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É isso e, por exemplo, barrar o exercício da magistratura a pessoas que não pensam como nós

13 Setembro, 2020

Barrar ensino superior público a quem recuse aulas de Cidadania pode ser solução, diz magistrada. Dulce Rocha defende que a “solução para alunos de Famalicão não deve ser o chumbo”. E sugere alternativa: se irmãos chegarem aos 16 anos e decidirem que não querem que lhes sejam ministrados conteúdos de Cidadania e Desenvolvimento que estão a falhar agora barrar-lhes entrada no ensino superior público pode ser a opção, diz.

Confissão

12 Setembro, 2020

A absolvição é o processo a partir do qual humildemente lamentamos as falhas que cometemos ou que julgamos cometer. Tenho pensado muito na lista “pensamentos, palavras, actos e omissões” e apercebo-me que o meu principal pecado ocorre com o pensamento.

Quantas vezes passo por alguém na rua e dou comigo a julgar a indelicadeza de um toque no braço sem um pedido de desculpa? Felizmente, cada vez menos, porque o pensamento que me ocorre mais frequentemente é o de que, às tantas, aquele indivíduo tem um filho doente, ou morreu-lhe alguém, ou nem sabe o que vai fazer da sua vida com o desemprego.

Por isso, se entro num McDonalds e peço algo sem queijo, limito-me a sorrir quando vem com a fatia amarela lá enfiada. Eu sei lá se morreu o cão à moça. Sei lá se está ali há mais de oito horas a ouvir sempre as mesmas palavras. Sei lá se o namorado lhe deu uma tareia na noite anterior. Eu sei lá, mas presumo que sim. Olho para as pessoas e gosto delas, sejam zombies ou sejam vampiros, é tudo o mesmo.

O que eu não tolero são os “presidentes da junta”. O idiota que tem um único poder, o de carimbar ou não um papel que me dará acesso a algo importante, como uma visita hospitalar ou o desbloquear de um imbróglio sem sentido.

Há dias assisti na recepção de um hospital um homem de uma pastelaria a não conseguir entregar uma encomenda feita por uma médica. Tratava-se de médica da instituição, internada noutro serviço para se submeter a uma cirurgia. Pretendia dar um mimo aos colegas que a operariam. A justificação da recepção foi que entregariam os bolos à médica se ela estivesse lá “na qualidade” de médica, mas, como naquele momento estava lá “na qualidade” de doente, não se poderia entregar comida aos doentes. Constatei que “a qualidade” das pessoas é variável consoante as suas circunstâncias.

E assim cometi um pecado por omissão bem maior que os do pensamento: é que fiquei calado.

O incêndio de Moria não foi um desastre humanitário, foi e é um crime de fogo posto

11 Setembro, 2020

«Situado na ilha grega de Lesbos, Moria – o maior campo de refugiados da Europa e aquele que tinha piores condições, já que albergava cerca de quatro vezes mais pessoas do que a sua capacidade — sofreu vários incêndios na quarta-feira, após confrontos entre os migrantes e as autoridades gregas. O incêndio foi detetado depois de ter sido anunciado que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste para deteção da infeção da Covid-19 e que iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento. Nesse mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha pediu aos países da União Europeia para cuidarem dos migrantes atingidos pelo “desastre humanitário”.»

A devoção matinal

10 Setembro, 2020
  1. Fazer a tradicional notícia sobre a estupidez ou a maldade do Trump. Hoje temos o livro que «revela que Trump sabia, em fevereiro, da gravidade do vírus. Mas preferiu desvalorizar para não criar pânico» Note-se que em Janeiro-Fevereiro as mesmas notícias destinadas a provar a enorme inteligência, bondade e cultura dos nosso dirigentes, evidenciavam a contrastante estupidez do dito e mesmissimo Trump por estar a adoptar medidas restritivas aos viajantes provenientes da China por causa do vírus. Então a extraordinária inteligência e acuidade dos líderes do lado bom das notícias avisava que “a introdução de controlos fronteiriços, a interdição de viagens para determinados destinos ou o cancelamento de eventos — que, de acordo com os epidemiologistas, não têm qualquer eficácia em termos de contenção das infecções e segurança das populações.” (Ursula von der Leyen, ,Presidente da Comissão Europeia, 2 de Março); : “O risco aqui é muito baixo” ( comissário europeu para a Gestão de Crises, Janez Lenarcic)… Enfim como então gritava a esquerda espanhola nas ruas a 8 de Março “El único virus peligroso es tu machismo”, “No hay virus peor que el patriarcado” ou “El machismo sí es un virus, y no el coronavirus”. Entretanto mudaram de opinião mas terão sempre um Trump à mão para os ajudar a polir a imagem dos seus.
  2. Fazer a notícia fofinha sobre o grupo de protegidos do dia. Hoje continuamos com o campo de Moria que era uma “bomba relógio” e cujo incêndio foi “uma tragédia anunciada”. O que distingue o crime de ódio da tragédia anunciada? A identidade dos autores do crime. Só.
  3. … Isto está a tornar-se cansativo.

O jornalismo de causas

9 Setembro, 2020

O caso do genro de Francisco Louçã serve como exemplo da actual (e crescente?) duplicidade de critérios, falta de rigor profissional e submissão voluntária de muitos jornalistas a agendas de causas.

É prudente não confundir mensagem com mensageiro, mas à mulher de César, além de cuidar das aparências, conviria ser séria.

O meu video de hoje no programa “Ao Final do Dia”:

Socialismo, liberalismo, ciganismo, covidismo

9 Setembro, 2020

É com bastante frequência que escrevo sobre o quão discussões sobre -ismos são irrelevantes. Não faz qualquer diferença se isto é o socialismo, o liberalismo, o situacionismo, o comunismo ou o azeiteirismo. Compreendo que seja fácil para académicos cair nesse buraco das definições, mas para mim, um Zé Povo ligeiramente mais letrado que o típico eleitor e infinitamente mais embrutecido pela realidade de que um gajo que tem tempo para ler todos os livros não carrega baldes, tudo isso soa a diálogo de filme porno.

A histeria covideira vai originar uma de duas situações: ou as escolas começam a flexibilizar as regras imbecis (particularmente as de transformarem crianças em Darth Vaders mascarados) ou daqui a dois meses ninguém quer ouvir falar mais de Covid e as entidades de saúde poderão começar a atribuir os números de mortos da segunda vaga aos dentes partidos a médicos de família e professores inflexíveis na sarna automática de todos que não eles próprios e que serão atropelados “acidentalmente”.

Como me custa a crer que quer a classe docente, quer os médicos, seja composta maioritariamente imbecis e sim por pessoas que não só foram à praia como viram presidente e primeiro-ministro a fazer o mesmo, o mais natural parece-me ser a opção da flexibilização natural, com muito lero-lero à mistura, e umas zaragatoas enfiadas ao delegado de saúde mais zeloso (o local de enfiamento fica à escolha). Se a opção for a segunda, só vos posso desejar boa sorte, pois ides precisar.

Volto então ao tema do socialismo, do liberalismo e dos outros -ismos todos: bastou Ventura tratar Ana Gomes por cigana para demonstrar que nada disso importa. Agora, o que importa é esperar pela troika pacientemente, que eles lá dirão que -ismos não são condição necessária para esta crise que pagaremos.

O incêndio de Moria: notícias do indulgentismo

9 Setembro, 2020

O campo de refugiados ficou praticamente destruído depois de vários incêndios terem deflagrado esta madrugada, após confrontos entre os cerca de 13 mil migrantes

Ninguém pede que os responsáveis sejam rapidamente levados perante a justiça? Ninguém fala de racismo e e xenofobia? Não se entrevista nenhuma das testemunhas dessa fogos?… Só fotos da tragédia e culpabilização dos gregos, dos europeus.

Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto

9 Setembro, 2020

Concorda com a eleição indireta dos presidentes e vice-presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)?

A alteração da orgânica das CCDR que estabelece   a forma de designação do presidente e dos vice-presidentes das cinco CCDR – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve -, que até agora eram nomeados pelo Governo é um passo que se pode tornar irreversível para uma regionalização que os portugueses rejeitaram em referendo.

Portanto os candidatos devem ser confrontados com a questão da regionalização: concordam ou não concordam? O que pensam da convocatória de um novo referendo? E desta via da secretaria para  aregionalização?

Esta é a terceira pergunta. Mais uma a juntar a

1. Concorda que as expressões pai e mãe sejam substituídas na documentação oficial por Progenitor 1 e Progenitor 2?

2. É a favor ou  contra da divulgação da lista de devedores ao novo banco?

3. Concordam ou não concorda com a regionalização? O que pensa da convocatória de um novo referendo? E da  regionalização na secretaria como acontece com a  eleição indireta dos presidentes e vice-presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)??

Breve história para-covid

8 Setembro, 2020

Na passada sexta-feira, em plena zona da Boavista, no Porto, junto de alguns dos principais hotéis da cidade e em área com excelentes acessos rodoviários, um cavalheiro teve um colapso fulminante, com paragem cardio-respiratória e foi assistido de imediato e com o esforço humanamente possível por transeuntes que passavam no local naquele exacto momento.

Vim a saber que o INEM foi primeiramente chamado às 17h20 e relatada nessa altura a gravidade e extrema urgência da situação. Mas às 17h40, 20 minutos mais tarde, dado que o socorro da ambulância não havia ainda chegado, nova chamada de socorro foi realizada. Os profissionais do INEM acabaram por chegar às 17h50 tendo aí prestado a assistência à vítima, tanto quanto se percebeu, de forma irrepreensível.

Entre a primeira chamada e a chegada da ambulância alguém também de passagem teve a feliz iniciativa de procurar ajuda junto de um polícia que se encontrava nas imediações já que se supõe ter formação e/ou experiência mínima para lidar com o sucedido. Mas este recusou deslocar-se ao local (a menos de 200m de distância) por se encontrar de guarda a um estabelecimento comercial.

Da sorte que este senhor teve não tenho notícia. Desejo que tenha recuperado e muitos anos de vida feliz e saudável possa ainda desfrutar.

Moribundo parece-me estar a gestão dos meios de assistência médica de emergência, a coordenação e comunicação entre vários serviços essenciais do Estado.

A responsabilidade política, essa, morre solteira.

E quando se pensava que já se tinha visto tudo…

7 Setembro, 2020

chega de França a notícia de um protesto de guardas-prisionais reivindicando que os presos não possam ter fritadeiras. Exactamente, em várias prisões francesas os presos têm fritadeiras ao seu dispor. Escusado será dizer que o óleo a ferver se tornou uma arma.

Agression à l’huile bouillante dans la prison de Valence : deux surveillants et un détenu brûlés

Violente agression d’un surveillant de prison, victime d’un jet d’huile dans les Bouches-du-Rhône

Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto

7 Setembro, 2020

Outra pergunta a colocar nas próximas eleições: é a favor da divulgação da lista de devedores ao novo banco? Recordo que o estado português divulga a identidade de quem deve ao fiscoe à segurança social. Portanto os candidadtos devem ser confrontados com a questão: têm os portugueses o direito de saber quem lhes deve?  Recordo que falamos de devedores como o cliente 58 que gerou perdas ao BES-Novo Banco de 904 milhões de euros.

A outra pergunta é: concorda que as expressões pai e mãe sejam substituídas na documentação oficial por Progenitor 1 e Progenitor 2?

Com um bocadinho de esforço talvez consigam escrever sobre o assunto

7 Setembro, 2020

A banalização dos esfaqueamentos em Inglaterra é um sinal da nossa alienação: os esfaqueamentos não poupam sequer as crianças. A maior parte das suas vítimas e dos seus perpetradores não são brancos. A cada novo esfaqueamento as autoridades declaram-se chocadas e anunciam ir fazer uma investigação profunda. Pouco depois acontece novo esfaqueamento e lá vêm novas declarações. Agora tivemos um esfaqueamento em Birmingham. Logo se declarou não ser de motivação terrorista mas provavelmente tratar-se de um ajuste de contas entre gangs. Também temos a indicação da escolha das vítimas ser aleatória. Como podem os gangs ajustar contas entre si através da selecção aleatória das vítimas ninguém explica.

Invariavelmente e ao contrário do que acontece noutros casos as vítimas destes crimes são mediaticamente mudas: ninguém as entrevista. Já os seus agressores são pessoas destituídas de rosto. Paulatinamente também são desprovidas de nome.

É enorme o grau de violência quotidiana a que os residentes estão sujeitos em algumas zonas de Inglaterra ou França. Em França surgem agora movimentos locais dessas populações como é o caso de “Lyon en colère” onde já se fazem “ajuste de contas” à machadada

 

 

 

Sobre o “marxismo cultural” – 3.ª e última parte

6 Setembro, 2020

Falemos então, com todas as aspas devidas, de “marxismo cultural” (3), no Observador.

Quando e porquê as crianças portuguesas passaram a ser filhas do progenitor 1 e do progenitor 2?

6 Setembro, 2020

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Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto.

(imagem tirada daqui)

A propósito desta linguagem dita inclusiva convém ler os avisos do Tiago Picao Abreu:  o movimento da linguagem “inclusiva” alterou subtilmente palavras como “pais” por “progenitores”, “sexo” por “género”, ou “paternidade” por “parentalidade” sem que tais conceitos sejam, como se pensaria, sinónimos, pois as palavras substitutas têm significados bem diferentes das substituídas. Optar por uma identificação através do género em vez do sexo não é uma decisão inocente do Estado, é a materialização de uma agenda ideológica que contraria os mais elementares princípios científicos. E, esclareça-se já, as questões de género não se confundem de forma alguma com a orientação sexual, pois a expressão da sexualidade, seja de que âmbito for, não colide nem nega a evidência biológica de que o ser humano é criado com sexo masculino ou feminino.

Era só para lembrar que os solidários, fofinhos, idealistas, pacifistas, amigos dos animais e outras coisas que tais

6 Setembro, 2020

impediram a publicação de vários jornais em Inglaterra porque não gostam das notícias

 

Mas se o polícia for negro o poema deixa de ser poema, passa a insulto racista e aí a prisão já se justifica?

5 Setembro, 2020

Homem detido por colar cartazes com poema “ofensivo” para a PSP. Trabalho fazia parte de iniciativa cultural

Meus caros ou se admitem insultos ou não se admitem insultos. Por mim acho que se devem admitir. O que não podemos é viver neste frenesi entre os insultos que são crimes e os insultos que são arte.

Do sexo ao género: a monumental armadilha

5 Setembro, 2020

Pedro Bacelar de Vasconcelos repete várias vezes nesta declaração à Rádio Observador a expressão identidade de género. Repete-a como quem decorou uma lista de compras. Nunca explica o que tem a dita identidade de género a ver com  a defesa da Constituição, em que aliás o  único género que se pode escolher é o do trabalho. Muito menos se  percebe o que pretende o deputado com a invocação da “visão patriarcal milenar das sociedades humanas” para explicar o que entende ser a rejeição “das questões de género e de sexo”.

É o clássico misturar e baralhar de expressões como deve ser.

O primeiro passo para nos libertarmos desta patranhologia é perguntar exactamente o que se entende por género e por identidade de género. Talves depois percebamos que caímos numa monumental armadilha ao deixarmos que os direitos humanos deixassem de ser direitos dos humanos para se tornarem np glossário do activismo.

 

 

 

 

 

A nova normalidade

4 Setembro, 2020

A expressão “nova normalidade” mete-me nojo. Se é normalidade é porque é velha, refinada ao longo de muitos anos, com origem em pontos perdidos no longo tecido do tempo; se é nova não é normalidade, é uma anormalidade até que comece a parecer tão normal que de anormal já nada tem.

Parece-me que a expressão é usada pelas pessoas que desejam assegurar que esta aberração histórica se perpetue no tempo. É bem possível que o consigam. A uma dada altura da minha vida apercebi-me que só vale lutar se soubermos de antemão estarmos destinados a perder. Por outro lado, as únicas coisas pelas quais lutar valem a pena são as que menos beneficiam com um perdedor.

Se no futuro estaremos todos mortos, no passado estamos todos de máscara, o hijab laico desse culto pelo Homem Novo, o que considera tudo uma mera construção social. A sorte disto é que a normalidade, a tal “nova normalidade”, é ela própria uma construção social. Portanto, de construção social em construção social lá avançaremos para o fim da construção.

Não é então de surpreender que a “nova normalidade” seja abraçada quer pela esquerda, quer pela direita, quer por socialistas, quer por liberais, quer por conservadores, quer por revolucionários. A nova normalidade é tão normal que não restam mais que uns velhos anormais.

Olho para as pedras do muro que estão cá há mais de 100 anos. Parece-me de granito normal. Não são. São de granito da nova normalidade. Se fossem de granito normal já teriam desistido de suportar o peso que têm sobre as costas.

Foi a Inês que a pariu!

4 Setembro, 2020

Duas activistas feministas do colectivo “Capazes” (liderado pela filha do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues) estão na origem de uma acção legal interposta no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra 33 Estados europeus que consideram irresponsáveis por não combaterem as alterações climáticas.

Aquando do início deste processo os supostos requerentes eram crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos que atribuíam a culpa pelo incêndio e tragédia de Pedrógão às alterações climáticas.

Ouvi amigos meus duvidarem que pessoas de tão tenra idade tenham tido elas próprias a iniciativa, os contactos e uma atitude suficientemente estruturada para tal acção. Admito que a história possa suscitar dúvidas aos meus amigos (eventualmente com mentes perversas) sobre se as crianças estariam a ser usadas em interesses e benefícios difusos, nomeadamente de agendas ideológicas progressistas. Ou se os Pais das crianças estariam ausentes do processo e/ou teriam autorizado contactos com juristas. Esses meus amigos chegaram a questionar-me sobre se seria admissível tornar crianças requerentes formais num processo judicial a nível internacional, mas eu não soube responder. Colocaram-me um sem fim de outras questões, mas, ao contrário dos meus amigos, eu acredito que haja crianças entre os 5 e os 18 anos especialmente capazes.

Por falar em capazes, as duas raparigas da “Capazes” entram em cena em momento certeiro e a atenção e apoio que dispensam a estas crianças (minha intuição) não serão alheios aos valores de magnanimidade e voluntarismo que pelo menos uma delas terá ganho pela sua experiência de ex-dirigente da juventude socialista e formação católica no colégio S. João de Brito.

Este par de mulheres adultas são juristas e afirmam ser “voluntárias” na GLAN – Global Legal Action Network, tendo agregado esta instituição ao “sonho” e à “ideia ousada” original das crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos. Trabalhar junto da Comissão Europeia terá também ajudado a alavancar a dinâmica da litigância.

Mas, entretanto, adensa-se em mim algum receio de que as dúvidas dos meus amigos tenham alguma razão de ser quando fico a perceber que os promotores da iniciativa declararam em 2017 pretender angariar um financiamento de 385.000€ para pagar a peritos e juristas que ficarão responsáveis pela tramitação do caso. Ainda assim, depois de ter refletido sobre isto, concluo com alívio que a novilíngua dá maior latitude ao significado de “trabalho pro-bono” e por isso não encontro nenhuma irregularidade, ilegalidade nem sequer má-intenção. Aliás, louvo a transparência dos procedimentos e objectivos que são de consulta aberta a todos os que tiverem acesso à internet e quiserem ter o cuidado de se informar.

Com este desiderato de juntar dinheiro, esta equipa lança uma campanha de crowdfunding com uso de imagens vídeo das crianças entre os 5 e os 18 anos fazendo declarações pungentes e dramáticas sobre o cataclismo das alterações climáticas.

Curiosamente, em 2017, era um grupo de sete crianças, mas em 2020 a acção foi submetida apenas em nome de seis delas. Não sei o que terá acontecido para esta desistência do Simão.

De todo o modo, três anos volvidos, a verdade é que o processo teve pernas para andar e a acção judicial deu mesmo entrada no TEDH. Foi notícia na imprensa internacional e difundida também em Portugal por diversos órgãos de comunicação social que, aparentemente, terão reproduzido sem edição o press-release redigido para o efeito e utilizado sem questionamento o dossier de imprensa disponibilizado que incluiu nova produção fotográfica com as crianças agora entre os 8 e os 21 anos.

A entrada do processo no TEDH foi também saudada por várias pessoas em Portugal, nomeadamente um deputado socialista e, claro, a activista feminista-climática.

Uma bela história que tive o gosto de partilhar com os leitores do Blasfémias a quem aproveito para dar a boa-nova de que o mundo será salvo e de que esta acção foi a Inês que a pariu!

De cada vez que alguém falar de identidade de género experimentem perguntar-lhe: o que é o género?

4 Setembro, 2020

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) que se apresenta como  “o organismo nacional responsável pela promoção e defesa desse princípio, procurando responder às profundas alterações sociais e políticas da sociedade em matéria de cidadania e igualdade de género” revela uma norme dificuldade em definir o que é o Género.

A definição apresentada no Glossário publicado pela CIG é tão prolixa quanto enredada. O Género tornou-se naquela palavra que se repete para parecer bem mas ao certo não se sabe exactamente o que é: Género: atributos e expectativas socialmente associadas a ser-se do sexo feminino ou do sexo masculino, bem como às relações entre mulheres e homens. Estes atributos, expectativas e relações são socialmente construídos, variando consoante a sociedade e o período histórico. Assim, o género abrange um conjunto amplo de representações relativas a comportamentos que condicionam o que é esperado, permitido e valorizado numa mulher ou num homem. Na maioria das sociedades, existem diferenças e desigualdades entre mulheres e homens no que diz respeito às responsabilidades atribuídas, às atividades empreendidas, ao acesso aos recursos e ao controlo sobre os mesmos, bem como às oportunidades no acesso à tomada de decisão. O género inclui-se num contexto sociocultural mais abrangente, no qual se integram outros fatores importantes para a sua análise como a origem racial e étnica, a idade, o nível de pobreza, etc.
O conceito de género é também importante para compreender o contexto da identidade de género.

Prova de aferição

4 Setembro, 2020

Uma mulher grávida foi detida na Austrália em frente aos filhos por dizer coisas no Facebook. Talvez não fossem coisas aceitáveis, como “o capitalismo mata” ou “é preciso ir buscar o dinheiro a quem o tem”. Talvez até tenha sido algo positivo e usável na exuberância dos jovens como “polícia bom é polícia morto”. Em qualquer dos casos, parece-me uma boa oportunidade para aferir as aulas de cidadania: exponham o caso aos alunos e registem as respostas. Se a maioria dos alunos achar que foi bem presa então é porque as aulas de cidadania estão a funcionar na perfeição.

A ouvir para perceber como a ditadura dos beto-urbanos representa um triunfo da ignorância

4 Setembro, 2020

O interior, o ambiente, a agricultura, as infra-estruturas. Aqui discutidos por Henrique Pereira dos Santos e João Faria.

Uma notícia de 2040

3 Setembro, 2020

Três dias. Faltam exactamente três dias para que os vencedores do Prémio Máscara do Ano – Vanessa, de 13 anos, Simão, de 8 – possam usufruir da piscina municipal de Vila Chã por 15 minutos. A excitação é palpável, como confirma o deputado regional de saúde, doutor João Mãozinhas, que efectivamente apalpou os vencedores de tão desejado prémio.

O técnico responsável pela piscina, doutor Carmim Vermelhão, em lay-off desde 2020, assegura que a qualidade da água continua inalterada: “não é por uma piscina estar fechada vinte anos que a água se deteriora”. O autarca, também presente na cerimónia de entrega do prémio pelo Zoom, envergando a máscara vencedora do ano passado, salienta que “é muito bom podermos optar por um prémio desportivo em vez do habitual contrato de trabalho como chibo do concelho”, acrescentando que “infelizmente, pela situação de crise actual, não podemos empregar mais chibos para início de carreira enquanto os chibos de topo de carreira não se reformarem”.

O Jornal de Notícias recusou-se a cobrir a notícia porque já estavam 8 pessoas no Zoom e uma delas tinha uma cerveja na mão e – passamos a citar – “já eram quase oito menos um quarto”.

Educação para a denúncia: transformar cada criança num vigilante da família

3 Setembro, 2020

Entre os diversos exercícios propostas para as aulas de cidadania contam-se vários em que as crianças detalham o que acontece em casa, como se organiza a família, os seus tempos livres e de trabalho. Em seguida é suposto debater-se o modelo familiar…

O que está em causa não é apenas uma questão de proselitismo e da Educação para a Cidadania ser uma Religião e Moral Maçonico-Progressista. As aulas  de Educação para a Cidadania podem fazer da cada criança um vigilante da doutrina estatal nas suas casas.

As pessoas que tanto defendem a frequência obrigatória da Educação para a Cidadania

3 Setembro, 2020

são as mesmas que colocam os seus filhos a salvo destas maluqueiras nuns colégios privados de preferência estrangeiros como acontece com vários membros do governo, jornalistas, comentadores, artistas-activistas…?

 

Portugal não tem, nem terá Orçamento

2 Setembro, 2020

Na rúbrica “Ao final do dia” da plataforma do Camilo Lourenço, faltou-me talvez dizer que quando o Estado se endivida os politicos apenas têm de gerir o montante dos juros acrescidos que têm de ser pagos pelos actuais contribuintes, controlando assim os danos eleitorais mais imediatos, pois as amortizações de capital são em princípio pagas mais à frente no tempo, noutra legislatura.

O resto está aqui:

 

 

A máquina de ficcionar problemas

2 Setembro, 2020

Ricardo Lobo: O Ministro do Ambiente e da Acção Climática (MAAC) «visita a Casa dos Animais de Lisboa e marcha, qual general, para uma parada de cães enjaulados e de ladrar estridente. Em simultâneo, o presidente da Câmara de Lisboa anuncia, sem pudor, um investimento de 1,2 milhões de euros para uma ampliação destinada a alojar 60 cães. Em simultâneo, o presidente da Câmara de Lisboa anuncia, sem pudor, um investimento de 1,2 milhões de euros para uma ampliação destinada a alojar 60 cães.O MAAC aproveita a ocasião para indicar o nome da provedora, que no ICNF irá ser a responsável omnipotente pela elaboração e execução de toda a política relacionada com os animais de companhia, incluindo “naturalmente”, como refere o MAAC, as questões de saúde pública.Estava dado o mote para todas as autarquias de todo o país que agora ficarão sob a tutela do provedor: alojamentos pomposos para cães de ninguém – 20 mil euros/cão, canis cheios de animais não adotáveis e animais na rua a atacar pessoas ou outros animais, ou a encher pardieiros em espaço florestal.(…) A ficção e o absurdo, esses não terminariam sem uma visita a uma colónia de gatos errantes que usam máquinas de lavar em fim de vida como casotas. Do ponto de vista da reciclagem de eletrodomésticos, seria uma apenas uma medida fofinha acarinhada por um ministro do Ambiente, não fossem os gatos errantes responsáveis, em todo o mundo, pela extinção de uma série de espécies de fauna selvagem. Assim, é só ficção da terceira divisão regional.»

O “casal português” e “homem negro”

2 Setembro, 2020

A má fé da racialiazação da sociedade está estampada nestes títulos. Ambos constam na edição on line de hoje do CM. Porque escrevem “casal português” e não casal de brancos? E porque escrevem “home negro” e não cidadaão norte-americano? Porque a cartilha manda que se raciliaze tudo aquilo que se prende com os negros: estes deixaram de ser cidadão portugueses, norte-americanos, franceses para se tornarem afrodescendentes. E nos territórios afros mandam os activistas.
Note-se contudo que o CM ainda deu a notícia do “casal português” assassinado na África do Sul. Mas foi dos raros a fazê-lo. A imprensa de referência nem uma linha dedicou a Dinis Fernando e Maria Gorete Silva
Segundo o Forum Português da África do Sul 460 portugueses foram assassinados na África do Sul desde o fim do apartheid em 1994. As suas mortes nunca geram qualquer onda de solidariedade mesmo quando acompanhadas de acções macabras como aconteceu com a tortura e morte da família Viana em 2011.

No Country For Middle-Age Men

1 Setembro, 2020

Recentemente tive uma epifania. Só é possível sobreviver nesta era deixando tudo para viver como vagabundo de praia. Metaforicamente, e não só.

Encontro-vos de volta quando cá chegarem.

Somos todos Avante

1 Setembro, 2020

300 pessoas num casamento? Eles são Avante

Dezenas numa festa? Eles são Avante

Ajuntamente na praia? Eles são Avante

Avante somos todos.

É só querer!

Diante de cada multa é só fazer da cantiga uma arma e gritar: Eu sou Avante.

Somos todos Avante.

Viva a Festa do Avante

Todas as festas são Avante.

Façamos de Portugal uma imensa Atalaia e gritemos: aqui é Avante. Logo fazemos o que nos dá na real gana. As leis não se nos aplicam. IVA também não há. Facturas nem pensar. Nós somos Avante e se não somos queremos ser.

14 de Setembro de 2020

1 Setembro, 2020

Da fútil irresponsabilidade

31 Agosto, 2020

O senhor Bansksy achou por bem gastar algum do seu dinheiro num navio logo apresentado como humanitário. O navio em causa como tantos outros transporta migrantes do norte de África para o continente europeu. Ou mais propriamente recolhe-os dos botes de borracha onde os traficantes os largam. Em seguida os “humanitários” recolhem os migrantes desses botes e clamam pelo humanitarismo da Europa. Seguem-se uns dias de apelos e avisos até que os migrantes são desembarcados. Os migrantes do senhor Bansksy ficaram em Lampedusa. O  barco do senhor Bansksy lá seguia para o norte de África para fazer mais humanitarismo. Os murais do senhor Bansky valorizam mais um pouco. Os traficantes de pessoas enriquecem um pouco mais. O resto que se lixe:  faz-se um mural todo catita aos que morrem na travessia. Dos habitantes de Lampedusa basta dizer que votaram na extrema-direita.

Avante, camaradas!

30 Agosto, 2020

Chegou a hora da mudança! É preciso iniciar a revolução! É tempo de cortar amarras com o passado e debandar em horda para o glorioso triunfo universal de uma humanidade justa, digna, solidária e empenhada na transição do mundo para a sua plenitude.

É preciso desafiar a autoridade, resistir, agir de forma deliberada para mudar o mundo.

É preciso arriscar prisão por abraçar um idoso; é preciso brincar com crianças sem que tenham viseiras, capacete e trinta camadas de roupa antibacteriana; é preciso destruir as instituições burguesas de comodidade e arriscar sentar na areia de uma praia onde alguém se sentou antes. É preciso cometer loucuras como ir passear sem escafandro para um jardim público, para a rua, para lojas enfeitadas deliciando-nos com compras desnecessárias à subsistência asséptica e rejeitando a factura. É preciso que crianças quebrem todas as regras abraçando a tia e a avó. É preciso ir acampar e arriscar a carga policial por ingerir cerveja depois das 20h00 sem que isso leve à multiplicação, como os Gremlins. É preciso a violência de nos sentarmos num café cuja mesa é limpa com o mesmo pano que acabou de ser passado no vómito do cliente anterior. É preciso partir tudo através de saltos sincronizados em concertos rock, suar como um porco e sorrir quando o indivíduo do lado nos toca inadvertidamente pela falta de espaço. É preciso quebrar todas as tradições estabelecidas e enfiar umas farturas gordurosas pela goela abaixo aos gritos de “São João”.

A revolução está nas tuas mãos, camarada. Junta a tua à nossa voz. Avante!

Costa é má pessoa

29 Agosto, 2020

O Alberto Gonçalves, hoje no Observador:

O dr. Costa não tem nada que se aproveite, incluindo a capacidade de ver nos semelhantes (salvo seja) qualquer coisa diferente de instrumentos ou empecilhos dos propósitos dele. O dr. Costa não é só um mau governante: é obviamente má pessoa. E uma pessoa má que manda sem escrutínio num país é obviamente um governante terrível. E perigoso.

O texto completo aqui.

É raro discordar do Alberto e hoje não é excepção.

 

 

Ofereço-me para traduzir gratuitamemte

29 Agosto, 2020

a imprensa francesa. Afinal acredito que só por absoluta falta de meios estes factos não são noticiados em Portugal

Lyon : un jeune garçon tabassé pour avoir défendu des filles

Besançon : une musulmane de 17 ans tondue et frappée par sa famille pour être sortie avec un chrétien

Les minorités chinoises en France, cible d’une politique de surveillance ordonnée par Pékin

As palavras que se perdem

28 Agosto, 2020

Há uns anitos, a palavra “inconstitucional” fazia parte do léxico comum. Bastava o governo de Passos Coelho anunciar o corte de um cêntimo à função pública que os média, as suas tias e sobrinhos e a prole dos avençados – com infortúnio dos seus filhos os poderem tratar por putas sem incorrecção semântica – para o grito de “inconstitucionalidade” ecoar mais forte que Pompéia a ser coberta de lava acabadinha de brotar.

Agora, uma tonta pode anunciar que “está a ponderar” o uso de açaime em qualquer espaço público e não se passa nada. As modas vão e vêm, é o que é.

Chamem-lhe padre, chamem-lhe senhorio, chamem-lhe governo, chamem-lhe o que quiserem

27 Agosto, 2020

Isto de dividir o mundo entre boas pessoas, as que querem proteger o planeta e salvar o mundo do coronavírus, das pessoas más, as que querem que as deixem em paz, é muito conveniente. Transcendendo esquerda, direita, mais liberalismo ou mais autoritarismo, visa unificar o complexo alinhamento das pequenas gaiolas – o gay, o negro, a mulher, o unicórnio – numa única fonte de opressão: o lastro da civilização heteropatriarcal, colonialista e qualquer-outra-coisista que o sistema achar por bem usar.

As coisas vão andando cordatas, independentemente da bufaria e dos zelosos agentes que conseguem encontrar cinco miúdos a menos de 3 km uns dos outros numa praia. Pois não continuarão assim. Tudo se intensificará e o mundo ficará dividido ordeiramente entre negacionistas-colaboracionistas (escolher o que mais lhe agradar), onde encaixam os Trump, Ventura, Bolsonaro, Orbán e um monte de – e cito a inteligência nacional – parolos, e o verdadeiros humanos, os que jogam pelas regras impostas pelas sinistras organizações onde se passeiam figuras tão interessantes como a doutora doutora doutora Graça Freitas e o doutor doutor doutor doutor professor doutor Francisco George. Cobarde é o Costa, que usa figuras destas para testas-de-ferro daquela que é a sua função: decidir.

O Bill Gates, que nunca conseguiu livrar máquinas Windows de vírus, empenhado que está em inocular pessoas com a versão alfa 0.0.1 de uma hipotética vacina que, na melhor das hipóteses é um placebo, na pior é a concretização do sonho de equilíbrio das contas de um estado social falido através da morte de velhos por esquecimento, agrada à tralha milienial de doutores e doutores doutorados em pós-doutoramentos doutoráveis em doutorismo variado, que adoram ficar em casa a coçar os tomates enquanto sentem a auto-importância a crescer.

É. O panorama português não é muito animador – graças a Deus, até porque isso seria estragar a campanha vitoriosa para a desgraça dos últimos 200 anos – mas é precisamente por isso que o candidato do Chega, André Ventura, irá bombardear a direita várias vezes conotada como a mais estúpida de sempre (em algumas dessas vezes deve ter sido erradamente, a não ser que tenha conseguido o mérito de piorar sempre de forma sustentada) com o voto envergonhado que não aparece em sondagens.

Infelizmente, tal só serve o querido e magnânimo Partido Socialista, com o inimigo perfeito, solitário, contido, facilmente adquirível. O PS, o nosso salvador contra colaboracionistas-negacionistas, esse triunfará sempre nesta ilusão a que se chama democracia. Mas, como benesse colateral, servindo para reduzir a pó as múmias que por aí ainda vão circulando na tentativa de combater institucionalmente o impossível pela ausência de instituições, já valerá a pena.

E você? Já pediu autorização ao governo para jogar à bola hoje?

O Elefante Branco ainda não percebeu que deve é dedicar-se à política?

26 Agosto, 2020

O Elefante Branco, conhecido bar de Lisboa, interpôs hoje uma providência cautelar contra a decisão do Conselho de Ministros que determina que estes estabelecimentos só podem abrir como cafés ou pastelarias, disse o seu advogado.

Muito francamente os proprietários do Elefante Branco e já agora do Gallery Club,   Passerelle… estão mal aconselhados pelos seus advogados. Qual providência cautelar qual quê! O que eles têm de fazer é dedicar-se à política. Declaram as suas casas espaço de discussão política, colocam uns cartazes sobre a paz no mundo, o combate às alterações climáticas e o combate às injustiças e já têm a actividade devidamente autorizada e a DGS a dizer que não pode proibir.

Não duvido que vai ser um sucesso. Por exemplo, e isto é só uma sugestão no Elefante Branco podem fazer um seminário dedicado à influência do trotskismo nas esquedas pós-queda do Muro. Já no Gallery Club podem fazer sessões de canto livre e abordar a temática “Olavo Bilac- Xutos & Pontapés, do Chega ao Avante os palcos nos caminhos da resistência” e assim sucessivamente.  O país inteiro deve ser uma imensa Festa do Avante!

 

 

Não é uma excepção. É um padrão

25 Agosto, 2020

Rodrigo Saraiva : As irritações do novo “animal feroz”

Não via António Costa assim irritado desde as perguntas que lhe fez uma jornalista da SIC junto ao pavilhão Atlântico, em 2015.

Não. Desde que recusou a decisão da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos para tornar público um relatório sobre obras públicas municipais, em 2013 quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Não. Desde 2011 quando o jornal Público, amparado pela lei, pediu para ter acesso a esse mesmo relatório.

Não. Desde que não gostou de algumas perguntas do jornalista Vítor Gonçalves numa entrevista na RTP, também em 2015.

Não. Desde que à entrada de uma reunião da Comissão Nacional do PS, em Novembro 2016, se irritou ao ser questionado por jornalistas sobre a potencial saída de Centeno do governo.

Não. Desde esse mesmo dia, quando questionado sobre se a não entrega de declarações de rendimentos de António Domingues terá sido uma condição deste para aceitar o lugar de presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Não. Desde os incêndios de Pedrógão, em 2017, quando várias vozes lhe perguntaram porque não pedia desculpa aos portugueses.

Não. Desde que mandou terminar uma entrevista à Rádio Renascença no seu carro porque não gostou de uma pergunta, em Setembro de 2017.

Não. Desde aquele embate com Assunção Cristas no Parlamento. Qual deles? Perdi a conta. Foram vários.

Não. Desde a patética cena de Tancos, ao ser questionado se tinha conhecimento dos gravíssimos factos ali ocorridos.

(…)

Do jornalismo ao servilismo socialista

25 Agosto, 2020

Depois de ter praticamente ignorado as declarações do primeiro-ministro português sobre os médicos o Diário de Notícias deu finalmente destaque de capa às declrações ofensivas e inapropriadas da dignidade do cargo proferidas por um governante. Do Brasil, obviamente.Quanto ao sucedido em Portugal lá está tudo embrulhadinho para não se perceber nada. Porque não faz o DN uma capazinha em que Costa aparece no lugar de Bolsonaro e colocam lá as declarações do PM português sobre os médicos? Não ficava bem, pois não? Era populismo não era?