o que é a liberdade
A liberdade significa ausência de coação. Somos tanto mais livres quanto mais autónoma for a nossa vontade. Evidentemente que a liberdade absoluta é uma impossibilidade absoluta, porque a nossa autonomia da vontade tem infindáveis limitações. Desde logo, a nossa própria natureza, finita, frágil e muito limitada. Os recursos disponíveis, sempre escassos. Mas também, e sobretudo, os outros e as nossas circunstâncias. Não havendo dificuldades intransponíveis, é evidente que a nossa capacidade de decidir é maior ou menor consoante nasçamos ricos ou pobres, saudáveis ou enfermos, mais ou menos aptos para enfrentar as agruras da existência, etc.. Todavia, existe uma condição sine qua non a liberdade é impossível: o direito de propriedade. Muitas vezes incompreendido, a propriedade é o direito mais elementar de todos e o que, por isso, mais deve ser respeitado: começa com o reconhecimento ao direito a nós mesmos, ao nosso corpo, à nossa inteligência e àquilo que com eles conseguirmos obter pelo esforço e trabalho. A propriedade é o direito a nós mesmos e àquilo que connosco conseguimos alcançar. É, obviamente, pela sua natureza, um direito absolutamente privado e individual. Tudo que limite a propriedade é, por conseguinte, uma limitação séria à nossa liberdade individual. A teoria política desenvolveu, contudo, a ideia de que é legítimo limitar a liberdade dos indivíduos, não propriamente quando eles arrisquem a liberdade alheia, mas porque todos temos a obrigação de contribuir para a criação de condições de igualdade entre todos. Ainda que isto fosse viável e justo, não seria por isso que seria legítimo, se contrário a vontade de cada um a quem se aplica. Apesar das boas razões e dos bons motivos, não deixaria de ser uma redução objectiva da liberdade. Mas quem se incomodaria por ver a sua propriedade reduzida, se as condições de vida dos outros melhorassem, proporcionalmente, com isso? Só alguém absoluta e imoralmente insensível. O problema é que os resultados obtidos são exactamente os contrários dos anunciados: a redução da propriedade, para efeitos supostamente redistributivos, gera mais pobreza do que abundância. Basta olharmos à nossa volta para o percebermos. Porque a gestão dos recursos assim obtidos é feita por políticos, e a racionalidade da sua aplicação é política e, em democracia, frequentemente eleitoral e não empresarial, no sentido de obter os melhores resultados da aplicação dos recursos (escassos) existentes. Porque o desperdício é enorme. Porque os governos mudam e as políticas, isto é, o destino dos nossos recursos, muda também, tornando frequentemente inútil quase tudo o que se gastou para trás. Porque, quanto mais reduzida for a propriedade e o rendimento que resulta do nosso esforço, menor será o incentivo para produzirmos e o capital disponível para investirmos, empobrecendo-nos a todos. Convém não esquecer que a URSS, onde a propriedade privada quase inexistia, implodiu por razões essencialmente económicas, por falta de produção e riqueza.
Não vivemos, em Portugal, por enquanto, num país soviético. Mas vivemos num país onde a maioria da classe média começa a trabalhar, para si, a partir do mês de Julho de cada ano. Ou seja, trabalhamos, pelo menos, seis meses para o estado, em nome dos melhores princípios, sem dúvida, mas, objectivamente, com os piores resultados: três falências, em trinta e cinco anos, de um estado que cobra e gasta, pelo menos, metade dos recursos anualmente produzidos pelos seus cidadãos. E a pobreza dos nossos semelhantes a aumentar exponencialmente, como não poderia deixar de ser. A nossa liberdade está, por isso, seriamente ameaçada.
Se as mulheres levassem burkini outro seria o impacto desta notícia
revolta no bordel

Há fúria no bordel do regime: afinal, os lucros da actividade da coisa não serão obrigatoriamente distribuídos pelos trabalhadores. Estes estão, naturalmente, em pé de guerra. Para apaziguar os ânimos deixo, então, uma sugestão alternativa: que sejam devolvidos aos contribuintes que vão pagar os vários mil milhões de euros que o lupanar precisa para não cerrar imediatamente as portas. Isto se alguém conseguir perceber como é que uma empresa falida pode ter lucros. Mas essa é já outra questão.
Arménio, o homem que quer uma coisa e o seu contrário
Portanto vamos lá perceber, Arménio Carlos é contra o Tratado Orçamental porque diz este asfixia a capacidade quer de investimento público quer de resposta às necessidades dos trabalhadores; mas por outro lado lado Arménio quer a renegociação da dívida no que respeita aos prazos, montantes e juros, porque não é possível Portugal estar a pagar só de encargos com juros, como vai acontecer em 2016, cerca de 8,5 mil milhões de euros, mais do que aquilo que está previsto para a Saúde ou para a Educação.
O dinheiro para o investimento público e para aquilo que Arménio designa como resposta às necessidades dos trabalhadores vem donde? O camarada Putin paga? É que se o camarada Putin não paga – e ao Tsipras não pagou – só nos resta ir bater à porta daqueles com quem Arménio quer renegociar a dívida e contesta pagar só de encargos com juros, como vai acontecer em 2016, cerca de 8,5 mil milhões de euros, mais do que aquilo que está previsto para a Saúde ou para a Educação.
O camarada Arménio Carlos é aquele vizinho de condomínio que contesta a prestação, impugna reunião atrás de reunião, não paga enquanto não se fizer isto e aquilo e ameça o condomínio com processos porque o condomínio não faz obras.
Para aqueles que acham que os comunistas mudaram
Ps. Só não percebo se o PCP autoriza ou não os seus militantes a serrem tratados na Fundação criada por alguém que segundo aquele partido “acumulou uma fortuna colossal assente nas benesses do Estado, na brutal exploração do povo português e dos povos das colónias à custa de negócios obscuros, de um dos monopolistas que foi esteio do regime fascista”
Filhos e bastardos
Há uns dias, a minha filha S., de dois anos, tropeçou enquanto corria atrás do irmão. Em plena calçada de granito, o tropeção originou uma dilatação espaço-temporal que tornou a distância dos meus braços superior a cinco metros e o tempo de queda superior a cinco segundos. Foi como se o filme que se projectava no meu cérebro passasse a espaçar cada frame, explicitando fotograficamente cada movimento rumo ao solo enquanto tornava a minha tentativa de a agarrar num patético esticar lento de braços incapaz de se aproximar da cena.
A DBRS pode cortar o rating da república na próxima avaliação. Costa saltita, alegremente, perseguindo o mano Maduro e o primo Hoxha. Eu observo, à distância, como que em câmara lenta, incapaz de me aproximar do gordo para lhe pregar a rasteira necessária.
É isto, o amor de pai: saber separar os que queremos agarrar dos que queremos empurrar. No fundo, é o conhecimento que permite separar os que são família dos que são os bastardos.
A metalurgia
A propósito da subvenção vitalícia usufruída por Jerónimo de Sousa ficámos a saber que o PCP é contra as subvenções mas pede-as e usufui-as. Numa prática que certamente levará a um inquérito e a indignações várias fomos esclarecidos sobre os procedimentos atravás dos quais os comunistas entregam estas subvenções ao partido. Enfim, toma do Estado entrega ao patrão similar ao daqueles estagiários que entregam parte do subsídio do IEFP à entidade patronal.
Para lá deste enredo temos o recorrente imaginário de Jerónimo de Sousa metalúrgico. Jerónimo nasceu em 1947. Começou a trabalhar como afinador de máquinas, em 1961. Em 1973 já está na Direcção do Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa. Tornou-se deputado em 1975. Mas Jerónimo político profissional e profissional da política (não vejo mal algum nisso) continua a ser apresentado como metalúrgico.
A saudade e o arrependimento por impedir que baixasse as calças
O tipo de humor progressista é maravilhoso. Podemos achar questionável que uma estação pública opte por contratar pessoas que acham engraçado chamar “vaca”, “puta” ou “bicha bêbada” a alguém, porém, não faz sentido achar que um burgesso que se ria com isto é desprovido de razão ao considerar que há algo engraçado no meio deste bucolismo azeiteiro.
Eu tinha um tio – que já faleceu – que era conhecido por baixar as calças nos casamentos da família. Como vivia fora do país, optei por não o convidar para o meu, há 15 anos, algo que o ofendeu profundamente. Pesando os prós e os contras de o convidar, particularmente naquela idade dos vinte-e-qualquer-coisa, achei mais importante que ninguém baixasse as calças no meu casamento do que os sentimentos de um homem que não escolheu ser meu tio. Posteriormente arrependi-me, mas era tarde demais para repetir a festa. Falhei como sobrinho, rejeitando um tio – num momento propício à felicidade que só vinho à descrição permite – em prol da sanidade mental dos restantes convidados, pouco habituados a tios excêntricos que baixam as calças em casamentos.
O João Quadros não tem piada, é um bronco que acaba por fazer rir da mesma forma que o trambolhão de um cego na paragem de autocarro faz: pelo nervosismo de quem assiste. Como em tudo na vida, devemos tentar perceber os sentimentos dos outros. E se fosse eu, que a tentar ser engraçado só conseguisse ser como o João Quadros? E se fosse eu, que por cegueira, caísse na paragem do autocarro? Por isso, por achar que o meu tio merecia ter ido ao meu casamento, fico satisfeito por contratarem o João para a Antena 3. Baixe as calças, João, em memória do meu tio. Um homem disposto a baixar as calças num casamento é um homem que merece mais um copinho. Ao menos, a boda é paga por todos os contribuintes, sorte que o meu tio – que Deus o tenha – não teve.
Aquecimento global ou arrefecimento localizado
Num post anterior gerou-se uma certa animosidade de comentário acerca de aquecimento arrefecimento global mudanças climatéricas. Há quem afirme que não há mudanças climatéricas, mas essas pessoas estão erradas e eu tenho a prova: na semana passada, debaixo da minha figueira mais frondosa, existiam dezenas de figos caídos antes de atingirem a maturidade. O senhor do campo de milho que ladeia o meu terreno diz que foi do calor, e eu acredito. O aquecimento arrefecimento global As mudanças climatéricas existem e estão a prejudicar-me, assim como à minha família (excepto o que não gosta de figos), amigos e vizinhos. Se for necessário apresentar prova, logo tiro uma fotografia e fica resolvido o assunto.
As uvas vão no bom caminho, porém. Atribuo isso ao laissez-faire, já que nem tratei das videiras este ano. A hera trepadeira que estava a dar cabo da laranjeira, a que julgava devidamente exterminada, essa está a começar a trepar novamente. Aqui será necessário algum intervencionismo da minha parte, prova de que não sou nada fundamentalista nestas questões políticas. Tirando isso, mesmo que haja algum aquecimento global, os jardins do Palácio de Cristal, no Porto, são muito fresquinhos. Assim, convido-os a debaterem estas questões fundamentais para se entender o que é a direita, a esquerda e os perigos do socialismo de forma mais plácida, sem necessidade de ar condicionado (que deve ser mau para o ambiente, já que tudo o mais é) amanhã, nesse local, às 18h00.
Os invisíveis
Cidadãos de origem asiática manifestaram-se aos milhares este Domingo em Paris. Dizem-se vítimas de agressões, assaltos e abusos. As associações ditas anti-racistas não se interessam por eles. Os jornalistas ainda menos.
À Paris, la communauté chinoise crie sa colère
Na China, o presidente dos EUA saiu pela porta pequena do avião
mas se isto – “Obama mais perto de entregar exilado turco a Erdoğan” – se traduzir em algoo mais que palavras o próximo presidente dos EUA arrisca-se a ser convidado a estender ele mesmo o tapete. Para os presidentes de países realmente importantes, claro.
Desastre anunciado
Dado o que se anuncia para o arrendamento e que na prática se traduz por inviabilizar o despejo dos inquilinos que não pagam as rendas proponho que o PS, o PCP e o BE transformem o seu património imobiliário em casas de habitação e as coloquem no mercado. A legislação que se lhes aplica é a mesma que aprovarem para os demais senhorios. Ou, melhor ainda, naquela parte em que prevêem que se deve “facilitar o encaminhamento dos moradores em iminência de despejo para um atendimento de proximidade que possa ajudar a encontrar alternativas” (presumindo-se que até que a alternativa apareça o senhorio continue a albergar os inquilinos faltosos,a pagar o IMI, o condomínio, o seguro…) o PS, o PCP e o BE albergam-nos. Certamente que o PS resolveria o seu problema de tesouraria, o PCP rentabilizava o patrimonio que tem pelo país todo e o BE que até conseguiu por bom preço um palacete no centro de Lisboa ia dedicar-se ao alolamento residencial numa zona em que toda a gente quer alugar a turistas
O que não deixa de ser espantoso é que as medidas preconizadas pelo Governo e que vão destruir o mercado de arrendamento continuam a ser apresentadas pelos jornalistas como de defesa dos inquilinos.PS, BE e PCP acertam agulhas para salvaguardar inquilinos. Alojamento local também deverá sofrer nova regulação para beneficiar alojamento duradouro – Vejam se entendem: enquanto quem não paga renda continuar sem poder ser despejado não há mercado. Se o Governo quiser dê o dinheiro a quem não pode pagar a renda mas não imponha aos senhorios esse papel. Pura e simplesmente eles deixam de alugar as casas.
Dado o entusiasmo televisivo com as famílias que se dedicam ao crime
Já pensaram que têm aqui mesmo ao pé as famílias que se dedicam a angariar pessoas em evidente situação de fragilidade para em seguida as levar para Espanha onde as mantêm sequestradas e forçam a trabalhar?
Operação Resgate
Pacheco Pereira escreve no PÚBLICO: “Marcelo aceita a “geringonça”, mas pensa que ela é inerentemente instável, nem que seja pela Europa, e quer ter uma solução alternativa. Essa solução, que claramente prefere, é uma aliança entre PS e PSD. Ele sabe que ela hoje não é possível, não tanto por causa de Costa, mas por causa de Passos Coelho. Por isso, aponta para uma possível saída de Passos depois de um mau resultado autárquico, e daí o prazo que definiu para umas hipotéticas eleições, que foi erradamente interpretado como sendo para o Governo PS, quando o é para Passos. Marcelo sabe que Costa se pode entender bem com outro líder do PSD, Rio por exemplo, mas não com Passos.”
Se bem percebo nesta estratégia António Costa mantinha-se na liderança e o PSD mandava o líder embora para o substituir por outro. Note-se que o novo líder seria necessariamente mais fraco porque Passos não só já foi primeiro-ministro como ganhou as legislativas. Mas para lá deste ponto óbvio – Rio não tem a legitimidade de Passos e já agora a sua prestação enquanto potencial candidato presidencial revelou grandes fragilidades – temos o seguinte: se bem percebo o raciocínio de Pacheco Pereira, Costa manter-se-ia à frente do PS. Portanto o PSD trocava de líder, Costa mantinha-se à frente do PS e, porque então seria possível a tal aliança que Pacheco Pereira agora não acha possível “não tanto por causa de Costa, mas por causa de Passos Coelho” (será interessante perceber em que se baseia Pacheco Pereira para escrever isto). Chegados à aliança resta saber qual seria o papel reservado a Rui Rio nesse governo de aliança? Vice primeiro-ministro?
Digamos que isto não seria uma “uma aliança entre PS e PSD” mas sim um resgate do PSD a António Costa. Não ao PS mas sim a António Costa.
A ler
PÚBLICO: O convite chegou em pleno Agosto. Alex Tsipras, primeiro-ministro grego, queria reunir em Atenas os líderes dos países do Sul da Europa, para todos poderem conversar sobre os desafios com que o bloco comunitário se debate. Um a um, os governantes do Chipre, de Espanha, de Itália, de França e de Malta foram dizendo que sim ao repto de Tsipras, recusando a ideia de que a Grécia estava cada vez mais isolada na Europa. Do lado de Portugal, também António Costa marcou viagem para participar na reunião. E, como o próprio confirmou ao PÚBLICO, leva na bagagem uma proposta. A ideia que o primeiro-ministro levará a este grupo dos sete resume-se numa frase: apoiar o “investimento na regeneração urbana contra o terrorismo”, (…) “Há uma tarefa fundamental para travar esta radicalização, que é haver políticas públicas para periferias urbanas e também políticas de integração”, defende o primeiro-ministro português que insiste na ideia de que “a população islâmica tem de ser bem integrada”. António Costa vai apresentar uma proposta sobre como essa integração deve ser feita: “Passa pela regeneração física dos bairros periféricos” em várias cidades europeias que alojam parte substancial das comunidades islâmicas, sendo que “muitos desses bairros terão de ser refeitos de raiz”, explica.
Portanto o terrorismo islâmico radica num problema de habitação. Certamente que António Costa nunca viu bem as fotos dos locais onde vivem os terroristas franceses.Esperemos que o nosso primeiro-ministro explique como vai fazer “de raiz” esses bairros.
Usariam burkini?
Vamos debater o heliocentrismo
Ultimamente, agora que a geringonça vai enferrujando o caminho para o próximo ai-quem-nos-vai-acudir dos funcionários públicos e restante empeno burocrático-estatal, tem surgido uma série de comentadores anódinos que, pela sensação de inteligência decorrente de encontrarem um nim para nada dizer, criticam o que denominam de claques entre os partidos do poder. Estes relativistas, habituados aos meandros da curiosa academia que tanto valoriza a descoberta de uma vacina para o cancro como o “eu fragmentado” na literatura pós-género de travestis subsaharianos sob efeito de mescalina, estão habituados a, como enguias, movimentarem-se sem fricção por entre as frinchas da alternância de poder recorrendo ao visgo segregado por gula de reconhecimento intelectual. São disfarces, claro, não são mesmo enguias. Não é fisicamente possível ser, em simultâneo, inteligente e desprovido de opinião vincada sobre o modelo a seguir.
Os relativistas não encontram o Bem ou o Mal, limitam-se a sugerir que devemos dialogar, numa espécie de ecumenismo entre Deus e o Diabo, como se a civilização ocidental se apoiasse em pilares relativistas e ignorando todos aqueles que, contra o poder vigente, afirmaram factos tão triviais hoje como o heliocentrismo. Não se trata, Nuno Garoupa, de “raízes profundas e lógicas para que o debate político seja cada vez mais um concurso de beleza encenado para as claques, onde predomina essa diabolização do adversário, em detrimento de ideias, modelos e programas”. Trata-se, sim, de um dos lados desse não-debate estar permanentemente a ser provado errado nos vários cantos do globo com azar suficiente para serem amaldiçoados com governos de Geringonças.
Bem-vindo à blogosfera.
Contributo para os encontros de short stories
- A Comissão Europeia concluiu que a Irlanda atribuiu ilegalmente benefícios fiscais à empresa norte-americana Apple, equivalentes a cerca de 13 mil milhões de euros, valor esse que terá agora de ser cobrado pela Irlanda à Apple.
- Governo da Irlanda já anunciou que não concorda com a decisão e vai recorrer. Não para ganhar mais, mas para não receber estes milhares de milhões em impostos
- Portugal vai averiguar se decisão sobre Apple pode dar origem a liquidação de impostos
Educação: incompetência estrutural
- professores são colocados a poucos dias do início das aulas, apesar de o ano lectivo ter terminado já há 2 meses.
- alunos e famílias desconhecem a duas semanas do início do ano lectivo, os horários e professores que terão, apesar de terem terminado as aulas em Junho e se terem inscrito no mês de Julho.
- «Mais de 1.500 professores dos quadros estão em situação de horário-zero, ou seja, sem turma atribuída», portanto, no concurso ontem conhecido foram colocados professores a mais, o que revela caótica gestão de recursos humanos e elevado desperdício financeiro.
O senhor secretário de Estado está a gozar, não é verdade?
«“Governo cria incentivos para senhorios terem estatuto de “cariz social”. Ministério quer convencer privados a praticar rendas acessíveis às classes média e média baixa, mais atingidas pela crise, revela o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes.»
Terrorismo não-islâmico prontamente neutralizado
Há gente capaz de tudo. Ora assaltam, ora assassinam, ora violam, ora piropeiam, ora vendem bolas de Berlim de forma ilegal. Felizmente, a Polícia Marítima, sempre atenta, conseguiu evitar mais um massacre. Este iria ser cometido por indivíduo sinistro, portador de 210 bolas de Berlim distribuídas por 7 cestos (os meus cálculos apontam para 30 bolas de Berlim por cesto). Na Praia de São João poderia ter acontecido uma tragédia: poderiam ter sido vendidas ilegalmente 210 bolas de Berlim. Graças a Deus, evitou-se o mal antes da carnificina ocorrer.
A Polícia Marítima da Costa da Caparica reporta também que não foi necessário despir o burkini a qualquer mulher.
Não percebo
Estas Selvagens onde o PR Marcelo foi para gaudio da pátria são as mesmas Selvagens a que o então o PR Cavaco foi gerando uma viva indignação no país?
Se o ridículo matasse
As notícias dos jornais sobre si mesmos eram armas letais:
DN duplica assinaturas digitais e sobe vendas
Site do Expresso, app e Expresso Diário batem recorde de audiência
Que lindo tecido que aí tens
O burkini. Não é bem um bikini, nem sequer um trikini, é mais um N-kini com N a tender para todo e qualquer milímetro quadrado da área exterior que esconde o volume de quem o enverga. No fundo, umas calças, camisola e lenço, tão adequados para a praia como uma gabardina que só mostra os tornozelos à porta da escola primária.
Deve ser permitido? Não sei. Antes disso, de uma conclusão, será preciso definir o que é, exactamente, um burkini. É um símbolo religioso que representa a opressão das mulheres? Se sim, nada como colocar polícias a obrigarem mulheres a despir roupa em excesso: isso vai acabar com a opressão das mulheres num instante. Será apenas uma peça de vestuário para oprimidas mais emancipadas ao ponto de mostrarem os pés? Se é, porque nos incomoda?
Vai-se a ver, toda a discussão do burkini é uma simples máscara para o problema: falhou o multiculturalismo, impõe-se um código de vestuário para a praia. Creio que toda a discussão fora disso é inconsequente. Estas pessoas entraram no ocidente com a premissa de que poderíamos viver em harmonia, burkinistas e nudistas. Assim, o que se torna evidente é a necessidade de revisão dessa premissa demonstrada errada.
O idoso
Para efeitos de multas e atendimento prioritário é-se idoso a partir dos 60 anos. Dada a elevadíssima percentagem de idosos em algumas zonas (e não, não é preciso ir a Penamacor basta ir ao supermercado em algumas zonas de Lisboa) ou se criam filas para não idosos ou a minoria dos não prioritários deixa de poder comprar frescos e congelados pois haverá sempre um idoso a passar-lhe à frente.
E como se entra para a Comissão de Utentes?
sem título
Fui hoje passear pela cidade de Anadia. Fiz a estrada interior que liga essa cidade ao Luso, um dos sítios mais encantadores de Portugal, onde o tempo felizmente não passa, e onde, há anos, várias vezes me cruzei com o general António de Spínola, no Grande Hotel. Era um homem cabisbaixo e taciturno, de poucas ou nenhumas palavras, visivelmente marcado pela vida. Do Luso tomámos a estrada que leva a Monsarros, que passa por Vale de Avim e, um pouco mais adiante, por Vale do Boi, até chegar novamente ao ponto de partida. Não esperava ver o que vi. Praticamente ao longo de toda a jornada de quase 30 km, de um e do outro lado da estrada, milhares de árvores queimadas, centenas de hectares destruídos, o chão preto de terra em cinzas, aqui e ali ainda fumegante. A única sensação que tive foi a de total insegurança. Com excepção de alguns poucos homens notáveis que ainda se dispõem a arriscar a vida para combater os incêndios, Portugal – os governos e os poderes públicos – pouco ou nada faz pela segurança dos cidadãos e da propriedade privada e pública. É perante coisas destas que percebemos a nossa imensa vulnerabilidade, enquanto país e comunidade. Que não dispomos de recursos para coisa nenhuma, nem sequer para defender o que é nosso e nos defendermos a nós mesmos. Que é assim há muitos anos e assim continuará a ser. A treta infindável dos governos e governantes – que vão tomar medidas e que, para o ano, é que vai ser – devia envergonha-nos a todos: porque é mentira, porque eles e nós sabemos que é mentira e porque, ainda assim, continuamos a deixar que nos enganem. A verdade dos factos é que Portugal não dispõe de meios de prevenção necessários e suficientes para evitar ou debelar qualquer tragédia que nos aconteça. Somos um país falido e sem recursos, que vive da clemência do estrangeiro. Por isso, sempre que um governante volte a dizer-lhe que as coisas não estão assim tão más e que até vão melhorar, mande-o passear a Anadia. Ele, provavelmente, não terá vergonha. Mas você certamente que terá por viver num país assim.
Lançamento de “Manual Modernista para a Modernidade”
Convido os leitores do Blasfémias – incluindo os críticos sem tendências homicidas – a visitarem a Feira do Livro do Porto no dia 6 de Setembro às 18h00, para que possam ouvir a apresentação que o Carlos Guimarães Pinto fará no lançamento do meu livro “Manual Modernista para a Modernidade”, editado pela Ideia-Fixa. Estarei disponível para sorrir e cumprimentar todos – mesmo bloquistas – assim como pronto para assinar todos os livros que mandei o meu amigo rico comprar os meus amigos decidirem livremente adquirir.
Sinopse
Está tudo mal. A sociedade nem percebe os graves problemas que tem. É um mistério termos chegado ao século XXI com uma civilização tão quebrada e desprovida de um sentido claro de direcção. É necessário rasgar com o passado. O nosso futuro é inadiável: temos direitos e queremos exigi-los já, todos ao mesmo tempo, incluíndo os que se contradizem entre si. Tanto nos indigna a queda de uma ponte como os milhares de pessoas impossibilitadas de viver em felicidade por lhes ser vedado o casamento com árvores. Há gente que se ri de nós, das nossas causas, da nossa vontade em proporcionar-lhes um mundo melhor, quer o queiram, quer não. Ainda vemos a espécie humana como binária, composta por dois géneros. O fascismo bate-nos à porta e atendemos com simpatia. Precisamos que o Estado resolva os nossos problemas, ora pela força, ora pela mudança de mentalidades que a dispensa. Este manual permite que compreenda os problemas prementes da humanidade para que se torne num Moderno contestatário, capaz de exercer a sua superioridade perante o resto da sociedade rumo à plena igualdade.
Cuidado com as ideias que parecem excelentes
Há anos que os franceses andam em guerra com o Facebook e a Google. O resultado não podia ser pior: é dificílimo encontrar conteúdos em francês. Mesmo pesquisando em francês. Aliás boa parte do que acontece em França só é notícia quando chega aos sites ingleses. Em parte porque os jornalistas não sabem francês. Mas não só.
Já entrevistaram o professor Boaventura?
Vice-ministro do interior da Bolívia foi “brutalmente assassinado”
Este é o momento para entrevistar o professor Boaventura, essa extraordinária figura que se multiplica por observatórios disto e daquilo. Há largos anos que o professor Boaventura justifica actos como aquele que agora puseram fim à vida deste ministro boliviano. Chama-lhe justiça indígena e segundo o professor Boaventura levará a uma transformação pluralista, descolonizadora e democratizadora da sociedade. É certo que os anteriores executados não faziam parte de um governo tido como amigo pelo professor Boaventura mas tb por isso será importante ouvir o professor Boaventura, grande divulgador da justiça comunitária.

«Cosa Nostra»: associação criada na Sicília, no século XIX, expandida nos EUA a partir dos primórdios do século XX, conhecida como «la honorata societa», com o fim de garantir a segurança dos cidadãos e a administração da justiça. É «cosa nostra», dos sicilianos.
Algumas das actividades a que se dedica: gestão de casinos, jogo, prostituição, tabaco, álcool, droga (nem todas as famílias), influência política e sindical.
Recursos financeiros: pizzo (contribuição involuntária dos cidadãos sob a sua alçada).
Modelo de gestão: concorrência entre diversas empresas designadas «famílias».
Forma de resolução de conflitos: guerra e assassinatos, por princípio, em escala limitada aos seus membros.
Grau de ingerência na vida privada: limitado aos seus negócios.
Resultados da actividade: superávites anuais.
Consequências de má gestão: prisão ou morte dos infractores.
«Nostra» Coisa: também conhecida por «estado» moderno, foi criado a seguir ao Renascimento com o fim de garantir a segurança dos cidadãos e a administração da justiça. Dizem que é de todos, mas sabemos todos que é só de alguns.
Algumas das actividades a que se dedica: licenciamento de casinos, jogo, tabaco, álcool, prostituição e droga (nem todos os estados), influência política e sindical (actividade principal).
Recursos financeiros: impostos e taxas (contribuições involuntárias dos cidadãos sob a sua alçada).
Modelo de gestão: concorrência entre diversas empresas designadas «estados».
Forma de resolução de conflitos: guerra e assassinatos de largo espectro.
Grau de ingerência na vida privada: ilimitado; todos os negócios são (também) seus.
Resultados da actividade: défices anuais.
Consequência de má gestão: uma comenda no 10 de Junho.
Quais serão os requisitos para que um ataque dos fundamentalistas islâmicos seja considerado um ataque dos fundamentalistas islâmicos?
Na Austrália, um turista francês matou uma cidadã britânica. Enquanto a esfaqueava gritava Allahu Akbar (Alá é grande). Dois outros homens ficaram gravemente feridos. Preso, o homem continuava a fazer profissão da sua fé. Mas eis que as autoridades australianas concluem que o caso nada teve a ver com terrorismo pois feitas análises concluiu-se que o atacante tinha consumido drogas.
Não se percebe se as autoridades australianas consideram incompatível o consumo de drogas com os ataques dos fundamentalistas mas é caso para dizer que Alá será grande mas o juízo dos homens é bem pequeno.
Quem sentarão desta vez no banco do réus?
Quando Aquila tremeu em vez de se tomarem medidas para minorar as consequências dos sismos os italianos preferiram julgar os geólogos por estes não terem previsto o tremor de terra.
Agora a terra tremeu de novo e os edifícios tornaram-se armadilhas. Quem sentarão desta vez os italianos no banco do réus?
Fábrica de medalhas
Agora que o exemplo inglês de investir para ter medalhas mostrou o seu potencial é oportuno ler este texto de João César das Neves: O desporto faz mal à saúde (…) numa idade ainda jovem o atleta vê-se de repente desqualificado e, em geral, incapaz de começar uma nova vida com significado. É ainda muito novo para se reformar, muito velho para aprender outra profissão e incapaz de continuar na sua. Os mais famosos, como Phelps, ainda podem viver da imagem, mas logo o segundo classificado cai no anonimato uns meses depois da medalha. A verdade é que o desporto de alta competição é uma máquina de triturar jovens. Tal como no caso dos top models e afins, trata-se de uma forma de escravatura dourada enquanto dura, em que o escravizador é o próprio escravo, seguido pela mais profunda vacuidade.
Deixem lá o burkini em paz e reparem mas é nisto
Un camp d’été «décolonial» interdit aux blancs
Ce «camp d’été décolonial» se présente comme une «formation à l’antiracisme politique». Une forme d’antiracisme très spéciale, puisqu’elle exclut les personnes blanches. En effet, est-il précisé sur le site: «Le camp d’été est réservé uniquement aux personnes subissant à titre personnel le racisme d’État en contexte français, nous accepterons cependant quelques inscriptions de personnes subissant le racisme d’État mais vivants dans d’autres pays.» Une précision qui exclut de facto les personnes blanches, qui ne souffrent pas selon les organisateurs de «racisme structurel».
Da memória
Em 2008, o Parlamento Europeu aprovou a criação do Dia Europeu da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo, coincidindo com a data de 23 de Agosto por nesse dia ter sido assinado em 1939 o Pacto entre a Alemanha e a União Soviética, pacto esse que teve consequências funestas e trágicas para os povos europeus durante 50 anos, até 1989. A subsequente e imediata invasão conjunta e repartição da Polónia foi apenas o começo.
“A paridade pura”- Novos nomes para o intervencionismo
Governo quer quotas por sexo no sector público e nas empresas da Bolsa
Ps. Já agora a paridade pura vai ser extensível aos sindicatos?

