A nova normalidade
A expressão “nova normalidade” mete-me nojo. Se é normalidade é porque é velha, refinada ao longo de muitos anos, com origem em pontos perdidos no longo tecido do tempo; se é nova não é normalidade, é uma anormalidade até que comece a parecer tão normal que de anormal já nada tem.
Parece-me que a expressão é usada pelas pessoas que desejam assegurar que esta aberração histórica se perpetue no tempo. É bem possível que o consigam. A uma dada altura da minha vida apercebi-me que só vale lutar se soubermos de antemão estarmos destinados a perder. Por outro lado, as únicas coisas pelas quais lutar valem a pena são as que menos beneficiam com um perdedor.
Se no futuro estaremos todos mortos, no passado estamos todos de máscara, o hijab laico desse culto pelo Homem Novo, o que considera tudo uma mera construção social. A sorte disto é que a normalidade, a tal “nova normalidade”, é ela própria uma construção social. Portanto, de construção social em construção social lá avançaremos para o fim da construção.
Não é então de surpreender que a “nova normalidade” seja abraçada quer pela esquerda, quer pela direita, quer por socialistas, quer por liberais, quer por conservadores, quer por revolucionários. A nova normalidade é tão normal que não restam mais que uns velhos anormais.
Olho para as pedras do muro que estão cá há mais de 100 anos. Parece-me de granito normal. Não são. São de granito da nova normalidade. Se fossem de granito normal já teriam desistido de suportar o peso que têm sobre as costas.
Foi a Inês que a pariu!
Duas activistas feministas do colectivo “Capazes” (liderado pela filha do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues) estão na origem de uma acção legal interposta no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra 33 Estados europeus que consideram irresponsáveis por não combaterem as alterações climáticas.
Aquando do início deste processo os supostos requerentes eram crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos que atribuíam a culpa pelo incêndio e tragédia de Pedrógão às alterações climáticas.
Ouvi amigos meus duvidarem que pessoas de tão tenra idade tenham tido elas próprias a iniciativa, os contactos e uma atitude suficientemente estruturada para tal acção. Admito que a história possa suscitar dúvidas aos meus amigos (eventualmente com mentes perversas) sobre se as crianças estariam a ser usadas em interesses e benefícios difusos, nomeadamente de agendas ideológicas progressistas. Ou se os Pais das crianças estariam ausentes do processo e/ou teriam autorizado contactos com juristas. Esses meus amigos chegaram a questionar-me sobre se seria admissível tornar crianças requerentes formais num processo judicial a nível internacional, mas eu não soube responder. Colocaram-me um sem fim de outras questões, mas, ao contrário dos meus amigos, eu acredito que haja crianças entre os 5 e os 18 anos especialmente capazes.
Por falar em capazes, as duas raparigas da “Capazes” entram em cena em momento certeiro e a atenção e apoio que dispensam a estas crianças (minha intuição) não serão alheios aos valores de magnanimidade e voluntarismo que pelo menos uma delas terá ganho pela sua experiência de ex-dirigente da juventude socialista e formação católica no colégio S. João de Brito.
Este par de mulheres adultas são juristas e afirmam ser “voluntárias” na GLAN – Global Legal Action Network, tendo agregado esta instituição ao “sonho” e à “ideia ousada” original das crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos. Trabalhar junto da Comissão Europeia terá também ajudado a alavancar a dinâmica da litigância.
Mas, entretanto, adensa-se em mim algum receio de que as dúvidas dos meus amigos tenham alguma razão de ser quando fico a perceber que os promotores da iniciativa declararam em 2017 pretender angariar um financiamento de 385.000€ para pagar a peritos e juristas que ficarão responsáveis pela tramitação do caso. Ainda assim, depois de ter refletido sobre isto, concluo com alívio que a novilíngua dá maior latitude ao significado de “trabalho pro-bono” e por isso não encontro nenhuma irregularidade, ilegalidade nem sequer má-intenção. Aliás, louvo a transparência dos procedimentos e objectivos que são de consulta aberta a todos os que tiverem acesso à internet e quiserem ter o cuidado de se informar.
Com este desiderato de juntar dinheiro, esta equipa lança uma campanha de crowdfunding com uso de imagens vídeo das crianças entre os 5 e os 18 anos fazendo declarações pungentes e dramáticas sobre o cataclismo das alterações climáticas.
Curiosamente, em 2017, era um grupo de sete crianças, mas em 2020 a acção foi submetida apenas em nome de seis delas. Não sei o que terá acontecido para esta desistência do Simão.
De todo o modo, três anos volvidos, a verdade é que o processo teve pernas para andar e a acção judicial deu mesmo entrada no TEDH. Foi notícia na imprensa internacional e difundida também em Portugal por diversos órgãos de comunicação social que, aparentemente, terão reproduzido sem edição o press-release redigido para o efeito e utilizado sem questionamento o dossier de imprensa disponibilizado que incluiu nova produção fotográfica com as crianças agora entre os 8 e os 21 anos.
A entrada do processo no TEDH foi também saudada por várias pessoas em Portugal, nomeadamente um deputado socialista e, claro, a activista feminista-climática.

Uma bela história que tive o gosto de partilhar com os leitores do Blasfémias a quem aproveito para dar a boa-nova de que o mundo será salvo e de que esta acção foi a Inês que a pariu!

De cada vez que alguém falar de identidade de género experimentem perguntar-lhe: o que é o género?
A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) que se apresenta como “o organismo nacional responsável pela promoção e defesa desse princípio, procurando responder às profundas alterações sociais e políticas da sociedade em matéria de cidadania e igualdade de género” revela uma norme dificuldade em definir o que é o Género.
A definição apresentada no Glossário publicado pela CIG é tão prolixa quanto enredada. O Género tornou-se naquela palavra que se repete para parecer bem mas ao certo não se sabe exactamente o que é: Género: atributos e expectativas socialmente associadas a ser-se do sexo feminino ou do sexo masculino, bem como às relações entre mulheres e homens. Estes atributos, expectativas e relações são socialmente construídos, variando consoante a sociedade e o período histórico. Assim, o género abrange um conjunto amplo de representações relativas a comportamentos que condicionam o que é esperado, permitido e valorizado numa mulher ou num homem. Na maioria das sociedades, existem diferenças e desigualdades entre mulheres e homens no que diz respeito às responsabilidades atribuídas, às atividades empreendidas, ao acesso aos recursos e ao controlo sobre os mesmos, bem como às oportunidades no acesso à tomada de decisão. O género inclui-se num contexto sociocultural mais abrangente, no qual se integram outros fatores importantes para a sua análise como a origem racial e étnica, a idade, o nível de pobreza, etc.
O conceito de género é também importante para compreender o contexto da identidade de género.
Prova de aferição
Uma mulher grávida foi detida na Austrália em frente aos filhos por dizer coisas no Facebook. Talvez não fossem coisas aceitáveis, como “o capitalismo mata” ou “é preciso ir buscar o dinheiro a quem o tem”. Talvez até tenha sido algo positivo e usável na exuberância dos jovens como “polícia bom é polícia morto”. Em qualquer dos casos, parece-me uma boa oportunidade para aferir as aulas de cidadania: exponham o caso aos alunos e registem as respostas. Se a maioria dos alunos achar que foi bem presa então é porque as aulas de cidadania estão a funcionar na perfeição.
Uma notícia de 2040
Três dias. Faltam exactamente três dias para que os vencedores do Prémio Máscara do Ano – Vanessa, de 13 anos, Simão, de 8 – possam usufruir da piscina municipal de Vila Chã por 15 minutos. A excitação é palpável, como confirma o deputado regional de saúde, doutor João Mãozinhas, que efectivamente apalpou os vencedores de tão desejado prémio.
O técnico responsável pela piscina, doutor Carmim Vermelhão, em lay-off desde 2020, assegura que a qualidade da água continua inalterada: “não é por uma piscina estar fechada vinte anos que a água se deteriora”. O autarca, também presente na cerimónia de entrega do prémio pelo Zoom, envergando a máscara vencedora do ano passado, salienta que “é muito bom podermos optar por um prémio desportivo em vez do habitual contrato de trabalho como chibo do concelho”, acrescentando que “infelizmente, pela situação de crise actual, não podemos empregar mais chibos para início de carreira enquanto os chibos de topo de carreira não se reformarem”.
O Jornal de Notícias recusou-se a cobrir a notícia porque já estavam 8 pessoas no Zoom e uma delas tinha uma cerveja na mão e – passamos a citar – “já eram quase oito menos um quarto”.

Entre os diversos exercícios propostas para as aulas de cidadania contam-se vários em que as crianças detalham o que acontece em casa, como se organiza a família, os seus tempos livres e de trabalho. Em seguida é suposto debater-se o modelo familiar…
O que está em causa não é apenas uma questão de proselitismo e da Educação para a Cidadania ser uma Religião e Moral Maçonico-Progressista. As aulas de Educação para a Cidadania podem fazer da cada criança um vigilante da doutrina estatal nas suas casas.
As pessoas que tanto defendem a frequência obrigatória da Educação para a Cidadania
são as mesmas que colocam os seus filhos a salvo destas maluqueiras nuns colégios privados de preferência estrangeiros como acontece com vários membros do governo, jornalistas, comentadores, artistas-activistas…?
Portugal não tem, nem terá Orçamento
Na rúbrica “Ao final do dia” da plataforma do Camilo Lourenço, faltou-me talvez dizer que quando o Estado se endivida os politicos apenas têm de gerir o montante dos juros acrescidos que têm de ser pagos pelos actuais contribuintes, controlando assim os danos eleitorais mais imediatos, pois as amortizações de capital são em princípio pagas mais à frente no tempo, noutra legislatura.
O resto está aqui:
A máquina de ficcionar problemas
Ricardo Lobo: O Ministro do Ambiente e da Acção Climática (MAAC) «visita a Casa dos Animais de Lisboa e marcha, qual general, para uma parada de cães enjaulados e de ladrar estridente. Em simultâneo, o presidente da Câmara de Lisboa anuncia, sem pudor, um investimento de 1,2 milhões de euros para uma ampliação destinada a alojar 60 cães. Em simultâneo, o presidente da Câmara de Lisboa anuncia, sem pudor, um investimento de 1,2 milhões de euros para uma ampliação destinada a alojar 60 cães.O MAAC aproveita a ocasião para indicar o nome da provedora, que no ICNF irá ser a responsável omnipotente pela elaboração e execução de toda a política relacionada com os animais de companhia, incluindo “naturalmente”, como refere o MAAC, as questões de saúde pública.Estava dado o mote para todas as autarquias de todo o país que agora ficarão sob a tutela do provedor: alojamentos pomposos para cães de ninguém – 20 mil euros/cão, canis cheios de animais não adotáveis e animais na rua a atacar pessoas ou outros animais, ou a encher pardieiros em espaço florestal.(…) A ficção e o absurdo, esses não terminariam sem uma visita a uma colónia de gatos errantes que usam máquinas de lavar em fim de vida como casotas. Do ponto de vista da reciclagem de eletrodomésticos, seria uma apenas uma medida fofinha acarinhada por um ministro do Ambiente, não fossem os gatos errantes responsáveis, em todo o mundo, pela extinção de uma série de espécies de fauna selvagem. Assim, é só ficção da terceira divisão regional.»
O “casal português” e “homem negro”
A má fé da racialiazação da sociedade está estampada nestes títulos. Ambos constam na edição on line de hoje do CM. Porque escrevem “casal português” e não casal de brancos? E porque escrevem “home negro” e não cidadaão norte-americano? Porque a cartilha manda que se raciliaze tudo aquilo que se prende com os negros: estes deixaram de ser cidadão portugueses, norte-americanos, franceses para se tornarem afrodescendentes. E nos territórios afros mandam os activistas.
Note-se contudo que o CM ainda deu a notícia do “casal português” assassinado na África do Sul. Mas foi dos raros a fazê-lo. A imprensa de referência nem uma linha dedicou a Dinis Fernando e Maria Gorete Silva
Segundo o Forum Português da África do Sul 460 portugueses foram assassinados na África do Sul desde o fim do apartheid em 1994. As suas mortes nunca geram qualquer onda de solidariedade mesmo quando acompanhadas de acções macabras como aconteceu com a tortura e morte da família Viana em 2011.
No Country For Middle-Age Men
Recentemente tive uma epifania. Só é possível sobreviver nesta era deixando tudo para viver como vagabundo de praia. Metaforicamente, e não só.
Encontro-vos de volta quando cá chegarem.
Somos todos Avante
300 pessoas num casamento? Eles são Avante
Dezenas numa festa? Eles são Avante
Ajuntamente na praia? Eles são Avante
Avante somos todos.
É só querer!
Diante de cada multa é só fazer da cantiga uma arma e gritar: Eu sou Avante.
Somos todos Avante.
Viva a Festa do Avante
Todas as festas são Avante.
Façamos de Portugal uma imensa Atalaia e gritemos: aqui é Avante. Logo fazemos o que nos dá na real gana. As leis não se nos aplicam. IVA também não há. Facturas nem pensar. Nós somos Avante e se não somos queremos ser.
14 de Setembro de 2020

Da fútil irresponsabilidade
O senhor Bansksy achou por bem gastar algum do seu dinheiro num navio logo apresentado como humanitário. O navio em causa como tantos outros transporta migrantes do norte de África para o continente europeu. Ou mais propriamente recolhe-os dos botes de borracha onde os traficantes os largam. Em seguida os “humanitários” recolhem os migrantes desses botes e clamam pelo humanitarismo da Europa. Seguem-se uns dias de apelos e avisos até que os migrantes são desembarcados. Os migrantes do senhor Bansksy ficaram em Lampedusa. O barco do senhor Bansksy lá seguia para o norte de África para fazer mais humanitarismo. Os murais do senhor Bansky valorizam mais um pouco. Os traficantes de pessoas enriquecem um pouco mais. O resto que se lixe: faz-se um mural todo catita aos que morrem na travessia. Dos habitantes de Lampedusa basta dizer que votaram na extrema-direita.
Avante, camaradas!
Chegou a hora da mudança! É preciso iniciar a revolução! É tempo de cortar amarras com o passado e debandar em horda para o glorioso triunfo universal de uma humanidade justa, digna, solidária e empenhada na transição do mundo para a sua plenitude.
É preciso desafiar a autoridade, resistir, agir de forma deliberada para mudar o mundo.
É preciso arriscar prisão por abraçar um idoso; é preciso brincar com crianças sem que tenham viseiras, capacete e trinta camadas de roupa antibacteriana; é preciso destruir as instituições burguesas de comodidade e arriscar sentar na areia de uma praia onde alguém se sentou antes. É preciso cometer loucuras como ir passear sem escafandro para um jardim público, para a rua, para lojas enfeitadas deliciando-nos com compras desnecessárias à subsistência asséptica e rejeitando a factura. É preciso que crianças quebrem todas as regras abraçando a tia e a avó. É preciso ir acampar e arriscar a carga policial por ingerir cerveja depois das 20h00 sem que isso leve à multiplicação, como os Gremlins. É preciso a violência de nos sentarmos num café cuja mesa é limpa com o mesmo pano que acabou de ser passado no vómito do cliente anterior. É preciso partir tudo através de saltos sincronizados em concertos rock, suar como um porco e sorrir quando o indivíduo do lado nos toca inadvertidamente pela falta de espaço. É preciso quebrar todas as tradições estabelecidas e enfiar umas farturas gordurosas pela goela abaixo aos gritos de “São João”.
A revolução está nas tuas mãos, camarada. Junta a tua à nossa voz. Avante!
Costa é má pessoa
O Alberto Gonçalves, hoje no Observador:
O dr. Costa não tem nada que se aproveite, incluindo a capacidade de ver nos semelhantes (salvo seja) qualquer coisa diferente de instrumentos ou empecilhos dos propósitos dele. O dr. Costa não é só um mau governante: é obviamente má pessoa. E uma pessoa má que manda sem escrutínio num país é obviamente um governante terrível. E perigoso.
O texto completo aqui.
É raro discordar do Alberto e hoje não é excepção.
Ofereço-me para traduzir gratuitamemte
a imprensa francesa. Afinal acredito que só por absoluta falta de meios estes factos não são noticiados em Portugal
Lyon : un jeune garçon tabassé pour avoir défendu des filles
Les minorités chinoises en France, cible d’une politique de surveillance ordonnée par Pékin
As palavras que se perdem
Há uns anitos, a palavra “inconstitucional” fazia parte do léxico comum. Bastava o governo de Passos Coelho anunciar o corte de um cêntimo à função pública que os média, as suas tias e sobrinhos e a prole dos avençados – com infortúnio dos seus filhos os poderem tratar por putas sem incorrecção semântica – para o grito de “inconstitucionalidade” ecoar mais forte que Pompéia a ser coberta de lava acabadinha de brotar.
Agora, uma tonta pode anunciar que “está a ponderar” o uso de açaime em qualquer espaço público e não se passa nada. As modas vão e vêm, é o que é.
Chamem-lhe padre, chamem-lhe senhorio, chamem-lhe governo, chamem-lhe o que quiserem
Isto de dividir o mundo entre boas pessoas, as que querem proteger o planeta e salvar o mundo do coronavírus, das pessoas más, as que querem que as deixem em paz, é muito conveniente. Transcendendo esquerda, direita, mais liberalismo ou mais autoritarismo, visa unificar o complexo alinhamento das pequenas gaiolas – o gay, o negro, a mulher, o unicórnio – numa única fonte de opressão: o lastro da civilização heteropatriarcal, colonialista e qualquer-outra-coisista que o sistema achar por bem usar.
As coisas vão andando cordatas, independentemente da bufaria e dos zelosos agentes que conseguem encontrar cinco miúdos a menos de 3 km uns dos outros numa praia. Pois não continuarão assim. Tudo se intensificará e o mundo ficará dividido ordeiramente entre negacionistas-colaboracionistas (escolher o que mais lhe agradar), onde encaixam os Trump, Ventura, Bolsonaro, Orbán e um monte de – e cito a inteligência nacional – parolos, e o verdadeiros humanos, os que jogam pelas regras impostas pelas sinistras organizações onde se passeiam figuras tão interessantes como a doutora doutora doutora Graça Freitas e o doutor doutor doutor doutor professor doutor Francisco George. Cobarde é o Costa, que usa figuras destas para testas-de-ferro daquela que é a sua função: decidir.
O Bill Gates, que nunca conseguiu livrar máquinas Windows de vírus, empenhado que está em inocular pessoas com a versão alfa 0.0.1 de uma hipotética vacina que, na melhor das hipóteses é um placebo, na pior é a concretização do sonho de equilíbrio das contas de um estado social falido através da morte de velhos por esquecimento, agrada à tralha milienial de doutores e doutores doutorados em pós-doutoramentos doutoráveis em doutorismo variado, que adoram ficar em casa a coçar os tomates enquanto sentem a auto-importância a crescer.
É. O panorama português não é muito animador – graças a Deus, até porque isso seria estragar a campanha vitoriosa para a desgraça dos últimos 200 anos – mas é precisamente por isso que o candidato do Chega, André Ventura, irá bombardear a direita várias vezes conotada como a mais estúpida de sempre (em algumas dessas vezes deve ter sido erradamente, a não ser que tenha conseguido o mérito de piorar sempre de forma sustentada) com o voto envergonhado que não aparece em sondagens.
Infelizmente, tal só serve o querido e magnânimo Partido Socialista, com o inimigo perfeito, solitário, contido, facilmente adquirível. O PS, o nosso salvador contra colaboracionistas-negacionistas, esse triunfará sempre nesta ilusão a que se chama democracia. Mas, como benesse colateral, servindo para reduzir a pó as múmias que por aí ainda vão circulando na tentativa de combater institucionalmente o impossível pela ausência de instituições, já valerá a pena.
E você? Já pediu autorização ao governo para jogar à bola hoje?
Muito francamente os proprietários do Elefante Branco e já agora do Gallery Club, Passerelle… estão mal aconselhados pelos seus advogados. Qual providência cautelar qual quê! O que eles têm de fazer é dedicar-se à política. Declaram as suas casas espaço de discussão política, colocam uns cartazes sobre a paz no mundo, o combate às alterações climáticas e o combate às injustiças e já têm a actividade devidamente autorizada e a DGS a dizer que não pode proibir.
Não duvido que vai ser um sucesso. Por exemplo, e isto é só uma sugestão no Elefante Branco podem fazer um seminário dedicado à influência do trotskismo nas esquedas pós-queda do Muro. Já no Gallery Club podem fazer sessões de canto livre e abordar a temática “Olavo Bilac- Xutos & Pontapés, do Chega ao Avante os palcos nos caminhos da resistência” e assim sucessivamente. O país inteiro deve ser uma imensa Festa do Avante!
Não é uma excepção. É um padrão
Rodrigo Saraiva : As irritações do novo “animal feroz”
Não via António Costa assim irritado desde as perguntas que lhe fez uma jornalista da SIC junto ao pavilhão Atlântico, em 2015.
Não. Desde que recusou a decisão da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos para tornar público um relatório sobre obras públicas municipais, em 2013 quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Não. Desde 2011 quando o jornal Público, amparado pela lei, pediu para ter acesso a esse mesmo relatório.
Não. Desde que não gostou de algumas perguntas do jornalista Vítor Gonçalves numa entrevista na RTP, também em 2015.
Não. Desde que à entrada de uma reunião da Comissão Nacional do PS, em Novembro 2016, se irritou ao ser questionado por jornalistas sobre a potencial saída de Centeno do governo.
Não. Desde esse mesmo dia, quando questionado sobre se a não entrega de declarações de rendimentos de António Domingues terá sido uma condição deste para aceitar o lugar de presidente da Caixa Geral de Depósitos.
Não. Desde os incêndios de Pedrógão, em 2017, quando várias vozes lhe perguntaram porque não pedia desculpa aos portugueses.
Não. Desde que mandou terminar uma entrevista à Rádio Renascença no seu carro porque não gostou de uma pergunta, em Setembro de 2017.
Não. Desde aquele embate com Assunção Cristas no Parlamento. Qual deles? Perdi a conta. Foram vários.
Não. Desde a patética cena de Tancos, ao ser questionado se tinha conhecimento dos gravíssimos factos ali ocorridos.
Do jornalismo ao servilismo socialista
Depois de ter praticamente ignorado as declarações do primeiro-ministro português sobre os médicos o Diário de Notícias deu finalmente destaque de capa às declrações ofensivas e inapropriadas da dignidade do cargo proferidas por um governante. Do Brasil, obviamente.Quanto ao sucedido em Portugal lá está tudo embrulhadinho para não se perceber nada. Porque não faz o DN uma capazinha em que Costa aparece no lugar de Bolsonaro e colocam lá as declarações do PM português sobre os médicos? Não ficava bem, pois não? Era populismo não era?

Do Expresso ao Amnésico
Isabel dos Santos vai adorar este comunicado do Expresso
- uma gravação amadora de um ecrã de computador, que reproduz uma recolha de imagens de uma conversa off the record, privada, do primeiro-ministro com jornalistas do Expresso, foi divulgada nas redes sociais sem autorização e conhecimento deste jornal.
- O Expresso repudia absolutamente esta divulgação, pela qual não tem responsabilidade.
- Os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve com o Expresso.
- O Expresso desencadeará, de imediato, os procedimentos internos e externos para apurar o que aconteceu e os responsáveis pelo sucedido
- Sendo esta gravação amadora ilegal, o Expresso reserva-se o direito de desencadear também os imprescindíveis mecanismos jurídicos para processar os responsáveis pela sua difusão.
- Tratando-se de uma conversa já fora do âmbito da entrevista, e apesar de a sua divulgação ter fugido ao controlo do jornal, a direção do Expresso lamenta profundamente o ocorrido e pede, consequentemente, as devidas desculpas ao primeiro-ministro pela quebra de confiança, ainda que involuntária.
- Aos seus leitores o Expresso salienta que a divulgação de conversas reservadas não é nem nunca será a nossa forma de atuação
Há anos que o Expresso vive dependente de roubo de informação. Goste-se ou não é isso que que a wikileaks é. Pessoalmente acho muito perigoso para a credibilidade de um jornal colocar tanto esforço nesse tipo de investigação menosprezando outros tipos de trabalho em que na verdade está reduzido a uma correia de transmissão dos centros do poder. Igualmente grave o Expresso tem subestimado os riscos de manipulação por parte de quem lhe dá a informação. Mas a verdade é o que o Expresso apostou nessa forma de jornalismo. Eu pessoalmente não gosto e por isso cada vez o compro menos. Mas o que não entendo é como pode o Expresso ter legitimidade para vir condenar a “recolha de imagens de uma conversa off the record, privada” quando o off the record tem sido a sua aposta editorial.Por isso não duvido Isabel dos Santos vai adorar este comunicado do Expresso. Ou o que vale para o PS em Portugal não se aplica os resto do mundo?
A propósito do em off
Sempre há oposição
A resposta de António Costa foi clara: não é competência da Ordem dos Médicos avaliar como se exterminam os velhos da nação. Idosos em lares pertencem ao estado. Aquilo já nem é bem gente, são só focos infecciosos quer de doenças, quer de despesa.

A resposta de Rui Rio foi clara: compete ao governo decidir, como na União Soviética, onde, quando e como se realiza qualquer concerto. Antes era para não incutir ideias de rebelião e liberdade nas mentes frágeis dos jovens, hoje é por causa de uma doença que não está a matar velhos suficientes para ser a solução final para o problema de António Costa.

Quem disse que o PSD não faz oposição?
Gentes de antanho
Quem não recorda a dra Rosário Gama ali nos anos de 2012 a 2015? A senhora escrevia, a senhora falava, a senhora anunciava todos os dias que o o governo pretendia “exterminar” os idosos “pertencentes à classe média, aquela que V. Exªs querem exterminar”.

Agora a dra Rosário Gama vive na paz dos anjos com o governo, esqueceu-se dos extermínios e avisa “Cabe aos cidadãos portugueses e às instituições criar condições para que todos, mais velhos ou mais jovens, tenham os mesmos direitos e uma vida decente. Sei que os mais velhos são parte da solução e não o problema.“
São as pessoas como o padre Lino Maia e a dra Rosário gama que nos fazem acreditar no poder do socialismo enquanto fé
Esta época não científica
Na Coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador, Carlos M. Fernandes a não perder:
A ciência é o artefacto sistematizado da curiosidade humana. Como tal, está em permanente dialéctica com a ignorância, alimentando-se da dúvida, da incerteza, do risco, e, sobretudo, da liberdade de pensamento. Conceitos como consenso, autoridade e verdade, são-lhe estranhos. O conhecimento científico, «qual pluma al vento», é volúvel e entre as suas funções não se encontra a formulação de juízos metafísicos.
E quando a ciência, a razão e o conhecimento se ausentam, o obscurantismo e o poder discricionário sentir-se-ão tentados a ocupar o lugar vago.
O texto completo aqui.
“Um feito que eu poderei considerar heroico!” – diz o delegado de Saúde em Reguengos. Qual feito heroico?
O Delegado de Saúde em Reguengos, Augusto Santana de Brito, o mesmissimo que não visitou o lar de Reguengos porque diz que orientações da DGS não o obrigavam a ir ao lar de idosos porque está em “grupo de risco” para covid-19 não só por causa da idade, mas também porque é fumador e não tem experiência no uso dos equipamentos de protecção individual, exactamente esse mesmo define como “Um feito que eu poderei considerar heroico!” o terem-se feitos testes aos utentes e trabalhadores do lar de Reguengos. Não sei se o senhor considera heroico alguém ter tido coragem de ir ao lar fazer os testes ou qualquer outra coisa. Para já o único heroismo que aqui se avista é o dos portugueses que sobrevivem a uma administração destas.
Caso não tivesse acontecido a investigação da Ordem dos Médicos ainda toda esta plêiade de delegados acabavam medalhados pelo heroismo e pela abnegação no cumprimento dos procedimentos
Um país de autoridades, delegados e administradores que nunca têm de fazer nada a não ser receberem o ordenado
A fotografia de um filme de terror

Filomena Araújo delegada regional de Saúde do Alentejo: “Não correu mal. Monsaraz seguiu todos os procedimentos”. –Filomena Araújo diz que todas as normas foram seguidas no caso de Reguengos de Monsaraz. e que não conhece o relatório da Ordem dos Médicos porque não o recebeu.
Augusto Santana de Brito, Delegado de saúde em Reguengos Não visitou o lar porque diz que orientações da DGS não o obrigavam a ir a lar de idosos. Médico, com 70 anos, diz que está em “grupo de risco” para covid-19 não só por causa da idade, mas também porque é fumador e não tem experiência no uso dos equipamentos de protecção individual.
José Robalo, Presidente da Administração Regional de Saúde, intimidou médicos com um processo disciplinar depois de estes terem avisado várias vezes para o facto de não haver condições para prestar cuidados aos 84 utentes do lar de Reguengos de Monsaraz onde morreram 18 pessoas. José Robalo confirma ao Expresso que levantou “a possibilidade de um processo disciplinar”, dizendo que os médicos se recusaram a trabalhar.
A delegada de Saúde do Alentejo ainda se mantém em funções?
“Não correu mal. Monsaraz seguiu todos os procedimentos”. – Filomena Araújo, delegada de Saúde do Alentejo. Por favor ouçam a entrevista. Não é possível que esta senhora continue em funções. Ouvindo-a fica-se aterrorizado. Um discurso mais ou menos entaramelado, uma absoluta incapcidade de explicar em concreto o que se está a fazer além do cumprimento da burocracia, uma repetição de banalidades… Esta mulher é um exemplo daquilo a que chegou a administração pública em Portugal: eles nunca têm responsabilidades de nada desde que se cumpra a burocracia.
Ouvindo a delegada de Saúde do Alentejo percebe-se que de facto Monsaraz podia ter corrido muito mas mesmo muito pior.
Estamos todos salvos!
Vem aí a vacina! Melhor: vêm aí 7 milhões de vacinas testadas em ratos, cobaias e talvez na filha do Putin, se considerarmos que 1) odeia a filha ou 2) uma pequena injecção de soro fisiológico pode fazer maravilhas.
Nunca na história fora de maus filmes houve tantos idiotas ansiosos por experimentar uma inoculação de agentes desconhecidos para tentar evitar uma doença que pode atingir 0,2% da população mundial. Ainda dizem mal da heroína, não sei bem porquê.
O meu receio com os voluntários que vão enfrascar com sabe-se lá o quê para combater sabem lá eles o quê é que com isso as cidades percam a beleza fascinante da burqa facial e acabem com as limitações higiénicas que tanto jeito têm dado para exterminar velhos por abandono e falta da assistência. Quer então dizer que as escolas vão abrir? Que as pessoas vão voltar a uma vida normal em que já nem fingem preocupar-se com o outro? Já podemos ir ao restaurante e ter a certeza que os talheres não foram usados pelas gentes de Mora?
Se há uma vacina, precisamos de confiança. Queremos ver o senhor presidente, a senhora Freitas da DGS, os membros do governo e todos os líderes parlamentares a tomarem a injecção, numa bela cerimónia como aquela da libertação do Paulo Pedroso ou ainda mais espectacular (é difícil), com direito a transmissão televisiva. Se transmitiram a primeira alunagem há mais de 50 anos não vejo motivo para que um momento tão digno não fique nos anais da história mediática.
Familygate na DGS
Sob proposta da DGS foi criada no início de Abril a “Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a COVID-19”. Segundo a revista Sábado de hoje o Presidente desta nova Comissão é marido da sub-directora geral da DGS.

A peça jornalística é curta, mas aparentemente não estará em causa a legalidade e cumprimento dos regulamentos existentes. De todo o modo uma dúvida me suscita: atendendo à transparência e escrutínio que certamente todos nós desejamos que exista sobre entidades com responsabilidades como as da DGS, a Ministra da Saúde não entende que para uma resposta eficaz e credível ao surto epidémico seria politicamente mais prudente nomear para o cargo um especialista sem relações familiares directas com dirigentes de topo da DGS?
Por outro lado, o Decreto-Lei 14/2014 obriga os consultores da DGS a entrega de declaração de registo de interesses para aferir da ausência de eventuais incompatibilidades. A DGS está por este decreto obrigada à sua publicação no respectivo website e deverá actualizar anualmente estas declarações sob pena de o seu incumprimento determinar expressamente a imediata cessação de funções, conforme diz o DL. Todavia, aqui há imensas declarações com mais de 6 anos. O Ministério da Saúde está em condições de garantir que todos os consultores da DGS têm submetidas declarações actualizadas de registo de interesses? A DGS poderá actualizar a listagem online em benefício da transparência e escrutínio que certamente é do interesse público?
Entretanto, julgo também que não haverá nenhuma incompatibilidade quanto ao exercício da sua actividade profissional nem quebra de qualquer regulamento ou regra deontológica, mas teria interesse em que a Ordem dos Médicos comentasse se o facto de no seu “Gabinete de Crise para a Covid-19” dois dos respectivos elementos mais destacados, além de colegas, terem sido sócios desde 2011 até Julho/2019 numa empresa cujo objecto social incluía a “formação e investigação na área científica, designadamente médica” contribui para o sentimento de independência e liberdade individual nos conselhos e opiniões dos membros deste Gabinete (algo que a população com certeza valorizará), assim como se concorre para a confiança que o público em geral e os doentes em particular devem ter nesta classe profissional e para o reconhecimento que os médicos tanto merecem pelos inestimáveis e diferenciados serviços que prestam à comunidade.
Jornalismo: a lavandaria dos atentados islâmicos
SIC: Acidente em cadeia na Alemanha com alegadas motivações religiosas faz 3 feridos graves e 3 ligeiros SERÁ BUDISTA?
TVI24 Pelo menos seis feridos, três graves, após acidentes em autoestrada na Alemanha. Suspeito já foi detido Suspeito ameaçou fazer-se explodir. Polícia já abriu uma investigação ao caso SERÁ PIROTECNICO?
RTP Homem provoca vários acidentes em autoestrada de Berlim SERÁ ALCOÓLICO?
Da Praça do Comércio a Reguengos de Monsaraz…
… nunca há responsabilidade política.
Esclarecendo o esclarecimento com novo esclarecimento
O meu post anterior gerou alguma controvérsia entre comentadores. Nele defendo um movimento organizado anti-máscara e anti-restrições civis que coloque no banco de um tribunal todos os políticos que, ao abrigo de regimes de excepção injustificado, trataram a situação do vírus como se de uma guerra se tratasse. Uma guerra aos idosos, uma guerra aos mais frágeis da sociedade, uma guerra aos empregos precários, uma guerra aos trabalhadores de baixos salários, uma guerra aos doentes crónicos, uma guerra aos alunos e estudantes, uma guerra entre serviços públicos a receberem a 100% para coçarem os tomates enquanto trabalhadores do privado recebem a 2/3 se bafejados pela sorte de não terem perdido o emprego.
Isto nem sequer é sobre a crise económica daqui decorrente. Isto é sobre a destruição do precário equilíbrio social do qual não há salvação possível por muitos anos. Isto não é sobre a máscara como símbolo de controlo, isto é sobre a máscara como protocolo de cientismo tecnocrático que torna qualquer ser humano em formiga com predestinação de ameaça ao seu semelhante. Muito menos é sobre o André Dias – que não conheço, ouvi uma vez e não mais repeti por me parecer cheio de certezas também cientóides, um contra-peso da mesma trauliteirada da dicotomia esquerda/direita, progressismo/conservadorismo, socialismo/liberalismo.
A única divisão real é entre uma sociedade livre e uma sociedade tecnocrática controlada por sinistros agentes do auto-proclamado Bem, como a DGS, o governo, a OMS, a Google ou a Microsoft. Escolham a vossa trincheira. Como sempre, estarei na menos concorrida.
«Uma série de portas fechadas, algumas à chave, pessoas a bater, suplicando que as deixassem sair. Um horror».
«Preferían muchas veces que los mayores, mientras no hubiese resultados fiables de laspruebas, quedasen encerrados en sus habitaciones, en lugar de reagruparlos en zonas, por miedo a perder el control y que todo el edificio se viese así contaminado. El resultado era espantoso: una sucesión de puertas cerradas, en ocasiones con llave, y personas golpeando y suplicando por salir. Un horror» – chefe de Bombeiros que dirigiu trabalhos de desinfecção em lares em Espanha.
Presidenciais: Marcelo perde três pontos e André Ventura volta aos 10%, aponta sondagem
Se as sondagens persistirem em não tranquilizar o actual PR, ainda chegaremos a Marcelo protagonista de presépio vivo, quiçá como Menino Jesus
lições da direita
Da nova que é antiga e da antiga que era nova. No Observador.





