Já chamaram os do Guinness?
Já toda a gente criticou o livro de Cavaco Silva, o segundo volume de “Quinta-feira e outros dias”. Com isso se conclui que um livro de 534 demora 24 horas a ler. Às tantas tem muitas figuras (mas eu não sei, eu tendo a demorar mais tempo a ler).
Alguém sabe explicar?
Porque é que o assassínio de Luís Grilo não é apresentado como um caso de violência de género?
Os socialistas estão tão enlevados com Marcelo que agora também comentam livros que não lêem
Que os socialistes estão convictos que Cavaco Silva devia ser proibido de falar não é novidade. Que achem que todos lhe devem subserviência faz parte da vida dos portugueses. Outra coisa é darem provas de tanta palermice: o político cujo retrato é mais cruel no livro de Cavaco Silva é Paulo Portas. Sobre os socialistas Cavaco conta factos. Muitos deles, aliás, do conhecimento de todos. Que os socialistas não gostem de ser ao espelho esse é outro problema. Já sobre Paulo Portas as palavras de Cavaco têm a frieza de um bisturi.
Centralista e liberal?
Ainda a propósito de um dos temas que foi discutido na mais recente tertúlia da Oficina da Liberdade, o Manuel Pinheiro apresenta o seu argumento sobre a Regionalização.
Destaco abaixo breves excertos, sendo que o texto completo pode ser lido aqui.
O que importa não é saber se o Estado é melhor gerido a partir de Lisboa ou de cada Concelho. O Estado desenvolve actividades muito díspares. Portanto, o que importa é perceber de que forma o Estado se deve organizar para melhor servir os cidadãos em cada uma das áreas de intervenção.
Desengane-se quem acha que o Porto é menos centralista do que Lisboa ou que Guimarães é ainda menos do que o Porto. Todos os são: a única diferença é que Lisboa anda há 850 anos a apanhar porrada e aprendeu a moderar-se.
Não subscrevo as soluções do costume que partem sempre por colocar o Estado no Interior. O que o Interior precisa é de actividade económica, que gera emprego, que gera necessidade de serviços públicos e não o oposto.
Academia LGBTI

Pensava que as universidades e institutos de ensino superior eram ambientes privilegiados para discutir ideias. Parece que não. Agora discutem-se identidades.
Recentemente, a Universidade Europeia, o IADE-UE, o IPAM Lisboa e IPAM Porto “celebraram” o Coming Out Day. Organizaram seminários “para falar sobre a temática do orgulho LGBTI” e “dar formação sobre inclusividade”. Abordaram questões como “o que é o ser transexual, transgénero e intersexo” e “o que significa orgulho”.
No Porto, por exemplo, adiaram-se ou atrasaram-se aulas de unidades curriculares no IPAM para permitir que os alunos assistissem à intervenção da coordenadora do “GIS – Centro de Respostas à População LGBT.”
A narrativa é a de sempre: o mundo está contra a “comunidade” LGBT. A “comunidade” é vítima. A “comunidade” tem de combater um inimigo sem face.
Não basta defender e lutar para que todas as pessoas sejam tratadas de forma igual perante a Lei. A “comunidade” tornou-se um lobby para implementação de políticas em seu benefício. Além de serem também uma estética camuflada de modernismo e cosmopolitismo são ainda movimentos que se opõem à discussão e troca de ideias e que renegam a liberdade e a autonomia de pensamento dos indivíduos.
Resolve-se e reduz-se qualquer debate sobre aspectos que interessam à vida quotidiana das pessoas a argumentos do nós (“comunidade”) contra eles (mundo). O confronto de opiniões e a troca de informações ficam simplificados quando não se tornam totalmente irrelevantes para o caso que estiver em apreço. A substância pouco importa, basta enquadrar o interlocutor em estereótipos de grupo e atribuir-lhe intenções maléficas para a contenda ser ganha (pela “comunidade”).
Não sei se esta é uma tendência inexorável na sociedade dos nossos dias. Espero que de uma forma ou de outra este marxismo cultural possa ser travado. Mas tenho infelizmente a certeza que nas nossas escolas e academia se fabricarão mais crianças e jovens como o retratado acima.
*
Uma sociedade lobotomizada
O Parlamento discute esta quarta-feira um projeto-lei do PAN que pretende proibir a prescrição e administração de medicamentos para a hiperatividade e défice de atenção em crianças com menos de seis anos. Também no Parlamento será debatido esta quarta-feira um projeto de resolução do Bloco de Esquerda que defende a prevenção de consumos excessivos de estimulantes do sistema nervoso central para tratamento da perturbação de hiperatividade com défice de atenção.
A simples possibilidade de os deputados passarem a decidir sobre tratamentos médicos dá conta da anomia dos nossos dias. Para mais como isto vem com a chancela da esquerda os autores de tal proposta e a dita proposta são tratados não são colocados no devido sítio: o dos trauliteiros ignorantes.
O PAN propõe até que “Nos casos em que crianças com menos de seis anos já se encontrem a tomar medicamentos com metilfenidato e atomoxetina, o PAN propõe que interrompam o tratamento, em termos a definir pelo médico.” O parlamento a decidir a interrupção de tratamentos médicos? Isto chama-se totalitarismo.
Sobre os considerandos do PAN de que estes casos “devem ser tratados sem medicamentos e antes através de intervenção psicológica” aconselho que se tente perceber o que acontece em França, país onde a psicanálise se tornou uma espécie de remédio para tudo.
Embora por cá ninguém leia francês e até façam de conta que a França não existe – só assim se explica que na mesma semana os insultos a uma passageira num avião tenham tido cobertura em todos os meios e a pistola apontada à cabeça de uma professora em França tenham sido quase ignorados – devem os leitores conseguir perceber que a psicanalização dos casos de autismo levou em França a que a vida de muitas das famílias com crianças com estes problemas se tornasse um inferno. Invariavelmente acusadas de serem más mães várias mulheres viram e vêem os serviços sociais retirar-lhe os filhos e colocá-los em instituições. Outras optam por não procurar ajuda porque receiam ver-se acusadas de negligência pois nesta perspectiva as crianças são apenas mal educadas, estão traumatizadas…
Presumo que a medicação não seja indicada para todos os casos. É evidente que existem abusos de medicação mas a simples hipótese de ser um parlamento a decidir sobre tratamentos médicos é sinal de que a lobotomia anda ser praticada por aí.
Que mais terão escutado os turcos?
Erdogan: “Temos certeza de que Khashoggi foi assassinado no consulado saudita”
Até agora a Turquia está a ganhar aos pontos à Arábia Saudita neste caso. De caminho Erdogan está a aproveitar a barbárie dos sauditas para lavar a sua imagem de cruel perseguidor dos seus opositores. Contudo há algo que não percebo: estando o consulado da Arábia Saudita sujeito a escutas pelos turcos (não vamos acreditar que só fizeram escutas no dia do assassinato de Khashoggi, pois não?) será que nos dias anteriores os turcos não ouviram nada que os levasse a suspeitar daquilo que os sauditas estavam a tramar? Podiam ou não os turcos ter prevenido Khashoggi com quem tinham canais de comunicação directos através de um dos conselheiros do presidente turco?
um trauma insuperável
Carlos César acaba de redenominar os livros de memórias dos políticos. Segundo ele, passarão a chamar-se «delações políticas». O PS parece não conseguir ultrapassar o trauma que Cavaco lhes causou por os ter arredado uma década inteira da mesa do orçamento.
Não se enerve dr. César ou levará os próximos anos em estado de fúria: há muitos livros de memórias que lhe vão certamente reservar mais umas linhas
Texto e imagem roubados ao João Gonçalves:
“É preciso recuar ao primeiro volume das memórias presidenciais de Cavaco para entender a insolência da criatura. A página que reproduzo respeita ao desfecho do lamentável episódio do estatuto açoriano que César tratou sem pinga de sentido de Estado, como se fosse mais uma indicação familiar para cargos públicos. Entre Cavaco e César, alguém intelectualmente sério pode hesitar?”

Quem tem cães percebe de finanças públicas
Ninguém que considere ter sentido de humor o pode afirmar, sob risco de chacota, sem que esse sentido de humor tenha sido testado como dono de um cão. Nenhum outro animal serve de teste: só um cão é capaz de comer galhos, folhas, pneus e – com tempo suficiente – um tractor inteiro com o focinho sério de quem não está a fazer mais do que o que dita a mais elementar etiqueta. As cabras também comem tudo, incluindo latas de salsichas, com ou sem elas no interior, mas não o fazem com a ingenuidade de um cão. O cão come primeiro, enjoa depois e, finalmente, recupera (ou não) para comer novamente uma bicicleta. Há pessoas convencidas que os cães aprendem ao longo do tempo. Tal não é verdade: o que acontece é que o cão simplesmente deixa de tentar, ficando mais sofisticado na sua arte de pouco fazer. O cão doméstico não sai do sofá por dá-cá-aquela-palha.
O meu cão comeu uma torneira. Também comeu uma tapete. Há quem diga que isso não é comer, que é roer, mas essas pessoas já não terão dedos se assim roerem as unhas. Digamos desta forma: havia uma dada massa de torneira, agora resta menos massa; como na Natureza nada se cria, tudo se transforma, a massa em falta transformou-se em bolo digestivo. Portanto, comeu.
É por ter um cão que consigo deixar passar o orçamento de estado (maiúsculas porquê?) sem comentário. Como tenho um sentido de humor mais que comprovado por adoptar e manter um cão, limito-me a fazer o possível por tirar tapetes e torneiras do espaço onde está o Primeiro-Ministro. Quanto menos ele tiver para comer, menos estraga.
dr. jekyll e mr. hyde
Todos sabemos que o heróico governo da Geringonça venceu a austeridade, em Portugal, e demonstrou que «havia outro caminho», para além das desumanas políticas de Passos, Gaspar e Maria Luís. Para esse glorioso destino foram fundamentais, o primeiro-ministro Costa e o «Ronaldinho das finanças», mas também o apoio patriótico às novas políticas dado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda.
Assim, é quase impossível acreditar que o mesmo ministro das finanças anti-austeritário seja a mesma pessoa capaz de proferir estas insensíveis palavras sobre um governo da UE – o italiano – que mais não está a fazer do que combater a mesmíssima austeridade: “Depois de termos tornado a área do euro uma área económica e monetária resiliente ficaria muito surpreendido que um Orçamento de um Estado pudesse causar um drama dentro da área do euro e que as instituições não conseguissem gerir este evento”.
Ou seja: as “instituições” da União Europeia devem sobrepor-se à vontade dos povos e ao seu combate contra a austeridade que os mercados criminosos e os interesses da alta finança alemã lhes estão a tentar impor.
Um bizarro caso de dupla personalidade, este do Ronaldinho do Euro, que não poderá deixar de ter uma vigorosa resposta de António Costa, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e, sobretudo, de Mário Centeno. Aguardemos.
Ecogan

Erdogan aprova a nomeação feita por Erdogan de Erdogan como presidente do Fundo Soberano Turco no valor de 40 mil milhões de dólares. Acto ratificado por…Erdogan
(Nota: o comentário é verdadeiro, de facto assim aconteceu, mas a imagem é uma simples paródia, não real)
Não são fake news… aconteceu mesmo
Eleições regionais em Itália: Liga vence e M5S sai derrotado
Ps. Fazer de conta que não aconteceu não resolve o caso
O teatrinho
Catarina Martins não deve ter sido grande actriz mas ficou com aqueles tiques de linguagem do teatro infantil: o mundo divide-se entre a fada boazinha e os duendes maus, aquilo que a fada faz embora pareça igual à obra dos duendes não é obra dos duendes: “O que negociámos com o Governo não foi daquelas medidas a que a direita nos habituou, muitas vezes, em que tirava de um sítio para por noutro.” Isto é uma história de gigantes, bruxas, fadas… Depois como quem fala para uma plateia de criancinhas faz aqueles perguntas vocativas muito explicadas que metem o mais santo à beira de um ataque de nervos: “O BE propôs várias vezes e ainda no ano passado aumentar a ação social escolar. Sabem o que fez o CDS?” A seguir Catarina muito didáctica vai explicar…
Esta linguagem e esta sintaxe infantilizantes tendem agravar-se quando as contradições se tornam evidentes. É constrangedor.
A angústia dos materiais no momento da nomeação

Nos últimos dias quase ninguém resistiu a comentar, muitas vezes de uma forma trocista, a nomeação de João Galamba para a Secretaria de Estado da Energia. Inicialmente, por causa do perigo de retaliação, que poderia materializar-se num corte de luz, considerei essa atitude imprudente. No entanto, depois de olhar com atenção para as facturas da electricidade cá de casa, passei a olhar para as velas, lamparinas, arcas salgadeiras e fogões a lenha com outro carinho. Assim sendo, relativizado o risco, também me vou aventurar nessa análise política.
Alguns apoiantes do Governo, defendendo a escolha de António Costa, afirmam que não é necessário ter conhecimentos na área da energia para se desempenhar com excelência as funções, eminentemente políticas, de Secretário de Estado da Energia; simultaneamente, numa manobra de flic-flac intelectual, aproveitam para elogiar a vasta experiência de Francisco Ramos na área da saúde e sublinham a enorme mais-valia dessa experiência para o desempenho do cargo de Secretário de Estado da Saúde. Já alguns dos opositores, funcionando como espelho, garantem que a ignorância técnica de João Galamba é fatal naquele lugar, ao mesmo tempo que asseguram, com igual convicção, que a sabedoria de Francisco Ramos não é motivo bastante para que fiquemos descansados.
Percebemos desta forma que a avaliação curricular, o método mais utilizado em todo o mundo, não é adequada às singularidades da política portuguesa, pois se uma pessoa pertencer ao partido certo, ter ido ao Corte Inglés de Vigo é habilitação suficiente para assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros; pertencendo ao errado, até um híbrido português de Talleyrand com Metternich será alvo de fortes críticas se ambicionar mais do que a portaria do Palácio das Necessidades.
Cercados por este contexto altamente polarizado, talvez seja então mais justo que julguemos o trabalho de João Galamba de acordo com os critérios que ele utiliza para julgar o trabalho dos outros. E nesse caso, infelizmente, as notícias não são famosas. Se o ex-deputado, há uma semana, comentando a descida do rating português em 2011, realçava que esta tinha ocorrido uns dias depois da substituição de José Sócrates por Passos Coelho, temos a obrigação de lhe lembrar que, já depois da sua ida para a Energia, havia milhares de pessoas sem electricidade na Região Centro e postes de alta tensão dobrados sobre si próprios num estado de angústia extrema. Em 44 anos de democracia nunca se tinha visto o equipamento tão triste com uma nomeação. E, como bem sabemos, o material tem sempre razão.
E é aqui que estamos
Outubro de 2018. Liceu Edouard-Branly, Créteil França. Um aluno aponta uma arma à professora e exige que ela marque “Absent” Mais precisamente a criatura ordena: « Tu me mets absent » . Depois percebe o erro e diz: « Tu me mets présent ». Entretanto a turma está em estado festivo….
Posteriormente apurou-se que arma era de ar comprimido e os menores reconheceram os factos mas não os acham muito graves. Resumindo nous sommes en marche pour l’abîme
pimenta, um democrata dos costados todos
Vejam como se comove o rapaz Pimenta Lopes com as eleições brasileiras e o «fascismo» que está a caminho desse país. E, depois, lembrem-se que foi o mesmíssimo rapazola que escrevinhou aquele verdadeiro escarro lançado, no Avante, sobre o povo venezuelano oprimido, perseguido e assassinado por Nicolas Maduro. Um enorme democrata, este Pimenta.
o fascismo e os fascistas que já cá estão
Na eleição venezuelana que reelegeu o pequeno e dócil Nicolas Maduro, podia ler-se esta prosa inspirada no Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, parceiro da geringonça governativa: “Este resultado é, simultaneamente, uma expressão de que o povo venezuelano não quer abrir mão do processo que se iniciou em 1998 com a eleição de Hugo Chávez. As forças progressistas e revolucionárias na Venezuela têm agora grandes desafios na tarefa de responder, de forma firme, à difícil situação económica e social para onde foram empurrados. Simultaneamente encontram-se em melhores condições para resistir e superar a pressão, chantagem e agressão que EUA e UE estão a impor, e ao que pode ser o anúncio do agravamento de sanções” (cortesia do leitos “licas”).
Com «o resultado» da obra do camarada Maduro bem à vista de todos, o que disse, até agora, o PCP? Nada, obviamente. No fim de contas, eles estão convencidos que o homem é, bom, casto e puro, porque, plagiando o santo Padre Américo, não há revolucionários esquerdistas maus. A culpa dele andar a chacinar opositores e a matar o seu povo à fome é da «pressão, chantagem e agressão que os EUA e a UE» estão a impor à Venezuela. Como sempre acontece com os socialismos que correm mal. Em compensação, estes grandes democratas do PCP estão no governo de Portugal e toda a gente que se preocupa com o Trump e o Bolsonaro acha muito bem. Uns grandes democratas!
Todas as news são fake news
Andaram anos com manchetes de idosos que morrem sozinhos em casa com a austeridade, com relatos pungentes de miúdos ranhosos saídos do universo de Dickens que desmaiam com fome nas escolas, com reverência por líbios sanguinários que acampam em Cascais enquanto atiram com o epíteto de extrema-direita a cada tipo que diz que a justiça é morosa ou que não é justo que certas e determinadas etnias possam exceder as duas visitas hospitalares e agora estão preocupados com “fake news”? Já não é dado adquirido para toda a gente que se é news é porque é fake?
Agora amanhem-se. Quem não quer ser palhaço que não pinte a cara. Já é tarde. Votaria Bolsonaro? Sim. E teria sempre como desculpa, caso corresse mal, que foram os jornais que me motivaram a esse voto.
O casamento do ministro e a união de facto do Governo
o fascismo que aí vem e o fascismo que aí está
Muito preocupados com os «fascismos» que aí vêm, os de Trump e Bolsonaro, os auto-proclamados «anti-fascistas» lusitanos e brasileiros parecem não estar minimamente apreensivos com o fascismo que já aí está: o de Nicolas Maduro, que se abateu sobre o infeliz povo venezuelano. Não digo a horrível situação de miséria em que o povo desse país maioritariamente vive, porque isso, é claro, é culpa do imperialismo americano e de Donald Trump, mas as prisões políticas de centenas de opositores ao regime, o ataque e encerramento violento do parlamento do país, o «suicídio» involuntário de Fernando Albán, da janela dessa ascorosa entidade que é o Serviço Bolivariano de Inteligência, a polícia política do regime, os assassinatos de Ricardo Campos ou de Óscar Perez. Não conheço a nenhum desses «antifascistas» uma única linha de crítica ou de ataque, vá lá, de exigência democrática contra o regime fascista da Venezuela, mas lembro-me até de ler, a muitos deles, encómios e elogios ao prócere venezuelano anterior, o enorme democrata Hugo Chávez, como se Maduro tivesse nascido por geração espontânea. Não lhes li uma linha, não lhes ouvi uma declaração, não lhes conheço um abaixo-assinado contra o ditador de Caracas. E este «antifascismo» selectivo desqualifica quem o faz e permite pensar o pior dos seus sentimentos «democráticos».
Adenda: Falamos na Venezuela de Maduro, mas também poderemos conversar sobre a Nicarágua de Ortega, se vos der mais jeito…
O presidente das cuecas mente ou esconde?
Num artigo de hoje no ECO, David Dinis faz perguntas pertinentes sobre o caso de Tancos e chamusca (trocadilho intencional) Marcelo Rebelo de Sousa, com todo o acerto, a propósito da gestão desta pestilenta novela.
Destaco a seguinte passagem:

O Gabriel já aqui também hoje escreveu sobre os procedimentos sui generis seguidos na “resignação” de Rovisco Duarte.
Mas, quando dúvidas existem sobre o comportamento do próprio Presidente da República e se sente uma vontade generalizada e encontros de vários interesses em que nada se esclareça, quem sobra para defender o “regular funcionamento das instituições democráticas”?
*
O monstro da Educação para a Cidadania
O que está a acontecer no ensino básico é ainda mais grave e silenciado que os dislates de um professor universitário por muito amalucado que o dito seja. Se lermos o comunicado da APAIS EB Francisco Torrinha a propósito da ficha sobre o namoro de crianças de 9 anos constatamos que a disciplina de Educação para a Cidadania se tornou de tal forma o palco de uma doutrinação nas teorias do género e similares que nem sequer é leccionada pelos professores da escola. No caso da Francisco Torrinha foi a “Associação Plano i“ a contratada para leccionar essa disciplina.
Este franchising da Educação para a Cidadania não só é legal como incentivado: segundo se lê no comunicado da APAIS EB Francisco Torrinha: “na “Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, na página 16 é afirmado “É desejável que as escolas, para o desenvolvimento da sua estratégia de Educação para a Cidadania, estabeleçam parcerias com entidades externas a escola”.
E assim numa disciplina que lida com conteúdos tão sensíveis as aulas não são de facto responsabilidade da escola. O que leva a que a sua frequência devesse ser opcional. Acrescento ainda que apenas se soube do despropósito daquela ficha porque uma mãe que manifestara previamente reservas em relação àquela aula foi convidada a assistir à mesma e acabou a ser confrontada com a ficha e a fotografá-la.
Beijar os avós é violência?
Eu não quero saber o que um professor universitário faz na cama, só com um ou vários parceiros ao mesmo tempo, com cordas ou sem cordas. Eu não quero saber se gosta de mulheres, homens ou outros espécimes. Não quero saber nem tenho nada que saber, porque não me diz respeito.
Mas quero saber e devem-me uma explicação, sobre o que faz um indivíduo destes doutrinar crianças, jovens ou adultos, de acordo com a sua ideologia, sem o conhecimento nem consentimento dos pais. Porque eu posso amar quem e como eu quiser, mas não posso impingir os meus gostos nem a minha visão da vida, como agora estes pseudo intelectuais o fazem, num lugar público, com responsabilidades públicas, com a maior desfaçatez possível. Ponto. A pergunta que todos os pais deveriam estar a formular neste momento, é: “Como chegamos até aqui?” porque é exactamente nesta resposta que temos a chave do “mistério” e da solução.
Não foi por acaso que numa ficha socio-demográfica distribuída às crianças do 5º ano, com 9/10 anos, numa escola pública, se pedia que dissessem por quem se sentiam atraídos: meninos, meninas ou outros. Há um ano que no nosso país, arrancou um projecto piloto do ensino da Teoria da Ideologia de Género nas escolas, que pretendem tornar obrigatório (veja aqui). É nesse projecto que se materializa o ensino de coisas tão estapafúrdias como, beijar os avós é violência ou ninguém nasce menino ou menina porque é uma construção meramente social. Surpreendido? Não esteja. Você está a ser formatado pela ideologia que inventou esta asneirada toda, durante anos: o marxismo cultural. Quer saber como?
Quando António Gramsci, um filósofo italiano marxista, descobriu que a teoria de Marx, que defendia que o proletariado iria provocar naturalmente o conflito entre as classes e consequentemente destruir a sociedade capitalista, era um fiasco, analisou o fenómeno e logo percebeu que, para fazer vingar o marxismo, era preciso usar outra estratégia. Percebeu que as pessoas presavam mais Deus, o amor à família e nação do que davam importância à solidariedade de classes. Aí, deu-se a alteração da táctica: a revolução já não seria entre classes mas sim, uma revolução cultural através da qual se dominaria a mente, levando os indivíduos a subverter os valores e tradições que são a base da sociedade ocidental, desconstruindo-a até à sua destruição total. Com isto, cria uma geração de idiotas úteis, burrificados, escravos voluntários, que amam a sua servidão ao Estado sem o questionar. E assim, de forma pacífica, implantaria uma sociedade marxista sem verter um pingo de sangue, como sucedeu sempre, em todo o Mundo, com golpes de Estado, para impor o marxismo.
Para que esta transformação social fosse possível, foi necessário colonizar devagarinho as instituições culturais. Entrar por dentro da educação, da Igreja, dos jornais e revistas, da literatura, da música, arte visual e por aí em diante, de modo a alcançar o controlo absoluto do pensamento e imaginação humana. Digam lá se isto não é brilhante?
Para tal, o processo passou por várias etapas. Primeiro infiltrou-se na Igreja onde os discursos politicamente motivados dão ênfase à justiça social e igualdade com base nas doutrinas milenares mas “modernizadas” segundo o padrão de “valores” marxistas. O actual Papa é disso exemplo. Depois, substituir a educação rigorosa e de excelência com base no esforço e mérito, por currículos escolares estupidificantes e politicamente correctos, com docentes de baixa qualidade académica. Segue os órgãos de comunicação social, que são usados como instrumentos de manipulação e descrédito das instituições tradicionais. Depois, a perseguição à moralidade e valores do passado, que são literalmente ridicularizados. Por fim, atacam-se todos os membros da sociedade que são tradicionais e conservadores classificando-os de fascistas, homofóbicos, racistas , por aí fora.
Assim, a cultura passa a ser um meio de destruição de ideias e não o suporte da herança nacional. Por isso, vemos o ataque cerrado à nossa História onde a tentam reescrever demonizando os actos heróicos dos nossos antepassados, que conotam de racistas, sexistas e hediondos, para transformar em heróis modernos, as estrelas de Rock ou do cinema que denunciam estes “factos” na História. É a substituição da cultura tradicional cristã, que dizem ser repressora, pelo multiculturalismo “libertador” que acolhe todo o tipo de culturas, até daquelas que, pela sua natureza, não se integram, mas antes combatem o cristianismo e cultura ocidental, para ser esse o novo modelo de sociedade. Isto é-lhe familiar?
Esta ideologia medonha entrou no nosso Parlamento em 10 de Outubro de 1999 quando o Bloco de Esquerda, com 132000 votos, conseguiu eleger 2 deputados “intelectuais”: Manuel Fazenda e Francisco Louçã. Foi aqui, nesse preciso momento, que Portugal abriu a “Caixa de Pandora”. Aqui começou todo um assalto ao pensamento e à palavra que permitiu que hoje, estivéssemos a ser confrontados com esta destruição social que já chegou ao nosso ensino pré-escolar, às nossas crianças, sem que nos déssemos conta.
Aprenda de uma vez, que o marxismo é o veneno que se administra aos cidadãos fazendo crer que é remédio, só porque na posologia está descrito que cura a desigualdade, a injustiça, traz mais liberdade, menos opressão, mais direitos, sem nunca referir, que os efeitos secundários são o efeito contrário da medicação, ou seja, a morte da sociedade livre.
No combate, só há um antídoto: resistência. E com ele, nós educadores, tomarmos o poder na educação dos nossos filhos, transmitindo os valores e amor à nossa herança cultural, enquanto exigimos aos nossos políticos, uma atitude clara contra a estratégia Gramsciana de subversão cultural, com a promessa de os banir do Parlamento caso se recusem.
Beijar os avós é violência? Sim, se não for acompanhado de um grande abraço, seguido de um “gosto muito de ti avô e avó” ao ouvido.
Casta?
O General Rovisco Duarte entendeu apresentar a sua carta de «resignação» ao Presidente da _República. Bem sabendo que com isso violava a lei, pois que deveria tê-lo feito ao Ministro da Defesa, seu superior hierárquico. Tal desrespeito mostra bem como o próprio se sente um ser à parte. Provavelmente não será o único. Na dita carta terá invocado «razões pessoais» para a dita «resignação».
Mas terá igualmente escrito uma mensagem aos «militares e civis do exército», a quem afirma que «A todos vós, e unicamente a vós, devo uma explicação». Aquele «unicamente» demonstra que ele não compreendeu de todo o papel e cargo que desempenhou. E desta vez afirma que se demitiu porque «as circunstâncias políticas assim o exigiram».
Todo este comportamento enviesado, duplicidade demonstrada e falta de frontalidade parece um sinal de que o ex-comandante do Exército entende que a sua lealdade e serviço é apenas para com os seus subordinados e não para com o país e a sua forma de organização politica. Já alguns dos seus subordinados, agora arguidos no caso de Tancos haviam invocado a violação da lei e a prática de crimes sob o pretexto de ser do «interesse nacional». Parece existir uma cultura de casta naquele corpo das Forças Armadas, como que a pretender situar-se fora do ordenamento instituído.
Desde o primeiro patético comunicado a relatar o roubo em Tancos que parecia que este comandante estava desajustado do seu lugar. Sucedeu que Azeredo Lopes, portador de um perfil igualmente desadequado, se lhe juntou em sucessivas declarações também elas patéticas, mantendo-se aquela dupla em funções muito para lá do que era razoável face ao que foi ocorrendo e sendo conhecido. E de forma incompreensível, apenas sustentados pela mão do primeiro-ministro até terem mesmo de serem corridos porta fora.
P.S. o General Xavier Matias, presidente do IASFA já entregou a «lista discriminada das fracções em regime económico e em renda livre» das propriedades pertencentes àquele instituto público?
Sorteio para quê?
Se o juiz Carlos Alexandre teve intervenção processual na fase de inquérito, e sendo a fase de instrução destinada a avaliar se há indícios suficientes para levar uma pessoa acusada de um crime a julgamento, isto é, verificar se a decisão tomada pelo Ministério Público no fim da fase de inquérito foi ou não adequada, então porque há-de de ser o mesmo juiz a intervir em duas fases tão distintas e em que a segunda pretende avaliar o realizado na primeira? Aconselha a prudência e o bom senso que sejam juízes diferentes. É certo que a lei permite que seja o mesmo, mas não evitaria uma natural suspeição se tal viesse a ocorrer.
Por estranho que pareça naquele tribunal apenas existem dois juízes. O «Tribunal Central de Instrução Criminal» é um tribunal especializado, localizado, (como não podia deixar de ser), em Lisboa, «com competência para a instrução criminal de processos cuja actividade criminosa grave ou altamente organizada decorra em Comarcas integradas em áreas de jurisdição de diferentes Tribunais da Relação, tendo jurisdição sobre todo o Território Nacional». Para tão vasta e aparente complexa função, apenas dispõe ao serviço de dois juízes, o que nos leva a supor que, ou há pouco que fazer ( e então porquê existir tal tribunal) ou não se pretende dar meios ao mesmo. Adiante.
Carlos Alexandre na sua mais recente entrevista mais parece querer reivindicar um «direito natural» a ser ele a prosseguir à frente do processo, não se coibindo de levantar suspeitas – em tudo iguais ás que os arguidos levantaram anteriormente contra si. Parece uma cisma pessoal, como se fosse um predestinado a tal tarefa. Se aos arguidos é compreensível que tudo façam para tentar torpedear o processo, não se compreende que Carlos Alexandre se lhes junte nesse esforço.
as paixões do engenheiro
O primeiro tema da primeira campanha de António Guterres para as legislativas, já lá vão uns bons anos, foi o célebre «paixão pela educação». Havia, na altura, umas massas valentes da União Europeia para o sector, e o novel governo do engenheiro logo as tratou de gastar. Fizeram-se escolas superiores públicas em cada esquina, umas a seguir às outras, com cursos e áreas científicas que se repetiam sem critério. A única regra, na verdade, era mesmo gastar o que vinha de fora, e aumentar exponencialmente o sector público do ensino superior, procurando reduzir o sector privado (“que, sacrilégio!, só procura o lucro!”) a um mínimo residual.
Como quase todas as paixões, também esta deu para o torto, como qualquer pessoa sensata já na altura poderia antever. A pirâmide etária inverteu-se, passando a ter uma base muito estreita e um vértice alargado, as massas da União Europeia para estes fins acabaram, algum ensino superior privado resistiu ao ataque e até cresceu, e hoje, da paixão do engenheiro, sobram muitas escolas vazias, cursos às moscas e professores desesperados. Nada que certamente o angustie muito, ele que anda agora pela ONU, até porque, como costumava dizer perante as adversidades, “é a vida”.
oktoberfest

As eleições no Estado da Baviera, Alemanha foram muito curiosas. É que a expectativa era que a CSU tivesse de tal modo uma derrota avassaladora que iria colocar em causa a aliança que detém com a CDU de Merkel a nível federal. Estavam também os jornais preparados para muitas análises sobre a incrível subida da extrema-direita da AfD.
Mas não foi isso que se passou? Nem por isso. A CSU, partido democrata-cristão (um dos últimos ainda existentes na Europa), que optou por um discurso um bocadinho mais agressivo face aos imigrantes, tentando conter perdas para a AfP teve de facto uma queda, passando de 47% para 37%. Na verdade perdeu 600 mil eleitores, mas mantêm votação de mais de 5 milhões.
O outro parceiro da coligação federal, o SPD esse sim, teve uma derrota avassaladora e perda eleitoral, passando de 20% para 9,5%. Uma queda de 50% de votantes, com uma perda de mais de um milhão de votos, quedando-se nuns modestos um milhão e trezentos mil votantes. Passou de segunda força mais votada em 2013 para uma humilhante quinta posição .
Do lado dos vencedores, dá-se a entrada directa da AfD com mais de um milhão e trezentos mil votantes, correspondendo a 10% dos votantes. E os Verdes, que mais que duplicam os votos, obtendo 17,5%. De destacar ainda os liberais do FDP que regressam ao parlamento assegurando (à justa) os necessários 5% de votos.
Em suma, a CSU mantêm-se no poder, agora em aliança com o FW, um partido centrista local. E tal resultado não deve mexer significativamente na aliança federal. Pelo contrário, a pesada derrota do SPD poderá implicar uma mudança de liderança e provavelmente uma reavaliação da permanência na coligação federal. O SPD é um partido que não sabe o que fazer. Ou melhor, faça o que fizer (permanecer na coligação federal ou sair), sabe que em qualquer caso perderá votos e tenderá a ser irrelevante no futuro próximo. Essa é que a novidade destas eleições.
Mélenchon: “La République, c’est moi !”
Apesar do desinteresse nacional pela França venho lembrar que o senhor Jean-Luc Mélenchon, líder radical de esquerda, reagiu furiosamente à investigação judicial da sede do seu partido La France insoumise e da sua casa. Em causa estão as contas da sua candidatura.
Acham que se ue escrever que isto aconteceu na casa e na sede de candidatura da le Pen fazem umas breves sobre o assunto?
Filosofia da política orçamental em relação à identidade de género: não sair do armário

Há uma certa celeuma por aquele maricas do poliamor ter dito ontem, no Prós e Contras, que é uma violência (admito que não domino a terminologia dos chanfrados, pode ser outro o termo) quando os pais mandam os filhos beijar os avós. Em primeiro, e porque agora todo o cuidado é pouco, quero deixar claro que “maricas” não significa homossexual, que o que não falta são homossexuais que de maricas nada têm; maricas é aquele tipo que vai para a ópera assoar o nariz, por causa de mariquices como os fenos, perturbando toda a gente com um fagote bem maricas em público enquanto que em casa se limitaria a engolir o muco. Isso é que é um maricas.
Celeumas à parte, porque cada um se indigna com o que quer, o indivíduo tem uma certa razão. Por exemplo, se por um acaso de experimentação poliamorosa com uma sopeira desgraçada pela cegueira de infância e/ou eleitora do PS originasse uma gravidez, não creio que este novo ser fosse capaz de exigir à sua própria descendência que beijasse o avô. Ou a avó, porque, admito, não vi o peculiar humano explicitar o seu pronome de eleição e, consequentemente, a filiação pretendida para seus descendentes.
Por outro lado, e apesar da ressalva do parágrafo anterior, é difícil determinar a autoridade que alguém sem predisposição psiquiátrica para ter filhos possui para botar faladura sobre como se deve educar crianças. É mais ou menos como um padre a opinar sobre as vantagens da mecânica da posição vulgarmente denominada (no cinema especializado) por reverse cow girl sobre a posição do relógio (eu tenho um Kama Sutra no quarto, que me dá muito jeito porque a cama tem uma perna mais curta). E daí, talvez não, que há aí padres com cara de quem percebe mais do assunto do que estes académicos da ficção erótica.
E se já referi dois lados, e porque três é a conta que Deus fez, cá vai mais um: a selecção natural é uma coisa muito bonita. Foi mesmo para isso que se legalizou o aborto.
O que é Portugal?

A mais recente tertúlia da Oficina da Liberdade foi rica em conteúdo e permitiu transformar diversas amizades facebookianas em agradáveis e sãos encontros entre gente que se estima e respeita intelectualmente. Neste particular, lembrou o espírito da primeira edição destes eventos na já longínqua data de 20 de Abril de 2017.
Aproveito, todavia, para fazer uma breve sinopse dos comentários e crónicas que alguns dos participantes tiveram já oportunidade de partilhar aqui.
Gastão Taveira
O OE discute como distribuir umas franjas da despesa, normalmente as que aumentam. São essas que são objecto de discussão entre os partidos. Não há respeito por quem alimenta a máquina. Os contribuintes são esmifrados. Muitos já não querem saber de como é feita a distribuição, mas apenas de quanto vão ter de pagar.
Luiz Rocha
Começámos por pagar impostos para custear as funções de soberania (bons tempos!), depois houve que financiar as políticas desenvolvimentistas (o Estado a meter-se na economia) e agora pesam sobretudo as funções sociais (a descarada “compra de votos”), cujo contínuo aumento monopoliza hoje as discussões de mercearia de cada orçamento.
José Meireles Graça
E conclui-se – eu concluo – que a direita democrática, com todas as suas capelas, não tem a mania da superioridade moral nem integra nas suas fileiras quem tenha como propósito político inventar mais maneiras de dependurar no Estado novas resmas de dependentes.
Rosário Coimbra
Lamentei que para o Camilo Lourenço a regionalização seja uma questão geográfica e não um modelo de governação.
Sirvo-me deste último comentário da Rosário para registar o entusiasmo com que o tema da regionalização foi tratado no encontro da passada sexta-feira no Porto e destacar a propósito uma passagem de um artigo de hoje no Jornal Económico de um dos faltosos a esta reunião, o Bruno Alves:
Por muito negativa que essa centralização seja (para os lisboetas e para todos os outros) não será um conjunto de decretos governamentais a eliminá-la. A descentralização que se prepara, e as “descentralizações” de que por aí se falam, não descentralizarão nada, nem o pretendem fazer. O seu único propósito e resultado é dar aos vários poderes locais – suportes dos (e suportados pelos) partidos do poder nacional – alguns meios adicionais de compra de votos, locais e nacionais, nas respectivas terras. O resto é apenas vã conversa para preencher aquilo a que por cá erroneamente se chama de “debate político”.
Com toda a certeza o Carlos Novais e o Carlos Guimarães Pinto não deixarão de partilhar também neste mesmo local as suas opiniões sobre o assunto. Um numa perspectiva mais municipalista-libertária, o outro num pendor mais liberal-descentralizador.
Enquanto aguardamos os seus contributos, deixo-lhes aqui como estímulo um áudio de onze segundos com a forma como Daniel Bessa nos caracterizou nessa noite o que é Portugal:
# Adenda | 17Out @ 19h10: Os textos do Carlos Novais e do Carlos Guimarães Pinto já estão disponíveis online aqui.
Liberdade e bafio
No passado dia 12 de Outubro, no Porto, a Casa do Vinho Verde encheu-se para mais uma tertúlia liberal, organizada pela Oficina da Liberdade (http://oficinadaliberdade.com/). Num país anestesiado, infantilizado e imbecilizado, as intervenções dos oradores, Daniel Bessa e Camilo Lourenço, assim como a fantástica participação da assistência com “statements” uns atrás dos outros, representaram uma lufada de ar fresco que contrastou com o bafio da choldra em que vivemos. Ali se falou que é preciso (meu resumo) devolver a liberdade aos indivíduos, objectivo que jamais será conseguido enquanto o orçamento de estado se centrar na função redistributiva, por natureza bastante susceptível à barganha de interesses e votos. Por isso, por momentos vi-me transportado para um país com remédio, ao ouvir os ilustres e os menos ilustres tocarem nos pontos fundamentais que representam a minha visão de sociedade livre. De facto, se há um programa de acção que deveria unir os liberais, ele passa exactamente pela ideia contra-natura de (des)fazer. Desfazer despesa pública e desfazer impostos.
Entretanto, o meu delírio durou pouco. Hoje, li num jornal económico que o orçamento para 2019 DARÁ mil milhões às famílias. Foi o regresso ao bafio, de que nem a comunicação social de cariz económico escapa.
Interrogatórios que correm mal: uns indignam, outros omitem-se
Jamal Khashoggi e Fernando Albán morreram durante interrogatórios efectuados por funcionários dos respectivos países, dentro de instalações custodiadas por esses mesmos países: um consulado no caso de Jamal Khashoggi e o edifício dos serviços de informação no caso de Fernando Albán .
A pressão internacional é essencial para que a verdade seja apurada. Mas enquanto que todos os dias temos notícias sobre o acontecido a Jamal Khashoggi o esquecimento cai sobre Fernando Albán. E assim enquanto que Autoridades sauditas irão admitir que jornalista Jamal Khashoggi morreu num interrogatório que correu mal. na Venezuela, como de costume, temos duas teses e responsabilidades para ninguém; Tese da oposição é que autópsia detetou água nos pulmões, mas que os resultados foram alterados a pedido do governo de Nicólas Maduro. Tese oficial é que opositor se suicidou nos serviços secretos.
Amizades de Costa
O novo ministro da Economia toma posse, acumulando com a pasta de Adjunto do PM que já tinha, bem sabendo que o Tribunal certamente o demitirá, mais dia menos dia desta ultima pasta por acumulação indevida de funções privadas já enquanto ministro. A sua nomeação para novo cargo deve ser apenas uma forma de evitar ser corrido forçadamente do Governo. É certo que se manterá a questão das suas falsas declarações, pois que ele invoca ter renunciado a 15/12/17 à gestão da empresa por si criada um dia antes de tomar posse pela primeira vez como ministro, mas uma semana depois (21/12/17), entregou declaração no TC onde afirmava ser ainda gerente. Uma das duas declarações é falsa.
Curioso para ver o que sucederá ao que agora o spin socialista tenta forçada e infundadamente designar por «super-ministro». É de notar ainda que o seu ministério perde a pasta da Energia para o ministério do Ambiente. Não por qualquer razão política, de reorganização dos serviços, de opção programática. Mas apenas simplesmente por questão pessoal, pois que o actual ministro declarou-se impedido por razões profisssionais de lidar com assuntos dessa área. É portanto uma remodelação caseirinha, onde se dá um jeitinho na orgânica do governo para enquadrar a pessoa, o poder ao serviço do sujeito embora devesse ser o contrário….
Curioso e preocupante ainda o assalto partidário por parte do PS ao sector energético. É uma chefe de gabinete e um deputado na «entidade independente» ERSE, é um comissário politico, líder do spin mais básico como secretário de estado da energia. O que quer o PS dali? Não se diga depois que o fizeram às escondidas, é mesmo em frente de toda a gente.
A falta de motivação e de senso
Como é que ao fim de umas horas se conclui que “ o individuo não agiu com motivações de caráter terrorista.“? Ao contrário do que acontece com o alcool e as drogas não existe um teste para as motivações de caráter terrorista.. Perguntaram ao senhor se ele tinha essa motivação e ele disse que não? Olharam para a cara dele e disseram “Não parece terrorista”?…
