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em louvor de luiz inácio «lula» da silva

6 Abril, 2018
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lulalulaNo dia da mais do que provável prisão de Lula, não duvidando, por um segundo, do seu carácter venal, da justeza e necessidade da sentença, como também tendo a certeza – porque vi – da máquina de corrupção que foi o PT durante os seus anos de governo, e, por fim, não descrendo do rigor processual com que ele foi tratado, quero fazer aqui um louvor a Luís Inácio «Lula» da Silva, por um conjunto de motivos que passo a explicar.

O primeiro de todos foi o facto de Lula da Silva, eleito presidente da República e empossado em 2003, ter feito no seu primeiro governo o exacto contrário daquilo que se esperava dele: um governo moderado, financeira e economicamente conservador, que respeitou o Plano Real e contribuiu, assim, para refrear a inflação. Para o assegurar teve, infelizmente durante pouco tempo, um excelente ministro das finanças chamado Antonio Palocci, que ele colocou nesse lugar. Foi graças a ter mantido a política monetária do país e não propriamente às suas medidas propagandísticas, que a economia cresceu e que o Brasil se desenvolveu por alguns anos. É pouco? Bom, num país da América Latina, naquela altura e com um partido vindo da esquerda radical, o mais provável era ter desfeito tudo o que vinha de trás e ter começado a «construir um país novo». Veja-se, a contra-exemplo, o que foi feito, em situação semelhante, num pequeno país europeu nos últimos três anos…

O segundo facto foi Lula da Silva ter fechado o acesso ao seu primeiro governo da extrema-esquerda, que estava fortemente implantada no seu partido. Inclusivamente, expulsou do PT alguns membros mais radicais, como sucedeu com a célebre Heloísa Helena (que deve estar hoje a rebolar de gozo e a repetir «eu não dizia?»…). É coisa fácil? Num país da América Latina, naquela altura e num partido como o PT? Talvez. Mas tenha-se, mais uma vez a contra-exemplo, o que em matéria parecida foi feito num pequeno país europeu nos últimos três anos…

O terceiro motivo de louvor prende-se com ter conseguido resistir, ao contrário da sua sucessora «presidenta», a intervir na autonomia do Banco Central, tendo nomeado para o garantir um excelente governador, que foi Henrique Meireles, até há dias ministro das finanças de Temer que ajudou a tirar o Brasil do buraco em que se afundava. Também é pouco? Bom, novamente a contra-exemplo, atenda-se às relações entre o governo de um certo pequeno país europeu e o governador do seu Banco Central…

O quarto está em ter exercido o seu primeiro mandato sem complexos ideológicos. Eu mesmo o ouvi, duas ou três vezes, dizendo expressamente que a sua função como presidente da República era «proteger e apoiar o capitalismo [sic] brasileiro». É pouco? Num país da América Latina e num presidente vindo do sindicalismo e líder do PT? Provavelmente. Mas vão lá perguntar aos líderes dos dois partidos da direita do tal pequeno país europeu o que pensam do capitalismo…

Por último, Lula da Silva foi, como chefe do seu país, um incomensurável ladrão, montou uma rede criminosa e, por esses factos, merece ser preso. É certo que, apesar da dimensão gigante da coisa, no Brasil não é nada de novo, nem exclusivo de nenhuma formação política. Isso não o desculpabiliza, nem relativiza a sua culpa. Pelo contrário, agrava-a, porque ele, antes de chegar ao poder, estava mais do que consciente de que o Brasil era assim e prometeu que, com ele, deixaria de o ser. Mas também aqui vale a pena comparar o que se passou, há uns anos, num pequeno país europeu, muito mais polido e civilizado em matéria de corrupção, com alguém que também chegou ao poder para defender os mais pobres e desfavorecidos. E como os defendeu tão bem…

P.S.: Posto isto, apenas para dizer que a prisão de Lula é necessária, justa e higiénica, embora este ambiente de histerismo de turba que, por causa do facto, lá se vive, seja altamente prejudicial ao Brasil, porque esta prisão pouco – ou nada – resolverá. De facto, acreditar que a detenção do líder do PT porá termo ao grave problema endémico da gigantesca corrupção brasileira é meio caminho para que tudo fique na mesma, ou seja, é meio caminho andado para a desgraça. De facto, os «servidores públicos» brasileiros são genericamente corruptos, e essa corrupção ataca o governo federal, os governos estaduais e os municípios (onde existem muitas centenas de milhares de gatunos), e é frequentada por gente de todos, mas de todos sem excepção, partidos políticos. Desse modo, sem uma mudança profunda do paradigma político, que terá que passar necessariamente pela refundação do federalismo, por uma nova Constituição, pelo reforço da segurança pública, por reformas políticas gigantes – como a da segurança social e a tributária, e, também, claro, por um massivo e brutal ataque à corrupção, o Brasil não terá solução. E, mesmo assim, duvido que haja «uma» solução para problemas tão graves quanto aqueles que se vivem nesse extraordinário país. Antes houvesse, que certamente já alguém a teria encontrado.

Artistas: o mal menor da desgraça

6 Abril, 2018

Eu sou daqueles que são a favor de subsídios para a cultura, mas, felizmente, não tenho que escolher quem subsidiar, uma tarefa impossível dado o panorama tão amplo de mediocridade. O problema não está no princípio do subsídio, que um contribuinte já subsidia tanta coisa que não será mais um filme – felizmente nunca terá que ver – que o incomodará. Incomoda-me mais subsidiar bancos dispostos a arruinar o país com TGVs da dupla megalómana Sócrates & Buraco de Compal do que a subsidiar um canastrão que não sabe ser mau noutro ofício. Em certos aspectos é uma benção subsidiar artistas: é uma forma de assegurar que a maioria volta ao silêncio da pacata existência diária que consiste na produção de peças de teatro representadas para moscas e espelhos.

Por outro lado, um povo é a sua cultura. A preservação desta é essencial à continuidade da identidade nacional, o que, como desgraça planetária, temos vindo a fazer bem há já muito tempo. Claro, têm havido excepções, meros frutos do acaso pela lei dos grandes números, excepções que acidentalmente acabam a confirmar a regra. Uma destas foi João César Monteiro que em tempos idos disse, em resposta a intrépida repórter do decoro do regime, que “eu quero que o público se foda”. Nunca antes alguém expressou tão bem à vontade de uma nação: não é mesmo o que queremos todos?

inocentes ou culpados?

6 Abril, 2018
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Os comentários de Pacheco Pereira e de Jorge Coelho sobre o processo de Lula da Silva, hoje proferidos na Quadratura do Círculo, só podem ser fruto de ignorância ou de má-fé. Ou de ambas as coisas juntas, claro. Tomemos apenas três exemplos dos muitos disparates ditos.

Primeiro, dizem os dois que «não estão dentro do processo, que não sabem se Lula da Silva é ou não culpado e que vão aguardar que a justiça brasileira se pronuncie». Nesta última parte da afirmação está obviamente implícito que os recursos ainda não esgotaram a matéria de facto e que é ainda possível que uma última instância dê os factos como não provados ou que conclua pela inocência do ex-presidente. Pois bem, há já duas sentenças que dão os factos como provados e que condenam Lula da Silva à pena de prisão. A segunda sentença, em resultado de recurso apresentado sobre a primeira, agrava mesmo em dois anos a medida da pena anteriormente aplicada. Por outro lado, o recurso para a última instância já não poderá alterar matéria de facto, cuja prova está feita e a decisão de culpabilidade decretada, mas somente matéria de direito, isto é, dizendo de uma forma elementar, avaliará se o direito decretado para os factos anteriormente comprovados está bem ou mal determinado.

Segundo, «este julgamento é político», afirmaram os dois, de tal modo político é que, disse Coelho, os juízes que ontem se pronunciaram foram nomeados, se calhar, por presidentes desafectos ao petista. Pois bem, 5 dos 6 juízes que votaram contra a concessão do habeas corpus a Lula foram nomeados por governos do PT, o partido de Lula da Silva.

Terceiro, «os juízes condenaram ontem Lula à pena de prisão», foi sendo dito nas várias intervenções. Pois bem, e no seguimento do que já foi dito sobre o estado da matéria de facto, ontem os juízes do Supremo em momento algum se pronunciaram sobre o mérito das decisões das duas instâncias que já julgaram o processo: limitaram-se a decidir sobre o pedido de habeas corpus aplicado a este caso. Explicando melhor: tratou-se de decidir se a prisão pode ser decretada havendo duas sentenças de duas instâncias diferentes no mesmo processo, com idêntica decisão («dupla conforme»), ou se devem deixar esgotar-se todos os recursos para se decretar a prisão. Note-se que, nesta fase do processo, os recursos já não poderão incidir sobre os factos, que estão considerados, neste processo, provados. Os juízes entenderam que sim, indo, de resto, ao encontro da jurisprudência do tribunal, que já decidira do mesmo modo em casos semelhantes. Decisão contrária, que fosse favorável à pretensão de Lula, seria, assim, uma excepção à tendência das decisões deste tribunal para casos semelhantes proferidas nos últimos anos. Foi isso mesmo que foi dito pela juíza Rosa Weber, nomeada juíza deste tribunal por Dilma Roussef, em 2011, para explicar o sentido do seu voto de ontem, contrário à concessão do habeas corpus e, aliás, contrário às suas convicções pessoais, como ela mesmo enfatizou. De resto, Aliás, se a decisão fosse diferente, isto é, se coincidisse com as pretensões do ex-presidente Lula, outros detidos, como Eduardo Cunha, teriam necessariamente que beneficiar do novo sentido jurisprudencial da Corte.

Enfim, serão Pacheco e Coelho inocentes ou culpados dos disparates que dizem? O veredicto não é fácil.

da rua dos fanqueiros

5 Abril, 2018
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mw-86022A transformação do regime político espanhol numa monarquia foi, há quarenta e três anos, o que salvou a Espanha de uma guerra civil e o que permitiu que ela se transformasse numa democracia, mantendo a integridade do seu território e a convivência (quase) pacífica dos espanhóis. Franco, que de tolo nada tinha, percebeu que o país só sobreviveria à sua ditadura se se transformasse profundamente, e que isso só se faria se algo completamente diferente sobreviesse à sua morte. O velho ditador sabia muito bem que nenhum poder meramente humano poderia suceder-lhe sem convulsões e, por isso, inventou um poder simbólico e neutro – o rei -, tendo sido em torno desse símbolo que se conseguiu conter os sectores mais radicais da sociedade espanhola e fazer abortar o golpe do 23-F.

Hoje, perante as ameaças que a Espanha atravessa, que não são mais fáceis do que as de há quarenta anos, substituído o velho e astuto Juan Carlos por uma espécie de manequim de uma loja de roupa da Rua dos Fanqueiros casado com uma «Conchita» da «Hola!», só algo de muito diferente daquilo a que estamos a assistir poderá salvar, uma vez mais, a Espanha. Por mim, não tenho dúvidas: mandar os Bourbons de volta à vida civil e implantar a república. Uma república federal e parlamentar, que redefina o sistema político e as relações entre as partes do estado espanhol com Madrid, e que seja capaz de harmonizar as muitas divergências daquela gente, procurando mantê-la unida nas próximas décadas. Com uma monarquia que se tem vindo a gastar a si mesma e a destruir o seu património simbólico, que é o que torna úteis as monarquias democráticas, as coisas não correrão bem.

 

Sobre as quotas, eu, preguiçoso, encorajo

5 Abril, 2018

Podemos argumentar o que quisermos sobre quotas para mulheres, que nada têm que ver com quotas para brancos ou sobre estabelecimentos nos quais só podem entrar casais de sexos diferentes. Podemos questionar o que é o género e se este tem alguma relação com sexo para podermos questionar o porquê de as quotas de sexo não serem extensíveis a género (coitada da Felisberta, que além de padecer de uma morte emocional por ter nascido com pénis, ainda é discriminada com a lei das quotas de sexo). Podemos questionar como se afere o sexo de alguém à luz das questões de género, e podemos passar o resto da vida a coçar a cabeça para perceber porque é que alguém perde tempo com isto tudo (desperdiçador de tempo me confesso). Podemos até perguntar porque é que não se aplicam as quotas a um casamento, mas seria sempre fútil.

O que importa é que fica sempre bem mais mulheres entre homens. Os críticos das quotas nem estão a contemplar todas as questões logísticas que ficam imediatamente resolvidas: por exemplo, em vez de uma administração contratar um serviço de acompanhantes à peça, pode contratar em regime permanente, com direito a seguro e 13º mês, reduzindo brutalmente as contas de hotel.

As quotas são é más para as mulheres que querem ser levadas a sério como profissionais. Para as outras, as que querem ser conhecidas pelo busto, é uma benção e, convenhamos, para os homens (que todos sabem que nasceram todos com o pecado original de serem predadores sexuais), é menos uma preocupação. No fundo, é a institucionalização democrática e republicana do tradicional bordel, o local onde, desde sempre, foi possível encontrar a equidade total (às sextas de bom movimento).

“Muito mais de 90% dos impostos são pagos voluntariamente”

3 Abril, 2018

imposto é roubo

Numa entrevista à RTP, a directora-geral da Autoridade Tributária quer-nos tomar por parvos. Diz ela que os impostos são pagos voluntariamente. Helena Borges dá como exemplo a baixa percentagem de incumprimento como prova da sua tese. Esta senhora é cínica ao ponto gozar com a cara de quem, sob a ameaça da força e tendo como perspectiva enfrentar um inferno legal e um quadro de inversão do ónus da prova opta por pagar sem resistência aquilo que lhe mandam.

Esta funcionária do estado tem ainda o desplante de dizer que o propósito da AT é “fazer com que cada um dos que cumpre seja nosso aliado na forma como observa os incumpridores”. Está instituída a nova bufaria fascista!

Se isto não bastasse, esta personagem adverte o indivíduo de que está sob vigilância apertada e que nem vale a pena resistir à AT pois o Fisco dispõe de informação e bases de dados suficientes para “antecipar o comportamento das pessoas e para sinalizar capacidade de detecção do incumprimento”.

Meu caros leitores: não sois seres autónomos nem indivíduos, sois cidadãos contribuintes!

*

 

 

Salvem as vossas amigas da loucura

3 Abril, 2018

A nova vaga feminista em nada se distingue da velha vaga comunista ou da comum psicose persecutória, duas patologias que tendem a culminar no suicídio físico ou, nos casos mais leves, no mero suicídio intelectual. Baseado em rancor e projecções por complexo messiânico por encarnar a dores dos outros, em nada contribui, efectivamente, para ajudar mulheres em situações desfavorecidas a conquistarem a liberdade desejada. Contribui, porém, para escavar um fosso artificial entre homens e mulheres, levando a que pessoas civilizadas na sua conduta sejam consideradas opressores. Os comunistas sempre adoraram criar inimigos para exterminar.

O único feminismo que merece consideração intelectual, já que este merece é consideração dos amigos e familiares preocupados com a estabilidade mental da activista, é aquele que consegue reconhecer que não há pior inimigo das mulheres em sociedades minimamente civilizadas do que a inveja e o julgamento de outras mulheres.

Não deixa de ser curioso

2 Abril, 2018

Que tendo sido Maria Barroso responsável por uma escola privada  essa escola continue  a chamar-se como sempre se chamou – Colégio Moderno – e o nome de Maria Barroso tenha sido dado a uma escola pública.

São Pedro Gordo

2 Abril, 2018

mr

 

– Dá para entrar, São Pedro?

– Não te conheço, meu filho, não deves ser cliente habitual. Como te chamas?

– Sou o Manuel Reis, cheguei agora mesmo de Lisboa.

– É melhor tentares noutro dia, Manel, não estás na lista de convidados e a casa está cheia.

– Bolas, São Pedro, o 007 é que entrou num filme chamado “Morre noutro dia”! Isto aqui não é cinema, estou um bocado limitado nas opções!

– Ehehehe, já me tinham dito que eras um gajo bem-humorado. Ok, podes passar, são 240 euros.

– 240 euros?! Mas acabaste de pedir 12 euros à última pessoa que entrou! É que nem na Venezuela a inflação está tão descontrolada!

– Misteriosos são os caminhos do Senhor, Manel. E, por vezes, caros…

– Eu li algures que o Limbo tinha acabado, gostava de saber para onde vou com estes valores celestes de consumo mínimo.

– Oh meu filho, estou a brincar, claro que podes entrar sem problemas. É fácil de perceber que tu és um tipo impecável, estava só a pegar contigo por causa deste tipo de traquinices que tu fazias lá em baixo.

– É a “política da porta”, São Pedro, não é por mal. Isso faz-se em todo o mundo e é obrigatório para o sucesso do negócio. Pergunta ao teu patrão omnisciente, ele sabe disso.

– Sabemos todos, Manel. E compreendemos a situação. Aliás, aqui na Igreja também temos uma espécie de “política da porta” relacionada com o sacerdócio: achamos que a nossa actividade pode ser melhor desenvolvida se não permitirmos a ordenação feminina.

– Pronto, ainda bem que entendes a minha situação.

– Claro que sim. O que não entendo é a veneração que te dedicaram nos últimos dias, uma vez que foi feita, quase sempre, por pessoas que nos azucrinam a cabeça diariamente por causa da discriminação que levamos a cabo!

– Vocês andam a discriminar mal, isto tem de ser feito com arte. É uma encenação como outra qualquer.

– Achas que estamos a precisar de um sommelier da discriminação? Podias dar-nos umas dicas, Manel…

– O mais importante é nunca discriminares os profissionais da luta contra a discriminação. É pessoal muito chato, devem ser mimados com regularidade. O resto vem por acréscimo: discriminação no cu dos outros é refresco.

– Não me parece que isso chegue. Bolas, Manel, falemos a sério! Prestaram-te um culto, lá na tua terra, como eu já não via desde as aparições da Cova da Iria!

– Dá-lhes um desconto, São Pedro, lembra-te do Eclesiastes: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Na maior parte dos casos, quando estão a falar de mim não estão a falar de mim; estão a falar deles. Vamos lá mas é à festa. Quem é que está a pôr música hoje?

 

pároco de caminha inicia caminhada pela fé

1 Abril, 2018
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«Vinde a mim as ovelhas desgarradas»

 

Ricardo Esteves, o já famoso pároco da bela cidade minhota de Caminha, irá realizar uma tourné religiosa que se iniciará hoje, pelas 15,00 horas, na Igreja Matriz, e se prolongará até ao final do mês de Setembro, de modo a acolher os muitos milhares de emigrantes que até ao fim desse mês nos visitam.

Ricardo não foi insensível ao incontável número de apelos que lhe fizeram, depois da publicação desta notícia, para que levasse a Boa Nova aos quatro cantos do nosso país. «Tem sido uma completa loucura», afirmou. «De todo este lindo Portugal têm chovido telefonemas, emails e cartas de paroquianas e de alguns – em número menor – paroquianos, que me pedem para lhes levar a Palavra Divina. O meu objectivo com esta tourné é aumentar o número de fiéis, encher as igrejas portuguesas e salvar as almas pecadoras», avançou.

A tourné terá o nome global de «Vendaval da Fé» e consistirá numa missa celebrada pelo padre Ricardo em diversos pontos do país, que envergará, na ocasião, uma sotaina colada ao corpo, sendo que os cânticos religiosos ficarão a seu cargo e serão adaptados a músicas de Tony Carreira. O climax – espera-se – será atingido ao som de «Ai destino, ai destino», considerada a 5ª Sinfonia de Tony, com a qual o prelado encerrará o serviço religioso.

Do Vaticano vieram palavras de incentivo do Papa Francisco, que vê com bons olhos a iniciativa de Ricardo. «O Papa Francisco é um homem moderno e de progresso. Não é um bota-de-elástico conservador, como o seu antecessor», disse Esteves. «Se ele me pedir, e porque não?, levarei a Palavra do Senhor ao Vaticano. A Basílica de São Pedro é um destino irresistível e será, se Deus quiser, o termo glorioso desta caminhada pela Fé».

Teremos sempre Israel?

1 Abril, 2018

A pergunta faz todo o sentido. Em primeiro lugar porque Portugal tem nos últimos tempos divergido do que é o seu posicionamento histórico em assuntos de política externa. O caso da recente crise diplomática com a Rússia é um exemplo dessa divergência mas nem sequer é o caso mais relevante. O que aconteceu no nosso parlamento na passada semana a propósito dos votos apresentados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP sobre a Catalunha é um sinal ainda mais preocupante.

Quem disse que a teoria da literatura não tinha nada de novo?

31 Março, 2018

¿Fue Julia Kristeva espía comunista?

La intelectual francesa de origen búlgaro Julia Kristeva trabajó como agente y colaboradora de los servicios secretos búlgaros durante el régimen comunista, informó una comisión estatal

Mistério

30 Março, 2018

Além da casa, cama, roupa lavada e demais despesas que os contribuintes portugueses pagaram aos senhores Hicham el Hanafi e Abdessalam Tazi, mais aos agentes de serviços policiais vários para os vigiarem, alguém consegue explicar o que leva Portugal a conceder com uma ligeireza suicida asilo político a cidadãos marroquinos que dizem ser perseguidos pelas autoridades daquele país? Alguns destes cidadãos integram movimentos bem menos democráticos que o governo de Marrocos.  Não estamos propriamente perante democratas em fuga mas sim face a  intolerantes ainda mais intolerantes que as autoridades marroquinas. Alguém já pensou nas consequências para Portugal da existência de uma Líbia com vista para o Algarve? Querem mesmo ver esta gente no poder em Marrocos?

 

A Propaganda Mentirosa de Costa

30 Março, 2018

Sai uma medalha para o nosso querido líder da propaganda, António Costa! Kim Jong-un e Nicolás Maduro foram completamente destronados com esta capacidade extraordinária de enganar incautos! Com uma máquina caríssima paga por todos nós, otários contribuintes, Costa tem no Facebook e nos gabinetes que ele engordou colossalmente um batalhão de avençados que todos os dias fabricam “spins” e “fake news” para fazer circular até à exaustão notícias das maravilhas do glorioso líder. Convenhamos: é um mestre a enganar com o dinheiro dos outros.

Começou cedíssimo a propagandear que o anterior executivo tinha dado cabo do défice por causa do BANIF. Porém, esta malta ocultou que a decisão de vender este banco de forma compulsiva ao Santander em 2 meses escondia a necessidade de safar os accionistas que em Janeiro de 2016 estariam abrangidos pela normativa europeia que OBRIGA accionistas a avançar com capital, antes da entrada do Estado. Ora, pôr os portugueses a pagar SOZINHOS o prejuízo do banco e fazer de conta que a culpa era dos outros, sabendo que os portugueses são mal informados, foi o primeiro golpe logo a seguir a Outubro de 2015.

Depois veio o tão aclamado histórico défice postiço de 2016. Esse mesmo que eu tive a “honra” de denunciar (veja aqui) e que o tempo, agora, veio dar-me razão. Ah! pois… O fabrico nem sequer foi inteligente. Consistiu em varrer tudo o que podiam para debaixo do tapete, vender uns aviões, suspender pagamentos da administração pública, suspender investimentos públicos e fazer um perdão fiscal. Assim como quem disfarça borbulhas com base, estão a ver? Com esta cosmética gabaram-se de ter tido o valor mais baixo em défice desde a democracia (Ah! Ah! Ah!).

Mas o tempo, ah! esse implacável senhor, chegou e… pumba!, pôs a careca  do défice martelado à mostra e começa as falências técnicas no sector da saúde, nas escolas, na PSP e GNR… Isto depois da morte por negligência criminosa do Estado de mais de uma centena de pessoas em fogos florestais como nunca se vira até hoje! E porquê? Porque simplesmente ABANDONARAM o país cativando-o para não estragar o embuste do défice. A máquina da propaganda do Costa logo arranjou um pinheiro culpado, mudanças climáticas do planeta, uma trovoada seca que não existiu até que finalmente descobriu que a culpa era das matas por limpar.

Vai daí, Costa e sua máquina propagandista de meia tigela e 20 ministros (dois eram bónus) vestiram-se a rigor e de helicóptero, porque os pneus andam caros, foi “incentivar” os proprietários dos terrenos em 6 minutos de fotos a cortar mato! Assim, ficou-se a saber da “grande” preocupação que este executivo tem na extinção dos fogos em Portugal. E se alguma coisa acontecer neste Verão não será porque não substituiu o inútil SIRESP;  não será porque continuam com os mesmos incompetentes nas chefias do ANPC (um deles responsável por alterar a fita do tempo nos fogos criminosos); não será porque falharam as metas para instalar câmaras na floresta; não será porque medidas de combate aos fogos estão atrasadas; não será por os novos elementos do GIPS  receberem formação por E-Learning (internet); não será por falta de intervenção IMEDIATA e com meios adequados como em Pedrógão ou pelo nosso Primeiro Ministro ter ido a banhos tranquilamente para Ibiza. Não! Será culpa dos donos dos terrenos graças a esta propaganda mentirosa. Claro! Mas se houver menos fogos não será porque mais de metade do país JÁ ARDEU mas sim por eficiência ao combate deste desgoverno. Estão a ver o truque?

Entretanto,  chega o veredicto sobre o  défice de 2017. Que ia ser de 1,4%, depois, 1,2%, depois 1,1%, depois 1% e finalmente 0,92%! Fantástico esmagamento! E tudo isto para quê? Ora, para nos preparar para a verdade: afinal será 3% porque a injecção de capital do Estado na CGD para tapar PREJUÍZOS é dívida e conta para o défice! Assim sendo, era preciso IMPEDIR nem que fosse à conta da miséria e sacrifícios brutais dos portugueses que o défice não subisse acima dos 3%, em tempo record. Perceberam?

Com este desmascaramento da farsa, caem junto por terra mais umas quantas mentiras. Afinal também a teoria do “não aumento de impostos” é falsa: foi o maior aumento em 22 anos. E a reposição dos rendimentos e rebaixa de IRS também: a reforma do IRS encetada em 2017,  só veio beneficiar os 10% mais ricos e agravar as desigualdades, assim como,  as reposições de rendimentos com o corte da sobretaxa de IRS só beneficiou 30% dos contribuintes que mais ganham, a reposição dos cortes salariais aos funcionários públicos que igualmente mais ganham (a partir de 1500€) e ainda o aumento das pensões acima dos 4611€ que deixaram de ter a CES, beneficiando de um aumento mínimo de 345€ comparado com 1€ das pensões mais baixas, Ou seja, a recuperação de rendimentos foi só para os mais abastados. E com o aplauso dos comunistas apoiados no governo!

Ah! e temos os bancos para quem não ia “nem mais um cêntimo”: negociaram a  INÉDITA  entrada da  SCML  no capital do Montepio roubando descaradamente o dinheiro dos pobres!

Conhecem propaganda mais mentirosa que esta avalizada pelo BE e PCP? Pois.

 

Depois da enorme tragédia da família que teve de mudar do Chiado para Campo de Ourique o DN descobriu outro grupo mártir

30 Março, 2018

os turistas que se queixam da existência de turistas: “Muitos turistas”, queixa-se Ramón. “Fomos a Sintra, mas era muita gente, e em Belém também. Demasiados turistas”, afirma Ramón. Ramón veio de  de Albacete, perto de Madrid, para estar uns dias na capital portuguesa.

será o dr. antónio costa liberal?

29 Março, 2018
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1. Não há nada de anormal nem de ofensivo no facto de se interpelar um partido político e os seus dirigentes acerca das suas origens e intenções. Tão pouco de confrontar os seus responsáveis com o que eles mesmos disseram, escreveram ou subscreveram. Pelo contrário, chama-se a isso responsabilidade democrática e é isso, entre outras coisas também importantes, que distingue as democracias liberais dos totalitarismos e das ditaduras: ética, transparência, responsabilidade e respeitabilidade. Qualquer partido, em regime democrático, deve cumprir estas regras mínimas

2. O meu interesse pela Iniciativa Liberal nasceu com uma brincadeira em que me envolvi por causa da recente vaga de novos partidos liberais que estão a surgir em Portugal. No facebook rascunhei dois ou três posts a brincar com o tema, sem qualquer destinatário preconcebido. Até que alguém me tagou no mesmo facebook sugerindo que, em vez de maldizer, avançasse para a frente de combate partidário, como alguém já teria feito. A pessoa em causa, constatei depois, tem responsabilidades na Iniciativa Liberal e foi assim que lá cheguei.

3. Fui, então, ver o que é que a coisa era. E, lamento dizê-lo, no site da organização encontrei um amontoado de banalidades que, por si mesmas, poderia encontrar em qualquer site dos nossos três partidos democráticos – PS, PSD e CDS, e que manifestamente não chegam para caracterizar como liberal um projecto político, quanto mais um partido já criado.

Escrevi aqui, no Blasfémias, um post sobre o que li no site do novo partido – o Manifesto Liberal – e logo recebi algumas metralhadas em resposta. O argumento mais falacioso de todos, repetido por várias pessoas envolvidas no projecto, é que aquilo é um «simples» manifesto e não o programa do partido, como se um manifesto de um projecto político nascente não contenha o seu ADN baptismal. Entre os vários ataques, um jovem mais azougado referiu a minha «desonestidade» por o ter feito, enquanto que o mesmo responsável que me tinha interpelado à «acção» disse que me deveria ter dirigido à posta restante do partido, em vez de estar numa página de arruaceiros a expor o tema. Fiquei esclarecido.

Como, todavia, sou uma pessoa de boa vontade, voltei ao site da organização e deparei-me, desta vez, com um documento intitulado «Programa – Portugal Mais Liberal», que terminava com umas frases sobre a União Europeia onde se podia ler que a Iniciativa Liberal pretende «uma maior integração europeia, com novos patamares de governação e de cidadania». Como isto é matéria importante, mas por si só significa pouco ou nada, escrevi outro texto perguntando-lhes o que queriam dizer. Não obtive resposta, a não ser de alguns comentadores de patrulha que insinuaram coisas medonhas sobre o meu interesse pela organização.

Mais recentemente, nuns comentários feitos no facebook, mais uma vez um responsável da Iniciativa Liberal apareceu, em tom irritadiço, a pedir que documentasse o que escrevera numa conversa entre amigos. Tendo-lhe respondido parcialmente ao que pedira, desqualificou a resposta como sendo uma «deturpação». Em face disso, fiquei-me por aí.

4. Ora, aqui chegados, é bom que os responsáveis da Iniciativa Liberal entendam que são eles – que se propõem ir para o governo do país – a terem de prestar esclarecimentos aos eleitores e não os eleitores que lhes têm de prestar esclarecimentos a eles. E, de facto, há ainda muito por esclarecer.

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Coitado do Arlindo

29 Março, 2018

O Arlindo era boa gente, amigo do seu amigo, sempre pronto a ajudar no talho quando chegava um mastim atropelado que pudesse ser vendido como cabrito para famílias numerosas.

Foi com relativa surpresa que encontrei o Arlindo na IV Internacional Liberal em representação da facção canibal pró-eutanásia utilitarista. Até comentei com o representante do clero de Moimenta, a bispa transsexual Antunes, que já não via o Arlindo desde aquele jantar da Confraria dos Pedófilos (é tudo só no domínio filosófico, nós respeitamos a lei). Estou a contar isto porque, apesar da minha postura usualmente ultramontana de conservador, o meu negócio de venda de vídeos voyeur de mulheres em topless na praia não está a correr tão bem: há uma grande rejeição dos meus clientes conservadores do conceito de igualdade entre homens e mulheres, mas a lei das quotas obriga-me a que 60% dos vídeos seja com gajos. É um negócio conservador, já se sabe, a sociedade demora muito tempo a ser educada para a igualdade liberal. Bem, não querendo mudar de negócio, ao ver o Arlindo vi uma oportunidade de empreendedorismo para um negócio paralelo, o do uso do testamento vital para fornecimento de um serviço completamente voluntário a pessoas que sonham em ser eutanasiadas para que possam deixar o seu corpo para usufruto por canibais. Ou isso ou o aborto retroactivo, que as facturas do colégio andam a causar grande transtorno emocional à minha família.

Ia eu de braços abertos ter com o Arlindo, chegando até a gritar “Arlindo!”, eis que aquele grande liberal que costumava andar pelo Piolho, o Armando, esse grande jornalista, passa com o tanque por cima do Arlindo. Enfim, perdi a oportunidade de negócio e a IV Internacional acabou com a remoção física, a bem dizer, da facção dos liberais-sociais que até estavam a formar um novo partido ou delegação do Bloco.

É por coisas dessas que agora passo mais tempo na Feira Erótica de Gondomar que em iniciativas liberais.

Leitura da Terceira Rectificação ao Código Civil de São Vieira da Silva aos Tessalonicenses

28 Março, 2018

Imaginemos uma esquadra de polícia onde estão sentados uns miúdos que devem ter feito umas asneirolas. Imaginemos que um agente da PSP está em frente a eles, com umas folhas na mão, a explicar-lhes que, de acordo com o artigo x do código civil, em conjunção com o decreto-lei y de 29 de Fevereiro e de acordo com o estipulado em despacho z pelo Senhor Ministro da Tutela datado de 31 de Outubro de 1979, rectificado em Conselho de Ministros do Quinquitetragésimo Governo Constitucional da sua enésima legislatura, estão a cometer desobediência ao estado de direito como consagrado na redacção da Constituição da República Portuguesa alterada em milnovecentosecarqueija. Remetendo-os para o artigo supra, que adita artigo anterior cuja redacção se encontra em livro diferente (sem link directo) e cuja redacção foi alterada por artigos subsequentes que tornam a sua leitura integral num exercício labiríntico para o comum mortal que apenas possui uma estante para dez edições, imaginemos que o polícia adverte tais miúdos para um caminho estatisticamente comprovado de delinquência futura que culminará em penas efectivas de prisão após processo em tribunal com duração aproximada de uma adolescência e meia e vários filhos atirados para o arquipélago de bairros em ilha que lhes sucedam na transgressão jurídico-legal. Não estais a ouvir? Tomai lá bastonada.

Imaginemos agora que o mesmo polícia utiliza uma linguagem decorrente do livro mais difundido de todos os tempos, lendo uma passagem clara, inequívoca e perfeitamente ilustrativa da situação. Sois baptizados? Então sabeis que estais em pecado. Tendes que caminhar para o caminho da Luz.

Qual destas situações indignará os mais-que-pidescos religiosos do eixo Bairro Alto-“uma vez vi um sem-abrigo na Avenida da Liberdade”?

 

Última vítima de anti-semitismo em França: uma judia que em 1942 se refugiou em Portugal

27 Março, 2018

Em Paris, uma mulher de 85 anos foi assassinada. O seu corpo semi-carbonizado foi encontrado sexta-feira passada. Mireille Knoll era uma das sobreviventes das rusgas que no ano de 1942 levaram à prisão e deportação de milhares de judeus mais precisamente escapou à chamada rusga do Vél d’Hiv que teve lugar em Julho de 1942. Fugiu com a mãe para Portugal.
Setenta e seis anos depois não escapou ao anti-semitismo que varre a França.

Ps. Quanto demorará até que as redacções portuguesas consigam fazer esta notícia?

Venha então a lepra

27 Março, 2018

O “partido da Sofia” e os “liberais ALDE” são discos riscados sob a agulha da esquerda progressista. Ao som de hinos modernaços que substituem o ruído de fundo de um PCTP/MRPP para o fundo de ruído da outra esquerda, a progressista, limitam-se a procurar tacho no sistema corrupto da fátua insustentável leveza lusitana, adoptando as mesmas causas de obliteração social que cheirem a tradicionais ou — Stephen Hawking nos livre — civilizacionais. Beatos da laicidade cibertosca, recauchutadores da linguagem de Chomsky, têm a oferecer casamentos entre pilas, adopção de crianças equiparadas a animais de estimação, drogas leves (eles lá decidem o peso das cenas) e homicídio sancionado dos velhos que atrapalham o sacrossanto estado social, o que escrevem com maiúscula, como portadores da Palavra, a única fé que pretende o sacerdócio por via de quotas de divorciadas em crises de meia-idade. Falam do “género” como quem sente o cerebelo entumecido e cheiram a bafio por entre os poros desprovidos de bloqueadores-beta de mensagens de modernidade. Acrescentam uma redução de impostos ao discurso, uma léria consensual que se recusa a especificar como se consegue, que o estado social (com maiúsculas) é necessário para esculpir vulvas a partir de velhos testículos peludos. É esse o género.

Direitos. Mais uns para a erosão democrática da religião dos direitos.

Antigamente comprava-se um Porsche e abria-se a porta em frente à faculdade de letras. Agora colocam-se likes e corações em posts de Facebook e cria-se a necessidade crescente das pessoas de bem se tornarem ermitas. É isto que eu penso se o tentar exprimir de forma simpática. Não me peçam é para o exprimir sem um filtro de cortesia.

Vem aí o Partido da Sofia Afonso Ferreira

26 Março, 2018

Portugal sempre esteve preso aos mesmos partidos durante décadas. Ora PS ora PSD com ou sem coligação com CDS, o certo é que tem sido sempre isto: vira o disco e toca o mesmo. Em resultado, o país andou estes anos todos a parecer um elástico, a esticar até quase falir com uns e com outros a retomar um pouco a forma no ano seguinte, sem nunca progredir senão em acumulação de dívidas, cada vez maiores, cada vez menos sustentáveis. Ou seja, uns a estragar, outros a remendar, mas nenhum a resolver verdadeiramente.

E isto tudo porque desde que nos livramos da ditadura este grupo – sempre os mesmos, composto de políticos pseudo-intelectuais – encontraram um meio de sobrevivência confortável à conta dos contribuintes onde inclusivamente “fabricaram” lugares para os familiares e amigos. Com favores distribuídos por todos os segmentos de actividade com o intuito de perpetuar a estada no Parlamento, ficaram todos de rabo preso em negociatas que prejudicaram o erário público anos a fio. Daí o facto de nenhum deles tomar todas as medidas estruturais necessárias, quando chegam ao poder, para endireitar o país.

Por isso é com agrado que vejo nascer novos partidos. Porque já o disse várias vezes, Portugal só muda quando alguém fora da política, dos vícios, da corrupção, do compadrio, dos favores, se meter à estrada e rasgue um caminho rumo a uma governação responsável e transparente totalmente dirigida à Nação, ou seja: NÓS!

Porque é na sociedade civil que está a chave para sair deste pântano. Porque é na sociedade civil onde estão aqueles que partiram as unhas a trabalhar para ter algo na vida. É na sociedade civil que estão as pessoas que sabem o quanto custa ganhar a vida a pulso e sem favores. É na sociedade civil que se aprende a ter resiliência, a lutar sem meios, a sobreviver a tudo para pôr pão na mesa. É na sociedade civil que estão os vencedores que não precisaram do Estado para ser alguém. Por isso, é na sociedade civil que está a melhor casta de futuros governantes.

Está mais do que provadíssimo que crescer profissionalmente na política e seguir directo para o Parlamento é a pior das opções para um país. O resultado de quatro décadas não podia ser mais claro. Políticos que nunca fizeram nada na vida real não têm a noção real de nada sobre o país, logo não possuem a valiosa experiência que ensina no terreno. Nunca sofreram desilusões nem fracassos, nunca perderam nada, nunca tiveram de recomeçar, de se superar. Por isso, são uns inaptos para decidir sobre a vida dos portugueses. Porque é caindo e levantando várias vezes que se ganha estofo para as batalhas e sabedoria para as vencer.

Eu não sei se a Sofia vai estar à altura do desafio. Mas agrada-me e muito saber que uma mulher com costela do Norte empunha um projecto liberal de direita – o Democracia21 – numa altura de crise ideológica partidária como nunca se viu no nosso país onde o PS é comunista, o PSD socialista, o BE a ajudar a governar à direita e o CDS a querer ser alternativa SOZINHO ao centro direita. Uma “salganhada” de todo o tamanho onde grande parte dos portugueses não se revê de todo.

É preciso, sim, criar uma alternativa séria à miscelânea que agora vivemos para resgatar aqueles abstencionistas – são quase 50% – que não acreditam na política actual por não se reverem nos malabarismos destes incompetentes. Aqueles também que mesmo votando, andam à toa a fazê-lo, não por convicção, mas por falta de alternativas.

Se for um projecto capaz de servir as pessoas com excelência e devolver a economia TODA à sociedade libertando-a das grilhetas do Estado actual incompetente, castrador e devorador de impostos. Se for um projecto que estimule a criar em vez de estimular a parasitar. Se for um projecto que dê sempre voz aos cidadãos antes de tomar decisões fracturantes como o deve ser numa democracia. Se for um projecto onde o Estado presta contas do que faz com os impostos e os utiliza somente na sociedade. Se for um projecto onde só se permite a permanência daqueles que cumprem com honra seu dever de servir a Nação, então temos gente.

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26 Março, 2018

Cândida Almeida levou em caixotes processos da operação Fizz para casa.

Os partidos liberais

26 Março, 2018

Três revolucionários entram num bar. Um é comunista dos que votam PS, outro é social-democrata dos que.votam qualquer coisa, o terceiro é liberal. Fartam-se de discutir sobre tudo o que tem que mudar para a verdadeira revolução, chamando a atenção das outras pessoas dispostas a ruidosas contribuições alimentadas por álcool.

O comunista grita com o social-democrata e com o liberal: eutanásia é estúpida, basta um tiro na nuca. O liberal argumenta que as pessoas têm um direito inalienável a uma execução digna desde que paguem menos impostos. O social-democrata diz que alguém tem que pagar os medicamentos para a eutanásia, logo é necessário mais impostos. O liberal responde que a eutanásia deve ser entregue à iniciativa privada de um jagunço auto-regulado pelo enquadramento legal de uma redacção de deputados e seus escritórios de advocacia. O comunista quase que concorda, mas ressalva que o jagunço tem que ser funcionário do partido. O social-democrata diz que isso sai ainda mais caro do que uns comprimidos letais, e acabam todos a concordar que o mais importante é a dignidade do direito inalienável à liberdade de execução de qualquer ser humano independentemente de raça, credo e preferência sexual.

O Zé Povinho enjoa-se e abandona o bar. Cá fora, vira-se para mulher desconhecida e diz: é por isto que um partido liberal faz tanta falta como a lepra.

A abstenção atinge os 50%. Ainda bem que criaram 38 partidos liberais.

Escumalha intelectual

25 Março, 2018

O meu artigo de hoje no Observador tem tido comentários interessantes.

Alguns exemplos:

  • Um artigo que é um verdadeiro dejecto.
  • Escumalha intelectual
  • Um liberal é isto, não se aproximem.
  • Este encarnou o Tecnoforma.
  • Lá vem a Direita dos ricos…
  • Como é possível que existam criaturas destas em pleno Sec. XXI ?
  • Emigre para o Sudão !
  • Sociopata inconformado.

O meu texto tem por título “O estado-social é imoral!“.

Boa leitura!

*

 

 

A Marielle e o polícia

25 Março, 2018

Espera-se que o parlamento português que foi tão lesto a subscrever um voto de pesar pelo assassinio de Marielle Franco faça o mesmo em relação a Arnaud Beltrame, vulgo “o polícia” nas notícias sobre o atentado de Trèbes.

Um preto de cabeleira loura ou um homossexual no CDS não é natural

25 Março, 2018

Natural é o homossexual ser do Bloco de Esquerda. Ou pelo menos de esquerda. Quando, a propósito de Adolfo Mesquita Nunes, Fernando Rosas declarou “O CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!” exprimiu com notório mau gosto mas com muita clareza a intrumentalização ideológica subjacente a essas entidades que agora por aí pululam – as comunidades – e ao discurso comunitarista.

Causas nacionais de Marcelo

24 Março, 2018

JC07

Numa pesquisa rápida pelas notícias dos últimos 12 meses verifico que Marcelo Rebelo de Sousa já deu instruções ao povo de que os seguintes temas são “Causas Nacionais”:

  • Limpeza das matas (24.03.2018)
  • Dádivas de sangue (16.02.2018)
  • Combate ao fogo de Oleiros (26.08.2017)
  • Projecto da Mota Engil no México (17.07.2017)
  • Tejo (17.06.2017)
  • Agricultura (07.05.2017)

Sobre as questões de “interesse nacional” (diferente de “causas”), perdi a conta às identificadas pelo nosso Presidente da República. Os leitores desculparão por isso que nem sequer dê destas exemplos.

*

 

Quando os lisboetas acordarem para o problema do centralismo já serão quase todos almadenses

24 Março, 2018
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Quando se pensava que a humanidade já tinha batido no fundo, ficamos a conhecer tragédias como a descrita no DN de João Silvério, forçado a mudar-se do Saldanha para os Olivais, umas boas 5 estações de metro de distância. Lá para o meio do artigo aparecem problemas mais reais de pessoas com salários baixos a ter que viajar 1h30m para o emprego. Lisboa é uma cidade com imensas oportunidades de emprego, mas sem um parque habitacional para corresponder à procura. Se há milhares de empregos sem casas, das duas uma: ou se constroem mais casas onde existem empregos ou se levam os empregos para onde há casas. No entanto, há uma certa elite lisboeta que acha possível ter uma capital cosmopolita, que centraliza instituições públicas, empresas privadas, eventos internacionais, que quer que Lisboa seja o novo centro tecnológico da Europa, mas que não se construa muito para manter a autenticidade e, ao mesmo tempo, pagar 500€ por um T2 no centro da cidade. São contra a construção e a descentralização, mas no final culpam os mercados e a desregulação(?) por uma evidência matemática: quando se concentram todas as oportunidades de emprego numa pequena área com um parque habitacional limitado, alguns terão que viver longe. Outros (os mais pobres), muito longe. A solução mais fácil, claro, é dispersar as oportunidades de emprego, mas isso nunca faz parte da narrativa do choradinho. Um dia serão os lisboetas a acordar para os problemas do centralismo. Infelizmente, muitos nessa altura já serão almadenses.

Mais respeito, se faz favor

24 Março, 2018

Iniciamos a manhã com o anúncio da morte do tenente-coronel Arnaud Beltrame, o policia que substituiu uma refém no sequestro terrorista de Carcassonne de ontem. Os epitáfios dirão que foi um herói, o que só indica o estado decrépito da ética europeia: o homem cumpriu a sua função, executou o seu trabalho com zelo, dedicação e perdeu a vida, como a um militar compete, por inerência da sua função, não por heroísmo.

Ouve-se constantemente que o bombeiro Sicrano e o polícia Beltrano foram heróis após se colocarem em situação de perigo. Já os que foram mandados para o Ultramar são uns bandidos para a esquerda pensante (adoro oxímoros).

Só um mundo asfixiado na sua própria banha de confortavelmente infantilizado poderia achar que lidar com a sujidade, com tudo o que é feio, com a ameaça à paz, com a revolução, é um acto de heroísmo. Não é: é uma necessidade. Tratar o tenente-coronel como herói é desrespeitar o que estes homens representam, porque não representam heroísmo, representam a obrigação que têm para com os outros, os seus compatriotas e os seus companheiros, os que sobrevivem para escreverem romances de Facebook.

Mais respeito, se faz favor.

 

Os incidentes de hoje do alegado terrorista

23 Março, 2018

serão uma manifestação “de xenofobia, racismo e ódio contra muçulmanos.” recentemente denunciadas em Portugal por António Guterres ou uma manifestação dos “fundamentalismos budista e cristão“ em boa hora denunciados pelo mesmo Guterres? 

O Arguido “Sócrates da Bancarrota” foi Orador na Universidade de Coimbra

23 Março, 2018

Não podíamos enquanto Nação bater mais fundo ao aceitarmos que um ex-primeiro ministro, um falso engenheiro que tirou o curso aos domingos, que fingiu escrever livros, que foi preso preventivamente durante 10 meses por prática de 31 crimes cometidos durante seu mandato – 3 de corrupção passiva de titular de cargo público, 16 de branqueamento de capitais, 9 de falsificação de documentos e 3 de fraude fiscal qualificada –  num processo de 4000 folhas a que deram o nome de Operação Marquês, fosse a uma Universidade Pública como orador de uma conferência subordinada ao tema ” O Projecto Europeu depois da Crise Económica”. Logo ele que além de arguido num dos maiores processos judiciais de que há memória contra um ex-governante,  é ainda responsável pela bancarrota que Portugal suportou em 2011. Um fracasso de líder. Não, não é uma piada. Aconteceu mesmo. Na Universidade de Coimbra.

O núcleo de estudantes de Economia da Associação Académica de Coimbra entendeu que Sócrates  era uma mais valia para este ciclo de conferências por ter governado depois da crise de 2008. É verdade. E quiseram ouvi-lo falar sobre essa experiência.  Ora, isto é o mesmo que pôr um ladrão a dar o seu ponto de vista sobre um assalto – veja-se Camilo Mortágua a falar do seu passado de bandido e assassino com orgulho – ou um pedófilo sobre o “amor” a crianças. Se queriam saber como ele geriu a crise era só convidar o cidadão comum que viu e sentiu tudo na carne com  os famosos contratos ruinosos com PPP’s, os “negócios” na PT, as obras megalómanas do falido Parque Escolar, os favores a empresas de amigos, os negócios do “Magalhães”, o TGV que pagamos mesmo sem o ter, os aeroportos para moscas, do IVA que aumentou 2 vezes sendo o último para 23%, os cortes nos salários e pensões, a criação das sobretaxas, as falências das empresas, o desemprego, a austeridade assinada com a Troika. Enfim, toda a miséria provocada pela SUA bancarrota.

Mas não, convidaram o próprio ex-governante incompetente que recebia garrafas de vinho em envelopes colados com fita cola. E que fez ele? Aproveitou, claro,  a oportunidade para deturpar factos, reescrever a história  dizendo inverdades. Começou a sua brilhante apresentação criticando a austeridade implementada para tirar o país do lodo em que ele o meteu. Não se riam. Ele foi mesmo capaz de dizer isto! Ele que nos PEC’s carregou na austeridade, queria ainda mais PEC’s austeros com medo da bancarrota e que depois de ultrapassado por seu ministro das Finanças, foi obrigado a declarar falência e pedir ajuda à Troika com quem se comprometeu com mais austeridade severa e PRIVATIZAÇÕES! (veja aqui o documento). Mais hilariante foi dizer que este governo deixou a austeridade. Disse: “(…) a recuperação económica portuguesa não está a acontecer porque houve austeridade, mas sim porque se abandonou a austeridade”. Ou seja, este energúmeno tem a lata de dizer isto dum governo que em 3 OE não parou de aumentar significativamente os impostos, criou mais uns quantos e suspendeu todos os pagamentos na administração pública pondo em risco toda a população matando  até centenas de cidadãos com fogos e legionella!! Mas não falou na franca recuperação económica após 4 anos de assistência financeira dos herdeiros do pantanal que ele deixou. Claro. Enganar é preciso.

Tal como durante a sua governação desastrosa,  defendeu perante  estes futuros economistas que Portugal –  endividado por ele até ao pescoço penhorando até 2035 gerações vindouras – não precisa de austeridade precisa de projectos. Tal como ele, que nunca precisou de trabalhar para ter dinheiro, só precisou de ter otários para viver à conta “de empréstimos”  e assim dar largas à sua imaginação para viver como um lorde “num projecto arrojado” de novo rico sem rendimentos justificados.  Auto-elogiou-se, claro, porque os meninos que vestem Armani e se pavoneiam em Paris com os impostos dos contribuintes deste país, não têm vergonha na cara e acham-se um colosso na arte de governar (até o são: com o dinheiro extorquido aos  outros).

Foram duas horas de palestra com o Sócrates da Bancarrota a explicar, de forma inconsciente, tudo  o que não se deve fazer em governação para uma plateia de futuros economistas bacocos que acham que têm muito a aprender com os  falhados deste país.

Podia rir-me disto tudo se não fosse trágico ver manchar o prestígio da Universidade de Coimbra que aos olhos dos países civilizados verão com estranheza esta escolha. E com razão. Só mesmo um país do terceiro mundo põe ex-políticos indiciados por corrupção e pais de bancarrotas, a fazer palestras numa instituição desta natureza.

Mas é o país de crise profunda de valores que temos.

 

Quando a pertença política do utilizador determina se estamos perante um escândalo ou perante um notável progresso

23 Março, 2018

2008: a campanha de Obama era apresentada como o paradigma do futuro.  A Blue State Digital era um caso de sucesso e o activismo online uma aŕea nobre da tecnologia e da política. Obama ganhava pq tinha consigo  Chris Hugues um dos criadores do facebook e a todos isso ouro osbre azul: os jornais encheram-se de artigos que descreviam fascinados a forma como a campanha do cadidadato democrata soubera usar as novas tecnologias: «O site da campanha de Obama contou com mais de 1.400.000 endereços de email dos simpatizantes e sobre essa informação criaram-se aproximadamente 100.000 perfis de utilizador, escreveram-se mais de 50.000 entradas de blogs e escreveram-se aproximadamente 20.000 eventos relacionados com a campanha, a que outros entusiastas assistiram depois de tomarem conhecimento deles e de se informarem sobre os mesmos através deste meio. Se se somar a eficácia na criação e gestão da rede social, o resultado é uma poderosa máquina que funcionou quase por si mesma e constituiu um dos aliados mais importantes da campanha de Obama.»

 

 

É importantíssimo ouvir José Sócrates

21 Março, 2018

Em boa hora Sócrates foi falar a Coimbra. Acho mesmo que Sócrates devia falar todos os dias: 10 minutos ao almoço. 10 minutos ao jantar.

Assim torna-se mais evidente os riscos políticos que corremos e percebe-se como depois do 25 de Novembro de 1975, as eleições legislativas de 2011 são um marco na defesa democracia.

 

a iniciativa liberal e a união europeia

21 Março, 2018
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Tendo manifestado o meu interesse pessoal, como liberal, sobre a Iniciativa Liberal, um partido que afirma representar o que penso, depois de ter lido o seu Manifesto, que os promotores parecem querer desvalorizar, fui tentar perceber um pouco melhor o que é que agregou os 7.500 subscritores desse novo partido, de modo a ver se me revejo nele.

Tendo encontrado, no site da nova organização, um documento intitulado Programa Portugal Mais Liberal, cuja natureza axiológica não compreendi exactamente em que consiste, e que, confesso, tenho algum receio em qualificar, vista a agressividade de algumas reacções aos meus comentários sobre o Manifesto, há uma passagem, quase no final, que gostaria de compreender melhor. É a seguinte: (A Iniciativa Liberal deseja) «Uma maior integração europeia, com novos patamares de governação e de cidadania.».

Ora, sendo a questão europeia da maior importância para Portugal e um assunto que divide profundamente os liberais, julgo que deve ser bem esclarecido este ponto, até pelo tom afirmativo com que surge naquele documento, em forma de síntese conclusiva do que está para trás.

Assim, quando se pede uma maior «integração europeia», o que quer isso dizer? Lembro que, actualmente, a União Europeia já atingiu um nível muito elevado de integração, de modo que desactualizou mesmo a tabela de Balassa, que considerava a fase da União Económica anterior à monetária, quando, como é sabido, a União já chegou a esta última sem ter ainda completado (longe disso) a primeira. O que propõe, então, a Iniciativa Liberal: um orçamento federal europeu, com receitas comuns e despesas comuns para além das áreas já comunitarizadas? A progressão, pura e simples, para uma União Federal total? E quando se fala em «novos patamares de governação» o que quer isto dizer? Que os Estados-Membros devem atribuir novas competências às instituições comunitárias? Que estas se devem reforçar, constituindo-se como governo federal da União? Em caso afirmativo, que competências entende a Iniciativa Liberal deverem ser atribuídas a Bruxelas? E quanto à «cidadania», falamos na nacional, dos Estados-Membros, ou da europeia? Acreditando que se referem a esta última, que direitos de cidadania europeia devem ser acrescentados aos já existentes? Os que constam da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia? Outros? Quais, nesse caso, se for o caso?

Lembro, por fim, que a União Europeia já atingiu um grau de federalismo jurídico e monetário (e político, já agora) muito elevado. Muitos liberais não gostam disso, como não gostam da própria supranacionalidade da coisa. Por mim, satisfaz-meo supranacionalismo comunitário sectorial, aprecio – imenso – os princípios, verdadeiramente hayekianos, em que a coisa se fundou, estimo muito o federalismo jurídico, mas duvido imenso do federalismo monetário. Mas, como conto pouco nisto e o que importa é saber o que quer o novo partido liberal, é à Iniciativa Liberal que cabe esclarecer o que subscreveu. Obviamente, se estiver interessada.

Ao estúpido eu acrescentaria masoquista

21 Março, 2018

Isabel Stilwell Só um tipo muito estúpido é que tem uma empresa O empresário é um alvo colocado à mercê dos milhares de institutos, direções, autoridades, departamentos e repartições criados para lhe infernizar a vida. Decididamente, fazemos bem em desconfiar de quem se mete nisso.

E hoje não há voto de pesar?

21 Março, 2018

O vereador brasileiro Paulo Henrique Dourado Teixeira estava no seu carro quando foi atingido por vários tiros que causaram a sua morte. Uma outra pessoa que o acompanhava no carro sofreu ferimentos ligeiros.

Tendo em conta que aquando do assassínio da vereadora Marielle Franco o parlamento português de imediato aprovou um voto de pesar espera-se agora idêntica atitude. Aliás vale a pena recordar que após a morte de Marielle Franco o parlamento português foi a reboque de caixa do BE e não se limitou a aprovar um voto de pesar mas sim um texto claramente enviesado que será interessante saber que leitura teve da comunidade portuguesa do Rio de Janeiro.

Liberalismo: era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto

21 Março, 2018

 

Uma boa telenovela tem sempre muitos episódios; uma má telenovela, também. Não há pois motivo, independentemente da qualidade, para não se continuar a escrever sobre a contratação de Passos Coelho pela Universidade de Lisboa.

Um dos argumentos mais interessantes dos críticos é o que se baseia na suposta incoerência ideológica: o ex-PM é um liberal e, por isso, não deveria trabalhar no sector público. É uma objecção que me surpreendeu: depois de tudo o que foi sendo dito pela oposição durante os quatro anos do seu mandato, estava convencido de que já não existia nada público em Portugal! Afinal, talvez por esquecimento, parece que ainda sobrou a Universidade de Lisboa.

Como estas pessoas seriam as primeiras a criticá-lo caso fosse contratado por uma empresa privada, acusando-o de estar a levar segredos de Estado para o mundo dos negócios, conclui-se que o que não querem é deixá-lo trabalhar! Já houve um tempo em que se combatiam os adversários políticos com argumentos e raciocínios; agora, pelo que vejo, a ideia é tentar que fiquem sem dinheiro para comer. É que os liberais acreditam na “mão invisível”, mas as contas que têm para pagar, incluindo a do talho e a da peixaria, vêem-se bem. De qualquer forma, afigura-se-me uma boa estratégia: urna por urna, já que não conseguiram vencê-lo na de voto, pode ser que consigam derrotá-lo quando estiver dentro de uma fúnebre, morto por inanição.

E a quem se destinam, então, os empregos públicos? Se não são para os liberais, são para quem? Olhando para a História das Ideias Políticas e para a História do Pensamento Económico, lendo os escritos de John Locke, de Adam Smith e dos posteriores teóricos do liberalismo, devem ser para os defensores das monarquias absolutas ou das ditaduras republicanas, e para os adeptos do planeamento central de uma economia e propriedade totalmente colectivizadas. É que todos os outros, sociais-democratas e democratas-cristãos, conservadores e socialistas democráticos, são, em diferentes graus, liberais. Felizmente! Mesmo que o não saibam ou que o não queiram admitir, e que prefiram torcer o conceito à medida de uma caricatura.

Mas entremos no jogo e analisemos a questão à luz da caricatura: os liberais querem um Estado mínimo e uma economia de mercado livre; os restantes querem um Estado máximo e uma economia fortemente regulada; Pedro Passos Coelho faz parte dos primeiros. Deve, por isso, recusar-se a ganhar a vida à conta de dinheiros públicos? Por mim, tudo bem, desde que os segundos se recusem a ganhar a vida à conta de dinheiros privados. Se o Francisco Louçã pode trabalhar para o grande capital do Francisco Pinto Balsemão sem qualquer problema, não vejo motivos para desenterrar agora “incoerências”. Podem ambos defender que o país teria a ganhar com mudanças: nacionalizando a SIC e o Expresso, no caso de Louçã; privatizando a Universidade de Lisboa, no caso de Passos. No entanto, enquanto isso não acontece, vivem os dois no Portugal que existe, e têm todo o direito a trabalhar onde bem lhes apetecer. A alternativa é vivermos todos no país imaginário que idealizamos e, nesse caso, solicito desde já que me autorizem a pagar apenas metade dos impostos que pago actualmente e a cumprir apenas um terço dos decretos, portarias e despachos existentes.

Não nos esqueçamos que as oportunidades de emprego em Portugal sempre foram escassas e, ideologias à parte, o Estado que o ex-líder laranja deixou em 2015 é praticamente do mesmo tamanho do que aquele que encontrou em 2011. Se a esquerda o tivesse apoiado quando ele mostrou vontade de o reduzir, existiriam neste momento menos lugares disponíveis para o acolher. Como optaram por combater ferozmente essa estratégia, agora aturem-no.

Não sou porta-voz de nenhum movimento de reforma liberal mas, salvo melhor opinião, a ordem dos acontecimentos não poderá ser outra que não esta: o Estado retira-se progressivamente de algumas áreas, o que permitirá a diminuição dos seus gastos e dos regulamentos que emite, o que permitirá a diminuição dos impostos que cobra às pessoas e às empresas e a diminuição da carga burocrática, o que permitirá um aumento da poupança e do investimento, o que permitirá um crescimento da riqueza nacional, o que permitirá novas e melhores oportunidades de trabalho na economia privada. É que esse desejo socialista de ter um sector público gigantesco, omnipresente e em permanente expansão, para depois tentar impedir que lá trabalhe quem com ele não concorda é, à primeira vista, um bocadinho maldoso. Embora compreenda a sua potencial eficácia: se à mesa do Orçamento não há lugar para liberais, e se os cargos que mais influenciam as decisões políticas são sempre pagos pelo Orçamento (deputados, governantes, chefias militares, dirigentes da administração central, dos IPs, das EPs, etc.), então está montada a espiral de morte dessa filosofia e dos seus partidários. Seria a versão portuguesa do “fim da história”, com uma conclusão ligeiramente diferente da que Fukuyama nos apresentou. De todas as esparrelas que já vi, esta é, sem dúvida, das mais bem concebidas.

Agora, se o objectivo de toda esta polémica não é armadilhar o debate, mas apenas brincar com os significados de “coerência” e de “incoerência”, então estão todos perdoados e deixo também aqui o meu contributo: desde a publicação da Riqueza das Nações, com a sua história do talhante, do cervejeiro e do padeiro*, que a perspectiva liberal sobre a natureza humana está definida e o papel do interesse próprio no andamento do mundo devidamente sublinhado. Ora, se na opinião de Passos Coelho os funcionários públicos são relativamente privilegiados em relação aos trabalhadores do privado, não vejo qual é a incoerência na escolha que acaba de fazer. Quem deve refazer o raciocínio são os seus opositores, que andam sempre a reclamar das condições de trabalho do funcionalismo e dos múltiplos sacrifícios que lhe são impostos. É altura de serem coerentes e de agradecerem ao ex-PM a disponibilidade que demonstra em carregar tamanha cruz.

 

* “Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse” – Smith (1776); livro I, cap. 2

 

O meu pai

20 Março, 2018

O meu pai já não está connosco. Esteve setenta e seis anos, partiu há nove e deixou saudades para os setenta seguintes. Enquanto cá esteve, nunca assaltou bancos, nunca desviou aviões, nunca tomou de assalto navios, não violou ninguém, não espancou ninguém e bastava um aniversário para lhe fazer soltar uma ou muitas lágrimas. A mãe dele morrera aos trinta e sete, na altura em que ele já partia pedra, mais novo do que é agora o meu filho.

Pelo que vejo, era um quadradão.

Não é Ódio a Passos Coelho e Nádia Piazza. É Medo.

20 Março, 2018

Todos aqueles que vomitaram um aparente ódio visceral a Passos Coelho, desde a esquerda radical à moderada, passando pelo próprio PSD e seus militantes mumificados de estimação, todos sem excepção estiveram na verdade estes anos todos em luta contra si mesmos. O “puto que vinha das jotas” chegava a líder e ainda por cima estava a ser bem sucedido na megalómana tarefa de retirar o país do pântano socialista (outra vez) em que o magnífico e agora “académico” Sócrates nos tinha mergulhado. País esse que – vou lembrar de novo – não tinha dinheiro senão para mais um mês de pagamentos de salários e pensões. O desejo de falhanço era o sonho das suas vidas mas, azar do caneco, o “puto jotinha”, em 4 anos, não só nos tirou da bancarrota como pôs o país a crescer com a recuperação da confiança internacional. E ainda venceu com maioria quase absoluta as eleições de 2015! O ódio emanado não passava assim de admiração secreta por uma conquista que gostavam que fosse deles. Mas não foi.

Para cegar aqueles que viam esse sucesso e confundir aqueles que sozinhos nunca conseguem ver nada, atiraram toneladas de areia aos olhos criticando e distorcendo coisas tão óbvias como uma redução da dívida, do défice, do desemprego, aumento de exportações, aumento de investimento, crescimento económico, sem ser à boleia doutros mas sim, por coragem de aplicar medidas (pecou por serem insuficientes) que deram o impulso necessário para fazer emergir o país.

Ora, como é sabido, esse sucesso personalizado e eternizado em Passos Coelho – que foi enaltecido por Tsipras – não pode de forma alguma ser ensinado nas Universidades onde vegetam os “intelectuioides” parasitários defensores de regimes igualmente parasitários que vivem da exploração e escravidão dos seus povos. Ensinar os jovens a serem bem sucedidos e evitar bancarrotas nas suas vidas pessoais e profissionais é torná-los a si e seus países, independentes. E isso é o que menos interessa aos marxistas.

Daí o tsunami à volta da contratação de Passos na Universidade. Não é ódio, é medo. Medo de perderem o controlo sobre as ideologias que professam. Medo de ver os jovens  a serem autónomos e dispensarem o Estado para serem bem sucedidos. O medo de perderem o poder que lhes foi dado pelas universidades de lavarem cerebralmente os indefesos garotos que serão o futuro de amanhã.

No entanto, já não é celeuma nenhum ter o brilhante Sócrates da bancarrota – que nos hipotecou a todos até 2035 com dívidas colossais por desvios de dinheiro e  contratos ruinosos – a mandar umas baboseiras dia 21 de Março na FEVC sobre”O Projecto Europeu depois da Crise Económica” (Ah! Ah! Ah! Só pode ser piada). Mas recuemos. Mário Soares foi professor catedrático convidado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (1996-1998) e da Universidade Lusófona (2001-2002) com a particularidade de ter sido o pai de duas bancarrotas. Será que é esse o requisito para poder ser professor catedrático neste país ou fazer uma conferência? Parece que sim.

Por outro lado temos a Nádia Piazza, a quem os cães de fila rosnaram assim que souberam que ela não iria ficar num canto da casa a chorar as perdas irreparáveis dos fogos criminosos do verão passado mas sim, arregaçar as mangas para mudar o que efectivamente não funciona neste país,  participando de um projecto político. Ódio a esta senhora? Não. Medo. Muito medo. Porque tal como Passos Coelho, ela personifica também o crasso falhanço dos governantes socialistas mas desta vez não na economia mas sim na protecção e segurança. Trata por “tu” a maldita inércia que lhe ceifou entes queridos. Perigosíssima, assim, aos olhos daqueles que nos querem vender um país maravilhoso ao som de uma ideologia  que nos empobrece e  mata. Literalmente.

O Medo, porque é disso que se trata realmente entendo-o perfeitamente e no lugar deles, até as pernas me iriam tremer porque na verdade o Mundo está em viragem e só um cego não vê que caminha lentamente para o fim do socialismo que vence cada vez menos eleições.

 

 

 

A propósito de António Champalimaud

20 Março, 2018

Jaime Nogueira Pinto: Era o tempo da segunda industrialização e do início de um ciclo de oiro do desenvolvimento económico-social, que acabaria entre a crise energética de 73 e o 25 de Abril. Um tempo de grandes patrões da indústria e da banca – Jorge e José Manuel de Mello, Manuel Boullosa, Manuel Queirós Pereira, Manuel Espírito Santo, Artur Cupertino de Miranda e outros. Apesar da guerra de África – ou devido a ela – o país mudava em mentalidade, e a sociedade portuguesa ia absorvendo o que acontecia lá fora. (A ideia de que foi o 25 de Abril que mudou socialmente os hábitos e os costumes é uma visão ideológica de propaganda que toma o efeito por causa e não quer perceber que foi o contrário: precisamente porque a sociedade já estava em mudança é que veio a mudança política… que, curiosamente, interrompeu o tempo de crescimento e desenvolvimento).

O golpe de Estado-revolução não poupou os grupos económicos, ainda que os seus líderes tivessem prestado lip service à nova situação. Foi um processo a contramão da História: quando o socialismo soviético e leste-europeu entrava em crise disfuncional e a China estava nas vésperas das reformas de Deng Xiao Ping, instaurava-se aqui um socialismo mais ou menos burocrático, oportunista e folclórico, cujas consequências se prolongariam e ficariam connosco muito para além do tempo e dos eventos que lhe deram origem.