Reunião da elite
A imprensa diz que ontem houve uma reunião da “elite” ou de “alto nível”.
Vou tentar não perceber quem participou neste encontro para não deprimir.
Mas o Observador já me deixou com um sorriso nos lábios e mais sossegado. Percebi pelo relato da notícia que quem tomou parte neste conclave não se leva a sério: afinal, juntaram-se todos para ouvir uma masterclass de Marcelo sobre assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação política.
A ler
André Abrantes Amaral : convencer os Portugueses a ficarem em casa não foi difícil. O mundo pode ser caótico e selvagem que aqui dentro alguém nos protege. Até já nos disseram que podemos ir de férias. Somos crianças felizes a viver uma fantasia. O norte da Europa paga. Porquê? Porque se somos moralmente exemplares, cabe à Europa estar à altura e fazer a parte que lhe cabe: passar o cheque. Haverá cenário mais favorável para um político governar sem contraditório?
Sim, depois da Espanha, da Bélgica, da Itália, da França…
O SOS Racismo está de quarentena?
A melhor forma de lavar a roupa à mão para “matar” o coronavírus Tem montes de graça escrever estas coisas. Dizem que é ecologista, que se poupa energia…. patati patatá. Começo por lembrar que se gasta muito mas mesmo muito mais água a lavar roupa ou louça à mão do que na máquina – e portanto estas máquina na terminologia em vigor são “amigas do ambiente” . Em seguida convém perguntar a quem escreve estas patetices: sabem o que é lavar roupa à mão? Não estou a falar de lavar aquela camisola de lã especial ou tirar a nódoa da toalha bordada. Estou a falar da roupa de uma casa de família. Há uma insensibilidade social crescente nesta maluqueira fashion da quarentena: há gente fechada em andares pequenos, três, quatro, cinco pessoas em três ou quatro assoalhadas. No meio do muito que há para fazer ainda se sugere acrescentar lavar a roupa à mão.Trabalho que para mais sobra para as mulheres do costume. Logo agradecem-se sim artigos a dizer para as pessoas não se sentirem culpadas por fazerem máquinas com pouca roupa e não a apologia do regresso dos alguidares!
A coisa começou por aparecer na Vogue. Está-se a ver: vestidos de milhares, jóias de milhões, malas de que é melhor nem falar e, claro, a apologia do eco-chic como o novo caviar com gauche incluída. Mas mesmo assim o título era diferente: How to Launder Your Clothes—and Face Masks—Even If You Don’t Have a Washing Machine
Aqui, portuguesmente falando, transformou-se em A melhor forma de lavar a roupa à mão para “matar” o coronavírus
As máquinas de lavar roupa fizeram mais pela autonomia económica das mulheres que dezenas de decretos históricos. Lavar roupar à mão é como ir ao dentista sem anestesia: não, obrigada.
Covid-19: o falhanço europeu

(dados de hoje. Os números da Bégica são tenebrosos. O que está a acontecer na Bégica?)
Não adianta o vudu com o Trump ou com o Bolsonaro. Se exceptuarmos a China em cujos números nunca se sabe se se pode confiar, foi aqui na UE que as coisas falharam. E falharam muito. Não era assim que nos tinham dito que ia acontecer. Mas no socialismo tem sempre de existir um Trump. Imagine-se que em vez de olhar para o Trump se olhava para o país?
A ler
Pedro Salvador «Mas, então se Espanha, Itália e os restantes países do sul podem contar com a solidariedade europeia e até do Eurogrupo pela via do BCE e do MEE, porquê este alarido todo à volta da falta de solidariedade e da ameaça do fim da UE? Por uma razão simples: os países do sul querem endividar-se sem condições. Não querem dívida para resolver uma crise sanitária e depois implementarem medidas de saneamento do Estado. Querem prosseguir as suas políticas de estatização da economia, de aumento dos gastos públicos e ao mesmo tempo beneficiar de uma moeda, da taxa de juro e das garantias que outros assegurarão. Por outras palavras, os países do sul não querem solidariedade do norte, querem o dinheiro do norte para continuarem a gastar á tripa forra, sem fazerem as reformas que os outros fizeram depois da última crise.»
Filipe Brito Bastos «Que o nosso país não esteja a oferecer a nossa solidariedade aos italianos, na medida do possível dentro das suas humildes possibilidades, é desanimador. Mas é particularmente inexplicável em relação aos espanhóis.»
J. Margalho Carrilho «Coronavírus, o «imperador maoista» Xi Ji Ping e a grande estratégia da China da Rota da Seda: Do passado só sabemos que as crises, o medo, o confinamento social, a disciplina marcial e pobreza acentuada são favoráveis ao emergir de mentes totalitárias, a todos os níveis, à esquerda e à direita.»
André Azevedo Alves e Rodrigo Adão da Fonseca «As informações que recebemos da Europa mostram que, pese embora o otimismo político e as grandes proclamações que compreensivelmente se fazem para consumo interno, dificilmente grande parte das perdas decorrentes da pandemia não terão de ser absorvidas por cada um dos países. Tentar suspender a Morte deixando em suspenso todo um país pode ser um desejo latente, mas é em si uma impossibilidade, um absurdo, e reflete também uma profunda cegueira e desumanização. Podemos aceitar medidas de restrição, inclusive de confinamento, como resposta a necessidades provisórias de reorganização dos serviços de saúde e atraso da propagação do contágio, mas tal não pode transformar-se e escalar – como tem vindo a ocorrer – para se tornar na forma estruturante como encaramos a adversidade e enfrentamos um vírus. Muitos dos que hoje paralisaram e estão disponíveis para capturar ou entregar as liberdades para que se opere este “combate ao vírus” fazem-no a partir de uma posição confortável – em muitos casos, ilusoriamente confortável –, esquecendo que as crises têm impactos assimétricos.»
As vacas socialistas nunca dormem. Podem é deixar de voar…
… emagrecer e passar a andar nas suas quatro patas. Aqui ficam as quatro patinhas em que o socialismo vai andar nos próximos tempos:
Teremos sempre um Trump. A Espanha com 47 milhões de habitantes tem 16.480 mortos por Covid-19. Os EUA contam 328 milhões de habitantes e 20.456 mortos. Conclusão: o Trump é uma besta.
*O que o governo não refere não existe. Este poder socialista de criar ou apagar a realidade leva a que no mesmo país que em 2011 e 2012 se vislumbravam esfomeados em cada esquina agora se mantenha um impressionante silêncio sobre as pessoas que ficaram subitamente sem rendimentos e que não cabem nos programas de ajuda anunciados. Como acontece, por exemplo, com a maioria dos comerciantes
A ler, sem falsas sensações
Fernando Leal da Costa: «uma estratégia que tivesse incidido muito mais sobre a protecção de grupos de maior risco, nomeadamente os mais idosos, sem que tivesse sido imposto recolher obrigatório a toda a economia, poderia ter sido mais avisada de início. Bastaria ter fechado acessos ao País em devido tempo e ter confinado os potenciais transmissores em vez de os ter convidado a ficarem confinados. Bastaria ter um sistema de saúde melhor coordenado, com melhor liderança global e intermédia, sem preconceitos ideológicos, com medidas de protecção pensadas a tempo, com circuitos de diagnóstico e assistência organizados antecipadamente. Nada disso aconteceu. Talvez bastasse ter um sistema de saúde que não estivesse à partida com a sua capacidade ultrapassada e um Serviço Nacional de Saúde (SNS) com reserva para expansão. Não tínhamos.»
Festa da varíola
Vai um indivíduo dentro do seu veículo, tranquilamente, encontra uma operação policial sem precedentes que consiste em assegurar que o residente em Valongo não conspurca com a sua presença indesejada o glorioso concelho da Maia. Para assegurar a eficácia do procedimento higiénico da operação “Vai Para a Tua Terra”, o agente solicita que o condutor abra o vidro, para que possa baforar o interior do veículo com a sua assintomática declaração de virtude enquanto apalpa com vigor os documentos que comprovam o estatuto de tentativa de imigração temporária e ilegal para o concelho vizinho.
Na maior operação de imunização comunitária levada a cabo pelas autoridades, esta autêntica “festa de varíola” poderá ser o factor determinante para o sucesso da nação no combate ao Covid–19. Daqui a uns anos, entre a chacota decorrente das unintended consequences, o sucesso da operação “Páscoa Segura – Vai Para a Tua Terra, Bandalho” poderá ser referido internacionalmente como mais uma prova irrefutável de Deus a escrever direito por linhas tortas. É por isso que devemos louvar o triunvirato dr. Costa, prof. Marcelo, senhor Ferro Rodrigues: ninguém teria tanta capacidade para providenciar as linhas tortas a Deus.
Não se pode brincar em serviço
Marcelo tomou o gosto dos fracos e possidónios pelos poderes de tiranetes e, ao pré-anunciar que quer renovar a declaração de estado de emergência até Maio, eterniza aquilo que ou não era necessário ou, sendo-o, deveria ser absolutamente excepcional e circunscrito o mais possível no tempo.
Justifica tal intenção dizendo que “não podemos brincar em serviço”.
Ora, não tem ele feito outra coisa senão gozar à grande com o pagode, mas como hoje é Sexta-feira Santa abstenho-me de dar exemplos que, aliás, são muitos e de todos conhecidos.

Imoral e criminoso

Manter as escolas do ensino básico encerradas até ao fim do ano lectivo é imoral. Manter o isolamento total após o período que os portugueses, até à Páscoa, gentilmente cederam ao governo para que organizassem os serviços hospitalares de forma a lidarem com um fluxo crescente de contaminados é imoral. Impedir os portugueses de se deslocarem entre concelhos ou até que se dirijam a áreas descobertas para usufruto da natureza é imoral. Perguntar a alguém de onde vem e para onde vai é imoral. Transportar consigo um salvo-conduto é imoral.
Manter o estado de emergência além do dia 15 é imoral e criminoso. O governo é imoral e criminoso.
os conselhos da dra. graça
No post imediatamente anterior a este, o Vitor Cunha cometeu um erro de percepção. É que o que António Costa proibiu não foi que os portugueses mudassem de concelho, até porque desde a última reforma administrativa ninguém sabe onde eles começam e acabam, mas que não se mudassem os conselhos que as autoridades sanitárias, a ministra da saúde e a dra. Graça Freitas dão diariamente aos portugueses. De facto, se um dia há que desconsiderar a perigosidade do vírus, no dia seguinte é preciso tomar todos os cuidados com ele; se de manhã devemos usar luvas, à noite é melhor andar sem elas; se hoje as máscaras são inúteis, no dia seguinte todos temos de sair à rua mascarados; se ontem as escolas eram para manter abertas, hoje já são todas para fechar; se há uma semana devíamos ir aos lares visitar os velhinhos, uma semana depois estamos proibidos de passar-lhes à porta. O que António Costa quer é que os conselhos da dra. Graça Freitas não mudem ao sabor do vento, e que se perceba a quantas andamos. Também para seu próprio governo, coitado!, que anda tão confuso como nós. Não será fácil, mas talvez depois do fim da epidemia o consigamos.
Não se pode passar de um concelho para outro. O motivo científico para tal medida é que não há nada mais passível de criar déspotas de bairro como dotar as camadas operacionais das forças de autoridade com o poder de perguntar a qualquer pessoa a eterna questão filosófica: “de onde vem e para onde vai?”
Não pondo em causa o isolamento social, há aquelas medidas contraditórias que deixariam qualquer um confuso. Por exemplo: não havendo o “direito à Páscoa em família”, qual o propósito de tolerância de ponto para a função pública? Não estão já todos (excepto pessoal médico e policial) a coçar micoses em casa? O topógrafo da câmara precisa de tolerância de ponto para quê? O senhor gestor de projecto de obra particular que não me responde a emails há mais de três semanas precisa de uma tolerância de ponto? E no caso do pessoal médico, que não beneficiará de tolerância de ponto, qual o motivo para obterem duas folgas pagas a horas extraordinárias a gozar no futuro? É recompensa por desempenharem a sua função, a mesma que noutros períodos é devidamente recompensada com umas pauladas por grupo étnico não designado?
As televisões estão com os seus intrépidos repórteres nas fronteiras e nas entradas das principais cidades à procura dos bandalhos que se arriscam a deslocar entre concelhos como se fossem membros do Baader Meinhof a caminho de colocar bombas. Deve haver um motivo para esta loucura, mas nenhum deles é médico ou científico. E se não subscrevo a teoria de que se aproxima o apocalipse, também não percebo a passividade de cornudo com que qualquer excentricidade despótica do governo é encarada como “a nova normalidade”.
Não que tenha mudado de opinião. Peçam-me para ficar em casa, e eu fico. Se me ameaçam com penas por não ficar em casa, está o caldo entornado: não me ocorre melhor incentivo à rebelião.
Estou para ver os alertas que se vão fazer sobre a necessidade do mundo no seu todo mudar a sua forma de viver
caso um dia um vírus resulte dos extraordinários consumos de bacalhau por parte dos portugueses. Até para não nos discriminarem acho que se deve fazer uma campanha na Finlândia sobre os perigos da açorda de bacalhau com poejo.
A propósito de bestas
A propósito de bestas este quadro coloca uma questão: porque não é Pedro Sanchez uma besta? Imagine-se estes valores nos EUA ou no Brasil

segundo o PÚBLICO devemos pensar nos animais como parceiros, cuja saúde e habitats têm de ser protegidos para evitar o próximo surto global. (que tal explicar isso às autoridades chinesas?)
segundo o Papa Francisco: vamo-nos dando conta de que todo o nosso pensamento, goste-se ou não, está estruturado à volta da economia. No mundo das finanças, parece que é normal sacrificar. Uma política da cultura do descarte. Do princípio ao fim”, lamenta o Papa Francisco. (Portanto sociedades inteiras fecham-se em casa, arruínando as suas economias e o Papa conclui o quê? Que a culpa é da economia)
A ler
Fernando Leal da Costa assina hoje no Observador uma série de tópicos. A ter em conta.
Visionamento recomendado a todos em geral e muito em particular aos fartos de viver bem que não prescindem da t shirt do Che
Um cidadão cubano que fugiu do paraíso socialista cubano responde à comunista chilena Carolina Cox que por causa do coronavírus ficou retida em Cuba. Resultado: pede ao presidente do Chile que por favor a vá buscar. Exige. suplica… Enfim explica que é muito difícil viver entre ratos, sem comida nem papel higiénico. Este cidadão cubano responde-lhe neste video. E faz dois apelos a todos aqueles que defendem o socialismo: vão a Cuba. Vão viver para CUba. O segundo apelo: discutam comigo. Aceitem discutir comigo sobre o que é a vida em Cuba. Por fim, deixa uma frase: queixa-se que não tem papel higienico há um mês? A minha família nunca em Cuba nunca teve papel higiènico.
O preconceito a desfazer-se no ridículo

A entrevista de Ricardo Araujo Pereira ao presidente da Inciativa Liberal foi um desastre. Não por falta de talento do RAP mas sim porque a cegueira ideológica foi tal que ao prepararem a entrevista alinharam uma série pateta e patética de perguntas.
Desde que os dirigentes do CDS foram entrevistados na RTP durante o PREC que não se via uma sucessão de perguntas tão tontas. O que ali está espelhado mais que o bom desempenho do João Cotrim de Figueiredo é a idiotia a que o maniqueísmo levou quem preparou aquele programa.
O portal do IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana que vai emprestar dinheiro a senhorios e inquilinos continua a dar destaque às Comemorizações Oficiais | Dia Nacional dos Centros Históricos que tiveram lugar em 2019 ou aos vários programas de arrendamento dito acessível que falharam há uns meses e mais vão falhar agora que as rendas vão baixar. Sobre os anunciados empréstimos para senhoros e inquilinos enfrentarem a presente crise nem uma linha, nem um link.
Obviamente do contra
Este é o mundo em que nos lares se afixam códigos de combate ao assédio sexual mas se esquecem os planos de contingência para o vírus. Um mundo de frases feitas.
Isto é uma guerra – Não, não é.
Está sob controlo – Não, não estava.
Estamos todos no mesmo barco – Não, não estamos.
Os nossos idosos – Não, não são nossos nem de ninguém.
A Organização Mundial de Saúde declarou – Não, não declarou, calou.
Diário do manicómio
Quase, quase a adormecer, ouço um megafone debitando sílabas mecânicas sem os intervalos preenchidos pela Internacional Socialista que indicariam tratar-se de uma campanha eleitoral de um dos resquícios revolucionários que os baby boomers mantêm vivos para gozar com os mileniais crédulos em qualquer treta. Não era, pelo que saí à rua para descobrir quem seria o idiota do autor do desaforo. Tratava-se de um carro da polícia a “aconselhar” as pessoas para que não saíssem de casa. Olhei em redor e não vi qualquer pessoa na rua: cá estávamos nós, eu e um carro da polícia de onde um agente “aconselhava”, em total exclusividade para mim, que devia regressar rapidamente a casa. Emocionado pelo gesto pessoal, regressei a casa. Eles lá continuaram, a falar sozinhos.
Quando entrei em casa ouvi um barulho ensurdecedor. Vim à janela e vi um meteoro a atingir o carro da polícia. Por entre a destruição total do carro, um deles, preso na chapa amolgada como o papel da multa de estacionamento que recebi quando ainda éramos humanos, ainda vivo, gritava por ajuda. Abri a janela e gritei: “não podemos sair de casa”.
Jaime Nogueira Pinto: o que ficou por lembrar

Jaime Nogueira Pinto (JNP) constrói hoje no seu artigo publicado no Observador um enredo subtil que, embora não tendo má intenção sofista, ilude a verdade e subverte a realidade dos factos.
Diz JNP que a Alemanha, a Holanda, a Áustria e a Finlândia, a que chama depreciativamente “os financeiramente correctos” são países profundamente egoístas por serem avessos ou recusarem a emissão de coronabonds. Refere ainda que os governos destes países só se mostram preocupados com o “déficit” e apenas querem uma União Europeia “para os tempos fáceis”.
Desde logo JNP parece fazer a habitual confusão entre variáveis fluxo e stock. Do que veio reportado na imprensa, os países supostamente “malvados” têm objecções de princípio a níveis de dívida pública astronómicos como os de Portugal ou Itália. Não estariam demasiadamente preocupados com o valor dos déficits em situações de excepção como a da epidemia que nos faz companhia neste momento, não fosse dar-se o caso de os países pretensamente “vítimas” terem, recorrentemente e ao longo de décadas, despesas públicas acima dos valores que recolhem através de impostos. A reserva dos Estados hipoteticamente “facínoras” é, aliás, maior porque num passado não tão distante quanto isso acudiram a situações de insolvência dos países “injustiçados” na expectativa de que estes mudassem de vida após uma situação de aperto e se tornassem entidades de contas razoavelmente certas e gastos parcimoniosos.
Só para que nos entendamos: a Alemanha tem uma dívida pública de 62% do seu PIB, a Holanda de 53%, a Aústria de 74% e a Finlândia de 59%. Já Portugal, como se sabe, ultrapassa os 122%.
JNP esquece algumas coisas. Primeira: se os países “anti-coronabonds” estão em condições de ajudar os outros é porque criaram riqueza suficiente e pouparam em medida tal para que não haja dúvidas fundadas quanto à sua solvência para o nível de dívida que têm actualmente. Já os países “pro-coronabonds” acumularam um stock de dívida pública tão exagerado que já não há margem para distender o déficit durante o período económico mais conturbado sem que os credores tenham uma percepção de risco enorme e sério receio de nunca mais serem ressarcidos dos seus empréstimos.
Desde logo é crucial que as pessoas e as sociedades sejam livres nas suas opções, mas responsáveis pelas decisões que tomam. A seu tempo os países frugais (como também lhes chamam) optaram por reformar a sua sociedade e o âmbito de actuação do Estado. Nós, legitimamente e por vontade popular optamos por não reformar. Ou, melhor dito, optamos por dar ao Estado um peso cada vez maior nas nossas vidas e permitimos que se endividasse a tal ponto que, em momentos de aflição como a covid19 (ou outros), o próprio recurso a mais dívida se torna extremamente difícil. Ora, não é legítimo sugerir que a responsabilidade dos nossos actos e imprudências seja de terceiros.
Outra coisa que JNP esqueceu é a de que é absolutamente racional e um dever básico que os países “maus” tenham noção do risco de incumprimento por parte de Portugal, Itália ou mesmo Espanha. O dinheiro alemão ou holandês não é dos respectivos Estados, mas sim de cidadãos concretos a quem lhes foi subtraída parte dos seus rendimentos. Os contribuintes desses países não são Portugueses, mas são gente respeitável também. Mal fora que os governos destes países desconsiderassem esta circunstância.
JNP esqueceu ainda um outro facto indesmentível: dívida agora significa impostos futuros. Quer JNP deixar às gerações mais novas e aos portugueses vindouros um peso de obrigações de que não foram responsáveis e condicionar de forma dramática a possibilidade destes desenharem o seu próprio futuro com um mínimo de liberdade? A solidariedade inter-geracional passa pelos mais jovens e os que ainda nem sequer nasceram pagarem os desvarios e esbanjamento de quem se lhes antecedeu na história?
Mas, como JNP coloca a questão quase do ponto de vista deontológico e não tanto do utilitarista, vou-me abster de comentar os resultados que invariavelmente se verificam quando se fornece droga a quem tem comportamentos aditivos de estupefacientes ou o que é de esperar quando se cede a chantagistas.
Digo antes que a verdadeira caridade parte da vontade livre de quem a oferece. Caridade não é responder a pedinchar de mendigos. Gostaria também de salientar que não constitui obrigação moral a nenhum Estado acudir a situações de má gestão pública e falta de previdência de terceiros países.
A quem já beneficiou de ajuda externa e mais do que uma vez como Portugal, se não sabe viver com os seus próprios meios nem tem nenhum pudor de ainda assim fomentar o esbulho das pessoas e dos seus contribuintes que criam riqueza, seria de bom tom não esquecer de a ajuda que já teve. Se não agradece, pelo menos, deveria ter o recato de não se sentir credor de direitos que não tem.
É de elementar decência não exigir dos outros a manutenção do país numa situação de dependência de terceiros e parasitismo compulsivo.
O preço a pagar pela liberdade é elevado, mas define um povo.
o decreto repugnante
A 20 de Março o Governo socialista publicou o Decreto-Lei n.º 10-B/2020 que aumenta os salários dos funcionários públicos. Foi na mesma semana em que centenas de milhar ou mesmo milhões de trabalhadores portugueses ficaram na incerteza do seu futuro; se as empresas onde trabalhavam iriam novamente reabrir; se perderão já ou daqui a um mês ou dois o seu emprego; se verão os seus salários reduzidos por lay-off, se e quando os clientes voltarão. Apenas uma certeza esses trabalhadores tiveram: alguém terá de pagar o aumento dos salários da FP e não serão os FP.
Tão ofensivo decreto ainda está a tempo de ser revogado. Mas tem de ser agora.
Sette Piani
No extraordinário conto Sette Piani (Sete Andares), Dino Buzzati descreve a história de um advogado – Giuseppe Corte – que, em virtude de uma doença ligeira, se hospeda num moderno hospital italiano. O hospital ocupa um edifício com sete andares e tem um curioso sistema de repartição dos pacientes pelo espaço: no último piso estão os doentes menos graves; os restantes pisos são ocupados por pacientes com maleitas de gravidade inversamente proporcional à distância ao solo; no rés-do-chão ficam os que já têm as malas aviadas para o outro mundo. O dr. Corte dá entrada no último piso, já que quase nem estava doente. No entanto, uma série de acontecimentos improváveis – todos sem qualquer relação com o agravamento da doença – fazem-no sucessivamente descer de piso, até ao infernal rés-do-chão.
O conto descreve com mestria o esvaziamento progressivo da esperança de regresso à vida normal com que o protagonista é confrontado, à medida que passa para os pisos inferiores, por razões incompreensíveis. Lembrei-me deste conto, que li há quase vinte anos no n.º 3 da Revista Ficções (revista que pode ser descarregada no site do Instituto Camões) ao ver o Decreto Presidencial n.º 17-A/2020, que renova o Estado de Emergência e agrava, sem qualquer razão aparente (nada se vislumbra no prefácio do decreto presidencial), as medidas que podem ser adoptadas pelo Governo ao abrigo de tal estado de excepção.
Tal como o protagonista do conto de Buzatti, vejo o regresso à normalidade como algo cada vez mais distante, pois é evidente que o sr. Presidente parece apreciar os poderes de excepção de que dispõe (nem me atrevo a imaginar o que estará a preparar para inevitável terceiro decreto desta série) e o Governo, embora mais moderado, também parece estar a tomar-lhe o gosto. A sensação de que recuperar o estado de normalidade constitucional pode vir a ser mais difícil do que a recuperação da economia é aterradora.
paulo baldaia: um esclarecimento
Na terça-feira passada recebi o telefonema de um amigo que se queria justificar por ter faltado a uma reunião por videoconferência, que eu tinha agendado e onde ele devia ter comparecido. Disse-me – o que me comoveu bastante – que tinha em sua casa um filho asmático, com apenas cinco anos, com o vírus COVID-19. Mas não só: também o seu pai, com 78, a sua mãe e a irmã tinham igualmente contraído o vírus. Não tive resposta para lhe dar. Talvez por estar com vontade de desabafar, o meu amigo contou-me que o estado de saúde do seu pai piorara uns dias antes, tendo sido internado no Hospital de São João, no Porto, onde entrou com os rins e o fígado já em processo de falência. Os médicos que o receberam e acompanharam no internamento hospitalar ter-lhe-ão dito que era grave o estado em que o seu pai se encontrava e que, mais dois ou três dias em casa lhe teriam sido fatais. Foi tratado no hospital, tendo-lhe sido administrada hidroxicloroquina. Nem uma semana depois, mais precisamente seis dias, já se encontrava em casa, obviamente ainda abalado, mas estabilizado e em franca recuperação. Ou seja, com o seu estado clínico completamente revertido.
Achando que a recuperação do pai de um amigo, possivelmente devido a uma substância sobre a qual existem expectativas sérias de poder ajudar na cura deste vírus, podia ser, nos tempos sombrios que correm, uma história inspiradora, resolvi partilhá-la no Twitter. Limitado pelo reduzido número de caracteres que um tweet comporta, circunscrevi-me ao essencial: que uma pessoa conhecida dera entrada no S. João, já em fase adiantada da infecção provocada pelo COVID-19, com alguns órgãos a entrarem em falência, e que, ao fim de alguns dias, tinha regressado a casa e estava bem, tendo-lhe sido administrada, no tratamento hospitalar, a hidroxicloroquina. Algumas pessoas colocaram likes, outras retwittaram e comentaram o post, entre elas o Carlos Guimarães Pinto. Todas o fizeram urbanamente, mesmo as que suscitaram reservas sobre a eficácia do medicamento, o que, num momento em que ainda não existem certezas derradeiras, é uma posição tão sensata quanto a de dizer que já houve pessoas que se curaram com ele.
Numa coisa que me parecia pacata e sem qualquer motivo para provocar polémica, foi com espanto que constatei que o jornalista Paulo Baldaia, em resposta directa ao mencionado like do Carlos Guimarães Pinto colocado no meu post, entrou na conversa, com um comentário que integralmente reproduzo:
Como é possível o @carlosgpinto pôr um Like neste tweet, dando-lhe credibilidade? Isto aconteceu e nenhum órgão de comunicação social noticia? Deve ser para não fazer brilhar o Bolsonaro que descobriu a cura. É isso, não é?
P.S.Há uma semana que o numero de recuperados não altera— paulo baldaia (@paulo_baldaia) March 31, 2020
Seguiram-se algumas centenas de comentários e posts a explicar a Paulo Baldaia que, ainda que não haja certeza científica do potencial curativo da hidroxicloroquina em relação ao COVID-19, os seus efeitos são inequivocamente positivos em muitas pessoas, de tal modo que o Infarmed e a Ordem dos Médicos o recomendam no tratamento da doença, sobretudo quando já está em estado avançado, mas não só. Disso mesmo sou eu também testemunha directa, já que um outro amigo muito próximo – aliás, figura pública, com internamento noticiado na comunicação social – recebeu o mesmo tratamento e também já teve alta e se encontra bem, na sua casa. Todavia, mesmo depois de se lhe ter explicado o óbvio, Baldaia persistiu em escrever disparates, em vez de ter arrepiado caminho e saído discretamente de uma contenda que, de modo grosseiro, arrogante e, no mínimo, desinformado, provocou.
Ficamos, assim, a saber que, para Baldaia, dizer-se que a hidroxicloroquina tem potencial curativo do COVID-19 é ser-se adepto de Bolsonaro, e que a validação de resultados científicos se faz pela publicação de notícias nos jornais. É esta a forma mentis de um opinion maker que já exerceu e exerce funções de responsabilidade em vários órgãos de comunicação social. É bom que todos tenhamos consciência disso, de quem nos “informa” e de como somos “informados”, razão única pela qual me dei ao trabalho de escrever este post.
O QUE SE SABE: Ai Fen, directora do departamento de emergência do Hospital Central de Wuhan, berço do coronavírus na China, está desaparecida desde o dia em que afirmou ter sido proibida pelos seus superiores, em Dezembro de 2019, de mencionar um vírus desconhecido que começava a surgir na região.
De acordo com investigação do “60 minutes”, da CNN Austrália a médica disse à revista chinesa Renwu ter recebido pressões para não falar nem mesmo com o seu marido sobre a doença. Desde então, não há notícias sobre o seu paradeiro.
A investigação do “60 minutes” também aponta que o surto da Covid-19 poderia ter sido evitado em 95% se o governo chinês não tentasse omitir os fatos relacionados com a doença nas quatro primeiras semanas do surto em Wuhan.
O QUE FALTA SABER: Onde está Ai Fen? Como podemos acreditar naquilo que as autoridades chineses estão a dizer neste momento sobre o presente controlo do vírus na China?
ONDE ESTÃO: os protestos das ordens e sindicatos dos médicos por esse mundo fora pela forma como a China está a perseguir os médicos que procuraram alertar para o que estava a acontecer na China?
A primeira página da revista China’s People com Ai Fen (à esquerda, a segunda de cima), , como apareceu inicialmente . Depois na versão censurada.
Imperdível
A pandemia apanhou em Cuba vários comunistas chilenos. Entre eles está a actriz Carolina Cox activissima na defesa do regime cubano e nas manifestações de contestação ao capitalismo, à democracia parlamentar e a tudo o mais que não seja o castrismo. Ou melhor que não fosse. Porque agora Carolina Cox está em Cuba a viver em directo e ao vivo as condições de vida que tanto defendeu. Resultado: pede ao presidente do Chile que por favor a vá buscar. Exige. suplica… Enfim explica que é muito difícil viver entre ratos, sem comida nem papel higiénico.
Ministra da Justiça admite libertar os reclusos que estejam presos por crimes menores.
Qual a vantagem de fazer sair os presos das cadeias para os enfiar em casa, admitindo que têm uma casa para voltar e condições para viverem confinados em quarentena?
Quanto aos chamados “crimes menores” eles são frequentemente maiores do ponto de vista dos vizinhos e localidades onde estes agora reclusos praticaram os tais crimes menores. Trazer mais instabilidade a populações que estãoa passar por momentos difíceis é adequado?
A ler
Holanda: uma achega à reacção de Costa: «este padrão de táctica diplomática em Costa não é inédito. Em Junho, ele também garantiu “à cidade e ao mundo”, que, com a sua veia europeia, havia entronizado Timmermans como Presidente da Comissão – o que faria dele um influente “king maker”. Resultado: isso simplesmente não aconteceu e o espanhol Sánchez, que até aí o acompanhara, abandonou-o sem dó, para “sacar” para a Espanha o Alto Representante para a Política Externa.» (Paulo Rangel)
A esta constatação de Paulo Rangel há uma pergunta a fazer: no conselho António Costa disse exactamente o quê? É curioso que tendo a imprensa portuguesa quase como fonte exclusiva sobre Espanha o El Pais este artigo tenha passado quase clandestinamente
As propostas ditas para proteger os inquilinos são uma obra prima da esperteza: o Governo isenta os inquilinos da obrigatoriedade de pagar as rendas e diz aos senhorios que podem pedir empréstimos para compensar a perda de rendimentos.
Porque não aprova então o Governo empréstimos aos inquilinos? Porque sabe que assim consegue dezenas de títulos maravilhosos sobre a protecção aos inquilinos sem gastar quase nada. Quantos senhorios vão recorrer a estes empréstimos?
Este é um modelo de negócio socialista: o governo recebe os louros da propaganda; o povo acredita que está a ser protegido; quem investiu aguenta o prejuízo e, voilá!, pode endividar-se. Nem sei como é que este modelo de negócio não é mais utilizado.
Examente o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o tal que ribombam as notícias “irá garantir empréstimos sem juros, durante o estado de emergência“ para ajudar os inquilinos a pagar as rendas. Enfim um notabílissimo papel, uma tarefa hercúlea, uma missão gigantesca. Pena é que o o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) ainda nãio tenha dado por isso.
Este é o site do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) hoje, 30 de Março de 2020. Podia ser de 2019. Ou 2018…

Respostas à crise que aí vem
Apesar de no quadro em que vivemos não haver alternativa à acção do Estado e esta ser absolutamente necessária na actual situação de emergência epidémica, a sociedade civil não se pode deixar cair nos seus braços e ficar rendida ao estatismo para os tempos próximos.
Foi neste enquadramento que a Oficina da Liberdade procurou contribuir para a discussão pública acerca das respostas político-económicas à crise que aí vem.
Redigiu-se um manifesto para o qual cada um dos seus autores contribuiu pensando pela sua própria cabeça, mas todos pugnando por uma sociedade livre e aberta.
Aí se defendem coisas “escandalosas” quando comparadas com a lengalenga dominante. Para abrir o apetite à leitura do documento, previno que da lista de medidas propostas consta, por exemplo, o lay off na Função Pública, a abolição dos benefícios de isenção de horário e subsídios de refeição e também a suspensão de pagamento de 13º e 14º mês a funcionários públicos.
Com o devido enquadramento e para leitura crítica, o documento pode ser acedido aqui.

(caricatura do médico Ricardo Jorge aquando do combate à peste no Porto)
Epidemia: quando a peste fechou o Porto
Que erros se cometeram no combate à peste bubónica, no Porto de 1899?
vão ter de se chegar à frente
Não tenho opinião firmada sobre a questão dos «coronabonds», menos ainda sobre a «intransigência» alemã e holandesa em financiarem as falências dos estados mediterrânicos, nomeadamente de Itália, Espanha e Portugal. No plano teórico, fabricar dívida pública é mau, sobretudo no médio e longo prazo. No plano prático, se não entrar «cash» nos cofres desses estados, irá tudo de pantanas. Todavia, há uma coisa de que estou certo: se os grandes países europeus quiserem continuar a dar-se ao luxo de manter um mercado comum aberto de 500 milhões de consumidores, vão ter de gastar dinheiro nisso. Até porque, no nosso caso, foram todos coniventes com um governo que está há cinco anos sem fazer reformas e que não aproveitou o crescimento da economia mundial para reduzir seriamente a sua dívida. De tal modo, que nunca deixaram de aprovar os nossos orçamentos de estado e erigiram Mário Centeno à qualidade de «Ronaldo das Finanças» e presidente do Eurogrupo. Agora, amanhem-se com o resultado de tanto talento e vão puxando do livro de cheques
«Estabelecimentos fechados só pagam rendas um mês depois do fim do estado de emergência». E os senhorios cujos inquilinos não pagam as rendas até ao fim do estado de emergência vivem a crédito?
O Governo está a gozar não está? E está a gozar com inquilinos e senhorios. Como é que os inquilinos vão conseguir documentação que prove que «tiverem quebra de rendimento de 20% ou o esforço com habitação for acima de 35% do rendimento familiar»? E admitindo que a conseguem que sentido faz entregá-la aos senhorios? Não anunciou o Governo que o «Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) irá garantir empréstimos sem juros, durante o estado de emergência, «para suportar a diferença entre o valor da renda mensal devida e o valor da renda que corresponda a uma taxa de esforço máxima de 35% do rendimento total do agregado familiar destinada ao pagamento da renda»? Se o IHRU vai emprestar dinheiro aos inquilinos é ao IHRU que essa documentação tem de ser entregue.
Resumindo o GOverno está
a) a trabalhar para os títulos;
b) transfere para os senhorios o ónus de aguentar por tempo indeterminado não receber as rendas;
c) anuncia empréstimos aos inquilinos que muitos não conseguirão receber porque não vão ter a documentação exigida mas entretanto já não pagaram a renda ao senhorio;
c) não suspende o IMI . Portanto os senhorios que não recebem as rendas vão ter de pagar o IMI
O seu orgasmo será televisionado
Foi decidido pelas autoridades que as pessoas devem permanecer em casa. É compreensível que muitas não entendam a decisão, que a temam, assim como é compreensível que muitos a tentem furar saindo para passeios fora dos parâmetros estipulados para as vindas à rua. As considerações sobre o que considero de quem fura o isolamento deixo para mim próprio. O que não consigo deixar para mim próprio é o que penso das demonstrações de “virtude” que todo e qualquer um sente que deve impor aos seus “amigos” via esse cancro incurável que são as redes sociais.
Se não quereis ficar em casa, ide onde quiserdes, mas poupai-nos as considerações sobre a vossa imensa virtude de epidemiologista de internet. Já me basta que uma especialista em saúde pública com imensa responsabilidade política, a doutora Graça Freitas, apareça no início do mês de Março – com a crise italiana em plena aceleração – a dizer que devemos ir visitar os velhinhos ao lar, coisa que sinto que acabo por fazer todos os dias em que a doutora Graça Freitas nos aparece na televisão a demonstrar o conceito de pré-senilidade.
Quereis ir à praia? Ide. Se vos julgais melhores que os outros, ide, força, fight the system e toda essa treta de adolescente tardio. Contudo, fazei-o com a descrição que o individualismo egoísta de Rand defende. Anunciar ao mundo inteiro que se vai à praia é que é em tudo semelhante a televisionar o orgasmo e eu gosto de escolher a pornografia que consumo.
