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Deviam ter sido homens de vestido curto e saltos altos, isso é que era

26 Janeiro, 2018

O Financial Times, talvez para não ficar fora do grande comboio da indignação do momento, decidiu infiltrar duas jovens particularmente parvas, como que dotadas de uma inocência que nem Julieta aos 13 anos conseguiria ter, num evento londrino que pode ser descrito, na sua forma mais sucinta e precisa, como boys will be boys. Pois, parece que o Financial Times descobriu agora, assim como aquela parte do mundo que acha que os outros são parvos, que homens tendem a sentirem-se atraídos e são atrevidos com mulheres bonitas com vestidos curtos e saltos altos. O choque, o horror, o que diria a nossa avó§?!

Como nada disto tem ponta por onde se pegue e é mais demonstrativo da terrível falência da “tão necessária” educação sexual escolar, deixo-vos uma imagem tipo das que ninguém se incomoda que circule, que isto de usar a beleza feminina já foi chão que deu uvas e agora dá é delação e humilhação pública.

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§ É melhor não se perguntar à avó, a resposta “tivesse eu o corpinho que tinha em 1940” poderá chocar com os soluços juvenis do mundo contemporâneo.

Esta é a semana de

26 Janeiro, 2018

* admirar o The Post porque vem mostrar como os jornalistas levaram à destituição do presidente Nixon.

*mostrar apreensão pela situação vivida no Brasil  onde o poder judicial pode impedir Lula da Silva de se candidatar

carta aberta aos meus camaradas

25 Janeiro, 2018
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Meus Caros Amigo, Companheiros e Camaradas de esquerda e de extrema-esquerda,

Por favor, percam lá, de uma vez por todas, esse mau vício, que tão mal vos fica, de defender corruptos.

Ou antes, e em nome da tolerância, vou refazer esta frase: percam lá esse mau vício de defenderem pessoas sobre as quais recaem fortes indícios de corrupção, ou pessoas que já foram acusadas pelos órgãos legítimos de Estados de Direito, ou que já foram julgadas e condenadas por tribunais democráticos.

Por amor da Santa, deixem de ser seletivamente «escrupulosos» nos vossos juízos morais a propósito de políticos. Não se encrespem quando aqueles que vocês consideram, infelizmente, os vossos, sentam os rabos no mocho e prestam contas à justiça. Não criem distinções entre bandidos «bons» e bandidos «maus», muito menos por razões ideológicas. Sabem porquê? Porque esses tipos não têm qualquer espécie de ideologia. São simples ladrões que se riem de vocês, quando vos vêem a defendê-los e a porem as mãos no fogo pela «inocência» deles.

Deixem lá, de uma vez por todas, de exultar quando o Oliveira e Costa ou o Duarte Lima vão presos, ou quando a justiça cai em cima do Salgado, para depois acusarem a justiça, a mesma justiça que condenou aqueles “fascistas”, de perseguição ao José Sócrates (aí, o Costa, que é mais fino do que vocês, bem se pôs a léguas do mártir, deixando-o entregue à «sua verdade»…).

Deixem lá, de uma vez por todas, de exaltar com a prisão do Eduardo Cunha ou do sexagenário Maluf (o fascista da Arena que se tornou num compagnon de route do “Lulinha, paz e amor”, que com ele tirou fotografias aos abraços para elegerem, em São Paulo, o Haddad…), para depois apontarem o dedo aos juízes que, em vários tribunais e diferentes instâncias, condenaram «o político mais sério do mundo» a vários anos de prisão. Será que o Moro e os três juízes que ontem confirmaram, fundamentadamente, a sentença de primeira instância são todos corruptos? Bonzos do grande capital a perseguirem o «paladino do povo»? Vocês conseguem dizer isso sem se rirem? Que lata!

Ou será que para vocês o Estado de Direito se faz nas ruas? Ficaram muito impressionados com aqueles milhares de apoiantes do Lula, reunidos à porta do tribunal? Vamos fazer justiça popular? Vamos linchar os juízes que condenaram «o filho do povo» e levar o camarada Lula, aos ombros, para o Palácio da Alvorada? E por falar nos direitos políticos do «Lulinha, paz e amor», fazem vocês alguma ideia de quantas centenas de políticos brasileiros estão impedidos de se candidatarem seja ao que for por suspeitas de corrupção? Por que não escrevem em favor desses pobres «perseguidos» pela justiça «corrupta» do Brasil? Sabem como é que se enchem praças brasileiras de «apoiantes» seja de quem for? Sabem como é que os caciques brasileiros chamam aos eleitores cujos votos dominam e vendem a quem lhes der mais dinheiro: os «currais eleitorais». Tratam as pessoas, o povo que vocês dizem defender, como porcos.

E se vocês se preocupam tanto com a voz das ruas, por que é que não escrevem nada, como a Menina Mortágua escreveu sobre o Lula, a condenar o Maduro por continuar a oprimir um povo que nelas se manifesta e por ter mandado assassinar o maçon Oscar Pérez? E já agora, perdoem-me a ironia, por que não rasgam as vestes para defender esse filho do povo norte-americano que responde ao nome de Donald Trump da perseguição que lhe tem sido feita pela comunicação social às ordens de alguns sinistros capitalistas, como George Soros? Será que não foi o povo americano quem o elegeu? E, se é a rua que dita a lei, querem contar as cabeças que aparecem nas fotografias do III Reich, com populares alemães a esticarem o braço direito ao Hitler? Não é por aí, pois não? Não, não é. Ou melhor, para vocês é, conforme vos convém, mas não devia ser.

Pois é, meus caros: a Democracia e o Estado de Direito assentam no princípio da igualdade. Neles não há cidadãos de primeira, de segunda e de terceira. Todos somos iguais perante a lei. Somos iguais uns aos outros. Não vendam os vossos ideais – se é que ainda os têm – pela «honra» de ladrões. Não conspurquem a justiça se ela chamar à responsabilidade aqueles que foram os vossos heróis. Lamento muito, mas enganados uma vez todos podemos ser. Duas, só se formos os burros ou desonestos.

Deviam fazer uma lei: a malta de esquerda não se senta no tribunal!

24 Janeiro, 2018

Joana Mortágua: Só o povo será o tribunal de Lula”

PCP: O Partido Comunista Português solidariza-se com a luta das forças democráticas e progressistas brasileiras e do povo brasileiro em defesa da democracia e pelo direito de Lula da Silva se candidatar nas próximas eleições presidenciais no Brasil.

 

Ajuda? Não, obrigada

24 Janeiro, 2018

New Oxford exam times help women. An extension to the time allowed for all maths undergraduates to sit papers has boosted the grades of female students

O croquete mata mesmo

23 Janeiro, 2018

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Ah, o doce sabor das férias, longe do reboliço desta cidade que nos sufoca com turistas e veículos à estonteante velocidade de 45 km/h e tuk-tuks que se vêm a nós entre uma paragem e outra. Estás feliz por finalmente termos umas férias só nós os dois, sem as crianças, querida? Crianças! Vês como ainda me custa aceitar que cresceram, que já não são crianças? Até a Joana, a pequenina, que daqui a um mês já terá idade para mudar de sexo e daqui a dois anos está a poder tirar a carta de condução… Sempre achei que o Pedro ia longe, desde pequenino. Estou tão orgulhoso dele, com o negócio de medicamentos para enjoos que montou na varanda… Mas vai saber bem estarmos sem eles estes dias, não vai? Olha, vamos entrar agora numa zona de pinhal de sobreiros, presta atenção.

Sinto-me um bocado esquisito… Não sei… É uma dor que estou a sentir, não sei se é cansaço… Ai… O meu braço… Ai… Ai… O peito… Acho que estou a ter um enfarte. Vou parar. Liga para a ambulância…

Ela tentou ligar, mas os inibidores de rede móvel do Costa são mais eficazes do que os métodos de evacuar pessoas em incêndios de grande proporções. Morreu. Ao menos, morreu tranquilo, não foi assassinado pelo maldito kit mãos-livres que tantas mortes rodoviárias causa.

A autópsia revelou que foi mesmo um enfarte. De certeza, consequência de tantas viagens exóticas a bares de hospital para comer croquetes.

 

¿Saben lo que es la monja chismosa? ¡Es terrorista!

23 Janeiro, 2018

El demonio es mentiroso, y además es chismoso. Busca dividir, quiere que en la comunidad unas hablen mal de la otras””¿Saben lo que es la monja chismosa? ¡Es terrorista! Tira la bomba, destruye y se va tranquilo. Monjas terroristas no, sin chismes.

Num país que sofreu o terrorismo numa das suas formas mais alucinadas – o Perú com o Sendero Luminoso – o Papa achou por bem comparar as  freiras fofoqueiras aos terroristas. A visita do papa Francisco ao Chile e ao Perú está a correr mal, muito mal mesmo. Não fosse a esquerda achar que o papa Francisco é um dos seus e ia uma onda de indignação por esse mundo fora.

“E viveram assim-assim para sempre”

23 Janeiro, 2018

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No final do ano passado, em entrevista ao canal americano CNBC, Mário Centeno defendeu que tinha chegado a hora de colher os frutos da austeridade; na última semana, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o mesmo Centeno afirmou estarem errados todos aqueles que lhe colocam o rótulo de anti-austeridade e de anti-Schäuble, uma vez que nunca se descreveu dessa forma.

Quando comparamos estas palavras com aquelas que são proferidas aos portugueses, vemos que o ministro das finanças é um grande fã do filme O Pátio das Cantigas, nomeadamente da parte em que Maria da Graça canta a música Conversa para Estrangeiro ao Ribeirinho. É que na “conversa para cidadão nacional”, a canção mais ouvida dentro de fronteiras, a austeridade, além de ter sido inimiga de qualquer tipo de apanha, deixou os pomares mirrados e moribundos, quase sem salvação possível.

Na opinião de alguns analistas políticos de grande qualidade, e também na minha, os ares internacionais funcionam para os nossos governantes como uma espécie de tiopental de sódio, mais conhecido na gíria por soro da verdade. Basta colocarem um pé em Badajoz e transformam-se imediatamente no advogado impossibilitado de mentir com que Jim Carrey nos divertiu nos anos 90.

Curiosamente, as versões propagadas no território nacional são sempre mais cor-de-rosa do que as transmitidas lá fora, como se a magia ficasse retida no posto fronteiriço de Vilar Formoso. Desconfio até que as histórias de embalar que os nossos ministros contam aos filhos quando estão em viagem sofrem ligeiras transformações. Uma vez no estrangeiro, em lugar de finais felizes, o mais provável é que a casa de tijolos e cimento do porquinho Prático seja abalada estruturalmente por um terramoto, acabando os três suínos na barriga do lobo mau; e que a Cinderela desenvolva um doloroso joanete que impeça o sapatinho de cristal de lhe entrar no pé; e que o Pinóquio resista a todos os malandros que o tentam desencaminhar no percurso até à escola, apenas para acabar morto de frio numa sala de aula devido à falta de aquecimento provocada pelas cativações orçamentais.

 

A Ideologia do Ódio

23 Janeiro, 2018

Era imperioso voltar a este tema. Sobretudo depois das reacções de algumas senhoras ao meu texto sobre assédio sexual. A discussão instalou-se no seio de algumas leitoras que de repente atacam como se houvesse discordância sobre o essencial. Mas há dúvida que TODAS as mulheres do Mundo abominam a violência e o abuso sexual sobre as mesmas? Pelo visto, sim. E a razão é muito simples: a ideologia do ódio já chegou também aqui.

O marxismo cultural é das ideologias mais perigosas que existem pela forma como se infiltra nas sociedades sem que as pessoas alvo se dêem conta. Fracturam, segregam e criam caos com recurso ao radicalismo extremista, para criar um novo Mundo facilmente dominável e dependente. É assim com os movimentos LGBT, com a questão islâmica, com as minorias  e agora as feministas. Como se estas questões não pudessem ser resolvidas com discursos moderados e sensatos apelando à aceitação e integração sem ódios. O problema é que do lado dos radicais não há espaço para o meio termo. Para o equilíbrio. Ou é tudo ou nada. Propositadamente. E é aqui que surgem as crispações.

Quando me insurjo contra as feministas extremistas não é porque aceito o assédio sexual. Abomino o assédio em todas as suas formas, sobre todas as pessoas, sejam mulheres, homens, idosos, crianças, deficientes, mendigos ou gays. É sim, porque abomino a ligeireza de rotular tudo como assédio. Porque o assédio é uma forma criminosa de subjugação, já contemplado na nossa legislação, a que ninguém pode ficar indiferente. Mas, cuidado! Passar de uma sociedade de homem machista que oprime e desrespeita mulheres para uma sociedade feminista machista que persegue agora os homens, não é evoluir. É inverter papeis de domínio.

Não quero que no futuro meu filho seja vítima desta loucura e vê-lo um dia ser preso porque tentou seduzir sem maldade, alguém.  As fronteiras entre o galanteio e o assédio estão de tal forma ténues que o simples olhar para uma rapariga bonita que passa na rua já é condenado. Foi exactamente isso que eu vi no programa da SIC, “E se Fosse Consigo”, em que uma miúda contabilizava de forma negativa todos os homens que a observavam à sua passagem como se isso fosse algo de terrível. Mas agora o que é belo não pode ter reacção? O que andamos nós a ensinar à nova geração? A odiar? Por outro lado, que reacção teriam as senhoras se um homem desfilasse na passadeira vermelha de Hollywood com uma vestimenta que pusesse seu sexo à mostra tal como algumas atrizes? Achariam ou não, provocatório? E se todas olhassem para ele, seria assédio? E levanta logo uma outra questão muito pertinente: e se for uma mulher a olhar para outra mulher bonita à sua passagem, é assédio? A ambiguidade desta questão levanta problemas sérios porque apesar de eu ser mulher nada me garante que outra fêmea homossexual não se sinta violada pelos meus olhos. E é esta questão interpretativa do que é ou não assédio, que convém travar antes que se torne lei. 

Outra questão que não suporto ouvir é que as mulheres não violam, não agridem, nem são protagonistas de assédio sexual. É falso. Elas não só fazem isto tudo como usam o assédio para atingir fins, sejam económicos, sejam profissionais. E nisto são peritas.  Sejamos honestos. Dizem essas feministas para se justificarem que, a existirem, estas  mulheres são em número reduzido. Falso outra vez. O que a vida me mostrou é que, não há queixas de assédio sexual por parte dos homens porque eles simplesmente não o vêem como crime. Aceitam e gostam. Não entram nunca por uma esquadra adentro para se queixarem do assédio (e elas sabem disso). Daí o silêncio das estatísticas.

Mas não são os únicos neste silêncio. Em tempos fui perseguida até ao limite por uma mulher a quem me neguei dar atenção depois de uma entrevista de trabalho. Seguiram-se ameaças constantes, mensagens e telefonemas  a qualquer hora do dia e noite. Acabou por desistir. Mas ainda hoje guardo tudo no tlm por precaução. Noutro episódio, num vestiário de uma loja de roupa, fui descaradamente tocada pela modista que me apertava o vestido. Nunca mais lá voltei. Dizer-se que  o assédio é uma mera questão masculina é redutor. Desde a libertação LGBT somos todos alvos. E elas, também agem de forma patológica sobre as vítimas. E nós mulheres também nos calamos sobre o assédio feminino.

As mulheres tardam em perceber que o fenómeno do assédio sexual masculino só se combate na educação de berço. Que são ELAS que têm o poder como mães de mudar esta realidade e que se temos os homens que temos é precisamente devido à educação que receberam ou não receberam da parte delas.

Porque todo o menino que aprende a respeitar, amar e proteger as meninas, com o exemplo dos pais em casa, não se torna num predador sexual.

 

 

 

 

Será que a Mariana Mortágua levou a mota?

22 Janeiro, 2018

Na passada semana tivemos a habitual performance bloquista com as demolições no Bairro 6 de Maio: Amadora. Demolições voltam ao bairro 6 de Maio. A Polícia Municipal da Amadora tentou hoje demolir uma casa onde viviam cinco pessoas. Grupo de ativistas impediu a demolição; O agente municipal responsável pela demolição avisou os ativistas para não passarem a linha de segurança definida, mas entre as trocas de palavras mais serenas, seguidas de resistência às ordens, os ativistas conseguiram obrigar as autoridades a recuarem e a terem de voltar noutro dia. Sentaram-se no chão e os trabalhos pararam. “Vamos embora. Por hoje”, disse ao i um polícia municipal.

Entre os activistas que activavam nas declarções aos jornalistas contava-se a deputada Mariana Mortágua. Desconheço o meio de transporte usado pela senhora deputada paar ir até ao Bairro 6 de Maio. Espero que tenha levado uma daquelas motas (certamente produzida num pais não capitalista) com que se faz fotografar. Sugiro aliás que a  senhora deputada que  declara viver em casa de amigos em Lisboa a comprar ou alugar um daqueles andarzinhos ou vivendas  em frente ao Bairro 6 de maio e que estão há anos à venda e não se vendem apesar de baratíssimos.Como ninguém vive no 6 de Maio ficava com aquele terrenozinho todo para arrumar os motociclos.

Ps. Como vou passar pelo 6 de Maio daqui aceito apostas sobre o número de moradores.

 

É tempo de dizer ‘basta’

21 Janeiro, 2018

Disseram-lhe que se sentiria fresca, que poderia fazer tudo o que lhe era vedado pela sociedade, tal como andar a cavalo, natação sincronizada e ioga sem roupa. O anúncio prometia tudo isso e mais alguma coisa, como a miríade de amigas com excesso de motricidade e sorrisos de sacarina envergando curtíssimas saias, as que, mesmo assim, oscilavam ao vento de Inverno no Ártico; ou até jardinagem de cócoras com uniforme de escoteira dez anos mais nova e um rapaz musculoso no limiar entre o bom gosto e o azeiteiro a assistir.

A realidade, contudo, não se compadece com o romantismo bucólico dos anúncios televisivos.

Quando saiu para os comprar, pensou que chegaria a casa com o bronze de modelo californiana dos anos 80 e a atitude assertiva de uma mulher a quem Sócrates dá dinheiro. Sentiu até uma gotinha de xixi a cair, tal a excitação de os ver na prateleira do supermercado. Comprou-os, transportando-os no saco opaco do Continente como quem sabe que transporta o fruto proibido, a chave para o Shangri-La, o encaixe que desencadeia a dinâmica do mecanismo que oculta o Graal.

Chegou a casa e introduziu-o. Saiu à rua, radiante por saber que saberia instantaneamente andar a cavalo.

Olhou para o lado e nada, nenhuma nova amiga francamente sub-vestida para o Inverno serrano, nenhum instrutor de ioga nu, nenhuma equipa de natação sincronizada em perfeita harmonia consigo própria. Até lhe doía a cabeça, sentia-se como que enjoada, maldisposta, irascível. Foi para isto que tentou, antecipou, que ansiou, investigou e determinou que seriam companheiros para a vida? E a jardinagem de cócoras com que tanto sonhara, tão realista como a senhora do anúncio do Neoblanc que se queixa de comprarem lixívias baratas numa casa de 3700m2 com vista para o Mediterrâneo grego?

Regressa a casa, agoniada, zangada, magoada, desiludida, como se toda a vida tivesse perdido o sentido, e escreve uma denúncia a publicar em todos os órgãos de informação. Começa assim:

“Sim, eu também fui violada pela Tampax”.

Uma semana no recreio

21 Janeiro, 2018

O Governo proíbe as crianças-pais de comerem queques nos hospitais, já a PSP faz comunicados explicando às crianças-filhos que não devem engolir cápsulas de detergente. Estamos no país-recreio. E um dos dogmas desse mundo-recreio garante que se se ignorar os problemas eles deixam de existir. Por isso praticamente não tivemos notícias sobre os 1031 carros queimados em França na noite da passagem de ano, nem sobre as agressões aos polícias em Agression de Champigny, nem sobre mais uma explosão de granadas na Suécia, nem sobre o movimento de adultos nascidos através do recurso a dadores de espema e óvulos pelo direito a saber quem são os seus pais…

Pelo caminho até esquecemos que em 2012 andou meio país a tentar convencer e pagar a Woody Allen para vir filmar em Lisboa. E claro temos esse novo grupo de práticas para agit-prop neo-realista que são os inquilinos velhos e pobres despejados em Lisboa.

Por outras palavras, é o recreio

Brexit: punir o Reino Unido?

20 Janeiro, 2018

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De forma mais ou menos dissimulada, continua a perpassar entre os dirigentes europeus e a opinião pública em geral a ideia de “punir” o Reino Unido pelo Brexit, desde logo colocando em causa ou condicionando o “acesso” ao mercado único da União Europeia.

A imbecilidade de tal coisa seria óbvia a todos não fosse o caso de, mesmo depois de séculos passados sobre a publicação de tratados fundamentais de Economia e da exaustiva evidência histórica, o conceito de vantagem comparativa não ser ainda compreendido (perdoa-lhes David Ricardo!) e o mercantilismo estar vivo como nunca (não faças caso, Adam Smith!).

Gostava de lembrar que Portugal não faz importações. Quem compra bens e serviços aos britânicos são os indivíduos e as empresas. Convém também não esquecer que o consumo de produtos e serviços estrangeiros é fruto das opções autónomas e voluntárias de cada um de nós.

Ninguém me obriga a comprar chá inglês ou uma camisola de lã escocesa. Compro esses produtos porque quero usufruir deles e prefiro ter esses bens a gastar o meu dinheiro noutras coisas ou de outras origens.

Assim, qual o argumento moral para que políticos se arroguem o direito de decidir por mim a origem dos produtos que posso consumir? Ou que direito terá a UE de, através de eventuais futuras tarifas às importações britânicas, me obrigar a pagar mais caro por produtos que poderia obter gastando menos dinheiro, não existisse esse imposto adicional? É o estado e os burocratas que decidem se é melhor comprar “europeu” ou britânico? A que propósito os produtores de chá e camisolas de lã “internos” seriam beneficiados à minha custa?

Além de indefensável à luz dos mais elementares princípios de economia e de ser um valente tiro no nosso pé, impedir ou tornar mais difícil o livre comércio entre o Reino Unido e a União Europeia no pós-Brexit é eticamente condenável.

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Onde Estão os Hipócritas Defensores dos Direitos Humanos?

19 Janeiro, 2018

Há um silêncio ensurdecedor à volta do que se passa na Venezuela. A começar pela comunicação social, essa aliada do governo em ofuscar, omitir ou atenuar tudo o que possa beliscar quem manda agora neste país. Eles que não nos poupam com o Trump seja porque bebeu água com as duas mãos, seja por causa de uns exames médicos que fez, seja por umas calinadas linguísticas, aqui tudo é importante escrutinar TODOS OS DIAS (tudo que não seja positivo, claro) sobre esta criatura. E a Venezuela com mais de 500 mil luso-descendentes a morrer à fome, miséria, opressão, não interessa? Onde estão agora, também, os intelectuais e os políticos que tinham em Maduro uma referência política? Ficaram mudos porquê? Estes portugueses não interessam a ninguém?

A Venezuela está a ser assassinada por um louco que mata a economia apesar de ser um grande produtor de petróleo (mas que ironia), provocando escassez severa de alimentos com uma inflação de mais de 2,300%. Que mata opositores entre eles Oscar Perez. Que mata o povo por falta de assistência médica. Que mata crianças por falta de comida. Um louco fanático que para não reconhecer o fracasso das suas políticas de esquerda rejeita apoio internacional. Mas um louco com lucidez suficiente para desarmar a população e aceitar ajuda de Cuba com milícias da sua tropa de elite, as “Vespas Negras “, para oprimir movimentos populares usando qualquer método dissuasivo como tortura ou morte. Com lucidez suficiente para comprar pessoas com caixas de comida barata para assegurar votos sob coação e manter-se eternamente no poder (não sei o que isto me lembra).

Entretanto há 31 milhões de pessoas desesperadas para sobreviver à morte certa. Fugas em massa com quilómetros de fila para a Colômbia, assaltos a supermercados e armazéns de comida, apedrejamento de vacas em propriedades privadas para matar a fome, a comerem do lixo, a comerem alimento para cães com a ONU a observar, observar, observar… que é o que de melhor sabe fazer. Observar. No meio deste observatório todo, marca debates, uns atrás dos outros, e vejam só até houve lugar a elogios ao esforço da Venezuela ao introduzir uma série de medidas em linha com as que foram recomendadas por Alfred de Zayas,( especialista independente da ONU para a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa), para melhorar a distribuição de alimentos e medicamentos. Está-se mesmo a ver o esforço de Maduro. Até lhe sinto o suor daqui… Francamente!

A História já nos demonstrou que com loucos tem de haver uma acção drástica por parte da Comunidade Internacional para resgatar os povos da morte e não esta hipocrisia monumental do “faz de conta que não é assim tão grave”. Lembram-se do holocausto nazi? Enquanto decorria quem conseguiu escapar denunciou a chacina. Revelou os campos de concentração. Que fizeram os aliados? No imediato, nada. Só dois anos e meio depois. Porque se o tivessem feito, muitas vidas teriam sido poupadas. Factos.

Nem mesmo com as evidências todas de uma nação literalmente a morrer de fome (veja aqui) a Comunidade Internacional se mexe para acudir a esta catástrofe humanitária. Onde andam os histéricos defensores dos direitos do homem? Não andam. Sumiram.

Quem sabe se isto fosse antes um caso de pseudo assédio de artistas de Hollywood ou uma manifestação contra Trump ou alguém a manifestar-se contra a islamização da Europa, a agitação não fosse maior e aí já teria destaque no “prime time” televisivo. A toda a hora.

Quem sabe.

 

 

Quem é que no aparelho activista está a precisar de casa no centro de Lisboa?

19 Janeiro, 2018

Cem casas no centro de Lisboa para quem não pode pagar renda
O título é bonito, o palavreado da senhora vereadora é decalcado da cartilha. fala-se de despejos que “Atingem maioritariamente pessoas com baixos rendimentos e idade elevada, que não têm capacidade para encontrar habitações que possam pagar e ficam assim sem capacidade para permanecer nos territórios onde subsistem as suas raízes e rede comunitária
Mas nada disto bate certo.
1) Quais e quantas pessoas são essas “com baixos rendimentos e idade elevada” ameaçadas de despejos? Ninguém sabe e a CML não apresenta números.
2) Em seguida temos a questão dos propriamente ditos  despejos das pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada”. Ora acontece que  os inquilinos com rendas antigas, mais de 65 anos ou deficiência igual ou superior a 60% e carências financeiras têm um período transitório de dez anos contado a partir do momento em que o inquilino respondeu formalmente ao senhorio sobre a proposta de aumento de renda.

Como é óbvio não estão a acontecer despejos mas sim saídas negociadas porque despejar alguém com mais de 65 anos e baixos rendimentos é quase impossível:

*Os inquilinos com menos de 65 anos, mas que comprovem ter carências financeiras têm um período transitório de oito anos. Têm ainda mais cinco anos em que se mantém o contrato, sendo que a renda não pode ir além de um quinze avos do valor fiscal do imóvel

*Se o inquilino tiver de ser despejado por causa de obras que custem 25% do valor patrimonial do edifício, o senhorio terá de pagar dois anos de renda ao inquilino.

*Tem carências financeiras uma família cujo RABC é inferior a 38.990 euros por ano, ou seja, 3.250 euros por mês.

Em conclusão, os despejos de pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada” são uma história muito mal contada.  Em nome da transparência é fundamental perceber quem vai viver nestas casas.

Estereotipar é humano

19 Janeiro, 2018

Ao longo da minha vida, como acontece com toda a gente, fui aprendendo a compartimentar pessoas em estereótipos, que, por muito superficiais e consequentemente caricaturais que sejam, me permitem determinar os limites e os tabus de uma conversa. Por exemplo, o estereótipos como o tipo activista dos costumes que sobe na horizontal (com o qual “bom dia” tanto pode ser uma violação como uma cortesia pela noite anterior), o tipo filho de pedófilo que compensa demasiado encontrando vítimas ficcionais entre estações, o tipo mulher-na-menopausa que pinta quadros fraquinhos numa vivenda algarvia e que lamenta os casos #MeToo mas por despeito de ter perdido a graça, enfim, categorias perfeitamente normais que toda a gente usa.

Ultimamente tenho pensado numa dessas categorias, a do deficiente mental a quem se pergunta opinião sobre sinistros rodoviários e que apresenta como solução a redução do limite de velocidade para 30 km/h. É verdade que é necessário “dar mais tempo a quem precisa”, mas também é verdade que é fundamental dar mais multas a quem as pode esbanjar a “acabar com a austeridade”.

Esta manhã, tentei durante uns minutos não exceder os 30 km/h. Foi difícil, em parte porque o carro – pequeno utilitário de baixa cilindrada, 9 anos de idade, barulhos de plásticos que adicionam poliritmos à simplicidade rítmica da pop comercial – desenvolve naturalmente de forma mais eficiente que a mula que transporta os cidadãos da tal categoria estereotipada; em parte porque a octogenária do carro de trás me gritou “destrava essa merda, ó capado”.

Como bom cidadão que sou, já mandei remover duas velas ao motor e estou ansioso por poder queimar gasolina prego a fundo para combater o arrefecimento global. Vós, os rebeldes, pagai lá a multa por uma questão de princípio tão estúpida como chegar ao trabalho ainda hoje.

Não descruzarás as pernas, bitch

18 Janeiro, 2018

Se eu fosse uma daquelas pessoas que tende a saber exactamente as motivações de alguém, diria que o texto do Henrique Raposo é motivado por uma preocupação pessoal com o bem-estar (agora diz-se bem-tar) das suas filhas. Como não sou, limito-me a dizer que o considero, quer ética, quer moralmente, tão erradamente desprovido de moral humana como quando foi tornado em regra pelo código criminal da União Soviética, com pena até três anos pela posse e distribuição de pornografia. Não é de somenos que o Partido Comunista Português seja, para grande infelicidade dos três solitários conservadores-liberais portugueses, a grande referência nacional do conservadorismo.

A certa altura, o Henrique diz que “não somos macacos à deriva num universo darwinista”. Sinto-me atingido. É precisamente isso que somos enquanto o acasalamento, e Deus nos livre que assim deixe de ser, for motivado por instinto e não por minucioso data mining de base de dados genética. Durante milénios, nós, os homens, soubemos procurar visualmente as ancas que nos providenciariam maior probabilidade de reprodução e elas, as mulheres, souberam guardar o poder da procriação para o macaquinho que aparente possuir melhores genes. Não é um método infalível, mas é — e talvez mesmo por essa falibilidade — inegavelmente humano. A espécie preserva-se assim: o mais forte e a mais atraente têm probabilidade superior a gerar filhos que assegurem posterior reprodução na geração seguinte. Sobre sermos macacos darwinistas nem se trata dizer que estamos conversados, trata-se de estarmos conversados desde o início dos tempos.

Porém, como já muitas pessoas salientaram, na generalização do homem como besta sem filtros e travões, coisa que nem os cães são (que não faltam cadelas capazes de dar valentes cargas de porradinha da velha ao cachorro desinteressante mais atrevido), o Henrique diz o seguinte:

O movimento #MeToo tornou-se imparável e a sua principal consequência será a revisão dos códigos morais e sexuais que herdámos da revolução sexual dos anos 60.

A primeira parte é verdade: é imparável, pelo menos até dar de trombas com a parede; a segunda parte é que não: os códigos morais e sexuais herdados da revolução sexual dos anos 60 não serão revistos, serão sim temporariamente metidos dentro das quatro paredes (e dos WhatsApp, e dos Instagrams, e dos milhares de recantos naturais e artificiais por esses caminhos de Portugal) enquanto não se tem a certeza absoluta de um potencial parceiro não ser um maluquinho dos que não percebe que a cada #MeToo só se obtém um futuro #NoSoupForYou.

Como também tenho filhos, um de cada sexo, e como isso parece dar-me automaticamente a posição de catedrático na matéria, acrescento que nunca ensinei (adenda: nem ensinarei) a rapariga a “cruzar as pernas”, a “não abusar do decote e da saia” e a “não se expressar através do corpo”. Porém, ensinei aos dois que é particularmente bonito partir o nariz a quem tem dificuldade a perceber que as mulheres não são para serem domadas, quer pelos que lhes ensinam a cruzarem as pernas, quer pelos que vêem em pernas descruzadas uma oportunidade para extravasarem a sua má rês, ambas sintomas da vontade de alguns por controlo dos outros.

 

É proibido fazer notícias sobre a violência na Suécia?

18 Janeiro, 2018

Deve ser porque apesarde naquele país agora explodirem granadas nas esquadras não se encontra quase referência ao assunto: Police station rocked by huge explosion – area on lockdown after ‘hand grenade attack’

 

Geringoncês

17 Janeiro, 2018

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Medina quer reavaliar consenso fiscal em Lisboa

TRADUÇÃO: Medina quer aumentar carga fiscal em Lisboa

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Presidente da Câmara de Lisboa diz que este é sexto ano de impostos baixos na cidade, mas que existe um contexto novo que leva à necessidade de reflectir sobre política fiscal.

TRADUÇÃO: Como a Taxa de Protecção Civil foi chumbada e a CML vai ter de a devolver o Presidente da Câmara de Lisboa quer ir buscar o dinheiro a outro lado

Das vantagens de pagar ao Nogueira & Associados para não falarem de fome à hora do telejornal

17 Janeiro, 2018

A APAV, em parceria com a Intercampus, voltou a aplicar em 2017 o inquérito que já tinha realizado em 2012 sobre “Criminalidade e Insegurança”, em que questionou os portugueses sobre o “sentimento de segurança” face à zona residencial e aos bens pessoais, sobre o “sentimento de segurança em termos pessoais” e a “experiência pessoal nos últimos 12 meses”.

Os dados divulgados esta quarta-feira, que resultam de 600 entrevistas feitas entre 24 de outubro e 11 de novembro a pessoas com 15 ou mais anos, residentes em Portugal continental, indicam “uma tendência para a expressão de um menor sentimento de insegurança por parte da amostra, quando comparados com os resultados obtidos em 2012”.

Como uma das explicações para o aumento do sentimento de segurança dos portugueses, Carmen Rasquete [secretária-geral da APAV] apontou o facto de haver “mais paz social neste momento”.

A responsável lembrou que em 2012 estava-se “no centro da crise económica” e “existia muito o sentimento de negativismo, de pessimismo quanto ao futuro, não só em questões de criminalidade como em questões pessoais”, relacionadas com a “insegurança sobre o futuro e a própria vida”.

 

Aos 5.17: magnífico

17 Janeiro, 2018

O esquizofrénico

16 Janeiro, 2018

«O secretário-geral do PS negou hoje ter dado o seu acordo à proposta do Presidente francês, Emmanuel Macron, para a criação de um círculo transnacional nas eleições europeias, contrapondo que os socialistas portugueses se têm oposto.»(*)

Já o primeiro-ministro António Costa assinou uma declaração juntamente com os outros chefes de Estado e de Governo em que se  «admite que poderia ser uma boa ideia” a questão da criação de um círculo eleitoral transnacional».(*)

Mas enquanto secretário-geral reafirma que  «O PS tem-se oposto, precisamente, à ideia da criação de listas transnacionais nas eleições europeias”, frisou António Costa».(*)

Portanto António Costa, reafirma que o seu partido é contra uma ideia que ele, António Costa, enquanto primeiro-ministro, entendeu como boa. Tá certo….

“Oh não! Outro filme de adolescentes”

16 Janeiro, 2018

Capturar

 

A justiça portuguesa está nas mãos de adolescentes. É um retrato preocupante mas não vejo outra forma de interpretar aquilo que os nossos dois semanários de referência – o Sol e o Expresso –, noticiaram nas suas últimas edições. O primeiro relatava o entendimento existente entre a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, e a sua grande amiga Francisca Van Dunem, ministra da Justiça. O segundo narrava o confronto aberto entre as duas magistradas, descrevendo-as como grandes rivais. Acreditando eu nas competências de investigação dos hebdomadários em causa, só posso concluir que Marques Vidal e Van Dunem eram as melhores amigas na altura em que os jornalistas do Sol pegaram no tema e, um ou dois dias depois, quando o Expresso se debruçou sobre o assunto, se tinham já transformado em inimigas figadais. E, como todos sabemos, só as adolescentes são capazes de uma variação dessa magnitude em tão curto espaço de tempo. Agora é só uma questão de confirmar se foram vistas com sapatos novos iguais durante a última semana e tudo passa a fazer sentido. É esta a grande vantagem de termos uma comunicação social à moda antiga: informação útil e esclarecedora, sem ficarmos na mão das redes sociais e dos seus constantes boatos e futilidades.

Diga-se de passagem que não é a primeira vez que sou visitado por esta suspeita relativa à idade mental dos nossos altos dignitários. Quando o ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o ex-procurador-geral da República decidiram destruir as escutas que envolviam o camarada José Sócrates, recordei, com saudade, os meus anos de liceu, em que usava todo o tipo de artimanhas, tretas e estrangeirinhas para safar os amigos dos castigos dos progenitores ou da ira das namoradas ciumentas. E aquelas que me despertam as mais gratas lembranças são as totalmente estapafúrdias, como quando afirmei à professora de História ter assistido com os meus próprios olhos ao momento em que o pastor-alemão Alarico devorou o trabalho que o meu colega João tinha feito sobre a brutalidade das invasões bárbaras. “Levou a peito”, disse-lhe, enquanto tentava puxar uma lágrima. Há poucas coisas mais bonitas do que a solidariedade entre portadores de acne e de hormonas instáveis.

 

E era assim

16 Janeiro, 2018

Vender a alma ao Diabo?

15 Janeiro, 2018

Podia começar isto com um daqueles elogios que os blogues de esquerda fazem quando o PS tem novo líder, sendo que “novo” tem o mesmo significado que “os mesmos do escândalo Casa Pia”, porém, tendo a limitar comportamentos ridículos à presença de pessoas com quem tenho sexo, o que, bem vistas as coisas, são eventos que frequentemente coincidem. Não pretendendo iniciar, então, como uma ridícula declaração de amor que mascare a efectiva lasciva típica da esquerdalhada sem eira nem beira, resta-me iniciar esta coisa desejando, mas não esperando, que Rui Rio perceba os portugueses que não vivem pendurados no orçamento de estado, o que, convenhamos, não é coisa pouca.

A doutora Manuela Ferreira Leite diz que “é preciso vender a alma ao Diabo”, mas, infelizmente, não especifica o valor que cobra. Porque é que alguém quereria tirar o PCP e o Bloco do chamado “arco de governação”? Quer greves, sindicatos na rua, o retorno da histeria esganiçada do istonãoseaguentismo? Não responda, caro leitor: são questões retóricas para a doutora Ferreira Leite após quatro anos a clamar por isso mesmo nos seus comentários televisivos.

Catarina Martins (não é doutora) diz que Portugal está muito abaixo da média europeia de enfermeiros por 100.000 habitantes. Segundo a actriz, são 6 em Portugal contra 8 no resto da Europa. Ora, qualquer aluno da primária calcularia que, então, Portugal precisaria de mais 200 enfermeiros, mas Catarina Martins (não é doutora), reagindo ao anúncio de contratação de 200 enfermeiros, diz que “não chegam” (não é doutora), que “só aqui, no Algarve, faltam 350 enfermeiros” (repito: não é doutora). Quer a doutora Manuela Ferreira Leite ouvir isto diariamente, de forma esganiçada, destruindo a audição dos portugueses e estupidificando qualquer aluno da primária? Acho que sim.

Em jeito de conclusão, porque os meus textos só têm introduções e conclusões (que de alegados miolos húmidos já temos que chegue e não quero mal ao DN), Rui Rio tem duas hipóteses: (1) ou percebe que já foi derrotado pelo número dos que dependem do orçamento de estado; ou (2) finge que não percebe para manter as Salomés sedentas de cabeças suficientemente tranquilas no dia das eleições legislativas. Pessoalmente, para mim é totalmente indiferente desde que se mantenha o istonãoseaguentismo sob controlo, algo que só é possível limitando as oportunidades da Catarina Martins fazer contas, ou seja, permitindo que continue “no governo”. Qualquer outra hipótese é suicídio (o que também não me parece mal).

 

Mais um dia como os outros

15 Janeiro, 2018

Ao que consigo perceber, portas que abrem para o lado errado em Tondela não são um problema; problema seria se se consumissem croquetes no estabelecimento, sobretudo se forem caseiros. Caseiros só os vasos dos medicamentos de fumar.

Por outro lado, acabamos o período das eleições internas do PSD onde discutirmos as trapalhadas de Santana Lopes sem mencionarmos qualquer das trapalhadas de Santana Lopes. Adiante, que hoje é dia do “perfil do aluno”, algo que, suspeito, quem inventou a coisa sabe tanto dizer o que é como eu.

Poderia elaborar mais sobre qualquer dos assuntos, mas não quero tirar lugar ao Presidente da República.

Eles Andam a Gozar Connosco

15 Janeiro, 2018

Se há coisa que me revolta imenso como cidadã é assistir a esta descarada falta de vergonha destes assaltantes de poder. Então como se explica que a lei SECRETA de financiamento aos partidos, vetada e bem pelo Presidente da República, depois do escândalo ter vindo a público, o PS diga descontraidamente que não vê nenhum problema na lei e por isso mantém as posições em relação à substância do diploma afirmando que volta a defender as mesmas posições? É simples: PS está falido e precisa urgentemente de cobrir a sua gestão partidária danosa e quer fazê-lo à conta dos otários de sempre: os contribuintes.

É preciso relembrar que o dito diploma vem introduzir o fim do tecto de receita de angariação de fundos  privados e ISENÇÃO TOTAL de IVA. Pior: tem efeitos retroactivos e aplica-se aos processos novos ou pendentes em julgamento. Assim, posiciona-se o PS que neste momento tem 7 acções em curso no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa onde reclama PRECISAMENTE (olha-me só a coincidência) para si a devolução do Fisco de IVA cobrado durante campanhas eleitorais! São cerca de 2 milhões de euros! Esta malta só pode estar a gozar connosco! E desde quando os partidos são entidades superiores aos cidadãos para terem este benefício?

O mais grave disto tudo é que os partidos todos recebem uma BOA subvenção pública por parte do Estado ou seja por parte de todos nós, pobres contribuintes. São cerca de 3€ por cada voto. Dirão que é a factura a pagar pela democracia. Que sem partidos não há democracia. Certo. Mas pergunto: E desde quando é que para ter democracia é preciso sustentar TANTA gente? Orgânicas tão complexas como se fossem autênticas fábricas de políticos? Quem foi que disse que com menos “pessoal”, menos encargos, menos despesas supérfluas em jantares, almoços, propagandas e passeios, a democracia sairia beliscada?

Na verdade TODOS os partidos querem que acreditemos que a gigantesca estrutura que eles criaram em volta deles faz falta ao país. Tretas! Só faz mesmo falta a eles próprios que se alimentam dela e a construíram de forma impenetrável para o comum cidadão. Onde as escolhas para o Parlamento são decididas pelo partido e não por sufrágio universal. Porque a nós cidadãos, não serve de todo. Se servisse, claramente, com tanto político intelectual nesses partidos, teríamos um país EXTRAORDINÁRIO com tudo do bom e do melhor a funcionar exemplarmente. Mas pelo contrário, vivemos numa espécie de Venezuela a caminho de uma Coreia do Norte? Podem explicar isto?

Não fosse a nossa integração na UE, e estarmos desde os anos 80 a viver à conta dos ricos da Europa e já nem uma Coreia do Norte seríamos! Seriámos uma miséria monumental europeia. Somos uns pobres mendigos  e rotos a fingir-nos ricos à conta de dívida. Muita muita dívida. Não brinquem com a nossa inteligência se faz favor.

Ao invés de leis de financiamento que aumentam regalias a partidos políticos, deviam ter a sensatez de REDUZIR e CORTAR como o fizeram aos cidadãos com o colapso recente do país. E nunca ao contrário. Mais: exigir maior controlo na gestão das contas dos partidos com mais penalizações a quem prevarica. Gerir dinheiros públicos exige responsabilidade e penas pesadas para quem não cumpre. Tal e qual como acontece com o cidadão.

Porque austeridade quando vem não pode ser sempre sobre os contribuintes para que os políticos continuem nas suas vidinhas fartas e sem sacrifícios. A isso chama-se gozar com a nossa cara e é de uma gravidade estonteante.

Já suportamos todos os anos a fio aumentos descarados de impostos a título de tudo e mais alguma coisa. Agora aumentam subvenções vitalícias a políticos e financiamento a partidos!

Mas estão a gozar ou quê?

 

 

o efeito ap-ucd

14 Janeiro, 2018
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Há algum tempo que estava para escrever umas linhas sobre isto: o que se passa com o actual PP e o C’s espanhóis pode bem ser uma repetição do que aconteceu, há mais de trinta anos, com a UCD – o então partido maioritário da direita espanhola, responsável por sucessivos governos e a que presidiu, por muitos anos, o mítico Adolfo Suarez – e a AP – o partido donde saiu o actual PP, liderado, nessa altura, por Manuel Fraga Iribarne, que não conseguia ganhar eleições. Percebendo isso mesmo, Fraga afastou-se da liderança, remeteu-se para a Galiza, onde ficou até morrer, e «deu» o seu lugar a um jovem que todos consideravam pouco carismático, que era presidente da Junta de Castela e Leão, chamado José Maria Aznar. Ao fim de sete anos, em 1996, o PP ganha as eleições, embora sem maioria absoluta, o que conseguiria nas legislativas do ano 2000. Por sua vez, a  UCD já se tinha extinguido em 1983, ao fim de um longo calvário. Agora, com muitos anos de governo, escândalos diversos de corrupção e um líder cansado, apesar dos sucessos económicos do seu governo, parece que o eleitorado espanhol de direita quer coisas novas. Rajoy que se acautele. E António Costa que ponha os olhos nisto e perceba que, mesmo com a economia a andar bem, em democracia não há governos eternos.

Mas ninguém consegue que ele pense antes de falar?

14 Janeiro, 2018

Como é seu hábito Marcelo pôs-se a caminho do local da tragédia mal esta se tornou conhecida. Como é seu hábito falou mais do que devia e sobre o que não sabe. A cada tragédia Marcelo discorre qual perito de sinistros: “havia ao lado uma porta precisamente que abria para fora. Mas como a que ficava em frente das escadas era a mais óbvia, evidente e mais utilizada porque a outra normalmente estava fechada… Aquela que podia ter dado a saída para o piso que ficou incólume [não foi usada].” Como de costume tira conclusões: «Marcelo diz que “tudo funcionou” no socorro»… Se Marcelo conseguisse contar até dez antes de falar até que talvez se aproveitasse alguma coisa do que diz.

Salvador Malheiro, o Marco António Costa de Rio

14 Janeiro, 2018
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Sendo ainda desconhecido da maioria do público, Salvador Malheiro é um nome a prestar atenção nos próximos tempos. Mais do que Morais Sarmento, foi ele o grande obreiro desta vitória de Rui Rio.

Salvador Malheiro não é um político qualquer. Teve uma carreira profissional e académica de sucesso antes de entrar na política. Com um doutoramento, daqueles a sério, na Universidade de Poitiers e um percurso de trabalho superior à esmagadora maioria dos políticos, claramente não é alguém que precisa da política para viver. Mas ao contrário de outras pessoas com o mesmo perfil, Salvador Malheiro tem outras características que lhe permitem sobreviver ao que de melhor e pior tem a política. Prova disso é a forma como conquistou a Câmara Municipal de Ovar e, alavancar esse poder para controlar a distrital do PSD contra uma lista forte apoiada por Luis Montenegro. A sua capacidade de domínio é tão grande que Rui Rio teve perto de 80% dos votos na concelhia de Malheiro e também ganhou o distrito confortavelmente. Mas a sua influência vai muito para além do seu concelho e distrito. Tem ainda melhor imagem e capacidade de estar em frente às câmeras que Rui Rio.

Rui Rio terá 62 anos nas próximas legislativas e dificilmente sobreviverá a uma derrota eleitoral ou a um resultado que não lhe permita ser primeiro-ministro, mas Salvador Malheiro ainda não terá completado 50 anos nessa altura e poderá ser um forte candidato da ala de Rui Rio às directas de 2020. Seja como for, é um nome a prestar atenção nos próximos tempos.

O pudim

14 Janeiro, 2018

A imagem que melhor define o que vivemos não vem da política nem da História mas sim da culinária: nós somos um pudim. Pouco consistente mas um pudim em que as diversas fatias se amparam umas às outras na expectativa do momento em que caia a primeira. Entretanto Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio e António Costa estão à espera de acertar com a sua hora Macron. Esse momento em que um homem pode cavalgar a onda de um regime que se procura regenerar. Sabem que esse homem virá provavelmente de dentro do regime e acreditam ser eles neste momento os melhores posicionados para o conseguir. Não ignoram também que há um quarto nome nesta espera: Passos Coelho

E que tal ver menos televisão?

14 Janeiro, 2018

Uma senhora apresentada como Grace diz ter sido forçada pelo actor Aziz Ansari a atos sexuais. O relato é um pouco confuso porque a fazer fé neste relato terá havido três tentativas mais ou menos falhadas. Causa espanto que estando ela tão contrariada perante as propostas do Azis não se tenha vindo embora logo à primeira situação. Mas não veio. Ficou. Aconteceu uma segunda tentativa. Aconteceu uma terceira. No fim acabaram a ver Seinfeld. Conclui-se daqui que a pobre não devia ter televisão em casa porque ninguém de seu juízo ficava a aturar contrariada um dislate daqueles só porque sim.
Mas entretanto a alegada Grace deve ter comprado televisão porque decidiu falar depois de ver Ansari a usar, nos Globos de Ouro, o pin de apoio ao movimento #MeToo, de luta contra o assédio sexual. Não tivesse ela visto o Ansari com o pin e ficava muda. Como aliás parece ter ficado durante o encontro com o dito Aziz Ansari porque ela acusa-o de ter ignorado as suas “indicações não-verbais”.
Tudo isto é uma palhaçada mas a mim os palhaços sempre me pareceram cruéis.

na vitória de rui rio

14 Janeiro, 2018
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Nunca acreditei na vitória de Rui Rio nas eleições internas do PSD. Parecia-me que a máquina do partido se movia maioritariamente contra ele, sendo que as suas prestações na campanha, sobretudo no primeiro debate televisivo, foram muito más, julgando eu que não mobilizariam ninguém. Rio – e não fui o único a escrevê-lo – parecia estar fora da política, ao contrário de Santana, cujas mil e uma vidas lhe voltaram a dar uma capacidade de combate que me impressionou. Todavia, pode ter sido essa a vantagem do agora presidente eleito: as pessoas comuns estão fartas de políticos e podem ter preferido quem mais aparenta estar-lhes próximo e distante dos conventículos partidários. Rio ganhou. Parabéns a Rui Rio.

Ao invés da opinião dominante, não acredito que Rio esteja disposto a facilitar a vida a António Costa e ao governo do PS. Como, aliás, também escrevi, parece-me que ele será um líder mais assertivo contra o PS, do que Santana poderia ter sido. Acredito nisso, por diferentes razões, mas, sobretudo, porque Rio tem um killer instinct, que o longo tempo de espera para a liderança do PSD terá certamente refinado, que Santana, habituado, de há muito, a convier com a política lisboeta, já não tem, se é que alguma vez teve. Por isso, acho que Rio vai surpreender na oposição que vai fazer a António Costa, bem como nas relações internas do seu partido, onde certamente não será um pau mandado dos baronetes que ajudaram a elegê-lo. Cavaco também foi eleito por alguns, e virou as costas a quase todos. Pense-se em Eurico de Melo, Carlos Macedo (que expulsou do partido) ou o pessoal da «Nova Esperança».

Posto isto, reafirmo o que sempre disse: Rui Rio está excessivamente velho para ser um líder de longo prazo, e a direita portuguesa precisa de muito tempo para se estabilizar e encontrar um projecto alternativo ao socialismo. O futuro do PSD e de um projecto de direita para o país dificilmente passarão por aqui. Mas, tal como me enganei no vaticínio sobre as eleições do partido laranja, talvez me possa enganar sobre isto. Mas duvido muito: a vida é o que é e o tempo não pára.

statlerwaldorf

Regabofe descarado

13 Janeiro, 2018

Ana-Catarina-Mendes-Antonio-Costa

Ana Catarina Mendes diz que PS “mantém todas as suas posições em relação à substância do diploma” sobre o financiamento dos partidos.

Quem ainda se surpreende com a amoralidade e total falta de vergonha do PS?

*

 

Gozando com o pagode

12 Janeiro, 2018

Segundo o próprio ministro, no dia 09 de Outubro de 2017 numa cerimónia de assinatura de um protocolo da Raríssimas, Vieira da Silva estava apenas a “dar um autógrafo como acto de boa sorte”.

Siga o circo!

*

 

A história desconhecida do almoço em que Santana Lopes convidou Pacheco Pereira para formar um novo partido

12 Janeiro, 2018
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Foi numa bela tarde de Janeiro de 2011 que resolvemos ir todos almoçar ao Gambrinus em Leiria. O Pacheco Pereira atrasou-se um pouco. Cansados de esperar cá fora com o calor que se fazia sentir, entramos sem ele. Passado 5 minutos ele chegou. “Já entraram? Estive a fazer jogging e entusiasmei-me, não vi passar o tempo”, justificou-se. “Não faz mal, as entradas aqui são baratas e fomos aproveitando”, retorquiu o Papa. Era um grupo variado. Nesse dia, a Sara Sampaio parecia muito insistente em sentar-se ao meu lado, ao ponto de empurrar a Rita Pereira quando ela estava prestes a tomar esse lugar.

Veio a sopa: uma Vichyssoise de peixe deliciosa. Enquanto a Sara Sampaio me passava a mão pela perna, vira-se o Luis Filipe Vieira e diz-me: “O Mantorras deve ir para o Barcelona no mês que vem. Ó Carlos, pá, nós estamos mesmo a precisar de um ponta de lança novo. Não queres vir aos treinos segunda-feira?”. Gentilmente, recusei, afinal ainda tinha pendente o convite para ir a Wimbledon no mês seguinte. Nisto, a Rita Pereira levanta-se e do outro lado da mesa pede-me para lhe ir mostrar onde ficava a casa de banho. Como cavalheiro que sou, levantei-me e encaminhei-a para a zona das casas de banho. Lá chegados, qual não foi a nossa surpresa, quando reparamos que a Sara Sampaio nos tinha seguido. “Deixemo-nos de coisas”, disse a Sara Sampaio, “ele dá para as duas” e arrastaram-me para dentro. Umas boas duas horas depois, regressámos à mesa, já estavam todos a terminar as sobremesas. “Perdeste um delicioso bife”, disse-me o Obama, “muito bem passado como tu gostas”. Nisto, Santana Lopes, que tinha passado o jantar todo calado, pergunta-me: “A minha filha Pimpinha anda à procura de marido. Ó Carlos, tu ainda estás solteiro não estás?”. Abano a cabeça. “Que desilusão”, diz o Santana,”mas já que estou numa de pedidos: ó Pacheco Pereira não queres formar um partido comigo? Formaríamos uma dupla imbatível.”. Já um pouco alcoolizados, o Batman e o Super-Homem disseram em uníssono: “Dupla imbatível somos nós!”. Gargalhada geral.

E é este o meu testemunho da história, absolutamente verossímil, do almoço em que Santana Lopes convidou Pacheco Pereira para formar um novo partido.

E do Assédio aos Homens, Ninguém Fala?

12 Janeiro, 2018

 

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Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos  instintos  reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas! Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo.

Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual. Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.

Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam  o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair  pessoas, não predadores sexuais. Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os  passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente?  Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…

Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto  se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente. Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama. Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam  nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém.

Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução).  Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos  nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.

 

 

 

 

 

Em que ficamos?

12 Janeiro, 2018

«Vereadora da cultura chocada com “atriz nua em palco a dizer asneiras“»- titula o DN. Ora em que ficamo:
A) a senhora vereadora é uma reaccionária que não percebe a libertação subacente a uma performance libertadora das pulsões atávicas reprimidas por um quotidiano marcado pelo heteropatriacado?
B) a senhora vereadora é uma feminista que enfrenta a hipocrisia subacente a uma performance que levou um actriz a expor-se às pulsões atávicas reprimidas por um quotidiano marcado pelo heteropatriacado?

Como é que as autoridades não descartaram de imediato que fosse terrorismo?

12 Janeiro, 2018

Cláudia, fotógrafa de casamentos, alegada neonazi, portuguesa e detida há dias por suspeitas de terrorismo
Então a Claudia não é maluca? Não há vez que rebente uma bomba, se atire ácido ou esfaqueie que as autoridades de imediato nos tranquilizem esclarecendo que está descartada a ligação terrorista sendo que o autor é invariavelmente alguém com transtornos mentais. Ora quando o terrorismo e o ódio ao outro por razões religiosas estava transformado num capítulo da psiquiatria eis que se constata que essa nova categoria não se aplica a todos.

Querida, temos que falar sobre os miúdos

11 Janeiro, 2018

A única diferença relevante entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes está no posicionamento de cada um em relação a futuros governos minoritários do PS. Rui Rio pensa que consegue convencer António Costa a repartir o poder; Santana Lopes sabe que isso não é possível. Como ninguém se deu ao trabalho de explicar a Rui Rio que António Costa, líder do partido que possui o regime, não precisa de ninguém para governar, bastando-lhe fingir que até governa com os maluquinhos quando se limita ao chinfrim necessário para aparentar ser mais que o mero bruto de circunstância, as probabilidades de Rio sair vencedor para a liderança do PSD são enormes.

O partido, incapaz de se resignar à sua insignificância de varredora-a-dias do chiqueiro em momentos que a sujidade é insuportável até para os recos, poderá bem optar pela solução natural de qualquer português: acreditar que desta é que será diferente.

É pena.