Arrefecimento global atinge Obama no Porto
Post de convidado: José Silva
Não há forma de o clima político aquecer na segunda cidade do país.
Tolhidos de frio, os autarcas da oposição andam calados, aqui e ali reclamando por algum caixote do lixo mal lavado pelos serviços camarários. E isto só de longe a longe.
Não admira pois que o ex-Presidente americano tenha congelado nas fotos que fez com os VIPS do Porto, mesmo que só tenha estado na cidade uma curta hora.
Ou é gelado ou de cera mas o senhor é de fazer pena, nem mexe.
Ora veja:

Fim de post de convidado: José Silva
Os clubes de Tae-Kwon-Do de Pedrouços
O Senhor Martins foi o primeiro a abrir um ginásio de Tae-Kwon-Do em Pedrouços. Ele treinava com o Mestre Fagundes, que já era quase cinto castanho, num sótão no Porto que tresandava a suor masculino — mais ou menos como uma sauna progressista, pelo que me contam —, mas com menos humidade. Íamos todos, alegremente, motivados pela inocente convicção de que, rapidamente, aprenderíamos a dar cabo do canastro de um daqueles ninjas do Canidelo que atacam na dianteira de uma formação-em-cunha de um homem só na noite de São João, aprender umas palavras em coreano e a gritar do goto sempre que exalávamos. Que mais poderia pedir ao mundo um rapaz de 12 anos?
Um dia, descobrimos que o Senhor Martins delegava as aulas ao Berto, o nosso cinto amarelo, para ter reuniões com a sua secretária pessoal, a Deolinda, uma moça muito bonita que tinha chegado há pouco de França, onde nascera. A burocracia de manter um ginásio a funcionar num prédio inacabado por obra embargada era areia a mais para a nossa camioneta de compreensão, exigindo reuniões constantes entre o Senhor Martins e a Deolinda numa zona a que era necessário aceder por uma escada de alumínio e que, na altura, não compreendíamos. Eu, na altura, era tão inocente que até suspeitava, na candura típica da infância, que iam era lá para cima mas é para terem relações sexuais.
O Tae-Kwon-Do é um desporto espectacular que consiste em fazer duas vénias, uma ao adversário, outra ao mestre, antes de se iniciar a arte que consiste em ver quem primeiro parte uma costela ao outro. O desporto faz sempre bem às crianças, que hoje em dia andam perdidas com coisas como jogos de computador ou pornografia da internet, ambos um autêntico nojo para as aprendizagens necessárias a um homem dos subúrbios.
Fartos de tanta papelada a tratar entre o Senhor Martins e a Deolinda, um sub-grupo dos atletas (em sentido lato) decidiu formar a sua própria escola. Saímos todos (não todos, mas, como tínhamos razão, é melhor usar um pequeno exagero), deixando a Deolinda quase desempregada das suas funções associativas, mesmo que as reuniões com o Senhor Martins continuassem, agora mais frequentemente na Pensão Zulmira. Fundamos, cheios de orgulho, o Grupo Renovador de Tae-Kwon-Do de Pedrouços.
No primeiro campeonato da autarquia tivemos oportunidade de competir uns contra os outros. Foi lindo: é preciso treino para, com as protecções de corpo que o desporto exige, conseguir acertar exactamente no ponto desprotegido do nariz de forma a que este parta sem grande alarido, só com algum sangue, como na matança do porco mas sem guinchos; o Alfredo era exímio nessa técnica. Depois mete-se um bocado de algodão nas narinas, o que não ajuda muito a respirar, mas estanca o sangue, e o desporto segue o seu curso normal, o de conseguir o mesmo feito no nariz do adversário. Para quem gosta de fluidos corporais, terei que admitir que é mesmo muito bonito, como uma explosão de cor e som.
Bem, depois desse campeonato houve uma cisão no grupo por motivos não especificados e formou-se a nova escola de Pedrouços, o Grupo de Tae-Kwon-Do de Pedrouços Norte, situado no extremo este da freguesia. O Tae-Kwon-Do de Pedrouços era uma referência nacional, apenas superado pelo do Sporting, do Amora, de uns gajos de Faro, de Coimbra, do Porto (quatro ou cinco), de Esmoriz, de Vila Chã, de Valença do Minho, de Ponte da Barca, de Freixo de Espada à Cinta e só mais uns vinte ou vinte e dois clubes das maiores vilas dos concelhos menos populosos do país.
Depois, com os jogos olímpicos de Seul, aquilo banalizou-se. Perdeu a piada. Quer dizer, houve quem continuasse, mas já toda a gente estava um bocado farta da coisa: a Deolinda engordara, a mulher do Senhor Martins suicidara-se e a Luísa engravidara do Berto (que já era cinto verde na altura, destruindo-lhe a carreira desportiva).
Contei esta história porque o Tae-Kwon-Do mundial continuou, apesar do declínio da potência do Tae-Kwon-Do de Pedrouços. O mundo seguiu sem nós, ou nós sem ele, o que vai dar ao mesmo para o caso. Podia dizer que me arrependo, mas não o vou fazer: foi uma experiência positiva, aprender a partir o nariz, principalmente o meu, e, para todos os efeitos, era só Tae-Kwon-Do, não era um partido político.
será isto tão difícil de compreender?

Uma empresa é uma conjugação de recursos humanos e materiais, com o objectivo de prestar serviços a clientes (mercado) e, com isso, obter um resultado financeiro que cubra os custos correntes, permita o eventual crescimento do negócio e remunere o capital e o esforço investidos (lucro).
Quando uma empresa apresenta resultados negativos anuais sucessivos, isso pode significar duas coisas que, em última análise, redundam numa só, que é a última das duas: que a empresa produz bens e serviços de que o mercado não necessita; que a empresa é mal gerida, isto é, que a afectação dos seus recursos não cumpre os desígnios necessários aos seus pretendidos fins.
Vindo isto a propósito desta notícia sobre a CP, várias coisas se tornam necessárias ponderar.
Primeiro, a decisão dos actuais governantes em reverterem o processo de privatização em curso lançado pelo governo anterior. Na altura, a coisa foi posta como sendo a defesa dos interesses nacionais e da população, que a privatização – visando o maldito lucro – poria em causa. Analisada a decisão pelos seus resultados, a CP encontra-se à beira de uma iminente e ruinosa falência, a que a decisão conduziu.
Segundo, que os serviços que a CP presta ao país são necessários e têm clientes. Bastará ver, por exemplo, a permanente indisponibilidade de lugares nos Alfa, por sinal os comboios mais caros da companhia, para se tirarem conclusões. E estas só podem ser que, como a empresa tem clientes e presta um serviço fundamental ao mercado, ainda por cima em regime de monopólio, a sua situação financeira só pode ser explicada por má gestão da empresa.
Terceiro, que a empresa já estava em situação financeira muito grave quando os anteriores governantes a quiseram privatizar. Aliás, foi por isso mesmo que o tentaram fazer: para desonerarem o estado de mais responsabilidades no pagamento das dívidas sucessivamente acumuladas por uma gestão incompetente e irresponsável, entregue frequentemente a boys and girls dos partidos do regime.
Quarto, sobre o futuro da companhia: como não foi privatizada mas a sua actividade não poderá cessar, por mais falida que esteja, os aportes de capital necessários a que continue a trabalhar serão cobertos pelo estado. E, como quem diz estado diz contribuintes, será mais uma conta – e uma conta muito pesada – a cobrir pelos nossos impostos, com o sacrifício de (quase) todos.
Quinto, como o estado entrará com o dinheiro estritamente necessário à satisfação das necessidades mais urgentes da empresa, ele servirá apenas para pagar aos credores imediatamente indispensáveis à continuidade da sua actividade, pelo que não sobrará qualquer dinheiro para investimentos. Ou seja, as condições de funcionamento da CP vão continuar a degradar-se e os clientes serão cada vez pior servidos.
Sexto, e último, qual seria a diferença, para os consumidores, da privatização da CP? Porventura os carris desapareceriam? Os comboios deixariam de circular? Claro que não: a empresa seria vocacionada para ter lucro, isto é, para ter mais clientes e servi-los melhor, porque, de outro modo, passariam a fazer os seus trajecto de outro modo – carro, camionete, etc., e a empresa continuaria a acumular prejuízos. Com a vantagem de que seriam os novos donos da companhia a assumirem os custos do passivo e os de investirem num negócio que, sem prosperar, estaria condenado ao fecho e à perda do capital investido. O que, obviamente, nenhum investidor deseja.
Em conclusão: empresas + privatização + lucro = serviço público e satisfação dos clientes; e empresas + estado + gestão partidária ruinosa = prejuízo + mau serviço + aumento de impostos. Tudo o resto é preconceito ideológico. Será isto tão difícil de compreender?
E se investigar com pseudónimo pode ser?
O biólogo espanhol Francisco José Ayala professor no centro de investigação California Irvine foi acusado de assédio sexual. As decisões do reitor da UCI é um documento aterrador: su nombre será eliminado de la Escuela de Ciencias Biológicas y de la Biblioteca de Ciencias, así como de las becas de posgrado, los programas académicos y las cátedras de investidura. Además el biólogo presentará su dimisión con fecha 1 de julio y “se abstendrá de futuras actividades universitarias“.
A catástrofe das 35 horas no SNS
Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…
Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança – ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um “assassinato” previsível ao SNS.
A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?
Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika, já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que mandou prosseguir com as obras no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.
Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para ver. Ok. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!
Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!
Acampamento da Liberdade 2018 – Programa anotado

Bem-vindos à primeira sessão do acampamento em que discutiremos a saída do euro. Por falar em saída de euros, já pagaram os vossos 40 pelo acampamento?

Depois do almoço iremos falar em democratizar os debates. Primeiro passo: abdicarmos dos apelidos. O Pedro, o Pedro e o Pedro podem falar primeiro.
O convidado para o debate sobre trabalho sexual está por confirmar. Ainda estamos a negociar o preço.
Depois do jantar teremos filmes de uma dimensão cultural profunda sobre temáticas políticas contemporâne… naahhh…estava a brincar… vamos pôr umas merdas só para ter barulho de fundo enquanto fumamos umas ganzas antes da festa.
Desconstrução da masculinidade tóxica. Há voluntários?
3 bebidas grátis para as mulheres (para compensar o wage gap).
Hehehe, pusemos a Catarina Martins a falar a um sábado de manhã depois da festa feminista. Se sentirem uma dor de cabeça não é da voz dela.
Propriedade é roubo! Ouviste PCP?
Vamos começar o debate sobre desobediência civil. Façam o favor de se sentar e calar para ouvirmos os líderes da sessão.
Acabamos na segunda-feira com uma mega limpeza. Aqueles que, por ainda viverem com as mães, não souberem o que isto significa, estão dispensados. Os restantes 10% podem trazer a respectiva empregada doméstica se assim o desejarem.
No meu corpo mando eu… mas só às vezes
Escolher como e quando alguém do SNS porá fim à nossa vida tornou-se a maior liberdade já escolher que se quer fazer uma “terapia de reorientação sexual” deve ser criminalizado. Não está em causa o que se pensa ou deixa de pensar sobre estas “terapias de reorientação sexual” ou sobre a eutanásia mas tão só como vivemos no totalitarismo do absurdo
8 / 3 / 15 / 326.000.000.000

Quando vi o professor Mário Nogueira, líder da FENPROF, ostentando um alfinete de peito com os dizeres “9 anos, 4 meses e 2 dias”, o tempo de serviço que os sindicatos desejam ver repescado para efeitos de progressão na carreira, achei piada à estratégia. (Começo por esclarecer que uso o termo “alfinete de peito” por ser o único que conheço que não tem a letra R na segunda posição. Se optasse por “pregadeira” ou “crachá”, podia despertar no leitor a expectativa de um trocadilho ao jeito do imortal “Bosch é brom” do Alexandre O’Neill, expectativa essa que, dadas as minhas competências, seria impossível de satisfazer). A frase é impactante, e faz lembrar o filme romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, uma fita tão real, crua e bem feita que gostaria imenso de nunca a ter visto. A grande diferença é que o alfinete de peito de Mário Nogueira representa aquilo que muitos julgam que aconteceria se o comunismo triunfasse no nosso país, enquanto a obra cinematográfica romena representa aquilo que de facto acontece a um país quando o comunismo triunfa. Como reza o adágio, a estrada para o inferno é quase sempre pavimentada com as melhores intenções.

Não sei como é que o governo vai resolver esta negociação com os sindicatos dos professores. Se o primeiro-ministro ainda fosse Pedro Passos Coelho, sugeria-lhe que comparecesse nas reuniões usando uma peça redonda igual à da FENPROF com a inscrição “8 anos, 1 mês e 20 dias”, o tempo durante o qual, entre 2010 e 2018, a troika assentou arraiais na Grécia. Como é António Costa, que elogiava a “resistência” grega e criticava a “submissão” passista, não tenho sugestões de adereços. Numa altura em que o próprio Tsipras se rende à burguesa gravata, é muito difícil conseguir surpreender alguém com ornamentos.

O caso do líder grego é, pois, extraordinário. Depois de 5 anos a servir-se da troika para conseguir, através da demagogia, chegar ao poder e de 3 anos a servir a troika para conseguir, através dos empréstimos, exercê-lo, aprendeu a dar um nó de gravata! O meu pai ensinou-me essa habilidade em 10 minutos e de graça; Alexis Tsipras precisou de 8 anos, 3 resgates financeiros, 15 pacotes de austeridade e 326 mil milhões de euros de empréstimos.
Um dia ouvi dizer que os homens se dividem em dois grupos: os que desfazem o nó da gravata antes de a guardarem no armário, e os que a arrumam com o nó feito para evitar o risco de não conseguirem repetir a manobra. Dado o preço das aulas e para bem da carteira dos gregos, esperemos que Tsipras faça parte dos segundos.
O Porto é gay!
Mais uma enorme marcha em nome da liberdade e do progresso social. Uma grande festa ontem no Porto.
O CDS sabe fazer contas?

Numa acção de rua (provavelmente merecedora de maior cobertura jornalística) com o objectivo de alertar para o peso colossal dos impostos sobre os combustíveis, as contas do CDS são de que em 50€ pagos, 26,20€ são impostos e, portanto, o valor do gasóleo é de 23,80€ (23,80+26,20 = 50).
Assunção Cristas diz que “mais de metade da fatura que se paga é de impostos” e que os portugueses “não têm ideia da proporção” (de imposto). Pois eu digo: nem o CDS!
Se o valor monetário do gasóleo é de 23,80€ e o imposto que se paga é de 26,20€, então a taxa de imposto é de 110%. (26,20 / 23,80 = 1,10).
Se é para fazer contas a sério e lutar contra o saque fiscal, o número a ter em conta é 110%. Repito: 110%.
*
Para mim, vinda de um país onde praticamente não se conheciam grupos de defesa dos direitos dos homossexuais – o primeiro a surgir foi no contexto do PSR (partido que mais tarde, em 1999, se fundiria no BE) com o nome Grupo de Trabalho Homossexual, em 1991 – e, sobretudo, os poucos que existiam não tinham eco mediático, a reportagem foi uma espécie de workshop sobre questões que nunca me tinha colocado, apesar do meu interesse pelo assunto. E a primeira vez que me confrontei com os dilemas profundos da noção de coming out e, antes disso, da de “identidade homossexual”.
Afirmar a “diferença” para chegar à indiferença que advém da igualdade plena: o paradoxo continua a fazer curto-circuitos em muitas cabeças (link)
É hora de polir a arma
jericonça
Dizem as más línguas – coisa a que, por aqui, se não dá qualquer importância – que o animal político que nos governou nos últimos quatro anos se prepara para mudar de classe no reino animal, em virtude do expectável cruzamento do PS com o PSD e do consequente abandono dos parceiros do ainda trio poliamoroso PS-PCP-Bloco, de «Geringonça» para «Jericonça». Adivinhem, lá agora, quem são os jericos e quem é o amigo da onça.

Ministro raríssimo

Quando eu pensava que a volúpia de proxenetismo tinha abrandado, eis que Vieira da Silva volta à carga afirmando que o caso Sócrates foi um momento de enorme dificuldade e dor.
A lavagem da história recente e o cavalgar do vitimismo continuam.
Desculpas ou arrependimento, nem vê-los!
*
equidade justiceira
Gostava de ver os tipos que se estão sempre a queixar do Soares dos Santos, porque parte dos lucros da Jerónimo Martins são tributados na Holanda, reclamarem, agora, a tributação lusitana dos 500 mil que o Obama cá veio sacar. É verdade que o pobre homem voltaria para os EUA quase sem nada no bolso, mas sempre era uma questão de equidade fiscal e justiceira
Obama no Porto: clap! clap! e o público aplaudiu.
Post de convidado: José Silva

Comecemos pelo mais simples: a vinda a Portugal de um ex-Presidente dos EUA para uma conferência é uma optima oportunidade. Seja a pessoa em concreto quem for, é um político com uma experiência ímpar. Ouvi-lo só pode ser enriquecedor. Ou não…
Ninguém percebeu ao certo ao que é que ele vinha cá e menos ainda quem pagou. Vem para uma conferência sobre o clima chamada summit. Hoje tudo o que seja summit é bom e portanto anda bem. E veio pago pelo vinho do Porto e pela Câmara do Porto. Ok, vamos assumir que foi assim…
Oito e meia e era o caos na porta do Coliseu do Porto. A rua estava fechada ao trânsito e parte desta ocupada por protecções metálicas. Ninguém pagou directamente para estar no Climate Change Leadership Summit (é este o nome oficial). Os 3.000 participantes foram todos convidados. Péssima notícia, metade deles decidiu ser pontual. Na barraquinha de entrada, encafuada numa garagem de recolhas do outro lado da rua, era-lhes colocada uma etiqueta no pulso e uma badana ao pescoço com a sua própria foto. Lentíssimo, este processo fez formar filas (bichas, como se diz a Norte) de mais de uma hora.
Era demorada a credenciação (nome local check-in) mas felizmente fácil a entrada: ninguém confirmava se quem entrava correspondia à foto. Já no edifício, um controlo final, tipo aeroporto, “ponha a carteira na máquina” e lá passavam as roupas e carteiras pelo raio x, aqui e ali obrigando a revista a quem se atrevia a passar com algumas moedas no bolso.
A sessão abriu atrasada, está visto. Rui Moreira, o edil Portuense fez uma mini intervenção, sem alusão ao facto de a sala estar a meio pano e mandaram entrar os oradores. As primeiras intervenções marcaram o tom futebolístico do dia: eram tão redondas que podiam estar ali ou num relvado da Rússia. A sala entretanto foi-se compondo e a fila de entrada escoando.
o iluminado
Depois de Madona, foi a vez de Barack Obama, outra estrela planetária, prestar alguma atenção ao nosso país. Veio ao Coliseu do Porto, falou durante uma hora, não se deixou filmar nem gravar, e limpou-nos 500 mil euros, que não serão certamente tributados em Portugal mas nos EUA, provavelmente através de uma Fundação ou ONG da sua coutada, para que ele possa gozar melhor o imenso trabalho que aqui teve. E o que veio dizer-nos este extraordinário guru dos tempos modernos? Pelo que ouvimos na TSF, meia-dúzia de banalidades sobre as transformações do clima, outras tantas sobre o poder democrático, enfatizando sempre que este deve ser exercido «de baixo para cima», a partir do «cidadão comum», expressão que, de acordo com a emissora televisiva, repetiu ad nauseam. Ora, havendo «cidadãos comuns» logo se depreende que, na iluminada mente de Obama, existirão «cidadãos excepcionais», ou, para não quebrar inteiramente o tom democrático e humanista, «cidadãos incomuns«. Nestes últimos certamente que se colocará o ex-presidente Obama, já que um «cidadão comum» dificilmente conseguirá extorquir 500 mil euros por uma hora de paleio a alguns papalvos dispostos a pagarem-lhe essa obscena importância. Apenas falhou, no raciocínio de Obama, um pequeno pormaior: é que foram esses mesmos «cidadãos comuns» que mandaram Hillary Clinton, e ele mesmo, pastar caracóis, e elegeram um sujeito de quem sempre diz mal quando abre a boca, o que fez no Coliseu, provocando espasmos nalgumas das senhoras presentes. Nem depois da derrota humilhante que teve, Obama é capaz de um exercício de alguma humildade. O que não deixa de ser compreensível para quem tem quem lhe pague uma hora de trabalho tão cara.
Extraordinário texto de Fernanda Câncio
Não; os papéis de género, os estereótipos de género não são um produto do delírio vitimista das e dos feministas. São muito reais e têm efeitos muito reais. É por assim ser, e por estarem tão enraizados e naturalizados, que é fundamental desconstruí-los, chamar a atenção para eles. Esta luta, ao contrário do que tantas vezes se diz, não é “simbólica” nem “fútil”. Porque foram os estereótipos de género que até 2015 (2015, leu bem) determinaram que o contrato coletivo de trabalho da indústria corticeira estabelecesse salários mais elevados, na mesma função, para os homens. E são os estereótipos de género que, ao manter a famigerada “divisão de tarefas”, mais contribuem para o declínio da natalidade. Longe de serem uma “luta ridícula”, e “fora da realidade”, são a essência do problema, e de vários problemas. Ridículo é negá-lo. (link)
Citações para não-conservadores
A liberdade sexual de hoje é, para a maioria das pessoas, apenas uma convenção, uma obrigação, um dever social, uma ansiedade, um componente fundamental do modo de vida consumista.
— Pier Paolo Pasolini, gay, católico, comunista
A ler: Fernanda Câncio no DN
Casos como o de Nicol são a minha raison d”être como jornalista, malgrado tratar-se de uma profissão extenuante, muitas vezes frustrante, cada vez mais mal paga e maltratada. Casos como o de Nicol são a certificação da necessidade do jornalismo, o seu estandarte. Nenhuma alteração tecnológica ou de suporte muda isso – com o on line, podemos publicar logo que está pronto, o que é bom; gosto dessa fluidez. Mas não somos o FB, não somos o Twitter, não somos nem podemos ser “sites” propagadores e agregadores de “conteúdos”, angariadores de cliques e likes. Somos profissionais com exigências técnicas e éticas muito claras e a obrigação de as defender. Ou somos nada.
(link)
Isto agora é só o que vocês querem? Metam Marco Paulo
O viés de confirmação é a tendência que temos para interpretar factos de forma a que se confirmem as nossas convicções iniciais. “O Hitler até gostava de animais” só tem particular interesse para o veterinário a quem calhe a tarefa de diagnosticar o cão do falecido führer; para os restantes, eventualmente excluindo psiquiatras, não acrescenta qualquer informação. A uma discussão sobre a IIª Guerra Mundial acrescenta absolutamente nada.
Aliado ao viés de confirmação há um outro fenómeno interessante a que, por défice de conhecimentos sobre o assunto, chamarei simplesmente de quanto-mais-me-disserem-que-estou-errado-mais-eu-tenho-a-certeza-que-estou-certo.
Vem isto a propósito de uma discussão ocorrida nos idos de 1994 entre o Zé e o Nuno. Não vem ao caso o tópico da discussão, até porque, do que me lembro, terá sido igual às anteriores: a insaciável sede pela busca das insanáveis diferenças entre o Zé e o Nuno. O problema, naturalmente, não residia nas diferenças de opinião entre o Zé e o Nuno; residia, sim, como um espigão cravado no polegar, na necessidade de cada um mostrar ao outro quem estava errado.
Os Dire Straits têm uma canção de um álbum de 1982, “Industrial Disease”, que tem uma linha particularmente engraçada sobre dois homens no Speaker’s Corner de Hyde Park: two men say they’re Jesus, one of them must be wrong.
A dada altura, o Zé virou-se para o Nuno e disse: “quanto mais penso que estou certo, mais me dou razão”. Foi aí que percebi quem estava errado.
Entretanto, a canção segue com there’s a protest singer singing a protest song. Isto toca-me no coração, admito, porque se há coisa que eu gosto é de tipos que cantam canções de protesto: têm a virtude de, independentemente de provados errados pela História, não se conformarem e continuarem a cantar. Continuam é a ser más canções na mesma.
Adenda: o título é uma alusão a este artigo.
Ratos de sacristia e contrabandistas
Ratos de sacristia e contrabandistas (minha tradução livre do original inglês “Baptists and Bootleggers”) é um conceito usado em economia para exprimir a forma como grupos com posições tão opostas podem, por vezes, beneficiar de trabalhar para o mesmo fim (ainda que de forma implícita). A expressão surgiu por referência à forma como as forças conservadoras (baptists) e os contrabandistas de álcool (bootleggers) colaboravam para manter a proibição do álcool. Os conservadores religiosos poderiam manter a face da virtude e os contrabandistas ganhar dinheiro a vender às pessoas o que elas queriam. Quem defendesse o fim da proibição era imediatamente acusado de querer atentar contra a moral e bons costumes em campanhas lançadas por forças religiosas e financiadas por contrabandistas. Não é muito difícil de ver situações semelhantes hoje em dia. Os argumentos extremados de uns servem na perfeição os argumentos extremados de outros. Quanto mais visível e extremo for o inimigo de um lado, maior a reacção do outro. Até um dia.
Partido conservador
Um leitor cauteloso:)

Porque não vão buscar os venezuelanos?
E não é que nós, um país em pré-falência do Estado Social, que não tem condições mínimas para cuidar dos que estão cá dentro, solidariza-se e prontifica-se a receber milhares de migrantes da Turquia, Egipto e costa Africana onde não há guerra e sob o estatuto de refugiados? Esta semana a nossa bondade foi tanta que aceitamos receber a carga humana do Lifeline, um navio sob suspeita de tráfico humano e retido pelas autoridades, rejeitado e bem por Itália. Mas se é por mera questão humanitária porque não vão buscar os 500 000 luso-descendentes que estão em perigo na Venezuela?
A verdade que ninguém conta é que tudo se resume a dinheiro e poder. A crise humanitária na Venezuela só interessa aos EUA que, enquanto o nosso Primeiro Ministro e Presidente da República foram ver a bola à Rússia, os americanos foram pressionar Nicolás Maduro que está literalmente a matar seu povo. Aos olhos da UE e da ONU os venezuelanos bem que podem morrer de fome e violência que não lhes interessa nada. Interessa sim dar seguimento à agenda de Soros que não é mais do que aplicação do Plano Kalergi, que é paga a peso de ouro para colonizar a Europa com gente dependente e submissa a uma nova ordem mundial. Confuso? Acha que isto é uma teoria da conspiração?
Se nunca ouviu falar do Plano Kalergi, a culpa não é sua. É das escolas que não lhe ensinam toda a História. Com efeito, é com Richard Coudenhove Kalergi que nasce os princípios orientadores da União Europeia: o “projecto para a integração Europeia”. Este Plano Kalergi, que surgiu com a fundação em 1922 do Movimento Pan-Europeu em Viena, pretendia a criação de uma Nova Ordem Mundial tendo como base uma federação de Nações Europeias liderada pelos Estados Unidos. No seu livro “Praktischer Idealismus”, Kalergi indica que os residentes futuros não seriam pessoas do Antigo Continente mas sim um tipo de euro-asiáticos negroides fruto do cruzamento multi-cultural sem qualidade e facilmente controlável pela elite governante. Pelo caminho da concretização deste objectivo, a abolição do direito à autodeterminação e eliminação de nações recorrendo a grupos separatistas étnicos e imigração massiva, ou seja, os idiotas dos marxistas. Se ainda tem dúvidas pergunte-se porque existe o Prémio Europeu “Coudenhove-Kalergi” concedido a europeus, de 2 em 2 anos, que se destacaram na promoção deste plano. Entre os premiados podemos encontrar Angela Merkel e Herman Van Rompuy.
É com George Soros, um financeiro multimilionário ambicioso e fanático pelo poder que este plano foi entretanto retomado. Com uma agenda bem definida para a criação de um governo global, colocou sua Fundação a “Open Society” fundada em 1990 a financiar nas grandes sociedades capitalistas ocidentais, grupos que contrariam as posturas e valores tradicionais(partidos de esquerda, extrema-esquerda), apostando ainda nas organizações que julga capazes de empurrar a sociedade no caminho dessas mudanças(a ONU, ONG’s), sem pôr em causa o sistema capitalista que lhe permite poder e fortuna. Embora sua influência seja mundial na promoção do marxismo cultural que desestrutura as sociedades fragilizando e transformando-as num caos, é nos EUA que exerce maior influência onde possui laços estreitos com o partido Democrata. Esteve por trás das nomeações do governo de Clinton, deu um “empurrão” nas doações à campanha de Obama e foi o grande financiador de campanha de Hillary Clinton. Como reacção a esta agenda de globalismo, grupos nacionalistas começaram a nascer para travar este plano criminoso de substituição populacional. Na Macedónia o grupo SOS (Stop Operation Soros) quer travar as ONG’s financiadas pelo multimilionário de intervir na política do país. Na Hungria, o primeiro ministro atento a estas manobras está a impor legislação a fim de encerrar as actividades da Universidade Centro-Europeia fundada por Soros em Budapeste em 1991. Na Itália o Ministro do Interior denunciou e faz frente às manhosas ONG’s ao serviço desta agenda de massificação da migração de substituição na Europa. A propósito, sabia que Sanchez o idiota que assaltou o poder em Espanha acaba de reunir com Soros? Ah! pois é…
António Costa ávido de dinheiro da UE para tapar os buracos financeiros da sua má gestão, e a marimbar-se para a segurança do país, aderiu a esta agenda oferecendo-se para receber milhares de migrantes sem medir riscos, sem questionar o que vamos fazer com tantos rapazes jovens (sim, rapazes! não são famílias) que não fogem de guerra nenhuma mas vão ter regalias como se fossem refugiados, com casa, mesa e roupa lavada e que buscam na sua maioria um Estado Social que os sustente e não um trabalho. Um dos motivos apontados para esta entrada, dizem eles, é a baixa natalidade. Ora se assim é, não era mais seguro e barato criar aqui medidas de apoio familiar, melhorar as condições de vida e trabalho dos residentes ou até ajudar luso-descendentes criando condições atractivas em Portugal para que regressem e ao contrário destes migrantes, trazer mais valias económicas em vez de apenas despesa?
Era mais barato, sim senhor mas não enche os bolsos nem dá poder à classe política. Os venezuelanos, a braços com uma crise humanitária sem precedentes, não dão dinheiro por isso finge-se que não existem.
É exactamente este plano globalista de Soros que a actual presidência dos EUA quer combater e é também exactamente por isso que os democratas, financiados por este multimilionário criminoso, promovem o ódio contra esta administração que tentam a todo custo derrubar.
Se fosse mesmo uma questão humanitária os luso-venezuelanos não seriam esquecidos. Pense nisso.
Aproveitem a oportunidade para uma educação de qualidade

Momento Coltural
Oh, sim! – rude amador de antigos sonhos,
Irei pedir aos túmulos dos velhos
Religioso entusiasmo; e canto novo
Hei-de tecer, que os homens do futuro
Entenderão; um canto escarnecido
Pelos filhos dest’ época mesquinha.
Em que vim peregrino a ver o mundo,
E chegar a meu termo, e reclinar-me
À branda sombra de cipreste amigo.
in “A Semana Santa” (1829) de Alexandre Herculano
Paulo Ferreira «Os políticos recusam que as suas declarações sejam tratadas informaticamente Para o povo fez-se o e-factura. Para os representantes do povo “é vedada a transcrição em suporte informático do conteúdo das declarações”.
O mesmo Estado que ainda não descobriu as maravilhas da tecnologia para tratar 14 mil declarações de rendimentos dos políticos é o mesmo que trata mais de 5 milhões de declarações de IRS e 465 mil declarações fiscais de empresas regularmente.»
ViaCTT: crónica de uma fraude
Contestação da obrigatoriedade do ViaCTT
Se há seis anos tivessem lido o Blasfémias estariam mais ao corrente dessa fraude que dá pelo nome de ViaCTT. Aqui fica um post de 2012 sobre o ViaCTT uma caixa postal que não serve para nada a não ser para caçar multas.
Uma das consequências desta crise é o reforço dos poderes do fisco. Por outras palavras o despesismo e a desmesura estatais que aqui nos trouxeram levaram paulatinamente a que sejamos cada vez menos cidadãos e cada vez mais contribuintes. E o fisco é o mais autoritário dos poderes do estado: uma criatura pode atirar petardos – sobretudo se for numa manifestação de esquerda que não lhe acontece nada – mas se rejeitar pagar os impostos tem a vida feita num inferno. A máquina fiscal tornou-se de tal modo autoritária que já nem sente necessidade de se justificar. Veja-se por exemplo o sucedido com o VIaCTT que se tornou obrigatório para os contribuintes de IVA sob risco de se incorrer numa multa que vai dos150 aos 3.750 euros.
Contestei junto da Autoridade Tributária esta obrigatoriedade pois há muito que utilizo a minha caixa postal pessoal para comunicar com o…
View original post mais 113 palavras
Altas figurinhas

As mais importantes figuras da nação – Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Ferro Rodrigues e António Costa – quiseram homenagear Zé Pedro, fundador dos Xutos & Pontapés, durante o último Rock in Rio. Como Zé Pedro se tornou famoso e admirado por nos presentear com canções, as três mais altas figuras do Estado português prestaram o seu tributo imitando, em cima de um palco, a sua arte em vida.
É por isso que, apesar de ter apreciado o espectáculo, peço a Deus nosso Senhor que dê, durante longos anos, muita saúde à Érica Fontes.
Ainda bem que deixei o liberalismo a tempo
Desde que deixei o liberalismo que me sinto mais fresco, mais leve, mais livre, como num anúncio da Tampax®. Sinto que posso andar a cavalo, saltar à corda, beber Compal®, até Santal®, sair com as amigas… Até posso jogar ténis com aquelas saias curtinhas e heteronormativas, que ninguém tem nada a ver com isso. Sair do liberalismo deu-me mais liberdade do que sair das Testemunhas de Jeová. Todos os dias, era a segunda epístola de Mises aos Hayeks, era o evangelho de Rothbard aos objectivistas, era o quinto livro de Kinsella aos fariseus (podia ser dele ou podia não ser: nesta religião os autores não têm direitos, ao contrário dos que elaboram contratos de matrimónio poliamoroso interespécies)… uma pessoa nem podia simplesmente ser sodomizada por “migrantes” (sem prefixo, para ajudar à confusão) sem que aparecesse um antropólogo-advogado-activista para oficializar a relação…
Agora, que não sou liberal, até posso ir à missa, tal como posso não ir, que ninguém quer saber. Nem sequer sou obrigado a pagar o dízimo à Santa ALDE, nem tenho que usar roupa em arco-íris, posso subir e descer avenidas sem escolta de comunistas e até posso assistir a touradas enquanto acuso o forcado que puxa pelo rabo como sendo o mariquinhas de serviço. Posso até defender o Miss América em biquíni, tal como posso defender o Nudes-A-Poppin’ (IP norte-americano necessário), posso comer fritos, posso fumar na praia e posso chamar o eutanasiador pelo correcto nome de carrasco. Posso rir do folclore LGBT, aquelas marchas identitárias em circuito fechado que, num país como Portugal, onde ninguém quer saber quem enfia o pincel em qual balde, só podem servir para engate (atenção: eu aprovo engate). Bolas, até posso usar drogas tax free, se quiser! Posso piropar! Piropar, meu Deus!
Agora, que me livrei das políticas identitárias do liberalismo, até consigo ver a necessidade de um Bloco Liberal para bloquistas que não tocam djembê.
rio não anda a dormir
Fui muito pessimista sobre a candidatura de Rui Rio a líder do PSD e nunca acreditei que conseguisse tirar o poder ao PS. Hoje, vendo o homem em «acção», palavra que só na aparência será excessiva a seu respeito, ao contrário do que quase toda a gente opina sobre o cinzento chefe laranja, mudei de opinião. Tentarei explicar porquê.
Rui Rio não é, nunca foi e nunca será, um líder carismático, galvanizador, capaz de atrair e fazer mover multidões. É um tecnocrata, um homem de gabinete que fala pouco e não gosta de exposição. Isso é um impedimento para que possa triunfar politicamente? Certamente que não ajuda, mas poderá até funcionar ao contrário do que julgam os seus inimigos, porque a direita portuguesa sempre cultivou o perfil do chefe autoritário, com pose distante e gravitas na expressão: Salazar nunca foi um populista e Cavaco teve de trabalhar muito para se conseguir misturar com as pessoas.
E quanto à famosa «ausência de estratégia» do novo líder do PSD? Rui Rio não tem estratégia? Era o que me parecia e o que pode ainda parecer a muita gente. Mas não é verdade.
Rio parte de três pressupostos basilares. Primeiro, que o poder não se conquista se quem o está a exercer não estiver em perda. Ou seja: se um governo está com índices elevados de popularidade será contraproducente atacá-lo ostensivamente, porque o eleitorado não o compreenderá e não o aceitará: no fim de contas, está-se a dizer mal daquilo de que se gosta. Segundo, que o PSD só terá chances de voltar ao poder se a geringonça se desentender e se puser a ela mesma em causa; de outro modo, será quase impossível tirar-lhes a maioria parlamentar e um governo de direita não durará dois meses. Terceiro, que ele precisa de se credibilizar aos olhos dos eleitores para que, quando chegar o momento em que os 10% de eleitores que fazem mudar os governos o queiram fazer, lhe confiem o poder como confiaram a quem se preparam para afastar.
Nesta medida, o que tem feito Rui Rio?
Tem dado a aparência de um homem responsável, que não critica o governo por criticar. Mais: adiantou que, sempre que o governo fizer alguma coisa boa para o país, isto é, que os eleitores apreciem, ele estará lá para ajudar. Com isto transmitirá conforto e segurança aos eleitores mais conservadores, que só mudam o seu sentido de voto se tiverem a convicção de que não ficarão a perder com a troca.
Viabilizou algumas medidas do governo que a extrema-esquerda não poderia nunca apoiar, com o que lançou a discórdia entre os parceiros da coligação parlamentar. Neste momento, parece impossível que o PCP se mantenha mais quatro anos a perder votos para o PS, sufragando medidas que o seu eleitorado não pode aceitar. Se o PS não formar maioria absoluta com o Bloco, ficará sozinho e ao dispor do líder do PSD.
E tem, ainda, contribuído para acalmar dossiers importantes, credibilizando-se aos olhos do país e diminuindo António Costa. A recepção, nesta última semana, pelo presidente de Angola, donde saiu a dizer que «agora havia uma estrada aberta» para esse país, foi uma jogada de mestre, que demonstra que não anda a dormir. Todos sabemos a quantidade imensa de portugueses cujas vidas dependem das boas relações entre os dois estados, e todos sabemos também que os sucessivos governos do PS não têm conseguido manter boas relações com o MPLA, para ansiedade de muita gente. Quando Costa for agora a Luanda, por melhores que sejam os resultados que de lá trouxer, boa parte deles serão imputados, pelo eleitorado, ao líder do PSD.
Entretanto, com ronha de quem sabe o que quer, tem deixado o tempo gerir os problemas internos que tem no partido e cuja importância desvaloriza publicamente. Ele sabe que as próximas listas de deputados e candidatos municipais já serão feitas ou controladas por ele. Pelo que ou a oposição interna a Rui Rio lhe desfecha um golpe fatal no próximo ano, ou desaparecerá do mapa. A segunda hipótese é mais provável.
Três conservadores entram num bar

O José António lembra-se como se fosse ontem. O pai chegou a casa naquela sexta-feira e disse-lhe “Hoje vais-te tornar num homem”. O Zézinho, 12 anos, ainda atarantado desde que a mãe o tinha apanhado uns dias antes a fazer coisas marotas (“foi a primeira vez”, garantiu) não percebeu o que o pai queria dizer com aquilo. Mas lá foi. Lá chegado, o pai entrega-o à Gracinda. A Gracinda com 40 anos ainda apresentava um corpinho mais ou menos. “Anda lá miúdo, tira a roupa que ainda tenho mais três para aviar hoje”. Só aí o Zezinho percebeu ao que ia. Já a salivar com a visão da Gracinda ali deitada, sem roupa, despe-se rapidamente. “É aqui miúdo, põe-na aqui”. Mas o Zezito mal tinha acabado de pensar que não a esperava tão felpuda e já as coxas da Gracinda tinham sido abençoadas pela sua semente. “Porra, 5 segundos, é um recorde miúdo. É da forma que avio mais um esta noite”. “Então, Gracinda, o miúdo é bom nisto?” “Nem 5 segundos durou, querido. Gosto mais do pai”. Apesar da comichão que o atormentou umas semanas, o José António não mais esqueceu a Gracinda. Passou os próximos anos na ânsia de um dia lhe mostrar que podia fazer melhor. Quando tinha juntado uns trocos do seu emprego lá na fábrica voltou ao local onde se tornou um homem e pediu a Gracinda em casamento. Os anos não tinham amansado a Gracinda que lá lhe explicou que fazia mais numa semana que ele num mês lá na fábrica e que, se fosse para sair dali, não era com um desgraçado que, ainda para mais, nem 5 segundos aguentava.
O Armando, pele escura e cabelo forte, cresceu em Cabinda. “Pele queimada pelo sol de Angola”, insistia o tio materno quando lhe falavam no contraste em a pele clara dos pais e a pele morena do miúdo. “O teu pai?”, “Foi à metrópole”, “A tua mãe está bem? Não se sente sozinha?”, “Está muito triste. Ainda ontem veio lá o caseiro à noite e ela não parou de chorar a noite toda. Mas o caseiro, tão bom rapaz, só se foi embora quando ela parou de gemer”, “Há pretos de bom coração”, replicava o vizinho a tentar esconder o riso.
O Luis, também conhecido por Rei das Alcatifas do Algarve, é um empresário de sucesso. O maior exportador português para a Tailândia, garantia o próprio. Filho de um general na reforma, o Luis fez a escola toda no colégio militar. Havia poucos alunos mais felizes naquele colégio. “E não tens pena de não estudares com meninas?”, “Não, nenhuma”, respondia convicto. Mas a entrada na adolescência foi complicada para o Luis. A mãe levou-o ao psicólogo, que no fim da primeira sessão percebeu o problema. “Você conhece um amigo dele lá do colégio, o Joãozinho?”, “Sim, é um dos melhores amigos dele. Ele está sempre a falar dele”, “Convide-o lá para casa. Vai ver que o Luisinho se vai sentir melhor”, “Obrigado, doutor”, acenou a mãe. O João passou a ser visita recorrente lá de casa, e o Luisinho andava mais feliz. E mais feliz ficou quando a mãe disse que o Joãozinho podia passar lá a noite. O Luis passou 1 hora no banho nesse dia e, para surpresa da mãe, deixou o quarto num brinco. Mas a noite não correu muito bem. Antes das 10 já o Joãozinho estava a telefonar aos pais para o irem buscar. Nenhum dos dois alguma vez explicou porque se tinham zangado nessa noite. O Luisinho cresceu e ficou conhecido por ser um casanova. “Uma namorada por semana”, dizia, “As gajas são para usar e deitar fora”. As relações eram tão fugazes que ele nunca apresentou nenhuma namorada à família. A empregada já se limitava a arrumar as perucas espalhadas pelo quarto ao Domingo de manhã sem fazer perguntas.
O José António, o Armando e o Luis, três conservadores da velha guarda, juntavam-se ao almoço depois da missa.
– O problema do país são os pretos. Estamos cheios de pretos. Já não chega tê-los aturado lá em África, agora tenho que os aturar aqui também na minha terra – dizia o Armando.
– E o putedo que para aí anda? Já não se pode ir a lado nenhum ou abrir o jornal sem ver uma puta. Perdeu-se a vergonha toda. – replicava o José António
– Eu já não posso é com as fufas e os paneleiros. Cambada de degenerados, agora querem casar-se e o caralho. Eu sabia bem como resolvia isto.
Os três concordam que a sociedade já não tem valores como antigamente, e que apenas eles se mantêm como guardiões da moral e dos bons costumes.
O futuro do liberalismo em discussão
Num restaurante baratinho já nos arrabaldes do que seria o limite da corte para colonialistas entusiasmados, um grupo de desconhecidos conspira formas de convencer o inculto povo a abraçar o liberalismo através da concessão aos vícios comunitaristas co-adoptados (sim, a co-adoptação é uma realidade jurídica) dos hábitos de sodomia, suicídio assistido e consumo de ópio da burguesia mais esclarecida.
“O indivíduo é o mais importante, não é a família”, diz o Bernardo Bernardo de Bernardo y Silla enquanto o iPhone liga com uma notificação do JN permitindo ver o papel de parede do dispositivo com a mulher a amamentar o filho de ambos, Sampedro Santiago Sebastião Von Mises-Silva (doação de esperma e barriga de aluguer), de seis anos. “Malditos conservadores ultramontanistas tradicionalistas beato-islamofóbicos”, exclama Rimbaud Verlaine de Matos Sottomayor, filho de Marx-Lenine Pitta Sottomayor e da criada filha da senhora com quem Manuel Alegre perdeu a virgindade. “É necessário redefinir conceitos”, diz, em contramão, Valentina de Mamadou Tá Tá Tá, a feminista preta que acumula com outras condições não especificadas de vítima.
“Como é que querem pagar a conta?” – pergunta o empregado de mesa. “É para dividir por todos!” – exclamam em surdina.















