transformassem num país, esse país seria o segundo mais pobre da União Europeia, entalado entre a Bulgária (que continuaria a ser o mais pobre) e a Roménia  (que passaria a terceiro). No entanto, seria um dos poucos países com uma balança comercial de bens positiva. Em % do PIB, apenas a Irlanda e a Alemanha teriam um saldo positivo maior.

Apesar do forte sector exportador, este país formado pelo Norte e Centro teria muito poucos organismos públicos nacionais e empresas dedicadas ao consumo interno. Nem sempre foi assim. Ao longo dos últimos 30 anos dois fenómenos contribuiram para esta evolução. Por um lado o estado assumiu um papel cada vez mais importante na economia. As empresas (pequenas, médias e grandes) tornaram-se cada vez mais dependentes do estado, com o seu sucesso a depender de forma crescente da proximidade aos centros de poder. Por outro lado, os serviços do estado foram-se centralizando  cada vez mais em Lisboa, arrastando as empresas consigo.

Como este impulso centralizador incluiu os orgãos de comunicação social, ele foi acontecendo sem que houvesse um debate sério sobre as suas consequências. Coincidência ou não, este período de centralização culminou na década de mais fraco crescimento económico no país desde os anos 40. As teias de poder e o nepotismo que a centralização excessiva alimentam são negativas para a economia como um todo, como os recentes casos da PT, do BES, da CGD, do BCP ou a relação próxima entre reguladores e regulados tão bem demonstram.

Há, no entanto, uma luz de esperança. Enquanto tudo se centralizava, houve algo que se descentralizou violentamente: a criação e distribuição de informação e opinião. Os orgãos de comunicação social podem estar centrados em Lisboa, mas já não controlam toda a informação e opinião que chega ao eleitorado. É esta pequena grande mudança que pode vir a gerar as próximas, haja pessoas em número e qualidade suficientes dispostas a fazer a sua parte. Vamos a isso.

Para memória futura

25 Novembro, 2017

PS, BE e PCP chumbam isenção do IMI para os imóveis que arderam nos incêndios

200€ é bom, mas por 300€ até faço uma sopa

25 Novembro, 2017

A notícia de que o governo pagou a figurantes para irem ao conselho de ministros fazer perguntas combinadas que façam o governo parecer bem não deveria surpreender ninguém. Em primeiro lugar porque, de graça, não se arranja ninguém para fazer o governo parecer bem; em segundo lugar porque nesta fase precoce da evolução social do Homem (e da Mulher, e do Coisa, não esganicem) ainda é preciso convencer a ralé a enaltecer o querido líder; um dia, noutra fase mais evoluída, bastará um fuzil apontado à testa do inquestionável devoto de forma a obter milhares de apoiantes.

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A imagem não está esbatida, é só um filtro moderno do Instagram®

Os membros do focus group recebem 200 euros por dizerem ao querido líder que ele está no bom caminho, nomeadamente no bom caminho para que cada um receba mais 200 eurinhos. Por 300 euros até lhe levaria uma sopinha caseira e, em dias de festa, como no dia de ocultação de cadáveres, uma sandocha de mortadela. Porém, a precariedade do focus group perturba-me: não têm progressões na carreira, não recebem nem duodécimos nem subsídio de Natal e de Férias, não têm acesso a faltas justificadas e podem inclusivamente perder o emprego tão necessário ao país se faltarem para casar com pessoa do mesmo sexo ou por maternidade de substituição. Isto parece-se imenso com a exploração do Homem pelo Homem (e da Mulher pela Mulher, e do Coisa pelo Coisa, não esganicem). Assim, agradeço à Ana Avoila que trate imediatamente da exigência de integração destes funcionários no rol dos beneficiários directos do orçamento de estado.

Admito que estou ansioso por ver as perguntas que os precários vão fazer ao querido líder. Eu perguntaria se a história da Bela Adormecida é uma alegoria do Partido Comunista Português.

Mais uma vez o Blasfémias antecipou uma decisão do Governo

25 Novembro, 2017

A 23 de Novembro o BLASFÉMIAS vaticinava
Algo me diz que vamos ficar com Infarmed em Lisboa e no Porto

A 25 de Novembro o EXPRESSO tem na capa
INFARMED no Porto mas coração fica em Lisboa

Valha a verdade que a coisa é fácil. Basta escolher sempre a opção que implique:
a) mais emprego público
b) mais despesa
c) menos dano político

O Lugar das Drogas é nas Farmácias

24 Novembro, 2017

Droga é sempre droga. Podem designa-la por leve, pesada ou até “light” como agora é moda. Mas droga é sempre droga. E drogas sem controlo, matam (veja aqui este médico). É preciso acabar urgentemente com esta irresponsabilidade dos Estados que ajudam a difundir informação FALSA (seguindo a cartilha do multimilionário Soros) de que consumir canábis para fins recreativos não tem mal algum (porque é droga “leve”) e que a liberalização é imperiosa para acabar com o tráfico e as máfias. Mas se assim  é como explicam que a Holanda esteja agora a braços com os  turistas da droga que fez aumentar o narcotráfico nas ruas dos coffee-shops e o Colorado que passou a ser destino dos toxicodependentes de todo o país?

Outra falácia para vender a teoria é que a proibição aumenta o problema. Então porque não é problema na Arábia Saudita? Também se vende a ideia falsa que na Holanda a droga foi despenalizada e é livre quando na verdade continua ILEGAL nesse país sendo apenas tolerada em espaços autorizados mas com leis rígidas. Por exemplo, cafés não podem vender mais de 5 gramas por pessoa/dia. Fora disso, produzir, possuir, vender, importar ou exportar é PROIBIDO.

O lugar das drogas é nas farmácias e com prescrição médica. Porquê? Porque não existem drogas inócuas. A famosa canábis,  que todos querem ver circular livremente em nome da liberdade individual tem implicações sérias a vários níveis (não só individuais) que não podem ser descuradas.

A nível pessoal o seu consumo regular provoca inibição de espermatzóides no homem e ovulação na mulher; os filhos das mulheres consumidoras podem apresentar problemas comportamentais; produz alterações na resposta imunológica; bronquite e asma; alterações da personalidade; favorece o aparecimento de doenças psiquiátricas; aumenta risco de psicoses; interfere negativamente na memória e concentração; ideação suicida; dificuldades no relacionamento interpessoal; esquizofrenia; perigo de AVC; alteração do centro de prazer que passa a satisfazer-se só com haxixe; propensão a consumir drogas pesadas . Que tal?

A isto tudo vem outra afectação: a familiar. Sim, as pessoas não vivem sozinhas. São filhos, pais, marido… São pessoas integradas numa família que vai sofrer com as mudanças. Mudanças que o próprio consumidor nunca assume nem vê. Porque de facto, acredito mesmo que não se aperceba das transformações que sofre. Ah! mas muda e de que maneira. Não de forma brusca mas sim progressiva. De um indivíduo calmo passará a ansioso, irritadiço, intolerante, agressivo e pior, permanentemente insatisfeito (se já for agressivo torna-se ainda mais agressivo). Porque a satisfação só se sacia quando “enche a cabeça”. A frustração ou ansiedade só acaba quando “enche a cabeça”. E passa a ser um indivíduo que só normaliza sob o efeito da dita. Mas os problemas não acabam aqui: o orçamento doméstico leva um rombo todos os meses. Porque é preciso ter a “cabeça sempre cheia” para poder viver com normalidade. E isso fica extremamente caro. Porque a maldita, que ao início fazia efeito só com uma dose, com uso regular precisa de muitas mais para produzir os efeitos desejados. E os problemas  financeiros começam a aparecer. Com alguma sorte não manda seu casamento às urtigas.

Se pensa que os problemas acabam aqui, desengane-se. O consumo regular da canábis afecta também socialmente o indivíduo provocando nele instabilidade. As alterações de humor súbitos vão notar-se no trabalho, entre amigos ou qualquer lugar público onde actos mais irracionais serão atribuídos a carácter forte ou se quiserem, feitio difícil. Mas na realidade é o processo degenerativo em marcha da personalidade.  Quem viveu ou vive com alguém que consome sabe muito bem do que falo. Com alguma sorte não fica sem emprego.

É com o exemplo que se educa. Se liberalizarmos a canábis estaremos a dizer aos nossos jovens erradamente que não tem mal nenhum consumir pois até o governo a autoriza. Os pais perderão a autoridade quando confrontarem seus filhos com os malefícios da droga  porque responderão: “Qual é a cena pai? se fizesse mal não era autorizada. Tu é que és preconceituoso”.  E depois só serão mais uns como Isabel Moreira (veja-a aqui drogada no Parlamento) a irem para o trabalho ou escola ganzados, “na boa” porque é legal. Só mais tarde quando a saúde e dinheiro  faltar, porque vai faltar, verão o erro mas tarde de mais (veja aqui a opinião de um psicólogo).

Tirar o poder aos traficantes e dá-lo aos governantes para  que possam estimular o comércio do consumo e retirar dividendos com impostos, é o mesmo que traficar. Só muda os agentes. Não sendo o Estado pessoa de bem (já o comprovamos com corrupção, compadrios, tráfico de influências etc.,) que garantias teremos que para alimentar o monstro do sector público não faça crescer o negócio para ver aumentados os impostos e assim viver à conta da desgraça do viciado em canábis?

A canábis é uma substância psico-activa extremamente nociva como o álcool. Por isso o caminho é antes de tudo a prevenção na informação sobre a VERDADE desta droga como se fazia no meu tempo de docente em que a REMAR dava sessões de esclarecimento aos jovens, nas escolas, com testemunhos REAIS de ex-toxicodependentes. É colocar todos os organismos estatais a formar para a saúde e vida sem drogas. É autorizar o cultivo apenas medicinal da planta para uso interno e exportação e o resto estritamente confinado às farmácias que só disponibilizam mediante receita médica acabando com a especulação de mercado. É ter controlo, qualidade e fiscalização apertadas. Com o produto a preço acessível o crime organizado definha até desaparecer por falta de procura. Alguém duvida?

Porque defender drogas sem prescrição é defender a dependência aniquilando por completo a liberdade do indivíduo que passa a ser prisioneiro da sua própria liberdade.

É preciso pensar seriamente nisto antes de cometer os mesmos erros que os outros países pseudo-liberais.

 

 

 

 

 

Carta Aberta ao BE

24 Novembro, 2017

Cara Catarina, Mariana e Joana,


Depois de tomar conhecimento que vão levar ao Parlamento a legalização da canábis para aprovar antes do fim desta legislatura, permita-me como mãe que lhe GRITE aqui minha revolta. Não compreendo como pode uma sociedade evoluir com esta obsessão em tornar a canábis num produto acessível aos jovens. Como insistem em dizer que é uma droga inócua, como? Em pleno século XXI onde se faz campanhas para uma vida saudável, a comer saudável, a viver saudável, insiste-se em aprovar a livre circulação de canábis, porquê? Tornar futuros adultos em seres adictos é evolução?

Entendo que gaiatas que podiam ser minhas filhas, que saem directamente das universidades e se “profissionalizam” em política, sem  qualquer noção do que é a vida nem da luta diária para se  pôr pão na mesa, proteger e criar filhos saudáveis,  vivam obstinadas por liberalizar esta maldita droga que “faz rir” por nunca ter visto as consequências dela nas pessoas que amam, nem tão pouco ter de se preocupar com isso por não ter filhos. Mas em pessoas que são pais, não! Não entendo nem aceito!

A maldita  droga apesar de proibida circula nas escolas entre os miúdos, que aos 13 anos já têm suas primeiras “experiências zen” em iniciação de drogas ditas “leves”.  E com a porcaria da propaganda falsa constante de que esta droga não vicia, nem sequer se sentem culpados e quem os tenta travar é rotulado de retrógrada. Mas a verdade nua e crua é que depois de experimentar, estes jovens, com cérebros em formação, tornam-se escravos dela. E o que começou por curiosidade e diversão passa a ser necessário sempre que se sentem ansiosos ou deprimidos. Altera-lhes a personalidade, quebra o rendimento escolar, ficam mais agressivos e intolerantes, numa fase já por si complicada. Porque ELA comanda, ELA decide, ELA exige assim que entra uma ÚNICA vez no organismo e estimula o centro do prazer. Ficam  a viver como um “doente” que não passa sem a “medicação” para se sentirem relaxados, seguros, enfim, normais. Isto é evolução?

Claro que a vós não vos preocupa porque vossos filhos quando os têm vão para as melhores escolas privadas  do país longe desta realidade. Não serão os ratos de laboratório das vossas brilhantes experiências.

Porque a legalização que querem da canábis não passa  dum acto egoísta dos adultos que acham que as drogas recreativas são um direito e por isso esquecem (porque assim lhes convém), o mal que espalham nas sociedades vindouras.

Um jovem consumidor será  no futuro um adulto comandado por uma substância que lhe vai roubar o orçamento doméstico  e ainda  o tornará  menos saudável.

Querem acabar com o problema dos traficantes? Transformem a canábis em medicamento acessível nas farmácias  mediante prescrição médica e o problema deixa de estar nas ruas.

Mas liberalização, não!

Mais cedo ou mais tarde

24 Novembro, 2017

as vítimas das catástrofes terão de fazer um aviso: eu,…. vítima de …., declaro por minha honra que não pretendo ser abraçado pelo senhor Presidente da República ou passar com ele a noite de Natal, Ano Novo, Dias de Páscoa, de Portugal ou qualquer outra data assinalada ou a assinalar no calendário.
Marcelo vai passar o Natal e o Ano Novo com vítimas dos incêndios

Para a manif do Infarmed podem reciclar os cartazes que usaram na Maternidade Alfredo da Costa

24 Novembro, 2017

Abracem-se ao Infarmed! Façam cordões humanos à volta do Infarmed. Tricotem corações para pendurar na porta do Infarmed

23 Novembro, 2017

Juristas dizem que o Governo pode obrigar trabalhadores do Infarmed a irem para o Porto

Se disserem ao Constitucional que o Passos está no poder eles ainda hoje fazem um comunicado a explicar que o Infarmed não pode sair de Lisboa,

 

Ps. Algo me diz que vamos ficar com Infarmed em Lisboa e no Porto

O Infarmed ou a propaganda fátua

22 Novembro, 2017
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Vejo muita gente exuberante à conta da transferência de 300 funcionários públicos de Lisboa para o Porto, a acontecer (?) algures em 2019. Não percebo tamanho entusiasmo pela “importação” forçada de umas centenas de burocratas, cujo espírito não é dinamizador de coisa nenhuma, mas essencialmente e pela sua própria natureza, bloqueador de quase tudo.

Pessoalmente, eu ficaria bem mais exultante se empresas com o dinamismo da Microsoft, da Apple, da Amazon, da Google, da Oracle, decidissem por motu próprio transferir a sua sede e serviços para o Porto. Seria um sinal inequívoco que a cidade era capaz de atrair talentos e portanto, de lhes propiciar condições para o exercício e crescimento do seu negócio, com tudo o que isso implica em termos de geração de actividades conexas a montante e a jusante, num ciclo virtuoso que cria empregos e rendimentos, em suma, riqueza.

O Porto deve ambicionar uma crescente internacionalização que não dependa apenas do turismo, mas que o potencie como um centro de serviços da faixa mais exportadora do País, que vai de Viana a Leiria. Tem praticamente tudo para isso: porto, aeroporto, boa rede viária, o Douro navegável, o centro intermodal do Freixieiro à espera de ser rentabilizado e uma região circundante com a população mais jovem (ou menos envelhecida…) do País. Só falta uma estação ferroviária no aeroporto com ligação directa às linhas do Minho, do Norte e do Douro. Os seus líderes políticos e as suas “forças vivas” da sociedade civil deviam mobilizar-se mais em tornarem a cidade e a região atractivas para o mundo em vez de exultarem de forma tão papalva com o simples acenar de um prato de lentilhas como é a transferência do Infarmed para o Porto. Que, a concretizar-se, não será total nem definitiva e só redundará em mais despesa pública.

Nada contra porém a que haja uma descentralização de serviços públicos por todo o País, de preferência pelo interior. Mas preferia que tal se fizesse com base num plano coerente, nunca descurando a maximização da relação benefício / custo, e não em termos avulsos e repentinos, que indiciam intuitos meramente propagandísticos. E um governo que visasse uma verdadeira reforma do Estado, previamente à desconcentração de serviços, deveria decidir a extinção de institutos públicos, fundações, observatórios e direcções gerais, onde quer que eles se situassem. Não tenho dúvidas que haverá centenas de organismos daquele tipo totalmente redundantes e cuja falta ninguém sentiria.

E se queremos desconcentrar órgãos do Estado, comecemos pelos principais órgãos de soberania: deslocalize-se o Parlamento para Guimarães (que poderia ficar condignamente instalado no Paço dos Duques de Bragança), o Tribunal Constitucional para Coimbra, o Supremo Tribunal para Évora, o Estado Maior das Forças Armadas para Abrantes, a Protecção Civil para Viseu. Se o exemplo vier de cima, facilitará a criação de uma dinâmica verdadeiramente descentralizadora.

Lenços a acenar, mães a chorar e grandoladas pá, muitas grandoladas pá…

22 Novembro, 2017

Trabalhadores vão ser arrancados à sua casa, à sua família, é o desequilíbrio, o desacerto, a precaridade das vidas, o capital que tudos esmaga…

Governo muda sede do Infarmed para o Porto em 2019

um santo

22 Novembro, 2017
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cicomulheressocrateAntes do «Processo Marquês» nunca tinha ouvido falar no Eng.º Carlos Santos Silva. Sem querer ser deselegante ou presunçoso, o facto é que ignorava quem fosse este homem, que agora fiquei a saber que será uma das pessoas mais ricas de Portugal e um dos nossos mais bem sucedidos empresários. A verdade é que, depois do muito que sobre ele tenho lido e ouvido, da quantidade de gente que sei agora que ele ajudou, abnegadamente, com muito dinheiro, nada exigindo em troca, sem sequer fazer contratos ou registos escritos das enormes importâncias que emprestou, sem ter feito alarde disso, procurando até esconder os seus gestos nobres, como é próprio das almas elevadas, só posso retirar uma conclusão: este homem não é um homem: é um santo!

É muita água

22 Novembro, 2017

O senhor ministro explicou às criancinhas e aos jornalistas (passe a redundância) que para se fazer um smartphone são gastos 900 litros de água. Não tendo havido criança (ou jornalista) a cometer hara-kiri com tão chocante revelação, acrescentou que para fazer umas calças de ganga são usados 7000 litros de água (sublinho a palavra “umas”), perante um ou outro “uuuh” da audiência (provavelmente de jornalistas).

O senhor ministro tem 49 anos. Supondo que segue as recomendações do SNS, já bebeu 26.800 litros de água desde que nasceu. Supondo que toma um banho de 20 litros uma vez por semana (ei, a recomendação é espaçar banhos), são mais 51.000 litros de água gastos. Supondo que os seus pais o geraram com a idade de 20 anos e que também tomam um banho por semana, foram necessários 102.000 litros para se lavarem e 21.900 litros para beberem, perfazendo um total de aproximadamente 124.000 litros para gerarem um futuro ministro. Feitas as contas, podemos dizer, grosso modo, que para fazer um ministro do ambiente são necessários mais de 200.000 litros de água.

Daqui se conclui que um ministro do ambiente é composto por 222 smartphones ou 28 pares de calças de ganga (isto sem contar as calças de ganga que o senhor ministro usou durante 49 anos).

Uuuuh.

 

as pessoas estão primeiro: mas umas mais do que outras

22 Novembro, 2017
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«As pessoas estão primeiro», foi o slogan da última campanha autárquica do PS, que enxameou as vilas e cidades deste reino com outdoors coloridos, cheios de ternurentas personagens. A mensagem política era simples: à direita estão políticos sem coração, paladinos da austeridade para quem as pessoas são seres sem rosto, simples números de estatística em folhas de excel, enquanto que à esquerda reina o amor ao próximo, as políticas sociais e o humanismo não «financista».

Imbuído de tão nobres sentimentos, o governo da geringonça, depois de enfiar o barrete, mais do que anunciado, da Agência Europeia do Medicamento, resolveu «dar a volta por cima» e presentear o edíl da Invicta com um produto sucedâneo, a sede do Infarmed, deslocalizada de Lisboa para o Porto. Até aqui, para além da parolice dos festejos com que o referido edíl e os governantes envolvidos anunciaram o solene acontecimento, nada de mais. Há, contudo, um pormenor significativo a registar. É que esta entidade pública já existe há muitos anos e está, desde sempre, sediada em Lisboa. Dispõe de um quadro de funcionários que nela trabalham e que souberam, pela comunicação social, que os seus postos de trabalho tinham acabado de ser «deslocalizados» para 340 km de distância do local habitual. Perante esta «pequena» dificuldade, ministro, autarcas e outros responsáveis protestaram contra a falta de sentimentos patrióticos dos trabalhadores que – veja-se lá! – se recusam a ir trabalhar a 340 km das suas casas, pondo em causa, desse modo, a descentralização de que Portugal tanto carece. No meio disto, o Bloco e o PC continuam calados como ratos. De facto, para o PS e para as esquerdas que apoiam o seu governo as pessoas estão primeiro. Mas umas parecem estar mais primeiro do que outras.

E portanto

22 Novembro, 2017

qual é o grupo a que hoje o Governo promete reposições e descongelamentos de manhã, reposições sem descongelamento ao almoço e reposições e descongelamento a começar em 2019 à hora dos telejornais da noite?

É o generation gap, estúpido

21 Novembro, 2017

Quando Catarina Martins escreveu, em tempos, que o que é preciso é médicos que gargalhem, alguns de nós, médicos ou não, chegamos mesmo a gargalhar. Contudo, em retrospectiva, apercebo-me que a expressão tem um significado muito mais angular, abstracto, que permite, na sua irregularidade, encontrar as razões de ser da filosofia da imbecilidade contemporânea.

A sociedade do século XXI foi e continua a ser dominada pela influência que baby boomers tiveram no mundo. Estes tiveram todas as condições para exercer influência: a guerra aniquilou uma quantidade considerável de pessoas da geração anterior, abrindo caminho a que os seus filhos marcassem a diferença até pela ausência de competição geracional. Os filhos dos baby boomers, por todos os motivos óbvios, limitaram-se a aceitar o conforto na adolescência como um dado adquirido. Não é de surpreender que em campos como o da música popular, tudo tenha ficado, salvo pequenas excepções completamente tópicas, completamente definido (e estagnado) até meio da década de 1980.

O que faz um filho de baby boomer com tempo livre e dinheiro suficiente para não andar a fazer uns biscates a passar droga? Vai para a universidade “aprender” marxismo, vira actor e, mais cedo ou mais tarde, inscreve-se no proto-Bloco (não, não é uma caricatura). Em luta geracional com o que os seus pais representam, adquire noções de ruptura com o passado, assimila a moral pública dos avós e total dislexia entre sentimentos de inquestionável e elevadíssima auto-estima e patética pele fina que torna a existência em agressões. É a geração que usa as redes sociais para mostrar o corpo enquanto se ofende por este ser julgado.

Os alvos a abater serão sempre os mesmos: todos aqueles que se limitam às dificuldades, dúvidas recorrentes, virtudes, erros e burrices que são consequências directas de se estar vivo. O que Catarina Martins disse foi que quem ri no fim ri melhor; e não há melhor maneira de assegurar que se ri no fim do que esperar que o outro morra.

 

Guião do Presidente para os tempos futuros

21 Novembro, 2017

” as hipóteses, sempre achei que eram muito limitadas” Foi agora a explicação de Marcelo para o caso da  Agência do Medicamento que d eciência certa vinha para Portugal e agora não veio.  Mas vai ser assim com tudo: a dívida, a reforma da floresta, a função pública…  Ele esteve com o Governo mas não esteve. Ele apoiou mas não apoiou. Ele aprovou mas não aprovou. Ele achou sempre outra coisa antagónica daquilo que disse e fez.  E estamos nós entregues a isto!

Sai mais uma meia hora. O contribuinte paga. É sempre a facturar!

21 Novembro, 2017

A CP irá antecipar a última ligação entre Lisboa e Porto em 30 minutos a partir de 10 dezembro deste ano, sendo que o comboio Intercidades que saía da estação de Santa Apolónia, em Lisboa, às 22h00 passará a partir às 21h30.  O QUE DIZEM OS PASSAGEIROS?

O intervalo passará a fazer parte do número de horas que os professores têm de leccionar por dia – cinco horas lectivas, agora divididas não só entre as aulas e o apoio ao estudo mas também com o intervalo.  Na prática, as escolas terão três hipóteses, segundo o JN: começar as aulas mais tarde (9h30 em vez 9h), alargar a pausa para almoço (de 1h30 para 2h) ou terminar as aulas mais cedo (15h30).   POR MIM O MELHOR É AS AULAS COMEÇAREM MAIS TARDE MEIA HORA. AFINAL NÃO HÁ NADA COMO LEVAR O INTERVALO LOGO GOZADO. E ASSIM OS SINDICATOS PODEM CONTINUAR COM A SUA LUTA POR MAIS UMA PAUSA LECTIVA A MEIO DAS AULAS. DE MEIA EM MEIA HORA O SOVIETE DO NOGUIERA VAI CONSEGUIR  CHEGAR À MEIA HORA LECTIVA.

Nunca mais chove para regar a mioleira

20 Novembro, 2017

iur.jpegUm hotel tinha um tapete. Algumas pessoas decidiram que esse hotel não poderia ter o tapete, que era um ultraje à nação e à grandiosidade da raça lusitana. O Observador refere que “o artigo 332º do Código Penal pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias ‘quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa’”. O tapete já não está lá.

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Era um tapete com verde, vermelho e uns riscos amarelos a que chamam a bandeira portuguesa. Parece que era pior pisar um tapete da bandeira do que jantar no Panteão, o que, por sua vez, já era pior do que morrer de Legionella e que, como todos sabemos, nem se compara à leveza que é morrer queimado em incêndios. A colunista do folheto que nem 7000 exemplares vende já decretou a morte do humor de Ricardo Araújo Pereira em consonância com a filha do outro que também é Capaz de mandar tweets entre uma paragem e a outra.

 

Ao menos era um tapete e não uma foto de uma pila.

 

Em Abstracto Temos Direitos

20 Novembro, 2017

Em abstracto todos as pessoas do Mundo deveriam ter direito a um bom salário com boas condições de trabalho e com período laboral reduzido. Porque as pessoas não são máquinas, têm vida pessoal e prazo de vida. Logo, a actividade profissional não deveria absorver a maior parte da sua existência nem ser escravizante. É para isso que uma sociedade deve evoluir. Porém, em concreto isso ainda não é possível. Porquê? Tão somente porque somos governados por um bando de incompetentes.

Os professores  estão em alvoroço por causa dos congelamentos de salários. Têm razão? Sim. Primeiro porque foi-lhes dado o direito às progressões automáticas, um sistema errado, injusto e inconstitucional (quem terá sido o idiota a inventar isto?), mas a culpa não é deles. Depois porque tendo sido congelados por Sócrates em 2011, foi-lhes dito que o país agora estava a crescer e que a austeridade acabou. Logo, se o país nunca esteve tão bem economicamente, não se percebe a razão de manter congelamentos, certo? Pois. Mas a verdade é que a Geringonça (que nome mais bem atribuído a este bando de incompetentes) MENTIU, mente e continuará a mentir sobre a real situação do país. E na verdade NÃO HÁ QUALQUER FOLGA ORÇAMENTAL. Há um alívio nas contas por via de uma economia que está a crescer graças essencialmente ao turismo que ironicamente querem matar. Só isso. Ora, se em simultâneo se aumentou colossalmente a dívida pública sem fazer nenhuma reforma estrutural séria, esse crescimento não só foi absorvido pelas dívidas como não chega “a meia missa”. Resultado: aumentamos as nossas idas aos mercados para pedir dinheiro… emprestado! Como é que se pode prometer benesses ao sector público com dinheiro dos outros e não com a riqueza criada? Em  abstracto, pode. Em concreto, não.

Se em vez de se governarem a eles próprios, governassem em prol do bem comum, facilmente se conseguiria uma sociedade mais equilibrada e justa, do sector privado e público, em termos laborais. Bastaria que o Estado em vez de perseguir quem cria riqueza, regulamentasse no sentido de estimular as empresas a investir em melhores condições de trabalho e salários. Como? Ora tão simplesmente oferecendo grandes contrapartidas fiscais a quem investisse na qualidade de vida dos seus trabalhadores e penalizadoras a quem seguisse caminho inverso. Assim, criavam um sistema de REDUÇÃO fiscal para contratação de pessoas seniores, para criação de espaços de lazer nas empresas, para redução de horários, transporte, cantina, prémios,  para salários acima do mínimo nacional, para contratação de pessoas deficientes e por aí fora. Por cada benesse introduzida no plano laboral, as empresas poderiam ver seus benefícios fiscais aumentar significativamente e assim, não hesitariam em apostar na qualidade laboral. Porque é sabido que quanto mais satisfeito estiver o trabalhador, mais produtivo é, com maior qualidade de serviço e mais comprometido com a empresa. Exemplos? A Google. Mas há muitos mais em menor escala. São factos. O problema é que para isso ser possível  teria de reduzir o sector público e isso não convém aos interesses instalados.

Ora se o Estado não produz riqueza não pode prometer o “céu e a terra” com o dinheiro privado arrecadado sem reformas profundas. A contenção deve ser a palavra de ordem porque está a gerir impostos arrancados ao orçamento doméstico e empresarial privado. Assim, como se explica que haja progressões automáticas? Como se pode permitir que pessoas sejam premiadas só por ter estado de corpo presente no trabalho? Como pode autorizar que os maus trabalhadores obtenham o mesmo prémio que os bons?  Isto é má gestão dos dinheiros públicos porque dá prejuízos avultados. Premiar a inércia não é economicamente viável. Logo constitucionalmente nunca deveria ser permitido.

Tal como em tantas outras coisas, a verdade é que se alimenta esta clientela a troco de votos atropelando a ética, a razoabilidade e responsabilidade governativa. Depois não se entende porque não há dinheiro para ter bons serviços públicos, para estimular a economia e o investimento. Se quase tudo que se colecta de impostos (ainda por cima elevados) são para alimentar o monstro do Estado, enfadonho e ineficaz, onde sobra para construir uma sociedade justa e com qualidade de vida? Em abstracto, sobra. Em concreto, falta.

Com um Estado que não reestrutura o sector público, que o deixa crescer incontrolavelmente, com regalias inesgotáveis e ainda  deixa seus milhares de funcionários progredir sem mérito, o país está condenado à miséria à boa maneira socialista/comunista.

 

 

 

 

Um esclarecimento bombástico sobre violações telepáticas

19 Novembro, 2017

Houve uma certa polémica sobre algo que escrevi, com pessoas que acham que estou a dizer que alguém publicar uma foto em biquini é porta aberta para que possa receber fotos de pilas. Isso não é o que eu acredito e, já que isso serve para trazer leitores ao blog, vou capitalizar com um esclarecimento que deixe indignados à beira de esguicharem. Eu acredito que quem publica fotos em biquini acha que é suficientemente boa para que todos achem que é bué da boa, da mesma maneira que alguém que publica fotos vestido de urso acha que isso é engraçado o suficiente para que os outros achem hilariante. Na realidade, publicar fotos em biquini, nu, a montar outro urso ou a exprimir opinião é apenas irrelevante e serve apenas o propósito de animar os intervalos da nossa vida. Portanto, se alguém acha que os outros vão gostar de fotos em biquini, nu, ou vestido de urso, força aí, publiquem à vontade.

O que eu acho mesmo que é uma porta aberta para se receber fotos de pilas é ter um endereço de email e estar vivo. Até hoje, ninguém morto (clinicamente, não na cabeça, como é comum na internet) se queixou de receber fotos de pilas, o que prova cientificamente a minha teoria. Mais: que eu saiba, nenhum homem sério se queixou de receber fotos de mulheres nuas. Hoje, não faltam rabetas (não confundir com pacatos homossexuais) indignados que daqui a uns minutos estarão a ver amadores a enfiarem uma betoneira nos intestinos sem vaselina e qualquer dissonância cognitiva. Agora, isto de sermos todos vítimas porque recebemos uma foto de alguém do outro lado do planeta é só das mariquices mais palermas de sempre. Pior ainda se não nos consideramos vítimas: aí somos só socialistas.

 

Enviar pénis ou não enviar? Eis a questão

19 Novembro, 2017

Hoje vamos andar entretidos a julgar o Bruno Maçães por uma mulher que publica fotos em biquíni o acusar de ter enviado uma foto do pénis. (Tem uma anca interessante, por sinal, Bruno).

 

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Podíamos andar entretidos a decidir o significado de “reposição imediata de cortes salariais e congelamento de carreiras” que o nosso simpático pastor nos prometeu aquando da espectacular derrota eleitoral que o tornaria primeiro-ministro, mas isso teria utilidade e nós não podemos dar-nos ao luxo de expressar dúvidas úteis e preocupações fúteis. Assim, vamos antes dedicar-nos ao essencial, o assédio sexual telepático. Bruno, não se toca uma senhora telepaticamente. Enviar fotos de pénis pode ser considerado uma micro-agressão inaceitável (não me refiro, obviamente, ao meu caso pessoal e provo-o com a seguinte fotografia). Um artista a sério não envia fotos de pénis, envia uma orelha pelo correio.

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Vamos lá então discutir esta terrível violação telepática. Comecemos.

É difícil comer cabrito vivo

18 Novembro, 2017

Estava a perceber quando chegará o dia em que os trabalhadores do sector privado vão ter as suas carreiras descongeladas, as suas progressões automáticas, as suas 35 horas e outras tantas e fatais maravilhas (no sentido orçamental e não camoneano do termo) quando constatei que as forças vivas da Nação de novo se mobilizavam para protestar e lutar contra uma ignomínia: a morte de um cabrito num congresso. Dada a estupefacção pela morte do animal supor-se-ia que se tratava de um congresso de mecânicos, informáticos ou de artistas de unhas de gel. Nada disso: era um congresso de cozinheiros

Empreender em Portugal? Só por Masoquismo.

17 Novembro, 2017

É pró-activo? Tem uma boa ideia e vontade de criar negócio próprio? Então prepare-se para sofrer todos os dias 24h sobre 24h para aguentar sua empresa. É isso mesmo. Ser empreendedor em Portugal não é para fracos. Além de capacidade física para superar tudo o que lhe espera, gosto desmesurado pelo sofrimento, terá ainda de preparar os bolsos para os assaltos fiscais. É que por terras lusas só quem for masoquista, aguenta.

O sofrimento começa logo na constituição do seu negócio. Vão-lhe exigir tudo e mais alguma coisa. Papeis, papeis e mais papeis, burocracias aqui, mais burocracia ali. Se a sua ideia por exemplo for a criação de um espaço para criar animais ou abrir um talho ou indústria, saiba que as instalações que lhe vão exigir serão mais controladas que o Hospital Francisco Xavier. Ah! pois… Ou pensa que é só chegar e construir com qualidade um espaço? Naaaa… Isso é que era bom. Vai ter um sem fim de pareceres e vistorias de várias entidades pelas quais terá de esperar, esperar, esperar… Com alguma sorte, ao fim de um ano terá o alvará na mão. Repito: com alguma sorte.

Depois, começa a batalha das contratações de pessoal. Se pedir ao Centro de Emprego, é garantido que lhe vão enviar muita gente. Mas prepare-se. Porque só por milagre conseguirá toda a mão de obra que necessita e de qualidade. Porque a maioria, com subsídio de desemprego, não vão querer prescindir da sua prestação social para o aturar todos os dias das 8h às 18h. Só com a despesa que lhe vai dar de transporte, vão-lhe fazer um manguito alegando que o salário inicial que lhe quer dar, não compensa(em comparação com o subsídio). Claro que lhe vai dizer que esse salário poderá vir a aumentar consoante o desempenho demonstrado. Mas isso de pouco lhe servirá porque essa malta, habituada a ter tudo pelo Estado sem fazer nada, só aceitará com proposta que garante “salário alto, muitas regalias e poucas obrigações”.

Se conseguiu sobreviver a estas duas etapas sem desistir pelo meio, então já é um grande resiliente e está pronto para enfrentar o próximo GRANDE desafio: o assalto fiscal. Pois é. Por ser empresário será o alvo preferencial de toda a classe política que o vai ver como presa fundamental para alimentar a gula do Estado. E acredite que são mesmo famintos. Se o governo que estiver no poder for social democrata vai ser comido aos bocadinhos que é para não aleijar muito e poder continuar a alimentá-los. Com impostos indirectos e directos, vão lhe roubar mais de metade do seu rendimento mas vão fingir com pequenos apoios que o ajudam a manter-se de portas abertas e prolongar a sua morte lenta. Mas se for socialista/comunista prepare-se para ser devorado com uma dentada só. É que estes últimos detestam a sua classe e só vão sossegar quando conseguiram sugar-lhe tudo quanto tem. Atrás do aumento de um imposto virá mais outros tantos criados no momento para ir buscar mais e mais dinheiro a quem o tem acumulado. Porque poupar é pecado capital. Se o seu negócio não aguentar e morrer a seguir, pouco lhes importará. Depois de ficarem com a riqueza que criou, vão obrigá-lo a tornar-se dependente do Estado para que assim se torne mais controlável e não venha a ter mais poder que eles no governo, entendeu?

Vá… mas não desanime. Ser empreendedor em Portugal é um grande desafio de uma vida. Daquelas experiências inesquecíveis do tipo escalada ao Evereste que põe à prova os limites do ser humano.  Só os muito resistentes lá chegam mas quando chegam tem um sabor a vitória que em nenhuma parte do Mundo é igual.

 

E as outras vítimas de violência ficam ao balcão?

17 Novembro, 2017

Todas as esquadras da PSP e os postos da GNR vão passar a ter postos de atendimento às vítimas de violência doméstica no próximo ano. Esta foi uma medida proposta pelo Bloco de Esquerda que o governo aprovou para o Orçamento do Estado para 2018.

Da chamada regressão das espécies na vida dos povos: os governos não governam, assinam o despacho do dia e para o dia

16 Novembro, 2017

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Mário Nogueira: “Não nos passa pela cabeça que um Governo que termina mandato em 2019 decida para 2021”

Ps. A mim começa a passar-me pela cabeça iniciar um movimento de desobediência civil ao pagamento de impostos. Não é possível continuarmos a pagar a factura para que António Costa seja primeiro-ministro

Estou bem aonde não estou

15 Novembro, 2017

Dizia-se na rua que a filha do senhor Costa tinha, além do Born in the U.S.A., o Alchemy e o regresso de Tina Turner, o Private Dancer. Que tinha o Purple Rain eu sabia, que o tinha visto com os meus próprios olhos no fim de uma tarde de Primavera em 1985. Com alguma persuasão e a charme, era possível conseguir um empréstimo de várias dessas pequenas maravilhas de vinil que acabariam invariavelmente no meu compacto Crown com gravador de cassettes a gerar a multiplicação dos pães para a vizinhança como o próprio Cristo fizera há dois mil anos. Havia Springsteen, Bowie, Reed, Knopfler, Townshend e havia também Marley, Joplin, Waters, Wright e Gilmour, Barrett, SRV e coisas mais antigas como o Elvis antes da tropa onde se descobria o nome James Burton para nunca se esquecer. Só não havia neo-românticos, que não faziam falta nenhuma. Ainda tenho essas cassettes algures. Entretanto, com alguma dificuldade, lá se foi arranjando forma de conseguir comprar um ou outro desses objectos a que pudesse chamar meus.

Hoje em dia temos Apple Music, Spotify e sei lá que mais. Por observação directa, não constato que a miudagem se dedique a pesquisar essas imensas bibliotecas de sons, esse catálogo de história recente e menos recente que diz mais sobre o mundo que o que o mundo diz sobre ele. Despacito é muito popular e pronto, chega.

A ideia da oferta gerar a sua própria procura, tão querida aos nossos socialistas, demonstra-se errada olhando pelo ângulo que se quiser.

Tipo modelo de gestão do Pinhal de Leiria?

14 Novembro, 2017

Vai nascer uma empresa pública para gerir as florestas