Fascismo do bom
Pelo que percebo e conforme consta no Portal da Justiça (NIPC 503106054) o presidente da Direcção da SOS Racismo é actualmente José António Formosinho de Palhares Falcão que foi responsável financeiro do Partido Socialista Revolucionário (PSR).
Por outro lado, é curioso também que à data de hoje o estatuto de utilidade pública desta organização esteja “pendente”, conforme informação oficial abaixo.

Registo também que no website da associação não se informe absolutamente nada acerca dos orgãos sociais da mesma, nem sequer sobre as respectivas fontes de financiamento das suas actividades.
Em termos de transparência e de boas prácticas de governança, estamos conversados.
Se se constatar que a SOS Racismo é subsidiada com dinheiro dos contribuintes, interrogo-me se entidades públicas que estejam envolvidas no financiamento manterão a torneira aberta a uma organização cujos dirigentes, à semelhança de prácticas fascistas de outrora, promovem a abertura de um processo judicial por delito de opinião a Maria de Fátima Bonifácio.
O principal óbice do tão comentado artigo da Maria de Fátima Bonifácio, que é inequivocamente uma mulher culta e inteligente, é que foi escrito por uma mulher que incorporou os esquemas mentais da esquerda, na sua juventude, e hoje, considerando-se de direita, mantém as mesmas categorias analíticas, ainda que lhes dê uma coloração diversa. Diga-se, aliás, que está longe de ser caso único, e que isto se encontra em inúmeras pessoas que não mudaram tanto os seus esquemas mentais de juventude como pensam e que por aí escrevem umas coisas. De facto, fazer análise de comportamentos colectivos, vistos por categorias sociológicas gregárias («os pretos», «os chineses», «os ciganos», «os gays», etc.), é do mais iliberal que se pode conceber, porque a liberdade assenta no pressuposto da acção individual e em que cada indivíduo é uma persona completa e diferente de todas as outras. Ora, estas análises de comportamentos colectivos são próprias do socialismo positivista sociológico do século XIX e de Marx («o proletariado», «a classe dominante», etc.) e nunca explicam coisa nenhuma a não ser o que vai da cabeça dos analistas. Que por vezes, como no caso de MFB, é um pré-conceito,o que piora as coisas, embora, reconheça-se, a este tipo de análise subjaz sempre um preconceito instigador e limitador, pelo que também aí não é original (vejam-se, por exemplo, «os ricos» das meninas Mortágua e Martins, os «patrões» do sr. Arménio). As sociedades democráticas e liberais vivem de indivíduos, de pessoas concretas que agem para diminuírem seu desconforto existencial, e que se estão nas tintas para os agregados sociológicos, não se deixando condicionar, no seu dia a dia, por esse tipo de pseudo-ciência (por exemplo, um cigano levantar-se e dizer: «já que não faço parte da «cristandade», não tenho de cumprir o Decálogo, logo, vou para o Rossio roubar umas carteiras e vender maconha»…) . Quanto ao mais, a MFB tem de dispor da liberdade para expressar o que pensa, pense o que pensar, mas também ninguém se poderá ofender se outros pensarem de forma radicalmente diferente. Como é o meu caso.
Por um mundo melhor…


A ler também
João Pires da Cruz: Ser a favor de quotas enquanto se acabam com os contratos de associação na educação é a falsídia extrema. O que os desfavorecidos precisam é de educação de primeira, não é de reforço dos direitos sindicais dos professores ou reduções de horário destes. É fácil reforçar-se o contexto e, depois, põe-se a culpa na discriminação obtida pela leitura do próprio contexto. Há poucos pretos no topo de sociedade? Porquê? Há muitos à entrada da universidade? Sendo mais provocador, qual a percentagem de pretos professores no ensino do estado ou quantos alunos de outras etnias esperam favorecer pela redução de horários na função pública?
Repare-se no que é que isto significa. Na tentativa de esconder que são os pobres que são expulsos da educação por um serviço deplorável, coloca-se a culpa na cor da pele, como se o serviço deplorável fosse pior para os pretos do que é para os brancos. Até acredito que estas pessoas defensoras das quotas sofram apenas de iliteracia matemática e nem se apercebam que estão a dizer que as pessoas são definidas pela cor da pele. Mas isso não os faz menos racistas.
A ler
Gabriel Mithá Ribeiro: A esquerda impede, e de forma dolosa, qualquer crítica vinda de fora às minorias raciais, étnicas ou religiosas. Quem o faz é logo «racista», «islamofóbico», entre outros rótulos que visam o seu silenciamento e, se possível, assassinato social da branca ou branco que arrisque tal ousadia. Desse modo, não apenas o indivíduo pertencente a minorias sensíveis não se liberta do seu coletivo guetizado, como ainda quem pertence a uma minoria está interditado de criticar os seus grupos de pertença ou, no mínimo, o aparelho ideológico em peso (imprensa, universidades, ensino, partidos políticos, intelectuais, meios artísticos) desincentiva fortemente tais ousadias.
Mesmo que tenha razões de sobra (querer estudar, viver tranquilo, trabalhar, estar em casa em segurança e sem ser incomodado pela música do vizinho, educar os filhos e filhas, entre outros), o pobre não pode criticar o pobre, o negro não pode criticar o negro, o cigano o cigano, o islâmico o islâmico, por aí adiante. Todos só podem criticar o branco. É assim que a esquerda, a nova escravocrata, os educa a afundarem-se nos seus bloqueios e traumas.
Acerca da proposta da Helena
A Helena coloca uma proposta interessante, quase um desafio a “sair do armário”.
No entanto, nos tempos que correm, fico é intrigado sobre qual o tratamento a dar, por exemplo em termos de quotas, a um negro que se declare branco, a um gay que se declare heterosexual, a uma mulher que se declare homem, a um cigano que se declare nórdico, a um jovem que se declare velho ou a um animal que se declare humano.
*
Não percebo
Após tantos anos, a Helena vem dizer que desconhece ter uma mulher cherokee no Blasfémias? Vamos andar a inventar que somos ciganos só porque está na moda depois de ter dito que só entraria para o Blasfémias se reconhecessem aquilo que eu sinto no meu íntimo, o que me define como pessoa, o que o mundo precisa saber sobre mim para perceber o quão boa e justa sou, completamente livre de preconceitos ao ponto de deixar a minha tenda aberta todo o ano, seja a outras pessoas, seja a serpentes e animais selvagens?
O medo tolhe as pessoas. Os preconceitos são uma manifestação desse medo, dessa fobia aos outros e à natureza. Eu nada temo, porque todos amo, seja o bombista muçulmano, seja um leão esfomeado. Por mim, todos vêm por bem. Agora, pessoas que se conhecem andarem aí a fingir que não é por demais evidente que sou uma mulher cherokee é, em si mesmo, um grande preconceito. Sabem o que sinto? Conseguem duvidar do que o meu corpo e a minha mente me dizem com todas as forças da Grande Águia?
Sobre os grandes problemas da humanidade, como a taxa de infertilidade nas mulheres cherokee portuguesas, disso é que ninguém fala. A dor de nunca poder carregar uma vida dentro de mim, excepto lombrigas (que também amo e respeito), é mais que suficiente para me sentir ultrajada por estas tiradas de uniformização das pessoas como se todos fossemos ciganos. Marchas de orgulho cherokee feminino não organizam eles.
Racistas, é o que são.
A minha proposta aos outros blasfemos
Vamos etnicizar.
Por mim, declaro-me cigana. Não posso? Porquê?
Não sou cigana? Como sabem? Quem passa os atestados respectivos?
Não devo? Por alma de quem? Posso mudar de sexo, de nacionalidade e não posso dizer-me cigana ou sendo cigana passar a não cigana?
…Agradece-se informação sobre os procedimentos adoptados por aqueles que se dizem ciganos para serem reconhecidos enquanto tal.
Prioridades
A máquina de inventar racistas
Público: quando os leitores estão errados
Passou despercebido à maioria dos leitores mas o lema do Público mudou recentemente, já com a actual direcção ao leme. Passou de “a verdade é um bem Público” para “pense bem, pense Público”.
Não é coisa pouca. A mudança de uma assinatura é bem pensada pelo topo da organização, seja ela qual for. Neste caso, a explicação é simples: a verdade deixou de ser a referência; a referência agora é o alinhamento de pensamentos, quem pensar como o Público, pensa bem.
Vem isto a propósito do episódio Fátima Bonifácio-Manuel Carvalho.
Um director de outro título da nossa praça escreveu há dias que é legítimo um jornal ter um estatuto editorial, um compromisso que estabelece com os leitores, e escolher os colunistas e os conteúdos em coerência com este estatuto. É verdade. O problema é do leitor. É do leitor que acha que o Público é um jornal aberto, liberal. Não é.
O Público é o jornal que acolhe de braços abertos os artigos do Francisco Louçã defendendo o ditador Fidel Castro e de Boaventura Sousa Santos defendendo o ditador Maduro. Ou os artigos de Mamadou Ba atacando as próprias base do estado de direito. Nada disto é, para o Público, discurso de ódio ou fobia de qualquer espécie.
O mesmo Público que passou as eleições brasileiras numa intensa campanha pro-Haddad e foi incapaz de descobrir um só colunista pro-Bolsonaro. O qual aliás era apelidado a torto e direito como “fascista”. Também isto não era discurso de ódio.
E porém não aceita Fátima Bonifácio.
A praxis editorial do Público posiciona o jornal muito claramente no eixo PS-Bloco. Errado está quem não perceba isto, iludido aqui e ali por um artigo de algum autor com diapasão algo distinto.
O Público tem todo o direito de seguir esta via. Errado está é quem achar que o caminho é outro.
Depois queixem-se das redes sociais.
Pense bem, pense Público.

(imagem roubada do Facebook de Eduardo Cintra Torres)
Não acham que está na altura de se criarem quotas para boas notícias sobre políticos de direita?
Vitória de Kyriakos Mitsotakis em 2019

Vitória de Tsipras em 2015

E discriminação com base na orientação política?
Escrevia este fim de semana o director do PÚBLICO: O PÚBLICO orgulha-se da sua tradição de estar na linha da frente do combate ao racismo ou a qualquer tipo de discriminação baseada na cor da pele, na sexualidade ou no género.
Perante o destaque do resultado das eleições gregas podemos concluir que o PÚBLICO orgulha-se da sua tradição de estar na linha da frente da defesa da discriminação baseada na orientação política?
Sócrates ainda (des)governa este País
Post de convidado: Atacante Moura
Quando falamos de Sócrates e das suas ideias, há muito quem diga “isso teve o seu tempo”. Pois bem, a verdade é que isso não teve o seu tempo. Estamos em 2019, a discutir o tema da demolição do Prédio Coutinho, e a VianaPolis continua a ser financiada com o dinheiro dos contribuintes para fazer… nada.
A actividade da VianaPolis designa-se no “desenvolvimento da acção estruturante relativa à expropriação do Edifício Jardim, subsequente demolição e posterior construção do novo Mercado Municipal e espaços públicos envolventes, bem como o arrendamento, gestão e administração de bens imobiliários.” Estamos, pois, perante um caso de incompetência.
Durante quase duas décadas, os contribuintes sustentaram uma empresa – cujos custos de constituição nunca foram comunicados – e que tarde apresentou o projecto do Mercado Municipal que está na origem da eventual demolição do Prédio Coutinho (ficámos a conhecer as imagens da maquete do Mercado Municipal a 5 de Julho de 2019, numa tentativa desajeitada de comunicar positivamente num caso mediático que já manchou o nome da cidade em todos os órgãos de comunicação social deste País).
A mesma empresa não empreendeu acções de sensibilização junto da comunidade (os próprios vianenses não sabiam, até 5 de Julho de 2019, que não era uma réplica do mercado original o que estava previsto para aquele local, mas antes um mercado igual a qualquer outro), não agendou visitas dos proprietários aos apartamentos alternativos, não dialogou, não procurou minimizar o impacto nos moradores, não existiu, a não ser para atacar os resistentes com actos indignos de uma sociedade do século XXI.
Em 2012, o Jornal de Negócios noticiava uma dívida da VianaPolis de 17 milhões de euros à Banca, sendo que o actual presidente da autarquia remetia uma fatia de 5 milhões de euros desse endividamento para a operação do Edifício Jardim. Quanto deve a VianaPolis hoje? Juntem-se os cerca de 23 milhões de euros gastos em indemnizações por expropriação e cerca de um milhão em custos judiciais e mais dois milhões em juros. Some-se um milhão e duzentos mil euros para a já adjudicada demolição do Prédio Coutinho à DST. Como dizia o outro, “é fazer as contas” e andamos a pagar mais de 30 milhões de euros para tratar da estética de uma cidade no Alto-Minho. Ou chega agora a hora da cosmética das contas?
O actual Ministro do Ambiente fala agora – sim, só agora, já que está na mira do escrutínio público – de um processo contra os moradores do Prédio Coutinho por lesarem o Estado e os contribuintes, razão pela qual espero receber a minha parte se houver demolição e ressarcirem os lesados – que também somos nós.
Não deixa de ser interessante que, pela primeira vez em todo o processo, pareça que o Ministério do Ambiente e a VianaPolis se organizaram para comunicar em conjunto num momento de crise e, de repente, pareça que já estava tudo pensado e pronto a executar. Não estava.
Sócrates teve o seu tempo… mas os meus impostos continuam, ainda hoje, a pagar as suas ideias.
Até breve,
Atacante Moura

A ostraca
Tudo está bem quando acaba bem
Há funções primordiais para o estado. Alguns, talvez induzidos em erro por romances esquisitos, acham que essas funções são óbvias idiotices sem qualquer interesse como não ser desviado para uma estrada onde se acaba a morrer intoxicado ou queimado, estragando assim estatísticas de progresso; outros, ainda, acham que é a providência de entretenimento aristocrático em cuecas para as televisões, como que mostrando que há um santo pénis real encolhido na volumetria oprimida das trusses passível de repovoar os cofres da segurança social do futuro. Todas estas pessoas estão erradas.
Como se viu na semana que passou, a função primordial do estado, aquilo que o monstro faz bem, é a construção de mercados para veganismo biológico – mas que caraças é uma cenoura não biológica, horda de imbecis? – e comercialização de djembes para tribalização rasta-etnográfica pelos palhaços de serviço que mostrem recusa de crises provocadas por cabrões que passam a vida a construir e a demolir as populanças dos contribuintes. Como se não bastasse o querido governo decidir que pessoas têm obrigação de abandonar casas que compraram por indemnização determinada por convenção em pestilento fraldário, decidiu também o querido governo sentir a dor lesa-pátria por pessoas do prédio Coutinho se tornarem surdas à flauta do palhaço de Hamelin destacado para o serviço. Uma sopeira organizou um cordão humano, a que vários camelos compareceram para, perante as televisões, passarem pelo buraco da agulha. Foi um sucesso para a sopeira, tendo imensos Facebook-likes já garantidos, assim como uma foto na Caras de Agosto ou da valente desgraçada que a pariu. Não tendo ainda o estado executado completamente com doloso zelo a sua magnânima função de besta, vem um tipo que se diz ser “ministro do ambiente” (cargo que tutela coisas espectaculares como o aterro da Cova da Beira) dizer que vai processar os moradores que subsistem no prédio Coutinho.
Tudo isto sem que ninguém tenha sido devidamente atado ao pelourinho. Tudo está bem quando acaba bem.
parabéns ao pedro arroja
Ouvi, num noticiário da rádio, a notícia de que as crianças da secção oncológica do Hospital de São João abandonaram, hoje, os infames contentores onde estavam internadas, para serem colocadas numa ala desse hospital. É uma boa notícia, que certamente aliviará um pouco o sofrimento destas crianças e dos seus familiares, mas choca que quem gere o Hospital não se tenha lembrado disto mais cedo.
Neste momento, há que agradecer ao Pedro Arroja, que foi o grande responsável por esta decisão. A verdade, é que foi ele quem, há anos, alertou o país para este drama e, de então para cá, mexeu mundos e fundos para tentar mudar as coisas. Com sacrifício pessoal, como sei de conhecimento directo. O seu projecto de construção de um edifício exclusivo para estas crianças não foi avante, mas esta medida certamente que compensa, pelo menos por enquanto, esse adiamento. Parabéns, meu caro Pedro. Assim se demonstra que, por vezes, basta um homem de vontade indómita para mudar o que está mal no mundo.
incompreensível!
Sua Excelência o Ex-Ministro da Defesa Azeredo Lopes está em estado de choque! Levou uma paulada do Ministério Público e – horror dos horrores! – foi constituído arguido! Tudo por causa de suspeitas de envolvimento no caso mais delirante e pythonesco da história, quantas vezes absurdamente caricata, do nosso regime, que são as «armas de Tancos». Sua Excelência considera «incompreensível» tal facto, que é, para ele, avassalador, tirânico e medonho, numa palavra que são duas, “socialmente destruidor”.
Ora, mesmo tendo em conta a habitual dificuldade de Sua Excelência em compreender as coisas, como, aliás, se viu muito bem pelo caso que agora o vitima e pelas grotescas declarações que então foi a propósito prestando, não é motivo para tanto. Por mim, que lhe devo algumas boas gargalhadas pelas figuras que o vi fazer quando era ministro e tinha de tratar destas coisas transcendentes, acho que ele devia ser agraciado pela pátria pelos muitos favores que lhe fez, com uma dessas comendas que se dão aos Berardos e aos Varas, até se calhar as mesmas, já que estão de retorno a Belém. Mas vendo-o assim tão chateado, quero deixar-lhe uma palavra de ânimo: Senhor Ex-Ministro da Defesa, não leve estas coisas da justiça portuguesa tão a sério. Saberá V. Ex.ª quantos e quantos arguidos pululam pelas secretarias judiciais dos tribunais criminais do país? Quantos denunciados anonimamente o são? Quantos e quantos empresários o são também, por terem atrasado o pagamento dos seus impostos ao estado para salvar empresas e postos de trabalho? Preocupou-se, alguma vez, Vossa Excelência, com esta gente, de extração política e social certamente muito inferior à sua, é certo, mas, ainda assim, filhos do mesmo Deus e cidadãos do mesmo país? Duvido. Portanto, já que não cuidou do que devia, quando devia e podia, agora vai ter de aguentar. Verá, quando isto chegar ao fim, que o seu nome terá exactamente o mesmo valor público que tinha antes. Se isso é bom ou mau para si é que já não sei.
Coitadinho do ministro!
Verti uma lágrima de comoção ao ler a parte da entrevista do ministro Siza Vieira ao Observador em que o dito cujo revela que foram para ele “situações pessoalmente, muito penosas” as polémicas em que se viu envolvido em torno das suas incompatibilidades. Diz ele que “isso desencoraja muita gente de poder corresponder a um impulso de serviço público“. Eis um verdadeiro altruísta!
Conhecendo-se tudo o que se conhece sobre António Costa, a sua falta de vergonha na cara, a relação muito difícil que tem com a verdade e uma ética não exactamente de padrão comum a gente digna, bastava ao ministro Pedro aceitar integrar este governo para ficarmos apreensivos, atentos à sua conduta e sujeita-lo a escrutínio.
Mas Siza afirma que a culpa disto tudo é da sua mulher. Com um convite para o executivo em cima da mesa, foi ela que o pressionou a “arrumar 30 anos de vida profissional” em dois dias. Não sei se isto é atitude de um machista ou de uma vítima de violência doméstica. Fica à melhor interpretação dos leitores.
Algo que o ministro não explica é absoluta e inadiável necessidade de, para esse efeito de arrumação, ser obrigado a formar uma empresa com a mulher na véspera de tomar posse. Não poderia fazê-lo dois dias depois, por exemplo? E em que medida “preservar estas coisas” (o património familiar) numa empresa fica mais salvaguardado do que a título pessoal?
Mas, independentemente da bondade das intenções do Dr. Vieira, o que é facto é que ele está condicionado como qualquer cidadão a cumprir a lei e os regulamentos, pelo que conforme foi à época aqui assinalado resulta obtuso que se considere para o momento de renúncia à gerência da sociedade com a esposa a data que consta de uma carta e não a definida por Lei para cumprimento efectivo da obrigação.
O Observador não confrontou Pedro Siza Vieira com outras situações polémicas e este aproveitou para passar por cima do caso inédito de um ministro da Economia pedir escusa de decisões que envolvam matérias relacionadas com a indústria hoteleira nacional, cujo respectivo lobby corporativo é dirigido pela sua esposa.
Já antes PSV tinha pedido escusa de matérias respeitantes ao sector eléctrico, entre outros tema em que a firma Linklaters à qual pertencia teve um papel negocial e de representação de interesses, antes de Siza Vieira transitar para o Governo liderado pelo seu amigo pessoal António Costa.
Enfim, com tanta escusa era escusado ser ministro e escusado tomar-nos por lorpas.
*
desprezo
De Pedro Silva Pereira, o ensimesmado delfim de José Sócrates, não me apetece dizer muito. Não revisitarei as revelações do «processo marquês» sobre ele e a sua mulher, como não me apetece dissertar sobre a sua recente eleição para uma alcavala europeia com que foi presenteado pelos seus colegas socialistas europeus. Sobre Silva Pereira basta-me uma estória, e essa vi-a eu na televisão: a da sua ida a um jantar com o antigo patrão e mais uns compinchas, num restaurante de luxo da zona do Guincho. À saída estavam uns tantos repórteres e jornalistas à espera de Suas Excelências, e, a uma mais afoita que não os largava, o delfim, em tom imperial, com a sobranceria e o desprezo que os grandes deste mundo têm pela ralé, disse-lhe uma frase mais ou menos assim: «tenho pena da forma como você ganha dinheiro». Depois, virou-lhe as costas como se não estivesse ali ninguém. Por mim, a única coisa que lhe gostaria de dizer é que também ele me provoca exactamente a mesma sensação.
Este não se demite. É socialista.
4 de Julho: Uma pessoa foi baleada por tiro de caçadeira na Ajuda, agressor foi detido O disparo, de caçadeira, ocorreu cerca das 1h00, à porta de casa da vítima, na Rua Roy Campbell, na Ajuda. A vítima foi transportada para o hospital S. Francisco Xavier.
Entretanto prossegue a “greve” das forças de segurança a tudo o que não coloque verdadeiramente em causa a segurança dos cidadãos Movimento Zero. “>”Estamos a viver um clima de alta tensão”
Mensagem de um morador do Prédio Coutinho
Tenho estado em contacto permanente com um morador do Prédio Coutinho. Eis uma mensagem que me enviou:
Exa. Sra. Cristina Miranda,
Este país é mesmo caricato!
Gostaria se fosse possível que focasse os pontos abaixo mencionados nos diversos espaços de intervenção pública que dispõe.
Os moradores estão reféns na sua própria habitação e impedidos de entrar e sair do edifício. Não foram notificados por um juiz para abandonar as habitações. Porque é que uma empresa se substitui aos tribunais?
Além disso, a polícia em vez de garantir a ordem, está no local para impedir que alguns cidadãos possam exercer os seus direitos fundamentais consagrados na Constituição Portuguesa.
Uma empresa de segurança privada foi contratada para escudar a PSP de eventuais responsabilidades e também essa empresa impede um grupo de cidadão de exercer os seus direitos fundamentais consagrados na Constituição Portuguesa.
Agentes policiais estão a impedir que cidadãos de pleno direito possam satisfazer as suas necessidades mais básicas como alimentação e higiene.
Qualquer pessoa que solidariamente pretenda ajudar-nos com bens de primeira necessidade é impedida pela PSP de o fazer. Que crime está a cometer segundo a legislação vigente ?
Uma pessoa que do edifício faça o arremesso de um objecto para um local próximo sem colocar em perigo terceiros contendo por exemplo chaves, a PSP impede o destinatário de receber essas mesmas chaves. Que crime o destinatário está a cometer ?
Os nossos advogados estiveram na sexta-feira impedidos de contactar pessoalmente connosco e aceder às fracções por ordem de quem ?
Um contrato de fornecimento de água, luz e gás celebrado por duas partes pode ser unilateralmente suspenso a pedido de um terceiro sem que estivessem reunidas as condições para suspensão do serviço?
As sucessivas violações dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição Portuguesa já deveriam ter suscitado uma imediata intervenção do Provedor de Justiça porque não o fez quando os acontecimentos foram amplamente divulgados nos diversos meios de comunicação?
O Sr. Presidente da República foi alertado logo de início para o que se estava a passar em Viana do Castelo. Por que motivo não veio dar afecto, tirar umas selfies e condenar veementemente abuso de poder por parte de várias entidades envolvidas. Poderá o Estado criar leis feitas à medida das suas conveniências? Será que a resolução do Conselho de Ministros 26/2000 é abstracta e geral ou dirige-se ao caso concreto do Edifício Jardim/Prédio do Coutinho?
Cumprimentos
Agostinho Correia
Viana do Castelo, 30.06.2019
PS: Exa. Sra. Cristina Miranda, uma coisa posso garantir-lhe: saindo do edifício, a primeira coisa é tomar um banho, a outra é apresentar queixa crime no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Este será o passo seguinte.
A questão da agressividade em relação à paisagem como critério para a “desconstrução” é para aplicar a todos os edifícios?
Torre Burgo, Porto.
Síndroma da vergonha alheia
o significado político do penteado

Acreditando que a idade não deva ser – nem para cima, nem para baixo -, atributo para se exercer um cargo político, estranhei esta inflexão de Rui Rio em encher as suas listas de deputados de jovens imberbes, depois de os ter expulsado dos órgãos do partido que dirige, os quais preencheu com honoráveis anciãos e pré-históricos dinossauros. Reflecti sobre o assunto, e a primeira ideia que me veio à cabeça é que Rio temia que a maioria dos seus mais próximos não pudesse garantir, em razão das idades avançadas, o cumprimento integral da legislatura. Mas parece que me enganei. Na verdade, analisado o exemplo de Hugo Carvalho, cujo curriculum o recomendaria para um lugar de meio ou fim de lista, mas nunca para encimar a importante candidatura do Porto, ainda por cima tendo o líder em segundo lugar, cheguei à conclusão que a proverbial minúcia de Rio terá descoberto algum pormenor significativo em cada um desses jovens, que o terá convencido na escolha. Neste caso será certamente o belo penteado à «fosga-se», de que Rui Rio também tanto gosta, e que o jovem parece querer imitar. Nos outros, ainda não descobri.
Um jovem marinheiro…
Bloco também parte e esboroa
A suposta superioridade moral e ética dos dirigentes do Bloco de Esquerda foi desmistificada de forma evidente no episódio da venda do prédio de Ricardo Robles ou das contratações do ex-vereador de Lisboa. O mesmo se passou com as notícias sobre a actividade empresarial de Catarina Martins e as contradições entre discurso e práctica que o caso encerra. Ou ainda por via das notícias de deputados bloquistas que deram moradas de residência diferentes da efectiva obtendo por essa via benefício financeiro.
A sua proximidade ao poder e o facto de ao longo dos últimos anos o BE ter vindo a servir de suporte ao governo tornou notório o carácter burgês do partido e a sua lógica de procura de conquista de posições de privilégio, comando e distribuição de sinecuras.
Internamente, os episódios de contestação à liderança da agremiação têm colocado também a nu o carácter distópico e neo-fascista da sua própria orgânica.
Lembro o ruidoso abandono do BE de um grupo de 26 militantes, entre os quais dois irmãos de Francisco Louçã e fundadores do partido. Referiram na altura que pouco restava do projeto original do Bloco de Esquerda. Mais curiosas foram as notas que estes dissidentes quiseram publicitar sobre os processos internos de “taticismo de decisões”, “progressiva ausência de pensamento crítico”, “hostilização da divergência” e “profundo sectarismo”. Ainda mais grave se revelaram as críticas deixadas à “perseguição e expulsão de militantes” e “manipulação de eleições internas”. Sintetizaram afirmando que “o Bloco se tornou numa organização hierárquica e cristalizada onde imperam os acordos de cúpula”.
Muito recentemente vêem-se novos exemplos do modo de actuar descrito acima através da guerra aberta que se instalou no BE. Voltaram as denúncias de “pressão inaceitável” da Direcção de Catarina Martins sobre as estruturas locais e a postura pidesca e intimidatória de Pedro Filipe Soares em Santarém, onde as bases rejeitaram de forma clara os nomes indicados por Lisboa para as listas de candidatos a deputados.
Até no círculo do Porto por onde a própria Catarina Martins será cabeça de lista a contestação interna é bem audível e já não disfarçável.
Serve o acima exposto de alerta sobre a metodologia e carácter do código de conduta que seria transposto para a sociedade caso assim fosse concedidada oportunidade ao Bloco de nos governar de forma mais abrangente do que aquilo que já nos consegue impôr através da sua influência na geringonça.
Os militantes do BE já o estão a sentir na pele. É que o feitiço vira-se contra o feiticeiro sempre que fôr útil e logo que seja necessário à oligarquia de esquerda.

Do bom gosto e da má fé
O que está em causa no edifício Coutinho não é se gostamos ou não do edifício. Note-se contudo que se o critério para o “bom gosto” for o “enquadrar na paisagem” ou o gigantismo derrubaremos este moderno edifício 
Ou este bem mais antigo

O que está em causa é cada um de nós poder ser corrido da sua casa, casa essa legalmente construída, pela qual pagou todas as contribuições, taxas e licenças devidas e cumpriu os vários regulamenros, unicamente porque um primeiro-ministro, um ministro ou um presidente de câmara não gostam dela. O edifício Coutinho não tem de ser demolido para ali passar uma estrada ou fazer algo que especificamente só pode ser construído naquele local. Trata-se sim de ordenar aos residentes que desamparem a loja porque quem manda não gosta do que vê.

Torre de Santo António,Covilhã. Arquitecto Fernando Pinto de Sousa
Portanto desde que se esteja devidamente alcoolizado podemos esmurrar e insultar funcionários da repartição de Finanças? Juízes e funcionaŕios dos tribunais? E já agora os vizinhos? E por fim mas não por último, aqueles casos de violência doméstica em que muitas mulheres são espancadas (para não dizer pior) por homens que depois de desculpam por terem bebido em excesso também vão ser aquivados?
Os produtos comercializados por alguns daqueles camionistas estão a ser consumidos alarvemente no Largo do Rato, não estão?
I came in like a wrecking ball

Durante os últimos anos, lutei na busca do artifício linguístico que melhor descrevesse o governo socialista. A imagem perfeita que ilustrasse a vida em Portugal nestes tempos de trevas por apatia. Hoje, a realidade tratou de me providenciar a imagem perfeita do socialismo em Portugal: a demolição do prédio Coutinho com moradores ainda no interior. É que é isto mesmo o nosso Portugal: uma demolição planeada e irreversível com os portugueses ainda cá dentro.
Marcelo já lá foi?
O costume
A fotografia de um homem e da sua filha afogados no Rio Grande é hoje publicada em alguma imprensa, nomeadamente na francesa país onde se criminaliza por exemplo a difusão de images das execuções públicas praticadas pelo estado islâmico.
Para lá desta duplicidade de critérios temos neste caso o habitual esquema de raciocínio: o homem e a sua filha morreram ao tentar chegar aos EUA, logo a culpa é dos EUA que não abrem as suas fronteiras. Para o governo do Salvador donde o homem é natural e para o do México onde o homem se encontrava nem uma palavra.
Vilarinho de Negrões
Nas Terras do Barroso, por altura de meados dos anos 60, a albufeira criada pela barragem do Alto Rabagão poupou à subida das águas na sua margem sul uma pequena península chamada Vilarinho de Negrões.
Visitei a zona recentemente, onde a vida rural continua a concentrar as suas principais actividades na criação de gado e na produção de cereais.
Há dois anos, Vilarinho de Negrões, aldeia do concelho de Montalegre, foi uma das semi-finalistas candidatas às “7 Maravilhas de Portugal” na categoria Aldeias Ribeirinhas, numa iniciativa promovida pela RTP. Na altura o presidente da junta dizia que “esta distinção vai atrair ainda mais visitantes”.
Logo depois do concurso da televisão pública o PS teve nas eleições autárquicas 60,6% dos votos no concelho, mais de 85% na freguesia e elegeu a totalidade dos deputados da assembleia de freguesia de Negrões, com 95,5% dos votos.
Eu tendo a ligar pouco a este tipo de concursos, sou descrente em relação a políticos empolgados e desconfio ainda mais de autarcas de freguesias onde o PS tem votações desta magnitude governando sem oposição.
Infelizmente o meu cepticismo não se revelou infundado. Segundo pude eu próprio testemunhar e também mo contaram dois ou três locais com quem me cruzei (da vintena de pessoas que lá moram), Vilarinho de Negrões é hoje uma aldeia completamente ao abandono, com casas destruídas, sem saneamento básico, ruas sujas e uma população desencantada com o seu destino.
A região é de facto de uma beleza superlativa e tem paisagens magníficas.
Mas é preferível tirar fotos à distância e não viver lá.

Os proprietários de andares no Prédio Coutinho não são gente? Ou isso do assédio só se aplica aos senhorios e não ao Estado?
Portanto o mesmo Estado que aprovou legislação para impedir o despejo de arrendatários que vivem “há mais de 20 anos” nas casa e que ameaça com penas várias os senhorios que recorram a um ambiente intimidativo, hostil, degradante, de perigo, humilhante, desestabilizador ou ofensivo, ou impeça ou prejudique gravemente o acesso e a fruição do locado pelos inquilinos</a recorre está a recorrer a corte está a recorrer a cortes de gás e água, a notificações ” se sai já não entra” para tomar conta do prédio Coutinho. Os residentes do predio Coutinho vivem lá desde os anos 70, se fossem inquilinos de um desses abominados senhoriso privados ou okupas certamente que não eram tratados deste modo. E os activistas já lá lá estavam aos saltinhos!

