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Admiram-se que a PSP e a GNR se afinquem a passar a multas a quem trinca uma fatia de pão dentro do seu carro ou come mais uma goma na rua?

29 Março, 2021

Uma patrulha da GNR foi cercada no sábado à noite em Olhão por um grupo de jovens e fez disparos de advertência até chegarem reforços da PSP.

E nada dizemos!

28 Março, 2021
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“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.”, Eduardo Alves da Costa

Aqueles que têm voz, principalmente os que a conseguem fazer ouvir têm de dizer bem alto que não é admissível – num pais que se diz uma democracia – alguém ser multado porque come no seu carro.

Todos temos de fazer algo, em especial as organizações que se dizem defensoras da liberdade. A Iniciativa Liberal, se quer merecer a sua designação, tem responsabilidade acrescida. É importante, mas não chega votar contra os consecutivos estados de emergência. Tem de combater cada uma destas injustiças, para que não se repitam. Deve lutar pelos ofendidos como se dai dependesse o nosso futuro colectivo. Porque depende! Porque uma ditadura começa no dia em que “eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim” e nós nada dizemos. E há muito que “as flores estão a ser roubadas do nosso jardim” e nós nada dizemos. E um dia, porque nada dissemos, “arrancam-nos a voz da garganta”.

Actualmente, a coberto da pandemia, aceita-se tudo em nome de uma “maior segurança”. E se é um facto que muitas vezes existe um trade-off entre liberdade e segurança, existe também, e cada vez mais, um discurso “apocalítico” em que parece que só e possível ser-se livre se permanentemente vigiado e amordaçado. Ora, não deveria ser necessário explicar que quando se vive numa sociedade “vigiada” não se é livre. E muito menos se está seguro.

Tudo depende da forma como nos roubam

28 Março, 2021

A senhora Tory Burch que tem amassado uma boa fortuna à conta do gosto dos seus compatriotas pelo étnico e natural, não percebeu que há uma forma muito mais eficaz de ganhar dinheiro com os produtos feitos em Portugal: é sacando dinheiro aos contribuintes portugueses. Assim em vez de andar a reproduzir as camisolas da Póvoa mais a mais fazendo-as passar por mexicanas, a senhora devia era ter proposto ao Ministério da Cultura e à Câmara da Póvoa de Varzim uma parceria para divulgar as camisolas poveiras nos EUA. A senhora era paga para tal e ainda lhe ficávamos agradecidos. Também se tinha de pagar a uns famosos para aparecerem de camisola poveira nuns eventos, constituía-se uma comissão de acompanhamento da internacionalização da camisola poveira, montava-se um um observatório da camisola poveira, contratava-se uma empresa de consultadoria, quem sabe o nosso Presidente da República ainda aparecia nos EUA de camisola poveira…

Entretanto o site da autarquia da Póvoa de Varzim encetou esta campanha. A autarquia pretende que a camisola poveira apenas possa ser tricotada na Póvoa de Varzim. Ainda vamos acabar na alta autoridade para a regulação do tricot.

Não se pode julgar nem ser julgado de cara tapada

28 Março, 2021

A coberto da máscara veio o açaime: «Não sei se o juiz Rui Fonseca e Castro é negacionista no que ao Covid diz respeito. O que sei é que na já de si inquietante pressa de legitimar a suspensão de um juiz ele foi rotulado com o anátema do momento – o negacionismo – e subestimaram-se os seus alertas sobre as consequências do uso de máscara nos tribunais: não pode julgar-se alguém de cara tapada.»

costa cumplindo!

28 Março, 2021
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A primeira vez que fui à República Dominicana, já lá vão uns bons anos, percorri de carro, no país, algumas centenas de quilómetros, por falta de aeroporto na região das praias onde me alojei. A ilha era, na altura, razoavelmente selvagem, com extensões imensas de mata e descampado. De tempos a tempos, em regra nas imediações de uma povoação, apareciam gigantescos outdoors com anúncios de grandes empreendimentos públicos – um novo hospital, uma nova universidade, um novo tribunal – e, no fim, em letras garrafais, a frase ribombante: “Balaguer cumplindo!”. Apurando quem era o tal «Balaguer», percebi que se tratava de Joaquín Balaguer, um velho autocrata local, que, com idas e vindas para o poder, governava a ilha «com mão de ferro sob luva de pelica», como antigamente se dizia de alguns tiranetes aparentemente mais dóceis. Evidentemente, a única coisa que existia nesses espaços era o outdoor. O resto era a tal mata e os descampados. Felizmente, estas coisas pertencem ao passado e a outras geografias. Por cá somos uma democracia avançada e nunca as tivemos.

a ditadura em marcha

27 Março, 2021
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Regras estúpidas, feitas por governantes e políticos estúpidos e aplicadas por polícias estúpidos, estão a gerar uma claustrofobia opressora inédita em Portugal. Abrimos as redes sociais, lemos (alguns) jornais, vemos e ouvimos notícias e encontramos relatos inacreditáveis daquilo em que se transformou o nosso quotidiano: gente multada por correr isoladamente na praia, autostops com polícias a inquirirem o destino de cidadãos supostamente livres, casas particulares devassadas por polícias sem mandado judicial em busca de reuniões de amigos denunciadas por vizinhos, transportadores de comida multados por levarem consigo bebidas alcoólicas depois das 20,00h, ameaças de detenção a pessoas sem máscara nas ruas. Nada disto tem a ver com prevenção sanitária e pandémica: é apenas um exercício pueril do poder pelo poder, um abuso desmesurado da força do estado e das suas polícias, a sublimação do ditadorzinho que habita dentro de muitos indígenas lusitanos com funções de autoridade pública, desde o chefe de repartição ao chefe de governo, agora todos com terreno livre para expandirem a sua impetuosidade viril. É, em suma, o gozo do mando, o prazer de impor a vontade própria, a volúpia da submissão do outro pela ameaça.

Como é que toda esta gente se vai desabituar destes procedimentos alarves e ditatoriais, quando o vírus matar menos do que uma singela constipação, é que estou para ver. Infelizmente, os maus hábitos são difíceis de deixar e estes já duram há tempo demasiado.

Triste espetáculo

27 Março, 2021

Custa ver na televisão tanto professor jovem satisfeito com a sua vacina. O governo criou este triste show em pleno Dia Mundial do Teatro. Uma peça onde mais uma corporação passa à frente de quem precisa efectivamente de vacina.

Milhares e milhares de idosos que vivem em risco por terem mais de 80 anos ou padecem de doenças que potenciam risco de vida por efeito do covid aguardam â 3 meses a vacinação. Já podiam estar todos vacinados, já se usou vacinas suficientes para todos estarem vacinados e protegidos. É onde ocorrem 90% das mortes por covid. Mas as prioridades governamentais foram para ir satisfazendo as mais diversas corporações por motivos políticos.

Estruturas permanentes de funcionalismo é que fazem falta em Lisboa

27 Março, 2021

O nome é uma coisa medonha: Europe Startup Nations Alliance. Costa fala num «Dia Digital», numa «Assembleia Digital», numa «Declaração de Lisboa», e finalmente «numa nova estrutura europeia de empreendedorismo – a Europe Startup Nations Alliance -, uma ferramenta de concretização do desígnio europeu nesta área». Caramba, até existe um «desígnio europeu nesta área»!

Toda esta roupagem linguística de empreendedorismo, alianças e digital traduz-se em bom português em subsídios e «facilitismos» a empresas e projectos escolhidos a dedo. Que tal se venha a transformar numa estrutura permanente não surpreende quando se mistura Estado e alegados empresários que são doutrinados nestes programas a serem essencialmente uns encostados. Tipo websumit. Que tal venha a ter a sede em Lisboa é para os governantes uma evidência, um desígnio, pois que mais nada existe naquilo a que se chama Portugal. E o digital, se se sair da Grande Cidade certamente não funciona.

Vai tudo ficar bem

26 Março, 2021

A dificuldade dos funcionários e pensionistas do estado para justificarem as restrições às liberdades e direitos das outras pessoas, as que não pertencem à casta escolhida, aumenta de dia para dia. Os “especialistas” encarregues da propaganda encontram-se na situação complicada de toda a gente os ver a cruzar as fronteiras invisíveis dos concelhos para irem à televisão explicarem o que os outros não devem fazer, essencialmente o mesmo que ver um tal de Frei Tomás a publicar num website de vídeos pornográficos as suas aventuras na casa de Elvas do caso Casa Pia.

A polícia, a maior organização de legalização de criminosos do país depois da assembleia da república, já nem esconde que “o proteger e servir” não se aplica aos cidadãos e sim à protecção das receitas em multas e ao serviço da ditadura.

O país está desfeito, todos contra todos, sem qualquer instituição funcional que não a da opressão fiscal e de liberdades e garantias. Já se decretou a obrigatoriedade de teletrabalho até ao fim do ano, excepção feita para deputados que precisam de senhas de presença, que os brioches estão pela hora da morte e, sendo como gomas, não podem ser comidos ao postigo.

Somos parados para dizer para onde vamos. Não é aconselhável mentir, por isso façam como eu, que digo a verdade: senhor agente, vou apanhar no cu do primeiro-ministro e do presidente; não me oprima, tenho o direito a ser feliz.

São nove e meia e ainda não há aleijados. Nunca mais chove, é o que é.

Lembram-se tempo em que os animais falavam e em Portugal se discutia a constitucionalidade de tudo e mais alguma coisa?

25 Março, 2021

Pois hoje estamos na República Socialisto-Cubana Portuguesa: vamos ver os turistas fazer o que nos está vedado.

Quantas das pessoas que participaram nesta sessão ainda usam a Stayaway Covid?

25 Março, 2021

Não defendiam uma multa de 500 euros para quem não a instalasse?

Já se percebeu: a matança do Colorado é um prolongamento do assédio escolar

25 Março, 2021

A imprensa espanhola vai fazendo umas notícias sobre o que aconteceu no Colorado. O facto de Ahmad al Aliwi Alissa ser muçulmano ou ser um emigrante proveniente da Síria é atirado para o meio das notícias. Não sei qual a motivação da matança que Ahmad al Aliwi Alissa levou a cabo mas sei muito bem o estardalhaço que por aí iria caso ele fosse um cristão nascido nos EUA e republicano. O El Pais psicologiza o caso. Já vamos no assédio escolar: «El autor de la matanza de Colorado: del acoso escolar a asesinar a 10 personas con un rifle de asalto. Ahmad al Aliwi Alissa, de 21 años, que ejecutó la masacre en un supermercado de la ciudad de Boulder, fue condenado en 2017 por pegar una paliza a un compañero de clase»

Fascismo nas redes

24 Março, 2021


No meu vídeo de hoje falo de fascismo; da execrável bufaria e repugnante delação; de chibos e da sua ignorância e covardia; dos imbecis e prepotentes; de delírios moralistas; de patifarias; dos profetas do politicamente correcto e do pensamento único; de tristes fracalhotes.

É que muitos fanáticos desejam ardentemente mais vigilância de opiniões partilhadas nas redes sociais e as seitas dos bufos atraem muitos voluntários.

É ver aqui:

Agradece-se explicação para o desinteresse noticioso sobre os dez mortos no Colorado

24 Março, 2021

Dez mortos a tiro num supermercado. As notícias tal como começaram acabaram. Os jornalistas estão como a sobrinha da vice-presidente Kamala Harris que mal apareceram a simagens escreveu: The Atlanta shooting was not even a week ago. Violent white men are the greatest terrorist threat to our country e agora olham para o lado.

No pantone alucinado que rege as notícias o facto do autor dos disparos ter nascido na Síria, chamar-se Ahmad Alissa e ser muçulmano tornou um embaraço referir o acontecido naquele supermercado. Ninguém fala de crime de ódio. Provavelmente dirão que era apenas uma pessoa com perturbações mentais. Provavelmente até será mas não duvido que se ele fosse doutra religião, tivesse nascido nos EUA e não se conseguisse apresentar como membro duma minoria as notícias fervilhavam com o “crime de ódio”.

Sufoca aí para mim que eu gosto

24 Março, 2021

Quando Bastiat escreveu o que ficou conhecido como a “parábola da janela partida”, usou como exemplo as profissões comuns da época — meio do século XIX —, como o lojista e o vidraceiro. Tivesse esperado mais 170 anos e poderia ter escrito exactamente a mesma coisa sobre o covidista e o contribuinte líquido, aquele que realmente ainda paga a esta cambada de mal agradecidos.

Artur, um homem do seu tempo

23 Março, 2021

Quem dá mais uma migalhinha aqui ao aleijadinho? Mais dois tostões para uma casquinha de noz e um copinho de escarros? Quem ajuda o pobrezinho cuja sorte na vida foi ser parido no vão de escada onde a sua mãezinha recebe a clientela lisboeta?

— Artur, ainda estás a descrever os especialistas em covid da televisão e das redes sociais?

Quem me mete numa listinha, só numa, uma qualquer, uma em me erga contra a ignomínia administrativa da urbe através de projecto de cidade digital para o empreendedorismo-ismo-ismo da primeira ciclovia com portagem ladeada por autoestrada sem-custos-para-o-utilizador-e-o-não-utilizador pautada por design inovador minimalista de tão inexistente? Só meio milhãozinho…

— Artur, anda coçar-me as costas que assino-te a adesão ao partido.

Oh, vil tirania, vã sede de mandar, tresmalhada assimetria telegénica da telefonia sem fios, WiFi, teletrabalhadora OK boomer boomer boomer bomasembora daqui, feminista da nação e além-mar, aquém aquiscente que não sente, não é gente e indo ver era a neve!

— Artur, mete a máscara.

Mordaça que assa e trespassa o que passa por canastra na taça da raça que, lassa, se emassa e abraça o que por ela passa em passa de graça, fumaça e chalaça que amassa o que passa, e por aí fora.

— Ó Artur, pára com isso. Repete apenas que estamos a criar um Portugal mais liberal.

Tão liberal como voltar ao neandertal.

— Achata a curva!

Ai achato, achato. Mesmo que seja chato.

Mais mortes em consequência de opções políticas

23 Março, 2021

Com o número de doses de vacinas já inoculadas em Portugal, já se teria conseguido imunizar à data de hoje toda a população com mais de 80 anos de idade. Afinal, trata-se do grupo de risco mais acentuado de morte, pois os falecidos por covid são esmagadoramente dessa faixa etária da população.  

No entanto, parece que apenas 16% do grupo de maior risco é que está imunizado ao fim de 3 meses de vacinação. Foi uma opção politica das autoridades de saúde, nomeadamente da ministra.  Foi cedendo às mais variadas corporações, desde os médicos, policias e gnrs, magistrados, bombeiros e tutti quanti. Agora até professores foram incluídos nas prioridades! Os verdadeiros prioritários ficam sem a sua vez. Pode ser que tenham sorte. Ou não. 

Conselheiro pandémico

23 Março, 2021

Não sou lisboeta, mas não pude deixar de notar que o candidato Moedas à edilidade tomou a iniciativa de chamar para seu conselheiro um dos novos ditos “especialistas” em epidemiologia e saúde pública, da estirpe académica que não tem publicações nem citações científicas relevantes sobre o tema que sejam conhecidas e que em comparação com os curricula de outros estudiosos deveriam ser mais humildes a transmitir suposto conhecimento da matéria.

O pior é que este licenciado em Veterinária tem sido uma das mais influentes “personalidades” junto dos nossos decisores políticos e à custa dos seus conselhos os governantes e presidente da república têm dizimado as liberdades das pessoas, mandado à fava o Estado de Direito e sido completamente incompetentes na protecção da saúde dos vulneráveis.

Ainda em Outubro passado Simas dizia isto na Assembleia da República:

Ora, o candidato autárquico da suposta Direita é conivente com os experimentalismos sociais havidos até agora e, pelos vistos, tem intenção de continuar os tiques de tiranete à escala de Lisboa no futuro.

Vivo no Porto e como Rui Moreira foi um dos zelosos autarcas a mais rapidamente fazer uso dos seus pequenos poderes e mostrar quem manda ao pejar bancos de jardim com faixas de interdição, temo que na minha cidade chamem o Buesco das exponenciais matemáticas para perorar sobre a nossa saúde e os riscos que cada um corre.

O flato que adocica o fim

22 Março, 2021

Ainda bem que metemos mais partidos na assembleia da república. Aumenta a sensação de prazer mórbido à morte anunciada da democracia. Há aí uns que pedem “um Portugal mais liberal”. Ironia do destino que apareçam na hora de maior necessidade para demonstrar que não faziam falta alguma.

O presidente e a república

22 Março, 2021

Eis Portugal:

a constituição na gaveta

22 Março, 2021
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Em 1977, o Dr. Mário Soares meteu o socialismo na gaveta. Fez bem.

Em 2021, o Dr. António Costa quer meter a Constituição na gaveta. Faz mal.

Para todos os efeitos, o que por aí se prepara é um golpe de misericórdia nos já severamente abalados princípios fundamentais do Estado de direito, que, a ir por diante, fará da Constituição da República Portuguesa um verbo de encher às ordens do primeiro-ministro.

No essencial, Costa quer ser autorizado pela Assembleia da República a governar a pandemia sem ter de recorrer às figuras constitucionais do artigo 19º, nomeadamente a do estado de emergência, as únicas que permitem condicionar os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses. Se a Assembleia aprovar essa lei, que, embora inconstitucional, vigorará enquanto assim não for declarada, o primeiro-ministro disporá desses direitos de recorte constitucional conforme bem entender. É grave.

A Constituição na gaveta, no Observador.

Uma florescente área de negócio

22 Março, 2021

Querem contextualizar o Padrão dos Descobrimentos? Vão buscar os caixotes dos retornados.

21 Março, 2021

Hoje escrevi no Observador sobre esse diktat das nossas vidas: A descolonização agora vai ter lugar aqui. Não está em causa o território mas sim a História. A música que ouvimos. os livros que escolhemos. Os quadros que admiramos. As palavras que dizemos. Enfim o que somos.

Antes que o frenesi descolonizador a todos nos apanhe e envolva convém lembrar que, ao contrário do que aconteceu nas descolonizações que tiveram lugar em África, agora não há para onde mandar os caixotes.

O que arde cura

21 Março, 2021

Esta operação nacional de “conhece os limites do teu concelho” é fascinante. É como se o vírus pudesse ser contido administrativamente: vírus, podes ser propagado nesta rua, mas só até aos semáforos, porque do outro lado é a variante nigeriana que se pode pegar. É como se o vírus fosse o gangue com exclusividade de venda de droga no bairro. É extraordinário como os guetos do multiculturalismo se adaptam para guetos de estirpes: de alguma forma é mesmo como se o estado estivesse a admitir que o bairro de cabo-verdianos deve ser isolado do espaço onde a elite se baba em pensamentos sobre o que deveria ser o país, decretando-se elite por nascença. O que é engraçado porque é verdade.

Talvez haja uma solução para isto tudo. Provavelmente não vos agrada muito, porque alguém vai ter que levar no corpo, mas garanto-vos que quando começar já nem vão estranhar.

Leituras

19 Março, 2021

Impunidade de grupo, por Carlos Rodrigues Lima:

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público em arquivar matéria disciplinar relativa à operação de vigilância e ao levantamento do sigilo bancário deve preocupar-nos a todos, porque está aberta à porta à irresponsabilidade total. Em resumo, 15 dos 18 conselheiros votaram (houve dois votos contra e uma abstenção) a favor de  que tudo foi mal feito, mas não há responsabilidade disciplinar de ninguém, porque a autonomia técnica de uma magistrado é muito mais importante do que o dano que este possa causar a um qualquer cidadão. Se isto não é impunidade, o que será?

Hoje, em directo, às 21h00

18 Março, 2021

Henrique Pereira dos Santos, João Pires da Cruz, Eduardo Maximino e eu próprio estaremos em conversa pública a propósito da Covid19 e as “respostas à epidemia”, onde se procurará apresentar ideias e pensar de forma desalinhada à narrativa dominante sobre o tema.

Trata-se de uma sessão “LadOculto” organizada pela Oficina da Liberdade, aberta às perguntas dos espectadores e que terá transmissão em directo a partir das 21h00 de hoje no Facebook e no Youtube nos seguintes canais:

O sr Tedros da OMS já explicou isto?

18 Março, 2021

China to only allow foreign visitors who have had Chinese-made vaccine

Imunidade ao governo

17 Março, 2021

Imunidade ao governo é precisa e urgente.

Aos poucos, cada vez mais pessoas se vão apercebendo da gigantesca asneira e colossais consequências negativas dos confinamentos. Hoje é evidente, não apenas para uns excêntricos, que as medidas gerais, draconianas e nunca antes experimentadas são não só evidentemente ineficazes na contenção da epidemia do sars-cov-2, como provocam elas próprias directa e indirectamente mais mortes e sofrimento do que a covid19.

Todos, no entanto, se têm apercebido das contradições e absurdo de muitas das medidas tomadas pela dupla Costa-Marcelo, chegando a maioria delas a serem simplesmente ridículas e incumpríveis por qualquer pessoa com dois dedos de testa.

Todavia, para quem não se tenha apercebido, esta gente que nos pastoreia não pretende adoptar acções eficazes e racionais de saúde pública. Não. Além de se estarem a marimbar na saúde dos portugueses, o objectivo é mesmo cavalgar o medo instalado, debitando leis e regulamentos de tal forma incompreensíveis e confusos que ao comum dos mortais se torne racional deixar de pensar na lógica das coisas para se entregar por completo às mãos de quem tem o poder.

Ora, a menos que aceitemos ser desumanizados e nos queiramos submeter a comportamentos típicos de carneiros, convém não desperdiçar a utilidade dos nossos neurónios.

Assim, no meu vídeo de hoje formulo algumas perguntas heréticas:

  • Por quanto tempo mais vão negar a ciência e deixar que muitas centenas de milhar de portugueses continuem a ser vistos e estigmatizados como um perigo ambulante para terceiros?
  • Os políticos vão permitir que todos aqueles contraíram o vírus ou que já tomaram a vacina continuem a ser considerados potencialmente perigosos.

São 4 minutos de vídeo aqui:

A UE falhou como falham todas as grandes burocracias

17 Março, 2021

Jorge Fernandes assina hoje um artigo demolidor no Observador sobre o abismo que separa a proaganda da UE da sua prática: «em Agosto de 2020, os Estados Unidos decidiram comprar vacinas da AstraZeneca, Pzifer, J&J e Sanofi. Nesta compra adiantada, os Estados Unidos gastaram 9,3 mil milhões de dólares. A União Europeia, pelo contrário, em Agosto de 2020, tinha feito apenas contratos com a AstraZeneca e com a Sanofi, num total de 843 milhões de dólares. Grosso modo, para uma população inferior à da União Europeia, em Agosto de 2020, os Estados Unidos tinha já comprometido dez vezes mais dinheiro em vacinas.

Para além disso, a União Europeia apostou forte na vacina da Sanofi, desenvolvida pela indústria francesa. Seria fastidioso ter de explicar aqui os motivos que, num momento de crise, levaram a burocracia de Bruxelas a ceder a pressões políticas dentro da União para comprar uma vacina que, em Março de 2021, está ainda na segunda fase de desenvolvimento.

Chegados ao Natal de 2020, segundo a Bloomberg, os Estados Unidos tinham já contratualizados 18 mil milhões de dólares em vacinas, enquanto a União Europeia, para uma população superior, tinha gasto apenas 9 mil milhões.

Mais, os contratos realizados entre a União Europeia e as farmacêuticas demonstram o total amadorismo jurídico das elites de Bruxelas. Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido firmaram contratos com metas de entrega claras e respectivas penalizações financeiras para as empresas caso falhassem, a União Europeia abdicou do seu direito de sancionar as empresas farmacêuticas em caso de atrasos. (…) o Reino Unido gastou cerca de 29 libras/per capita, enquanto os Estados Unidos gastaram 27 libras/per capita em investigação. Apesar da retórica e da propaganda sobre economia baseada no conhecimento, a União Europeia gastou a módica quantia de 4 (quatro!) libras/per capita a financiar a investigação que deu origem à vacina.»

Tu és fabulosx (parte 2)

16 Março, 2021

Tu és fabulosx. Já sei que tens um número espatafúrdio de seguidores no Tik Tok a dizer-te isso, mas saberão eles, para lá de cada salto da mama ou palminhas com nádegas o quão fabulosx tu és? Tu és fabulosx e mereces amar-te.

Quando te vês ao espelho não sentes uma quase irresistível vontade de fazer amor contigo? De te auto-reproduzires num ciclo infindável de fabulosos pequenos-tu? Que só não o fazes porque sabes que daqui a 20 anos serão eles os fabulosos e tu a carcaça, a que por seres tão fabulosx agora nunca terás tempo para encontrar alguém com o mesmo grau de fabuloso para te alentar nas noites de desespero solitário? Aquelas noites que se preenchem encontrando no feminismo liberal uma desculpa para não aliviares a tua fabulosa amargura com um tiro nos cornos?

Pois eu digo que sim, que podes fazer amor contigo. É até o que melhor podes fazer para expressar a tua homossexualidade natural, a que a sociedade reprime com construções sociais como a biologia reprodutora. Felizmente, os desenvolvimentos científicos permitem alcançar a perpetuação da espécie — se bem que em forma não tão fabulosa como tu — suprimindo essa suja e imoral actividade sexual com pessoa de sexo diferente. Tu podes fazer amor contigo próprio, a suprema forma de homossexualidade. Podes, e deves.

Eu, que sou velho e retrógrado, quando percebi que ao tomar banho estava a tocar no sexo de um homem, algo que sempre achei que nunca faria na minha vida de ultramontano, decidi mudar de vida. Tinha duas hipóteses: ou sentir-me mulher ou deixar de me lavar. Por muito tentadora que fosse a segunda hipótese, acabei por optar pela primeira, mas isso é porque nasci um preconceituoso nojento com racismo inerente por malcheirosos. Tu não deves ser assim. Tu deves exprimir o teu amor por ti, deves aceitar a tua auto-homossexualidade e deves ter orgulho dela. Desde quando o amor é para ser escondido? O que teria de imoral se um auto-homossexual se sentasse numa esplanada a praticar o acto amoroso consigo próprio? Com máscara, claro, porque sem máscara a resposta seria obviamente o genocídio dos idosos com que nunca te cruzarias na tua vida fabulosa. Quer a sociedade reprimir homossexuais? Quer escondê-los debaixo do tapete?

Sem as aulas de educação cívica e para a cidadania, que fizeste tu? O mesmo que o governo? Que o presidente? Claro que sim: o amor auto-homossexual. Não tenhas vergonha: eles também o fazem, e fazem-no em público, como deve ser, sem medo. Às vezes até chamam os jornalistas para que os vejam e relatem ali, em pleno abanões de pessegueiro.

Jovem, a escola é tua para seres fabulosx em pleno. Não rejeites o amor que sentes por ti. Se tens que o manifestar na aula de história sobre as virtudes do leninismo, melhor ainda, juntas o amor físico ao amor pelo teu superior intelecto. És parte da geração mais bem preparada de sempre: não nos deixes ficar mal. Nós precisamos dos fabulosos. Ama-te.

não se pode imaginar pior

16 Março, 2021
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Digam a um socialista que ele não pode planear a vida dos outros e ele fará uma birra. Por qualquer estranha razão, socialistas acham-se seres ungidos pela clarividência do Divino Espírito Santo, que lhes permite, provavelmente graças à passagem pelas secções da JS, prever, organizar e dirigir a vida alheia. Depois dá tudo para o torto, como se pode ver da odisseia que têm sido os planos do mago António Costa sobre a epidemia.

A última foi este recente episódio da AstraZeneca, onde, de duas três, ou andam a gozar com as pessoas, o que seria humor negro e de extremo mau gosto, ou andam completamente alienados, porque a vacina, que nos foi prometida com todas as garantias de segurança, foi administrada a um presidente, um primeiro-ministro e, muito pior do que isso, a milhares de cidadãos de uma República, e ninguém pede explicações aos tais “cientistas” que a validaram.

No entretanto, continuamos açaimados nas ruas, os negócios fechados e a economia a ruir, ao som das incontáveis tolices da D. Graça Freitas. Não se pode imaginar pior.

Os donos disto tudo

16 Março, 2021

O TC chumbou a eutanásia. Logo fomos informados que sim, teremos eutanásia. Que a lei vai passar. Note-se o seguinte: há gente que não admite não ganhar. Não impor aos outros a sua agenda. Não devemos esquecer isto. Nunca.

O dialecto dos novos bárbaros

15 Março, 2021

Escrevi no Observador sobre o papel instrumental da linguagem dita inclusiva. Não. não estamos perante uma maluqueira quando se proíbem termos como mãe e pai. Não a opção pelo neutro não inclui, desumaniza: “ Os homens e mulheres que se tornavam maridos e mulheres saem destes guiões de linguagem dita inclusiva transfigurados em pessoas que ao relacionarem-se tornam-se parceiros/as, companheiros/as ou cônjuges que podem ou não tornar-se progenitores. Estes guiões de linguagem apresentada como igualitária e inclusiva estão a transformar as nossas vidas numa versão daqueles pesadelos em que gritamos por ajuda mas não conseguimos articular qualquer som: eles proíbem-nos as palavras que nomeavam o nosso mundo.

Tu és fabulosx (parte 1)

15 Março, 2021

Fabulosx! Simplesmente fabulosx!

No dia em que se celebra o regresso às aulas das crianças a quem foram retiradas duas semanas de férias para compensar a prisão domiciliária a que foram sujeitas, o equivalente a vencedor de concurso televisivo que leva o carro para casa depois de pagar o dobro do seu valor comercial, compete aos adultos providenciarem material pedagógico que permita aos filhos da nação (as crianças não são nossas, são da sociedade) recuperarem nas aprendizagens fundamentais para a vida em inclusão e sem preconceito. Durante o período de aulas à distância mantiveram-se lacunas curriculares de monta, principalmente nas áreas de cidadania e civismo.

Jovem, tu que tens 12, 13 ou até 14 anos, já sabes como te barbear? Joana, o teu pai já te ensinou como se ensaboa a cara e como se passa a lâmina de forma a que o teu buço não encrave ao crescer? João, a tua mãe já te ensinou como se afoga o ganso e, principalmente, que deves imaginar que é o Tareco que se pavoneia na mesa da cozinha e não uma pessoa humana, com sentimentos, que se sentirá violada pela tua mente perversa? Aposto que não. Para isso estou cá eu, para contribuir de forma decisiva para a educação plena dos jovens.

Sentes-te mulher mas tens pêlos na cara e no pénis? És rapariga e já sabes que um homem também tem o direito a amamentar mas olham para ti de lado quando dizes que queres fazer a barba? Nunca aceites que um homem te diga o que podes e não podes fazer. Tens todo o direito a fazer a barba como qualquer outra pessoa. Não és menos que os cis-barbudos. Segue as instruções que se seguem e usufrui da tua plenitude feminina sem limitações machistas e heteropatriarcais.

  1. Deita o creme de barbear numa das mãos. A mão com que te sintas menos desconfortável pela acto íntimo que é a afagar a tua face.
  2. Olha-te ao espelho e repete para ti própria que és fabulosa.
  3. Esfrega o creme na tua face sem que este toque nas tuas delicadas narinas, nos teus carnudos maternais-africanos lábios e nos teus olhos que ocultam os segredos do mundo em todo o teu potencial de pessoa fabulosa.
  4. Pega na lâmina com a mão que normalmente discriminas em operações como escrita e dá-lhe uma oportunidade de ser tão válida como a outra, talvez até mais.
  5. Passa-a no sabão pressionando suavemente, como se fosse o toque de uma das tuas colegas a gentilmente medir-te a anca.
  6. Quando vires sangue, isso é normal, é sinal de que és fabulosa.
  7. O número do 112 é cento e doze. Pegas no telefone, desligas o Tik Tok, procuras uma aplicação chamada “telefone” e metes os números por esta ordem: um, depois outro um (são dois uns, não confundas com um dois) e depois um dois.

Amanhã explicarei como se afoga o ganso.

É que somos assim, é genético

14 Março, 2021
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Pois, meu Caro Ricardo, esta reacção do Telmo e a fleuma com que a encaraste só prova que conheces bem do que esta Loja / Casa / Blogue (cada qual que risque ou acrescente em função do seu padrão estético) gasta. O escrutínio é permanente e o mais exigente é o interno de onde geralmente vem a primeira “bordoada”. Do externo, prepara-ta para o da Zazie, a nossa mais fidelíssima leitora, que quando “malha”, fá-lo de forma intensa e acutilante.

Somos de facto assim, um colectivo que consegue perdurar apesar dos individualismos exacerbados que o compõem. Porventura o segredo é mesmo esse.

De acordo

14 Março, 2021

Quero secundar o que aqui diz o nosso mais recente blasfemo. Ricardo Luz, a quem dou as boas-vindas. De facto, eu também vejo o aparecimento do partido Iniciativa Liberal como uma boa notícia para Portugal: sem um partido que tentasse federar em torno de si toda uma doutrina só poderíamos especular sobre a hipótese de falhar redondamente; assim podemos demonstrar, na prática, o quão a utilização do termo “liberal” em tudo que seja comunicação permite que um partido inerentemente socialista – por definição de partido – não só não federa nada como também mostra a impossibilidade de tornar o que é uma doutrina em mera ideologia.

Há muito liberalismo em Portugal: está na casa das pessoas, na feira popular, nos intervalos das escolas, nas praias e nas pistas de dança. Nos partidos só há é… bem, só há os partidos.

e portantos …

14 Março, 2021
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Caro Telmo, obrigado pelas boas vindas. Aliás, obrigado a todos! Eu respeito quem diz o que pensa, tal como gosto de mercados onde exista concorrência e esta seja o mais diversa possível. Pelo que, para mim, a Iniciativa Liberal é uma boa notícia para Portugal. E, creio, o Blasfémias, O Insurgente, o Portugal Contemporâneo, entre outros blogs, tal como muitas opiniões que uns poucos foram expressando em múltiplos fóruns, contribuíram para que hoje o Liberalismo já não seja uma total excentricidade. E o Blasfémias teve aqui o seu papel, positivo, penso eu de que.

Loja é para mim um espaço onde se vende algo. Nesta “Loja” vendem-se ideias, e só as compram quem quiser. Porque sempre achei digna a venda, “Loja” é um elogio. Eu cá gosto de “Lojas” com produtos variados, em que cada um defende os méritos dos seus e todos são livres de comprar os que mais lhes aprouverem. Como acontece no Blasfémias! Nunca gostei foi que me impinjam o que não quero, por muito que me digam que são esses os “produtos” que me farão feliz. Feitios!

Que não nos faltem as forças para combater a apatia!

Da apatia

14 Março, 2021

O Blasfémias tem um novo autor entre as suas hostes e por isso lhe dou as boas-vindas à boa e velha maneira deste Blog, dizendo-lhe que me revejo pouco naquilo que ele escreveu no seu post inicial.

Isto porque no segundo parágrafo o Ricardo Luz escreve que “o movimento liberal”, hoje, “encontra representação na política” destacando como exemplo o “Iniciativa Liberal”.

Ora, neste blog há militantes do CDS, PSD, Chega e, creio, do Iniciativa Liberal. Sei que há abstencionistas convictos, autores sem filiação ou simpatias partidárias especiais. Basta esta casa portanto (prefiro “casa” a “loja”) para se perceber que não há nem *um* nem *o* movimento liberal, nem sequer uma orientação partidária preponderante.

Por mim falo: não só não me sinto representado na IL, como continuo a considerar a sua existência um oxímoro e dificilmente me verei representado por algum partido do nosso espectro político. Não por caprichos doutrinários ou entrega a um mantra de pureza ideológica, mas porque entendo sobretudo o liberalismo como uma atitude filosófica e um modo de vida individuais, numa saudável distância dos partidos.

Acresce ainda dizer sobre o Iniciativa Liberal que, sendo justo reconhecer que votou contra quase todas as declarações do “estado de emergência”, sobre a maior a mais séria ameaça à Liberdade das últimas décadas, as suas posições públicas ou foram alinhadas com a generalidade da narrativa dominante ou traduziram-se em frouxas críticas ao que foi sendo decidido. Pior ainda, recentemente, verifiquei que a IL subscreve a alarvidade dos testes em massa e generalizados ao SCov2 assim como a obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas.

Para combater a apatia, fui hoje do Porto a Ponte de Lima.

Muito agradecido

14 Março, 2021

Faltam umas horas para ser perfeitamente aceitável, quer moralmente, quer na alegada legalidade de um “estado de emergência”, que um indivíduo se sente num banco de jardim. Nunca pensei que fosse possível escrever isto fora do domínio da literatura infantil, mas parece que é suposto agradecermos ao governo que nos passe a permitir fazermos coisas de vivos. Não querendo ficar atrás nos agradecimentos, cá vão:

Tal como uma pessoa violada deve agradecer quando o violador deixa na mesinha de cabeceira a mesma quantia que pagaria a uma prostituta, agradeço ao governo permitir-me o uso de bancos de jardim com o fato de apicultor sob o escafandro e a tripla máscara sobre a viseira. Valeu. Já nem sinto dor nem nada.

E agora essas cartas seguem para a Fundação Mário Soares?

14 Março, 2021

Cavaco Silva doa à Presidência da República100 cartas trocadas com Mário Soares

Quando Soares tudo podia quando resolveu criar uma fundação com o seu nome. Sem que se ouvissem protestos a parte dos arquivos da Presidência da República que tinham material de Soares enquanto PR foi transferida para a fundação que passou a ser paga por isso. Fazia bem ao ego de Soares e às contas da fundação. Como era óbvio a Fundação Mário Soares entrou em declínio e deficit após a morte do seu fundador. O historial da fundação é um exemplo do socialismo em Portugal: no início são só boas notícias – a comunicação social aquando da criação da Fundação Mário Soares parecia estar a relatar o nascimento de uma nova Gulbenkian – muita megalomania e dinheiro a rodos. Depois vem o acerto das contas e percebe-se que o dinheiro vai todo para os custos de funcionamento.

Entretanto nós vivemos este paradoxo: uma parte dos arquivos da PR está na Fundação Mário Soares e a Fundação Mário Soares precisa de os manter lá para poder funcionar.

Portanto e voltando ao título deste artigo, as cartas que Cavaco Silva agora entregou ao arquivo da PR vão ser depositadas onde?