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O sucedido terá ocorrido sem que se saiba o que terá levado ao incidente

4 Junho, 2017

Mais um “incidente” em Londres. Ainda não podemos atribuir tal “sucedido” à religião de paz, por muito preconceituosos que sejamos. O “incidente” pode ter “sucedido” por mera “fatalidade”, não há qualquer prova de que se trate de um atentado terrorista só porque causou terror às pessoas que foram “inesperadamente” atropeladas e/ou esfaqueadas. Pode ter sido um “acto cometido” por pessoa “com problemas mentais” ou até por desempregado desiludido com Trump por este retirar os EUA do tratado de Paris, aquele tratado que é tão bom que não há vivalma que desconheça os seus méritos e, inclusivamente, o seu conteúdo.

A polícia matou três pessoas que nem sequer foram julgadas e consideradas culpadas em quinta instância. É um abuso e uma severa violação dos direitos humanos. É neste “sucedido” que devemos focar a nossa atenção. Mais: nem sabemos se “o incidente”, que consistiu em atropelar e esfaquear pessoas, foi dirigido a londrinos de gema, pessoas nascidas e criadas na capital inglesa ou se foi um meritório “sucedido” de supressão de turistas, essa praga que destrói a habitação e corrompe as tradições e modo de vida das cidades históricas.

Sabemos é que é necessário uma Câncio em cada esquina. Da mesma forma que não haverá turista a entrar em prédio que lhe pertença para sessões de tórrido sexo com governantes locais, causando transtorno aos restantes moradores que também querem carinho, um elemento deste tipo por condomínio seria suficiente para assegurar quotas para refugiados homo-, trans- e pan-sexuais que, como sabemos, resolvem facilmente o problema demográfico da Europa através de partenogénese e asseguram que atropelamentos e esfaqueamentos, em virtude da religião de paz, só ocorrem em mulheres culpadas da suspeita de adultério, nunca a transeuntes inocentes.

Meus Senhores, Expliquem Isto!

2 Junho, 2017

Antes que os intolerantes às opiniões divergentes (assentes em factos) comecem a vomitar slogans de ódio, começo por dizer que fui uma apoiante acérrima dos refugiados. Quando se iniciou a tragédia, ao ver milhares de mortes no mediterrâneo com gente a fugir de uma guerra, estremeci. Escrevi muito sobre o assunto e achava que quem se opunha era radical e racista. Sim, eu pensei mesmo isso. Isto porque não compreendia de todo como podiam estar contra as ajudas a quem lutava pela sobrevivência. Até que, com o passar do tempo, sempre atenta a tudo, comecei a ver coisas estranhas às quais parecia não haver resposta. E é precisamente quando vou à procura dessas respostas, que a verdade começa a surgir…  Ler mais…

um erro enorme

31 Maio, 2017
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Jornadas Parlamentares PSD/CDS

Passos Coelho começou, finalmente, a dizer o óbvio: que a razão da economia portuguesa estar a ir bem, neste momento, é devida ao facto do actual governo ter inflectido as políticas iniciais e ter começado a cuidar do défice das contas públicas. Mas há muito mais que ele tem que dizer aos portugueses, se quiser ter alguma esperança em voltar a ser primeiro-ministro.

Primeiro, que a recuperação da economia se deve ao seu governo, que estancou a falência do estado, em 2011, e iniciou um caminho de recuperação.

Segundo, que ninguém com o juízo todo na cabeça poderá acreditar que estes actuais resultados económicos se devem ao facto do actual governo ter aumentado uns cêntimos às reformas e reduzido alguns tributos para alguns escalões sociais, no ano passado. Ainda que essas medidas pudessem ter algum impacto positivo na economia, certamente que não seria dois ou três meses depois de terem sido tomadas. Por conseguinte, é devido a políticas vindas de trás e ao facto do governo actual não estar a estragar o essencial (o que, com o Bloco e o PC à ilharga, não é feito a desconsiderar…), que a economia portuguesa está a crescer.

Em terceiro lugar, que sem reformas profundas e se o governo assassinar os sectores económicos – como o do turismo – que têm dinamizado a economia, este bom ambiente não perdurará por muito tempo.

No fim de contas, Passos cometeu, quando passou para a oposição, um erro enorme: o de ter anunciado a vinda breve do «diabo». Com isso, ele desvalorizou o seu próprio trabalho e não se apercebeu que a herança que deixou era bem mais forte do que aquilo que pensava. Mas era.

Não há defesa grátis

31 Maio, 2017

Quem vai explicar aos contribuintes europeus a conta detalhada do esforço de defesa da Europa?

Há petróleo no Beato. Estamos tramados!

31 Maio, 2017

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Não sei quanto tempo mais irá Jerónimo de Sousa aguentar as provocações de António Costa, mas desconfio que a corda poderá partir a qualquer momento. Não falo das cativações nos serviços públicos, do aumento dos impostos indiretos ou dos cortes no investimento estatal, pois a austeridade, com maior ou menor esforço, é sempre passível de ser transformada noutra coisa qualquer através da nobre arte da comunicação profissional (aquela actividade a que o Pinóquio por vezes se dedicava e que lhe fazia crescer o nariz). Falo sim do permanente ataque que o líder socialista dirige às expressões e ditados populares, retirando-lhes o sentido e a oportunidade de utilização. É bem conhecido o carinho que o secretário-geral do PCP nutre pelas máximas construídas ao longo dos séculos pelo povo, colocando-as praticamente ao mesmo nível das que foram transmitidas por Marx e Lenine. Na verdade, nada tenho contra esse afecto; julgo até que o movimento comunista internacional podia ter poupado a humanidade a muitas páginas de maçadora teoria se dele partilhasse. Quantos volumosos tratados foram escritos sobre o insubstituível papel do Partido Comunista como vanguarda do proletariado, quando tudo poderia ter sido facilmente resumido a um progressista “candeia que vai à frente alumia duas vezes” seguido de um pragmático “manda quem pode, obedece quem deve”?

Lamentavelmente para Jerónimo de Sousa, as hostilidades contra a cultura popular foram abertas logo depois das eleições legislativas. Ainda estavam os inocentes filósofos de café a proclamar que “o segundo é o primeiro dos últimos” e já António Costa engendrava um esquema para se sentar na cadeira de Primeiro-Ministro e estuporar o provérbio.

Agora, segundo leio, há um novo dito na calha da irrelevância. Sempre que, num negócio imobiliário, o vendedor exagerava no preço pedido, era certo que seria confrontado pelo comprador com um energético (relativo a energia, note-se) “mas há petróleo debaixo da superfície?!” Eram os tempos pré-Costa, os tempos do ouro negro, tão desejado por todos que se chegavam a travar sangrentas guerras pela sua posse. Na actualidade tudo é diferente, e a simples perspectiva de tal viscosidade poder estar presente no nosso território provoca calafrios no executivo. Por esse motivo, e de acordo com o jornal Sol, o Governo prepara-se para pagar indemnizações às empresas afectadas pela rescisão unilateral dos contratos de prospecção de petróleo assinados no tempo de Passos Coelho, entre as quais se encontra a sociedade de Sousa Cintra. Andava o empresário a alimentar a esperança de, sujando as mãos a trabalhar, enriquecer à custa dos hidrocarbonetos e afinal vai ter de se contentar em, não fazendo nada, enriquecer à custa dos contribuintes. Há pessoas com muito azar!

Quanto às rescisões propriamente ditas, penso que não há nada a apontar. O negócio dos combustíveis fósseis é uma mistura de inconsciência ambiental e ganância que só faz sentido em países do terceiro mundo tais como o Canadá ou a Noruega. E os nossos governantes não podem correr o risco de afugentar algum turista mais sensível à problemática ecológica por causa desta actividade extractiva geradora de fortes lucros; se há turistas a mais, como se vai ouvindo da boca dos mesmos governantes, estes devem ser afugentados recorrendo a estratégias geradoras de vastos prejuízos.

Até hoje existiam no mundo dois tipos de países: os que não tinham petróleo e gastavam dinheiro a comprá-lo e os que tinham petróleo e ganhavam dinheiro a vendê-lo. Com este incumprimento contratual, Portugal inventa um novo grupo só para si: o dos países que, por não o terem, gastam dinheiro em petróleo, ao mesmo tempo que, para não o terem, gastam dinheiro em indemnizações. Ainda dizem que há falta de inovação neste cantinho lusitano…

 

Podia lá ser doutra maneira?

31 Maio, 2017

Violência da oposição venezuelana provocou pelo menos 69 mortes

marcelo, o medalhador

30 Maio, 2017
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Depois de tentar medalhar o petiz da fotografia, com mais de dez Ordens Honoríficas do Estado Português, pelo notável feito de ser o aluno da escola dele que come mais cachorros quentes no refeitório, no intervalo das 10.00, e contribuir, assim, para o incremento da indústria salsicheira e da restauração, Marcelo Rebelo de Sousa explicou-lhe por que razão devem as agências de rating rever a posição da República Portuguesa, até Setembro. E «até Setembro» porquê? Porque «é justo»! «Até setembro parece justo», disse o Presidente de todos os comedores de cachorros quentes ao jovem campeão nacional da modalidade. Não até Outubro? Não, não e não: «até Setembro»! «Parece justo». E o ano, Senhor Presidente? O ano?! «Até setembro parece justo», caramba! Já chega, já basta, está tudo dito!

Apenas para que conste, o petiz proto-agraciado recusou todas as comendas. «Em casa, os meus pais disseram-me para nunca aceitar presentes de estranhos», disse.

Levante-se o réu!

29 Maio, 2017

João, a personagem de “As Bodas de Deus” (1989), a cumprir pena, pede a Joana, que o visita, para que lhe deixe um pentelho. Perante a insólita solicitação e a presença de um guarda, a hesitante jovem inquire sobre a forma como poderá ser obtido o desejado elemento para que o solicitado dote seja concedido. “Metes a mãozinha e encontrarás terreno cultivado”, responde o lacónico Barão, título que adoptou através de grande soma de dinheiro obtida por graça concedida por Enviado do Pai Divino.

António Costa, auto-proclamado Barão através de benefícios obtidos por vender o partido a estalinistas e trotskyistas, para nem mencionar a maior prole de inusitada corte, a dos doidos varridos, continua a pedir mais pentelhos à Europa, curioso material que garante uma obsolescência controlada no tempo para o tristonho país. “Mais Europa, mais euro”, diz o rústico traquina que, com a graça de Deus — ou, mais propriamente, com o descuido divino — lá vai apascentando a polineuropática imprensa com gloriosos sucessos de austeridade que outrora matou e agora é cobiçada. A Europa, o terreno cultivado onde Costa quer meter, uma e outra vez, a tímida mãozinha.

Passos Coelho foi muito importante para o país: permitiu que as mais exuberantes tágides deste coió de tratantes encontrassem hilárias anedotas sobre o cancro da sua mulher, da piroseira que é Massamá e do atol para suburbanos com baba no canto da boca que dá pelo nome de Manta Rota. Agora já não precisamos dele: um país regido pelo tédio tende a gerar chavelhos nos apáticos e escoriações nos outros. Com Junho à porta, a sonolência de Verão permitirá mais um ano de submissão dos portugueses ao seu destino, o de total irrelevância do país no esquema mundial que se vai confundindo nos corredores de Bruxelas, Washington e Moscovo. O que será, será, como o foram as cascas de noz em oceanos longínquos de outrora. Como o Infante, Costa nos conduzirá, através do coma, para o outro lado. Quem lá chegar, chegou.

Não que canse falar para paredes: o que cansa é o eco que entoa periodicamente, como que mostrando que não há nada para dizer. João de Deus está sentado no tribunal para ser julgado. “Levante-se o réu”, é-lhe ordenado. “Levanta-te tu, meu filho da puta”, responde.

O Milagre da Saída do Défice Excessivo

29 Maio, 2017

Em Abril de 2015, doze economistas entregavam ao candidato a primeiro-ministro, António Costa, um Plano Macroeconómico que previa um autêntico milagre nas contas do país, sustentado no estímulo ao consumo interno e aumento do investimento público. Fizeram parte dessa proposta nomes que se encontram neste momento a governar: Galamba, Centeno, Rocha Andrade, Vieira da Silva, Caldeira Cabral entre outros. Umas mentes luminosas que tinham a solução divina para nos colocar ao lado da Suiça num ápice (ah! ah! ah!). Mas o Plano era tão bom e tão credível que, ao contrário do Documento Estratégico Orçamental do então governo PSD/CDS, devidamente auditado pela UTAO e CE, neste do PS, não foram facultadas as folhas de cálculo que levavam a tais conclusões. Curiosamente também, o dito “plano macroecomico”, entretanto,  desaparece da net. Pormenores… maiores.  Ler mais…

Nem o Francisco….

28 Maio, 2017

...conseguiu acabar com esse ridículo, e degradante «protocolo» que as obriga a parecerem viúvas em vida.

este ps é perigoso

26 Maio, 2017
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Anos após uma falência do estado que prejudicou gravemente milhares e milhares de portugueses, causada, em boa medida, por políticas despesistas do governo de José Socrates, o país começou, finalmente, a recuperar.

A principal causa dessa recuperação não é, contudo, devida a quaisquer políticas públicas, ao contrário do que se tenta convencer as pessoas, mas ao esforço empreendedor dos portugueses, sobretudo daqueles que investiram os seus parcos recursos no turismo, a principal indústria exportadora nacional dos últimos anos.

Dentro da actividade turística tem tido um papel de primeira importância o alojamento local, que envolve, actualmente, muitos milhares de pessoas.

Graças ao alojamento local muitos portugueses conseguiram obter um rendimento que lhes permitiu sobreviver à crise, sem estarem pendurados nos subsídios do estado.

Graças ao alojamento local reconstruíram-se milhares de imóveis das cidades portuguesas, que estavam há décadas em ruínas, graças a uma lei absurda de congelamento dos arrendamentos.

Graças ao alojamento local criou-se uma oferta de hospedagem turística de qualidade, a preços acessíveis, que permite que centenas de milhares de turistas de renda média e média-baixa possam visitar o nosso país.

Graças ao alojamento local desenvolveram-se milhares de pequenos negócios de restauração, de construção, de empresas turísticas. Esses negócios garantem emprego e rendimento a muitos milhares de pessoas.

O alojamento local vive sem qualquer apoio ou subsídio do estado. É um sucesso, porque as pessoas – os produtores e os consumidores – precisam dele e porque é bem feito. Se não fosse tão útil, necessário e bom, estaria às moscas.

O alojamento local, ao contrário do que se pretende fazer crer por aí, está regulado por lei, cumpre regras exigentes de autorização de funcionamento, com aprovação da Câmara e bombeiros, paga impostos que aumentaram de 15% para 35% só neste último ano e não dá problemas relevantes a ninguém.

Pois bem, em face disto o que pretende fazer o governo e a sua maioria parlamentar com esta importante actividade social e económica? Apoiá-la? Ao menos não a perturbar? Nada disso: quer acabar com ela, saciando, assim, os interesses dos grandes grupos de hotelaria, há muito tempo a pressionarem os decisores políticos para uma medida do género da que o grupo parlamentar do PS que agora aprovar. Na verdade, em vez de se sujeitarem à concorrência e serem obrigados, pelo mercado, a prestar melhores serviços, a preços mais baixos, as grandes cadeias hoteleiras preferem destruir os pequenos empresários que competem com eles. Basta, para isso, ter um governo amigo e deputados à disposição.

Por último, o «argumento» que preside a esta proposta de lei socialista: a perturbação do sossego dos proprietários de imóveis em prédios onde há alojamento local, que já produziu meia-dúzia de processos em tribunal. Mas, por acaso, querem comparar esses processos, em número e substância, com os que existem por causa das relações de vizinhança, de cães, ruído nocturno, etc.? Mas, por acaso, a República não dispõe já de leis que assegurem o direito ao repouso e não há a possibilidade de o garantir, quando alguém o põe em causa? É claro que sim. Mas também não importa, porque o que está aqui em causa não é nada disso. É mesmo e só acabar com o alojamento local.

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E se Fosse seu Filho?

26 Maio, 2017

É muito fácil opinar sobre coisas que não nos atingem (por enquanto). Ter todos os nossos filhos calmamente a jantar connosco enquanto ouvimos o Jornal da Noite a relatar os horrores vividos numa noite de concerto da Ariana Grande em Manchester. Famílias destruídas em dor. Mães desesperadas sem saberem das filhas. Não custa nada. Principalmente se no dia seguinte não temos de atravessar as “No Go Zones” (porque não as há ainda) nem fazer um desvio para o trabalho porque certa zona está fechada por ameaça de bomba ou ataque iminente de terrorismo. Nem ter de olhar para todos os lados com medo. Não nos afecta nada porque por enquanto não há cá nada disso. Por enquanto…  Ler mais…

Temos que compreender o terrorista, não odiemos os oprimidos

24 Maio, 2017

Uma das ocupações em alta, das que tem vindo a ter mais saídas profissionais, é a de comentador de terrorismo islâmico (uma redundância). Trata-se de uma ocupação que consiste em explicar as motivações dos terroristas, coisa que se obtém através de anos de estudo em ciências sociais e teorias de género pós-feministas e humanitárias, competências adquiríveis, por exemplo, através do programa de doutoramento em estudos feministas no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Outro meio para a aquisição de competências na área da compreensão das motivações dos terroristas é ser um idiota chapado, coincidentemente, um dos requisitos não mencionados para a admissão ao programa de doutoramento mencionado.

Nas televisões e nos jornais, como cogumelos, brotam do húmus inúmeros especialistas em especialidades que juram a pés juntos — evitando assim expôr o heteropatriarcal sexo biológico, uma aberração da natureza — que o mundo ocidental é culpado, por infortúnio de inúmeros pecados, de fomentar a carnificina de multidões indiscriminadas, gente que o terrorista não conhece, logo, pessoas dotadas apenas de uma espécie de Pecado Original que os torna indiscutíveis culpados e candidatos admissíveis para uma gloriosa matança. Outros, mais sofisticados que os anteriores, tal como o caracol é uma evolução da lesma desprovida de carapaça, salientam, inclusivamente, dois factos que deixariam as mães hippies orgulhosas com tamanho brilhantismo: 1) havia mais terrorismo na Europa nos anos 70, mérito dos revolucionários marxistas, gente simpática que, talvez por fraqueza, evitava a carnificina de crianças; 2) os terroristas islâmicos são habitualmente nativos do país onde a matança ocorre, daí que nada disto tenha a ver com fronteiras e políticas de emigração, como que sendo o problema mais difícil de combater do que através de simples fecho de fronteiras seja motivo para regozijo. Que alegria: o terrorista tem passaporte inglês, é meu vizinho, não é um estrangeiro desconhecido!

Em qualquer dos casos, é sempre necessário salientar que o Islão não tem nada a ver com terrorismo, tal como uma prostituta não tem nada a ver com gonorreia: são coisas distintas e é possível ser um devoto muçulmano sem ser terrorista, tal como, como já verificamos, também é possível ser um idiota chapado e doutorado ao mesmo tempo. Importante é referir que todas as religiões são uma porcaria, umas mais que as outras, por motivos culturais. Cristãos e judeus são reles, muçulmanos são apenas pessoas num processo de evolução igualitário, vítimas de opressão heteropatriarcal e, como tal, passíveis de compreensão quando se rebentam matando crianças e adultos de castas reles. Importante é combater as fobias, as xeno-, as homo-, as multi-, nem que para isso seja necessário fechar os olhos ao próprio atentado (não é xenofobia?), às execuções de homossexuais (não é homofobia?) e ao triste destino dos depósitos de esperma a que chamam mulheres por estes libertadores da opressão mundial a que erradamente chamamos terroristas (não é misoginia?).

Como diz o nosso Querido Líder, “por cada atentado realizado, dez são evitados”. Isto é verdade, tal como é verdade que por cada palerma que “compreende os terroristas” há dez pessoas dispostas a pagar-lhe o bilhete de ida para Mosul.

A febre de Domingo à noite

24 Maio, 2017

Fight_for_Her

 

Quem já viu o filme em que Mr. Bean se faz passar por um prestigiado crítico de arte conhece-a bem: Arranjo em Cinza e Preto nº1, ou a Mãe de Whistler, como é popularmente tratada, é uma importantíssima pintura de James Whistler, artista americano do séc. XIX. De igual modo, quem nunca tenha querido perder tempo com as palhaçadas de Bean mas tenha visitado o parisiense Museu d´Orsay, na margem do rio Sena, já contactou também com o famoso retrato da mãe do pintor, uma vez que é nessa instituição cultural que a obra se encontra exposta. No entanto, se é esse o seu caso, talvez seja melhor parar a leitura por aqui. Pessoas que utilizam sabiamente as escassas horas da existência, percorrendo galerias repletas de impressionistas em vez de se rirem primitivamente de episódios burlescos, terão certamente melhores coisas para fazer.

A importância do quadro de Whistler, considerado um símbolo da maternidade e dos valores familiares defendidos à época, levou a que fosse muito utilizado em anúncios publicitários e campanhas, inclusive num poster canadiano de recrutamento de soldados para as fileiras da I Guerra Mundial. Sob o lema “fight for her”, tentava-se que os jovens abandonassem o conforto do lar e se dedicassem a arriscar o pescoço nas trincheiras europeias. Descubro agora, através de uma notícia relativa aos Comandos portugueses, que, um século volvido, não só deixou de ser possível invocar as mães como um motivo válido para ir à luta, como são as próprias mães que impedem a vocação guerreira dos seus filhos. De acordo com as palavras do Chefe do Estado-Maior do Exército, são os fins-de-semana em casa, e não as exigências físicas e psicológicas do treino, que estão a provocar o grande número de desistências do curso deste ano, fazendo com que dos 57 militares iniciais restem neste momento apenas 17. Estamos por isso a falar de homens de barba rija, capazes de sobreviver uma semana no mato apenas com uma fita na cabeça e um corta-unhas, mas que não conseguem superar a prova da mamã aos Domingos à noite. Sendo eu membro integrante, desde tenra idade, da tropa de elite dos copinhos-de-leite, foi com enorme satisfação que li esta notícia; felizmente, a auto-estima dos seres humanos nunca foi muito boa a distinguir os méritos próprios dos fracassos alheios.

Foi só em 2013, ano em que morreu Jaime Neves, chefe do Regimento de Comandos durante o Verão Quente de 75, que soube da existência de um grito de guerra nessa força especial. Depois da aprovação pelos deputados do voto de pesar pela morte do major-general, os camaradas presentes nas galerias do Parlamento levantaram-se e soltaram um ruidoso “MAMA SUME!” que deixou o plenário sem reacção. A expressão, adoptada pela unidade a partir do grito de uma tribo africana, significa qualquer coisa como “aqui estamos, prontos para o sacrifício”. Acredito profundamente no poder motivacional deste lema, e desconfio até que seja depois de o ouvirem que muitos mancebos se sentem com vontade de ingressar no quartel da Carregueira. E não é por alguns o interpretarem erradamente como “MAMÃ, SUMO!” que vou mudar de opinião.

 

O Politicamente Correcto Mata

23 Maio, 2017

O que falta ainda acontecer na Europa para que de uma vez por todas os governantes entendam que é preciso urgentemente rever toda a política europeia? Já “importamos” ataques terroristas que se multiplicam no tempo. Já “autorizamos” os estupros colectivos e agressões a mulheres, as “no go zones” onde nem a polícia entra. Já “permitimos”a destruição de igrejas para substituir por mesquitas. Por cá até expropriamos  friamente a privados para as construir com dinheiro estatal. Já “aprovamos” a lei da Sharia e respectivos tribunais paralelos. “Aceitamos” com naturalidade que se doutrine na Europa uma ideologia que apela a abolição dos valores culturais ocidentais. Achamos “imensa graça” às burkas. Não vemos problema em eleger  Arábia Saudita para Comissão pelos direitos das mulheres na ONU, um país que não permite que elas conduzam, nadem ou exercitem em público, onde não podem entrar em bancos, universidades ou parque de diversões públicas. Mas está tudo LOUCO? Ler mais…

E o Tony Carreira? E Marco Paulo?

22 Maio, 2017

Só pode ter sido um valente lapso. Homenagear Salvador Sobral pela vitória da canção portuguesa no Festival da Eurovisão, no Parlamento, com uma estrondosa ovação em pé de todas as bancadas, com direito a almoço com Ferro Rodrigues (quase levado ao colo) e não terem feito o mesmo, em 2016,  com Tony Carreira quando recebeu o Título de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras Francesas, é distracção, só pode. Este populucho governo alegre e optimista que não deixa passar uma oportunidade para se destacar nas vitórias dos outros, sejam elas quais forem, esquece uma distinção destas onde um artista nosso é homenageado por um país estrangeiro a par com Bob Dylan, David Bowie e Amália Rodrigues? Não, não, só pode ser engano… Ler mais…

O “Império dos Sentidos” por amadores

21 Maio, 2017

Não há vivalma nesta terrinha onde Judas perdeu as botas (as que a Dora encontrou a tempo da Eurovisão) que não comente a desgraça que foi o Correio da Manhã ter republicado um vídeo com actos sexuais praticados num autocarro dos transportes públicos (s.m. pl. qualidade de coisas que não são praticadas em privado ou que não são, elas próprias, propriedade de algo ou alguém). É curioso que tal aconteça por unanimidade (a que o Senhor Presidente chama consenso e as pessoas normais chamam lamúrias de Viúvas Socráticas) tomando em consideração as diferentes interpretações do conteúdo do dito vídeo, que variam de “violada em público” a “grande tarada, ela queria era mais”. A omnisciência tuga é uma maravilha da natureza que permite aferir tudo, desde “o que os portugueses querem” ao grau de excitação sexual de pessoas em vídeos que mostram zonas pélvicas cobertas de ganga.

Menos surpreendente que a crítica unânime à publicação do vídeo é o número de vezes que o vídeo foi visto pelos críticos. Desde o tempo em que o arcebispo de Braga, D. Eurico Nogueira, afirmou nunca ter visto algo tão nojento (passo a citar: “horríveis vómitos”) como o “Império dos Sentidos” em 1991, que sabemos que o nosso clero, da Madre Câncio ao Presbítero Daniel Oliveira, se enjoam com facilidade com tudo que assistem até ao último segundo. Em particular a partir da quinta ou sexta visualização.

Os Quatro “Efes” de Costa

19 Maio, 2017

Depois da ressaca dos 3 FFF,s (Fátima, Futebol e Fado) a que a nação inteira se rendeu, seguem-se as do Costa, quatro (a última é bónus), que nos trazem de regresso à dura realidade: Farsas, Fingimentos, Falcatruas e Fritos (esta última, na minha terra cá no norte diz-se de outra forma, também com “F” mas aqui não convém usar). Desde Outubro de 2015 que os “efes” do Costa estão em marcha. Não tarda nada vamos ter uma apoteótica comemoração nacional onde também serão convidados especiais aquele trio famoso, Os Troika, para nos dar música da boa ao som da qual vamos dançar para caneco! Ah! Se vamos!! Vai ser uma festança onde vamos recordar ternamente os “bons velhos tempos” do pós Sócrates num festival comemorativo do tetra em assistência financeira!  Não é fantástico?!

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Portanto o culpado é o Correio da Manhã

17 Maio, 2017

O crime é alegado. Os criminosos alegados são. A vítima alegada é. Está bem de ver que nada disto alegadamente existiu. Logo a culpa é do Correio da Manhã como bem explicam a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Podia lá ser doutro modo?!

Uma crónica usando o template do Fernando Alves

17 Maio, 2017

Um homem aparentando os setentas ou, quem sabe, os oitentas, carregando no ombro um periquito azul, sentara-se no banco de jardim onde Richelieu, em tempos, soltara um sonoro flato, e aí permaneceu por tempo suficiente para despertar a atenção do jovem Marchand, então inexperiente na que se tornaria numa longa carreira com abundante sucesso como jogral. Que teria este homem, tão misterioso, envergando encardido paletó servindo de pousio à exótica ave para que o distraído e ocioso bardo reparasse nele? Seria a baba que abundava pelos cantos da boca, como represas de digestão de uma vida de sabedoria? Seria a rebelde indiferença com que misturava meia azul num tornozelo com a meia branca do outro? Ou seria, porventura, o vigor com que esgalhava hirto pessegueiro em tão avançada idade, antes de comprimidos azuis, que tardariam a aparecer no mercado para salvar tantos anciões da precoce obsolescência na arte do amor, sem que denunciasse pudor e decoro perante púdicos transeuntes? Nunca saberemos. Mathis veio a escrever, uns anos mais tarde, que “é na agitação quotidiana que a tez se enruga de candura”. Na sua crónica de ontem, no Diário de Lomé, Hervé Gnassingbé escreve que Il y a des choses qui échappent et il y a des choses qui sont, como que recordando o homem que, em tempos, se sentou na espuma dos dias em banco partilhado por Richelieu a demolir preconceitos do seu e do nosso tempo.

Teresofobia

16 Maio, 2017

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Após algumas semanas de especulação jornalística acabou por se confirmar a recusa do Governo em nomear Teresa Ter-Minassian para o Conselho de Finanças Públicas. Quando ouvi António Costa, na Assembleia da República, a explicar aos deputados que a reputadíssima economista italiana não tinha o perfil necessário para a função, mergulhei imediatamente na internet para analisar o caso. Não sob o ponto de vista curricular, que não levanta dúvidas a ninguém, mas para tentar perceber, através de imagens, que monstruosa alteração física teria sofrido o elegante perfil que nos safou da bancarrota em 1983. Infelizmente, não fiquei esclarecido. É verdade que passaram 34 anos e que a frase de Yourcenar – o tempo, esse grande escultor –, não foi dita a pensar no corpo dos mortais; mas também não me parece que a actual silhueta da chefe de missão do FMI durante o segundo resgate do país prejudicasse assim tanto a estética das nossas instituições.

Só agora, quando soube que o nome da social-democrata Teresa Morais foi igualmente vetado pelo PS para um cargo público (e pelo mesmo motivo de “perfil desadequado”, segundo as palavras de Carlos César), é que entendi o desacordo. Claro que o curriculum da deputada do PSD não é nada de especial (licenciada, mestre e doutoranda na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi apenas professora universitária, advogada, assessora jurídica da presidência do conselho de ministros, investigadora, secretária de estado, adjunta do provedor de justiça e ministra, tal como a generalidade dos cidadãos portugueses), mas com um bocadinho da boa vontade de outros tempos seria suficiente. Afinal de contas, nem todos têm amigos que financiem o aprofundamento dos estudos em Paris, ou a inteligência necessária para, tal como Carlos César, chegar longe apenas com os graus académicos concedidos pela Universidade da Vida.

O problema – inultrapassável, percebo agora –, é o nome: o Partido Socialista terá um assunto mal resolvido com alguma Teresa e todas as outras estão a pagar pela embirração! E no caso da economista italiana a situação é agravada pelo apelido, que parece estar propositadamente a provocar o Largo do Rato, como se fosse um falso gago irritante e zombeteiro.

Em 1992, talvez sob a influência de um desgosto de amor, Quim Barreiros lançou um dos álbuns de maior sucesso da sua carreira, O Sorveteiro. No tema mais conhecido desse trabalho discográfico, o influente artista popular utilizou os seus dotes linguísticos para exorcizar os fantasmas que lhe atormentavam o coração, colocando todo um povo a cantar “Chupa, Teresa!” a plenos pulmões. Vinte e cinco anos depois, o PS encontrou uma outra maneira de fazer a mesma coisa, embora de um modo mais prejudicial para o país e ligeiramente mais brejeiro.

 

Se “nós” ganhamos o Eurofestival, o Sócrates também ganhou, que ele está no meio de nós

15 Maio, 2017

A histeria nacional em torno da vitória de um cantor no festival da canção da Eurovisão é bastante representativa da psique nacional. O cantor, de seu nome Salvador Sobral, venceu um concurso. Através da mesma lógica, não é difícil argumentar que a sua irmã, que escreveu a canção, também o venceu. O que é difícil é perceber o que é que eu venci e o que é o que o leitor venceu. Ao nacionalizar-se a vitória de um indivíduo, todos perdem, incluíndo os que agora ganharam.

O primeiro-ministro já puxou para si a vitória, como puxa tudo, tipo buraco negro que suga o que quer que se aproxime. Isto deveria ser pista suficiente para percebermos que não ganhamos absolutamente nada, que quem venceu a competição foi um indivíduo (ou dois, ou três…). Porém, é suposto estarmos ainda na fase de vencedores, mesmo não sabendo cantar nem escrever uma canção (ou, sequer, uma lista de compras).

Salvador, coitado, é aclamado como herói nacional, o passo essencial para a metamorfose em Anti-Cristo que, invariavelmente, acontece a todos os heróis nacionais. Não merecia isto: até parece bom rapaz, afinado, com baixa probabilidade de vir a viver em Paris numa casa “de um amigo” mal terminasse o necessário dinamitar do país. Outros coitados que chegaram, no passado, ao triste epíteto de herói nacional, como a Amália e o Eusébio, acabaram caracterizados como “bêbedas”, “quanto muito bissexual”, “analfabeto” e “afilhado do Salazar”. Prepara-te, Salvador.

Agora, lá até ao dia 20 deste mês, ainda estamos na fase “há portugueses estúpidos que nem merecem o Salvador”. Daí para a frente, é um só um tirinho até que os mesmos que agora endeusam um homem, o passem a tratar como o seu palhaço pessoal, incapaz de cumprir a função a que o destinaram, a de manter o heroísmo nacional vivo.

Não somos nós, os portugueses, que não merecem o Salvador. O rapaz é que, coitado, não merecia mesmo nada ter que levar com os portugueses.

Quero Lá Saber! Ganhamos Porra!

15 Maio, 2017

Sou do tempo em que o Festival da Eurovisão era imperdível. Uma noite de nervos, com a família em peso à frente da TV a torcer por Portugal. A ouvir depois os apresentadores a dizer: “Portugal two points”, “Portugal five points”,  para desalento de todos nós que não entendíamos como canções tão boas e interpretadas por vozes maravilhosas, não passavam do chão da tabela. Quando descolavam, o coração disparava e pensávamos” é desta!!” mas… depois, como que congeladas, as pontuações já não subiam mais e ficávamos a 7 lugares da vitória. Foi assim, com José Cid, Sara Tavares, Anabela, Dulce Pontes e tantos outros. Anos a fio… Lúcia Moniz foi quem chegou mais perto com um sexto lugar. Até ao dia 12 de Maio de… 2017.  Ler mais…

O Que Eles Querem é Aparecer

14 Maio, 2017

E lá estavam eles, Ferro, Costa e Marcelo, depois de fecharem a tasca à nação  mais cedo, a receberem o Papa Francisco com honras de Estado numa visita que não era de Estado. O Costa até alertou o cronista que só poderia ficar a tomar conta dos seus filhos ( que amoroso!) pela manhã porque depois seguia para Fátima. Não podia falhar o encontro (ele que nunca vai à missa).   Um gesto aliás muito bonito de propaganda mas que mais uma vez soou a marketing puro (que rica novidade!). Então e os outros cidadãos à rasca sem terem onde pôr os filhos? Só servem para pagar impostos? Quem pensa nesses? (ninguém, claro!). Mas pronto,  e lá foi ele…  até porque não sendo um “Papa selfie” como nosso querido Presidente, estar ao lado deste símbolo da fé cristã é bonito  e quem sabe arrasta mais uns votos extra (duvido muito!).

Marcelo que deveria ter sido o único a comparecer porque a ele lhe cabe esse papel,  com o entusiasmo de um verdadeiro crente e homem de fé, não conseguiu moderar o abanar do braço de sua Santidade que quase esgaça sob o ar algo incómodo de Francisco que muito provavelmente se perguntava em silêncio, “já paravas, não?”, de tanta emoção sentida. Sentimentos genuínos de um homem verdadeiramente crente e católico praticante.  Estava, esse sim, no lugar certo.

Os outros dois,  ateus, agnósticos, laicos, hereges e maçons assumidos, a governarem em coligação com comunistas (alguém se lembra dos ataques à Igreja no PREC?), que defendem por um lado um Estado laico mas expropriam friamente a privados para financiar com dinheiros públicos  (algo inédito e nunca visto em relação a outras religiões)  a construção de uma mesquita em Lisboa, e portanto ligados a tudo quanto é luta contra esta prática religiosa, mostraram sem o querer e numa dimensão astronómica,  o quanto o ser humano pode ser hipócrita para manipular e construir uma imagem à custa, neste caso,  da religião. Sabendo eles da importância do Papa na vida dos católicos, em lugar sagrado como Fátima, estenderam a máquina eleitoral transformando um evento espiritual num circo mediático só para aparecer. Um nojo.

Nasci numa família profundamente cristã que todos os domingos se vestia a preceito para ir à missa sem falhar uma. Estudei em escolas católicas no Canadá e cá num colégio de padres.  Fui várias vezes a Fátima e em todas, sem saber porquê, a emoção tomou sempre conta de mim. Contudo à medida que fui crescendo não consegui segurar esta minha natureza crítica de quem não se conforma com o vê. Apesar de ser uma mulher de fé e profundamente espiritual, passei a questionar sem obter respostas que me levassem a consolidar a minha crença. Se hoje não sou praticante é por culpa dos homens da Igreja que teimam em encher o mundo mais de palavras que de acções. E tal como na política, não aceito a inércia de quem tem todo o poder mas não o usa como deveria em prol dos outros. Contudo, continuo fiel aos ensinamentos católicos que aplico no meu dia a dia escrupulosamente abominando toda a hipocrisia existente nos que se dizem praticantes e são simplesmente umas bestas.

Por isso, se não suporto num cristão este comportamento dúbio, revolto-me ainda mais quando vejo os políticos de velinha na mão e nas missas do Santo Padre! Porque Fátima, meus senhores,  não é o lugar dos que passam o tempo a atacar os católicos, que gozam com suas crenças, que não respeitam a sua devoção. Fátima é um lugar de fé, de culto onde não há espaço para quem não sente e vive em Deus. Estar nos dois lados é estar em nenhum.

E sinceramente, se tivessem só um poucochinho de vergonha faziam de tudo para não aparecer.

Serviço público da ética republicana laica

13 Maio, 2017

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A Corte e os Bobos

12 Maio, 2017

Nos últimos dias, não houve cabrão todo laico e dos que considera um perigo a existência de crucifixos na escola — como que reconhecendo que esta é frequentada por vampiros — que se livrasse da hipocrisia de enaltecer o Papa, a relevância de Fátima para os portugueses e o papel da fé na vida quotidiana de pessoas que precisam de alento e que, infelizmente, ainda não é totalmente providenciado pela figura do Senhor Primeiro-Ministro.

Graças a Deus, a Corte continua cheia de bobos.

Dom Januário voltou!!!!

12 Maio, 2017

Depois de anos a anunciar apocalipses sociais, subúrbios em chamas, multidões inanimadas pela fome, andava dom Januário Torgal Ferreira mediaticamente sumido até que Nossa Senhora de Fátima o tirou de tal recato (ainda duvidam de milagres?). Isto para dizer “Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”

Valha-lhe Deus, senhor dom Januário, e Nossa Senhora que, segundo diz, sempre o acompanha o que não é certamente o menor dos trabalhos da Mãe de Cristo! A imagem é de madeira, de madeira dom Januário!!!

É uma fé que nós cá temos!

12 Maio, 2017

Anos 60: Passavam às centenas. Quando interrogados pelos jornalistas sobre a razão daquele caminhar mais do que um responde com um lapidar “É uma fé que nós cá temos!” Falo de Fátima obviamente.

Anos 20: Os católicos portugueses tinham assistido sem grande reacção aos ataques à sua igreja, à prisão de alguns padres e às perseguições aos bispos. Às vezes reagiam mas a revolta essa só chegava quando o anti-clericalismo do Estado os impedia de exercer essa fé que tinham consigo. E assim o mesmo país que parecia aceitar com fatalismo o afastamento dos bispos das respectivas dioceses enfrentava as autoridades para continuar a ter as suas procissões, o toque dos seus sinos e não abdicava de todos os rituais inerentes a um funeral católico. É desse país e dessa fé que “nós cá temos” que nasce Fátima.

É também daí que advém o monumental desencontro que teve lugar em Fátima entre o povo e as élites. Estas, sobretudo nas suas vertentes mais revolucionárias, suspiraram todo o século XX por movimentos de massas e tiveram um, gigantesco, poderoso e contínuo, ali à sua frente mas preferiram olhar para o outro lado.

“Foi bonita a festa, P.A.S.”

10 Maio, 2017

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O jornal Observador, numa secção intitulada “Dicas Auto”, andou à procura do automóvel perfeito para um jovem de 18 anos. Sem querer dizer mal das propostas apresentadas, julgo que essa viatura idealizada ainda não existe; e só estará disponível quando as marcas conseguirem aplicar os conceitos de Pedro Adão e Silva ao desenvolvimento dos seus produtos. Confuso? Eu tento esclarecer: Pedro Adão e Silva é o que usa óculos, tem cabelo e não tem barba; o outro, que diz exactamente as mesmas coisas num tom de voz mais agudo, chama-se Pedro Marques Lopes.

Mas voltemos aos carros e ao Pedro que usa pente e gilete. Numa das suas crónicas do Expresso, comentando o exercício orçamental de 2016, concluiu que, contrariamente ao que nos dizia Passos Coelho, sempre havia uma alternativa às políticas de austeridade. Esta incursão de Adão e Silva nos terrenos da ficção científica, mais especificamente na problemática das viagens no tempo e respectivos paradoxos, permite estabelecer alguns paralelismos com o famoso filme de Robert Zemeckis, Regresso ao Futuro. Nesse grande sucesso dos anos 80, a personagem interpretada por Michael J. Fox utiliza papel de carta e uma caneta de 1955 para impedir o terrível homicídio do seu amigo “Doc” Brown que iria ter lugar em 1985; no seu texto, Pedro Adão e Silva tenta utilizar a situação económico-financeira portuguesa de 2016 para impedir a terrível austeridade que se abateu sobre o país em 2012. Se em 2016 foi a “pós-verdade” a feliz contemplada com a distinção de palavra do ano, é justo que em 2017, graças a este tipo de análises, se atribua o galardão à “pré-alternativa”.

Esta incursão do cronista nos territórios da anterioridade não é de agora e é já bem conhecida dos seus leitores. Em 2009, ao subscrever um famoso manifesto pelo aumento da despesa pública e investimento, tornou-se num dos pilares vivos da pré-bancarrota; e em 2014, ao assinar o manifesto pela reestruturação da dívida contraída para financiar a despesa pública e o investimento que antes defendera, mostrou pertencer ao estágio de desenvolvimento moral característico da pré-escola.

É por isso que o automóvel perfeito para qualquer jovem, o tal veículo que ainda não foi inventado, será o pré-carro, aquele que poupará o recém-encartado de 18 anos da vergonha que passou aos 14, quando, todo suado e a cheirar mal, apareceu de bicicleta em casa da sua amada.

 

Venezuela? Onde fica isso?

8 Maio, 2017

Não se passa nada. Ninguém vê nada. Ninguém ouve nada. Tudo cego, surdo e mudo como manda o politicamente correcto. Que o diga nosso querido presidente dos afectos ao referir que o “bom senso impede que se fale da Venezuela.” Que engraçado… O bom senso também não pediria o mesmo em relação ao líder da Síria, da Turquia, da Coreia do Norte, da Rússia ou até dos EUA? Porque não metem aqui o nariz onde temos 550 mil portugueses? Ah! Já sei… Porque este era o regime de referência do PS de Sócrates, BE e PCP na luta contra o imperialismo tendo sido apontado por estes como um exemplo de sucesso (o único) do socialismo… Pois… Como eu os entendo… Meter a viola no saco e fingir que nada se passa para fugir por entre os pingos da chuva… Claramente. Reconhecer o fracasso (mais um) do socialismo dói para caraças.  Ler mais…

Parece que também foi uma vitória das Catarinas

7 Maio, 2017

Parece que, para já, a França continua no euro. Imagino que seja um alívio para as pessoas que, em Portugal, dizem que querem sair da moeda única, pelo menos a julgar pelo ar de festa. Portugal sempre foi abençoado com terreno fértil, o que tende a gerar um número muito grande de espantalhos plantados em quintinhas, que, bem vistas as coisas, é o que estes grupinhos a que se chama de partidos são.

O artigo de hoje do Vasco Pulido Valente é, sem demérito de tantos outros, de uma precisão cirúrgica. Ver a esquerda mais boca-de-sino entusiasmada com a vitória de Macron, apesar das propostas que estes debitam recicladas das frentes nacionalistas de outros países com atraso de uma década, não é paradoxal, é fruto da propensão nacional para comer todo e qualquer estrume que permita florescer mesquinhos arautos da inveja.

Para o dr. Costa, esta vitória tresanda a alívio. Ainda bem: enquanto choverem moedinhas, o homem lá se vai mantendo sob benção da Europa que vai ladrando até que o cão a morda sem mais avisos. Que as negociações do Brexit caminhem a olhos vistos para o triunfo da vingança pueril só mostra o quão a psique nacional está em sintonia com a dos eurocratas. Não fossem os problemas da próstata inerentes da idade avançada destes e poderíamos fingir que nada se passa durante muito mais tempo.

6 de Maio de 1994

6 Maio, 2017

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(Achei que era bonito celebrar a data e, para isso, nada melhor que dois dedos levantados em honra a este daft twat.)

Está a arder? Deita mais gasolina que isso apaga.

5 Maio, 2017

Nas publicações online é costume dar títulos a artigos com afirmações optimistas tais como “o que podemos aprender com” seguido de algo que, alegadamente, terá um certo interesse pedagógico. Por exemplo, “o que podemos aprender com a eleição daquele camafeu que governa a Grécia”. Recentemente, vi uma dessas publicações e fiquei a matutar na resposta, como se fosse apresentada em forma de pergunta: “o que podemos aprender com a situação da Venezuela?”

Cheguei à conclusão que sei a resposta à pergunta imaginária: nada. Não podemos aprender absolutamente nada com a situação catastrófica da Venezuela. Há dois motivos para isso: o primeiro é que já todas as pessoas com um quarto de cérebro funcional sabem que é assim que evolui o socialismo, da fantochada dos líderes em fato-de-treino para a descoberta por desgraçados anónimos de receitas culinárias à base de terra, musgo e ratazanas; a segundo motivo é que os idiotas que insistem em louvar este tipo de sistema político estão mais preparados para entregar a mãe a um gangue de violadores do médio oriente (não são bárbaros, são exóticos) do que para constatarem as consequências do que defendem, apesar das inúmeras ocorrências ao longo da história.

É, ainda não foi desta que o socialismo funcionou. Vamos lá tentar outra vez.

O Sr. Bofetadas e Companhia Lda.

5 Maio, 2017

Não sou eu que o digo. Está devidamente provado e documentado  que é na ala esquerda que existe a maior intolerância a opositores. Qualquer pessoa que diverge daquelas criaturas é imediatamente rotulado de iletrado, fascista  e outros tantos mimos. Isto, os mais moderados… Porque os outros partem para a acção ameaçando quem se atreve a fazer contraditório. Foi João Soares a prometer umas bofetadas, agora é Ascenso Simões que lhe toma o gosto e segue pela mesma cartilha a um cronista. Ah!! Valentes!!  Outros preferem sugerir a demissão como Gabriela Canavilhas de um jornalista que não lhe caiu no goto ou Miguel Tiago a Teodora Cardoso por não ir na cantiga das contas do governo. Já Galamba pratica bullying com suas vítimas que vai desde gozar com a foto de perfil do Facebook até ao rebaixamento intelectual. O BE nem está com meias medidas: bloqueia no Facebook e está feito. E o Costa? Bem esse, não tem papas na língua. Quem se mete com ele leva carradas de insultos grosseiros que é para aprender a estar caladinho!! O modus openrandi desta gente é sobejamente conhecido e reproduz aquilo que a historia universal já provou: a esquerda é intolerante à democracia e liberdade de opinião a menos que…  concordemos e aceitemos tudo o que dizem. Era o que mais faltava… Ler mais…

tudo são consequências

5 Maio, 2017
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Rui Moreira é pessoalmente «independente»? Talvez seja, mas o executivo camarário a que presidiu nos últimos quatro anos não o foi, nem o poderia ter sido numa cidade da importância do Porto. De facto, o que Moreira efectivamente liderou foi um executivo onde o Partido Socialista predominou nas pessoas e nas políticas, com uma aliança minoritária táctica com o CDS, e uma hostilidade constante para com o PSD local e nacional, traduzida em actos diversos de que ter lá ido buscar o vereador Ricardo Valente não foi o de menor importância. Quanto ao mais, uma relação quase idílica, nas sintonias e nas afinidades pessoais, com António Costa, que o autarca nunca se incomodou que fosse intensamente divulgada na comunicação social, selada institucionalmente com a nomeação do seu secretário como um mais do que improvável ministro da defesa. Em troca de quê? Não se sabe, mas o facto permite todas as especulações sobre o futuro, como as que fez Manuel dos Santos. Por conseguinte, Moreira poderá queixar-se do que quiser, mas dificilmente da identificação da sua câmara, da sua pessoa e da sua candidatura com o Partido Socialista. Foi necessário para viabilizar o executivo camarário? Provavelmente. Mas não tem agora que se lamentar se o PS quiser tirar dividendos políticos da sua próxima eleição. Até porque, como popularmente se costuma dizer, quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele. Ou que não estranhe se as criancinhas lhe fugirem quando por elas passar. É que, na vida, tudo se paga.

Leituras:

3 Maio, 2017

«A imbecilidade das provas para crianças de sete anos», por Santana Castilho, no Público

O Galambismo

3 Maio, 2017

Há uma nova corrente ideológica “made in” Portugal. Depois do comunismo, liberalismo, socialismo e outros tantos “ismos”, eis que neste nobre país de descobridores, inventou-se o Galambismo. O conceito é simples: defender qualquer coisa hoje (mesmo que indefensável) para contradizer amanhã se for necessário, consoante os ventos e as marés, usando todos os argumentos à mão por muito ridículos que sejam, fazendo-os parecer válidos e inteligentes, nem que seja à custa do insulto ou rebaixamento intelectual do opositor. Esta nova ideologia política, inspirada noutra já extinta, o Socratismo, despontou para servir a Geringonça na sua propaganda política. Serve essencialmente para propagar ideias feitas, por vezes sem nexo, para delas fazer umas “grandes verdades”  depois de repetidas até à exaustão. Confusos? Eu explico. Ler mais…

Breaking News: incendiários reformados dizem que, sem fumo, se respira melhor em Portugal

3 Maio, 2017

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Um dos maiores motivos de orgulho dos apoiantes do governo das esquerdas é a acalmia generalizada da sociedade portuguesa desde a tomada de posse de António Costa. E essa satisfação é curiosa na medida em que a principal ocupação de muitas dessas pessoas num passado próximo era precisamente a de agitar de modo generalizado a sociedade portuguesa! Estamos por isso a falar de guerrilheiros que apreciam e elogiam a paz, mesmo quando essa paz é a simples consequência de terem dado por terminadas as suas próprias actividades de guerrilha. Apesar de parecer estranho, e até, à primeira vista, revelador de alguma desfaçatez, devemos ter uma certa condescendência na análise. Estes cidadãos, afinal de contas, sacrificaram-se pessoalmente de cada vez que, com os seus berros, fomentaram a berraria dos outros. São como aqueles pais, que depois de assentarem duas valentes palmadas no rabo do miúdo, lhe dizem com voz angustiada “doeu-me mais a mim do que a ti”.

Não sei os motivos que despertaram nos ex-agitadores esta súbita paixão pelo sossego, mas, tal como qualquer comentador ou articulista que se preze, não vai ser a ignorância que me vai impedir de discorrer largamente pelo tema. Uma das hipóteses é estarmos na presença de uma conversão: a caminho de Damasco, os combatentes da esquerda progressista viram uma luz, caíram dos cavalos, e ouviram uma voz divina que lhes pediu para baixarem o volume. É verdade que não consta que o perseguidor de cristãos Saulo, depois de se transformar no cristão Paulo, tenha começado a gabar-se da “descrispação” que trouxe ao Médio Oriente. No entanto, esta é uma explicação possível e sugere-se, à cautela, o registo da palavra pocialista.

Também se pode dar o caso de todo este silêncio ser uma mera consequência da falta de razões para protestar. Ainda na semana passada foi divulgado pela imprensa que vários concelhos do país vão deixar de ter ambulâncias do INEM durante a noite, um claro sinal de que o investimento público no Estado Social tem sido de tal amplitude que o Governo já consegue garantir que nenhum dos habitantes daquelas áreas geográficas irá ficar doente entre a meia-noite e as 8 da manhã. Mais umas semanas de reforços orçamentais e a medida poderá ser alargada a todo país; mais uns meses e as ambulâncias deixarão igualmente de ser necessárias durante o dia. E nessa altura, sem as incomodativas sirenes, a tranquilidade da pátria será ainda mais profunda.

 

Bofetões podem colocar em risco a paz social

3 Maio, 2017

Admito que pertenci ao grupo maioritário de portugueses que não votou em António Costa. Eu sei que fomos muitos, bem mais dos que os que votaram, porém, isso não nos qualifica para questionarmos os desígnios do Senhor Primeiro-Ministro nem para perturbarmos a sua acção governativa com questões. Mal era quando um PM nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Felizmente, temos um PM que não perde tempo a ouvir as dúvidas dos outros, quanto mais a ter, ocasionalmente e por obra do acaso, as suas próprias dúvidas. Más línguas poderão dizer que tal acontece pelo melhor, que o homem não saberia responder e muito menos comunicar qualquer ideia que, acidentalmente, lhe tocasse tangencialmente o cérebro dourado, mas eu não penso assim.

António Costa é um génio: um ser superior, dotado de inteligência fulminante de concêntricos relâmpagos com sapiência e brilhantismo que ofusca uma supernova. Um ano e meio de Geringonça foi suficiente para alcançar a paz social da patusca alegria pastoral do país. Um cão que morde de vez em quando, um ou outro incêndio, uma pessoa que ainda come bolas de Berlim e fuma cigarros (coitada), um ou outro adepto de clube acidentalmente assassinado, gente comida por ondas numa praia e zero idosos que morrem em ambulâncias, que, aliás, foram retiradas precisamente para que não ocorra tamanha catástrofe. De resto, paz total, apenas perturbada quando um bruto qualquer da grande finança internacional diz coisas feias de nós, os portugueses patuscos, e que, por mera fatiga radiante de Verão, passa pelo filtro implacável do jornalismo-Baldaia (para nem gerar o riso a meio da frase, opto por nem mencionar o jornalismo-chupa-chupa-que-o-amigo-paga daquela maluca que co-adoptou todo o aspirante — e sobretudo inspirante — a vénia no Bairro Alto, a Madame-hiena que trouxe o Ballet Rose para o século XXI).

Conseguir tamanha façanha, a de transformar um país “asfixiado pela austeridade”, com gente a morrer em cada esquina, mães que comiam filhos e velhos que morriam sem eutanasiador oficial com seringa amiga, num país onde, queira a Europa — e quer, que eles querem é a felicidade de nós todos —, não há absolutamente nada que mereça a discussão, o protesto, a greve, a indignação, o istonãoseaguentismo, a dor poética de um texto onírico-azeites de um Porfírio e o romantismo pós-impressionista dos neocomunistas que digitam iPads, só pode ser obra de um grande, grande Homem. E/ou Mulher, para não ofender panegírico pan-género (vulgo pan-ascas).

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Costa, meu amigo, só me resta uma dúvida que nem precisa, tal como as outras, de ser esclarecida: o doutor precisa mesmo de ter esses jornais todos? Não pode fundir isso tudo no Diário da Corte? Reserva espaço para as colunas dos cortesãos e pode manter uma redacção com um ou dois dos seus informados. Sempre se evitavam algumas bofetadas que ameaçam tolher a paz social tão duramente conquistada ao ultraneoliberalismo que mata.

Antigamente havia umas criaturas que após umas aulas de Físico-Química achavam que sabiam como funcionava uma central nuclear

2 Maio, 2017

Agora viraram-se para as finanças com a assinalável diferença que nas centrais nucleares não os deixam entrar apesar de se sentirem mestres na matéria e em matéria financeira, via cargo político, põem e dispõem.