E agora não pintam nada?
Em 2012, Merkel visitou Portugal. O BE viu nessa visita uma provocação e exigiu “que o Governo apresente contas sobre o custo financeiro para os contribuintes das medidas de segurança que o Governo está a preparar”
Pelas paredes surgiram pinturas de fino recorte e em frente à AR houve manifestações. Os activistas do costume fizeram uma carta aberta contra a vinda de Merkel a Portugal ,Jerónimo de Sousa garantia «Quem manda em Portugal não é a senhora Merkel» Jerónimo de Sousa diz que quem manda em Portugal é o povo português» E Mário Soares escrevia esta espécie de redacção: Os portugueses, desesperados, não ignoram a visita. Mas já se percebeu que o povo português não gosta da senhora Merkel nem a chanceler do nosso povo.
Fizeram-se inquéritos com as respostas do costume:
Amanhã há mais
A eutanásia passou. Quer dizer, chumbou, mas é temporário, há-de passar.
Estou noutra agora. Não sei se vai ser a redução da idade do consentimento sexual, o regresso da pena de morte, a abolição compulsiva do pénis, a campanha “adopte um refugiado”, a adopção de crianças por casais de pedófilos ou a ilegalidade de bebés com sexo, mas, com a eutanásia ganha, vem aí outra, ah pois vem. E outra. E outra. E outra. E o Papa Francisco apoiará, as crianças das escolas cantarão novos hinos e o Rui Rio voltará para Santa Helena a pensar no que correu mal (não pergunta, se perguntasse qualquer um lhe diria) enquanto a Assunção Cristas lá conseguirá mais um ponto percentual, sabe-se lá porquê, enquanto o resto da Direita continua à espera do D. Sebastião. Às tantas, a figura messiânica já andou por aí, mas não me parece que, sendo o caso, o conseguissem identificar. Já é assim há 2000 anos, mesmo que aqui seja só há 900, e é assim que tem que ser, porque é o que é, e o que é tem muita força.
As (in)Capazes
Assumo sem problema algum que não sou nem nunca serei feminista. Mas isso não significa “ódio às mulheres” como alguns homens e mulheres feministas me conotaram (francamente!). Bem pelo contrário: significa que não aceito que se diminua a mulher retirando-lhe capacidades intrínsecas de conquistar objectivos para justificar sua pseudo-defesa por grupos de mulheres radicais e obsessivas. Dizer que uma mulher para conseguir algo na sociedade precisa de outra mulher ou grupo delas, é ofensivo. A mulher para conseguir tudo o que quer na vida só precisa de vontade, determinação e acreditar nela sem medos para iniciar a mudança. Mulher só não consegue o que não quer.
Lutar pela igualdade de direitos é uma luta de todos, por todos, sem discriminação. E ao fazê-lo por uns, abre-se portas aos outros. Mas a mulher em particular pela sua poderosa natureza de lutadora resiliente capaz de superar barreiras inimagináveis aliada a uma persistência invulgar, foi desbravando caminho para chegar a todo o lado praticamente sozinha. As mulheres sempre souberam ultrapassar tabus e preconceitos com sua teimosia rebelde e poderes de sedução. Sim. Sedução. São as únicas que conseguem dar a volta aos homens fazendo-os perder a razão em segundos e dominá-los sem que se dêem conta usando a narrativa certa. Usaram e usam essa arma desde que existem. Por isso são as mais poderosas dos dois sexos. Se você é mulher e nunca viu isto, é cega.
Ter direitos iguais não significa eliminar as diferenças entre sexos como se as diferenças fossem algo pejorativo para a mulher. Ser diferente é ser o complemento, a diversidade que traz mais valias à sociedade. Precisamos tanto da sensibilidade e intuição feminina como da razão e objectividade do homem. Um ambiente de trabalho que não seja equilibrado entre géneros trará problemas. A propósito, trabalhei como docente em escolas com mais de 100 pessoas onde as mulheres eram sempre em maioria. Nesse universo desequilibrado (com poucos homens), os problemas começavam a aparecer (devido à natureza fortemente competitiva entre elas) assim que uma outra mulher se destacasse e fosse mais popular junto dos alunos ou professores masculinos.
Porque as diferenças não são uma construção social. Podem vir com todos os estudos encomendados que quiserem. Jamais conseguirão que eles expliquem porque uma célula masculina é diferente de uma feminina. Não vale a pena bater no ceguinho. A biologia é incontornável e determina os géneros vincando o que os diferencia e ainda bem. As feministas que insistem em contrariar este facto, mas dizem-se casadas, que me perdoem: começo a duvidar que têm realmente um homem em casa porque quem os tem sabe o quanto são diferentes sem precisar de estudos para o demonstrar. Por outro lado, se fosse realmente uma construção social, como se explica que minha filha mais velha nascida nos anos 80, onde não havia ainda lavagem cerebral da ideologia de género, nunca tivesse pedido uma boneca, nas fileiras dos brinquedos devidamente separados pedia para que comprasse action-man, tartarugas ninja, jogos da Sega e legos enquanto os dois mais novos, nascidos nesta nova era da estupidez da ideologia de géneros, a rapariga escolhia bonecas, cozinhas e maquilhagem e o rapaz sempre se interessou por máquinas com rodas? Afinal em que ficamos?
Num programa da tarde em que Rita Ferro Rodrigues era apresentadora, falava-se de mulheres e homens que tinham renunciado a carreiras profissionais para tomar conta da família (sim, existem pessoas assim). Quando as senhoras referiram ter sido por opção – e que eram discriminadas por outras mulheres por isso – Rita ignorou completamente. Mas quando foi a vez do homem, elogiou, louvou, e até se emocionou! Porque não teve a mesma reacção para ambos? A hipocrisia das feministas não termina aqui. A mesma Rita que diz defender as mulheres defende a entrada massiva de migrantes islâmicos com uma cultura de opressão bárbara sobre a mulher. Mais ainda: as Capazes que ela lidera defendem coisas como por exemplo a suspensão do voto de homens brancos para equilibrar a sociedade. É isto a defesa pela igualdade?
A lógica das Capazes é esta: a mulher pode ser enfermeira em vez de médica ou simplesmente renunciar a uma carreira para tomar conta da família? Pode mas não deve porque isso revela que inconscientemente a sociedade a oprimiu. Pode dirigir uma multinacional, governar um país ou ter um cargo de direcção na Administração Pública? Pode e deve porque só assim luta pela igualdade. Assumir-se diferente do homem? Nunca, porque isso é desvalorizar-se! Na óptica destas senhoras, temos todas de ambicionar altos cargos e carreiras de topo senão significa que estamos a ser oprimidas. Tal e qual.
As Capazes não passam de incapazes que não foram habituadas a lutar por nada. Que não sabem os caminhos para as conquistas porque tudo lhes foi dado de bandeja, sem esforço. É gente incapaz de esfolar as mãos, para atingir metas. Nunca tiveram de construir nada por si, com derrotas e fracassos pelo meio. Viveram numa bolha social fofinha onde um dia sonharam criar associações inúteis para arrecadar 73 000€ por 4 sessões de palestras no Alentejo fazendo crer aos incautos que estão a defender algo quando na verdade estão apenas a orientar-se à conta do erário público. É tão somente isto.
Se o suicídio é um direito…
…não seria suposto criminalizar quem tenta evitar que alguém exerça esse direito?
Vida sem esperança
Prémio título do ano
Morte assistida: está na hora!
Por quem é sr dr. Vá andando que eu estou um pouco atrasada
para onde vai pedro passos coelho?
Nada escrevi acerca do debate travado entre Adolfo Mesquita Nunes e Vasco Pulido Valente, sobre o tema «para onde vai a direita», que teve lugar na semana passada no Grémio Literário. Não estive lá, mas li o magnífico texto que lhe dedicou o José Meireles Graça, mais do que suficiente para uma aproximação ao que por lá se passou. A dedicar-me ao assunto tenderia a dizer o óbvio, que seria redundante: que não há, de momento, um pensamento político e estratégico de direita em Portugal, se por esta for entendido qualquer coisa que escape ao estatismo social-democrata/socialista mainstream, que tem orgasmos múltiplos e prolongados com as «vitórias económicas da geringonça e do Cristiano Ronaldo das finanças», esta semana orgiacamente festejados, «ambos os dois», na Batalha. Como diria também que a nossa tradição direitista em Portugal não é liberal, limitando-se a versões adocicadas de uma democracia-cristã situada entre o beato e o iliberal, o que não me fascina. E acrescentaria ainda que, por muita consideração que tenha pelos dois, que a opinião de um homem estruturalmente avesso ao primado do mercado e de outro que está partidariamente comprometido ao mais alto nível, sempre me mereceriam alguma reserva sobre as conclusões que pudessem retirar num tema como este, por mais interessante que fosse – como certamente foi – o debate.
Acresce ainda que todos os momentos de direita que o país teve, desde o começo do século passado, foram pouco agradáveis e quase sempre terminaram muito mal. Sidónio quis implantar uma ditadura e pagou-a com o próprio sangue; Salazar criou um regime de repressão e de isolamento asfixiante do país e das pessoas; Marcello Caetano criou expectativas que não cumpriu, e acabou dentro de uma chaimite empurrado pela populaça; Sá Carneiro morreu sem ter concluído um ano de governo da AD; dos governos seguintes de Balsemão e Freitas o melhor é nem falar; Cavaco Silva recebeu toneladas e toneladas de dinheiro de Bruxelas para criar o novo «homus cavaquensis», um irredutível e intrépido empresário lusitano que nos deixou um governo liderado por António Guterres; Barroso comprometeu-se a tirar o país do socialismo e pôs-se a andar para Bruxelas assim que pode, legando-nos, em seu lugar, o seu delfim e ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, Pedro Santana Lopes.
Neste contexto, discutir uma coisa que não existe ou que, quando aparece, é pouco mais do que desagradável, não se recomenda a ninguém. Mas, sabendo-se que «em terra de cegos quem tem olho é rei», Vasco Pulido Valente disse, pelo que li no texto do Zé, o óbvio ululante: a direita portuguesa tem um «líder natural» que está, de momento, na reserva. De modo que este debate poderia ter tido outra designação: «Para onde vai Pedro Passos Coelho?». Nas últimas décadas, apesar da experiência governativa de coligação com Paulo Portas e o FMI a que teve de sujeitar-se, Passos foi a única coisa a aparecer na direita à margem do pensamento socialista e estatista que sempre a caracterizou. É por isso que é ele – e não o PSD, muito menos Rui Rio – que o PS e António Costa continuam a temer. Porque é dele que pode vir uma verdadeira alternativa ao que está. De resto, o móbil do congresso socialista da Batalha deste último fim-de-semana, foi-lhe inteiramente dedicado: «o PS provou que também sabe de economia e finanças públicas».
Neste seu interregno, Pedro Passos Coelho que reflicta como se pretende voltar a presentar ao país. Não terá terceira oportunidade.
Under Pressure

O Parlamento vai debater a despenalização da eutanásia, e Rui Rio, um defensor dessa ideia, já veio lamentar a pressão que está a ser exercida sobre os deputados por parte de pessoas que a ela se opõem. O Presidente do PSD tem a razão do seu lado. O povo, como se sabe, nunca está satisfeito. Antigamente queixava-se por viver em ditadura; agora, que já tem a oportunidade de eleger e pagar o salário a deputados, acha-se com o direito de ser por eles representado. É gente muito chata e exigente, às tantas pensam que isto é alguma democracia representativa.
Esta atitude dos eleitores, profundamente desagradável, revela-se também nas críticas que fazem à ausência de debate sobre o assunto durante a campanha eleitoral e à omissão do tema nos respectivos programas. Como se fosse possível abordar tudo em textos que não ultrapassam as 92 páginas, no caso do PS, e as 148, no caso do PSD. Deixemos esse espaço nobre e reduzido para as questões verdadeiramente importantes. Ainda para mais, essa lacuna servirá para promover a igualdade na sociedade portuguesa: tínhamos os cidadãos que ignoram as propostas partidárias por não se darem ao trabalho de ler os programas eleitorais, e agora também temos os cidadãos que ignoram as propostas partidárias apesar de se darem ao trabalho de ler os programas eleitorais; e tínhamos os cidadãos que não liam os programas eleitorais por estarem divorciados da política, e agora também temos cidadãos que se vão divorciar da política por lerem os programas eleitorais. É um grande avanço para Portugal: antes uma ignorância informada do que uma simples ignorância.
Note-se que a posição de Rui Rio tem sido devidamente apreciada e elogiada por várias pessoas. Para grande azar são pessoas de esquerda, que nunca na vida nele irão votar. Mas é um bom começo. Um dia destes, quando tiver disponibilidade, talvez Rui Rio possa começar a agradar ao seu próprio eleitorado.
Em relação ao tema propriamente dito, só tenho um reparo a fazer. Aparentemente, as pessoas vão poder ser eutanasiadas nos hospitais públicos, mas apenas na modalidade a pronto. Quem se quiser eutanasiar a prestações, através, por exemplo, do consumo de croquetes, chamuças, croissants e refrigerantes, terá de continuar a recorrer a serviços de saúde privados. Penso que devemos rever este aspecto. A eutanásia a prestações, apesar de mais demorada, também acaba por ser eficaz. É o método que Rui Rio está a aplicar ao PSD e os resultados estão a ser bastante positivos.
Notas soltas sobre a eutanásia
1. No Oregon, a eutanásia é legal há 20 anos. Há cerca de 40 casos por ano. Na Holanda, com uma população apenas 4 vezes maior, houve mais de 6 mil em 2017, incluindo crianças com menos de 16 anos. Eu não aprovaria nada sem perceber o que causou a slippery slope num caso e não noutro.
2. Ramon Sampedro ficou tetraplégico aos 25 anos. Se a eutanásia fosse legal, teria morrido aos 26. Nos 29 anos seguintes escreveu um livro, defendeu uma causa (por acaso, a eutanásia) e deu inúmeras entrevistas. Viveu.
3. Muitas pessoas compram sepulturas e deixam dinheiro alocado para o seu funeral muito antes de morrerem. Fazem partilhas em vida ou deixam testamentos para que a sua morte não cause desavenças familiares. Aquelas que sabem que vão morrer uns meses antes procuram fazer as pazes com amigos e familiares, resolver inimizades e deixar conselhos aos filhos. A maioria das pessoas gosta de morrer no conforto de saber que deixou tudo tratado. Ramon Sampedro morreu sem saber se os seus amigos mais próximos seriam presos depois da sua morte por o terem ajudado a suicidar-se.
4. Não foram.
5. Há uma tendência a “fazer equipas” cada vez que se fala em assuntos fracturantes, como se fossem todos iguais. Como se o direito a casar, a abortar, utilizar técnicas de PMA ou a ser eutanasiado fossem tudo uma e a mesma coisa, com o mesmo tipo de considerações. Quem assume por defeito a posição progressista ou conservadora qualquer que seja a questão merece zero credibilidade, por muito atractiva que seja a retórica de trincheira.
6. Quantas pessoas foram condenadas por praticar a eutanásia em Portugal? Zero? Será que nunca houve eutanásia em Portugal ou vamos despenalizar algo que nunca foi penalizado? Será a hipocrisia marcelista do “É ilegal, mas pode-se fazer” um mal menor em relação ao risco de dar ao estado o poder de matar?
E assim iremos até que um acontecimento excêntrico ponha fim ao roteiro do combate-salvação
Vão-se os dedos, ficam os anéis
O rumo e o destino da Direita
Post de convidado: Paulo Milheiro da Costa

Respondendo ao amável desafio do Blasfémias e da Oficina da Liberdade, alinho aqui algumas breves reflexões sobre o rumo e, decerto imprudentemente, o destino da Direita em Portugal.
Estas linhas são escritas ainda sob a influência do que ouvi na passada sexta-feira, no Grêmio, da boca de Vasco Pulido Valente e de Adolfo Mesquita Nunes. Em particular, VPV foi arrasador para com a Direita actual. E eu concordo, aquilo que passa por Direita em Portugal hoje é lamentável, para ser simpático. Não há ideias, não há rumo, não há pessoas (AMN é por enquanto uma boa promessa, mas nada mais).
Mas o tema não é o estado actual da Direita portuguesa, é o seu futuro. E em politica, parafraseando uma frase famosa, o futuro é um país estrangeiro. Ou seja, pode ser muito diferente do que se imagina ao simplesmente projectar nele a realidade actual.
Para clarificar, se é esse o termo, uso a palavra Direita para designar o conjunto de eleitores que estão ou estarão disponíveis para votar em partidos que não sejam declaradamente socialistas. O primeiro problema da Direita é esse, tais partidos não existem ou são dirigidos pelas pessoas erradas, incapazes de um discurso que seja distinto do discurso socialista e, simultaneamente, vendável ao eleitorado português. Muita gente, julgo que a maioria, não acredita que o não-socialismo seja vendável em Portugal, porque o eleitorado está maioritariamente dependente do Estado e portanto é socialista, por interesse. Eu não acho nada que isso esteja demonstrado – é simples falta de imaginação e uma inclinação para o conformismo vitimista e auto-desculpabilizante – que há boas razões para pensar que, a um prazo razoável, digamos dez anos, a Direita tem hipóteses.
Primeira razão: metade, ou perto disso, do eleitorado não vota. E da metade que vota, pelo menos 40% vota no PSD e no CDS. Isso significa que a esquerda pode bem não ter a maioria social. Mesmo hoje, com todo o populismo de esquerda, não existe essa maioria de esquerda no eleitorado, longe disso. Claro, a Direita precisa de ter cabeça ou seja ideias e discurso claros para tirar partido disso. Hoje não tem. Mas onde está escrito que nunca terá?
O que me leva à segunda razão: pouco a pouco, têm vindo a surgir novos partidos ou projectos de partidos. Com erros, com defeitos, certamente, tendo para mais de enfrentar os puristas liberais ou conservadores instalados, sim, mas o ponto é que são vários e que são novos. De entre ele eles, é perfeitamente possível que surjam caras e ideias que consigam cativar o eleitorado que se desinteressou, em parte pelo grau ostensivo de corrupção e incompetência que começa a colar-se à geringonça. E há os jovens.
Que leva à terceira e última grande razão para não estar tão pessimista como é moda entre os meus amigos. O poder, mesmo o poder ardiloso e mentiroso dos socialistas, desgasta. Esse desgaste, por si só, é (devia ser) uma fonte de esperança para a Direita. Aliado aos escândalos de todo o tipo associados à governação da esquerda e às razões apontadas acima, custa a perceber o derrotismo de tanta gente à Direita.
Eu acredito que nos próximos anos muita coisa vai mudar que pode por sua vez mudar para muito melhor as perspectivas da Direita. Não será, claro, com os protagonistas baços e falhos de ideias como temos desde 2015 (sim, Passos incluído, deixem o homem em paz, deixem-se de sebastianismos). Será com novos políticos, novas caras, novas ideias e novos eleitores. Mas confio que o socialismo não pegou de estaca em Portugal. Isso é conversa de derrotados da vida.
Paulo Milheiro da Costa
Alfragide
Este Governo é um lixo
É todos os dias isto. Notícias atrás de notícias a dar conta de mais trafulhices, de mais roubalheira, de mais corrupção. Um fartote de ilegalidades à descarada a que chamam depois de descobertos, “lapsos e percalços” (estão a gozar literalmente connosco) como se fossemos todos mentecaptos! Não há pachorra para tanto abuso de poder à luz do dia enquanto se movimentam como se tudo isto fosse perfeitamente normal num Estado de direito. Só numa semana (sem mencionar os casos acumulados durante os três anos de governação) foi uma catadupa de acontecimentos vergonhosos que nos coloca ao lado dos países mais subdesenvolvidos! É a indecência a governar como na Venezuela! Siza Vieira é agora o protagonista do “filme” (mais um) onde contracena com Ivo Rosa e António Costa . É isso mesmo. Um no MAI, outro na Justiça, outro como 1º Ministro. Que fantástico!
Esta semana foi a notícia de que António Costa fez especulação imobiliária (sim ouviu bem). Usando o seu status de 1º Ministro comprou a um casal de idosos uma casa no Rato por 55 mil, valor muito abaixo do preço de mercado, vendendo dali a 10 meses pelo dobro insinuando que era para a filha, coitadinha, que queria morar ali pertinho do café do irmão. Que ternura! Nada disto teria tido grande importância se não tivesse este mesmo condenado até à exaustão estas práticas nos privados (essa “raça” de gente que ele persegue). Vamos recordar o que foi dito por ele: “O PSD e CDS criaram uma lei das rendas injusta e desumana que nem os idosos poupa a especulação imobiliária”. Está a ver o carácter desta criatura? Pior: usou a confiança depositada pelo casal, que tinha melhor proposta, por ser o Ministro de Portugal. Abominável. Ora a transacção deveria ter sido comunicada ao TC em 60 dias. Só o foi passados 287 e a venda 71 dias depois. Costa alegou lapso. Pois está claro. Esse “senhor lapso” tem as costas largas. Nada de novo.
Seguiu-se outro artista, Siza Vieira, aquele advogado cuja Sociedade de Advogados, a Linklaters, assessorou o contrato do SIRESP assinado por Costa e Constança em 2006 e o transformou naquilo que é hoje: um negócio que iliba a empresa de qualquer responsabilidade em caso de catástrofe. Não é digno de génio? E que depois foi contratada de novo por Constança para dar um parecer sobre essa mesma cláusula!! Ou seja, contrataram a “raposa” para verificar a segurança do “galinheiro” cujo sistema foi implementado por essa mesma “raposa” e fazer assim uma análise “independente”. Veio agora a público que este camarada tinha constituído 24h antes de tomar posse como membro do governo de António Costa, uma sociedade imobiliária – que não possui desde então qualquer registo de actividade – vocacionada para a administração de bens próprios e alheios, assim como actividades de consultadoria, da qual se esqueceu de desvincular por ignorar as incompatibilidades. Assim como se esqueceu que um advogado não pode ser detentor de empresas de imobiliário. Sim porque há que lhe dar desconto. Não é por ser advogado que tem de ter a legislação toda na ponta da língua, não é? Pois. Soubemos ainda que se esqueceu de mencionar que também era presidente da Mesa da Assembleia Geral da Metro e Transportes do Sul S.A. enquanto ministro! Também se esqueceu, coitadito, que fez uma reunião com os chineses em particular antes da OPA, os mesmos que tinham sido seus clientes na Linklaters e pediu só mais tarde escusa do processo. Há 4 meses que o Parlamento espera por respostas a esta trapalhada toda onde se verificou para cúmulo que além dos “lapsos” por “ignorância”, actualizou o seu histórico de actos societários alterando datas. Olha só que interessante.
Outro lapso, precipitado por este, esta semana, foi o do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto que teve de ser alertado pela Assembleia da incompatibilidade do seu cargo com a empresa que possuía. Meu Deus é só gente ignorante!
Mas a semana teve seu “momento alto” quando todos assistimos incrédulos às movimentações das “peças do tabuleiro político” do juiz Ivo Rosa que nos fez relembrar os “saudosos” Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Primeiro com o levantamento do estatuto de arguido a Manuel Pinho, depois com a ordem de destruição de e-mails e por fim o impedimento ao MP de acesso a dados bancários e fiscais de Mexia! Ora digam lá se isto não vos lembra nada? Eu ajudo: a limpeza de provas com os casos de corrupção que envolviam Sócrates.
A juntar a isto, que já é muito, tivemos de ouvir Costa no Congresso do PS afirmar com todos os dentes que tem na boca (e falta de vergonha também) que provaram que era possivel “sair da austeriade” sem sair do euro mesmo com dez subidas consecutivas de combustiveis – e mais uma a caminho – e as cativações escandalosas. Que o PS está na linha da frente no combate à corrupção mesmo com todos os casos de corruptos políticos do PS revelados agora como não há memória em Portugal (a menos claro, que se esteja a referir ao “combate” na eliminação de provas). Que o PS é o partido que melhor governa as finanças públicas mesmo com três bancarrotas no currículo e mais uma a caminho, onde aproveitou para aplaudir Sócrates o pai de uma delas.
Este governo é um lixo. Um bando de gente que se julga acima do poder, imune à justiça, fazendo os maiores atropelos possíveis às leis com um sorriso cínico de quem sabe que ninguém os vai punir, enquanto se mantiverem no poder, por mentirem, aldrabarem, enganarem toda uma Nação. Parafraseando Moita Flores: “A curto prazo a principal organização criminosa de um país será o próprio Estado.” Confirma-se.
O alma-grande
Riba Dal é terra de judeus. Baldadamente, pelo ano fora, o Padre João benze, perdoa, baptiza e ensina o catecismo por perguntas e respostas.
– Quem é Deus ? – É um Ser todo poderoso, criador do Céu e da Terra.
Na destreza com que se desenvencilham do interrogatório, não há quem possa desconfiar que por detrás da sagrada cartilha está plantado em sangue o Pentateuco. Mas está. E à hora da morte, quando a um homem tanto lhe importa a Thora como os Evangelhos, antes que o abade venha dar os últimos retoques à pureza da ovelha, e receba da língua moribunda e cobarde a confissão daquele segredo – abafador.
Desses servos de Moisés, encarregados de abreviar as penas deste mundo e salvar a honra do convento, o maior de que há memória é o Alma-Grande.
Alto, mal encarado, de nariz adunco, vivia no Destelhado, uma rua onde mora ainda o vento galego, a assobiar sem descanso o ano inteiro. Quem vinha chamar aquele pai da morte já sabia que tinha de subir pela encosta acima a lutar como um barco num mar encapelado.
– Raios partam o vento! Mas quê! Do mesmo modo que o Alma-Grande era certo na casa da esquina, sempre ao borralho, era certo o bafo da Sanábria a varrer a ladeira.
Diante da casa, bastava gritar-lhe o nome. – Tio Alma-Grande! ó Tio Alma-Grande!
Lá vai… Daí a nada a tenaz das suas mãos e o peso do seu joelho passavam guia ao moribundo.
Entrava, atravessava impávido e silencioso a multidão que há três dias, na sala, esperava impaciente o último alento do agonizante, metia-se pelo quarto dentro, fechava a porta, e pouco depois saia com uma paz no rosto pelo menos igual à que tinha deixado ao morto. Os de fora olhavam-no ao mesmo tempo com terror e gratidão. Às vezes, uma voz ou outra, depois do pesadelo, levantava-se do fundo da consciência e protestava; mas no dia seguinte acontecia ser essa mesma voz que no alto do Destelhado, sobrepondo-se à força do vento, o reclamava.
– Tio Alma-Grande! ó Tio Alma-Grande! – Lá vai… E aparecia à porta logo a seguir. Quando a hora do Isaac chegou, foi um filho, o Abel, que trepou a ladeira. O garoto vinha excitado, do movimento desusado de casa, da maneira estranha como a mãe o mandara chamar o Tio Alma-Grande, e da ventania.
– Que tem o teu pai, rapaz?
O pequeno olhou fixamente a cara seca do abafador.
– Febre… – Bem, vamos então lá…
– E que é que o Tio Alma-Grande lhe vai fazer?
– Vê-lo… Pela rua abaixo só o vento falava. Rouco de tanto bradar, monocórdico, persistente, era nele que tinha expressão a intimidade de ambos: um, o pequeno, nervoso, inquieto, a braços com pressentimentos confusos, que se recusavam a sair-lhe do pensamento; o outro, o velho, a aceitar aquele destino de abreviar a morte como um rio aceita o seu movimento.
Em casa havia lágrimas desde a soleira da porta. Mas a entrada do Alma-Grande secou tudo. Atrás dos seus passos lentos e pesados pelo corredor ficava uma angústia calada, com a respiração suspensa.
– O que é que ele lhe vai fazer? – perguntou de novo o Abel, agora à mãe, quando a porta do quarto se fechou.
A Lia respondeu ao filho com duas lágrimas silenciosas pela cara abaixo.
Lá dentro, colado à cama que a transpiração alagava, o Isaac parecia ter chegado ao fim. Branco, com dois olhos perdidos no fundo da cara, opresso, como que só esperava a ordem de largar a vela. Tinha adoecido havia quinze dias. Um febrão tal que o Dr. Samuel desanimou. Veio, tornou a vir, e acabou por aconselhar que tratassem do caixão. Mas o Isaac era cedro do Líbano, rijo, no cerne. Depois desse desengano ainda o mal o roeu seis dias sem o comer. E sempre de olhinho vivo. Gemia, gemia, finava-se, mas com aquelas duas contas de azeviche a reluzir. Acabou, contudo, por lhe pousar no rosto uma sombra estranha; e a mulher, a Lia, abriu mão da esperança. Dois dias mais, e como na sala a D. Rosa lembrasse a confissãozinha, um irmão do Isaac, o Daniel, chegou-se à cunhada e deixou cair, entre duas palavras de consolo, o nome do Alma-Grande. A Lia, a princípio, reagiu quanto pôde. Mas a perspectiva do padre João a entrar-lhe pela casa dentro venceu-a Mal rompeu a manhã, com uma voz que fez medo ao filho, mandou-o chamar o abafador.
Quando o Alma-Grande entrou, o Isaac estava no auge de um combate que quase sempre se trava de corpo extenuado. O inimigo era uma parte de si mesmo apostada em perdê-lo. E a outra metade, um pedaço de ser nobre e agradecido à seiva, corajosamente defendia o resto da muralha. As bagadas pelas têmporas abaixo e um ritmo apressado da respiração davam sinal desta guerra. Mas de nada mais precisava, quem olhasse com limpos olhos humanos, para sentir a grandeza e a solenidade de tal hora.
Por desgraça, o Alma-Grande não podia ver aquilo. Insensível à profundidade dos mistérios da vida, sem o estremecimento de uma fibra sequer, avançou para o leito num automatismo rotineiro. O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.
No seu castelo o Isaac pelejava sempre. O fole pressuroso do arcaboiço metia ar na fornalha; espesso, cálido, activo, o suor ia brotando do vulcão.
A casa dir-se-ia um sepulcro habitado por vivos petrificados e mudos. Só no quarto havia movimento e palpitação. Calado, o Alma-Grande avançou. Mas quando de mãos abertas e joelho dobrado ia a cair sobre o Isaac, fê-lo parar uma voz diferente de todas as que ouvira em momentos iguais, que parecia vir do outro mundo, e dizia:
– Não… Ainda não… Ainda não… Quantas vezes o abafador tinha escutado aquilo, gritos de desespero, apelos sôfregos e angustiados, sem se deter na sua missão sagrada! Quantas vezes! Desta, porém, o apelo e os gemidos soavam-lhe nos ouvidos doutra maneira.
– Não… Não… Ainda não… Um pano escuro que até ali vendara os olhos do Alma-Grande queria rasgar-se de cima a baixo. E o abafador, paralisado entre as trevas do hábito e a luz que rompia, lembrava uma torrente subitamente sem destino.
– Não… Ainda não… Ainda não… Era terrível o que se passava. A luta que o Isaac sustentava contra forças que nunca ao certo se conheceram, juntava-se o embate dos dois homens, um a saber que ia matar, outro a saber que ia ser morto.
Estiveram assim algum tempo, de olhos cravados um no outro, a medir-se. Pesado, o suor escorria pela cara do Isaac; quente, o sangue martelava nas têmporas do Alma-Grande.
Foi o ruído súbito e em guincho de uma porta que fez explodir aquela concentração.
O barulho a ouvir-se, e o Alma-Grande, como um peso suspenso e de repente liberto, a cair em cima do moribundo. Nem uma palavra só. Apenas um baque surdo, e as mãos sôfregas do agressor à procura do pescoço do Isaac.
Mas a porta que rangera dera entrada a alguém. A um vulto que o Alma-Grande adivinhava atrás das costas, parado, lívido, a tentar compreender.
Um esforço supremo do Isaac para se livrar das garras que o apertavam e a presença atónita do Abel, tiraram às mãos e ao joelho do Alma-Grande a força habitual. Bem que se extremara nele o assassino, o animal que bebia a grossos tragos o fio de vida que encontrava no caminho! Bem que se lhe avivava na consciência a certeza de que era matar a razão do seu destino! Em vão. O puro instinto não tinha coragem para empurrar aquelas mãos e aquele joelho diante de uma testemunha.
Ergueu-se. Com o rosto coberto por um pano de lividez igual à do agonizante, voltou-se. E sem coragem para encarar os arregalados e aflitos olhos do pequeno, que o varavam, silenciosamente, saiu. Atravessou a sala cabisbaixo, longe da majestade trágica das outras vezes. Deixava atrás de si a vida, e a vida não lhe dava grandeza.
Quando, um segundo depois, a Lia, como um bicho culpado, entrou no quarto, o filho estava sentado na cama, com a pequena mão na testa do pai. A criança debatia-se num agitado mar de brumas; mas o seu coração ditava-lhe a mãozita ali, na fronte escaldante do que lhe dera o ser, do mesmo modo que lhe ordenara já a entrada sorrateira e inquieta no quarto.
E foi talvez o gesto inocente e filial que fez correr novamente nas veias do Isaac o sangue da confiança. Sem confissão, vinte dias depois comia o caldo ao lume como se nada tivesse sido. E nada tinha sido realmente para toda a gente da terra, menos para ele, para o pequeno e para o Alma-Grande. Os outros passaram da agonia à morte e da morte à ressurreição, na inconsciência de quem passa do calor ao frio e do frio novamente ao calor. Só os três sabiam, de maneiras diversas, que o drama fora mais negro e profundo. O Isaac vira as garras da morte ao natural; o Alma-Grande olhara pela primeira vez a escuridão do seu poço; o garoto, esse, pressentira coisas que não podia clarificar ainda no pensamento.
Vagaroso, o tempo foi deslizando; e com ele apagara-se já de todo na lembrança da terra a doença do Isaac. Missa e Sabath.
Os três, porém, debruçavam-se sem descanso sobre o lago onde se reflectia a imagem negra do passado. O Isaac, cada vez mais dorido, olhava, olhava, e via a vingança; o Alma-Grande, cada vez mais culpado, olhava, olhava, e via o medo; o pequeno, inocente, via apenas a angústia de não entender. E os três formavam como que uma ilha de desespero no mar calmo da povoação. Não se falavam, fora do filho a pedir a bênção ao pai, do pai a dar-lha, e de uma saudação ambígua e monossilábica do Alma-Grande ao passar pelo Isaac. Mas traziam-se guardados uns aos outros, como se nenhum deles quisesse perder a hora em que, para a eternidade, varressem do céu das consciências a nuvem pesada que o toldava.
E esse momento, finalmente, chegou. Vinha o Alma-Grande de ver a filha e os netos, em Bobadela, quando o Isaac, que o seguia como um cão de fila, lhe saltou à estrada. Testemunhas, só Deus e o Abel, que, sem o pai suspeitar, o acompanhava também por toda a parte, e olhava a cena escondido atrás de um fragão.
– Não matarás… Assim era no Evangelho. Fora dele, numa lei diferente, a moral tinha outros caminhos, como o próprio Alma-Grande sabia.
– Não matarás…
O Isaac, porém, olhava o Alma-Grande com os mesmos olhos implacáveis que lhe vira nas horas de agonia.
– Não… Não… Mas o Isaac era o mais novo e o mais forte. E. quando o Alma-Grande foi a dar conta, estrebuchava no chão, de costas, com o pescoço apertado nas mãos do outro, e com a tábua do coração sob o peso infinito de um joelho.
– Não… Não…
O pequeno, do penedo, via a cara congestionada do Alma-Grande, e ouvia o esforço da respiração a forçar o garrote.
– Não… Possantes, inexoráveis, as tenazes iam apertando sempre. E, com mais um estertor apenas., estavam em paz os três. O Isaac tinha a sua vingança, o Alma-Grande já não sentia medo, e a criança compreendera, afinal.
Miguel Torga, Novos Contos da Montanha
O que diz Vasco Pulido Valente?
Para onde vai a Direita?
Segundo o relato de José Meireles Graça, Vasco Pulido Valente defende que “o CDS devia estar menos preocupado em esgaravatar mais 3 ou 4% de votos ao PSD e mais em falar à nova classe média, a dos 48% de jovens portugueses qualificados que ganham sem esperança 1.000 ou pouco mais euros, e que ou são abstencionistas ou votam no Bloco, e às antigas profissões liberais que foram forçadas a evoluir para trabalhadores assalariados; Rui Rio é um líder regionalista que quer encher o país de pequenos napoleões locais, com o respectivo séquito de funcionários e esferas de poder, sem nenhuma ideia nacional que preste; o CDS é um partido pequeno porque a seguir ao 25 de Abril não existia para colonizar o Estado, como fizeram o PS, o PSD e o PCP, e portanto o poder, os lugares e as clientelas foram acaparados; o PCP de hoje não é o mesmo PCP que o PS hostilizou in illo tempore, a sua perda de poder e influência, no Alentejo e, por exemplo, em Almada, significam que o PS pode conviver com ele desde que num clima permanente de regateio – é o que a geringonça faz, regatear; e a direita tem hoje em Portugal um líder natural – que não nomeou mas se inferiu ser Passos Coelho, que estava presente.”
O texto completo está aqui disponível.
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O bioprogressismo
Da vergonha
Considero a legalização da eutanásia a decisão mais grave para a sociedade portuguesa que a Assembleia da República pode tomar. Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aqueles que votarem a favor da eutanásia.
SS – Simplex Siza

O Ministério da Justiça, Autoridade Tributária e demais serviços do Estado permite desde ontem que qualquer cidadão que se tenha atrasado nas suas obrigações legais de reporte passe a regularizar a situação, bastando para isso a entrega em qualquer momento posterior de uma carta datada da forma mais conveniente para o interessado.
Para todos os efeitos, a data passa a ser considerada válida e oficial não é a definida por Lei para cumprimento da obrigação, mas sim a data que constar da carta que o cidadão submeta aos serviços estatais, independentemente de quando isso aconteça.
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Esta base de dados ainda vai voltar a estar na moda

A Autoridade Tributária
tambeḿ tem de respeitar a legislação da protecção de dados? Estou a pensar informar a AT que não aceito ser contactada por ela e não quero transmitir-lhe qualquer tipo de informação sobre mim.
Deixemo-nos de tretas: foi aprovada (mais) legislação para controlar e sacar dinheiro às empresas enquanto o Estado reúne sem qualquem limite informação sobre cada cidadão a um nível de detalhe inimaginável há poucos anos.
A ler
Vamos ser honestos: há vantagens na eutanásia
Já se ouviram muitos argumentos contra a eutanásia, mas admito que, a favor, só ouvi aquela coisa abstracta de que há por aí gente (nas famílias dos outros) que não andam aí a fazer nada (como os da nossa família) e era bom que alguém (que não eu) lhes injectasse qualquer coisa (bem forte!) para não sofrerem, coitadinhos. Admito que sendo um argumento escorreito, na tradição de grandes humanistas como Hitler ou Stalin, é pouco. Há muitos mais e passarei a enumerar várias vantagens óbvias da eutanásia:
- previne a menopausa
- previne o reaparecimento de cancros
- reduz o aquecimento global por efeito de estufa de concentrações de CO2
- no caso juvenil, reduz insucesso escolar
- reduz listas de espera hospitalares
- no caso infantil, evita acne
- permite a redução de fraudes a idosos
- evita atrasos administrativos na declaração ao fisco de herança
- permite o controlo de migrações e distribuição equitativa da população
- reduz filas nos CTT em dia de receber a reforma
- permite uma contribuição salutar para a sustentabilidade da segurança social
- favorece o desaparecimento de locais de culto ultrapassados
- previne dismorfia de género
- previne osteoporose (só na primeira fase de decomposição)
- evita situações de incapacidade por demência
- desocupa casas nos centros históricos devolvendo a cidade ao desejado equilíbrio no mercado de aluguer
- permite a mais rápida transição de terrenos rústicos para urbanos
- os autocarros têm mais lugares disponíveis para se sentar
- é moderno, logo altamente português
- permite um turismo especializado, mais vocacionado para a máxima higiene e conforto no extermínio humano
- permite constatar que Rui Rio é particularmente parvo
- reduz odores desagradáveis de velhos em locais públicos
- permite uma correcta planificação da vida, desde o cheque-bebé ao cheque-eutanásia (slogan possível: faça-o nascer, deixe-o morrer).
- cria valor para lojas de roupa vintage (muito vintage mesmo, genuinamente vintage)
- permite separar os Homens das bestas
Estas são apenas algumas. Decerto que o leitor encontrará muitas mais.
Curioso país este
que ao mesmo tempo considera um avanço civilizacional a eutanásia dos humanos e a luta contra a eutanásia dos gatos e cães
E estamos assim
O PSD sofreu um processo de morte assistida
O BE está com um problema de identidade de género: não sabe se deve manter no boletim de voto BE ou se muda para PS
O PCP tornou-se uma barriga de aluguer a viver um conflito de interesses entre os encomendadores da criança e a barriga-portadora
Heróis são aqueles que se opõem à prepotência
Comprometo-me a não mais votar se o cabeça de lista do meu distrito não constar no rol de deputados que votarem contra a eutanásia. Vários desconhecidos fazem a diferença, nem que por meros segundos.

A falácia da protecção
Por outras palavras senhorios com mais de 65 anos ou mais de 60 por cento de incapacidade ficam privados de rendimentos
Las Casas de Papel

A política ibérica foi dominada esta semana pela “questão da habitação”, um tema tão importante que até Friedrich Engels lhe dedicou um livro*. Com a originalidade do costume, a revolução e a expropriação dos proprietários são apresentadas, nesse texto oitocentista, como as respostas acertadas à “questão”. Felizmente, 150 anos depois, as transacções imobiliárias burguesas já se generalizaram na fase da hipocrisia, o que representa – e não estou a ser irónico – um notável avanço civilizacional. E é por isso que pudemos tomar conhecimento de duas notícias engraçadas: que Pablo Iglesias, crítico feroz e violento da “casta” dos privilegiados, comprou uma casa com piscina de 600 mil euros; e que António Costa, crítico da “especulação imobiliária” que provoca “dramas sociais”, anda entretido a ganhar dinheiro com a compra e venda de imóveis em Lisboa. John Doe, o pregador assassino do filme Seven que afirmava orgulhosamente ser seu desejo conseguir virar cada pecado contra o respectivo pecador, ficaria deliciado com estes ricochetes da demagogia. Talvez uma acção de formação com aborígenes australianos tivesse sido útil para lhes explicar os perigos do efeito boomerang na gestão política do quotidiano. Fica a dica para os responsáveis dos Programas 2020.
Claro que, na análise dos próprios, não há aqui qualquer incongruência. Como dizia Sartre, o inferno são os outros, e a mais-valia imobiliária é o oposto da pimenta: é desagradável em terceiros, mas quando é connosco é refresco.
Ainda no âmbito das comparações cinematográficas, há uma outra possibilidade que podemos considerar. Charlie Chaplin, num daqueles momentos de génio, contou-nos, através de imagens que fazem rir e chorar ao mesmo tempo, a história da comovente “parceria comercial” entre um pobre vagabundo e uma criança que tinha sido abandonada. O petiz, dando mostras da sua pontaria, ia atirando pedras às vidraças, sendo estas de seguida oportunamente substituídas pelo seu pai adoptivo. Tal como ensinam os gurus do marketing, o importante é criar a necessidade. Talvez Iglesias e Costa estejam apenas a imitar a arte de Chaplin, alimentando a “casta” e a “especulação” que depois irão combater. Mas, sendo assim, exige-se no mínimo que coloquem o chapéu de coco e o bigodinho. É que, sem os elementos cómicos, nada resta nos filmes do mestre britânico a não ser tragédia.
* para quem não o conhece, deixo aqui uma dica importante: Engels, nascido em 1820, é o Buzz Aldrin do Comunismo. Hum… também não sabe quem é o Buzz Aldrin? Pois… é mesmo aí que eu queria chegar.
Vamos lá ao que interessa
A Helena Roseta já está a fazer declarações sobre especulação imobiliária na rua do Sol ao Rato? O Bloco de Esquerda já colocou faixas em toda a cidade a dar conta da “negociata”? O PCP já arranjou um advogado para defender o casal que vendeu a casa a António Costa por um valor muito inferior ao de mercado? Os movimentos disto e daquilo já questionaram a actuação da agente imobiliária responsável que claramente favoreceu o comprador em vez do vendedor?… Pois é agora o importante é a eutanásia, essa grande causa nacional.
O Feminismo faz tanta falta como o Machismo
Apesar do salto qualitativo do papel da mulher na sociedade ocidental onde hoje as barreiras que as separavam dos homens caíram, o histerismo feminista nunca foi tão estridente. Pior: a mulher que ouse discordar desta narrativa é imediatamente trucidada com violência verbal à qual juntam uns quantos insultos para a diminuir intelectualmente acusando-a de não defender as mulheres. Porque há uma agenda para cumprir: convencer o Mundo que as mulheres ocidentais (sim porque as outras não lhes interessa para nada) não são livres e continuam a ser oprimidas e que elas, as feministas, fazem falta para as “salvar” desses abusos. Nada mais errado. O feminismo faz tanta falta hoje na nossa sociedade ocidental como o machismo.
É verdade que durante séculos a ignorância dos homens em relação à anatomia e psicologia feminina era quase medieval. Assim como o era em relação por exemplo à própria higiene (quem não sabe que nessa época eram proibidos os banhos por “fazerem mal à saúde”?) Era a ignorância, medo do desconhecido dos homens que impunha limitações às mulheres e que em 1878 fazia com que o British Medical Journal questionasse sobre a possibilidade de uma mulher estragar um presunto ao tocá-lo por estar menstruada ou ainda uma mulher que confessasse desejos sexuais ao seu médico era imediatamente receitado banhos frios, entre outras medidas do género e caso persistisse o problema, o internamento em asilo!! Judith Flanders relatou em “Inside the Victorian Home: A Portrait of Domestic Life in Victorian England”, que um inglês levou sua esposa de meia idade a um oculista, por esta se ter tornado míope onde foi informado que o problema dela tinha origem em seus órgãos sexuais pois seus desejos libidinosos deterioraram os seus olhos e que a única cura possível era a retirada de seu útero.
Foi graças às reformas LIBERAIS que a ignorância foi combatida com a circulação de jornais na Europa que aumentou oito vezes entre 1712 e 1757. Esta “revolução silenciosa” permitiu que em 1771 as publicações britânicas pudessem relatar de forma pública os debates no Parlamento popularizando assim a instrução. Em consequência no norte da França entre 1786 e 1790, 44% das mulheres já sabiam escrever o nome o que indicava um salto na alfabetização nunca antes registado. A Revolução Industrial que se seguiu foi o resultado desta “revolução silenciosa” que criou instrução que se espalhou por todo o velho continente numa sinergia entre produção e educação. Sem as máquinas que popularizaram os manuais de alfabetização e o comércio livre dos livros, jamais esta barreira da ignorância seria derrubada e aberto o caminho para a libertação da mulher como o descreve Stevn Roger Fisher no seu livro “História da Leitura”.
Com a Revolução Industrial, as mulheres tornaram-se a principal força de trabalho nos EUA representando 88% dos operários em 1818. Os homens iam para a agricultura onde se exigia maior força física. Nas fábricas as mulheres ganhavam um pagamento semanal com base numa escala “hora à hora” algo inédito naquele tempo que permitia ganhar o DOBRO do trabalho agrícola. Fala-se dos abusos às mulheres e crianças (trabalho infantil) durante a Revolução Industrial mas branqueando o facto de antes, suas vidas terem sido miseráveis onde as únicas opções para sobreviver à fome, era a prostituição, mendicidade ou serem criadas de servir (algo desprezível na sociedade que as tratava como animais).
A Revolução Industrial trouxe ascensão social e económica sem precedentes para as mulheres. Devido às mudanças sociais ocorridas depois com a chegada de imigrantes aos EUA, as mulheres foram levadas para cargos mais bem pagos e para novos campos de trabalho em ebulição. As oportunidades fora das fábricas aumentou e em 1850 o número de professoras em Massachusetts foi o dobro dos homens! Em 1900 as mulheres estavam presentes em 195 das 300 classificações de emprego enumeradas pelo Censo. Algo absolutamente inédito na época. Nem aqui fez falta quotas.
Foram as medidas liberais da “revolução silenciosa” e a Revolução Industrial que se lhe seguiu que deram LIBERDADE DE ESCOLHA às mulheres que passaram a ter seu próprio sustento sem depender dos homens. Não foi o feminismo que as libertou. Foi o capitalismo. O feminismo da época apenas melhorou suas condições.
Hoje, esta onda feminista de 3ª geração, por tudo e por nada alega discriminação. Não interessa saber que uma mulher naturalmente escolhe áreas profissionais diferentes dos homens. Que naturalmente optam por serem elas a cuidar da família. Que naturalmente têm um conceito de felicidade diferente do homem. Que possuem cérebros diferentes, logo pensam e agem diferente. Não. Interessa convencê-las que são vítimas. Que são coitadinhas que “precisam ser libertadas da opressão masculina” quando os homens de hoje são em tudo diferentes do passado. Apoiam-se nos estudos subjectivos de quem os faz. Pouco se importando com o factor óbvio da natureza humana. E por falar em estudos, já está na hora de trazer alguma seriedade sobre as estatísticas enganadores das diferenças salariais quando as categorias profissionais estão todas tabeladas sem diferenciação de sexos! Se há diferenças é porque teimosamente nesses estudos não se tem em conta factores primordiais nessa avaliação como por exemplo a escolha natural de especialidades menos bem remuneradas ou menos horas trabalhadas para assistência voluntária à família. Nas empresas que geri era impossível fazer diferenciação no salário base devidamente tabelado. Se isso acontecesse, a Inspecção do Trabalho entrava imediatamente em campo com multas pesadas.
No fundo o feminismo de hoje consiste em substituir o machismo dos homens doutros tempos pelo feminismo actual segregador das mulheres com vista ao domínio destas. Não buscam o equilíbrio e igualdade entre as partes. Buscam a primazia.
A verdadeira defesa pelos direitos das mulheres faz-se pela defesa de todas as pessoas pela igualdade de direitos sem discriminação pelo sexo, idade, cor, etnia, raça , sensibilizando e envolvendo toda a comunidade nesta luta. Defender as pessoas é defender todos por igual criando sinergias em vez de fissuras entre grupos. E esta é a verdadeira defesa por direitos iguais.
Pensar Portugal

Fico sempre desconfiado quando se junta um grupo de pessoas para “pensar o país”. Desatam normalmente a descobrir políticas de “interesse nacional” e eu, confesso, já estou farto de me irem ao bolso…
Pus de lado o meu preconceito e admiti que o evento pudesse decorrer em São Mamede de Ribatua para demonstrar a preocupação desta gente pelo Interior, mas calha afinal que se juntaram nessa localidade periférica votada ao ostracismo que é Cascais.
Em luta contra as minhas próprias ideias feitas, reconheci que pelo menos os oradores principais certamente seriam pessoas normalmente sem palco mediático, distantes da oligarquia que nos pastoreia, indivíduos livres e com ideias inovadoras. E não é que eram mesmo?!
Vejam só: Marcelo Rebelo de Sousa; Manuel Caldeira Cabral; António Vitorino; Luís Marques Mendes; Luís Amado; Carlos Carreiras; Jorge Coelho; Guilherme d’ Oliveira Martins; Nunes Liberato; Pedro Reis; Rui Moura Ramos; entre outros. Nem sei como António Costa não se juntou ao acontecimento.
Percebi melhor o que moveu as pessoas a deslocarem-se ao hotel de luxo da Cidadela para assistirem às conferências quando um amigo (mais perspicaz e com maior talento do que o meu) sintetizou da seguinte forma: “é o equivalente a ir à ópera, mas sem a gorda a cantar”.
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Apologia da barata
Eles vão para Bragança marchar com a mensagem de orgulho por terem relações homossexuais. Não me parece: parece-me uma afronta aos pacatos habitantes da cidade. Porquê? Porque a melhor mensagem de orgulho por terem relações homossexuais é a de irem para casa para manter relações homossexuais. É que ninguém quer saber se são homossexuais. Excepto eles, que não querendo que ninguém queira saber, marcham porque querem que se saiba. Pronto, já sabemos. Agora ide mas é ter relações homossexuais e desamparem a rua.
Um outro género de manifestação?
«Dezenas de jovens exigem frente ao Parlamento que deputados mantenham lei. A lei estabelece o direito à autodeterminação da identidade e expressão de género. Foi vetada pelo Presidente da República» Deixando de lado o aspecto panfletário da título e desta neo língua de pau “do direito à autodeterminação da identidade e expressão de género” vamos à manifestação propriamente dita. Mais exactamente cabe perguntar se foi alguém à manifestação além daqueles que a convocaram?
Vejamos O PÚBLICO ilustrou a notícia sobre a manifestação frente à AR com uma foto de duas pessoas frente ao Palácio de Belém mais um senhor com megafone e a legenda “Na passada semana, um grupo de jovens já tinha protestado à porta do Palácio de Belém“,
Na notícia que trata da manifestação frente à AR são referidos dezenas de manifestantes “quase todos muito jovens”. Seriam duas dezenas? Ou nove dezenas?
O DN que deu ao evento o grandioso título Manifestações em frente ao Parlamento contra vetos de Marcelo até fez uma galeria fotográfica informa-nos que “mães que querem engravidar de um dador anónimo e transexuais que querem mudar de nome sem atestado médico protestaram esta quinta-feira contra os vetos do Presidente e do Tribunal Constitucional” Contadas por excesso as pessoas que aparecem na alegada manidestação não devem chegar às duas dúzias.
Os manifestantes “quase todos muito jovens” referidos pelo PÚBLICO também não se avistam. A não ser que na categoria muito jovem entrem as mãos que seguram o cartaz onde se lê “Só eu sei o meu género” declaração que prova a pouca idade de quem redigiu a frase.
Enfim a manifestação ao certo aconteceu? Ou só lá estiveram aqueles que a convocaram e foram fotografados de forma amiga para não se perceber o falhanço óbvio da alegada manifestação? Os jornalistas estão eles mesmos a criar outro género de manifestação: a manifestação que eles acham que deve acontecer.
ai galamba, galamba
Agora que o Pinho já não é arguido e voltou a ser uma pessoa de bem e não apenas uma pessoa com bens, os tipos do PS que andaram a difamar o Sócrates por causa dele, o Costa, o César, o Ferro e, claro está, o insuperável Galamba, vão ter de lhe pedir desculpas e voltar a aguardar que a justiça cumpra os seus altos desígnios. Quem sabe até implorarem-lhe para regressar ao partido. Ai Galamba, Galamba, a montante e a jusante só te metes em sarilhos.

Embrulha Galamba, que já almoçaste. Quando me pedires emprestado o apartamento de Nova Iorque vais ver onde vais dormir.
o que, de facto, sabemos do sporting
O que é que um espectador distanciado, que toma conhecimento das coisas pela comunicação social, sabe verdadeiramente da crise do Sporting e da responsabilidade que nela tem Bruno de Carvalho?
Sabemos que BdC está em ruptura com o treinador e com alguns dos jogadores da equipa, acusando-os de não justificarem os salários que recebem e as expectativas que o clube neles depositou. Em relação a alguns jogadores, subentende-se que BdC pensa que prejudicaram intencionalmente o clube com desempenhos abaixo do que poderiam fazer.
Sabemos que houve um ataque de cinquenta energúmenos mascarados a alguns jogadores e ao treinador, que a comunicação social insinua ter sido resultado de uma de duas hipóteses: a) de ordem expressa de BdC, com provas que nos garantem já existirem mas não se conhecem; b) do ambiente de agressividade criado por BdC.
Sabemos que BdC e a sua direcção enjeitaram quaisquer responsabilidades nesses acontecimentos, que condenaram, com pouca veemência, primeiro, por parte de BdC, e peremptoriamente, mais tarde, em comunicado formal.
Sabemos que várias personalidades do clube e até alguns pais da pátria, como Ferro Rodrigues, defendem a demissão imediata do presidente e da direcção, a quem não deram a presunção de inocência que deram a outros, como, por exemplo, a José Sócrates, no caso de Ferro Rodrigues.
Para além disto, nada mais sabemos.
Não sabemos, verdadeiramente, quem e como se organizou o ataque aos jogadores e ao treinador.
Se foi BdC estaremos na presença de um bandido, que merece prisão e prisão pesada. Mas se não foi ele, poderemos estar perante uma bem urdida armadilha para o tramar, à qual ele se teria posto bem a jeito, diga-se de passagem.
Mas, alegar que Bruno de Carvalho é responsável moral pelo ambiente que se vive no clube, é uma brincadeira de mau gosto. Porque seria atribuir essa mesma responsabilidade aos 89,55% dos sócios que o mantiveram em funções na assembleia do passado dia 16 de Fevereiro, ao fim de cinco anos de presidência, durante os quais Bruno de Carvalho foi sempre agressivo, boçal e malcriado. Ao que parece, com enorme sucesso até há poucos dias.
Posto isto, é óbvio que o homem já não tem condições para continuar em funções, a não ser que os sócios o reelejam em eleições antecipadas. O que, se ele as convocar, é bem capaz de acontecer.
tive outra ideia
Como a sede do Infarmed tarda, por razões de ordem técnica, em vir para o Porto, não se pode alocar já na Invicta a da Alta-Autoridade Contra a Violência no Desporto, e selar o acordo já na noite de S. João?

alta autoridade
António Costa anunciou a criação de uma autoridade nacional para precaver e combater a violência no desporto. Caso S. Ex.ª não tenha ainda congeminado um nome para tão necessário organismo, deixo-lhe três opções à escolha: Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública ou Polícia Judiciária. Não serve nenhum? Arranja-se já outro: Serviço de Informações de Segurança. Quatro nomes, para precaver ameaças de umas dúzias de arruaceiros, devem ser suficientes.
Alta-ajuda

O desporto entrou numa espiral de violência e António Costa já se encontra a tratar do problema. Não do problema da violência, claro, mas do problema de ainda não ter conseguido arranjar bons empregos para todos os amigos do Partido Socialista. A generalidade dos gurus do pensamento positivo e da auto-ajuda destaca a importância de conseguirmos transformar os acontecimentos negativos em oportunidades, mas nunca ninguém conseguiu aplicar tão bem essa panaceia como o nosso primeiro-ministro. E é por isso que vamos poder contar, a breve prazo, com uma Alta Autoridade contra a Violência.
A ideia parece-me positiva, principalmente por se tratar de uma Alta Autoridade. Toda a gente sabe que os pequenotes têm dificuldades acrescidas quando se trata de pancadaria, pelo que uma Baixa Autoridade contra a Violência seria sempre de evitar. Por outro lado, no que se refere a empregos públicos bem remunerados, é também uma boa aposta. Não é impossível que, a médio prazo, os próprios elementos da Alta Autoridade contra a Violência se envolvam em zaragatas internas, e isso permitirá, desde logo, a criação de uma Alta Autoridade contra a Violência na Alta Autoridade contra a Violência.

