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As Lapas Não Comem Sapos

2 Dezembro, 2016

Confesso que inicialmente sempre pensei que esta aliança do PCP e BE com os socialistas, iria durar pouco. Isto porque, como é lógico, pelo radicalismo destes, via grandes dificuldades no entendimento uma vez que defendem políticas diferentes. Porém, o tempo mostrou que estão aí para durar. Começou-se então a dizer que eles andavam a comer sapos. Mas a realidade é bem outra. Eles afinal, são lapas e as lapas não comem sapos. Acoplam-se. E estas saciam-se de poder.

É este o verdadeiro segredo deste sucesso governativo que até ao Costa surpreendeu. Quando tudo apontava para grandes dificuldades e possíveis ruptura, eis que as “blocas” e Jerónimo estão de pedra e cal no poder, sem sinais de mossa. Berram, criticam, ameaçam, mas tudo show-off. Tudo discurso dirigido aos seus eleitores que tratam como iletrados incapazes de fazer uma análise lúcida do que realmente estão no Parlamento a fazer. Enganar.

Eles não são peixe nem carne. Por isso, agora no poder, já deixaram cair os ideais que os definiam.   Aceitam toda a austeridade que Costa cria. Enaltecem o governo no cumprimento do défice imposto por Bruxelas. Assinaram aumentos de impostos no OE2016 e OE2017. Não se enojam com aumento das subvenções vitalícias,  com a isenção do IMI para partidos, o chumbo do imposto sobre fortunas e enriquecimento ilícito. Não se importam com despedimentos de cerca de 2500 funcionários da CGD. Não se escandalizam com o fim de tectos para salários de administradores. Não se revoltam com quase 4 mil milhões de impostos para recapitalização de um banco. Não exigem demissões por via da novela da CGD, nem da Galpgate, muito menos pelos falsos doutores que proliferam neste governo. Nada.

Porque as lapas acoplam-se. Agarram-se com força ao seu “hospedeiro” para não cair. E quanto mais as tentam descolar, mais elas se agarram. O poder fascina-os. E vale tudo para não o perder.

Hoje o objectivo tornou-se muito claro: aguentar, com todas as adversidades para ter tempo de fazer a revolução silenciosa que nos levará a uma sociedade marxista. E essa revolução, quer queiramos, quer não, já se iniciou. E tal como as lapas que só de faca saem das rochas, esta gente, agora, só sai à força porque nada do que vier a ser aprovado pelo Costa as demove a desistir.

São lapas e as lapas acoplam-se até morrer.

Deixem-se de conversa fiada

1 Dezembro, 2016

o reforço da contratação colectiva quer tão só dizer reforço do poder das direcções sindicais, esse poder que não é escrutinado e votado por uma escassa minoria mas a quem se dá e reforça o monopólio da negociação. : No que governo, BE e PCP parecem convergir é na valorização da contratação coletiva como mecanismo de reforço dos direitos dos trabalhadores e de melhoria das suas condições de trabalho. No Orçamento do Estado para 2017, aprovado na terça-feira no Parlamento – e que agora entra na fase de redação final -, começa-se a repor os efeitos dos acordos coletivos de trabalho – mas cingido às empresas do setor empresarial do Estado.

Visita de Castro II ensombrada por protestos do BE

30 Novembro, 2016

Os deputados do Bloco de Esquerda não participaram na sessão de cumprimentos protocolares com o chefe de estado cubano «fiéis também à não valorização das relações de poder com base em relações de sangue e não em actos democráticos» (*)

Somos Governados por Comunistas

30 Novembro, 2016

Longe vai o tempo em  que o socialismo por cá era democrático e moderado. Com a entrada burlesca do “carismático” Costa, aderimos  silenciosamente ao comunismo. É claro que ele nunca o disse abertamente mas convenhamos, quem dá a mão a comunistas para fazer uma aliança, se não concordar com essa doutrina? É por demais evidente que Costa é mais comunista que socialista e não precisou de concluir um ano de governação para que fosse iniciada a revolução pacífica que nos levará a essa mudança completa. Confuso? Acha que exagero? Vamos lá então tirar a prova dos nove. Ler mais…

Os espanhóis não sabem dos tubos dorsais do Bloco de Esquerda

30 Novembro, 2016

Povos dos territórios espanhóis,

Venho, por este meio, apresentar uma justificação para o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda não se ter levantado em respeito ao vosso ilustre Rei. Não foi falta de educação nem muito menos uma tomada de posição política pelo regime republicano de afectos e selfies: é apenas uma característica das pessoas do Bloco de Esquerda que, com o tempo, os portugueses aprenderam a apreciar e que, decerto, também apreciaríeis, caríssimos vizinhos, caso tivésseis que privar com um destes espécimes debaixo das vossas pontes ou nas soleiras das vossas entradas nas noites frias de Inverno. Passo a explicar.

As pessoas do Bloco de Esquerda têm uma limitação física decorrente do muro de granito que separa os dois hemisférios cerebrais. Este muro, por sinal, chega a constituir 80% da massa corporal em indivíduos que padecem da doença. A ciência, por muito que avance, não consegue resolver este problema: coisas mais simples, como explicar um Adão e Silva a andar na rua sem que lhe atirem com os baldes de detritos das cavalariças que acabou de limpar, continuam envoltas em densos mistérios. Acrescendo à separação dos hemisférios cerebrais, xs bloquistxs (membros da Bloca e/ou Bloco e/ou Outro de Esquerda) não possuem espinha dorsal. Nesta área, sim, os desenvolvimentos tecnológicos permitiram a estes doentes uma vida mais normal e enquadrada com os rituais da sociedade. Graças a um grosso tubo afunilado na ponta e dotado de rosca em espiral de confortáveis toros que tarraxam pelo recto, conseguem manter uma postura hirta, quer na tradicional posição levantada de um Ferro Rodrigues a olhar para um palácio, quer na posição sentada de um Louçã a dar aos remos no barquinho. Porém, a transição entre essas duas posições não é instantânea, obrigando a uma ligeira torção do tubo que alivie a pressão na zona cervical. É este o motivo pelo qual não se levantam quando tal é sugerido pelo protocolo ou pelos rudimentos de boas maneiras que qualquer mãe não-drogada em metanfetamina ensina aos filhos. A opção para se levantarem, um pouco depois dos outros, implicaria o ajuste do tubo, só possível através de um enfiamento da mão pelo interior das calças, algo que poderíeis interpretar como falta de respeito, daí não ter sido efectuada a manobra, por puro respeito.

Antes que a polémica cresça, achei por bem que vos prestasse estes esclarecimentos. Agora que tudo está esclarecido, vamos todos esquecer este terrível incidente: estas pessoas já sofrem que chegue.

Os atolambados

30 Novembro, 2016

CGD. PSD propõe quotas de género

Alguns votos de pesar

30 Novembro, 2016

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Pela sua vida dedicada ao combate da opressão capitalista, do consumismo sem alma e da exploração moral através do hedonismo e da gratificação materialista, o Parlamento Português expressa este voto de pesar pelo falecimento de Osama bin Laden.


A dedicação ao superior interesse do colectivo, ao seu bem-estar, e a libertação do seu povo das amarras que prendem os Homens ao materialismo desenfreado e ao entretenimento vulgar que causa doenças e deforma a estrita moral do Ser Humano, levam o Parlamento Português a expressar este sentido voto de pesar pelo falecimento provocado pelas mãos da tirania do nosso sempre camarada Nicolae Ceaușescu.


Pela traição da nobre causa da emancipação do povo mundial, pela vilania demonstrada na rejeição dos anos providenciados pelo Estado para a sua reeducação nas prisões de Praga, pelo seu passado burguês e pela subversão política do projecto de unificação da vontade popular pelo socialismo, o Parlamento Português rejeita expressar pesar pela morte de Václav Havel, um verme dos esgotos da Terra.


É com a consternação de quem perde um pai, um companheiro de luta moral, espiritual e psíquica, que o Parlamento Português expressa um sentido e doloroso voto de pesar pela passagem à eternidade tão precoce de Enver Hoxha, líder incontestado dos albaneses e luz do mundo.


Pela enorme perda de uma esperança para África, de um homem que se converteu às evidências do socialismo popular e pelas inovações gastronómicas na luta política pelo seu povo, é com enorme tristeza que o Parlamento Português expressa o seu sentido pesar pelo falecimento de Idi Amin Dada.

Se não for muito pedir

30 Novembro, 2016

Importa-se o dr. Medina de explicar o que pretende dizer quando escreve que Fillon Cavalga o preconceito contra o islão ? Já se percebeu por onde irá o discurso contra Fillon.

Teoriza o dr. Medina sobre a falat que faz à França  “uma liderança orientada pelos valores fundamentais da tolerância e do cosmopolitismo, com vontade e energia de reconstrução do projeto europeu e apostada no equilíbrio social“. O dr. Medina não tá  a ver como dira o dr. Costa. Os franceses tiveram isso com Hollande.

Podem falir o país, podem escaqueirar os estados… mas por favor não façam poemas!!!!

29 Novembro, 2016

Como antigamente se diria eu sou de Letras. Logo estou por tudo desde que não façam poemas! Além da mania de se amarrarem, fazerem cordões de mão dada e dizerem que são vítimas ditos e daquilo, o pior da esquerda-activista é a telha da poesia.
Como é que se pode escrever tão mal??????
Nos tempos em que Rui Rio era “facista” um emparvoados fechararam-se no Rivoli e desataram numa produção poética intitulada Amigo OCUPANTE de fora que deve ter levado muita gente a pensar que o melhor era mesmo deixá-los lá encerrados para sempre. Depois veio o Manuel Alegre mais os versos ao futebol que eram também contra a Alemanha das sanções. Como se a desgraça não fosse pouca aparece-nos agora o Boaventura mais os versos ao Fidel! Mas que mal fizemos nós às Musas???

Para quem já não se entender no caso CGD

29 Novembro, 2016

talvez assim se perceba melhor
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«res publica«? só se for das bananas

29 Novembro, 2016
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Sua Alteza Real El Rei D. Filipe VI, de Espanha, anda a passear pelo Porto. É uma visita agradável e importante, que deve ser acompanhada das maiores cautelas. Não parece, contudo, que careça de sitiar o centro da cidade – desde a Alfândega à Cordoaria, passando pela Mouzinho da Silveira, Baixa, etc. – impedindo o acesso dos carros particulares a essas partes da cidade. Mas é isso que está a acontecer, desde ontem, com polícias de trânsito impedindo o acesso de carros ao centro da cidade, que mandam, quem para lá tem que ir trabalhar, entrar na cidade pela Ponte do Freixo e por Campanhã. Não me lembro, com franqueza, de nenhum personalidade que tenha visitado o Porto e provocado semelhante alvoroço. Isto faz lembrar o que, outrora, se passava noutras latitudes, na República Centro Africana, por exemplo. Nesse país, quando o Imperador Bokassa ia à Missa, aos domingos, em Bangui, era comum fecharem-se as ruas ao acesso dos carros. Era incomodativo, as pessoas não gostavam, mas, como também ninguém tinha automóvel, ninguém se melindrava, por aí além. Ora, no Porto costuma ser diferente: a cidade é um espaço de livre acesso a todos, como é próprio numa «res publica». De facto, a última vez que a cidade esteve sitiada foi, que me lembre, entre 1832 e 34, por causa da guerra civil entre os irmãos Bragança. Mas, nessa altura, o país não era uma «res publica». E hoje, ao que parece, também não é.

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Vai ganhar as primárias da esquerda francesa

28 Novembro, 2016

«Nunca nenhum candidato [Fillon] foi tão longe na submissão às exigências ultraliberais da União Europeia”, afirmou Marine Le Pen, criticando os cortes propostos de 500 mil funcionários públicos, a subida do IVA, a redução das prestações sociais. Para combater o candidato da direita, a FN está a apoiar-se no seu programa económico eurocéptico, anti-globalização e intervencionista(*)

Normalidade vende-se. Costa compra. Portugal paga.

28 Novembro, 2016

Todas as semanas o Governo vai ao mercado e compra normalidade. Em troca Catarina diz-se tranquila e Jerónimo satisfeito. O preço político da normalidade celebrada por Costa ainda vai no adro

As Ditaduras de Esquerda São Boas e Recomendam-se

28 Novembro, 2016

E não é que precisamente no dia em que celebrávamos o golpe falhado de uma tentativa de ditadura comunista em Portugal, somos surpreendidos pela morte de Fidel Castro? Não tivesse o homem escolhido o 25 de Novembro para ir ao encontro daqueles que matou, e a data, por cá, teria passado em branco. Felizmente, Fidel, esse grande e ilustre ditador sanguinário capitalista, tornou esta data memorável.

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Exclusivo: a carta da demissão de Domingues

28 Novembro, 2016

Exmo. Sr. Primeiro-Ministro e seu Banana das Finanças,

Tive que me demitir, como já deverão ter reparado. Sou um bocado asno, admito, por ter confiado em V. Exas., crendo que a palavra dada é palavra honrada. Não sou muito diferente dos outros portugueses, admito: ainda acredito em unicórnios e sei que um dia haverá um Governo sem quotas para “pessoas muito especiais” dos espectros alternativos de cognição. Demito-me porque sou palerminha, isso é óbvio. Uma pessoa com um pingo de dignidade não se demitiria, limitar-se-ia a cumprir o mandato com a mesma dignidade e com o mesmo zelo no cumprimento das promessas que o Governo que o convidou. Por exemplo, poderia sempre alegar que tudo fiz para salvar a CGD enquanto a espatifava – se é que ainda há alguma peça inteira para partir – com a alegria de não ter que prestar contas sobre as minhas acções. Podia, inclusivamente, distribuir a propriedade de balcões da instituição por jornalistas amigos, como celebração da vida desse “líder histórico”, Fidel Castro, assegurando que o Expresso ficava com a parte mais qualificada. Podia entregar todos os balcões de Lisboa ao Medina dos autocarros. Podia ter sindicalizado todos os funcionários para que viessem para a rua gritar pela fome e essas coisas que vocês combinam nas jantaradas. Até podia ter ido ao Prós e Contras, cumprir o processo de doutrinação dos portugueses acerca da necessidade de uma instituição pública de financiamento da megalomania lunática dos brancos instruídos que compõem o Governo. Até podia ter tirado selfies com o Presidente da República, caramba, para meter no Instagram. Não, demiti-me e nem sugeri um sucessor. Se ainda vou a tempo, proponho o doutor Armando Vara. Conheço também um sucateiro de Ovar com um filho novinho e casa em Elvas, caso as Instituições da República estejam particularmente carentes. Esta política de afectos é mesmo uma grande alternativa. Bem, fico-me por aqui. Ah! E quando essa coisa que tem aí no ministério das finanças acertar, finalmente, numa previsão, veja lá se o demite: só tem interesse ficar com ele enquanto sair tudo ao lado do porta-aviões.

Beijinhos,

Domingues

Solução para a esquerda permitir armas

27 Novembro, 2016

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Fidel Castro era um homem. Isto é importante: ver a tralha nacional embevecida por um indivíduo com testículos e propensão para armas de fogo permite termos alguma esperança no reconhecimento da distopia que habita nestas mentes. Durante anos, ouvimos que aqueles americanos que defendem o direto à posse de arma eram maluquinhos. Eis que agora, por ocasião do falecimento de Fidel, podemos verificar que os heróis da esquerda revolucionária (e do PS, desde a abertura igualitária a idiotas chapados ao abrigo da inclusão) são parecidos com agricultores brancos e não-instruídos do Kansas.

A diferença de critério parece ser de ordem pragmática: o americano com armas não precisa delas se afirma que não pretende matar ninguém, enquanto o revolucionário que os jornais caracterizam como “líder histórico”, como precisa assassinar um ou outro daqueles que, caso votassem, seriam meninos para votar mal, tem todo o direito a possuir o arsenal que lhe aprouver.

A minha sugestão para esses brutos americanos que nem votar sabem é que optem pela via revolucionária: passem a dizer que precisam das armas para matar dissentes e, já agora – porque não? -, à lá Che – outro grande “líder histórico” -, alguns homossexuais que se atravessem pelo caminho.

Pequena nota: ao contrário dos que vêem nestes tipos uns heróis, não sou a favor do assassínio de dissidentes e homossexuais.

o alegre ditador

27 Novembro, 2016
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0800Jorge Sampaio, que também é homem dado a afectos, quase poderíamos dizer, o presidente dos afectos de esquerda, para contrapor ao presidente dos afectos da direita, pronunciou-se, hoje, sobre o novo santo do panteão das esquerdas revolucionárias (e não só…), Fidel Castro. A respeito da santificação desse beato, há que referir, aproveitando a oportunidade, que se arrisca a bater o recorde pessoal de João Paulo II, também ele santificado numa velocidade mesmo imprópria para um Papa. Ora, o que disse, então, o afectuoso Jorge sobre o Papa de la Revolution? Disse que «Fidel Castro era isto». «Isto», reparem bem, pois podia ser «aquilo», mas não: «Fidel Castro era isto!». E mais alguma coisa? Sim, que «era de uma grande simpatia». Um camaradão, bom para larachas e conversas ao serão. Também devia ser um excelente contador de anedotas. Provavelmente seria um excelente diseur (dos poemas do Che) e, nos dias de maior descontração, era capaz de nos brindar com umas melodias ao piano. Enfim, um virtuoso. De resto, quanto à «simpatia», todos os apreciadores de um bom «puro» (cof, cof…) são tipos de bem com a vida e que gostam de espalhar alegria à sua volta. É evidente que, segundo o afectuoso Jorge, «as pessoas não podiam ignorar a ditadura». Reparem, mais uma vez: «ignorar» não é necessariamente combater, nem sequer contestar. É reconhecer um facto. E os factos, em primeiro lugar, compreendem-se (Jorge também é óptimo a «compreender o mundo e a vida»), assimilam-se, mas não se contestam. Não se podem contestar: são factos. Já lá dizia o outro, o nosso Pessoa: «primeiro estranha-se, depois entranha-se». Com o Fidel e a sua «grande simpatia», também era assim. Já o Pinochet era um trombudo, e essa era uma grande diferença entre os dois.

 

Obituários à Moda do Jornalista Tuga

26 Novembro, 2016
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Faleceu hoje Átila (406-453), lider histórico do povo huno, figura marcante do século V. Os detractores chamavam-lhe Flagelo de Deus, mas ficará para a história como o derradeiro conquistador das últimas décadas.

O povo Khmer chora a morte do carismático líder histórico Pol Pot (1925-1998). Apesar de controverso, foi um dos últimos revolucionários idealistas do século XX. O Presidente da República lamentou não ter tido tempo de o conhecer em vida.

Jean-Bédel Bokassa (1921-1996), pai dos centro-africanos, faleceu hoje vítima de ataque cardíaco. Apesar de ter liderado apenas 3 anos e de ter sido perseguido nas últimas duas décadas pelos seus opositores políticos, deixa uma marca incontornável na República Centro Africana. Morreu sem se provarem as alegadas acusações de comer criancinhas ao pequeno-almoço.

Os alemães estão inconsoláveis com a morte de Adolf Hitler (1889-1945) carismático líder do Partido Nacional-Socialista e Führer desde 1933. Orador poderoso, chefe incontestado e idolatrado por milhões de alemães, não deixou de ser uma figura controversa chegando a ser acusado pela oposição da prática de genocídios. Ter-se-à suicidado hoje, na sua habitação em Berlim. Foi uma figura incontornável da política europeia da última década.

Histórico, comandante de Cuba, eterno revolucionário… É isto, não é?

26 Novembro, 2016
Correio da Manhã: Morreu o histórico líder cubano Fidel Castro Pai da revolução de Cuba tinha 90 anos. Corpo será cremado este sábado.
DN:‘El Comandante’ Fidel Castro, histórico líder cubano, morre aos 90 anos
JN:Morreu Fidel, o comandante de CubaPÚBLICO: Morreu Fidel Castro, o eterno revolucionário

Portugal do pode ser

24 Novembro, 2016

Paulo Tunhas: Portugal tornou-se, para sorte de alguns, uma espécie de experiência colectiva dos célebres “cenários políticos” de Marcelo Rebelo de Sousa, numa sua anterior encarnação. E tirando, parece, a gente que investe dinheiro, que sofre do horrível vício maniqueísta do “ou é ou não é”, viver num mundo de plena virtualidade tem um indiscutível encanto. Quem me garante que amanhã não vou encontrar um pote de ouro, deixado por um duende benfazejo, no fim do arco-íris? Até pode ser que sim.

Há, no entanto, alguns inconvenientes. Um deles é que todos os portugueses, com a excepção de Marques Mendes, o único que sabe, estão, sob a poderosa influência do poder ser, condenados ao “parece que”. Parece que António Costa e Mário Centeno negociaram com a equipa da CGD as tais condições excepcionais. Parece que Rui Rio não se vai candidatar. Parece que Sócrates escreveu mesmo o livro. E, de repente, uma ou outra destas coisas parece que não.

Pensar a sociedade

24 Novembro, 2016

cow_eating_2_by_mearnzy-d3e9rg5O último cluster de lero-lero entre economistas – uma eventual necessidade para criar assunto entre a camada de ciento-plebeus que se sente segura com existência de um teologia moderna baseada em cientismo, a utilização de jargão científico para credibilizar o conteúdo que, em linguagem de leigos não teria ponta por onde se pegasse – é a questão da desigualdade. É bastante irónico, tomando em consideração que indivíduos como o Piketty têm como objectivo essencial a diferenciação, o reconhecimento da malta pelo seu mérito intelectual por oposição a todos os outros, os que não são capazes de “pensar a sociedade”.

Sempre tive aversão a tipos que “pensam a sociedade”. Em Trás-os-montes – mas não só – usa-se o verbo “pensar” para o acto de dar alimento ao gado. “Vou pensar a Mimosa”, dirá um agricultor que solta a vaca para verdes prados. “Corre, vaquinha, corre! Vai, pensa-te!”, que é o que estes pensadores da sociedade fazem: vai, boi, alimenta-te deste húmus que te enfio à colher pela goela abaixo, eu que penso a sociedade como ninguém.

Há centenas de anos que existe “globalização”. O que se denomina agora por globalização não é mais do que a transferência do patrocínio da corte para ir buscar umas especiarias aos orientais para a iniciativa privada de cariz tecnológico. Uns chineses constroem telefones em vez de comerem cascas de arroz ou pedras, recebem salário que nunca receberiam na “lixeira de Manila” (ainda gostam do Krugman, não gostam?), e os ocidentais podem “pensar a sociedade” nos blogues e Facebooks enquanto sentadinhos no aeroporto ou no gabinete antes da aula a leccionar durante o dia na universidade pública. O que chateia os arautos das desigualdades é, precisamente, não meterem a mão no bolo, como antigamente a corte fazia, sem pretenderem, porém, investir o capital necessário que esta investia para financiar o empreendimento. Vai daí, os estados, transpondo a máxima ginotrotskyista de que é preciso perder a vergonha de ir buscar a quem acumula – uma variante do “é preciso casar com homem rico e distraído o suficiente para ignorar o fogo que arde pelo jardineiro sem se ver” -, e por intermédio de quem “pensa a sociedade”, procuram “regular” as cenas, um eufemismo para “comer parte do bolo”. Invariavelmente, o cariz autoritário abrange todo o espectro, desde os que querem comer o bolo todo aos que querem comer o bolo todo mas só assumem querer comer uma ínfima parte.

E pronto, como me disseram que a direita tinha que pensar nisto, eu pensei, mas não mais que dez minutos, que estou de dieta. No entanto, cheguei à mesma conclusão que tenho desde que deixei de ter acne: um bom governo é aquele que não perde tempo com quem “pensa a sociedade”.

um milagre

23 Novembro, 2016
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lula-linguaO que vimos, até agora, acontecer no Brasil é um pequeno e inocente intróito àquilo que veremos, a partir de hoje. O facto é o seguinte: um ano depois de ter o seu presidente, Marcelo Odebrecht, preso, todos os executivos da empresa que tem por nome o seu apelido de família, e que estão envolvidos na Operação Lava Jato, assinaram, hoje de manhã, um «acordo de delação», a «delação do fim do mundo», como já é conhecida. A Odebrecht é a empresa por onde passaram muitos dos muitos milhões da corrupção política, e a sua rede tentacular terá abrangido praticamente toda a classe dirigente. Por isso se diz à boca pequena que esse acordo atingirá, sem excepção, toda a cúpula política do país dos últimos vinte anos: Lula, Dilma, Temer, Aécio, Cabral, Paes, Alckmin, Serra, enfim, não sobrará ninguém. A violência daquilo que se aguarda é tal, que se diz mesmo que haverá um «Brasil a.O. e d.O.»: «antes e depois da Odebrecht». Sérgio Moro, o juiz que lidera, desde o começo, esta inaudita operação, e que sempre tem sido muito parco em palavras, deixou cair uma sombria ameaça: espera que «o Brasil sobreviva» ao que aí vem. Ele, melhor do que ninguém, lá saberá o que está para vir.

O facto é que esta verdadeira revolução, porque é de uma revolução se trata, é absolutamente inaudita e, quando chegar ao seu termo, criará um novo tipo da história política. Ela é horizontal, porque atinge todos os regimes, todos os partidos, todos os políticos de todos os últimos governos, pelo que não é um golpe de um grupo político contra outro, mas de um poder – o judicial – contra outro – o político. Ora isto tem (pelo menos…) um perigo evidente: quando a revolução acabar, quando já não sobrar ninguém para prender e condenar aos olhos da opinião pública, quem governará o Brasil? Como não se fazem políticos por geração espontânea, muito provavelmente as actuais elites locais e regionais ascenderão ao plano nacional e federal, e preencherão os locais deixados vagos. Os partidos – presume-se (e deseja-se) que a democracia prevalecerá – são os canais próprios para se realizar essa substituição das elites dirigentes, pelo que será pela sua via que quem está hoje na política local poderá chegar à nacional. Só que, infelizmente, a política local brasileira, ainda que numa escala menor, é tão ou mais corrupta do que a nacional. Pelo que, a não ser que suceda algo que é absolutamente imprevisível (um milagre???), o que aí virá não vai ser melhor do que o que aí está. E pode até ser mesmo bem pior.

O Governo Toupeira

23 Novembro, 2016

Somos governados por toupeiras socialistas que desde que assaltaram o Parlamento, ainda não pararam de abrir buracos.  Não fosse o líder das toupeiras um  bom pupilo de Sócrates e não teríamos logo uma estreia fabulosa  com o Banif, que em três semanas, foi vendido  ao Santander  por 150 milhões, que por sua vez emprestou ao Estado 1800 milhões para cobrir a despesa da resolução e depois, este, descontraidamente enviar o buraco  de 3600 milhões para o contribuinte pagar.  

Ora, um governo toupeira que não abre mais que um buraco não é toupeira digno desse nome, e por isso abriu-se mais um na CGD. Como era preciso contratar o melhor gestor bancário da praça para fazer renascer o Banco Público, “O Special One da Banca” exigiu, só, uma “casa bem limpinha” com 5 mil milhões (uma insignificância) que baixou depois, vá lá, para 3 mil milhões (coisa pouca), acompanhado de um salário sem tectos e declarações fiscais  negociadas com o chefe das toupeiras para serem  metidas na gaveta. Não vá alguém saber que, ele também abriu buracos noutros lados e comprou acções de forma pouco clara do BPI, nem  que tem património valiosíssimo subvalorizado…

Insatisfeitos por ainda não estarem no topo da tabela, eis que estas toupeiras trabalhadoras nos presenteiam, agora, com mais um generoso buraco da Carris, essa emblemática empresa pública, tão acarinhada pelas esquerdas,  com uma histórica dívida de 700 milhões. Com a CML agora a gerir, chutam  o buraco da dívida, orgulhosamente para o Estado, ou seja outra vez para os contribuintes. Assim, com cronómetro da dívida a zeros, a nova gestão já pode criar mais dívida até ao próximo buraco.

Se a tudo isto juntarmos os buracos que agora já podem ser abertos pelos autarcas sem serem responsabilizados financeiramente por gestão danosa, dentro de breve, nosso país será um autêntico queijo suíço que, enquanto  abre buracos por populismo doentio, do outro lado do muro afunda-se  numa dívida que já excede os 133% do PIB.

Até lá haja CE, BCE, FMI que nos segure.

Pior. Muito pior.

23 Novembro, 2016

Donald Trump é certamente o presidente dos EUA eleito com a plataforma de apoio e programa menos liberal (sentido clássico) e mais intervencionista desde Franklin Roosevelt. E não apenas isso. É o mais inexperiente e, (o que é o pior) personagem com personalidade de todo não recomendável para coisa nenhuma. Muito menos para presidir aos EUA. Em suma, um sujeito verdadeiramente perigoso, para todos nós.

«Que não» dizem-me amigos. Concedem que seja um «bocado tolo», mas asseguram-me que há salvaguardas para as asneiras que possa querer fazer,  que lá existem «as instituições», os «checks and balances» e outros eteceteras que julgam resguardar o que um tolo no poder possa querer fazer. Não creio que tal seja suficiente para impedir vários possíveis desastres. Todas essas ditas «salvaguardas» existem e existiam há décadas. E mesmo assim não impediu os crimes de Nixon, a tortura sistemática de Bush, Guantanamo ou as execuções extra-judiciais (incluindo de cidadãos amercianos) de Obama, as guerras não-declaradas, os bombardeamentos em tudo quanto mexe, apenas para citar o mais grave.

Não. Tais salvaguardas não serão suficientes. Com Trump vai ser pior, muito pior.

É certo que não ajuda nada a existência de uma comunicação social que fica histérica à minima provovação, que engole acéfalamente todo o spin dos opositores de Trump, que é incapaz de destinguir o folclore da essência, que continua incapaz de criticar ou sequer verificar o que foi feito pela administração democrática, a qual, em tanto casos, não se distingue do que o novo presidente quer fazer, pois apenas varia o volume mas não a essência. Sem uma comunicação social séria e profissional vai ser muito mais complicado.

O novo presidente é em si um perigo, mas perigoso também é não haver quem faça o contraditório de forma séria, pois ficar-se-á sempre pela espuma dos dias. Que é disso que ele se alimenta.

Domingues, Costa e Marcelo

23 Novembro, 2016

Terá a pretenção de António Domingues de não estar abrangido pela obrigação de entregar declaração de rendimentos e património algum fundamento jurídico?
Vejamos.

O Estatuto do Gestor Público(*) aplica-se ás empresas públicas(*). Diz a lei que também se aplica «as empresas participadas» pelo Estado com mais de «10% do capital» mas «sem influência dominante». Não há dúvidas que a CGD é um empresa pública.
O célebre decreto de Agosto deste ano vem no entanto retirar a aplicação do referido Estatuto de Gestor Público á administração da CGD: «O presente decreto-lei não se aplica a quem seja designado para órgão de administração de instituições de crédito integradas no setor empresarial do Estado». Decreto feito por encomenda pois que a CGD é mesmo a única instituição abrangido por essa disposição.

Por outro lado, existe a Lei nº4/83 de 2 de Abril(*), que regula as obrigações dos detentores de cargos políticos, fazendo equiparação (artº4, al. a), para os seus efeitos aos Gestores Públicos. Mas que o decreto de Agosto considera que já não se aplica aos administradores da CGD, pois estes já não estão sob tal Estatuto.

A sua alinea b) do mesmo artigo refere: «b) Titulares de órgão de gestão de empresa participada pelo Estado, quando designados por este;». Ora,  tal implica a detenção pelo Estado de mais de 10% do capital mas «desde que o conjunto das participações públicas não origine influência dominante»(artº 7º e 9º do Regime Jurídico do Sector Público Empresarial). Não é o caso da CGD. Esta não é, para estes efeitos, considerada «participada» mas sim pública.

Assim, pode-se concluir que a Lei 4/83 seja pela al.a) ou b) do artº4º, não se aplica aos administradores da CGD.

O que diga-se desde já, é um absurdo. Absurdo porque contraria a intenção dos legislador ao querer controlar os rendimentos e património das pessoas equiparadas a detentores de cargos politicos, que é evidentemente o caso da CGD; absurdo porque transfere a classificação dos admin. da CGD para um limbo sem regulação: são efectivamente gestores de uma instituição pública mas não são considerados pela lei gestores públicos….

Entende no entanto o Presidente Marcelo que «A finalidade do diploma de 1983 afigura‐se ser, neste particular, a de obrigar à mencionada declaração todos os gestores de empresas, com capital participado pelo Estado, e em cuja designação tenha intervindo o mesmo Estado, estejam ou não esses gestores sujeitos ao Estatuto do Gestor Público. O que se entende, em termos substanciais, visto administrarem fundos de origem estatal e terem sido objeto de escolha pelo Estado. À luz desta finalidade, considera‐se que a obrigação de declaração vincula a administração da Caixa Geral de Depósitos.»(*) .

É uma interpretação que, para além do evidente esforço de se desculpar a si mesmo, atende certamente correctamente à vontade do legislador original da lei de 1983. Mas peca por um defeito grave vindo da parte de um jurista como o PR. É que uma coisa seria interpretar-se extensivamente na ausência de disposição concreta mas cuja situação pudesse ser entendida como análoga. Outra bem diferente é afirmar a sua aplicação mesmo após acto legislativo que expressamente afastou a sua aplicação. E no caso é perante isso mesmo que estamos. Pode o PR fazer o contorcionismo que bem quiser, tentar fazer um flick-flack à retaguarda ou mais prosaicamente tentar sacudir água do seu capote. Foi por via legislativa afastada uma obrigação existente, visando satisfazer vontades e casos particulares criando-se dessa forma um absurdo legal.

E os responsaveis por isso são os que abaixo assinam o agora famoso decreto de Agosto:

simsim

Tenho receio que o Trump não leia os vossos avisos

22 Novembro, 2016

Alguém devia assegurar que os vossos textos que alertam para a chegada da cavalaria ariana e do fascismo racista misógino não instruído de brancos homofóbicos chega aos norte-americanos. Se calhar o Trump não sabe ler Português (os americanos, como se sabe, são estúpidos). Se alguém traduzisse, digamos… o Público para Inglês, talvez os americanos percebessem o perigo em que estão metidos por terem votado tão mal. Se calhar nem compreendem o quanto nos estão a magoar com as suas escolhas presidenciais. Devíamos fazer algo por isso. A minha sugestão é um manifesto seguido de petição, em nome dos afectos. Vejam lá isso. 

a guerra não voltará a ensombrar os europeus

22 Novembro, 2016
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Habituámos-nos à ideia de que acabaram as guerras na Europa Ocidental. Longos anos de paz, antecedidos de longos anos de guerra, deram nisto. O mérito da construção comunitária é hoje desvalorizado pelos seus principais beneficiários: aqueles que nasceram e têm vivido as suas vidas longe do espectro sob que viveram as gerações que lhes foram anteriores. Daí que muitos de nós encaremos o fim da União Europeia como uma coisa potencialmente positiva. Pois a burocracia de Bruxelas não precisa de uma lição? Pois não ficaremos de novo livres para fazermos o que quisermos com a nossa moeda? Pois não recuperaremos a nossa soberania para pescarmos a sardinha que nos convier? E não é absolutamente verdade que seremos capazes de manter Schengen? E que está assegurada a tolerância dos países ricos para com as nossas mazelas? E a paz, que ainda ninguém foi capaz de demonstrar que é devida à construção europeia? Não é verdade que as visões catastrofistas sobre o fim da União não são mais do que formas de pressão sobre os povos e os governos? A paz perpétua é o reverso da medalha do «fim da História».

Quando, em 39, a Inglaterra declarou guerra à Alemanha, houve festejos em Londres. O país estava farto das humilhações de Hitler, perpetradas à sombra de um primeiro-ministro frouxou e conivente, Neville Chamberlain, que, finalmente, tomara uma atitude. Os ingleses, e Chamberlain, sobretudo, nunca se convenceram que Hitler atacasse a Polónica, como acreditavam que a guerra onde tinham acabado de entrar seria meramente regional, não os afetaria nas suas ilhas, e seria de rápida resolução. Agora que o pequeno cabo de guerra austríaco cometera a insolência de o fazer, havia que lhe dar uma severa lição.

Na Europa dos nossos dias deram-se passos que não deveriam ter sido dados. Maastricht, ainda que reversível e controlável, foi o primeiro. O mais complexo e de sentido único foi, sem dúvida, a Moeda Única. Mas estão dados e ninguém sabe o que acontecerá se forem abruptamente destruídos. Algumas coisas, contudo, podem imaginar-se. A primeira das quais será a catalepsia que atingirá as economias dos países mais frágeis, entre eles Portugal. A falência da maioria dos bancos dessas economias, que deixam de contar com o suporte do BCE e com a subsistência assegurada por juros baixos às dívidas das suas nações. O fecho imediato de fronteiras e o fim do livre-comércio entre os países de Schengen e da União, porque não se imagina que permaneçam abertas num ambiente de colapso das instituições, pelo menos enquanto não forem negociados novos acordos. E que países os negociariam?

Num contexto como o descrito no parágrafo anterior, outras decorrências seriam certamente muito prováveis. A política tem horror ao vazio e, quando alguém se demite de exercer o poder, logo outro se presta a substituí-lo. A Rússia seria certamente tentada a retomar o seu papel de grande potência euro-asiática. Muitos países que antigamente pertenciam à sua zona directa de influência e que tentaram, no colapso da URSS, uma aproximação à «Europa rica» acabariam por novamente se lhe submeter. Aliás, é já o que hoje está a acontecer. A Turquia reforçaria os laços com a Rússia e abandonaria, de vez, qualquer simulacro de democracia, para o que não precisará de fazer um grande esforço. A Síria, o Médio Oriente, boas partes da Ásia e de África teriam de ter em conta os interesses do novo bloco emergente. Que não deixariam de ir onde tivessem de ir para assegurar os seus interesses. A França, se estivesse nas mãos de Le Pen, provavelmente divorciaria-se desses conflitos, ou poderia mesmo ser uma aliada táctica nalguns deles. A Alemanha, sem forças armadas dignas desse nome, ficaria isolada e o Reino Unido inteiramente dependente dos Estados Unidos. O resto da Europa quedaria, preso na sua imensa vulnerabilidade, aos interesses do mais forte.

Obviamente, tudo isto é um disparate e a paz na Europa é um bem para sempre adquirido. Tal como a História, que acabou em 1989, também a guerra não voltará a ensombrar os europeus.

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Os amigos do peluche

22 Novembro, 2016

Uma espécie de síndroma do peluche tomou conta da nossa relação com os animais e em boa medida com o mundo. Vivemos rodeados de uma Natureza ficcionada a partir do sofá, em que animais, mantas e facebook se fundem numa amálgama fofinha por fora mas profundamente inquietante por dentro.

Na última semana o presunto entrou no grupo dos alimentos em vias de extinção e descobriu-se que afinal o urso polar não era amigo do cão. Antes já tínhamos tido o tigre e a cabra “inseparáveis na Rússia”, uma amizade que ilustrou várias das sequências de imagens que encerraram os noticiários em que somos doutrinados nas maravilhas do impossível, como o impacto zero das 35 horas no orçamento do SNS. Creio ser escusado explicar o que aconteceu à cabra e ao cão destes videos que, logo foram substituídos por outros ainda mais virais e ainda mais irreais.

E o presunto, o que vai acontecer ao presunto? Para haver presunto tem de se proceder à castração dos porcos machos (o mundo da veterinária é um manancial de discriminações!) Mas em Bruxelas a castração cirúrgica dos porcos causa angústias existenciais profundas e assim se ditou: a castração dos suínos mesmo que praticada com anestesia, é para acabar. Fica a excepção para o já inacessível Pata Negra que obviamente mais inacessível se tornará. Estranhamente muitos dos que se indignam com a castração dos porcos e vêem nela um enorme problema defendem a castração dos cães e gatos! Em ficamos?

O que é que pode correr mal?

21 Novembro, 2016

PS esquece-se de três zeros na injeção de capital para a Caixa

Juros a 4%: César diz que dívida “não é problema português”

Transcrição do discurso do Senhor Presidente da Junta de Sornebreda de Cima

21 Novembro, 2016

Senhor Presidente da Câmara, Senhor Vereador Para os Transportes, Senhores Jornalistas, Povo de Sornebreda de Cima, Animais de Estimação, Animais de Capoeiro e Camaradas do Jornal Público,

É com enorme prazer que anuncio, perante os senhores jornalistas de todos os jornais, da RTP, da SIC, da TVI e os Camaradas do Jornal Público, que, a partir de hoje, o táxi do Hernâni está à disposição de todos os habitantes de Sornebreda de Cima para os levar onde quiserem de forma completamente grátis.

(Mesmo tu, Arlindo, que moras em frente à escola, podes e deves mandar o Igorzinho de táxi, para ficares descansado).

Anuncio que o importante é transportar as pessoas. Por isso, a dívida de jogo do Hernâni passa a ser da responsabilidade da junta, para que possa começar de novo, fresquinho. O valor não importa.

(A gente compra-te a casa de volta, Hernâni. Até te fazemos uma nova).

A junta também assegura uma prestação mensal ao Hernâni para que ele possa continuar a desenvolver a sua capacidade ao jogo, isto além das despesas com o táxi e o cabeleireiro da Ilda. Com este projecto-piloto, temos a certeza que lançamos a pedra para que outras juntas se sigam no desenvolvimento da dignidade humana. É graças ao exemplo do governo central que hoje podemos lançar Portugal para o futuro em toda a sua integralidade estratégia de cluster agregado expansionista. Hoje é Lisboa e Sornebreda de Cima, amanhã serão outras, e, queira o nosso grande primeiro, o camarada António Costa, que no futuro sejam todas as freguesias do país.

Bem hajam. Gondomar! Gondom… Sornebreda de Cima! Sornebreda de Cima!

Boa

21 Novembro, 2016

IVA na restauração dá 2 milhões à Ibersol que quase duplica lucros

Perguntas sobre a Carris

21 Novembro, 2016

O governo, numa acção de propaganda para promover a candidatura de Fernando Medina à CML, anunciou hoje a passagem da Carris para a CML. Esta passagem levanta várias questões:

1. António Costa anunciou entre sorrisos que o contribuinte assume a dívida histórica da Carris, cerca de 800 milhões de euros. Estamos todos de parabéns.

2. Não foi explicado como é que a Carris passa para a CML. A CML passa a ser dona da Carris com dívida a zero? A ser assim, o contribuinte não só paga a dívida como oferece a empresa a uma das câmaras mais ricas do país. Esta dádiva é legal?

3. Fernando Medina logo anunciou 60 milhões de investimento na compra de autocarros, contratação de mais de 200 motoristas, a criação de dezenas de novas linhas e passes mais baratos. Como é evidente a Carris não tem recursos financeiros para isto e terá que se endividar. Ou seja, limpou-se a dívida para que se possa fazer mai dívida. Quem assume esta dívida, quem a garante e quem no futuro a vai pagar?

4. Esta passagem da Carris para a CML é irreversível ou é só até ela estar de novo insolvente e a precisar de um bailout do Estado Central?

5. António Costa já veio dizer que o EBITDA da Carris não interessa, o que interessa é que transporte pessoas. Portanto, já sabem a resposta às perguntas anteriores.

As Ostras Chegaram aos Pobres

21 Novembro, 2016

É pobre? Vive com salário ou pensão miserável? Mal consegue pagar renda, luz, água ou comida? Tenho boas notícias para si: o IVA das ostras baixou de 23 pra 6%.

O governo amigo dos pobrezinhos, criou agora uma oportunidade única para que tenha, a partir de agora, acesso ao mais requintado manjar, a pensar no aumento da qualidade de vida dos mais desprotegidos.

Com efeito, alimento rico em minerais, vitaminas e compostos orgânicos, é um verdadeiro amigo  da nossa saúde: aumenta a actividade metabólica, reduz os níveis de colesterol, reduz a pressão arterial, melhora as funções imunológicas, ajuda a cicatrização, melhora a  saúde óssea, tem antioxidantes!!! Ufa! Uma bomba de saúde!

Com esta nova dieta, acabarão as esperas intermináveis nos hospitais de… horas, esperas  por consultas de… meses, esperas  por cirurgias de… anos! Vai ganhar uma saúde de ferro e nem sequer vai oxidar! Não é maravilhoso?

Ah! Mas ainda há mais!  O governo também pensou nas suas poupanças, no seu futuro. É que o consumo regular deste manjar precioso pode contemplá-lo com pérolas! Sim, pérolas, daquelas com que se fazem colares!! E com alguma sorte, poderá encontrar uma preta!! Não é fantástico! Pode ficar rico!!

Mas não é tudo. Enquanto se delicia a baixo custo, este alimento também é afrodisíaco. E assim, a fazer  mais sexo (espero que do bom), impulsionará a natalidade, que, como sabe, decresce assustadoramente, no nosso país. Para o êxito desta medida, aumentou a taxa do audiovisual, para desmotivar as distrações. E o Estado assegura assim, também, um aumento da população! Simplesmente genial, não acha?

Porém, a má notícia, é que bens essenciais como o pão, leite, vegetais, e proteínas, rendas e luz  aumentaram. E sofrerão em 2017, ainda mais um aumento significativo por causa dos impostos indirectos.

Mas pronto. Há que dar prioridade ao essencial, não é?

Curiosamente esta extrema (serão de esquerda?) nunca motivou grande interesse nem preocupação

20 Novembro, 2016
Restaurante de José Avillez no Porto vandalizado Ataque de grupo pró Palestina que contesta visita do chef a Israel.

E como a memória é muito importante nestas coisas e ninguém se lembrou deles quando o Leonard Cohen morreu aqui fica o link para uma nota de imprensa publicada no Esquerda net intitulada “Leonard Cohen, não entretenha o apartheid israelita!”

De eleitora do Sócrates a blogger Blasfema

20 Novembro, 2016
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cristinaSim, há gente neste País capaz de dar esse “grande salto em frente” e evoluir de forma tão virtuosa. Serão ainda poucos, mas se tiverem todos a capacidade de ruptura e propagação da Cristina Miranda, o fenómeno pode tornar-se “viral”, como sói dizer-se na terminologia das soc net. Não que fiquemos infestados de bloggers, que isto é Clube de acesso restrito, mas baixar o risco de contágio do vírus socretino constitui relevante serviço público, para o qual a Pátria já não dispõe de medalhas condecorativas, tamanha foi a delapidação feita pelo Marcelo.

Isto para dizer que periodicamente sentimos também a necessidade de um “virar de página”. Não da austeridade, que essa já sabemos ser perene e para ficar por mais uma década, mas de formato, ou de táctica para transmitir a mesma mensagem de sempre, a filosofia liberal centrada no indivíduo, por contraponto a ideologias perniciosas assentes no colectivismo uniformizador. Convirá então alternar os executantes de molde a convencer o maior número. Há que ter quem defenda, quem construa e quem ataque, quem remate com os 2 pés e de cabeça, e que todos marquem. Não se dispensa o manancial teórico do Rui A., o preciosismo jurídico do Carlos Loureiro, o sentido de oportunidade e de rigor histórico do Gabriel, o diagnóstico implacável e cirúrgico do João Miranda, a mordaz crítica de costumes da Helena, o humor cáustico e corrosivo do Vítor e do JCD. Tudo isto é importante, mas não chega. Falta-nos simplicidade e capacidade de gerar empatia de forma alargada.

E aqui entra a Cristina Miranda, a carinha laroca da foto, que denota traços orientais mas é vianense dos 7 costados, o nosso “reforço de Inverno”. Mas para jogar nas 4 estações, nesta época e nas vindouras, que a “cláusula de rescisão” é inatingível por qualquer concorrente.

A Cristina é mulher de armas. Uma compleição aparentemente frágil e uma postura de cativante simplicidade, de sorriso sempre aberto, escondem uma personalidade multifacetada, calejada por  experiências várias, académicas e profissionais. De um frustrado curso de jornalismo ao ISCAP; da condução de um empilhador à gestão financeira de uma empresa em overtrading; a ter de negociar com bancos e fornecedores, de fazer o papel do “homem do fraque” perante clientes relapsos; do ensino à criação de empresas na área da formação (não, seus maledicentes, não foi a Tecnoforma, mas ainda que fosse?). A vida é dura Luiz, para quem não vive à custa de outrém tudo tem de ser conquistado a pulso, sempre com muito suor, muitas vezes com baba e ranho. E depois veio a crise, duríssima, mas temos de saber descobrir oportunidades no meio de tanta ameaça. Já estive desempregada, mas felizmente nunca me faltou trabalho. E as emoções vão fluindo, em simultâneo com as vivências recentes ou do passado que vai evocando.

É sobretudo a expressão do sentimento, mais que o mero recorte literário, que se nota nesta assertiva tareia que a Cristina ferrou na Mariana e a atirou para a ribalta nas redes sociais. Traduzindo para “marxês”, a Cristina exprimiu muito simplesmente a revolta perante a tentativa do burocrata parasitário se pretender locupletar com a mais-valia acumulada pela força de trabalho. Típica exploração da classe trabalhadora pela classe dominante. Clarinho para todos e quanto bastasse para suscitar o apoio espontâneo de dezenas de milhares.

Escrever no Blasfémias??? Belisca-me Luiz, que não acredito. Eu sou mulher do povo, não estou preparada nem familiarizada com o vosso tecnicismo e conceitos etéreos.

Perfeito! O que os liberais mais precisam é de aprender a falar ao povo.

Já te belisquei q.b. Cristina e garanto que tens pinta de Blasfema. Bem vinda a esta Loja. As teclas esperam-te e que nunca te doam os dedos.

A minha vizinha anda a acumular um proto-fascismo que põe em risco o elevador

20 Novembro, 2016

O Ricardo Paes Mamede tem razão. Uma vida saudável previne mesmo o populismo proto-fascista e, convenhamos, só o socialismo previne a barbárie.

Ainda há poucos anos, as mulheres tinham que matar os seus filhos, para os comer. Foi durante o governo de Passos Coelho e, não fosse a doutora Maria de Belém, nunca saberíamos disso. Ora, comer filhos em exclusivo não é uma alimentação saudável, é o caminho para a barbárie e para o proto-fascismo, via uma nutrição sem as vitaminas de uns legumes ou o cálcio de um bom esparregado como acompanhamento.

Eu passo a vida a avaliar mulheres na rua e ainda bem que o Ricardo Paes Mamede torna legítima esta minha actividade que, até agora, mantive na clandestinidade. Avaliações simples, não preconceituosas e bastante igualitárias, como “esta é gira”, “aquela tem uma boa anca para parir os meus futuros filhos”, “a amiga tem um rabo proto-fascista e só pode ser casada com um racista nojento dos que comem gorduras saturadas”. Às vezes acho que devo intervir, e faço-o, para bem delas. “Vai para o ginásio, badocha”, “mostra-me a tua depilação”, “esse peito alimentaria várias castas de múltiplas ninhadas indianas”. Tudo no máximo respeito pelas mulheres em geral e por mim próprio em particular. Nunca piropei, acho de mau gosto e até criminoso. Em vez de um nojento “comia-te toda”, tenho a classe e sofisticação para proferir um muito mais simpático “tens um corpinho de socialista que nem te digo nada”, mesmo que diga. “Esses brincos enormes são uma óbvia mensagem de que desejas ser argolada por ex-combatente proto-fascista graúdo que quase escreve livros” também é uma expressão que uso amiúde. “Andas de bicicleta enquanto lês Proust? Temos tanto em comum”.

***

O Passos Coelho não é gordo, o que o torna mais perigoso, porque oculta o corpo de proto-fascista. Já o António Costa é um homem que cultiva a imagem de barbaridade hipertensa como um sacrifício em prol da plebe flácida, para a convencer a corpo são em mente sã. A Catarina Martins está ali entre o socialismo e a falta de tempo para não ocultar um proto-fascismo que enche um pouco as coxas. O Jerónimo de Sousa é a antítese do proto-fascista, com um corpo de quem dança aos fins-de-semana. O Francisco Louçã tem muitas semelhanças com o Paulo Portas: ambos preocupados com a aparição dos primeiros sinais de um proto-fascismo de meia-idade muito mais difícil de perder depois de adquirido.

Quem também ligava muito ao aparecimento do proto-fascismo era o Hitler. Um gajo conhecido pela prevenção da barbárie, foi peça essencial para evitar muitos casamentos entre judeus, uma raça conhecida pelo excesso de celulite, para que estes vilões não propagassem o proto-fascismo pelas gerações vindouras. Todos os dentes de ouro foram devidamente removidos, para evitar envenenamento por metais pesados. Foi uma pessoa que pensou muito no nosso bem-estar colectivo.

E é aqui mesmo que Ricardo Paes Mamede tem razão, no facto do socialismo prevenir mesmo o aparecimento da barbárie: dá cabo de todos antes que venham com ideias ridículas de comer pasteis de nata em vez de combaterem o proto-fascismo no terreno, nas nossas universidades dotadas de génios com as mais maravilhosas teses eugénicas fora do Júlio de Matos.

é o fim da ostracização das ditas cujas

19 Novembro, 2016

Reviver o passado no Contraditório

18 Novembro, 2016
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Em 2009, após ouvir um Contraditório na Antena 1 escrevi este artigo, a que chamei Os Neoabistas. Íamos a caminho do abismo, mas naquele grupo de inconscientes celebrava-se o sucesso do governo de José Sócrates e a sua a mão firme que nos guiava a todos rumo a um futuro luminoso.

Da equipa de opinadores desses tempos apenas resta Ana Sá Lopes mas o programa de hoje fez lembrar-me o artigo de há 7 anos. As três alminhas opinantes estão em êxtase com o sucesso do governo.

Raul Vaz já antevê que António Costa pode ter uma maioria absoluta em 2019. O argumento é linear. O PS vai ter uma grande vitória nas autárquicas, Passos Coelho cai, Rui Rio liderará o PSD e fará todos os acordos de regime que o país necessita com o amém de Marcelo e, corolário da virtude política excepcional, o grande Costa voará para uma maioria absoluta.

Ana Sá Lopes fez a extrema-unção a Passos Coelho. O sucesso económico tremendo desta semana é o fim da estrada para o líder do PSD. Um crescimento ímpar – 1,6%, o maior da Europa – mostra que era este o caminho que devia ter sido percorrido antes.

António José Teixeira é igual ao que sempre foi e debitou as banalidades pró-PS do costume. Até o Moscovici já reconhece o sucesso da economia lusa.

Voltámos a 2009. Bastou um crescimento circunstancial num trimestre, ajudado pelo boom do turismo amplificado pela situação na Turquia, por uma venda não recursiva de aviões velhos à Roménia e por uma refinaria que tinha estado parada e agora arrancou para deixar os 3 opinantes em delírio.

Como é bom de ver, não aprendemos muito. Nem sei bem como qualificar esta gente. É que nem os burros tropeçam duas vezes na mesma pedra.

Entretanto, enquanto os portugueses estão entretidos a conspirar contra Trump

18 Novembro, 2016

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No Correio da Manhã.

uma atitude

18 Novembro, 2016
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-O politicamente correcto anda muito preocupado com a vitória do Trump e com as consequências para a liberdade e a paz mundial que essa vitória poderá acarretar. Queixam-se da prometida construção do muro na fronteira do México, mas ignoram que Bill Clinton já lá meteu um, cuja construção começou em 1994 e que já vai em quase 1.000 km. Temem pela paz mundial, mas já se esqueceram do embaixador americano assassinado em Benghazi e nem querem ouvir falar nas relações conflituais da Administração Obama com a Rússia. Por isso, para um europeu ocidental, eu estaria bem mais preocupado com a possível eleição de Marine Le Pen, daqui por uns meses, em França, do que com a vitória já consumada de Donald Trump, que me parece até poder ser positiva no cenário mundial (Putin já o felicitou e disse que quer retomar relações normais com os EUA…). É que há uma elevada probabilidade de Le Pen fazer, uma vez no Eliseu, o que prometeu em campanha, ao contrário do que me parece que Trump fará com muito do que andou a dizer para arregimentar votos. De facto, a vitória de Le Pen terá a quase inevitável consequência da saída da França da União Europeia. A consequência disto, aliada à saída do Reino Unido, que sempre era o fiel da balança do eixo franco-alemão, será a do fim da União Europeia e do Euro, o encerramento das fronteiras, o fim do eixo franco-alemão e a aliança geopolítica da França com a Rússia, deixando a Alemanha perigosamente sozinha. Um cenário já visto num passado não muito longínquo e que não trouxe nada de bom. Para Portugal, será o regresso de uma economia integralmente doméstica, mas já sem as facilidades da Ryanair e do turismo, que é o vai aguentando isto. Neste contexto, ver um sujeito com elevadas responsabilidades políticas, como Manuel Valls, considerar altamente provável que Marine ganhe as eleições de 2017 por causa de Trump, é de uma estupidez cavalar. Em vez de procurar as razões da possível derrota no seu país, no país que governam há décadas, atira para cima dos EUA. É uma atitude miserável e cobarde. Ou melhor, uma atitude de um cobarde miserável.