Podem esperar sentados
Mais um preconceito, mais uma injustiça, mais uma discriminação que acabaram:
Viúvos e divorciados vão deixar de ter de esperar para voltar a casar-se
Queridas papoilas saltitantes, os viúvos e as viúvas não se queixam dos prazos para voltar a casar mas sim de perderem as respectivas pensões de sobrevivência. Logo qualquer que seja o tempo de espera não casam. E portanto este título é uma parvoíce. A perda da pensão de sobrevivência levou os viúvos e as viúvas a muito pragmaticamente optarem por juntar os trapinhos sem se casar e obviamente a fazerem ouvidos de mercador às exigências da Segurança Social que pretende ser informada caso o viúvo pensionista esteja a viver em união de facto.
Quarenta

Hoje faço 40 anos. Contando com os anos bissextos, passei, até agora, 350 640 horas vivo. Dessas 350 640 horas, é provável que tenha gasto umas 116 880 a dormir, permanecendo de olhos abertos nas restantes 233 760. Devia ter assistido, até este dia, a 21 420 horas de aulas, mas como fiz a Universidade longe das saias da mãe e do regador de água fria do pai, apenas estive presente em 18 270, incluindo-se as 3150 que sobram nas 116 880 acima referidas. Dediquei mais de 30 000 horas à “carreira profissional”, eufemismo de “trabalho”, algumas das quais, poucas, a fazer coisas realmente interessantes.
Apostei forte, nestes 40 anos, em filas. Entre as de trânsito, as dos supermercados, as dos bancos, as dos CTT e as da caixa de pagamento do Sardinha Biba, avalio em 6240 o número de horas destinadas a essa civilizada forma de organização social, inspirada, segundo lendas, nas tribos índias da América do Norte. Como só tive telemóvel em aproximadamente metade da minha vida, gastei apenas 800 ou 900 horas a dizer que não estava interessado no produto ou serviço que me tentavam afincadamente vender; sobrou-me assim mais tempo para levar a cabo os vários rituais de higiene que me foram transmitidos pelas gerações precedentes. Contando com banhos, lavagens de dentes, corte de unhas e manuseamento de desodorizantes, não é descabido um cálculo aproximado de 7300 horas para estes exercícios de urbanidade. Também não poupei no tratamento da correspondência e no relacionamento com os vários níveis do poder político-administrativo. Nunca, ao longo destes muitos anos, fui esquecido pela EDP, SMAS, PT, etc.; é por isso justo que tenha consumido entre 1000 e 1500 horas a dar seguimento às cartas que simpaticamente me foram enviando. Já no que se refere ao Estado, nele incluindo as várias repartições públicas, os inúmeros institutos e os múltiplos departamentos autárquicos, estimo ter dissipado nas suas instalações físicas cerca de 1500 horas, 800 das quais em primeiros contactos, 500 para entregar o papel que estava em falta aquando da visita inicial, e 200 para entregar o papel que se descobriu faltar já durante a segunda visita.
Hoje faço 40 anos. Contando com os anos bissextos, passei, até agora, 350 640 horas vivo. Algumas das quais a viver.
Alguém pode dizer à professora Varela que já fizemos comboios mas deixámos de fazer porque uns colegas dela foram “defender” os trabalhadores?

Sorefame. Amadora
Os doidos dos dados
Não há xafarica que não nos exija um registo online para os podermos contactar. Ele é o nome de utilizador mais uma password… Quanto maior e mais tecnológica a empresa mais difícil é contactá-la. Um nº de telefone que funcione para contacto tornou-se uma raridade!!!! Depois a password nunca é aquela, o nome de utilizador tb não dá… EDP, CML, MEO, NOS…. todos querem sempre mais um registo
É como os almoços do Sócrates, um dia uns vão fazer de conta que não se lembram, outros que não estiveram lá, outros que estavam contrariados…
…. Tudo está bem quando acaba bem. A CIG faz prova de vida, a PE negócio, o contribuinte paga, as famílias colocam as crianças ao dispor dos engenheiros das almas e o EXPRESSO redige em estilo norte-coreano (não, não vou comparar com o SPN porque o SPN redigia e ilustrava muito melhor).
O género que dá jeito
SIC, 4 de Setembro: Governo escolhe uma mulher para chefiar secretas
SIC, 7 de Junho: Teresa Morais chumbada para Conselho de Fiscalização das secretas
O Livro de Estilo da SIC no que respeita ao género rege-se por questões doutro género.
Porque Existem Desigualdades Sociais?
A primeira das razões que leva um país a ter maior ou menor índice de desigualdades sociais são os Governos. Com as implantações das repúblicas inventou-se a política partidária e com ela a luta ideológica. Desde então não se faz outra coisa que não seja disputa de discursos mais ou menos pomposos para inglês ver, carregados de promessas vãs e mentiras grosseiras, para encher os bolsos de alguns, em vez de governar, gerir o país com seriedade. O resultado não podia ser pior: em 43 anos de suposta democracia, aqui em Portugal, já fizeram 3 bancarrotas, todas lideradas pelo PS, a caminho de mais uma com esta sucata da geringonça. Ora não há nada mais destrutível para os cidadãos do que ter no comando do seu país pessoas que só o sabem falir.
Porquê? Ora tão simplesmente porque ninguém pode viver em prosperidade e equidade carregado de dívidas até ao tutano. Pense caro leitor. Imagine que é em sua casa que se dá a insolvência. Para fazer face a essa situação não pode dar qualidade de vida à sua família. Tem de tirar os miúdos do futebol e balet, tem de cortar na net e cabo, cortar nos passeios, nos jantares fora, cinemas e com jeito dependendo da gravidade, reinventar os menus na alimentação, horários para banhos e poupanças na luz. Não há como fugir a isto. É a austeridade imposta por uma situação de falência. Até voltar a equilibrar as suas contas, com estes cortes e NOVAS ENTRADAS de rendimentos, sua vida vai ser difícil. Inevitavelmente.
Segue-se a natureza humana. Por muito bom que seja o governo a gerir o Estado (falo de bons governantes, não políticos), há outro muro difícil de derrubar (não impossível se houver bons governantes, não políticos) e que impede de quebrar todas as desigualdades: a personalidade de cada indivíduo. Porque a desigualdade nasce também em cada ser ao não ter as mesmas habilidades, as mesmas capacidades, as mesmas aspirações e sobretudo as mesmas motivações. Assim, NUNCA conseguiremos fazer de todos os indivíduos seres IGUAIS porque para serem iguais teriam de nascer com o mesmo ADN. Isso é completamente impossível sem manipulação genética. Por isso igualdade entre indivíduos é treta de gente ignorante.
Não nascemos todos com as mesmas aptidões. E ainda bem. Que seria do Mundo só com Doutores. Que seria do Mundo só com empresários. Que seria do Mundo só com mulheres ou homens ou transexuais. Que seria do Mundo sem esta vasta diversidade que o faz efervescer de vida dando-lhe um colorido e organização únicos. Ora se pela genética é impossível a igualdade, já a equidade, sim! Porque é essa que depende somente do Homem e é por essa que se deve lutar ao contrário do que apregoam os “Kamaradas socialistas” do costume. Mas essa, claramente, a estes senhores, não interessa para nada. Porque é das desigualdades que eles se alimentam.
Uma sociedade onde a preocupação não é a igualdade mas sim a equidade, atenua e diminui drasticamente as desigualdades sociais que mesmo continuando a existir não impedirão de dar a qualidade de vida necessária para viver com muita dignidade.
E perguntam agora. Como se faz isso? Ora, equidade não se consegue com subsídios a quem não produz. Nem tirando a quem tem para dar a quem não tem. Nem penalizando tudo o que mexe com aumentos de impostos e invenção de mais uns tantos. Não! Não é a distribuir o peixe de quem se mata a trabalhar todos os dias pelos que não se mexem para o pescar, que se fomenta a equidade social. Isso só a torna DESIGUAL e INJUSTA. É dando “canas de pesca” a todos aqueles que não as tem, de seguida “ensiná-los a pescar” para depois lhes permitir entrar no mercado de trabalho. Ou seja, dar ferramentas através de uma educação formativa e educativa de excelência que ajudam e ensinam a ir à luta. Mas e se não quiserem ir? Pois. Vai sempre haver quem não se queira esforçar, quem não queira trabalhar, quem arranje todo o tipo de desculpa para não bulir, quem prefira viver remediado com quase nada a labutar diariamente, mas, se for essa a opção, e sabendo que não TEM DIREITO a subsídios para estes casos, só por esse facto, será levado a mexer-se a agarrar-se a qualquer meio de sobrevivência. Ou seja, se não aproveitar as ferramentas (não subsídios) dadas pelo Estado, vai ter de se virar sozinho.
Uma sociedade justa, com riqueza e equidade não se constrói pondo uns a trabalhar para outros mas sim, exactamente como fazemos com nossos filhos, dando-lhes a bagagem necessária para um dia serem independentes e bem sucedidos em vez de lhes pagar até aos 40 anos e às vezes mais, tudo o que precisam sem moverem uma palha.
Um país é como uma casa ou uma empresa. Gere-se pessoas e economias e não se segue por ideologias mas por princípios básicos de uma boa gestão. A política inventada por um punhado de intelectuais desocupados que nela viram uma forma de vida parasitária à conta dos cidadãos foi quem impediu a equidade social para se alimentar do sistema, ganhar poder e viver à conta dele..
Assim, porque não podemos mudar a natureza humana, mudemos quem nos governa por gente que gere e não gente que faz política.
Só assim a viragem um dia acontece.
O parafuso
Eu tinha a certeza que tinha aqui uma chave de fendas que encaixava neste parafuso. Não sei se a roubaram, se desapareceu, se já não estava cá há algum tempo e não dei por isso antes. Só sei que a chave de fendas não está aqui. Se a roubaram é porque vieram cá a casa. Alguém devia tirar isso a limpo, de preferência alguém que se incomode com a ideia de pessoas desconhecidas entrarem cá em casa quando eu não estou. É verdade que não vivo sozinho… às tantas foi um dos outros que tirou a chave de fendas. Podia perguntar-lhes… Não, acho que não. No limite, a chave de fendas pode nunca ter existido. E eu? Será que eu existo? Estou a pensar nisto, devo existir… E se não sou eu a pensar? E se só penso que estou a pensar mas não estou, se está alguém a pensar o que eu julgo que penso?…
Não me interessa. Se eu não existir, também não há qualquer garantia deste parafuso existir e, assim, não me faz qualquer falta a chave de fendas. E o parafuso a menos também não me faz falta nenhuma.
uma vítima sacrificial

Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional considera que esta mania de procurar responsáveis, quando as coisas correm mal, obedece a uma lógica «sacrificial», segundo a qual, presumo, tem de haver sempre, nestes casos, um bezerro para a degola pública. Ora, não tendo Sua Excelência vocação para bezerrar, ele nega todas as «responsabilidades» (responsabilidades, o que é isso?) que, enquanto Ministro da Defesa, possa ter no desaparecimento das armas em Tancos. Bem vistas as coisas, ele não podia ter feito nada, nem, por esse motivo, poderá ser acusado de nada. O que importa é o que se deverá fazer para futuro, até porque mesmo sobre o que se passou nessa historieta, ele não sabe, nem acha que tenha que saber. Sua Excelência, que é um jurista aprumado, deveria ter presente a distinção entre responsabilidade pessoal (civil e criminal) e responsabilidade política. Num caso deste género, as duas não precisam de coincidir, e julgo que ninguém sugere que o ministro foi conivente no rapinanço das armas. Já no que toca à responsabilidade política sobre o que se passa nos assuntos que o seu ministério tutela, a sua responsabilidade é total. Conclusões? Nenhumas, obviamente.
As Minorias Não São “Coitadinhos”
Por culpa do marxismo cultural, hoje quando ouvimos falar em minorias associa-se de imediato a um grupo de “coitadinhos” escravizados, maltratados e segregados pela sociedade malvada, sem qualquer hipótese de igualdade social. Por isso, estes pseudo-defensores destes grupos impõem que o Mundo inteiro se transforme de forma radical para que essas minorias se “sintam em casa” deixando de ser minorias, o que é profundamente ERRADO. A verdade por trás disto não é a luta por direitos mas sim a sobrevivência de uma ideologia morta que por não ter vingado junto do proletariado, procura alimento nestas minorias que quer fazer crescer para assegurar votos. Confuso? Eu explico.
Há minorias por todo lado. Se eu for para a África, eu sou minoria porque sou branca. Se eu for para um país nórdico, eu sou minoria porque não sou loira, nem alta, nem tenho olhos azuis. Se eu for para um país muçulmano sou minoria porque sou cristã. Se eu for trabalhar para as obras sou minoria porque sou mulher. Ou seja, somos minoria ou maioria consoante o sítio onde vivemos ou trabalhamos. Mas isso faz de mim uma coitadinha? Claro que não.
É normalíssimo que num determinado país ou local de trabalho, sintamos algum desconforto quando não pertencemos às maiorias. E até soframos com isso se essa maioria for constituída por pessoas parvas, incultas e com défice de formação cívica. Mas não é de todo a norma. Isso é falso. Pessoas boas e más há-as em todo o lado mesmo fazendo parte das maiorias. São aquelas que irão sempre segregar por alguma razão só porque sim. São idiotas mal formados de berço que deambulam por aí ávidos de poder, protagonismo e espezinham tudo à frente, mais ainda se for alguém que pertence a uma minoria. Fiz-me entender?
Para exemplificar melhor, nada como contar aqui minha própria experiência como minoria quando meus pais estavam imigrados no Canadá. Apesar de ser branca fui vítima de segregação e bullying. Pasmem-se! Porquê? Ora porque era de origem portuguesa, falava uma língua esquisita, tinha um apelido impronunciável (no Canadá o meu apelido era o do meu pai, Gonçalves) que era uma risota colectiva sempre que a professora o pronunciava com sotaque do Quebeque (um horror), que a juntar a isso tinha olhos rasgados de chinesa logo considerado algo estranhíssimo (um europeu com mistela asiática), além de ser uma parola aos olhos dos outros pela forma provinciana como minha mãe me vestia. A minha infância nesse país foi marcada por muito sofrimento e revolta. Podia ter vestido o papel de vítima e aí passar o tempo a lamentar-me da minha má sorte. Podia. Mas não foi isso que aconteceu. Como reacção à segregação que me impunham por ser “diferente”, resolvi lutar por um lugar de excelência na escola. Como não podia destacar-me pelo que aparentava, passei a destacar-me a nível intelectual. Foi essa a minha reacção estratégica à agressão. E funciona. Assim, logo no ano seguinte, na 2ª classe, começo a minha ascensão passando a integrar o grupo dos melhores alunos da turma, tendo-me tornado A MELHOR nos restantes anos. Ganhei o troféu de excelência várias vezes. Um prémio entregue pelas mãos do próprio Director da escola que dava direito a ser exibido durante um mês em cima da minha mesa. Uma honra. Durante todos esses anos, de zero amigos, passo a ter tudo atrás de mim na escola, fosse para grupos de trabalho, teatro, equipas no desporto. Não me dispensavam. O resto do meu percurso profissional continuou com a mesma estratégia: ser sempre o melhor dos melhores em qualquer trabalho. Nunca fui discriminada.
Não estou aqui a minimizar os problemas de integração das minorias. É um facto. E será sempre assim. Mas não é por inverter o jogo, passando essas minorias por exemplo de gays, negros, ciganos ou mulheres, a maiorias que se resolvem os problemas de aceitação e integração social. Pelo contrário, está mais do que provado, que quando as minorias passam a maiorias, acabam por fazer exactamente o mesmo… às novas minorias. Veja-se o caso dos muçulmanos que já são dominantes nalguns países europeus onde impõem agora sua cultura e ideologias. Ou dos LGBT que já exigem um mundo sem género a partilhar as mesmas casas de banho. Então em que ficamos?
A ajuda à integração passa em primeiro lugar pela educação em casa. Ensinar a aceitar os outros respeitando as diferenças. Aos governos, condições para que haja direitos e deveres iguais e fomentar a LIBERDADE INDIVIDUAL. E depois, fazer cumprir. Claro. Porque sendo minoria ou maioria, TODOS DEVEM SER IGUAIS PERANTE A LEI. O que acontece de facto, é que a ideologia marxista teima em fracturar a sociedade dizendo que ser minoria é ser “coitadinho” logo não se pode exigir nada deles, nem criticá-los, porque é racismo. São ELES que desta forma provocam a segregação. Que o diga André Ventura quando correctamente se pronunciou sobre certos ciganos que vivem à margem dos deveres de cidadania. Portanto, ser minoria exige de nós maioria que nos calemos sobre a inércia social deles. É errado. Isso apenas aumenta o problema não o diminui.
É com muita determinação e empenho que se vinga na vida independentemente do grupo a que se pertence. E é falso dizer-se que por pertencer a uma minoria, não se chega a lado algum. Um empresário pouco se importa se a pessoa é negra, gay ou mulher desde que seja bom naquilo que faz e cumpra rigorosamente com seu dever. A pergunta que devemos colocar é: mas esses fazem por isso ou apenas se excluem dizendo que não conseguem, vitimizando-se e “coitadinhos” têm de recorrer a subsídios? Como empresária, tive todo o tipo de gente a trabalhar comigo. Nunca os distingui se não pela qualidade do seu trabalho. Tive muitas ofertas de emprego (muitas vezes sem conseguir mão de obra) mas nenhuma mulher se candidatou (na 1ª empresa que dirigi), nem ciganos. Negros, apenas um, em 20 anos. Não fui eu que não os escolhi. Eles é que não se candidataram.
As minorias não são coitadinhas. Não precisam de mais estímulos disto ou daquilo. Veja aqui Thomas Sowel, um negro, a desmontar as falácias sobre racismo e feminismo. Precisam isso sim de VONTADE de vingar e focar-se com empenho nesse objectivo. Que o diga Morgan Feeman (veja aqui e aqui) um negro bem sucedido como tantos outros doutras minorias. A origem do problema está na natureza humana que apesar de 50 anos de políticas de incentivos a populações negras nos EUA, por exemplo, tem no topo da tabela com melhores rendimentos, os asiáticos que nunca receberam qualquer apoio estatal.
Esta é a realidade.
A Tragédia da Rua das Flores – Parte II

De uma forma totalmente inesperada e surpreendente, Eça de Queirós, n´ A Tragédia da Rua das Flores que nos legou, aborda o tema do incesto. É uma das características mais profundas dos grandes autores da literatura universal: até neles mergulharmos, nunca sabemos bem o que nos reservam os seus livros. No caso de Eça de Queirós, entre a libertinagem amorosa com a irmã (Os Maias), com a prima (O Primo Basílio) ou com a mãe (A Tragédia da Rua das Flores), fica sempre a dúvida sobre qual o grau de parentesco que servirá de mote à próxima pouca-vergonha.
Decidi registar por escrito estes pensamentos quando, no sábado passado, passeei demoradamente pela Rua das Flores portuense. Bem sei que a obra de Eça se desenrola na homónima via lisboeta, mas não vou deixar que o rigor toponímico estrague esta excelente oportunidade de mostrar aos meus professores de português o quanto estive atento nas suas aulas. E a verdade é que, bairrismos à parte, é já mais que tempo de uma sequela d´A Tragédia a ter lugar na Rua das Flores da cidade do Porto. Pior do que qualquer tipo de relação incestuosa é observar in loco as desgraçadas malfeitorias provocadas pelo turismo naqueles 400 metros. Ainda há poucos anos era um dos mais típicos arruamentos da Baixa e era possível percorrê-lo de ponta a ponta sem encontrar vivalma, permitindo-nos desfrutar em paz da penumbra, da estética das ruínas e do cheiro a chichi. Existia algum comércio não falido – ourivesarias, por exemplo –, mas mantinha as portas fechadas a sete chaves, abrindo-as apenas após análise detalhada dos potenciais clientes que tocavam à campainha. Onde poderemos agora observar tão pitorescas tradições? E havia toda uma adrenalina a estimular-nos quando virávamos as costas à Estação de São Bento: chegaríamos vivos ao Largo de São Domingos, ou a nossa existência terrena seria interrompida por um qualquer marginal ou por uma grade de ferro ferrugenta desprendida de uma varanda? Bons tempos esses, em que vivíamos livres do previsível tédio burguês. Actualmente, impera a falsidade e o artificialismo do negócio capitalista. Hotéis, restaurantes e lojas de recordações ocuparam barbaramente o espaço antes utilizado pelos ratos da Invicta, ilustres descendentes dos que viram nascer o Infante D. Henrique. Onde andarão agora tão genuínos roedores? O cheiro a chichi foi substituído pelas fragrâncias francesas libertadas do vestuário italiano envergado por jovens nórdicas, um retrato revelador da globalização decadente. Artistas de rua, subjugados ao drama da precariedade, cantam, tocam e dançam perante o olhar alienado do invasor estrangeiro. E as tradicionais portas de tijolo de 11 não rebocado, as mais usadas na Baixa do virar do século, foram trocadas por portas que efectivamente abrem e fecham, uma excentricidade não compatível com o carácter de uma grande cidade portuguesa. É por isso imperativo que um escritor de renome se debruce sobre esta tragédia contemporânea, que tem causado a alguns portuenses uma infelicidade só comparável à de acordar ressacado e despido na companhia da irmã, da prima e da mãe.
Manifestamente racista
Ando muito preocupado com a problemática do racismo, em particular com a cambada de racistas que me chamam racista sem que lhes consiga explicar que não sou racista. Quer dizer, se calhar até sou, segundo a definição sofisticada de racismo deles, a que pode ser resumida por “eu não sou mas tu és”. Porém, sinto que explicar aos racistas que vêem o racismo nos outros que não sou racista é exactamente o que eles andam alegremente a fazer a toda a gente fora lá da cozinha da turbo-sopeira, vai daí que prefira a posição, desde já assumidamente racista, que acho que estes branquelas de cocó, privilegiados, das universidades, e que privam com mamas que privaram com mamões (independentemente de terem ou não – não esquecer o alegadamente – mamado elas próprias, são uns autênticos coninhas. Agora parem de me chatear com essa do racismo antes que vos mande um cigano amigo tratar da saúde.
Como Acabar com Uma Boa Empresa
Os comunistas dominam esta a arte como ninguém. São “experts” em fazer explodir economias. Auto-afirmam-se intelectuais e passam o tempo a esfregar as habilitações literárias para nos lembrar que são mestres em economia e quiçá por isso um dia farão parte do Ministério das Finanças, mas na realidade são um bando de fracassados que nem a vida pessoal conseguem gerir com eficácia. As manas ainda nem sequer saíram das casas emprestadas e nunca conheceram um emprego. Não fosse o tacho oferecido no Parlamento (sim, não foi ganho) e nem sequer ouviríamos falar delas. O burguês VIP mais bem “sucedido”, apregoa o marxismo mas vive como capitalista e os fósseis que se deambulam por aí, nem uma coisa nem outra: são velhos sonhadores com um regime que dizem querer implantar em Portugal só para satisfazer um birra de infância. Todos tão devotos ao comunismo mas nenhum até à data foi visitar ou até emigrar para esses paraísos como sugere Yeonmi Park, uma fugitiva da Coreia do Norte.
Ser comunista num país capitalista é mais fixe porque pode-se usufruir do bem estar que esse regime proporciona enquanto se finge ser marxista (bem, na verdade Marx nem sequer fingiu que era burguês) lutador pelos oprimidos (??). E para fazer esse teatro todo tem necessariamente que ser onde há empresas, onde há economias pujantes, onde há muita iniciativa privada, onde há consequentemente, riqueza. Ora num país comunista NÃO HÁ NADA DISTO. Logo, seriam completamente inúteis e no máximo dos máximos, estariam a vigiar gulags.
Por isso é aqui no ocidente que eles têm seus orgasmos marxistas atacando as empresas como a AutoEuropa, que são responsáveis por 1% do PIB. É verdade. O culminar do clímax está em fazer dessas empresas uma bandeira política contra o capitalismo opressor dos pobres operários que elas exploram. De facto, é mesmo muito opressor ter um patrão que paga muito acima da média com salários que rondam os 1340€. Que negoceia por 2 anos (apenas) trabalho ao sábado, por causa de novo modelo a fabricar, compensado com redução de horário de trabalho e aumento significativo de vencimento mensal (cerca de mais 500€). Uma empresa que dá transporte aos trabalhadores, refeitório, desconto nos automóveis, prémios de produção e melhoria. Meu Deus! Estou em choque! Uma empresa cuja a avaliação foi de 4,4 (numa escala de 1 a 5) pelos próprios trabalhadores. Que horror.
A esta desgraça toda soma-se a necessidade de criar mais 2000 postos por via desta nova encomenda! Não é horrível? Isto, sob o ponto de vista marxista destrói a teoria de que o capitalismo é nocivo para as sociedades logo não pode ser!! Morte com ele! Com tanto esmero em destruir o que produz riqueza neste país (sim, porque não é só na AutoEuropa), o nosso país já sofreu grandes baixas. Lembram-se do fecho da Opel e das consequências nefastas para a região da Azambuja? Pois é…
Estes assassinos das economias já têm um longo currículo. Quem não se lembra da Lisnave que enquanto esteve refém desta gente, só sabia criar prejuízos avultados para o erário público. Hoje, já privatizada, é uma referência nacional que distribuiu 1,5 milhões de euros pelos trabalhadores. Shame on you! Outro exemplo são os ENVC que durante 20 anos só somou prejuízos. Hoje privatizados, somam e seguem seu caminho de sucessos. E a CP onde o marxismo deixou suas marcas ao permitir que maquinistas ganhassem 2850€ por 3 a 4 horas de trabalho diário com 30 dias de férias e viagens gratuitas para toda a família, tudo negociado com impostos dos portugueses que auferem em média 750€? Ah! mas se for maquinista do Metro já são 4600€. É justo. Clientelas dos comunistas é para serem tratados com “dignidade e justiça social”. (veja aqui) Estas e outras empresas públicas têm sido, graças a eles, um contributo exemplar de empobrecimento do Estado. Parabéns minha gente!
O problema é que ainda há muito para destruir e com a mãozinha do Costa, esse processo está em franca aceleração. Veja-se o que andam estas criaturas a fazer com o Alojamento Local, os turistas, as rendas das casas, com a indústria do papel sob a falsa teoria de protecção às florestas e à Altice (a empresa que salvou o que restava da PT destruída por Zeinel Bava, Sócrates e Salgado!) a quem responsabilizam por mortes de Pedrógão, tudo com um único objectivo: destruir a iniciativa privada fomentando assim o controlo absoluto da economia pelo Estado.
Voltando à AutoEuropa, os investidores estão atentos. Ela é desejada por muitos países e por este andar não vai ser difícil a “empresa mãe” tomar uma decisão mais drástica para salvar a produção de um modelo que concorre com tantos outros no mundo e por isso tem de ser competitivo.
Se isso tiver de acontecer, não será por culpa dos comunistas que NUNCA ESCONDERAM ao que vinham. Será SOMENTE de António Costa que ao colar o PS a eles, o transformou naquilo que ele nunca foi: um partido anti-democrático e anti -capitalista.
Pobre destino. Pobre país.
O texto escrito com tinta simpática
A gaveta
“o ato da Graça”?
acho que o ato da Graça é corajoso e é importante politicamente – declarou Mariana Mortágua a propósito da decisão da secretária de Estado Graça Fonseca de revelar o que entendeu ser oportuno sobre a sua vida privada.
Senhora deputada isto é assim: pode conhecer a Graça, ser amiga da Graça, ser tu lá tu cá com a Graça mas na hora de referir a Graça na qualidade de secretária de Estado trata a Graça por secretária de Estado. Ou senhora secretária de Estado.
Obrigada.
Os robespierres domésticos já resolveram a causa a que o comité se vai dedicar nos próximos meses
PÚBLICO: Portugal é dos países da Europa que mais manifestam racismo
Portugal é sempre mais qualquer coisa nefanda que os comités se propõem erradicar.
Freakshow
Vi muitas pessoas a reagirem à entrevista que uma jornalista tão astuta que não sabia quem pagava as contas nas suas férias realizou à miúda tão consciente que não sabe ter frequentado escolas com o dinheiro de assaltos a bancos. Foi como ver um surdo a entrevistar um mudo durante uma maratona para pernetas.
Ainda dizem que os freak shows são coisa do passado.
a menina mortágua é fascista
Face à pergunta «Concorda com a recomendação da CIG para a retirada dos materiais, que a Porto Editora acatou?», feita pelo Diário de Notícias à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, esta deu uma resposta muito típica: «lamento que isto tenha de ser uma polémica. Se a CIG existe tem de ter um papel ativo. E acho que cumpriu o seu papel: identificou material educativo com elementos sexistas e recomendou que fosse retirado. Para que crianças de quatro anos não fossem expostas a um material que achamos que não cumpre os critérios». A resposta é, de facto, típica: muito típica de um certo totalitarismo burocrático, que defende que a nossa visão das coisas e do mundo tem de excluir todas as outras. Não tenho dúvidas que, no seu afã de proteger Portugal do comunismo, qualquer inspector da PIDE justificaria os seus actos da mesma maneira e até com a mesma frase: «lamento que isto tenha de ser uma polémica. Se a PIDE existe tem de ter um papel ativo. E acho que cumpriu o seu papel; identificou material político com elementos comunistas e recomendou que fosse retirado. Para que os portugueses honrados não fossem expostos a um material que achamos que não cumpre os critérios». No seu retorcido espírito revolucionário, a menina Mortágua é, no fim de contas, uma fascista. Como muitos fascistas se consideravam revolucionários. E eram.

Com que então, a sua filha gosta de princesas?
Quando nascem, aparentam a tranquilidade de uma tela em branco, com futuros de possibilidades infinitas e múltiplas possibilidades para uma vida plena de felicidade. Porém, o tempo é traiçoeiro na sua sucessão contínua de momentos, podendo o leitor acordar um dia a descobrir que, por muito que tenha pensado ainda dispor de intervalo temporal, a sua filha já está corrompida pelo gosto por tudo que seja cor-de-rosa e princesas. Aos sete anos já é demasiado tarde para educar uma menina de forma a evitar esta catástrofe retrógrada por figuras monárquicas e vaidades decorativas em tons pastel, sendo que é nesta idade que se deveria preocupar com coisas mais adequadas ao seu desenvolvimento emocional, como combinar o casamento da sua jovem flor com um polígamo árabe na casa dos cinquenta.
Milhões de pais no planeta têm que enfrentar este flagelo diariamente, fruto de uma total ausência de formação para a educação de filhos nas escolas e universidades ligadas a áreas heteropatriarcais como as ciências e engenharias. Se a sua filha ainda não sabe falar, está no patamar ideal de desenvolvimento para que lhe possa assegurar um futuro sem opressão, livre e gargalhante como activista de esquerda. Tem que agir antes que seja tarde. Para o efeito, deixo alguns conselhos que deve adoptar quanto antes.
Comece por abolir peças de vestuário que possam ser atribuídas, no mundo antigo, a pessoas de um determinado sexo, quer no seu formato, quer na sua composição cromática. Não permita saias, padrões com flores, cor-de-rosa, vestidos, sandálias de tiras finas, exposição de ombros e decotes abaixo da traqueia. Padrões e estampas são possíveis, no caso de roupa em tons de cinzento, azul marinho ou vermelho, desde que representando ícones históricos como Guevara, nunca falsos ídolos da ficção orientada para a definição de género nos indivíduos, como o Superman ou o My Little Pony azul.
Substitua toda a alimentação fálica pelos seus equivalentes de soja e seitan. Cenoura, aipo, alho francês e espargos lembram pénis. Batatas, na sua forma natural, assim como nozes, lembram testículos. Ensine-a a comer figos da forma correcta, a que consiste em abrir a meio o fruto e lamber com vigor os seu suculento interior. Nunca caia na tentação de lhe oferecer um Calippo da Olá®, gelado que, sinceramente, deveria ser proibido.
Leve-a à nova Mesquita de Lisboa. Pendure uma reprodução de “A Origem do Mundo” de Courbet no seu quarto. No caso de o pai ter a infelicidade de ser casado com uma mulher, pode também optar pelas fotografias que lhe tirou há anos e deixou espalhadas na mesa para que tal chegasse aos ouvidos do arq. Saraiva, assim como a meia Lisboa antes dele. No Carnaval vista-a de camionista gorda ou guarda fiscal. Não permita que ouça música do Diabo, como o heavy metal ou hard rock: Ani DiFranco, k.d. lang, Janis Ian ou as Indigo Girls são boas opções, assim são as Rockbitch ou qualquer coisa que o Carlos do Carmo diga. Afaste-a do fado, do Quim Barreiros, de qualquer festa popular e de cantoras que andam vestidas como a Julia Roberts no Pretty Woman, filme que é, porém, recomendado pela temática de métodos de sucesso para carreiras políticas.
Inscreva-a num acampamento do Bloco e crie contas nas redes sociais só para seguir a Mariana Mortágua, Catarina Martins e Francisco Louçã. Sempre que necessitar de usar o termo “direita”, como em “o caderno de actividades unissexo à tua direita”, acrescente o termo “fascista”. Sempre que a levar de férias refira que há uns porcos fascistas que querem ganhar dinheiro a alugar casas só para destruir a possibilidade que ela tem de usufruir de bons hotéis. Fale do povo como conceito abstracto, desviando a conversa quando ela mencionar o cheiro esquisito do avô. Excepcionalmente, leve-a de biquíni (só parte de baixo) a uma igreja durante um funeral para lhe ensinar sobre a discriminação inerente do Cristianismo. Ensine tudo o que deve sobre sexo o mais cedo possível, por exemplo, que os homens brancos só querem magoar, furando-as de forma simbólica como colonizadores de terreno que, por direito, pertence a africanos e muçulmanos de meia-idade.
Espero que com este pequeno guia tenha contribuído para que pais incautos deixem de estragar as suas filhas. Deixo aos comentadores espaço para sugestões adicionais que depois poderão ser citadas como artigos científicos sobre estudos de género.
Vamos lá ao que interessa
Vale a pena ler o texto de hoje de João Miguel Tavares. Pessoalmente discordo mas esta é uma discussão que me interessa:
«O PSD deve aceitar o pacto de António Costa Mesmo que esteja colocado numa posição extremamente desconfortável, Passos Coelho deve engolir o ressentimento, fazer o que está certo e beber o cálice até ao fim. Não é possível passar quatro anos a resmungar por causa do resultado eleitoral de Outubro de 2015 e a lembrar a cada momento que o primeiro-ministro é que devia estar na oposição e que a oposição é que devia estar a governar o país. Seria uma estratégia politicamente insustentável, sobretudo com Portugal a crescer e o PS a liderar confortavelmente as intenções de voto. Passos Coelho não vai voltar ao governo tão depressa e, se a economia continuar como está neste momento, é possível que nunca mais volte – o PSD perderá a eleições de 2019 e, mesmo que consiga impedir uma maioria absoluta do PS, haverá uma Geringonça 2.0 e um ciclo eleitoral de oito anos dominado por António Costa.
Ler mais…
As pessoas falam muito sobre a greve na Autoeuropa, mas não sabem o essencial sobre a luta dos trabalhadores. Por exemplo, na empresa em Palmela, trabalhadores de ambos os sexos e dos múltiplos géneros ainda são discriminados com quartos-de-banho segregados. Como é possível que, em 2017, ainda não exista um único quarto-de-banho unissexo para todos os trabalhadores?
A aberração continua quando analisamos o quadro de pessoal: não há qualquer esquimó com lugar na empresa. Com uma população esquimó rondando os 136 mil, é estranho que uma empresa com pouco mais que 3000 empregados não consiga encontrar um esquimó com qualificações suficientes para ser explorado pelo capitalismo sem rosto. Pois, “não conseguem encontrar”, estamos mesmo a ver.
Mas há mais: na Autoeuropa não há qualquer caso de gravidez por pessoa trans, mesmo incluindo barrigas de aluguer. Isto mostra o quê? Mostra que a sociedade só pode evoluir quando vencermos o preconceito. Quantos administradores da Autoeuropa usufruíram do benefício da eutanásia? Serão as baratas encontradas nas imediações da fábrica tratadas com a humanidade que os animais têm direito? Quantos administradores da Autoeuropa usam alojamento turístico em cidades históricas, depauperando o centro de pitorescos habitantes locais e arruinando os negócios locais, como os de fraldas para adultos, penicos e droga boa?
Muito me admira que Catarina Martins olhe com “enorme apreensão” para a greve na Autoeuropa. Já esquecemos tudo pelo qual lutamos? Quantos trabalhadores da Autoeuropa gargalham nas acções de formação? A quantos vídeos dos Monty Python, do Ricardo Araújo Pereira (excepto o dos livros da Porto Editora) e da série Blackadder tiveram que assistir? Bem sei que são pessoas que montam automóveis, não são cirurgiões, mas não há motivo para não gargalharem enquanto enfiam o tubo de escape na panela.
A luta continua! Enquanto não garantirem às funcionárias a possibilidade de urinarem de pé, todos os portugueses têm o dever moral de estar com o sindicato grevista para o fim das discriminações.
Mas onde os demais vêem boas notícias – logo ausência de problemas – os investidores no sector do combate ao grande problema vêem um risco: a sua inutilidade torna-se óbvia. E por isso passam de imediato ao ataque criando o grande problema. No caso da Autoeuropa o grande problema é o trabalho ao sábado: para responder ao acréscimo de produção, a administração da empresa propôs que a unidade passasse a funcionar de segunda a sábado, com os trabalhadores a terem uma folga fixa, ao domingo, e duas folgas consecutivas a cada três semanas. O acordo celebrado com a Comissão de Trabalhadores previa ainda um pagamento mensal de 175 euros adicional ao previsto na lei, 25% de subsídio de turno e um dia adicional de férias.
Mas tudo isto, segundo os investidores no grande problema, é um atentado aos trabalhadores e muito particularmente às suas famílias pois, argumentam, de modo algum estas podem ver um dos seus trabalhar ao sábado. Como se sabe as famílias dos trabalhadores da Autoeuropa não fazem compras ao sábado, não vão ao café nem aos restaurantes ao sábado, não vão à praia ao sábado para poupar os nadadores-salvadores da ignomínia do trabalho nesse dia… Nada de nada: ao sábado ficam em casa adorando-se uns aos outros. Nem a televisão ligam. E portanto a greve foi decidida na Autoeuropa para 30 de Agosto.
Pelo caminho a Comissão de Trabalhadores demitiu-se e os sindicatos, grandes investidores no sector do combate ao grande problema, estão a tentar controlar a Autoeuropa. Se levarem a melhor não é difícil antecipar os novos combates aos novos problemas: lá virá a manifestação contra a deslocalização da produção da Autoeuropa para um outro país. A que se seguirá a manifestação em Bruxelas – em que se integrarão alguns eurodeputados daqueles grupos parlamentares que são contra a existência de eurodeputados – para dar conta já não de um mas sim de dois enormes problemas: o enorme problema gerado pelo facto de a Autoeuropa estar a deslocalizar a produção de Portugal para outro país e o enorme problema que esse acréscimo de produção irá levar ao país para onde for transferido. Claro que há sempre a possibilidade de a produção ser deslocalizada para a Alemanha o que permitirá uma manifestação contra a senhora Merkel que é uma performance que fica sempre bem.
A isto juntar-se-á a delegação que vai ao parlamento português protestar contra as empresas que vêm para Portugal e depois desistem do país, os pedidos da esquerda patriótica para que o Governo que intervenha na Autoeuropa e o apelo de todos os grupos parlamentares para que se crie uma linha de apoio aos pequenos proprietários da região afectados pela diminuição de actividade na Autoeuropa. Um observatório dirigido por um clone do professor Boaventura observará os impactos da situação na Autoeuropa e um cineasta daqueles que são contra o capitalismo e andam de passadeira vermelha em passadeira vermelha pelas mecas do capital fará um filme alternativo sobre os homens sem esperança da Autoeuropa… Tudo sempre em nome do combate ao grande problema que pouco a pouco já nem se sabe qual era pois tantos e tais foram os outros problemas que houve que combater.
Regresso das férias

Cansado que estava de um ano inteiro numa sociedade heteropatriarcal, com todos os vícios misóginos, racistas, xenófobos e discriminatórios, como bem nos lembra às Segundas a Fernanda Câncio (num jornal da esquerda) e relembra o Luís Aguiar-Conraria às Quartas (no jornal da direita), optei por umas férias no estrangeiro que, para todos os efeitos, pode o leitor considerar tratar-se de Formentera.
Dotado de toda a minha ultramontana educação opressora, mal cheguei, dei por mim a abrir a porta a uma pessoa que, na altura, me pareceu ser do sexo feminino. Ao aproximar-se, reparei que mantinha a rosada face por escanhoar, a que, com o biquini de peças com cores separadas, lhe transmitia um ar menos propício a bacoradas oriundas da minha formação de extrema-direita fascista com um ou outro criminoso piropo como o que tinha previamente ensaiado: hola, buenos dias. Optei por um simples buenos dias, omitindo a parte que poderia ser considerada ofensiva. Ao perceber o meu gesto, o de manter a porta aberta para que entrasse antes de mim, a bela criatura gritou pelo segurança do hotel.
Entre algum Portunhol, consegui explicar que pretendia deixar entrar a senhora, por cortesia, antes que eu próprio entrasse. O segurança apresentou uma face carregada, como que explicando, antes de sequer usar palavras, que, mal entrei em férias, cometi um crime grave de discriminação de género. Ainda tentei um pero ella tiene barba, mas só piorei: explicaram-me que não posso presumir que uma mulher de biquini e barba é um homem e imediatamente me desculpei, perguntando à senhora se o endocrinologista que a segue é cego.
Graças à benevolência daquela pessoa, que só apresentou queixa à Guardia Civil e não ao deputado de bonito chapéu de feltro violeta que estava no bar, consegui escapar ao fim precoce das férias com uma pequena reprimenda e multa de poucas centenas de euros.
Os primeiros doze dias das férias foram passados dentro do quarto de hotel, para evitar que a minha formação machista discriminatória me colocasse em maus lençóis. A piscina era bonita, pelo menos vista de cima. Ao décimo-terceiro dia, ganhei coragem e acabei por ir ao recinto onde esta se encontrava. Lá, encontrei um casal de pessoas que pareciam ter mesmo sexo diferente, estando uma delas grávida (era a que me parecia mulher). Meteram conversa comigo, perguntando se tinha chegado nesse dia, divertidos com a alvura da minha pele. Expliquei que tinha cometido um crime de discriminação de género, daí ter ficado sempre no quarto, e que seria essa a minha primeira vez na piscina, antes da viagem de regresso a casa, no dia seguinte. Senti que compreenderam. Acabei por perguntar pelo bebé e foram muito simpáticos. Ela — era mesmo uma senhora — acabou por dizer que queria que o bebé que carregava no ventre fosse amamentado até ao fim do primeiro ano da faculdade. Avisado que estava para não cometer mais crimes de discriminação, ponderei e ocorreu-me perguntar qual dos progenitores iria amamentar a criança.
Quando o segurança chegou à zona da piscina, optei por solicitar que chamasse imediatamente a Guardia Civil para despacharmos o mais rapidamente este novo crime. Novamente, foram bastante brandos comigo: nada que uma reprimenda, audição pelo juiz, dois dedos partidos (foi na mão esquerda, não sou canhoto, foram simpáticos, como já disse) e uma multa de poucas centenas de euros não resolvesse.
Agora estou de volta, muito mais descansado. Acho que aprendi a lidar bem com as pessoas dos diferentes géneros: não se abre a porta a ninguém e não se fala com estranhos. Ainda bem que há as Segundas e as Quartas para continuar a aprender tudo o que me ensinaram de errado no jardim infantil.
racionalizar o estado
Confesso não perceber muito bem este puritanismo com as passeatas e algumas outras mordomias pessoais dos altos funcionários do estado pagas por empresas privadas. De uma duas, ou decorreu daí um benefício objectivo para essas empresas, contratos públicos, por exemplo, e, mesmo assim, é necessário averiguar se houve concorrentes prejudicados, ou então, se é para lhes amansar o ânimo e cativar o interesse, acho muito bem que lhes paguem o que muito bem entenderem. É evidente que há aquela velha máxima moral fridmanena, que o impoluto Marques Mendes gosta de papaguear no programa semanal em que provisoriamente substitui Marcelo Rebelo de Sousa, que não há almoços grátis e que, um dia mais tarde, os turistas acidentais hão-de pagar. Todavia, considerando a alta rotatividade o pessoal político em regimes democráticos, é pouco provável que a factura venha a ser paga se as empresas se atrasarem muito a apresentá-la. Assim, ou estão à espera deles no aeroporto (de preferência antes do embarque) com os contratos para assinar, ou se se atrasam muito arriscam-se a já lá não os encontrarem, ou por terem sido corridos por um eleitorado mais sensato, ou até por terem fugido com uma chinesa marota, que isto de pôr parvenus a viajar a mais do que 200 km de casa pode dar tragédias familiares. Por mim, sendo os contratos do estado públicos e publicitados, e as despesas do forrobodó dos mesmos também de acesso geral, eu proibiria qualquer despesa paga pelo orçamento de estado e só autorizaria a saída de um assessor, técnico ministerial, secretário de estado ou ministro desde que sponsorizado por uma empresa privada. Por exemplo: o secretário de estado das finanças pago pela Durex, o ministro da defesa pelos colchões Pikolin e a directora da comissão para a igualdade pelas fraldas Dodot. Isto, desde que, obviamente, levassem a roupa que vestem na viagem, desde a partida até à chegada, devidamente adesivada com materiais das empresas financiadoras. Era o mínimo que se lhes poderia exigir.
A ler

A manifestação de repúdio pelos atentados de Barcelona é um marco. Ela representa ao que pode chegar uma sociedade em que os políticos do centro democrático se aliaram com os radicais para conseguir os seus objectivos. No caso a independência da Catalunha (por aqui simplesmente governar)
Procurem nessa manifestação um cartaz que condene os terroristas. Ou até o Estado Islâmico que reivindicou a autoria. Encontram-se cartazes contra Espanha, contra o Rei, contra o governo de Espanha que não tem competências sobre a segurança na Catalunha e contra a venda de armas, coisa assombrosa quando se sabe que os terroristas usaram facas, automóveis e botijas de gás. Também havia pelo menos um cartaz contra a islamofobia. Mas havia uma fobia permitida, tolerada e incentivada: a fobia contra Espanha. As pessoas que levaram este cartaz foram agredidas e o cartaz teve de ser recolhido. Foi a isto que se chegou na Catalunha.
Por cá felizmente não temos a questão nacionalista ma vamos ter a regionalização e muitas outras coisas porque os radicais nunca se cansam. António Costa levou-os para o governo. Nunca se esqueçam disso.
Num daqueles dias em que acho que não sou daqui
Serei só eu a não saber que havia um interesse tão grande em Portugal por um combate nem sei bem de quê? Para exotismos preferia a patinagem do gelo ou já agora o sumo.
O paradoxo
Homenagem
Uma das mais emotivas homenagens às vítimas do atentado de Barcelona teve lugar na praça de touros de Sanlucar: durante o minuto de silêncio um homem começou a dizer o Pai Nosso…
Aqui não são necessárias quotas

Descubra as diferenças entre estes dois textos de Estrela Serrano, jornalista que foi assessora para a Comunicação Social do Presidente da República, Mário Soares, provedora dos leitores do Diário de Notícias, membro do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, fundadora, directora e professora em vários cursos de jornalismo,
Estrela Serrano sobre as declarações sobre a sua vida privada de Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, ao Diário de Notícias numa entrevista que permitiu conhecer a entrevistada “nas suas diversas dimensões – pessoal, intelectual, profissional, política”
Estrela Serrano sobre a foto de Laura Ferreira sem cabelo: a mediatização da doença de Laura Ferreira, iniciada com a publicação da biografia de Passos Coelho, e o sentimento de compaixão que a sua imagem sem cabelo provoca, prestam-se a uma leitura política, sobretudo em época pré-eleitoral
Não sei como enquadrar aqui as questões de género
Como se canta esta canção na versão LGBTQIA+?
Algo me diz que mestre Marceneiro vai entrar na clandestinidade
A Estupidez da Igualdade de Género
Depois do fracasso mundial que foi a luta de classes do comunismo que mais não conseguiu do que criar os maiores genocídios, fome e miséria de que há memória à conta da implementação forçada dessa ideologia marxista, eis que estas mentes brilhantes, financiadas pelo criminoso Soros, logo inventaram outra forma de divisão entre grupos: o marxismo cultural. Através da ideologia do pensamento único formatam os indivíduos para libertar as bestas que há neles, sem qualquer limite e revoltarem-se contra as sociedades organizadas e defensoras de valores. O resultado, não podia ser mais nefasto e absurdo. Hoje, com a preciosa ajuda dos ignorantes do politicamente correcto, defende-se coisas que assustam um susto. Então não é que afinal não há segundo eles nem homens nem mulheres mas sim géneros? Bem, creio que a esta hora a Mãe Natureza (ups! mãe não porque não existe maternidade, mas sim parentalidade!) já desmaiou com esta insanidade! Pois é. Estas criaturas que se opuseram ao binário homem/mulher criaram em alternativa 71 géneros diferentes de seres. Veja aqui só alguns. Não é de génios?
Alegam que o fazem em defesa da igualdade e integração de minorias. Tretas. Não é por acaso que lhes chamam de “Temas Fracturantes”. A ideia é mesmo criar fissuras, guerras, fracturas sociais. Se assim não fosse não instigariam as maiorias ofendendo-as no seu direito a não ser o que eles impõem obrigando-as a aceitar tudo sem oposição em vez de dialogar sobre o assunto e criar condições de entendimento e respeito. Na verdade, trata-se de uma espécie de “Sharia Ocidental” onde só se é livre de pensar como eles, agir como eles caso contrário somos rotulados. É a ditadura do pensamento imposto com recurso à violência verbal.
Acontece que a biologia humana, por muito que a contestem, não mudará sua natureza só porque assim o desejam. Nascemos efectivamente homem ou mulher. Ponto. Esta é a nossa natureza. Mas então, perguntarão e bem, porque há homens femininos e mulheres masculinas? A razão prende-se com os níveis de testosterona que o feto recebe durante o seu desenvolvimento. Se for equilibrado, temos um homem ou mulher bem definidos. Se não, temos o inverso. Por isso há mulheres que são autênticos homens no aspecto e na maneira de ser e vice-versa. Nada mais do que isso. Mas mesmo dentro daqueles considerados “normais” haverá senhoras com grandes aptidões masculinas (veja aqui) e homens com grandes aptidões femininas. O segredo está nos níveis de testosterona que cada um recebeu na concepção. Tudo perfeitamente normal. Além disto, nascemos com cérebros diferentes (veja aqui). Logo, comportámo-nos de forma divergente. Claro que a natureza ás vezes confunde-se e nascem os hermafroditas. Mas isso é outro assunto.
A Comissão Igualdade Género, criada nos tempos ditos modernos, não é mais do que o conceito reinventado da PIDE, devidamente legitimado pelos governos socialistas para assegurar que a ditadura do pensamento único prevaleça sobre a vontade das pessoas. Queres ser e pensar como menino ou menina? Não podes! Tens de ser SEM GÉNERO DEFINIDO! Então se a Porto Editora faz uns meros livritos de actividades para tempos livres azuis e cor de rosa para um mercado interno de gente que aprecia as diferenças, sai uma ordem imediata para a sua destruição. Sim, ouviu bem. Destruição. Não se discute o assunto. Não se propõe alterações. Mas se for um João Quadros a referir-se num órgão público de forma ordinária às mulheres, é humor. Ouviram-nas a exigir sua demissão? Claro que não. Não se passa nada.
Mas a hipocrisia da CIG vai mais longe. Enquanto luta para que supermercados deixem de ter brinquedos separados de menino e menina, vestem seus filhos na praia com calções azuis e bikini cor de rosa. Não se indignam com as fábricas e lojas que contratam exclusivamente mão de obra feminina, dos canais televisão e revistas só femininos com nomes femininos, das 99% de lojas nos Shoppings só femininas, dos papeis nas novelas desempenhados exclusivamente por mulheres para desempenhar papeis de mulher em vez de serem os LGGBDTTTIQQAAPP. Então? Em que ficamos? Não se indignam com esta desigualdade? Sinceramente também ainda não percebi do que estão à espera para exigirem o fim dos adjectivos sexistas na gramática portuguesa. Já agora…
A verdade é que a CIG quer acabar com o machismo dos homens para o substituir por machismo feminista. Só isso. O resto é folclore.
Há quatro décadas atrás, no meu tempo de meninice, não havia estas comissões da treta. Estive submetida às “atrocidades” de haver coisas de meninos e meninas, azuis e cor de rosa, de forma bem vincada. No entanto nunca pedi que me comprassem uma boneca. Mas fazia birras para ter peluches e brinquedos da playmobile. Mais tarde, minha filha mais velha, hoje com 31 anos, sujeita também a essa “crueldade”, também só pedia gameboys, sega-mega drives, tartarugas ninja, legos e super-heróis, (mesmo com a TV no horário infantil a bombardear com publicidade separada de brinquedos, em intervalos de quase 20 min.). A única boneca autorizada por ela foi a barbie mas só para expor no quarto como colecção. Tinha mais de vinte… Como foi possível escapar a esta “tortura” sem mazelas psicológicas graves sem uma CIG?
Quando os pais deixam as crianças livres para escolher, não há nada mais poderoso. É no berço, na forma de educar que tudo se determina. Não são necessárias imposições estúpidas e inquisitivas de uma Comissões da treta para haver igualdade. Basta respeitar a liberdade individual de cada criança e deixá-las fazer suas próprias escolhas de acordo com sua personalidade.
Porque igualdade não é sermos todos cinzentos. É termos a liberdade de sermos o que quisermos.
Não leiam romances, leiam livros de história
Se a moda chega cá o PR ainda se passa a chamar Álvaro
Alguém conhece a agenda do Comité para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício para a próxima semana?
É que a este ritmo para o Natal já “somos todos perú”
Lamentável
Em tempos, há uns longos anos, trabalhei na Porto Editora. Custa-me imenso que uma empresa onde passei uma parte importante da minha vida — onde estava quando casei —, ceda à mariquice dos coninhas que, sem nada para fazer, nem pedófilos para identificar, nem filhos para cuidar, nem batatas para descascar, nem grelos para polir, andam aí a obrigar toda a gente a fingir que não há diferenças entre meninos e meninas.
Em alguns casos, umas fotografias encontradas aí num baú dariam muito jeito.
