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O flato que adocica o fim

22 Março, 2021

Ainda bem que metemos mais partidos na assembleia da república. Aumenta a sensação de prazer mórbido à morte anunciada da democracia. Há aí uns que pedem “um Portugal mais liberal”. Ironia do destino que apareçam na hora de maior necessidade para demonstrar que não faziam falta alguma.

O presidente e a república

22 Março, 2021

Eis Portugal:

a constituição na gaveta

22 Março, 2021
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Em 1977, o Dr. Mário Soares meteu o socialismo na gaveta. Fez bem.

Em 2021, o Dr. António Costa quer meter a Constituição na gaveta. Faz mal.

Para todos os efeitos, o que por aí se prepara é um golpe de misericórdia nos já severamente abalados princípios fundamentais do Estado de direito, que, a ir por diante, fará da Constituição da República Portuguesa um verbo de encher às ordens do primeiro-ministro.

No essencial, Costa quer ser autorizado pela Assembleia da República a governar a pandemia sem ter de recorrer às figuras constitucionais do artigo 19º, nomeadamente a do estado de emergência, as únicas que permitem condicionar os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses. Se a Assembleia aprovar essa lei, que, embora inconstitucional, vigorará enquanto assim não for declarada, o primeiro-ministro disporá desses direitos de recorte constitucional conforme bem entender. É grave.

A Constituição na gaveta, no Observador.

Uma florescente área de negócio

22 Março, 2021

Querem contextualizar o Padrão dos Descobrimentos? Vão buscar os caixotes dos retornados.

21 Março, 2021

Hoje escrevi no Observador sobre esse diktat das nossas vidas: A descolonização agora vai ter lugar aqui. Não está em causa o território mas sim a História. A música que ouvimos. os livros que escolhemos. Os quadros que admiramos. As palavras que dizemos. Enfim o que somos.

Antes que o frenesi descolonizador a todos nos apanhe e envolva convém lembrar que, ao contrário do que aconteceu nas descolonizações que tiveram lugar em África, agora não há para onde mandar os caixotes.

O que arde cura

21 Março, 2021

Esta operação nacional de “conhece os limites do teu concelho” é fascinante. É como se o vírus pudesse ser contido administrativamente: vírus, podes ser propagado nesta rua, mas só até aos semáforos, porque do outro lado é a variante nigeriana que se pode pegar. É como se o vírus fosse o gangue com exclusividade de venda de droga no bairro. É extraordinário como os guetos do multiculturalismo se adaptam para guetos de estirpes: de alguma forma é mesmo como se o estado estivesse a admitir que o bairro de cabo-verdianos deve ser isolado do espaço onde a elite se baba em pensamentos sobre o que deveria ser o país, decretando-se elite por nascença. O que é engraçado porque é verdade.

Talvez haja uma solução para isto tudo. Provavelmente não vos agrada muito, porque alguém vai ter que levar no corpo, mas garanto-vos que quando começar já nem vão estranhar.

Leituras

19 Março, 2021

Impunidade de grupo, por Carlos Rodrigues Lima:

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público em arquivar matéria disciplinar relativa à operação de vigilância e ao levantamento do sigilo bancário deve preocupar-nos a todos, porque está aberta à porta à irresponsabilidade total. Em resumo, 15 dos 18 conselheiros votaram (houve dois votos contra e uma abstenção) a favor de  que tudo foi mal feito, mas não há responsabilidade disciplinar de ninguém, porque a autonomia técnica de uma magistrado é muito mais importante do que o dano que este possa causar a um qualquer cidadão. Se isto não é impunidade, o que será?

Hoje, em directo, às 21h00

18 Março, 2021

Henrique Pereira dos Santos, João Pires da Cruz, Eduardo Maximino e eu próprio estaremos em conversa pública a propósito da Covid19 e as “respostas à epidemia”, onde se procurará apresentar ideias e pensar de forma desalinhada à narrativa dominante sobre o tema.

Trata-se de uma sessão “LadOculto” organizada pela Oficina da Liberdade, aberta às perguntas dos espectadores e que terá transmissão em directo a partir das 21h00 de hoje no Facebook e no Youtube nos seguintes canais:

O sr Tedros da OMS já explicou isto?

18 Março, 2021

China to only allow foreign visitors who have had Chinese-made vaccine

Imunidade ao governo

17 Março, 2021

Imunidade ao governo é precisa e urgente.

Aos poucos, cada vez mais pessoas se vão apercebendo da gigantesca asneira e colossais consequências negativas dos confinamentos. Hoje é evidente, não apenas para uns excêntricos, que as medidas gerais, draconianas e nunca antes experimentadas são não só evidentemente ineficazes na contenção da epidemia do sars-cov-2, como provocam elas próprias directa e indirectamente mais mortes e sofrimento do que a covid19.

Todos, no entanto, se têm apercebido das contradições e absurdo de muitas das medidas tomadas pela dupla Costa-Marcelo, chegando a maioria delas a serem simplesmente ridículas e incumpríveis por qualquer pessoa com dois dedos de testa.

Todavia, para quem não se tenha apercebido, esta gente que nos pastoreia não pretende adoptar acções eficazes e racionais de saúde pública. Não. Além de se estarem a marimbar na saúde dos portugueses, o objectivo é mesmo cavalgar o medo instalado, debitando leis e regulamentos de tal forma incompreensíveis e confusos que ao comum dos mortais se torne racional deixar de pensar na lógica das coisas para se entregar por completo às mãos de quem tem o poder.

Ora, a menos que aceitemos ser desumanizados e nos queiramos submeter a comportamentos típicos de carneiros, convém não desperdiçar a utilidade dos nossos neurónios.

Assim, no meu vídeo de hoje formulo algumas perguntas heréticas:

  • Por quanto tempo mais vão negar a ciência e deixar que muitas centenas de milhar de portugueses continuem a ser vistos e estigmatizados como um perigo ambulante para terceiros?
  • Os políticos vão permitir que todos aqueles contraíram o vírus ou que já tomaram a vacina continuem a ser considerados potencialmente perigosos.

São 4 minutos de vídeo aqui:

A UE falhou como falham todas as grandes burocracias

17 Março, 2021

Jorge Fernandes assina hoje um artigo demolidor no Observador sobre o abismo que separa a proaganda da UE da sua prática: «em Agosto de 2020, os Estados Unidos decidiram comprar vacinas da AstraZeneca, Pzifer, J&J e Sanofi. Nesta compra adiantada, os Estados Unidos gastaram 9,3 mil milhões de dólares. A União Europeia, pelo contrário, em Agosto de 2020, tinha feito apenas contratos com a AstraZeneca e com a Sanofi, num total de 843 milhões de dólares. Grosso modo, para uma população inferior à da União Europeia, em Agosto de 2020, os Estados Unidos tinha já comprometido dez vezes mais dinheiro em vacinas.

Para além disso, a União Europeia apostou forte na vacina da Sanofi, desenvolvida pela indústria francesa. Seria fastidioso ter de explicar aqui os motivos que, num momento de crise, levaram a burocracia de Bruxelas a ceder a pressões políticas dentro da União para comprar uma vacina que, em Março de 2021, está ainda na segunda fase de desenvolvimento.

Chegados ao Natal de 2020, segundo a Bloomberg, os Estados Unidos tinham já contratualizados 18 mil milhões de dólares em vacinas, enquanto a União Europeia, para uma população superior, tinha gasto apenas 9 mil milhões.

Mais, os contratos realizados entre a União Europeia e as farmacêuticas demonstram o total amadorismo jurídico das elites de Bruxelas. Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido firmaram contratos com metas de entrega claras e respectivas penalizações financeiras para as empresas caso falhassem, a União Europeia abdicou do seu direito de sancionar as empresas farmacêuticas em caso de atrasos. (…) o Reino Unido gastou cerca de 29 libras/per capita, enquanto os Estados Unidos gastaram 27 libras/per capita em investigação. Apesar da retórica e da propaganda sobre economia baseada no conhecimento, a União Europeia gastou a módica quantia de 4 (quatro!) libras/per capita a financiar a investigação que deu origem à vacina.»

Tu és fabulosx (parte 2)

16 Março, 2021

Tu és fabulosx. Já sei que tens um número espatafúrdio de seguidores no Tik Tok a dizer-te isso, mas saberão eles, para lá de cada salto da mama ou palminhas com nádegas o quão fabulosx tu és? Tu és fabulosx e mereces amar-te.

Quando te vês ao espelho não sentes uma quase irresistível vontade de fazer amor contigo? De te auto-reproduzires num ciclo infindável de fabulosos pequenos-tu? Que só não o fazes porque sabes que daqui a 20 anos serão eles os fabulosos e tu a carcaça, a que por seres tão fabulosx agora nunca terás tempo para encontrar alguém com o mesmo grau de fabuloso para te alentar nas noites de desespero solitário? Aquelas noites que se preenchem encontrando no feminismo liberal uma desculpa para não aliviares a tua fabulosa amargura com um tiro nos cornos?

Pois eu digo que sim, que podes fazer amor contigo. É até o que melhor podes fazer para expressar a tua homossexualidade natural, a que a sociedade reprime com construções sociais como a biologia reprodutora. Felizmente, os desenvolvimentos científicos permitem alcançar a perpetuação da espécie — se bem que em forma não tão fabulosa como tu — suprimindo essa suja e imoral actividade sexual com pessoa de sexo diferente. Tu podes fazer amor contigo próprio, a suprema forma de homossexualidade. Podes, e deves.

Eu, que sou velho e retrógrado, quando percebi que ao tomar banho estava a tocar no sexo de um homem, algo que sempre achei que nunca faria na minha vida de ultramontano, decidi mudar de vida. Tinha duas hipóteses: ou sentir-me mulher ou deixar de me lavar. Por muito tentadora que fosse a segunda hipótese, acabei por optar pela primeira, mas isso é porque nasci um preconceituoso nojento com racismo inerente por malcheirosos. Tu não deves ser assim. Tu deves exprimir o teu amor por ti, deves aceitar a tua auto-homossexualidade e deves ter orgulho dela. Desde quando o amor é para ser escondido? O que teria de imoral se um auto-homossexual se sentasse numa esplanada a praticar o acto amoroso consigo próprio? Com máscara, claro, porque sem máscara a resposta seria obviamente o genocídio dos idosos com que nunca te cruzarias na tua vida fabulosa. Quer a sociedade reprimir homossexuais? Quer escondê-los debaixo do tapete?

Sem as aulas de educação cívica e para a cidadania, que fizeste tu? O mesmo que o governo? Que o presidente? Claro que sim: o amor auto-homossexual. Não tenhas vergonha: eles também o fazem, e fazem-no em público, como deve ser, sem medo. Às vezes até chamam os jornalistas para que os vejam e relatem ali, em pleno abanões de pessegueiro.

Jovem, a escola é tua para seres fabulosx em pleno. Não rejeites o amor que sentes por ti. Se tens que o manifestar na aula de história sobre as virtudes do leninismo, melhor ainda, juntas o amor físico ao amor pelo teu superior intelecto. És parte da geração mais bem preparada de sempre: não nos deixes ficar mal. Nós precisamos dos fabulosos. Ama-te.

não se pode imaginar pior

16 Março, 2021
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Digam a um socialista que ele não pode planear a vida dos outros e ele fará uma birra. Por qualquer estranha razão, socialistas acham-se seres ungidos pela clarividência do Divino Espírito Santo, que lhes permite, provavelmente graças à passagem pelas secções da JS, prever, organizar e dirigir a vida alheia. Depois dá tudo para o torto, como se pode ver da odisseia que têm sido os planos do mago António Costa sobre a epidemia.

A última foi este recente episódio da AstraZeneca, onde, de duas três, ou andam a gozar com as pessoas, o que seria humor negro e de extremo mau gosto, ou andam completamente alienados, porque a vacina, que nos foi prometida com todas as garantias de segurança, foi administrada a um presidente, um primeiro-ministro e, muito pior do que isso, a milhares de cidadãos de uma República, e ninguém pede explicações aos tais “cientistas” que a validaram.

No entretanto, continuamos açaimados nas ruas, os negócios fechados e a economia a ruir, ao som das incontáveis tolices da D. Graça Freitas. Não se pode imaginar pior.

Os donos disto tudo

16 Março, 2021

O TC chumbou a eutanásia. Logo fomos informados que sim, teremos eutanásia. Que a lei vai passar. Note-se o seguinte: há gente que não admite não ganhar. Não impor aos outros a sua agenda. Não devemos esquecer isto. Nunca.

O dialecto dos novos bárbaros

15 Março, 2021

Escrevi no Observador sobre o papel instrumental da linguagem dita inclusiva. Não. não estamos perante uma maluqueira quando se proíbem termos como mãe e pai. Não a opção pelo neutro não inclui, desumaniza: “ Os homens e mulheres que se tornavam maridos e mulheres saem destes guiões de linguagem dita inclusiva transfigurados em pessoas que ao relacionarem-se tornam-se parceiros/as, companheiros/as ou cônjuges que podem ou não tornar-se progenitores. Estes guiões de linguagem apresentada como igualitária e inclusiva estão a transformar as nossas vidas numa versão daqueles pesadelos em que gritamos por ajuda mas não conseguimos articular qualquer som: eles proíbem-nos as palavras que nomeavam o nosso mundo.

Tu és fabulosx (parte 1)

15 Março, 2021

Fabulosx! Simplesmente fabulosx!

No dia em que se celebra o regresso às aulas das crianças a quem foram retiradas duas semanas de férias para compensar a prisão domiciliária a que foram sujeitas, o equivalente a vencedor de concurso televisivo que leva o carro para casa depois de pagar o dobro do seu valor comercial, compete aos adultos providenciarem material pedagógico que permita aos filhos da nação (as crianças não são nossas, são da sociedade) recuperarem nas aprendizagens fundamentais para a vida em inclusão e sem preconceito. Durante o período de aulas à distância mantiveram-se lacunas curriculares de monta, principalmente nas áreas de cidadania e civismo.

Jovem, tu que tens 12, 13 ou até 14 anos, já sabes como te barbear? Joana, o teu pai já te ensinou como se ensaboa a cara e como se passa a lâmina de forma a que o teu buço não encrave ao crescer? João, a tua mãe já te ensinou como se afoga o ganso e, principalmente, que deves imaginar que é o Tareco que se pavoneia na mesa da cozinha e não uma pessoa humana, com sentimentos, que se sentirá violada pela tua mente perversa? Aposto que não. Para isso estou cá eu, para contribuir de forma decisiva para a educação plena dos jovens.

Sentes-te mulher mas tens pêlos na cara e no pénis? És rapariga e já sabes que um homem também tem o direito a amamentar mas olham para ti de lado quando dizes que queres fazer a barba? Nunca aceites que um homem te diga o que podes e não podes fazer. Tens todo o direito a fazer a barba como qualquer outra pessoa. Não és menos que os cis-barbudos. Segue as instruções que se seguem e usufrui da tua plenitude feminina sem limitações machistas e heteropatriarcais.

  1. Deita o creme de barbear numa das mãos. A mão com que te sintas menos desconfortável pela acto íntimo que é a afagar a tua face.
  2. Olha-te ao espelho e repete para ti própria que és fabulosa.
  3. Esfrega o creme na tua face sem que este toque nas tuas delicadas narinas, nos teus carnudos maternais-africanos lábios e nos teus olhos que ocultam os segredos do mundo em todo o teu potencial de pessoa fabulosa.
  4. Pega na lâmina com a mão que normalmente discriminas em operações como escrita e dá-lhe uma oportunidade de ser tão válida como a outra, talvez até mais.
  5. Passa-a no sabão pressionando suavemente, como se fosse o toque de uma das tuas colegas a gentilmente medir-te a anca.
  6. Quando vires sangue, isso é normal, é sinal de que és fabulosa.
  7. O número do 112 é cento e doze. Pegas no telefone, desligas o Tik Tok, procuras uma aplicação chamada “telefone” e metes os números por esta ordem: um, depois outro um (são dois uns, não confundas com um dois) e depois um dois.

Amanhã explicarei como se afoga o ganso.

É que somos assim, é genético

14 Março, 2021
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Pois, meu Caro Ricardo, esta reacção do Telmo e a fleuma com que a encaraste só prova que conheces bem do que esta Loja / Casa / Blogue (cada qual que risque ou acrescente em função do seu padrão estético) gasta. O escrutínio é permanente e o mais exigente é o interno de onde geralmente vem a primeira “bordoada”. Do externo, prepara-ta para o da Zazie, a nossa mais fidelíssima leitora, que quando “malha”, fá-lo de forma intensa e acutilante.

Somos de facto assim, um colectivo que consegue perdurar apesar dos individualismos exacerbados que o compõem. Porventura o segredo é mesmo esse.

De acordo

14 Março, 2021

Quero secundar o que aqui diz o nosso mais recente blasfemo. Ricardo Luz, a quem dou as boas-vindas. De facto, eu também vejo o aparecimento do partido Iniciativa Liberal como uma boa notícia para Portugal: sem um partido que tentasse federar em torno de si toda uma doutrina só poderíamos especular sobre a hipótese de falhar redondamente; assim podemos demonstrar, na prática, o quão a utilização do termo “liberal” em tudo que seja comunicação permite que um partido inerentemente socialista – por definição de partido – não só não federa nada como também mostra a impossibilidade de tornar o que é uma doutrina em mera ideologia.

Há muito liberalismo em Portugal: está na casa das pessoas, na feira popular, nos intervalos das escolas, nas praias e nas pistas de dança. Nos partidos só há é… bem, só há os partidos.

e portantos …

14 Março, 2021
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Caro Telmo, obrigado pelas boas vindas. Aliás, obrigado a todos! Eu respeito quem diz o que pensa, tal como gosto de mercados onde exista concorrência e esta seja o mais diversa possível. Pelo que, para mim, a Iniciativa Liberal é uma boa notícia para Portugal. E, creio, o Blasfémias, O Insurgente, o Portugal Contemporâneo, entre outros blogs, tal como muitas opiniões que uns poucos foram expressando em múltiplos fóruns, contribuíram para que hoje o Liberalismo já não seja uma total excentricidade. E o Blasfémias teve aqui o seu papel, positivo, penso eu de que.

Loja é para mim um espaço onde se vende algo. Nesta “Loja” vendem-se ideias, e só as compram quem quiser. Porque sempre achei digna a venda, “Loja” é um elogio. Eu cá gosto de “Lojas” com produtos variados, em que cada um defende os méritos dos seus e todos são livres de comprar os que mais lhes aprouverem. Como acontece no Blasfémias! Nunca gostei foi que me impinjam o que não quero, por muito que me digam que são esses os “produtos” que me farão feliz. Feitios!

Que não nos faltem as forças para combater a apatia!

Da apatia

14 Março, 2021

O Blasfémias tem um novo autor entre as suas hostes e por isso lhe dou as boas-vindas à boa e velha maneira deste Blog, dizendo-lhe que me revejo pouco naquilo que ele escreveu no seu post inicial.

Isto porque no segundo parágrafo o Ricardo Luz escreve que “o movimento liberal”, hoje, “encontra representação na política” destacando como exemplo o “Iniciativa Liberal”.

Ora, neste blog há militantes do CDS, PSD, Chega e, creio, do Iniciativa Liberal. Sei que há abstencionistas convictos, autores sem filiação ou simpatias partidárias especiais. Basta esta casa portanto (prefiro “casa” a “loja”) para se perceber que não há nem *um* nem *o* movimento liberal, nem sequer uma orientação partidária preponderante.

Por mim falo: não só não me sinto representado na IL, como continuo a considerar a sua existência um oxímoro e dificilmente me verei representado por algum partido do nosso espectro político. Não por caprichos doutrinários ou entrega a um mantra de pureza ideológica, mas porque entendo sobretudo o liberalismo como uma atitude filosófica e um modo de vida individuais, numa saudável distância dos partidos.

Acresce ainda dizer sobre o Iniciativa Liberal que, sendo justo reconhecer que votou contra quase todas as declarações do “estado de emergência”, sobre a maior a mais séria ameaça à Liberdade das últimas décadas, as suas posições públicas ou foram alinhadas com a generalidade da narrativa dominante ou traduziram-se em frouxas críticas ao que foi sendo decidido. Pior ainda, recentemente, verifiquei que a IL subscreve a alarvidade dos testes em massa e generalizados ao SCov2 assim como a obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas.

Para combater a apatia, fui hoje do Porto a Ponte de Lima.

Muito agradecido

14 Março, 2021

Faltam umas horas para ser perfeitamente aceitável, quer moralmente, quer na alegada legalidade de um “estado de emergência”, que um indivíduo se sente num banco de jardim. Nunca pensei que fosse possível escrever isto fora do domínio da literatura infantil, mas parece que é suposto agradecermos ao governo que nos passe a permitir fazermos coisas de vivos. Não querendo ficar atrás nos agradecimentos, cá vão:

Tal como uma pessoa violada deve agradecer quando o violador deixa na mesinha de cabeceira a mesma quantia que pagaria a uma prostituta, agradeço ao governo permitir-me o uso de bancos de jardim com o fato de apicultor sob o escafandro e a tripla máscara sobre a viseira. Valeu. Já nem sinto dor nem nada.

E agora essas cartas seguem para a Fundação Mário Soares?

14 Março, 2021

Cavaco Silva doa à Presidência da República100 cartas trocadas com Mário Soares

Quando Soares tudo podia quando resolveu criar uma fundação com o seu nome. Sem que se ouvissem protestos a parte dos arquivos da Presidência da República que tinham material de Soares enquanto PR foi transferida para a fundação que passou a ser paga por isso. Fazia bem ao ego de Soares e às contas da fundação. Como era óbvio a Fundação Mário Soares entrou em declínio e deficit após a morte do seu fundador. O historial da fundação é um exemplo do socialismo em Portugal: no início são só boas notícias – a comunicação social aquando da criação da Fundação Mário Soares parecia estar a relatar o nascimento de uma nova Gulbenkian – muita megalomania e dinheiro a rodos. Depois vem o acerto das contas e percebe-se que o dinheiro vai todo para os custos de funcionamento.

Entretanto nós vivemos este paradoxo: uma parte dos arquivos da PR está na Fundação Mário Soares e a Fundação Mário Soares precisa de os manter lá para poder funcionar.

Portanto e voltando ao título deste artigo, as cartas que Cavaco Silva agora entregou ao arquivo da PR vão ser depositadas onde?

Não à Apatia Geral

14 Março, 2021
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mais do que o despotismo ou a anarquia, o que importa combater é a apatia”, Alexis de Tocqueville.

O Blasfémias há muito me acompanha. Ao longo dos anos os “blasfemos” contribuíram significativamente para o meu conhecimento sobre o Liberalismo, e importância das ideias liberais. Em especial, muito fizeram pela partilha de ideias e reflexão liberal em Portugal, um país com um Estado sobredimensionado.

O Blasfémias, junto com outros honrosos blogs, foi precursor de um importante movimento liberal que hoje encontra representação, entre outros, na política com a Iniciativa Liberal, e no estudo, com o think tank +Liberdade.

É assim com especial prazer que me junto a esta Loja, não para salvar o mundo, que este já tem muitos salvadores, mas para dar o meu contributo. Para que sejam cada vez mais os que acreditam no direito à liberdade e à busca da felicidade, para si, suas famílias e comunidades, sem limitações impostas por quem lhes pretenda coartar direitos, liberdades e garantias.

Se são ainda poucos os que em Portugal prezam a liberdade, são hoje mais que ontem, e amanhã serão muitos mais. Sempre valeu a pena, e hoje vale-o certamente, lutar contra a apatia em que Portugal parece mergulhado. O Estado, importante em qualquer sociedade, nas funções que lhe cabe desempenhar, é infelizmente cada vez mais omnipresente em Portugal. Não age subsidiariamente aos seus cidadãos e organizações, mas cada vez mais os substitui, quando não mesmo os impede de desenvolverem os seus negócios e aspirações. E cresce, desmesuradamente, sugando recursos e capacidades ao país, sem os quais este não consegue florescer. O resultado são 20 anos de estagnação, e um sentimento de resignação que se entranha na população. Se tal era já um facto, e um fardo, após um ano de pandemia sentimos o país “derrotado” e a sua população cada vez mais indefesa e dividida entre os que mantêm uma situação confortável e os que perderam ou perderão muito, quando não tudo porque tanto lutaram. Tudo isto num perigoso estado de apatia geral, cujo resultado será o crescimento de perigosos populismos – outros, para além dos há muito existentes.

Para muitos a vida já hoje é má. Para todos pode um dia ser bem pior.

Urge assim combater a apatia geral!

Primavera Blasfema

14 Março, 2021
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Enfim, este rapaz não está propriamente na primavera da vida, mas mantém a energia e a dinâmica de um vintinho. E se dinâmica é algo de que os blogues vêm carecendo, ele tem o perfil adequado para refrescar e dar umas sacudidelas nesta trupe algo entorpecida de burgueses em teletrabalho.

O Ricardo Luz é pois a nossa “contratação” da Primavera do desconfinamento e um estreante na blogosfera que nos vem ajudar a rejuvenescer. Nosso fiel leitor desde os primórdios, é um conhecido de longa data e parceiro de alguns eventos co-organizados visando a expansão da “fé liberal”. Mas enquanto usávamos a pena e a palavra, ele espadeirava. Enquanto teorizávamos de forma diletante nas teclas, ele combatia no terreno a criar, a inovar, a assumir riscos.

O Ricardo é aquilo que se pode chamar um empreendedor de corpo inteiro, um espécime valioso de uma colecção rara em Portugal. Ao longo dos anos, manejando as “ferramentas” da formação, consultadoria e capital de risco, criou e ajudou à criação de uma miríade de empresas, juntou empreendedores e financiadores, articulou e federou vontades com vista à livre contratualização. Pelo meio ainda fez uma “perninha” como gestor de uma empresa pública, irritante nódoa em pano requintado e logo nele, que sempre considerou não deverem as empresas do Estado concorrerem com as privadas, porque financiadas de forma compulsiva por estas. Mas contradições e pecadilhos são um direito que também assiste aos liberais e a um Dragão dos 7 costados a absolvição é garantida…

Ele tem o sonho de um dia viver num país liberal. Está consciente que é uma utopia, mas sabe que só pela acção humana é possível torná-la realidade. Daí que persista em incansável trabalho de formiguinha a semear, a ensinar, a divulgar, acreditando que alguém poderá colher no futuro.

Obviamente que um tipo deste calibre e com tamanho potencial herético, tem de integrar o Blasfémias. Porque este é e continuará a ser um espaço de liberdade – e eles vão escasseando como se pode aferir pela censura crescente nas redes sociais – mas também pela importância de termos entre nós um “fazedor”, alguém que está ciente da importância das Instituições e que sabe como criá-las e dinamizá-las.

Caro Ricardo, muito bem-vindo a esta Loja. E a partir de agora, terás de actuar como o Camões, numa mão sempre a espada e noutra o teclado.

Valorização da marca Portugal

13 Março, 2021

Fiquei a saber que existe um “Movimento pela valorização da marca Portugal“.
Parece que os cândidos membros desta agremiação têm um “desígnio” e, como não poderia faltar a uma boa peça de lero-lero, um “compromisso de uma década“.

Estes líricos marketeiros não dizem apenas coisas patuscas.
Apresentam um programa concreto e focado em três pontos para cumprir o tal “desígnio”, que passo a citar:

  • aumentar o valor dos produtos e serviços exportados
  • atrair cidadãos do mundo para virem estudar, trabalhar, viver ou investir em Portugal
  • promover a transição de uma economia de produção para uma economia de marcas de valor acrescentado

E pronto! Vêem como é simples? É só fazer o que está dito acima e cedo Portugal se tornará afamado por ser um país estupendo e, sobretudo, ter marketeiros magníficos.

Os promotores desta meritória iniciativa dizem que agora só “falta continuar a mobilizar o apoio de entidades públicas e privadas“. Acrescentam que o país tem de “colocar na agenda a transição para o valor acrescentado” e, obviamente, ter-se-à de “usar a bazuca europeia para isso“.

O conto de fadas estava maravilhoso até ao momento em que a história acaba (ou começa) no bolso dos contribuintes.

ditadura

13 Março, 2021
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O Senhor Primeiro-Ministro acha uma maçada ter de governar pela Constituição e que ver-se livre dessa tolice dos decretos de estado de emergência para nos confinar à sua vontade. O Dr. António Costa acha que o Estado de direito é ele. O Dr. Costa prepara a sua ditadura.

Isso de um só mandato só se aplica a Joana Marques Vidal

13 Março, 2021

Observa certeiro o Eduardo Cintra Torres hoje no CM: «Um mandato, afinal, é mesmo uma excepção. Marcelo nomeou esta semana os representantes da República nas regiões autónomas para terceiros mandatos. Ao terminarem, estiveram no cargo 15 anos. Em 2014 Marcelo defendia um só mandato até para a chefia do Estado — mas vai no segundo. Está-se a ver que isso de um só mandato, para ele, só se aplica a Joana Marques Vidal. Ele sabe porquê.»

Morto, enterrado e de ressureição suspensa

12 Março, 2021

Um professor ou um auxiliar de uma escola poderia argumentar que não tem nada que ser testado para que o resultado do teste tranquilize a comunidade de formiguinhas que o têm como obreiro, nem que não o quisesse fazer por motivos que nem sequer interessam. Poderia, mas o mais provável seria ser despedido. Dir-se-á que manda a OMS que assim seja, porque uma “pandemia” origina situações extraordinárias, nomeadamente a de que a democracia liberal pode ser suspensa por indivíduos não-eleitos.

E assim se demonstraria que isso do liberalismo já há muito apodreceu no túmulo.

Sensatez e responsabilidade

12 Março, 2021

Parece que há gente a dizer que António Costa esteve bem ontem à noite, sendo o plano de desconfinamento considerado, apesar de tudo, sensato e responsável.

Pois badamerda para quem não distingue sensatez e responsabilidade de eugenia institucionalizada, tirania em curso e estupidez criminosa.

Basta ver e ouvir isto:

Acordamos na República Popular da China?

11 Março, 2021

E de repente foi como se tivéssemos acordado na República Popular da China. O país foi invadido por centenas de bandeiras vermelhas, com foice e martelo, do Partido Comunista. Para quê? Para comemorar os 100 anos de vida desta ideologia ditatorial, que matou milhões de pessoas e ainda mata, tortura, e escraviza, no presente.

Ler mais…

Deixe-se de se desculpar com os filhos!

11 Março, 2021

Não tenho qualquer paciência para o feminismo-activista de “não fizemos porque os homens não nos deixaram” mas tenho ainda menos paciência para os homens que se escondem atrás da família. O candidato da IL à câmara de Lisboa não achou nada mais apropriado para explicar a sua desistência do que invocar a privacidade dos filhos: “A privacidade de 3 filhos menores vale mais do que qualquer política. A verticalidade e seriedade também.” Miguel Quintas está a gozar connosco? Precisou de ser candidato para perceber que é pai? E a que título a sua candidatura afectava a privacidade dos filhos? Deixe-se de tretas, está bem?!

O BE a defender que os portugueses não beneficiem de novas vacinas para novas doenças

11 Março, 2021

Covid-19: BE quer que Governo defenda levantamento das patentes das vacinas

Entretanto sob a retórica da bondade aprova-se legislação que vai condicionar as nossas vidas

11 Março, 2021

Wendel Trio e Francisco Ferreira escrevem hoje no PÚBLICO um artigo intitulado: “Um momento decisivo para a Lei do Clima Europeia” . No meio da pandemia está a acontecer a aprovação de legislação muito interventiva. E está a acontecer sem que se preste grande atenção. Rapidamente vamos acordar com mais impostos, mais condicionamentos, mais estatismo e mais burocracia revestidos sob a forma de lei e do embrulho do “salvar o planeta”.

Vil excrescência social

10 Março, 2021

No meu video de hoje falo da distopia do feminismo que promove hoje uma agenda totalitária por via legislativa, alapando-se na força da máquina do Estado para aceder a posições de privilégio.

No espaço politico-mediático quem questiona a narrativa da propaganda do feminismo e o mal-amanhado enredo da suposta defesa da igualdade é considerada uma vil excrescência social.

Mas, na verdade, defender uma sociedade aberta, livre e tolerante é rejeitar o feminismo.

A minha crónica está disponível aqui:

Desmontando a eco-patranhologia

10 Março, 2021

Não se aguenta a sucessão de estrelitas, jornalistas fofinhos e demais pessoas com medo de pensar que desataram a repetir umas tolices sobre o vegetarianismo enquanto opção “amiga do ambiente”, para “salvar o planeta” e outras tolo-bondades.

Faltam artigos a desmontar esta eco-patranhologia. Por isso aqui fica o link para o artigo que o engenheiro agrónomo Luís Nabais publica no Observador: ” A área de terreno disponível para a produção de vegetais para consumo humano é muito limitada. Se grande parte dos terrenos do planeta são usados pelos animais como pastagem – fornecendo muita da carne que comemos – a maioria desses terrenos não tem capacidade para produzir algo que o ser humano possa consumir. (…) Dizer que bastaria cultivar nos terrenos ocupados pela produção de carne é demonstração de um desconhecimento atroz. É a própria FAO e respectivos cientistas que afirmam que 86% do que os animais comem não é adequado ao consumo dos humanos.»

Celebração a valer era o PCP fazer um cartaz com esta foto que está quase a fazer 45 anos

9 Março, 2021

Esta foto hoje algo esquecida consta do livro “Álvaro Cunhal, Herói Soviético” de Francisco Ferreira. Foi tirada no Congresso do PCP que teve lugar em 1976 e mostra um Cunhal rejubilante a transportar a bandeira do Comité Central do Partido Comunista da URSS. Após este Março ter transformado várias praças de Portugal numa espécie de Estalinegrado, o PCP bem pode fazer uns cartazes com esta foto para assinalar os 45 anos deste momento histórico.

Um país, dois sistemas

9 Março, 2021

O governo socialista tem vindo a incrementar o numero de situações onde existem tratamentos ou estatutos diferenciados de cidadãos portugueses. Seja no acesso a serviços de saúde, nos horários de trabalho, na legislação laboral, nas condições de acesso a pensões de reforma, entre outros.

Agora, em plena pandemia, entende o governo criar uma nova modalidade divisória, entre aqueles que são abrangidos pelos planos de despistagem e teste à covid e aqueles que ficam de fora. O universo é o mesmo, alunos, professores e demais trabalhadores de escolas. A diferenciação é se uns são do ensino público e os outros do ensino privado, sendo que neste último caso ficam de fora. 

É certo que os ministros Brandão Rodrigues e Marta Temido se tem destacado nesta pandemia por uma especial sanha persecutória de cariz ideológico contra tudo o que não seja do sector público. Mas neste caso creio bem que terão levado a sua incompetência um pouco longe de mais.  O objectivo da despistagem regular ficará sensivelmente comprometido se uma parte significativa do universo escolar for dela excluído, tanto mais que as duas comunidades tem muitos vasos comunicantes (irmãos de alunos num sistema e noutro, pais e filhos, marido e mulher, etc.). 

Violação institucionalizada

9 Março, 2021

Ninguém me pediu autorização para que os meus filhos sejam testados na escola, portanto escusam de os contabilizar nas contas desses testes gratuitos. É dinheiro que pode ser usado com gente que precisa da tranquilidade de saber que não vivem com uma prole de leprosos com sarna. Isto é pertinente porque também ninguém me pediu autorização para enfiar umas cuecas na cara dos meus filhos, outra coisa que não posso autorizar. Se é para abrir escolas para lhes ensinar que são propriedade do estado para que este decida o que têm que usar e os benefícios para a sociedade da monitorização permanente do seu estado vírico, mais vale que não abram. Na realidade, mais vale que seja demolidas. Uma sociedade de analfabetos é, mesmo assim, preferível a uma sociedade de embrutecidas formigas.

Consta que havia por aí liberais. Eles que apareçam.

Nacionalize-se o ensino privado

9 Março, 2021

Se o hedonismo, hipocondria e alucinação colectivas reclamam que as crianças sejam usadas e sujeitas a sevícias de testes inúteis ao SCov2 para conforto de gente que teria idade para ter juízo, pois nacionalize-se o ensino privado.

Assim, com a força da máquina estatal, por atacado facilitar-se-à o roubo da infância e juventude através do uso obrigatório de máscaras nas escolas, bem como a futura vacinação, na práctica mandatória, de pessoas em idade em que deveriam ter contacto natural com vírus.

Uma realidade bruta e cruel ofuscada pelo folclore da luta contra isto e aquilo

8 Março, 2021

I) A Segurança Social está a tentar encontrar vaga num centro educativo para os dois suspeitos do homicídio de Lucas Miranda, de 15 anos, com quem a dupla estava internada num centro de acolhimento em Setúbal. Os dois rapazes, de 16 e 17 anos, foram detidos na sexta-feira pela Polícia Judiciária, mas a juíza que os ouviu determinou que voltassem à instituição de acolhimento onde viviam e que se apresentassem todos os dias à GNR. Resultado: a direção da instituição foi obrigada a mandar para casa as 16 crianças e jovens que ali tinha à sua guarda, por razões de segurança.

A juíza pensou no que decidiu?

II) Nessa noite já só ficaram no Centro dois jovens: um de 18 anos que não tem família que o acolha e que vive ali; e um outro cuja mãe é motorista de longo curso e não pôde ir buscá-lo de imediato. Já na noite de sábado ficaram os dois suspeitos e estes dois rapazes, com as funcionárias que os guardavam em pânico. É que, segundo contou o presidente da Associação Tabor, Carlos de Sousa, os dois suspeitos do homicídio do jovem Lucas terão sido ameaçados de morte por telemóvel e por isso, nessa noite, muniram-se de ferros. Os outros dois, temendo pela sua integridade física, fizeram o mesmo. “Tanto os funcionários como os jovens que ali pernoitaram estavam em pânico”, descreveu Carlos de Sousa ao Observador.

A lei da selva: todos munidos de ferros para o que der e vier.

III) Os dois suspeitos já teriam na sua ficha o registo de outros crimes, por isso foram ali colocados. Aliás, esta segunda-feira uma das funcionárias da instituição acabou mesmo por formalizar uma queixa-crime contra um deles por ameaça. “Este Termo de Identidade e Residência devia ter sido determinado para outro sítio”, acrescenta Carlos de Sousa, que reconhece que os únicos seis centros educativos (para jovens que cometem crimes) que existem no país estão cheios e sem capacidade para receber mais jovens. Assim, as instituições de acolhimento de jovens que recebem aqueles que têm problemas familiares acabam por acolher também estes casos.

Instituições de acolhimento ou inferno anunciado?

IV) Por outro lado, os próprios profissionais da instituição estão em risco. “São na maioria mulheres e não têm formação para lidar com estas situações”, acusa Carlos de Sousa, que garante estar frequentemente a prestar-lhes apoio psicológico.

Uns dormem com barras de ferro, as funcionárias mantêm-se em pânico mas felizmente prestam-lhes apoio psicológico.

V) Neste momento, os 16 jovens que foram enviados para casa estão numa situação pouco comum, uma espécie de “intervalo”, como descreve Carlos Sousa, das medidas determinadas pelo tribunal e que os levaram ali. Só quando a Segurança Social encontrar uma alternativa para os suspeitos de homicídio, é que eles podem voltar.

Em resumo, a grande urgência na vida dos jovens é o poder mudar de sexo sem autorização dos pais.