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Do casamento

18 Junho, 2018
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Há poucos livros que me tenham marcado mais do que o Selfish Gene. Não pelo que lá está escrito, mas por todas as implicações do que lá vem para a forma como se percebe as instituições e os sistemas de valores, fugindo às amarras do pensamento reinante.

Por exemplo, o casamento. Porque é que o casamento, nas suas mais diversas formas, surgiu em todas as sociedades actuais de forma espontânea? Terá sido coincidência? Não, simplesmente as sociedades que não descobriram a instituição não sobreviveram para entrar nas estatísticas. O casamento é tão essencial porque a humanidade passou a esmagadora maioria da sua história com taxas de mortalidade infantil extremamente elevadas. Não precisamos de ir muito longe: há 200 anos, metade das crianças nascidas na Europa morriam antes de chegar ao primeiro aniversário. Se andarmos mais para trás na história da humanidade, as taxas são ainda mais elevadas. Nós hoje habituámo-nos a associar as taxas de mortalidade infantil ao rendimento dos pais, mas em grande parte da história da humanidade as diferenças de rendimento eram escassas. O verdadeiro determinante nas possibilidades de sobrevivência das crianças era o número de pais que providenciavam por eles. Ou dito de outra forma, se o pai ficava ou não a ajudar a mãe a tratar da criança. Problema: existia um forte desequilíbrio de forças e assimetria de informação entre homens e mulheres. A mulher fazia um investimento inicial bastante maior na concepção da criança (gravidez, amamentação, etc) e tinha, ao longo da vida uma capacidade reprodutiva mais limitada que o homem. Ao mesmo tempo, a mulher era a única a ter a certeza de que uma criança nascida era mesmo sua filha. Os incentivos da mulher eram de copular com o homem que tivesse os melhores genes e convencer um homem (qualquer um) a cuidar da criança como sua. Por outro lado, o homem tinha uma capacidade reprodutiva virtualmente ilimitada, mas nunca poderia saber ao certo se um filho era seu. Os incentivos do homem eram de copular com o maior número possível de mulheres e deixá-las sozinhas a cuidar dos filhos (mesmo com uma taxa de sobrevivência mais baixa, a possibilidade de ter mais filhos compensaria). Sem sequer ter a certeza se o filho era seu, o homem tinha poucos incentivos a gastar energias providenciando para aquelas crianças. Sem a instituição casamento, teríamos uma sociedade de mães sozinhas e homens que tudo o que faziam era guerriar-se pela possibilidade de copular com o maior número de mulheres possível. O casamento surgiu como forma de resolver esse problema. A mulher obrigava-se a ser fiel ao marido e o homem obrigava-se a providenciar pela mulher e pelos filhos daquele casamento. Em muitas culturas, ainda hoje, o pior crime que uma mulher pode cometer é ser infiel e há menos de meio século um homem em Portugal estava autorizado a assassinar a mulher se a encontrasse em flagrante infidelidade. A própria subserviência histórica da mulher e a clausura do lar resultava em parte disso: dar uma garantia ao homem que o contrato de casamento era cumprido. Mesmo culturas que aceitaram a poligamia, fizeram-no no pressuposto de que o homem teria que providenciar por todas as mulheres. A Poliandria não existe em nenhuma sociedade relevante, e nos nichos em que existe normalmente a mulher é partilhada entre irmãos (que tem implicações em termos de propagação de genes diferente).

Recentemente, várias instituições sobrepuseram-se ao casamento nesta função de garantir a sobrevivência das crianças. Embore continue a existir uma diferença de mortalidade infantil entre crianças em famílias monoparentais e com dois pais, a taxa é tão baixa que hoje o risco é considerado quase nulo. Com a maior esperança de vida, há muitas pessoas que se casam sem intenções de ter filhos ou já impossibilitadas de os ter. A inutilidade do casamento ficou definitivamente demonstrada quando a infidelidade deixou de ter efeitos legais e o divórcio unilateral passou a ser possível. Quebraram-se assim os dois pressupostos principais da instituição casamento: a fidelidade da mulher (que se tornou irrelevante depois de surgidos os testes de paternidade) e o compromisso do homem (que, ainda assim, se ainda vai vendo com as pensões de alimentos nos divórcios). Ou seja, a instituição casamento acabou. É hoje pouco mais do que um acordo civil de partilha de activos entre duas pessoas. Não faz por isso nenhum sentido que um tipo de contrato civil esteja vedado a duas pessoas do mesmo sexo (ou três, quatro ou cinco pessoas de qualquer sexo). É contraditório dizer que se defende o casamento tradicional e não ser contra a existência de divórcio, a punição legal da infidelidade, o casamento entre inférteis ou todas as outras combinações que afastam o casamento da sua versão original, quando era uma instituição essencial à sobreviência da sociedade. Quem o fizer está a cair na contradição de defender a existência de algo que na verdade, por outras vias, já há muito aceitou que não existia.

Assassinos de Bom Coração

18 Junho, 2018
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A Quarta Vaga de Emigração Cubana ficou conhecida como Crise dos Balseros. Em 1994, milhares de cubanos arriscaram a vida em minúsculas e precárias embarcações, as balsas, com o objectivo de alcançar a costa da Florida. A crise durou algumas semanas e durante esses dias centenas de cubanos desapareceram no mar.

A debandada terminou quando as autoridades americanas, cumprindo ameaças anteriores, decidiram transportar de volta à ilha todos os imigrantes encontrados no mar. A razão dessa recusa em aceitar os migrantes nada teve a ver com políticas de imigração. A situação de debandada da Cuba socialista para a América capitalista era uma robusta demonstração da falência do socialismo, mais efetiva que mil discursos, debates ou artigos de opinião. A razão pela qual os EUA devolveram os emigrantes a Cuba foi apenas uma: era preciso que a torrente estancasse. Enquanto os candidatos a balseros acreditassem que a probabilidade de sucesso era significativa, continuariam a arriscar a vida no mar. O que o presidente Clinton fez na altura foi erigir um muro no Estreito da Florida.

O que se passa actualmente no mediterrâneo mostra que a lição não foi aprendida. A única política que poderá por termo à mortandade no mar é a Tolerância Zero. Todos os imigrantes devem ser recolhidos e salvos do mar, mas de imediato devolvidos ao país de origem. Só quando a convicção generalizada nos países emissores for que a probabilidade de sucesso é nula é que o Mediterrâneo deixará de ser um cemitério.

Repare-se na hipocrisia ocidental: fecham-se os aeroportos aos imigrantes, mas se eles se atiram ao mar em barcaças recebemo-los de braços abertos. E ainda lhes oferecemos dinheiro e diz-se em voz alta que são bem-vindos. A mensagem que chega aos países de origem é clara: A única forma de chegar ao El Dorado é arriscar a vida no mar.

A opção de Pedro Sanchez em receber os imigrantes em Valência com discursos de bom samaritano pode parecer humanista, mas é criminosa. Se Pedro Sanchez quer que a Espanha receba os imigrantes, dê-lhes um visto e receba-os em Barajas. Assim, é só hipocrisia e incentivo à tragédia.

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Poesias

18 Junho, 2018

Frutas-legumes-e-verduras-01

 

Tenho passado os últimos dias ensarilhado numa avaliação de danos. O móbil da reflexão é o cumprimento de promessas, não daquelas em que uma pessoa resolve ir a Fátima a pé sem incomodar ninguém, mas de um outro tipo muito mais problemático, mais ou menos como se alguém se comprometesse com Deus a ir a Fátima às minhas cavalitas. Mas, como diria o barbeiro Sweeney Todd, vamos por partes.

De acordo com as notícias o Governo prometeu aos professores contabilizar, para efeitos de progressão e de salário, todos os anos de congelamento das carreiras. Posteriormente, talvez por intervenção de um daqueles chatos do ministério das finanças que sabem fazer contas, declarou que só há verbas para assumir uma pequena parte desse período de tempo e rematou o assunto com um sonoro “não há dinheiro”. Eis então que, quando julgava o assunto gasparianamente encerrado, surge o PSD a reclamar que “o prometido é devido”, transformando a questão num embate entre a poesia lírica de Rui Veloso e a poesia tísica de Vítor Gaspar. Soubesse António Costa desta preocupação social-democrata com a efectivação dos compromissos socialistas e teria inscrito no seu programa eleitoral que a limpeza do gabinete de Rui Rio seria da responsabilidade dos Super Dragões.

A pergunta que me coloquei, no âmbito da avaliação de danos acima referida, foi bastante simples. Na verdade, o que interessa neste momento é optar entre a credibilidade dos governantes e a saúde das contas públicas. Por outras palavras: é melhor o Governo falhar a promessa que fez aos professores e diminuir desta forma a confiança que os eleitores têm na política, ou é preferível o Governo cumprir a promessa que fez aos professores e diminuir desta forma os euros que os contribuintes têm na carteira? Na dúvida, fui à mercearia e perguntei à D. Rosa se podia pagar os legumes e a fruta com confiança, ao que ela me respondeu que preferia fazer a transacção em euros. Desconfio que, para a senhora, pior do que um político que não cumpre as promessas só mesmo um político que as cumpre. Quanto a mim, já decidi: ou o PSD tem géneros alimentícios para me colocar na mesa sem recurso ao vil metal ou então acho preferível evitarmos o regresso ao descalabro de 2011.

 

Mais um ataque da poderosa indústria do automóvel

18 Junho, 2018

Carrinha atropela quatro pessoas em festival de música na Holanda

Droga, loucura, morte: campanha oficial ou marketing?

17 Junho, 2018

Publiquei no Observador um artigo sobre o consumo de drogas em Portugal nos anos 70.

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O título do filme em português aproveitou a campanha oficial de combate às drogas ou foi tudo publicidade ao filme? Alguém se lembra disto?

 

É muito querer!!!!

17 Junho, 2018

“O Bloco quer” – esta expressão faz parte das nossas vidas. Afinal, todos os dias o Bloco quer qualquer coisa. Assim, só nos últimos dias o Bloco fartou-se de querer: a 10 de Junho, o Bloco queria um Dia de Portugal que desse conta “da enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos.” A 11, o Bloco virou-se para terra e queria festejar a Feira do Livro e, de caminho, “travar o despejo das livrarias e alfarrabistas devido a pressão imobiliária”. (Esta proposta do Bloco contribuirá decisivamente para que ninguém na posse das suas capacidades mentais alugue uma loja para que lá funcione uma livraria ou um alfarrabista). A 12 de Junho, farto dos livros, o Bloco veio dizer que quer “bolinha vermelha nas touradas na TV”. E a 13 o “Bloco quer o fim dos vistos gold e diz que, de mais de 5 mil, apenas 9 criaram emprego” (como terá feito o Bloco estas contas?). Digamos que é muito querer!

Iniciativa Azeiteira

17 Junho, 2018

Uma das perguntas que me acorda no Verão é se a bandeira portuguesa pode ser mais azeiteira. Hoje acordei com esta imagem, o que deve responder definitivamente a questão: a partir de agora, não, não é possível azeiteirar mais a bandeira.

Houve uma marcha cujo objectivo parece ser exigir amor. Eles dirão respeito, mas quem não se dá ao respeito pela opinião dos outros exigindo o fim da nãoseiquêfobia lida é mal com as suas opções. Querem é a bênção. Eu dou-vos a bênção, meus filhos, podeis continuar a azeiteirar como bem entenderdes nessa menopausa cultural.

E se fosse Barack Obama?

16 Junho, 2018

Compreendo que seja difícil reconhecer mérito em alguém que se odeia e em que se apostava  que iria arruinar o Mundo com sua loucura, narcisismo e prepotência (sim, ele tem isso tudo). Mas uma coisa é não gostar da pessoa Trump outra coisa é não admitir a eficácia dos seus métodos para conquistar a paz mundial. Dizer-se que foi mérito da China, que foi desespero de Trump (esta foi hilariante!), que foi a Coreia que vergou os EUA (com esta ainda não parei de rir!), que Kim chega numa posição de força melhor que a do Trump como afirmou  Miguel Sousa Tavares (valha-me Deus!), que a ideia de paz nem sequer foi dele, é de uma desonestidade intelectual sem limites. Os factos não mentem e é só preciso lê-los com seriedade.

O episódio que culminou neste momento histórico do aperto de mãos entre EUA e Coreia do Norte, foi a posição severa  e intransigente de Trump em relação Kim Jong-un quando  num ultimato que todos se apressaram a classificar de louco e irresponsável, e que provocaria a III Guerra Mundial, Trump avisava que se o “rocket man” não parasse de fazer experiências com mísseis nucleares, faria desaparecer a Coreia do Norte do mapa! Foi esta posição impopular, politicamente incorrecta que foi decisiva na mudança de planos de Kim. Nunca ninguém tinha tido a coragem de se dirigir a esse pequeno ditador coreano desta forma. De “diálogos em diálogos” o menino mimado que se achava acima de qualquer acordo, brincava aos poderosos provocando o Ocidente. O ódio aos EUA ensinado nas escolas era o combustível que alimentava a loucura de Kim. Até ao dia em que outro louco como ele o enfrentou, sem medo. Kim Jong-un ainda testou Trump com mais uns lançamentos para fingir que era um “poderoso destemido” e estava preparado para “destruir os EUA”. Mas quando Trump imediatamente endureceu as ameaças e fez avanços de tropas para posições estratégicas. Kim recuou e cedeu. Todos assistimos a isto. Porque negar?

Não foi a China nem a Coreia do Sul que pararam a loucura de Kim. Foi o bluff de Trump que resultou na perfeição.  Porque o poder começa no indivíduo e só depois acaba no governo. Se Trump não tivesse sido credível na sua determinação, jamais  teríamos assistido a esta viragem clara na união das Coreias  e desarmamento nuclear. A própria Coreia do Sul o reconheceu.

Tal como Trump, Reagan no passado, igualmente com um bluff bem montado de que iria dar início a um projecto de Iniciativa de Defesa Estratégica –  um sistema defensivo com mísseis colocado no espaço que asseguraria que nenhum míssil disparado pela URSS atingisse os EUA – numa altura em que o império socialista se estava a desmoronar por falência económica, conseguiu pôr fim à Guerra Fria que ameaçava o mundo. Mikhail Gorbachev, tal como Kim, consciente da sua incapacidade para fazer frente aos EUA, cedia. Curiosamente, porque a nossa História tem destas coisas, foi Gorbachev (o líder comunista que cedeu à pressão) e não Reagan, que recebeu o prémio Nobel da Paz por “ter posto fim” à Guerra Fria. Ironias.

Não tenho qualquer dúvida que se mudássemos de protagonistas nesta história e tivesse sido o Obama a conseguir igual feito, o Mundo inteiro iria render-se aos seus pés. As televisões iriam fazer directos, ao minuto,  a acompanhar cada movimento do Presidente, cada palavra, cada expressão. Qualquer coisa por muito insignificante iria ser enaltecida e o momento comentado em mais de uma hora de telejornal, durante vários dias, várias semanas até,  com todos os comentadores televisivos histéricos a bater palmas dizendo que nunca se vira nada igual: EUA a apertar as mãos à  Coreia do Norte e  esta em simultâneo à Coreia do Sul até agora desunida! Mas não. Tinha de ser o Trump, o homem mais odiado do planeta  a conseguir o que não foi conseguido em 70 anos. Logo é preciso desvalorizar.

Curiosamente também, Obama não precisou senão de belos discursos visionários por um mundo livre de armas nucleares para ganhar um Nobel da Paz, em 2009, com menos de 9 meses de presidência e sua candidatura entregue à tangente a menos de um mês depois de assumir o cargo. Ou seja, foi premiado pelas belas intenções que ainda não tivera tempo de concretizar antes do prémio (não me lembro de alguém que tenha contestado isto). Mas já não se aceita que quem efectivamente concretize essa paz sequer sonhe com isso.

Goste-se ou não é um marco histórico que terá ainda grandes desenvolvimentos e cujo o mérito é tão somente dos dois homens que o protagonizaram: Trump e Kim Jong-un. Habituem-se à ideia.

 

 

A Iniciativa Liberal é uma cambada de socialistas!

16 Junho, 2018

Se até Mises “desqualificou” os seus colegas da Mont Pelerin Society como socialistas, por que razão não posso eu fazê-lo também sobre o mais recente partido?

set-like-ans-unlike-buttons-26753636Podemos ver na atitude um exemplo de pedantismo e de ego exacerbado que procura criar um cinturão sanitário em relação a companheiros porventura ideologicamente menos puristas.

Provavelmente a crítica ao carácter de Mises é certeira. Não o conheci pessoalmente para ajuizar.

Se há característica apreciada por um liberal é a humildade, nomeadamente intelectual. Não é de fácil prática, sobretudo se aplicada às nossas próprias convicções. Mas é nesta humildade que se funda também a tolerância que deve existir relativamente às pessoas que não pensam ou actuam conforme achamos mais acertado.

Todavia, confesso que me encanita um pouco a narrativa de que a crítica deve ser “construtiva”, caso contrário não passa de uma manifestação de revolta ou de uma tentativa de transmitir a imagem de martírio em defesa do superior grau de pureza dos valores em que se acreditam.

Parece-me muito aquela ideia de que o comércio deve ser “justo” em vez de “livre”.

Será de evitar a concorrência de ideias, visões e nunces diferentes sobre o modo de actuar em nome de um objectivo maior? Não creio.

A menos que as pessoas alvo de crítica não tenham mente aberta, capacidade de encaixe e até sentido de humor, julgo ser um método para validar, corrigir erros, afinar acções e ideias mais eficaz do que facciosismos, safe-spaces ou recurso à violência física.

Quem critica, como anteriormente disse, deve também estar preparado mentalmente para ser criticado e admitir até que possa estar errado. Será tanto mais difícil quanto maior a convicção que tiver sobre a razão das suas ideias. Mas se não há motivo para não ser também criticado, de igual modo não tem por que se abster ou suavizar as críticas que faz.

A tónica quase exclusiva na virtude da tolerância ou, pelo menos, a aversão à crítica, é ela própria um bom campo para a intolerância e a prepotência. Desvaloriza-se a contra-argumentação e as propostas de caminhos alternativos. Além de que quanto menos formos críticos, menor a nossa própria predisposição para ser alvo de crítica.

Quanto mais críticos formos mais carta-branca passamos aos outros para procederem de igual modo “contra” nós. Que maior exercício de humildade intelectual poderia haver? Para mim revela um carácter forte e bem formado.

Evidencia ainda que quem critica não pretende alcançar posição de poder para impor aos outros através de políticas públicas a sua visão do mundo.

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Os hamsters somos todos nós: se todos andarmos mais na rodinha, todos andaremos menos

16 Junho, 2018

Nos comentários nota-se uma certa perplexidade pela “troca de galhardetes” entre VC, que sou eu e CGP, que é o Carlos. Eu explico, então:

  • O Carlos acha que a formação de partidos ditos liberais pode ser algo positivo e, como tal, faz mais sentido que os pouquíssimos liberais portugueses apoiem a causa do que andem para aí a criticar como meros conservadores velhos avessos ao progresso legislo-partidário;
  • O Vítor (que sou eu) acha que vive melhor sem apoiar partidos, principalmente sabendo que as suas causas andarão invariavelmente a reboque do Bloco de Esquerda, acha partidos liberais um oxímoro e considera os conservadores a estrutura óssea de qualquer sociedade.

E é só isto.

 

Aqueles gajos do Macinhatense que não pensem que me enganam

16 Junho, 2018
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Falemos então de futebol. E falar de futebol é, inevitavelmente, falar do Associação Atlética Macinhatense. Enquanto projectos como o Macinhatense existirem, nada mudará no futebol português. Em primeiro lugar dizem que são são uma Associação Atlética, mas não têm atletismo. Uma vergonha. Depois, apesar de dizerem representar Macinhata do Vouga, têm dois jogadores de Macieira de Cambra e três de Pessegueira do Vouga. Dizem que são um clube de futebol, mas eu não vejo em lado nenhum a sua política de transferências nem a táctica para as transições defensivas defesa-ataque. O que é que têm a esconder? Dizem ser amadores, mas eu estou em condições de assegurar que o presidente recebeu 50 euros e duas sandes de presunto da Câmara Municipal. E mais, e mais: asseguraram-me que um dos jogadores é primo de um antigo treinador adjunto que chegou a jogar nas camadas jovens do Benfica quando aquele corrupto lá estava. É com este tipo de mentiras que esperam mudar o futebol português?
Está-se mesmo a ver qual é a ideia deles. Como qualquer clube de futebol são apenas mais um dispositivo de assalto à Liga dos Campeões. Eles dizem que gostam é de futebol e umas tainadas, mas na verdade têm é os olhos postos nas comissões milionárias das transferências de jogadores e nos direitos das transmissões televisivas. Enfim, não passam de mais uns corruptos benfiquistas. Bandidos! Ladrões! Eu bem sei que há dirigentes do Benfica acusados de crimes graves, que o presidente do Sporting é maluco e que há corrupção generalizada no futebol português ao mais alto nível, mas não há nada mais prioritário nesta altura do que desmascarar os gajos do Macinhatense. Eles pensam que me enganam, mas não. Os bandidos.

Está na hora de instituirmos o saltómetro enquanto medida do sucesso governativo já que os governantes se passaram a dedicar ao comentário futebolístico

16 Junho, 2018

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Temos todas as condições para poder ir até ao fim no Mundial”, afirma Marcelo. O presidente da República considerou que o empate (3-3) com a Espanha na estreia no Mundial da Rússia foi “um milagre muito motivador” para Portugal, que agora tem “todas as condições para poder ir até ao fim”.

Não foi só Cristiano Ronaldo contra a Espanha, fomos todos nós a lutar por Portugal. Teoricamente, este era o jogo mais difícil e acabou como acabou. Temos uma equipa que não desiste, que esteve à frente, que passou para trás, mas não desiste, lutando até ao último minuto” – António Costa

Como hamsters na rodinha

15 Junho, 2018

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Terça-feira, Junho de 1986, ainda durante o tempo de aulas, terceiro dia do mês, estava aqui o miúdo de onze anos a ver o jogo, às 22h00 (hora de Gondomar), entre Portugal e Inglaterra, o primeiro da participação portuguesa num mundial de futebol desde que nascera. Aos setenta e seis minutos, Carlos Manuel enfiava a bola na baliza de Peter Shilton, aquele que viria a sofrer o golo marcado com a mão por Maradona pouco antes da véspera do São João. Íamos ser campeões: a primeira selecção a derrotar a Alemanha Federal na sua própria casa acabara de vencer a Inglaterra. Perderia com a Polónia e com Marrocos e concluiria a sua participação com os jogadores mais entretidos a acalmarem as mulheres após umas (alegadas) sessões com ninfas de ocasião, uma farsa em repetição da Ilha dos Amores.

Hoje, Portugal entrou a vencer o jogo com a selecção campeã de 2010. “Vamos ser campeões!”, exultou o filho de onze anos do puto desiludido com Saltillo. Acabou a festejar um empate, o que, feitas as contas, até não é nada mau.

É que Portugal é assim: passa de geração em geração a expectativa de que desta é que é, desta é que vai ser. Ocasionalmente, graças a um ou outro português com um talento a roçar o sobrenatural, lá se concretiza qualquer coisa. Uns chamam-lhe D. Sebastião, outros chamam-lhe Cristiano Ronaldo, outros ainda chamaram-lhe Salazar. E depois volta tudo ao mesmo, às geringonças, aos Louçãs, às Iniciativas Liberais, às malucas do feminismo psicopata e ao livre trânsito para a patifaria do Partido Socialista. E não, nunca estive verdadeiramente a falar de futebol.

Ai é isto o liberalismo? Então passo.

15 Junho, 2018

muslim-woman-silhouette-29Foi sem grande surpresa que se recebeu a notícia de que concorrentes a Miss America deixarão de desfilar em fato de banho. Neste momento, com a competição para determinar o humano mais parvalhão de todos ao rubro, abolir avaliação estética de um concurso de beleza é um passo completamente lógico. O passo seguinte será só permitir concorrentes vestidas de apicultoras. Seria possível argumentar que num concurso de beleza só participam mulheres que desejam ser avaliadas pela sua beleza, mas tal seria desnecessário já que o mundo está na fase de não permitir que alguém possa desejar ser avaliado pelo seu aspecto físico.

Vai daí, está tudo no ponto de caramelo para a formação de “partidos liberais”. São partidos — logo, dispositivos de assalto ao aparelho de estado — que pretendem ser avaliados no concurso de beleza pelas suas ideias para a paz no mundo, não pelo aspecto de socialistas. É bonito, passa bem na manada colectivista que importa filosofias como quem nasceu desterrado, e permite a proliferação do socialismo dos “eu tenho o direito a” com propostas revolucionárias de quem rejeita o passado e pouco se preocupa com repercussões no futuro. Até são desejados, ansiados, fazem falta e sei lá que mais. Estão na moda, como está na moda anunciar ao mundo que sexo com gente do mesmo sexo é que é fixe enquanto se abrem as fronteiras aos que lhes tratarão dos tais vícios burgueses com força de catana.

A imagem do único gay da aldeia não pega. Pegaria a imagem do último homem de família em Sodoma, mas, enfim, tal imagem nunca seria verdadeiramente compreendida no mundo dos concursos de Miss America em fatos de apicultoras. Talvez seja mais fácil para estes abdicarem do liberalismo do que se conformarem às suas novíssimas definições. Não será, assim, de admirar que estes se cristalizem em sal e se pulverizem. Pela minha parte, estou pronto e em paz.

 

O único liberal da aldeia

15 Junho, 2018
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Já há alguns anos que liberais que gostam de contribuir para que as ideias liberais se espalhem (alguns dos quais, mas não todos, qualificaria de intelectuais do liberalismo português), defendem que o campo das ideias é o mais importante. A frase (muito acertada) que mais fui ouvindo neste percurso que se iniciou com as colunas do Pedro Arroja, se solidificou nos blogs, é que “As ideias têm consequências e fazem o seu caminho”. O pressuposto das ideias fazerem o seu caminho é precisamente que se espalhem a pessoas que antes não as tinham, e que passem a ter consequências prácticas. É por isso com surpresa que vejo tantos dos que contribuíram para que as ideias fizessem o seu caminho, agora tão revoltados por as ideias terem feito o seu caminho (com novos partidos, movimentos e derivações semelhantes). Os caminhos, claro, não são puros, mas não se esperaria que fosse como qualquer coisa que parte de um grupo pequeno e se espalha para um público menos pequeno. Para disfarçar, os agora liberais revoltados dizem que é por os caminhos feitos não serem e-xac-ta-men-te de acordo com a sua cartilha. Mas na verdade, não é bem isso. A verdade é que muitos liberais que estavam isolados há 15 anos, afeiçoaram-se ao estatuto de único gay da aldeia e, muito provavelmente, deixarão em breve esta aldeia para serem o único gay noutra aldeia qualquer. Até nisto, o Professor Pedro Arroja foi precursor.

No dia em que houver oposição em Portugal alguém conseguirá denunciar isto?

15 Junho, 2018

15 de Junho de 2018. Com a passagem às 35 horas os hospitais vão ter de fechar serviços. Sindicatos e Ordem calculam que seriam precisos em Julho mais de cinco mil novos enfermeiros e auxiliares, mas Finanças não autorizam contratação. Conjugação da redução dos horários de milhares e o início das férias vai provocar “o caos”, antecipam.

10 fev, 2016. O ministro das Finanças afirmou esta quarta-feira que a reposição das 35 horas de trabalho semanais na Função Pública “não é discussão de natureza orçamental neste momento”, acrescentando que o tema “só tem impacto” para a oposição. “Não é discussão de natureza orçamental neste momento. Só tem impacto nas vossas caras”, afirmou Mário Centeno, dirigindo-se aos deputados da oposição.

Nessa viagem aos racismos pretéritos quando chegarão ao Che Guevara?

14 Junho, 2018

Che Guevara: “Os negros, os mesmos magníficos exemplares da raça africana que mantiveram sua pureza racial graças ao pouco apego que têm ao banho, viram seu território invadido por um novo tipo de escravo: o português.” As frases dedicadas aos índios, mulatos e homossexuais ficam para a próxima.

E isto é com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas a jejuar no Ramadão!!

14 Junho, 2018

A Assembleia-Geral da ONU aprovou hoje uma resolução que condena a resposta de Israel aos recentes protestos em Gaza e exige que seja equacionada proteção internacional à população palestiniana

Momentos antes, a Assembleia-Geral da ONU rejeitara, por uma escassa margem, uma emenda norte-americana que condenava o movimento islâmico palestiniano Hamas “por lançar constantemente mísseis contra Israel e incitar à violência” na Faixa de Gaza, “pondo civis em risco”.

O ex-ministro

13 Junho, 2018

Um tipo é convidado para ministro. Resolve acelerar a constituição de uma empresa imobiliária com a sua mulher, escritura que realiza um dia antes de tomar posse.

O dito ministro é advogado, aparentemente com algum nome na praça. Dois meses depois de tomar posse, a 21 de Dezembro, entrega a sua «declaração de inexistência de incompatibilidades ou impedimentos» a que estava obrigado enquanto ministro, onde expressamente indica um impedimento e incompatibilidade: declara-se sócio-gerente da dita empresa. A pena legal para a existência dessa confessada incompatibilidade é só uma: a demissão. (artº10º, 2, b). A menos que o ministro saia pelo seu pé, será um caso inédito ter de vir a ser demitido pelo Tribunal Constitucional.

O jurista-gerente-ministro diz que «não tinha noção» do que dizia a lei.

Em 30 de Janeiro de 2018, a sub-Comissão Parlamentar de Ética pediu esclarecimentos ao ministro sobre a sua situação irregular. Diz o ainda ministro que «Pedi renúncia quando fui chamado à atenção para isso», alegadamente 2 meses depois de tomar posse. Diz ainda o  gabinete do ministro que a sua saída de sócio-gerente foi comunicada à Assembleia da República a 31 de Janeiro. Mas sem ter sido especificado um dia concreto.

Certo é que apenas 2 dias depois da notícia do ECO ser publicada, ou seja a 25 de Maio, é que foi registada a alteração na gerência da sociedade.

Alegadamente a sua renúncia a gestor terá sido feita por carta datada de 15 de Dezembro de 2017. Ou seja uma semana antes de o próprio Siza Vieira entregar no Tribunal Constitucional declaração onde afirmava ser sócio-gerente.

Portanto, além da demissão por incompatibilidade, poderá existir ainda um caso de declarações falsas ou falsificação de documento.

 

 

Os tais meninos ricos a estudar nos colégios à conta dos contribuintes

12 Junho, 2018
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Sabugal, Peso da Régua, Bustos, Vila Praia de Âncora, Covilhã e Proença-a-Nova, foram estes os locais onde faliram antigas escolas com contratos de associação. Alunos que nasceram em duas das regiões mais pobres da Europa terão menos oportunidades porque um grupo de decisores em Lisboa (onde existem as melhores escolas públicas e privadas do país) resolveram ceder à pressão dos sindicatos e do PCP. Porque um grupo de sindicalistas cegos fez a opinião pública confundir escola pública com escola estatal. Porque a elite lisboeta que domina a esquerda, e boa parte da direita, acha que lutar para que crianças que têm o azar de nascer no interior norte e centro possam ter acesso a uma boa educação (e, em muitos casos, mais barata que a opção estatal) não é uma causa que valha a pena. Estão todos de parabéns.

Os benefícios do obscurantismo anti-científico

11 Junho, 2018

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Frank Carlucci, o embaixador americano em Lisboa durante o PREC, morreu na semana passada e logo o Facebook e o Twitter se encheram de impropérios em sua memória. Inicialmente fiquei um pouco chocado com a atitude mas, após breve reflexão, partilhei do ponto de vista: o homem prestou um péssimo serviço a Portugal, principalmente na questão das liberdades. Sem a sua intervenção em 1975 o mais provável era não estarmos hoje sujeitos a ler tolices em redes sociais; não por falta de tolos, naturalmente, mas pela proibição do acesso à internet. Como diria o Pacheco Pereira: mau trabalho!

Pelo que se conta nos livros de história, a doutrina dos EUA sobre o nosso país estava profundamente dividida nessa altura: uns queriam deixar o PCP instituir um regime comunista que servisse de exemplo a não ser seguido pelos restantes países do sul da Europa; outros defendiam o apoio a movimentos de extrema-direita com a intenção de tentar restaurar o estado salazarista. Aparentemente, já estava decidido que íamos ser uma ditadura, depois logo se via de que cor. Mas Carlucci, dando mostras da sua falta de juízo, insistiu com os seus superiores que a entediante democracia parlamentar era viável neste caótico cantinho lusitano e, não tendo por estes sido imediatamente internado num manicómio, conseguiu provar-lhes que tinha razão.

O mérito do embaixador americano foi ter feito parte de um movimento polémico muito antes de este ser relevante e problemático. Henry Kissinger, o importante líder da diplomacia dos EUA, queria utilizar a penúria do futuro Portugal soviético como um antídoto contra o comunismo no Ocidente. Para grande sorte dos portugueses, Frank Carlucci era fervorosamente anti-vacinas.

 

Eu quero autoflagelar-me, mas não sei como

11 Junho, 2018
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Catarina Martins, com a profunda perspicácia que a caracteriza, decidiu apelar a que no 10 de Junho os discursos oficiais reconheçam “a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos”. Obviamente, isso já foi reconhecido há muito tempo. Ainda recentemente, Marcelo, numa visita oficial ao Senegal, fez isso mesmo. Claro que o que Catarina Martins quer não é apenas o reconhecimento que o estado português já fez por diversas vezes e que se encontra nos livros de história nas escolas públicas. O que Catarina quer é uma sinalização de virtude, apostada na culpa do homem branco, para continuar a fazer passar a sua agenda política. O importante é ter Catarina como voz da consciência de uns portugueses em constante autoflagelação por os seus antepassados terem feito o mesmo que todas as potências da altura (mesmo as potências regionais na África e Ásia) faziam. Mas antes de comerçamos a dar vazão ao chicote, convém esclarecer algumas coisas:

1. São todos os portugueses culpados? Por exemplo, os portugueses de raça negra também deverão pedir desculpa ou esses estão isentos?
2. Se os portugueses de raça negra estão isentos, os mulatos podem pedir só meia desculpa ou como têm antepassados nos dois lados a coisa cancela?
3. Se a descendência é o critério, os portugueses cujos antepassados não se envolveram no tráfico de escravos também têm que pedir desculpas?
4. Na medida em que boa parte dos traqficantes de escravos se estabeleceram no Brasil, não deveria ser o presidente do Brasil a pedir desculpas? Alguém exigiu isso ao Lula?
5. Se os portugueses devem herdar por inteiro a culpa de algo feito pelos seus antepassados há 12 gerações, não deveriam poder herdar por inteiro aquilo que os seus pais acumularam durante a vida. Ou isto das heranças só funciona com as culpas e o resto deve ser taxado?

Espero que a Catarina Martins nos ilumine para que a tão desejada autoflagelação possa finalmente começar.

A culpa é nossa!

11 Junho, 2018

Já pararam para reflectir porque razão temos tão fraca qualidade de governantes quer em Portugal, quer no resto do Mundo? E já repararam também que além de serem medíocres agem de forma irresponsável, sem ética, sem valores, corrupta e mentirosa como se fosse algo perfeitamente normal e aceitável sem sequer se esconderem muito? A explicação para esta podridão legalizada está em nós, cidadãos. Somos os culpados porque nos deixamos manipular por eles.

A primeira defesa contra os manipuladores é a tomada de  consciência da sua existência e questionar sempre tudo o que nos dizem ou apresentam como teoria ou explicação para uma determinada situação, seja de quem for. Quando não duvidamos estamos a abrir uma porta à manipulação que, se for bem feita, toma imediatamente conta do nosso pensamento, contaminando-o. Já não somos nós a tirar conclusões mas sim através dos manipuladores que de forma subtil usam o sentimento para provocar uma reacção emocional que nos vai condicionar o raciocínio lógico. É o caso dos “migrantes refugiados” que nos aparecem em botes sobrelotados em suposto “desespero”, onde nos vendem um “resgate” que não o é, quando na verdade as ONG vão buscá-los à costa da Líbia, enquanto nem reparamos que quase não há mulheres, crianças ou idosos. Se fogem da guerra porque só vêm milhares de homens muito jovens? Pensem.

Questionar, duvidar, pesquisar enquanto houver dúvidas sobre uma determinada teoria oficial não é criar uma teoria da conspiração (se assim fosse, o MP e investigadores da PJ seriam uma organização legalizada de conspiradores). É demonstrar capacidade crítica independente. É  demonstrar força contra as manipulações governamentais que nos querem submissos e ignorantes. Os manipuladores querem que fiquemos satisfeitos com as “provas” que fabricam para nos sossegar ou levar a pensar o que eles querem e por isso sonegam informação. São os primeiros a proibir acesso a dados, a destruir prova, a censurar investigação independente e claro, a classificar como “conspiração” tudo o que sai do seu controle para descredibilizar quem faz investigação paralela.  Vejamos um exemplo em Portugal com Pedrógão Grande: Foi o não criada uma verdade alternativa dizendo que tinha sido a natureza a provocar aquela tragédia? Foi ou não verdade que impediram todos os organismos de revelar o número real de mortes? Foi ou não verdade que foi criado entraves ao acesso à informação sobre a tragédia para que fiquemos convencidos da versão oficial?  Foi ou não destruída prova na ANPC e INEM? Continuam ou não muitos mistérios por responder enquanto governo fala de “teorias de conspiração”?

Claro que este exercício não é fácil. Sobretudo se estivermos emocionalmente ligados a essas pessoas. É o caso da política quando é o “nosso” partido que governa; é o caso do futebol quando é o “nosso” clube que está a ser investigado; é o caso de um familiar ou amigo  quando é apanhado num acto ilícito. As ligações afectivas tornam-nos menos racionais. Logo, mais susceptíveis de manipulação. Colocar o coração de lado na hora de analisar uma situação, a frio, não é fácil mas também não é impossível. Para muitos será natural porque já nasceram com essa habilidade, para outros requererá treino. Contudo tem de ser feito. Porque a manipulação de massas é um facto como o descreve Noam Chomsky e todos os poderosos do Mundo a usam em seu benefício. Infelizmente para nós que não passamos de meros peões neste tabuleiro gigante prontinhos para sermos usados como lhes convém, sem olharem a meios para atingir fins.

As estratégias de manipulação de massas visam bloquear a capacidade crítica para manter o Mundo nas mãos dos poderosos do jeito que eles o idealizam: sob seu total controlo. Nós somos apenas vistos como carneiros estúpidos que eles julgam capazes de neutralizar. Despertar consciências para esta realidade é uma missão de muitos como eu que acreditam que a saída deste lodo político, desta podridão de gente nos governos  só acaba com a mudança nos cidadãos. Aprender a exigir, responsabilizar e depois condenar  e correr a ponta pé esta corja, é vital para a sobrevivência das sociedades.

A culpa é nossa, só nossa,  que aceitamos tudo o que nos é dito sem contestação, que não duvidamos nem questionamos nada. Se queremos mudança temos de  promovê-la começando desde já a mudar a forma como olhamos para os políticos, sejam eles de que partido forem. Não podemos sonhar com melhores resultados se continuarmos a insistir nos mesmos erros.

 

Ó Catarina, quando for à Trindade tente perceber a que se dedicavam os frades que deram nome ao sítio

11 Junho, 2018

Catarina Martins esté indignada. Catarina está sempre indignada. Agora indigna-se com os Descobrimentos ou mais propriamente com a “enorme violência da expansão portuguesa”.

Catarina, acredite há mais mundo além das redes sociais que dizem o que “está a dar”. Vá por exemplo à Torre do Tombo ver esta exposição

Entre a Cruz e o Crescente: o resgate de cativos

E as famílias têm esse direito?

10 Junho, 2018

“As famílias não vão dizer às crianças que nasceram de uma doação”

O museu que não pode ser

10 Junho, 2018

Não, não me refiro ao museu que esteve para ser dos Descobrimentos, passando em seguida a Descobertas ou Expansão e posteriormente a Interculturalidade de Origem Portuguesa e que agora vai em Viagem.Falo sim do Museu de Arte Popular. Na verdade, este museu existiu durante décadas e fechou não por falta de público mas sim por razões ideológicas: o Museu de Arte Popular sofria do pecado original de não só ter nascido durante o Estado Novo como, segundo o auto-de-fé ideológico que lhe ditou o fim, de ser um produto da propaganda do salazarismo. Espantoso país este em que a sede da polícia política passou a condomínio de luxo e as alfaias agrícolas mais os lenços de namorados têm de dormir fechados numa cave porque, quando expostos no Museu de Arte Popular, davam uma visão bucólica da vida rural nos tempos do Estado Novo!

Sair tosquiado

7 Junho, 2018

Neste momento a Cuatrecasas deseja que o Pedro Arroja seja declarado inocente para evitar mais 1 ou 2 anos de posts no Portugal Contemporâneo enquanto correm os recursos.

Fiscalidade plástica

6 Junho, 2018

EvomoralesSE

Transcrevo abaixo o texto integral de uma notícia do JN de 03/Junho passado com o título “Governo admite incentivos fiscais, taxas ou sinalética para reduzir plásticos”.

Acrescento destaques meus a vermelho exemplificativos não só da qualidade jornalística da peça, mas sobretudo da narrativa socialista e neofascista muito em voga.

Depois adivinhem qual dos dois retratados acima é o nosso secretário de estado do ambiente e qual é o Evo Morales.

Aqui vai:

 

As medidas para reduzir a utilização de plástico nas embalagens podem incluir incentivos fiscais ou taxas, visando mudar comportamentos, sinalética para lojas com boas práticas ou partilha de utensílios entre cafés, segundo o secretário de Estado do Ambiente.

“Tentaremos consensualizar legislação complementar”, afirmou Carlos Martins em entrevista à agência Lusa, mas também contratualizar com os operadores que têm atividade relacionada com o consumo de plástico e ver em que medida no Orçamento do Estado para 2019 o que for matéria de natureza fiscal “pode estar refletido, quer seja de incentivo a outras alternativas, quer seja uma taxação para reduzir” a utilização daquele material.

Os incentivos teriam como objetivo a mudança de comportamentos entre os consumidores e a incorporação de novas alternativas tecnológicas entre os produtores ou distribuidores de bens.

As mudanças de comportamento, apontou, “não se fazem por um estalar de dedos, as pessoas não conseguem alterar as suas rotinas de uma forma radical só porque sai uma lei ou uma orientação, precisam de tempo para se adaptar [como] as indústrias, os restaurantes, os próprios distribuidores e produtores”.

“Gostaríamos de dar sinais claros de que pode haver agravamentos fiscais no futuro, que pode haver benefícios fiscais, por outro lado”, incentivos a melhor “ecodesign“, por exemplo, avançou Carlos Martins.

O grupo de trabalho criado para debater formas de enfrentar o problema da poluição dos plásticos, através da redução da sua utilização e da substituição por outro tipo de materiais, reúne entidades de várias áreas, dos consumidores, aos fabricantes, a distribuição, a restauração, organizações ambientalistas ou centros de investigação e inovação.

Carlos Martins avançou que o resultado será apresentado a 08 de junho, numa cerimónia para a qual foi convidado um representante da Comissão Europeia. Foi há pouco tempo definida uma estratégia da Europa para enfrentar esta problemática, tendo Portugal “antecipando as reflexões” dos organismos europeus, embora tendo em conta o seu alinhamento.

O secretário de Estado explicou que, além deste trabalho, outros contactos têm sido feitos, nomeadamente com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) ou a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), dois setores com um papel relevante no consumo de embalagens plásticas.

Recentemente, a AHRESP lançou uma campanha de sensibilização para a redução de plásticos, resultado de uma candidatura ao apoio do Fundo Ambiental para “Repensar os Plásticos na Economia: Desenhar, Usar, Regenerar”.

Aquela associação, bem como a dos hiper e supermercados, segundo o governante, já transmitiram disponibilidade para avaliar a definição de acordos voluntários que conduzam a ações concretas, com base em boas práticas, até ao final do ano.

“Há ideia de vir a criar uma sinalética própria para os estabelecimentos que adotarem e cumprirem essas boas práticas de maneira a que cada um, quando vai a um estabelecimento, [saiba] que nessa unidade são cumpridos princípios”, na área dos plásticos, ou outras práticas ambientais “reconhecidas, validadas e auditadas“, explicou Carlos Martins.

O Fundo Ambiental poderá avançar com algum apoio para que as áreas de restauração das grandes superfícies introduzam alterações, por substituição de materiais ou por uma maior partilha de utensílios que possam voltar a ser utilizados.

O governante exemplificou com a instalação de uma zona de lavagem coletiva de copos, facas, garfos, colheres, pratos de materiais que possam ser reutilizáveis, resultando na redução da quantidade de plástico.

“Esta abertura pode vir a ter sucesso até ao final do ano, em um ou dois casos mais emblemáticos, mas gostaríamos que essa prática depois se estendesse”, apontou.

Outra possibilidade poderá ser um projeto em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, contemplando experiências piloto em zonas da cidade com mais bares, para “um tipo de abordagem mais criativa“, disse ainda Carlos Martins, embora reconheça que, muitas vezes, a substituição de materiais pode não ser recomendável, por questões de segurança.

O plástico tornou-se um problema ambiental já que o seu consumo aumentou substancialmente nos últimos anos e permanece entre 50 a 200 anos na natureza, causando danos, nomeadamente nos oceanos, matando peixes e aves que confundem fragmentos de plástico com alimento.

Fiscalidade sobre plásticos deve ser alinhada com Europa

O secretário de Estado do Ambiente defende que a fiscalidade relacionada com os plásticos em Portugal tem de estar alinhada com a estratégia europeia para evitar que as empresas nacionais sejam penalizadas perante as suas concorrentes.

“Estamos num espaço europeu onde a circulação de bens, serviços e pessoas é livre e temos de acautelar que as empresas portuguesas não são, de alguma maneira, penalizadas, por uma concorrência que venha do exterior, no espaço europeu, onde as regras fossem mais permissivas“, disse à agência Lusa Carlos Martins.

O governante apontou que a administração pública e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estão “muito atentas” aos desenvolvimentos europeus no que respeita às medidas para reduzir o consumo de plástico e para tentar substituir este material por outros amigos do ambiente.

“Penalizar aquilo que eventualmente se produz em Portugal para depois termos à mesma os plásticos a chegarem de outros países e estados-membros não seria” justo, realçou.

Por isso, “o trabalho tem de estar alinhado, sobretudo em matéria de fiscalidade, com aquilo que são as estratégias europeias“, avançou.

No âmbito de outros instrumentos de fiscalidade, explicou Carlos Martins, “sobretudo aqueles que não são para penalizar, mas mais para premiar comportamentos, eventualmente há mais espaço de manobra, porque não promovem essa distorção “.

Assim, para o responsável político, numa primeira fase, até haver regras europeias que sejam aplicáveis em todo o espaço europeu, “as regras de premiar o comportamento são as que melhor colhem no curto prazo”.

Os resultados do grupo de trabalho sobre plásticos, que reúne várias entidades e especialistas relacionados com o tema, serão apresentados na próxima semana.

Alguns partidos políticos, investigadores e organizações ambientalistas têm alertado para as consequências deste material na natureza e defendido que o seu consumo deve ser reduzido ou mesmo acabar.

Admitindo que os materiais possam continuar a ser de plástico, apontou Carlos Martins, é necessário “melhorar significativamente” a sua reciclagem e, para isso, muitas vezes, trata-se de reduzir a quantidade de matéria-prima, de modo a passar a ser um tipo de plástico mais reciclável.

Há embalagens que juntam três ou quatro materiais, por isso, tem sido defendido um esforço de uniformização para o plástico mais reciclável, deixando de ser um produto complexo e passar a ser um produto mais simples, a ser tratado pela indústria da reciclagem.

*

E as mulheres polícias abatidas na Bélgica não revolta as feministas?

6 Junho, 2018

Isabel Moreira, essa deputada cujas batalhas tem sido apenas pela defesa do cigarro electrónico, pelo direito de fumar em locais públicos, eutanásia, casamento gay, adopção gay, pelo aborto, mudança de sexo aos 16 anos e drogas livres, está zangada. Então não é que foram fazer uma publicidade com uma mãe fumadora para alertar sobre os perigos dessa dependência agora que foi revelado um estudo que aponta para o crescimento de mulheres fumadores ultrapassando já os homens?  Onde já se viu usar uma mulher para passar uma mensagem às mulheres com tanto género disponível (dizem que são cerca de 70)? Uma publicidade, não pode ter um mercado alvo. Tem de ser ambígua. Tem de servir os géneros todos senão é discriminação. A mesma disse à agência Lusa: “Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabilizante das mulheres”. Não se assustem. Este raciocínio não é de um doente mental. É de uma deputada que é paga (e bem paga!) por todos nós.

Estamos na era da idiotice avalizada pelos defensores do politicamente correcto. Os criadores de idiotices estão em todo o lado prontos para actuar a cada segundo. Escrutinam tudo e mais alguma coisa para encontrar motivos de discórdia alegando discriminação. Uma simples opinião que põe em causa uma teoria oficial ou até comprovar cientificamente a falácia de certas ideologias, vai imediatamente desencadear todo um processo de desacreditação das pessoas que tiveram a coragem de questionar ou contrariar, chegando ao extremo de processar, rotular  ou prender quem não se submete às idiotices da desconstrução social como foi o caso do jornalista inglês Tommy Robinson. Este Mundo tornou-se perigoso. Os doidos agora andam soltos e com  o apoio dos Governos e organizações internacionais.

O caso da dita publicidade podia ter ficado por aqui com estas baboseiras a que Isabel nos habituou há muito. Mas não. Tinha de entrar no “campo de batalha” as Capazes, famosas pela defesa dos transportes públicos separados,  sanções a livros para meninas,  proibição de voto a homens brancos e tantas outras pérolas. A associação vai mesmo processar quem autorizou esta publicidade alegando que “o problema é a redução da campanha a uma série de estereótipos que têm prejudicado a mulher, reduzindo-a ao papel de mãe e ao papel de princesa”. Estas “snowflakes” sentem-se atingidas na mensagem da publicidade cujo filme é da autoria de alunas da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto. Vejam só que irónico. São duas meninas. Vá lá… o mundo das mulheres não está perdido. A esperança vive, sem dúvida,  nestas jovens lúcidas imunes à lavagem cerebral do marxismo cultural.

É curioso ver quanta hipocrisia reina nestas cabeças desorientadas. Estão tão presentes nas causas inventadas onde não há problemas (só uma mente distorcida vê discriminação na publicidade em causa) mas completamente ausentes, a marimbarem-se literalmente com  mulheres vítimas do politicamente correcto, em serviço na Bélgica enquanto defendiam o país de migrantes extremistas que o governo alberga. A morte destas duas mulheres polícias não as comoveu, não as fez exigir mais controlo na aceitação de migrantes nem tão pouco foi exigido um voto de pesar no Parlamento como o foi  para Marielle Franco. Porquê? É simples: estas feministas não representam as mulheres. Representam uma agenda  “sui generis” para as mulheres. Quem não bater palmas a essa agenda, feita por elas, onde só cabem as mulheres ocidentais (mas não todas) é excluída das suas  “lutas”. Haja coragem para o admitir.

Sou mãe de uma jovem que fuma e confirmo que este flagelo está em crescimento nas adolescentes que amanhã serão também mães. Mas eu não sou politicamente correcta. Não digo à minha filha que “as princesas não fumam” (uma forma muito querida e inofensiva de abordar o tema para as sensibilizar). Digo peremptoriamente que “fumar é estúpido” numa sociedade que promove cada vez mais uma vida saudável. Digo com toda a dureza que “é uma tonta” e que se não fizer nada por ela agora, mais tarde se arrependerá com a perda da própria saúde. Digo-lhe que “só alguém pouco inteligente” se mata lentamente com uma porcaria que não serve para nada muito menos para se promover socialmente (como era no meu tempo de liceu).  Digo o que tem de ser dito sem delicadeza. Sem pinças. Não por não a ver como minha princesa (que mal tem isso?) mas porque quando o tema é duro,  opto sempre por uma mensagem também dura.  Se  em vez de uma menina fosse um rapaz e a mãe dissesse,  “os heróis não fumam” , também seria uma histeria porque haveria sempre uma feminista a ver discriminação “contra as mulheres”, ao atribuir aos rapazes a imagem de heróis, porque os coloca numa posição superior  em relação às meninas. É assim que funciona a cabeça destas mulheres. Vêem discriminação em tudo.

Perder tempo a alegar discriminação imaginária numa simples publicidade, muito bem feita, idealizada por duas jovens do ensino secundário, sem qualquer desrespeito por ninguém, enquanto se ignora as verdadeiras vítimas, só demonstra a inutilidade desta gente que vive à custa do Estado. Não há paciência!

 

Como as misses doravante não vão ser julgadas pela aparência exterior recomendo aos júris que adoptem como critério da beleza estes cartazes da Livraria Progresso

6 Junho, 2018

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Portanto será a partir de electroencefalogramas ou endoscopias?

6 Junho, 2018

“Não vos vamos julgar pela vossa aparência exterior” – Gretchen Carlson, que preside à organização da Miss América.

O Vítor Cunha defende que avaliação do júri passará a ser efectuada assim34722869_10212412218048129_5080787543406936064_n
Não concordo. Este tipo de avaliação é fortemente discriminatório. Há certamente quem tenha um fígado melhor formado, um estômago com uma incisura angular melhor conseguida isto para não falar da problemática do antro pilórico (bendita wikipedia!!!) A escolha de Miss America deve ser feita através de um sistema que permita uma verdadeira igualdade. Pelos dados, por exemplo. O desfile devia acabar e a eleita devia ser encontrada  numa manifestação, no metro ou na assistência a um jogo. Assim também se evitava aquele espalhafato dos vestidos e dos cabelos.


Já murchaste uma das versões, pá / Fico contente

5 Junho, 2018

chico

 

Chico Buarque, o homem que eu gostaria de ser e que a minha mulher, as minhas amigas, as minhas vizinhas, as minhas colegas de trabalho e todas as restantes senhoras com quem me cruzo no dia-a-dia gostariam que eu fosse, está em Portugal. Não tendo conseguido arranjar bilhetes para os concertos, tive de me socorrer de outros meios para esclarecer a “questão essencial”: afinal, qual das versões de “Tanto Mar” foi oferecida ao Coliseu do Porto? A primeira, que até Jaime Nogueira Pinto deve trautear no banho quando está distraído? Ou a segunda, que os esquerdistas mais duros cantam a plenos pulmões em estado de atenção plena?

Comecemos por relembrar a história: após o 25 de Abril, Chico Buarque compõe uma pequena (em duração) e lindíssima (não sabe fazer outras) música a homenagear a festa da liberdade em que Portugal estava mergulhado, realçando a diferença entre a primavera democrática que nos tinha atingido e a doença ditatorial que continuava a assolar o Brasil; em 1978, vendo que a deriva bolchevique iniciada em 1975 tinha sido interrompida pelo 25 de Novembro, sente-se obrigado (palavras do próprio) a alterar a letra, passando a referir a festa como um acontecimento do passado que alguém tinha tratado de estragar. Chico ainda mantém algumas esperanças revolucionárias (“… certamente / esqueceram uma semente / nalgum canto do jardim”), mas o verso “já murcharam tua festa, pá” revela bem o desgosto presente nesta segunda versão.

Felizmente, de acordo com os relatos do concerto do Porto, o artista brasileiro reconciliou-se com a normalidade democrática do nosso país e percebeu que murchar certas festas é a atitude mais correcta. Tal como vemos nos filmes sobre adolescentes, a chegada da polícia à festa caseira que se desenrola durante a ausência dos progenitores pode salvar muita louça e, no limite, a própria casa. E quem diz polícia diz as tropas de Jaime Neves e de Ramalho Eanes.

Sim, Chico Buarque cantou aos portuenses a primeira versão de “Tanto Mar”. E eu, fazendo minhas as palavras da canção, fico contente.

 

Com a autarquia transformada numa organizadora de eventos

5 Junho, 2018

o lixo cresce pelas ruas. Em Benfica, imagens como esta sucedem-se.

E não, a culpa não é da falta de civismo dos munícipes mas sim da falta de recolha de lixo.  A desculpa do costume – o lixo feito pelos turistas – aqui também não colhe: em Benfica não há turistas. A não ser que alguém se perca no caminho entre o Jardim Zoológico e  o Parque de Campismo de Monsanto não se avista um turista por estas paragens.

E as grandoladas?

4 Junho, 2018

O debate sobre ativismo, organizado pela Tinta-da-China na Feira do Livro de Lisboa a propósito do lançamento de Racismo no País dos Brancos Costumes, teve de ser interrompido a dez minutos do fim devido aos comentários de uma voluntária.

Vê-se mesmo que estão mal habituados. Há anos que em apresentações de livros e debates  aturo gente a cantar a Grândola, a dizerem que têm fome e a darem vivas à revolução.  Tanto quanto me recordo até se achavam naturalíssimas essas performances. Eram as grandoladas. O Henrique Raposo até teve direito a actuações especiais. E os jornais dividiram-se, claro: “Apresentação do livro Alentejo Prometido foi uma espécie de corolário de uma polémica sobre identidades regionais, redes sociais e liberdade de expressão. Cante Alentejano interrompe evento e palmas distribuíram-se pelos músicos e pelo autor”.

Estranhamente no caso do debate sobre activismo organizado pela Tinta-da-China houve logo queixas e pedidos de desculpa. Estou em crer que se a senhora tivesse cantado a “Grândola” nada disto tinha acontecido. É que há interrupções  e interrupções.

Portanto vamos ter mais um imposto, taxa, tara… enfim o custo de estarmos na linha da frente

3 Junho, 2018

As várias medidas em cima da mesa, nomeadamente aquelas avançadas pelos partidos na Assembleia da República, “para legislar sobre descartáveis, taras recuperáveis ou maior aumento de garrafas reutilizáveis, podem colocar Portugal na linha da frente” na luta contra os plásticos, disse à agência Lusa Carmen Lima, da Quercus

Uma semana normal

3 Junho, 2018

28 de Maio de 2018. “Como brincar com bonecas agrava o risco de pobreza na velhice”.
29 de Maio de 2018. O parlamento português chumba a eutanásia. Catarina Martins, vitoriosa, tratou de nos informar que a eutanásia voltará ao parlamento.
30 de Maio de 2018. Onde estão as notícias sobre o atentado na véspera em Liège? Nas capas dos jornais portugueses de dia 30 a única morte que sobressai é a da girafa do Jardim Zoológico de Lisboa que caiu ao fosso.
31 de Maio de 2018. Merkel está em Portugal. Ao contrário do que acontece na sua visita de 2012, tudo corre no melhor dos mundos.
1 de Junho de 2018. A corrupção dos quadros intermédios do PP no tempo de Aznar acabou por fazer cair Rajoy. No PP espanhol a corrupção não era coisa de um homem só, Má sorte a de Rajoy não ser português e socialista.

2 de Junho de 2018. A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e partenaires fazem o número da indignação. Há quem bata palmas.

Querem falar de machismo?

2 Junho, 2018

Monedero fundador do Podemos mete as mãos nos ombros da até agora vicepresidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría. Os jornalistas destacaram a frase de Monedero: “Me alegro de que os vayáis” Ma sa questão não é essa. Monedero nunca primou pela educação. E não é agora que vai começar. O que choca é a forma como mete as mãos nos ombros de uma mulher e em perfeita posição dominante desata a falar.
As feministas lá do burgo estão caladitas claro. Porque aos chefes de esquerda elas obedecem com alegria e subserviência. E calam, claro.

Este debate ofende-me; este livro não tem elevação; Isto não se devia dizer

2 Junho, 2018

Não tencionava retornar ao tema da eutanásia — e não o vou fazer —, contudo, vou retornar a um dos argumentos usados pelos defensores da causa, o de que o debate não foi elevado e, como tal, não foi elucidativo, permitindo a que os deputados votassem mal. Ora, o nome que se dá ao interveniente que afirma que é um debate não teve a elevação suficiente é, muito naturalmente, “o derrotado”. Mas, sobre elevação e debate no espaço público, redes sociais e jornais, tenho a acrescentar apenas a lembrança deste pequeno trecho (em Inglês, peço desde já desculpa):

There is more than one way to burn a book. And the world is full of people running about with lit matches. Every minority, be it Baptist/Unitarian, Irish/Italian/Octogenarian/Zen Buddhist, Zionist/Seventh-Day Adventist, Woman’s Lib/Republican, Mattachine/FourSquareGospel feels it has the will, the right, the duty to douse the kerosene, light the fuse. Every dimwit editor who sees himself as the source of all dreary blanc-mange plain porridge unleavened literature, licks his guillotine and eyes the neck of any author who dares to speak above a whisper or write above a nursery rhyme.

Fire-Captain Beatty, in my novel Fahrenheit 451, described how the books were burned first by minorities, each ripping a page or a paragraph from this book, then that, until the day came when the books were empty and the minds shut and the libraries closed forever.

[…]

For it is a mad world and it will get madder if we allow the minorities, be they dwarf of giant, orang-utan or dolphin, nuclear-head or water-conversationalist, pro-computerologist or Neo-Luddite, simpleton or sage, to interfere with aesthetics. The real world is the playing ground for each and every group, to make or unmake laws. But the tip of the nose of my book or stories or poems is where their rights end and my territorial imperatives begin, run and rule. If Mormons like not my plays, let them write their own. If the Irish hate my Dublin stories, let them rent typewriters. If teachers and grammar school editors find my jawbreaker sentences shatter their mushmilk teeth, let them eat stale cake dunked in weak tea of their own ungodly manufacture.

– Ray Bradbury (1979)

 

E se em vez do tesoureiro o corrupto fosse o secretário-geral? E se em vez de Espanha estivéssemos a falar de Portugal?

1 Junho, 2018

Rajoy caiu porque o tesoureiro do seu partido era corrupto. Quem liderava o PP à data dos factos era José María Aznar. Mas Rajoy caiu em 2018 por causa de Barcenas.

 

 

 

Legislar para matar

1 Junho, 2018

Começo por dizer que sou sensível ao sofrimento profundo. Que o conheço porque o senti. Que sei o que é perder toda a esperança e deixar de ver luz. E que de facto confirmo que a vontade de morrer é algo extremamente sedutor quando nada, mas nada mais temos a perder. A morte, naquele momento, parece a salvação a que nos agarramos com toda a força porque estamos fartos, fartos da dor e queremos partir. Sobretudo se somos crentes e acreditamos na vida além da morte. Isso dá-nos alento para prosseguir no nosso objectivo. Mas morrer é irreversível e dou por mim a pensar, vezes sem conta, no que teria perdido se o tivesse feito. Sim, há gente que precisa de ajuda e é urgente resolver essa questão. Mas será legalizando a morte provocada? Vamos reflectir.

Em primeiro lugar não se tratam estes temas sérios e irreversíveis de forma brejeira, num circuito fechado entre deputados e muito menos à pressa. Nenhum partido político colocou a eutanásia no seu programa eleitoral. Logo nenhum está legitimado para o legislar. Se vivemos em democracia como tanto gostam de lembrar não podem agir como pequenos ditadores assumindo ser essa a vontade da sociedade. Não foi dado voz aos cidadãos, não houve debates públicos de esclarecimento sobre as propostas apresentadas, nenhuma televisão fez reportagens sobre o tema ou entrevistas com os proponentes, como raio se atrevem a levar algo para aprovação com o desconhecimento total da população sobre o que é ou não proposto? Quando não se debate o assunto em público surgem dúvidas, receios, medos e são todas legítimas. Quem disser o contrário é desonesto.

Porque o direito a morrer já existe. Todos podemos recusar – sem eutanásia legalizada – tratamentos ou pedir para desligarem as máquinas de suporte à vida. Todos. Assim como, de forma individual, qualquer um pode pôr termo à vida sem consequências para quem fica. Curiosamente, o suicídio individual que não passa ele próprio de um acto de alguém que quer pôr termo ao sofrimento prolongado, é criticado, é condenado social e politicamente. Quem não se lembra das polémicas à volta de Passos Coelho a quem apontavam o aumento de suicídios em Portugal? Ora se é um direito individual que põe termo ao sofrimento de cada um, porque se critica? O acto só é aceitável se for com aval do Estado, é isso?

Ironicamente enquanto à pressa se tenta aprovar a eutanásia em Portugal, as notícias dão-nos conta que há um desinvestimento colossal no SNS que põe em perigo tratamentos oncológicos e 70 000 pessoas sem cuidados paliativos, reduzindo a esperança a quem quer viver! Não é um paradoxo haver uma preocupação desmedida pela morte provocada e um desleixo completo por quem quer viver, faz sentido? Isto para não falar das recentes descobertas científicas que põem termo à dor crónica e que ninguém parece interessado em divulgar, porquê?

Por outro lado, é preciso compreender que não existe liberdade absoluta em sociedade. Isso é anarquia. É viver no caos. Porque as liberdades de uns vão condicionar a liberdade a outros. Por isso, a única liberdade absoluta é aquela que temos em privado. Aquela que podemos dispor como nos apetece, sem restrições. Mas em colectivo, tem de haver ordem. Tem de haver regras. Porque estamos em interacção com outros e esse convívio só é saudável se houver limites. Ora, quando queremos legalizar a morte provocada por terceiros (sem ser por nós), abrimos uma espécie de Caixa de Pandora que atinge todos por igual e cujo resultado só o podemos efectivamente ver na prática. Mas, tratando-se da legalização da morte e sendo ela irreversível, pode ser fatal para toda uma sociedade. Aqui, não se ganha liberdade, perde-se.

É estranho queremos avançar rapidamente sobre esta matéria tão complexa sem sequer querer ouvir quem já a tem em prática como é o caso da Bélgica e Holanda. Curiosamente esteve cá um desses mentores holandeses, o especialista Theo Boer, professor universitário de ética na Holanda e que testemunhou que apesar da lei ser só para casos excepcionais em determinadas situações, viu essa especificidade ser ultrapassada fazendo disparar as mortes não justificadas onde se incluem os dementes. E que hoje pretende-se alargar o direito já existente a pessoas com 75 anos que já não queiram viver! É o terror sobre os idosos em marcha.

Ademais, ninguém olhará da mesma maneira para os médicos e enfermeiros. Quando entrarmos num hospital com diagnóstico grave, jamais nos vamos livrar do medo sem saber se aqueles profissionais que nos calharam na rifa são pró-eutanasia e vão dar tudo por tudo para nos ligar à vida. A desconfiança vai reinar porque todos sabemos que num país com cultura corrupta muitos receberão dinheiro para fazer sumir à luz da lei. Não vale a pena fingir que isso não é possível. Sabemos que sim. Perguntem aos idosos holandeses que migram para lares na Alemanha, por medo.

Esta lei é a antítese da liberdade individual porque coloca na mão do Estado, corrupto, mentiroso, pouco transparente, a nossa tão preciosa vida, dando-lhe poder de decidir sobre ela. Assim, não tardará o dia em que vamos ter de deixar escrito que não autorizamos que nos matem em caso de perda de consciência num acidente, doença grave ou velhice.

Eutanásia é um retrocesso civilizacional. É o assumir do fracasso como sociedade que se demite de proteger, ajudar e cuidar numa era onde a ciência nunca foi tão evoluída e capaz das mais espectaculares descobertas. Por que retirar a esperança às pessoas? É também sinal de hipocrisia quando se criminaliza a prática nos cães a que chamam evolução para a legalizar nos humanos. Não faz qualquer sentido.

Recordo aqui que no AltaDefinição Cristina Caras Lindascontava que quis morrer depois de uma doença terrível que a pôs de coma e quando acordou só mexia a cabeça. Graças à equipa de médicos e enfermeiros extraordinários, que não desistiram, a quem ela agradece emocionada a vida que recuperou, diz-se hoje uma mulher muito feliz por poder usufruir do neto maravilhoso, que entretanto a vida lhe deu e que adora. Caso para perguntar: e se tivesses sido eutanasiada, Cristina?

Não precisa de responder, nós sabemos a resposta.